sábado, 30 de setembro de 2023

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (166)


NA CIDADE DAS PROIBIÇÕES A INCERTEZA DA PUNIÇÃO AOS DETRATORES DA COISA PÚBLICA
Pois é, hoje dia 30, último dia do mês de setembro, era dia de publicação do Guardião, a charge mensal do super-herói bauruense, porém, descuidei e deixei a coisa passar. Pelo menos uma vez por mês, Guardião aqui comparece com suas certeiras tiradas contra dos desmandos todos sendo praticados na terra, dita e vista como Sem Limites. Se não publico um neste mês, teremos dois em outrubro e algo ocorre ao abir hoje pela manhã o Jornal da Cidade e como sempre faço, uma das primeiras coisas a ser vista e lida é a charge do competente Fernandão, quem dá vida para a página 2 do único diário impresso bauruense.

Pois na charge diária de hoje do Fernandão, algo pelo qual, muito bem o Guardião poderia estar inserido e também cutucando, espezinhando e provocando os tais poderosos de plantão, sempre com um algo mais para incrementar a pegada de quem produz charges. O ocorrido ontem, quando do depoimento do ex-presidente da Cohab Bauru, Alexandre Canova Cardoso, este afirmando e sendo manchete, diz ter sido proibido de falar sobre a dívida da companhia. Mas como assim? Canova que é coronel aposentado da PM, assim mesmo, confirma ter sido proibido pela prefeita Suéllen Rosim de se pronunciar e divulgar dados, índices e informações detalhadas, as de alcova, que só um prersidente sabe sobre o valor da dívida da Cohab com a CEF - Caixa Econômica Federal. Algo ele disse e deixou claro, a prefeita tentou interferir politicamente nas suas decisões.

Diante do depoimento em tom de denúncia - mais uma na conta da atual alcaide -, nada como o chargista nadar de braçada. Fernandão produz uma charge divinal, dessas irresistíveis e com a verve necessária para escrachar na forma como o poder é exercido na cidade. Guardião até tentaria, mas dificilmente conseguiria ser tão preciso. Desta forma, já que Guardião está ausente neste final de setembro, reproduzo a cherge do amigo Fernandão e com ela, escrevinho o que o faria para com a arte da verve do também competente e criativo Leandro Gonçález, quem dá vida para o super-herói da terra do sandíche.

Isso tudo, aproveitando a falha deste mafuento em não acionar Gonçález com tempo para a charge mensal, tem lembrança de algo escrito por Stanislaw Ponte Preta, escritos com a verve de Sérgio Porto, quando incorporava famosa personagem, tia Zulmira, no famoso livro "Tia Zulmira e Eu", obra de 1961. Peguei o livro da prateleira aqui do Mafuá, achei a crônica e lá na "Inquirir os querelantes", onde ele tasca a frase: "Esse negócio de arranjar uma comissão de inquérito para apurar o que estão fazendo as comissões de inquérito é muito chato". Assim solto fica difícil o entendimento. Tia Zulmira, "vivida como é, esteve a conversar conosco sobre esse cículo vicioso que, às vezes, causa a desconfiança excessiva". E conta em detalhes a estória - que pode ser história - de Mirinho. Seus pais arrumaram uma babá para vigiá-lo.

Desconfiaram dela e assim, contrataram alguém para ficar de olho no que fazia. Chamaram um velho conhecido, mas logo desconfiaram também dele. Acharam que não estava vigiando a babá a contento. O pai de Mirinho passou a vigiar o velho, que vigiava a babá, que vigiava o menino. Tudo ia bem, até o dia em que a mãe do Mirinho desconfiou de tudo e foi espiar se o marido estava viagiando a contento o velho. Descobriu que todos estavam ninando a babá. Deu ruim.

Junto tudo o que acabei de escrever e já não sei se devo confiar nos tais indicados pela prefeita para o exercício de funções sérias de ajudá-la na administração da cidade. Por outro lado, neste caso e noutros, como nas investigações do Palavra Cantada e da tentativa de privatizar o DAE, não seria o caso de espiar como está se dando as investigações das comissões de inquérito? Sei lá, viu!!!

outra coisa
DO SHOW DO JOSIEL RUSMONT NO MUSEU PARA A MELHOR RESPOSTA SOBRE A VOLTA AOS TRILHOS DA MARIA FUMAÇA
Sexta à noite, algo inolvidável para Bauru, o espetáculo dentro do projeto "O Colóquio Bahiano-Tietê", algo unindo e untando os contextos culturais do rio Tietê e São Francisco, quando a migração interna foi muito intensa de lá de cima para cá, interior paulista. Josiel Rusmont, um músico com a cara mais caipira e irreverente deste mundo, estudioso dessas coisas estradeiras, trabalhou junto de laboriosa equipe e apresenta um trabalho grandioso sobre a migração de baianos para São Paulo. Também nos apresenta, mais uma vez, Osório Alves de Castro, um escritor baiano que migrou numa dessas levas, lá pelos anos 20. Conheceu várias cidades de nossa região e produziu obra das mais instigantes, maravilhosamente aproveitada e sendo um dos destaques do show realizado no espaço interno do ainda fechado Museu Ferroviário Regional de Bauru. Tudo lindo e maravilhoso, sem retoques. Banda escolhida à dedo, uso de flashes de gravações variadas ao fundo e um público absorto, magnetizado, atento e de queixo caído.

Voltar ao espaço interno deste museu é sempre mais do que bom. Tudo ali me traz recordações de grande monte de onde já estive tempos atrás enfronhado. Passa sempre um filme em minha cabeça e desta feita não podia ser diferente. Adentro o espaço, o show já estava rolando e a voz de Josiel sendo espalhada por todos os cantos. A primeira recordação que desponta na cabeça é o do que foi feito do projeto Ferrovia para Todos, com a composição férrea da Maria Fumaça hoje, não só paralisada, como petrificada, praticamente esquecida, não fosse seus abnegados artífices, cuidando do espólio com o devido cuidado. Por décadas circulou por nossos trilhos e hoje não mais. Se depender dessa atual administração, nunca mais. Tristeza a constrastar com o que via sendo cantado e versado no palco externo da praça do Museu.

Foi quando me dirijo para Cláudio Lago - ele e a esposa Luzia me acompanhavam na empreitada -, atual presidente do PT, com algo instigante: "Cláudio, já que tudo anda parado e a Maria Fumaça juntando teia de aranha, por que nós, enquanto petistas, dentro de um governo do Lula não vamos lá na ANTT - Agência Nacional de Transporte Terrestre - e não tentamos ver o que precisa ser feito para se ter a autorização de funcionamento e o trem voltar aos trilhos?". Ele, com sua fleuma, me dá a resposta mais sensata que poderia ouvir: "Meu caro, poderíamos até ir, mas de pouco adiantaria, a autorização pode até ser conseguida, mas para isso tudo voltar a funcionar se faz necessário ter vontade política e ela precisa vir da administração em curso. Se ela quisesse, tenha certeza, tudo estaria sendo encaminhado e talvez o trem já funcionando. Se ela não quiser, de nada adianta. A prefeita quer? Já perguntaram para ela se isso é prioridade para ela e se move algum esforço neste sentido?".

Pronto isso é tudo. Não existe vontade política dessa administração de Suéllen Rosim para devolver o funcionamento da Maria Fumaça aos trilhos. Assim sendo, das conversas realizadas no local, repassei a indagação e a resposta do Lago para servidores e gente conhecida presente. Deixei as indagações de lado e mergulhei de cabeça no show e na voz do Josiel, onde tive a certeza de que, um sonho, como o dele, de levar adiante este lindo projeto só foi possível porque ele e todos à sua volta, quiseram, daí, fizeram, foram à luta e agora ele acontecendo. Pra tudo nesta vida, não bastar tudo estar ali diante de nossos olhos, se não exister vontade, disposição para lutar por aquilo que se quer. Lutar e ter quem possa realmente realizar o sonho, ter também disposição. Por aqui, reina a tristeza dos trilhos urbanos, tudo paralisado no tempo e no espaço. Do palco, um brilho inenarrável invadia o museu num todo.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

MEMÓRIA ORAL (297)


APARECIDA SURGIU DO NADA E MOSTROU DAS POSSIBILIDADES DA VIDA - ELA PRECISA DE UMA CARTILHA PARA AGILIZAR O APRENDIZADO, QUER LER, POIS ENTENDE, ISSO IRÁ MUDAR SUA VIDA
Acontecem coisas tão inesperadas na vida da gente e algumas delas comprovam da importância de estar no lugar certo, na hora certa. Hoje, na parte da tarde, eu e o advogado Arthur Monteiro Jr, ele militante de longa década em Bauru, estávamos trocando figurinhas, ou seja, confabulando sobre livros, quando me levou para conhecer o seu "mafuá" de livros e guardados outros, todos de papéis, destes que a gente acha da maior importância deste mundo e assim, acumula e depois, com o passar do tempo, alguns destes precisam ser passados adiante. Arthur estava se desfazendo de alguns livros, me ofereceu e desta forma fui conhecer seu espaço, que também já foi um belo lugar de encontro e possibilidades culturais. O tempo passou e na virada de mais uma página de sua vida, o lugar onde estão guardados suas preciosidades, precisa ser revisto. Muita coisa ele já levou para sua casa, outras terá que dispor. Fui lá para ficar com algo.

Escolhi dentre tudo o que me foi oferecido e já no portão, ainda escolhendo algo mais, estes dentro do seu carro, eis que desponta assim do nada, surge ao nosso lado alguém, chegando sem ser notada e quando nos demos conta estava a perguntar: "Vocês trabalham com livros?". Foi um susto, achei que aquela senhora detrás de um carrinho de reciclados queria papéis, no caso livros para vender e ganhar uns trocados. Foi quando ele continuou e nos assombrou. "Eu estou vendo vocês dois aí com tantos livros e como estou só agora aprendendo a ler, quero ver com vocês se não tem aí nesse monte alguns para mim ler. Preciso de uma cartilha de leitura, para me ajudar, pois agora estou aprendendo a ler".

Pronto, o estalo estava dado, paramos tudo, deixamos tudo aquilo onde estávamos metido de lado e passamos a prestar toda a atenção do mundo no que aquela senhora nos dizia. Ela se apresenta melhor, dona Aparecida, moradora ali das beiradas do Bela Vista, vila Quagio, rua Marconi, numa casinha nos fundos, a última de um lugar, num lugar difícil de ser achado. Sua vida é dura, acorda por volta das 4h da manhã, limpa a frente de algumas casas, ganha R$ 40 reais por mês de algumas dessas e tudo o mais é conseguido com reciclagem. Estava passando por ali e como, só agora, aos 56 anos, depois dos tantos tombos da vida, resolveu que precisa aprender a ler e escrever, nos viu ali com livros e parou para ver se podíamos ajudá-la.

Desua história, contada aos poucos, tudo era por demais envolvente. Trabalhou por cinco anos numa empresa, como faxineira, mas lá precisava saber ler. Disse que sabia e no pe´riodo uma amiga preenchia a ficha para ela todo dia, mas com a mudança da chefia, foram falar para a nova coordenadora que ela não sabia ler. Teve que confirmar e foi mandada embora, mesmo sabendo fazer todo o serviço. Não sabia ler, algo que seus pais nunca incentivaram ela a fazer de pequena, pois a vida sempre foi dura, trabalho duro para todos desde sempre. Perdeu o emprego e teve que se virar na rua. Tentou outros, mas pelo fato de não saber ler, foi sendo renegada, preterida. Restou catar reciclados.

E hoje, passando ali pelo Bela Vista, narua que dá ao lado da escola São Francisco, eis que vê dois caras com um monte de livros nas mãos e resolve parar e assuntar. Nos aborda, a mim e ao Arthur e nós, embasbacados, sem saber direito o que fazer, procuramos alguns livros pelos quais ela pudesse se interessar ou ao menos servir para se iniciar no propósito de ler. "Eu quero mesmo uma cartilha que me ensine mais fácil como ler. Tenho aula noturna durante a semana. Não perco uma, chego em casa final da tarde, deixo as minhas coisas da rua e vou pra aula. Eu aprendendo a ler, muita coisa vai se abrir para mim", nos conta. Arthur volta para dentro da casa e traz uma dezena de livros destes para jovens adolescentes, com letras não tão miúdas e ela se encanta. Eu acho um Atlas, explico a ela o que seja e também um livrão da Folha, com muitas ilustrações, mostrando as coisas por dentro. Ela acomoda tudo dentro do seu carrinho e nos diz que quer muito ter sua história contada na TV. Queria aparecer no Gugu, mas o Gugu morreu, pensou no Ratinho e em outros.

Perguntou o que podíamos fazer para ela ter sua história divulgada, pois queria ter uma nova oportunidade em sua vida. Arthur olha pra mim e diz, "algo precisa ser escrito". Sim, eu teria que contar a história dela e o faço neste momento. Farei mais, indicarei para alguns conhecidos da TV bauruense, para que, lendo o que escrevi, façam algo, conheçam seus pedaço de mundo, seu canto e seu esforço. Sua história é mais do que contagiante. Ela nos envolvei e fomos mais do que tocados. Foram uns trinta minutos, no máximo isso, de contato ali no portão e Arthur, sem um papel para anotar, o faz na palma da mão, pois ficamos de, como missão primeira, achar uma Cartilha, tipo a Caminho Suave e levar para ela.

Antes da despedida, ela nos diz que foi a coisa mais maravilhosa do mundo ela ter encontrado com duas pessoas que gostam de livros. Guardou todos num cantinho especial dentro do carrinho e ouviu de nós dois algo muito parecido, pois se para ela, aquele inusitado e inesperado encontro foi demais de importante, para nós dois foi como se ganhássemos o dia. Arthur me diz algo disso: "Henrique, eu estava desanimado hoje, tantos desencontros, tanta coisa ruim acontecendo à nossa volta e nós todos, podendo fazer tão pouco, agora me aparece essa senhora. Tenho obrigação de lhe arrumar não só a cartilha, mas acompanhar o seu desenvolvimento, o desenrolar dessa história. se estava até agora desanimado, após isso tudo ocorrido aqui no portão, ganhei um folêgo novo. Ela nos acendeu uma nova chama. Eu ainda não consigo acreditar em tudo o que nos aconteceu". Nem ele, nem eu, mas tudo aconteceu exatamente como tentei descrever e neste momento, paro tudo, sento aqui diante do computador e descrevo, com o que minha memória guardou do encontro. Essa história precisa ser passada adiante e se alguém puder me ajudar para que alguma TV conte a história de dona Aparecida, seria mais um sonho dela se realizando.

DUAS HISTÓRIAS COM CERTA SEMELHANÇA
01.) POR TODA ETERNIDADE
Porto Alegre, 1983 -
O Hotel Majestic colocou Mário Quintana no olho da rua.
A miséria havia chegado absoluta ao universo do poeta.
Mário não se casou e não tinha filhos.
Estava só, falido, desesperançoso e sem ter para onde ir.
O porteiro do hotel, jogou na calçada um agasalho de Mário, que tinha ficado no quarto, e disse com frieza: - Toma, velho!
Derrotado, recitou ao porteiro: - A poesia não se entrega a quem a define.
Mário estava só.
Absolutamente só.
Onde estavam os passarinhos?
A sarjeta aguardava o ancião. Alguém como Mário Quintana jogado à própria sorte!
Paulo Roberto Falcão, que jogava na Roma, à época, estava de férias em sua cidade natal e soube do acontecido.
Imediatamente se dirigiu ao hotel e observou aquela cena absurda. Triste, Mário chorava.
O craque estacionou seu carro, caminhou até o poeta e indagou: - Sr. Quintana, o que está acontecendo?
Mário ergueu os olhos e enxugou as lágrimas - daquelas que insistem em povoar os olhos dos poetas - e, reconhecendo o craque, lhe disse: - Quisera não fossem lágrimas, quisera eu não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de minha mãe e fosse engenheiro, médico, professor. Ninguém vive de comer poesia.
Mário explicou a Falcão que todo seu dinheiro acabara, que tudo o que possuía não era suficiente para pagar sequer uma diária do hotel.
Seus bens se resumiam apenas às malas depositadas na calçada.
De súbito, Falcão colocou a bagagem em seu carro, no mais completo silêncio.
E, em silencio, abriu a porta para Mario e o convidou a sentar-se no banco do carona.
Manobrou e estacionou na garagem de um outro hotel, o pomposo Royal.
Desceu as malas.
Chamou o gerente e lhe disse: - O Sr. Quintana agora é meu hóspede!
Por quanto tempo, Sr. Falcão? - indagou o funcionário.
O jogador observou o olhar tímido e surpreso do poeta e, enquanto o abraçava, comovido, respondeu: - POR TODA ETERNIDADE.
O Hotel Royal pertencia ao jogador!
O poeta faleceu em 1994.
Por isso sou fã desse ex jogador!!POR TODA ETERNIDADE

02.) PEREIO É O CARA, 82 ANOS
Cissa Guimarães visita o ex-marido, o ator Paulo César Pereio, no Retiro dos Artistas
Veterano de 82 anos é pai dos dois filhos da atriz.
Cissa Guimarães reencontrou neste sábado o ator Paulo César Pereio, com quem foi casada durante 15 anos e é pai de seus dois filhos, Tomás e João. A atriz esteve no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, e visitou o veterano ator, de 82 anos. Os dois se abraçaram e caminharam juntos pelo local, como mostram os registros postados pelo perfil do Retiro no Instagram.Paulo César Pereio, considerado por muitos um mito do cinema brasileiro, vive no Retiro dos Artistas desde o início do ano de 2020 por opção dele e não da família.
Ele tem moradia e dinheiro, mas preferiu ficar ao lado dos amigos de longa data.

LACRANDO
MAFALDA NASCEU NUM SETEMBRO, ANO DE 1964, PELAS MÃOS DO QUINO
O desenho aqui publicado é do também argentino Miguel Rep.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

ALFINETADA (232)


DAS DESCONFIANÇAS DA E COM A COISA PÚBLICA
Aqui como alguns políticos se posicionaram nos últimos tempos aqui em Bauru, em relação a alguns servidores e de como atuam dentro da coisa pública.

01.) O vereador Meira, que um dia foi também coronel da Polícia Militar paulista está encaminhando pedido para obter todos os balanços patrimoniais da EMDURB, isso nos últimos dez anos. Pelo que se vê, segundo o vereador, algo não andou nos conformes dentro do que se existe de concreto e o que é apresentado como balanços anuais da empresa pública. O vereador é bem explícito em sua solicitação, segundo Entrelinhas do Jornal da Cidade: "Vamos examinar tudo na lupa porque não dá mais para aceitar uma situação insustentável, que suga os cofres públicos, como a mais recente majoração nos preços de uma série de serviços conratados pelo município". Seria o caso de pensar na existência de gato nessa tuba?

2.) O TCE - Tribunal de Contas do Estado de SP estava averiguando o que se passa de fato com a ação da empresa Estre Ambiental, responsável pelo aterro sanitário de Piratininga e recebendo a maior parte do lixo urbano coletado na cidade de Bauru. Segundo um pedido, pelos demonstrativos existentes, julgava-se entender da existência de irregularidades, tanto no contrato, como nos aditivos proporcionados à empresa pela Prefeitura Municipal. O tribunal rejeitou os embargos de declaração, mas até hoje continuam sob névoa turbulenta o que se passa entre o contrato existente, depois aditivos beneficiando a empresa e a real execução do serviço. Ou seja, pelo que se entende, poderia existir gato nessa tuba?

3.)
Uma CEI - Comissão Especial de Inquérito investiga a suspeita compra do projeto educacional Palavra Cantada pelo munícipio, mais precisamente por decisão muito pessoal da alcaide municipal. Tudo foi transacionado pela bagatela de R$ 5,2 milhões de reais e, pasmem, nada foi implantado nas escolas municipais até a presente data. Impossível tratar todo o desenrolar da trama como algo dentro da normalidade. Até a ex-secretária da pasta da Educação já declarou que a compra, rejeitada por ela, ocorreu contra sua vontade. Neste caso, já ocorreram mensagens apagadas de celular de servidor da Educação e ontem, representantes da empresa sob investigação não compareceram em audiência. Este não seria um caso para se suspeitar da existência de gato nesta tuba?

4.) O MP - Ministério Público está investigando irregularidades em movimentações diversas e variadas da Secretaria Municipal de Saúde, desde que passou a ser comandada pela Secretária Giulia Puttomatti, esta começando suas atividades por aqui desde abril, ou seja, meros seis meses. Pessoas estão sendo convovadas pelo promotor Fernando Masseli Helene a prestar esclarecimentos, tanto dos motivos de mudança recente na Comissão de Licitação, com transferências e susbstituições inexplicáveis e da de Compras, com suspeitas de irregularidades. Num dos processos sendo investigados, o preço médio do serviço subiu mais de 700% e tudo é mais do suspeito, até de ter gato nesta tuba?

5.) O DAE - Departamento de Água e Esgoto de Bauru, até bem pouco tempo, considerado como a Jóia da Coroia, ou seja, autarquia mais do que lucrativa e atendendo a contento a população, mas desde a decisão de privatizar o serviço e também o tratamento de esgotyo, percebe-se um progressivo sucateamento do setor, que vai desde a falta de equipamentos para manutenção adequada em casos urgentes, como a não disposição dos servidores qualificados para promover os serviços necessários para sanar a visão negativa, pelo que vê, incentivada pela administração. Quando o DAE joga a toalha e não se apresenta para prestar o serviço de estar à frente da construção da ETE - Estação de Tratamento de Esgoto, muitos suspeitam da existência de gato nesta tuba. Será possível?

6.) A Prefeitura Municipal de Bauru, administrada pela atual alcaide, a ex-jornalista Suéllen Rosim esbanja dinheiro, como nas compras recentes de imóveis para a Educação, motivo até de uma CEI, a maioria sem justificativa plausível, porém, quando é para corresponder com seus servidores, pisa no tomate, regateia, bate o pé, como no caso de pagar o piso salarial da Enfermagem. O Congresso Nacional já aprovou o novo piso, mas a alcaide prefere pagar somente um abono e não equiparar o valor do piso. Ou seja, tenta contornar o vínculo salarial, numa atitude desrespeitosa e altamente predatória para com os abnegados servidores da Saúde, tanto enfermeiros, técnicos como auxiliares de Enfermagem. De tudo, dizem até que, isso seria o caso de ter gato nesta tuba...

7.) O caso Cohab de Bauru, com seu ex-presdiente, Gasprini Jr, em estado de quase prisão domiciliar e assumindo praticamente isolado todas as culpas e males é tudo o que uma turma de outros investigados mais quer. Ou seja, um paga por tudo, sofre calado, quieto e sem reclamar, não vai preso e tudo o mais escapa ileso. A Cohab tem contas rejeitadas, bloqueio e suspeitas de todos os meios e maneiras. Hoje um competente servidor municipal está à frente de seu espólito e pouco pode fazer, diante de tanta barbaridade feita no passado, algo mais do que suspeito de ter vários gatos nesta tuba.

OBS final: Poderia continuar a ladainha e procissão dos relatos de prováveis irregularidades, que são muito mais, porém, estes os que me despontam assim de memória. Nos escritos diários, a continuidade das denúncias.

O TREM DE BAURU LÁ FORA NOS TRILHOS E O DAQUI DESCARRILHADO
FERROVIA EM BAURU, EXPOSIÇÃO DE FÁBIO PALLOTTA EM LISBOA, PORTUGAL
Enquanto a programação bauruense do Encontro Ferroviário segue intramuros, o mestre, quase doutor Fábio Paride Pallotta, demonstra lá do outro lado do Atlântico, mais precisamente de Lisboa, Portugal, algo grandioso a reverenciar a história da ferrovia em Bauru. 

No texto de apresentação da exposição "A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil no interior de São Paulo nos Prelúdios do Antropoceno - Imagens das alterações Ecológicas e Humanas no início do século XX" , algo mais e nele, muito bem exposto e em evidência: quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Trabalho mais que valioso e valoroso.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (164)


HISTÓRIAS DAS RUAS, ALGUMAS DE BAURU, INSPIRADAS NO LIVRO DO SIMAS
Ontem à noite, eu já tinha começado este livro, o "O Corpo Encantado das Ruas", do historiador carioca das "insignificâncias", como ele mesmo gosta de ser identificado, onde o autor retrata toda a importância das ruas e de seus personagens para o desenrolar dos acontecimentos mais importantes de uma localidade, quando meu time do coração tinha jogo sendo transmitido pela TV. Era um Corínthians x Fortaleza, semifinal de uma Copa qualquer. Estava dividido entre o magnetizante livro e o jogo. Tomei a decisão mais sensata e dei cabo do livro, praticamente devorando suas 100 páginas faltantes enquanto rolava o jogo, que terminou 1 x 1. Parei de ler só pra ver os gols e assim, escolha feita, ia devorando algo inebriante e mais do que envolvente. Do livro, vou contando algo mais em drops, historinhas e frases recolhidas e aqui relatadas, enfim, como li logo no começo, as ruas são para "sacudir a vida para que surjam frestas".

- "Conquistas e sucessos retumbantes não me comeovem nem como objetos de estudo, perto da gente da viração do perrengue".

Antes de tentar juntar algumas histórinhas das ruas, digo que, o livro do Simas é de uma importância descomunal para quem, como eu, vivencia a rua em sua totalidade, livertadora e cheia de mensagens, caminhos libertadores. O danado reverencia a rua e traça suas possibilidades. Daí, não houve jeito, me encantei, parei tudo, esqueci do Corinthians e cai de boca no livro e suas possibilidades. Eu, que já havia lido outros lidos dele, já havia entendido que, é "a miudeza quem vela e desvela a aldeia, as suas ruas e as nossas gentes". Saquei disso e fui à luta, dando toda importância do mundo para tudo o que advém das quebradas e da fervura do asfalto.

- "Precisamos de corpos fechados ao projeto domesticador do domínio colonial".

Historinha Um: Tem uma minisérie passando neste momento na TV Globo, a "Todas as Flores", com a Regina Casé e que, pelo que sei, já passou na TV fechada e agora, depois do sucesso alcançado, passa também na aberta. Sabem o motivo do sucesso? Ela retrata as ruas e seus personagens de uma forma divinal, nua e crua, sem retoques, porrada na cara de quem se atreve a sentar e assistir. Eu não tenho tempo para fazê-lo, mas espio de solaio e gosto do que vejo. O cara despejado, saia pelas ruas com a roupa do corpo e uma sacola com outras, rindo e acreditando que vai conseguir dar a volta por cima. O povão, mesmo na maior adversidade, sempre acredita que vai dar a volta por cima e sonha com isso, ri disso e vive na esperança. Isso o move, faze ele ser, fazer e acontecer. Sabe o que mais gosto de ver na TV? Isso mesmo, a história dos quebrados, dos renegados, dos rejeitados e de quem luta e não entrega os pontos.

- "Eu escrevo sobre aqueles que, pela ótica gerencial dos que desencantam tudo em nome so sucesso, deram errado. (...) Sou adepto da mano-história, um escritor de irrelevâncias".

Historinha Dois: Ela estava ontem na esquina aqui perto de casa e segurava, diante de posto deatendimento de saúde, dois cartazes, destes de papelão, escritos à mão. Creio que, alguém deve ter escrito para ela. Passei e li. Num deles, ela dizia precisar de alimentos e noutro, pedia emprego de doméstica. "Preciso trabalhar para pagar minhas contas". Ver algo assim se repetindo pelas esquinas de Bauru e do país inteiro, é para abalar qualquer estrutura. Dei a volta no quarteirão e lhe dei algo do que tinha nos bolsos e me fui, mas quando estava ligando o carro, vejo um casal fazendo o mesmo. Voltei, conversamos todos e estavam levando uma cesta básica para ela, mas não tinham como levá-la em sua casa. Eu levei e assim sem querer, entrei de cara na vida daquela senhora. Ouvi-la é tomar conhecimento de uma luta inglória, insana e de quem nunca desiste. Dei uma abraço nela, ela riu e me disse que, existem pessoas diferenciadas no meio da bagunça onde pouca coisa dá certo em sua vida. Na despedida, ela me diz: "Eu tenho certeza que irão me dar o emprego que preciso. Sou velha, mas ainda sou forte".

- "No fim das contas, é urgente que a cidade viva sempre o sentido da rua como um espaço de convivência e desaceleração do cotidiano".

Historinha Três:
O cara passou num concurso público e foi trabalhar numa secretária importante naquela administração. Mudou a direção da casa, com a entrada de novo alcaide e este passou a ser requisitado para assinar papéis que davam vazão a algo fora dos padrões normais. Ele o fez uma vez, depois duas e quando deu por conta não parou mais. Não se tem conhecimento de estar sendo beneficado monetariamente para fazê-lo, mas quando a tramóia lá onde trabalha foi descoberta, ele rapidamente apaga todas as conversações que teve, as tais tratativas e ordens recebidas, regiamente cumpridas. Na Justiça, alegou assim da forma mais simples deste mundo que apagou, pois aquelas conversas eram velhas e estavam entupindo sua caixa de reserva de mensagens sadias. No botequim da esquina, aquele pé sujo onde frequento, ele é motivo de escárnio e todos os virando copos de cevada, aguardam ansiosos para que, seja devidamente enquadrado pelos atos assumidos. Um gaiato, com o cotovelo no balcão, disse mais por aqui: "Não adianta pagar, pois tudo está registrado, ou nas nuvens ou em algo que os hackers da vida descobrem facilmente. Só de ter o celular, você hoje já deve estar ciente de que, escreveu, mandou e recebu mensagem, ela estará encruada em sua vida para todo o sempre". Que assim seja. Histórias ouvidas em bares são cheias de ensinamentos mil. Eu aprendo sempre.

- "A festa em tempos de crise é mais necessária que nunca. (...) Sem o repouso nas alegrias, cá pra nós, ninguém segura o rojão".

Historinha Quatro: Conheço aquele senhor da feira, ele é guardador de carros. O vejo sempre com uma jaleco, onde é identificado como tal. Sempre muito solicito, a gente estaciona e paga o quanto pode. Ele sempre puxa conversa. Ontem o vi no ponto de onibus, quando parei o carro ali no sinal e ele estava a comandar uma animada rodinha, sem o jaleco, esperando seu onibus passar. Fiquei aqueles três minutos o observando melhor e só agora percebei que o danado é alto, quase dois metros de altura e ri colocando a mão na boca, pois bem na frente, lhe faltam alguns dentes. Deu uma vontade incontida de estacionar o carro e assuntar, participar do alegre convescote ali no ponto da rua Araújo Leite. Domingo, quando parar meu carro lá na feira, vou ter um motivo acresecentado nos que já possuo, para puxar conversa e começar com um: "O senhor mora lá pros lados do PVA? É que te vi no ponto". Dessas conversas sem rumo certo, sempre me rendem boas histórias.

Na rua eu ouço de tudo, paro para assuntar mais, coloco o radar em estado de alerta quando o assunto muito me interesse e olhem que, para o assunto me interessar, pode ser uma conversa trivial, até mesmo sobre o resultado de ontem do futebol, a demissão do Luxa do Corinthias ou mesmo o que foi filtrado da reunião entre o Lula e o cara lá do Banco Central, o que não quer abaixar os juros nem que a vaca tussa. Tudo é comentado por onde circulo e das várias versões, regadas com aguardentes variados, saem os destinos e também os descaminhos que me fazem seguir em frente - nem sempre em linha reta. O livro do Simas é só mais um bom incentivo pra continuar rosetando pela aí, ruando, batendo perna e gastando sola de sapato.

- "As ruas chamam, mas vez por outra, precisamos de um descanso dentro de casa".

terça-feira, 26 de setembro de 2023

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (185)


DAS CONVERSAS DE RODRIGO
O ex-prefeito e ex-deputado federal, o bauruense Rodrigo Agostinho, hoje presidente do IBAMA passou por Bauru neste último final de semana, chegando junto, de carona no vôo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, sexta passada. Desde então não teve mais sossego. Todos queriam saber se ele estaria disposto a concorrer à Prefeitura de Bauru, enfrentando Suéllen Rosim, que dizem, tem enormes chances de se reeleger. Segundo analistas e pitonisas de plantão, somente Rodrigo Agostinho teria condições de fazer frente ao poderio alcançado por Suéllen e podendo desbancá-la.

Ele não teve sossego na passagem por Bauru. O vi no evento com Alckmin, na sexta e ali, bem nítido, ele o mais requisitado, muito mais do que o vice-presidente. Os presentes não queriam tirar uma lasquinha, mas sondar, ver se ele se posicionava, pelo sim ou pelo não em se lançar candidato. Ele, que de bobo não tem nada, ouviu a todos, tirou fotos e continuou em cima do muro, como deve ser neste momento, quando poucos ousam se lançar como candidatos.

Na foto do JC do último domingo, ele se encontrando com um já lançado candidato, Raul Gonçalves de Paula, do Podemos. Essa seria uma possibilidade, os dois saindo juntos, porém, aí algo complicado, quem seria o candidato a prefeito e quem seria o vice? Pelo que se sabe, Raul sonha em ser prefeito e não aceitaria ser vice. Rodrigo aceitaria deixar o IBAMA para concorrer a vice? Pouco provável. Depois, no dia seguinte, Rodrigo tomou um café num local público com Pedro Tobias, ex-deputado estudual por Bauru e este o incitando a se lançar candidato com um vice do campo democrático, que segundo dizem, não seria Raul. Poderia ser alguém do PT, o mais indicado ou mesmo de outro partido.

Rodrigo ficou balançado? Que nada. Rodrigo simplesmente ouviu tudo o que tinham pra lhe falar e volta pra Brasília sem tomar nenhuma decisão, deixando tudo e todos mais incertos do que antes. O momento é pra isso mesmo, meras conversas. Elas aconteceram e nada de tão novo no front. Com Rodrigo concorrendo, uma disputa acirrada e das mais interessantes, mas é cedo para dizer se ela irá de fato ocorrer. Talvez ocorra, talvez não. Continuam as negociações, uns já afirmando ter Rodrigo se manifestado por um lado, outros dizem pelo outro, ou seja, os dois lados afirmam terem ocorrido uma aproximação mais intensa.

Sabe o que acho? Acho nada. Talvez tenhamos pela frente uma pesquisa para saber em qual dos lados a população penderá mais, se Rodrigo com Raul ou se Rodrigo com alguém mais à esquerda. Tudo são conjecturas e especulações. Ninguém tem certeza de nada e assim Rodrigo volta para Brasília e continua seu trabalho junto do IBAMA. Penso que, para deixar este posto dentro do Governo Lula, só mesmo se algo, como as pesquisas indicarem que a população está inclinadissima a votar nele e não em Suéllen, do contrário, necas de catibiriba. E também em qual destes lados a população estaria mais inclinada a votar. Muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte, mas nenhuma novidade alvissareira, pelo menos, por enquanto. Segue o jogo.

Que se faz necessário encontrar uma alternativa para fazer frente à reeleição de Suéllen Rosim, disso não se tem a menor dúvida. Continua a procura por este nome a aglutinar, reunir condições, não só do enfrentamento, mas de unir os diversos grupos de pensamento e políticos na disputa. Seria isso possível? Isso é outra história e também bastante complexa. Nomes sem proposta de governo é outro porblema de grande monta a ser enfrentado. Preferiria neste momento, continuar denunciando as mazelas de Suéllen e de sua pífia administração, buscando na população, que na continuidade das denúncias e muitas com prova, ela fosse perdendo a popularidade ainda existente. Vejo este como o melhor caminho no momento.

LENÇÓIS PAULISTA REVERENCIADA EM TODA OBRA DE ORÍGENES LESSA
Como é bom uma cidade ter um renomado escritor para chamar de seu. Lençóis Paulista tem, Orígenes Lessa. Bauru tem vários, todos valiosos, mas hoje escrevo de alguém que, mesmo tendo saído muito cedo de sua cidade, nunca a esqueceu. Orígenes ganhou o mundo, foi ser gauche na vida, viu e venceu. Se firmou na constelação dos grandes escritores nacionais, ele e seu filho, Ivan Lessa - que leio muito, desde os tempos d'O Pasquim.

Dias atrás, revirando uma caixa com pertences que Ana Bia, a companheira de todas as horas trouxe do Rio de Janeiro, suas coisinhas da época de adolescência, dou de cara com este livrinho - pelo tamanho pequeno, viu! -, o "Napoleão em Parada de Lucas", Coleção Calouro, que todos nós, lemos muito quando crianças. Fui folhear e dei de cara com uma citação de Lençóis Paulista numa das páginas. Sabe o que fiz? Sentei e o li em duas sentadas, 140 páginas de agradável leitura. Me encantei com as muitas citações feitas por Orígenes da sua Lençóis, Capital do Livro. Num momento ele não se segura e tasca lá, na obra escrita em 1970, um "Lençóis Paulista City". Que bonito isso.

Essa coleção era indicada pelos professores da época e hoje, a relendo, vejo o quanto tinha de bom conteúdo. A historinha do cabo de vassoura que se transforma com o passar do tempo em um disputado brinquedo, um cavalinho de pau é cheia de bons conselhos. Reler Orígenes, depois de tanto tempo, e com os olhos de um vetusto senhor com 63 anos é para lá de saboroso. Ver o amor pela qual sempre dedicou para com sua cidade natal é contagiante. Mesmo distante, ele considerava demais seu torrão natal e isso conta muito, estão aí as citações que não me deixam mentir.

Em tempo: Tenho aqui comigo um livro do Orígenes, uma primeira edição, raridade, onde ele na primeira edição, escreve na primeiras página algo como ter renegado aquele livro. Já comentei com o Nilceu Bernardo, lá de Lençóis, da intenção de doá-lo pra linda biblioteca deles, pois trata-se de algo único. Quando rever o Nilceu, depois der seu retorno do Egito, quero lhe entregar a obra e pedir para ele entregar pessoalmente e ela se integrar no acervo pessoal do Orígenes lá na cidade.

Resposta de Nilceu Bernardo, que já foi secretário de Cultura por vários mandatos em Lençóis Paulista: "Que sensível sua apreciação e carinhosa ação em entregar ao nosso acervo!!! Claro que vindo de vc não me surpreende, sempre atento, apreciando e valorizando a cultura!! Grande abraço!!".

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

REGISTROS LADO B (121)


HOJE TEM PROSA DA BOA NO 121º LADO B, COM UM CONTADOR DE CAUSOS COMO NENHUM OUTRO, CLÁUDIO DANGIÓ
Tudo começou com um encontro sem querer pelas ruas de Bauru. Circulava pelas imediações do Poupatempo, quando me deparo com CLÁUDIO DANGIÓ saindo daquele prédio e com muitos papéis debaixo das axilas. Dei a volta na quadra, tudo para poder tentar trocar poucas palavrinhas com o gajo. Consegui. Ele se achega na janela do carro e ali acertamos dele ser o 121º entrevistado (sic) do meu inqualificável e desorganizado projeto, o LADO B - A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES. O danado, que sei hoje reside lá pelas bandas do litoral e também nos cafundós do verdadeiro Mato Grosso, mais precisamente em Aquidauana, passa vez ou outra pela sua antiga cidade e assim posto, quando o vi, queria cercá-lo, pois de há muito teria tê-lo por aqui.

Contar histórias e estórias é algo para poucos. Ou seja, muitos contam, mas com o apreço e preciosismo deste Dangió vejo poucos. Outros bons já se foram e hoje ele sustenta o encargo com honra e sempre nos municiando com causos e causos, uns muito do escabrosos, outros amenos, mas todos de um sabor indescritível. Dangió é da safra de uma velho bardo, o querido e saudoso Lázaro Carneiro e estes dois já tiveram muitas aprontações juntos pela aí. Gravaram historinhas amoitados e enfurnados no meio do mato, deste cerrado que ainda nos cerca e também tiveram a ousadia de produzir um programa de televisão, todo ele voltados para essas imperdíveis raízes caipiras que nos rodeiam e nos preenchem. Ele, vez ou outra, se investe do espírito de Lázaro, doutras dele mesmo e até destes caiporas que nos rodeiam e como os espíritas, parecem estar tomados pelo espírito de algum encarnação, daí saindo coisas inacreditáveis e inolvidáveis.

É exatamente isso o que quero tentar explorar da verve do Dangió, logo mais, quando me deparar com ele novamente, frente a frente, para um embate onde ele tentará me engambelar e eu o enquadrar, mas cujas histórias estarão permeando a prosa. Será uma desmedida perdição, dessasque os sujeitos mais sérios devem saltarde banda, fugir, pois podem ser devidamente contaminados e quando o são, danou-se tudo, pois suas vidas estarão irremediavelmente envolvidas e entrelaçadas com isso de ficaram iludidos com este lado meio non sense da vida humana. Quer delícia maior que esta? Pois bem, o horário é das 15h, mas quem não puder assistir, veja depois lá pelo meu facebbok, pois tentaremos deixar a risada como mola mestra, fio condutor de nossa desabalizada conversa.

Eu não sei nem como qualificar o entrevistado de hoje, pois o vejo como emérito escritor, descondutor das boas letras, mas ele também foi eletricitário e andarilho por estradas, onde parava em todas as encruzilhadas possíveis, tudo para ir recolhendo histórias e causos, reunidas depois em suas escrevinhações. Isso é o que toma mais tempo em sua vida, depois, é claro, da convivência familiar, com a pedagoga esposa, que tenta, sem muito sucesso, enquadrar tão desvirtuado cidadão. Assim sendo, ele fica por essas bandas denominado como ESCREVINHADOR e também REPRODUTOR DE HISTÓRIAS, destas que alguns não dão nada, mas que para gente como nós, os que levam a vida flautando - ou tentando flautar -, são as mais saborosas desta vida, ou até melhor, as que nos dão um prolongamento na existência. Falaremos de tudo isso, junto e misturado e acho que uma hora será pouco.

Vamos juntos?

Eis o link da entrevista, com aproximadamente uma hora de duração:

Nota final deste HPA - O papo com Cláudio Dangió, algumas vezes também incorporado como Zé do Cerrado é uma daquelas conversas das mais aprazíveis de serem realizadas. Eu gostei muito, até porque Dangió é meu velho conhecido, amigo meu e de Lázaro Carneiro, por quem falamos muito durante o papo. Da confusão do começo, quando ele me fez embaralhar até o número dos entrevistados do programa, nos aprumamos e na sequência, tudo fluindo de uma forma gostosa, diria mesmo, divertida, saudável e saborosa. A sequência deste Lado B tem tudo a ver com isso, sentido neste dia, o de que, tudo só vale mesmo a pena se for feito com amor, dedicação e com prazer. Papos como este, eu realizo com o maior prazer e quando assim ocorre, sinto que me solto mais. à vontade, eu e o oponente, tudo flui. Dangió é bom de prosa e desta forma, tudo fica mais fácil. Espero que tudo, todas e todos tenham gostado. Eu gostei muito.

domingo, 24 de setembro de 2023

MEMÓRIA ORAL (296)


DOMINGO PASSOU TÃO RÁPIDO

RESPONDI ORGULHOSAMENTE A CONTENTO*
* Eis meu 126º artigo para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, edição circulando a partir de hoje pela aí:

Essa aqui vale somente para os que ainda não conseguiram entender a grandiosidade do momento vivido pelo País, principalmente no quesito redirecionamento de ações e o nono posicionamento diante do mundo e mesmo, aqui dentro, com a reconquista de tudo o que estava sendo perdido durante o desgoverno do incompetente, truculento e desqualificado Jair Bolsonaro. Com estes nove meses de Lula no poder, calamos a boca daqueles que, de forma bem inconsistente defendiam o inqualificável, porém, perdura alguns ainda a tentar endeusar o ex-presidente, miliciano de quatro costados, porém, diante dos fatos não existe mais como contestar.

Outro dia um deste me aborda e tentar me dizer algo. Não é tarefa difícil desmontar fala eivada ainda de muito ódio, ressentimento e principalmente, recheada de muitos fake-news. Deixei-o falar a vontade e ao final, com a cara mais deslavada do mundo, disse que: “Agora é minha hora de falar e vai ter que escutar até o fim. Combinado?”. Teve que ouvir, calado e quase sem argumentos, pois eles não existem.

Minha fala: “Neste breve período já foi conseguido reestruturar políticas sociais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos e o programa de Aquisição de Alimentos. Além disso, foi também retomada a Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo, garantindo aumento real, acima da inflação, pela primeira vez após seis anos. Foi aprovado do Congresso uma nova regra fiscal, superando as antigas amarras do antigo teto de gastos, determinando agora que os gastos públicos devem crescer de acordo com o comportamento da arrecadação do governo. Uma maneira inteligente e responsável de garantir responsabilidade fiscal, sem perder a capacidade de investir nas áreas prioritárias e essenciais no novo desenvolvimento”.

Não havia ainda terminado e ele já querendo escapulir, pois não o via em condições de retrucar a contento, pois, como se sabe, não existe de bom, de aproveitável para ser ressaltado nos quatro anos de Bolsonaro no poder. “Não bastasse, o Brasil vive hoje um cenário extremamente positivo, marcado pela redução do desemprego, pelo crescimento do PIB e por sucessivas quedas da inflação, com especial destaque para a redução do preço dos alimentos que compõem a cesta básica”, disse. E ainda tive a pachorra de concluir, não o deixando escapar e tendo que ouvir tudo o que tinha como resposta para suas inconsequentes indagações: “Essa melhora dos indicadores reflete algo impensável com Bolsonaro, pois reflete um sentimento geral de que o Brasil verdadeiro voltou. A maior prova disso é que a comunidade internacional passou a novamente nos enxergar como uma nação capaz de liderar as principais discussões no plano global”.

Adoro estes momentos, pois quando os reticentes chegam com uma pedra, despejo sobre eles um caminhão de argumentos. Ainda pude finalizar: “Mesmo com este cenário altamente positivo, vejo o prosseguimento de algo impensável com Bolsonaro, como o fortalecimento na agenda nacional de temas como emprego, renda, inclusão produtiva, justiça social, saúde, educação, segurança, agricultura familiar e tudo o mais a impactar diariamente a vida do brasileiro, principalmente aquela dos que mais necessitam”. Calei o sujeito que, nem resmungar teve mais condições. Ou seja, eis aqui um breve resumo de tudo o que pode ser usado de bons argumentos para o enfrentamento com aqueles que, em quatro anos, destruíram tudo o que viram pela frente e se tivessem tido a chance da reeleição, estaríamos todos num mato sem cachorro, numa destruição sem precedentes, estilo terra arrasada. Ainda bem, ouve uma reversão e os caminhos outros são bem outros. Calar a boca de bolsonaristas é missão intransigente e a ser feita diariamente. Não me esquivo de fazê-la em todos os momentos quando me questionam algo sobre Lula no poder.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

PARECE PIADA...
Este texto deveria ter como foto inicial o prédio tombado e hoje em estado de ruínas na cidade, o da Casa dos Pioneiros, na rua Araújo Leite. Ali é uma reunião de tudo quanto é tipo de descaso, culminando com o abandono e hoje, sem nenhum plano viável de recuperação ou restauro do imóvel mais antigo de Bauru, tombado pela CODEPAC, mas largado ao "deus dará".

Por outro lado leio na edição deste final de semana do jornal DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, um imóvel lá, pensado para preservação, mas em estado ainda pouco melhor do que a Casa dos Pioneiros, mas pelo estado, descartado, pois não seria mais caso de restauro e sim de reconstrução. Lá por Santa Cruz, a sensatez imperou, sentaram e chegaram na conclusão de que, nas condições em que se encontra o imóvel, impossível recuperar algo.
Já aqui em Bauru, nas hostes da Cultura municipal, todo o staff diretivo vai pra Santos, lá visita o Museu Pelé e daí, despontam com a iluminada ideia de fazer um Memorial ou algo parecido para o rei Pelé, tão ultrajado por Bauru durante décadas. Sento e dou sonoras risadas. Seria hilário, não fosse trágico.

Primeiro, deixaram a Casa do Pelé ser demolida na cidade. Tudo bem, não foi nessa administração, mas tudo é um processo e ele tem continuidade. No momento atual, a imensa maioria dos imóveis tombados não conta com nenhum apoio institucional da Prefeitura e o citado aqui, a Casa dos Pioneiros, que poderia também contar com apoio empresarial de gente como o Mandaliti, este na foto junto dos que visitaram o Museu Pelé e revitalizar o espaço por onde Bauru começou. Nada disso, mas assim mesmo, com um caindo aos pedaços, agora pensam em homenagear Pelé.

Parece brincadeira, mas é verdade. Visitam o que Santos fez para o Pelé e com a bola de cristal nas mãos, idealizam o mesmo em Bauru, somente agora. A brincadeira é que, por um lado o descaso total com a importância da Casa dos Pioneiros, que mais dia menos dia, vai ter o mesmo destino do imóvel de Santa Cruz, ou seja, desaparecerá definitivamente, com um trator limpando o terreno e daí, idealizam, após uma VISITA TURÍSTICA em Santos, fazer algo para o Pelé. Eu não consigo levar a sério esse pessoal da Cultura municipal. Sinceramente, estamos no mato e sem cachorro. Quando algo sério e até envolvendo empresários, já que a Prefeitura se mostra omissa, for feito concretamente para assegurar que a Casa dos Pioneiros renasça das cinzas, daí posso aplaudir em pé algo vindo lá dos cabeças pensantes do poder público municipal. Do contrário, mais um balão de ensaio...

sábado, 23 de setembro de 2023

UM LUGAR POR AÍ (172)

HPA CIRCULANDO PELA AÍ, INDO E VINDO

Hoje um dia de registros e para tanto, vesti minhas mais coloridas camisas e sai pela aí. Aqui este HPA em três eventos distintos, num deles eu envergo a camiseta da Mangueira reverenciando seus mestres do passado e noutros dois, visto uma chamativa camisa vermelha, fina estampa, à la estilo Jorge Amado e boné do MST. Desta forma e jeito, sempre com uma alpargatas nos pés, assim me apresento e me posiciono. Abaixo o relato dos três episódios destes últimos dias:

01.) SEXTA, O VICE-PRESIDENTE GERALDO ALCKMIN POR AQUI - O vice-presidente da República esteve por aqui, também ex-governador paulista, Geraldo Alckmin. A programação foi junto da também visita do ex-senador e ex-governador pelo Acre, Jorge Viana, hoje comandando a APEX - Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos. Tiveram estes encontro com empresário de Bauru e região no SENAI e depois um convescote lá num hangar junto ao Aeroclube. Neste marquei presença. Vesti minha indumentária vermelha estampada, com boné do MST - era o único no local com o danado - e para lá me dirigi. Uma das pessoas mais concorridas dentre os presentes, uma fauna de variadas estampas e origens, era o ex-prefeito, hoje presidente do IBAMA, o bauruense Rodrigo Agostinho. Todos queria se acercar dele para saber se já aceitou ou não o encargo de disputar as próximas eleições municipais. Pelas respostas e zum zum zum, correndo de boca em boca, ele continua balançando e balançado, ou seja, deve, ao menos por enquanto continuar onde está e se lá na frente, ocorrer algo mais substancioso, daí sim, irá tomar sua decisão. Ou seja, nada de novo no front da sucessão municipal, ou nada que ainda possa abalar as estruturas de campanhas já em curso. Tudo especulações. Eu conversei com alhos e bugalhos, conheci gente que só conhecia de nome e revi alguns, diletos e indiletos - existe este termo? - conhecidos. No local, o termômetro de como anda a popularidade de Alckmin, que da última vez que passou por Bauru, foi rejeitado pelas instituições empresarias bauruenses, quase todas dominadas por bolsonaristas e hoje, algo mais ameno, tranquilo, cheio de rapapés e salamaleques. Estávamos numa espécie de armistício instituído e consolidado, ao menos por enquanto. No meio da agitação no hangar tinha de tudo e dentre as diferenças bem evidentes, algo se juntando: todos, ou ao menos, a imensa maioria, mesmo representando pensamentos distintos, diversos e desconexos, todos votaram em Lula, para ao menos ser alcançado o objetivo de sacar do poder o defenestrável Jair Bolsonaro. Alckmin é polido na fala e no trato. Mudou muito e hoje, se mostra a cada do governo onde atua. Ou seja, na comparação com o passado, melhorou e hoje, bem tratado até pelos antigos detratores, navega em mares tranquilos.


Nesta condição circulou entre os presentes, ouviu, foi paparicado e teve sempre ao seu lado o fiel escudeiro, aquele que, junto dele deixaram as hostes mais retrógradas e aderiram de mala e cuia na barca de Lula e do novo governo e pensamento agora vigente. Sim, os tempos são outros. Para muitos ainda é difícil andar confortavelmente entre tudo o que se viu naquele final de sexta lá pelas bandas do Aeroclube, mas nada tão dissonante do que ocorre hoje no país num todo. Lula chegou lá trazendo junto dele algumas alas, que se aqui não estivessem, poderiam estar perdidos, como cegos num tiroteio e sem lastro para continuar navegando. Hoje navegam e ganharam também mais que um folêgo novo. Alckmin um destes. Não me entristece vê-lo desenvolto no novo papel. Muito me alegra, pois desde sua reviravolta, continua na mesma pegada e talvez, o melhor de tudo, passando um filme em sua cabeça, revendo o passado e vendo onde pode acertar em cheio neste momento, traçando novos caminhos. Acredito piamente que, ele não se apresenta no papel hoje designado a ele, com a mesma pegada do passado. Ele evoluiu, disso não tenho dúvidas. Isso não apaga o passado, mas ao menos ameniza algo para o futuro. No governo Lula existem outros tantos assim, uns só para compor cota de partidos, sem compromisso assumido com nada e outros, como Alckmin, já dando a cara pra bater, assinando sem problemas tudo o que Lula diz ou faz. Se isso é bom ou mal para o Brasil, talvez faça parte de mais essa etapa sendo vivenciada, como necessária, no caminho para o que vá ocorrer no futuro. Alguns foram domados, outros, adulados, nem tanto, mas o fato inegável é que o Brasil é outro, caminhamos para a frente e estamos todos juntos rejeitando o passado negacionista onde estávamos enfronhados. Vivencio isto tudo como bauruense e brasileiro.

02.) PENINHA, OSWALDO PENNA JR, ANUNCIANDO SEUS PROJETOS EM BAURUQuem passa por Bauru por alguns dias foi o popular, irreverente e polêmico PENINHA, Oswaldo Penna Junior. Sua história está, em primeiro lugar entrelaçada com a de seu pai, o jornalista Oswaldo Penna, o idealizador da revista Cadência, com aproximadamente 60 anos de existência e depois, com sua eleição como primeiro vereador pelo PT na cidade. Peninha traçou depois vários outros caminhos para sua vida, com os tempos vividos na França e depois, quando do retorno ao Brasil, sua fixação em Palmas TO, onde resider até hoje. Sua irmã ainda mora por aqui, nos altos da rua Saint Martin e o abriga quando de passagem pela cidade. Veio com papéis na algibeira e distribuindo-os cidade afora. Quer me envolver na realização de dois trabalhos na cidade, dois documentários, com valor significativo, um contando a história de seu pai, o "Oswaldo Penna - Guerrilheiro Urbano" e outro, até mais polêmico, o "Cafajestes e Coronéis da Eny". Está com ambos projetos prontos e veio aqui divulgá-los para a imprensa e conversar com produtoras de vídeo e audio visual, o algo profissional necessário para suas realizações. Conversou também nas hostes da SMC - Secretaria Municipal de Cultura sobre a abertura do edital da Lei Paulo Gustavo, que só para ações desta natureza estará disponibilizando aproximadamente R$ 2.800 milhões para o setor. Circulo com ele e registro alguns reencontros, como o com meu vizinho, ex-assessor direto da presidência de cinco diretorias da Rede em Bauru, Plínio Scriptore. Ele andou muito, gastou sola de sapato e deve estar voltando para sua morada com esperança renovada de conseguir realizar estes sonhos de vida. Eu, sei da importância de seu pai e de se ter um documentário retratando sua trajetória e também, de ser contada a outra história e envolver Eny, pois após a biografia escrita pelo jornalista Lucius de Mello, ele agora propõe outra visão e abordagem, a dos que gravitavam e deram vida para aquela famosa casa, os cafajestes e os endinheirados, os coronéis. Com certeza, essa revolverá muitos de seus túmulos. São histórias desta insólita Bauru, cujas outras versões, além das já divulgadas, necessitar vir a público, até para na confrontação, se ter uma noção mais exata de tudo o que realmente aconteceu.

03.) A POSSE DO SINDICATO TRABALHADORES CALÇADISTAS DE JAÚConvidado pelos eleitos, fomos em comitiva bauruense para Jaú na manhã de sábado, para almoço festivo de posse da nova Diretoria eleita do Sindicato dos Trabalhadores Calçadistas de Jaú. Na nova diretoria, sai Miro Jacintho e adentro o palco dos acontecimentos o militante Flávio Coutinho. Gosto demais de conhecer pessoas envolvidas com a luta e defesa dos trabalhadores e, ainda mais neste caso, num dos sindicatos reconhecidamente mais atuantes na defesa dos interesses dos trabalhadores. Morei em Jaú por dois anos, meus tempos de Bradesco, final dos anos 80 e sempre que posso, volto pra lá, sempre na esperança de rever pessoas queridas e conhecer novos. Circulo por Jaú com certa desenvoltura, conheço alguns de seus atalhos e até me arrisco a fazer alguns comentários sobre a sua vida política, como a horrorosa neste momento, quando não se tem um representante dos interesses populares dentre os eleitos da Câmara de Vereadores e o atual prefeito é um que, além de representar um atraso considerável, grileiro de terras - se diz proprietário do local onde se encontra o assentamento em Gália -, tem política retrógrada, truculenta e propagador de ideias ao estilo bolsonarista. A resistência se faz em locais como o que estive, no seio de um sindicato atuante.


Conhecê-los é algo necessário, para a continuidade da luta, entrelaçando nossas cidades. Somos todos cutistas, lulistas e estamos envolvidos dos pés à cabeça com as necessárias transformações que a classe trabalhadora precisa neste momento. Ouvi atentamente a fala do Miro e do Coutinho, como a deputada Beth Sayão, tudo comandado naquele dia pelo mestre de cerimônio, o jornalista Ricardo Santana e saio de lá, junto de diletos amigos como Claudio Lago, Agnaldo Lulinha, Wellington, Jesus Garcia e muitos eletricitários, Camy's Fernandes, com a certeza de que, em partes, existe uma séria resistência e trabalho efetivo sendo realizado em terras jauenses. Valorosos personagens dentro de uma insana luta e estes muito cientes de como se dá a contenda e a praticando com toda a sapiência, conquistada após anos envolvidos na luta.

Em Tempo: Tenho uma ótima lembrança do Flávio aqui em Bauru, quando realizado um ato contra a demissão do jornalista Sergio Pais, da TV Tem e ele não só marcou presença defronte a Câmara, como fez uso da palavra lá defronte o gradil da TV no jardim Bela Vista. Daquele momento em diante, pelo que ouvi de suas palavras, a certeza de estar diante de alguém muito ciente do papel a cumprir e ser executado dentro da luta de classes onde todos estamos envolvidos.