PREPARATIVOS PARA UMA VIAGEM
sábado, 15 de agosto de 2026
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Essa forte frase eu a ouvi num programa de rádio e foi dita por Indio Solari,
um dos artistas argentinos mais influentes das últimas décadas, morto aos 77 anos, meses atrás e a refletir algo bem candente dentro do mundo atual. A frase reflete a postura de independência financeira e autonomia artística defendida por Indio Solari, ícone do rock argentino. Ao longo de sua carreira com os Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota e em carreira solo, ele sempre evitou as grandes gravadoras e o controle corporativo da indústria da música para manter total liberdade criativa sobre sua obra e seu destino. Isso tudo é algo lindo, porém a pergunta que não quer calar: quantos conseguem agir desta forma e jeito ao longo de suas vidas?
um dos artistas argentinos mais influentes das últimas décadas, morto aos 77 anos, meses atrás e a refletir algo bem candente dentro do mundo atual. A frase reflete a postura de independência financeira e autonomia artística defendida por Indio Solari, ícone do rock argentino. Ao longo de sua carreira com os Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota e em carreira solo, ele sempre evitou as grandes gravadoras e o controle corporativo da indústria da música para manter total liberdade criativa sobre sua obra e seu destino. Isso tudo é algo lindo, porém a pergunta que não quer calar: quantos conseguem agir desta forma e jeito ao longo de suas vidas?
Ser livre hoje é algo realmente para poucos. Obter uma independência financeira, mesmo não se tornando rico, mas podendo externar sua opinião em tudo é mais do que complicado e difícil. Observo, por exemplo, alguns amigos artistas, cantantes destas plagas e vejo o quanto gostariam de dizer o que realmente pensam sobre a situação vivenciada por eles, junto aos empresários locais e mesmo o poder público municipal, porém, se seguram, pois se o fizeram estariam selando um rompimento, assim entendido por quem detém o poder financeiro e não mais seriam contratado para apresentações.
Transporto isso para tudo o mais. Quando vejo outros tantos, participando de editais e concorrências, cientes do jogo de cartas marcadas e querendo denunciá-las, porém se o fizer, sabem de antemão, não mais ganhariam mais nada. É disso que escrevo, o de como a maioria das pessoas hoje é obrigada a se manter caladas, contidas, tudo para poder continuar fazendo parte do jogo.
Solari explicita exatamente isso em sua fala, sempre contundente. Essas pessoas agindo desta forma e jeito, não conseguindo se expressar, dizer a verdade dos fatos, são realmente livres? Evidente que, não. Essa tal de liberdade é algo muito complicado, difícil mesmo e poucos possuem, não só a coragem, mas a real possibilidade de dizer sempre tudo o que pensam. Outro dia ouvi de uma pessoa querida algo exatamente sobre isso: "Eu sei o quanto somos enganados, sei também que se reclamar, nunca mais serei chamado e passarei a constar de uma lista dos que, segundo estes donos da grana, estaria de fora, problemático. O problema, meu caro, não somos nós, são eles agindo exatamente de uma forma excludente e desta forma, limitadora, fazendo o que quer conosco. Eu preciso trabalhar e tenho que me sujeitar a isso. Gostaria de agir ao contrário, mas não posso. Você me entende?".
Num mundo capitalista predatório como o nosso, ainda na dependência de nações muito predadoras, como os Estados Unidos, nos querem sempre vivenda na dependência deles. E daí, seus asseclas locais, os tais donos do poder de onde vivemos, são reprodutores disso tudo. São tão autoritários, racistas e mais que conservadores, hoje já beirando algo nazista, daí, isso de externar sua própria opinião é algo inaceitável. Nos querem como manadas, sujeitos a tudo o que nos é imposto, sem pestanejar e reclamar. Numa placa num estabelecimento está lá: "Estamos contratando". De um desavisado e não entendendo o que de fato se passa, este me disse: "Está vendo, emprego existe, mas o que falta mesmo é mão de obra, poucos querem trabalhar". Disse a ele e este me virou a cara: "Você precisa entender e tomar conhecimento do quanto estão a pagar por este emprego. Trabalhar por trabalhar, de graça, sem direitos, lista infindável de obrigações, ganhando uma merreca, isso é o que as pessoas estão recusando. Pagando bem, o que realmente vale o trabalho, isso cada vez menos". Quantos podem realmente responder desta forma e jeito? E pior, quantos podem recusar este tipo de emprego? Isso de ser dono de sua própria economia é realmente revolucionário e libertador, mas no mundo capitalista, para muito poucos.
ATÉ ONDE CHEGA O ÓDIO DE ALGUNS À LULA - DESMONTANDO MENTIROSOS
Que existe uma fábrica de reprodução de mentiras, os tais fake news, isso todos já sabemos. Neste período eleitoral que se inicia no próximo domingo, 16/08, isto tudo estará chegando ao seu ápice, ou seja, para desqualificar o que tanto odeiam, farão de tudo e mais um pouco. Uma pouca vergonha, necessitando ser contida, pois o que menos vale para este é a reprodução da verdade dos fatos.
Cito dois exemplos bem rudimentares do que anda sendo divulgado pelas redes sociais, descaradas mentiras, algo publicado por Pasqual Storniolo, um dos dirigente da Escola de Samba Cartola, que na maioria de suas publicações, deixa claro o seu ódio ao PT, Lula e a esquerda, porém, passa de todos os limites, pois reproduz uma mentira atrás de outra, caindo num total descrédito no que faz. O mais importante disso tudo é observar da existência de uma FÁBRICA DE MENTIRAS, essa alimentando pessoas como o Pasqual, estes reproduzindo tudo o que lhes é repassado, pois é conveniente aos seus interesses. Se é verdade, se corresponde de fato ao que de fato ocorre, isso é menosprezado, pois o interesse é tentar minar Lula, porém, como já são conhecidos como reprodutores de falácias, viram motivos de piadas.
Vamos a algumas dessas publicações e ao lado a verdade dos fatos:
1.) A MENTIRA: "A Toyota formalizou o encerramento das atividades da fábrica de Indaiatuba (SP), unidade que produziu o Corolla no Brasil por mais de duas décadas. A fabricação do modelo será concentrada em Sorocaba. Cerca de 1.500 trabalhadores são demitidos. A montadora informou que os funcionários terão estabilidade até julho de 2026 e poderao contar com um pacote de beneficios, incluindo indenizações de até 45 salários e incentivos adicionais para quem optar pelo programa de demissão voluntária. #toyota #brasil #lula", bolsonaro pernambuco, Jânio Célio, Cleitinho governador - HPA: No flayer só algo sobre o fechamento e nada sobre a transferência, ou seja, tudo de caso pensado para ludibriar.A VERDADE: "A Toyota do Brasil encerrou as atividades da planta histórica em Indaiatuba unificando a fabricação do Corolla no complexo de Sorocaba.A decisão integra um plano de investimentos de R$ 11 bilhões no país até 2030 para modernizar linhas e produzir modelos híbridos. A montadora não está deixando o Brasil nem enfrentando crise financeira; a mudança visa ganho de eficiência logística", Ana Carla Moura. "A melhor parte é saber que o povo daqui nem pra gastar 1min olhando o Google pra ver se a fonte é verdadeira. Simplesmente tomam como verdade e compartilhamento desinformação kkkk", Jrcesarb. "As notícias de que a "Toyota vai deixar o Brasil" são falsas. A empresa apenas fechou uma fábrica antiga (Indaiatuba) para concentrar toda a sua produção em uma unidade mais moderna e eficiente (Sorocaba), mantendo-se ativa e investindo no país", Amarilibi. "Não é verdade assim , o contexto é. Eles fecharam essa aí em Indaiatuba pra expandir outra em Sorocaba , onde eles vão se concentrar pra maximizar a produção do corolla", Elf_27di. "Fecharam e Indaiatuba para ir pra Sorocaba onde contrataram mais de 3000 trabalhadores", Alemar Nunes.
2.) A MENTIRA: "O Grupo Casas Bahia passa por mais uma etapa de reestruturação e anunciou cortes que atingem a operação da empresa. Segundo as informações divulgadas nesta sexta-feira (14), a companhia planeja fechar 298 lojas e desligar cerca de 1,9 mil funcionários. A medida ocorre em meio aos esforços da empresa para reduzir despesas e reorganizar suas operações. A Casas Bahia já vem passando por um processo de mudanças financeiras e operacionais nos últimos anos, incluindo redução de dívidas e fechamento de unidades", Invest Brasil - HPA: No flayer só sobre fechamentos, sem nadica de nada sobre o momento atual de transferência para outro modal de vendas.
A VERDADE: "O comércio total não diminuiu, ele migrou de canal. As mesmas grandes redes que estão fechando lojas físicas de rua ou de shopping continuam registrando recordes de faturamento no digital (através de operações omnichannel). Marcas globais e nacionais fecham dezenas de filiais físicas não porque quebraram, mas porque enxugar custos de pontos de baixo desempenho e investir em centros de distribuição e aplicativos gera muito mais lucro. É claro que a chegada de gigantes como Amazon, Mercado Livre e Shopee enfraqueceu as vendas das lojas físicas tradicionais. O fator decisivo para o cliente passou a ser o preço competitivo e a comodidade de receber o produto em casa. Não precisa ser um expert em economia, basta usar a lógica: se alguém precisa comprar um livro técnico específico ou um modelo de TV específico, prefere rodar cinco lojas na cidade ou encontrar o produto em um site que entrega no dia seguinte? Quem sofre o impacto direto são as revendas de produtos padronizados. Já o comércio de experiência e serviços, como barbearias, salões de beleza, restaurantes, cafeterias, lazer e serviços personalizados, continua crescendo e se adaptando muito bem, porque isso a internet não substitui. (...) Tem gente que faz comentários e que parece viver num mundo paralelo, em cavernas ou simplesmente recusa a aceitar a evolução natural das coisas", Lidiane Gomes. "O que mudou no canal online da Casas Bahia? Parcerias com concorrentes (Marketplaces): Em vez de tentar competir apenas trazendo os clientes para o seu próprio site/aplicativo, a Casas Bahia começou a vender seus produtos (estoque próprio, chamado 1P) dentro do Mercado Livre e da Amazon. Isso deu uma alavancada forte no volume de vendas pela internet", Vinicius Alves.
3.) A MENTIRA: "ELECTROLUX FECHA TERCEIRA FÁBRICA E DEMISSÕES SOBEM PARA 2.700. Mais uma unidade da Electrolux Group está com as portas fechando. A multinacional sueca de eletrodomésticos confirmou o encerramento das operações da fábrica instalada em Jászberény, na Hungria, voltada à produção de refrigeradores embutidos e independentes", Raio Imortal Negócios - HPA: É divulgado um flayer sobre o fechamento, como se o mesmo tivesse ocorrido no Brasil, mas...
A VERDADE: "Não há anúncios de fechamento de fábricas da Electrolux no Brasil. A reestruturação recente da empresa atingiu unidades na Europa (como a de Jászberény, na Hungria) e no Chile. As operações e fábricas brasileiras continuam ativas para abastecer a América Latina", B Junior FP. "Estudem para não virar gadinho 😂😂😂, Eletrolux Hungria, Alemanha e Chile demitiu 😂😂😂😂😂", Beto Pavão 9225. "Pessoas não sabem nem ler! Onde fica mesmo essa fábrica? Ahh Lula é presidente da Hungria", Amarante Psicologia.
E depois, para lacrar, publica seguidas imagens de Nossa Senhora Aparecida,como se ela abençoasse tudo o que anda fazendo. Evite encaminhar mensagens ou posts sem antes confirmar a origem e a sua veracidade, pois o compartilhamento alimenta o alcance dos algoritmos.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (216)
Essa história merece um registro um tanto diferente e aqui o conto com a profundidade (ui!) de algo vivenciado, procurando entender todo seu significado. Eu, como todos que me acompanham sabem muito bem, sou petista, mas à moda antiga, destes realmente acreditando nas pessoas, se situando ao lado de um grupo delas, sempre no mesmo caminho e ideal de luta. Todos sabemos que, mesmo dentro do partido no qual militamos e acreditamos, nem tudo acontece da melhor forma possível. Daí, nada como seguir agrupado com quem realmente coaduna com o seu ideal de luta. Faço isso e assim não me decepciono. Podemos não constituir a maioria dentro do partido, mas de tudo, nunca me verão unidos a quem pisa no tomate e faz acordos com a parte contrária.
Este meu jeito e modo de militar. Hoje, diante desta declarada guerra nas ruas, me encontro dentro da trincheira de luta onde o ideal é eleger Haddad governador, sacando o vendilhão e sacana Tarcísio do poder. Mais que tudo, se faz mais do que necessário reeleger Lula presidente da República. Essas duas lutas me envolvem dos pés à cabeça pelos próximos dois meses. Quando me envolvo nessas duas lutas, penso primeiro no país que temos e no que queremos. Não podemos esmorecer e nem claudicar. Engulo meus sapos e muitos deles irei desdizer mais adiante, quando tudo isso passar e conseguirmos baixar a bola dessa extrema direita nos calcanhares da democracia brasileira.
Isso é uma coisa e outra foi o que fiz questão de estar ontem, me juntando ao ato em torno de um dos nomes mais atuantes hoje dentro da Câmara Federal dos Deputados, o de ERIKA HILTON, do PSOL. Quem a conhece e acompanha, difícil se manter indiferente e até contido. Quem já teve o prazer de dar aquela parada e ouvir um de seus pronunciamentos, prestando bem a atenção, uma só certeza, a de estar diante de algo novo, arrebatador. Eu já me encantei com muitos políticos e muitos deles sigo confiando meu voto e admiração, pois quando percebo uma retidão de atuação e interesses, presto meu reconhecimento desta forma e jeito, escrevinhando e sempre que posso, estando junto.
Dentro da guerra instalada nessa eleição, faltando poucos dias para a liberação da campanha eleitoral nas ruas, quem passa por Bauru na noite desta quinta, 13/8, dia dos 100 anos do nascimento de Fidel Castro é ERIKA HILTON. Ela chega trazida por organismos ligados à CUT - Central Unica dos Trabalhadores e muitas instituições ligadas à movimentos populares e, principalmente, à causa LGBT. E o lugar escolhido para seu contato com Bauru, não poderia ser mais significativo, o Ginásio Guilhermão, dentro do Campus da Unesp. Este mesmo campus, pouco mais de um mês atrás não autorizou a fala de Fernando Haddad, quando de sua passagem pela cidade, tendo este que falar em outro espaço, porém desta feita, peitou tudo o mais e ERIKA ali se apresentou.
O horário marcado para tudo ter início foi 19h e mesmo chegando, quinze minutos antes, tudo já estava devidamente lotado, ou melhor dizendo, abarrotado. Não existe como negar, a pessoa e tudo o que personifica ERIKA hoje é altamente contagiante, principalmente para o público jovem e quem não está ligado nisto tudo que está em curso e acontecendo, está ficando para trás, perdendo não só o bonde da história, como se mantendo com um discurso ultrapassado e sem atingir as massas. O vislumbrado por quem esteve presente no Guilhermão na noite desta quinta é uma amostragem bem nítida de como se faz para atingir um objetivo, sem se vergar, sem ter que modificar seu ideal de luta, porém, se adequando aos novos tempos. Toda a organização, com os tantos grupos envolvidos no evento em Bauru deram uma demonstração de, ao modo e jeito deles, um jeito bem peculiar e prático de chegar lá, ser ouvido, entendido, passar a mensagem e deixar todos satisfeitos, gente que como eu, tínhamos a certeza de na saída, estar recarregado para tudo o que ainda virá pela frente nas próximas semanas.
A construção do ato tem muito da cara atual do PSOL e na junção com o essa junção por Lula e Haddad, algo feito em conjunto, pensando seriamente no país que temos e o que queremos. A maioria do público presente era constituída de estudantes e muito além do meramente LGBT. Fiquei imensamente feliz por ver todos estes por lá e assim de soslaio vislumbrei algo novo despontando no ar, o surgimento de lideranças trans de muitas cidades do interior, todas dispostas a na próxima eleição municipal, disputar uma cadeira no Legislativo de suas cidades. Só para situar, dois exemplos marcantes, Pederneiras e Arealva. Isso, para mim, vai dar uma oxigenada em muitas Casas Legislativas por aí, como já vejo ocorrendo país afora. ERIKA tem muita responsabilidade nisso tudo.
E por fim, depois de todas as falas e participações, quando o microfone é entregue para ele, algo do que ainda não foi devidamente entendido por muitos políticos, muitos destes ligados ao expectro da esquerda. ERIKA não é só um fenômeno visual e do universo represerntado por ser uma melher trans, mas muito mais que isso. Ela está encabeçando uma alteração abrupta - e também necessária - no modo de fazer política e de fazer a mensagem chegar ao povo, eleitor e tudo o mais. Primeiro, sua atuação é impecável, depois ela pela sinceridade, objetividade e clareza no que diz e propõe, o jeito como trata o semelhante diante de si, diz muito de como falta muito na maioria dos políticos atuais. Ela veio aqui, ainda não para fazer campanha política, pois essa se inicia de fato no próximo domingo, 16/8, mas sim para falar sobre a Escala 6 x 1. Ela até fala disso, mas fala muito mais, ou seja, de tudo e muito mais, sempre com muita sensibilidade e sapiência, política e com uma vivência pessoal, de quem soube de fato extrair tudo o que a vida lhe proporcionou.
ERIKA é para mim hoje uma dessas políticas, não só de futuro, mas pela qual, devemos realmente prestar mais atenção. Ela cai como uma luva para, exatamente neste momento, façamos aquilo que todo ser humano precisa uma hora colocar em prática, o de dar um breque, ver o que está fazendo, como faz e sem alterar radicalmente, procurar entender de fato o que desponta destes novos tempos, a voz das ruas e não insistir em algo com uma roupagem mais antiga, uma pegada não mais atraindo como dantes. Ela nos ensina um caminhar um tanto diferente e quem não estiver atento, prestar atenção no que está sendo demonstrado, a tendência é ser atropelado pelo trator da História e depois, mesmo se queixando ao bispo, o carro já passou, a água já passou debaixo da ponte.
Eu fui lá no Guilhermão, me juntei a gente querida, conversei com quem pude, assuntei tudo dentro de minhas possibilidades e além de sair de lá recarregado, creio ter conseguido extrair o principal do evento, o néctar de tudo: este é um baita caminho, o de estar inserido em como fazer chegar a mensagem dessa necessária mudança, se utilizando de um discurso e prática, os dois muito bem alinhados, assim tocando um número cada vez maior de pessoas. Saio de lá com a certeza de que, ela está no caminho certo e errado está quem ainda não entendeu isso, não alterou sua rota. Se manter na lida e luta, porém, desflaudando uma bandeira com discursos que não mais atendem e nem chegam para todos é algo como perder tempo, falar para as paredes. O que vi ali acontecer no Guilhermão me abriu muito os olhos para tudo o mais que temos pela frente. Ela encontrou um caminho e além do encantamento, se faz necessário sair dali e colocá-lo em prática. Se já gostava dela, em todos os sentidos e meios, agora, ela é também um guia louvável para estarmos novamente nos fazendo entender quando nos dirigindo para essa imensidão hoje um tanto distante. ERIKA É DEZ.
Eis o que consegui gravar dela, um pequeno trecho de sua fala inicial no Guilhermão, onde por fim, falou por quase uma hora, com todos em estado de êxtase: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/927304190423677
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
DIÁRIO DE CUBA (270)
Cuba foi por várias décadas o grande sonho libertário deste planeta. Encarnado nele, FIDEL CASTRO, que neste dia 13/8 estaria completando 100 anos de vida e CHE GUEVARA, foram os dois baluartes de uma revolução que, fez a minha e a cabeça de uma geração de pessoas em busca de um outro mundo possível. Cuba resiste até hoje, cercada por todos os lados por um perverso e criminoso bloqueio, de uma nação que a quer liquidada, para ali implantar não só sua capitulação, mas sua destruição enquanto nação livre e soberana, tornando-a um satélite dos interesses deste país, os EUA, que hoje se mostram um carrasco de todos os povos latinoamericanos.
E por que lembrar de FIDEL CASTRO neste momento? Primeiro por ele estar completando 100 anos de vida, data redonda e depois, por continuar sendo um eterno símbolo de uma resistência, que não pode terminar, pois vivendo dentro deste mundo neoliberal, hoje já adentrando a perversidade da extrema-direita, precisa ser renovada e reabastecida a todo instante, não permitindo que a chama se apague. Fidel possui em condão, essa magia de nos fazer crer e por causa disto, lutar desmedidamente, sempre acreditando num outro mundo, onde os homens vivam sem as injustiças do capitalismo.
Fui verificar no monte de camisetas que tenho e uso regularmente, muitas com a estampa do Che e uma só onde Fidel aparece, lindamente, adentrando Havana em 08 de janeiro de 1959, para promover sua libertação dos grilhões da cruel ditadura de Fulgêncio Batista. Tive o prazer de em 2007, estar em Cuba, podendo circular por toda a ilha por um mês, ao lado de meu amigo Marcos Paulo Casalechi Resende, vendo in loco algo que, pelo menos uma vez na vida todos sonharam tanto em fazer: conhecer de perto a Cuba, este paraíso terrestre que um dia ousou, há apenas 100 km da costa norte-americana, implantar um regime político realmente transformador do ser humano.
Eu continuo e continuarei enquanto viver a sair pela aí ostentando no peito imagens dessa Cuba e principalmente de Fidel e Che, pois representam para mim algo como uma utopia realizável, possível e como aconteceu num lugar, luto para que se reproduza e se multiplique. Se sonhar é possível, Fidel me faz sonhar e ao abrir os olhos em cada manhã, renovar estes sonhos e lutar por eles. Hoje mesmo, essa reeleição de Lula no Brasil tem muito disso. Fidel é um dos que me fazem crer que lutar por um ideal é mais do que plausível e possível.
A trajetória impecável de vida deste grande líder sempre será para mim um alvo a ser alcançado, dentro dessa incessante busca e não é porque envelheci ou mesmo as forças se mostram adversas que devo desistir, esmorecer e abrandar a contenda. Continuo pela aí, desfraldando a bandeira cubana como algo possível. Os anos de passaram, muitos abandonaram a luta, se acomodaram, preferiram não mais digladiar contra as forças perversas a nos rodear, capitularam e tocam suas vidas, deixando de lado aquele ideal que nos moveu. Não consigo. Se cheguei até aqui, 66 anos de idade, tive dentro de mim, como uma estrela guia, ostentando como um alvo a ser buscado, o mesmo ideal de Fidel.
O socialismo de fato, como idealizado por ele, nunca foi de fato implantado, pois as forças contrárias sempre agiram para cerceá-lo, porém, ele seguiu em frente, forte e resoluto, conseguindo levar adiante o projeto cubano. Hoje Cuba resiste bravamente, tendo que abrir flancos em muitas questões, pois criminosamente fazem de tudo - e mais um pouco - pela sua extinção enquanto nação livre. Existirá um caminho, uma saída, uma forma de continuar resistindo e se mostrando ao mundo como uma opção possível. Acredito nisso e tendo Fidel como este grande líder, meu sonho continua em plena execução. Por pessoas como Fidel, não esmoreço e sempre me verão na lida e luta. E neste centenário de seu nascimento, renovo aqui a crença de que, desistir de lutar é fenecer e viver tristemente. Um homem sem sonhos e utopias não vive. Fidel me faz forte.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (256)
DUAS HISTÓRIAS VIVENCIADAS PELO HPA
Ele não demorou nem um segundo e a resposta foi certeira: "Ninguém. Você acredita que, ontem, sentei no Franz Café, esse aqui pertinho, comecinho da Getúlio, point dos abonados e por ali fiquei mais de uma hora. Sabe quantos me reconheceram? Ninguém". Rimos juntos e constatamos o quanto o tempo passa e com ele se vão aquilo tudo que um dia louvamos. Nossos feitos mais homéricos caem no esquecimento, reconhecemos. Ele não se apoquenta com isso e como ainda gosta de uma cervejinha e o Franz não serve essa iguaria, me diz estar tomando umas - ontem umas, hoje mais algumas - no bar de um posto de combustível ali perto. E dali, olhando para esses novos personagens bauruenses circulando no seu entorno, me diz como tudo está mudado, cada vez mais em cada novo retorno.
O agitado advogado, que ainda sonha em conseguir encontrar um mecenas que banque um filme sobre os cafajestes de Bauru, principalmente aqueles todos que rodearam a famosa Casa da Eny. Ele circula com um roteiro em sua pasta e está sempre pronto a entregá-lo para quem se mostre disposto a ajudá-lo. "Essa história cutuca essa cidade em suas entranhas mais perniciosas. Muitos não a querem ver vingar, mas eu quero e conheço as histórias todas, pois vivenciei aquele período de dentro de suas vísceras. Tem muita gente ainda vivo, mas a maioria já morreu e assim como Jorge Amado relatou aquelas histórias dos bataclans baianos, o nosso aqui foi até mais portentoso que aqueles. Um dia irei conseguir levar adiante este projeto revolucionário. Não desisto fácil", me diz.
Ele pode ter envelhecido - em barris de carvalho -, mas sua memória continua ativa e lembrando de tudo. Cita nomes de gente do seu tempo a todo instante, alguns dos quais eu já nem mais me lembrava. Lembra e conta algo do cidadão ou cidadã, como se estivesse revivendo naquele momento algo vivenciado numa época, que não sai de sua cabeça. Sentar com ele para uma prosa é ir resgatando histórias, ouvindo e tomando conhecimento de particularidades desconhecidas, algumas muito picantes, ou seja, deixando a coisa vai longe e ele tem sempre algo novo, pois sua mente continua com a mesma efervecência de antes.
Ele saiu de Bauru décadas atrás, após ser o primeiro vereador do PT eleito na cidade, foi viver na França, casou, tornou-se pai e depois voltou, advogou, morou em Palmas, lá no Tocantins, agitou muito por lá, voltando para a França. Neste momento, está decidindo se volta ou se fica, aqui, São Paulo ou a França. Com uma mochila às costas circula pela aí e cruzando com ele, pare, assunte, provoque o danado e passe um tempo ouvindo algo, histórias de todo tipo e com personagens sempre muito conhecidos. Conhecidos de outros tempos, pois como tivemos uma prova hoje, poucos ainda o conhecem, mas tomar conhecimento de como a coisa acontecia nas entranhas bauruenses no seu passado não tão glorioso é mais do que instigante, provocante e arrebatador. Ele sabe coisas que até deus duvida. Duvida? Tire a prova o encontrando.
2.) E AGORA SUA CASA PEGOU FOGO E O VEJO PERAMBULANDO PELAS RUAS, SEM EIRA NEM BEIRA"Bom dia, Henrique. Tudo bem? O morador da casa da rua Maria José se chamava Silvio Carlos Scaraboto. Era meu amigo da quinta série no Ernesto Monte. Silvinho tocava cavaquinho e por essa condição nos aproximamos. Com o passar dos anos cada um seguiu seu caminho. Um "oi" aqui um "como vai ali", na época sempre simpático, educado, comunicativo e sorridente. Ele chegou a fazer alguns trabalhos para um dos meus irmãos que tinha uma serigrafia (ele desenhava artes para impressão). Depois fiquei sabendo que estava morando em Campinas e tinha uma agência de publicidade bem sucedida por lá. Muitos anos depois, lá por volta de 2005, talvez reencontrei o Silvinho em Bauru. Me procurou pedindo trabalho. A agência tinha fechado, brigou com seu irmão de quem era sócio e voltou a morar com os pais. Estava esquisito. O sorriso tinha desaparecido. Andava desconfiado, cheio de teorias da conspiração, difícil de conviver", assim um amigo descreve em poucas linhas como foi a vida do morador da casa que pegou fogo recentemente.
Eo conheço de vista há muito tempo e ouço suas histórias desde então. Desde a morte dos pais, seu círculo se fechou e ele, foi ficando cada vez mais sózinho. Por causa deste "difícil de conviver", vivia só, cada vez mais isolado. Um dos lugares que o via constantemente era no espaço do Supermercado Confiança Nações, bem próximo de sua casa. Tempos atrás, tinha uma grande asa delta instalada defronte a fachada do imóvel e isso sempre me despertou a curiosidade. Pelos comentários de todos, principalmente vizinhos, os que com ele tiveram alguma convivência, estava cada vez mais difícil se aproximar e conversar. Vivia assim e dizem, sem existir certeza, possui uma aposentadoria, o que lhe garante não passar fome. E tudo desemboca neste incêndio em sua casa, consumindo-a quase por completo. Internamente restou um veículo, que ele não colocava em funcionamento há décadas. Buscaram o veículo para proteger de saques, mas e ele, como anda?
Dois dias atrás o revi nas ruas e este o motivo deste escrito. Comentam dele não estar podendo voltar para sua casa, pois não sobrou sequer um teto para se abrigar. Estava no hall do prédio da Unimed, ali na Rio Branco e ele zanzando por ali, sem rumo, olhando para os lados. Andou até defronte uma unidade da Paschoalotto, ali ao lado, sentou numa mureta e ficou fumando, olhando para longe, um horizonte perdido. E dali, pelo que dizem nas imediações de sua casa, tem dormido debaixo de marquises e se tudo já estava ruim, agora infinitamente pior. Tudo o que sei é no campo das hipóteses e aqui passo, até para um pensar coletivo. A solidão é algo muito perturbador. Tem quem goste, mas se assim o vive, não abandona as relações com os demais. Sem vínculos e com alguma perturbação, tudo é elevado para níveis indescritíveis na condição humana. Penso que, diante de tudo, algo precisa ser feito. Todos estão muito preocupados e alguns poucos devem estar realmente o ajudando, prestando aquele auxílio para alguma continuidade de sua vida. Na verdade, as histórias se repetem e de todos que tenho ouvido, que o viram pelas ruas por estes dias, se sentem incomodados vendo-o na situação atual. Enfim, o que pode realmente ser feito para buscar uma solução pro Silvio, eis a questão. E quando algo desponta assim, com tantos pensando juntos uma solução, uma grande possibilidade dela surgir, uma luz no final do túnel e assim, ele numa outra situação.
Isso tudo me remete a estes tantos hoje abandonados nas ruas de nossas cidades. Cada qual possui uma história de vida por detrás de si. Muito me comove observar como se desenrola a vida destes tantos hoje vivendo em situação degradante. Não dá para circular por uma calçada, ver um ser humano dormindo largado de atravessado no meio dela, pular o mesmo e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. Isso ocorre com muita frequência. Ali mesmo perto do Confiança Nações, debaixo de uma marquise do viaduto, observa-se famílias em rodízio. Existem lugares de abrigo e dias atrás quando perguntei a um deles sobre o Albergue Noturno, me disse que por lá é muito bem recebido, porém por poucos dias, pois o sentido de sua existência é o da transição temporária. Silvio está provavelmente adentrando essa nova condição de vida. Isso encurta a vida de qualquer ser humano. Escrevo isso em forma de desabafo e buscando uma forma de resgatá-lo, porém, não só a ele, pois se a sua história nos comove, em cada um pelas ruas, a mesma situação, exposta como chaga diante de nossos olhos. Com um pouco mais de sensibilidade humana tocamos melhor nossas vidas.
1.) DAS ANDANÇAS PELA AÍ, PENINHA CIRCULA UNS DIAS PELA CIDADE ONDE JÁ FEZ E ACONTECEUPeninha, ou melhor, Oswaldo Penna Jr, filho do seu Oswaldo Pena, o da revista Cadência é um ser polêmico por natureza. Gosta de provocar tsunamis por onde passe e como está por alguns dias circulando pela Bauru, lugar onde um dia, algumas décadas atrás, fez e aconteceu, tenham certeza, se ele pousou por aqui, algo está para acontecer. Eu como gosto de provocá-lo, nos encontramos hoje numa tour, onde foi inspecionar antigos locais, que um dia chamou de seu, paramos para um xixi no Confiança Max e diante de tanta gente no nosso entorno, digo a ele: "Meu caro, antes eu descia a feira e conhecia todo mundo, hoje não conheço mais ninguém. E você aqui, que tanto barulho já provocou por essas bandas, quantos te reconheceram aqui na região da Getúlio?".
Ele não demorou nem um segundo e a resposta foi certeira: "Ninguém. Você acredita que, ontem, sentei no Franz Café, esse aqui pertinho, comecinho da Getúlio, point dos abonados e por ali fiquei mais de uma hora. Sabe quantos me reconheceram? Ninguém". Rimos juntos e constatamos o quanto o tempo passa e com ele se vão aquilo tudo que um dia louvamos. Nossos feitos mais homéricos caem no esquecimento, reconhecemos. Ele não se apoquenta com isso e como ainda gosta de uma cervejinha e o Franz não serve essa iguaria, me diz estar tomando umas - ontem umas, hoje mais algumas - no bar de um posto de combustível ali perto. E dali, olhando para esses novos personagens bauruenses circulando no seu entorno, me diz como tudo está mudado, cada vez mais em cada novo retorno.
O agitado advogado, que ainda sonha em conseguir encontrar um mecenas que banque um filme sobre os cafajestes de Bauru, principalmente aqueles todos que rodearam a famosa Casa da Eny. Ele circula com um roteiro em sua pasta e está sempre pronto a entregá-lo para quem se mostre disposto a ajudá-lo. "Essa história cutuca essa cidade em suas entranhas mais perniciosas. Muitos não a querem ver vingar, mas eu quero e conheço as histórias todas, pois vivenciei aquele período de dentro de suas vísceras. Tem muita gente ainda vivo, mas a maioria já morreu e assim como Jorge Amado relatou aquelas histórias dos bataclans baianos, o nosso aqui foi até mais portentoso que aqueles. Um dia irei conseguir levar adiante este projeto revolucionário. Não desisto fácil", me diz.
Ele pode ter envelhecido - em barris de carvalho -, mas sua memória continua ativa e lembrando de tudo. Cita nomes de gente do seu tempo a todo instante, alguns dos quais eu já nem mais me lembrava. Lembra e conta algo do cidadão ou cidadã, como se estivesse revivendo naquele momento algo vivenciado numa época, que não sai de sua cabeça. Sentar com ele para uma prosa é ir resgatando histórias, ouvindo e tomando conhecimento de particularidades desconhecidas, algumas muito picantes, ou seja, deixando a coisa vai longe e ele tem sempre algo novo, pois sua mente continua com a mesma efervecência de antes.
Ele saiu de Bauru décadas atrás, após ser o primeiro vereador do PT eleito na cidade, foi viver na França, casou, tornou-se pai e depois voltou, advogou, morou em Palmas, lá no Tocantins, agitou muito por lá, voltando para a França. Neste momento, está decidindo se volta ou se fica, aqui, São Paulo ou a França. Com uma mochila às costas circula pela aí e cruzando com ele, pare, assunte, provoque o danado e passe um tempo ouvindo algo, histórias de todo tipo e com personagens sempre muito conhecidos. Conhecidos de outros tempos, pois como tivemos uma prova hoje, poucos ainda o conhecem, mas tomar conhecimento de como a coisa acontecia nas entranhas bauruenses no seu passado não tão glorioso é mais do que instigante, provocante e arrebatador. Ele sabe coisas que até deus duvida. Duvida? Tire a prova o encontrando.
Eo conheço de vista há muito tempo e ouço suas histórias desde então. Desde a morte dos pais, seu círculo se fechou e ele, foi ficando cada vez mais sózinho. Por causa deste "difícil de conviver", vivia só, cada vez mais isolado. Um dos lugares que o via constantemente era no espaço do Supermercado Confiança Nações, bem próximo de sua casa. Tempos atrás, tinha uma grande asa delta instalada defronte a fachada do imóvel e isso sempre me despertou a curiosidade. Pelos comentários de todos, principalmente vizinhos, os que com ele tiveram alguma convivência, estava cada vez mais difícil se aproximar e conversar. Vivia assim e dizem, sem existir certeza, possui uma aposentadoria, o que lhe garante não passar fome. E tudo desemboca neste incêndio em sua casa, consumindo-a quase por completo. Internamente restou um veículo, que ele não colocava em funcionamento há décadas. Buscaram o veículo para proteger de saques, mas e ele, como anda?
Dois dias atrás o revi nas ruas e este o motivo deste escrito. Comentam dele não estar podendo voltar para sua casa, pois não sobrou sequer um teto para se abrigar. Estava no hall do prédio da Unimed, ali na Rio Branco e ele zanzando por ali, sem rumo, olhando para os lados. Andou até defronte uma unidade da Paschoalotto, ali ao lado, sentou numa mureta e ficou fumando, olhando para longe, um horizonte perdido. E dali, pelo que dizem nas imediações de sua casa, tem dormido debaixo de marquises e se tudo já estava ruim, agora infinitamente pior. Tudo o que sei é no campo das hipóteses e aqui passo, até para um pensar coletivo. A solidão é algo muito perturbador. Tem quem goste, mas se assim o vive, não abandona as relações com os demais. Sem vínculos e com alguma perturbação, tudo é elevado para níveis indescritíveis na condição humana. Penso que, diante de tudo, algo precisa ser feito. Todos estão muito preocupados e alguns poucos devem estar realmente o ajudando, prestando aquele auxílio para alguma continuidade de sua vida. Na verdade, as histórias se repetem e de todos que tenho ouvido, que o viram pelas ruas por estes dias, se sentem incomodados vendo-o na situação atual. Enfim, o que pode realmente ser feito para buscar uma solução pro Silvio, eis a questão. E quando algo desponta assim, com tantos pensando juntos uma solução, uma grande possibilidade dela surgir, uma luz no final do túnel e assim, ele numa outra situação.
Isso tudo me remete a estes tantos hoje abandonados nas ruas de nossas cidades. Cada qual possui uma história de vida por detrás de si. Muito me comove observar como se desenrola a vida destes tantos hoje vivendo em situação degradante. Não dá para circular por uma calçada, ver um ser humano dormindo largado de atravessado no meio dela, pular o mesmo e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. Isso ocorre com muita frequência. Ali mesmo perto do Confiança Nações, debaixo de uma marquise do viaduto, observa-se famílias em rodízio. Existem lugares de abrigo e dias atrás quando perguntei a um deles sobre o Albergue Noturno, me disse que por lá é muito bem recebido, porém por poucos dias, pois o sentido de sua existência é o da transição temporária. Silvio está provavelmente adentrando essa nova condição de vida. Isso encurta a vida de qualquer ser humano. Escrevo isso em forma de desabafo e buscando uma forma de resgatá-lo, porém, não só a ele, pois se a sua história nos comove, em cada um pelas ruas, a mesma situação, exposta como chaga diante de nossos olhos. Com um pouco mais de sensibilidade humana tocamos melhor nossas vidas.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
BEIRA DE ESTRADA (211)
Eis meu último texto, de onde extraio considerações destes nove dias passados na capital paulista. Andei por todos os lados e quero aqui relatar algo de como é mais do que perceptível o tal do conservadorismo do povo paulista.
O motorista do Uber é um senhor de aproximadamente uns 65 anos, muito simpático e conversador. Falávamos de tudo e no meio da conversa, dia a ele ter vindo recentemente, algumas outras vezes, sempre rapidamente para Sampa e numa delas só para assistir no Allianz Park a um show de Gilberto Gil. O homem se transformou de uma hora para outra e rispidamente me disse: "Eu não assisto show deste comunista nem de graça". Levei um susto, pois se Gilberto Gil era comunista, até então eu não sabia. Pensei na melhor forma de continuar a conversa até o final da viagem sem altercações e mesmo já ciente de que a resposta poderia ser a pior possível, lhe disse: "Puxa não sabia que ele era comunista. Aliás, nem eu sei bem o que venha a ser isso. O que o senhor entende por comunista? Poderia me explicar, até para entender melhor". Ele, antes tão cordial, mudou o tom e me disse: "O sr é comunista como ele?". Preferi me calar, pois vi que, poderia ter a viagem interrompida e ser deixado no meio da mesma, num lugar incerto e não sabido. Me digam, existe como argumentar ou querer que pessoas como ele entendam o engano onde estão encralacrados?
Levei a mala para consertar num endereço famoso no centro paulistano, sendo atendido pelo filho do proprietário, herdeiro do pequeno negócio. Estávamos travando uma alvissareira conversa, ele me dizendo dos quase 50 anos de portas abertas, tudo iniciado pelo seu pai e coisa e tal. Foi quando, nem sei como levamos a conversa para o tema da política e assim sem mais nem menos, ele fez questão de deixar bem claro o lado que defende, sem que, em nenhum momento até então havíamos tocado neste assunto. "O país precisa ficar livre desse ladrão de nove dedos. Tá tudo ruim por causa dele". Vi que, se ousasse responder teria problemas e como havia pedido urgência no conserto, precisando da mala pronta em no máximo três dias, quando retornaria para Bauru, me calei. No retorno, mala pronta, valor combinado pago, eu tomo a iniciativa, após ouví-lo sobre os problemas do momento: "Sim poderíamso estar melhor, mas se o Bolsonaro tivesse sido reeleito, creio eu, nem este negócio iniciado por seu pai estaria mais aberto, pois o país estaria no fundo do poço". Foi o gancho para ele se ruborizar, se avermelhar e querer me demonstrar o indemostrável. Discutimos um pouquinho e pedi a ele para ter bom senso, pois nem relações internacionais normais tínhamos mais. Quando percebi, não existia nenhuma possibilidade de fazer ele enxergar algo diferente do que pensa, me despedi e fugi dali o quanto antes.
Na Convenção do PT que havia presenciado, peguei alguns bottons e num deles, que sai grudado em minha lapela semana inteira, a inscrição "Fim da Escola 6 x 1 Já!". A coisa ia passando batida em quase todos os lugares, mas num deles, o senhor na fila da padaria, final de tarde, eu comprando pãezinhos quentes, olha pra mim e diz não concordar com essa escala, pois "o país precisa de mais trabalho". Prosopopéia conservadora. Iria me calar, mas acabei por lhe dizer: "Meu senhor, fui bancário, sempre trabalhei na escola 5 x 2, depois como funcionário público a mesma coisa, como professor também. Qual o problema, se antes podia, por que agora não pode? Isso de querer que o trabalhador faça uma escravocrata escala de 7 x 0 é bom só para um dos lados. Escravidão é coisa do passado e isso nem é decisão política, mas de bom senso". Ele resmungou, mas a moça do caixa me agraciou com uma piscadela.
Na fila dos frios, dentro de um supermercado, peguei a minha senha e fui aguardar ser chamado. Em poucos instantes um burburinho de confusão junto das pessoas que estavam a pegar suas senhas. Um vetusto senhor, aproximadamente uns 70 anos, ao pegar a senha "124", se negou a pegá-la e estava esbaforido a gritar em alto e bom som: "Eu não quero essa senha de jeito nenhum. Este número não me representa. Sou muita macho". E ficou lá no patati patatá. Incrédulos, a maioria dos presentes à esdrúxula cena. Uma senhora ao meu lado, se dirigindo a mim: "Ainda existe isso? Isso me parece um caso de afetamento a demonstrar algo pronto para explodir, um desejo incontido". Ri e lhe disse: "Deve ser bolsonarista, no mínimo". Ela riu, ou seja, concordou.
Dos quatro exemplos vivenciado, algo bem representativo, nenhuma mulher. Todos os diálogos forma travados com homenes e duas mulheres se mostraram contrárias a algo em curso, daí a pergunta que não quer calar: Seria mesmo o homem muito mais conservador do que a mulher? E daí, estes já com a cabeça revirada e sem volta, pensam até em dar prosseguimento em ideia de jerico advinda de Donal Trump e dos perniciosos religiosos que o seguem, propondo que a mulher deixe de votar. Como a famiglia Bolsonaro diz amém para tudo o que Trump apregoa, creio, pensam do mesmo jeito, ou seja, da pior maneira possível. Vota neles só quem está mesmo já dominado pelo obscurantismo.
POSTERIORES COMENTÁRIOS:
1.) "Pois é seu Zé?!!! Modestamente, vejo esse estado de coisas, por ti relatado, meu preclaro HPA, como resultante duma lavagem cerebral sistemática, desde o final da década de 1950, quando os filhotes do tio sam, comandados pela poderosa mão de sião, tentam colonizar ou re-colonizar províncias sul-americanas, incluindo nosso maravilhoso país. Há cerca de 3/4 semanas passadas vivenciei situação parecida com sua (Uber), quando precisei de um carro para trasladar do Tauste até minha casa, e por causa dessa suprema ignorância sobre o comunismo, recebi um e-mail da operadora, pedindo explicações sobre meu comportamento dentro do veículo, e que eu havia infringido regras e normas da empresa, ou seja, o motorista sentiu-se ofendido por mim, gravou o diálogo e encaminhou para a administradora do aplicativo. Vida que segue...", MILTON EPSTEIN
2.) "A cidade de São Paulo votou Lula: 47,5% com votos da periferia, já o minto ficou com 38%, vc conversou com a classe média, homens mais velhos, típicos bolsominions", IZABEL CRISTINA RODONDO PINA
3.) "Não consigo compreender a falta de raciocínio... ACEFALIA ?????", ANA MARIA DE CARVALHO GUEDES
domingo, 9 de agosto de 2026
COMENDO PELAS BEIRADAS (188)
Eu passei uma semana fora de Bauru, mais precisamente em Sampa, com algo publicado por aqui. Procurei nestes dias dar uma boa espairecida, ou seja, flanei um bocado. O fiz até por necessidade de recarregar baterias e me preparar adequadamente para tudo o que teremos pela frente.
Não me desliguei de nada. Na verdade, estive até mais atento, porém longe da aldeia bauruense. Tanto não me desliguei que, no segundo dia estando por São Paulo, tomando conhecimento da Convenção Nacional do PT, a que homologava Lula como candidato à sua própria sucessão, evento ocorrido no Expo Center Norte, para lá fui e ali teve início ao processo que pretendo dar, não só continuidade, como alavancá-lo daqui por diante.
Como é sabido até pelas pedras do reino mineral, o país está em polvorosa, com fake news sendo repassados diuturnamente e ininterruptamente, como forma de desqualificar Lula, o PT, a esquerda e tudo o que ouse fazer frente a essa avalanche da extrema-direita, capitaneada não só pela famiglia Bolsonaro - os piores possíveis -, como tambpem pelo mandatário do poder nos EUA, Donald Trump e Marco Rubio.
Diante de tudo o que certamente ocorrerá com este país nos próximos dois meses - o período da campanha eleitoral -, a estada em São Paulo neste momento, quando tudo tem início serviu e muito para me reciclar e me preparar para tudo o mais. Na verdade, todos sabemos, acontecerá de tudo nestes dois meses e a partir dessa premissa, deve-se estar preparado para tudo - e mais um pouco.
Portanto, não se assustem, pois se deixar de lado publicações sem a pegada forte da política, isso tem motivo e creio, assim devio proceder, pois engajado como estou e ciente do que ocorrerá ao Brasil se a extrema-direita ganhar o pleito, estarei nas ruas e lutas - todas as que puder -, dando meu irrestrito apoio, meu esforço pessoal para não permitir o pior. Por tudo o que já está sendo anunciado, o retrocesso será incomensurável e diante disso, cá estou, dando o meu quinhão, colocando minha cara à tapa, como sempre o fiz e, espero, poderei continuar a fazê-lo.
Amanhã será tarde demais, pois a grande luta estará acontecendo hoje, neste exato momento e se omitindo, deixando a coisa rolar e não participando efetivamente da luta de resistência e de apoio para Lula Presidente e Haddad Governador, tenham certeza, não conseguirei viver. Sim, o caso é mais grave do que podemos imaginar. Portanto, descansado e revigorado, após uma semana mais amena, estou pronto para tudo o que vier pela frente. Não posso pensar somente em mim, mas em Bauru, São Paulo e no Brasil, num todo. Estou arregaçando as mangas e predisposto a cumprir adequadamente o meu papel como cidadão.
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