domingo, 31 de maio de 2020

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (133)


DIFICULDADES NÃO COMPARTILHADAS
Tomo conhecimento de que o prédio onde está hoje localizado a Prefeitura Municipal de Bauru, na praça das Cerejeiras está quase vazio, sendo um dos últimos lá permanecendo o Gabinete do Prefeito, no 3º andar. Última luz acesa. Na notícia publicada esta semana: "A Secretaria de Negócios Jurídicos vai passar a funcionar em novo endereço a partir dos próximos dias. O novo imóvel a ser ocupado pela pasta fica na quadra 32 da rua Araújo Leite e até o ano passado era a sede do Ministério do Trabalho em Bauru. O aluguel estimado é de R$ 20 mil mensais". Em todos os casos, a debandada, segundo afirmam os que a realizam, está se dando por causa das condições precárias do Palácio das Cerejeiras.

Juntei os pauzinhos e não fui consultar meus oráculos, mas sim, o Guardião, super-herói bauruense, sempre pronto a me informar das últimas. Ele prontamente me atendeu e explicou: "O Palácio está em ruínas, necessitando de urgente reforma e, pelo visto, com o orçamento em queda, arrecadação idem, os secretários estão convencendo o prefeito a pagar altos aluguéis cidade afora. Virou praxe. Perceba e constate, os vários locais e todas as secretarias fazendo a alegria dos locadores de imóveis na cidade, com vistosos prédios particulares, todos isolados e desligando o cordão umbilical que os ligavam ao antigo prédio, quiçá, dos olhos do alcaide", assim começa sua explicação.

Não é preciso ser bidu para confirmar essa informação. A lista é imensa, quase todos mesmo. A situação do prédio não está muito bem esclarecida, com laudos técnicos publicados, mas a pulverização das secretarias é algo latente. "Tivemos opções outras de juntar tudo, ou mesmo a maioria num só lugar, mas não levaram adiante. O prédio adquirido pela Ptrefeitura, o da antiga Estação da NOB é um deles. Nunca sofreu nenhuma intervenção neste sentido desde que foi adquirido. Nem a Câmara de Vereadores o quis, nem os secretários parece gostarem da ideia e ele lá continua, elefante branco, quando poderia revitalizar de verdade o velho centro da cidade. O tempo passa e se nada for feito acontecerá com o prédio das Cerejeiras o mesmo do antigo do INSS, na presidente Kennedy. Vão descolar um laudo técnico e o colocarão abaixo. E a Estação da NOB que se cuide. Revitalizar nunca foi a palavra de ordem por essas bandas. Veja o simples exemplo do que ocorre com a Casa dos Pioneiros, lá quase na Baixada do Silvino. Nem ali, custo baixo, nada foi feito e tudo virando literalmente pó", continua.

Vou juntando os pauzinhos e daí, ele me dá a estocada final: "Vivemos um momento de crise em estado avançado, com prenúncio de dias nebulosos, tensos até para o pagamento do salário dos servidores, mas a Prefeitura não se mostra boa em economizar, pois paga altos aluguéis para quase todas suas secretarias. Experimente somar tudo e veja quanto são esses gastos? Isso daria uma bela matéria na imprensa, mas passa batido, praticamente ignorada. Se estão contando dinheiro para pagar as contas, querendo fazer até uso de verbas carimbadas, isso de economizar de um lado e gastar desmedidamente de outro não me parece muito racional. Alegam não existir dinheiro para reformas, pois as prioridades são outras. Temos um deputado federal e outros colados em Bauru e esses nada propõe nesse sentido, conseguir a grana. Existe uma cultura no país de que o velho é para ser descartado, nunca recuperado. Ele persiste, resiste e insiste em ser a regra mãe das ações e pelo visto, usarão novamente a justificativa da falta de grana para fechar as portas e se bandear para pagar altos aluguéis. Depois reclamam, mas não fazem a economia no básico. O Planejamento anda em baixa por essas bandas", e encerrou a conversa. Aceitei as justificativas e as reproduzo com o intuito de ver possibilidades de algo ser feito no sentido contrário.


OBS.: Guardião é obra do traço do artista Gonçalez Leandro, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA. E aqui, neste finalzinho de texto um algo a mais: Entre março e abril, íamos, eu e Gonçalez realizar uma exposição com as ilustrações destes textos, hoje completando 133, escolhendo algumas para uma exposição lá no Bar do Genaro (Fabricio Genaro), mas tivemos uma pandemia pelo caminho. Um dia ela ainda ocorrerá...


A CERTEZA DE QUE ALGO DE MUITO ERRADO ESTÁ EM CURSO NO BRASIL VOCÊ PERCEBE NOS PEQUENOS DETALHES
Pedi um frango assado hoje para o almoço. Escolhi um dos lugares mais tradicionais da cidade. O preço pago não foi barato, tanto que Ana me disse: "É um frango milionário, esse seu!". Fiquei quieto. Estava louco de vontade de comer um assado, tipo desses de padaria. O danado chegou e o entregador me passou o valor, acrescido de R$ 10 reais da entrega. Já sabia do valor e fui só conferir com ele algo que me atormentava. Perguntei: "Esse valor é todo seu, né?". Já eram bem umas 13h30, fome batendo em mim e nele. Sua resposta é a certeza de que, além de botarmos pra correr essa corja hoje tomando conta de Brasília, os bolsomínios e os mlicianos todos, algo precisa ser feito também para refazer esse negócio de como deve se dar o lucro na cabeça do comerciante, desde o pequeno ao maior de todos, o industrial. Sua resposta: "Que nada. recebo R$ 10 do senhor, mas pra mim me passam a metade, somente R$ 5 por entrega". Ele, o entregador é o que sua a camisa dentro dessa pandemia, está nas ruas, sol e chuva, correndo sempre contra o tempo e tudo o mais, trânsito, gente mal educada pela frente e o dinheiro que pago a mais, como declarado a mais para a entrega não vai todo para o bolso do pobre coitado.

Não preciso nem denunciar o comerciante em questão, prefiro não fazê-lo, pois sei a corda roerá do lado mais fraco e quem hoje ganha R$ 5 reais por entrega, deixará de ganhá-lo. Porém, uma só certeza: quem age assim está, no mínimo, na contramão de respeito para com o semelhante. Esse o Brasil que viceja e fez chegar ao poder um Bolsonaro e hoje, nos ameaça a todos de querer danar ainda mais a vida com um tal de fechamento à direita. Onde vai parar isso tudo?

RUA COMBATER O FASCISMO - JÁ, JÁ E JÁ...
Corinthians não me envergonha nunca... A vergonha somos nós, partidos políticos, sindicatos, grupos organizados de esquerda, todos os lutando pra por correr o fascismo, a reboque e imobilizados. Passamos da hora, amadurecermos na árvore e a fruta vai logo cair no chão e se bobear já apodrecida. Palavra não resolve quase nada, o que resolve é o que a Fiel Torcida faz neste exato momento, indo à luta e enfrentando o touro a unha. Ainda dá tempo de se juntar a esses e não permitir o retrocesso...
Eis o link: https://www.facebook.com/Jade.Jacqueline.Denise/videos/10222896231216538/

sábado, 30 de maio de 2020

BEIRA DE ESTRADA (123)


UM BAR NA ESQUINA DA CURVA DO MUNDO - ESPERANÇAS RENOVADAS
Hoje é um dia dos mais auspiciosos para Alcidineia Fernandes Jeferson Jn. Ela e seu marido juntaram o que tinham e o que não tinham e estão montando, abrindo nesta data o maior empreendimento da vida deles, um pequeno bar no lugar onde moram, o Núcleo Habitacional Isaura Pitta Garms. Muitos nem sabem onde fica esse Núcleo, se seria mesmo em Bauru e para estes, afirmo que sim, ali é lugar de gente resistente, trabalhadora e que sua a camisa nas 24h do dia para sobreviver. As dificuldades são imensas e se repetem a cada novo raiar de dia, porém, resistentes como aroeira, envergam e não quebram. Os moradores da periferia se renovam a cada passo, tiram água de pedra, como nesta ação do casal, que mesmo em tempos duros, mal saídos de uma cruel pandemia, investem o pouco que possuem em algo pensado para ser a transformação de suas vidas. Eu admiro os que assim buscam e se renovam em atos, proposituras pensando em sair da situação onde se encontram e buscar o algo a mais, além da sobrevivência, o raiar de um novo dia. A vida é mesmo um eterno sonho, renovado a cada dia.

Néia, se me permite chamá-la assim, foi minha inquilina numa casa que meu pai possuia décadas atrás, lá detrás do Mary Dota, numa região de difícil acesso, pois havia um córrego que se transformou em erosão e levou consigo a rua. O acesso não se dava pela rua principal e sim, por detrás, volta imensa e a casa lá, num lugar isolado, muito mato e dificuldades, tanto para chegar, como para sair. Ela ali viveu alguns anos, criou seus filhos e depois perdemos o contato, mas continuamos amigos aqui pela internet. Hoje ao abrir minha página, eis que a vejo, junto do seu companheiro, num esforço titânico, se propondo a algo novo, a abertura de uma porta de esperança, onde juntos esperam conseguir sair disso tudo com alguma sapiência e galhardia. Eu os reverencio com todo o meu desejo para que tudo dê realmente muito certo, pois assim como eles, existe uma legião de pessoas buscando uma alternativa, uma opção para ver o que farão de suas vidas daqui por diante. Néia é guerreira, corintiana como eu, batalha nas 24h do dia e não desiste, como se vê na iniciativa do negócio, o bar só deles sendo aberto hoje.

A referência que ela posta em sua página no facebook é para ninguém errar: "AMANHA INAUGURAÇÃO DO BAR DA NEIA 3L E SO CHEGAR TEMOS BALDAO CERVEJA REFRIGERANTE ETC ...ABRIREMOS APARTIR DAS 8:00 PONTO DE REFERENCIA ATRAZ DO GATO VEIO". Eu não sei onde fica, mas sei onde é o Pitta Garms e lá chegando percebo que é só perguntar onde fica o Gato Véio. Devo chegar com facilidade. Não prometo ir hoje, nem nos próximos dias, pois ainda estou em quarentena, mas irei com toda certeza e devo levar meus amigos tomateiros e mafuentos para uma bebericagem sentados na calçada lá em frente. São lugares de gente corajosa como a Néia, dispostas a enfrentar o touro à unha que este mundo precisa. Eles, os remediados e renegados do mundo atual, sabem melhor que ninguém: não existe mais empregos disponíveis para eles neste mundo sendo moldado dentro do insano neoliberalismo onde vivemos, agravado pela pandemia e daí, ou inventam algo ou não existirá mais saída, será a fome e a desesperança. Eles se inventam e se mostram fortes e causando inveja em gente como este que aqui escreve, cheio de dedos para ver como vai se dar a vida daqui por diante, pensando em virar a mesa e ter de volta o país perdido, mas sem ainda saber direito como proceder. Néia e Jeferson sabem como e uma hora dessas, já devem estar com o bar aberto e inaugurado.
OBS.: As fotos todas são dela mesma e estão no post feito ontem, quando ainda se preparava para a inauguração e estava atarefada nos justes internos para tudo dar certo a partir de hoje. O face dela para maiores informações é https://www.facebook.com/jefersonjn.neiafernandes/posts/276893743448451?__xts__[0]=68.ARDer-qZcmIUY566ou1QinPVBpgb1F9A_izKvfh5TsZH8zFVOgmocIoHWvASiXzNlOUY6pAL10tSblusoYSqzW2GWSIFJc80cyDBIuo0xj_nrvlIK6erAYs4eM4H1m7rgFcaKAH92_zre0A1y91BltjxWtkLu7t_gGUmlTbqPhK96WOGS4gDNera__QRx6auiAvJ8PGk7Tm9OWaz3peps2fOmUEXRXuK-M7SWhgsbsiGVkRsZKMeFRF6CWyMA4vBjkyEBkxHelG19nYBSS8uDJyft98dnpQ7&__tn__=-R

MINNEAPOLIS AGORA
1.) Gente, o bicho tá pegando FEIO em Minneapolis até agora, ao vivo, e se alastrando por todo o país. E não é apenas pela morte do Floyd. Esse foi o estopim. A sensação que passa é que, a despeito do que acham dos Estados Unidos, como a democracia capitalista ideal, a realidade é muito diferente. Estados Unidos também são um país desigual, com uma população pobre MASSACRADA pelo neoliberalismo, com um presidente PALHAÇO e debochado assim como o nosso. A saúde pública praticamente inexiste, sem estado social, em meio a mais de 100 mil mortos pela COVID, sendo que dessas vítimas, 70% são negras e latinas. Tem muita revolta represada por lá. Quando essa barragem estourar... O caldo está entornando por lá já faz tempo. A guinada progressista nos Estados Unidos é concreta e o que a impede ainda é o seu sistema eleitoral. Mas Estados Unidos vêm "pendendo" à esquerda - seja culturalmente, seja politicamente - de forma estranha há um bom tempo. Só que a desigualdade não vai esperar as urnas... Do Professor Vinícius Carvalho

2.) Quem quiser entender os EUA atuais leiam um quadrinho da Vertigo chamado "ZDM". O trabalhador médio americano não tem ganhos salariais desde o governo Reagan. Um sistema político blindado onde algo pensado para acontecer excepcionalmente caminha para virar padrão: o presidente ser eleito perdendo no voto popular. Porque um sistema pensado para garantir a escravidão entregou o país a uma minoria inculta, racista, cada vez mais miserável e fanática religiosa. Crente em todo tipo de maluquice conspirativa que se pode imaginar. Aquilo é um barril de pólvora. E agora estão morrendo de covid, com um nível de desemprego recorde, armados e sem nenhuma perspectiva de mudança no horizonte... por Alexandre Vasilenskas

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (126)


A PRAÇA RUI BARBOSA SE TRANSFORMOU NO MAIOR COMEDOURO PÚBLICO AO AR-LIVRE EM BAURU

Desço hoje pela manhã para o centro de Bauru. Passo pela rua Primeiro de Agosto por volta das 10h30 e a fila em frente ao Bom Prato é imensa, dá quase dois quarteirões. O pessoal de lá é rápido, sabem que a aglomeração por ali é imensa e começam a distribuir as marmitex com o almoço nesse horário. Tudo flui rápido, mas algo bem perceptível: dentre os mais simples, as normas de segurança quase sempre não são respeitadas. Todos muito próximos, quase colados. E isto não só aqui, pois as imagens da TV demonstram claramente que, quando mais popular, quanto mais povão, mais ajuntamento. Salve-se quem puder! Os na fila do Bom Prato não podem mais se alimentar ali nas instalações e saem com as marmitex nas mãos. Sabe onde vão? Para a praça Rui Barbosa. A praça se transformou no maior comedouro público bauruense, com gente espalhada por todos os bancos, sombras e cantinhos. Lota, ferve de gente de todas as matizes, os que não possuem um lugar fixo, um reservado para se alimentarem, O fazem na praça e a EMDURB, com seu serviço diário e constante de limpeza do local deve estar se desdobrando para manter o espaço limpo, pois muitos deixam os vasilhames espalhados pelo local. Falta lixeiras e com placas indicativas para favorecer o descarte correto.

Paro para ir ao banco e fico a observar o cenário no entorno da praça. Ela está mais cheia nesse horário de almoço e assim de longe consigo vislumbrar a silhueta de muitos conhecidos. Esse povo da rua resiste como aroeira, verga mas não quebra. Estão por lá, reunidos nos seus grupos específicos, muitos tentando entender o que venha a ser isso tudo. Um desses se aproxima quando vou deixando o lugar e me pede algum por ter cuidado co carro. Vasculho se tenho moedas e dou tudo o que tenho. Pergunto a ele sobre o uso das máscaras. Sua resposta: "Todos temos máscaras. Passa gente por aqui distribuindo e a gente passa uma para outro, não deixando ninguém sem. Quem tem duas e o outro não tem nenhuma, passamos para ele. Eu mesmo, neste momento só tenho essa e fico com ela o dia inteiro. Ela já está até mais suja, mas não tiro do rosto, levo a sério". Eles todos, fazem tudo como se certos estivessem e na santa ingenuidade de estar colaborando, sendo útl, participando. Trocam máscaras entre si, usam uma só e não as tiram do rosto, lavam só de vez em quando. E assim segue o barco na correnteza da vida, desta forma que já conhecemos e sabemos não vai mudar tão já. Eu não sei como, mas percebo que reencontrarei muitos dos que estavam por ali meses atrás e junto desses, outro tanto, os que chegaram agora e se juntaram ao grupo dos agora moradores de rua.

Enfim, a rua ferve, o centro está lotado de gente e a vida segue sendo vivida de uma forma meio que insana. de um lado, do meu e dos que conseguem se proteger, todos os cuidados deste mundo, de outro o dos que precisam sair mais, diariamente para o trabalho e conseguir sobreviver e de outro os desvalidos, esses buscando as fontes conhecidas de onde sabem irão conseguir algo para saciar a sede, fome e fugir do frio. Na junção disso tudo, vejo Bauru, num momento de ápice da pandemia no país, praticamente pronta para reabrir suas portas, sob a alegação de que não dá mais para esperar e assim, talvez aumentemos nossos índices de contágio e de gente abarrotando o serviço médico público na cidade. O que vejo assim de soslaio na cidade, mais na praça, essa sim me chama muito a atenção, pois são os mais carentes, os mais debilitados e necessitados, esses dando o seu jeito e lá em Brasília, algo mais em curso, enquanto o país está neste vai e vem, abre ou fecha, um golpe em curso dentro do conluio já existente. Ou seja, se está ruim a coisa, tudo pode piorar e o caldo esquentando mais e mais. Enfim, se proteger pessoalmente ou tentar proteger o que ainda resta de liberdades? Decisões para as próximas horas.

DOIS PERSONAGENS DAS RUAS
PAULO
A praça Rui Barbosa é o epicentro dos que circulando pelo centro da cidade, passam por ali e por alguns minutos e até horas, permanecem em seus bancos, pelos mais diferentes motivos. Aqui, um personagem dos mais populares desta cidade, desses tantos não conseguindo se manter em casa, quando por ali, num fhash no meio de uma tarde desta semana. Paulo foi funcionário da CESP, aposentou e circula muito pelo centro da cidade, aqui ele ao celular numa tarde procurando o que fazer.

MICHEL
Animado funcionário do Bom Prato, na rua Primeiro de Agosto, numa final de tarde, atende os que chegam para pegar sua marmitex na calçada, como agora de praxe, mas não se segura, dribla a ansiedade e intranquilidade do momento, cantando e chamando os que passam pela rua para uma breve olhada para o que faz, aliás, um dos serviços verdadeiramente essenciais nos dias de hoje. Michel alegra o ambiente de trabalho e os frequentadores do Bom Prato com sua generosidade e constante sorriso.


ALGO DO MOMENTO ATUAL BRASILEIRO
O ESTÁGIO DO PUXASAQUISMO E DO CONFORMISMO - DEGENERAÇÃO DAS MENTES
O mundo está cada vez mais perdido e esse nosso país no pior estágio da degeneração, quando cabeças convergem para a auto-destruição. Muitos sem entender muita coisa do que de fato se passa, se deixam levar por espertalhões, que ao vender uma imagem de bonzinhos, os tais "lobos em pele de cordeiro", induzem o povo a fazer o serviço sujo em seu nome, sendo esses também serão embutidos no balaio dos que se danarão logo ali na virada da curva da esquina. Bolsonaro deixou claro isso ao afirmar: "Quando preciso grito e aquela turma de merda agita bandeira aqui na frente a meu favor". Esse é mais um estágio do barbarismo em curso, um que acaba com a chamada Idade do Homem, sendo finda pelo excesso de tecnologia, muitas vezes sendo essa utilizada de forma distorcida e para ações contra o próprio patrimônio. Está mais do inaugurado, em plena vigência o período fundamentalista e perverso em nosso mundo, amplamente dominado por covardes, debochados, hipócritas, informantes da pior espécie. As verdadeiras más intenções dos homens se esconderão atrás de atitudes adulatórias e hipócritas. Essas pessoas, movidas por um instinto bestial, nem um pouco ideológico, não se deterão diante de nada para atingir seus fins e o dinheiro se tornará o único valor. O ser humano deixa de ser o epicentro das questões, aliás, passa a ser totalmente descartável, utilizado como mera massa de manobra, O caos está estabelecido, pois com o passar dos anos e neste momento, bem latente o mundo ter adotado o modo de vida onde predomina a adoração a uma sociedade materialista, deixando de lado a ciência e, consequentemente, sem lugar para o pleno uso da consciência. Tempos atrás não acreditar em Deus significava heresia e os hereges iam para a fogueira. Hoje, a sociedade contenta-se em mantê-los desempregados e vagando pelo mundo, sem eira nem beira, esgrimando contra os adoradores do deus dinheiro. Perversidade tomando conta de tudo ao nosso redor...

quinta-feira, 28 de maio de 2020

ALFINETADA (191)


AMOLECER OU EMDURECER – SEM PERDER A TERNURA JAMAIS...
Escrever diariamente e publicar esses textos mafuentos é algo complicado. Nem todo dia a inspiração está conspirando a favor. Tem dias em que todos te elogiam e te colocam num quase pedestal, noutros muitas veladas críticas, algumas até por debaixo do pano, com ajuda para lhe cravarem a faca nos costados. Eu estou aqui neste espaço desde 2007, com publicações diárias, possuo um lado, dele não me afasto e pago o preço pelo que escrevo. Não tenho receio de colecionar amigos, adversários, inimigos e até alguns me esperando na esquina para me dar uns tapas. Em outros, confesso, muitos me esperam também para um fraterno abraço. Nada mais me intimida. Aos quase 60, vivendo neste país hoje quase sem nenhuma esperança, sobrevivo assim, aos trancos e barrancos, com algo aprendido ao longo dos anos: não dá mais para contemporizar com quem age e conspira contra os preceitos mínimos de um mundo, onde até bem pouco tempo vivíamos sem maiores problemas, mas daqui também há muito pouco tempo, poderemos estar diante de perseguições, justamente por querer continuar o espírito livre, leve e solto.

A tal da TOLERÂNCIA ZERO faz parte hoje do meu jeito de ser. Perdi a paciência em tratar bem quem me apunhala. Vejo muitos com caras de bonzinhos, chegam até de mão estendida, rindo com aquela cara montada para a ocasião, mas pelas costas professam uma ideologia que me quer morto, daí me pergunto: por que devo continuar amenizando para esses e pegando leve? Cansei. Esse mundo internético escancarou muita coisa e tudo está mais do que explícito. De que adianta o cara se fazer de bonzinho, com algumas ações sociais, mais quer um mundo excludente, onde só o lado pelo qual sua cabeça viaja deva sobreviver e dar as cartas. Para os que perderam a noção, hoje encontraram outros iguais a eles pelas redes sociais e curtem, compartilham e ajudam a promover a desestabilização de um mundo justo. Não tenho receio nenhum de expô-los, pois já estão expostos, suas falas, escritos, curtições estão aí para quem quiser ver. Escrevo de todo mundo com a liberdade que sei administrar. Meço muito bem o que escrevo, sou até comedido, mas assim como elogio muitos e sou paparicado quando o faço, escrevo também para alguns de forma dura, pois seus posts e postura de vida se mostram não contra o que penso, mas contra o modo sociável de viver em comunidade.

Por que vou pegar leve com o cara que canta na noite todos os caras da MPB, mas posta que “precisamos boicotar esses cantores comunistas”? Vou na veia dele, pois é hipócrita. Continua cantando todos, desde Chico a Gonzaguinha, mas lá em seus posts prega contra o que esses dizem em suas letras. Como posso apoiar alguém como esse promotor aposentado, que dias atrás fez uma defesa numa carta ao jornal afirmando, “tudo o que Bolsonaro faz é ótimo para o país, continue”? Ele apoia todas as medidas favoráveis ao que pensa. E só. E foi promotor, esteve em tribunais e julgou semelhantes. Hoje mesmo, na mesma Tribuna do Leitor do JC, um outro defende o atual ministro da Educação, que diz que tem que prender e matar todos os contrários ao Bolsonaro, “começando pelos ministros do STF”. Dá para pegar leve com um cara desses? Esse tipo de gente é um atentado contra o Estado de Direito e não me contenho em coloca-los no seu devido lugar. Outro que se faz de bonzinho, o presidente do SinComercio, Walace Sampaio, que num texto anteontem jogou pesado contra todos os que querem tentar se manter vivos daqui por diante: “Chegou o grande dia para Bauru!”. Devo fazer vista grossa para gente assim?

Um desses que se fazem de bonzinhos, outro dia tive que lhe responder pelo reservado: “Seu M. por favor, se o senhor como pobretão como nós todos, resolveu ficar a defender ricos e os que nos fodem a nossa vida, a escolha é só sua, mas vir encher o saco em minhas publicações, expor sua doença em defender golpistas, peço que caia fora, pois serei obrigado a ser mal educado contigo. Detesto os que ainda não sacaram das sacanagens que estão a fazer conosco e defendem golpistas. Caia fora o quanto antes, vá procurar sua turma, bem longe daqui”. Esse até dias atrás não caiu fora, continuando me enviando posts com montagens cheias de fake News. Cravei algo contra ele e me pediram calma. Devolvo: eles possuem calma para conosco? Nenhuma. E por que deveria ter para com eles? Ah, vivemos um momento onde o confronto será inevitável e assim sendo, não será passando a mão na cabeça de defensores da ditadura que iremos sobreviver. Sou assim e pronto. Chega de pegar leve com quem não merece. Quem consegue se arrepender e enxerga a cagada onde se meteu, tudo bem, mas quem ainda segue cego, a defender a insanidade em curso, esses são irrecuperáveis.

DE ALGUNS, PENA NENHUMA E TOLERÂNCIA ZERO, MAS DE OUTROS, MUITA PACIÊNCIA E CONVERSA
Saio para ir na padaria e no caminho encontro com velha conhecida da região, uma senhora de 66 anos, empregada doméstica aqui perto de onde moro. Ela vem todo dia lá do Jaraguá, dois ônibus, todos lotados, tanto na ida como na volta, continua trabalhando, mesmo estando na idade considerada como de risco em tempos de pandemia. Evangélica, caminhamos juntos pela calçada.

- E aí, não dispensaram a senhora até agora. Continua tendo que vir todo dia?

- E posso reclamar? Não tenho esse direito, eles, os meus patrões são muito bonzinhos comigo. Reduziram meu horário, agora posso chegar até no máximo 9h e saio por volta das 16h, para não pegar o horário de ônibus lotado, mas minha rotina fora isso não mudou nada.

- E esse vírus, hem! Quando vai acabar?

- Esse não é vírus de pobre e sim de rico. Pobre continua se esfolando, indo e voltando ao trabalho, com menos ônibus, com ou sem máscara, mas não deixando de bater cartão e cumprir sua missão no mundo. O que me salva é meu Deus, ele me protege, nada mais. Peço muito a ele e não entrego os pontos. Tenho amigas que os patrões pediram para não vir, mas já não estão recebendo o mesmo valor. Outro disse para ficar em casa e quand otudo normalizar volta a chamá-la e daí, volta a pagar. Como não era registrada, ensinou ela a fazer o cadastro para receber os R$ 600 reais e assim ganha menos da metade do que ganhava. Eu não posso fazer isso, pois minha filha está desempregada e tem minhas duas netas.

- E na igreja tem ido?

- Não tenho, mas o pastor lá do bairro, ele é muito gente fina. Ele passa em casa, conhece meus horários, ele vai lá e o seu continua reservado, pois a obra não para.

- Que obra é essa? Ele está fazendo ação social de ajudar os frequentadores com dificuldade?

- Ele diz que não faz porque não consegue, a igreja é muito pequena e os custos são altos. Nesse mês, disse que muitos que estão parados deixaram de contribuir e me pediu se não podia dar um pouquinhoi mais, pois eu não parei. Ele é tão bozninho, eu dei, pois sei que ele ora por mim e pelos meus.

- E esse Governo, que coisa, né, não faz nada pelos pobres. A TV diz que ele está perdendo a confiança de quem votou nele.

- Eu não perdi, pois quem me orienta, o pastor, me diz sempre que estão armando contra ele e ele só quer o nosso bem. Eu acredito, pois lá na casa do meu patrão, a TV fica ligada o dia inteiro nessa TV Globo e eu me arrepio, pois só fala de morte e de gente trancada, enquanto eu estou bem viva, protegida e só vejo gente trancada aqui nesse bairro, lá no meu, muito pouca coisa mudou.

Chegamos na padaria e como todos por lá me olham meio atravessado, mudo de assunto, compro meu pão, pago, me despeço dela e volto pensando em como a gente vai mudar isso tudo que enfiaram na cabeça das pessoas mais simples. Algo precisa ser feito, mas como demonstrar,sem ofendê-la que ela está sendo enganada por tudo e todos?

OBS.: As fotos são meramente ilustrativas.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (137)


PATRICIA, RAINHA DA NOITE E LIDERANÇA ENTRE AS TRAVESTIS EM BAURU SE FOI E DEIXARÁ ETERNA SAUDADE

Quando morre algum importantão aqui da cidade de Bauru, o obituário do jornal ou da TV se encarregam de fazer as devidas despedidas, com todos os salamaleques devidos e indevidos. São bons nisso. Já quando morre alguém oriundo dos embates populares, gente com declarada exposição e enfronhada no meio do seio popular, talvez uma breve nota, sem cartas para o jornal e tudo em pouquíssimas linhas. Ontem faleceu alguém a merecer um baita destaque e não se pode passar em branco diante de tão valorosa pessoa humana. PATRICIA BERNARDO, 57 anos, reinou nesta cidade no mundo trans por décadas, sendo uma das mais respeitadas personagens a levantar a bandeira LGBT por essas bandas. Travesti, exerceu liderança incontestável junto aos seus e, querida pela legião no seu entorno, deixa um legado que não pode ser esquecido e nem passado em branco. Décadas de liderança, conquistada na sapiência de como conduzir as questões envolvendo a rua e quem nela atua.

Tempos atrás, quando atuei ali na Secretária de Cultura, final da primeira década dos anos 2000, ela imperava ali na esquina, dando também proteção para todos nós. Fui me aproximando, a conheci e das conversas surgiram bons textos, conhecendo um pouco mais do mundo onde ela estava, atuava e sabia se impor. Aprendi com ela a respeitar mais e mais todas as travestis. A cada reencontro, ela sempre sorridente, me contava histórias de todo tipo, desde as de violência, envolvendo drogas e mesmo os gigolôs que por ali circulavam, como muitas belas, de gente que para aqui veio, se instalou, batalhou, suou muito o corpo na beira da calçada e conseguiu ser alguém na vida com sangue, suor e lágrimas. A esquina ali no cruzamento das Nações com a Ezequiel Ramos merece uma estátua da Patrícia, com ela, ou encostada na parede do teatro ou sentada na muretinha do posto de combustível. Dali ela vigiava tudo, não só suas meninas, sempre com a devida atenção, carinho quando sentia a reciprocidade e mais dura, para não deixar a noite desandar. Fez mais, impunha respeito e não deixava a região fenecer. Era aquilo de ter uma luz mais que própria ali debaixo do poste.

Hoje pela manhã chega a notícia que ela se foi e algo me chamou a atenção. Ela conseguiu tempos atrás uma morada definitiva, após décadas pela aí pagando aluguel. Foi morar num conjunto habitacional e diziam, sua casa sempre foi um brinco. Impecável. Pois bem, quando sentiu algo baqueando dentro de si, um enfraquecimento, até por instinto, arrumou as malas e se foi para sua Arapuá, um pequeno distrito bem perto de Três Lagoas MT. Olha a imensidão do contido neste gesto, o dela perceber que se algo lhe acontecesse, que fosse na sua aldeia. E por lá se deu o desenlace. Não me perguntem o motivo, pois não sei e nem me interessei em saber. Vale mais olhar pra trás e dar a devida importância para uma que, ciente de sua condição, não se deixava vergar, estava toda noite, linda, lépida e fagueira nas esquinas noturnas desta cidade e ali reinou de forma absoluta. Perguntem para todas as que estão hoje por aí e vejam a resposta de quem foi de fato e o que representou na vida de todas elas a Patriciona, como alguns a chamavam, pois tamanho não lhe faltava.

Patrícia é dessas a merecer um livro. Histórias não lhe faltaram. Passou poucas e boas, mas também teve hilariantes e bons momentos. Grande figura humana, hoje com muitas fotos espalhadas pelas redes sociais, todas e todos de sua convivência deixando registrado algo, um carinho, relembrando algo passado juntas. Ela vai permanecer para todo o sempre no panteão das batalhadoras de rua desta insólita e complicada Bauru. Outro dia, pouco antes de falecer, outra grande desse cenário, a cabeleireira Sarah Fernandes, quando a homenageamos e saiu no bloco carnavalesco Bauru Sem Tomate é Mixto, se vendo ali na praça Rui Barbosa, me disse no reservado: “Ah, se essa praça dissesse o que já passei por aqui”. Relembro isso com todo o carinho, me ponho a imaginar o que as esquinas de Bauru já presenciaram de histórias tendo Patrícia como personagem, roteirista, protagonista e também atriz principal. Hoje ela já representa algo mais que saudade e aquela esquina nunca mais será a mesma sem sua presença física.
OBS.: As fotos aqui publicadas me foram passadas por uma de suas amigas, Valentina Pryns e me disse, foram tiradas de sua página no facebook.

EM BAURU VAI OU NÃO SAIR UM EDITAL PÚBLICO DE APOIO AO ARTISTA LOCAL? - SEM PRESSÃO TUDO SERÁ COMPLICADO, LENTO, MOROSO, DEVAGAR QUASE PARANDO
Primeiro posto um link de audio transmitido pelo Mídia Ninja, Webconferência com Secretários(as) e Dirigentes Culturais Estaduais e Municipais de Cultura para se entender algo sobre tudo o que está ocorrendo com a Cultura num todo e no país inteiro: https://www.youtube.com/watch?v=Q_r4hoZiRU8&feature=youtu.be. As discussões são muitas e, mais do que evidente que, a Cultura precisa ser melhor compreendida pelo conjunto da sociedade. Fiz questão de antes de me ater a questão local, reproduzir algo de cunho nacional, pois o que ocorre aqui na aldeia bauruense, também ocorre no país inteiro nestes tempos de pandemia e de abandono com a Cultura. Dentro de uma administração, mais do que evidente que deva existir uma abrangência para todos os segmentos. Todos passam por dificuldades e necessitando de amparo e busca de soluções. Neste post me atenho à questão cultural e tão somente dela, pois todas as demais são tratadas em outras instâncias.

Começo o meu sentido relato sobre a situação de Bauru, relembrando que aproximadamente uma semana e meia atrás eu postei algo sobre um Edital preparado pela Secretaria Municipal de Cultura através do Luiz Ricardo Ferreira, o secretário, que sensibilizado com a situação dos artistas locais, idealizou um projeto de atendimento a algo mais que latente e necessário. Ele me disse pessoalmente ter encaminhado o projeto há mais de semanas, mas tudo estava paralisado no Jurídico da Prefitura. Desde que lá chegou, tudo travou e nada mais avançou. Ele lá retornou várias vezes e nada, nenhuma resposta satisfatória e nem sei se o prefeito está a par da situação. Não me atenho a detalhes do proposto, o que pode ser buscado junto a ele. Posto a seguir algo realizado pela Prefeitura de Salto, uma cidade de menor porte que Bauru, mas na junção do que foi feito, conseguiram implantar seu projeto em tempo recorde, pouco mais de uma semana. Por que não o mesmo em Bauru? Eis o link do que foi feito lá: https://salto.sp.gov.br/concurso-cultural-abre-inscricoes-…/. O que existe em Bauru a travar essas iniciativas e, mais ainda, em tempos de exceção como este da vigência de uma cruel e insana pandemia?

Onde Bauru erra? O que faltaria para aqui também as coisas acontecerem e fluirem com maior rapidez? A resposta pode ser dada pelos próprios artistas, pois esses os vejo fazendo o que podem. Na semana passada vi uma live durando um dia todo, idealizada por alguns artistas locais, capitaneada pelo Rafael, tudo para tentar levantar recursos mínimos para sobrevivência de artistas. Será que nem isso sensibiliza o Jurídico da Prefeitura desta cidade? Percebo que, a coisa extrapola o cabedal do secretário, pois está agindo isolado e quando contando com a força de toda classe, algo de concreto poderia ser viabilizado com mais rapidez. Hoje mesmo recebo algo mais do amigo Ivo Fernandes, tentando ao seu modo e jeito fazer algo acontecer: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2721357181413938&id=2291082554441405&hc_location=ufi. Outra batalhadora para que saia algo pelos meios públicos é a artista Mariza Basso Basso, com constantes cobranças em posts diários pelas redes sociais. Eis um dos seus textos sobre o tema: "Do que é feito a cultura? Aquele modão que vc ouve no rádio, aquele instrumental, aquela novela que vc não perde um capítulo, aquele teatro que vc leva a criança no domingo enquanto a esposa faz o almoço ou que vc vai com a família. Você sabe do que tudo isso é feito? Sim senhores, de pessoas, não só artistas, mas tb técnicos, bilheteiros, copeiros, faxineiros, fotógrafos, maquinistas, marcineiros, carregadores, motoristas, arquitetos... Afff são tantas gentes... Alguns como eu, está em situação confortável, tem um dinheirinho guardado (que logo se acabará), um bem que pode ser vendido em caso de extrema urgência e uma família amorosa e solidária que jamais deixaria que faltasse nada, mas esses como eu são poucos. Deus nos proteja Deus os proteja!".

De tudo, algo bem simples, se os artistas querem ainda obter algum recurso para superar esse período, uma pressão muito grande terá que ocorrrer e JÁ, nesse exato momento. Minha contribuição é contribuir, ajudar, prestar apoio e se colocar a inteira disposição para estar junto, protestar, caminhar juntos e tentar sensibilizar os ainda irreditíveis. Ou vamos todos juntos ou ficaremos todos pelo caminho.

CARNAVAL E A DEVOLUÇÃO DE VALORES QUE NÃO DEVE OCORRER - PRESSÃO PRA CIMA DELES
Ontem, saiu publicado pelo nosso único jornal impresso, o Jornal da Cidade e depois reproduzido com regozijo pela também única rádio com jornalismo o dia inteiro, a indefectível e desacreditada Jovem Pan, ops, digo, velha Klan, que "As Escolas de Samba e Blocos terão que devolver verba". Não foi bem assim, mas pelo visto, tem muita gente já querendo comemorar isso como algo ireversível. A Justiça pode até estar considerando o repasse com problemas, mas o que ocorreu ontem foi mais um degrau dentro da Justiça. Liminares ainda passarão por debaixo desta ponte e ainda com boas possibilidades da Justiça se sensibilizar que, quem menos errou nessa questão toda foram os carnavalescos e a maior festa popular do país, essa que a Prefeitura Municipal de Bauru apenas dá o seu quinhão na ajuda para que aconteça com a pompa merecida possa ter continuidade. Nada está definido.
Tudo começou com uma ação de cunho eleitoral, inpetrada por pessoas só enxergando um dos lados da questão, nunca o outro. Existe em tudo nesta vida, sempre dois ou até mais lados, neste do Carnaval, algo bem forte e que precisa ser desmascarado é a vontade de um segmento religioso predatório, o do evangélico neopentecostal de não só desmerecer como criminalizar as festas populares, sendo sua maior ação com o Carnaval. Tem gente querendo sair disso tudo como herói e chegar ao almejado, adentrar o mundo político, tornando-se vereador. Como barrar isso? Toda e qualquer pessoa que goste de Carnaval, entenda de fato o ocorrido com a verba pública na cidade, precisa se posicionar e execrar quem joga contra e quem quer tirar proveito da situação. Os que querem o fim do Carnaval, querem por outro lado infestar a cidade de carolices e isso só tornará esta cidade mais triste, macambuzia e soprumbática. Pressão, muita pressão, demonstrando a viabilidade não só da manutenção da festa, da boa intenção da Prefeitura em manter verba para essa e tantas outras festas e eventos culturais e dar nome aos bois, ou seja, os contrários ao Carnaval não podem ser votados em hipótese nenhuma, pois além de conservadores, retrógrados, pensam pequeno e só no que lhes interessa. Cultura é muito mais que isso e o Carnaval precisa ser cada vez mais valorizado, fortalecido e defendido.

terça-feira, 26 de maio de 2020

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (79)


A QUASE EXTINTA PROFISSÃO DE REPÓRTER E UM DELES EM PLENA ATIVIDADE, MAURI ELBUENO – COMPARAÇÕES COM A SITUAÇÃO NO BRASIL
Nas idas e vindas para Buenos Aires, dez anos ininterruptos (neste interromperei), participando de Congresso/Encontro Acadêmico, aprendi a gostar não só do país, da cidade, mas do povo argentino. Circulo por todos os lugares, até já com certa desenvoltura e desde o primeiro momento, primeiro descobri o melhor jornal do nosso mundo, o Página 12 e uma rádio, a 750 AM, com programas inexistentes nas rádios brasileiras. Os ouço diariamente, principalmente, quase não perdendo um, de segunda a sexta, o La Manãna, com Victor Hugo Morales, das 9 às 12h. Dentro deste programa, travei conhecimento com algo quase extinto no Brasil, o repórter de campo, aquele que empunhando o microfone circula por toda a cidade, trazendo a notícia quando chamado dos mais diferentes pontos. Nesses tempos de pandemia, esse repórter é o que mais se arrisca, pois está principalmente nos lugares onde o vírus mais circula. Os relatos de Mauri Elbueno, um jovem repórter, que circula pela periferia buenarista com uma desenvoltura de causar inveja, dignifica uma profissão tão bela, porém, praticamente não mais existente no país. Os vejo pela TV, todos muito bem paramentados, mas na rádio, peças em extinção.

Mauri é chamado várias vezes durante toda a programação e a cada instante num local diferente, diante de uma greve, manifestação, bloqueio, inauguração, de locais onde pulsa vida humana e resistência. Nestes últimos dias, quando a pandemia, praticamente sob controle em Buenos Aires, mas com muitos cuidados nos bairros periféricos, aqui no Brasil chamados de favelas. Mauri lá está em todos eles, entrevistando pessoas nos “comedores urbanos”, iguais ao nosso Bom Prato, mas administrados pela própria comunidade e ali, no meio do povo que sofre, passa pelas ondas do rádio a versão lá na ponta, quem está a sofrer com as amarguras destes tempos. Um jornalismo na acepção da palavra. Para conhecer um pouco da rádio, eis o link: https://750.am/. Basta clicar no alto no “escuchá la radio” e para saber algo mais sobre o vibrante repórter, eis sua página no facebook:  https://www.facebook.com/mauri.elbueno. Tive o prazer de conhecer muitos desta rádio nas idas anuais até a Argentina, me tornando amigo de vários deles, dentre estes, Mauri. Hoje, aqui de minha quarentena, completando 70 dias de reclusão, fico me imaginando, se será possível voltar ano que vem para Buenos Aires e solicitar para Mauri algo que, em muito me engrandecerá como pessoa humana: pode acompanhar um dia de seu trabalho junto a essas comunidades. Muitas pessoas tem me levado a lugares que nunca iria poder conseguir conhecer sozinho em cidades como Buenos Aires e acompanhar Mauri num dia seria coroar a rara oportunidade de continuar a fazer no exterior algo que já faço por aqui, estar e caminhar junto à periferia.

Por fim, o motivo deste post, além de elogiar o belo trabalho que presencio diariamente do Mauri pelas ondas da 750Am argentina, fazer uma espécie de ODE aos repórteres de rua. “O repórter é aquele profissional que sai às ruas para buscar a verdade e repeti-la aos leitores e ouvintes. Se não estiver satisfeito, investiga. O bom repórter sabe a diferença entre a realidade e a verdade. Sabe que muitas vezes a realidade serve apenas para encobrir a verdade. Para que bons repórteres possam existir são necessários duas coisas: dinheiro e independência. A nossa grande imprensa não é independente e não é independente porque não quer, porque a independência não dá dinheiro. A nossa grande imprensa é sócia do poder e a grande maioria dos repórteres são apanhadores de press-releases que logo, logo encontram um encosto em alguma repartição municipal, estadual ou federal. Alguns bons repórteres, sabendo que não podem exercer a profissão com liberdade, tornam-se cronistas, escritores ou publicitários.(...) Eu e muitos de minha geração arriscávamos a vida por um ideal mais alto que era a verdade e só podíamos fazer isso porque trabalhávamos em jornais independentes não importa quem apoiassem politicamente. Hoje, não são os repórteres que vão atrás das notícias, mas as notícias que batem na porta da redação dos jornais e revistas para dizerem: Oi, eu sou a notícia”, texto de Fausto Wolff, no livro, “A Imprensa Livre de Fausto Wolff”, L&PM, 2004.

Na despedida uma justa lembrança para um dos maiores repórteres que este país já teve, JOEL SILVEIRA, um homem que sabia separar a verdade da realidade de superfície e além disto, escrevia com contundente lirismo, o que o tornou também num dos maiores escritores do Brasil. Com pouquíssimas exceções, não temos mais repórteres como Joel, pois são caros. Repórteres como MAURI ELBUENO, pegando o touro à unha, estando no local dos acontecimentos, mostrando ao público a versão do povo, do lado do trabalhador, do oprimido, isso acabou no Brasil, mas felizmente persiste pela aí e na Argentina neste momento acompanho atentamente o trabalho de um desses. Esse é o jornalismo que acompanho com a devida atenção, pois produz a verdade factual dos fatos. O Brasil segue no atraso e a novidade é acompanhar que várias equipes de TV estão a partir de hoje não mais acompanhando as cercanias do Palácio do Planalto, as saídas diárias do presidente, pois não mais existe segurança para produzir um trabalho sem a perseguição dos bolsomínions ali localizados. Que diferença!
OBS.: Todas as fotos foram sacadas da página de facebook de Mauri Elbueno.

DE UM PAÍS ONDE O PRESIDENTE ESTÁ AO LADO DE SEU POVO
A Argentina de hoje é o maior orgulho para toda essa América Latina. Um Governo democrático e atuando junto aos interesses deste povo, tendo como primeira atitude estar ao lado do seu povo e de suas necessidades. 
Aqui num ato na Casa Rosada, o palácio presidencial, o reconhecimento governamental para todos os que estão na frente de batalha combatendo o coronavírus. A Argentina tem um verdadeiro Presidente, enquanto que no Brasil temos um arremedo, algo a nos envergonhar. 
Que falta nos faz um presidente de verdade!

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (87)


CONVERSINHA COM VEREADOR MINHANO
Edvaldo Francisco Minhano é vereador em Bauru. Ontem postou isso pelas redes sociais: "Uma vez que o Decreto Estadual do Governador João Dória, alterou o texto e retirou a palavra "PROIBIDO" no que se referia aos cultos, missas e demais manifestações religiosas. Estive juntamente com outros vereadores na prefeitura municipal, entregando ao prefeito municipal, documento solicitando o cumprimento do decreto, e a criação de "instruções normativas" para a volta da utilização dos espaços religiosos".
Assim me manifestei junto a ele num comentário: "Quer abrir que abram, mas que assinem um documento e em caso de pegarem o coronavírus a igreja se responsabilizaria por todos os custos e despesas médicas, não onerando o serviço público. Quero ver se possuem coragem para tanto!".
Ele me respondeu hoje e desta forma: "Amigo, não tem cabimento sua proposta. As pessoas não são obrigadas a irem a cultos, missas, ou qualquer outro evento religioso. Elas vão porque querem. Quando for decretado a abertura do comércio, vamos responsabilizar os comerciantes? A constituição garante o direito à fé, as pessoas querem exercer seu direito, só isso. Para isto foram criadas regras. Devemos sempre seguir a lei, é só isto que os religiosos querem. Respeite!".
Minha resposta: "Quando o comércio for aberto no meio da pandemia proponho a mesma coisa. Eu professo minha fé de minha casa e sem problemas, faço minhas compras pelos meios virtuais, inclusive mercados, as operações bancárias, algo que abominava era instalar um aplicativo no celular, por desconfiança no sistema, mas acabei fazendo e para os que ousam irem em lugares públicos, reuniões, festas, cultos, jogos e tudo o mais que o façam isentando o serviçlo público, já quase no limite. Qual o problema em fazerem isto? Estarão colocando em risco a utilização para aqueles que se preservam e cumprem à risca a quarentena, isso sim é desrespeito".
Ele respondeu: "Voce está certo, mas existem pessoas que querem ir a igreja. Elas também devem ser respeitadas". A conversação teve prosseguimento com minha resposta: "Sim, sem problemas, então que isentem de em caso de pegarem o COVID-19, da utilização do hospital e atendimento público. Que o façam pela rede privada, pagando ou o custo sendo assumido pela igreja. Não seria mais justo eadequado?". Como demorava pra responder, fui mais longe: "Em caso de necessidade posso até redigir o documento, que seria assinado pelos fiéis na entrada dos cultos e entregue depois na Prefeitura Municipal. Me comprometo a juntar amigos e também imprimir em quantidade suficiente para todos os cultos que abrirem no período. Que acha?".
Henrique Carol Padovan entrou no circuito na defesa do vereador: "Não gaste seu tempo amigo..." . Daí, o vereador encerra o diálogo com: "Você está certo, amigo. Esta conversa está encerrada. Obrigado".
E assim fui fazer outra coisa neste final friorento de segunda-feira.
OBS.: A foto publicada é a mesma utilizada por ele quando do seu texto.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

DIÁRIO DE CUBA (200)


ENFIM, O QUE VEM A SER COMUNISMO PARA ESSES? – O CASO ODIL, EX-BAR DA ROSA E A BUSCA PELO ELO DE CONTATO

Travo – ou ao menos tento – conversa com um senhor bauruense neste momento, pelo reservado do facebook, Odil Azenha Stábile. Para quem não se lembra, esse senhor foi proprietário do Bar da Rosa, aliás, o bar original nasceu tendo como nome o de sua esposa, a Rosa. Primeiro na rua Saint Martin e hoje naquela hoje famosa esquina perto das Nações. Transformou-se em ponto de encontro de estudantes, muitos deles residindo nas imediações. Ele tocou o bar a contento, quase o fechou e quando conseguiu vender se foi para Manaus, para ajudar um irmão que o solicitava por lá. O bar continuou seguindo sua vida e os novos proprietários, numa sábia decisão resolveram continuar com o nome de antanho, de certo com acordo entre as partes. Odil e Rosa permaneceram pouco tempo em Manaus e logo estavam por aqui novamente. No retorno descobre-se algo perturbador sobre ele, pois após os reveses que a vida lhe propiciou estava mais ácido e um dos seus alvos passou a ser o ex-presidente Lula. Tudo aquilo que era repetido pela mídia ele foi assimilando e cospia fogo, algo como um mortal ódio por Lula. Passou a vê-lo como quem estava prestes a implantar o comunismo no país. Desde então, todos seus posts e mensagens passados por aí tinham algo sobre esse ódio. Nas poucas vezes que tentei travar algum diálogo com ele, acabei por reagir de forma intempestiva. Nossas relações nunca foram de amizade, mas se agora se mantém, nem sei dos motivos, pois impossível conseguir alguma conversa salutar diante de argumentos tão rasos.

Neste momento, algo novo. Ele me posta no reservado um vídeo recheado de fake News, desses do tipo onde o mínimo é rejeitar, algo de muito baixo nível. Um vídeo do pastor Joel Lopes da Silva, que me recuso a compartilhar, pois representa um desserviço para a boa informação. Como já o conheço, respondi da seguinte forma: “Nada vindo de algum pastor neopentecostal merece respeito e consideração. Viva Lula o único que fez alguma coisa por gente como tu, mesmo que hoje o renegue, mas no tempo dele tínhamos um país e hoje só passamos vergonha, país destroçado. Volta Lula...”. Ele me provocou, eu revidei. Sua resposta veio assim: “Você e Lula são comunistas”. Minha resposta: “Lula não é comunista, nem eu, mas Bolsonaro é miliciano. Alias, creio que o sr, pelo que vejo, não saiba o que vem a ser comunismo. Sabe? Me diga o que é... Agora eu sei que ser miliciano é ser bandido. Isso o Sr também sabe, né?”. Ele me respondeu: “Eu não defendo Bolsonaro, eu ataco o Lula que quis implantar o comunismo. Graças a Deus que não conseguiu, o lugar dele é na cadeia”. Mesmo ciente de nada conseguir além disso, prossegui tentando algo mais: “Mas me explique, que raio de comunismo Lula quis implantar, uma vez que ele nunca foi comunista. O que ele fez foi ajudar o pobre, foi ajudar este a ter direitos, a ser reconhecido, a ganhar mais, ter mais chances. Que mais Lula fez além disso para enxergá-lo como comunista? Enfim o que é Comunismo para o senhor?”. Ele não me responde, pois com certeza, se o fizer, vai me passar uma definição bem distante da realidade.


Sei que vão me dizer de nada adiantar continuar tentando manter diálogo com quem pensa desta maneira, mas insisto, pois sei, Odil batalhou a vida inteira, suou a camisa e não chegou onde queria, faltou algo. Encontrou alguém para culpar pelos seus fracassos e estes são Lula e o comunismo. O que me faz tentar travar diálogos é entender dessa ruptura, algo, pelo que vejo, cada vez mais de difícil conserto. Classifico Odil pertencente a classe dos pobres, dos que labutam e suam a camisa, um batalhador. Desses que para chegar até aqui, penou bastante. Já deve ter tido incontáveis contatos com os mais ricos, os que humilham e ofendem seus semelhantes. Ele sabe que estes se vestem melhor que nós, possuem melhores automóveis, viajam para a Europa, moram em belas casas, falam diferente, possuem empregados e empregadas, possuem até clubes onde se reúnem e lá os pobres são os faxineiros, gandulas de tênis, copeiros, garçons etc. Não sei se ele consegue compreender algo mais sobre isso de comunismo e capitalismo. Algo como o fim que dá objetivo à vida humana não ser a riqueza e a exploração, mas a cultura, a dignidade, a capacidade de amar ao próximo, ser cordial e solidário. Abominar isso de uns terem muito e outros não terem nada.


Ele não mais se comunicou, mesmo insistindo: “Mas me explique, que raio de comunismo Lula quis implantar se ele nunca foi comunista? O que ele fez foi ajudar o pobre, foi ajudar este a ter direitos, a ser reconhecido, a ganhar mais, ter mais chances. Que mais Lula fez além disso? E daí, seu Odil, qual o seu conceito do que venha a ser isso de COMUNISMO. O SR não acha incoerente o rico ter, por exemplo, dez carros, dez apartamentos, dez empregados, dez lojas, dez milhões em conta no banco e o pobre não ter emprego, casa para morar, comida no armário, transporte caro, não conseguir pagar mensalidade da escola do filho e nem dinheirinho para ir no bar. Por que uns tem muito e outros tem muito pouco ou quase nada. Isso não lhe diz nada?”.

Eu sei, falta um elo, algo para reestabelecer uma mínima conversação. Como proceder com esses? Neste momento precisamos de todos, uma conscientização coletiva, demonstrando o quanto todos os que depositaram bruta esperança em Bolsonaro foram enganados, ludibriados e menosprezados, pois ele mesmo acaba de dizer que “se precisar de manifestações, convoca uns bostas para empunhar bandeiras defronte o Palácio do Planalto” e estes lá estarão. Nunca vi algo parecido, a pessoa ser chamada de “bosta” e continuar apoiando. Queria descobrir um meio de conversação possível com esses todos. Ainda não descobri o elo, o fio de contato e por causa disto, não desisto, insisto e persisto, mesmo levando muitas patacoadas no percurso. Eu ainda não desisti do seu Odil.


A GRANADA NO BOLSO DO INIMIGO
O BAÚ DE MALDADES RESIDE NOS DETALHES - O ministro da Economia Paulo Guedes joga contra o trabalhador brasileiro num todo. Quer a todo custo vender e o quanto antes o Banco do Brasil, privatizar tudo no mais curto espaço de tempo e dar continuidade ao iniciado desde que Bolsonaro começou a governar, que é dilapidar o país, deixá-lo numa tanga de dar gosto, sem dignidade e na dependência total de empresas privadas e transnacionais, todas jogando contra os interesses dos menos favorecidos, da massa de desvalidos e trabalhadores, os mais pobres. A negativa para prestar qualquer ajuda aos pequenos comerciantes vai na mesma linha. Na cabeça de Guedes só existe ajuda para os grandões, nunca para os pequenos. Enquanto todos esses pequenos, ainda o defendendo, não se conscientizarem de que o inimigo reside no Governo Federal, esse barco não será virado. Com esses aí no comando, só bola nas nossas costas.

domingo, 24 de maio de 2020

FRASES DE LIVRO LIDO (152)


O QUE LEIO E COMO ME ABASTEÇO PARA QUANDO DAQUI SAIR ESTAR TININDO – A IMPRENSA LIVRE DE FAUSTO WOLFF
Adoro cada vez mais escritos como os do Fausto Wolff, pois me ajudam a manter a lucidez num país sendo descaracterizado, perdendo sua identidade, onde a maioria vegeta e não conseguem nem mais distinguir o certo do errado e na maioria das vezes enaltece o feito de quem lhe crava a estaca no peito. Digo isso com conhecimento de causa, pois é meio que inimaginável ler num texto de um promotor de Justiça aposentado, Carlos Roberto Simioni, algo desta natureza, como o faço na Tribuna do Leitor de hoje, do Jornal da Cidade – Bauru: “...não há comparação entre o que a esquerda produziu no Brasil e nos últimos anos e o que Bolsonaro representa para a nação. A esquerda é, comprovadamente corrupta, mentirosa, safada, sem vergonha e mais um monte de adjetivos negativos. (...) Desejo ver o Brasil ético, crescendo e sendo governado por gente de bem. Por enquanto, quem nos dá a expectativa é o presidente Bolsonaro”. Este senhor foi promotor de Justiça e com essa mentalidade dizia fazer justiça enquanto atuou. Essas pessoas, mesmo com todo dito estudo que tiveram, perderam totalmente a razão e estão enlouquecidas, desvairada, despirocadas, desajustadas, daí não existe nenhum outra opção, terá que ocorrer o confronto e para tanto, quero estar preparado.

Lerei enquanto aqui permanecer de quarentena  (e até minha morte) gente como Fausto Wolff, pois só assim permanecerá dentro de mim acesa a chama da liberdade e do sonho de outro mundo ser possível. Nada se dará sem confronto, tenho a mais absoluta certeza. E o que fazer quando se está a ponto de explodir? Aqui no meu isolamento eu LEIO. Minha fuga se dá com a leitura. O que Fausto Wolff escreve me conforta, me alivia e me encoraja a resistir e continuar sendo o que sempre fui. Dias atrás pedi alguns livros pela Estante Virtual, alguns já me chegaram e os devoro. O primeiro deles é “A Imprensa livre de Fausto Wolff”, L&PM Editora RS, 2004, 280 páginas. Comprei pela bagatela de R$ 6 reais, do sebo Amadeu Amadei, na Teodoro Sampaio, capital paulista e o frete me custou mais que o livro. Publico algumas frases encorajadoras, dentre tudo o que vou grifando durante a leitura e assim passo meu domingo, entre revolta e preparativos para a inevitável contenda que se avizinha:

- “A liberdade é uma carcereira terrível!”.
- “Houve uma época em que o jornalismo foi parcialmente do povo. Enquanto o poder brigava podia-se dizer a verdade. Isso se devia ao fato da maioria dos jornalistas também proceder do povo. Logo sua visão do país e dos acontecimentos não era uma visão burguesa mas principalmente classe média baixa, proletária ou sindical. (...) Quase todos entendíamos que a sociedade e as autoridades eram injustas para com os humildes e nos colocávamos ao lado deles, pois os conhecíamos bem. (...) A vida era uma aventura e ser jornalista, um orgulho, uma glória. (...) O jornalista deixou de ser o herói marginal para tornar-se uma espécie de poodle de divã, uma espécie de office-boy do poder. (...) Uns passaram a contínuos do poder e outros tornaram-se íntimos do poder. (...) Muitos que se julgavam revolucionários, no sentido humanístico e filosófico do termo, demonstraram-se apenas rebeldes. Ao primeiro sorriso já se aninhavam no colo da autoridade”.
- “O Brasil é um país, quase um continente rico demais e com gente trouxa demais para que o poder transnacional permita que qualquer candidato (sempre que ele exista) comprometido com o sofrimento nacional possa ganhar as eleições. O capital internacional (cerca de mil empresas e bancos) gastou muito tempo e dinheiro para que as coisas chegassem onde estão. Não podem permitir um jogo honesto. (...) Caso – milagres podem acontecer – o candidato escolhido pelo sistema perca, as eleições serão fraudadas”.
- “Existe algum partido de esquerda, algum partido que veja no povo o seu soberano e o fim que lhe dá significado? Se existem partidos de esquerda, por que não se unem sob uma única bandeira socialista neste momento em que os cachorros grandes estão brigando e disputam eleições? (...) As grande batalhas na TV são para nós, os trouxas, os palhaços”.
- Bem cedo descobri a diferença entre os que têm e humilham e os que não têm e são humilhados. (...) Uma coisa que aprendi de cara: tudo aquilo que era vendido aos pobres era de péssima qualidade. (...) Ao contrário das aparências, o patrão é que é o escravo do escravo, pois sem este ele não é o patrão de ninguém. As transnacionais, os bancos, as grandes redes de TV que nos convencem a consumir mais e mais todo tipo de porcarias não podem viver sem escravos. (...) Pensem bem: o domador sem o tigre não passa de um palhaço com um chicote na mão. (...) Não é preciso ser muito inteligente para perceber que uma pessoa que tem dez automóveis, dez casas, dez aviões, dez cozinheiros (façam aí a lista de vocês) e que não pode utilizá-los ao mesmo tempo só pode ser louca. Precisamos dar as costas a essas pessoas, precisamos nos afastar delas, precisamos entender que o que é bom para elas não é bom para nós”.
- “Não vivemos mais num regime de exceção. A exceção, finalmente, acabou. Transformou-se em regra. O Brasil não é um país. Virou uma firma que pode dar bons dividendos financeiros para seus donos.Logo, logo, estaremos anunciando na imprensa mundial: ‘Invista no Brazil. Salários de fome, trabalho escravo, incentivos fiscais, total ausência de sindicatos, justiça e parlamento facilmente corruptíveis, população completamente alienada e call girls pouco exigentes. Tudo isso comissão módica aos arrendatários nacionais. Tratar diretamente com os capachos no Palácio do Planalto”.
- “Os morros são governados por criminosos de direita, o resto do Brasil é governado por criminosos de direita, a televisão administrada por criminosos de direita e a grande maioria da população alienada física, econômica, cultural e politicamente. Esse é o cenário que nos envolve. Dentro dele, se um dia houver uma revolução, será provavelmente fascista”.
- “Um filme, produto de um tempo de ficção, comove o mundo às lagrimas. A realidade não comove ninguém. Nossa unha encravada é mais importante que o massacre de afegãos e palestinos. (...) Nós brasileiros sofremos há séculos uma lavagem cerebral tão constante e violenta que nos esquecemos de que as grandes propriedades são roubo em sua maioria; que as fazendas dos príncipes foi comprada com o sangue, o suor, a fome, o trabalho dos operários e dos camponeses. (...) Ser tolerante com os intolerantes é burrice”.
- “Nem sabem mais porque amam tanto o dinheiro. Só sabem que dele não abrem mão. O dinheiro que os pobres produzem é deles, segundo eles. Não está a serviço da sociedade humana. Está a serviço deles e por isso, por causa deles, o mundo é o que é: um inferno para três quartas partes dos terráqueos. (...) Em verdade, essas transnacionais não investem no Brasil. O Brasil é que investe nelas”.
- “A religião judaico-cristã e a Igreja Católica são responsáveis pela mais longa noite de ignorância, superstição e miséria que já se abateu sobre a humanidade desde o surgimento do primeiro protozoário. É fácil conferir matematicamente que foram cometidos mais crimes em nome de Deus do que em qualquer outro nome. Deus, é claro, existindo ou não, nunca teve nada a ver com isso. Os ricos sempre o cafetinizaram para explorar os pobres, manter o poder e dinheiro. (...) São criminosos que se tornaram excelentes profissionais.
Convenceram milhões de pessoas que, se rezarem, se comportarem direitinho, se não se masturbarem, não beberem e se, sobretudo, pagarem o dízimo, a vida vai melhorar”.
- “O negócio deles é vender e ter lucro e para isso precisam de um povo burro, que vem sendo imbecilizado desde 1964. (...) Opovo precisa ser crente: precisa acreditar num vigarista como o ‘bispo’ Macedo e em qualquer porcaria anunciada pela televisão. (...) O neoliberalismo não quer seres humanos em pleno uso de seu potencial. Quer vacas, consumidores passivos, gente que se deixa conduzir mesmo sem líderes: robôs famintos – mas não a ponto de não consumir. (...) A imperfeição e a patifaria são invenções do homem. Não metam Deus no meio”.
- “Sou um homem de fé porque acredito no caráter e no destino do homem que acabará por vencer seus algozes e descobrir a verdade que a realidade teima em esconder graças aos arautos da mentira a serviço do sistema de senhores e escravos que diz que os últimos devem sofrer aqui na Terra para serem recompensados num hipotético reino nos ceús. (..) Acho que os lugares mais quentes no reino das trevas estão reservados para aqueles que nos momentos de crise preferem a neutralidade. Estão, é claro, reservados também para aqueles que se dizem religiosos profissionais e cujas igrejas são arapucas para tirar um pouco do quase nada que ganham os humildes”.
- “Errado não é o povo querer casa, comida, saúde, transporte, educação, emprego e dignidade. Errado e criminoso é uma minoria ter tudo isso de mão beijada e não abrir mão de nada; ao contrário, querer que o homem se contente com esse destino e castiga-lo caso se revolte. (...) Uma das mentiras mais interessantes é a de fazer crer que acreditamos naquele que nos mente. (...) Enquanto houver um povo alienada não faltarão leões, lobos, hienas, abutres, urubus para disputar-lhe a carcaça”.
- “Uma das razões pelas quais considero o homem uma criatura inviável é a sua capacidade de só poder existir destruindo. (...) Não por ódio ou patriotismo mas por ganância de uns poucos que resulta na miséria, na fome, no sofrimento e na morte da maioria. (...) Graças a essa corja sem coração que compõe a classe dominante nosso país transformou-se num país de pedintes. (...) A certeza de que quando a direita briga, quem acaba apanhando é o eu estrou da esquerda”.
- “Como podemos convencer o brasileiro de que o petróleo é dele se a gasolina sobe, que a energia é dele se as tarifas sobem, que o subsolo é dele se ele jamais viu uma grama de ouro, que a água é dele se ela não chega à sua casa, que o Banco do Brasil é dele se ele jamais lhe emprestou dez centavos?”.

Gente, acho que já ficou longo demais. De um livro com 290 páginas, as frases aqui postadas vão até sua página 95. Qualquer dia transcrevo as demais. Já deu para ter noção do que me move e me abastece para, quando daqui sair, estar tinindo, na ponta dos cascos. Daqui pore diante, sem tréguas, sem perdão para os traidores da nação. Vamos pro pau!