Comecei descrevendo algo do Paraguai e já mudei de assunto. Tento voltar ao tema que aqui me trouxe. O Paraguai faz parte dos países hoje abrigados sobre as asas dos EUA, nesta criação bestial de Donald Trump, denominada Escudos das Américas, que nada mais é do que, os EUA, com mão de ferro, praticando todo tipo de ingerência internacional, sob o manto de uma suposta proteção. O Brasil estava prestes a adentrar o grupo, caso Bolsonaro ganhasse o pleito. Flávio perdeu e na sequência, Trump também perde. E daí, eu olho para tudo e constato: este mundão veío não dá voltas, ele capota. Assim como, veio abaixo junto com essas duas derrotas mais uma feia bancarrota na história do país vizinho, o tão decantado Paraguai. Seu sistema financeiro ruiu com o fechamento e liquidação de um banco, este movimentando metade da população do país, mais de 3 milhões de pessoas. Fechou e sumiu com a grana toda ali depositada. Insolvência absoluta.
A diferença é que, na recente história paraguaia, eles decidem meio que rapidamente tudo. Lembro quando derrubaram o então presidente esquerdista Fernando Lugo, ex-padre, numa decisão de algumas horas. A diferença de lá para tudo o mais é a rapidez com que resolvem tudo. O presidente playboy Santiago Peña, do quase partido único deles, o Colorado, envolvido até as tampas com o tal banco queria renunciar, mas pelas leis deles, se o fizesse seria alçado a senador vitalício e fugiria das garras da lei. Lugo foi defenestrado em menos de 48 horas e Peña sofre hoje impeachment, ou seja, vai ser processado, talvez preso e será exemplado. Ele é um típico presidente na versão da democracia encontrada por eles, porém, não conseguiu se livrar das garras da lei. Isso uma coisa, outra é como muitos estavam encarando o novo momento paraguaio.
Infelizmente sou obrigado a reproduzir um mantra, a do "cavalo paraguaio". Essa expressão é uma gíria amplamente utilizada no Brasil — especialmente no meio esportivo, como o futebol — para se referir a um competidor, time ou atleta que começa uma disputa em ritmo acelerado, liderando ou surpreendendo a todos, mas que perde o fôlego e fracassa antes de chegar ao fim. Tinha gente, principalmente o lado mais conservador deste continente, inclusive parcela significativa do bolsonarismo tentando passar uma imagem que o Paraguai, além de ser um paraíso fiscal, era também o local ideal para abrigar os conservadores descontentes de viver em solo brasileiro. Muitos foram para lá e conhecendo a realidade, nua e crua, voltaram com o rabinho entre as pernas. Existe ainda um tanto de gente iludida e agora, com os últimos acontecimentos, devem estar se coçando: "Se não formos para lá, para onde iremos?". Creio eu, o melhor pais deste continente, até por todos os programas sociais dando cobertura para a população menos favorecida, não existe outro, só mesmo o Brasil.
Eu não gosto de desmerecer o Paraguai. Deste país só conheço sua fronteira, Ciudad del Este, nada mais. Digo e repito sempre, quero ainda muito conhecer Assunção, a capital, e só não o fui por absoluta falta de oportunidade. Trata-se de uma cidade com estilo colonial, aliada ao moderno, com aproximadamente 800 mil habitantes. Adio para mais pra frente esse ida, pois no momento a turbulência é grande e a leva de brasileiros que para lá se bandearam, em busca de um novo lar, estão sofrendo para dedéu, pois nem assistência médica gratuita para estrangeiro existe por lá. Ou seja, SUS, só aqui mesmo. Escola para filho de estrangeiro só pagando, nada de escola pública gratuita para quem chega de fora. E no frigir dos ovos, não tem como comparar qualquer outro presidente latino com o que temos, com nenhum deles dos últimos anos. O Brasil é o Brasil e ponto. Até o hoje detento Renato Purini, bauruense marido da ainda prefeita bauruense já se aventurou a ter uma firma por lá e se solto poderia nos contar como se deu sua aventura, tendo que voltar e pelo que se sabe, não gostando de comentar nada a respeito deste período de sua vida. Do atual, nem se fala.
Então, na qualidade de historiador, afirmo que, o Paraguai de Solano López e da Guerra do Paraguai é uma coisa. Era um país soberano e produtor, auto suficiente. O atual, dirigido até dias atrás pelo boa pinta do Santiago Peña é bem outro. O paraíso fiscal não se sustentou e quando vejo sua população hoje nas ruas, exigindo a sua prisão, fazendo o "L" libertário de Lula, encerro minha escrita, torcendo e muito para que eles consigam reaver a dinheirama que o banco deles lhes surrupiou, assim como ocorreu aqui com o Banco Master, o do bandido Vorcaro. Banco, meus caros, tenho conta somente no banco estatal brasileiro, o mais confiável, pelo menos enquanto Lula continuar presidente, pois a famiglia Bolsonaro pretendia privatizar até o Banco do Brasil, mas sempre desconfiado de tudo o que acontece dentro do mercado financeiro, sigo com o lema subtraído da frase do alemão Bertold Brecht: "O que é roubar um banco comparado a fundar um banco".
No mais, tenho que confessar, adoraria ver o Paraguai aproveitando este momento para dar uma guinada em sua História, deixando de ser base para norte-americanos desconstruirem a sua soberania, conseguindo não só resolver seus problemas atuais, como politicamente elegendo novamente alguém com a postura do Fernando Lugo, que um dia, bem depois dele ter sido destituído, tive a oportunidade de tirar uma foto ao seu lado no centro de Buenos Aires. Seria ótimo se o Paraguai se integrasse de fato na reconstrução de posicionamentos altaneiros em relação a questão da Pátria Grande e da real integração e atuação do Mercosul, tornando a América Latina algo bem mais palatável. Eu torço pelo Paraguai. Não só por ele, mas por toda a América Latina.



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", Hayashi Koshina.
