CARLITO MAIA
quinta-feira, 21 de maio de 2026
quarta-feira, 20 de maio de 2026
CHOVE EM LAVRAS-MG, SABE ONDE FUI ME ABRIGAR?*
* Não percam o curto vídeo, 5 minutos, com João nos contando algo mais de seu belo ofício. Eis o link para o vídeo:
Na manhã de hoje, o céu resolveu cair sobre Lavras naforma de chuva e para quem estava muito a fim de bater perna, conhecer um lugar gastando sola de sapato bocadinho mais da cidade, este objetivo não era mais possível. Por pura sorte e uma dessas coincidências que só o destino sabe explicar, nessa estada de uma semana aqui pelo interior de Minas, estou hospedado há menos de cem metros de algo mais do que provocador, diria mesmo, magnetizante, instigante e eletrizante, um sebo. Mas não se tratava de um sebo qualquer e sim, o do JOÃO DA PRAÇA.
João Batista Carvalho seu nome, 68 anos e há 32 com o sebo em pleno funcionamento. Aposentado do maior empregador de Lavras, a UFLA - Universidade Federal de Lavras, bem antes de encerrar as atividades por lá já tinha aberto este negócio que, iria transformar sua vida. Antes foi gerente de cinema e dono de vídeo locadora. O nome "da praça" se juntou ao dele depois, pois todo domingo acontece numa praça central de Lavras uma feira, com muito de artesanato e culinária. Como não poderia deixar de ser, sua banca de livros se firmou e hoje faz baita sucesso no local. Mais um livreiro na feira, igual ao de Bauru, o Carioca, da Feira do Rolo. Outros tantos existem pela aí espalhando cultura e entretenimento.
Dá para perceber, este João é um senhor de bem com a vida. Sabe que seu lugar é também espaço para terapia coletiva e assim dá prosseguimento aos seus dias, abrindo de segunda a sexta, das 10 às 18h e nos sábados até às 15h. E aos domingos, amanhece na praça e como nunca aprendeu a dirigir, leva seus livros pro local através de um frete, R$ 110 pra ir e mais R$ 110 pra voltar. Rindo me diz: "Já começo no vermelho, com $ 220 de gastos, mas as idas lá nunca me decepcionam". Disse mais e gravei isso de cara: "Livreiro tem que saber do seu riscado. Eu ainda leio muito, mas algo que sei é sobre escritores e de música. Tenho comigo, se alguém me pergunta, por exemplo, se tenho O Alienista, sou obrigado a saber que, no mínimo é obra do grande Machado de Assis. Se demosntro desconhecimento já é uma porta se fechando. Eu fico me informando sobre meu negócio o tempo todo e dificilmente nada sei de um autor".
Seu pequeno espaço é muito bem organizado e ele me disse que, antes de mais nada "se faz necessário estar num ponto bom. O ex-dono do grupo Pão de Açucar, Abílio Diniz, quando sua filha o questionou sobre onde abrir um novo negócio, ele lhe respondeu ser necessário três requisitos: ponto, ponto e ponto. Aqui pode ser pequeno, mas tem ótima localização. E eu sei onde está cada coisa, tudo muito bem dividido, por temas e até por autores". Não diria que o João é um "grilo falante", mas gosta de falar e o faz na medida exata. Deixa o cliente muito a vontade e tem uma forma peculiar de armazenar os livros, ao invés de em pé, eles deitados, o que dificulta retirar os embaixo. "Eu estou aqui para que? Me diga? Eu tenho um jeito, tiro e ponho quantas vezes for necessário. Tudo faz parte do meu ofício".
Assim como o Carioca, o livreiro lá de Bauru, ele não gosta e não vende pela Estante Virtual. Explica os motivos, pegando um dos livros que separei para comprar. Pesquisou e encontrou preços desde R$ 10 reais até R$ 60 reais. "Isso é demais para mim. Eu sei negociar e tenho um preço bem abaixo do que lá está prescrito. Até aceito um chorinho de última hora, mas se o cara for conferir, verá que, além de ter participado de uma roda de prosa, dessas que dificilmente irá encontrar outra igual por aí, o preço dado é mais do que justo", explica. Percebe-se em sua fisionomia fazer o que gosta e ter encontrado um ofício onde se realiza plenamente. Sabe não vai ficar rico, mas sabe também e não quer fazer outra coisa em sua vida. Diz continuar por um óbvio motivo: paixão.
Vou lhe perguntando várias coisas ao mesmo tempo e ele, enquanto atende clientes e chamadas por telefone - onde se mostra também ser bom psicólogo -, me conta algo mais sobre seu público. "Uns 70% são mulheres e elas gostam mais de romances, depois vem os homens, que nos seus 30% preferem mais filosofia, política e história. Claro, os jovens das universidades frequentam muito e tem muita coisa para eles. As raridades eu não disponho, muito menos descarto - como uma coleção encadernada do velho e saudoso O Pasquim -, mantenho tudo na estante, pois sei, hora ou outra aparece alguém querendo justamente aquela raridade", conta.
Ficaria horas por lá, mas a chuva havia dado uma trégua e já estávamos mais do que na hora de comer algo. Foram horas ali, eu, ele e alguns clientes que, como eu, fizeram uso daquele espaço como refúgio, o melhor deste mundo para dias como hoje. Brinco em como poderia lhe designar, se sebeiro, sebento ou mesmo seboso e ele tira de letra: "Melhor LIVREIRO, mais justo, honesto e carinhoso". De minha parte, como estarei por aqui a semana toda, irresistível não querer voltar e como inveterado amante de livros e leitura, recomendo que, passando por essas bandas do mundo, local encravado no coração das Minas Geraes, nada como vir conferir se fui justo ou aumentei bocadinho dos predicados do lugar.
terça-feira, 19 de maio de 2026
A ESTAÇÃO DE LAVRAS-MG, NADA DIFERENTE DA DE BAURU - A TRABALHEIRA QUE LULA TERÁ NA RECUPERAÇÃO DA MALHA FERROVIÁRIA BRASILEIRA
Quem circula pelo entorno da estação ferroviária de Lavras-MG, nota que ali já foi, num passado distante, o foco do progresso da cidade. Muitas edificações imponentes continuam resistindo ao tempo, em pé, porém deterioradas, muitas abandonadas e ao léu, como a própria estação, hoje lacrada com paredes de concreto, para inviabilizar sua ocupação por moradores em situação de rua. O teto da mesma está em petição de miséria e hoje, existe uma passagem de pedestres ligando dois bairros, única movimentação existente na antiga plataforma, que um dia já foi muito movimentada.
De um lado, uma antiga vila ferroviária, ainda com remanescentes ferroviários ocupando algumas casas e um antigo armazém, em pior estado que a estação. Do lado da praça, algo ainda denota o que foi um dia a pujança do trem para a cidade. Bem no centro, uma locomotiva exposta como atrativo, com os dizeres, "essa um dia circulou por aqui". Num dos bancos, a inscrição de ter sido doado pelos ferroviários e no outro extremo, um Memorial da Ferrovia, que durante um tempo se manteve aberto, recebendo público e ali com atividades variadas. Fez parte do sonho de ver recuperado o trecho, talvez como atração turística, de Lavras até Varginha. Faltou insistência, persistência e vontade política. O que funciona mesmo é uma oficina do VLT, o pessoal que roda de uma cidade a outra na manutenção do trecho, tudo para propiciar viagem sem percalços para o trem ainda circulando, cinco vezes por dia, todos de carga, transportando minérios.
No mais, abandono generalizado. Na chegada, me vendo só e olhando para todos os lados, um senhor se aproxima e diz não ser muito recomendável seguir pelos trilhos, pois posso ser abordado e passar por situações de risco. Sigo o conselho e me mantenho em lugares ainda com algum movimento. Circulo e rememoro o que ouço com a história do ocorrido em Bauru, o maior entroncamento ferroviário do interior paulista. Tivemos tudo, inclusive, não só uma oficina, mas uma fábrica de trens, onde no auge mais de 4 mil pessoas trabalaram. Tudo se perdeu com a privatização e a opção governamental pelo modal de transporte rodoviário.
Hoje, o presidente Lula esboça uma reação e contando com a colaboração da China, pretende dar um pontapé inicial em vários projetos, alguns já em andamento. Para qualquer ferroviário, ver isso é muito triste, pois já tivemos uma malha férrea cortando o país de um lado a outro e tudo foi destruído. Refazer demanda um custo muito elevado e uma trabalheira de décadas. O que vejo com meus próprios olhos aqui em Lavras é muito idêntico com a situação de Bauru e da imensa maioria de lugares por onde o trem já circulou, porém, criminosamente a dilapidação. Olho para os barracões e mesmo em ruínas, percebe-se como foram grandes e atenderam a uma demanda grande de serviços, sendo o propulsor do progresso da maioria das cidades cortadas pelas ferrovias.
Por sorte, quando estava me retirando do lugar, vejo um senhor com uma camiseta com estampa de um trem VLP e nos costados, algo de um Encontro Ferroviário, com a inscrição de seu nome, Tarley Freitas. O abordo e voltamos conversando até o centro, algo em torno de 1,5 km de caminhada, quando me diz ter se aposentado como operador rodo-ferroviário do VLT, hoje com 70 anos, 26 anos como ferroviário e aposentado já há uns dez anos. Como a maioria dos que já vivenciaram a pujança do passado, bate sempre uma tristeza em relembrar como tudo foi se consolidando. "Tudo começou no governo do Juscelino, que preferiu o modal rodoviário, depois a pá de cal foi com o FHC, o privatizador. Depois disso, tudo se perdeu e o que viu aqui em Lavras, deve se repetir na sua Bauru e por todo o Brasil. Vejo Lula, ao lado dos chineses, querendo recomeçar e não tem como não ficar puto da vida, pois já tivemos uma das melhores malhas férreas do mundo", conta.
Ouço suas histórias, principalmente as mais tocantes, de como era a região da estação, muito próxima de onde reside e o que é hoje. Chegou a residir numa das casas de colônia, mas com a privatização, a insegurança tornou a moradia lá muito perigosa. Continua residindo nas imediações e confessa sentir uma renovada dor a cada dia, quando passa por dentro da praça, na sua caminhada para ir ao centro da cidade. Para não dizer estar totalmente indiferente à questão ferroviária nos dias atuais, como exposto na sua camiseta, participa anualmente de um Encontro Ferroviário, onde junto com tantos outros, matam saudade e rememoram o que foi um dia ver o trem rodando por todos os cantos, levando gente de um lugar a outro e em condições muito melhores do que faz o ônibus.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
CAMAROTIZAÇÃO DA SOCIEDADECom o ocorrido em Bauru no último jogo do Noroeste lá no Alfredo de Castilho, o termo que dá título a este escrito voltou à baila. Ele não foi criado agora e representa algo a ser melhor entendido, a existência de uma turba de pessoas, dita e vista como privilegiados e estes, além de querer e se propor a ditar regras, fazem e acontecem, mas na maioria das vezes, quando o fazem, demonstram algo mais de como estão enraizados por inenarráveis preconceitos.
A palavra "camarote", por si só deixa bem claro que nestes lugares, alguns privilegiados ali os ocupando. São lugares onde se paga mais para estar em situação privilegiada, vide em shows, quando alguns benefiados ficam em lugares mais na frente do palco e com condições a desfrutar de benesses, não disponibilizadas aos demais. Essa situação, a de quem paga mais e obtém um privilégio, a de quem pode ser chamado antes de todos os demais quando nas chamadas para adentrar um avião, assim como os lugares reservados para área vip. A tudo isso já e dado a denominação de "camarotização da sociedade", a ocupada por quem consegue estar acima da maioria dos pobres mortais.
O provável ato de racismo ocorrido no jogo do Noroeste com o Velo Clube, de Rio Claro, veio de uma pessoa de dentro de um dos camarotes, um bem defronte e acima do banco de reservas do time visitante. É sintomático ter vindo de alguém de um dos camarotes e não das arquibancadas. Num momento quando toda e qualquer denúncia de racismo no futebol é fortemente controlada e vigiada nos estádios brasileiros, era para se entender, deveria ser consenso e mesmo algo já não mais possível, a existência de atos dessa natureza. Persistindo e vindo exatamente de dentro de um local onde se concentram privilegiados, o que está subetendido e pode ser constatado em outras situações, tanto que a denominação já vem sendo largamente utilizada é que, os tais privilegiados são mais conservadores e preconceituosos que as demais camadas da sociedade. Poderiam ser estes lugares e seus frequentadores também considerados com uma espécie de salvo conduto para estar acima do bem e do mal, fazendo o que quiserem, sem se preocupar com as consequências, pois teriam "costa quente"? Essa a conclusão observada a grosso modo e praticamente impossível de ser contestada.
OBS.: as ilustrações são meramente ilustrativas.
E hoje, segunda, enquanto ela começa sua semana de intenso trabalho na aplicação, correção das provas e finalizando com a divulgação dos resultados, eu com todo o tempo do mundo, bato perna e vou conhecer Lavras e região. Hoje, dia nublado, querendo chover, perambulo pelo centro, adentro lugares, assunto pessoas, puxo conversa e assim, mineiramente tento ir me introduzindo nos modos e maneiras de me estabelecer, conhecendo bocadinho dessa cultura interiorana mineira, recheada com muitos queijos e pães variados, além de geléias, rocamboles e doces variados. Muito sofrimento, pois enquanto ela trabalha adoidado, eu vou lhe informando o que descubro, no intenso trabalho de desbravamento dessa região das Minas Geraes, que um dia foi também desvastada à cata de ouro, sendo tudo rapinado, não sobrando nada para quem chega por aqui neste momento. Porém, lhes conto, existem riquezas de intenso valor por estas bandas do mundo e como bom farejador, inicio neste exato momento um trabalho de averigação, garimpagem e coleta de dados, juntamente com itens dee alto teor degustativo.
Conto algo na medida do possível. Trago comigo a missão de tentar ao menos entender como este povo tão altaneiro e com uma passado tão sóbrio, conseguiu votar em alguém como o tal do governador Zema, um dos piores do reduto conservador fascista. Não sei se chegarei a alguma conclusão, pois nós, os paulistas, quatrocentões, ditos como muito entendedores de tudo, conseguimos também eleger uma besta quadrada como Tarcísio, além de estar querendo até reelegê-lo.
domingo, 17 de maio de 2026
sábado, 16 de maio de 2026
IVAN CASSARO, PREFEITO DE JAÚ, O ABUSO DO PODER ESCANCARADO NA ÓTIMA MATÉRIA DO SBT
Entenda todo o envolvimento nas graves denúncias contra o também grileiro, ainda prefeito da vizinha Jaú.
Tá tudo apontado na matéria da TV.
Denúncia local e grave feita pelo MP - Ministério Público.
Transparência e decência nas administrações públicas. Aqui não tem opinião e sim incintestáveis fatos. Só não enxerga quem não quer.
#atualização - POLÍCIA FEDERAL FAZ OPERAÇÃO EM JAÚ E CUMPRE MANDADO NA CASA DO PREFEITO IVAN CASSARO, na manhã desta terça-feira (12/mai). Uma operação com 13 mandados de busca e apreensão em Jaú, Dois Córregos e Nhandeara, no interior paulista. Entre os alvos estão a sede da Prefeitura de Jaú, a residência do prefeito Ivan Cassaro, além de endereços residenciais e comerciais ligados a aliados políticos. As viaturas da Polícia Federal chegaram nos locais indicados por volta das 6h da manhã.
A investigação, conduzida pela Justiça Regional Eleitoral de São Paulo, apura supostos crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, compra de votos, prevaricação e abuso de poder político e econômico relacionados às eleições municipais de 2024.
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam a possível compra de matérias jornalísticas favoráveis à atual gestão municipal e de conteúdos negativos contra adversários políticos. Os pagamentos, conforme apurado até o momento, teriam sido feitos de forma clandestina a grupos de comunicação e páginas em redes sociais.
Durante a operação, agentes federais apreenderam documentos, celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos, que serão submetidos à perícia para aprofundamento das investigações e identificação dos envolvidos. Na Prefeitura, Ivan Cassaro foi questionado por jornalistas sobre a investigação e respondeu: “Pelo amor de Jesus Cristo, do Céu. Tenho 68 anos”. O prefeito também declarou ter sido “o único prefeito que denunciou uma quadrilha que existia na prefeitura”. O caso segue sob sigilo judicial.
COM INFORMAÇÕES DO g1, JCNET-SAMPI e Polícia Federal.
Caminhamos juntos pela região da Av Paulista, cobram reforço das políticas de permanência estudantil, o fim da terceirização dos restaurantes universitários, diálogo permanente sobre a gestão dos espaços estudantis, priorização da educação e fim dos cortes no orçamento da universidade.
É primordial darmos vozes a essa geração que no futuro direcionará nosso país rumo a liberdade, igualdade e fraternidade que todos merecemos.
Contem sempre comigo para apoiá-los em atos como este!", Eduardo Matarazzo SUPLICY.
TRAGÉDIA OCORRIDA NA USP CAPITAL PODE SE REPETIR NA UNESP BAURU
E OUTROS CAMPUS, A PM DO TARCÍSIO AGE CHAMADA POR QUEM?
“A
universidade pública está sendo atacada e a resposta dos estudantes é luta. Neste
momento, estudantes em greve na UNESP Bauru denunciam a presença e intervenção
da polícia dentro da universidade, tentando impedir a livre manifestação e
organização dos grevistas. Enquanto estudantes lutam por permanência
estudantil, moradia, alimentação digna e contra a precarização do ensino
público, a resposta do Estado é repressão. Universidade não é quartel. Manifestação
não é crime. Greve é direito. Toda solidariedade aos estudantes, servidores e
docentes em luta na UNESP Bauru e em todas as universidades estaduais
paulistas. A educação pública resiste porque existe gente disposta a defender
ela todos os dias”, IGOR FERNANDES.
“Os
estudantes reivindicam ampliação das moradias universitárias, melhorias na
alimentação oferecida no campus e mais investimentos em políticas de
permanência estudantil. Segundo o movimento, estudantes contemplados por
auxílios enfrentam atrasos nos pagamentos há alguns meses. Os manifestantes
também criticam a falta de professores e a sobrecarga de trabalho entre servidores
técnico-administrativos”, matéria do Jornal da Cidade – Bauru SP.
Diante do
exposto nas duas manifestações acima, a constatação de que, a UNESP Campus
Bauru está em estado de greve e na última sexta, 15/05, a Polícia Militar foi
acionada e esteve junto aos portões da unidade, com um PM convidando quem
quisesse adentrar e assistir aulas que o fizesse. Eis o vídeo: https://www.facebook.com/reel/1448704449902180/
Pelo visto, ninguém adentrou e assim, os estudantes demonstraram algo de seu
posicionamento.
A pergunta
que não quer calar: quem chamou a Polícia Militar para intermediar a entrada ou
não de estudantes no campus Bauru? Se fazia necessário essa presença? A
preocupação ocorre, uma vez que, após o ocorrido na USP, capital paulista, pelo
visto mais uma ação de como age o desGoverno de Tarcísio de Freitas, em relação
às reivindicações, tanto de estudantes, como servidores e professores. A greve
está sendo convocada, justas reivindicações e a proposta estabelecida pela
abertura de diálog o entre as partes, ou seja, com a direção da Universidade,
no caso reitoria e o próprio governador, porém, como forma de intimidação,
antes mesmo da greve receber a participação de servidores e professores, a
Polícia Militar já marcou presença nos portões da universidade. Será essa a
resposta ao diálogo proposto, nem sequer discutir a pauta de reivindicações e
já estabelecer como mediadora a PM?
Um movimento
como o que em curso é instrutivo para essa nova geração do movimento
estudantil. Não me recordo de nos últimos 15 anos ter ocorrido nenhum movimento
grevista dentro da Unesp Bauru, ou seja, essa nova geração, tanto de estudantes
como de professores não possui o mesmo espírito de confronto ocorrido com, por
exemplo, os estudantes e professores de minha geração. Esse confronto atual é
benéfico, pois desse confronto, algo que nunca vivenciaram na prática, o
enfrentamento com regimes autoritários, como o atual do governador Tarcísio de
Freitas e como ele entende que deve ser a ação policial. Tenho notado que, hoje
muitos dessa nova geração, dentro dos campus universitários, até por não terem
vivenciado a luta do que foi a conquista de direitos dentro da ditadura
militar, hoje possam pender ideologicamente na defesa de seus algozes. O que
ocorre hoje, este confronto é salutar, pois isso pode modificar algo do que
vejo hoje de conservadorismo dentro do pensamento universitário. Da luta, do enfrentamento
nasce o engajamento, o entendimento de resistir e de lutar por direitos. Torço
para que o movimento cresça, floresça e isso faça nascer uma nova geração de
lutadores dentro do espaço universitário brasileiro. Que isso tudo faça
renascer o espírito guerreiro, até então um tanto adormecido. Lutar é preciso e
é destes embates, aí o local onde o algo novo pode realmente vicejar.
HPA – Bauru SP,
sábado, 16 de maio de 2026.
CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA ILHA NO MEIO DO ESTACIONAMENTO DO TAUSTE DA RIO BRANCOEla não é novidade, pois de quatro em quatro anos, todo período que antecede a mais uma Copa do Mundo, a de futebol da FIFA, lá se reunem os tais colecionadores de figurinhas, os do álbum da Panini. Vira febre, o álbum a reunir mais colecionadores e aficcionados, diria mesmo, loucos por figurinhas. As bancas todas - as que restaram - estão em ebulição, ou seja, conseguindo algo mais na luta pela sobrevivência. Triste uma constatação, agora com essa febre, o período onde as bancas poderiam se safar de problemas acumulados ao longo dos últimos tempos, justamente este álbum e só ele, não os demais, são agora vendidos em todos os lugares possíveis e imagináveis. Até mesmo a banca ali no Tauste da Rio Branco, onde um dia foi o campo e clube do BAC, passa por problemas, pois o Tauste também vende.
Essa ilha é sui generis. Passo na tarde desta sexta por ali e me deparo por alguns instantes com o público ali trocando figurinhas repetidas. A maioria do público é constituída de marmanjos, muitas mulheres, mas a imensa maioria homens e com idade avançada. Todos os com pastas, verdadeiros profissionais, são senhores já de uma certa idade. A molecada está estimulada, porém, o domínio do negócio que acontece por detrás da revenda é quase que exclusiva de senhores. Fácil de constatar isso. Na entrada e saída do mercado, vi isso de perto.
Dentro do mercado, comentava isso chegando ao caixa com outra cliente, quando a moça me atendendo, conta algo mais: "Isso que diz é a mais pura verdade. Atendi ainda hoje um senhor, aposentado, comprando comigo R$ 500 reais em figurinhas e me disse fazer isso por ter encontrado algo para fazer. Tem boa renda, disse não saber onde gastar o que tem e o faxzendo com figurinhas encontra ocupação e distração. Gastou isso hoje e, pelo visto, continuará gastando". O perfil é este e espalhado pela cidade, diria, pelo país e quiçá mundo inteiro. Rodeio a tal banca e sinto o clima dos que, abordam os iniciantes. Um deles me diz se quiser tem o álbum inteiro e pode me arrumar ele já finalizado ou com tudo para ser colado, a gosto do freguês.
Saio de lá e passo pela Banca da Ilda Viegas, ali defronte o Aeroclube e lá dois irmãos com os jornais do dia, não interessados em figurinhas. Digo o que senti lá na ilha do Tauste e eles me confortam: "O discurso é de que não estão comprando para eles e sim para os netos, só que fazem tudo e não vemos os tais netos junto deles". Ilda só abria sua banca até umas 13h e agora, pelo menos enquanto perdurar a febre, remoçada, está com ela aberta até por volta das 17h ou enquanto tiver movimento. Isso tudo, de certa forma, revitaliza o seu trabalho. Sendo temporário ou não, pelo menos está momentaneamente feliz da vida. E se ela, dona de um negócio hoje na descendente está feliz, eu também estou.
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