segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 RUANDO EM FLORENÇA

domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Em trânsito

sábado, 31 de janeiro de 2026


SABE O QUE MAIS GOSTEI DE VER NA PRAÇA PRINCIPAL DE ENTRADA DO VATICANO?

Conto a seguir. A estátua de trabalhadores/migrantes na Praça de São Pedro, no Vaticano, é o monumento "Angels Unawares" (Anjos Inconscientes), inaugurada em 2019 pelo Papa Francisco. Criada pelo artista canadiano Timothy Schmalz, esta obra de bronze de seis metros retrata um barco com refugiados e migrantes de várias épocas e culturas. Representa a hospitalidade, a luta de migrantes e refugiados fugindo de guerras e perseguições. Está situada na Praça de São Pedro, perto da Colunata de Bernini e inclui 140 pessoas e asas de anjo no centro, sugerindo uma presença divina entre os necessitados. Foi a primeira obra de arte instalada na praça em cerca de 400 anos. Adicionalmente, existe outra escultura de Timothy Schmalz, intitulada "Seja Acolhedor" (Angels Unawares), colocada em abril de 2025 perto dos chuveiros dos pobres na Colunata, representando um migrante sentado, convidando à empatia.
Podem dizer o que quiserem do papa argentino Francisco, mas dentre todos, pelo menos ao meu ver, foi o mais sensível de todos. o atual pode ter tido no passado um trabalho junto a comunidades carentes, mas já não se fala mais dele. De Francisco, pelos seus atos contínuos, falava-se dele o tempo todo. Inquietava os poderosos de plantão. Foi único. Essa escultura, algo como uma imposição dele ali no coração da praça - mesmo que num canto -, representa a sua linha de pensamento e ação elevada a algo físico, possibilitado materialmente. Sua representação nos tempos atuais é mais do que significativa e suplanta essas questões religiosas todas. Essa massa de imigrantes ali representada é algo mais do que presente no mundo atual e passando batida, ignorada pela maioria dos mortais, porém, eles estão aqui, convivendo bem junto de nós e neles, na fisionomia ali vista, a dor e o sofrimento humano dos que padecem nos mais diferentes lugares deste planeta, necessitando de deslocamentos constantes para tentar continuar sobrevivendo. Fiquei muito tocado com o que senti ao rodeá-la.

COLISEUM E FORO PALADINO/ROMANO - MANHÃ DE SÁBADO, COMPLETADA COM IGREJA SANTA MARIA MAGGIORE, ONDE ESTÁ ENTERRADO PAPA FRANCISCO
Pisar no Coliseum é estar diante da história na sua acepção. O Império Romano perdurou por um tempo maior do que a duração do que hoje vemos no decaído Império Norte-Americano, que já está em frangalhos e se segurando pela força, pois o poderio econômico já se foi. Impérios podem durar muito tempo, mas um dia caem. Os motivos são variados e múltiplos, mas não se sustentam uma vida inteira. Este imenso conglomerado onde os gladiadores se esfalfavam no palco dos acontecimentos, nada mais é do que essas atuais Arenas esportivas, lugar onde se joga futebol e acontecem imensos shows. O pão e o circo continuam acontecendo nestes lugares. O nome de Arena, evidentemente, oriundo deste Coliseum, talvez a primeira grande arena que se tem notícia na história. Hoje são muitas e o que acontece no seu interior não se difere muito da original.
Isso mesmo, passa um filme sobre a cabeça de quem se põe a pensar sobre instigante assunto. A relação é clara, direta e reta. Isso posto, fiquei a matutar muito durante e após o passeio no local. Qualquer Império necessita também de um lugar específico para proporcionar à sua população um pouco de distração, onde ela é engambelada para a continuidade do incessante e macabro escambo, rapinagem. Claro, um lugar como este não ocorre somente este tipo de procedimento em suas apresentações, mas isso fica evidente. Ouvi por lá de uma guia explicando para seus atentos ouvintes que, os gladiadores souberam com o tempo ir construindo os resultados, fazendo um rodízio de perdedores e ganhadores entre eles, até como questão de pura sobrevivência. Fosse tudo levado a ferro e fogo, creio eu, nada teria como resultado essa intempestiva ação do ser humano por aqui. O saber ir contornando as situações também faz parte do jogo.
Roma é a exposição e amostragem do que foi este tal de Império Romano. Muito disso foi salvo e está exposto, não como chaga, mas também como amostragem para não permitir que os mesmos erros se repitam. Porém, eles constantemente voltam a ocorrer, pois o ser humano não aprende e gosta de avançar devagar os degraus de um mundo mais justo. Na Roma antiga a perpetuação da força e de como os ditadores de então, exerciam seu poder sem dó e piedade. E o que vemos hoje, por exemplo, nas ações do insano e doentio Donald Trump não é a repetição de todos os mesmos erros do passado? Não aprendeu nada. No Império Romano a queda ocorreu, pois estavam já passando de todos os limites, no nazismo Hitler fez o mesmo e não tinha limites. Trump começa a exercitar este poder sem limites, que para mim é a exposição de sua decadência, os esperneio final, que pode durar ainda ainda algumas dezenas de anos, mas não durará muito tempo. Depois disso, outros impérios virão. A História é a repetição disso.
Finalizo enaltecendo a possibilidade que estou tendo de colocar os olhos sobre tudo isso, ou seja, olhar com meus próprios olhos como tudo isso foi possível, a grandiosidade do que vejo e nas condições materiais daquela época. Isso nos faz soltar fumacinhas da cabeça. E se os romanos levantaram tudo isso sem as condições materiais de hoje, só com o poderio da força escravagista, imagina agora quem detém o poder do mundo, com condições imensamente melhores. Este mundo só não avança para o bem, porque existe este disvirtuamento da mente humana, não trabalhando para o bem comum, mas para a acumulação de riquezas e pensando em construção de algo pessoal, pouco coletivo. De todos os grandes imperadores do passado, quem atuou mesmo pensando no coletivo, no bem estar de todos? Não esquentem a moringa, pois a resposta é nenhum. Eu cá estou, no meio do que restou daquele império, andando entre escombros, perambulando depós de séculos da ocorrência fatal, o desfecho e vivenciando in loco a decadência lenta e gradual de outro, o dos EUA. Este Coliseum é um dos símbolos máximos do que foi o Império Romano e voltando para nosso tempo, qual seria o símbolo máximo do que ainda representa o poderio dos EUA sobre o planeta? Não creio seja a Estátua da Liberdade. Pensando a respeito.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A FORÇA DA IGREJA PARA CONTER O ÍMPETO POPULAR DE CONTESTAÇÃO
Circulamos, eu e Ana Bia, por estes dias em dois países onde é muito marcante a presença da igreja, aqui no caso europeu a católica, na vida das pessoas. Creio que, a maior quantidade de igrejas por metro quadrado do mundo esteja aqui localizada. Visitei algumas das mais suntuosas nas cidades por onde estive, tanto em Portugal, como na Itália. A maioria delas, as maiores, cobram ingresso para adentrar seus templos. Altares e estátuas reluzentes, cada qual tentand ose mostrar mais impoente que a outra. Tudo isso, construído numa época onde o poder também se manifestava e se mostrava exatamente desta forma, a com a exposição mais reluzente, mais grandiosa. Isso é uma coisa, ultrapassando até o próprio poder da fé. A fé, vejo isso bem nitidamente, teria que ser expressada de forma absoluta, sem reservas ou restrições, pelo povo de forma geral, sem contestação e vejo nisso, já devidamente comprovado, uma forma absoluta de dominação. Isso não me impede de estar aqui, achar tudo lindo, porém, enxergar este outro lado, algo mais do que necessário.

Trouxe para ler aqui na Europa um livro do escritor gaúcho Josué Guimarães - que sempre gostei muito -, ele morando em Portugal na época da Revolução dos Cravos, por volta de 1975, onde relatou como foi a passagem do regime ditadorial de Salazar para o proposto pela Revolução dos Cravos, no livro "Lisboa Urgente - o Portugal de hoje que os brasileiros e os portugueses no Brasil desconhecem", livro impresso em 1975. Na parte sobre religião é muito contundente e aqui compartilho algumas de suas impressões: "De todos os recantos do país acorrem os crentes com o intuito de pagarem à Santa aquilo que julgam ter sido um benefício dela recebido. É uma incalculável multidão de doentes, velhos, deficientes físicos e mentais, inocentes crianças, caquéticos, débeis, cegos, paralíticos, famintos, desempregados. É a transferência do humano para o sobrenatural. Pedem à SAnta porque não adianta pedir ao governo e asswim recorrem à medicina celeste, pedindo a proteção dos céus".

Continua: "Como nas transações comerciais, quanto mais precioso for o bem almejado, mais se precisa dar em penitências e sacrifícios de toda ordem. (...) Os pecados geram as guerras, a guerra vem com a punição aos pecados. Nunca foi dito aos crentes que a guerra bem que poderia não ser a vontade de Deus, mas uma iniciativa do Nazismo ou do fascismo. (...) E a organização mercantil funcionando como uma grande empresa moderna, os dirigentes industriais fabricando velas, imprimindo santinhos, cunhando medalhas e moedas, fabricando crucifixos e imagens, estampando estandartes e flâmulas, montando restaurantes e cafés, confeitarias e bares, pensões e hotéis, estabelecendo linhas de transporte... (...) a figura do homem providencial teve sempre as suas raízes cravadas nesse solo fértil da crendice popular, na alimentação do sobrenatural para contrabalançar o que não lhes era dado no terreno temporal. (...) As desigaldades humanas deixaram de ser o produto dos opressores, mas a vontade de Deus. Cria-se assim,a passividade das massas. Torna-se, assim, o povo dócil. (...)A Companhia de Jesus afirmava também que a instrução do povo era prejudicial à sociedade e à salvação das lamas trabalhadoras".

Entenderam? Vi isso aqui de forma explícita e até, escandalosa. Nas filas nas entradas dos templos mais famosos, o povo ali teleguiado em busca de uma veneração aos seus santos, tudo em busca de não só ver o belo representado pela arte ali exposta, mas também em busca de sua salvação. 

em Bauru a alcaide está decretando o fim do seu Plano Diretor
EU BAURU O SENSATO É SABER COMO OCUPAR OS SEUS VAZIOS URBANOS E NÃO QUERER INVADIR ÁREA VERDE - PARA SUÉLLEN ROSIN O PLANO DIRETOR ATENDE OS INTERESSES DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E NÃO OS DA CIDADE - Leiam texto do Fernando Redondo
A Prefeitura de Bauru Sanciona o Maior Negócio Imobiliário de sua História
Parece que a Prefeitura de Bauru, em sua revisão do Plano Diretor, decidiu encenar uma tragicomédia em três atos. No primeiro, gasta-se uma pequena fortuna pública para bancar um diagnóstico técnico de alto nível da FIPE. No segundo, ignora-se solenemente todas as conclusões desse estudo. No terceiro, entrega-se a cidade, de bandeja, ao setor que verdadeiramente comandou a ópera: o imobiliário e os donos de terra. O que chega à Câmara Municipal não é um projeto de cidade, mas uma licença monumental para a especulação, assinada, carimbada e recheada de benesses pela gestão Suéllen Rosim.
O roteiro é tão previsível quanto vergonhoso. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada com dinheiro público, apresentou um diagnóstico lúcido: Bauru já tem estoque de vazios urbanos e a projeção é de estagnação do crescimento populacional. Em linguagem de gente: a cidade não precisa se espalhar mais; precisa usar melhor o que já tem.
Qual foi a resposta da “santa e tecnocrática” administração? Aplaudir o estudo e fazer exatamente o oposto. A minuta propõe a inclusão de mais 55 milhões de metros quadrados no perímetro urbano, sendo a maior parte – pasmem – sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha. É o triunfo da ganância sobre a razão, da especulação sobre a sustentabilidade. Enquanto a cidade sofre com restrição hídrica na região Oeste, o governo libera a urbanização do manancial. A justificativa? Criar uma “Zona de Interesse Ambiental” com lotes mínimos de 400m². É a maquiagem verde para um crime urbanístico: tentar vender a liquidação da proteção ambiental como um “zoneamento criterioso”.
Quem são os arquitetos desta obra-prima da rendição? A coordenação tem nomes e sobrenomes que contam a história real. Lideram o processo Rafaela Foganholi (Secretária de Aprovação de Projetos), Fabiane Trevisan (coordenadora da revisão), Pedro Rodrigues (gerente de planejamento), Sanae Kuko (coordenadora de políticas de zoneamento) e Letícia Floriano (gerente de aprovação de projetos). Mas a cartilha parece ter sido ditada por outros dois personagens emblemáticos: Paulo Garbelotti e, principalmente, Tábata Ribeiro. Esta, uma figura que fez o caminho inverso ao do serviço público: veio diretamente de construtoras para comandar a Secretaria Municipal de Habitação. Não é conflito de interesses; é a fusão completa entre o interesse público e o privado. A nomeação de Tábata Ribeiro não é um detalhe biográfico; é a declaração de princípios desta gestão. É o lobista profissional sendo premiado com a chave do galinheiro.
O capítulo da outorga onerosa, porém, é onde o cinismo atinge seu ápice doutoral. O direito básico de construir (Coeficiente de Aproveitamento) salta de 1 para 3 sem custo algum. Traduzindo: os incorporadores poderão triplicar o tamanho de seus empreendimentos sem pagar um centavo à cidade pela valorização que causam. A cobrança só começa após esse patamar generoso. É o presente de grego definitivo: criam-se regras para parecer moderno, mas esvaziam-se financeiramente para servir. Enquanto isso, a proposta extingue a doação obrigatória de áreas públicas para 90% dos loteamentos, aqueles com até 20 mil m². Menos parques, menos equipamentos, mais lucro privado.
O resumo é este: a prefeita Suéllen Rosim, cercada por técnicos que assinam embaixo e por ex-construtores que ditam as regras, entrega um pacote de bondades históricas aos donos de terra e incorporadores. Expande a cidade para áreas ambientalmente frágeis contra todos os estudos, e subsidia a construção privada com a renúncia fiscal da outorga. É a privatização do planejamento urbano. O plano que chega à Câmara não é para regular o mercado, mas para servi-lo. Resta saber se os vereadores, muitos da base da prefeita, terão a coragem de interromper este espetáculo de rendição ou se serão meros figurantes na consolidação da Bauru dos Especuladores. As fichas já estão na mesa. A cidade aguarda para ver quem, afinal, a representa.
FERNANDO REDONDO / Jornalismo Independente

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026


TODOS OS CAMINHOS LEVAM À ROMA
Agora as histórias se darão por aqui.

PRÊMIO DESATENÇÃO 2026 DO BAURU SEM TOMATE É MIXTO VAI PARA...

Um dia casa cai. Essa construída em Bauru, quando da chegada da família ROSIN em Bauru é do conhecimento público. Está a causar uma ebulição de problemas, considerados já incontornáveis para Bauru. Os Rosin foram chegando devagar e quando Bauru se deu conta, estavam boa parte deles já instalados na cidade. Primeiro foi a jovem Suéllen, quando aqui aportou para trabalhar no jornalismo da TV Tem. Depois, quando aproveitou a divisão de vários candidatos e conseguiu o grande feito de, pelas beiradas, chegar ao Palácio das Cerevejeiras, o start foi dado para o restante da família. Vieram todos dos demais, papai e mamãe, irmã e cunhado. A igreja deles foi aberta na cidade, pois a oportunidade estava dizendo para reiniciarem a vida em Bauru. E assim foi feito e entre cantoriasm até com denúncias de móveis públicos desviados para a igreja, em denúncia de ex-apoiadora, foram se consolidando. O cunhado da alcaide chegou a contratar um hacker para perseguir opositores. O pai tomou conta do terceiro andar da Prefeitura e hoej comanda e dá as cartas em variados partidos, todos de cunho fundamentalista. A mãe foi empossada como prócer da Assistência Social e distribuia cestas básicas como se estivesse em sua casa. Tiveram muito mais atos, todos culminando com o casamento, entrelaçamento entre um político da cidade e a alcaide.

O bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco Bauru Sem tomate é MiXto nunca ficou indiferente com essa chegada e todos os acontecimentos a ela inerentes. Dencunciamos muito do que já foi feito no âmbito público, pois consideramos anormais, despropositados e até ilegais. A cada dia surge nos noticiários algo novo e a saga continua. Os Rosin fazem parte deste cenário conturbado da vida política nacional, construído e alavancado após a chegada de um dos seus mentores ao poder, o Seu jair, hoje devidamente recolhido e entre grades. Todaa clã familiar é seguidora do jeito de ser e fazer política deste já reconhecido capiroto. Diante de tudo, o Tomate inova este ano e ao invés de eleger três para o Prêmio Desatenção, o faz para um agrupamento todo. E assim, a homenagem (sic) em 2026, pelo conjunto da obra vai para a FAMÍLIA ROSIN num todos.

Ficaríamos aqui um dia inteiro a citar fatos, acontecimentos, ocorrências que, na somatória justificariam a premiação. Escolha feita, pedimos para o publicitário Fernando Redondo, que tão belos textos e imagens tem produzido sobre ocorrências envolvendo membros da família, fizesse a imagem para ser divulgada dessa emblemática premiação. E o resultado aqui está, sendo neste momento divulgado. Fernando sabe captar muito bem acontecimentos recentes da vida política da cidade. Já é um escrevinhador respeitado, desde ter começado a pensar no que está em curso na cidade. A arte é dele e reflete bem o momento da família, ainda sorridente e empoderada. E daí o Tomate se volta para, diante de tantos acontecimentos sui generis na cidade, sugerir uma reflexão maior por parte desta cidade, para os rumos dados a ela. Até quando? Como foi possível? Perguntas como essa estão embutidas no contexto de como foi feita essa escolha. Bauru precisa se postar mais do que alerta. A próxima eleição será crucial para a continuidade ou não desta família com ascenção na cidade e nada melhor do que o Carnaval, como o Tomate faz há exatos 14 anos para discutir este imbróglio.

Assim sendo, a FAMÍLIA ROSIN está sendo agraciada, com todo louvor, fervor, esturpor com o PRÊMIO DESATENÇÃO 2026. Antes da descida do bloco no Calçadão da Batista, sábado, dia 12/02, na praça Rui Barbosa, palco da demolição de seu chafariz, com uma das tantas promessas de recosntruação de algo novo, sendo que no seu lugar um mero gramado, pois bem, ali a lacração da premiação. O Tomate não perdoa, o Tomate estará sempre atento e cutucando a onça com a vara curta, criticando ferozmente quem ousa pisar no Tomate. Assim somos, assim fomos constituídos e assim vamos para a rua, ano após ano. Ficaríamos imensamente alegres quando muita gente desce conosco o Calçadão, entende nossa proposta e assim, além da festa no Carnaval, aproveitamos para pegar no pé de quem acreditamos, merece ser lembrado pela "desatenção" para com Bauru.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026


ALGO DE "ANTONIO VARIAÇÕES" E "MÁRIO XAMPU", TUDO EMBOLANDO A CABEÇA DE QUEM GOSTA DE RETRATAR GENTE DA RUA

Duas histórias se embolando e se misturando na fria Lisboa, depois da saída do Museu Design, o MUDE. Primeiro o maravilhamento de conviver por quase 15 dias ao lado de um cineasta nordestino, Leonardo Cunha Lima, o Léo, filho da professora Edna Cunha Lima, 79 anos, ambos nos acompanhando numa viagem por alguns cantos europeus. Edna veio do Recife, seu filho, o Léo veio da Nova Zelândia, eu e Ana de Bauru, nos encontrando e convivendo juntos por aqui. Assim o conheço e o descubro um cineasta já pronto, com um filme/documentário na bagagem, desses retratando alguém que um dia conheci por intermédio do filme "Mauro Shampoo - Jogador, Cabeleireiro e Homem" (2006).
Assisti este filme mais de uma década atrás e hoje, convivo com o Léo - parceria comPaulo Henrique Fontenelle. O filme retrata a história do famoso ex-futebolista recifense, conhecido por marcar apenas um gol na carreira pelo Íbis Sport Club, o "pior time do mundo". O filme de 22 minutos foca na vida de Mauro Shampoo, que, apesar de sua trajetória limitada no campo, tornou-se um ícone da cultura pop no Recife, equilibrando sua fama de jogador com a sua profissão de cabeleireiro. Histórias como essas são as que me movem e me fazem produzir o tal do "Lado B - A Importância dos Desimportantes" e sair pela aí fotografando uns e outros, personagens deste mundo, sempre pela vertente popular.
Daí, nós todos aqui em Lisboa, mais o professor de Design Gabriel Gabriel Patrocinio, hoje morando aqui na capital portuguesa, amigo de cátedra da Edna, foi nosso guia na cidade. Numa das incursões a pé - ele adora perambular a pé -, nos leva para o MUDE, na rua Augusta 24, centro da cidade e dentre todas as exposições que tivemos o prazer de visitar, destaco a última, feita por mim e junto com o professor Gabriel, "Meu nome António - Fotografia de Teresa Couto Pinto, 1981-1983", retratando em fotos um personagem das ruas lisboetas, o Antonio Variações. As imagens das várias sessões de fotos tiradas por Teresa, acompanhando tudo o que fazia António nas andanças deste. Ele, inquieto desde sempre, se produzia para ir pras ruas e assim, percebido por onde circulasse, foi captado em todos os ângulos.
Bati o olho na exposição e me lembrei do filme do Léo. O Xampu tem muito, ou tudo a ver com o Variações. Ambos são fruto das entranhas de cidades. Léo se encantou com Xampu, Teresa por Variações e eu, por todos os meus personagens Lado B. Isso nos move e nos conduz para estes caminhos desbravadores da contação de histórias, ou melhor, a perpetuação delas. Junto isto tudo e percebo que, a vida tem sentido para gente como nós, exatamente pela percepção que temos para com estes personagens e para os que, estão muitas vezes ao nosso lado e não os percebemos. Como é bom contarmos exatamente essas histórias.
Algo de Mário Xampu: https://www.youtube.com/watch?v=i2OiAnIj79M
Algo de António Variações: https://www.rtp.pt/play/p8764/variacoes

LEIA SARAMAGO E VISITE SEU INSTITUTO, CENTRO DE LISBOA, DEPOIS BATA PERNA ATÉ A BEIRADA DO TEJO
Quem chega hoje em Bauru SP, se depara com alguns outdoors e muitos adesivos fixados em veículos, com os dizeres: "Leia a Bíblia". Tudo bem, ler a bíblia deve até fazerparte do cabedal de quem está disposto a ler de tudo, porém, quando o fixado é somente na leitura deste livro, algo explícito como errado e fora dos padrões da normalidade. Ler somente um livro é algo tacanho e preocupante. Todos nós deveríamos saber o que está embutido neste dizer restritivo. Algo destes tempos reducionistas e pregando o fundamentalismo.
Daí chego em Lisboa e me deparo com o Instituto José Saramago, um pequeno prédio, com alguns andares, reverenciando um dos maiores escritores deste planeta. Entro pela segunda vez no mesmo e me delicio em cada canto. Enfim, a leitura, como ali provocada é para ser feita em todas as suas instâncias e não seguindo somente uma vertente. Pior quando essa vertente é somente religiosa. Saramago propõe exatamente o contrário, um ler e escrever ampliado, abrangendo e abrindo o leque para tudo o mais.
Poderia querer fazer um adesivo rebatendo o que vemos em Bauru, talvez com um "Leia Saramago", mas o próprio escritor não se sentiria bem com algo assim, pois o que vi explicitamente proposto quando adentrei seu instituto foi exatamente o contrário. Teria que fazer um adesivo com os nomes de muita gente, muitos escrevinhadores mundiais e este o motivo de não ter feito até agora algo para responder a aberração restritiva estampada em carros e postes bauruenses.
Enfim, Saramago propõe a abertura e ampliação dos horizontes. Circular por entre tudo o que lá vi sobre ele, demonstra pelas fotos e escritos, o quanto nada deve ser restritivo a somente uma linha de pensamento e uns poucos. Era isso, essa a mensagem principal que cada pessoa ali subindo e descendo as escadas dos quatro andares do Instituto recebem - o elevador não está funcionando -. Volto, ou melhor, saio de lá, recarregado e cada vez mais compreendendo que o mundo só se libertará das amarras reducionistas mentais se ampliar cada vez mais o leque de leitura, escritores diversos e variados. Algo tão simples, contundente e significativo. Saramago me passa isso tudo e muito mais. Eu cada vez mais sinto que, ler de tudo é uma ótima saída para se libertar das amarras de quem fica detido, preso, amordaçado na prisão da leitura de somente um livro, seja ele qual for.