quarta-feira, 1 de julho de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (192)


BAURU DEPOIS DOS ROSIN'S, TERRA ARRASADA 
A alusão é até simplista, mar cai como uma luva para exemplificar o que está em curso na cidade de Bauru, levando-a ao caos, plena derrocada, política e financeira: é como se a cidade tivesse sido vítima de uma nunvem de gafanhotos, dessas que invadem plantações, devastam tudo e depois somem, desaparecem, deixando vestígos, mas com o estrago ali, devastação total. Suéllern Rosin foi reeleita no primeiro turno e administrará Bauru, ela e os seus, até o final de 2028. Guardião, o super-herói bauruense, sempre atento e alertando para os desastres, não só naturais, como os políticos, esses deixando sempre sinais de sua presença, continua nos alertando:

"Não está sendo por falta de avisos. Estes se multiplicam, mas até agora, nada ocorreu de fato a impedir que tudo continue como dantes, ou seja, Bauru segue seu ritmo acelerado rumo ao caos. Este caos pode ser já prenunciado com uma simples averiguação na situação atual de suas contas, ou seja, a quantas anda os cofres do munícipio diante de todas suas obrigações. Todos, indistintamente, alertam que a situação já está periclitante e na continuidade, algo impagável pela frente. Ou seja, algo está em curso em desalinho com o bom andamente que deve ter as contas públicas. Ou gasta-se demais ou estes gastos estão, não só ultrapassando os limites toleráveis, como sendo feitos de forma inapropriada, muito inábil, pois nada é feito para estancar a sangria".

Não se faz necessário consultar or oráculos, nem nenhuma bola de cristal. Isso da cidade estar gerando algo que, lá na frente gerará sua insolvência ou inadimplência absoluta é alvo de comentários de todos. Guardião, ciente de tudo o que rola nos bastidores políticos desta cidade, observa a movimentação em curso e reforça o alerta: "A situação já saiu do controle. A oposição na Câmara dos Vereadores, a que ainda existe, talvez quatro ou no máximo cinco vereadores, de um total de 21, demonstram por A + B, do surreal em curso, porém, tudo persiste e nada é alterado. É uma sucessão de fatos, de procedimentos mais que prejudiciais para as contas municipais. Nunca tivemos tantos cargos comissionados dentro da estrutura pública municipal, isso constituindo-se num cabide de empregos sem precedentes. Empréstimos e empréstimos são aprovados, todos em toque de caixa, remige de urgência, com uma dinheirama chegando e obras não saindo, não sendo finalizadas do outro lado da ponta. Não existe uma só pessoa, conhecedora da real situação da receita municipal, que não emita alertas contínuos sobre procedimentos inaqdequados e sem muita transparência, mas tudo continua sendo aprovado, referendado e executado, aumentando não só a preocupação, como gerando uma só pergunta: o que será de Bauru, quando a família Rosin deixar o poder?".
SERIA ESTE O DESTINO DE BAURU EM 2028?

2028, quando Suéllen deixar o Governo, será aberta a caixa preta e a cidade saberá de fato, a situação dos cofres municipais. Guardião alerta para o perigo de, hoje, iniciando julho de 2026 e tendo à frente, aproximadamente dois anos e meio, o que será vislumbrado da cidade quando olhada lá dos janelões do terceiro andar do Palácio das Cerejeiras, sede do Governo Municipal? "Lembram-se do último governo de Tuga Angerami, quando durante todo seu mandato, pagou dívidas? Teremos alguém com este perfil para administrar a cidade a partir de 2028? E o que restará para ser administrado? Já deu para perceber que, Suéllen administra ouvindo os seus, estes até participando de suas decisões, mesmo sem mandato. Seu pai é uma espécie de imperador dentro da sede da Prefeitura e dos partidos ligados ao poder, com mão de ferro. Sabe-se que, a divida da Cohab é tão alta, que ela, por si só, inviabilizaria qualquer novo investimento na cidade. A Emdurb continua sendo o cabidão de empregos de sempre, sem nenhuma administração séria, buscando solucionar seus eternos problemas. Gente de fora é chamada para ocupar secretarias, como se entregue para gente daqui, algo não tivesse como ocorrer. Empréstimos continuam sendo aprovados, de uma forma muito irregular, como denunciados pelos poucos vereadores de oposição e a situação do que precisa girar, como a Saúde e a Eduacção, cada vez mais claudicantes. Nos Postos de Saúde falta o básico e na Educação, nem os uniformes de Inverno são entregues, porém, gasta-se altos valores com shows musicais, tudo com intuito de distrair a população. Ou seja, na somatória de tudo, tenho dó de quem pegar a Prefeitura para administrar ao final de 2028", conclui Guardião.

OBS.: Guardião é obra do traço inconfundível de Leandro Gonçales, fina flor com a pena nas mãos e com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA. Estes dois, preferem continuar produzindo, mês após mês, uma charge feita na unha, do que transferir tudo para uma arte feita pela IA, que é muito válida, porém, ocorreria sem a intervenção pessoal do artista.

terça-feira, 30 de junho de 2026

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (160)


historinha pra começar a conversa
A ELUCIDATIVA RESPOSTA
Os sacanas estão espalhados por todos os lugares. Aqui nas plagas bauruenses, percebe-se nitidamente que, os que se enriquecem de um dia para a noite, algo de muito errado aconteceu pelo percurso. Eu tive o prazer de ouvir de um juiz aposentado, já falecido, a frase que bem expressa o que rola nas entranhas bauruenses: "Henrique, não se iluda, olhe para essas novas e velhas fortunas aqui de Bauru. Todas elas, sem exceção, foram construídas de duas formas, ou uma ou outra. Ou o sujeito ganhou na loteria ou fez algo errado, no escondidinho pelo caminho e assim chegou a riqueza. Ressalto que, até o presente momento, aqui em Bauru, ninguém até agora ganhou na loteria".

Foi impossível não relembrá-la como se deu o diálogo que tive com esse respeitado juiz, quando ontem versando sobre novas fortunas, algumas constituídas da noite para o dia, em poucos anos, como se um raio caísse sobre os ombros da pessoa - um raio de sorte - e ela, sem mapa sem nada, sem estar guiada por nenhum arco-íris, consegue chegar até um pote de ouro e num pluft-plaft-zum acorda rica. Pois estava perambulando pelo centro, dou de cara com antigo conhecido, ele vestusto conhecedor de artimanhas e atalhos enriquecedores de contas bancárias e lhe pergunto:
- E então, que fazes por aqui? Como andam as coisas?
Ele, como querendo se explicar, me responde e, a partir daí, sei de onde provém sua vistosa riqueza:
- Meu caro, sofro muito, pois as autoridades brasileiras não compreendem minha forma de atuação empresarial.

algo concreto, se repetindo por muitos lugares
ADORNI NA ARGENTINA E DENTRO DE ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL, ALGO AINDA EM CURSO, PRESTES A RUIR - A PRÁTICA DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
O ex-chefe de Gabinete do desGoverno Argentina, Manuel Adorni, renunciou ao cargo neste final de junho de 2026, após ser alvo de investigações por suspeita de enriquecimento ilícito. O escândalo envolveu viagens luxuosas e a aquisição de imóveis, agravado pela omissão de cerca de US$ 500 mil não declarados ao fisco, que ele alegou serem provenientes de investimentos em Bitcoin realizados entre 2014 e 2018. 
O caso ganhou grandes proporções na mídia e na Justiça federal argentina. Os principais pontos que motivaram o inquérito e a crise política incluem: 
  • Omissão Patrimonial: Adorni admitiu não ter declarado aproximadamente US$ 500 mil, justificando que o valor era fruto de investimentos anteriores à sua entrada na política e poupados na informalidade.
  • Investigações Financeiras: A Justiça passou a analisar a compatibilidade de sua renda com a aquisição de imóveis, reformas residenciais de alto padrão e viagens de luxo ao exterior feitas por sua família. 
  • Defesa e Renúncia: Adorni negou veementemente ter cometido qualquer crime ou corrupção. Ele apresentou sua renúncia, mas afirmou que colaboraria com a Justiça para provar que a evolução de seu patrimônio ocorreu de forma lícita.
  • Desdobramentos Políticos: O caso se tornou uma forte crise no governo de Javier Milei. Embora o presidente tenha inicialmente resistido às pressões da oposição e apoiado seu aliado, o ex-porta-voz acabou deixando o posto de chefe de gabinete no final de junho, sendo substituído por Diego Santilli.
O presidente, líder da extrema-direita Javier Milei fez de tudo para ele continuar no cargo, mesmo diante de tamanha evidência de seus delitos. As perguntas que rolam nos bastidores polítricos argentinos são essas: Se Milei o defende, o que esconde? Seria essa a ponta do iceberg para tantos outros escândalos financeiros? Seria ele o único com este procedimento? Adorni renunciou e está prestes a ganhar um cargo com alto salário na YPF, a petrolífera argentina, ou seja, mesmo diante de tudo, pelo visto não podem descartá-lo, pois sabe demais. Com certeza não agiu sózinho e nestes casos, quando cai um, caem todos. 

Casos como este se repetem pela aí e demonstram algo bem peculiar do procedimento de quem está à frente de governos populistas, com ligação umbilical com a extrema-direita. Podem reparar, todos exercem, sempre na penumbra, inúmeras atividades e atitudes suspeitas, sempre envolvendo altos valores financeiros e em todos, numa simples comparação, antes de ingressarem nos cargos públicos, meros cidadãos com situação mediana financeira e depois, num vapt-vupt uma explosão, tudo de uma hora para outra, algo incompatível com a renda, o soldo de seus proventos. Em todos os casos, uma só certeza, sempre existe gato nessa tuba.

Comparo o que aconteceu com Adorni, o até então Chefe de Gabinete do despóta Milei com o que se vê pela aí. Impossível achar normal dentro de uma administração, um prefeito (a) eleito ter adentrado o cargo, morando mal, sempre de aluguel, com rendimentos medianos declarados pelo Imposto de Renda e na sequência morar num rico condomínio, tudo págpo, sem que exista comprovação para tanto. Como se dá essa mudança tão rápida? Para tudfo não existe mágica, ou seja, algo ocorreu. Diante da insistência de políticos, buscando altos financiamentos continuados para obras que nunca se concluem, mas o dinheiro circula, precisa existir uma riogorosa fiscalização, buscando a origem, o fio da meada. Obras sempre super-faturadas, votações de aprovações por legislativos todos votando cegamente, quase sem nenhuma discussão, por essas aprovações, tudo é sempre muito suspeito. Ninguém se enriquece de uma hora para outra, sem ter ganho na loteria ou ter feito uma maracutaia muito grande com dinheiro. Quando existe uma rede de denúncias constante, o Ministério Público tem que agir, desbaratando a trama, desvendando o conluio e esclarecendo os fatos. Políticos com o mesmo procedimento deste Adorni na Aergentinam existem aos borbotões no Brasil, principalmente dentro da extrema-direita, onde se passam todos por santos - na verdade, do pau oco -, porém, aptos a cometer as maiores barbaridades. Tudo se repete, nada é novidade, as histórias de enriquecimento são quase idênticas. Tudo é tão evidente, a fratura é tão exposta, faltando só encontrar a ponta deste iceberg, para tudo ruir e seus implicados pagarem por seus crimes. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

DICAS (270)


AMÉRICA DO SUL AVANÇANDO, TORÇO PELOS LATINOS
A situação atual da América do Sul hoje é lamentável, quase toda aderindo pra governos conservadores, com estilo fascistas, seguindo cegamente os ditames de subserviência norte-americana, ditada pelo pirata Donald Trump. É impossível ficar contente com a submissão absoluta e total de gente como Javier Milei na Argentina, o ditadorzinho chileno, que agride o pai de uma criança pelo fato dela não o ter cumprimentado e o boliviano, agredindo o povo, este unido e resistindo bravamente a um desGoverno traindo todos os avanços de governos anteriores. E como ficar contente com o resultado meio sacana da eleição colombiana, quando algo mais do que suspeito já está comprovado nas apurações, favorecendo o pérfido direitista. E a Keiko Fujimori no Peru, uma aberração suas primeiras declarações, inclusive uma contra os imigrantes, sendo ela, como descendente de japoneses, fruto de imigrantes. Ou seja, a bestialidade só não se completa em toda América do Sul por causa de dois países, o Uruguai, onde quietinho persiste um governo mais a esquerda e o Brasil, que resiste como pode ao avanço desmedido e criminoso do fascismo, já demarcado com Flávio Bolsonaro.

Essa triste sina da vida política da América do Sul, hoje com a maioria dos países já sob as asas de Trump e seus interesses, quase todos entregando suas reservas e preciosidades a preço de banana. Quer crime maior do que o ocorrido na Venezuela, quando num acordo tácito com políticos ditos de esquerda, destronam Maduro e entregam o petróleo para os EUA, quase gratuito, com Trump apregoando aos quatro ventos de como faz uso indevido da reserva dester país. Lula e seu governo é o último bastião den tro da América Latina, o maior país e mais influente, com um presidente influenciador de políticas mundo afora, alguém reconhecido como ótimo negociador e sempre trazendo benesses alvissareiras para o nosso país. Temos muito sorte de, justo neste momento, termos um presidente como Lula, que defende o Brasil de fato e nã oentrega os pontos para o todo poderoso e imperialista Estados Unidos. Sabemos o quanto isso é difícil e daí, sabemos também que, só Lula nos salvará de toda América do Sul estar totalmente atuando como quintal e lacaio dos EUA.

E daí vem essa Copa do Mundo e nela muitos países latinos. Da Argentina, nem se fala, o futebol mais empolgante no momento. Creio eu, um dos antecipados favoritos para ganhar o torneio mundial. Depois, outros com sucesso, como o Brasil, Colômbia, Equador e Paraguai. Confesso ter torcido demais para o Uruguai e mesmo admirando alguns posicionamentos de seu técnico, o vejo como problemático, pois já começa a Copa meio que com conflitivo relacionamento com a maioria de seus jogadores. O Uruguai merecia mais. Foi para mim a grande decepção dentre os times da América do Sul.

Em dois jogos hoje, segunda, 29/06, o Brasil e o Paraguai avançam na competição. O Brasil, pelo que se vê, tudo ocorrerá com sofrimento, como nas últimas participações. O time não é ruim, mas falta algo. Vem num crescendo e pode surpreender. Hoje, sofri muito quando o Japão, que não havia chutado uma bola em gol, marca no seu primeiro chute. O empate e a vitória vieram depois de dizer impropérios, aqui em minha sala, para Danilo e Casemiro. Este último faz o gol e me calei. Vencemos e avançamos. E no final da tarde, o renegado Paraguai enfrenta o bicho papão da Alemanha e empata no tempo normal e prorrogação, vencendo com muita garra e disposição nos pênaltis. Os narradores reforçavam a todo instante o poderio alemão, como que torcendo contra o time latino, mas eles se superaram. Grande surpresa.

Gosto demais de ver times latinos se dando bem. Não poderia torcer contra nenhum deles. Está no meu sangue, nessa luta empreendida uma vida inteira contra essas forças todas jogando contra, investindo para que continuemos sendo países satélites. Na verdade, vejo que muitos de nós mesmos ainda não nos descolonizamos, continuando possuindo ideias aliadas aos mandões e poderosos destas plagas, sempre ligados a Matrix dos EUA. Isso nos atrasa consideravelmente. Ao invés de resistir e se impor, muitos de nós mesmos aceitamos e nos colocamos a favor de quem nos oprime. Uma bestialidade sem fim. O tunisiano Frantz Fanon, revolucionário em tempo integral disse certa vez: "Burguesia são todos aqueles que morrem de vontade de parecer com os colonos". A elite latinoamericana age dessa forma, contra seus próprios interesses. Já fomos melhores politicamente e hoje, pelo que vejo, para mim, o sucesso dessa Copa, mesmo vendo um belo futebol no time freancês, torço muito para um time latino, incluindo o México, possa chegar lá. Hoje vibrei muito e nos próximos dias tem mais, com Equador e Colômbia. Vamos pra cabeças, pelo menos no campo futebolístico.

PENSANDO SERIAMENTE SOBRE O BRASIL, NÃO A SELEÇÃO, MAS O PAÍS
VIVA DARCI RIBEIRO, UM PENSADOR E TANTO DESTE PAÍS!!!

domingo, 28 de junho de 2026

COMENDO PELAS BEIRADAS (186)


AS IDEIAS SE SECAM
Dizer que "as ideias se secam" significa que a criatividade, a inspiração ou os argumentos acabaram ou esgotaram-se, assim como a água de um rio ou poço que seca durante uma estiagem. Assim me senti hoje, quando diante do computador, nada me vinha à mente para as escrevinhações de praxe. Eu, para evitar algo desta natureza, comprei um caderninho de anotações, que dei o pomposo nome de "Fundo Gaveta", nome emprestado da escritora Clarice Lispector, que assim denomina algo dessa natureza, onde anotava algo que não deveria esquecer. Achei o nome fantástico e assim denominei o meu caderninho, peça insubstituível, que anda comigo por todos os lados e nele anoto, dentre outras coisas, temas para escritos futuros. Faço uso dele exatamente em dias como hoje, quando sento, penso em tanta coisa e nada aflora com aquele ímpeto arrebatador. 

Creio eu, esse deve ser o mal de toda pessoa que, como eu, tem adoração por escrever, transpor para o papel tudo o que lhe vêm à mente. TEnho também outro caderno, um para escritos que não posso publicar, desabafos pessoais, textos que, certamente não passariam pelo crivo do politicamente correto. Para mim, é muito bom ter algo assim. Primeiro porque são cadernos e cadernos, tudo escrito à mão. Gosto muito de manter este hábito salutar, o de manter a mesa cheia de canetas, de todas as cores e com elas vou rabiscando de escritos. O nome Mafuá para meu local de trabalho é algo inerente ao meu modus operandi, ou seja, sou um tanto bagunçado, papéis por todos os lados e poros. Livros abertos em páginas específicas, revistas cheias de anotações, discos que retiro da estante para ouvir e demoro para devolvê-los, tudo numa bagunça que só eu mesmo entendo. Quando dona Mel, nossa prstimosa faxineira, passa por aqui, de quinze em quinze dias, fico de olho nela, pois adora deixar meu espaço um brinco, tudo arrumadinho, daí não acho mais nada. Uma loucura.

Escrevia do nome Mafuá e relembro quem me sugeriu o nome. Foi o Sivaldo Camargo, nos tempos quando dividiamos uma pequena sala lá na SMC - Secretaria Municipal de Cultura, nós dois diretores e minha mesa, sempre dheia de papéis variados e múltiplos. Ele um dia adentra a sala e me diz: "Sua mesa é um verdadeiro mafuá". Adorei, tanto que incorporei tão logo completei meu ciclo por lá, no final do último governo de Tuga Angerami, 2005/2008 e criei meu blog, o Mafuá do HPA, com publicações diárias deste então. Uma loucura isso de querer escrever e publicar ao menos um texto por dia. Já me disseram que, quando algo se torna obrigação, um perigo. Sei disso, mas como escrevo muito, mesmo sendo uma baboseira - como o faço neste momento -, mantenho o treco de, ao menos uma publicação a cada dia. 

E hoje, quando as ideias se secam, se esvaem, se esgotam, cá estou eu enchendo linguiça e contando algo de mim e de minha rotina. Tenho acordado cada vez mais cedo, tipo 5h da manhã e o faço, pois neste horário dona Ana dorme o sono dos justo e eu, sem ser importunado, coloco as leituras em dia e escrevo, vasculho as redes sociais. Claro, que faço tudo, regado pelo meu café matinal. Não faço, nem sei fazer café direito. Esquento uma xícara grande de leite, coloco nela café solúvel, suas gotas de adoçante e como, pelo menos, um pãozinho, mesmo amanhecido. Abro a janela da cozinha, 12 andar, deixo entrar a primeira brisa do dia no rosto, como em pé, olhando para um ponto de ônibus, bem defronte a Praça da Paz e só depois, mergulho de vez naquela quantidade imensa de papéis. Essa minha rotina e hoje, não quis pegar o tal caderninho de anotações, onde certamente encontraia algum tema para discorrer. Preferi bater cabeça e assim, acabo por contar algo mais de como passo parte considerável dos meus dias. 

Assunto não me falta, sei disso, mas nem sempre a cabeça anda boa para deitar e rolar dentro de algum tema. Quando o dia transcorrer sem percalços, tudo flui naturalmente, mas se como hoje, algo intercorrência me abate, daí, tudo vira uma lástima. Com o baixo astral instalado dentro da gente, nada flui a contento. Eu me sinto assim hoje, problemas pessoais, que espero resolver em breve e tudo voltando ao normal. Era isso, amanhã estarei mais inspirado. Obrigado por me suportarem...

UMA CIDADE ÀS ESCURAS
"Contrato milionário com CPFL pra troca das lâmpadas queimadas, e outro contrato de 51.000.000 milhões com a construtora Zopone pra trocar às lâmpadas boas por lâmpadas de LED e a cidade está mais escura como nunca antes se viu. Rua Júlio Prestes quadras 1 e 2, mais Rua Cel. Marcondes Salgado, quadra 5 a meses na escuridão. Bauru, cidade sem comando, é um caos administrativo dos recursos financeiros e do endividamento", frase copiada de publicação do Sem Limites Ong, visto por mim, quando compartilhado pela amiga, moradora da vila Falcão, cercanias dos muros da ferrovia, onde tudo está e sempre foi esquecido, muito escuro, Claudia Cassia Coelho. Bauru estará tão endividada e com seus problemas todos sem terem sido resolvidos, ao final deste período Rosin, que o próximo prefeito (a) permanecerá de pires nas mãos quase seu mandato inteiro. E, pelo visto, continuaremos fazendo pouco para impedir que os Rosin produzam o estrago irreparável financeiro nos cofres municipais.

sábado, 27 de junho de 2026

UM LUGAR POR AÍ (211)


NÃO PODIA DORMIR SEM ESSA
A ERA DA INQUIETAÇÃO
Que o mundo atual anda uma aberração, disso não se tem a menor dúvida. Intragável, diria alguns. Eu, cá do meu canto, diria mesmo privilegiado, pois consegui me aposentar e ainda por cima, escrevinhar todo santo dia, publicando por estes meios ainda possíveris, o que vai dentro de minha conturbada cachola. Acrescentaria, ser o mundo uma aberração perigosa. E diante de tantos perigos já vividos, vivenciados, o que poderia me acrescentar de riscos os atuais? Eu, diante disso tudo, do que vejo ao abrir minha janela todas as manhãs não é nada alentador, porém, não posso - e não devo - ser subtraído e consumido pelo pessimismo. Não há esperanças, mas há muito o que fazer. Essa última frase é triste demais, mas tudo leva a crer que, a luta se intensificará, mais e mais daqui por diante, dentre os perversos propondo um mundo manada, onde o coletivo, o ser humano se consolidar como construção coletiva não mais possível, porém, continuarei fazendo parte dos que resistem, dos que ousam não me aquietar diante da catástrofe mais dio que anunciada. 

Pode até não haver mais esperanças, mas como sei ainda há muito coisa a fazer, não arredo pé de estar na lida e luta, propondo, escrevinhando, me posicionando e, quando possível, estando junto pessoalmente nas lutas todas ainda empreendidas mundo afora. Os de minha geração tínhamos como objetivo principal a esperança por algo novo, o tal do outro mundo possível e a partir disso, construímos nossas vidas, toda baseada nessa maravilhosa utopia, a da construção de um mundo palatável, onde as diferenças pudessem ser eliminadas e a opressão fosse contida. Isso moveu e move minha vida. E hoje, mesmo quando forças contrárias se impõem de uma forma violenta, brutal, sádica, não consigo me colocar quietinho aqui dentro de casa, calado, contido e vendo a vida passar sem nada fazer. Eu, aos 66 anos consegui me aposentar e poderia ter uma vidinha modorrenta, queitinha, lendo e vendo TV, às vezes viajando, batendo perna, sem omitir opiniões, sem ousar contestar mais nada, mas para mim isso é totalmente impossível. 

Há algo no mundo atual  suportando tudo o que lhe é imposto, ou seja, muitos estão vendo "a banda passar" e nada mais conseguem fazer para tentar modificar seu percurso. Eu morreria mais rapidamente se assim o fizesse. Há algo no mundo que carrega um nível muito alto de tristeza. Eu não apenas nasci em outro mundo, mas fui uma peça fundamental na ideia de que iríamos vencer, de que iríamos mudar o mundo.
 Mudamos muita coisa, interferimos em outras tantas, mas a perversidade ganhou e hoje impera mundo afora. Aqueles ideais todos de transformação nunca serão superados ou considerados como ultrapassados. Longe disso, pois aquilo tudo continua a me mover. A Era da Inquietação a que me refiro neste título, portanto, surge de um diálogo entre dois indivíduos social e politicamente engajados, separados por mais de 40 anos de vivência e estrada, muita poeira e algo realizado. Ela retrata um mundo contemporâneo assolado por ameaças econômicas, epidemiológicas e ecológicas, bem como pela violência cotidiana. Junto tudo isso, coloco tudo no balaio da vida e não desisto, sigo meu caminho, enfrentando dragões e moinhos, muitos de vento, outros nem tanto. E tenho a certeaza, desistir é não só perder, mas morrer.

Os próprios acontecimentos se repetindo como farsa, por todos os lados e lugares, nos convidam a uma presença ativa, a estar lá, a habitar a inquietação, a permanecer despertos, abertos ao mundo e à própria existência. É uma época onde se faz necessário estar sempre alerta, vigilante, tratar de não dormir, permanecer vigilante, um pouco inquieto e procura nã osentir medo, pois mesmo quando tudo nos leva para ter cagaço diante das reais possibilidades deste planeta, buscar lá no fundo o atalho, juntando-se a tantos outros com a mesma inquietação e, seguir o único caminho ainda possível, o da resistência. Essa época pode ter elementos mais que perversos, é muito dura, mas ainda possui elementos fantásticos para não desistir de lutar e de buscar a realização deste sonho coletivo, o da vida sem guerras e tudo o mais. A imposição do mais forte é brutal, sanguinária, mas não é definitiva. Sempre pode existir uma saída e é nisso que me apego. 

Não podemos nos entregar e se dar ao luxo aristocrático de deixar pra lá, entregar os pontos e nada fazer. Se existe alguma possibilidade, nela estarei inserido - como estou e estarei, enquanto viver. Nunca desistirei do lado da esperança. Daí, temos muita coisa para fazer, talvez deixar o presente entre parênteses e se por a fazer, estar inserido em algo, não permitir ser derrotado sem ao menos ousar e estar engajado na luta pela transformação do mundo onde vivemos em algo muito mais palatável do que o presenciado. Guerras e devastação sempre existiram e nem por isso, outros desistiram. Chegamos até aqui e tudo fruto de intensa luta de classes, numa perde e ganha sem tréguas. Tenho em mente que tudo isso que nos aflige, um dia vai passar. Posso até não estar mais vivo para ver, mas posso ter feiito parte de uma intensa luta, onde não esmorecendo, nem entregando os pontos, algo foi conquistado. Tudo isso faz parte de uma luta, a de uma vida inteira. Isso me move, me faz acordar, abrir a janela e saber que, tudo pode ser transformado se, algo mais for feito. Resignação nunca.

Hoje falta muita coragem para assumir este mundo, com essa época, para assumir o presente, cada um no seu lugar. O significado da história era o progresso. Qualquer invenção tecnológica, qualquer coisa do gênero, era vista como um caminho para a libertação. Até mesmo a ideia de justiça social fazia parte do progresso, algo para o futuro. Hoje, esse significado se perdeu. A questão é a troca, cada um tendo sua própria verdade, o individualismo absoluto ou o relativismo cultural, cada cultura tendo sua própria verdade. Mas isso é guerra. Então, a pergunta é: como podemos encontrar significados concretos que não dependam do significado da história, de Deus ou dessa baboseira de individualismo? A ideia é tentar aprender a pensar sobre situações: migrantes, feminicídio, o envenenamento de populações pelo desmatamento e pela fumigação. Se aceitarmos o presente, há um sentido, mas é um sentido sem promessas. É isso que temos que suportar, e é difícil. Não sei em que tipo de mundo meu filho vai viver e isso me atormenta. Destruir tudo não é o mesmo que solidariedade, ou se agarrar à primeira promessa estúpida ou entrar para uma seita. Muitas pessoas, devido a genuínas fragilidades estruturais, não conseguem lidar com esta era. Então, os gurus são um paraíso. Você pode entender este caos, mas não se pode dizer. Perdemos até a coragem de dizer das coisas erradas, quanto mais de se posicionar e lutar contra elas.

O lado viril e conquistador da modernidade agora é pura destruição. E vemos os loucos que continuam nesse caminho. Trump, Netanyahu, Milei, Tarcísio, Bolsonaro e aqui em minha aldeia uma alcaide atuando dentro destes padrões. Suellen Rosin representa muito disso tudo. Não há progresso possível com estes no poder; pelo contrário, amanhã não haverá água potável suficiente nem alimentos não contaminados para todos. Estamos numa era muito semelhante à de Trump, Bolsonaro e Milei, uma era de mão de obra excedente. Pessoas supérfluas. Milhões. Essa é a terrível verdade que elas carregam, e nos confronta com o que afirmamos como ideal de uma vida inteira, resistindo e colocando o dedo nessa fratura exposta. É claro que não podemos mais pensar num socialismo distributivo que simplesmente perpetue a produção. Em outras palavras, a austeridade é inevitável, mas existe uma austeridade alegre que é possível. Aposto nela e a sigo defendendo. 

Uma questão muito importante é o terror infligido aos jovens, impedindo-os de viver suas vidas. Em nome da ameaça do futuro, da dureza da vida, eles não têm permissão para serem jovens. Trata-se de discipliná-los, fazê-los esquecer suas afins, o que gostam, e obrigá-los a aprender coisas úteis. Sei que os pais fazem isso com boas intenções, mas, na realidade, é um desastre. É uma tendência muito forte de 20 ou 30 anos atrás, de cerceamento da juventude. Olho para eles e os vejo milutando menos que os de minha geração, mais preocupados com outras coisas e deixando a coisa rolar. E ela rola muito mal, na verdade nos apunhala, mas também nos impele a continuar na lida e luta. O mundo só será devidamente destruído, nosso sonhos aniquilados, quando deixamos, não só de sonhar, mas de resistir, de enfrentar tudo isso, com a garra que sempre tivemos. Reistir é preciso.

OBS.: Escrevo isso como mais um dos tantos desabafos escritos por mim nos últimos dias. Este o faço após ler uma ótima entrevista do filósofo argentino radicado na França, Miguel Benasayag, lançando seu livro que dá nome a este texto de minha lavra. Juntei o que li, com o que penso, mais minhas ações e vendo saídas, não deixo de nelas estar inserido. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

ALGO DA INTERNET (238)


HISTÓRIAS


1.)
"A GENTE CORRE ATRÁS DA HISTÓRIA", NO MEU CASO DE HISTÓRIAS DE VIDA
A frase não é minha, é do jornalista Jamil Chade, mas muito bem poderia ter sido escrita por mim, um que, mesmo diante de todas suas restrições, anda à cata de histórias. Saio para as ruas em busca delas e em cada curva da esquina, vendo algo novo, penso em como transformar o presenciando num relato. Jamil faz isso em outra escala, num outro patamar, conseguindo viajar mundo afora e incursionando por lugares inauditos, tudo em busca de boas histórias. Eu, mais modesto, tento fazer o mesmo e em cada incursão nas ruas, observo e reúno algo aqui, outro acolá e na junção de tudo, construo um roteiro e escrevo, dou a minha versão dos fatos.

Contar histórias é deixar algo registrado, algo que, retratando a história dos ditos insignificantes deste mundo é única. Procuro me identificar com algo que, pode parecer pequeno, porém, quando descrito e passado adiante, ganha outra importância, pois estará eternizado. Luiz Antonio Simas, um dos historiadores brasileiros que leio neste momento, disse certa feita e incorporei também para mim o termo de "Historiador das Insignificâncias". Talvez pudesse produzir muito mais e, espero assim fazê-lo, pois no que me resta de tempo de vida, quero aproveitá-la deste jeito e maneira, retratando pequenas histórias, pequenos grãos de areia dentro do contexto maior, mas também construtores de um tempo.

O que me estimula é ouvir algo e já querer retratar. Hoje pela manhã estava ouvindo um destes hoje contadores de histórias e algo me chamou a atenção. A do cidadão, desses que rala muito no dia a dia e acha que com seu trabalho de formiguinha um dia alcançará a fortuna. Querendo mostrar não existir milagres dentro do capitalismo, ouço o relato, na verdade uma estória, mas vale para ilustrar da dureza desta vida. O cara tinha somente dez reais e sem alternativas, compra maçãs e sai vendendo. Por sorte, naquele dia vende todas e consegue arrecadar R$ 40 reais. Com este dinheiro compra mais e mais maçãs e continua vendendo. De uma hora para outra o descobrem rico, fruto de uma herança. E lhe perguntam: mas e as maçãs? Aquilo era para sobreviver. Nunca ficaria rico com aquelas vendas, dando só para tocar a vida. A lição é que, por mais esforço, sem que algo ocorra, um golpe, ou de sorte ou uma maracutaia, impossível se tornar rico.

Essa é uma. Outras conto em outros posts.

2.) E A HISTÓRIA DE UM BAITA AMIGO ENGAMBELADO POR UM ESPERTALHÃO...
Essa é para mim muito doída, pois a pessoa está bem perto de mim, gosto demais dele e sei o quanto padece neste momento, pelo passo dado, por ter confiado demais num suposto amigo e este, deu-lhe as costas, passou-lhe a perna e hoje, vendo-o na merda, não move uma palha para ajudá-lo.

Ambos trabalhavam juntos em ofício dentro do serviço público e o espertalhão, se achega e consegue, depois de muita embromação, convencer o amigo, para que seja aval num grande negócio. Atuando juntos, convivência estreita, este aceita e o passo é dado, um algo valor é levantado. Pouco tempo depois, já não mais trabalhando juntos, começa a receber informações de que, o antigo amigo, com a dívida feita e não paga, estava de mudança e assim foi feito, sumindo do mapa por uns tempos. O aval da dívida foi acionado e não conseguindo pagar, tudo foi se acumulando e hoje, o montante, além de impagável, lhe acarretou o bloqueio de todas suas contas.

O tal cara que sumiu, apareceu depois de longo tempo ausente, se recusa a pagar, sequer toca no assunto e este meu amigo, perdeu todas suas contas, pois tudo o que cai em sua conta é resgatado para pagar a dívida. Pelo meio pacífico, sem mais nenhuma possibilidade de ser feito um acordo entre as partes. E este meu amigo, muito boa praça, arcou com tudo e hoje trabalha sem registro, conseguindo pagar sua contribuição para a Previdência, com salário pago a ele em dinheiro e sem mais se utilizar de bancos. Toca sua vida, mal e porcamente, aos trancos e barrancos, enquanto o outro, o trapaceiro, segue sua vida sem percalços, também sem ter conseguido muita coisa de louvável ao longo dos anos e fazendo de conta que a dificuldade do outro nada tem a ver com algo por ele propiciado.

Tenho várias destas. Essa me causa muita dor, pois vejo a situação deste amigo, quero lhe ajudar a sair dessa, voltar a ter uma vida normal, algo que não conseguirá trabalhando normalmente como o faz. Sua vida levou uma trombada e os reparos, nem ele sabe se um dia vai conseguir efetuar os devidos reparos. Eu já lhe disse para denunciarmos o culpado disso tudo, mas ele, resignado prefere não mexer mais no vespeito, pois diz que, além de tudo, o cara representa um certo perigo.

3.) E O ALUNO TENTANDO ENGANAR A PROFESSORA COM SEU RELATÓRIO FEITO PELA I.A.
Essa já não é novidade para ninguém. A professora acompanha a turma toda bem de perto e conhece cada um dos seus alunos. Tem aqueles que, para conseguir fazer ler um livro é mais que uma batalha. Tenta todas as possibilidades possíveis para incurtir nestes, hábitos culturais e principalmente, fazendo de tudo e mais um pouco para ver despertado neles o hábito da leitura. Conta as histórias contidas em muitos clássicos de forma teatralizada e adaptando-a para o dia-a-dia de cada um. Em alguns consegue ver sinais de aproveitamento, mas em outros, por mais que tente, avanços insignificantes.

Chega o final do período e a cada um destes alunos é pedido um resumo do que foi lido e tudo seguindo os ditames do exigido pelo conteúdo da matéria. Cada qual se esforça e apresenta seu resumo, todos lidos com a devida atenção pela professora. Ela, sabe quem de fato leu e quem a está enrolando, pois sequer se deu ao trabalho de tentar fazer a leitura solicitada. Ao final, aparece aquele trabalho final do aluno mais displicente do mundo, aquele que nunca se interessou por nada, fazendo questão de enrolar, levar na maciota e assim vendo o tempo passar. Pois o trabalho deste é o melhor de todos, porém, com palavras que, certamente o gajo nem sabe direito o seu significado e citando referências no final, variadas e múltiplas, numa erudição que, até ela velha mestra, teria dificuldade em produzir.

Ela pega o trabalho e tenta dialogar com o aluno. O chama apartadamente e o interpela de como conseguiu produzir algo com tamanha profundidade, citações variadas e uma conclusão que, até para ela era inesperada. Ela, com sua sapiência, via ali uma conjunção de, não só o solicitado, como uma mistura de um algo mais, tudo hoje conseguido sem grande esforço quando sugerido o tema para a IA apresentar um resultado. Ele jurando que, tudo havia saído de sua predigiosa cabeça, após intenso período de leitura, porém, desconhecia até mesmo o nome de autores citados na referência.

Este é o exemplo clássico da solução mais prática e usual sendo hoje apresentada como resultado final de trabalhos sendo feitos em casa. Este não conseguiu nem, diante da professora, fazer um breve resumo, uma sintese em poucas linhas do que havia lido e apresentado. Enfim, como resolver questões como essa e dar a devida nota. Na verdade, ela não quer desistir do tal aluno e diz estar pensando em algo mais para convencê-lo a ler algo edificante. Preferiu não desmoralizá-lo junto aos demais, mas intensificar as conversas e encontrar uma saída para fazê-lo conseguir ler ao invés de meramente ir atrás do tudo pronto e acabado. Disse a ela, estar diante de uma missão quase impossível e se conseguir seu intento, me contar, pois fiquei curioso.

4.) ENCERRO A NOITE COM A TRISTE IMAGEM DO GOLEIRO MUSLERA, DO URUGUAI
Dias atrás, vi o atacante Gonzalo Plata, da seleção do Equador ser louvado como salvador da pátria num jogo de futebol, após fazer o gol que deu a vitória de sua seleção contra a poderosa Alemanha, classificando-a para a fase seguinte da Copa do Mundo. Plata é jogador do Flamengo e deve estar vivendo horas memoráveis de muita paparicação.
 Outro com a mesma sorte é o goleiro de Cabo Verde, cuja seleção segurou a Espanha, essa não fez nenhum gol, num dia onde fechou o arco. Virou estrela do dia para a noite. De 50 mil seguidores passou da noite para o dia em mais de 5 milhões de pessoas. E hoje, após três empates, Cabo Verde se classifica para a fase seguinte da Copa.

Uma Copa do Mundo produz todo tipo de histórias. Uma delas hoje me chama a atenção, a do goleiro Fernando Muslera, que por décadas esteve dignamente representando o Uruguai como titular absoluto debaixo dos três paus. Está em vias de se aposentar, sendo essa, com certeza, sua última Copa. No jogo passado, pisou na bola quando saiu mal do gol e o Uruguai tomou o gol de empate contra o Cabo Verde. Tinha tudo para ganhar aquele jogo, mas da saída intempestiva, o atacante ficou cara a cara com o gol e o jogo terminou empatado. Uma fatalidade. Li que, seus companheiros pediram para que não fosse sacado do time, pois seu passado é de muita glória.

Veio o jogo de hoje e o Uruguai precisava de só um pontinho, mero empate contra a Espanha para passar para a fase seguinte da Copa, mas num chute meio desprentesioso, Muslera engoliu um sonoro frango, ainda no primeiro tempo. Veio o intervalo do jogo e ele não volta para o segundo tempo, substituído pelo Sergio Rochet, que defende o time do Internacional do Rio Grande do Sul. O que teria acontecido? Das especulações, talvez tivesse pedido para sair ou foi sacado pelo técnico? Ainda não se sabe, mas em breve tudo virá à tona. Por outro lado, outro goleiro, o mexicano Guilhermo "Memo" Ochoa, que por tantos anos defendeu o gol mexicano, tendo sua seleção vencido as duas primeiras partidas, time já classificado, hoje na reserva, o técnico o coloca nos últimos instantes do último jogo, como para abrilhantar sua despedida jogando com as cores da seleção de seu país. Tudo são histórias da bola e hoje, não queria estar na pele do Muslera, mas isso passa, pois tudo não passa de um mero jogo de futebol, mesmo me fazendo relembrar da história do goleiro brasileiro Castilho, na fatídica Copa do Mundo de 1950, quando perdemos exatamente para o Uruguai. Tudo são histórias.

LACRO COM: "A HISTÓRIA NÃO LEVA AO FIM DA HISTÓRIA", SCHUMPETER

quinta-feira, 25 de junho de 2026

CARTAS (257)


O QUE VEM PELA FRENTE COM A NOVA INVESTIDA DE TRUMP CONTRA O BRASIL
Diante do que vejo Donald Trump propondo fazer com o país, interferindo não só nas suas eleições, como já planejando roubar descaradamente nossos metais raros, como o fez recentemente com o petróleo da Venezuela, além da revolta, lembro aqui de um texto lido do historiador – que gosto muito -, o Eduardo Bueno, Peninha, na abertura de um dos seus livros. “Mordaz como toda piada que se preza, uma velha anedota assegura que, tão logo botam os pés no Brasil, dois norte-americanos, surpreendidos com as benesses do clima, a beleza da paisagem e a fertilidade da terra, viram um para o outro e comentam: ‘Que lugar para fazer um país!’. Além de desnudar o sentimento de incompletude que os brasileiros têm da nação que vêm construindo há mais de 500 anos, outro aspecto inquietante da frase é a sensação de que ela talvez já tenha sido pronunciada em momento chave da trajetória do país. O discurso inaugural da história do Brasil – a profética carta de Pero Vaz de Caminha – traria, ele próprio, afirmação semelhante: ‘Nesta terra, em se plantando, tudo dá’.”.

Leio isso e me volto para o momento atual. Não é nenhuma novidade que, os norte-americanos sempre se dispuseram de bens de outros países na mão grande, ou seja, literalmente roubaram. Hoje, além de roubar interferem em eleições, algo que, também não vem a ser nenhuma novidade. Enfim, como eles mesmo hoje dizem na maior cara de pau, a América Latina deve se manter como o “quintal” deles. Lula é ousado, pois não só apregoa, como exerce uma soberania nacional sem estar atrelado a este domínio. Na verdade, diante do poderio bélico, hoje exacerbado, ele está mais do que brincando com fogo. Pior que tudo, além de já ter demonstrado pelas últimas declarações e ações, uma animosidade com o presidente Lula, mais do que claro, acabou o período de cordialidade.

Como bola da vez para se beneficiar disso tudo está essa infame e criminosa famiglia Bolsonaro, que com qualquer candidato carregando este nome, é mais do que perigoso, pois tratam-se de gente da pior espécie, vendilhões não só templo, mas de tudo o que encontrarem pela frente. E, sem tirar nem por, todos – mas todos mesmo -, os que estejam com eles aliados ou defendam algo com os mesmos interesses, são da mesma laia e inqualificação. Aqui em Bauru ou alhures, sendo bolsonarista, possui a perniciosidade de não só pensar, mas agir fora da lei. Bolsonaro e os seus são foras-da-lei e todo e qualquer os defendendo, depois de tudo o que já se sabe sobre suas ações, são também gente com a mesma qualificação.

Diante disto, enxergo claramente que, após a conclusão da Copa do Mundo, quando o mundo está um tanto inerte e absorto pelos jogos, algo de muito ruim tende a ter início. Lula e todos os defensores da plena soberania deste país estejamos preparados, pois Trump vai jogar pesado e sujo. A turma bolsonarista estará aliado a ele e assim sendo, o jogo sujo a ser concretizado nessas eleições será algo nunca visto. Com a derrocada da esquerda no Peru e na Colômbia, resta somente o Brasil na América do Sul. Aquilo da piada contada pelo Peninha, a “do que lugar para fazer um país” será implantado com toda força. Trump deve ser contido em novembro, quando das eleições para renovação do Congresso dos EUA, mas para nós, será tarde demais, pois a nossa é em outubro e até lá, não vejo como contar a fúria deste voraz pirata, pronto para nos devorar o quanto antes. Precisaremos de muita força, união, garra, disposição e coragem para vencer isso tudo. E começar desde já, sem querer esmorecer um só segundo.

MORALES SE FOI, ELE UM GRANDE ESTUDIOSO DAS IDEIAS MARXISTAS, GERENTE LOCAL DO SENAC BAURU
Antônio MORALES Evangelista Camargo foi gerente regional e diretor de longa data do Senac Bauru, tendo recebido moções de aplauso na Câmara Municipal pelos projetos educacionais e desenvolvimento da unidade. Porém, suas atividades extrapolam e muito o longo período dentro da unidade local do Senac Bauru. Quem o conhece sabe muito bem do que estou a tratar. Olho para todas as instituições hoje, seus postos de comando e quando tento comparar com uma pessoa, altamente preparada como Morales, o querido TONHÃO, uma só constatação: falta hoje uma extensa bagagem cultural, este cabedal tão necessário para o exercício de cargos de liderança, onde o primordial deveria ser o pleno entendimento e aplicação de um comportamento mais social.

Esse comportamento imediatista reflete a urgência do mercado atual e a pressão por retorno financeiro, mas ignora a essência da formação superior: gerar impacto social e desenvolvimento. Profissionais que ignoram a coletividade perdem a credibilidade e a sustentabilidade a longo prazo. TONHÃO tinha isso de sobra, pois possuidor de extensa base teórica, essa conquistada ao longo do tempo, com leituras feitas desde sua adolescência. Quem o conheceu na sua intimidade sabe que, desde muito jovem teve um bela coleção de discos, a maioria em vinil e livros, tendo lido a maioria dos clássicos. Quem estivesse disposto a debater, ir além de uma conversa superficial, encontraria nele uma pessoa, não só preparada, mas muito qualificada, pronta para ouvir e saber, diante dessa sua visão ampliada de mundo, tomar as melhores decisões.

Hoje, ao tomar conhecimento de sua partida, a primeira coisa que me vêm à mente é exatamente isso. Tonhão era uma pessoa culta, pronta e preparada. Tudo o que consumiu uma vida inteira, trouxe a ele uma sapiência muito em falta nos dias atuais. Os profissionais de hoje podem ter amplo conhecimento teórico, mas saem das escolas preparados para o mercado, sem estar atentos para o social. Pessoas como ele não se formam num vapt-vupt, isso demanda muito tempo e nem todos possuem dentro de si, capacidade para discernir realmente o joio do trigo. Para que isso ocorra, se faz necessário cair de boca em prolongados estudos, o que a maioria não está mais disposta hoje. Ainda mais com o advento da IA, muitos acham que uma breve consulta via google é suficiente para sanar todas suas dúvidas. Daí, aquela imensidão de livros, em bibliotecas pessoais, como a dele, se tornam inúteis e assim sendo, a formação é deficitária, deixa a desejar.

Poderia descrever muitas outras qualidades no ser humano admirável que foi o TONHÃO, como carinhosamente o chamo. Fico nesta e com essas linhas de reconhecimento, enalteço alguém que, fará baita falta entre nós, os que ainda continuamos por aqui enfrentando este bestial touro fascista à unha. Ele foi mais que um democrático cidadão. Sabia o que estava falando, não falava por falar e hoje, neste mundo de pernas para o ar, creio que, até por possuir tanta bagagem teórica e discernimento decisório, pudesse ser considerado um esquerdista demodê, mas o vejo exatamente ao contrário. Soube exercer sua função de mando enxergando bem a condição social onde estamos enfincados e inseridos. Um baita exemplo para mim e todos os que, lutam por dias melhores, dentro de um mundo mais igualitário, justo e onde possamos continuar exercendo nossa plena liberdade de expressão.

Em tempo: Morales foi por demais generoso para comigo, quando meses atrás me chamou até sua casa, entregando aos meus cuidados boa parte de seus livros e discos, dizendo algo pelo qual nunca mais esquecerei: "estarão em muito boas mãos". Tenho, portanto, aqui comigo, muitos livros e discos carimbados e nele a identificação, MORALES. Guardarei eternamente dentro de mim, o reconhecimento por ver em mim, alguém a tocar diante este barco.