sexta-feira, 3 de julho de 2026


UM PISCINÃO PARA DESFRUTE DOS ABASTADOS BAURUENSES
Essa história merece ser contada em detalhes, daí a necessidade de alguns parágrafos. Escrevinho meus textos por aqui e ainda encontro quem regularmente me lê. Isso me enche de interior contentamento. Hoje, sou acionado pelo telefone por um morador das imediações do Jardim Estoril IV, um imponente e pomposo comdomínio fechado, encravado ali nas imediações do Jardim América - tudo no entorno é para mim Jardim América -, coração da Zona Sul bauruense. Na região, além do condomínio, onde dizem, a alcaide comprou casa e reside no local, no entorno ainda uma área sendo ocupada. Tem muita coisa se instalando na região, numa efervescência a olhos vistos.

Ele, o morador, me pede seja mantido no anonimato, pois é amigo de todos e não quer se indispor com ninguém, mas queria que fosse com ele verificar algo em curso no local. Vou e ele me mostra o motivo de ter solicitado minha presença. Bem na porta de entrada do condomínio, esquina, coisa de 100 metros, um pomposo piscinão, um dos únicos na cidade. Descemos do carro e ele me explica que, os problemas da região foram todos resolvidos. Por ali, zero problemas de alagamentos ou algo parecido. Ele se diz favorecido, porém, diante do que vê acontecendo em outras áreas, nada nobres da cidade, diz textualmente: "Isso aqui foi coisa mandada. Aconteceu aqui, quando deveria ter sido feito em primeiro lugar em áreas críticas da cidade. Por que o privilégio?". A pergunta ele mesmo responde e deixa claro. "É muito mais fácil atender, neste momento vivivo pela política local, algo aqui na minha região, do que na periferia ou nas proximidades de áreas constantemente alagadas. Nem preciso te explicar o por que disso, né?". Entendi tudo.

Ele não me levou até lá só para mostrar o piscinão, mas fez questão que rodasse,observando o que foi feito com o novo esquadriamento de ruas no local. "Até bem pouco tempo, isso tudo era um terreno só, matão alto, mas em pouco tempo se transformou em ruas devidamente asfaltadas e agora esse boom imobiliário em curso. Essa explosão tem nome e sobrenome. Te digo tudo, mas não conte assim explicitamente, pois com certeza vai te criar problermas. Porém, é bom que saibas, nada nessa cidade acontece por acaso. Tudo é premeditado e aqui é um ótimo exemplo. De uma hora pra outra, uns poucos foram muito beneficiados e quem auxiliou de forma presente, rápida e eficaz, foi a Prefeitura Municipal de Bauru. Eu moro aqui, fiquei feliz em ver tudo resolvido, mas não vejo a mesma eficiência para resolver os problemas da periferia da cidade".

Isso que ouvi e vi com meus próprios olhos é a pura realidade. Tratam-se de suas obras, uma acontecendo em paralelo com a outra, mas no frigir dos ovos, com ligação umbilical. E, como sempre, atendendo em primeiro lugar a já privilegiada Zona Sul de Bauru. Neste caso, tendo como fato coincidente ser também o local de morada da alcaide municipal. Quando pergunto ao morador se tudo não seria mera coincidência, ele ri, não desconversa, mas não posso - e nem devo - publicar o que me disse. "Meu caro Henrique, como você mesmo diz em alguns dos seus textos, que eu leio regularmente, até as pedras do reino mineral sabem como as coisas acontecem nessa terra varonil. Não entre em detalhes, deixe tudo em aberto e assim faça as pessoas pensarem, botando a cuca pra funcionar. Dois e dois nem sempre resulta em quatro. Não é porque moro aqui, sou beneficiado por tudo isso, que deixo de enxergar. Sou bauruense de velha cepa e te chamei aqui, pois sei você não vai ficar queito e a partir de agora, toda vez que passar por aqui, olhe isso tudo com outros olhos e saiba como tudo se deu. Está lindo, beneficiou a todos por aqui, mas o mesmo não acontece no restante da cidade. Deixe a pergunta no ar: e por que não também pra Bauru num todo? Quantos outros piscinões estamos precisando? Quantos outros traçados como este aqui precisariam ser possibilitados e não o são? Por essas e outras te confesso, sem medo de errar: é um delícia morar na Zona Sul bauruense".

quinta-feira, 2 de julho de 2026

BAURU POR AÍ (253)


A BAURU PRIVILEGIADA
"Fiz uma pergunta ao Google e a IA me respondeu. A pergunta foi... "A QUADRA 15 DA RUA JOAQUIM DA SILVA MARTA EM BAURU POSSUI ESTACIONAMENTO ROTATIVO?", vejam a resposta na foto ", pergunta feita pelo munícipe Montinegro Monti, diante deste novo momento vivenciado por Bauru, quando a alcaide Suéllen Rosin espalha e amplia a Zona Azul, de cobrança estacionamento rotativo, finalidade arrecadatória, porém esquece (sic) de fazê-lo somente na quadra onde está localizada, igreja evangélica neopentecostal de propriedade de sua família. Al Capone escapou de quase tudo, caindo nas garras da lei por um detalhe. Não seria o caso?

REPERCUTINDO:
"Se for verdade, é um verdadeiro milagre na cidade em que a Zona Azul avança como a Peste de gafanhotos descrita na Bíblia. Mas, para além do escândalo em que se transformou o esquema caríssimo do Dedo Duro - o carro que passa pelas ruas como Poncio Pilatos a ceifar o dinheiro de motoristas incautos e mal educados - a ação inusitada de um munícipe teria mostrado que uma única quadra da rua Joaquim da Silva Martha não tem Zona Azul. É justamente onde fica a igreja evangélica de propriedade da família da prefeita bolsonarista e tarcisista, Suelen Rosin. Segundo o jornalista Henrique Perazzi de Aquino, foi a resposta dada pela Inteligência Artificial à pergunta do criativo munícipe sobre a transformação daquela importante artéria bauruense em via com estacionamento rotativo e pago. Em Bauru, pães e peixes não se multiplicam. Mas taxas, contratos milionários em fim de governo, sim. Se serão cumpridos ou não, pouco importa. A prefeita não será crucificada. Ela não é filha de Deuxx. No máximo, seria sua sócia", jornalista Ricardo de Callis Pesce. 

A CÂMARA DO CARIMBO ou ACABANDO O DOCE - POR FERNANDO REDONDO
Entre a CEI da Área Azul e a reforma administrativa questionada pelo Ministério Público, a sessão de 30 de junho expôs uma pergunta incômoda: quem fiscaliza o poder quando a maioria prefere acompanhá-lo?

A sessão da Câmara Municipal de 30 de junho mostrou que Bauru vive mais do que uma crise de mobilidade ou um debate sobre cargos públicos. O que está em discussão é o próprio papel do Legislativo diante de um Executivo que conta com ampla maioria e rara disposição para ouvir o contraditório.

O primeiro embate girou em torno da CEI do Estacionamento Rotativo. A revolta popular com a expansão da Área Azul e com o novo modelo de fiscalização automatizada transformou uma questão administrativa em problema político. O cidadão viu placas tomarem ruas antes livres, multas que podem se multiplicar e um contrato milionário ser executado sem que o debate público acompanhasse a velocidade das decisões.

O segundo ato da sessão foi ainda mais revelador. O Projeto de Lei nº 13/2026, que trata da reforma administrativa da Prefeitura, chegou ao plenário carregando questionamentos semelhantes aos que motivaram a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Procurador-Geral de Justiça, Plínio Antônio Brito Gentil, contra a legislação anterior.
Estela Almagro, ao lado de Eduardo Borgo e José Roberto Segalla, questionou a inclusão da matéria na pauta e o cancelamento do pedido de parecer à UVESP antes mesmo da manifestação da entidade. O argumento é institucional: reformas dessa magnitude exigem debate público, participação dos servidores e segurança jurídica. Não podem ser tratadas como mera etapa burocrática do calendário político.

Nesse contexto, o papel do presidente da Câmara, Marcos de Souza, também merece reflexão. Cabe à Presidência zelar pelo funcionamento equilibrado da Casa, assegurar o devido processo legislativo e garantir que dúvidas jurídicas relevantes sejam devidamente enfrentadas. Quando projetos cercados por questionamentos avançam sem o esgotamento das análises técnicas disponíveis, a responsabilidade institucional deixa de ser apenas do Executivo e alcança igualmente quem conduz os trabalhos legislativos.
A experiência de Garça, frequentemente lembrada no debate público, mostra justamente que a função do vereador não se limita a homologar decisões do prefeito. Cada situação possui suas particularidades, mas permanece uma lição elementar: fidelidade política não substitui responsabilidade constitucional.

O problema de Bauru talvez seja esse. Uma parte da Câmara parece compreender sua missão menos como fiscalização e mais como sustentação da prefeita Suéllen Rosim e família. O contraditório vira incômodo. O questionamento técnico torna-se obstáculo. E a independência entre os Poderes corre o risco de transformar-se em formalidade protocolar.
A atuação de Estela Almagro demonstra o contrário. Ao provocar o Ministério Público, exigir novos pareceres e defender maior participação social, recoloca no centro do debate uma ideia que deveria ser óbvia: maioria parlamentar não autoriza o atropelo institucional, nem elimina a obrigação de respeitar a Constituição.

No fim, a pergunta permanece. Até onde pode ir o alinhamento político sem comprometer a autonomia do Legislativo? Governos passam, mandatos terminam e maiorias se desfazem. O que permanece são os votos, as atas e as responsabilidades assumidas por cada agente público. Em uma democracia, apoiar um governo é legítimo. Renunciar à função fiscalizadora, não. Porque a lealdade política pode ser circunstancial, mas o compromisso com a Constituição deveria ser permanente.

TUDO EM BAURU COM CHANCELA DA ATUAL ADMINISTRAÇÃO, SUÉLLEN ROSIN PASSA POR BARRAÇÕES - A COISA ESTÁ MAIS QUE FEIA
"O Tribunal de Contas do Estado (TCE) barrou a nova licitação do transporte público municipal após identificar falhas graves no edital elaborado pela Prefeitura.
Segundo o Tribunal, os documentos técnicos apresentavam informações conflitantes que geram insegurança jurídica.
Quais foram os principais erros apontados pelo TCE?
Divergências nos valores da tarifa de remuneração;
Inconsistências graves no estudo de viabilidade econômico-financeira;
Falhas no dimensionamento da quantidade de ônibus (frota);
Incompatibilidades na previsão de investimentos e na exigência de ônibus com ar-condicionado.
Na prática, a licitação volta para a estaca zero.
O TCE determinou a revisão completa de todo o modelo da concessão.
A Prefeitura terá que corrigir todas as contradições apontadas e republicar o edital integralmente, reabrindo os prazos do zero.
Um contrato de quase R$ 840 milhões que afeta a rotina de milhares de bauruenses exige responsabilidade, transparência e um planejamento sem margem para erros que prejudiquem a qualidade do serviço público", IGOR FERNANDES.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (192)


BAURU DEPOIS DOS ROSIN'S, TERRA ARRASADA 
A alusão é até simplista, mar cai como uma luva para exemplificar o que está em curso na cidade de Bauru, levando-a ao caos, plena derrocada, política e financeira: é como se a cidade tivesse sido vítima de uma nunvem de gafanhotos, dessas que invadem plantações, devastam tudo e depois somem, desaparecem, deixando vestígos, mas com o estrago ali, devastação total. Suéllern Rosin foi reeleita no primeiro turno e administrará Bauru, ela e os seus, até o final de 2028. Guardião, o super-herói bauruense, sempre atento e alertando para os desastres, não só naturais, como os políticos, esses deixando sempre sinais de sua presença, continua nos alertando:

"Não está sendo por falta de avisos. Estes se multiplicam, mas até agora, nada ocorreu de fato a impedir que tudo continue como dantes, ou seja, Bauru segue seu ritmo acelerado rumo ao caos. Este caos pode ser já prenunciado com uma simples averiguação na situação atual de suas contas, ou seja, a quantas anda os cofres do munícipio diante de todas suas obrigações. Todos, indistintamente, alertam que a situação já está periclitante e na continuidade, algo impagável pela frente. Ou seja, algo está em curso em desalinho com o bom andamente que deve ter as contas públicas. Ou gasta-se demais ou estes gastos estão, não só ultrapassando os limites toleráveis, como sendo feitos de forma inapropriada, muito inábil, pois nada é feito para estancar a sangria".

Não se faz necessário consultar or oráculos, nem nenhuma bola de cristal. Isso da cidade estar gerando algo que, lá na frente gerará sua insolvência ou inadimplência absoluta é alvo de comentários de todos. Guardião, ciente de tudo o que rola nos bastidores políticos desta cidade, observa a movimentação em curso e reforça o alerta: "A situação já saiu do controle. A oposição na Câmara dos Vereadores, a que ainda existe, talvez quatro ou no máximo cinco vereadores, de um total de 21, demonstram por A + B, do surreal em curso, porém, tudo persiste e nada é alterado. É uma sucessão de fatos, de procedimentos mais que prejudiciais para as contas municipais. Nunca tivemos tantos cargos comissionados dentro da estrutura pública municipal, isso constituindo-se num cabide de empregos sem precedentes. Empréstimos e empréstimos são aprovados, todos em toque de caixa, remige de urgência, com uma dinheirama chegando e obras não saindo, não sendo finalizadas do outro lado da ponta. Não existe uma só pessoa, conhecedora da real situação da receita municipal, que não emita alertas contínuos sobre procedimentos inaqdequados e sem muita transparência, mas tudo continua sendo aprovado, referendado e executado, aumentando não só a preocupação, como gerando uma só pergunta: o que será de Bauru, quando a família Rosin deixar o poder?".
SERIA ESTE O DESTINO DE BAURU EM 2028?

2028, quando Suéllen deixar o Governo, será aberta a caixa preta e a cidade saberá de fato, a situação dos cofres municipais. Guardião alerta para o perigo de, hoje, iniciando julho de 2026 e tendo à frente, aproximadamente dois anos e meio, o que será vislumbrado da cidade quando olhada lá dos janelões do terceiro andar do Palácio das Cerejeiras, sede do Governo Municipal? "Lembram-se do último governo de Tuga Angerami, quando durante todo seu mandato, pagou dívidas? Teremos alguém com este perfil para administrar a cidade a partir de 2028? E o que restará para ser administrado? Já deu para perceber que, Suéllen administra ouvindo os seus, estes até participando de suas decisões, mesmo sem mandato. Seu pai é uma espécie de imperador dentro da sede da Prefeitura e dos partidos ligados ao poder, com mão de ferro. Sabe-se que, a divida da Cohab é tão alta, que ela, por si só, inviabilizaria qualquer novo investimento na cidade. A Emdurb continua sendo o cabidão de empregos de sempre, sem nenhuma administração séria, buscando solucionar seus eternos problemas. Gente de fora é chamada para ocupar secretarias, como se entregue para gente daqui, algo não tivesse como ocorrer. Empréstimos continuam sendo aprovados, de uma forma muito irregular, como denunciados pelos poucos vereadores de oposição e a situação do que precisa girar, como a Saúde e a Eduacção, cada vez mais claudicantes. Nos Postos de Saúde falta o básico e na Educação, nem os uniformes de Inverno são entregues, porém, gasta-se altos valores com shows musicais, tudo com intuito de distrair a população. Ou seja, na somatória de tudo, tenho dó de quem pegar a Prefeitura para administrar ao final de 2028", conclui Guardião.

OBS.: Guardião é obra do traço inconfundível de Leandro Gonçales, fina flor com a pena nas mãos e com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA. Estes dois, preferem continuar produzindo, mês após mês, uma charge feita na unha, do que transferir tudo para uma arte feita pela IA, que é muito válida, porém, ocorreria sem a intervenção pessoal do artista.

e para não esquecer de outra luta pela frente
DA NECESSIDADE DE JOGARMOS ESSE JOGO DE FATO, COM MAIS AFINCO
"Meu pai, que morreu em 1994, costumava dizer: 'O problema do Brasil é que deixamos o adversário escalar nosso time'. Imagine quantos brasileiros existem em todas as áreas que não são convocados por serem honestos demais, independentes demais, combativos demais. São vetados por políticos venais, por interesses econômicos e por forças estrangeiras e seus aliados domésticos. Resultado: o time escalado fica, na melhor das hipóteses, repletos de nomes hábeis, jeitosos, mas sem coragem e imaginação. São poucos os que entram em bola dividida. No fundo, no fundo, a escalação é a própria imagem do Brasil - país em que sobra jogo de cintura, mas falta espinha dorsal. Na nossa seleção atual, temos como centroavante e capitão do time um presidente da República experiente, tarimbado, um jogador de fama internacional. Perde uns gols incríveis, é verdade, mas a sua capacidade é inegável. Eis o problema, porém: a bola chega nele? Ou ele é forçado a voltar à intermediária para buscá-la? A verdade é que o centroavante acaba sem opções de jogo, uma vez que boa parte do resto do time passa a bola para o lado ou para trás, quando não faz gol contra! E fica assim a nossa seleção - jogando para empate ou até para perder de pouco. Com esse tipo de time, claro, não se ganha partida nenhuma e muito menos campeonatos", economista progressista, estabelecido pelos BRICs, Paulo Nogueira Batista Jr.

Creio que, tão logo termine a Copa do Mundo de futebol, terá início a uma verdadeira guerra, antecedendo a eleição presidencial e para renovação do Senado, portanto, ou criamos coragem e ajudaremos de fato Lula em sua reeleição, ou deixaremos o país ser levado para o fascismo de difícil retorno. Claro, o Governo também precisa não se intimidar e se ajudar, nos dando condições para, sem nenhum tipo de recuo, propocionar, sem medo de agir, ações positivas, corajosas e nos impulsionando a combater. Serão dois meses de campanha até então nunca vistas. Estejamos preparados e se insuflados, não recusaremos. É tudo ou nada.

terça-feira, 30 de junho de 2026

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (160)


historinha pra começar a conversa
A ELUCIDATIVA RESPOSTA
Os sacanas estão espalhados por todos os lugares. Aqui nas plagas bauruenses, percebe-se nitidamente que, os que se enriquecem de um dia para a noite, algo de muito errado aconteceu pelo percurso. Eu tive o prazer de ouvir de um juiz aposentado, já falecido, a frase que bem expressa o que rola nas entranhas bauruenses: "Henrique, não se iluda, olhe para essas novas e velhas fortunas aqui de Bauru. Todas elas, sem exceção, foram construídas de duas formas, ou uma ou outra. Ou o sujeito ganhou na loteria ou fez algo errado, no escondidinho pelo caminho e assim chegou a riqueza. Ressalto que, até o presente momento, aqui em Bauru, ninguém até agora ganhou na loteria".

Foi impossível não relembrá-la como se deu o diálogo que tive com esse respeitado juiz, quando ontem versando sobre novas fortunas, algumas constituídas da noite para o dia, em poucos anos, como se um raio caísse sobre os ombros da pessoa - um raio de sorte - e ela, sem mapa sem nada, sem estar guiada por nenhum arco-íris, consegue chegar até um pote de ouro e num pluft-plaft-zum acorda rica. Pois estava perambulando pelo centro, dou de cara com antigo conhecido, ele vestusto conhecedor de artimanhas e atalhos enriquecedores de contas bancárias e lhe pergunto:
- E então, que fazes por aqui? Como andam as coisas?
Ele, como querendo se explicar, me responde e, a partir daí, sei de onde provém sua vistosa riqueza:
- Meu caro, sofro muito, pois as autoridades brasileiras não compreendem minha forma de atuação empresarial.

algo concreto, se repetindo por muitos lugares
ADORNI NA ARGENTINA E DENTRO DE ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL, ALGO AINDA EM CURSO, PRESTES A RUIR - A PRÁTICA DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
O ex-chefe de Gabinete do desGoverno Argentina, Manuel Adorni, renunciou ao cargo neste final de junho de 2026, após ser alvo de investigações por suspeita de enriquecimento ilícito. O escândalo envolveu viagens luxuosas e a aquisição de imóveis, agravado pela omissão de cerca de US$ 500 mil não declarados ao fisco, que ele alegou serem provenientes de investimentos em Bitcoin realizados entre 2014 e 2018. 
O caso ganhou grandes proporções na mídia e na Justiça federal argentina. Os principais pontos que motivaram o inquérito e a crise política incluem: 
  • Omissão Patrimonial: Adorni admitiu não ter declarado aproximadamente US$ 500 mil, justificando que o valor era fruto de investimentos anteriores à sua entrada na política e poupados na informalidade.
  • Investigações Financeiras: A Justiça passou a analisar a compatibilidade de sua renda com a aquisição de imóveis, reformas residenciais de alto padrão e viagens de luxo ao exterior feitas por sua família. 
  • Defesa e Renúncia: Adorni negou veementemente ter cometido qualquer crime ou corrupção. Ele apresentou sua renúncia, mas afirmou que colaboraria com a Justiça para provar que a evolução de seu patrimônio ocorreu de forma lícita.
  • Desdobramentos Políticos: O caso se tornou uma forte crise no governo de Javier Milei. Embora o presidente tenha inicialmente resistido às pressões da oposição e apoiado seu aliado, o ex-porta-voz acabou deixando o posto de chefe de gabinete no final de junho, sendo substituído por Diego Santilli.
O presidente, líder da extrema-direita Javier Milei fez de tudo para ele continuar no cargo, mesmo diante de tamanha evidência de seus delitos. As perguntas que rolam nos bastidores polítricos argentinos são essas: Se Milei o defende, o que esconde? Seria essa a ponta do iceberg para tantos outros escândalos financeiros? Seria ele o único com este procedimento? Adorni renunciou e está prestes a ganhar um cargo com alto salário na YPF, a petrolífera argentina, ou seja, mesmo diante de tudo, pelo visto não podem descartá-lo, pois sabe demais. Com certeza não agiu sózinho e nestes casos, quando cai um, caem todos. 

Casos como este se repetem pela aí e demonstram algo bem peculiar do procedimento de quem está à frente de governos populistas, com ligação umbilical com a extrema-direita. Podem reparar, todos exercem, sempre na penumbra, inúmeras atividades e atitudes suspeitas, sempre envolvendo altos valores financeiros e em todos, numa simples comparação, antes de ingressarem nos cargos públicos, meros cidadãos com situação mediana financeira e depois, num vapt-vupt uma explosão, tudo de uma hora para outra, algo incompatível com a renda, o soldo de seus proventos. Em todos os casos, uma só certeza, sempre existe gato nessa tuba.

Comparo o que aconteceu com Adorni, o até então Chefe de Gabinete do despóta Milei com o que se vê pela aí. Impossível achar normal dentro de uma administração, um prefeito (a) eleito ter adentrado o cargo, morando mal, sempre de aluguel, com rendimentos medianos declarados pelo Imposto de Renda e na sequência morar num rico condomínio, tudo págpo, sem que exista comprovação para tanto. Como se dá essa mudança tão rápida? Para tudfo não existe mágica, ou seja, algo ocorreu. Diante da insistência de políticos, buscando altos financiamentos continuados para obras que nunca se concluem, mas o dinheiro circula, precisa existir uma riogorosa fiscalização, buscando a origem, o fio da meada. Obras sempre super-faturadas, votações de aprovações por legislativos todos votando cegamente, quase sem nenhuma discussão, por essas aprovações, tudo é sempre muito suspeito. Ninguém se enriquece de uma hora para outra, sem ter ganho na loteria ou ter feito uma maracutaia muito grande com dinheiro. Quando existe uma rede de denúncias constante, o Ministério Público tem que agir, desbaratando a trama, desvendando o conluio e esclarecendo os fatos. Políticos com o mesmo procedimento deste Adorni na Aergentinam existem aos borbotões no Brasil, principalmente dentro da extrema-direita, onde se passam todos por santos - na verdade, do pau oco -, porém, aptos a cometer as maiores barbaridades. Tudo se repete, nada é novidade, as histórias de enriquecimento são quase idênticas. Tudo é tão evidente, a fratura é tão exposta, faltando só encontrar a ponta deste iceberg, para tudo ruir e seus implicados pagarem por seus crimes. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

DICAS (270)


AMÉRICA DO SUL AVANÇANDO, TORÇO PELOS LATINOS
A situação atual da América do Sul hoje é lamentável, quase toda aderindo pra governos conservadores, com estilo fascistas, seguindo cegamente os ditames de subserviência norte-americana, ditada pelo pirata Donald Trump. É impossível ficar contente com a submissão absoluta e total de gente como Javier Milei na Argentina, o ditadorzinho chileno, que agride o pai de uma criança pelo fato dela não o ter cumprimentado e o boliviano, agredindo o povo, este unido e resistindo bravamente a um desGoverno traindo todos os avanços de governos anteriores. E como ficar contente com o resultado meio sacana da eleição colombiana, quando algo mais do que suspeito já está comprovado nas apurações, favorecendo o pérfido direitista. E a Keiko Fujimori no Peru, uma aberração suas primeiras declarações, inclusive uma contra os imigrantes, sendo ela, como descendente de japoneses, fruto de imigrantes. Ou seja, a bestialidade só não se completa em toda América do Sul por causa de dois países, o Uruguai, onde quietinho persiste um governo mais a esquerda e o Brasil, que resiste como pode ao avanço desmedido e criminoso do fascismo, já demarcado com Flávio Bolsonaro.

Essa triste sina da vida política da América do Sul, hoje com a maioria dos países já sob as asas de Trump e seus interesses, quase todos entregando suas reservas e preciosidades a preço de banana. Quer crime maior do que o ocorrido na Venezuela, quando num acordo tácito com políticos ditos de esquerda, destronam Maduro e entregam o petróleo para os EUA, quase gratuito, com Trump apregoando aos quatro ventos de como faz uso indevido da reserva dester país. Lula e seu governo é o último bastião den tro da América Latina, o maior país e mais influente, com um presidente influenciador de políticas mundo afora, alguém reconhecido como ótimo negociador e sempre trazendo benesses alvissareiras para o nosso país. Temos muito sorte de, justo neste momento, termos um presidente como Lula, que defende o Brasil de fato e nã oentrega os pontos para o todo poderoso e imperialista Estados Unidos. Sabemos o quanto isso é difícil e daí, sabemos também que, só Lula nos salvará de toda América do Sul estar totalmente atuando como quintal e lacaio dos EUA.

E daí vem essa Copa do Mundo e nela muitos países latinos. Da Argentina, nem se fala, o futebol mais empolgante no momento. Creio eu, um dos antecipados favoritos para ganhar o torneio mundial. Depois, outros com sucesso, como o Brasil, Colômbia, Equador e Paraguai. Confesso ter torcido demais para o Uruguai e mesmo admirando alguns posicionamentos de seu técnico, o vejo como problemático, pois já começa a Copa meio que com conflitivo relacionamento com a maioria de seus jogadores. O Uruguai merecia mais. Foi para mim a grande decepção dentre os times da América do Sul.

Em dois jogos hoje, segunda, 29/06, o Brasil e o Paraguai avançam na competição. O Brasil, pelo que se vê, tudo ocorrerá com sofrimento, como nas últimas participações. O time não é ruim, mas falta algo. Vem num crescendo e pode surpreender. Hoje, sofri muito quando o Japão, que não havia chutado uma bola em gol, marca no seu primeiro chute. O empate e a vitória vieram depois de dizer impropérios, aqui em minha sala, para Danilo e Casemiro. Este último faz o gol e me calei. Vencemos e avançamos. E no final da tarde, o renegado Paraguai enfrenta o bicho papão da Alemanha e empata no tempo normal e prorrogação, vencendo com muita garra e disposição nos pênaltis. Os narradores reforçavam a todo instante o poderio alemão, como que torcendo contra o time latino, mas eles se superaram. Grande surpresa.

Gosto demais de ver times latinos se dando bem. Não poderia torcer contra nenhum deles. Está no meu sangue, nessa luta empreendida uma vida inteira contra essas forças todas jogando contra, investindo para que continuemos sendo países satélites. Na verdade, vejo que muitos de nós mesmos ainda não nos descolonizamos, continuando possuindo ideias aliadas aos mandões e poderosos destas plagas, sempre ligados a Matrix dos EUA. Isso nos atrasa consideravelmente. Ao invés de resistir e se impor, muitos de nós mesmos aceitamos e nos colocamos a favor de quem nos oprime. Uma bestialidade sem fim. O tunisiano Frantz Fanon, revolucionário em tempo integral disse certa vez: "Burguesia são todos aqueles que morrem de vontade de parecer com os colonos". A elite latinoamericana age dessa forma, contra seus próprios interesses. Já fomos melhores politicamente e hoje, pelo que vejo, para mim, o sucesso dessa Copa, mesmo vendo um belo futebol no time freancês, torço muito para um time latino, incluindo o México, possa chegar lá. Hoje vibrei muito e nos próximos dias tem mais, com Equador e Colômbia. Vamos pra cabeças, pelo menos no campo futebolístico.

PENSANDO SERIAMENTE SOBRE O BRASIL, NÃO A SELEÇÃO, MAS O PAÍS
VIVA DARCI RIBEIRO, UM PENSADOR E TANTO DESTE PAÍS!!!

domingo, 28 de junho de 2026

COMENDO PELAS BEIRADAS (186)


AS IDEIAS SE SECAM
Dizer que "as ideias se secam" significa que a criatividade, a inspiração ou os argumentos acabaram ou esgotaram-se, assim como a água de um rio ou poço que seca durante uma estiagem. Assim me senti hoje, quando diante do computador, nada me vinha à mente para as escrevinhações de praxe. Eu, para evitar algo desta natureza, comprei um caderninho de anotações, que dei o pomposo nome de "Fundo Gaveta", nome emprestado da escritora Clarice Lispector, que assim denomina algo dessa natureza, onde anotava algo que não deveria esquecer. Achei o nome fantástico e assim denominei o meu caderninho, peça insubstituível, que anda comigo por todos os lados e nele anoto, dentre outras coisas, temas para escritos futuros. Faço uso dele exatamente em dias como hoje, quando sento, penso em tanta coisa e nada aflora com aquele ímpeto arrebatador. 

Creio eu, esse deve ser o mal de toda pessoa que, como eu, tem adoração por escrever, transpor para o papel tudo o que lhe vêm à mente. TEnho também outro caderno, um para escritos que não posso publicar, desabafos pessoais, textos que, certamente não passariam pelo crivo do politicamente correto. Para mim, é muito bom ter algo assim. Primeiro porque são cadernos e cadernos, tudo escrito à mão. Gosto muito de manter este hábito salutar, o de manter a mesa cheia de canetas, de todas as cores e com elas vou rabiscando de escritos. O nome Mafuá para meu local de trabalho é algo inerente ao meu modus operandi, ou seja, sou um tanto bagunçado, papéis por todos os lados e poros. Livros abertos em páginas específicas, revistas cheias de anotações, discos que retiro da estante para ouvir e demoro para devolvê-los, tudo numa bagunça que só eu mesmo entendo. Quando dona Mel, nossa prstimosa faxineira, passa por aqui, de quinze em quinze dias, fico de olho nela, pois adora deixar meu espaço um brinco, tudo arrumadinho, daí não acho mais nada. Uma loucura.

Escrevia do nome Mafuá e relembro quem me sugeriu o nome. Foi o Sivaldo Camargo, nos tempos quando dividiamos uma pequena sala lá na SMC - Secretaria Municipal de Cultura, nós dois diretores e minha mesa, sempre dheia de papéis variados e múltiplos. Ele um dia adentra a sala e me diz: "Sua mesa é um verdadeiro mafuá". Adorei, tanto que incorporei tão logo completei meu ciclo por lá, no final do último governo de Tuga Angerami, 2005/2008 e criei meu blog, o Mafuá do HPA, com publicações diárias deste então. Uma loucura isso de querer escrever e publicar ao menos um texto por dia. Já me disseram que, quando algo se torna obrigação, um perigo. Sei disso, mas como escrevo muito, mesmo sendo uma baboseira - como o faço neste momento -, mantenho o treco de, ao menos uma publicação a cada dia. 

E hoje, quando as ideias se secam, se esvaem, se esgotam, cá estou eu enchendo linguiça e contando algo de mim e de minha rotina. Tenho acordado cada vez mais cedo, tipo 5h da manhã e o faço, pois neste horário dona Ana dorme o sono dos justo e eu, sem ser importunado, coloco as leituras em dia e escrevo, vasculho as redes sociais. Claro, que faço tudo, regado pelo meu café matinal. Não faço, nem sei fazer café direito. Esquento uma xícara grande de leite, coloco nela café solúvel, suas gotas de adoçante e como, pelo menos, um pãozinho, mesmo amanhecido. Abro a janela da cozinha, 12 andar, deixo entrar a primeira brisa do dia no rosto, como em pé, olhando para um ponto de ônibus, bem defronte a Praça da Paz e só depois, mergulho de vez naquela quantidade imensa de papéis. Essa minha rotina e hoje, não quis pegar o tal caderninho de anotações, onde certamente encontraia algum tema para discorrer. Preferi bater cabeça e assim, acabo por contar algo mais de como passo parte considerável dos meus dias. 

Assunto não me falta, sei disso, mas nem sempre a cabeça anda boa para deitar e rolar dentro de algum tema. Quando o dia transcorrer sem percalços, tudo flui naturalmente, mas se como hoje, algo intercorrência me abate, daí, tudo vira uma lástima. Com o baixo astral instalado dentro da gente, nada flui a contento. Eu me sinto assim hoje, problemas pessoais, que espero resolver em breve e tudo voltando ao normal. Era isso, amanhã estarei mais inspirado. Obrigado por me suportarem...

UMA CIDADE ÀS ESCURAS
"Contrato milionário com CPFL pra troca das lâmpadas queimadas, e outro contrato de 51.000.000 milhões com a construtora Zopone pra trocar às lâmpadas boas por lâmpadas de LED e a cidade está mais escura como nunca antes se viu. Rua Júlio Prestes quadras 1 e 2, mais Rua Cel. Marcondes Salgado, quadra 5 a meses na escuridão. Bauru, cidade sem comando, é um caos administrativo dos recursos financeiros e do endividamento", frase copiada de publicação do Sem Limites Ong, visto por mim, quando compartilhado pela amiga, moradora da vila Falcão, cercanias dos muros da ferrovia, onde tudo está e sempre foi esquecido, muito escuro, Claudia Cassia Coelho. Bauru estará tão endividada e com seus problemas todos sem terem sido resolvidos, ao final deste período Rosin, que o próximo prefeito (a) permanecerá de pires nas mãos quase seu mandato inteiro. E, pelo visto, continuaremos fazendo pouco para impedir que os Rosin produzam o estrago irreparável financeiro nos cofres municipais.

sábado, 27 de junho de 2026

UM LUGAR POR AÍ (211)


NÃO PODIA DORMIR SEM ESSA
A ERA DA INQUIETAÇÃO
Que o mundo atual anda uma aberração, disso não se tem a menor dúvida. Intragável, diria alguns. Eu, cá do meu canto, diria mesmo privilegiado, pois consegui me aposentar e ainda por cima, escrevinhar todo santo dia, publicando por estes meios ainda possíveris, o que vai dentro de minha conturbada cachola. Acrescentaria, ser o mundo uma aberração perigosa. E diante de tantos perigos já vividos, vivenciados, o que poderia me acrescentar de riscos os atuais? Eu, diante disso tudo, do que vejo ao abrir minha janela todas as manhãs não é nada alentador, porém, não posso - e não devo - ser subtraído e consumido pelo pessimismo. Não há esperanças, mas há muito o que fazer. Essa última frase é triste demais, mas tudo leva a crer que, a luta se intensificará, mais e mais daqui por diante, dentre os perversos propondo um mundo manada, onde o coletivo, o ser humano se consolidar como construção coletiva não mais possível, porém, continuarei fazendo parte dos que resistem, dos que ousam não me aquietar diante da catástrofe mais dio que anunciada. 

Pode até não haver mais esperanças, mas como sei ainda há muito coisa a fazer, não arredo pé de estar na lida e luta, propondo, escrevinhando, me posicionando e, quando possível, estando junto pessoalmente nas lutas todas ainda empreendidas mundo afora. Os de minha geração tínhamos como objetivo principal a esperança por algo novo, o tal do outro mundo possível e a partir disso, construímos nossas vidas, toda baseada nessa maravilhosa utopia, a da construção de um mundo palatável, onde as diferenças pudessem ser eliminadas e a opressão fosse contida. Isso moveu e move minha vida. E hoje, mesmo quando forças contrárias se impõem de uma forma violenta, brutal, sádica, não consigo me colocar quietinho aqui dentro de casa, calado, contido e vendo a vida passar sem nada fazer. Eu, aos 66 anos consegui me aposentar e poderia ter uma vidinha modorrenta, queitinha, lendo e vendo TV, às vezes viajando, batendo perna, sem omitir opiniões, sem ousar contestar mais nada, mas para mim isso é totalmente impossível. 

Há algo no mundo atual  suportando tudo o que lhe é imposto, ou seja, muitos estão vendo "a banda passar" e nada mais conseguem fazer para tentar modificar seu percurso. Eu morreria mais rapidamente se assim o fizesse. Há algo no mundo que carrega um nível muito alto de tristeza. Eu não apenas nasci em outro mundo, mas fui uma peça fundamental na ideia de que iríamos vencer, de que iríamos mudar o mundo.
 Mudamos muita coisa, interferimos em outras tantas, mas a perversidade ganhou e hoje impera mundo afora. Aqueles ideais todos de transformação nunca serão superados ou considerados como ultrapassados. Longe disso, pois aquilo tudo continua a me mover. A Era da Inquietação a que me refiro neste título, portanto, surge de um diálogo entre dois indivíduos social e politicamente engajados, separados por mais de 40 anos de vivência e estrada, muita poeira e algo realizado. Ela retrata um mundo contemporâneo assolado por ameaças econômicas, epidemiológicas e ecológicas, bem como pela violência cotidiana. Junto tudo isso, coloco tudo no balaio da vida e não desisto, sigo meu caminho, enfrentando dragões e moinhos, muitos de vento, outros nem tanto. E tenho a certeaza, desistir é não só perder, mas morrer.

Os próprios acontecimentos se repetindo como farsa, por todos os lados e lugares, nos convidam a uma presença ativa, a estar lá, a habitar a inquietação, a permanecer despertos, abertos ao mundo e à própria existência. É uma época onde se faz necessário estar sempre alerta, vigilante, tratar de não dormir, permanecer vigilante, um pouco inquieto e procura nã osentir medo, pois mesmo quando tudo nos leva para ter cagaço diante das reais possibilidades deste planeta, buscar lá no fundo o atalho, juntando-se a tantos outros com a mesma inquietação e, seguir o único caminho ainda possível, o da resistência. Essa época pode ter elementos mais que perversos, é muito dura, mas ainda possui elementos fantásticos para não desistir de lutar e de buscar a realização deste sonho coletivo, o da vida sem guerras e tudo o mais. A imposição do mais forte é brutal, sanguinária, mas não é definitiva. Sempre pode existir uma saída e é nisso que me apego. 

Não podemos nos entregar e se dar ao luxo aristocrático de deixar pra lá, entregar os pontos e nada fazer. Se existe alguma possibilidade, nela estarei inserido - como estou e estarei, enquanto viver. Nunca desistirei do lado da esperança. Daí, temos muita coisa para fazer, talvez deixar o presente entre parênteses e se por a fazer, estar inserido em algo, não permitir ser derrotado sem ao menos ousar e estar engajado na luta pela transformação do mundo onde vivemos em algo muito mais palatável do que o presenciado. Guerras e devastação sempre existiram e nem por isso, outros desistiram. Chegamos até aqui e tudo fruto de intensa luta de classes, numa perde e ganha sem tréguas. Tenho em mente que tudo isso que nos aflige, um dia vai passar. Posso até não estar mais vivo para ver, mas posso ter feiito parte de uma intensa luta, onde não esmorecendo, nem entregando os pontos, algo foi conquistado. Tudo isso faz parte de uma luta, a de uma vida inteira. Isso me move, me faz acordar, abrir a janela e saber que, tudo pode ser transformado se, algo mais for feito. Resignação nunca.

Hoje falta muita coragem para assumir este mundo, com essa época, para assumir o presente, cada um no seu lugar. O significado da história era o progresso. Qualquer invenção tecnológica, qualquer coisa do gênero, era vista como um caminho para a libertação. Até mesmo a ideia de justiça social fazia parte do progresso, algo para o futuro. Hoje, esse significado se perdeu. A questão é a troca, cada um tendo sua própria verdade, o individualismo absoluto ou o relativismo cultural, cada cultura tendo sua própria verdade. Mas isso é guerra. Então, a pergunta é: como podemos encontrar significados concretos que não dependam do significado da história, de Deus ou dessa baboseira de individualismo? A ideia é tentar aprender a pensar sobre situações: migrantes, feminicídio, o envenenamento de populações pelo desmatamento e pela fumigação. Se aceitarmos o presente, há um sentido, mas é um sentido sem promessas. É isso que temos que suportar, e é difícil. Não sei em que tipo de mundo meu filho vai viver e isso me atormenta. Destruir tudo não é o mesmo que solidariedade, ou se agarrar à primeira promessa estúpida ou entrar para uma seita. Muitas pessoas, devido a genuínas fragilidades estruturais, não conseguem lidar com esta era. Então, os gurus são um paraíso. Você pode entender este caos, mas não se pode dizer. Perdemos até a coragem de dizer das coisas erradas, quanto mais de se posicionar e lutar contra elas.

O lado viril e conquistador da modernidade agora é pura destruição. E vemos os loucos que continuam nesse caminho. Trump, Netanyahu, Milei, Tarcísio, Bolsonaro e aqui em minha aldeia uma alcaide atuando dentro destes padrões. Suellen Rosin representa muito disso tudo. Não há progresso possível com estes no poder; pelo contrário, amanhã não haverá água potável suficiente nem alimentos não contaminados para todos. Estamos numa era muito semelhante à de Trump, Bolsonaro e Milei, uma era de mão de obra excedente. Pessoas supérfluas. Milhões. Essa é a terrível verdade que elas carregam, e nos confronta com o que afirmamos como ideal de uma vida inteira, resistindo e colocando o dedo nessa fratura exposta. É claro que não podemos mais pensar num socialismo distributivo que simplesmente perpetue a produção. Em outras palavras, a austeridade é inevitável, mas existe uma austeridade alegre que é possível. Aposto nela e a sigo defendendo. 

Uma questão muito importante é o terror infligido aos jovens, impedindo-os de viver suas vidas. Em nome da ameaça do futuro, da dureza da vida, eles não têm permissão para serem jovens. Trata-se de discipliná-los, fazê-los esquecer suas afins, o que gostam, e obrigá-los a aprender coisas úteis. Sei que os pais fazem isso com boas intenções, mas, na realidade, é um desastre. É uma tendência muito forte de 20 ou 30 anos atrás, de cerceamento da juventude. Olho para eles e os vejo milutando menos que os de minha geração, mais preocupados com outras coisas e deixando a coisa rolar. E ela rola muito mal, na verdade nos apunhala, mas também nos impele a continuar na lida e luta. O mundo só será devidamente destruído, nosso sonhos aniquilados, quando deixamos, não só de sonhar, mas de resistir, de enfrentar tudo isso, com a garra que sempre tivemos. Reistir é preciso.

OBS.: Escrevo isso como mais um dos tantos desabafos escritos por mim nos últimos dias. Este o faço após ler uma ótima entrevista do filósofo argentino radicado na França, Miguel Benasayag, lançando seu livro que dá nome a este texto de minha lavra. Juntei o que li, com o que penso, mais minhas ações e vendo saídas, não deixo de nelas estar inserido.