AGUARDEM UM BOCADINHO MAIS, POIS HOJE TERÃO UM TEXTÃO COMPRIDO, QUE AINDA NEM COMECEI A ESCREVER, MAS PUBLICO AINDA HOJEHoje, como sabem é Dia do Jornalista. Quero escrever algo mais depurado sobre o tema e para tanto quero envolver três pessoas, três grandes jornalistas, que gosto muito, Lúcio flávio Pinto, o criador do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, cujas duas últimas edições da revista piauí dedica ampla matéria, assinada por João Moreira Salles. Não quis escrever antes de terminar os dois longos textos. Depois, o meu grande amigo Sérgio Fleury, do Jornal Debate, de Santa Cruz do Rio Pardo e por fim, de outro amigo, que hoje reconheço como um dos últimos jornalistas desta aldeia bauruense a praticar o jornalismo, indo na fonte, para depois produzir o texto, o intrépido e hoje aposentado Aurélio Alonso. Nem sei como irei começar, mas devo parir isso tudo antes de dormir. E, é claro, dedico tudo o que escrevo, sempre e sempre, para Mino Carta, o dono da CartaCapital, este, o cara que um dia profetizou como seria minha vida. Diante de tanto escrevinhar sobre o que via, como iria poder ainda querer pedir emprego e dar aulas pela aí, daí, como Mino, criei meu próprio emprego e sai a vender chancelas país afora, tornando-se num caixeiro viajante, até o momento de minha aposentadoria. Primeiro vou tratar dos gatos, depois sento e escrevo. Quem tiver saco que leia...
DIA DO JORNALISTA, TRÊS GRANDES JORNALISTAS LEMBRADOS: LÚCIO, SÉRGIO E AURÉLIO
Que dizer de um jornalista lá do Norte do país, quando num certo momento de sua trajetória escreve uma matéria inconstestável sobre os desmandos em sua cidade, Belém PA, a apresenta para a diretora do jornal, essa endossa, mas diz não poder publicar, pois envolvem dois dos maiores empresários da cidade e anunciantes do jornal? E a partir daí, ele a comunica estará criando seu próprio jornal, o JORNAL PESSOAL, escrito e dirigido por uma só pessoa, LÚCIO FLÁVIO PINTO, onde pudesse publicar tudo o que escrevia. Desde então, setembro de 1987, durante 32 anos, quinzenal e sempre com 8 páginas, revolcionou a imprensa brasileira. Praticou ao longo deste tempo, um jornalismo sem mêdo, dentro da mais absoluta verdade factual dos fatos, com 34 processos nos costados, algumas surras, mas nunca se desviando de mexer com interesses tão grandiosos. Além do destemido jornalista por destrás do feito, alguém que nunca se intimidou diante de personagens dos mais poderosos, sempre publicou o que a maioria dos demais não tinha coragem de fazê-lo. Isso de transmitir textos sem retoques, tornando-se indispensável. Sabe algo único, tipo o que se lia ali não era mais encontrado em nenhum outro lugar?
Sua importância, destacada por mim neste momento, no Dia do Jornalista deve-se a um único motivo: diante da direta omissão dos demais veículos de comunicação em produzir a exatidão dos fatos, por variados motivos, o Jornal Pessoal o fazia. Na revista Piauí, edição de março e abril/2026, duas matérias sequênciais, escritas por João Moreira Salles, nos apresentando sua singuralidade: "No interior do Brasil - e, em certa medida, também nos grandes centros -, a informação era rigidamente controlada pelos veículos, dependentes das verbas públicas e das empresas locais. A dificuldade para você publicar algo crítico era tremenda. Essa não, essa não". Isso cai para uma luva para um tipo de jornalismo, que predominou e ainda predomina pela imensa maioria do praticado até hoje no Brasil. Cito o bauruense Jornal da Cidade como exemplo clássico. Quando um jornal, tendo um dono como o sr Alcides Franciscato iria publicar tudo sem um filtro? Nunca. O filtro existe até hoje e reparo, isso não é exclusividade do nosso JC, pois o percentual a fugir disso é muito pequeno.
Quem como, Lucio Flávio ousou criar seu próprio jornal, padeceu muito. As histórias são exemplares. Conto logo mais a de alguém com a mesma fibra, num órgão aqui de perto de Bauru, Santa Cruz do Rio Pardo. Antes saliento algo mais, quem age dessa forma, se torna famoso, pela coragem e altivez, mas corre muitos riscos, não só de morte, mas de falência. Outro grande mérito do Jornal Pessoal é o fato de toda grande investigação jornalística feita na região do Pará e da Amazônia ter passado ou ser atribuída a ele. Isso também ocorreu com o jornal semanal O Debate, de Santa Cruz, do também corajoso jornalista Sérgio Fleury. Vejo o mesmo tipo de reação, tanto para um, como para o outro: se é importante e condiz com a verdade foi ali publicado. Fleury padeceu muito nas mãos de quem não queria ver notícias verdadeiras publicadas. Praticamente faliu diante de um processo absurdo, movido por um juiz, não aceitando a verdade dos fatos. Seu caso virou notícia nacional e o desenlace se transformou em outro grande momento do jornalismo brasileiro. Estes dois representam algo dos mais grandiosos no quesito coragem. Além de tudo, vejo nos dois, algo ainda mais salutar, o de ter levado para o "texto escrito a voz e a situação dos subalternos. Por trás destes trabalhos existe uma viva concepção de História".
Certa feita Lucio Flávio disse: "Não fiz o Jornal Pessoal para que meu nome ficasse no alto da página. O jornal surgiu para publicar o que nenhum órgão de imprensa queria divulgar". Lucio e Sergio são exemplos latentes. Tivemos outros. Não me esqueço de Mino Carta e suas batalhas todas, como a resistência com que ele e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo conseguiram levar adiante o projeto de uma revista de circulação nacional, praticamente sem anunciantes e sem se vergar a interesses mesquinhos, mera "quitanda, tratada como banana". Quando a memória se volta para estes dois, lembro de outro aqui da região, o jornalista Aurélio Alonso, que trabalhou n'O Debate e se aposentou no Jornal da Cidade, sempre correndo atrás de notícias e matérias in loco, ou seja, sem estar com a bunda sentada numa confortável cadeira com ar refrigerado. Na matéria da Piauí, algo onde estes três nunca estiveram: "Existem profissões cujo exercício leva à formulação da dúvida: Será que sou um covarde.(...) Mais dia, menos dia, o teste virá, e o repórter - sobretudo aquele que está na linha de frente - terá que dar sua resposta".
Lembro das matérias do Aurélio, principalmente no Caderno Interior, indo em variadas cidades, em busca de algo novo para relatar. Quando da reformulação do jornal, o que primeiro cortaram foi isso do jornalismo ir atrás da notícia. Hoje, o que mais se vê são as notícias sendo levadas até a cadeira do jornalista e dali ele produzindo seu texto. "Brigar sempre, o tempo todo, exaure. (...) Precisar se defender, sexagenário e septuagenário, em diferentes instâncias e contra os mais diferentes tipos de adversários, destrói. (...) Essa dedicação missionariamente, consistia, num projeto que exigia sacrifícios. Ao recusar anúncios, patrocínio ou o apoio de qualquer mecenas, o projeto encarnava a opção total pela pobreza". Lucio e Sergio encarnaram isso na exatidão da palvara e Aurélio, a exerceu ciente de que, para dizer a verdade o tempo todo, estaria não só comprando inimigos, como se afastando de convescotes. Daí, para comemorar mais um DIA DO JORNALISTA, faço questão de repetir aqui frase dita pelo Lucio Flávio: "Jornalista herói é aquele que não teve tempo de avaliar o risco, ou de fugir". Estes três não fugiram do pau, ou melhor, guardadas as devidas proporções, enfrentaram o touro à unha. Nunca foram imprudentes e, parece, souberam avaliar os riscos.
Estes três sabem muito de uma regra básica dentro do mundo jornalístico, quando diante de poderosos, contrariados por textos revelando seus escândalos: "Na região amazônica, existem três etapas para calar a boca de um jornalista. Primeiro, pede-se que ele pare - às vezes, com um processo. Em seguida, aparece o dinheiro, a tentativa de corromper. Por fim, vem a ameaça, o ato físico". O independência, como mais do que sabido, sempre têm um custo alto. Em primeiro lugar significa empobrecimento. Seguir nessa linha é olhar para a trajetória destes três aqui citados, todos ótimos jornalistas, dos que envergam e não quebram, porém, todos pobres. Os que enricaram, a maioria se vendeu. Abdicaram da riqueza em busca da perseguição da verdade dos fatos. Olho para o que construíram e constato, até não conseguiram realizar sonhos de conquistas econômicas, chegaram muito cansados ao final da jornada, mas irão para a História, pois não se deixaram levar pelo canto da sereia. Muito das verdades que tomamos conhecimento ao logo do tempo se deve à pessoas e escritos por gente como estes três. A eles minhas mais honrosas homenagens no dia de hoje.






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