HENRIQUE AQUINO, O FILHO, 32 ANOS HOJE, RUANDO HOJE COMIGO NA COMEMORAÇÃO, COMPRANDO LIVROS, VENDO FILMES
A história é para longa-metragem. Tudo coneçou 32 anos atrás. Vou contar algo por aqui, escrevendo em drops. Muitos de meus escritos já não consigo despejá-los de uma só vez. E assi, vou fazendo aos poucos, esquartejando o corpo em pequenos pedaços.
Eu tive o maior prazer de minha vida quando nasceu esse pimpolho, que eu e Cleonice Prado Cavalhieri, a mãe, demos o nome de Henrique Aquino. Isso mesmo, só duas palavras. Isso deve lhe causar problemas até hoje, algo não pensado naquele momento, quando fui convencido por ela em não dar-lhe o nome de Leonel. Um dos meus inenarráveis orgulhos de pai é ter incutido nele o gosto pela variada leitura e cinema, filmes em profusão. Tenho recordações de sair de casa em plena madrugada, para irmos juntos assistir filmes cults no Alameda. Que falta faz um cinema cult em Bauru, cidade de 400 mil habitantes, sendo que, para sua sorte, onde mora, Araraquara, cidade de 200 mil habitantes, tem o Cine Lupo, mantido pela tradicional família, fabricante de meias e cuecas, que diferente das tradicionais de Bauru, devolve algo na forma de Cultura para os munícipes.
Este é só um dos assuntos que travo com ele nessa curta passagem pela cidade, na honraria que nos faz, a mim e a mãe, vindo passar seu aniversário de 32 anos ao nosso lado. Então, eu fui o responsável por ele gostar tanto de cinema, tanto que nesta tarde de domingo, me faz sentar com Ana Bia aqui em casa e assistimos um filme, que certamente não o faríamos não fosse com ele. É o norueguês, "Valor Sentimental", preferido dele para o Oscar, depois confirmado à noite. Dos filmes que o fiz assistir no passado, hoje me fez se comprometer que, em cada retorno seu para Bauru, sentaremos para mais um filme, escolhido por ele. Isso por si só é motivo para ter a mais absoluta certeza, eu criei um filho fora do comum, este meu maior orgulho.
Em todas suas visitas, existe alguns lugares onde fazemos a maior questão de marcar presença, os sebos da cidade. Desta feita, vou com ele no Hesse Sebo & Livraria, ali na Treze de Maio, onde cada um traz alguns. O mais interessante é a conversa advinda de cada um deles, isso não tem preço. De lá, escapuli para meu almoço e indico a ele ir no Sebo O Livreiro, ali na rua Saint Martin, do amigo Reginaldo Furtado, que está fechando as portas, para entrega do local, solicitação da proprietária. Ele foi, eu não tive como e volta de lá com mais comprinhas, me abraçando depois por ter proporcionado a ele novos momentos auspiciosos no meio deste objeto de amor e devoção, os livros.
Não deixamos de, em cada visita sua à Bauru, marcarmos de nos encontrar na Feira do Rolo, mais precisamente na Banca do Carioca, o impagável livreiro da feira. Carioca, ao saber de seu aniversário, lhe presenteia com um livro e eu com mais três. Nós dois, eu e o filho, somos sebentos, nunca sebosos. Carregamos essas sacolinhas de livros por onde andamos. Numa das fotos aqui publicadas, alguns destes livros espalhados sobre a mesa. Uma das compras, o "Memórias de minhas putas tristes", do colombiano Gabriel García Márquez, que eveidentemente já havíamos lido em português, mas ele quiz comprá-lo numa versão em espanhol: "Preciso agilizar a leitura em espanhol. Nada melhor com este livro".
As minhas histórias com ele sempre foram assim. Na foto, nós dois com nossas camisetas, escolhidas à dedo, ele com uma com seu MAdruga e eu com o Che Guevara, tudo isso faz parte das opções que fizemos ao longo de nossas vidas. Eu concluí o curso de História e ele o de Letras - lá em Araraquara, na Unesp -, só por causa dessas opções. Eu, depois fui ser caixeiro viajante e ele, hoje trabalha de casa para uma multinacional. Além de tudo, ganha muito mais do que o pai e da mãe, o que também é baita orgulho. Já haviam me alertado bem lá atrás que, a vida dele seria bem mais dolorida com a formação que teve, pois entendendo tudo, estaria a enfrentar constantemente estes podres poderosos de plantão. Assim ocorreu, mas não me arrependo. Ele é um baita cidadão, consciente demais da conta e operante no que consegue. Ou seja, pai e filho continuam pela aí, aprontando das suas, lendo muito, vendo muitos filmes e saracoteando, ou seja, se fortalecendo ruando pela aí. Em cada retorno seu eu me apaixono mais. Este o filho que todo pai sonha em ter, um que se não saiu totalmente nos seus moldes - essa a sorte dele -, consegui que não se perdesse nessa vida bovina que hoje é o trivial do mundo.
Enfim, meu filhão fez anos, esteve comigo e com sua mãe, passeamos juntos, estivemos conversando mais um bocadinho e escrevo isso tudo só para ressaltar ser eu o pai mais coruja deste mundo. Se existe um pais realmente feliz, por tudo o que seu filho representa no mundo, este sou eu. Minha missão já está mais do que cumprida neste universo. Daí, me deixem rosetar um bocadinho mais, ao lado de Ana Bia, pois daqui por diante e diante de tanta atrocidade sendo cometida mundo afora, quero desfrutar de momentos mais. Nas idas e vindas, quando bate à minha porta, quando estava pronto para assistir uma mera partida de futebol na TV, meio da tarde e diz ter vindo, como combinado para assistirmos ao "Valor Sentimental", tive mais uma vez a certeza, ele é pleno reconhecimento de que, se a vida vale a pena é ver nossa cria desencaminhada neste mundo. Eu desencaminhei o meu. Somos dois desencaminhados neste mundo. Sua camiseta neste momento diz muito do que ele é e do que sou: "Anistia é o Caralho".
O FIM DA "JM" É SÓ MAIS UM PONTINHO NA IMENSIDÃO DE MODIFICAÇÕES DESTA ALDEIA BAURUENSE
"Olá boa noite tudo bem?!? Não sei se vc ainda fala conversa ou conta sobre pessoas daqui, comércios etc, falo de uma loja... há mais de 20 anos aqui na Rua Araújo Leite...onde têm lojas, farmácia etc... é a loja JM eu estou muito
..eles também, com certeza, é um casal... sábado é o dia limite...e penso com tristeza,mais uma loja de verdade de roupas femininas, tradicionais tamanhos grandes e outros tamanhos também...pensa num casal gente fina?! Gente boa mesmo...fico triste ...pois parece que já nem existe quase lojas assim, que vendem tudo feito no Brasil...roupas que são muito boas... já quase td venderam..hj estavam tristes eu tb chorei...um casal que conheço,faz parte dos 20 anos que por aqui moro...pude contar com eles em momentos tristes e outros alegres! Hoje quarta feira estavam já desmontando ... não aguentei e me recolhi ..na minha toca! Sentirei falta de lá conversar...meus vizinhos queridos..JM Fiquem bem!", recebo este texto da também professora de História, Marcia Regina Zamarioli e no último sábado, 14/3, sentados no Bar do Genaro, conversávamos a respeito, confabulando sobre a região toda ali perto do Bosque da Camunidade, onde além dessa loja, uma pequena padaria, bem defronte a entrada do bosque fechou também suas portas. Estes pequenos comércios, tão importantes para fazer girar essa grande engrenagem que é uma cidade, no seu todo, não resistem aos novos tempos, com a chegada dos grande magazines e agora, essas empresas vendendo online, com preços sem competição. Todos perdemos, inclusive aquele tempo divinal de conversação, mantido diante seus balcões. Eu sou um incentivador de pequenos comércios e cada um deles que se vai, bate mais uma angústia interior. Em tempo: O "J" da loja é de José e o "M", de Maria, o casal que ali atuou por mais de 20 anos.























