sábado, 1 de agosto de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (193)


CRÔNICA DOS 130 ANOS DE BAURU - NÃO FOI POR FALTA DE AVISO

Parece que, com a alcaide bauruense, a fundamentalista Suéllen Rosin, não existe meio termo, nem meios de lhe dar toques, pois pela forma teocrática como exerce seu mandato, os únicos com este poder são seus pais, parceiros na empreitada de levar adiante a missão de mando sobre Bauru. Muitos já tentaram abrir seus olhos, indicando caminhos opostos ao que, faz questão de seguir, mas como todo cabeça dura, segue sua sina destrutiva, sem dar ouvidos para a patuléia.

Guardião, o intrépido super-herói destas plagaa insiste nestes toques mensais, na forma irônica, pois vê que indo pelo caminho da seriedade, nada conseguiria. "Suéllen, como se sabe, é bolsonarista. Quando observa-se, depois de tudo o que já foi revelado de Flávio e de toda famiglia Bolsonaro, muitos cegamente o louvando como salvador da Pátria, algo parecido ocorre com essa inconcebível administração pública municipal de Bauru. Até as pedras do reino mineral sabem que, dia mais dia tudo se findará da pior maneira possível, tal a sequência de fatos dantescos, mas isso parece ser pouco e age como se estivesse num mar de tranquilidade. Nero agiu assim, Mussolini e Hitler não tinha quem interompesse suas ações, Idi Amim continuaria agindo tresloucadamente não fosse interrompido e não nos esqueçamos, Donald Trump não ouve ninguém e assim leva os EUA para sua bancarrota enquanto Imperio. Suéllen faz parte deste segmento. Onde isso vai dar, tenham certeza, boa coisa não será", expoē Guardião seu ponto de vista.

E tudo culminando com o aniversário, os 130 anos de Bauru, uma data redonda onde as comemorações - se é que existem de fato - se concentram em shows musicais. "Olhemos para todos os lados e com a máxima atenção: diante de tanta barbaridade existe algo pra se comemorar? Os retrocessos são evidentes, obras paradas e promessaa de outras, que nunca sairão do papel. A cidade está relegada ao plano do abandono, suas instituições, antes pujantes, hoje sendo dilapidadas e sucateadas, vide o que acontece com o DAE. E ela, a alcaide, agindo como se nada estivesse ocorrendo. A melhor imagem representando este triste momento é o da chave da cidade, diante de tantos atos danosos e perversos seguidos, ter alcançado um descomunal tamanho, fazendo com que não possa mais ser carregado por ela. E assim, ela cai por terra, conduzida até aqui pelos próprios atos e descaminhos, sendo tragada pelo tombo, provavelmente caindo num dos tantos buracos de nossas ruas e na sequência, permanecendo à espera de internação por semanas, deitada numa maca. Este a imagem mais próxima como resultado da sequència de atos, onde mesmo sendo alertada, preferiu seguir pelos descaminhos. Bauru não merece chegar aos seus 130 e ser gerenciada desta forma e jeito", conclui.

Obs.: Guardião é obra do traço do artista Gonçalez Leandro, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA e é publicada todo dia 1° de cada mês.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

CARTAS (258)


VEJO SUÉLLEN E O CAOS TOTAL, SAÚDE EM PETIÇÃO DE MISÉRIA E OLHO PRO PASSADO, TUGA E DAVI CAPISTRANO, ANO DE 1986, QUE SAUDADE
Passo ontem à tarde para um café na casa da amiga Rose Barrenha e devorando quitutes, observo em sua estante, o que me chama a atenção é o menor livro - em tamanho, viu! - ali guardado, este divinal "SAÚDE PARA TODOS - UM DESAFIO AO MUNICÍPIO - A RESPOSTA DE BAURU", obra organizada pelo médico Davi Capistrano, que acertadamente um dia, o então prefeito Tuga Angerami convidou para vir aqui olhar como girava nossa Saúde Municipal e ver se dava um jeito nela. Ele veio, aqui se fixou, mudou muita coisa e aqui implantou um modelo de administração de Saúde, que fez tanto sucesso, gerando não só este livro, mas se tornando exemplo para infinidade de outras administrações. Se querem falar seriamente de um legado de Tuga e do Davi, isso aqui relatado neste livro é um exemplo que ultrapassa gerações e deveria servir para dar vergonha na cara de administrações atuais, atuando em total desalinho com o bom senso e trato mínimo de generosidade para com o semelhante.

Eu sentei na mesa, tomei meu café e saboreei o livro com muito mais gosto do que o bolo servido pela anfitriã. Nós, aqui em Bauru já tivemos a rica e rara oportunidade de ter um exemplo de atendimento na Saúde e depois de algumas poucas décadas, colocamos tudo a perder e hoje, o predomínio é do caos. Penso até em copiar o tal livrinho e deixar sorrateiramente na mesa de trabalho de alguns que se dizem administradores desta cidade, principalmente os cuidando de nossa Saúde. O princípio básico dessa dupla, revolucionando o formato administrativo nesta cidade possui um diferencial que poucos hoje detém, o de durante sua vida pública, terem também participado ativamente dos movimentos de luta pela democratização da sociedade brasileira. Hoje, nossos administradores são fundamentalistas, quando não terraplanistas, negadores da Ciência e daí, como querer que alguém com essa mentalidade vá cuidar de uma cidade, quiçá de sua Saúde? Impossível.

O livro me toca profundamente, pois acabo de voltar de uma visita para meu dileto amigo, Lulinha, hospitalizado para tratamento de problermas sérios no coração. Passou uma semana numa UPA até conseguir vaga no Hospital Estadual. Fui lá, observei também a deterioração do Estadual, belo por fora, mas de perto, já um grande problema a céu aberto. Isso tem nome, descuido para com a Saúde Pública. Tuga no prefácio coloca o dedo na ferida, "de todos os desafios do administrador público, nível de administração municipal, a saúde da população é dos maiores, se não o maior. A saúde é dos mais legítimos direitos do cidadão e cumpre ao Estado responder por essa necessidade. (...) Até porque, as pessoas moram nas cidades e aos seus responsáveis direitos - os prefeitos - cabe a maior parte da responsabilidade. A forma de corresponder a essa exisgência é o grande desafio".

O que vem a seguir, tanto como texto, como o que foi feito enquanto estiveram à frente da administração da cidade, deveriam elevá-los a um altar, mas hoje, como viceja, gente que mesmo desconhecendo tudo, opina sobre tudo, recebem críticas. Na comparação do que já tivemos ontem, com o que temos hoje, algo tão descabido, de incomparável proximidade. Como chegamos a um patamar tão elevado de entendimento de como deve ser o trato com o cidadão dentro da coisa pública e como pudemos em tão pouco tempo, perder tudo e fazer exatamente o contrário? E olha que temos um médico como vice-prefeito - e uma jornalista como prefeita.

Me desculpem, mas estou com o pavio curto e o que queria mesmo era poder esfregar esse livrinho na cara dos atuais políticos no comando desta cidade, desde vereadores, inoperantes e obsoletos, diria mesmo, inúteis, a esse bando de secretários incapazes de um trabalho sério e dentro de um mínimo de compreensão humana. Já da alcaide, sabemos ser ela centralizadora e assim sendo, a maior culpa deve recair sob os seus costados, sem dó e nenhuma piedade. Eu, se ela quiser e estiver disposta a aprender algo, volto na casa da amiga Rose, empresto o livro - guardado por ela com o maior carinho -, me comprometo a devolver e produzo uma cópia, entregando - se possível protocolada - nas mãos da alcaide. E depois, a danada da alcaide, teve a pachorra de ir lá no terreno onde na campanha disse iria construir um Hospital Municipal, falou, prometeu, até chegou a publicar nome de uma funcionária e nada mais aconteceu. Descaso total e absoluto. Eu entendo dos motivos do Tuga não querer mais saber de contato com quase mais ninguém. Uma desilusão total deve o estar consumindo, pois ele, ciente de ter feito, de ter balançado a roseira, hoje observa lá do seu canto, a mesma roseira quase seca. Este livro me faz criar coragem e dizer pra esses de hoje: Que falta de vergonha na cara, hem!!!.

COMENTÁRIO:
"Eu era aluno de Jornalismo na UB quando Capistrano esteve na Secretaria de Saúde do Governo Tuga. Certa vez promovi um debate entre ele e o médico Abrahim Dabus, então deputado estadual por SP. Fui buscar o Capistrano no hotel onde ele morava e o Abrahim na porta da mansão dele. Mas eu só tinha uma Brasília velha. Capistrano entrou primeiro, sem nem se dar conta de que carro era. Já Abrahim não disfarçou o mal estar em ser levado naquele "pois é". Entrou, mas pediu para ir na frente, alegando dor nas costas. Capistrano saiu pacientemente do carro e entrou atrás. Quando chegamos na faculdade, Abrahim estranhou não haver nenhuma autoridade do campus a recebê-lo. Capistrano nem se preocupou com isto. Entrou e foi cumprimentar alunos antes de sentar-se em seu lugar. Abrahim também entrou, e, talvez pelo problema nas costas, não se sentou ao lado de Capistrano. Permaneceu o tempo todo em pé. Capistrano deu um show de humildade, conhecimento e cidadania. Honestamente, nem me lembro do que falou Abrahim", jornalista Ricardo de Callis Pesce.

"Dupla que revolucionou o atendimento na saúde pública em Bauru: David Capistrano (ex-secretário da Saúde de Bauru) e Tuga Angerami (ex-prefeito). Esta fiz na famosa Operação Verão, realizada em 1985 na cidade para verificar as condições de saúde das crianças. O mutirão serviu para diagnosticar casos de doenças e planejar prevenção para o futuro. Em 1986, Bauru foi uma das primeiras cidades do País a baixar o índice de mortalidade infantil", fotógrafo Pedro Romualdo. 
Os revolucionários Davi Capistrano e Tuga Angerami em ação na Bauru dos anos 80.

CENA BAURUENSE (280)


ENQUANTO O CIRCO CONTINUA PEGANDO FOGO, EIS MAIS CENAS, FLASHES DAS RUAS BAURUENSES, ATÉ PARA DESVIAR O FOCO DA ATENÇÃO, VOLTADO HOJE MAIS PARA OS DEMANDOS POLÍTICOS
01. Publicado em 27.05.2026: 
A loja de confecções Tereza Tavares, altos do parque São Geraldo, rua Belmiro Pereira quadra 5 é sui generis. Dona Teresa começou o negócio com um brechó, algo em torno de uns 40 anos atrás e hoje sua loja é referência no bairro, não só pela diversidade, como pelo congraçamento de parentes ali reunidos aos finais de tarde, quando o sol se baixa. Por ali, ela, filha, neta, pai, mãe, cunhados, concunhados e afins, todos num papo sempre concorrido, cadeiras espalhadas pela calçada e assim, expondo a alegria de saber tocar a vida adiante.

02. Publicado em 29.05.2026: 
Em Bauru tivemos muitas vilas construidas para trabalhadores. Isso aconteceu muito no entorno das ferrovias e algumas delas ainda persistem em Bauru, como a ao lado da estação FEPASA e outra da SOROCABANA, no prolongamento da avenida Pedro de Toledo. Na rua Nóbile de Piero, muitas casas construídas para abrigar gente da ferrovia, belos casarões, alguns ainda conservados, outros nem tanto. Lembro de uma vila, a de um curtume perto dos trilhos, entrada da vila Prudência e essa, a mais conservada, com quatro casas, construídas junto ao AEROCLUBE, hoje, uma residência, uma loja e dois restaurantes, ali na cabeceira da entrada do local, enfeitando a avenida Octávio Pinheiro Brisola.

03. Publicado em 02.06.2026: Eu, particularmente, adoro isso de quarar ao sol, ainda mais neste começo do período mais frio. Basta sair um solzinho, já quero me refestelar ao sol. Imagino fazendo isso lá na grama que a alcaide plantou na praça Rui Barbosa, com este intuíto, o de ver o povo quarando ao sol. Lhufas para um chafariz, que antes enfeitava - para a alcaide Suéllen Rosin, com certeza, devia enfeiar - o local. Digo isso e na caminhada diária, vejo este senhor estatelado ao sol, não mais quarando, mas desabado, fazendo de colchão a grama do parque Vitória Régia, numa triste cena, destes tantos desmaiados pelas calçadas da cidade, quase invisíveis para a imensa maioria dos que circulam até por sobre eles.

04. Publicado em 03.06.2026: Adoro ver púlpitos e sacadas sendo utilizadas como locais para falações, comícios e até eventos. Quem não se recorda daquele lá no Pelourinho baiano, quando Michael Jackson fez seu show. Pois bem, aqui em Bauru, não me recordo de nenhum sendo utilizado para essa finalidade - nem os das igrejas -, daí toda vez que passo no cruzamento das ruas Cussy Junior com Virgilio Malta, centro da cidade, vendo essa sacada, ainda mal explorada, penso nela rodeada de gente lá embaixo e lá do alto algo a convulsionar mentes e proposituras. Toda sacada é muito instigante.

05. Publicado em 04.06.2026: Reuniões na casa da família Baté, no coração do distrito rural de Tibiriçá, são sempre regadas por algo, nem que seja um mero café quente, tirado na hora e com bolachas, servido num daqueles bules tirados de um museu, o acervo pessoal de dona Irene Cosmo, a matriarca.

06. Publicado em 06.06.2026: Paro para trocar o óleo do carro num posto de combustível na avenida Duque de Caxias e defronte de meus olhos, essas duas casas geminadas, muito antigas e na observância de como as enxergo hoje, com o passar de tantos anos, cada qual recebendo um tratamento e assim se apresentando diante de nós. Elas foram concebidas iguaizinhas e hoje, mesmo irmãs gêmeas, apresentam muitas similaridades, mas estão bem diferentes uma da outra. E assim, creio eu, ocorre com tudo o mais. O passar dos anos é inexorável para detectar e expor nossas diferenças.

07. Publicado em 07.06.2026: Diante de bandeirinhas fixadas nas grades do Aeroclube Bauru, onde daqui uma semana acontece mais uma festa particular do astronauta bauruense, Orlando Alves posta com foto de sua lavra: "Mais um arraiá aéreo, não sei se o Marcos Pontes foi mais inútil como astronauta, ministro ou senador". Eu corroboro a indignação e reafirmo o que lhe respondeu outra pessoa: "Foi inútil em todas". A parte bauruense lhe fazendo festa deve ser a mesma que, deu a Bolsonaro 80% de votos em Bauru.

08. Publicado em 08.06.2026: Lá do altos do Bela Vista, proximidades do Distrital, olhando para os lados do PVA - Parque Vista Alegre, impossível não associar a imagem vislumbrada da igreja da Casa do Garoto, como uma nave espacial, pronta para ser lançada aos ares.

09. Publicado em 09.06.2026: Fixado numa árvore, avenida das mais movimentadas da Zona Sul, vila Cidade Universitária, avisos constantes são deixados espalhados pelos mais variados locais, como espécie de norma a ser seguida pelos caminhadores e alimentadores de animais, porém, pisar erm dejetos destes continua sendo muito usual cidade afora.

10. Publicado em 10.06.2026: Neste sobrado, rua Cussy Junior, centro bauruense, residiu por muito tempo a família do advogado avareense Itaureo, sua esposa e as três filhas, Vivian, Cris e Nívea Jardim. Todos agora já se foram, com o passamento da Nívea por estes dias, aos 66 anos, já residindo longe daí há algum tempo. O lugar marca, pois as pessoas demarcam um território, circulando nele por tempo indeterminado e quando se vão, algo fica e isso sempre me volta à mente ao passar defronte. Conheci pouco a Vivian, fui amigo e trabalhei junto da querida Cris e vez ou outra, confabulava com a Nívea pelas ruas. Hoje tudo é saudade e o sobrado resiste ao tempo.

11. Publicado em 11.06.2026: Na esquina do Memorial Bauru, juntando dois cemitérios, este vertical e o outro horizontal, o da Saudade, esteve fincado por muitas horas o nome do amigo JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO VINAGRE, falecido nesta cidade e data. Ver o nome de um amigo, uma pessoa conhecida ou mesmo de qualquer outro nesta placa é algo para canfabularmos sobre a finitude desta vida.

12. Publicado em 12.06.2026: Com o início da Copa do Mundo, alguns ainda pintam muros e o próprio asfalto com as cores da bandeira brasileira, numa demonstração da continuidade do crédito nas vitórias da seleção, mas impossível, não se aproveitar do momento para expor o outro lado da questão. O vereador Lokadora encontrou na periferia da cidade, algo onde no entorno de uma buraco, a bandeira, numa clara e criativa ideia para explicitar a dura realidade das ruas nestes locais.

13. Publicado em 16.06.2026: Imagem recuperada, autoria do fotógrafo e nas horas vagas, professor Mauro Landolffi, ano de 2023, de uma das tantas escapulidas pelas ruas bauruenses, atrás de registros como estes tantos pelos semáforos, denominados certa feita, por João Bosco em uma magistral música, como "malabaristas do sinal vermelho".

quinta-feira, 30 de julho de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (220)


ESTE AQUI É ALGUÉM DE MUITA LUTA, LULINHA, HOJE INTERNADO NO HOSPITAL ESTADUAL
Lulinha é o Agnaldo Anastácio da Silva, um ser sindical durante todo o tempo que o conheço. Completou 64 anos e ano que vem iria se aposentar por idade, mas teve que antecipar a coisa, pois seu coração está dando sinais de enfraquecimento, após anos de intensa vida de reconhecida militância política. Não tem ato político em Bauru, destes relevantes, onde Lulinha não esteja por detrás. O danado agiu e viveu intensamente a vida até quando deu e agora, quando o coração começou a desapontar, passou poucas e boas, alguns AVCs e este último, uma semana aguardando internação numa UPA e desde a última sexta, internado no quarto 207 do Hospital Estadual. Fui visitá-lo, pois além de tudo, ele representa para mim essa luta da qual estou também envolvido dos pés à cabeça.

Seu estado não é grave, mas a filha, sua alma gêmea e cão de guarda, Natália, não esconde sua situação. "Meu pai tem hoje 30% do coração funcionando, algo irreversível e daqui por diante, precisa levar a vida com mais calma, sem correrias e sobressaltos. Ele é forte, vai vencer, mas terá que se enquadrar", conta. Hoje ele aprontou mais uma das suas. Passou por um atendimento médico e quando o médico lhe disse "dispensado", saiu hospital porta afora, sendo encontrado na calçada pela filha. Ela ao perguntar para onde iria, sua resposta só poderia ser uma: "Eu vou pro sindicato". Sim, o sindicato é a vida do Lulinha, tendo passado dentro de um a maior parte dos seus dias. Todos os que que já estiveram envolvidos nestas plagas em alguma luta operária, sindical e da esquerda, com certeza, esteve ladeado com Lulinha em algum momento. Inevitável. Ele esteve em todas e agora, quando o corpo pede calma, tenta entender como será sua vida daqui por diante.

Sento na beirada de sua cama e revivemos algo dessa intensa luta, desde os tempos da Causa Operária, que o levou junto do Partido Obrero, até a Argentina, depois com o PT, quando participou de todas as campanhas, as imagináveis e também as inimagináveis. Tendo eleição sindical por aí, lá estava Lulinha fazendo e acontecendo. Nos últimos tempos aflorou seu lado espiritual e eu, ateu convicto, ia até onde ele estava dando passes na Umbanda, só para receber os seus, pois nele eu acreditava. O tempo passa, o tempo voa e hoje, todos de minha geração, um tanto cansados, porém sem desistir da lida e luta. Com Lulinha não é diferente, continuando ativo lá nas hostes da CUT e Sinergia, só que, ele agora ciente de que, chegou a hora de continuar presente, mas numa outra alçada e pegada. Para quem foi mais do que ativo, a certeza, nada será fácil, mas como o danado quer viver mais um bocado de tempo, ele sabe melhor que ninguém, precisa pegar mais leve em tudo que faz. O coração assim pede.

Lá no hospital - pode receber visita no horário das 7 às 19h30 - lhe perguntaram após ser reencontrado já no portão de saída, se ele havia fugido. "Fugir? Que nada, você não sabe o que eu já fiz na vida. Eu só ia até ali na lua, mas iria voltar", disse. Para alguém como ele não é nada fácil permanecer retido dentro de um quarto de hospital. Porém, sabe que está dentro de um tratamento intensivo, no próximo sábado, passará por um exame mais detalhado, um cateterismo, até para se certificar do tratamento que terá pela frente. Sua filha está ao lado dele, os amigos o visitam regularmente, as ligações são contínuas e todos o estimulando para que, cumpra o prescrito e viva muito e bem daqui por diante. Lulinha é desses que, pela história que carrega nos costados, exemplo para tantos e uma espécie de amuleto da luta por dias melhores para este país. Personifica essa luta que teremos pela frente nessa tresloucada eleição deste ano, onde ele não poderá participar de forma 100% presente, como em todas as outras, mas para quem continuará pela aí, nada como se espelhar nele e tocar o barco adiante. Lulinha sempre esteve também junto do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, desde seu início, sendo já homenageado como muso e assim, reconhecido, como baluarte de nossas arruaças todas. Ele é mais que um dos nossos...

Em tempo: Antes de me despedir fomos pra varanda, 2º andar do hospital, um tanto desgastada, ele reclamão, dizendo que ali poderia ser uma área de lazer para os pacientes e de lá, debaixo de um toldo carcomido pelo tempo, muito puído, ladrilhos se soltando da parede do prédio, ele permanece algumas horas do dia, olhando para a rua e imaginando, como me disse, "passando um filme de minha vida" e acreditando que, muita coisa ainda virá de bom pela frente. A gente sabe que, não será um hospital que o irá prendê-lo, mas que essa curta estadia lhe sirva de reflexão, para ele e todos nós, irmanados com ele, saibamos vencer todos os próximos obstáculos que teremos em breve pela frente. A luta continua e a vida, mesmo que de forma mais suave, pode ser vivida intensamente. Ele exercitou isso de forma prática, sem pensar no dia de amanhã, tudo pela causa que o move. Lulinha é muito mais do que um mero militante.
A varanda no 2º andar, de onde Lulinha vê o mundo por estes dias.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (200)


REVER O LUIS AURÉLIO APÓS MUITOS ANOS, ALGO DE INCOMENSURÁVEL VALOR E IMPORTÂNCIA - ELE CONTINUA NA LIDA E LUTA
Chego atrasado no evento pro candidatura pra deputada estadual Bebel, na sede da Apeoesp Bauru, na última terça, sento ao fundo e fico prestando a atenção nas falas alternadas ao microfone. Na mesa formada à frente, ladeando Bebel, uma pessoa me chama a atenção. Não o via há muito tempo, creio eu, desde o falecimento de sua esposa, a querida Sueli Lima, assistente social da Prefeitura Municipal e que comigo atuou na última administração Tuga Angerami. Foram tempos auspiciosos no quesito realização e propositura nesta cidade, guardando ótimas recordações de todos que estiveram envolvidos nestes inesquecíveis anos.

Então, lá na mesa, aguardando também seu momento de fala estava o LUIS AURÉLIO, maridão da Sueli, um sujeito destes que, basta um encontro, um esbarrão, uma conversa pra se tornar admirador. Este danado já chegou pronto aqui em Bauru. Um dia aportou por aqui, conheceu a Sueli e juntaram suas vidas num projeto único. Estive algumas vezes na casa deles lá na barte baixa do jardim Beija Flor, perto do Centro Comunitário e de uma pracinha. Fiquei o observando, pois não o via há quase uma década. Ele fez uso do microfone, faliu bonito, defendeu a candidatura de alguém como Bebel, muiuto necessária na Alesp e trocamos olhares. Deu pra notar algo grandioso neste ser humano, o fato de continuar o mesmo, na lida e luta, esgrimando pelas mesmas causas a nos mover. Só por isso, uma admiração profunda. Venero todos os que não abandionam por nada a cancha de luta.

E quando já estava atento em quem seria o próximo a fazer uso do microfone, eis que ele vem até mim, nos cumprimentamos, um forte abraço e aquelas trocas de gentilezas habituais. Diz estar morando no mesmo lugar e por isso, fica entendido que devo aparecer, até para colocar as conversas em dia. O visual do Luis continua o mesmo, com aqueles cabelos longos, brancos e presos num coque, amarrados. Ele é um lutador das causas sociais, desde quando aqui aportou, já com baita currículo nos costados. Esteve envolvido em várias questões edificantes lá pelos lados da Capital e depois, se instalou por aqui, casou e tiveram uma filha, que conheci, mas também perdi o contato. A vida teve prosseguimento, Sueli se foi, muito nova e ele seguiu seu destino.

Desses reencontros, sempre sai algo bom e edificante. Neste, vejo como é grandioso a gente, quando fica um tempo sem reencontrar alguém, quando o faz, se depara com ela ali na mesma trincheira de luta, ao lado das pessoas que nos movem e nos alicerçam, nos dão força e consistência para seguir em frente. Na nossa fisionomia, algo dessa passagem do tempo, rugas estão mais do que instaladas em nossas faces, porém essas não nos fazem esmorecer. O Luis representa isso tudo, a exata fisionomia destes tantos que, não abandonam uma causa e mesmo cansados, continuamos a nos mover, fazendo algo para transformar o estado de coisas prejudicial aos interesses dos trabalhadores. Gente como este Luis me são mais que gratas e demonstram que, desistir é para os fracos. Algo nos move e isso não nos faz parar pelo caminho. Estarei em breve batendo palmas lá no portão dele, para um longa prosa. Rever juntos nossas andanças é sempre revigorante.


ALGO DOS MUITOS VEÍCULOS AMARELOS OCUPANDO NOSSAS RUAS
Na cena de hoje algo que se repete, não só em Bauru, quiçá no país (quase) inteiro, o dos carrinhos amarelos do Mercado Livre rodando para lá e para cá. Observo o aumento deles pelas ruas com muita atenção e aqui compartilho a conversa tida hoje com um comerciante de um dos bairros da cidade. "Estamos passando por um momento muito complicado. As pessoas estão deixando de consumir produtos conosco e o fazem hoje pelas redes sociais. Compram quase tudo através do virtual e mesmo aqui em minha loja, observo algo. O funcionário atende a pessoa, ela escolhe, faz descer caixas, mas não leva e descobri, elas experimentam aqui e depois, compram através do celular, com empresas de fora, na maioria das vezes para redes muito grandes, essas impossíveis de se tentar um preço próximo deles. As lojas fechando no centro e as de bairro são um reflexo disso, que acredito, não ocorra só aqui, mas no país inteiro. Como enfrentar a esses, não sei, mas o que sei é que não aguentaremos mais muito tempo. Temo que nosso antes vistoso comércio vá se transformar num grande deserto de portas fechadas e cada vez mais, muitos carrinhos amarelos rodando pra lá e pra cá", foi o que me disse.

SOBRE A TENTATIVA DE IMPEDIR A RODA DA FEIRA
"A situação é a seguinte: A OAB interviu, e foi feita uma reunião na Cultura. Foi a Bom termos, mas não definitivo. Uma nova reunião deveria ser realizada com Cultura, SAGRA, capoeira e feirantes, pra ajustar todos os ponteiros. Ofício da OAB solicitando e estabelecendo pontos foi protocolado, mas não tem data. A Capoeira vai fazer a Roda, conforme programado primeira quarta-feira de cada mês. ESTAMOS CONVIDANDO A TODOS!!!
Capoeira é PATRIMONIO CULTURAL BRASILEIRO
E dever de todos a sua proteção", Alberto Pereira, pela Casa da Capoeira.

Explico melhor. A RODA DA FEIRA já é uma tradição. Ocorre desde muito tempo em locais públicos de Bauru e sem maiores complicações. Neste ano, administração da fundamentalista Suéllen Rosin, tudo se torna um problema - até com a liberação do coller nos festejos do aniversário da cidade no Recinto Mello Moraes. Com o impedimento, não se sabe se existe por detrás algo de preconceito pelo que representa ou é mesmo uma burra burocracia palaciana, onde tudo precisa ter aval da alcaide. Proibir e impedir a descida da RODA é algo mais do que irracional, algo como barrar a participação popular de ocupar suas praças e ruas livremente. Tudo precisa ser regulamentado, seguir regras, com ofícios e documentos, eis o lado legalizado, este também criando obstáculos para que o povo se manifeste e ocupe livremente as ruas. Ter que discutir essa liberação é uma clara demonstração de como é a cabeça dos burocratas - não seria burrocratas? - hoje detrás das mesas decisórias país afora. Deburocratizar o mundo, eis o que devemos fazer.

terça-feira, 28 de julho de 2026

ALFINETADA (267)


CIDO, UM MESTRE EM GEOGRAFIA, RELEMBRANDO JUNTOS ALGO DE SUA ESPOSA, SAUDOSA ROSIO
Cido, ou melhor, o professor José Aparecido Santos é velho conhecido, militância primeiro como bancário e depois como professor de Geografia, indo e vindo, até Adamantina, onde exerce a profissão. Tempos atrás, após o falecimento da esposa, a peruana Rosio Fernandez Bacio Salcedo, com quem atuei junto no CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru, ele me chamou num canto e ofereceu parte do acervo em livros delas. Aceitei e os incorporei ao Mafuá. Estivemos juntos na campanha pra vereador do Cláudio Lago e vez ou outras, nos encontramos pela aí, ambos nessa eterna luta em prol deste Brasil altaneiro e soberano. Militamos no mesmo partido político, o PT.

Por pouco não nos encontramos na Convenção petista, a que homologou Fernando Haddad pra governo de SP. Cido é oriundo daquela região, Campinas, onde começou sua militância como bancário. Dias atrás me chamou novamente, vendo do meu interesse por temas ferroviários, pra oferecer trabalhos de orientandos da esposa, feitos em cima de algo sobre o Patrimônio Histórico e a Ferrovia bauruense. Deixamos pra depois da convenção. Ontem nso encontramos e antes de mais nada, revivemos algo de sua história e da Rosio. Ela de Cuzco, no Peru e se conheceram, 40 anos atrás, quando ele e amigos por lá estiveram e sem querer de deparou com aquela jovem estudante. Flertaram e a partir dali, o relacionamento deu no que deu.

Tudo na vida tem momentos de emoção. O relacionamento deles começou intenso, pois na noite quando a conheceu, amigos o levaram para uma boate e lá permaneceram a noite, perdendo o trem que os levariam embora. No meio da noite ouvem uma explosão, era no trem, um atentado e várias pessoas ali morreram. Tudo começa desta forma e jeito entre eles. Ele passou a conhecer e amar o Peru, indo e voltando muito para lá e outros países andinos. Tudo uma longa história. Ele veio me entregar maquetes feitas por estaudantes da Unesp, sob orientação da esposa e acha que comigo estarão em boas mãos, como monografias com tema sobre a História e o Patrimônio Histórico. Ele adentra o Mafuá no final de tarde, ali ao começar a ouvir seus relatos, sentamos e a conversação se perdeu de vista.

Cido enviuvou há pouco tempo e ainda está aturdido com o rico material que vai desmembrando de tudo o que Rosio deixou entre seus guardados. Ele se surpreende a cada mexida nas estantes e caixas. Desta feita se lembrou de mim, achando que, comigo parte do encontrado estará em boas mãos. Folheamos tudo juntos e ao observar por onde Rosio fazia seus alunos caminharem, impossível não se interessar e querer conhecer, ler, ver em detalhes cada trabalho, o motido da pesquisa e os resultados de cada um. Enfim, por detrás de tudo, sempre a História bauruense. Eu o agradeço por tudo, enfim, se já tinha uma fila imensa a aguardar minha leitura, agora tenho mais um bocadinho, daí, nada como pedir uma sobrevida, talvez a concessão de alguns anos há mais acrescentados no final da mainha, para conseguir dar vazão em tudo o que tenho acumulado e não gostaria de ir embora sem antes botar não só os olhos, mas tomar conhecimento. E assim, desta forma e jeito, se avoluma cada vez mais meu rico acervo pessoal de livros e documentos. O Mafuá já está se tornando pequeno para tanta coisa boa.

BEBEL E PEDRO TOURINHO, EU SÓ VOU VER CANDIDATOS COM COMPROVADA RESPONSABILIDADE COM A COISA PÚBLICA
As próximas eleições batem na nossa porta e daqui até o dia do pleito, começo de ouutubro, muitos candidatos estarão circulando por Bauru, os daqui e os de fora. Eu se pudesse votaria em vários. Aqui nos meus comentários, alguns dos que poderiam muito bem contar com meu voto, pois sei, folha corrida das melhores, gente com ilibada reputação e comprovada ação pelo bem comum.

Hoje, terça, 28 de julho, começo da noite, dois destes passam por aqui em atividades separadas e depois se juntam. Bebel foi presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores da rede pública estadual por uma vida e sempre esteve ao lado da causa dos professores e da escola pública. Tem uma ótima atuação da ALESP e passa por Bauru, reunindo gente da região toda. Já na sede da CUT Bauru, quem por lá se reuniu com sindicalistas e simpatizantes foi o médico sanitarista e servidor público estadual, Pedro Torinho, tendo já disputado a Prefeitura de Campinas pelo PT. Se juntam para unidos, demonstrar força pela reeleição de Lula, eleição de Fernando Haddad pra governador, Marina e Tebet para o Senado.

Quando gente deste quilate passando pela cidade, faço um esforço e vou ouvir e ver o que tem pra dizer. Com estes não existe promessa vazia, forçação de barra e nada de chove não molha. É disso que realmente precisamos, seriedade no que fazem, cartas na mesa, propósitos muito bem definidos. Bebel concorre para deputada estadual e Pedro Tourinho para federal, ambos gente de Lula e do PT. Junto deles, gente que eu conheço e reconheço como sendo de lida e eternos lutadores por dias melhores para todos nós. Eu só escrevo de quem eu sei, faz e acontece, não faz acordo com a parte contrária e estão aí, como eu, em busca deste tão falado "outro mundo possível". Quando me virem comentando por aqui de algum candidato (a), podem ter a mais absoluta certeza, só coloco a mão no fogo por gente em quem acredite de fato esei, daqui da cidade ou de alhures, tanto faz, o importante é ter a certeza de que não me deixarão na mão. Políticos na acepção da palavra. O Brasil para mudar pra melhor, precisa e muito de gente de garra e fibra como estes dois.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

DICAS (271)


O QUE ACHAM DE ALGUÉM TROMBANDO COMIGO, NUMA MANHÃ DE SEGUNDA, DENTRO DE UM SEBO?
O Sebo é o do Bau, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Rodrigues Alves, centro nervoso da cidade e onde seu proprietário, o Roberto - o filho do Bau - está fazendo uma promoção dessas de arrepiar o pelo dos abnegados por livros e discos. Tudo pela bagatela de R$ 2 reais a unidade. Não tem quem não resolva, hora ou outra, passar por lá e conferir se ainda encontra algo, pois a devassa foi grande, mas pelo que fiquei sabendo, com um acervo de caixas e caixas ali acumuladas, décadas a fio, muita coisa nem os proprietários sabiam de sua existência. Ou seja, a garimpagem está em pleno curso na cidade de Bauru, mais precisamente neste sacrosanto lugar.

E assim sendo, impossível também nas idas e vindas não encontrar com alguém sujando as mãos, vasculhando velhas estantes, tudo em busca de algo dentro do seu gosto e preferência. Eu, desde quando começou essa última liquidação - Roberto afirma não irá fechar o sebo, é só para acertar o estoque -, já estive por lá umas quatro vezes e sempre me surpreendo. Hoje, quem dou de cara é o jornalista João Pedro Feza, um que residiu em Bauru por um bom tempo, trabalhando em vários de nossos já não mais existentes órgãos de imprensa e depois quando as portas se fecharam, foi em buscar de ar fresco lá pelas bandas de SAntos, onde reside há poucos metros dos botecos na beirada da Vila Belmiro, onde recolhe histórias e estórias para nos encher de inveja. Nada como viver num cais de um porto, ainda mais o de Santos, onde a história de estivadores briguentos, algo narrado tempos atrás por Plínio MArcos, no encantou. Feza dá prosseguimento ao inesgotável tema.

Vez ou outra o danado aporta por aqui, para algum trabalho dentro de sua área. Ontem circulou num dos pouquíssimas e raros eventos ainda promovidos pelo saudoso e hoje fechado Museu Ferroviário Regional de Bauru - MFRB - uma vergonha nenhum dos três bauruenses estar aberto. Hoje, como quer não quer nada, aportou lá pelas bandas do Bau e na virada de uma encruzilhada - lá dentro tem várias -, damos de cara e assim, iniciamos uma conversação para lá de boa. Nas estantes sempre algo de bom. Ele se agarra num velho LP do Roberto Carlos, desses de início de carreira e o livro cucaracha do Henfil, tudo pelo inimaginável preço de R$ 2 reais cada. Proseamos até lhe informar que, infelizmente, meu alvará estava vencido e teria que retornar ao meu bunker caseiro.

O que ve ser uma delícia mesmo é poder desfrutar de mais um tempinho, ouvindo suas histórias de beirada de porto, botequins com cheiro de sardinha, algo que, com certeza, ele deve ter acumulado ao longo dos últimos tempos. Feza é destes poucos que, por essas plagas, a gente pode denominar de jornalista de verdade. Eu, vez ou outra me intitulo como jornalista, mas não chego nem perto de alguns, cujo ofício realmente esteve no cerne de suas vidas. Eu brinco com a coisa, gente como Feza leva a sério. Tomara fique mais uns dias por aqui e possamos prosear mais um bocadinho, ele me contando as últimas do Neymar e eu, lhe atualizando sobre as últimas da thurma de Birigui que se apossou de Bauru e nem colocando a vassoura atrás da porta, não arreda mais o pé daqui. Enfim, eu e ele saímos com algumas preciosidades literárias e musicais do Bau e confesso, nenhum de nós gastou mais de R$ 20 pratas. Vale ou não a pena aparecer por lá? Só pelos reencontros já valeria e depois da garimpagem, sempre preciosidades.

EXPOSIÇÃO SEDENTÁRIA DE DOUTRINAS ALHEIAS
Mário de Andrade batizou certa feita, referindo-se a um verdadeiro vício ocupacional o de se deixar levar e ficar praticando a teoria do auto-engano, ou seja, mesmo ciente de estar errado, o sujeito continua defendendo o modus operandi de quem é o mentor do que pensa. Ele já não pensa mais por ele mesmo, mas pela ideoa do mandatário do seu mundinho. Preferiu ficar ali, aceitando tudo, do que ter que enfrentar e desdizer de quem supostamente o protege ou o ampara e assim, virou um repetidor idolatrado de algo mentiroso. Passa isso adiante, como verdade fosse, briga por causa disso, mesmo sabendo que aquilo não corresponde com a verdade e que, o outro lado, talvez faça melhor o que o seu deixa de fazer. Mas aceitar isso é outra coisa, inaveitável dentro do padrão de ações onde está encralacrado. Como desdizer do seu mentor, mesmo mentiroso, o que lhe proporcionou uma boquinha, tudo para valorizar a verdade?

Pensei nisso tudo quando vi uma pessoa conhecida, ontem enaltecendo com loas de melhor homem do mundo, o governador Tarcisio de Freitas, após este ter ido visitar a cidade de Taquaritinga, após a tregédia do vendaval da última sexta. O governador foi lá, tiraram fotos juntos e ele passou, so por causa disso a ser a melhor pessoa do mundo. Nada havia ainda de concreto em auxílio ou ajuda, somente palavras, promessas. Do outro lado, vindo do Governo Federal uma ação concreta, porém para viabilizá-la a cidade precisaria publicar um decreto se apresentando em estado de calamidade pública. Para este, por se tratar de advsersário de onde está situado, a pessoa elogia quem ainda não fez e nada diz de quem já fez algo.

Este é só um exemplo do mundo onde estamos situados. Lembrei da teoria de Mario de Andrade, a da "exposição sedentária de doutrinas alheias" e concluo que, com essa observÂncia, vou tentando alinhar mentalmente que a relação mais íntima, traiçoeira e definidora de um ser humano é a que ele trava consigo mesmo. Enfim, como é possível para uma mesma pessoa enganar-se a si própria? Num belo livrinho, o economista Eduardo Gianetti, o "Auto-engano", ele destrinchaalgo disso: "como nos desincumbimos de proezas como crer no que não cremos, mentir pra nós mesmos e acreditar na mentira ou remar de costas rumo a um objetivo?".

Cada vez mais difícil aquele que está envolvido na mentira pensar na possibilidade de estar enganado, desdizendo do que fez até hoje, as crenças, valores e paixões que os governa. Penso vendo essa gente se pronunciar: existirá uma possibilidade de rever algo e avançar ou continuará a vida inteira dominado, inerte e sendo conduzido como manada, enganado e ludibriado, tudo em troca de meras migalhas? Poucos conseguem sair deste moto contínuo. Sinceramente, pelo que conheço dele, acho um tanto difícil o governador se sensibilizar e doar dinheiro a fundo perdido para reverter o momento de cidades como Taquaritinga, pois a extrema-dierita age exatamente ao contrário, ela subtrai e não acrescenta, já o proposto pelo Governo Federal é palpável, está exposto e só não aceita quem está absorto pelo outro lado da moeda. Este é só o começo de uma divagação que vai longe...

"É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE NÃO É BOM MEXER COM A MALUCA... ENTÃO NÃO ME CUTUCA...QUE EU NUNCA DEI VIDA MOLE PRA FILHA DA..."
Outro dia me perguntaram: "Você ouve ou já ouviu ANITTA?" Tive que confessar, gostava dela, de seu firme posicionamento da vida e político, mas musicalmente conhecia muito pouca coisa. Agora, dia 23 de julho ela lançou o álbum EQUILIBRIVUM II, continuidade da primeira parte, lançada em abril. Me convidam para ouvir e me enviam por e-mail o álbum - agora não existe quase mais disco físico, tudo no mundo virtual - e me foi dito: "Ouça do começo ao fim e me diga o que achou". Ouvi, ela influenciada nas raízes brasileiras, explorando gêneros como samba, forró e MPB com fortes referências à espiritualidade de matriz afro-brasileira, contando com participações especiais de grandes nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença e Mart'nália, tive que confessar: além de já ter gostado - e muito - de sua postura como artista, agora me vergo e confesso ter gostado também de sua música. Creio eu, demorei muito. Sim, continuarei gostando muito mais do que ouço desde sempre, essa maravilhosa MPB, mas sempre estarei aberto para novas possibilidades. Assim sendo, escolhi para aqui compartilhar a NÃO ME CUTUCA, onde Alceu Valença tem uma pequena participação. Só posso dizer para todos os que, como eu, estavam reticentes, para que capitulem e a ouçam. Seus vídeos são de um visual extremamente competentes. Assim, ouvindo ANITTA, começo a semana.
Eis Anitta e Alceu numa das canções do novo álbum: https://www.youtube.com/watch?v=PSB7uxRtpaU