segunda-feira, 17 de agosto de 2026

RUMO, A CONCESSIONÁRIA "SEM RUMO" E DILAPIDANDO O QUE SOBROU DA MALHA FERROVIÁRIA NA REGIÃO DE BAURU, COM ANUÊNCIA CONTEMPLATIVA DA ADMINISTRAÇÃO DE SUÉLLEN ROSIN
Dias atrás um amigo me envia uma foto e um texto sobre uma movimentação ocorrendo dentro do pátio ferroviário bem atrás e dos lados da Estação da NOB, com tudo podendo ser bem visualizado também da avenida Nuno de Assis. Eu postei: "Amigos (as) me provocam, passam por lugares, me enviam fotos e me instigam a escrever algo a respeito, como aqui no comecinho da avenida Rodrigues Alves, boca de entrada do pátio ferroviário, até bem pouco tempo todo abandonado, mato crescendo por todo canto e local de dormitório de muitos em situação de rua. Me dizem que, algo começou a acontecer por lá e está modificando o cenário, com limpeza em pleno andamento, não se sabe se feita pela empresa concessionária da malha férrea ou pela Prefeitura Municipal de Bauru - isso mais difícil. O fato é que - toc toc toc -, tomara algo de bom comece a vicejar pela região, pois o estado de abandono dos últimos tempos é mais que um Cartão Postal Negativo da cidade de Bauru, famoso pólo ferroviário, entroncamento de três grandes ferrovias, que fizeram história neste país, a Noroeste, Paulista e Sorocabana. Será?".

Quando tomo conhecimento do que está em curso, não levo um susto, pois sabia de antemão que, vindo da atual administração municipal, comandada pela fundamentalista Suéllen Rosin e em relação à ferrovia e suas edificações, assim como os bens férreos ainda sobre os trilhos, nada viria e agora, a notícia de que, a limpeza da área está sendo promovida pela concessionária da linha férrea, a Rumo, que desde que aqui se instalou, tem demonstrado anos após ano, estar sem nenhum rumo. Não houve nada de produtivo ou que pudesse ser devidamente comemorado desde a chegada destes, para administrar a malha férrea que corta Bauru e tem aqui na cidade um dos seus pontos de maior movimentação e atividades. Nosso entroncamento é conhecido por todos, o maior paulista e isso não impressiona quem chega somente com um intuito, o de fazer grana, quando na verdade o que mais é necessário no momento seja alguém que goste realmente de ferrovia e faça algo para salvá-la. Tiveram a faca e o queijo na mão e nada fizeram. Da atual administração municipal, se tivesse ido atrás do DNIT e o Governo federal, certamente teria conseguido boas parcerias para ajudar na recuperação do tanto de estrago aqui promovido no passado. Suéllen não possui nenhum interesse em conversar com Lula e, consequentemente, com quem possa fazer algo para ferrovia e a tal da Rumo, desde que aqui chegou, sugou mais um bocadinho do que ainda restava de possibilidades de fazer alguma grana com a utilização da malha, agora somente para uso de transporte de carga.

E diante de tudo, forma décadas de abandono, com um cenário tétrico espalhado pelo pátio. Quem passa por cima do viaduto JK e olha para o pátio tem uma amostragem, não só do abandono, mas do descaso. Aquele amontoado de itens férreos, carros de toda espécie, desde locomotivas, vagões de carga e passageiros, tudo abandonado a céu barto, se desgastando ao tempo. E neste momento, quando quase tudo já se perdeu, a proposta miraculosa é limpar tudo, tornando o visual mais apresentável. Dos vagões e carros férreos, a proposta é vender tudo como sucata e ainda levantar uma última grana. Isso tem nome e sobrenome, sacanagem e perversidade. Evidentemente que, o pessoal do atual staff da Prefeitura, sem nenhuma especialização ou amor para com a ferrovia, permanecerão calados e vendo a banda passar. Ou seja, se nada for feito neste exato momento, muita coisa ainda aproveitável irá para o leilão e, consequentemente, o forno. 

Este o triste cenário do antes mais bonito pátio férreo do interior paulista, o abrigando as estações da Noroeste, da Paulista e da Sorocabana. Neste exato momento, diante do que ainda resta das ruínas da Sorocabana, diante da avenida Pedro de Toledo, um amontoado de madeira, tudo já cortadinho e perfilado para utilização como lenha, auferindo algum lucro para quem o cortou. Na região, muita coisa já foi devidamente cercada e com o matagal, que até poucotempo tomava conta de tudo, com área mais limpa, terá início a retirada dos vagões e carros férreos. Isso é uma grande vergonha para Bauru, que teve todo seu progresso proveniente da ferrovia, ver e pouco poder fazer, além de gritar, espernear e denunciar a maluquice em curso. Muita coisa ainda pode ser salva dessa sanha pérfida por fazer dinheiro de tudo o que encontram pela frente, pouco se importando com a história e o passado reluzente desta cidade. Este libelo escrevinhativo é para ser lido e entendido como uma DENÚNCIA, algo grave e precisando de alguém, gritando em alto e bom som: CHAMEM A POLÍCIA, pois amanhã será tarde demais. Mas, o que esperar de uma administração, cujos seus três museus permanecem fechados ao público e o Ferroviário, antes tão pujante, com o Projeto Ferrovia para Todos, que mantinha uma composição férrea turística circulando nessa malha, nada faz para tentar ao menos garantir mais alguns itens, para prováveis restauros? Como sabemos, nossa Estação da NOB permanecerá fechada e abandonada por Suéllen e agora, tudo o que ainda resta de itens reaproveitáveis, desaparacerão de uma hora para outra, com poucos ousando em contestar ou denunciar a pouca vergonha em curso.

domingo, 16 de agosto de 2026

MEMÓRIA ORAL (335)


CONSIDERAÇÕES DE UM DIA TODO VOLTADO PARA O RETORNO DE LULA NO VILA EUCLIDES - EU NUMA BARCA, CHEIO DE HISTÓRIAS PARA CONTAR
Começo aqui compartilhando um texto do professor e escritor bauruense, hoje radicado em Sampa, Gilberto Maringoni, sempre muito crítico de Lula e ao PT, mas neste momento de nossa vida política, tendo que reconhecer da não existência de outro campo de luta e resistência, onde possamos atuar, quer não o de apoiar, acreditar e cerrar fileiras junto de Lula. Eis seu texto, publicado logo após a abertura da campanha de Lula em Vila Euclides: "UM TENTO EM VILA EUCLIDES - A campanha Lula marcou um golaço na manhã deste domingo: lotou o estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, e fez um comício como há muito não se via entre as forças progressistas. O local escolhido não poderia ser melhor. Trata-se de um símbolo dos trabalhadores e da luta pela democracia no Brasil. Ou seja, o ato, de saída, expressa uma posição de classe, o que contrasta com a aglomeração em torno de Flávio Bolsonaro, na praia de Copacabana. De um lado, a organização e de outro a dispersão domingueira. Lula pronunciou um discurso extremamente hábil, lembrando das greves de 1979-80. Há diferença entre elas, lembrou. Na primeira, diante de uma categoria radicalizada, que não aceitava o acordo com o patronato previamente articulado por ele, Lula não coloca em votação o mérito da questão. Pede apenas um voto de confiança a milhares de trabalhadores para seguir negociando. É aprovado por amplíssima maioria. No ano seguinte, o esquerdismo deu o tom. Depois de 45 dias de paralisação, os trabalhadores saem derrotados. A mensagem é clara para o presente: confiem em mim e não façamos exigências além da conta. É o passaporte para o apoio militante a uma candidatura que coloca como ponto essencial o aprofundamento do aperto fiscal. "Confiem e deixem comigo" é o mote geral. Foi a essência de uma intervenção curta, cuja segunda parte foi preenchida com referências a conquistas passadas e poucas alusões ao futuro. Uma peça lapidar de habilidade e competência política para tentar reconquistar o entusiasmo militante numa disputa que será decidida por margem estreita de votos".

E de Bauru, enviamos também mais que uma mensagem de apoio, consideração e mais que tudo, confirmação por acreditar, não só em Lula, mas em sua proposta e tudo o que já foi feito e, com certeza, irá continuar fazendo enquanto viver. Foram dois ônibus saindo de Bauru e com direção até o estádio 1º de Maio, o de Vila Euclides. No que estive presente, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, dez vagas para gente ligada ao Bar do Genaro e lá fui inserido. Saímos cedo, 23h do sábado, com chegada sendo prevista para 5h30, quando aportaríamos, todos juntos numa padaria e de lá para o estádio. Não deu, o ônibus ao adentrar a rodovia embicou num defeito da pista, declive acentuado e ficou entalado, aproximadamente 9km da chegada. Na demora para conseguir tirá-lo do lugar, todos se deslocaram de Uber, de 4 em 4 e assim chegamos, pulserinha vermelha nos pulsos, assuntamos o local, fizemos as primeiras aproximações, muitas barracas de candidatos e partidos do lado de fora, até atravessarmos as catracas.
Eu, Patrus e um dos tantos Bezerras.


A partir deste momento, tudo é HISTÓRIA. A emoção inicial foi adentrar este templo, não só do futebol - o time do São Bernardo o utiliza hoje para a Série B do Brasileirão -, mas no nosso caso, político. Alguém nos mostrou como era o estádio antes, a disposição de Lula, em cima de uma mesa emprestada, sem microfones, só com o gogó, depois sua fala sendo gritada e espalhada ao vento para todos e a imaginação viajou no tempo. O aparato atual, mas que portentoso, não só enaltece aquilo tudo, como demonstra Lula procurar nos detalhes, ressaltar como deve ser feita a luta, com perseverança, garra e sem esmorecer. Se aquilo tudo ali possibilitado 47 anos atrás, por que não iniciar essa nova caminhada, as eleições deste ano, revivendo essa história e com ela, nos unido todos, para vergar, vencer e se firmar num Governo popular, onde a soberania brasileira estará não só ressaltada, como de fato acontecendo? 

Existia a possibilidade de se tentar ficar mais perto do palco e da passarela, por onde Lula e os demais estariam presentes, mas a opção da maioria do grupo foi permanecer no alto de uma arquibancada, visão privilegiada e de lá, presenciar tudo o mais. Histórias de vida, uma atrás de outra, foram sendo possibilitadas neste lugar. Ressalto a de um senhor, digno representante dos Bezerra, nordestino de quatro costados, parentesco com Gregório Bezerra. Dele ouvi um bocadinho da história deste, que juntando ao que já sabia, me fez crer que, dessa grandeza que nos une, a de estarmos juntos, décadas e mais décadas, sem arredar pé e sempre acreditando, ao lado de quem realmente faz e acontece, neste tão decantado outro mundo possível. Ali ao lado deste Bezerra, passou por nós, tiramos foto com Patrus Ananias, de tanta história política e hoje candidato ao governo mineiro, numa necessária reconquista de Minas Gerais. O prazer inenarrável de ir, pouco a pouco, juntando histórias como a destes dois, eternos militantes e destes inquebrantáveis de uma vida inteira. 

Lá de cima, do alto desta arquibancada, privilegiado por, quando saiu o sol, estarmos sob uma reconfortante sombra, ou seja, estávamos numa espécie de camarote. Lá do alto, no gramado todo coberto por placas, íamos vendo aquela constelação toda de políticos, conhecidos de todos nós, muitos tendo a admiração coletiva dos presentes. Num palco montado ao lado do principal, circulando neste espaço, foram se revezando todos os importantões presentes, os candidatos aos governos estaduais, os ministros e gente da vida pública nacional. Foi algo realmente revigorante e digo mais, uma espécie de recarregador de baterias, ouvir aqueles todos, poucos minutos cada, quando reafirmaram a necessidade de estarmos todos juntos, nesta breve campanha, quando venceremos com amor, o ódio e a essa nação imperialista querendo nos subjugar, sendo mantido como mero quintal. Tudo o exposto ali naquele momento, era algo mais dessa resistência, a desta campanha, já fazendo história mesmo antes de começar.

E assim fui vendo gente como, falas começando com o gaúcho Paulo Pimenta, depois sendo estendida para Dr Rosinha, Gleice Hoffmann e Requião Filho, do Paraná, o sempre louvável presidente hoje do BNDES, Mercadante, Luís Cesar Bueno, na luta pelo governo em Goiás, depois revendo o acreano Jorge Viana, hoje concorrendo ao Senado. Falaram também várias lideranças, representando vários setores nacionais, intercalados por gente conhecida de todos os presentes, como os ministros Luiz Marinho e a digna representante do PC do B, Luciana Santos. As duas candidatas ao Senado por São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva tambpem falaram. Foram muitos outros (as), sendo conduzidos aos microfones, com as falas se encerrando com o ministro Alexandre Padilha, todos no mesmo tom, o da firmeza de propósitos. Daí, por volta das 11h, tudo sendo jogado para o palco principal. 

Treze minutos de contagem regressiva e tudo culminando com a apresentação no palco. Primeiro as instruções todas do aparato montado para atendimento de tanta gente, de 20 a 40 mil pessoas. Uma hora antes, os espaços vazios prenunciavam que, o estádio não ficaria totalmente cheio, mas com a aproximação do horário de início do evento, todos os espaços foram tomados, inclusive os ocupados com imensas bandeironas. Ela continuariam sobre as arquibancadas se não fossem todos os espaços preenchidos, mas eles foram e, desta forma e jeito, tudo teve início. Uma inversão de procedimentos ocorre e o palco principal, debaixo do imenso painel de led, onde tudo ocorreria, acabou sendo utilizado em segundo plano e tudo foi levado para junto da massa, meio do povão e debaixo também de muito sol, não tão inclmente, mediano, mas agindo. Ali sentados, Lula e Janja, Alckmin e Haddad, com as respectivas esposas. 

As apresentações pipocam no palco principal, desde os antigos companheiros de Lula, na greve, cujo estádio foi o palco das assembléias, depois com o hino sendo cantado por Fafá de Belém, depois com a fala de Janja, um pastor cantor, com uma canção, não evocando hinos evangélicos, mas Lula e seus feitos. Depois representantes do Hip Hop e a emocionante dala de Benedita da Silva, realmente em algo emocionante. E depois as falas de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, respectivamente candidatos à governador do estado de São Paulo e a vice de Lula. Interessante e ressaltado por Haddad, os discursos limitados há cinco minutos cada. E tudo culminando com o de Lula, esse mais extenso, porém, diante de todos os demais já feitos em ocasiões similares, com tempo também reduzido. Lula foi preciso, cirúrgico e já aqui ressaltado no escrito por Gilberto Maringoni. O evento tinha hora para começar e terminar. Se passou do horário, foi pouca coisa. O mais importante foi a organização, impecável e o vislumbrado pela massa, muito além de ser contagiante e inebriante. Não deve ter quem de lá saiu sem se sentir revigorado e revitalizado para a luta. "Saíamos daqui prontos para nestes próximos 50 dias, falar de eleição, de Lula e da necessidade de eleger uma bancada condizente com a necessária renovação", foi repetido por todas e todos. 

E depois de tudo, o retorno para casa. Uma saída sem percalços, circulando pelas ruas próximas ao estádio, neste também reencontro e muitas conversações possíveis. Vi este momento, o da saída, como o da chegada, como grandiosos dessas possibilidades, de irmos cruzando com pessoas conhecidas, ouvindo suas histórias, relatos que, juntados aos nossos, constrõem este grande mosaico, essa vivência, algo bem peculiar de todos ali presentes, algo realmente contagiante e mais que um recarregador de baterias. Nosso ônibus já estava recuperado, agora sem um pequeno pedaço de seu parachoques, mas apto a nos receber e assim voltamos para casa, com uma parada, tipo 16h, para um jantar e depois mais estrada, com as paradas em algumas cidades próximas. Do rescaldo final, o bom disso tudo é ver fortalecido dentro de todos, essa gana por estar envolvido na lida e luta deste momento da vida nacional, onde o que se pode ser feito, o será, pelo bem do país. Todos possuem plena consciência disso e o belo evento de lançamento da campanha de Lula, muito bem pensado e executado, nos ajuda e muito para a continuidade de tudo daqui por diante. 

Como comecei com um texto, encerro com outro, agora com o do grupo Jornalistas pela Democracia, expressando bem o sentimento coletivo de ontem, o de todos que estiveram lá presenciando in loco Lula de volta à Vila Euclides e dando o pontapé inicial em sua campanha pela reeleição: 

"O Brasil que eu me recuso a entregar - Há momentos em que a política deixa de parecer uma sequência de eleições e, de repente, se revela como história. Ver Lula voltar à Vila Euclides é um desses momentos para mim. Eu não vejo apenas um candidato retornando a um lugar simbólico para iniciar mais uma campanha presidencial. Vejo a distância que o Brasil percorreu - e a distância que continua teimosamente se recusando a percorrer. Vejo o operário que emergiu de um país onde homens como ele deveriam trabalhar, obedecer e permanecer politicamente invisíveis. Vejo o líder sindical que aprendeu a falar a partir do chão da fábrica, e não dos salões onde o Brasil tradicionalmente decidia seu futuro. E vejo, décadas depois, o mesmo homem voltando como presidente da República a um lugar inseparável do despertar democrático do país. Essa imagem importa para mim porque o Brasil sempre foi extraordinariamente competente em mudar o vocabulário enquanto preservava suas hierarquias. Abolimos a escravidão sem abolir sua arquitetura de desigualdade. Viramos República sem desmontar completamente o poder oligárquico. Saímos da ditadura sem eliminar o imaginário autoritário que tornou a ditadura possível. Construímos instituições democráticas enquanto milhões de brasileiros continuaram experimentando a cidadania como algo condicional - dependente de renda, cor, território, educação e do acidente do nascimento.

É dentro desse Brasil que eu compreendo Lula. Não como santo. Não como líder infalível. E certamente não como alguém que deva estar acima de críticas. Eu o compreendo como ruptura. Um migrante pobre de Pernambuco não deveria, segundo a velha lógica brasileira, tornar-se a figura política central do país. Um metalúrgico sem o pedigree tradicionalmente exigido pelo poder não deveria sentar-se diante de presidentes, monarcas, banqueiros e diplomatas falando como igual. As pessoas historicamente confinadas às margens da representação política brasileira não deveriam reconhecer a si mesmas na Presidência da República. Mas isso aconteceu. E alterou para sempre a geografia simbólica do poder no Brasil. (...) Minha relação com a esquerda brasileira nunca dependeu de carteirinha, devoção ou obediência. Eu discordo de partidos, governos, dirigentes e estratégias. Não preciso de santos políticos. Uma democracia saudável deveria tornar santos desnecessários. Mas preciso saber de que lado da disputa histórica estou. Em 2026, essa disputa é muito maior do que Lula. O Brasil está decidindo se democracia é apenas o procedimento pelo qual governos são eleitos ou se também carrega obrigações com dignidade, inclusão social, soberania e cidadania plena. Está decidindo se derrota política deve ser processada pelas instituições ou respondida com fantasias de ruptura. Está decidindo se o país se entende como permanentemente subordinado aos interesses estratégicos de potências mais fortes ou como uma nação com direito de perseguir seus próprios interesses, alianças e escolhas diplomáticas. E está decidindo se os recursos extraordinários do Brasil - ambientais, agrícolas, minerais, energéticos, culturais e humanos - continuarão produzindo um país rico habitado por milhões de pessoas que jamais experimentam essa riqueza como algo que também lhes pertence. E aí que Lula importa para mim hoje. (...)  Ele importa porque, no cenário político que existe agora, ocupa uma interseção histórica particular: democracia contra restauração autoritária; inclusão social contra a naturalização da exclusão; soberania contra submissão; e a própria política contra a ideia de que o poder pertence naturalmente a uma casta permanente. Há ainda algo que seus adversários nunca conseguiram compreender completamente. Podem odiar Lula. Podem atacá-lo, investigá-lo, prendê-lo, ridicularizar sua escolaridade, seu sotaque, sua origem, seu vocabulário ou as pessoas que votam nele. Mas não podem apagar sua importância histórica. Essa parte já aconteceu. Um menino nascido na pobreza em Pernambuco entrou para a história brasileira pelas portas de uma fábrica e chegou à Presidência da República. Qualquer que seja a opinião sobre Lula, essa trajetória pertence definitivamente à história do país. (...) Eu não voto em Lula porque acredito que ele salvará o Brasil. Eu voto nele porque sei qual Brasil me recuso a entregar. Isso basta. E talvez, depois de tantos anos, sempre tenha bastado".

sábado, 15 de agosto de 2026

 PREPARATIVOS PARA UMA VIAGEM

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

ALGO DA INTERNET (240)


PRA VOCÊ SER LIVRE TEM QUE SER DONO DE SUAS PRÓPRIAS ECONOMIAS
Essa forte frase eu a ouvi num programa de rádio e foi dita por Indio Solari,
um dos artistas argentinos mais influentes das últimas décadas, morto aos 77 anos, meses atrás e a refletir algo bem candente dentro do mundo atual. A frase reflete a postura de independência financeira e autonomia artística defendida por Indio Solari, ícone do rock argentino. Ao longo de sua carreira com os Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota e em carreira solo, ele sempre evitou as grandes gravadoras e o controle corporativo da indústria da música para manter total liberdade criativa sobre sua obra e seu destino. Isso tudo é algo lindo, porém a pergunta que não quer calar: quantos conseguem agir desta forma e jeito ao longo de suas vidas?

Ser livre hoje é algo realmente para poucos. Obter uma independência financeira, mesmo não se tornando  rico, mas podendo externar sua opinião em tudo é mais do que complicado e difícil. Observo, por exemplo, alguns amigos artistas, cantantes destas plagas e vejo o quanto gostariam de dizer o que realmente pensam sobre a situação vivenciada por eles, junto aos empresários locais e mesmo o poder público municipal, porém, se seguram, pois se o fizeram estariam selando um rompimento, assim entendido por quem detém o poder financeiro e não mais seriam contratado para apresentações. 

Transporto isso para tudo o mais. Quando vejo outros tantos, participando de editais e concorrências, cientes do jogo de cartas marcadas e querendo denunciá-las, porém se o fizer, sabem de antemão, não mais ganhariam mais nada. É disso que escrevo, o de como a maioria das pessoas hoje é obrigada a se manter caladas, contidas, tudo para poder continuar fazendo parte do jogo. 

Solari explicita exatamente isso em sua fala, sempre contundente. Essas pessoas agindo desta forma e jeito, não conseguindo se expressar, dizer a verdade dos fatos, são realmente livres? Evidente que, não. Essa tal de liberdade é algo muito complicado, difícil mesmo e poucos possuem, não só a coragem, mas a real possibilidade de dizer sempre tudo o que pensam. Outro dia ouvi de uma pessoa querida algo exatamente sobre isso: "Eu sei o quanto somos enganados, sei também que se reclamar, nunca mais serei chamado e passarei a constar de uma lista dos que, segundo estes donos da grana, estaria de fora, problemático. O problema, meu caro, não somos nós, são eles agindo exatamente de uma forma excludente e desta forma, limitadora, fazendo o que quer conosco. Eu preciso trabalhar e tenho que me sujeitar a isso. Gostaria de agir ao contrário, mas não posso. Você me entende?".

Num mundo capitalista predatório como o nosso, ainda na dependência de nações muito predadoras, como os Estados Unidos, nos querem sempre vivenda na dependência deles. E daí, seus asseclas locais, os tais donos do poder de onde vivemos, são reprodutores disso tudo. São tão autoritários, racistas e mais que conservadores, hoje já beirando algo nazista, daí, isso de externar sua própria opinião é algo inaceitável. Nos querem como manadas, sujeitos a tudo o que nos é imposto, sem pestanejar e reclamar. Numa placa num estabelecimento está lá: "Estamos contratando". De um desavisado e não entendendo o que de fato se passa, este me disse: "Está vendo, emprego existe, mas o que falta mesmo é mão de obra, poucos querem trabalhar". Disse a ele e este me virou a cara: "Você precisa entender e tomar conhecimento do quanto estão a pagar por este emprego. Trabalhar por trabalhar, de graça, sem direitos, lista infindável de obrigações, ganhando uma merreca, isso é o que as pessoas estão recusando. Pagando bem, o que realmente vale o trabalho, isso cada vez menos". Quantos podem realmente responder desta forma e jeito? E pior, quantos podem recusar este tipo de emprego? Isso de ser dono de sua própria economia é realmente revolucionário e libertador, mas no mundo capitalista, para muito poucos.

ATÉ ONDE CHEGA O ÓDIO DE ALGUNS À LULA - DESMONTANDO MENTIROSOS  
Que existe uma fábrica de reprodução de mentiras, os tais fake news, isso todos já sabemos. Neste período eleitoral que se inicia no próximo domingo, 16/08, isto tudo estará chegando ao seu ápice, ou seja, para desqualificar o que tanto odeiam, farão de tudo e mais um pouco. Uma pouca vergonha, necessitando ser contida, pois o que menos vale para este é a reprodução da verdade dos fatos. 

Cito dois exemplos bem rudimentares do que anda sendo divulgado pelas redes sociais, descaradas mentiras, algo publicado por Pasqual Storniolo, um dos dirigente da Escola de Samba Cartola, que na maioria de suas publicações, deixa claro o seu ódio ao PT, Lula e a esquerda, porém, passa de todos os limites, pois reproduz uma mentira atrás de outra, caindo num total descrédito no que faz. O mais importante disso tudo é observar da existência de uma FÁBRICA DE MENTIRAS, essa alimentando pessoas como o Pasqual, estes reproduzindo tudo o que lhes é repassado, pois é conveniente aos seus interesses. Se é verdade, se corresponde de fato ao que de fato ocorre, isso é menosprezado, pois o interesse é tentar minar Lula, porém, como já são conhecidos como reprodutores de falácias, viram motivos de piadas. 

Vamos a algumas dessas publicações e ao lado a verdade dos fatos:
1.) A MENTIRA: "A Toyota formalizou o encerramento das atividades da fábrica de Indaiatuba (SP), unidade que produziu o Corolla no Brasil por mais de duas décadas. A fabricação do modelo será concentrada em Sorocaba. Cerca de 1.500 trabalhadores são demitidos. A montadora informou que os funcionários terão estabilidade até julho de 2026 e poderao contar com um pacote de beneficios, incluindo indenizações de até 45 salários e incentivos adicionais para quem optar pelo programa de demissão voluntária. #toyota #brasil #lula", bolsonaro pernambuco, Jânio Célio, Cleitinho governador - HPA: No flayer só algo sobre o fechamento e nada sobre a transferência, ou seja, tudo de caso pensado para ludibriar.
A VERDADE: "A Toyota do Brasil encerrou as atividades da planta histórica em Indaiatuba unificando a fabricação do Corolla no complexo de Sorocaba.A decisão integra um plano de investimentos de R$ 11 bilhões no país até 2030 para modernizar linhas e produzir modelos híbridos. A montadora não está deixando o Brasil nem enfrentando crise financeira; a mudança visa ganho de eficiência logística", Ana Carla Moura. "A melhor parte é saber que o povo daqui nem pra gastar 1min olhando o Google pra ver se a fonte é verdadeira. Simplesmente tomam como verdade e compartilhamento desinformação kkkk", Jrcesarb. "As notícias de que a "Toyota vai deixar o Brasil" são falsas. A empresa apenas fechou uma fábrica antiga (Indaiatuba) para concentrar toda a sua produção em uma unidade mais moderna e eficiente (Sorocaba), mantendo-se ativa e investindo no país", Amarilibi. "Não é verdade assim , o contexto é. Eles fecharam essa aí em Indaiatuba pra expandir outra em Sorocaba , onde eles vão se concentrar pra maximizar a produção do corolla", Elf_27di. "Fecharam e Indaiatuba para ir pra Sorocaba onde contrataram mais de 3000 trabalhadores", Alemar Nunes.

2.) A MENTIRA: "O Grupo Casas Bahia passa por mais uma etapa de reestruturação e anunciou cortes que atingem a operação da empresa. Segundo as informações divulgadas nesta sexta-feira (14), a companhia planeja fechar 298 lojas e desligar cerca de 1,9 mil funcionários. A medida ocorre em meio aos esforços da empresa para reduzir despesas e reorganizar suas operações. A Casas Bahia já vem passando por um processo de mudanças financeiras e operacionais nos últimos anos, incluindo redução de dívidas e fechamento de unidades", Invest Brasil - HPA: No flayer só sobre fechamentos, sem nadica de nada sobre o momento atual de transferência para outro modal de vendas.
A VERDADE: "O comércio total não diminuiu, ele migrou de canal. As mesmas grandes redes que estão fechando lojas físicas de rua ou de shopping continuam registrando recordes de faturamento no digital (através de operações omnichannel). Marcas globais e nacionais fecham dezenas de filiais físicas não porque quebraram, mas porque enxugar custos de pontos de baixo desempenho e investir em centros de distribuição e aplicativos gera muito mais lucro. É claro que a chegada de gigantes como Amazon, Mercado Livre e Shopee enfraqueceu as vendas das lojas físicas tradicionais. O fator decisivo para o cliente passou a ser o preço competitivo e a comodidade de receber o produto em casa. Não precisa ser um expert em economia, basta usar a lógica: se alguém precisa comprar um livro técnico específico ou um modelo de TV específico, prefere rodar cinco lojas na cidade ou encontrar o produto em um site que entrega no dia seguinte? Quem sofre o impacto direto são as revendas de produtos padronizados. Já o comércio de experiência e serviços, como barbearias, salões de beleza, restaurantes, cafeterias, lazer e serviços personalizados, continua crescendo e se adaptando muito bem, porque isso a internet não substitui. (...) Tem gente que faz comentários e que parece viver num mundo paralelo, em cavernas ou simplesmente recusa a aceitar a evolução natural das coisas", Lidiane Gomes. "O que mudou no canal online da Casas Bahia? Parcerias com concorrentes (Marketplaces): Em vez de tentar competir apenas trazendo os clientes para o seu próprio site/aplicativo, a Casas Bahia começou a vender seus produtos (estoque próprio, chamado 1P) dentro do Mercado Livre e da Amazon. Isso deu uma alavancada forte no volume de vendas pela internet", Vinicius Alves. 

3.) A MENTIRA: "ELECTROLUX FECHA TERCEIRA FÁBRICA E DEMISSÕES SOBEM PARA 2.700. Mais uma unidade da Electrolux Group está com as portas fechando. A multinacional sueca de eletrodomésticos confirmou o encerramento das operações da fábrica instalada em Jászberény, na Hungria, voltada à produção de refrigeradores embutidos e independentes", Raio Imortal Negócios - HPA: É divulgado um flayer sobre o fechamento, como se o mesmo tivesse ocorrido no Brasil, mas...
A VERDADE: "Não há anúncios de fechamento de fábricas da Electrolux no Brasil. A reestruturação recente da empresa atingiu unidades na Europa (como a de Jászberény, na Hungria) e no Chile. As operações e fábricas brasileiras continuam ativas para abastecer a América Latina", B Junior FP. "Estudem para não virar gadinho 😂😂😂, Eletrolux Hungria, Alemanha e Chile demitiu 😂😂😂😂😂", Beto Pavão 9225. "Pessoas não sabem nem ler! Onde fica mesmo essa fábrica? Ahh Lula é presidente da Hungria", Amarante Psicologia.

E depois, para lacrar, publica seguidas imagens de Nossa Senhora Aparecida,como se ela abençoasse tudo o que anda fazendo. Evite encaminhar mensagens ou posts sem antes confirmar a origem e a sua veracidade, pois o compartilhamento alimenta o alcance dos algoritmos. 

QUE POUCA VERGONHA É ESSA? NA BAURU DE SUÉLLEN, TUDO É POSSÍVEL
"TÁ SENDO UM PARAISO NEGOCIAR COM A PREFEITURA DE BAURU...OLHEM SÓ QUE BOM NEGÓCIO, PARA OS PROPONETES !!! VALOR FIPE DESSE VEÍCULO É 121.000,00, VALOR NEGOCIADO P/ 5 ANOS 243.000,00, SERIA INGENUIDADE ??? PERGUNTA É QUEM EXPLICA, COM A PALAVRA SENHORES VEREADORES. E O BAURUENSE CONTINUA ZZZZZZZZZZZZ", Rafael Santana de Lima.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (216)


ERIKA HILTON E ESSA FÓRMULA VITORIOSA DE FAZER POLÍTICA - FIQUEMOS TODOS MUITO ATENTOS A ELA
Essa história merece um registro um tanto diferente e aqui o conto com a profundidade (ui!) de algo vivenciado, procurando entender todo seu significado. Eu, como todos que me acompanham sabem muito bem, sou petista, mas à moda antiga, destes realmente acreditando nas pessoas, se situando ao lado de um grupo delas, sempre no mesmo caminho e ideal de luta. Todos sabemos que, mesmo dentro do partido no qual militamos e acreditamos, nem tudo acontece da melhor forma possível. Daí, nada como seguir agrupado com quem realmente coaduna com o seu ideal de luta. Faço isso e assim não me decepciono. Podemos não constituir a maioria dentro do partido, mas de tudo, nunca me verão unidos a quem pisa no tomate e faz acordos com a parte contrária. 

Este meu jeito e modo de militar. Hoje, diante desta declarada guerra nas ruas, me encontro dentro da trincheira de luta onde o ideal é eleger Haddad governador, sacando o vendilhão e sacana Tarcísio do poder. Mais que tudo, se faz mais do que necessário reeleger Lula presidente da República. Essas duas lutas me envolvem dos pés à cabeça pelos próximos dois meses. Quando me envolvo nessas duas lutas, penso primeiro no país que temos e no que queremos. Não podemos esmorecer e nem claudicar. Engulo meus sapos e muitos deles irei desdizer mais adiante, quando tudo isso passar e conseguirmos baixar a bola dessa extrema direita nos calcanhares da democracia brasileira. 

Isso é uma coisa e outra foi o que fiz questão de estar ontem, me juntando ao ato em torno de um dos nomes mais atuantes hoje dentro da Câmara Federal dos Deputados, o de ERIKA HILTON, do PSOL. Quem a conhece e acompanha, difícil se manter indiferente e até contido. Quem já teve o prazer de dar aquela parada e ouvir um de seus pronunciamentos, prestando bem a atenção, uma só certeza, a de estar diante de algo novo, arrebatador. Eu já me encantei com muitos políticos e muitos deles sigo confiando meu voto e admiração, pois quando percebo uma retidão de atuação e interesses, presto meu reconhecimento desta forma e jeito, escrevinhando e sempre que posso, estando junto.

Dentro da guerra instalada nessa eleição, faltando poucos dias para a liberação da campanha eleitoral nas ruas, quem passa por Bauru na noite desta quinta, 13/8, dia dos 100 anos do nascimento de Fidel Castro é ERIKA HILTON. Ela chega trazida por organismos ligados à CUT - Central Unica dos Trabalhadores e muitas instituições ligadas à movimentos populares e, principalmente, à causa LGBT. E o lugar escolhido para seu contato com Bauru, não poderia ser mais significativo, o Ginásio Guilhermão, dentro do Campus da Unesp. Este mesmo campus, pouco mais de um mês atrás não autorizou a fala de Fernando Haddad, quando de sua passagem pela cidade, tendo este que falar em outro espaço, porém desta feita, peitou tudo o mais e ERIKA ali se apresentou. 

O horário marcado para tudo ter início foi 19h e mesmo chegando, quinze minutos antes, tudo já estava devidamente lotado, ou melhor dizendo, abarrotado. Não existe como negar, a pessoa e tudo o que personifica ERIKA hoje é altamente contagiante, principalmente para o público jovem e quem não está ligado nisto tudo que está em curso e acontecendo, está ficando para trás, perdendo não só o bonde da história, como se mantendo com um discurso ultrapassado e sem atingir as massas. O vislumbrado por quem esteve presente no Guilhermão na noite desta quinta é uma amostragem bem nítida de como se faz para atingir um objetivo, sem se vergar, sem ter que modificar seu ideal de luta, porém, se adequando aos novos tempos. Toda a organização, com os tantos grupos envolvidos no evento em Bauru deram uma demonstração de, ao modo e jeito deles, um jeito bem peculiar e prático de chegar lá, ser ouvido, entendido, passar a mensagem e deixar todos satisfeitos, gente que como eu, tínhamos a certeza de na saída, estar recarregado para tudo o que ainda virá pela frente nas próximas semanas.

A construção do ato tem muito da cara atual do PSOL e na junção com o essa junção por Lula e Haddad, algo feito em conjunto, pensando seriamente no país que temos e o que queremos. A maioria do público presente era constituída de estudantes e muito além do meramente LGBT. Fiquei imensamente feliz por ver todos estes por lá e assim de soslaio vislumbrei algo novo despontando no ar, o surgimento de lideranças trans de muitas cidades do interior, todas dispostas a na próxima eleição municipal, disputar uma cadeira no Legislativo de suas cidades. Só para situar, dois exemplos marcantes, Pederneiras e Arealva. Isso, para mim, vai dar uma oxigenada em muitas Casas Legislativas por aí, como já vejo ocorrendo país afora. ERIKA tem muita responsabilidade nisso tudo.

E por fim, depois de todas as falas e participações, quando o microfone é entregue para ele, algo do que ainda não foi devidamente entendido por muitos políticos, muitos destes ligados ao expectro da esquerda. ERIKA não é só um fenômeno visual e do universo represerntado por ser uma melher trans, mas muito mais que isso. Ela está encabeçando uma alteração abrupta - e também necessária - no modo de fazer política e de fazer a mensagem chegar ao povo, eleitor e tudo o mais. Primeiro, sua atuação é impecável, depois ela pela sinceridade, objetividade e clareza no que diz e propõe, o jeito como trata o semelhante diante de si, diz muito de como falta muito na maioria dos políticos atuais. Ela veio aqui, ainda não para fazer campanha política, pois essa se inicia de fato no próximo domingo, 16/8, mas sim para falar sobre a Escala 6 x 1. Ela até fala disso, mas fala muito mais, ou seja, de tudo e muito mais, sempre com muita sensibilidade e sapiência, política e com uma vivência pessoal, de quem soube de fato extrair tudo o que a vida lhe proporcionou.

ERIKA é para mim hoje uma dessas políticas, não só de futuro, mas pela qual, devemos realmente prestar mais atenção. Ela cai como uma luva para, exatamente neste momento, façamos aquilo que todo ser humano precisa uma hora colocar em prática, o de dar um breque, ver o que está fazendo, como faz e sem alterar radicalmente, procurar entender de fato o que desponta destes novos tempos, a voz das ruas e não insistir em algo com uma roupagem mais antiga, uma pegada não mais atraindo como dantes. Ela nos ensina um caminhar um tanto diferente e quem não estiver atento, prestar atenção no que está sendo demonstrado, a tendência é ser atropelado pelo trator da História e depois, mesmo se queixando ao bispo, o carro já passou, a água já passou debaixo da ponte. 

Eu fui lá no Guilhermão, me juntei a gente querida, conversei com quem pude, assuntei tudo dentro de minhas possibilidades e além de sair de lá recarregado, creio ter conseguido extrair o principal do evento, o néctar de tudo: este é um baita caminho, o de estar inserido em como fazer chegar a mensagem dessa necessária mudança, se utilizando de um discurso e prática, os dois muito bem alinhados, assim tocando um número cada vez maior de pessoas. Saio de lá com a certeza de que, ela está no caminho certo e errado está quem ainda não entendeu isso, não alterou sua rota. Se manter na lida e luta, porém, desflaudando uma bandeira com discursos que não mais atendem e nem chegam para todos é algo como perder tempo, falar para as paredes. O que vi ali acontecer no Guilhermão me abriu muito os olhos para tudo o mais que temos pela frente. Ela encontrou um caminho e além do encantamento, se faz necessário sair dali e colocá-lo em prática. Se já gostava dela, em todos os sentidos e meios, agora, ela é também um guia louvável para estarmos novamente nos fazendo entender quando nos dirigindo para essa imensidão hoje um tanto distante. ERIKA É DEZ.

ERIKA HILTON, A DEPUTADA FEDERAL NO GUILHERMÃO BAURU, NOITE DE QUINTA, 13/8, ARREBATANDO A MULTIDÃO - ELA DEMONSTRA PARA TODOS NA LIDA E LUTA, COMO DEVE SER FEITA A LUTA DIÁRIA DE CONSCIENTIZAÇÃO POPULAR
Eis o que consegui gravar dela, um pequeno trecho de sua fala inicial no Guilhermão, onde por fim, falou por quase uma hora, com todos em estado de êxtase: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/927304190423677




quarta-feira, 12 de agosto de 2026

DIÁRIO DE CUBA (270)


CENTENÁRIO DE FIDEL CASTRO, ETERNO LÍDER DE UM SONHO AINDA NÃO REALIZADO

Cuba foi por várias décadas o grande sonho libertário deste planeta. Encarnado nele, FIDEL CASTRO, que neste dia 13/8 estaria completando 100 anos de vida e CHE GUEVARA, foram os dois baluartes de uma revolução que, fez a minha e a cabeça de uma geração de pessoas em busca de um outro mundo possível. Cuba resiste até hoje, cercada por todos os lados por um perverso e criminoso bloqueio, de uma nação que a quer liquidada, para ali implantar não só sua capitulação, mas sua destruição enquanto nação livre e soberana, tornando-a um satélite dos interesses deste país, os EUA, que hoje se mostram um carrasco de todos os povos latinoamericanos.

E por que lembrar de FIDEL CASTRO neste momento? Primeiro por ele estar completando 100 anos de vida, data redonda e depois, por continuar sendo um eterno símbolo de uma resistência, que não pode terminar, pois vivendo dentro deste mundo neoliberal, hoje já adentrando a perversidade da extrema-direita, precisa ser renovada e reabastecida a todo instante, não permitindo que a chama se apague. Fidel possui em condão, essa magia de nos fazer crer e por causa disto, lutar desmedidamente, sempre acreditando num outro mundo, onde os homens vivam sem as injustiças do capitalismo.

Fui verificar no monte de camisetas que tenho e uso regularmente, muitas com a estampa do Che e uma só onde Fidel aparece, lindamente, adentrando Havana em 08 de janeiro de 1959, para promover sua libertação dos grilhões da cruel ditadura de Fulgêncio Batista. Tive o prazer de em 2007, estar em Cuba, podendo circular por toda a ilha por um mês, ao lado de meu amigo Marcos Paulo Casalechi Resende, vendo in loco algo que, pelo menos uma vez na vida todos sonharam tanto em fazer: conhecer de perto a Cuba, este paraíso terrestre que um dia ousou, há apenas 100 km da costa norte-americana, implantar um regime político realmente transformador do ser humano.

Eu continuo e continuarei enquanto viver a sair pela aí ostentando no peito imagens dessa Cuba e principalmente de Fidel e Che, pois representam para mim algo como uma utopia realizável, possível e como aconteceu num lugar, luto para que se reproduza e se multiplique. Se sonhar é possível, Fidel me faz sonhar e ao abrir os olhos em cada manhã, renovar estes sonhos e lutar por eles. Hoje mesmo, essa reeleição de Lula no Brasil tem muito disso. Fidel é um dos que me fazem crer que lutar por um ideal é mais do que plausível e possível.

A trajetória impecável de vida deste grande líder sempre será para mim um alvo a ser alcançado, dentro dessa incessante busca e não é porque envelheci ou mesmo as forças se mostram adversas que devo desistir, esmorecer e abrandar a contenda. Continuo pela aí, desfraldando a bandeira cubana como algo possível. Os anos de passaram, muitos abandonaram a luta, se acomodaram, preferiram não mais digladiar contra as forças perversas a nos rodear, capitularam e tocam suas vidas, deixando de lado aquele ideal que nos moveu. Não consigo. Se cheguei até aqui, 66 anos de idade, tive dentro de mim, como uma estrela guia, ostentando como um alvo a ser buscado, o mesmo ideal de Fidel.

O socialismo de fato, como idealizado por ele, nunca foi de fato implantado, pois as forças contrárias sempre agiram para cerceá-lo, porém, ele seguiu em frente, forte e resoluto, conseguindo levar adiante o projeto cubano. Hoje Cuba resiste bravamente, tendo que abrir flancos em muitas questões, pois criminosamente fazem de tudo - e mais um pouco - pela sua extinção enquanto nação livre. Existirá um caminho, uma saída, uma forma de continuar resistindo e se mostrando ao mundo como uma opção possível. Acredito nisso e tendo Fidel como este grande líder, meu sonho continua em plena execução. Por pessoas como Fidel, não esmoreço e sempre me verão na lida e luta. E neste centenário de seu nascimento, renovo aqui a crença de que, desistir de lutar é fenecer e viver tristemente. Um homem sem sonhos e utopias não vive. Fidel me faz forte.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (256)

DUAS HISTÓRIAS VIVENCIADAS PELO HPA

1.) DAS ANDANÇAS PELA AÍ, PENINHA CIRCULA UNS DIAS PELA CIDADE ONDE JÁ FEZ E ACONTECEU
Peninha, ou melhor, Oswaldo Penna Jr, filho do seu Oswaldo Pena, o da revista Cadência é um ser polêmico por natureza. Gosta de provocar tsunamis por onde passe e como está por alguns dias circulando pela Bauru, lugar onde um dia, algumas décadas atrás, fez e aconteceu, tenham certeza, se ele pousou por aqui, algo está para acontecer. Eu como gosto de provocá-lo, nos encontramos hoje numa tour, onde foi inspecionar antigos locais, que um dia chamou de seu, paramos para um xixi no Confiança Max e diante de tanta gente no nosso entorno, digo a ele: "Meu caro, antes eu descia a feira e conhecia todo mundo, hoje não conheço mais ninguém. E você aqui, que tanto barulho já provocou por essas bandas, quantos te reconheceram aqui na região da Getúlio?".

Ele não demorou nem um segundo e a resposta foi certeira: "Ninguém. Você acredita que, ontem, sentei no Franz Café, esse aqui pertinho, comecinho da Getúlio, point dos abonados e por ali fiquei mais de uma hora. Sabe quantos me reconheceram? Ninguém". Rimos juntos e constatamos o quanto o tempo passa e com ele se vão aquilo tudo que um dia louvamos. Nossos feitos mais homéricos caem no esquecimento, reconhecemos. Ele não se apoquenta com isso e como ainda gosta de uma cervejinha e o Franz não serve essa iguaria, me diz estar tomando umas - ontem umas, hoje mais algumas - no bar de um posto de combustível ali perto. E dali, olhando para esses novos personagens bauruenses circulando no seu entorno, me diz como tudo está mudado, cada vez mais em cada novo retorno.

O agitado advogado, que ainda sonha em conseguir encontrar um mecenas que banque um filme sobre os cafajestes de Bauru, principalmente aqueles todos que rodearam a famosa Casa da Eny. Ele circula com um roteiro em sua pasta e está sempre pronto a entregá-lo para quem se mostre disposto a ajudá-lo. "Essa história cutuca essa cidade em suas entranhas mais perniciosas. Muitos não a querem ver vingar, mas eu quero e conheço as histórias todas, pois vivenciei aquele período de dentro de suas vísceras. Tem muita gente ainda vivo, mas a maioria já morreu e assim como Jorge Amado relatou aquelas histórias dos bataclans baianos, o nosso aqui foi até mais portentoso que aqueles. Um dia irei conseguir levar adiante este projeto revolucionário. Não desisto fácil", me diz.
Ele pode ter envelhecido - em barris de carvalho -, mas sua memória continua ativa e lembrando de tudo. Cita nomes de gente do seu tempo a todo instante, alguns dos quais eu já nem mais me lembrava. Lembra e conta algo do cidadão ou cidadã, como se estivesse revivendo naquele momento algo vivenciado numa época, que não sai de sua cabeça. Sentar com ele para uma prosa é ir resgatando histórias, ouvindo e tomando conhecimento de particularidades desconhecidas, algumas muito picantes, ou seja, deixando a coisa vai longe e ele tem sempre algo novo, pois sua mente continua com a mesma efervecência de antes.

Ele saiu de Bauru décadas atrás, após ser o primeiro vereador do PT eleito na cidade, foi viver na França, casou, tornou-se pai e depois voltou, advogou, morou em Palmas, lá no Tocantins, agitou muito por lá, voltando para a França. Neste momento, está decidindo se volta ou se fica, aqui, São Paulo ou a França. Com uma mochila às costas circula pela aí e cruzando com ele, pare, assunte, provoque o danado e passe um tempo ouvindo algo, histórias de todo tipo e com personagens sempre muito conhecidos. Conhecidos de outros tempos, pois como tivemos uma prova hoje, poucos ainda o conhecem, mas tomar conhecimento de como a coisa acontecia nas entranhas bauruenses no seu passado não tão glorioso é mais do que instigante, provocante e arrebatador. Ele sabe coisas que até deus duvida. Duvida? Tire a prova o encontrando.

2.) E AGORA SUA CASA PEGOU FOGO E O VEJO PERAMBULANDO PELAS RUAS, SEM EIRA NEM BEIRA
"Bom dia, Henrique. Tudo bem? O morador da casa da rua Maria José se chamava Silvio Carlos Scaraboto. Era meu amigo da quinta série no Ernesto Monte. Silvinho tocava cavaquinho e por essa condição nos aproximamos. Com o passar dos anos cada um seguiu seu caminho. Um "oi" aqui um "como vai ali", na época sempre simpático, educado, comunicativo e sorridente. Ele chegou a fazer alguns trabalhos para um dos meus irmãos que tinha uma serigrafia (ele desenhava artes para impressão). Depois fiquei sabendo que estava morando em Campinas e tinha uma agência de publicidade bem sucedida por lá. Muitos anos depois, lá por volta de 2005, talvez reencontrei o Silvinho em Bauru. Me procurou pedindo trabalho. A agência tinha fechado, brigou com seu irmão de quem era sócio e voltou a morar com os pais. Estava esquisito. O sorriso tinha desaparecido. Andava desconfiado, cheio de teorias da conspiração, difícil de conviver", assim um amigo descreve em poucas linhas como foi a vida do morador da casa que pegou fogo recentemente.

Eo conheço de vista há muito tempo e ouço suas histórias desde então. Desde a morte dos pais, seu círculo se fechou e ele, foi ficando cada vez mais sózinho. Por causa deste "difícil de conviver", vivia só, cada vez mais isolado. Um dos lugares que o via constantemente era no espaço do Supermercado Confiança Nações, bem próximo de sua casa. Tempos atrás, tinha uma grande asa delta instalada defronte a fachada do imóvel e isso sempre me despertou a curiosidade. Pelos comentários de todos, principalmente vizinhos, os que com ele tiveram alguma convivência, estava cada vez mais difícil se aproximar e conversar. Vivia assim e dizem, sem existir certeza, possui uma aposentadoria, o que lhe garante não passar fome. E tudo desemboca neste incêndio em sua casa, consumindo-a quase por completo. Internamente restou um veículo, que ele não colocava em funcionamento há décadas. Buscaram o veículo para proteger de saques, mas e ele, como anda?

Dois dias atrás o revi nas ruas e este o motivo deste escrito. Comentam dele não estar podendo voltar para sua casa, pois não sobrou sequer um teto para se abrigar. Estava no hall do prédio da Unimed, ali na Rio Branco e ele zanzando por ali, sem rumo, olhando para os lados. Andou até defronte uma unidade da Paschoalotto, ali ao lado, sentou numa mureta e ficou fumando, olhando para longe, um horizonte perdido. E dali, pelo que dizem nas imediações de sua casa, tem dormido debaixo de marquises e se tudo já estava ruim, agora infinitamente pior. Tudo o que sei é no campo das hipóteses e aqui passo, até para um pensar coletivo. A solidão é algo muito perturbador. Tem quem goste, mas se assim o vive, não abandona as relações com os demais. Sem vínculos e com alguma perturbação, tudo é elevado para níveis indescritíveis na condição humana. Penso que, diante de tudo, algo precisa ser feito. Todos estão muito preocupados e alguns poucos devem estar realmente o ajudando, prestando aquele auxílio para alguma continuidade de sua vida. Na verdade, as histórias se repetem e de todos que tenho ouvido, que o viram pelas ruas por estes dias, se sentem incomodados vendo-o na situação atual. Enfim, o que pode realmente ser feito para buscar uma solução pro Silvio, eis a questão. E quando algo desponta assim, com tantos pensando juntos uma solução, uma grande possibilidade dela surgir, uma luz no final do túnel e assim, ele numa outra situação.

Isso tudo me remete a estes tantos hoje abandonados nas ruas de nossas cidades. Cada qual possui uma história de vida por detrás de si. Muito me comove observar como se desenrola a vida destes tantos hoje vivendo em situação degradante. Não dá para circular por uma calçada, ver um ser humano dormindo largado de atravessado no meio dela, pular o mesmo e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. Isso ocorre com muita frequência. Ali mesmo perto do Confiança Nações, debaixo de uma marquise do viaduto, observa-se famílias em rodízio. Existem lugares de abrigo e dias atrás quando perguntei a um deles sobre o Albergue Noturno, me disse que por lá é muito bem recebido, porém por poucos dias, pois o sentido de sua existência é o da transição temporária. Silvio está provavelmente adentrando essa nova condição de vida. Isso encurta a vida de qualquer ser humano. Escrevo isso em forma de desabafo e buscando uma forma de resgatá-lo, porém, não só a ele, pois se a sua história nos comove, em cada um pelas ruas, a mesma situação, exposta como chaga diante de nossos olhos. Com um pouco mais de sensibilidade humana tocamos melhor nossas vidas.