terça-feira, 31 de maio de 2022

CENA BAURUENSE (226)


PRA COMEÇO DE CONVERSA UM "FORA BOLSONARO" AOS SERTANOJOS
Não são só os cantores sertanojos que recebem grana alta deste desGoverno comandando pelo milicano presidente. Todos os apaniguados estão se enriquecendo, numa mamata criminosa e ainda sem punição. O BNDES virou banco para dar dinheiro para estes, vergonha nacional. Cito outro exemplo escabroso. Apesar dos inúmeros relatos de abusos e maus-tratos, além da completa falta de transparência, as "comunidades terapêuticas", nicho dominado por igrejas neopentecostais, nunca receberam tanto dinheiro. Essas são apresentadas como entidades de serviço social e não de saúde, diferença que torna praticamente inexistente a fiscalização sobre o trabalho realizado. A esmagadora maioria das instituições têm como pilar a religiosidade como parte do tratamento. Na prática, o acolhido precisa participar das atividades religiosas, para que aquilo que se entenda como tratamento surta efeito. Muita verba tem sido destinada a um setor que aposta na reforma moral do indivíduo e não possui qualquer padronização. O Brasil não precisa de comunidades terapêuticas, pois possui o SUS. O Brasil vinha há anos num processo de qualificação no modo como tratar e cuidar dos dependentes, mas agora desandou. Como pode usar dinheiro público para financiar algo que não se entende como tratamento? Isso é o Brasil do seu jair, o descapacitado na presidência.

CENA BAURUENSE
01. Em 25/04/2022 publiquei: "Em Bauru já tivemos três museus públicos em pleno funcionamento e hoje, findo o período mais crítico da pandemia, a imensa maioria dos museus país afora já reabriram suas portas, enquanto aqui, o único em condições, o mais famoso, o Ferroviário, não reabre e hoje apresenta justificativa plausível, o de estar em reforma, parte elétrica e estrutural, com placa neste sentido sendo fixada em sua fachada. Demorou, mas aconteceu e agora, a pergunta que não quer calar: quanto mais tempo permaneceremos sem nenhum museu aberto? Um prazo precisa ser estipulado. Não poderia ocorrer atividades externas, artísticas no seu pátio interno, de reenvolvimento da cidade com seu mais charmoso e importante museu?"
02. Em 26/04/2022: "Para quem achava não mais existir nenhuma banca de jornais aberta na madrugada bauruense, eis que na avenida Comendador, na quadra antes do santuário católico, Altos da Cidade, uma resiste ao tempo e as intempéries de tantas outras que feneceram no caminho. Essa diariamente, também pontualmente abre suas portas às 6h da manhã, se fingindo de morta e driblando todas as previsões dos que apregoam ser este um comércio em declínio: seu proprietário segue remando contra a maré, enfim, resistir é preciso".
03. Em 28/04/2022: "Esquina da Joaquim Silva Martha com Gerson França, lembranças inenarráveis de antanho no Bar Espuma Fria, do saudoso Toninho e hoje, revivendo o passado e bebericando umas geladas numa mesa na beirada da calçada, agora com novo nome, Bar do Valdir, aglutinando botequeiros em busca do último gole antes de adentrar seus lares. Fui um deles no começo da noite de hoje e o fiz relembrando a sapiência do Toninho, por mais de uma década na esquina, hoje ocupada de forma salutar pelo sucessor Valdir. Vida que segue".
04. Em 01/05/2022: "Rua Bernardino de Campos, quadra abaixo da Campos Salles, virando à direita, com casas antigas, primórdios da vila Falcão, reduto de trabalhadores".
05. Em 05/05/2022:"Rua José Carneiro, vila Falcão, possui uma só quadra e faz parede meia com a antiga Oficina da NOB, antes reduto de trabalho da maioria dos que ali residem. Hoje, com o mato tomando conta até dos muros de divisa, acabou por se transformar num incômodo vizinho, desses que a gente, mesmo diante do problema, não tem a quem reclamar e no piso que reveste a rua, não se sabe se é de terra ou de pedrisco, pois asfalto passou longe dali".
06. Em 11/05/2022: "Avenida Nuno de Assis, proximidades rua Araújo Leite e ali defronte loja da Liquigás, a verdadeira face do país hoje: botijão de gás com preço promocional de R$ 100, mas só com pagamento em espécie ou PIX. Pela alta semanal preços dos combustíveis, preços disparando e o presidente se fingindo de morto".
07. Em 12/05/2022: "Nesta casa simples na quadra 13 da rua Araújo Leite, centro velho de Bauru, fluiu por alguns anos um dos bares mais instigantes desta aldeia, o Coisas da Roça, do saudoso engenheiro que virou suco, o falecido Henricão".
08. Em 14/05/2022: "A fachada toda vermelha do andar superior dessa edificação na rua Primeiro de Agosto, centro velho bauruense, abrigou por décadas a Academia Yoshida, do professor Cyborg. Ele cansou, se aposentou, passou o ponto adiante e agora, quem passa pela rua vê lá no alto placa de "Aluga-se". Impossível não passar pela quadra e ainda não sentir a presença de tão ilustre cidadão por ali".
09. Em 16/05/2022: "Faixa na entrada da sede da torcida organizada Sangue Rubro, do hoje já integrante da série AII do Paulistão, algo bem explicado e explicitado: "Proibido camisas de outros times!!! E azul".
10. Em 18/05/2022: "Nos altos da rua Bernardino de Campos, comerciente, provavelmente evangélico neopentecostal, coloca placa defronte seu estabelecimento, determinando o tipo de cliente que prefere atender".
11. Em 23/05/2022: "Sobrado estilo caixote, anos 60/70, na esquina da praça Washington Luis, ruas Araújo Leite e Aparecida, resistindo ao tempo, com poucas janelas abertas, ou seja, praticamente tudo desocupado. Na parte inferior, firma de portas e janelas de alumínio e lembrança de padaria, muitas dé cadastrada atrás".
12. Em 26/05/2022: "Placa proibitiva, bem explícita, em loja de bebidas, altos da avenida Moussa Tobias, entre Vista Alegre e São Geraldo, deixa bem claro: vender bebida sim, se acomodar e querer beber no local, nem pensar".
13. Em 28/05/2022: "Para mim, é o prédio mais lindo de Bauru. Morei nele, sinto orgulho. Foi depois do acidente fatal que envolveu meu pai. ...morávamos no Paraná, meu pai foi montar escritório com seu amado amigo José Bolívar Bretas. Deu ruim. Morreu. Voltamos para Bauru e minha mãe alugou um apê. Nesse prédio, Edifício Sampieri. Todo mundo era triste na minha família. Nesse prédio vi minha mãe chorar muito. Eu não era triste. ...não entendia que meu pai não iria voltar nunca mais. Depois entendi. Mas nesse tempo, a tristeza era doença contagiosa nessa família. Todo mundo ficou triste. Hoje, reparei nessa varanda cheia de vasos coloridos com um monte de planta. Acho quem quem mora aí é feliz. Eu pego fácil o vírus da felicidade. Hoje, só de olhar, eu padeci de amor por essa varanda. Deu bom, sobrevivi....sem sequelas. Vivi Ame...Viviane Mendes", lindo texto e linda foto da artista plástica Viviane Mendes.


PRA FIM DE CONVERSA UM "FORA BOLSONARO" SE CONFIRMANDO
Porém, todo cuidado é pouco, pois muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (154)


DAS DELÍCIAS DE SE VIAJAR COM ÔNIBUS GRÁTIS
Pegar carona numa viagem e desfrutar de uma viagem grátis é uma coisa, já conseguir um ônibus público, como no caso sendo desvendado, cedido pela Secretaria de Educação, a pedido da Secretaria de Cultura e a partir daí, com solicitação de atividade cultural em Poços de Caldas, tudo ser revertido para viagem turística, tem uma enorme diferença. Num comentário feito nas redes sociais, Luiz Marcos Ferreira escreve: "No mínimo há de se considerar desvio de finalidade na utilização de patrimônio público. Isto é muito sério...".

Guardião, o intrépido super-herói bauruense se mete no imbróglio e observando tudo de cima também dá o seu pitaco: "Que a coisa é escabrosa não tenho a menor dúvida, com um agravante ainda pouco comentado. O possibilitado pela atual administração da Cultura municipal vai colocar em risco as viagens sérias, as com caráter eminentemente culturais, feitas para participar de eventos sérios. Por causa de atos dessa natureza, o rigor, evidente que deve ser maior, mas como estamos diante de uma administração claudicante, talvez se utilizem do fato para barrar tudo daqui por diante. Esse o enorme prejuízo, diante de tantos outros, para o setor cultural bauruense".

Ele prossegue: "Já circula pelas redes sociais denúncias de outras viagens ocorridas para outras localidades, atendendo pedido da mesma pessoa, se utilizando do nome da mesma entidade, o Clube da Viola, tudo no mesmo esquema, a Cultura pede e a Educação fornece o ônibus. Muito estranho e se isso se concretizar, pois daí, a coisa já estava virando rotina. Não existe meio termo, algo de muito errado ocorreu e a grita deve ser geral, inclusive com apuração rigorosa, pois coloca em risco o desleixo para com a coisa pública".

Por fim, Anesio Imperador, que já atuou em cargos de direção na administração municipal escreve num dos posts feitos pelas redes sociais sobre o assunto: "Lembrando que, na correria para gastar os 25% obrigatórios em Educação, no final de 2019 a Secretaria comprou 8 (oito) ônibus, não? Cerca de R$4 milhões. Ceder à Cultura para atividade dessa Secretaria é desvio de finalidade, mas, digamos, aceitável. Atende o interesse público. Mas ceder (gratuitamente, supõe-se) a interesse privado? Para turismo? Desculpe, isso tem outro nome. Não é negligência nem incompetência".

OBS.: Guardião é obra do genial artista do traço, Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA. Observem que, entristecidos estamos, pois os ônibus da charge, estacionados defronte o Teatro Municipal não estão ali com a finalidade de visitação ao local ou para levar estudantes assistir eventos. Muito pelo contrário.

outra coisa
Tem outro post, mas estou fora de casa, em trânsito e escrevo e publico aos poucos, em drops. No momento, impossibilitado...

domingo, 29 de maio de 2022

BAURU POR AÍ (203)


CENA QUE SE REPETE BRASIL AFORA E BAURU NÃO FICA DE FORA
Esquina da Duque com Gustavo, segurança de uma farmácia pede para verificar conteúdo de bolsa de cliente negra, sob alegação de "algo ter caído aí dentro". Racismo, boletim de ocorrência policial e fatos sendo divulgados pelas redes sociais, gerando ato defronte o local. Ninguém solta da mão de ninguém.


NA FEIRA DO ANDARAÍ, TU ENTRA CAJÁ E SAI CAQUI
Na cidade do Rio de Janeiro, depois de dois anos e meio de pandemia, dia de Fla Flu no Maraca, impossível não querer circular pela feira dominical do Andaraí, bem defronte o famoso hospital, o tal que Aldir Blanc dizia que o sujeito entrava cajá e saia caqui. 

Ver o feirante desfiando (descascando, cortando em bifes...) um fígado inteiro de boi é como se estivesse presenciando uma peça teatral, dessas um tanto surreais. 

Eu adoro esses lugares e hoje em especial, desfile de personagens com as camisas destes dois times, que logo mais, final da tarde vão estar se enfrentando no campo de jogo. Saio daqui sempre revitalizado. 

Viva o Rio e suas possibilidades. Praia, nem pensar...

OS "CHINOS" ENTRE NÓS, TUDO JUNTO E MISTURADO
Ontem quando entrevistava o padre Herman Voz, para o Lado B, ele, belga, passando só três meses por ano no Brasil e em Bauru, disse algo, como bom observador que é, sobre os antigos comerciantes do centro bauruense, principalmente do Calçadão, muitos fechando as portas ou preferindo abri-las em outro lugar. E concluiu, ele mesmo respondendo quem hoje está lá no lugar da Casa Carvalho, esquina com Rio Branco: mais um chinês. Vale como pura constatação, os "chinas" estão dominando o mundo, inclusive o nosso mundo.


JC REPERCUTE SOBRE VIAGEM DE TURISMO COM COBRANÇA DE PASSAGEM, EM ÔNIBUS CEDIDO PELA EDUCAÇÃO E A PEDIDO DA CULTURA
https://www.jcnet.com.br/.../803309-denuncia-de-viagem-de...
A coisa finalmente ganhou a amplitude que merece, ou seja, ser motivo de ampla investigação e punições. Inadmissível ônibus público ser emprestado para um particular, no caso ex-presidente do Clube da Viola, sob fajuta alegação de apresentação cultural e o mesmo ser utilizado para viagem turística, com cobrança de passagens, ou seja, lucros, pois o ônibus foi conseguido sem custos. Como a Educação e a Cultura cairam nessa, só mesmo investigando para saber. Tomar conhecimento do conteúdo dos ofícios de solicitação do ônibus e os de sua liberação já seriam reveladores, para se ir constatando o que de fato ocorreu. O fato é que a SMC - Secretaria Municipal de Cultura, quem solicitou o onibus para a prima rica, a Educação, para a tal viagem - dizem ter outras -, até o momento se finge de morta e não se prtonuncia. Aguardaremos até quando?

JESSICA MORETTO, 35 ANOS, SE FOI QUASE ANÔNIMA
Outro dia um amigo me interpela dos motivos de não ter escrito algo sobre o falecimento de um figurão da cidade. Respondi que, não tinha afinidade nenhuma com o cidadão e que, minha preferência de escritos é exatamente para os totalmente diferentes dele, os que labutam de uma forma impiedosa, uma vida praticamente inteira na adversidade e fazendo de tudo e mais um pouco para sobreviver, conseguir ir se safando das agruras e tentando tocar suas vidas da melhor forma possível. Estes eu não só escrevo, como vou atrás de suas histórias e as publico, pois quero cada vez mais enaltecer os considerados pelos donos do poder local como "desqualificados" e como denomino quando criei os meus bate papos semanais, os "desimportantes". Desimportantes para os graúdos da cidade, mas importantes demais para quem, como eu e tantos outros que os observam e sabem do valor de cada um na construção desta aldeia, diversa, confusa e a viver no embaraço.

Eu não me sentiria nem um pouco a vontade de escrever do cara citado pelo meu amigo, mas faço questão de escrever de uma pessoa que se foi por estes dias, aos 35 anos, tão nova e tão pouco conhecida, a JESSICA MORETTO. Jessica lutava muito para tocar sua vida dentro dos padrões aceitos pela cidade como normais (sic). Ela se lixava com isso, pois queria mesmo é viver e bem. Tentou até quando deu. Lutou muito. Eu a conheço muito pouco e como morei no Gasparini mais de uma década atrás, sei que ela também ali morava, foi quando começou sua transformação para o atual estágio, uma bela mulher trans. Eu a via garota, muito jovem no bairro e depois, alguns anos na frente, a revi já em outro lugar. Fisicamente deu um salto e estava altiva, senhora de si e querendo vencer na vida. Lutava muito para isso.

Ela conseguiu seu intento em partes, pois teve a vida interrompida nesta semana. Não me perguntem do que morreu, pois isso é o que menos interessa. Não sei e não quero saber. Quero saber dela, da Jéssica que sonhava e teve todos eles interrompidos. De agora em diante ela não mais será vista labutando pela aí. Eu faço parte do time que mesmo não a conhecendo direito, irei sentir muita saudade dela, pois ao passar no lugar onde a via e também a observava, sei que não mais a encontrarei. Ela hoje já está em outro patamar, partiu para outro plano. Faz parte dos time dos que lutaram, sonharam e pensaram que um dia poderia até chegar lá, mas tiveram o sonho interrompido. A menina lá do Gasparini viveu somente 35 anos. Muito pouco para uma existência humana. Queria escrever muito mais dela, mas sei tão pouco e do pouco que sei, espero tê-la homenageado a contento com este texto. Ela merece. Os todos que dão murros em ponta de faca pela aí merecem toda minha estima e consideração.

COMENTÁRIO DE DIEGO COELHO: "A Jéssica deixou um legado imenso, sempre ajudando as meninas a sua volta! Uma pessoa de caráter 100 igual, vou sentir falta dos cafés e das conversas. Mais uma mulher, que chega apenas aos 35 anos, parece loucura pensar nisso, mas essa é a expectativa de vida das pessoas trans no Brasil. A luta dela e tantas outras é diferente, as dificuldades de acesso ao básico tbm! Que ela vá em paz, e tenho certeza que "do outro lado", estará melhor que qualquer "humano" aqui na terra".

sábado, 28 de maio de 2022

REGISTROS LADO B (88)


SÁBADO, 10H, 88º LADO B COM O PADRE BELGA HERMAN VOZ, REVIVENDO SEU TRABALHO JUNTO AOS JOVENS DE BAURU NOS ANOS 70/80


PROGRAMA DEDICADO AO PADRE JULIO LANCELOTTI e seu trabalho desenvolvido hoje junto aos moradores em condições de rua da capital paulista.

Este LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, no seu 88º bate papo, traz para a mesa da conversação e debate um personagem muito ativo de tempos de antanho nesta cidade, algo ainda pouco documentado na historiografia local. Houve tempo em que, a igreja católica, através de muitos de seus membros teve participação ativa na formação política de imensa quantidade de jovens em Bauru. Vivíamos o período militar e ali se encontrava um foco de resistência e luta. Jovens convergiam para algo organizado por religiosos e dali, uma forma de ir tomando conhecimento do que de fato se passava. Eram tempos onde fluiu Brasil afora o trabalho de tantas pastorais mantidas pela igreja católica, hoje de saudosa memória, pois com o passar de algumas décadas, poucas resistem e continuam em atividade. Resgato a história na entrevista de hoje, trazendo aqui o PADRE HERMAN VOS, belga de nascimento e que em 1969, após sua formatura e início do trabalho como padre, é convidado para participar de programa criado pelo então Papa Pio XII, de trabalhar e evangelizar na América Latina. Sem saber quase nada do português, aqui chega Herman, recém formado em Economia. A realidade brasileira lhe bate na cara e a partir daí dá início a um reconhecimento, seguido de intenso trabalho junto do lado social, o de uma evangelização libertadora.

Eram outros tempos e a a igreja o vivenciava. Herman tem muitas histórias desse período passado no Rio de Janeiro, quando viu de tudo ao mesmo tempo. Com 15 dias no Brasil foi rendido num assalto e teve o carro onde estava levado, não por assaltantes, mas por jovens da luta armada, que se utilizariam do veículo para ações de um grupo político. Trabalhou junto de comunidades excluídas, foi quando foi de fato conhecendo o país onde escolheu viver. Em 1973, recebeu convite do bispo Dom Cândido Padim e aceitou vir trabalhar em Bauru. Um inusitado convite, pois a igreja não tinha condições de lhe pagar o soldo mensal. Foi quando começou a dar aulas de Economia na ITE, tempos do diretor Eufrázio de Toledo. Conciliou as aulas com o ofício na igreja e assim tocou sua vida por aqui. Um estudioso, sempre leu muito e cita de memória passagens consideradas por ele edificantes, por exemplo do Padre Vieira, personagem dos mais emblemáticos do Brasil Colônia.

De Bauru, as recordações são imensas, de uma atuação efervescente junto da Pastoral Operária e das Comunidades Eclesiais de Base. Ele, na qualidade de Diocesano, cumpriu seu papel, tanto que, hoje, passado tanto tempo, não consegue se desligar do país. Todo ano, passa por aqui alguns meses, acolhido pelas casas paroquiais existentes na cidade e percorre os antigos trechos, convidado por muitos dos que estiveram ao seu lado, onde revivem algo com saudade. Outra lembrança que tem dos seus tempos de atuação na Catedral são alguns dos nomes de moradores de rua de então, gente de sua convivência, como Geléia, Fepasa, Paulo e Mara, todos com fins trágicos. Enfim, Herman dedicou sua vida por algo no qual acreditava, a transformação do mundo através da transformação da própria pessoa, com ela conhecendo de fato o que acontece. Falaremos disso tudo, de uma igreja bem mais ativa antes do que hoje.

Quando perguntado sobre o papel da Teologia da Libertação, corrente ideológica dentro da igreja, ele conta em detalhes algo dos mais interessantes, como o fato de que para ter vingado de fato, ter permanecido enraizada, teria que ter se adaptado, feito algo mais dentro da cultura do povo brasileiro. Trouxe algo pronto e de difícil aprofundamento junto ao povo. Ele mesmo contará disso no bate papo, pois este tema é conflituoso e arrebata boa discussão. Falará de como se deu o trabalho em Bauru, orientado pelo bispo Padim e como foi atuar com os tais jovens da periferia da cidade. Hoje, aos 82 anos, mais lúcido que nunca, saúde impecável, aproveito essa estada pela cidade, algo a se encerrar no próximo dia 04/6 e o trago para uma reveladora conversa.

Quando escrevo sobre a influência do padre Herman sob uma quantidade grande jovens, eis o que encontro, escrito por mim e publicado no blog do Mafuá do HPA em 05/03/2014, onde cito algo sobre Oscar Fernandes da Cunha. Isso vale para ele e para tantos outros: “Oscar é um matuto de um professor muito querido por todos os lugares onde passou, discípulo de Herman Vos, um padre belga que por aqui aportou e introduziu uma legião de jovens num negócio denominado Comunidade Eclesial de Base. Herman passa três meses por ano em Bauru e sempre comparece, como nesse dia, na festa orcardiana. Oscar seguiu a onda e daí por diante, adentrou de cabeça em algo que transformou sua vida, o de ser plenamente um ser social. Na faculdade veio mais, uma turma pronta para o que der e vier e outra mestra, Salete Alberti, uma libertária, aquela que o introduziu definitivamente nesse negócio denominado de “dialética”. Faz uso disso, tanto a teoria como a prática no seu dia a dia”.
Já gravei chamada, onde tocamos em alguns temas, todos abordados com maior profundidade na entrevista deste sábado. 

Eis o link da conversa inicial, ocorrida no salão paroquial da igreja de São Cristóvão, onde está abrigado nessa passagem pela cidade. A entrevista ocorrerá na casa do Oscar Cunha, que foi um dos jovens envolvidos na ação direta do padre Herman e me auxiliará na condução da conversa. O horário também teve que ser pensado e terá que ser sábado bem cedo, 10h, pois Herman tem compromisso na hora do almoço e a tarde rezará missa, cumprindo agenda na ausência de um pároco em igreja local. Eis o link da chamada de aproximadamente oito minutos: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/816598662652453.
No mais, muita conversa pela frente e com temas revendo algo ainda pouco contado da história e das entranhas bauruenses. Para encerrar, como jocoso e hilário com muito do por ele vivenciado, encerrará a conversa nos contando piadas e, é claro, falando de política, do momento atual mundial e brasileiro. Como é a visão de um estudioso do papel da igreja diante de todas as transformações atuais, a igreja ontem, hoje e amanhã. Será uma conversa e tanto.
Vamos juntos?

Eis o link da entrevista com 1h20 de duração: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/256305820026899

A IGREJA AO LADO DAS LUTAS POPULARES* 
* Meu 62 texto para edição semanal do jornal DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo.

Ontem entrevistei o padre Herman Voz para o meu projeto semana, sendo ele o 88 no "Lado B - A Importância dos Desimportantes ". O fiz com ele, pois assim como todos os demais 87 entrevistados estão na lida e luta pela real transformação deste país. Herman atuou em Bauru e cumpriu um papel valoroso na formação de jovens, principalmente da periferia, dando-lhes consciência de classe, algo que, quando adquirido, dificilmente a pessoa dele se afasta. E o fiz par mostrar que existe resistência dentro da estrutura atual da igreja católica, grupo remando contra a maré. Meses atrás entrevistei também no mesmo pré-jogo o padre Severino Leite Diniz, atuando nas recargas de Bocaina e totalmente enfronhado nas lutas sociais e movimentos populares. Enfim, estes os que interessam. 

Eu tenho muitos amigos que já desistiram e faz tempo das religiões. Insisto, não tanto por ela e seus dogmas, mas por pessoas ali inseridas e reconhecidamente de fibra e luta. Cito alguns: Casaldáliga, Arnaldo, frei Beto, Boff, Helder Câmara, Cardeal, Tito e os que continuam não deixando a coisa jambrar de vez, como o Severino, Herman e, mais do que nunca, o padre Júlio Lancelotti. Nestes botei e boto fé, mais do que a própria religião, nunca decididamente na luta pela libertação popular. Hoje mesmo, como alguém, cristão ou não, pode se posicionar contrário ao trabalho executado brilhantemente pelo padre Júlio? Só mesmo os muito abilolados. 

Eu já desisti de tanta coisa, mas de acreditar em pessoas e no que elas fazem, isso não consigo. Sei que tudo são projetos, quando coletivos, bem mais fáceis de serem alcançados seus objetivos. Mas nem tudo é perfeito e como todos sabem muito, a instituição igreja não possui nada de perfeição. Não dá mais para acreditar e seguir na pegadas do que prega os dogmas seculares, ultrapassados e totalmente inadequados para nossos tempos. Mas quando me vejo diante do que faz, o padre "bom samaritano", como a capa da última edição - a nas bancas - da Carta Capital denomina o padre Júlio, eu me derreto e se perguntarem hoje, se estivesse em São Paulo capital, qual lugar gostaria de ir, não hesitaria um só segundo, diria de bate pronto querer estar junto dele, o padre e nas andanças junto aos moradores de rua, da Cracolândia e redondezas. É lá onde acontece hoje algo dos mais dignificantes para o ser humano, que é a ação deste destemido homem, enquanto ao mesmo tempo, ocorre o que de mais perverso existe na face da Terra, que é o que fazem com estes mesmos moradores, os administradores deste Estado e da capital paulista. 

Eu nem sei mais o que escrever sobre a ação do padre Júlio, que quando conjuminada com o que vejo o padre Severino fazer lá na sua Promissão e algo do que já foi feito aqui em Bauru pelo padre Herman, vejo que a igreja fez e poderia ter feito, ou menos continuar fazendo muito para ao menos tentar diminuir o estado de perversidade da desigualdade social. Claro que, existem tantos outros movimentos em ação neste momento, mas hoje meu escrito é sobre o papel da igreja, a católica e algo de alguns ainda remando contra a maré do que impõe seus dirigentes superiores. Como gosto de gente que enfrenta o poder, bate de frente, compra brigas, mas não se afasta das lutas. Estes são os tais imprescindíveis. Pena, serem cada vez menos.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (103)


BAURU SE TRANSFORMOU NA TERRA DAS VIAGENS INEXPLICÁVEIS
Depois dessa absurda excursão patrocinada pela Educação/Cultura para Poços de Caldas (outras teriam ocorrido da mesma forma e jeito), até com cobrança de passagem, tudo com ônibus público, eis que outra ocorreu neste mês, a da incomPrefeita Suéllen Rosim para a capital paulista, só e tão somente para reverenciar o seu mentor, o capiroto miliciano presidente Jair Bolsonaro. Ela mesma se vangloriou do feito num post dia 16/5 pelas redes sociais: "Construindo pontes, pavimentado caminhos, abrindo portas! É sempre um honra estar ao lado do Presidente Bolsonaro e do Ex-Ministro Tarcísio. Compartilhar a mesma visão de um Brasil forte e municípios unidos! Registro de hoje na APAS Show. Boa noite a todos ".

Que raios de honra é essa, a de estar ao lado de quem destrói com o País e um dos seus piores conselheiros (só faltou o astronauta)? Passados dias do feito, a tal viagem suellista parece ter causado frisson entre alguns vereadores e já existe um pedido de informações sobre "a viagem que membros do Executivo fizeram a São Paulo, entre 16 e 19 de maio, quando participaram de um evento patrocinado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), no Expo Center Norte. Porque, além de membros do Governo, a mãe da prefeita Suéllen rosim (PSC), Lúcia rosim, ex-presidente do Fundo Social de Solidariedade, também participou" (coluna Entrelinhas do JC, edição de hoje).

Pelo que se entende, mamãe viajou na carruagem real e com despesas pagas pelo erário público municipal bauruense. Enfim, como por aqui tudo anda sendo possível e com pouco alarde, isso acaba sendo noticiado não com destemor de punição, mas como simplesmente mais uma nota social de importante relevância dentro do modus operandi do fundamentalismo em curso.

Pelo que se sugere, o mês de maio de 2022 entrará para a história dos anais bauruenses como o das VIAGENS MIRABOLANTES E FANTÁSTICAS, uma vez que, vereadores de Bauru, conforme informa a mesma coluna, a Entrelinhas do JC em 26/05, pediram informações "à Prefeitura, em Ofício baseado no artigo 18 do Regimento interno da Câmara, sobre o uso de um õnibus que teria sido emprestado pela Secretaria de Educação à Secretaria de Cultura para transporte de um grupo de pessoas até a cidade de Poços de Caldas no mês de março. O pedido visa apurar como ocorreu o uso do veículo e se houve cobrança particular pela viagem". Ou seja, dois pedidos de explicações para viagens mais do que estranhas dentro da atual administração. Aguarda-se o resultado dos tais pedidos, com convincentes respostas. Isso tudo me faz lembrar de Julio Verne e seu conjunto de obras, "As Incríveis Viagens de Julio Verne", com uma brutal diferença, lá gerou ao menos uma obra literária de inestimável valor, ao tanto que as daqui...

SEM PALAVRAS - JUSTIÇA POR GENIVALDO
- "E não me venham com "ai morreu policial e ninguém falou nada" que eu não tô com paciência pra gente defendendo o indefensável na minha timeline!", Wander Florêncio.

- "Eu estava caminhando para a casa, há pouco, quando passei em frente a uma oficina. Ouvi de relance o relato de um iluminado qualquer, jurando de pés juntos que o sujeito que foi assassinado por policiais rodoviários federais em Sergipe estava armado e pronto a assassinar os agentes da lei. O caso foi todo filmado, à luz do dia, com testemunhas. Ninguém viu ou filmou arma nenhuma com a vítima. Essa versão mentirosa nem mesmo foi citada na nota à imprensa produzida pela Polícia Rodoviária Federal. Porém, de maneira incrível, um Zé Ninguém em Catanduva, em uma oficina de motos, descobriu que cara tinha uma arma e estava pronto a matar. Não duvido que ele tenha recebido essa mentira no Zap. Se recebeu, foi porque alguém se deu ao trabalho de produzir a mentira e espalhá-la. O que esses psicopatas ganham com isso?, texto do jornalista Rodrigo Ferrari.

CHAMADA PARA O 88º LADO B, AMANHÃ COM PADRE HERMAN VOZ, O BELGA QUE ATUOU JUNTO DA PASTORAL OPERÁRIA E COMUNIDADE ECLESIAL DE BASE DA IGREJA CATÓLICA E TRANSFORMOU A VIDA DE UMA GERAÇÃO DE JOVENS BAURUENSES
Será amanhã, sábado, 28/05, 10h ao vivo da casa de Oscar Fernandes da Cunha, que também me ajudará na condução do bate papo, resgatando essa história ainda pouco contada, a de um período onde a igreja teve participação decisiva na formação e militância social. Muitos temas na conversa, Bélgica, tempo quando atuou na cidade do Rio de Janeiro, o convite de Dom Cândido Padim para atuar em Bauru, as aulas de Economia na ITE, o trabalho pastoral, os estudos e muito mais. Um bate papo histórico e revelador. Aos 82 anos, aparentando bem menos, Herman continua em plena atividade. É o que iremos conferir amanhã cedo.
Vamos juntos???

Eis o link da chamada feita hoje, na Casa Paroquial da igreja de São Cristovão, Jardim América - Bauru SP: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/816598662652453

quinta-feira, 26 de maio de 2022

DIÁRIO DE CUBA (221)


HOJE É DIA DE PEQUENAS HISTÓRIAS

1.) DOCES NOS CORREDORES DA UNESP BAURU - MARCOS, O TIO DA PALHA SE VIRA NOS TRINTA E CONQUISTA SEU ESPAÇO*
* Se pudesse permaneceria o tempo todo só contando histórias de vida, todas colhidas pela aí por onde ando e gasto sola de sapato, mas o pega está tão forte que, me ponho na maioria das vezes a escrevinhar de outros assuntos, mas o que gosto mesmo é de contar história, como essa aqui.

Marcos César Antonio é conhecido de muita gente aqui por Bauru. Já fez muita coisa na vida e durante um tempo teve loja no Bauru Shopping Center. Uma loja especializada em sucos variados, numa sociedade que perdurou enquanto deu e quando nãodeu mais, foi em busca de outros ares. Fez outras coisas, deu murros em ponta de faca, seguiu por caminhos não tão cucrativos, mas nunca desistiu. Marcos é de luta e brioso, não entrega os pontos. Duro mesmo foi o período da pandemia, quando sua mais nova atividade, a onde estava em ascenção, a venda de doces caseiros pela cidade, teve que ser interrompida, pois tudo parou e junto ele seus rendimentos.

Desde então passou a atuar nas hostes da Concilig e por lá cumpre horário como operador de telemarketing, o trabalho que mais emprega pessoas neste últimos tempos em Bauru. Marcos, aos 59 anos é mais um destes e ali aufere uma renda fixa. Agora, com a retomada da vida quase normal pelos quatro cantos da cidade, voltou a fazer os doces e sair por aí em busca de reconquistar o espaço perdido. Como cumpre horário durante o dia, trabalha com as vendas, durante a semana no período noturno e aos finais de semana onde souber tem ajuntamento de pessoas, desde a portaria de shows variados, como no estádio Alfredo de Castilho e locais públicos. Enfim, se vira nos trinta.

A história dos doces envolve ele e a esposa, Claudia Tiodo, 50 anos. Ela faz - ele auxilia quando pode - as trufas, palhas e cones, todos recheados com doces variados, já adequados aos que tiveram maior aceitação. Doces prontos, ele com uma cesta de palha, acomoda a todos, privilegiando a variedade e saí pela aí, principalmente nas universidades, sendo a de maior afluência o campus da Unesp. No porta malas de seu carro um estoque sempre pronto para atender vendas em quantidade maior.

Ele chega nos lugares sempre por volta das 18h30, pouco antes do começo das aulas, se coloca num local sempre de bastante movimento e ali permanece até os alunos entrarem em aulas, Depois começa a peregrinação por departamentos onde já é conhecido, até chegar o momento do intervalo, onde quando na Unesp, prefere se posicionar junto das salas de aula de número 70, com maior afluência de alunos. Munido de uma máquininha para débito em conta, conta também com o PIX e assim passa a noite, só encerrada com o final das aulas, quando está lá do lado de fora, perto do ponto de onibus ou mesmo no portão de saída. Fica até o último instante e a maioria, mesmo os calouros já o conhecem como o Tio da Palha, nome assumido e incorporado por ele.

Marcos não reclama da vida e é um papo dos mais agradáveis. Fala de tudo e se mostra interessado por variados assuntos. Não entra em polêmicas, mas discute também temas acadêmicos, pois como já está ali por bom tempo, conhece não só muito bem o local, como alguns detalhes de encaminhamentos, tornando-se também uma espécie de GPS para quem desconhece alguns caminhos desntro do campus. Enfim, Marcos complementa sua renda familiar desta forma e jeito, sabendo muito bem adentrar e percorrer as entranhas bauruenses. É visto também nas cercanias do estádio do Noroeste, sempre do lado de fora, pois para vender lá dentro tem que pagar uma taxa, o que inviabiliza seu pequeno negócio familiar.

Sabendo de algum acontecimento diferente, principalmente eventos culturais, para lá se dirige, sempre levando a tiracolo sua cesta. Marcos é destes que, ao vender algo para alguém e estabelendo uma mínima conversação, já passa a se recordar inclusive do nome da pessoa. Todos no seu entorno, passam a possuir um algo mais que vai além de meros clientes. Existe uma calor humanos especial no trato comercial deste vendedor, indo além da venda. O doce é especial, refinado, apresentação requintada, esmero em todos os detalhes e dele, o Tio da Palha, algo além da simpatia, difícil de explicar sem que o conheçam pessoalmente. Só mesmo que o conhece e convive com ele todos os dias com sua cesta, pode dizer bocadinho mais dessa imensa figura humana.

2.) MENSAGENS CIFRADAS
Ando sempre em busca de imagens diferenciadas e com alguma mensagem subliminar. Sou um caçador de fotos desta natureza. Na tarde de domingo, passávamos por Botucatu e num posto de combustível, entrada da cidade, bem defronte a loja de delivery eis que um cesto de lixo me chama a atenção: DESCARTES. Essa jocosa junção do filósofo, físico e matemático francês com o "descarte" do livro, portanto, uma lixeira só é possível pela proximidade fonética de ambos. Uma boa sacada que, no caso registrado, junto a outra, também de grande valia neste momento: a da colocação do lixo descarteano ao lado de um postes do atual presidente capiroto e daí, as suposições todas, as possíveis, imagináveis e bem prováveis. Enfim, estamos adentrando uma campanha eleitoral onde o que de melhor o Brasil tem a fazer é "descartar" o mais breve possível, esse capiroto que tanto mal nos causa, atravancando este país de caminhar. Portanto, um "descartes" sonoro, amplo, geral e irrestrito para Bolsonaro e todos os seus.

3.) AMIGOS REUNIDOS
Tarde de quarta, 25/5, casa do Oscar Fernandes da Cunha, entranhas do Geisel e lá a recepção para Baracat Kizahy Neto, 40 anos distante de Bauru, desde ter batido asas para viver em Curitiba. Desta feita retorna para visitar o amigo Barbosa, este personagem importante da vida de todos os presentes, hoje se recuperando de internação por covid, já em sua casa na vila Independência, após 60 dias entubado. Antes reunimos alguns da velha guarda, o anfitrião Oscar, eu, Gino e Gibi. Imaginem a conversação destes todos após anos sem se encontrar. Oscar abriu sua geladeira e nos ofereceu queijos, pães e um café feito na hora por dona Cícera. A conversa rolou em boa parte da tarde. Parte dos integrantes deste grupo foram agentes quando jovens da comunidade católica, naqueles tempos revolucionária, fruto de irmãs ativas junto da igreja do Redentor, que lhes ensinaram os caminhos para resistir e se tornarem homens livres, sem amarras e sempre em busca da libertação do povo. Hoje, a igreja continua no mesmo lugar, mas por lá mais nenhuma das irmãs, nem do ímpeto a mover todos naqueles tempos. Hoje, a igreja é outra e a forma de envolver e fomentar as discussões junto dos fiéis é bem outra. Na fisionomia de todos, a certeza de terem participado de algo único, histórico e com algo ainda a ser contado, dentro da memória bem viva de todos. Tempos idos de saudosa memória.

Sentar juntos, quase 40 anoas depois e numa tarde rever aquilo tudo é coisa pra lá de muito doida. Faltou tempo para tantas recordações. Gino hoje está aposentado da marcenaria da Unesp, onde atuou uma vida toda e mora ali ao lado da igreja do Redentor, Gibi também se aposentou, casou de novo e hoje, vive entre Bauru - bairro Colina Verde e Passa Quatro, cidade mineira, reduto da família da esposa. Está com cara pimpona, sorrindo com a carapinha branca e um tanto desacreditado deste país, diante de tudo o que já presenciou. Oscar se aposentou meses atrás e agora se tornou mestre-cuca profissional, rei do forno e fogão. Eu, o mafuento HPA, continuo com um pé lá e cá, tentando ainda ser, fazer e acontecer, escrevinhando algo todo dia e procurando manter acesa a chama inflada e inflamada de transformações possíveis e imaginadas. Kizahy também se aposentou e passa por Bauru junto do filho, que buscou em Maringá, onde mora e estuda Administração. Passaram por Três Lagoas, revendo parentes, ontem e hoje por aqui, depois Barra Bonita, uma irmã e Sampa, antes do retorno para Curitiba. Fazem uma tour, onde o grande negócio é estar ao lado do filho, viajando juntos, numa aproximação das mais saborosas. Curtem junto a estrada e em cada parada, um bocadinho de história revivida e sendo repassado ao filho. Hoje viveu algo mais conosco, amigos de antanho.

Conversa de sabor inenarrável, temas para lá de saudosos e a maior alegria em constatar todos ainda na ponta dos cascos, com algumas avariações, mas enfrentando tudo aí com bravura e coragem, ou seja, com lenha ainda para ser queimada. Dentro de cada um muitas histórias de vida, todos resistindo ao tempo e quando voltando no passado, a certeza de terem feito boas escolhas, estarem sempre do lado da luta pela transformação deste país. O que aconteceu na reunião foi uma espécie de recarregar baterias, quando cada um vindo de um canto, chegando e assuntando o terreno, foram somatizando algo de bom já feito ao longo do tempo, experiências revividas num clima cordial e caloroso. Na noite, alguns deram continuidade em minha casa, com a presença do Sivaldo Camargo, que fez parte daquele grupo inicial do Redentor, num caldo verde, preparado pelo Oscar e degustado por todos. Cláudio Lago se juntou ao grupo e também veio carregado de histórias e causos de antanho, numa conversa que se prolongou por bom tempo. Rever amigos é sempre muito mais do que bom, é ótimo. Poucos tombaram ao longo do percurso, algo incontornável e hoje, a certeza de que, vale muito a pena a gente fazer de tudo e mais um pouco pelos momentos do reencontro. De tudo o que revivido, a certeza de que, a luta não se findou e nem se findará tão breve, daí todos cientes de que, existe muito ainda a ser passado adiante, algo da experiência de cada um, pois assim todos bem úteis naquilo que sempre foi o ideal de vida em comum, o bem estar social ampliado, com a diminuição das desigualdades deste país continente. Lindo perceber, todos continuam em busca daquilo pelo qual se encontraram lá atrás, na adolescência e daí por diante, ideal de vida nunca mais abandonado. Resistir é preciso. Esses resistem bravamente.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

COMENTÁRIO QUALQUER (226)


ESCÂNDALO DA VIAGEM NADA CULTURAL DO "CLUBE DA VIOLA" PARA POÇOS DE CALDAS, EXCURSÃO COM COBRANÇA DE PASSAGEM, EM ONIBUS CEDIDO PELA "EDUCAÇÃO" E A PEDIDO DA "CULTURA"
A ocorrência dos fatos se deu há 25 dias atrás, nos dias 12 e 13 de março deste ano. Uma viagem, ônibus lotado para a turística Poços de Caldas, em ônibus solicitado pelo Clube da Viola, através de sua representante, Nair Rosa da Nóbrega junto da SMC - Secretaria Municipal de Cultura. No ofício, segundo nos foi informado, pois ele ainda não foi divulgado, está a solicitação informando ser para fins turísticos, algo incompatível com atendimento público. Esse tipo de atendimento só poderia ser possível se a viagem ocorresse com finalidade cultural, mas como comprovado a seguir, nada disso ocorreu.

Tratava-se na verdade de uma mera EXCURSÃO, com cobrança de R$ 300 reais de cada pessoa, como comprovado num PIX já circulando pelas redes sociais. A Cultura como não possdui ônibus, solicitou para a SME - Secretaria Municipal de Educação em ofício ainda não divulgado e este foi cedido. Até a presente data não se sabe se o ônibus chegou com tanque cheio de combustível, se os pedágios foram pagos também pela Educação e as despesas do motorista, como diária e alimentação. Hoje, numa Audiência Pública na Câmara Municipal, a secretária de Educação quando confrontada sobre o caso, disse que o ônibus foi cedido através de solicitação da Cultura e tudo o mais deveria ser verificado junto a estes.

Evidente que, tudo está muito mal explicado. Vamos por partes, como fazia Jack, o Estripador:
- A viagem ocorreu um mês atrás e mesmo após denúncia para vereadores, isso só veio à tona, após publicação anteontem pelo facebook de Pedro Valentim, que recebeu a denúncia de Delfino Del Rey Junior, que viajou ele e a esposa nesssa excursão, pagando tudo via PIX.
- Viagem totalmente irregular e feita sem averiguação da sua real motivação, fazer Turismo. Por que, Nair fez a solicitação para Turismo, cobrando passagem de ônibus público e não contratou uma empresa privada para executar o serviço? Ela não sabia que isso não é permitido dentro do serviço público? Como a Cultura não filtrou nada e solicitou o ônibus para a Educação? Muitas outras perguntas sem resposta e o estranhamento mais do que evidente pelo atendimento totalmente fora do controle.
- A Educação precisa esclarecer se todas as despesas da viagem foram bancadas por eles ou pela Cultura, ou mesmo pelo Clube da Viola. Mesmo que o Clube da Viola tenha bancado todas as despesas não estrão isentos de culpa, nem da resposabilização pelo ocorrido. Estranha a Cultura ter possibilitado tudo de uma forma muito primária. Muita coisa precisa ser devidamente esclarecida.
Pelo que se ouve dentre as pessoas que viajaram no passeio turístico, este não foi o primeiro, tornando tudo ainda mais complicado. Ocorreram outras viagens no mesmo estilo?
 

A Cultura e a Educação tiveram conhecimento prévio da cobrança por cada viagem? Uma verificação na troca dos ofícios deve começar a elucidar o imbróglio. Um grande escândalo, envolvendo muitos agentes públicos em algo totalmente anormal. Tudo está começando a ser investigado e os desdobramentos devem não só dar muita dor de cabeça, como promover uma dança de cadeiras dentro de quem detém o poder da caneta autorizativa. De tudo uma só certeza, um grande escândalo sendo desbaratado.

outra coisa
1.) IMPOSSÍVEL DIZER NÃO PARA ESSO MACIEL
O querido artista plástico Esso Maciel, 80 anos de pura resistência, me liga e pede um favor: "Quero me posicionar. Não sou dado a posições políticas, mas o momento exige. Você me arrumaria fotos grandes do Lula pra pregar aqui defronte de casa? Sabe, a rua Campos Salles é muito movimentada, passa muita gente e tenho que mostrar de que lado estou. Traga bem grandão, para colocar bem alto aqui no muro, lugar onde não alcançarão para arrancar".
Levei ontem, ele pediu fotos junto dos cartazes e hoje, com certeza, tudo já deve estar enfeitando seu famoso muro. Lula lá é já!

2.) A VIDA VALE MUITO A PENA POR CAUSA DISTO
O dia estava um tanto pegado, recheado de corres, mas ao saber da vinda de meu dileto amigo reginopolense e guarulhense Fausto Bergocce para cá, passo junto dele na oficina mais auspiciosa destas plagas, a do funileiro Adelino Silvestre e esquecemosda vida, ou seja, caímos na arruaça no meio da tarde de uma terça, quando ainda teríamos alguns ditos sérios compromissos pela frente. Sabe o que fizemos diante deles? Abrimos mão de tudo e fomos tomar um sonoro café numa padaria, numa dessas esquinas de Bauru, contando também com a presença de Ana Bia, que ao final da contenda foi espiar o que estava acontecendo, assuntar e vendo que nada podia ser feito, se juntou ao grupo. Fizemos algo para o nosso bem, ou seja, esquecemos de tudo o mais e caímos na conversa fiada. Os compromissos todos esperaram e vão continuar esperando até amanhã, pois tínhamos algo mais sério para tratar: um papo pra lá de saboroso, desses só possíveis nesses reencontros e convescotes. E assim, creiam todos, ganhamos alguns anos há mais em nossas vidas, fazendo o que ainda de melhor existe para ser feito no que nos resta de vida, que é jogar conversa fora.

Fausto estava de passagem por aqui, a caminho de Reginópolis, onde iria para se recarregar por alguns dias, para só depois retornar para sua vida lá na beirada do maior aeroporto da América Latina. Peguei o amigo na rodoviária, quando chegava de um onibus e tinha outro algumas horas depois. No meio do seu caminho me encontrou e quase perdeu o rumo, o derradeiro transporte para seu destino final, mas aproveitou bem a breve estadia, pois riu à cântaros, junto de outro que conheceu naquele momento, meu velho e queridíssimo amigo, o funileiro, salvador de minhas enroscadas com latarias de carros, o maior proeseador que conheço, seu Adelino, lá da vila Cardia. Tinha um assunto pra tratar com ele e o encontro saindo para entregar um serviço. Quando me viu voltou e engatamos uma conversa, no que fomos devidamente acompanhados pelo Fausto, que pegando o espírito da coisa, viu que o dia estava irremediavelmente perdido. Não havia mais o que ser feito e daí por diante, se juntou na conversa e era como se fosse conhecido do Adelino de algumas décadas. Não pudemos mais permanecer em pé ali diante da oficina e já deixando para trás a vida séria - tinha ainda que comparecer num cartório, mas nem mais me lembrei do assunto, pois tinha a partir de então coisa mais séria para fazer. Confesso que, ao sair da contenda - algo que, nenhum dos três queria fazê-lo -, estava feliz da vida, primeiro por rever tão queridas pessoas, depois por ter conseguido que Ana se juntasse a nós, depois por termos falado de coisas das mais sérias, como o desenrolar do que nos resta de vida e existência, chegando na conclusão, algo nos faria mais do que bem no atual estado das coisas, a derrocada deste capiroto miliciano do poder e depois, deixar a vida nos levar até não mais poder. Foi uma tarde dessas inigualáveis, quando não fizemos nada assim de tão diferente, mas nos realizamos como pessoa humana. Enfim, é disso que precisamos, essa a conclusão do trio quando da despedida. Meus amigos de fato são assim, briosos, altaneiros e prontos para deixar tudo de lado, desde que uma boa prosa desponte na curva da esquina.