PALAIS GARNIER E DIOR LA GALERIE
Tenho que confessar, se estivesse sózinho, não visitaria estes dois lugares e o fiz por causa de Ana Bia, a companheira de todas as horas. Ela havia já comprado os ingressos - caros, viu! - do Brasil, dia e horário agendados, inclusive prevendo o não enfrentamento de filas. Ela pensa em tudo quando em viagens. Para mim isto tudo é muito cômodo. Vou na valsa e, desta foirma tudo dá sempre muito certo.
Ambos os lugares não são nada revolucionários, no sentido exato da transformação social, porém, cada qual produz uma espécie de revolução. Tento descrever algo de ambas. Amanhecemos por aqui, o "Quarteto Fantástico", que voltou a se reencontrar em Paris. Começamos juntos nossa saga em Portugal, Porto e Lisboa, depois se separando, eu e Ana Bia estivemos na Itália e Edna e Leo na Espanha, Madri e Barcelona. Nos reencontramos no hotel Kyriad, junto ao portão de Clignancourt, bem na boca de um estação do metrô. Este lugar é escolhido pelo preço que, amiga de infância de Ana, agente de turismo na cidade, moradora nas proximidades nos consegue. Melhor impossível.
Nossa manhã começa no hotel e depois se estendeu com andanças pelas ruas da cidade, mas principalmente com duas agendas previamente marcadas. A primeira no Palais Garnier, constituindo-se no maior teatro de óperas da cidade, em pleno funcionamento até hoje. Guardadas as devidas proporções, imagine-se dentro de uma visitação ao Tatro Amazonas ou mesmo ao Municipal carioca. É isso o que fizemos. Casa lotada, percorremos todas suas instalações, todas hoje constituídas como se fosse um museu, com peças expostas de suas grandes e inesquecíveis apresentações. O lugar é grandioso demais e presenciamos muitas jovens, de várias partes do mundo, chegando todas paramentadas, prontas como se fossem assistir a grande espetáculo e posam para fotos dos seus junto aos vários balcões existentes. Geram todas lindas fotos. Não tem como não ficar belo numa foto bem tirada num lugar destes. Até eu, já com cheiro e fisionomia distorcidas por quase vinte dias de ininterruptas viagens.
A decisão foi passear um pouco e uma grande loja da FNAC, ali pertinho caiu bem no gosto de todos. Eu, como devoto de papéis e caderninhos me esbaldo. Por aqui, uma mais lindo que o outro. O preço, quando convertido para nossa moeda é que não é nada convidativo. Relaxo e faço o que posso. Trago alguns poucos. Nem almoçamos e vamos para a Galerie Dior, onde toda a história do estilista e o costureiro mais famoso do planeta, Crhristian Dior tem contada sua saga e história. O cara, quer queiramos ou não, foi mais que bom. Dedicou sua vida para a alta costura e a produziu desta forma e jeito, para todas as famosas deste planeta. Hoje tudo reunido numa Fundação, administrando o local. São 3 andares e 13 ambientes diferentes, todos interligados. Na verdade, eram dois prédios, que foram unificados e adaptados. Neles tudo o que Dior produziu, numa exposição com um visual indescritível. Ao final, até mesmo para um crítico como eu, tenho que confessar, tudo maravilhosamente montado e impecável exposição.
Rodei o espaço todo junto de Ana e Edna - Leo foi bater perna na rua -, empurrando sua cadeira de rodas e acompanhados de uma funcionária da Fundação, por acaso chilena, quando pudemos conversar em espanhol com ela, tivemos mais que um tratamento vip. Circulamos por elevadores e lugares que o visitante não tem acesso. Desfrutamos todos der uma rara tarde. Na saída, uma região cheia de lojas de grandes marcas da moda mundial e difícil encontrar um restaurante com preços, considerados por nós, como possíveis. Andamos um pouco e nos deparamos com um, numa praça, tendo ao fundo a Torre Eiffell. Gastamos os tubos, mas enfim, desfrutamos de uma tarde admirável. Cansados, voltamos os quatro para o hotel. Teve mais, mas conto depois. Ser e estar turista, tendo já quase 20 dias nos costados, canso um bocado. Depois der algo intenso, nada como uma boa e confortável cama, onde normalmente mergulho de cabeça.
Faltam três dias de passeios por Paris e, ciente de que tudo está chegando ao fim, durmo pouco, descanso menos ainda, escrevo só o que consigo, diante de tantas oportunidades e assim, tento retratar bocadinho do que vivencio. Paris, para mim, é uma supresa em cada esquiona. Adoro principalmente os lugares pouco mais distantes do centro turístico e nervoso, quando perambulo pelas ruas e me encanto com tudo que vejo. E como não paro de ver coisas interessantes, estou meio que em transe. Quando sair deste estado, espero voltar ao normal, algo que, creio eu, só acontecerá no Brasil e depois do Carnaval, de estar junto do bloco do Tomate, de sair na Estrela do Samba, Estação Primeiro de Agosto e Coroa Imperial. É muita coisa para o já combalido corpo de alguém com 65 anos e já um tanto carcomido pelo tempo. Sigo em frente, sem olhar muito para trás ou mesmo, pensar nas consequências, enfim, quando mesmo poderei voltar a por os pés por aqui. Só aqui no Kyriad já é a terceira vez e espero voltar outras, pois tudo o que vejo nas imediações me atrai demais da conta, mesmo não falando uma só palavra em francês. Sou um mímico indescritível.