quinta-feira, 31 de maio de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (112)


DUAS HISTÓRIAS DE BAURUENSES SEM FOTOGRAFIAS NO SEU RESGATE


1.) MARCÃO, O HOMEM DA VALISE

Hoje passei pela praça Luiz Zuiani e me bateu saudade de uma pessoa que via sempre andando de um lugar a outro pelas ruas centrais da cidade. Um tipão de quase dois metros de altura e que, por essas desventuras da vida não tive o prazer de conhecer pessoalmente, ou seja, bater um papo, conversar e trocar ideias. O via sempre pelas ruas, mas como tinha um jeitão um tanto agressivo, nunca me aproximei. Hoje me arrependo profundamente de nunca ter tirado uma mísera foto, pois creio, seria a única de um personagem tão rico das ruas desta cidade. Sei pouco dele e o que relato a seguir é para irmos o identificando, cada um acrescentando algo novo, possibilitando a construção de um perfil que o eternize como mais um dos que enriqueceram nossas ruas.
Foto meramente ilustrativa.
 

MARCOS ZUIANI sempre foi conhecido na cidade pelo nome no aumentativo, MARCÃO e isso se dava pelo tamanho, grandão, sempre de calça social, barbona grande, com um pito nas mãos e noutra uma inseparável valise, dessas duras, de vendedor. Circulava assim e dessa forma deitou fama por onde circulava. Filho do médico Luiz Zuiani, hoje nome de praça ali nas imediações do Cemitério da Saudade, local também da residência da família. Conhecido por todos, tinha um jeitão espalhafatoso, desses que falavam alto, intimidavam pela postura aparentando ser bravo. A história mais famosa dele só ficou conhecida após seu falecimento, quando descobriram que o busto de seu pai, também ex-prefeito da cidade, que havia sumido tempos atrás do lugar e todos falavam ter sido roubada, na verdade foi recolhida por ele e guardada num armário em sua casa. Disseram que a alegação era para evitar que fosse roubada, daí guardou. Ele e sua valise pelas ruas fizeram história, inseparáveis e com conteúdo pouco conhecido. Enfim, o que Marcão carregava em sua valise? Só quem mesmo o conhecia pode desvendar o mistério. Trombava com ele pelos pontos mais diversos da cidade, ou seja, ele andava muito. Certa feita numa agência bancária presenciei um diálogo aos gritos dele com um desses vigias que queriam que abrisse a valise/maleta, para se certificarem do seu conteúdo e o deixarem adentrar. Fez o que chamamos de barraco. Posto isso para ver se alguém possui uma foto dele com sua valise, até para registro de um tempo que não volta mais. Leiam também isso, já publicado e com tema correlato: http://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=herma+do+prefeito

2.) ADOLPHO SIMÃO RASI, O “SUBVERSIVO” QUE DÁ NOME AO SESC BAURU

Fui praticamente apresentado ontem para uma pessoa que, assim de bate pronto, de imediato bateu uma empatia mais que profunda, enorme e inenarrável. Isso ocorre em demasia nos dias de hoje e se deve a algo muito simples: a história bauruense ainda está muito mal contada, toda fragmentada e clamando por gente que a reescreva, ou melhor, a conte adequadamente. Resgato aqui e agora algo de um personagem mais que encantador desta cidade e o faço após ler algo bem simples, uma simples nota publicada no facebook contando uma passagem da vida desta pessoa. Bastou para me interessar e com os comentários posteriores, entender da necessidade de se escrever mais e mais de gente assim, os que os a história oficial faz questão de ocultar.
O busto é em homenagem ao filho do Adolpho.
 

ADOLPHO SIMÃO RASI possui dois sobrenomes de peso na cidade de Bauru, ambos ligados aos grupos de poder dominante. A gente bem sabe que, em todas as famílias existem os que saem pela tangente e não seguem os ditames familiares ligados ao conservadorismo. Esses os mais valorosos. Poderia citar nesse rol o Toledo, morto durante a ditadura militar, filho do fundador da ITE. Adolpho é outro. Vejam o que Antonio Pedroso dele publica ontem: “Adolpho Simão Rasi, hoje nome do SESC em Bauru, no século passado, a qualquer movimentação politica era preso e conduzido para a Cadeia Pública. Como bem definiu o amigo e professor Zarcillo Barbosa fazia parte da lista dos suspeitos de sempre, da polícia política. Certo dia estava cuidando de sua videira, de onde colhia as uvas para fabricar o próprio vinho quando chegou uma viatura policial. Atendeu os policiais e recebeu voz de prisão. O diálogo, que se seguiu é hilariante: ‘Por que estou sendo preso, dr?’. A resposta: ‘Por causa de suas idéias...’. Sua resposta: ‘Então, leve-as, trancafie-as e me deixem cuidando de minha lavoura”. Como não se interessar por quem age dessa forma e jeito? Zarcillo escreve mais dele: “Quando o velho Adolpho era solto, porque o juiz entendia da inutilidade da sua prisão, descia a Batista com o cobertor enrolado, debaixo do braço, era recebido com vivas e abraços pelos lojistas e clientes. Sua história emocionou José Papa Jr., presidente da Federação do Comércio, nos anos 1970, que batizou com o seu nome o prédio do Sesc. Adolpho era pai de Octavio Rasi, de Oswaldo Rasi e Lenine Rasi (não por acaso). Avô de Mauro Rasi, o dramaturgo e cronista de O Globo. (...)Tiraram o nome do velho “Dorfo” da fachada do prédio do Sesc. Oswaldo Rasi, que durante 30 anos foi conselheiro da Federação do Comércio, foi homenageado pelo Sesc com uma escultura em bronze da sua cabeça. Estava no saguão de entrada. Transferiram com o pedestal para o lado do muro do pátio de atividades múltiplas. Assim são tratados os nossos heróis”. A única menção dele nos livros sobre Bauru é a feita por Pedroso no “Subversivos Anônimos”. Conheci demais o Oswaldo Rasi, batendo papos homéricos nas esquinas da cidade, algo não mais possível com os ditos dirigentes lojistas dos tempos atuais. Esse texto tem o intuito de possibilitar pesquisas variadas e múltiplas envolvendo personagens da história bauruense que ousaram ser e fazer algo diferente. Esses são os mais interessantes e Adolpho, pelo pouco que dele tomo conhecimento, merece pesquisa e estudos ampliados.


OBS.: Fui ao SESC Bauru hoje só para fotografar o busto do homenageado na unidade Bauru, mas me decepcionei, pois o único busto lá existente não é o dele e sim, o de Oswaldo Rasi. Ninguém por lá soube me explicar dos motivos da troca e fico sem publicar nenhuma foto dele.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (51)


RINDO MUITO EM VER "ELES" PROCURANDO OS CULPADOS...

O Jornal Nacional de ontem foi hilário. Citaram por inúmeras vezes isso dos tais "agentes infiltrados", os que insistem em continuar com o movimento grevista dos caminhoneiros nas ruas, quando as lideranças (sic) já decidiram aceitar as condições impostas pelo desGoverno Golpista de Temer. Algo muito preocupante incomoda a mídia massiva golpista, o fato de tudo ter saído do controle. A tal greve foi pensada e idealizada para favorecer os grupos econômicos dominantes nesse mercado, os donos das empresas. O povão nas ruas comprou a ideia de que os caminhoneiros sofrem e penam sob o tacão de altos impostos, preço injusto do combustível, condições precárias de trabalho e a penúria de trabalhar muito, praticamente todos os dias da semana. Junto a eles se juntaram outros, como motoqueiros, taxistas, donos de vans, transporte coletivo, etc. A liderança, se é que existe de fato, tem um posicionamento confuso, mas em algo já estão mais que definidos: não toleram mais Temer e os seus. A TV Globo sabe o risco que corre e joga pesado para fazer todos voltarem de cabeça baixa para suas casas, seus empregos e condições antigas de trabalho. Estão penando para conseguir seu intento.

Ligo o rádio hoje aqui na Jovem Pan e vejo a repetição da mesma ladainha da TV (não ousei ainda ouvir outras emissoras de TV e rádio, tenho mais o que fazer). Estão todos com os microfones nas mãos mais perdidos que cegos em tiroteio. Pregam a volta imediata ao trabalho e liberação das pistas, sem bloqueios, ou seja, fim de tudo. Fazem de tudo e mais um pouco para tentarem terem esse objetivo alcançado. Sabem que algo mais pode estar em curso e colocaria em risco à condição golpista conquistada, não só pelos do governo Temer, esses se segurando em fios desencapados, mas a da própria mídia. Lindo observar o povão nas ruas desacreditando o que ouve na TV e no rádio e tocando o pau no apoio a uma movimentação que ninguém sabe ao certo onde levará esse país. Buscam algo que possa ligar o ocorrido ontem em Bauru, o que fizeram nos trilhos para impedir os trens com tanques de combustíveis chegassem à cidade com movimentos de esquerda e não encontrando esse elo, atiram para todos os lados.

Volto para a questão dos tais infiltrados. Tanto na TV como na rádio a percepção muito clara de estarem loucos, quase desesperados em creditar essa continuidade do movimento aos esquerdistas, aos movimentos sociais, aos sindicalistas ainda na defesa dos trabalhadores, tudo para criminalizar de vez o movimento, a greve e estancar tudo do jeito que gostam, com muita violência e porrada nas ruas. Não estão conseguindo, pois não estão encontrando os tais aqui citados no comando de nada. E quem seriam esses? Pelo visto nem eles, os sabichões descobriram até o presente momento. Ué, dessa vez não conseguem culpabilizar Lula e Dilma? Divagam e batem adoidado, pois se deixarem a coisa degringolar de vez, o barco de todos afundará. Eu, cá do meu camarote, observo e escrevo essas mal traçadas com o sentimento renovado de que algo poderá fluir das ruas e vicejar, mudar os rumos dos acontecimentos neste país. Mais urubuservo que participo. Converso muito e a cada novo diálogo, vejo que os caras lá na ponta das ruas não estão pra brincadeira e se rejeitam a esquerda junto deles, o fazem também com os direitosos de plantão. O imbróglio está pra lá de interessante.

terça-feira, 29 de maio de 2018

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (113)


INTERVENÇÃO FERROVIÁRIA JÁ - ESSA SIM SERIA BEM VINDA

Bauru, como até as pedras do reino mineral sabem é uma cidade com laços ferroviários muito fortes, diria, eternos. Isso sempre incomodou a essa parcela que incentivou a derrocada final do modal férreo e o incremento do rodoviário. Com a greve dos caminhoneiros explodindo no país num todo, em Bauru algo chamou a atenção e foi destaque no noticiário nacional; a cidade é servida de combustíveis via férrea, com os vagões tanques e dessa forma teve sua situação amenizada e até a presente data, mesmo com o consumo tendo aumentado, ela ainda não faltou na maioria dos postos da cidade.

Guardião, o super-herói bauruense, intrépido e sempre atento, dá o seu pitaco sobre a questão: “O ocorrido serve para mostrar o quanto erraram ao colocar fim no modal ferroviário neste país. Quem decretou o fim deste modal foi FHC, no seu neoliberal governo, um que privilegia tudo o que venha do serviço privado e em detrimento do público e subsidiado para que o povo se sirva dos serviços básicos com preços baixos. A crueldade desses se mostra em todas suas ações e na questão do que fizeram com a ferrovia, algo para ser lembrado sempre, nunca esquecido”.

Hoje, com a malha ferroviária em petição de miséria, circulando somente com trens de carga e nenhum de passageiros, um tráfego precário, porém algo ainda continuando e nesse momento comprovando sua eficácia. “Os exemplos quando ocorrem servem para tapar a boca de todos os insanos que ainda defendem o modal rodoviário como solução dos problemas de abastecimento do país e também do transporte de passageiros. Esse chega num momento onde a ficha da população começa a cair e desmascarar aqueles defensores das desigualdades como norma de conduta. A greve expõe de forma bem clara como o modal rodoviário não é o mais eficiente e os motivos são muitos, desde o estrangulamento das estradas, como os altos custos dos milhares de caminhões indo e voltando. Pior é pelo fato da destruição de uma malha que no passado cortava o país em todas suas direções e agora, se algo for feito, praticamente a reconstrução e como a corrupção grassa em todas as esferas nacionais, dá-lhe grana nos bolsos dos insanos a nos governar”, continua com sua fala Guardião.

E finaliza com aquele toque característico de quem se posiciona sempre ao lado, nunca dos poderosos de plantão, mas de quem mais precisa do atendimento, no caso específico da greve, os que estão em busca de combustível e não o encontram nos postos. “Sem entrar em detalhes sobre os muitos questionamentos a respeito dessa greve, algo de bom desponta no horizonte. Muita coisa está sendo desmascarada, inclusive para aqueles que achavam ser isso pauta da esquerda e agora, com a ficha caindo, são obrigados a concordar que a razão está com esses. Tudo é um grande monopólio neste país, feito para favorecer uns poucos, nunca quem mais dele precisa. Essa parcela que menosprezava quando lhe diziam que a TV Globo praticava um péssimo jornalismo, hoje reconhece isso. O mesmo serve para o caso da utilização do transporte de carga e de passageiros em massa pelos dois modais, o rodoviário e o férreo. Que as máscaras todas caiam, mesmo que lentamente, mas ocorra para o bem de todos e novos rumos para este país”. Guardião sabe que o combustível em Bauru pode até faltar, mas enxerga que a lição, o toque para que todos entendam o que de fato se passa nos bastidores do país já foi dado e agora aguarda uma reflexão ampla, geral e irrestrita por parte dos ainda propensos a produzir a boa discussão. E ainda dá um último pitaco: "Outro tipo de intervenção, nem pensar".

OBS.: Guardião é criação da verve do ilustrador e artista plástico Leandro Gonçalez e conta com os pitacos escrevinhativos do mafuento HPA.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

COMENDO PELAS BEIRADAS (55)


DOIS REVELADORES DOCUMENTOS DESSES TEMPOS SOMBRIOS - NÃO É MAIS POSSÍVEL SE MOSTRAREM COMO SANTOS (DO PAU OCO)

DOCUMENTO UM – DO REITOR DA UNESP PARA SERVIDORES COM GREVE MARCADA PARA HOJE
Assunto: Orientação da Assessoria Jurídica da Reitoria sobre Greve no Serviço Público
Prezado(as) Diretores(as)/Coordenadores(a) Executivos(a),
Conforme solicitado, encaminhamos em anexo parecer da AJ-Unesp/Reitoria
sobre os procedimentos a serem adotados em caso de deflagração de greve
por servidores em sua Unidade. Recomenda-se especial atenção à decisão
proferida pelo STF em 27/10/2016 (pág. 6 do documento), que pacificou o
tema em relação ao direito de greve no serviço público.
Em relação ao boletim de frequência, após o servidor informar que
encontra-se em greve ao superior imediato (em prazo mínimo de 72 horas),
a observação "greve" deverá ser assinalada no campo "Legenda" e
informado ao RH sobre a suspensão do vínculo funcional, conforme decisão
proferida pelo STF.
Ao final da greve, quando for possível em função das atividades que o
servidor desempenha e, em caso de acordo, poderão ser repostos os dias
paralisados quando será feito o pagamento dos dias descontados.
Atenciosamente,
Sandro Roberto Valentini - Reitor

COMENTÁRIO DESTE HPA – Como a greve na Unesp foi marcada com antecedência, o reitor ciente do que ocorreria, providenciou um documento, uma espécie de alerta para os que estiverem realmente dispostos a entrar em greve. O que se extrai do documento é que já não é mais possível dizer que “greve é um direito do trabalhador”, pois o patrão, no caso personificado no reitor, o capataz do Governo Estadual, exige que os grevistas informem ao “setor competente” estarem em greve, com imediata “suspensão do vínculo funcional”. Quando a greve terminar, se o patrão achar por bem pode pagar os dias parados, pode readmitir o funcionário e reintegrá-lo ao quadro unespiano. Tanto pode como não pode, depende de sua boa vontade e de sua disposição diante da nova legislação trabalhista. Se isso não se chama amedrontar o trabalhador e pressioná-lo para que não faça greve, com clara ameaça de demissão, principalmente para os funcionários seletivos, podem mudar meu nome para Palhaço de Plantão. Em curso o novo formato de tratamento ao trabalhador. E a nota mais recente vinda da Reitoria: “Em virtude da greve dos caminhoneiros estão suspensas todas atividades de 28 a 30/5”. A direita se movimenta ao seu modo e jeito, sempre da forma mais sacana possível.

DOCUMENTO DOIS – DOS CAMINHONEIROS EM GREVE SOLICITANDO AJUDA CONTRA A REDE GLOBO
Assunto: A Rede Globo está preparando o Fantástico desse domingo para detonar os caminhoneiros do Brasil. Vamos fazer uma corrente e repassar pra que ninguém assista. Vamos derrubar a audiência dessa emissora de merda. Forte abraço a todos os caminhoneiros e que Deus os abençoe.
A ÚLTIMA CARTADA DO GOVERNO SERÁ NO FANTÁSTICO DESSE DOMINGO...
Nós do jornal Expresso vamos explicar como vão tentar manipular você essa noite, se cuide que os melhores produtores, diretores e repórteres do Brasil estão trabalhando para revoltar você contra os caminhoneiros.
Vai ser sutil. No começo a apresentadora Poliana Abritto vai fazer o papel de policial ruim. Vai começar chocando com uma criança doente em algum lugar do Brasil chorando por não ter recebido o remédio imprescindível a sua saúde. Pra dar mais veracidade a mãe chorará também. Imagens fortes mostrarão a pobreza da família. Até aí tudo bem. Depois mostrarão os caminhoneiros fazendo um outro caminhoneiro se ajoelhar e pedir perdão. Isso vai durar 10 minutos.
Na sequência o Tadeu Schimit fará papel de policial bonzinho pra fingir que estão do nosso lado. Vão mostrar o sofrimento dos caminhoneiros, frete baixo, caminhão financiado, solidariedade na estrada. Isso vai durar 3 minutos. Em seguida enruga a testa e vai mostrar os empresários por trás da greve, vai pegar um frotista com 10 caminhões apoiando a greve, esse representará o Brasil inteiro.
Poliana voltará falando que o governo cedeu a todas as reivindicações. Fez mais do que podia, até receber alguns caminhoneiros lá. Que tudo que o governo fez foi pensando na dona de casa que está sem gás e que a porra do gás só não chega porque os caminhoneiros bloquearam as estradas.
Tadeu voltará mostrando meia dúzia de caminhoneiros que querem voltar a trabalhar mas são impedidos por outros. Aí começarão a mostrar o leite derramado, frutas podres, gasolina faltando, grávida chorando no posto. O telespectador ficará com essas imagens na cabeça. Nisso mostrarão a viagem da seleção pra Copa, mas puta que pariu, aquela grávida chorando sem gasolina não sai da cabeça.
Pra melhor ilustrar farão um comparativo do frete no Brasil com outros países. Imagens internacionais mostrarão caminhoneiros na Europa ganhando menos que aqui no frete, claro que vão esconder que o diesel lá é metade do preço, estradas que são um tapete, e pedágios reduzidos. Nisso a população já estará convencida de que caminhoneiro chora de barriga cheia.
Antes de terminar fingirão ser imparciais, dizendo que torcem pelo diálogo e que tudo volte ao normal. Boa noite e boa semana.

COMENTÁRIO DESTE HPA – Tudo nessa vida ocorre desta exata forma. Se a lição ou o aprendizado não vem por bem, com leitura, estudo, debate, um dia ocorre da forma mais inesperada possível. Foi martelado insistentemente para parcela da população que a TV Globo produz um jornalismo de péssima qualidade, na defesa dos seus interesses e da tal parcela dos 1% da população. Ironizavam quem tentava lhes abrir os olhos, mas com a greve dos caminhoneiros, pelo que vejo, estão com alguma compreensão dos malefícios que essa TV causa para a mente humana. Esse documento publicado acima, espalhado ontem pelos coxinhas (o que seria esse Jornal Expresso?) e também por tantos outros, também ainda crendo na tal TV é bastante elucidativo do que pode estar em curso. De nada adiantou falar e demonstrar por A + B, mas agora enxergaram algo e a partir daí, uma possibilidade da ficha começar a cair. Cá do meu lado, vejo tudo isso e me divirto, pois a confusão faz parte dos últimos acontecimentos, onde as cabeças estão não só em polvorosa, mas de pernas para o ar. Talvez isso tudo sirva para algo compensador lá na frente, no frigir dos ovos.

domingo, 27 de maio de 2018

MÚSICA (160)


MANIFESTO DO HPA, TRÊS MUSICAS NA VITROLINHA E ALGO DO MOMENTO CAMINHONEIRO

Impedido de sair às ruas hoje, escrevo. O impedimento não é pela falta de combustível. A sua falta não de faz sentir em Bauru, onde até ontem à noite tudo estava normal. Nessa cidade tudo é normal até demais e isso irrita. O único senão de fuga da trivialidade é a manifestação dos motoqueiros. Esse povo quando reunido pode coisas que nem imagina. Por enquanto só protestam. Eu acompanho tudo à distância. Diabetes atacada, nova cirurgia e nem ir até a praça Rui Barbosa ver o lançamento da candidatura de Lula na cidade ou na feira dominical do Rolo e banca do amigo Carioca, onde bato cartão, me é permitido. Fechado entre quatro paredes, leio, escrevo e assisto TV. O formigamento pelo corpo é imenso, incomensurável. Jogos de futebol e documentários na TV, além de mudar a todo instante os canais em busca de notícias palatáveis sobre os últimos acontecimentos do país.

Tento juntar as ideias e o faço na medida do possível. Deitado tudo é mais complicado. O corpo fica molengão e reage pouco aos impulsos de seguir uma ordem ditada pelo cérebro. Já que está na posição horizontal, para fechar os olhos um pulo. Sou também cobrado para os afazeres domésticos e os faço aos trancos e barrancos, sob expresso ordenamento de outrem. Essa minha rotina. Nos intervalos, levanto para urinar e comer, daí sento alguns instantes diante da tela do computador e batuco um MANIFESTO. Algo que poucos terão o desfrute de ler, mas é o que me move neste momento. Tento juntar as ideias para não enlouquecer, o país de pernas para o ar e eu aqui trancado, sem poder de ação e não podendo participar, colocar o bloco na rua.

Ontem começo o dia ouvindo algo sugerido pelo facebook, onde alguém faz uma alusão que o momento atual faz sentido com a música de Raul Seixas, “O dia em que a Terra parou”. Eis a letra: “Essa noite eu tive um sonho de sonhador/ Maluco que sou, eu sonhei/ Com o dia em que a Terra parou/ com o dia em que a Terra parou./ Foi assim/ No dia em que todas as pessoas/ Do planeta inteiro/ Resolveram que ninguém ia sair de casa/ Como que se fosse combinado em todo o planeta/ Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém./ O empregado não saiu pro seu trabalho/ Pois sabia que o patrão também não tava lá/ Dona de casa não saiu pra comprar pão/ Pois sabia que o padeiro também não tava lá/ E o guarda não saiu para prender/ Pois sabia que o ladrão, também não tava lá/ e o ladrão não saiu para roubar/ Pois sabia que não ia ter onde gastar./ No dia em que a Terra parou (Êêê)/ No dia em que a Terra parou (Ôôô)./ E nas Igrejas nem um sino a badalar/ Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá/ E os fiéis não saíram pra rezar/ Pois sabiam que o padre também não tava lá/ E o aluno não saiu para estudar/ Pois sabia o professor também não tava lá/ E o professor não saiu pra lecionar/ Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar/ No dia em que a Terra parou (Ôôôô)/ No dia em que a Terra parou (Ôôô)./ O comandante não saiu para o quartel/ Pois sabia que o soldado também não tava lá/ E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá/ E o paciente não saiu pra se tratar/ Pois sabia que o doutor também não tava lá/ E o doutor não saiu pra medicar/ Pois sabia que não tinha mais doença pra curar./ No dia em que a Terra parou (Oh Yeeeah)/ No dia em que a Terra parou (Foi tudo)./ Essa noite eu tive um sonho de sonhador/ Maluco que sou, acordei/ No dia em que a Terra parou (Oh Yeeeah)/ No dia em que a Terra parou (Ôôô)”. Querendo ver e ouvir a voz do saudoso Raul cliquem no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=yYtx_QnSRaQ.

Por enquanto nem a Terra parou, muito menos o Brasil. A greve está arrefecendo seu ânimo, incentivada pela maior rede de TV, que se caga nas calças se a mesma perder o controle e parar de fato o país. Incutindo o medo, coercitivamente impondo multas e o cassetete comendo solto, todos abaixam a crina. Resistir não é muito o papel do pobre do brasileiro, dominado pela insanidade de uma elite que o subjuga há séculos sob o tacão ditado pelas ordens da Casa Grande. Não desmereço as lutas que já tivemos, mas não me parece ocorrer nesse momento algo a revolucionar este país. E como seria bom se isso pudesse de fato ocorrer. Fiquemos nas vontades não realizadas. Essa mais uma.

Tento iniciar o MANIFESTO ouvindo Raul. Seu som invade o apartamento de Ana e ela esboça querer acordar. Sou obrigado a baixar o som e desta forma, paro até com a música, que continua a tocar na memória deste mafuento e cordato cidadão. Meu manifesto é chinfrim diante da letra proposta por Raul esse sim uma verdadeira e revolucionária proposta, a de parar tudo. Se numa semana já falta tudo neste país, imagino parando tudo, das possibilidades disso para nossas vidas. Seria transformador e altaneiro viver algo assim. Quando ligo a TV e vejo as filas de brasileiros comprando gasolina a R$ 9 reais o litro eu vejo que nada vai parar. Ninguém vai botar fogo nos postos de combustíveis. O que querem é só chegar a vez deles e voltarem para suas casas com o tanque cheio, a batata comprada a R$ 10 reais o quilo e continuarem vendo pela TV o que acontece com os malucos belezas lá nas estradas botando a cara para bater. Faço o mesmo sentado na cama, inerte e como li ontem de uma senhora revoltada no mesmo facebook: “Vocês não fazem nada”. Respondi assim a ela: “Vocês o que cara pálida, ou a senhora também não faz parte desse contexto. Cobra dos outros e não sai de casa. Quer que os outros façam pela senhora o que deveria estar também fazendo”. Enfim, coisa bem brasileira da qual também faço parte.

O MANIFESTO vai sendo adiado diante do rádio ligado e na Unesp FM, na bela programação de música brasileira, eis que o programador João Flávio Lima coloca para nos embalar e sugerir algo, um Gonzaguinha num lindo samba de breque, o “A cidade contra o crime”. Eis a letra: “Estava dando uns bordejos pelaí/ Quando derepente a figura apareceu/ E dentre tantos me escolheu./ Mas o barulho da cidade está/ tão grande que eu não pude nem ouvir/ quando o pinta me rendeu./ Não se move aí, Ô meu/ Mas que pinóia, eu, o rei da paranoia/ que não largo a minha bóia/ mesmo quando estou a pé./ Como é que eu dou esse azarão/ Eu faço parte desse medo coletivo/ já não sei nem se confio na polícia ou no ladrão./ (A barra não tá mole não, ladrão já tem que andar/ Com plaqueta de identificação/ a dita anda dura mesmo com a abertura)./ O cara disse:/ Fica quieto Vai tirando toda a roupa/ De conforme o que está no meu direito/ E eu só via defeito/ A que eu vestia estava todo emburacada/ remendada,/ esfarrapada, bem puída no maltrato./ Vou tentar fazer um trato/ Pensei depressa aonde estava aquela quina/ que sobrou do meu trocado que hoje/ chamam de salário Trabalhador tu é otário/ E foi aí que eu notei que o pivete/ Tremia muito mais que eu tava, pela bola sete/ Olhei melhor pro salafrário/ Notei que a arma que o fulano segurava/ era meio que chegada a um cheiro de sabão/ Na rapidez meti a mão/ O trinta e oito se partiu em mil pedaços/ E o coitado do palhaço ficou meio em ação/ Aproveitei a confusão/ Mandei que ele desvestisse a roupinha/ Tá mais limpa que a minha inclusive a santinha/ Não esquece a sunguinha, heim Ô/ Ele chorava de bobeira me mostrando a carteira/ que continha a exploração de seu patrão/ Me livra dessa meu irmão que eu não tive opção/ A galinha comeu pipoca em cima da minha solução/ Tá caro tudo no meu lado já não sei o que é feijão/ mas acontece meu amigo que eu também tô a neném/ A concorrência oficial não tá deixando p'rá ninguém”. Querendo ver e ouvir a voz do saudoso Gonzaguinha (no vídeo ao lado de Roberto Ribeiro) cliquem a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=2-ncYZFT5ik&start_radio=1&list=RDMM2-ncYZFT5ik.

Tentei novamente iniciar o MANIFESTO, dessa vez ouvindo Gonzaguinha. A letra me consome e chego à conclusão de que tudo o que queria dizer já estava dito ali pelo poeta que tanto prezo. “Trabalhador tu é otário”, afirma num certo momento, pois diante de tudo o que fazem sob seus costados, continua impávido e conformado. Reagir como se é triturado no seu dia a dia e ao ligar a TV, lhe vendem a ideia de que o lado do patrão, do rico, do todo poderoso é que é o certo e o dele, bem, o dele, não vale para muita coisa. Abro o youtube para conferir as letras das duas músicas e lá algo que havia pesquisado dia desses quando estava a pesquisar sobre a participação de Brasil e Argentina nas Copas do Mundo. Horácio Fontova (um cantante que vi cantar ao vivo quando em Buenos Aires em 2008 num comício de Hugo Chavez) canta magistralmente “Los Argentinos”, em algo muito próximo de uma possível “Os Brasileiros”. Eis a letra, mas a leia imaginando que estivesse também versando sobre os brasileiros: “Los argentinos somos vivos porque/ somos mucho mas piolas que los demás/ Por eso es que en todo el mundo admiran/ nuestra contundente superioridad./ Somos tan lindos y tan importantes/ y tan fascinante nuestra sobriedade/ que en ningún sitio pueden olvidarse/ de nuestra humildad./ Los europeos buenos consejeros/ siempre buenas ondas nos quieren tirar/ rusos y yanquis que nos quieren tanto/ siempre se pelean por nuestra amistad./ En cambio los latino-americanos/ subdesarrollados no podrán jamás/ ser tan hermosos como nuestra pura/ estirpe nacional./ Por eso a los argentinos/ nos quieren en todas partes/ porque somos el baluarte/ de toda la humanidad./ Por eso es que en la Argentina/ invierten de todas partes/ porque imperialismo aparte/ nos quieren homenagear./ No creas nunca que los argentinos/ somos mas cretinos que el peor rufián/ y que además seamos pobres tipos/ con flor de complejo de inferioridad./ Hay gente fea, mala y envidiosa/ que con sus calumnias nos quiere ensuciar/ porque bien sabe que grande que es nuestra sensibiliad./ Si estamos lejos del terruño amado/ y un tango escuchamos nos hace llorar/ porque inmediatamente recordamos/ lo felices que eramos viviendo allá./ Donde violar las leyes era fácil/ y evadir impuestos un deporte mas/ donde coimear era casi tan bueno/ como especular./ Por eso a los argentinos/ nos quieren en todas partes/ porque somos el baluarte/ de toda la humanidad./ Por eso los argentinos/ siempre fuimos tan unidos/ porque somos los mas vivos/ mas vivos que no se qué”. Querendo ver e ouvir a voz do Fontova, cliquem a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=jB8uSnm1YCo&list=RDMM2-ncYZFT5ik&index=4.
Eis hoje o palco dos acontecimentos.

Os argentinos são tão vivos, como Fontova canta que, são igualmente enganados da forma mais vil possível por um desgoverno tão cruel e insano como o nosso, ambos neoliberais, criminosos e com quadrilhas a comandar o butim contra os cofres públicos. Aqui uma greve de caminhoneiros, lá uma paradeira contra os aumentos abusivos de luz e gás. Em ambos os países, nas manchetes algo surreal: “nunca tanta gente tem se iniciado nos primeiros delitos”. E o que seria isso? Denomino de desespero de causa. Quando todas as portas se fecham, dá-lhe conseguir de alguma forma algo para comer e dar aos seus. Ambos países são loucos por futebol e a Copa do Mundo se aproxima, mas tanto lá como cá, o desinteresse grassa e aquilo que movia a todos, hoje move lentamente, pois algo mais nos aflige. Estamos a perder tudo o que nos resta de sobriedade e impossível ser feliz dessa forma. Ainda sento para tentar dar início ao meu MANIFESTO, mas ele já não me faz mais sentido hoje. Não conseguirei nada além de escrever besteiras, reafirmar algo já dito e redito. Tento escapulir sem Ana notar, saída sorrateira para ir na banca mais próxima buscar a edição de Carta Capital, minha revista semanal com a manchete, “Os caminhões do Apocalipse”, mas o jornaleiro me diz que ela não veio hoje. Motivo: a greve dos caminhoneiros. Resignado, deito, leio, escrevo e vejo TV.

Tenham todas e todos, na medida do possível, um ótimo domingo

sábado, 26 de maio de 2018

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (101)


AULA PRÁTICA DE HISTÓRIA NAS RUAS – O CASO DE UM AMIGO MOTOQUEIRO BAURUENSE
Ontem acompanhei aqui em Bauru ali na altura do Confiança Rodoviária, por volta das 20h, uma carreata que desceu e depois subiu a avenida Nações Unidas. Parei na calçada e fiquei observando o ocorrido e tentando entender o que fato ocorria aqui e em boa parte do país. Na frente da manifestação estavam os motoqueiros, num buzinaço dos mais tentadores, atrás a fila dos carros e alguns caminhões. Os motoqueiros estavam naquele momento em todo o país aderindo de corpo e alma ao espírito da greve dos caminhoneiros e lhes dando mais que apoio. Tomaram á frente do movimento nas ruas em Bauru. Nem sei, mas acredito terem sido eles os organizadores da carreata. O fato é somente um e isso se espalha pelo país todo, vários segmentos até agora reticentes de se posicionarem contra o desgoverno Temer, hoje já o fazem.

Precisamos entender algo mais. Cito um amigo, um motoqueiro bauruense e até a presente data se posicionando nas redes sociais contra as esquerdas, engajado numa campanha de um presidenciável conservador. Falo de Markinhos Pires, excelente sambista, cartolense de quatro costados, torcedor noroestino, chefe da bateria do bloco Estrela do Samba de Tibiriçá. Trabalha com sua moto fazendo entregas variadas, sua muito a camisa e na força de sua juventude, se safa e com muito esforço coloca a renda dentro de sua casa. Um batalhador na acepção da palavra. Seu posicionamento até então se fazia pelas redes sociais, de forma contundente, mas só por essa via. Hoje não mais, pois está nas ruas com os demais motoqueiros e na carreata na defesa dos caminhoneiros.

O que mudou? Ele percebeu que a luta dos caminhoneiros é justa. Não peçam para ele analisar se o que ocorre é um locaute ou greve. Querendo me colocar em seu lugar, vejo ter se sensibilizado com o sofrimento dos caminhoneiros, com fretes altíssimos, custo do combustível quase impraticável, algo que também sofre no bolso a cada ligada de sua moto para fazer novas entregas cidade afora. Para se juntar a outros na mesma situação deve ter sido um pulo. Nas últimas postagens, ele defendo com unhas e dentes os caminhoneiros e coloca seu bloco na rua. O vejo, como muitos nesse momento pedindo nas ruas por “Intervenção Militar”. Não quero discutir isso, pois cada um chega a um entendimento sobre o que ocorre no país, seguindo as informações recebidas pelos seus canais de recepção. Markinhos, como tantos outros, estão a favor dos caminhoneiros e a favor do militarismo como forma de solucionar a balbúrdia hoje ocorrendo no país.

Venho para o dia de hoje e tento me colocar no lugar de todos pensando e agindo como o amigo Markinhos. Imaginem a cabeça deles todos hoje, quando observam parte considerável do pais defendendo os caminhoneiros, a TV começando a agredir quem o faça e o militar que defendem sendo colocado para tirar na marra os grevistas das estradas. E se o Exército usar de força contra os caminhoneiros, eles continuarão a defender a tal da Intervenção Militar? E o papel dos tucanos, nesse momento representado pelo atual governador paulista, o Marcio França, propondo multar com R$ 100 mil reais cada grevista que não retirar seu caminhão obstruindo a passagem nas estradas? A greve está fora de controle e está por um fio para transformar esse país em algo incontrolável. Sei que a maioria dos motoqueiros nem imagina que num governo militar uma manifestação como essa que estão fazendo nesse momento não seria permitida, mas podem começar a atender, desde que algo ocorra e lhes mostre o contrário. Talvez eles também nem saibam que quem patrocinou a greve em curso são as empresas. O bom disso tudo é o rompimento desses todos com Temer, seus governo e muitos dos políticos situacionistas. Muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte, mas toda essa rapaziada nas ruas, como Markinhos estão tendo uma aula ao vivo e a cores de história do país. O que virá disso tudo só os próximos acontecimentos nos dirá
Os taxistas também aderiram apoio aos caminhoneiros
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sexta-feira, 25 de maio de 2018

DIÁRIO DE CUBA (97)


CAMINHONEIROS, A GREVE APOCALIPTÍCA E O QUE PENSAM DELA ALGUNS PELA AÍ
“Pra quem acha que a solução pro país e as forças armada e isso que o presidente vai fazer colocar os militares pra cima do povo”, Sarah Fernandes

“Temeroso e alguns ministros, resolveram pela intervenção militar, contra os caminhoneiros que ocupam as rodovias. Irão usar da força bruta, contra os mesmos.
Se não saírem dos bloqueios, irão tomar as direções dos caminhões à força. Vai dar merda”, Helena Aquino.

“- É só tirar a Dilma que melhora.
- Quero meu País de volta.
Seu país voltou. E antes que venham com aquela idiotice de que quem votou em Dilma votou no dito cujo, lembre-se que o vice do mau perdedor é ministro dele. Esse que votei pra fazer papel de vice, não de presidente. Quem entronizou Temer no papel principal não fui eu. Teu país tá ai de volta, sem Dilma e sem gasolina. Desejo atendido”, Danilo Mendes.

“"Lockout" - Era o que parecia ser, ou não ser, eis a questão do golpe!”, Juarez Xavier.

“TA ME CHEIRANDO O GOLPE DE PINOCHET NO CHILE, ESSA GREVE DOS CAMINHONEIROS”, Gilberto Truijo.

“O Vampirão do Temer em rede nacional convocando as forças de segurança Nacional para barra a greve. Fora Temer”, Tete Oliveira.


“Gente,as puliças não têm combustível para tirar a turma da boleia da estrada!”, Maria Salete Magnoni.

“CAMINHONEIROS AO INVÉS DE PEDIREM INTERVENÇÃO MILITAR , DIGAM :
FORA TEMER!!!!”, Dexter Paes leme.

“Vai ter caminhoneiro apanhando igual professor? É isso mesmo produção?”, Rafa Kondlatsch

“Vamos começar a organizar greve pelo whats... quem sabe dá mais certo. (...)... se esquerrrda perder esse bonde... só amanhã de manhã”, Tauan Mateus.

“Tô achando que a direita prepara mais um golpe com a ajuda das equipes de reportagem da TV Tem. Cobertura jornalística só pra mostrar os transtornos causados pela greve mas nenhuma palavra sobre as reivindicações nem sobre os preços absurdos dos combustíveis e dos pedágios nas rodovias paulistas. Aff”, Cleide Portes.

“O golpismo conseguiu enfim seu maior objetivo: confundir de vez o brasileiro,que está usando penico em vez de chapéu!”, Mirna Monteiro.


“Agora é hora do Brasil se unir e acabar com essa palhaçada ,bora pras ruas !!!”, Leila Magal.


“Nossa “sorte” é que os golpistas não se entendem. Nosso azar é não ter liderança com projeto de Brasil...”, João Winck.

“Eu só queria entender! Bauruenses fazendo carreata, gastando combustível que já está escasso na cidade? Pode isso?”, Maria Emilia Lomba.

“Desabastecimento... longas filas em todos os postos... preços exorbitantes... retirada de direitos... desemprego... caos... E a venezuelização do Brasil veiio com o golpe, pelas mãos do MDB/PSDB... com a ajuda dos patos e coxinhas...”, Reginaldo Tech.

“Na greve dos caminhoneiros só um ganha, o especulador !”, Tuta Caetano.

“A república está falida!!! Só existe uma saída: CHAMEM O LULA!!”, Marcos Antonio Ferraz.



"Meu medo agora é começar a andar a pé e o governo aumentar o preço do chinelo", Thiago Artioli Azevedo.

"Não se iludam. Essa paralização não é pra baixar preços de combustível para todos os trabalhadores. Os donos de postos e transportadoras estão na organização. Querem isenção de impostos perdão de dividas. Essa paralização é dos patrões. Bom seria se fossem os trabalhadores que perderam a paciência e abriram os olhos, ouvidos e foram pra luta. No decorrer da rodovia não tem nenhuma bandeira de luta. Nada", Tidda Vernucci.

"Vocês vão embarcar nessa? Não aprenderam com a história do Chile? alguns anos atrás os caminhoneiros pararam quase 1 mês e nem chegou perto deste desabastecimento que ocorreu em 5 dias. Vocês não desconfiam de nada? Nem um pouquinho mesmo? A quem interessa que o Temer caia agora? Em algum momento Lula, o maior líder nacional vivo neste momento pediu fora Temer agora ou este ano, quando ficou claro que esse era o objetivo para ampliar o golpe? Até Globo tentou tirar o Temer a bem pouco tempo. Estão tentando de novo e por um objetivo bem claro: não querem eleição direta tão cedo", Flávio Silveira.

"O foda é que eu lembro de todas as figurinhas conhecidas que tiraram foto com pixulecos e patos amarelos. Com camisa da cbf. Todas. Minha memória não me trai. Meu rancor também não", Claudio Coração.

"Depois de cinco dias de paralisação só agora o Governo tá desconfiado que não existe greve, mas sim um lockout", Ademir Elias.


"Quando um militar me mostrar o benefício pra nação de sua intervenção (tipo recuperar o q nos foi saqueado e soberania) eu apoio", Daniel Krups.

"Em meio a uma greve de caminhoneiros que paralisa o país, provocando escassez de alimentos nos supermercados e disparada dos preços, com oportunistas de todos os tipos, empresários e comerciantes, tirando o máximo de proveito da situação, os senadores, capitaneados pelo seu presidente, Eunício de Oliveira, resolveram debandar, retornando aos seus estados. Mais uma prova de que eles muito pouco ou nada têm a ver com o Brasil e com o povo que os elegeu. E mais uma advertência a todos nós quanto à importância de não reeleger, em outubro, o atual Congresso, um dos piores da nossa História", Arthur José Poerner. 

"Lutar pela redução de impostos nos combustíveis é pedir ao mesmo tempo aumento do pedágio!", Marcos Chagas.

"Não faz muito tempo os produtores de batata estavam jogando toneladas fora. Hoje passei no Sonda Supermercados e estavam vendendo a batata a R$ 6.99 o quilo. Safadeza pouca é bobagem", Marcelo de Souza Carlos.

"O Comerciante que aumenta os preços de suas mercadorias em plena mobilização popular é tão oportunista quanto o Governo", Ma Vellozo.

"Povo Brasileiro e TROUXA faz manifestação gasta combustivel depois passa no posto e paga 5 reais no litro de gasolina! #trouxas", Leandro Alves Lohnhoff 

"Deus tá vendo vc cidadão "de bem" fazendo carreata e com a #somostodoscamioneiros mas quando professor faz greve vocês chamam eles de vagabundos viu!!!
Coxinhas fazendo coxinhisses", Bia Hassan 

"O Brasil não teve mais tranquilidade, desde que um playboy mimado, perdeu para uma mulher as eleições de 2014!', Carlos Ramos.

"O combustível tá caro paneleiro? Ninguém tá reclamando do preço alto dos pedágios?", Fernando Gonçalves.

"Se a direita pegou carona no “movimento dos 20 centavos”, em 2013, para virar a disputa das ruas em seu favor, embora a mobilização tenha começado pela esquerda, por que a esquerda deveria renunciar a fazer o mesmo, trocando os sinais, com a parede dos caminhoneiros, majoritariamente dirigida pela direita, mas que pode colocar o golpismo em sérios apuros e isolar ainda mais o governo Temer e seus aliados?", Breno Altman.

"A mão invisível do mercado entrou inteirinha na bundinha dos patos amarelos", Alex Mariano Pereira.

"Eu quero ver o caos, quero tudo parado, quero a falta de tudo... Deixa arder, só assim pra mostrar quem manda. Quero ver esse povo mesquinho vivendo com pouco, ou quase nada, como a verdadeira realidade desse país (antes que venha os imbecis, eu sei, também vou passar por isso e estou disposta). Como disse um amigo hoje, eu não participei de movimento estudantil por conveniência. Só o caos pra dar jeito!!!", Cláudia Micheloto.

"Queria que quem tá pedindo intervenção militar, tivesse uma mostra grátis no lombo só pra parar de falar asneira!!!!", Rosana Zanni.
-1:02

quinta-feira, 24 de maio de 2018

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (127)


UM DIÁLOGO SOBRE UMA GREVE E CONSIDERAÇÕES SOBRE OUTRAS – DESESPERANÇA BRASILEIRA
Desço lá da lonjura da Unesp Bauru até o centro da cidade dando carona para dois estudantes universitários. Eles na viagem me contam da greve, prestes a ocorrer em todas as unidades, com data já definida para seu início e, pasmem, me dizem, com data para provável encerramento, setembro. Dei risada e eles não gostaram. Expliquei dos motivos. Greve com data marcada para ter início e dando tempo para os patrões se preparem com suas armas para o enfrentamento e depois, algo mais inusitado, com data para término. Não quero tirar o entusiasmo deles e os instigo. Desta forma prolongamos a conversa. O mais falante, natural de Cotia, dois anos de Bauru confabula algo:

- Tudo decidido. Estamos indo de sala em sala, explicando cada detalhe. Vamos encurralar o governo estadual.

- As greves na Unesp, pelo que sei começam com o funcionalismo, os que batem cartão, tem hora para começar e terminar o expediente. Esses estão decididos? Eles são os mais prejudicados em caso da paralisação não bem executada. Eles quando param, o fazem de forma consistente, com alto percentual de participação.

- Sim, todos os seguimentos estão organizados. O empregador governo do estado está acabando com a Educação, tudo degradado, temos que sensibilizar na base da pressão.

- Maravilha, estarei ao lado de vocês todos, mas sei que muitos professores não irão paralisar suas atividades.
Quando vocês falam em pressão, eles também sofrem as suas. Alguns já não param faz tempo, em todas as greves continuam suas atividades, sob a alegação de que a reposição é um desastre para todos, inclusive para vocês estudantes. Parar as aulas é o menos problemático e enquanto for somente isso, a direção da Unesp vai dar risada, pelos menos enquanto tudo o mais continuar funcionando por debaixo dos panos. Quero ver a área da pesquisa parar, a participação nos congressos e eventos externos, a conclusão dos trabalhos acadêmicos. Isso é que pontua a universidade hoje e isso continuando, o governo se lixa se as aulas não ocorrerem por 30, 60, 100 dias. Eles clamam para encurralar a universidade pública e quanto mais sucateada, melhor para o serviço sujo que estão a fazer.

- O comando de greve está atento com tudo isso. O que nos diz é importante, mas não é por causa disso que deixaremos de realizar a paralisação.

- Ótimo. Quanto mais organizado melhor. Só quero que prestem atenção no ocorrido com outras greves dentro do serviço público. Na municipal, a Prefeitura de Bauru com 8 mil funcionários, pouco mais de seiscentos pararam e enfraquecidos não tiveram mais como dar prosseguimento com o movimento grevista. Na área da Saúde aqui na cidade, a greve acabou faz duas semanas e a FAMESP, o patrão de hoje, uma cooperativa que administra o setor, já havia demitido muitos funcionários, principalmente os líderes do movimento e dessa vez, jogam cada vez mais com o medo do cara ser demitido e ficar desempregado. A pressão hoje é essa, fim da estabilidade, o servidor sabe que com a reforma trabalhista tudo conspira contra ele e para ir pro olho da rua é a coisa mais fácil. Daí, a adesão não é a esperada e com mais gente trabalhando que parando, como se mostrar forte perante o insensível patrão?

- Pô, cara, ao invés de ajudar, parece colocar mais dificuldade na parada. Vai ser nossa primeira greve e queria ver tudo dando certo.

- Eu sempre quero isso, mas inegável estarmos hoje num estado de escancarado golpe, onde a normalidade foi pras cucuias. Se com Lula e Dilma, a reclamação já era de perda de direitos, hoje eles não mais existem. Perseguições tornaram-se rotina e cada vez menos gente par de fato. A gente olha pra ação do Governo, chega a achar tudo normal, mas vivemos já num estado de exceção, onde acabou a Justiça do Trabalho e as decisões favorecem meramente os patrões. Greve com esses aí no poder é coisa de louco. Pra virar a mesa só mesmo com muita organização.

E antes de me despedir aperto a mão dos dois e os deixo na Praça da Paz. Ao continuar meu caminho rumo as beiradas da cidade, olho pelo retrovisor e os acho um tanto perdidos, como naquela famosa do Jânio Quadros, com um pé pra lá e outro pra cá. Eles nem imaginam minha torcida para que a greve deles tenha sucesso, mas até nessa em curso a dos caminhoneiros, paradeira nas estradas, antes, por muito menos e todos gritando 'Fora Dilma' e hoje, com preços disparados, nenhum 'Fora Temer'. Um acerto por cima para favorecer os donos das transportadoras e nunca o consumidor de combustível. Gritaria para resolver isso não existe, só a movimentação dos graúdos. A dos miúdos nunca é incentivada e quando ocorre, todos caem de pau, mídia, patrões, Judiciário, direita raivosa e o que era para dar certo, vira poeira. Ando com a desesperança no seu grau mais elevado...

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FRASES (169)


RICO FAZENDO USO DOS PROGRAMAS SOCIAIS – UMA HISTÓRIA DE BOM USO NO “BOM PRATO”
A frase mais impactante dessas últimas semanas foi a do médico Dráuzio Varella: “Rico não deveria usar o SUS”. Nem se faz necessário fazer grandiosas elucubrações no entorno do que foi dito, pois em tão poucas palavras disse tudo (e até mais um pouco). A pouca vergonha está estabelecida neste país e aquele que mais possui na sua conta bancária é o que mantém o filho estudando em escola pública e assim por diante. Os de verde-amarelo reclamam até as tampas dos governos petistas, mas mesmo tendo grana e salário para pagar suas despesas médicas se utilizam dos serviços do Farmácia Popular e também de tudo o mais, como dos benefício do SUS. Todos os famigerados Planos de Saúde Privada fazem isso descaradamente. Quando não bancam alguns exames e cirurgias indicam ao paciente como o conseguir gratuitamente via SUS. De tudo isso, algo cujo rabo não é possível ser escondido debaixo do tapete, o da sacanagem dos que possuem grana, poderiam pagar pelas suas despesas, se utilizam dos benefícios concedidos aos menos favorecidos e não estão nem aí. Dráuzio ao desferir a frase, o fez para tudo o mais. A carapuça deveria servir para os sacanas espalhados pela aí.

Conto algo onde ela cai como uma luva. Aqui na aldeia bauruense tem um restaurante do Bom Prato, essa iniciativa do Governo Estadual do sr Alckmin (uma das poucas iniciativas onde sou obrigado a aplaudi-los) e o preço da refeição, só almoço e de segunda a sexta (uai, pobre não come de sábado e domingo e nem janta?) sai pela bagatela de R$ 1 real. A comida é boa e as filas são grandes. Em Bauru servem exatas 1300 refeições dia. Aplausos. Meu amigo e inquilino, Kyn Junior ontem reclamava de ver na fila uma imensidão de gente que decididamente poderia pagar e comer em outros lugares e não o fazendo, ocupam a vaga de outros com necessidade comprovada, a finalidade da existência do restaurante popular. Cita até funcionários de várias empresas, todas com vale refeição mensal, onde o funcionário faz questão de usá-las de outra forma e todo dia está ali na fila. Direito dele? Sim, porém seria melhor a vaga ser ocupada por quem dela necessita de fato.

Ele mesmo me conta uma história e o que me lembro dela conto a seguir com as minhas palavras. Um casal de velhinhos aposentados, morando na periferia da cidade, salário de menos de R$ 1 mil reais por mês, com despesas bem apertadas, a maioria gasta com medicamentos e alimentação, descobre que o passe de ônibus circular é gratuito para eles, com direito a trinta viagens mês. Usam todo dia para virem para a cidade, onde almoçam no Bom Prato. Ele ouve os dois contando a história para outros na fila. Fizeram as contas e até quando não pagam as passagens (30 viagens gratuitas dão para meio mês), gastam diariamente $ 1 real cada, R$ 2 reais os dois ao dia, totalizando nos cinco dias da semana R$ 10 reais. Fazem uma economia danada e contavam que ao deixarem de fazer almoço, compram menos mantimentos, se viram para um lanche noturno e até conseguiram esticar o gás. Enfim, essa a finalidade do programa. Tudo louvável, mas não querem nem pensar em algo rondando os programas sociais nesse cruel e insano período golpista, onde não só os programas sociais estão sendo reduzidos como as ações tipo Bom Prato sendo restritas e encurtadas.

Encerro com algo bem simples. A sacanagem está embutida e ocorre como se fosse algo mais do que natural neste país. Que a crise pega a todos de calça curta, disso não existe a menor dúvida. Principalmente nesses tempos, todos querendo gastar menos, reduzir gastos, mesmo os que podem pagar por suas despesas, dar um jeito de deixar de fazê-lo é salutar. Isso até tem perdão, pois todos são trabalhadores, mas quando vejo algo ocorrendo dentro do que o Drauzio Varella discorre com sua profética frase, daí é para se perder a boa e chamar o cara na “cincha”, como se diz no jargão popular. Encerro com o link da fala aqui citada: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44090888 e a reprodução de uma parte de sua fala, bem elucidativa sobre tudo isso aqui retratado: "Um país com mais de 200 milhões de habitantes ousou dizer que saúde é um bem de todos e um dever de Estado (...) Acho que, num país com a desigualdade do Brasil, temos uma parte da população com condições econômicas bastante favoráveis que não deveria usar o SUS. Deveria deixá-lo para quem não tem outra alternativa: ou se trata pelo SUS ou não se trata. Então, não tem sentido de eu estar ocupando o lugar do outro, tenho que me entender com a iniciativa privada"

terça-feira, 22 de maio de 2018

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (116)


PORQUE ME UFANO DE ACADEMIAS DE LETRAS

Acabo de ler algo sobre a pesquisa do historiador brasileiro radicado na França, Diogo Cunha com sua tese de mestrado sobre as estreitas relações entre acadêmicos da ABL – Academia Brasileira de Letras e ditadores militares. É de estarrecer, como se processaram ao longo do tempo e foi se estabelecendo uma conivência branda, que muitos poderiam muito bem denominar de promiscuidade, entre os membros da dita pomposa Academia e os generais da ditadura militar iniciada em 1964. Foram mais que cordiais uns com os outros e até reformas na sede foram conquistadas na dita íntima relação entre as partes. Na tese apresentada na Universidade de Paris e livro publicado ano passado na França, o jovem historiador traça um perfil de algo sempre em voga nessas relações entre entidades do gênero e os poderosos de plantão, desde que conservadores. O texto ainda não saiu publicado no Brasil e lá recebeu o título de “L’Académie Brésilienne des Lettres Pendant la Dictature Militaire-Les Intellectuels Conservateurs Entre Culture et Politique”, saindo pela editora Lambert-Lucas.

Não me peçam para participar de reuniões desse naipe, convescotes onde o chá é servido na temperatura exata prescrita pela temperatura ambiente, mas as discussões são sempre no entorno de uma declarada conivência ideológica entre uma elite cultural conservadora e, no caso da ABL situada na cidade do Rio de Janeiro, a hierarquia militar de extrema-direita. Mesmo com alguns nomes ditos como de esquerda, imagino o nível da conversa atual entre alguns abomináveis hoje lá encastelados, tipo Merval Pereira e José Sarney, para ficar somente nesses dois exemplos. Tudo girando em torno do nacionalismo direitista e o bestial anticomunismo. Os exemplos citado por Diogo no levantamento de sua pesquisa comprovam a relação incestuosa entre as partes, algo a encher de rubor e vergonha o criador da mesma, Machado de Assis. Com 40 cadeiras, lá convivem de tudo um pouco, mas o predomínio é mais que direitoso. Graça Aranha, escritor maranhaense, disse quando cansou das festinhas no salão acarpetado: “Somos excessivamente quarenta imortais, consagração exagerada para tão pequena literatura”.

Sem mais delongas, sugiro para quem quiser saber de detalhes das aberrações entre a direção da ABL e os benefícios concedidos a esses pelo poder dos milicos no poder, uma pesquisa no pai dos burros da atualidade, o google e estarão diante de acordos, conluios, conchavos e benesses de enrubescer mamutes. Guardadas todas as proporções possíveis, não consigo vislumbrar muita diferença entre essa ABL, a matriz de todas e todas as demais existentes país afora, inclusive a local, a funcionando na aldeia bauruense e coincidentemente com a mesma sigla. Certa vez fui sondado para fazer parte do seleto clube, declinei e nunca mais o fui. Não conseguiria ficar a chover no molhado e com conversinhas improdutivas, girando em torno do próprio ego. Não vejo nada revolucionário nas conversas advindas desses encontros, daí vejo como infrutíferos seus alongados debates. Tenho inúmeros amigos e considerados na agremiação bauruense, mas até hoje, confesso e quero ser corrigido se estiver errado, não vi até hoje nenhum pronunciamento de denúncia, de embate, de confronto ou mesmo posicionamento contra as mazelas desta cidade, estado e país saindo do seu seio. Ficar o tempo todo divagando sobre a literatura produzida em Bauru é o mesmo que patinar e não sair do lugar. Só vejo validade de sua existência se for causar, seja o que puderem pensar desta palavra, desde constrangimentos a outrens ou algo impactante a balançar a roseira das instituições carcomidas locais. Do contrário, chá eu tomo em casa.

E COM O QUE ME IMPORTO?

AS HISTÓRIAS DE SOBREVIVÊNCIA NAS ESQUINAS DE BAURU
As histórias podem até ter roteiros diferentes, mas se fundem nas esquinas e quando expostas são por demais parecidas. A necessidade obriga cada um, diante de tentativas infrutíferas de conseguir um emprego fixo, com salário mensal e carteira assinada, com direitos garantidos por lei a sair para as ruas e tentar de tudo para conseguir levar algum para seus lares, suprir suas necessidades básicas. São tantos e se renovam nas demonstrações de suas possibilidades. Alguns colunistas mentem para o povo nos jornais, nas rádios e nas TVs apregoando que tudo está sendo devidamente resolvido, que em breve algo de bom ocorrerá para tudo e todos, que o sofrimento terá consequências salutares, mas com os preços pela hora da morte, com portas se fechando seguidamente, crise se estendendo sem nenhuma luz no final do túnel, o que fazer? Muitos estão a cometer seus primeiros delitos e se o fazem, primeiro é por já terem tentado de tudo e quando nem esse tudo é mais suficiente para se conseguir algum, a opção mais próxima para continuar comendo é pegar algo pela aí. Em qualquer saída pelas ruas, a repetição das cenas de gente se vendendo nas ruas e das mais variadas formas possíveis. São os dignos cidadãos tentando de tudo para continuarem ao menos vivos dentro da crueldade de um mundo onde aprendemos desde pequenos ser o melhor para se viver. Esses das fotos não só os únicos, pois todos nós, diante de algo se aproximando e tomando conta de tudo, a miséria, a danação geral diante das privações provenientes do ato insano de governantes, golpistas que só pensam nos seus botões e se lixam para a realidade das ruas.