terça-feira, 26 de maio de 2026


QUEM DOMINA DE FATO O COMÉRCIO NO CALÇADÃO DA BATISTA E ADJACÊNCIAS?
Encontro hoje na entrada do supermercado São Judas Tadeu, ali na rua Primeiro de Agosto com um antigo comerciante de origem libanesa, já devidamente aposentado. "Tenho saudades, mas não quero reabrir meu negócio. Aposentadoria é aposentadoria, prefiro ficar quietinho onde estou", me diz. E na conclusão da conversa, após falarmos muito sobre a quantidade de portas fechadas no centro da cidade, principalmente na região do Calçadão, ele tendo vivenciado toda a ascenção do denominado predomínio do universo "turco", os tantos de origem árabe, me confessa algo: "Não dá mais para tapar o sol com a peneira. Se tirar os chineses hoje do Calçadão, acabou". Por chineses, subtende-se algo como antes fizemos denominando um universo todos de países como os "turcos". Hoje, esse universo é denominado de "chineses", porém constituído de outros tantos com os olhinhos puxados. Bem direto, reto e sem disfarces sua conclusão sobre a vital importância dos ditos comerciantes "chineses" para a manutenção do ainda maior espaço comercial da cidade. Por fim, ele me diz: "Ontem fomos nós, hoje são eles e poucos são por lá os legitimamente brasileiros".

ALGO PESCADO DO MUNDO DO FUTEBOL, MAS VALENDO PARA TUDO O MAIS...
Na semana passada, ouvi uma entrevista com o técnico português do Palmeiras, o vitorioso Abel Ferreira e ele versando sobre a recuperação do atacante Paulinho, voltando aos jogos e até fazendo um gol contra o Flamengo, na vitória de 3 x 0. Foi mais ou menos isso o dito por ele: "A demora dele na recuperação se deve a deixar muita coisa para seu deus resolver, enquanto se pegasse mais firme, a recuperação poderia ter sido mais rápida". Depois desconversou, até não polemizar sobre o assunto. Paulinho não é evangélico e sim, devoto dos orixás, umbandista de reconhecida cepa. Isso me faz lembrar declaração de um técnico europeu oriental, versando também sobre algo dentro do mesmo assunto disse algo mais ou menos assim: "O problema do jogador brasileiro é que, ao invés de se dedicar mais aos treinamentos, em sua maioria acreditam, tudo se resolverá pela fé. Deixam mais para ela do que para eles próprios. São ótimos e seriam quase imbatíveis não deixassem tudo para o além resolver". Creio, estar diante de duas declarações muito parecidas e a escancarar algo em curso, não só no mundo do futebol, como em tudo o mais. A religião, quando toma conta de mentes, até os atos dos que a professam se tornam mais problemáticos. Essa é uma boa discussão, sem o proselitismo de pegação de pé, ou seja, o que os dois treinadores vislumbraram é algo concreto, palpável e em curso, acontecendo e se repetindo. Jogo isso para outros locais e instâncias e daí, a mesma constatação. É cientificamente e clinicamente incorreto abandonar tratamentos médicos ou sessões de fisioterapia em prol exclusivamente da fé. No esporte profissional de alto rendimento, a ciência e a religião caminham juntas: a fé pode até fornecer suporte emocional, enquanto o departamento médico é responsável pela reabilitação física. E em tudo o mais, o mesmo procedimento. Simples assim.

A BAURU DE SUÉLLEN É PIADA PRONTA MUNDO AFORA, FEBEAPÁ É POUCO
A parafernália que a alcaide municipal Suéllen Rosin, denominada por mim como incomPrefeita e aqui plenamente justificado, tem mais uma vez seu nome inserido no FEBEAPÁ - O Festival de Besteira que assola o país, criação imortal de Stanislaw Ponte Preta, para quando algo fora do cumum acontece e excede, passa de todos os limites toleráveis dos despropósitos. Tudo bem, podem me dizer que com Suéllen, algo neste sentido é corriqueiro, mas em alguns momentos o que ela faz de trapalhadas e atitudes não só pouco recomendáveis, como perniciosas e elevando em muito os tais gastos muito desnecessários. Esse ET, objeto extraterrestre que estará desde agora circulando pela cidade e promovendo um CAÇA FANTASMA, um pente fino, não deixando que nada escape aos olhos da cobrança de estacionamentos feitos sem o devido pagamento da Zona Azul é hilário, não fosse também trágico e a demonstrar o grau de despropósito da atual administração. Sabe aqueles filmes norte-americanos meio trasch, quando aparelhagens saídas de peças de ficção são utilizados, mais para forçar o riso? Pois bem, Suéllen compra e agora a cidade recebe o veículo com mais radares instalados do que todos os demais radares instalados por ela nas esquinas bauruenses. Evidentemente, Bauru continuará sendo motivo de muita piada, porém, creio eu, além das inevitáveis risadas que todos daremos, algo precisa ser investigado: o valor pago pela brincadeira e se além de tudo, o preço não foi superfaturado. Para quem pagou quase R$ 500 mil reais por um curso de poucas horas, sendo a maioria das aulas de curta duração e feitas online, mais essa é só a sequência do atoleiro onde Bauru está metida, dos pés ao pescoço. Este OVNI será um dos objetos mais fotografados nas ruas de Bauru daqui por diante, pois trata-se de motivo de galhofa ampla, geral e irrestrita. Só mesmo SUÉLLEN ROSIN para nos presentear com tamanha engenhosidade de como não se deve ser efetuada compras despropositadas e desnecessárias. FEBEAPÁ é pouco para muitos  dos seus atos administrativos.

PIOR QUE O VEÍCULO ADQUIRIDO POR SUÉLLEN, ESTÃO AS FOTOS TIRADAS HOJE PELO CLÃ BOLSONARO JUNTO DE DONALD TRUMP - JOGO DOS SETE ERROS
A pergunta que não quer calar: qual das duas é chula e amadora montagem?



segunda-feira, 25 de maio de 2026


COMO LUCIANO HUCK É MESMO UM TREMENDO IDIOTA, MAS ESTAMOS RODEADOS DE GENTE PENSANDO E AGINDO COMO ELE
Este personagem da vida brasileira, homem da TV Globo, filhinho de papai, representa a linha de pensamento e ação de boa parte dos endinheirados, da elite deste país. Trata-se de um desavergonhado, sem nenhum pudor em expor o que pensa e como age. Age desta forma e jeito há muito tempo. Não é de hoje que, vez ou outra, abra a boca e dela saem barbaridades preconceituosas, bem ao estilo de Casa Grande & Senzala, eu aqui e vocês aí. Veio de uma origem de rica herança, grana fácil e assim tocou sua vida, estudando nos melhores colégios e não soube durante seus anos de formação, separar e se sensibilizar com o outro lado do mundo, o dos que batalham e lutam por dias melhores. Trata-se de um cidadão a defender seus privilégios. Critica abertamente programas sociais instituídos para benefeciar ou ao menos amenizar a vida dos cidadãos menos favorecidos, porém, como empresário e homem de TV, beneficia-se de propagandas, como exemplo, dessas Bets, que ludibriam a boa fé pública, onde só se perde dinheiro e também a de fazer negócios com gente como este, hoje detento, empresário do Master, o Vorcaro. Ganhar dinheiro dessa forma pode e para ele é lícito, mas ver o pobre se beneficiar temporariamente de programas sociais é impensável. Ou seja, um pulha da pior espécie, uma espécie que grassa por aí como mato e se espalha como praga, pregando ser bom mocinho, mas sendo gente da pior espécie.

A última aprontada por Luciano Huck está sendo muito comentada. Comentou que o Bolsa Família não ajuda a melhorar a vida das pessoas, tirar elas da pobreza. Insensibilidade feita sem nenhuma análise séria, mas fazendo parte de um esquema, de um jogo, onde criticar benefica quem joga contra. Com certeza deve ser favorável a escala 6 x 1 e outras aberrações ainda persistindo como norma funcional dentro da vida do trabalhador brasileiro. Quando faz a crítica, usa um exemplo de uma pequena cidade, onde o Bolsa Família predomina como fonte de renda, mas não analisa o que existe de emprego na região e qual a forma que poderia substituir a transferência de renda feita. A intenção é deixar o pobre mais pobre e as injustiças cada vez mais latentes. Vive uma vida nababesca e não está nem aí para resolver os reais problemas dos brasileiros. Deve ter, com certeza, uma cabeça de ameba, pequenina e com funcionamento fora dos padrões da mínima racionalidade.

Digo isso, ou seja, repito isso, lido também por diferentes postagens e quero analisar isso dito por ele com o que vejo sendo multiplicado em procedimentos espalhados país afora, inclusive aqui em Bauru SP, onde escrevo e moro. Vivi a vida inteira aqui e hoje mais latente, pessoas fazendo questão de expor abertamente fazer parte de uma elite, repudiando, rejeitando o pobre, o trabalhador e se posicionando abertamente contra, por exemplo, direitos trabalhistas. Nossa Câmara Municipal é bem representativa neste sentido. De todos os 21 eleitos, nas votações favoráveis à atual alcaide municipal, Suéllen Rosin, placar de 17 x 4, a linha de pensamento e ação é a mesma. Podem até fazer uso da tribuna e dizer algo ao contrário, mas na hora do voto o fazem para manter privilegios de uns poucos, a classe mais abastada da cidade. Podem até ter um pouco mais de pudor, pois da boca pra fora ainda dizem algo em defesa de quem vive na labuta diária, mas na hora do vamos ver, da cobra beber água, sempre votaram contrários a esses interesses. É uma canalhada ludibriando os interesses populares, nada além disso.

E fazem a cabeça de muitos. Alguns poucos incautos, mas a maioria agindo como se fossem ricos, como mesmo sendo pobretões, defendem os interesses que não são os seus. Observa-se grande quantidade de lutadores do dia a dia com o mesmo discurso de gente como Huck e defendendo ações de Suéllen Rosin e da thurma dos 17 x 4. Existe uma imensa rede de divulgação de inverdades pelas redes sociais e uma imensa maioria de quem os ouve er assiste, não só acredita como propaga. Talvez não façam ideia de que, agindo assim, estão apunhalando a sia mesmo. Estive num sapateiro no dia de hoje e lá ele ouvindo a rádio Jovem Auri-Verde. Disse a ele, como consegue e se acredita ser verdade tudo o que ali ouve. Sabe sua resposta: "Não tenho outra opção. Não temos mais rádio na cidade. Ele preenche uma vazio do que antes tínhamos e hoje só eles me abastecem". E daí, ele ouve e passa a acreditar e até repetir aquilo como verdade inconstestável. Na feira dominical, quanto alguns poucos desciam a mesma distribuindo folhetos contra a jornada 6 x 1, num famoso bar, um cidadão, se dizendo empresário, apregoava ser aquilo coisa de vagabundos, dos que defendem a vadiagem e não o trabalho sério. Tinha a cabeça feita, desses não mais adiantando discutir ou debater, pois o que poderia acontecer seria ser agredido. Eu, em todos os meus registros em carteira, trabalhei no regime de 5 x 2 e hoje, entendem isso como aberração. Na verdade, aberração é quem não entende que o trabalhador precisa destes dois dias de lazer e para estar junto dos seus.

Não é só gente daqui com a cabeça já totalmente virada, mas o país num todo. Se tornaram perversos para consigo mesmo. Defendem na verdade, que o empresário faça o que quiser, não só com o horário do trabalho de seu funcionário, exercendo um poder absoluto, lucrando cada vez mais e sem se importar com nada mais. O que está acontecendo é isso, só isso e nada mais. O que vejo hoje é uma classe empresarial refém deste discurso das dificuldades que passam, como santos do pau oco e dane-se o resto. E isso é passado como o melhor dos mundos, com o trabalhador sem direitos e tendo não mais que cumprir leis vigentes, mas cumprindo a vontade de quem o contrata, seja da forma que for. Sem regras, viveremos num mundo onde cada vez mais o rico vai encurralar e oprimir o pobre, ou seja, o trabalhador. E como essa mentalidade predomina hoje dentro das nossas instituições eleitas, representam também como pensa quem age contra o trabalhador. Quem elegeu esses boçais e banais foram o grosso do povo, um que sofre, mas enxerga noseu algoz o que melhor pode lhe representar. Uma danação e inversão que só aprofunda sua perdição. Não se assuste se, conversando com a maioria dos empresários e, mesmo donos de pequenos negócios nesta insólita Bauru, você não se deparar com a maioria deles a defender quem pensa e age como Luciano Huck. Não vai ser trabalho fácil - nem sei se é mais possível - desmontar a parafernália construída para alienar o povo e transformá-lo nesse gado, vida bovina, seguindo irremediavelmente, sem o perceber, para o matadouro. Não está sendo fácil, porém, a luta continua e neste ano, pelo menos estou empenhado, dos pés à cabeça na reeleição de Lula, pois do contrário aceleraremos a destruição do que nos resta de direitos.

Concluo com algo muito simples, direto e reto: a elite brasileira é cruel e insana. 

domingo, 24 de maio de 2026


ROAD MOVIE DO RETORNO PRA BAURU - DARIA UM BELO FILME ESTRADEIRO, INUSITADA AVENTURA VIVIDA POR MIM E ANA BIA 
"Filme de estrada é um gênero cinematográfico no qual o(s) personagem(ns) principal(is) sai(em) de casa para uma viagem, normalmente alterando a perspectiva de sua(s) vida(s) cotidiana(s). Esses filmes geralmente retratam viagens no interior do país e nessas produções contêm personagens inquietos, "frustrados, muitas vezes desesperados". O cenário não inclui apenas os limites do carro enquanto ele se movimenta em rodovias e estradas, mas também se estende a lanchonetes e quartos em motéis de beira de estrada, o que ajuda a criar intimidade e tensão entre os personagens. (...) Segundo o livro Driving Visions: Exploring the Road Movie, de David Laderman, o tema central do gênero é a "transgressão contra as normas sociais conservadoras", leio a definição na não muito confiável Wikipedia, a absorvo e a sinto na prática, em algo ocorrido comigo e Ana Bia. 

Vivenciamos algo, considerado por mim como belo tema para um filme com essa denominação. Como trata-se de um gênero cinematográfico onde a narrativa se desenvolve a partir de uma viagem e a de nosso retorno de Lavras-MG até Bauru-SP, na última sexta, possuiu todos os ingredientes, creio que contando-a ofereço um roteiro para algo a ser construído, hoje já observada com o olhar da superação, do outro lado da ponte, ou seja, conseguimos atravessá-la. Faço isso, rindo da situação ocorrida, pois como ela já ocorreu e o desfecho foi o melhor possível, nada como rir pelo destino ter corrido a nosso favor. Mais do que o destino em si, o foco está nas experiências ao longo do trajeto e na transformação interior dos personagens. Como sabido, eu e Ana passamos a última semana em Lavras, ela trabalhando e eu a acompanhando, conhecendo a cidade e arredores. O retorno foi combinado com a universidade onde atuou. Vieram buscá-la em Bauru, motorista do Setor de Transporte da universidade, tudo perfeito e para a volta, na impossibilidade do motorista servidor nos atender, contrataram um serviço terceirizado. A partir daí, o relato que dariam um filme. 

O combinado era para nos pegar 16h, adiado para 18h e depois confirmado para 19h30. Foram 3h30 de espera. Soubemos, o motorista contratado era de uma empresa de locação de viagens de Belo Horizonte, a capital, estava trazendo um passageiro de lá, viagem de aproximadamente 4h. Essa viagem foi prolongada, pois a estrada estava em obras e muito congesdtionamento, enfim, sexta, dia de retorno. Começa nossa preocupação, pois o motorisdta já havia enfrentado mais de 7h de viagem até chegar a nós. Teríamos pela frente aproximadamente 8h de viagem. Antes de embarcar pergunto a ele se está descansado e se iriamos assim mesmo. Ele: "Claro, primo pela segurança. Havendo risco, paramos numa pousada e só seguiremos em segurança". 

Na saída, a Vivo estava sem sinal na cidade naquele momento e ninguém sabia a saída que nos levaria para a BR. Foi uma loucura, parando aqui e ali, entrando em lugares com luzes acesas, perguntando até achar o caminho. Entramos numa firma, beira da estrada, onde numa guarita, um assustado segurança, inicialmente receoso, nos deu alguma indicação do caminho a ser seguido. Achamos a rodovia e o próximo sinal do que encontraríamos pela frente veio no primeiro pedágio. Ele não trazia consigo dinheiro e nem cartões para pagar. Quiz impor e pagar somente através de PIX, não aceito na maioria das praças de pedágio. Teve início um teatro em cada local, ele descendo do carro, deixando uma fila atrás dele e falando alto com as atendentes. Em todos, conseguiu não sei como que, alguém lhe desse o dinheiro e ele transferisse o valor em PIX. Num certo momento ouvimos dele: "Eu carrego um doente, vocês precisam entender". Sensibilizava por um falso discurso. Eu e Ana, observamos cada cena com apreensão, pois estávamos no meio da noite e tendo ele como nosso condutor. Optamos por permanecer quietos dentro do carro e só observando o desenrolar de cada ocorrência. Isso se repetiu de forma cinematográfica em quase todos os pedágios. Só nos poucos aceitando PIX, o acesso foi mais rápido.

Digo de termos vivido uma cena de road movie, pois na primeira parada, um típico posto de combustível bem simples, pouca gente e muitos caminhões, ele jantou fartamente,sem se preocupar com os dois passageiros. Não nos sentimos inseguros, mas predomina um clima de fim de festa, sujeira e bagunça generalizada. Descemos, assuntamos, compramos algo, conversamos com populares e até curtimos, porém, tudo ruim, com um banheiro em petição de miséria. os dipalogos travados por ali constituiriam belas cenas dentro de um filme de estrada. Na sequência ele se agarrava ao volante, agora de barriga bem cheia e sentava a pua. Nítido desconhecer a região. Seguia pela que lhe indicava o GPS. Passamos na sequência numa região que, por sorte eu conhecia, os trevos de Pouso Alegre, Caldas e Poços de Caldas, onde meu pai possuia uma casa e viajei muito com ele há dez anos atrás. Revivi aquilo tudo pela janelinha do carro.

Pedágios se sucediam e pasmem, na estrada entre Pouso Alegre até Poços, mais de 40 km, muitos peregrinos com faroletes na estrada. Depois soubemos, uma vez por ano, numa festa em algum lugar, circulavam pela rodovia em grupos. Passávamos por eles, até quando decide parar num posto, já não funcionando, mas cheio de gente. Desce e vai, sempre falando alto, sobre trocar dinheiro. Se indispõe com um chepeludo, que já devia estar bêbado e trocam insultos no meio de todos. O tal chapeludo, achando estar diante de um golpista, insufla os demais para que o agridam. Por sorte, nem todos queriam briga e depois de um chega pra lá, ouvimos um deles dizendo e o empurrando: "Vaza daqui o mais rápido possível". Ele ainda retrucou, mas dessesnão aceitando perder, entra xingando e sai em desabalada carreira. Estávamos salvos pelo gongo. Aquele cenário todo foi por demais cinematográfico, algo meio que difícil de compreender como realista e possível.

Seguimos, passando ao lado de Poços e em cada pedágio, novas cenas mirabolantes e inusitadas. Incrédulos e sem ação, assistíamos tudo de dentro do carro. Na viagem, entre Águas da Prata, São João da Boa Vista, Aguaí e Pirassununga, estradão sem nenhum posto de combustível, o sono do motorista se aprofundou. Entramos numa zona nebulosa, onde saia para o acostamente a todo instante. Me ofereci para dirigir e ele descansar, o que não foi aceito. Converso para distraí-lo. Conta do seu trabalho em BH, para essa empresa e nas horas vagas de uber ou mesmo como caminhoneiro, passando dias fora de casa, na estrada e sempre com poucas horas de sono. O carro era dele e pelo visto, ninguém mais o dirigia. não deu mais. Quando passamos pelo trevo de Analândia, 160 km de Bauru, já alta madrugada, insistimos para que parasse. Passou do trevo e ao retornar adentra pela contramão, entrando num posto de combustível na entrada da pequena cidade, 5 mil habitantes, local fechado, tudo apagado. 

No posto outra aventura. Atendidos pelo vigilante que, logo entendeu a situação em curso, nos ofereceu banheiros e até um café, o dele. Quando conversávamos, nosso motorista entra no carro e apaga. Desmaia de sono e dorme, roncando em alto e bom som. Ufa! Tranquilizado, esperaríamos, pois queríamos chegar sãos e salvos. Ficamos eu, Ana e o segurança conversando até a chegada de um veículo de ronda da Polícia Militar, que suspeitando do veículo parado, estaciona bem atrás da gente. Dois policiais, o tempo passa e vou até eles. Um deles, três meses na cidade ao ouvir citar Bauru, me conta ser de lá, morador do Geisel, viajando diariamente para ali trabalhar. A conversa a seguir ajuda a espantar o sono de todos. Numa roda, trocamos figurinhas, cada qual contando histórias ocorridas nas madrugadas ao longo de nossas vidas. Enquanto isso, o motorista roncava. O PM nos alerta de chuva forte pela frente. 

Quase duas horas de reparador sono e estrada novamente. Já antes de passar por cima da rodovia Washington Luiz, a chuva caia pesado. Foi difícil dirigir, mas descansado, atravessamos tudo sem percalços. Não havia neblina, mas sim, muita chuva. Difícil enxergar o lado de fora. Ele decideiu não parar e acabamos por passar Brotas e enfim, uma parada no antigo Concha de Ouro, hoje com outro nome, em Jaú. Uma moça sózinha atendendo, muito atenciosa e mais café. O motorista consegue com dois no posto, também esperando a chuva amainar, trocar duas notas de R$ 50 por PIX e me diz todo contente: "Agora não teremos mais problemas". Mal sabia ele que, a maioria dos problemas já havia sido superados e faltava pouco para chegar em casa. Tocamos o barcos e lá pelas 6h40 estávamos diante de nossa porta, vivíssimos da silva, cansados até não poder e com um revival de hilariantes histórias, vividas na estrada em tão pouco tempo.

Fomos o máximo de gentis com ele, pedindo para que descansasse antes de retornar. Ele havia nos contado que, teria que estar 13h em Lavras, para pegar um passageiro na universidade e de lá seguir até Confins, o aeroporto de BH. Ou seja, se saísse naquele instante, alguma chance de chegar, aproximadamente 8h de viagem e depois de Lavras até BH mais umas 4h. Vimos como tudo se deu na nossa viagem e nas despedidas, o abracei e lhe disse: "Meu caro, você é turrão, mas é um forte. Do jeito que segue tua vida, não vai dar conta. Uma hora a conta chega". Ele riu, disse que no domingo descansaria e que, ainda faltavam pagar mais dez parcelas para quitar seu carro. Ele teve uma vida construída nas estradas, ao seu modo e jeito, um tanto irresponsável, mas também carinhoso. Na parada em Jaú, vendo um cão de rua, molhado e tremendo, todo molanbento, permaneceu ao seu lado por um bom tempo lhe dando carinho e me disse: "Se pudesse levava todos estes para cuidar". Sua grosseria na estrada é uma espécie de modus operandi aprendido ao longo da convivência estradeira. Ana não se conformava, mas eu o entendi. Em muitos momentos foi insensível e nos colocou em risco, porém, com ele nessa madrugada vivenciamos uma inustitada e tresloucada história. Só quem já passou por algo assim, em toda a riqueza de detalhes nela inseridos e produzidos, sabe o que estou aqui escrevendo. Por fim, como tudo já passou, olhando para trás, observo tudo como se fosse um roteiro cinematográfico, que até penso em escrever com mais detalhes. Quem sabe...

sábado, 23 de maio de 2026


O QUE FAÇO NUM SÁBADO DE FRIO E CHUVA 
ESTE VÍDEO É MUITO ELUCIDATIVO - CORONELISMO, ENXADA E VOTO

https://youtu.be/MRG6d9bQC8Q?si=1UTYcnxK6zPvZFhP
O poder não circula no país, mas é transmitido de pai para filho.
Obrigado por ter compartilhado comigo, meu caro amigo arealvensa Gilson Carraro.
Isso precisa ser espalhado, visto e compreendido pelo país inteiro, num todo. E por que isso ainda continua acontecendo? Se não é de hoje, sabemos e nada fazemos, no mínimo somos coniventes com a patifaria.

A POUCA VERGONHA DA PARTICIPAÇÃO DA "CULTURA" DE SUÉLLEN NO ANIVERSÁRIO DE BAURU
Sentado aqui esperando as atrações da festa de aniversário de Bauru.
E a secretaria de cultura quebrada financeiramente.
- Sem lançar editais municipais
- Cortando viagem dos alunos pra Tatuí e sala São Paulo.
- Sem verba pra nada
Deixa eu adivinhar
Secretaria de Eventos e comunicação.
- Ana Castela vem - perto de 1 milhão
- Algum grupo infantil, beirando os 100 mil
- Um Grande artista Gospel, beirando 300 mil
- Estruturas para receber estes níveis de evento, beirando os 800 mil.
O desabafo acima é do músico PAULO MAIA e eu, o irreconciliável e mafuento HPA, não só corroboro como digo mais: o dinheiro existe dentro da administração pública municipal, capitaneada pela incomPrefeita Suéllen Rosin, para manter o lema de que, "Pão e Circo" é o que mantém o povo cego, dando aval para tudo o que fazem. Tudo tem seu preço...

ACOMPANHO A ASCENÇÃO DO PARANÁ CLUBE, COQUELUCHE DO FUTEBOL PARANAENSE, TUDO NARRADO POR Baracat Kizahy Neto

Vamos para as explicações. Mais de dez anos atrás, num dos retornos para Curitiba- PR, meu dileto amigo, Kizahy me leva no estádio Durival de Brito, ao lado do terminal rodoviário daquela cidade, para presenciar o que vinha a ser um jogo do Paraná Clube. Suas histórias sobre a loucura de torcer pelo Paraná eu entendi e hoje, quando o time, após passar anos no ostracismo, quase fechando as portas, beirando falência, deu a volta por cima e com apoio de sua vibrante torcida, que nunca o abandonou, lotando os estádios por onde passa, equiparando-se com os outros rivais, Coritiba e Atlético. Kizahy sabe que, adoro o futebol e mais ainda, presenciar jogos do times como o Paraná, os que um dia estiveram no auge e depois perderam tudo. Hoje muito me entusiasma, até mais do que ver jogos dos importantões brasileiros, ver jogos do Santa Cruz-PE, América-SP, RJ e MG, Portuguesa-SP, Paissandu-PA, Bangu-RJ e muito, mas muito mesmo do Paraná.

Hoje ele me surpreende. O Paraná já conseguiu o acesso da 2ª Divisão do Paraná e hoje jogou com o Araucária (que nome lindo para um time de futebol), numa espécie de jogo de final de campeonato, festivo. Como sempre, todos os seus jogos, casa cheia e muita empolgação lá no velho e tradicional estádio. Ele me narra todo o jogo em 15 vídeos sequenciais curtos, desde a chegada, o local onde está situado o estádio e depois o clima do lado de dentro, ou seja, como foi a reação dos torcedores. Kizahy é um apaixonado pelo Paraná e isso transborda em seus vídeos.

Não consegui guardá-los só para mim. Aqui compartilho todos e, cerio, o que faz é algo mais que histórico. Para mim - e para ele -, o gostoso e vibrante numa partida de futebol, além do amor do time do coração é esse clima. Quando ele me narra as cercanias do estádio eu vou ao deleite. Gosto muito de assistir jogos assim, prtincipalmente em estádios pequenos e tradicionais. Outro dia, sai de Bauru, consegui as passagens gratuitas para idosos e fui na rua javari, ver um jogo do Juventus. Já fui ver o Oeste, nos seus tempos de Itápolis, o Santacruzense, junto do Aurélio e o XV de Jaú, no Zezinho Magalhães. Já fui ver o Novorizontino, bem antes dele estar na série B do Brasileiro. Perdi o interesse pelo varzeano bauruense. Sou do tempo do ARCA - Associação Recreativa e Cultural Antactica, campo onde hoje está o Boulevard Shopping.

O Durival de Brito é um desses templos do futebol à moda antiga, assim como o da rua Javari ou o Moça Bonita, lá em Bangu. Hoje o Noroeste jogou - e perdeu - para o Nova Iguaçu, num estádio na beirada da avenida Brasil. O estádio de São Januário é outro cheio de recordações, como dia em que Getúlio Vargas o utilizou para falar aos brasileiros. Agora mesmo, na TV, vejo um Flamengo x Palmeiras, no Maracanã. Tive o prazer de assistir jogos lá, mais de trinta anos atrás, época ainda de Geraldinos e Arquibaldos. O Pacaembu é outro lugar e por lá fui somente uma vez. Quando Kizahy me envia seus relatos sobre o presenciado por ele no dia de hoje, passa um filme em minha cabeça. Morri de vontade de perambular ali pela região detrás da velha rodoviária curitibana e assistir jogos como deve ter sido este, onde o Paraná por fim ganhou de 2 x 1 e anoque vem, novamente estará na 1ª Divisão do paranaense.

Assistam na sequência recebida os vídeos todos a demonstar o maravilhamento do prazer de um futebol em lugares como o Durival de Brito:

SOLIDARIEDADE
"A solidariedade dos cariocas, em letras garrafais, contra a vilania desse tarado chamado Donald Trump", jornalista e escritor FERNANDO MORAIS.

quinta-feira, 21 de maio de 2026


algo de uma história de vida em Lavras-MG
NA TERRA DE CARLITO MAIA, FUI ATRÁS DE ALGO MAIS A SEU RESPEITO

Eu não sabia que CARLITO MAIA, o famoso publicitário, criador dos slogans petistas era de LAvras-MG. Só vim a saber quando, vasculhando livros no sebo do João da Praça, localizo nas estantes dois dos seus livros e quando nos falamos sobre o mesmo, ele me surpreende: "Carlito é daqui de LAvras. Você sabia?". Não, não sabia e a partir daí inicio uma busca por algo sobre o intrépido e inquieto cidadão, que muito permeou minha vida de militante político. Enfim, já que, uma vez em Lavras, por que não vasculhar, colher e informar algo mais sobre ele e o que existe dele nos arquivos municipais. Com isso na cabeça, me coloco em campo.
Os dois livros vendidos pelo sebo eu já os tenho. Não tenho conhecimento de outros. Carlito não era homem de escrevinhações longas, mas sim de muitas campanhas publicitárias vitoriosas. Hoje tem um documentário sobre sua vida, rodando pela aí. Para quem nada sabe sobre ele, eis a oportunidade: https://www.youtube.com/watch?v=cUkRyxoJqOY . O "Um criador infernandl", do João Batista Andrade mostra em detalhes como foi a vida rebelde deste cidadão, visto como radical, mas um cavalheiro elegante e muito fraterno. Não fraterno como tudo e todos, ele sabia muito bem se posicionar e estar ao lado do que acreditava como uma possibilidade de outro mundo possível.
Rodei Lavrasem busca de algo sobre ele, com pífios resultados. Na rua Sant'Anna nº , no centro da cidade, o casarão da família Maia está resistindo ao tempo. Hoje é morada de Vera, prima. João, o do sebo me orientou como chegar lá. Apertei a campainha por cinco oportunidades diferentes e nenhuma resposta do outro lado. Lá dentro, me disseram o quarto onde nasceu Carlito. Uma quadra acima, a Casa de Cultura do município e lá, ninguém nem conhecia nada ele. Nenhuma referência, mesmo citando o casarão ali tão pertinho. A Secretária de Patrimônio e Cultura estava viajando e não a contatei. Percebi ali que, algo sobre ele seria um tanto complicado.
Resolvi continuar insistindo. Caminhei até a Biblioteca Municipal, junto do Mercadão e lá, mesmo com duas estantes só com obras de autores lavrenses, nenhum dele. O servidor municipal nada sabia sobre ele. Vasculhei as duas estantes e não encontrei nenhuma citação. Na verdade, ele saiu muito cedo de Lavras e foi voltando quando já consolidado. Pelo que percebi, somente parentes poderiam me dar alguma informação. Voltei ao sebo do João da praça, fonte inesgotável de informações na cidade. Ele me repetiu várias vezes: "Carlito me disse certa vez, ter tentado ser cartunista, mas como não tinha competência para tanto, virou cartonista, ou mesmo, colunista, para alguns, comunista". Gostava tanto de Claplin, que distribuia desenhos deste como marco para diletos amigos.
João fala com o telefone com seu primo, Carlos Fernando de Moura Delphin, 84 anos, arquiteto reconhecido nacionalmente pelo seu amplo trabalho com paisagismo. Com o passar dos anos, idade dificultando locomoções, voltou para Lavras e ali, do alto de um edifício residencial continua trabalhando, muito lúcido e história viva de toda sua família. Marquei com ele numa manhã, 9h em seu apartamento. Ele havia saído de uma recente cirurgia e me recebe deitado no sofá de sua sala. Este senhor tem atrás de si um passado de imenso trabalho profissional. Conta o que sabe do primo. Gravo um vídeo de 15 minutos, onde relembra algo marcante. Olho para ele e constato, tanto Carlito como Carlos bateram asas, sairam de Lavras, pois a cidade havia ficado pequena demais para eles. Ganharam o mundo. Eis o vídeo de Carlos: https://www.facebook.com/reel/974207685355709 .
Conversamos longamente, tanto da história do Carlito, como da dele próprio. Ambos com uma bela história por detrás do palpável. Creio, Carlito foi um sedutor, inovador e envolvente. Carlos possui as mesmas características. Estive com ele por suas oportunidades e estabeleci um contato, pois impossível sair de lá incólume. Carlos liga para sua irmã Vera, a morando no casarão da família, mas não pode me receber no pe´riodo em que ali estive. Uma pena. Lá, com certeza, teria acesso a algumas preciosidades, como fotos e histórias. Uma irmã de Carlito, Dulce foi torturada junto de Dilma Rousseff, tendo participado da resistência e luta armada contra o regime militar. Seu outro primo, Ângelo Delphin, museólogo, com intenso trabalho da UFLA - Universidade Federal de Lavras era outro que poderia falar muito a seu respeito. Ambos já falecidos.
Volto e passo nopvamente diante do casarão onde nasceu, aperto pela última vez a campainha e nada. Me vou, chegou ao fim minha estada na cidade. Tocado pelo tema, coloco o documentário e o assisto pela internet. Trago um livro do Carlos e a vontade de gravar algo mais sobre sua história, além de me informar melhor sobre Dulce e Ângelo. Além da família, só mesmo o livreiro João da Praça me passou algo a respeito do Carlito, o que reforça algo louvável: que os donos de sebos são fonte de informação sempre louváveis numa cidade.
Deixo Lavras pensando muito nele. Carlito é daqueles personagens da história considerados gênios. Isso é o que explica a sua figura. Para comprovar todo o apreço que tenho por ele, informo já ter emprestado seu livro para várias pessoas, sendo um dos poucos que exijo devolução. Comprei outro pela Estante Virtual, pois um só aqui em minhas estantes é, para mim, pouco. E por fim, algo de meus escritos. Encerro todas minhas cartas e correspondências com um "abracitos", copiado descaradamente de como Carlito o fazia. Disso tudo, quando tomei conhecimento dele ser de Lavras, me senti na obrigação de escrevinhar algo. E assim cumpro o prometido. Encerro com uma frase de sua lavra escolhida por mim dentre tantas, muitas brilhantes e de inesquecível lembrança: "Nós não precisamos de muita gente, apenas uns dos outros".

algo pelo qual, com certeza, Carlito se inquietaria
A CULPA MAIOR É DE QUEM VOTA NESTES
Eu vejo muita gente criticando vereador, mas a culpa também é de vocês que votam sempre nos mesmos. O povo bauruense, na maioria das vezes, é analfabeto político. Como uma cidade com mais de 400 mil habitantes continua elegendo os mesmos vereadores há 20 anos ou mais? Isso mostra que Bauru parou no tempo.
O vereador é o político mais importante da cidade. É ele que deveria estar dentro da UPA todos os dias, e não só em época de eleição. Tem vereador que só aparece na UPA na campanha. Tem vereador que só vai nos bairros na eleição e só promete...
Enquanto isso, Bauru não tem Guarda Civil Municipal fortalecida para cuidar da segurança, não trata o esgoto e ai as empresas não se instalam em Bauru e não tem empregos, da forma que deveria e continua cheia de problemas que nunca são resolvidos.
E sabe de quem é a responsabilidade de cobrar isso todos os dias? Dos 21 vereadores que ganham 15 mil por mês, Eles deveriam bater na porta da prefeita ou do diariamente exigindo melhorias para a população. Mas muitos acabam virando apenas puxa-sacos do prefeita.
Resumindo: Bauru tem o que merece. E sabe quando isso vai mudar? Quando a população mudar a forma de votar, parar de eleger sempre os mesmos ou até mudar a lei para limitar mandato de vereador para 1 mandato.
A Câmara Municipal seria muito melhor se tivesse gente de verdade lá dentro, trabalhando pelo povo. Tem servidor público reclamando porém vota em quem não é servidor , , faria diferente.
Eu vejo muita gente criticando vereador, mas a culpa também é de vocês que votam sempre nos mesmos. O povo bauruense, na maioria das vezes, é analfabeto político. Como uma cidade com mais de 400 mil habitantes continua elegendo os mesmos vereadores há 20 anos ou mais? 
por PAULO GOUVEIA 

quarta-feira, 20 de maio de 2026



CHOVE EM LAVRAS-MG, SABE ONDE FUI ME ABRIGAR?*
* Não percam o curto vídeo, 5 minutos, com João nos contando algo mais de seu belo ofício. Eis o link para o vídeo: 
https://web.facebook.com/100000600555767/videos/pcb.27743129948623651/1517710569986157

Qualquer forasteiro sabe muito bem onde pode desbravar histórias do lugar por onde está passando e um destes lugares, além das barbearias, bancas de jornais e quetais, são os sebos. E daí, quando se encaixa do dono deste estabelecimento ser bom de ouvido e de prosa, daí por diante, histórias inenarráveis e mais que isso, horas e horas passadas por ali. Sabe-se que, a ida aos sebos não se dá exatamente ou tão somente para cavar preciosidades, como livros, LPs, CDs e coleções, mas também conversar.
Na manhã de hoje, o céu resolveu cair sobre Lavras naforma de chuva e para quem estava muito a fim de bater perna, conhecer um lugar gastando sola de sapato bocadinho mais da cidade, este objetivo não era mais possível. Por pura sorte e uma dessas coincidências que só o destino sabe explicar, nessa estada de uma semana aqui pelo interior de Minas, estou hospedado há menos de cem metros de algo mais do que provocador, diria mesmo, magnetizante, instigante e eletrizante, um sebo. Mas não se tratava de um sebo qualquer e sim, o do JOÃO DA PRAÇA.
João Batista Carvalho seu nome, 68 anos e há 32 com o sebo em pleno funcionamento. Aposentado do maior empregador de Lavras, a UFLA - Universidade Federal de Lavras, bem antes de encerrar as atividades por lá já tinha aberto este negócio que, iria transformar sua vida. Antes foi gerente de cinema e dono de vídeo locadora. O nome "da praça" se juntou ao dele depois, pois todo domingo acontece numa praça central de Lavras uma feira, com muito de artesanato e culinária. Como não poderia deixar de ser, sua banca de livros se firmou e hoje faz baita sucesso no local. Mais um livreiro na feira, igual ao de Bauru, o Carioca, da Feira do Rolo. Outros tantos existem pela aí espalhando cultura e entretenimento.
Dá para perceber, este João é um senhor de bem com a vida. Sabe que seu lugar é também espaço para terapia coletiva e assim dá prosseguimento aos seus dias, abrindo de segunda a sexta, das 10 às 18h e nos sábados até às 15h. E aos domingos, amanhece na praça e como nunca aprendeu a dirigir, leva seus livros pro local através de um frete, R$ 110 pra ir e mais R$ 110 pra voltar. Rindo me diz: "Já começo no vermelho, com $ 220 de gastos, mas as idas lá nunca me decepcionam". Disse mais e gravei isso de cara: "Livreiro tem que saber do seu riscado. Eu ainda leio muito, mas algo que sei é sobre escritores e de música. Tenho comigo, se alguém me pergunta, por exemplo, se tenho O Alienista, sou obrigado a saber que, no mínimo é obra do grande Machado de Assis. Se demosntro desconhecimento já é uma porta se fechando. Eu fico me informando sobre meu negócio o tempo todo e dificilmente nada sei de um autor".
Seu pequeno espaço é muito bem organizado e ele me disse que, antes de mais nada "se faz necessário estar num ponto bom. O ex-dono do grupo Pão de Açucar, Abílio Diniz, quando sua filha o questionou sobre onde abrir um novo negócio, ele lhe respondeu ser necessário três requisitos: ponto, ponto e ponto. Aqui pode ser pequeno, mas tem ótima localização. E eu sei onde está cada coisa, tudo muito bem dividido, por temas e até por autores". Não diria que o João é um "grilo falante", mas gosta de falar e o faz na medida exata. Deixa o cliente muito a vontade e tem uma forma peculiar de armazenar os livros, ao invés de em pé, eles deitados, o que dificulta retirar os embaixo. "Eu estou aqui para que? Me diga? Eu tenho um jeito, tiro e ponho quantas vezes for necessário. Tudo faz parte do meu ofício".
Assim como o Carioca, o livreiro lá de Bauru, ele não gosta e não vende pela Estante Virtual. Explica os motivos, pegando um dos livros que separei para comprar. Pesquisou e encontrou preços desde R$ 10 reais até R$ 60 reais. "Isso é demais para mim. Eu sei negociar e tenho um preço bem abaixo do que lá está prescrito. Até aceito um chorinho de última hora, mas se o cara for conferir, verá que, além de ter participado de uma roda de prosa, dessas que dificilmente irá encontrar outra igual por aí, o preço dado é mais do que justo", explica. Percebe-se em sua fisionomia fazer o que gosta e ter encontrado um ofício onde se realiza plenamente. Sabe não vai ficar rico, mas sabe também e não quer fazer outra coisa em sua vida. Diz continuar por um óbvio motivo: paixão.
Vou lhe perguntando várias coisas ao mesmo tempo e ele, enquanto atende clientes e chamadas por telefone - onde se mostra também ser bom psicólogo -, me conta algo mais sobre seu público. "Uns 70% são mulheres e elas gostam mais de romances, depois vem os homens, que nos seus 30% preferem mais filosofia, política e história. Claro, os jovens das universidades frequentam muito e tem muita coisa para eles. As raridades eu não disponho, muito menos descarto - como uma coleção encadernada do velho e saudoso O Pasquim -, mantenho tudo na estante, pois sei, hora ou outra aparece alguém querendo justamente aquela raridade", conta.
Ficaria horas por lá, mas a chuva havia dado uma trégua e já estávamos mais do que na hora de comer algo. Foram horas ali, eu, ele e alguns clientes que, como eu, fizeram uso daquele espaço como refúgio, o melhor deste mundo para dias como hoje. Brinco em como poderia lhe designar, se sebeiro, sebento ou mesmo seboso e ele tira de letra: "Melhor LIVREIRO, mais justo, honesto e carinhoso". De minha parte, como estarei por aqui a semana toda, irresistível não querer voltar e como inveterado amante de livros e leitura, recomendo que, passando por essas bandas do mundo, local encravado no coração das Minas Geraes, nada como vir conferir se fui justo ou aumentei bocadinho dos predicados do lugar.

terça-feira, 19 de maio de 2026


A ESTAÇÃO DE LAVRAS-MG, NADA DIFERENTE DA DE BAURU - A TRABALHEIRA QUE LULA TERÁ NA RECUPERAÇÃO DA MALHA FERROVIÁRIA BRASILEIRA

Quem circula pelo entorno da estação ferroviária de Lavras-MG, nota que ali já foi, num passado distante, o foco do progresso da cidade. Muitas edificações imponentes continuam resistindo ao tempo, em pé, porém deterioradas, muitas abandonadas e ao léu, como a própria estação, hoje lacrada com paredes de concreto, para inviabilizar sua ocupação por moradores em situação de rua. O teto da mesma está em petição de miséria e hoje, existe uma passagem de pedestres ligando dois bairros, única movimentação existente na antiga plataforma, que um dia já foi muito movimentada.
De um lado, uma antiga vila ferroviária, ainda com remanescentes ferroviários ocupando algumas casas e um antigo armazém, em pior estado que a estação. Do lado da praça, algo ainda denota o que foi um dia a pujança do trem para a cidade. Bem no centro, uma locomotiva exposta como atrativo, com os dizeres, "essa um dia circulou por aqui". Num dos bancos, a inscrição de ter sido doado pelos ferroviários e no outro extremo, um Memorial da Ferrovia, que durante um tempo se manteve aberto, recebendo público e ali com atividades variadas. Fez parte do sonho de ver recuperado o trecho, talvez como atração turística, de Lavras até Varginha. Faltou insistência, persistência e vontade política. O que funciona mesmo é uma oficina do VLT, o pessoal que roda de uma cidade a outra na manutenção do trecho, tudo para propiciar viagem sem percalços para o trem ainda circulando, cinco vezes por dia, todos de carga, transportando minérios.
No mais, abandono generalizado. Na chegada, me vendo só e olhando para todos os lados, um senhor se aproxima e diz não ser muito recomendável seguir pelos trilhos, pois posso ser abordado e passar por situações de risco. Sigo o conselho e me mantenho em lugares ainda com algum movimento. Circulo e rememoro o que ouço com a história do ocorrido em Bauru, o maior entroncamento ferroviário do interior paulista. Tivemos tudo, inclusive, não só uma oficina, mas uma fábrica de trens, onde no auge mais de 4 mil pessoas trabalaram. Tudo se perdeu com a privatização e a opção governamental pelo modal de transporte rodoviário.
Hoje, o presidente Lula esboça uma reação e contando com a colaboração da China, pretende dar um pontapé inicial em vários projetos, alguns já em andamento. Para qualquer ferroviário, ver isso é muito triste, pois já tivemos uma malha férrea cortando o país de um lado a outro e tudo foi destruído. Refazer demanda um custo muito elevado e uma trabalheira de décadas. O que vejo com meus próprios olhos aqui em Lavras é muito idêntico com a situação de Bauru e da imensa maioria de lugares por onde o trem já circulou, porém, criminosamente a dilapidação. Olho para os barracões e mesmo em ruínas, percebe-se como foram grandes e atenderam a uma demanda grande de serviços, sendo o propulsor do progresso da maioria das cidades cortadas pelas ferrovias.
Por sorte, quando estava me retirando do lugar, vejo um senhor com uma camiseta com estampa de um trem VLP e nos costados, algo de um Encontro Ferroviário, com a inscrição de seu nome, Tarley Freitas. O abordo e voltamos conversando até o centro, algo em torno de 1,5 km de caminhada, quando me diz ter se aposentado como operador rodo-ferroviário do VLT, hoje com 70 anos, 26 anos como ferroviário e aposentado já há uns dez anos. Como a maioria dos que já vivenciaram a pujança do passado, bate sempre uma tristeza em relembrar como tudo foi se consolidando. "Tudo começou no governo do Juscelino, que preferiu o modal rodoviário, depois a pá de cal foi com o FHC, o privatizador. Depois disso, tudo se perdeu e o que viu aqui em Lavras, deve se repetir na sua Bauru e por todo o Brasil. Vejo Lula, ao lado dos chineses, querendo recomeçar e não tem como não ficar puto da vida, pois já tivemos uma das melhores malhas férreas do mundo", conta.
Ouço suas histórias, principalmente as mais tocantes, de como era a região da estação, muito próxima de onde reside e o que é hoje. Chegou a residir numa das casas de colônia, mas com a privatização, a insegurança tornou a moradia lá muito perigosa. Continua residindo nas imediações e confessa sentir uma renovada dor a cada dia, quando passa por dentro da praça, na sua caminhada para ir ao centro da cidade. Para não dizer estar totalmente indiferente à questão ferroviária nos dias atuais, como exposto na sua camiseta, participa anualmente de um Encontro Ferroviário, onde junto com tantos outros, matam saudade e rememoram o que foi um dia ver o trem rodando por todos os cantos, levando gente de um lugar a outro e em condições muito melhores do que faz o ônibus.