E num feriado como este em plena quinta? Primeiro o término de dois livros. Ambos já estavam iniciados e aproveitei a deixa para executá-los. No mês passado consegui ler dez, mas também passei duas semanas fora, muito tempo em ônibus e tirei o atraso. Os dois lidos trouxe de fora, um ganhei em Sampa quando visitei o Museu da Diversidade, o livrão "Olho Nu", do fotógrafo Rogério Reis, que vai muito além da fotografia e lá uma constatação do nosso tempo: "O jornalismo vai deixar de ser monopólio dos jornalistas, e a gente ia passar da era dos meios para a era da massa de meios, porque cada um se sente um meio de comunicação". O que faço com meu celular é o que todos hojes fazem, tiramos fotos pra dedéu e além de publicar tudo, escrevemos, damos muito mais opinião, mesmo quando essa não tem nenhum conhecimento profundo sobre o que estamos opinando. Reis foi na veia.
O segundo livro eu trouxe de Lavras-MG, este de um senhor com 84 anos, primo do publicitário Carlito Maia, Carlos Fernando de Moura Delphim, um baita engenheiro-arquiteto, pioneiro na defesa dos jardins históricos no Brasil - esteve à frente de um belo trabalho de recuperação dos jardins do Itamaraty. No seu livro, "Silogismos da Paisagem", como me escreve no autógrafo, "um pouco do que vejo do mundo, das paisagens". Viajei com sua interpretação do que vemos como paisagem: "A paisagem é percebida de inúmeras formas pelos indivíduos que a interpretam e a vivenciam, por meio dos sentidos e experiências prévias que conferem significado aos elementos visíveis e invisíveis que a compõem. Varia de pessoa para pessoa, dependendo de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como cultura, histórico pessoal e contexto social".
Exercitei o que li, primeiro aqui confessando ser o único que faz caminhada e consegue ler ao mesmo tempo. Não encontrei mais ninguém andando e com um livro sempre às mãos. Depois, hoje pude ler e conferior o entendimento que tinha de paisagem. Além do livro, saio com minhas camisetas com estampa de temas sociais e propositalmente circulando pela Zona Sul bauruense, uma que votou 80% em Bolsonaro. Hoje o fiz com boné do Lula Presidente 2022 e isso sempre causa tropeços, olhares enviesados em incautos. Concilio a caminhada diária com este benfazejo de causar neste reduto conservador destas plagas bauruenses. Enfim, se posso sair do trivial, por que fazê-lo como todos os demais?
A arrumação doméstica em estantes e armários têm me consumido nos últimos dias. Faço aos poucos e na atividade de arrumar estantes de livros, uma perdição, pois me demoro demais quando defronte um sugestivo livro. Abro, releio e do reencontro, um baita e precioso tempo, inevitável perdição. Eu e Ana Bia, só nós dois no apartamento, ela muito envolvida com seus projetos acadêmicos, seus textos e pesquisas neste sentido e eu, tentando emplacar alguns de minha lavra para revistas, como a Carta Capital e a Piauí. Escrevinhamos muito por estes dias. E no meio do burburinho, paro para atendê-la e também cozinhar. Cozinho muito mal, sou resiliente, insisto e sempre sai algo, contestado, mas sendo o que temos como alimento, comemos e seguimos em frente. Ela não se cansa de repetir, que saio muito e fico pouco em casa. Ah, como gostaria de ficar e ler muito mais do que faço.
Hoje mesmo, além da leitura peguei a tal série da Netflix, a "Brasil 70 - A saga do tri", direção do Paulo e Pedro Morelli, que achava ser um mero filme, mas depois de iniciado, percebei tratarem-se de cinco episódios. Não posterguei e uma vez iniciado, fui até o fim. Gostei, pois vai além do futebol e relata - ao seu modo e jeito - uma versão de como foi a tal campanha do tri no futebol. Rodrigo Santoro fez o então jornalista e técnico João Saldanha. Esse gaúcho foi porreta demais, pois comunista de carteirinha nos levou para a Copa, após o fracasso de 1966 e só foi destituído ao confrontar o ditador de plantão, Garrastazu Médici, não aceitando interferência, com a famosa frase: "Eu escalo o meu time e o senhor o seu ministério". Era demais para uma ditadura. E na sequência, o Bruno Mazzeo interpretando o Zagalo, este chegando três meses antes da Copa começar. O confronto de ambos se deu no México, Saldanha como jornalista e Zagalo dirigindo a equipe. Uma Copa no México, convenhamos, é muito mais edificante e glamourosa que nos EUA. Marcelo Adnet é o narrador dos jogos e me fez relembrar Geraldo José de Almeida, o primeiro que vi narrando jogos pela TV. Tem muito de ficção misturado com a realidade dos fatos, dando para sentir toda a influência de uma ditadura em algo onde o país era difundido mundo afora. Inevitável sua utilização, alguns entendendo mais, como Tostão e Paulo Cesar Caju, outros menos como Pelé. É um filme recheado com muita IA - Inteligência Artificial e pelo que vejo, inevitável em tudo daqui por diante. Escreveria muito mais sobre o que vi, mas prefiro fazê-lo com quem assistiu e pessoalmente. Enfim, conversar é preciso e mais do que necessário.
Termino o filme quase meia noite, com Ana já deitada. E a partir daí, uma reflexão do que terei pela frente nos próximos dias. Aqui em casa já separei dois livros, ambos versando sobre futebol e vidas atribuladas, o "Eu e o Futebol", biografia do controvertido Almir Pernambuquinho e mais um da série Perfis do Rio, com "João Saldanha", do João Máximo. É o máximo que posso fazer por essa insólita e incômoda Copa do Mundo a se iniciar, exatamente num país indesejado no momento - consegui até agora não comprar sequer um pacotinho de figurinhas da Copa. Assim como vi no filme, com a então esposa do Saldanha, tentando se manter indiferente, sendo militante dentro do país, naquele momento, 1970, dominado pela violência imposta pela ditadura, eu, amante do futebol, assistindo hoje principalmente jogos pela TV de divisões inferiores - as séries B, C e D do Brasileiro -, creio não terei como deixar de torcer ao ver nossa seleção em campo. No mais, continuo atento e contundente contra os ladravazes deste país, todos estes da famiglia do Bozo, seus asseclas e seguidores. Estou em casa, mas sei estar vivenciando o começo de uma GUERRA, algo que, nos próximos dias deve se transformar essa campanha eleitoral. Ainda não digeri como, um cara, o tal do Flávio, que já deveria estar preso, continua livre, sem punição, mesmo já comprovadamente criminoso e ainda candidato. Então, roubar e trair a Nação pode, desde que da direita? Se é bandido, tem que ser punido, ainda mais político. Com minhas armas, continuarei daqui de minha trincheira, desferindo golpes, tiros, traques, estilingadas e pedradas na direção dos perversos dessa nação, algo como o Bauru Sem Tomate é MiXto faz, agindo contra quem pisa no tomate. E tenho dito.








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84 anos e ainda trabalha, trabalha muito. Ele faz sapatos lindos, faz botas dos mais diversos modelos. 



Ele fez muitos sapatos pra mim, na minha infância. Sapato do tecido do vestido.
Era moda. Fez muitas bolsas pra minha mãe, sapatos também. O pai dele, seu Pedro Fabiano, usando essa máquina aí da foto, fazia as chuteiras do seu Dondinho, pai do Pelé.
Seu Fabiano tem muitas histórias...
Pessoa espetacular, muito educado, super caprichoso com o trabalho. Até hoje ele dá jeito nos meus sapatos e bolsas.
Que Deus o fortaleça!






























