segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (65)


CRÔNICA DO FIM DO MUNDO

Acordo cedo, último dia do ano. Segunda, 31/12, 7h30 da manhã me coloco a caminho da fisioterapia. Mas por que ainda cuidar de si mesmo quando tudo desanda em ruínas bem ao seu lado? Sem responder a esse questionamento sigo em frente, meu braço dói e ainda antevejo alguma utilidade para ele no que virá pela frente. No sinal, o que vai me levar para a Getúlio Vargas, três pessoas se aproximam da janela do carro e me entregam folhetos publicitários. Nenhum me interessa, mas pela carinha deles, recolho e cumprimento a todos. Quem ainda pode estar trabalhando num dia como hoje? Esses, com certeza. O menino chega com uma embalagem de paçoquinha e me oferece uma. Duas por R$ 1 real. Quantas terá que vender hoje para levar algum para sua casa e que lucro tem desse trabalho todo?

Nem deu tempo de filosofar a respeito, pois ao virar e entrar na Getúlio, onde até dois dias atrás funcionava o supermercado Paulistão e hoje, tudo fechado e aguardando, pelo se diz, uma nova agência da FIAT, sigo em frente e no quarteirão da frente percebo alguns acordando cedo como eu. São os frequentadores matinais, madrugadores do Fran’s Café. Parecem representar um grupo unido, coeso e batendo cartão na mesma frequência com certa assiduidade. Riem em voz alta e ouço o som de suas vozes do carro, parado ao meio fio, aguardando abrir o sinal. Olho para eles e fico imaginando a conversa e a incontida alegria irradiando por todos os poros, diante dos acontecimentos que desaguaram no que teremos no país a partir de amanhã. Não quero a companhia de gente sorrindo dessa forma diante de tudo o que foi feito e mais, o que teremos pela frente.


Sigo meu caminho e no quarteirão da frente a cena é bem diferente. Uma pequena churrascaria funcionou ontem a noite e deixou sacos lacrados do lixo na sua parte externa. Dois catadores estão diante do saco e um deles, com meio corpo dentro dele, quase oculto e envergado, tenta subtrair dali algo de aproveitável para si e os seus. Aqui não existem risadas, nem conversa, pois estão mais que entretidos em outra coisa. Devem ter saído bem cedo de suas casas, talvez até mais cedo do que os da quadra anterior, mas com objetivos bem distintos. Enquanto sigo meu caminho, tento imaginar o que estaria passando n mente de uns e outros e qual a expectativa que cada um teria diante do ano novo chegando alo ali, na dobrada da esquina.

Chego na clínica e só o fisioterapeuta está atendendo hoje, numa deferência para com seus diletos clientes. Estou na oitava fisio, dois procedimentos, um gel com pomada e depois os eletrodos por 20 minutos. Meu plano de saúde paga a coisa e lá estou em busca de melhoras. O profissional puxa conversa, quer ser agradável para comigo e com todos. Procura perceber a linha de cada um e a conversa flui enquadrada. Hoje me pergunta dos motivos de todo dia passar o tempo ali lendo algo, grifando tudo, anotando e escrevendo. Digo de ter sido professor de História, escrever e procurar ocupar meu tempo com algo útil. Ao saber historiador, diz ser a categoria “dos loucos”. Rimos e lhe digo que, “agora sim enlouqueceremos, pois além de nos vigiarem nas aulas, teremos que ensinar o que querem e não o que fato ocorre”. Sua resposta me conforta: “Isso que vem aí, a gente tendo que seguir preceito militar pra tudo não vai legal. Continência, reza e ordem segundo o que acreditam vai ser um problema”. Concordei.

A esposa me leva ao mercado. Adentro o Tauste e não aguento. Faço minha fezinha na lotérica da entrada e só de ver as expressões das dondocas, me dá uma vontade de ir lá pro Jaraguá, pro Tangarás ou pro Nova Canaã. Ando sem saco pra quem demonstra indiferença para com a bestialidade em curso e o que virá pela frente. Paramos o carro na entrada da padaria Copacabana na Pinheiro Brisola e um cara me olha atravessa por causa dos adesivos no carro e o boné do MST no para-brisas. Estaciono bem defronte sua mesa e nem dou bola para suas provocações. Ao voltar, um cara tenta agredir um dos nossos que hoje está indo para Curitiba passar a passagem do ano na vigília no Acampamento Pró-Lula defronta a Polícia Federal. Deleto o caro, bloqueio e nem quero levar a sério as ameaças que me faz e que diz, ocorrerão a partido do dia de amanhã. Se for levar a sério, deixo até de dormir. No momento lavo meu cachorro e quero assistir um filme com meu filho na parte da tarde, algo escolhido por ele e me diz, deverei gostar muito, “Capitão Fantástico”. Tchau, agora só volto a escrevinhar algo no ano novo. Novo?


ENQUANTO ISSO...

domingo, 30 de dezembro de 2018

CARTAS (196)


MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA COM BOLSONARO*

* Carta de minha lavra e responsabilidade publicada na edição de hoje, domingo, 30/12/2018 da Tribuna do Leitor, no Jornal da Cidade - Bauru SP:

A louvação está suspensa, algo paira no ar além dos aviões de carreira. Os desconfiados já ameaçam um butim. A maioria, a turba que o elegeu, apostando ser ele a última cereja do bolo, esses seguem tentando ainda apostar que a novidade seja mesmo alvissareira, mesmo o já apresentado deixar muito a desejar. A besteira já está feita e agora é ver no que vai dar.

Para os que preferiram, mesmo com todas as evidências e sinais emitidos, optar por dar um "tchau" para a democracia como até então conhecida, adentrando um terreno pantanoso, segurar com as duas mãos no fio desencapado, os avisos não bastaram, devem estar com a pulga atrás da orelha. Sabem que algo bem diferente do que até então foi praticado vem pela aí e o pressentimento é pela novidade não ser assim tão boa como almejavam. Destituíram o famigerado PT e colocaram o país diante de algo surreal, incerto e não sabido.

Pela amostragem, a insólita composição, por exemplo, do ministério, já deu para sentir o retrocesso chegando logo ali na curva da esquina. Quando mais necessitávamos de caminhar para frente, pelo discurso apresentado, o caminhar para trás será inevitável, diria, irreversível. Vai ficar muito feio nessa altura do campeonato ocorrer uma coletiva mea culpa. Tem quem não faça isso nem sob tortura (eles gostam disso, viu!).

Vejo muitos calados, contritos, se enrustindo e evitando as conversas mais espevitadas. Muitos se fecham em copas. Dá para sentir no ar uma ponta de arrependimento, porém como a missão maior foi cumprida a contento e o PT excomungado de participação no que virá, melhor tentar passar anônimo se tudo não der assim tão certo.

Enfim, Bolsonaro não enganou ninguém. Sempre foi isso aí que estamos vendo por esses dias, sem tirar nem por. Não mudou nadica de nada. Quem mudou foram os eleitores vendo nele aquele que salvaria o país (do que mesmo?). Por enquanto as trapalhadas estão somente anunciadas, apregoadas, mas quando começar o jogo de fato, qual deverá ser a reação dos que apostaram suas fichas no "novo"? Não existe nenhum Manual de Sobrevivência já disponível no mercado. Muitos optarão pelo sistema avestruz, outros o da indiferença, alguns pelo contra-ataque, sempre espezinhando os que se foram como ainda piores e até os que se farão de cegos. Poucos insistirão apoiando, pois ninguém gosta de cair no total descrédito e terminar seus dias com a brocha na mão.

Incomensurável expectativa no ar. Clima de total e absoluta respiração suspensa, presa, retida nas entranhas, sem nenhuma noção dos próximos passos. Muitos já se perguntam: "Bem que o Olavo de Carvalho poderia nos dar uma dica do que fazer em caso de emergência". Assim será o final de ano da maioria do povo brasileiro, o que colocou no poder o novíssimo Governo, um que, todos sabemos, não era o da total preferência dessa parcela do eleitorado, mas era o que tinham para o momento. E mais uma última dúvida: Para quem reclamar diante do insucesso da empreitada mal sucedida?


Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História

sábado, 29 de dezembro de 2018

DIÁRIO DE CUBA (104)


JUNTANDO OS CACOS

1.) SE FECHANDO EM COPAS
Não me convidem pra nada por esses dias. Não quero ver fogos de artificio na passagem do ano, não quero baladas, saídas, muito menos ligar a TV e ver a barafunda que, certamente vai ser, a chegada do novo desGoverno brasileiro. Quero distância disto tudo. Estou devidamente trancado e recluso. Escolhi umas bobeirinhas para a permanência no claustro. Só saio dele quanto terminar de dissecar tudo.

2.) “VICE”, TRILHER SOBRE COMO AGIU O VICE DE BUSH JR E PENSANDO SERIAMENTE EM COMO VAI AGIR MOURÃO, VICE DE BOLSONARO.
Chegando o dia da posse de Bolsonaro me chega às mãos o thriller de um novo filme, ainda sem estreia marcada para o Brasil, mas que vai dar o que falar, tanto lá nos EUA, como aqui. Trata-se de VICE, uma história dos bastidores de como Bush Junior, quando convidado a ser o candidato do Partido Republicano aceita e convida para ser seu vice, nada menos que o secretário de Defesa do governo de seu pai, o George Bush. Dick Chaney trava uma conversa, para ele bem esclarecedora com o futuro presidente, deixando claro ser ele CEO de uma grande corporação e que não estaria a fim de atuar como peça decorativa. Ciente de que Bush filho não é lá muito dado a grandes empreitadas e quer mesmo tocar sua vida da forma mais tranquila possível, se oferece para tocar as coisas mundanas do Governo, ou seja o que de mais importante existe na política norte-americana. Bush topa, pois vê ali a possibilidade de flanar e Chaney faz o serviço sujo da forma mais escancarada do mundo.

Dick Chaney foi a mente obscura de tudo o que ocorreu mundo afora durante aquele período. Posto o trilher até para fazer uma comparação com o que está despontando no Brasil nesse momento com a chegada de Bolsonaro e do seu vice Mourão. Entendam como quiserem, mas antes sintam o clima do que vem a ser o filme VICE, uma história mais do que real.
https://www.youtube.com/watch?v=aui34BeH4FM

3.) CHARGISTAS SÃO TUDO
Kamensky mostra Trump construindo/levantando seu muro, porém, algo saiu errado e ao invés de separar americanos e mexicanos...
Dizem num simples desenho muito mais do que tento fazer com muitas e muitas palavras. E algumas vezes nem consigo.

4.) QUERO LULA LIVRE E O PAÍS LIBERTO DOS GOLPISTAS
Dom é Marighela.
O LULA LIVRE continuará pairando no ar deste país até o dia quando o ex-presidente sair pela porta da frente dessa masmorra criada para ele lá em Curitiba. A resistência continuará e se fará presente ontem, hoje e manhã, como na expressiva presença de pessoas como essa da foto aqui hoje publicada, escancarando para tudo, todas e todos que as injustiças não irão perdurar ad eternum. Nós estaremos por aqui para demonstrar que o que esse país precisa é exatamente o contrário de tudo o que lhe é imposto hoje. Na luta, na lida e sempre pela aí, pelo LULA LIVRE e por um país soberano, altaneiro e livre.

5.) A MORTE DE OSVALDO BAYER – LIBERTÁRIO ESCREVINHADOR ANARQUISTA ARGENTINO
O Brasil não sabe quem é esse senhor, um ancião dos mais espevitados, velhinho com alma de quem está sempre aprontando algo. Um desses tipos irresistíveis e por quem, gostaria de ficar conversando ad eternum, pois assunto nunca faltaria. Tento explicar algo dele. Primeiro, alguém gerando histórias das mais improváveis e inquietas, só pode ser uma baita de um sujeito. Argentino, 91 anos, jornalista, escritor, dirigente sindical, defensor dos Direitos Humanos e dessas pessoas que para qualquer acontecimento tinha uma resposta e opinião pronta e acabada. Motivo de amor e ódio. A pureza da consciência anárquica, algo que quando investida nos mais vividos, com algo a mais a ser relatado, contado e digerido, sempre uma pitada dessas que, ou se aproveita ou outra oportunidade nunca mais na vida. Autor de “Os anarquistas expropriadores”, onde neste e em outros dos seus muitos livros recontou a luta obreira de mais de um século de vida das entranhas argentinas.
Escritor, como poucos, a favor dos pobres desta terra, numa linguagem desprovida de sentimentos para com os poderosos. Quando percebia algum grandão querendo ludibriar um mais pobre, se intrometia e desmascarava o larápio, sempre com uma picardia dessas de deixar o oponente estatelado no chão, quase sem reação. Ou seja, um baita de um sujeito, um desses tantos velhos que, quando não conseguem mais fazer algo de produtivo, perdem a razão de viver, pois o que mais gostam de fazer na vida é aprontar algo, espezinhar seus algozes, cutucar poderosos. Eu conheci pouco de seus escritos, mas o pouco que me caiu às mãos foi o suficiente para me arrebatar por completo. Virei fã declarado, seguidor fiel e neste momento de dor, faço questão de espalhar ao vento algo de seus escritos. Na edição de hoje do melhor jornal diário do nosso mundo, o argentino Página 12, alguns textos o reverenciam. Eis o link de alguns desses e amanhã, uma edição mais que especial sobre esse grande escritor e sonhador, mas com os pés no chão. Experimente conhece-lo melhor e ocorrendo decepção, só pode ser por um único motivo, quem lê não é suficientemente libertário:
- “Gracias Osvaldo”, por Guillermo Levy: https://www.pagina12.com.ar/164358-gracias-osvaldo
- Mano Abierta (Prólogo "Tango y Anarquía") - Este video es el primer videoclip del Quinteto Negro La Boca realizado por Cristian Arriaga . El video ilustra el primer TRack ( Tango y Anarquía) y el último ( Mano Abierta) del CD "TANGOS LIBERTARIOS", Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=iU3aX0h1WDo&feature=share
- “Vida, obra y militância de uma misma persona – El adiós a Osvaldo Bayer, que felleció a los 91 años”, por Silvina Friera: https://www.pagina12.com.ar/164344-vida-obra-y-militancia-e…
- “Osvaldo el polemista, el maestro, el compañero”, por Por Mempo Giardinelli: https://www.pagina12.com.ar/164345-osvaldo-el-polemista-el-…
- “Anarquismo como ligadura moral”, por Horacio González: https://www.pagina12.com.ar/164347-anarquismo-como-ligadura…
- “Las redes piden uma calle para Osvaldo Bayer - Sugieren reemplazar el nombre del represor Falcón por el del escritor y periodista”: https://www.pagina12.com.ar/164377-las-redes-piden-una-call…
- “Bayer: el gran cronista de nuestra verguenza”, por Eduardo Jozami: https://www.pagina12.com.ar/164332-bayer-el-gran-cronista-d…
- “Bayer em Patagonia”, por Guillermo Saccomanno: https://www.pagina12.com.ar/164328-bayer-en-patagonia
- “Una vida que es parte de la historia”, por Germán Ferrari: https://www.pagina12.com.ar/164324-una-vida-que-es-parte-de…
- “Nuestro viejo - La carta del hijo de Osvaldo Bayer tras la muerte de su padre”, por Esteban Bayer: https://www.pagina12.com.ar/164355-nuestro-viejo

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

FRASES DE UM LIVRO LIDO (135)


“A INQUISIÇÃO NEOLIBERAL”, LIVRO DO JORNALISTA ARGENTINO FERNANDO BORRONI E AS SEMELHANÇAS ENTRE O QUE OCORRE LÁ E AQUI NO BRASIL

Primeiro conto como cheguei a este livro, editado este ano pela Editora Colihue (www.colihue.com.ar), especializada em textos políticos e de oposição ao neoliberalismo. Quando estive entre julho/agosto deste ano na Argentina, como sempre faço, ano após ano, passei pelos estúdios do programa de rádio La Mañana, rádio 750 AM (https://750.am/). Lá algo não mais existente no Brasil, a possibilidade de uma rádio se opondo ao estabelecido, a visão dos fatos por outra vertente que não a neoliberal e seguindo as leis provenientes do mercado. No programa, um trio de jornalistas da alta confiabilidade no Cone Sul, Victor Hugo Morales, Gustavo Campana e Fernando Borroni. Trago sempre livros deles, tenho dos dois primeiros e desta feita, havia comprado mais dois de Campana e Borroni me diz: “Uma pena. Não vai levar o meu, pois sairá daqui um mês”. Dei meu jeito. Meu amigo Fausto Bergocce lá esteve em setembro, 17/09 e lhe peço para passar na rádio e buscar o exemplar. De posse dele um mês depois, não via a hora de iniciar a leitura, pois o tema é dos mais abrangentes e pelo que ouço diariamente na Coluna do Borroni, por volta das 10h40 diariamente na rádio, algo de grande valia para os ainda acreditando na real possibilidade de um outro mundo ser possível. Ao começar, confesso, foi meu fiel companheiro por onde andei nos últimos dois meses. O dissequei devagar, rabiscando duas páginas, anotando o algo a mais e grifando em amarelo praticamente todas as páginas do livro. Pelo título já dá para se ter uma noção do seu conteúdo: “La inquisición neoliberal – Persecución política, desprecio de classe, censura, hambre y represión em la ERA MACRI”. Tudo começa com um prólogo do Victor Hugo, onde ele deixa grifado: “Necessitamos Borronis para seguir em carrera, para nos aflojar el passo”. É o que mais levei em consideração quando da leitura. Dessas leituras, para mim, enxergadas como imprescindíveis, livro de cabeceira, verdadeiro Manual de Sobrevivência desses tempos cruéis e insanos, pois não só faz um relato dessa insanidade, servindo também para nos abrir os olhos definitivamente. O que mais me chamou a atenção é o fato do livro estar totalmente baseado no ocorrido na Argentina pós Macri, com a chegada ao poder do partido Cambiemos, mas na leitura, página após página, uma proximidade imensa com tudo o que ocorreu e está em curso no Brasil. Trocando o nome dos personagens, a história ocorrida lá e também a nossa, ou seja, a chegada do neoliberalismo predatório é revestida da mesma perversidade. Abaixo reproduzo frases pinçadas do livro, com livre tradução de minha lavra a demonstrar a importância do texto, que nada mais é do que uma organizada reunião, não por datas, mas por temas do que Borroni fala pelas ondas do rádio e serve como alento para gente como eu, atento ouvinte, agora também fiel leitor:

- “Algo mais de dois anos sendo governados por cínico autoritários, perversos, corruptos e mentirosos. Disso trata este livro... (...) Voltaram para extirpar, com espasmódica dor, aqueles direitos que parimos com tanto esforço e felicidade. Regressaram para transferir nossos recursos a suas empresas. Milhões e milhões de dólares que sacam de nossas vidas cotidianas, para transferir a seus paraísos fiscais. Disto também se dá conta estas páginas...(...) Trouxeram consigo a censura, o aperto, o silêncio imposto, a manipulação e a distração como ferramenta para atontar e intimidar a toda uma sociedade. (...) Voltaram para reprimir... a liberdade, os direitos, as oportunidades, as expressões, as cores, as formas, as relações de nossos corpos. (...) Oxalá se cumpra o único objetivo eu este livro tem, o de ser um grito em meio a tanto silêncio imposto...”, pg. 17 e 18
- “Pedíamos sentido comum, amor pela pátria, defesa do trabalho, respeito pelo Estado de Direito, liberdade de expressão, continuar com os programas sociais que continham e incluíam milhões de argentinos”, pg. 20
- “Nunca antes na história democrática de nosso país as corporações nos governaram com a mão tão levantada. (...) Nunca o saque foi tão evidente e em plena luz do dia. Nunca se perseguiu e a oposição foi censurada como se faz hoje... Nunca durante a democracia, sim durante a ditadura”, pg. 26
- “Mentiram durante a campanha assegurando que não seria perdido um só direito, mesmo havendo elementos de sobra para suspeitar e descrer dessas palavras. (...) ...hoje estão se aproveitando para colocar o país a disposição de seus interesses e em nome do voto popular. E fazem isso sem nenhum reparo ético, moral, nem legal. Manipulam a palavra. Destroem a verdade, a censuram a imprensa, transferem recursos destinados para as classes populares apara as eternamente enriquecidas, perseguem a oposição, violam as instituições da República e deterioram o Estado de Direito. Constroem inimigos à sua medida, lançam um diário de caça as bruxas, colocam o Estado a serviço de interesses privados, apertam a Justiça, intervém em sindicatos, trabalham sob a psicologia social para mostra-se sempre como vítimas e sobre tudo buscam refundar o país depois de uma fragmentação xenófoba e de classe”, pg. 27
- “O silêncio se apodera dos novos cenários... (...) ...estão edificando as bases de novas condutas sociais, uma nova ordem social onde se normaliza o horror. (...) ...manipulação midiática de que todos somos vítimas, direta ou indiretamente, senão também sobre uma sociedade politicamente ignorante”, pg. 29
- “Sempre o poder tem razão, precisamente porque é poder. (...) O que não tem, sempre, é a verdade. A verdade pertence ao povo que a vive e a sofre em toda sua crueldade. (...) ...devemos assumir que resistir é, entre outras coisas, a luta para impor a verdade por sobre a razão. (...) A razão não é outra coisa que um relato do poder aceito amplamente pela sociedade e que se consolida como um pensamento único a partir da censura à verdade”, pg. 31
- “Dispõem das armas e do tempo para usá-las, para precisamente silenciar todo aquele que coloque em discussão o pensamento oficial imposto como verdade. (...) ... os três poderes estão de acordo, por exemplo, matar a um manifestante... (...) Digo que, das três instâncias do Estado, uma dá as ordens para as outras duas. (...) Podem prescindir das provas porque o Estado de Direito não existe e estamos caminhando para um totalitarismo ao estilo do ‘O Estado sou eu’”, pg. 32
- “Nesta nova ordem instalada no nosso território, o protesto e a mobilização social são um crime. Ser jovem e militante de qualquer causa distinta dos interesses do executivo nacional é um desatino e, sobretudo, a vida humana não é um valor e muito menos um valor supremo”, pg. 33
- “Porque corrupta é a teoria do derrame, corrupta são as políticas que geram fome e desigualdade, corrupta foi a história da expropriação de terras dos ancestrais, como corrupto é dividir os seres humanos em aptos e não aptos. (...) Trazem a agenda que devemos ler, impõe as frases que devemos repetir até o convencimento. (...) Nomina, domina e manipula. A militância são taxados como indesejáveis, seus líderes, demagogos e autoritários”, pg. 35
- “Toda aquela expressão popular que se organiza e resiste frente ao Governo é rotulada de unimiga. (...) O opositor é o inimigo, porque eles são a ‘Justiça’, eles são ‘a verdade’, o ‘diálogo’ e a República. (...) Esses inimigos formatados e impostos são o alimento necessário para alimentar a besta. (...) É impossível pensar no êxito disso tudo sem a participação da mídia. São os principais mentores e executores desta perversidade política...”, pg. 37
- “Há algo que a direita não aprendeu. Ela pode matar ou encarcerar os líderes populares, porém não podem assassinar, de nenhuma maneira, as marcas que estes deixaram junto ao povo”, pg. 41
- “As corporações delimitam e definem ‘a política’ e o executivo assume exclusiva tarefa de convencimento. Convencermos do que? De uma realidade que só existe nos meios de comunicação. Eles dizem e dizem, para que cada um de nós repitamos e repitamos. (...) ... nos poderes se disputam verdades, se disputam relatos, os que autoproclamam como ‘verdade’”, pgs. 46 e 47
- “A liberdade neoliberal, regrada por uma liberdade de mercado, é um tipo de escravidão moderna. O homem e a mulher seguidores dessa ideia de liberdade não reclamam direitos, só exigem poder de compra”, pg. 50.
- “...falam de futuro como um mundo imaginário de enormes possibilidades, que nunca chegam. O neoliberalismo é uma promessa constante de um futuro que nunca chegará”, pg. 53
- “...é uma cruel mentira afirmar que exista pobres vivendo do Estado. Não existe uma só pobre vivendo do Estado. Em todo caso, se existem pobres é porque em algum momento de suas vidas o Estado os abandonou”, pg. 55
- “Difícil encontrar ao largo da História líderes de direita que tenham lado emotivo, afetivo com seu povo (...), porém os líderes populares geram todo tipo de vínculo emotivo que vai desde o amor até o ódio. (...) Muitas de nossas ações cotidianas estão viciadas de vínculos sociais onde ‘ganhar’ é o valor imprescindível. (...) A palavra perder é uma das palavras mais temerárias no vocabulário neoliberal. (...) É o medo quem regula o ir e vir entre ganhar e perder; e esse medo se apresenta num cenário para ser vítima de todo tipo de manipulação”, pg. 65
- “O perverso olhar que este governo tem sobre os setores da sociedade mais vulmeráveis e marginalizadas é que ali se quedou refletida. Nos enxerga como seres inferiores, bestiais, animalescos. (...) ...estamos frente a um Estado que não tem um mínimo respeito pelo outro, esse outro expulso do sistema, sobre a qual teriam responsabilidade direta e a qual pretendem desconhecer. (...) este governo está convencido que existem pessoas de primeira e de segunda, e sobre essa ideia intentam construir uma nova ordem social. Os trabalhadores, os docentes, as famílias dos bairros mais humildes não formam parte de seu projeto político e nunca o serão, são párias, som a barbárie”, pg. 73
- “São uma classe dominante que está convencida que essa condição lhes pertence por direito natural. Nasceram melhores, supremos, distintos e já nasceram para ordenar e controlar e castigar a negritude do campo nacional e popular”, pg. 76
- “Estas empresas, que optaram pela comunicação e pelo periodismo especificamente, possuem como única ambição ganhar dinheiro, sabendo que a melhor maneira para faze-lo é dominar previamente o mercado e para isso nada melhor que dominar a mente do que chamam de consumidores”, pg. 87
- “...não existe a opinião pública, somente a ‘opinião publicada’... (...) ...a opinião dos meios de comunicação, seus resultados sempre estarão em consonância com a ordem social a partir da instalação de um clima social prévio”, pg. 103
- “Faz tempos que essa mídia deixaram de informar para travestir-se em juízes da sociedade e de cada um dos seus atores. (...) ...a ‘Justiça’ mais concreta, a que determina o dia a dia da sociedade tem a ver com o que se atreve a sentenciar os meios de comunicação. (...) Uma vez que te rotularam e te acusaram pouco importa se é verdade ou não...”, pgs 106 e 107
- “A estigmatização sempre recai sobre aqueles que de uma forma ou de outra maneira confrontam o colocam em discussão o modelo de poder reinante. (...) ...a estigmatização busca ao mesmo tempo encobrir os verdadeiros responsáveis da pobreza”, pg. 110
- “Todo militante político, se quer conduzir, deve fazê-lo desde uma convicção, com o coração, com a razão e o espírito, o grito das necessidades e esperanças populares. Não é o povo quem deve bailar ao ritmo de seus caprichos individuais. Os verdadeiros dirigentes políticos são o resultado de uma luta pelos direitos e reclamações do povo a que pertencem, e não o contrário”, pg. 123
- “Aqui há um premio econômico para aquele que não luta, aqui há um premio para aquele que se resigna, para aquele que se elege como cordeiro e seguir o pastor, aqui há uma recompensa para os que se silenciam e sustentam esse status quo donde o salário decente está em um estado de indignidade absoluta”, pg. 132
- “A política é pura e impura, pode ser bela e horrenda, violenta e sincera, pode servir para oprimir os povos ou para sua libertação, pode estar cheia de leais e de traidores, pode mudar de rumo, mudar as regras do jogo e de seus jogadores, pode ser o que queremos que seja ou o que depreciamos. Porém, o que nunca deve ser, és ser alienígena ao povo, por ser o contrário, o povo quem deve apoderar-se novamente dela”, pg. 141
- “Chamam de populismo a tudo que contrapõe as lógicas do livre mercado, nem mais nem menos. (...) O neoliberalismo deprecia os que incluem, os que se equiparam, os que se igualam e a tudo isso chamam de populismo. (...) Porque é uma posição ideológica, uma mirada, uma política de governo que se vincula diretamente com os povos porque fazem parte deles”, pgs. 145 e 146
- “A verdadeira ignorância não é ausência de conhecimento, mas o fato de negar o adquirido. O problema desse tipo de ignorante é que ignora sua própria ignorância. (...) quanto mais ódio nos incutem, é porque mais ignorantes nos querem. O ódio é instrumento de dominação. (...) ...a ignorância de ‘classe’ é uma classe de ignorância”, pg. 148
- “O silêncio é um recurso indispensável para que o neoliberalismo possa executar suas políticas e suas consequências passam despercebidas. ...o relato único, o dos que ganham, o dos acostumados a escrever sempre a história. (...) Na casa do silêncio vive a impotência, a covardia, o medo, a decepção, a especulação, a cumplicidade e a falsa ideia do respeito e da saúde”, pg. 151
- “Espaços onde não há história, não há um projeto, no há uma ideia, onde se é anônimo. Um clube de bairro é um lugar de identificação, por exemplo, um shopping ao contrário, é um não lugar. (...) Um país sem identidade (individual e coletiva) é um país escravo, dentro das modernas e invisíveis forma de escravidão”, pg. 153
- “A história dos povos se mede a partir dos avanços e dos retrocessos de direitos, não por haver perseguido a um ou outro corrupto instalado, impunemente, pelos meios de comunicação. (...) Corrupção é também violar sistematicamente a ordem constitucional, que obriga o Estado a assegurar trabalho, condições mínimas de saúde, uma moradia digna e educação pública de qualidade”, pgs. 157 e 158
- “Matam porque temem a vida, assassinam oportunidades porque temem o homem e a mulher livres, matam a organização popular porque temem o que o povo será capaz de fazer quando organizado. Matam a verdade porque assim acabam com os sonhos, as ideias porque essas destroem a leis que os limitam, a memória porque os desnudam. E quando não conseguem, então, buscam o confinamento como forma de silenciar, porque ao fim esse será sua única finalidade”, pg. 165
- “A construção da história não é outra coisa que a luta por impor um relato e consolidar uma verdade. (...) ...em curso uma campanha de desprestígio contra a própria vítima”, pgs. 170 e 171
- “A história da humanidade não se disputa entre homens, se disputa entre a vida dos que caíram com tudo e a pronta morte dos que nada possuem, porque desses levaram tudo. Por isso tiveram que prender Lula, porque tem que seguir engordando o colchão da pobreza, para que uns poucos ricos se refestelem sobre ele. Com seu líder em liberdade a tarefa deles seria dantesca, com ele atrás das grades, mais fácil pavimenbtar o caminho”, pg. 180
- “A política agoniza quando é o mercado quem toma conta das rédeas do destina de uma pátria. (...) Um setor que hoje, como em outros momentos da história, está traindo suas bandeiras funcionais: justiça social, idependência econômica e soberania política pela ambição de chegar ao poder, para se ter o poder em si”, pg. 187
- “O grito é silenciado pela notícia inventada, imposta. (...) Não há lugar para sua voz, só a deles se escuta por onde vás. (...) ... a resistência não é uma opção, há de ser a razão pela qual se vive, si queremos que essa vida seja digna”, pg. 194
- “Para eles, nunca a violência é a política neoliberal que empurra milhões de compatriotas ao abismo, o violento é quem está caindo e quer se salvar de qualquer jeito. (...) O crucificado, para o modelo, é o responsável pela sua cruz. (...) ...para saquear nossos sonhos, há anos de história, porém uma mesmo linha de pensamento”, pg. 196
- “Não pode haver jamais uma reconciliação real entre o opressor e o oprimido, insistir com isso não é mais do que um mecanismo para consolidar a dominação de um sobre o outro. (...) Há que desobedecer a esse poder imposto e reconciliar-se com o poder poder popular”, pgs. 200 e 201
- “...sempre será perigoso educar a um povo em seus direitos e suas liberdades, sobretudo se quem nos governa quer nos submeter a quietude e ignorância”, pg. 204
- ‘Resistir e combater o neoliberalismo é um dever para quem quer uma vida digna e justa para todos e para o povo do qual somos parte”, pg. 210
- “O mercado governa para ele. O mercado não mira o ser humano e o sujeito de direito, mira o ser humano enquanto número com quem quer dividir o que restar. Não existe um só país no mundo que atua seguindo as leis de mercado que não condenou a metade de sua população à fome. (...) ...os inimigos da Argentina são, precisamente, quem quer protege-la”, pgs. 212 e 213

Aqui o livro praticamente inteiro dissecado. De sua leitura a revolta necessária para não arredarmos pé de continuar na lida, na luta, nas possíveis trincheiras desses novos tempos, porém sem se entregar. O texto de Borroni produz resistência e ao terminar essa leitura, busco mais, pois ela me alimenta.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

ALFINETADA (172)


A CASA COM MELHOR ESPÍRITO NATALINO É A DO ESSO MACIEL - BEM DIFERENTE DAQUELAS PISCANDO EM NEON
Bauru tinha até anos atrás concursos onde vetustos cidadãos fantasiavam a fachada de suas residências nessa época do ano e as fotos saiam publicadas no jornal impresso da província, o Jornal da Cidade. As pessoas ligavam para o jornal e faziam questão da presença do fotógrafo do jornal diante de suas casas, preferencialmente no período noturno, quando as luzes estavam todas acesas e prontas para o flashe. Todos tinham seus segundos de glória e as fotos rodavam a cidade, com sutis comentários: "Viu bem, o Armando foi mais eficiente que a gente neste ano e a casa deles, que nem é assim uma grande casa, mas nos enfeites nos superaram e isso eu não estou aguentando". No ano seguinte o corre-corre era ainda maior e se não existia uma premiação para tão concorrido concurso, as fotos do jornal e o atento olhar dos seus leitores se fazia novamente presente. Saim páginas inteiras, várias vezes durante todo o mês de dezembro. Era o must do esmero para com as aparências, sempre demais de importantes para todos continuarem sendo muito bem falados por essas plagas. Uma fachada tudo é tudo para quem quer causar.

Algo ocorreu e neste ano, a cidade está menos pinçada com os neons nas fachadas das residências. Não se sabe até a presente data se isso se deve a tal da crise, essa que a todos ataca cruelmente, sem dó e piedade ou se é mesmo uma espécie de retranca, onde existe uma desilusão com o que se passa com o país, espírito natalino em baixa. Não creio já ser uma espécie de descrédito para tudo o que está sendo implantado no país com o advento capirotista, pois 70% desta cidade votou no cara e se já estão com os ânimos derrubados antes mesmo do esfaqueado assumir, creio a desolação será total com o início dos trabalhos dos mais descapacidos da nação. O ministro bauruense deve ir até Israel ver como se processa a dessalinização lá deles, mas desconhece a nossa, que já está em curso faz tempo. Isso tudo provoca desânimo até nos mais exaltados e daí, nem emperequetar a fachada de suas residências fazem mais.

É mesmo uma pena, mas isso tudo, essa derrocada das fachadas em neon, pouco vistas neste sombrio final de ano faz com que todos os olhos se voltem para uma residência na vila Falcão, na subida da Campos Salles, essa sim uma digna campeã do quesito "espírito natalino". É a do funcionário público municipal aposentado, competente artista plástico, poeta e eterno carnavalesco, resistente e persistente com o seu "Bloco do Eu Sózinho", o querido ESSO MACIEL. Com um esmero e pureza dessas difíceis de serem encontradas hoje pela aí, ele adaptou toda sua casa para esse período e não montou simplesmente um presépio, mas modificou toda sua rotina e a transformou em algo onde se sente bem, vive melhor e está feliz consigo mesmo, o que é mais importante. A casa do Esso é uma espécie de oásis, não só na vila Falcão, mas em toda Bauru e no momento em que não saem mais no jornal as fotos daquelas fachadas todas, a dele deveria merecer página inteira, destaque de capa e escrito dos mais gabaritados jornalistas daquela redação.

A homenagem feita aqui por mim ao Esso não é em forma de brincadeira, mas de afirmação e confirmação dele ser mesmo um ser diferenciado, diferente de tudo o mais à sua volta. Um ser iluminado, a merecer todos os apupos e afagos. A Casinha do Papai Noel lá da praça Portugal e a a iluminação pomposa da praça das Cerejeiras, defronte a Prefeitura municipal perdem feio para a belezura que o Esso nos apresenta neste final de ano. É o alento que precisamos para seguir adiante e acreditar que "um outro mundo é mais do que possível". Se ele consegue, todos nós também devemos ao menos tentar.

OBS.: As fotos todas foram devidamente gileteadas do facebook do próprio Esso.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (119)


GUARDIÃO DISSECA A FRASE: “O VEREADOR NÃO VAI DEIXAR”.

Os assentamentos urbanos de Bauru estão por um fio e isso se deve à nova concepção governamental capitaneada por João Dória, aqui no estado mais conservador da nação, São Paulo e por Jair Messias Bolsonaro, o chefe do Executivo Federal a partir da semana que vem, dia 1º de Janeiro de 2019. Em cada cidade existem as versões locais desses dois mandatários. Todos querem ser a cópia mais exata do que está tão em voga hoje e desta forma, agem para se parecerem ao máximo com o original (que também não é assim tão original). Guardião, o super-herói bauruense, poucos dias antes de entrar em recesso (os super-heróis também descansam), falou à nossa equipe de reportagem sobre uma frase repetida como mantra pelos corredores do poder constituído da capital da terra-branca, dita também como “sem limites”, pelos mais vetustos cidadãos da terra do sanduíche:

- Guardião, qual a interpretação que faz da frase repetida pela cidade, a “o vereador não vai deixar”, utilizada quando se questionam autoridades constituídas bauruenses sobre os destinos dos assentamentos urbanos, sendo o principal deles, o Nova Cannã?
- Não existe como contemporizar e colocar panos quentes. Pelo visto a Prefeitura está acuada pela ação intempestiva de um vereador, os ameaçando, ainda veladamente se o chefe do executivo ousar não tomar a decisão que essa pessoa acha a correta, segundo sua obtusa concepção política. Ele nem pensa em se sensibilizar pela quantidade de famílias envolvidas, crianças ali residindo, bairro já praticamente constituído e com a Prefeitura, essa através do atual prefeito Clodoaldo Gazzetta já encaminhado uma solução para resolver, não só parte da questão fundiária pendente, mas mais que isso, buscar uma solução para um problema reconhecidamente social. Esse vereador quer a dissolução de tudo, parece não estar nem aí se ver esse povo na rua, sem teto, sem eira nem beira, em algo onde com toda certeza, quem vai padecer é a cidade, pois terá agravada sua questão de moradia, com milhares de famílias se vendo sem teto de uma hora para outra. Pelo visto, a intenção de se cacifar como candidatíssimo a prefeito e nos moldes dos novos tempos, truculência e voz grossa deve estar imperando. O prefeito sem respaldo popular e apoio da comunidade vai acabar se rendendo a esses interesses, pois o tal vereador está também aliado ao pérfido interesse de uma rádio local, que lhe dá voz e vazão as ideias mais absurdas.

- Mas o que poderia ser feito para tocar mente tão distorcida e fazê-lo ter um pouco de noção de civilidade?
- Não vejo como. Isso é uma construção mental que não vem de hoje. Ela se consolida hoje, mas vem de longe, formação distorcida. A elite insensível e gananciosa que está por detrás de terras com documentação muito mal resolvidas uniu-se à mediocridade violenta das seitas evangélicas, dos coronéis de plantão, da mídia que tudo repete para favorecer essas tais leis de mercado, como a solução para tudo, sendo completada com a recente e apavorante vulgaridade teocrática e cleptomaníaca do bolsonarismo. Tudo junto constitui a mentalidade dos que decidem e destroem a harmonia até então existente. A sociedade também tem sua culpa no descalabro do conservadorismo vigente. Hoje não se é permitido mais nem o opositor e questionador, quanto mais o pobre ousar reivindicar algo. Na nova ordem cabe a esses, sempre de cabeça baixa, subserviência total, a resignação de sua condição. Terão que se virar nem se sabe como.

- Mas para onde irá essa gente?
- O melhor lugar é continuarem onde estão, mas isso só será possível de forma muito bem organizada e com apoio da comunidade. Um baita trabalho de todos os sensíveis desta cidade, quebrando a espinha do conservadorismo, um que quer se impor ostentando a bandeira da desumanidade. Não dando certo, vejo como solução todos se mudando para defronte a propriedade do tal vereador, o que dizem ter força para impedir o prefeito de levar adiante as ações de atendimento a essa parcela da população. Talvez assim ele perceba que sua ação é a mais despropositada quando se pensa o viver em harmonia.

E a pergunta que não quer calar: quem seria o tal vereador?

OBS.: Leandro Gonçalez o desenhista do personagem Guardião saiu de férias, foi viajar por esses dias e num rompante de licenciosidade este HPA, que de desenho entende pouco, recorta um aqui, outro ali, junta parte de outro tanto, coloca um balão em tudo e apresenta uma versão de final muito mal acabada do que seria uma charge, com muito menos qualidade artística. Era o que podia ser feito diante da necessidade do momento.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

OS QUE SOBRARAM e OS QUE FAZEM FALTA (120)


FISIONOMIA DO MENINO DO NOVA CANNÃ ARREBATA OS SENSÍVEIS - JÁ OS INSENSÍVEIS FAZEM DE TUDO E MAIS UM POUCO PARA ACABAR COM ESSE ASSENTAMENTO URBANO, O MAIOR DA CIDADE


Uma ação de solidariedade, a iniciativa “Árvore Solidária”, cria da militante social Tatiana Calmon gera todo ano sua ida para algum lugar da periferia bauruense distribuir o que arrecadou debaixo de uma arvore montada na entrada do Sindicato dos Ferroviários de Bauru. Muitos presentes, principalmente brinquedos foram arrecadados e juntamente com o casal Silvia Regina e Nicola Augusto tudo foi levado na véspera do natal deste ano para o Assentamento Nova Cannã, localizado adiante do IPMET. Eles estavam radiantes, pois o arrecadado este ano superou as expectativas e muitas crianças seriam beneficiadas. Depois me conta ainda mais radiante que, todas saíram do local com um belo brinquedo nas mãos. Isso não tem preço. O que vale disso tudo é a reação das crianças e foi exatamente isso que a motivou a escrever algo de um deles e de uma foto tirada, com a reação do pequerrucho diante da espera e, depois já com o brinquedo.

Ela escreve isso: “Olho para esse menino... Sua alegria ao ver que seu sonho de um brinquedo vai ser realizado. Olhar cheio de esperança, mãozinhas aflitas de felicidade, prontas para receber o seu presente. O natal que desejo, independente de religião, mesmo porque não tenho nenhuma, é que toda criança possa sonhar com um futuro digno. Que todos possam viver com dignidade. Um natal permanente e diário, onde a solidariedade seja prática constante. Feliz todos os dias! Ho hoje ho”. O menino descrito no texto é o primeiro da série aqui publicada, todos de fotos tiradas no local no dia da entrega dos brinquedos.


Dias atrás passei diante da casa da Inês Faneco, outra que faz e acontece o ano inteiro em ações comunitárias e a vejo lotando uma caminhonete, com comida, brinquedos e tudo o mais que conseguiu e pronta para bater asas e aportar num dos locais escolhidos por ela e sua equipe. Faneco pára tudo o que faz, esquece até do seu ganha pão, a venda das pipocas e se dedica de corpo e alma para esse tipo de ação. Isso toca sua vida e a faz feliz. Sei que a amiga Tatiana age imbuída do mesmo espírito. Gente que se doa dessa forma são muito mais transparentes, sadias e contam com uma aura mais que especial. Elas divulgam o que fazem pelas redes sociais, não para se vangloriarem do feito, mas para conseguirem ampliar o leque dos doadores. Sem divulgação as doações não chegariam a contento. Sensibilizam muitos com suas persistentes chamadas. É a forma escolhida por elas para serem, fazerem e acontecerem. São o must do natal por essas plagas. Outras ações ocorrem, sei disto e me desculpo por não citá-las. Falta espaço e conhecimento de todas.

E o descrito pela Tatiana é o mesmo que sei sentir a Faneco quando das suas entregas. Repetem o feito, ano após ano, mais por causa dessas fisionomias, da alegria estampada no rosto das crianças do que qualquer outro tipo de reconhecimento. Esse o melhor de todos. Escrevo isso e me volto para a realidade hoje vivida pelos moradores do assentamento Nova Cannã, diante de algo brutal, um encaminhamento para desapropriação da área por eles ocupada e da insensibilidade de quem deveria decidir pela permanência e solução do imbróglio da área em litigio. Escrevo algo mais num outro texto amanhã, dando nome aos bois, citando quem age movido pela insensibilidade e não está nem aí para ações comunitárias e sociais, mas tudo fazem para atender interesses de uma privilegiada e insana minoria.

Pelo menos hoje, quero estar envolvido pela belezura de ações como a das duas citadas, essas sim pensando e agindo olhando para a comunidade como irmãos e não como massa de manobra ou seres descartáveis. O mundo poderia ser uma belezura, mas quando em postos de decisão, os mais desumanos, tudo tende a se transformar numa enorme nhaca.


E COM TRÊS ENCAMINHAMENTOS:
1.) Meus caros João Jabbour, João Pedro Feza e Aurélio Fernandes Alonso, o Jornal da Cidade poderia divulgar essas fotos até para sensibilizar sobre a ação dos predadores pretendendo desalojar todos naquela área.

2.) Caro futuro presidente da Câmara dos Vereadores de Bauru, sr José Roberto Segalla e presidente ainda em exercício Sandro Bussola, por favor, levem isto na mais alta consideração quando forem tomar a decisão sobre os destinos do Nova Cannã. Vale também para vereadores mais sensíveis, como Marcos Souza, Chiara Ranieri (via Thiago Roque), Carlão do Gás, Telma Gobbi...

3.) Caro assessor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Bauru, sr Pallu Roberto / Roberto Pallu, encaminhe essas fotos para conhecimento do sr prefeito Clodoaldo Gazzeta e vice Antonio Gimenez, para olharem bem para essas fisionomias antes de qualquer precipitada decisão.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (59)


SEM POSSIBILIDADES DE BOA NOITE, FELIZ NATAL, BOAS FESTAS E BOM ANO NOVO
As fotos não são do Brasil, são do momento vivido pela Argentina, o vizinho parede meia com o nosso país e representam com a fidelidade de quem circula pelas ruas daquele país, no caso os registros do diário Página 12, o que mais se vês por todos os lados, um estado de pré-miséria, desalento e desesperança. Mas o que isso tem a ver com o Brasil e ainda mais nesse período onde tudo e todos estão a festar, buscfar esquecer das agruras passadas durante o ano se encerrando? Lá o neoliberalismo predatório, na sua forma mais vil produziu esse estrago vislumbrado pelas fotos. Buenos Aires é uma das mais belas cidades da América do Sul, ali pulsa algo mais disso que podemos por essas bandas denominar de vida cultural diferenciada. Talvez a cidade dessas plagas com a maior quantidade de livrarias por metro quadrado. Vejo isso, mas levo sempre em consideração que, esse percentual de latente cultura se faz presente, por exemplo,m na região da avenida Corrientes, funcionando 24h por dia, com teatros abertos, livrarias por todos os lados. Mesmo ali, algo já prenuncia tempos difíceis. Muitas delas fecharam, estão capengando e se segurando nas pernas não se sabe bem como. Ou seja, a tal da crise provocada pelas medidas irracionais bancadas por Macri & Cia trucidaram com o país e se antes o que se exportava mundo afora era a belezura da cultura, do neon da Corrientes, hoje quem caminha por ali encontra um cenário degradante, triste e desalentador. A miséria está presente por todos os lados e só não enxerga quem realmente está cego ou não quer ver o que está ali exposto como fratura exposta, diante dos seus olhos.

Não existe como disfarçar o indisfarçavel. Se lá a situação beira o caos, por aqui tudo está mais do que bem encaminhado. Saia pelas ruas de Bauru e constate se minto ou se carrego na escrita. Quando descer para o calçadão da Batista, por favor, comece pela sua primeira quadra, só para sentir o clima pelas portas fechadas. Vá verificando, passo a passo as transformações ocorridas no local. A crise não é só a provocada pelas ocorrências internacionais e seus reflexos. Tudo também tem muito a ver como os daqui trataram tudo o que aconteceu. Se o desalento do comerciante é grande, o do comerciário é imensamente maior. Agora mesmo o supermercado Paulistão fecha suas portas e o aproveitamento dos funcionários é incerto e não sabido. Ouço deles que se ocorrer, será em condições diferentes das que possuiam. São essas as transformações do mundo do trabalho propiciadas por gente como Temer e agora, aprofundadas até não mais poder, pelos que chegam com voracidade nunca vista. Isso de Estado Mínimo é a miséria sendo elevada para sua máxima potência para o trabalhador. Se na Argentina o clima é exatamente este visto pelas fotos, algo bem nítido quando o neoliberalismo toma conta da vida das pessoas, aqui deverá ocorrer num estágio até pior, pois Bolsonaro, mesmo sem perceber, tendo já dado carta branca para seus super-ministros, permanece indiferente, o que ocorrerá afetará a todos e em primeiro lugar os que votaram cegamente nele. Serão os primeiros a sofrer a punhalada, essa sangrando, ouseja, bem diferente da que levou meses atrás.

Não existe como demonstrar felicidade, alegria, esperança e disposição para tocar a vida sem estar antenado com o baú de maldades sendo despejado sob nossos costados. E como ser feliz diante deste cenário se acentuando, em estado crescente, depreciando a tudo e todos? Não me peçam para apoiar, tentar dar um voto de confiança para o que chega,m pois sei muito bem das intenções de todos os envolvidos e já atuando por este atual e pelo futuro governo. Olhem bem para todas essas fotos, reflitam muito por esses dias. Não existe chance mínima de felicidade com esses hoje nos governando, tanto lá na Argentina, como aqui. Não me peçam para sorrir, demosntrar felicidade, pedir para quem quer que seja algo, pois nada ocorrerá só com pedidos, mas sim com muita ação. De olhos bem abertos, prontos para o que der e vier, enfrentando o touro a unha, só assim alguma chance, do contrários continuaremos seguindo como a cabisbaixa manada no caminho do matadouro. Essas fotos representam o grande matadouro humano que é o neoliberalismo, esse mesmo que hoje nos governa. Com esses no poder, tenham a mais absoluta certeza, dias piores virão.

domingo, 23 de dezembro de 2018

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (141)


CARICATURAS DE REGINÓPOLIS DO FAUSTO, TEXTO DE HOJE DO AURÉLIO NO “REGIONAL” DO JC E EU COM ELE REVENDO A CIDADE E, PRINCIPALMENTE, AS PESSOAS

Na edição de hoje do Jornal da Cidade, o último dos moicanos pelo modal impresso em Bauru, a primeira parte que leio ao pegá-lo às mãos agorinha mesmo é o Caderno Regional, escrito sempre pelo brilhante jornalista e amigo Aurélio Alonso, o “Caricatura resgata autoestima – Cartunista Fausto Bergocce fez 120 caricaturas de tipos populares de Reginópolis, enquanto Diogo Ladeira criou o desenho afetivo em Pederneiras”. São três páginas de pura emoção e nelas uma frase escolhida pelo jornalista para abrir um dos textos resume o que sinto a respeito do assunto: “O chargista e ilustrador Fausto Bergocce levou muito a sério a frase do escritor Leon Tolstói: ‘fale de sua aldeia e estará falando do mundo’. É bem isso o que ele fez ao desenhar 120 caricaturas dos mais variados tipos populares de sua cidade: Reginópolis”. O texto todo já disponibilizado no site do jornal é esse: https://www.jcnet.com.br/…/caricatura-resgata-autoestima.ht…. Agora, a parte que me toca nesse cabimento. No começo da semana, como escrevi o livro sobre Reginópolis (eu escrevi e o Fausto desenhou, com mais de 250 ilustrações), fui convidado pelo Aurélio para dar um pulo juntos na vizinha Reginópolis e registrar os encontros com os três escolhidos por ele, dentre os 120 personagens.
Aceitei de pronto, pois rara oportunidade de rever a cidade, amigos lá deixados e colocar os pés no barro, estrada e reviver algo a me encher de alegria e contentamento. Estivemos com seu Alberto, o barbeiro, seu Zezinho, o do armazém na praça e seu Maurílio, o do escritório de contabilidade. Aqui publico três fotos do Aurélio tirando fotos deles, nove ao todo, todas de minha lavra e servindo para ilustrar esse outro lado do brilhante texto de um dos Cadernos mais saborosos dentro da atual fase do jornal, pois além de mostrar sempre algo regional, conta com a sapiência desse jornalista. Finalizo com algo mais, também retirado do texto e resumindo um pouco de algo pelo qual gosto muito de atuar e escrevinhar: “O poeta Ferreira Gullar conta que a história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquina. Ao destacar os tipos populares de Reginópolis, o cartunista Fausto Bergocce resgatou história de gente simples que faz o dia a dia da cidade”. É o que procuro fazer com o meu “Personagens sem Carimbo – O Lado B de Bauru”, que no começo de 2019 deve chegar ao milésimo escrito (sempre um foto e pequeno escrito) e, provavelmente, se transformando num livro com uns 200, previamente escolhidos.

Neste momento, meu sincero agradecimento ao Aurélio pela oportunidade e lembrança de tocar fundo em algo nunca adormecido dentro de mim, esse espírito pelas ruas, vielas, transversais, quebradas e tudo o que dela nasce, floresce, viceja e transborda pela aí. E por fim, Fausto Bergocce é merecedor inconteste de mais este afago. E que a matéria publicada hoje pelo jornal sirva de estímulo para que a prefeita de Reginópolis, Carolina Araújo de Souza Veríssimo, a Carol, dê o pontapé final viabilizando a exposição das caricaturas na cidade, em local apropriado e com grande visibilidade. Vai ser nova oportunidade para voltarmos lá e fuzarquearmos pela cidade afora e adentro.


OUTRA COISA

PERGUNTA AINDA NÃO RESPONDIDA NESTE FINAL DE ANO: ONDE ESTÁ O QUEIROZ?
Essa uma das grandes sacanagens em curso no momento. O motorista do filho do futuro presidente movimenta em sua conta algo inimaginável para um pobre mortal e assalariado, tudo é descoberto e as explicações são as mais esdruxulas possíveis. Tudo leva a crer num esquema não só envolvendo o filho, mas a família toda, toda ela se servindo do serviço público, seja ele onde estiver, faz um bocado de tempo. Depois disto novas descobertas. Alguns assessores nunca assessoraram nada, ou seja, foram sempre laranjas. Deram simplesmente seus nomes como servidores dos filhos e quando do pagamento, a retirada era integral, 100% para o dito como empregador, que na verdade era alguém prestando um serviço público e com benesses de poder ter a seu serviço alguém assalariado. O sujeito ficava com 100% do seu salário e quando encostado no muro para prestar esclarecimentos, diz nada saber e isso é lá com o empregado. Esse o fio do novelo sendo desvendado neste final de ano, sem nenhum alarde pelo Judiciário, tudo porque envolve o futuro presidente, costas mais que quentes daqui por diante. Vergonha explícita e sendo jogado para debaixo do tapete.

Esse Queiroz, o que a Justiça marca audiências e ele foge magistralmente, muito bem respaldado por "forças ocultas", essas fazendo de tudo e mais um pouco para que ele continue desaparecido e só aparecendo (se o fizer um dia) quando o papai estiver empossado e dando as cartas em Brasília. Enfim, Queiroz vai um dia ser obrigado a se explicar? Só deus sabe, mas como duvida-se da sua existência, não a do Queiroz, mas a do ser supremo, diante das circunstâncias envolvendo o que virá pelo aí na virada da esquina, ops, do ano, talvez esse motorista ganhe um belo de um cargo, desses ninguém sabe onde e nem sabendo quanto ganharia, mas tudo regulamentado e oficializado pelos mandarins do novíssimo e impoluto desGoverno capirotista. Comparem essa pantomina com o que fizeram um dia (e ainda fazem), com os filhos do ex-presidente Lula, na invencionice de uma riqueza nunca comprovada, mas muito falada, exposta e tangida pela mídia nativa como favas contadas. Dos filhos de Lula nada comprovaram, pois se algo ouvesse contra eles, já estariam com suas vidas mais que danadas. Mas com os filhos do capiroto, provas em abundância, A + B de documentos circulando pela mídia e tribunais, mas todos fingindo-se de bobos. Esse dois pesos e duas meidadas afunda o país, descrédito toal e absoluto. Vergonha mundial, fratura mais do que exposta de um regime apodrecido, carcomido pelo tempo, apodrecendo e louco para aprontar mais e mais.

Creio esse Queiroz está com a vida ganha. Teve a sorte de estar no lugar certo e na hora certa, principalmente com a gente certa. Deve estar a passar um alvissareiro Natal, assim como um Ano Novo em lugar incerto e não sabido para os pobres mortais, mas de conhecimento de uns poucos, os que lhe garantem o auspicioso momento. Queiroz é o cara, a cara desse novo país, dessa nova forma de governar, de comando e mando adentrando o campo de jogo. Viva o Queiroz e sua sapiência e saber movimentar a grana alheia, agradando tanto os patrões, a ponto de ser paparicado, escondido e a merecer tratos de estadista. Vamos nos acostumando, pois daqui por diante, outros tantos iguais a ele pipocarão pela aí. Quem faz a festa diante disso tudo são os cartunistas, esses se esbaldam, pois o assunto é dos mais sugestivos para verter, fazer fluir a criatividade, como se vê nessas charges publicadas por esses dias. Está na hora de surgir uma nova publicação no mercado editorial brasileiro, algo igual ao Pasquim, cheio de irreverência e picardia, algo mais que necessário nesses tempos. Quando o Pasquim se foi, me lembro bem, disseram que naquele momento não existia mais espaço para uma publicação naqueles moldes, pois todas eles já podiam fazer igual ao jornal alternativo. Hoje, como a maioria tem medo da exposição, rabo mais que preso, entrelaçado com quem faz a coisa feia, só mesmo um novo Pasquim corajoso e audaz, para publicar tudo o que precisa ser dito.

Ah, como seria bom algo assim nos dias de hoje. Com a imprensa massiva mais do que desacreditada, ruindo e tentando sobreviver fazendo negócios espúrios, atuando bem distante dos ditames do que vem a ser o jornalismo dentro da verdade factual dos fatos, restam poucas publicações e uma com a cara do velho e saudoso Pasquim, seria algo encantador. Sonho com isso, mesmo sabendo que isso seria algo não só de uma coragem fora do comum, como teria que ser também algo que iria buscar recuusos não sei de onde, pois diante do baú de maldades sendo prometido a quem não seguir a cartilha dos poderosos de plantão, de onde sairia a publicidade para fortalecer algo dessa natureza? Lembro quando o Ziraldo lançou o Pasquim 21 e o fez na cara dura, contando com a venda nas bancas. O projeto doi em frente, seguiu até onde pode, mas feneceu. Será que esse 50% descontente com o que está chegando como forma de governo não estria interessado em bancar uma loucura deliciosa com essa cara? Junto essas charges, alguns textos que ainda consigo ler pelas redes sociais e sites despojados e já enxergo eles todos juntos em algo de protesto, contestando a ordem estabelecida e destruindo a todos, não pela força das armas, mas pela da escrita, da arte, da fina ironia. Isso tudo quando unido, não existe regime duro, de cintura dura que aguente por muito tempo.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (108)


A CRÔNICA DO FECHAMENTO DO “PAULISTÃO” EM BAURU – TUDO PELOS VINHOS

A notícia saiu no Jornal da Cidade logo pela manhã de ontem: o Paulistão vendeu todas suas lojas para a rede Confiança Supermercados, algumas serão fechadas definitivamente e outras reformadas. O que já vinha sendo comentado na boca pequena, agora era confirmado. O grandão engoliu o Paulistão e aquele ar de primo pobre, de mercado de segunda linha, com design não tão moderno está deixando Bauru. Conheço muitos que se afastavam de frequentar exatamente por causa disto e outro tanto que só iam lá exatamente por não ostentar uma grandiosidade encarecedora de preços. Enfim, com a notícia o rebuliço estava estabelecido e quando isso ocorre, alguém fecha as portas em definitivo, a correria é generalizada e imediata. Veio assim num vapt-vupt com algumas fotos estampadas pelo facebook logo pela manhã e neles algo sobre descontos de mais de 40%, principalmente para a seção de vinhos, uma linha onde esse mercado estava investindo nos últimos tempos.

Minha preocupação em primeiro momento é para com os funcionários o destino dado a esses, principalmente nesse momento, véspera de Natal e com o país adentrando um período dos mais incógnitos e nebulosos. E mais, o que seria feito da Banca do Cláudio, um dos lugares onde ainda compro jornais e revistas, ali no Paulistão das Nações? Vou lá e assunto com ele. Encontro a família toda reunida na porta do estabelecimento, olhando a grande movimentação na loja ao lado. Ele mesmo me disse que, “todos os comerciantes, ele, a farmácia, o salão de beleza, a casa lotérica vão permanecer e mesmo com a loja fechada”. Sei não, mas foi o que me disse. Quando aos funcionários, informações desencontradas. Num primeiro momento, uma me disse que teriam que passar por reavaliação da RH do novo empregador, outras me disseram que tudo é falatório e outro disse que hoje trabalha 8h, ganha X e lá teria que trabalhar só 6h e ganharia muito menos. Ou seja, com certeza, nada está definido e batido o martelo.

Já havia passado com Ana na loja da Getúlio, em busca de uns vinhos que só encontramos por lá, o Drão português, um tinto de boa cepa e preço justo. Encontro quatro e um rebuliço. Só para terem ideia, para conseguir um carrinho de compras tive que suar a camisa. Lá dentro, junto aos corredores o que mais vi são aqueles discutindo sobre a qualidade dos vinhos. Descobri que aqui em Bauru existem entendidos do assunto em profusão. Carrinhos lotados e sendo levados aos borbotões, caixas inteiras e mais pelo preço do que a procedência. Quando estava na fila ouvi a história da mulher que assim como eu, suou a camisa para conseguir seu carrinho e ele lhe foi surrupiado na cara dura, com o sujeito peitando e dizendo ter mais necessidade dele e que iria comprar mais que ela. Ficou paralisada diante do sujeito, que lhe virou as costas sem dar maiores explicações. Passei a segurar o meu e dele não se distanciar.

As histórias iam se repetindo e conto duas comigo. Algumas pessoas estavam na fila aguardando eu pagar a conta, pois queriam meu carrinho. Meu carro estava na parte inferior do mercado e uma delas foi conosco até lá e por pouco não ajudou a descarregar minhas comprinhas. Quando estava saindo do caixa fui abordado por outra e ela me pede carinhosamente se não podia ceder um espaço no meu carrinho, pois seu carro também estava longe e ela não conseguiria carregar tudo na mão. Cedi e fomos dividindo o dito cujo. Outro me disse que os preços não estavam lá tão bons, pois no Tauste algo que havia pago “X”, por lá estavam fazendo no dia de ontem por “Y”, ou seja, a concorrência não está deixando nem o que fecha ganhar um pouco a mais na sua despedida e já quer melar sua promoção de “bota fora”.

No da Nações, o comentário geral é que nunca o mercado esteve tão cheio. Estava lotado e os poucos funcionários, em seus últimos dias de trabalhos se desdobravam para atender a contento os inquietos compradores. Era um tal de esvaziar prateleiras e quando uma já vazia, vi gente tirando produtos de carrinhos cheios pelos corredores. A pessoa não podia nem descuidar do que escolheu, pois bobeando corria o risco de ficar sem. Vejo nessas ocasiões um tipo de loucura estabelecida. Muitos vão e estão prontos para tudo, o que der e vier. Tem os bonachões, os que estão ali só olhando, comparando preços, são os comentaristas de mercado, existentes em todos os lugares, mas existem também os que levam sério até demais isso de último dia e promoção, compram briga por qualquer coisa. Um na minha frente, esse não brigou, mas quando a moça pediu para ele tomar conta da sua cestinha, pois queria buscar algo mais, lhe disse na cara dura: “Cuido não. Se for, ao voltar passarei na sua frente”. Ela não foi e estava criado um clima, resolvido quando um amigo dela passou e ela lhe pede para ficar ali cuidando da vaga e da cesta. Precisam ver a cara do tal sujeito.

A febre continua no dia de hoje, pois ao voltar para o da Nações, quando fui somente buscar minha revista semanal, a Carta Capital, como faço todo sábado pela manhã na banca do Cláudio, quase não consegui adentrar o estacionamento e para arrumar vaga foi uma luta. Tinha até um guardador de carros tomando conta de alguns dos carros e ajudando nas manobras, além de indicar a melhor forma de esperar, permanecer na fila e poder finalmente adentrar a loja. O diálogo mais bestial foi o que vi ontem e saiu da boca de uma vetusta senhora, dessas que, pelo visto não devia ser frequentadora do Paulistão, mas nesse momento ali estava e diante da confusão ali estabelecida, disse para a outra ali lhe ouvindo os dissabores: “Se o Bolsonaro já tivesse liberado as armas de fogo, nada como uns tirinhos pra cima e a fila andaria mais rápido”. Passei diante dela acintosamente com minha camiseta do LULA LIVRE e antes de me retirar em definitivo do local, ainda ouço a outra dondoca responder: "Vamos logo e levo tudo sem esses sacos que identificam o Paulistão. Não quero que meus amigos saibam que compro aqui".

Bauru inteira compra vinhos desde ontem nos Paulistões ainda de porta aberta no dia de hoje, 40° lá fora, sol de rachar mamona e até quem nunca bebe do dito cujo, hoje o fará, tudo para aproveitar os tais 40% de desconto. Enfim, onde encontrarei o Drão daqui por diante?