sábado, 25 de julho de 2026
Na Argentina, o canalha do Javier Milei, precisando de muita grana para saldar seus compromissos assumidos e sem lastro para execução, recorrer ao recurso de sempre, o que toda extrema-direita sabe fazer da melhor forma possível, aperta o cinto, arrocho total. E daí, o salafra para conseguir a grana, congela mais uma vez o salário dos jubilados (aposentados), estes já não conseguindo pagar suas contas e endividados até o pescoço na labuta pela sobrevivência.
Estes, indignados, vão pras ruas e quando o staff governamnetal estava pronto para proporcionar mais uma carnificina nas ruas de Buenos Aires, a capital do país, desta feita, algo mais acontece e um cinturão de proteção é montado, com as centrais sindicais unidas e indo também para as ruas, protegendo os mais idosos, em ocasiões como essas, de literalmente apanhar da polícia governamental em praça pública. Uma descabida vergonha para um país, que um dia já teve alguém como Perón como seu presidente. A repressão foi obrigada a retroceder e assistir a mais uma manifestação, pacífica, porém dura contra a sequência de atos dantescos contra os interesses das classes populares e dos trabalhadores.
A conclusão é somente uma: nada é tão ou mais poderoso do que a força do povo nas ruas. Quando o povo está unido, fortalecido e consistente, ciente do que precisa ser feito, bem organizado, não existe força que resista muito tempo. Se parte do povo colocou alguém como Milei no governo, será o mesmo povo, consciente de um erro cometido, quem irá destituí-lo e assim, devolver o país vizinho para alguma normalidade. Na minha modesta opinião mero observador como historiador, após verificar como se dá o processo em várias outras circunstâncias históricas, está chegando a hora do povo argentino dar um basta a um desgoverno que só veio para afundar o país de vez. E o nós, brasileiros, pelo menos os que ainda defendem asoberania do território brasileiro, também nos mantermos unidos e coesos, pois como sabemos, o bicho vai pegar nos próximos dias e precisamos estar atentos, fortes e sem digladiar na defesa do que ainda nos restas deste Brasil. Na lida e luta, sempre.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
PERGUNTAR NÃO OFENDE (236)
DOS MOTIVOS E IMPORTÂNCIA DE SAIR PELA AÍ ENVERGANDO CHE GUEVARA NO PEITOSou um velho turrão, ainda longe de ser babão. Envergo diariamente camisetas com estampas dentro do que acredito ainda ser possível lutar neste mundo, acreditando na realização de alguns sonhos não concretizados e em curso. Isso me move e assim, saio com elas para as ruas. Uns me dizem ser provocativo, diante deste mundo manada e seguindo ditames conservadores. O interior paulista é um reduto de alto quilate conservador, vide os 80% de Bolsonaro e os seus por aqui na última eleição. Vide a contituição dessa Câmara de Vereadores, com sua quase totalidade constituída de gente voltada para ideais de extrema-direita. Diante de uma Bauru, que já teve até um prefeito comunista, hoje temos lá no Palácio das Laranjeiras uma fundamentalista, bolsonarista e perversamente religiosa, com toda família encastelada junto dela no poder.
Eu combato isso com minhas parcas armas. Escrevo e vou publicando, reproduzindo, sem medo de ser feliz o que penso e como continuo agindo. É minha forma de se manifestar e continuar vivo. Escrevo, publico e também saio para as ruas envergando estampas sugestivas em minhas camisetas. Nesta quinta mesmo, circulei durante todo o dia e também na ida ao SESC à noite, uma linda, com a cara do CHE GUEVARA ocupando todo o frontal. No SESC fui abordado por três pessoas me felicitando pelo Che e no supermercado Tauste, o da Rio Branco, onde estive à tarde fazendo comprinhas de última hora, um senhor barbudo, do tipo motociclista dessas agremiações e escudos bem definidos como direitosos, cruzando comigo várias vezes pelo corredor, fazia gestos de descontentamento.
Quando isso ocorre, o que posso fazer? Passo a ostentar mais a camiseta e assim, se agia naturalmente, passo também a provocar. A vida nos provoca e quando instigados, por que não agir em resposta? Ainda vivemos num regime onde impera o estado laico e a liberdade de expressão. Sabemos todos que, se alguém com a mentalidade retrógrada de um Flávio Bestial Bolsonaro nos governar, estaremos adentrando num regime teocrático, onde nem sair mais com camisetas ostentando algo ao contrário do pregado pela extrema-direita miliciana será mais possível. Estes fazem uso da tal democracia para chegar ao poder e quando lá, o destroem. Isso é histórico. A única possibilidade que ainda temos de viver em plena liberdade é votando em Lula e Haddad no próximo pleito.
E daí, o cara me olhando de esgueio lá pelos corredores do Tauste e eu, garbosamente me exibindo pra ele, numa espécie de ringue, mas sem as cordas e ainda sem socos e pontapés. Ele ficou só nas intenções e eu só nas provocações. Era o único por lá ostentando algo assim e nada melhor do que, circular por estes lugares - o Confiança Max é outro lugar delicioso para circular com camisetas tendo Che na estampa - desta forma e jeito. Agora mesmo, nos preparativos para mais uma necessária caminhada, com a camiseta do Che já no cesto de roupa suja, cavo outra para circular pelas imediações da Getúlio Vargas - talvez a chuva adie meus planos. É divertido observar a reação das pessoas, num tempo, onde antes, duante vigência da Lava Jato e desGoverno do Seu jair nos atiçavam e admoestavam, mas hoje mais contidos, só viram o rosto e demonstram algo de repulsa. Não sei até quando isso ainda será possível, daí, como também não sei quanto me resta de tempo de sobrevida, continuo minha saga competitiva com os malversadores do sonho de um outro mundo possível.
Eis Bosco cantando a tal canção: https://www.youtube.com/watch?v=OYLDpa42Bbk
Quando você gritou mengo
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar
Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente,
Se garante na cozinha
E ainda é vasco doente
Daquele gol até hoje
O meu rádio está desligado
Como se irradiasse
O silêncio do amor terminado
Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar
Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente,
Se garante na cozinha
E ainda é vasco doente
Daquele gol até hoje
O meu rádio está desligado
Como se irradiasse
O silêncio do amor terminado
Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado
quinta-feira, 23 de julho de 2026
MEMÓRIA ORAL (334)
ABERTURA DA EXPOSIÇÃO "CONSTELAÇÃO CELESTINA, DE WAGNER CELESTINO, 50 ANOS FOTOGRAFANDO A VELHA GUARDA E O SAMBA PAULISTANO - SÓ PODIA SER NO SESC
Para quem acha que Bauru se encontra fora do circuito das grandes exposições acontecendo por aí, precisa conhecer o trabalho deste paulistano, hoje residindo em Bauru e depois dela, a "CONSTELAÇÃO CELESTINA" rodar por duas unidades do Sesc paulistano, aporta no Sesc Bauru com grande pompa. Wagner Celestino, já passou dos 70 anos e durante 50 anos percorreu todos os cantos do samba paulistano, produzindo belos registros, agora eternizados num livro e nessa exposição, que além de tudo, escancara um registro mais do que histórico, a das entranhas da Grande São Paulo.
Uma exposição como essa só poderia acontecer mesmo no SESC, pois aqui em Bauru, mesmo ainda estando de portas abertas uma Galeria de Arte, mantida pela SMC - Secretaria Municipal de Cultura, quase nada por lá acontece e por pouco não se transformou tempos atrás em salinhas para abrigar cargos em comissão e nada de bom. Se a Cultura de fato é necas de catibiriba por lá, no SESC ela viceja e só confirma ser este o grande espaço cultural não só da cidade, como regional. O que acontece por lá neste momento é mais que grandioso, é incomensurável. Eu confesso aqui minha burrice cultural paulistana, pois até botar os pés no SESC hoje não conhecia nada deste divinal fotógrafo, tipógrafo uma vida inteira, aposentado neste ofício e há um ano e meio residindo em Bauru, sem que ninguém soubesse ou tomasse conhecimento. Ele é um tanto tímido, reservado, mas quando boto os olhos em suas fotos, vejo que com uma câmara na mão, o cara é bamba, batuta, desses que fez das ruas da cidade grande seu habitat.
Eu o conheci naquele momento e o cerco, iniciando uma conversação sem fim ali no recinto da exposição. Fui sugando o que pude e ele abrindo seu coração. A grandiosidade de seus registros reside muito na continuidade, pois quando começou, não mais parou e o reconhecimento vem com exposições como essas. Hoje é fácil fotografar e registar acontecimentos pela aí, mas quando começou a labuta era braba e mesmo assim, insistiu, persistiu e não mais parou. Circular pelos corredores da exposição e ver o resultado em cada foto é para embasbacar curiosos e desatentos. Não há quem não se sinta atraido e absorvido pelo ali exposto. Toda a nata das quebradas do samba paulistano estão ali registrados e também alguns de outras paragens, como dona Ivone Lara e Zé Keti, quando perambularam pela noite paulistana.
Eu já fiquei amigo dele assim de bate pronto. Trocamos telefones e vamos estabelecer contato, pois se o cara fez tudo isso lá em Sampa e hoje reside por aqui, nada como incentivá-lo para que, após quebrar o gelo, adentrar o palco bauruense, ser introduzido com algumas pessoas de responsa por aqui, como as professoras Marizilda e Ana Bia, do Design Unesp e mais o Ivo Presidente, do Coletivo Samba, ali presentes, para dar um pontapé inicial nos registros na cidade. Melhor que tudo, Wagner é dos nossos, um ser que não só circula nestes lugares todos, onde o samba acontece e a vida pulsa de forma acelerada, mas entende tudo e possui um posicionamento dos mais relevantes sobre os rumos deste país.
Enalteço sempre o papel do SESC - ah, se os próceres da Cultura pública bauruense possuissem um pequeno interesse em propagar o que flui das entranhas desta cidade - e depois, ciente de aqui ser um celeiro de gente altaneira e com produção efervecente, porém contida, mas quando pipoca algo novo, talvez uma fagulha nova para que não desistam e coloquem todos seus blocos na rua. Eu me maravilho quando vislumbro algo com essa magnitude, tanto que, já alinhavei com o Wagner de introduzí-lo pela aí, para que conhecendo um bocadinho mais de nossas entranhas, comece o quanto antes a produzir material, criação se sua verve criativa, enaltecendo também algo em curso nestas plagas. Aproveitemos a estada do Wagner junto a nós e com uma a mais se juntando ao time dos reais realizadores desta aldeia, avancemos o sinal, ultrapassando barreiras, impedimentos, não se importando com admoestações, mas se impondo e mostrando para os que insistem em permanecer inertes que, os realizadores irão passar por cima e escancarar a existência de uma fina flor, ainda oculta, porém pronra pra desabrochar. O Wagner está ser juntando ao time dos que fazem e acontecem por aqui. Vamos acolhê-lo com a devida pompa e reconhecimento, pois o danado já deu mostras de que veio pra cá e não quer ficar parado. Parado mesmo na questão Cultura nesta cidade, só os hoje lá encastelados como dirigentes públicos, muitos comissionados, temporários e nada propondo de qualitativo. Visitem a exposição lá no SESC, a "Constelação Constantina" e contatem se é ou não pra ficar comovido com o ali mostrado. E o homem está agora morando por aqui...
MÚSICA (262)
1.) A primeira coisa que me chama atenção no post do Estadão (que, como sabemos, não tem compromisso com a ética e muito menos responsabilidade em suas publicações) é o depoimento de um João magoado, indignado mesmo, com todo direito a sê-lo. Um João que sempre foi doce, gentil, sorridente, cujo rosto se ilumina quando nos mostra acordes, canções inteiras, suas referências de vida, espetáculos. Na entrevista, o João estava sendo provocado, instigado pra falar da canção Gol Anulado, com aquela má-fé tão característica da im-prensa em questão . Obviamente o Estadão publicou o exato momento em que a fome mostrou raiva pra interromper. Ora, se o João tá falando desse jeito, antes das pedras, seria bom nos questionarmos sobre o nosso entendimento da sociedade brasileira ao longo desses 50 anos que se passaram desde o lançamento da canção composta por ele e por meu velho, Aldir Blanc. Aliás, para os muito poucos conhecedores habitantes de internet, a letra É do Aldir, que completaria, assim como João, 80 anos. Não queiram imaginar o que meu velho faria com sua tinta giratória se soubesse que suas composições foram atacadas por pseudos “miliciantes” que não compreendem lições básicas de arte - aquela das nove musas. A canção maldita pelos fascis-lacradores de causas encontra-se no lado A, segunda do disco, e é elemento constitutivo de uma obra-prima, um álbum (objeto de arte formado pelas obras que o sustentam como produto concreto das expressões pretendidas). Tem o casal que quer se separar pela mais completa Incompatibilidade de Gênios, tem o feminismo no Estácio, tem a solidão urbana na Vida Noturna, tem a dor do luto e da desigualdade social no Rancho da Goiabada, tem galã suburbano com suas conquistas amorosas em Latin Lover, tem o lirismo de Galos de Briga que fala da coragem dos oprimidos contra os opressores, enfim, tem toda uma representação artística daquela década de 70 que só quem sofreu sabe. Sobre a re-ação do João: alguém aqui já re-agiu bem a ambientes e situações de profundo desconforto? Se sim, és um psicopata. Se não, é gente, feito o João, que inclusive nos ensinou a ser gente. Vida longa ao Boscão, tão humano que é divino! Aldir Blanc, presente! Protege seu mano daí que a gente protege daqui. Que falta você nos faz. PATRÍCIA FERREIRA
2.) Para me cancelar de vez... Esta semana as redes sociais foram sacudidas pela entrevista do compositor João Bosco ao jornal O Estado de São Paulo. Em sua fala ele criticou a patrulha ideológica identitária e as críticas a uma música sua, "Gol Anulado", que descreve uma mulher que vibra com o gol do Zico. Seu marido, contrariado por ser vascaíno, bate nela "até cansar". A reação de censura à violência explícita da letra provocou o comentário de João Bosco, mas o debate mostrou de um lado o próprio compositor defendendo a liberdade de retratar a sociedade daquela época (50 anos atrás) e do outro grupos identitários que reclamam de uma suposta banalização da violência contra a mulher.
Ao meu ver, a explicação do João Bosco e seu posicionamento contra a patrulha identitária são perfeitas. O que se vê agora é um monte de gente tentando usar um dos maiores compositores do Brasil como escada para fazer vídeos na Internet e lacrar, usando essa divisão para ganhar notoriedade. Aliás, esse debate é igual ao debate da direita que defende a pena de morte: se você se posicionar contra a pena capital, então é automaticamente a favor de bandidos e do crime. Neste caso da música de João Bosco, se você abomina a censura e defende a liberdade de expressão ampla, você esta ao lado dos espancadores de mulheres. Falso dilema, perceberam?
Essa esquerda liberal - que adora censura - acredita que se você não falar de alguma coisa ruim esta coisa desaparece. Basta não falarmos de violência e.... pufff, acabam as guerras, as lutas, as agressões e os ataques covardes. Estamos diante de um real delírio identitário: ao invés de expor a realidade, apresentar os problemas, trazer o pus à flor da pele, escondemos, censuramos, cerceamos, calamos e proibimos palavras e pronomes. João Bosco descreve um personagem em suas músicas!!! Woody Allen também, Machado de Assis e Chico Buarque idem. Como censurar literatura e música baseando-se nessa leitura torta e oportunista dos identitários? Como aceitar que um personagem não seja a imagem exata de um problema social? Como podemos, no século XXI, defender abertamente a censura mais abjeta, que amordaça a arte e detém a transformação social?
Pois quando alguém perguntar as razões do crescimento da extrema direita aqui teremos um bom início de conversa. Sou um sobrevivente dos anos de chumbo e lembro bem do clima da época da ditadura militar. Naquela época gritávamos contra a censura, que usava da violência para nos calar a voz. Se não aceitávamos que milicos grosseiros e ignorantes passassem caneta vermelha nas nossas músicas, por que deveríamos aceitar a censura dos identitários? Por que continuamos a aceitar que o neoliteralismo empobreça nossa literatura? Leiam as justificativas de hoje para calar os artistas: o bem maior, o drama da violência, as ideias que ameaçam a estrutura da família. Estas não passam de ecos tétricos das desculpas de ontem! Tanto antes como agora estas vozes representam as forças conservadoras, a serviço da direita. Enquanto isso, a esquerda está cada vez mais parecida com o que outrora combatia, tornando-se paulativamente mais moralista, antidemocrática, censuradora, oficialista, oportunista, identitária e desconectada dos reais desejos nacionais.
Censurar músicas? Sério? E a literatura? Cinema também? RICARDO HERBERT JONES
Ao meu ver, a explicação do João Bosco e seu posicionamento contra a patrulha identitária são perfeitas. O que se vê agora é um monte de gente tentando usar um dos maiores compositores do Brasil como escada para fazer vídeos na Internet e lacrar, usando essa divisão para ganhar notoriedade. Aliás, esse debate é igual ao debate da direita que defende a pena de morte: se você se posicionar contra a pena capital, então é automaticamente a favor de bandidos e do crime. Neste caso da música de João Bosco, se você abomina a censura e defende a liberdade de expressão ampla, você esta ao lado dos espancadores de mulheres. Falso dilema, perceberam?
Essa esquerda liberal - que adora censura - acredita que se você não falar de alguma coisa ruim esta coisa desaparece. Basta não falarmos de violência e.... pufff, acabam as guerras, as lutas, as agressões e os ataques covardes. Estamos diante de um real delírio identitário: ao invés de expor a realidade, apresentar os problemas, trazer o pus à flor da pele, escondemos, censuramos, cerceamos, calamos e proibimos palavras e pronomes. João Bosco descreve um personagem em suas músicas!!! Woody Allen também, Machado de Assis e Chico Buarque idem. Como censurar literatura e música baseando-se nessa leitura torta e oportunista dos identitários? Como aceitar que um personagem não seja a imagem exata de um problema social? Como podemos, no século XXI, defender abertamente a censura mais abjeta, que amordaça a arte e detém a transformação social?
Pois quando alguém perguntar as razões do crescimento da extrema direita aqui teremos um bom início de conversa. Sou um sobrevivente dos anos de chumbo e lembro bem do clima da época da ditadura militar. Naquela época gritávamos contra a censura, que usava da violência para nos calar a voz. Se não aceitávamos que milicos grosseiros e ignorantes passassem caneta vermelha nas nossas músicas, por que deveríamos aceitar a censura dos identitários? Por que continuamos a aceitar que o neoliteralismo empobreça nossa literatura? Leiam as justificativas de hoje para calar os artistas: o bem maior, o drama da violência, as ideias que ameaçam a estrutura da família. Estas não passam de ecos tétricos das desculpas de ontem! Tanto antes como agora estas vozes representam as forças conservadoras, a serviço da direita. Enquanto isso, a esquerda está cada vez mais parecida com o que outrora combatia, tornando-se paulativamente mais moralista, antidemocrática, censuradora, oficialista, oportunista, identitária e desconectada dos reais desejos nacionais.
Censurar músicas? Sério? E a literatura? Cinema também? RICARDO HERBERT JONES
3.) Nas seis horas seguintes à derrota de um time do coração, em média a violência doméstica aumenta 6%. Quem diz isso é um estudo cruzando resultados do Brasileirão com boletins de ocorrência de violência doméstica no Rio e em SP.
Isso é uma coisa. Outra coisa é a entrevista que o João Bosco deu ao Estadão em que critica excessos dos que ele chama de identitários. Esta discussão é gigantesca. Eu, pessoalmente, apoio toda luta por direitos das minorias E o respeito integral às diferenças.
Mas o que trato aqui não é isso, e sim o samba Gol anulado, do João com o Aldir, do álbum Galos de briga, de 1976. Que narra exatamente a situação descrita no primeiro parágrafo: "Quando você gritou Mengo / No segundo gol do Zico / Tirei sem pensar o cinto / E bati até cansar". Que João citou como exemplo de cancelamento. Vou tratar apenas desta canção.
Falei outro dia da praga contemporânea da neoliteralidade ( conceito criado por mim até onde sei), que consiste em não diferenciar autor de obra, eu lírico de autor, personagem de enredo. O viés de leitura que faz com que a representação de um crime seja sempre vista como apologia do crime, nunca como crítica.
Pois bem. Numa narração artística há ao menos três instâncias: o autor, o personagem e o enredo. Eles se imbricam, mas não se confundem, porque, por mais que o autor crie a partir de suas vivências, ele não é o que narra.
Gol anulado narra uma agressão covarde a uma mulher. Muito bem, agora vejamos o contexto: João canta o samba num tom suave que contrasta com a brutalidade do que é narrado, mas também melancólico, triste mesmo.
A melodia perambula entre notas graves - a única exceção é no verso "E ainda é Vasco doente", em que ele nitidamente rememora uma alegria, mas ainda assim sem nenhum entusiasmo. E a harmonia em tom menor acompanha a tristeza.
O eu lírico da canção não vai preso, como deveria. Ele apenas perde a alegria de viver, a ponto de abandonar o futebol que o levou ao ato violento. É pouco? É. Mas não há uma sílaba nessa canção que exalte o feito. Muito pelo contrário, o que há é puro arrependimento.
Não sei de identitarismo. Mas sei um pouco de análise musical. E isso é o que eu tinha a dizer. TULIO VILLACA
Isso é uma coisa. Outra coisa é a entrevista que o João Bosco deu ao Estadão em que critica excessos dos que ele chama de identitários. Esta discussão é gigantesca. Eu, pessoalmente, apoio toda luta por direitos das minorias E o respeito integral às diferenças.
Mas o que trato aqui não é isso, e sim o samba Gol anulado, do João com o Aldir, do álbum Galos de briga, de 1976. Que narra exatamente a situação descrita no primeiro parágrafo: "Quando você gritou Mengo / No segundo gol do Zico / Tirei sem pensar o cinto / E bati até cansar". Que João citou como exemplo de cancelamento. Vou tratar apenas desta canção.
Falei outro dia da praga contemporânea da neoliteralidade ( conceito criado por mim até onde sei), que consiste em não diferenciar autor de obra, eu lírico de autor, personagem de enredo. O viés de leitura que faz com que a representação de um crime seja sempre vista como apologia do crime, nunca como crítica.
Pois bem. Numa narração artística há ao menos três instâncias: o autor, o personagem e o enredo. Eles se imbricam, mas não se confundem, porque, por mais que o autor crie a partir de suas vivências, ele não é o que narra.
Gol anulado narra uma agressão covarde a uma mulher. Muito bem, agora vejamos o contexto: João canta o samba num tom suave que contrasta com a brutalidade do que é narrado, mas também melancólico, triste mesmo.
A melodia perambula entre notas graves - a única exceção é no verso "E ainda é Vasco doente", em que ele nitidamente rememora uma alegria, mas ainda assim sem nenhum entusiasmo. E a harmonia em tom menor acompanha a tristeza.
O eu lírico da canção não vai preso, como deveria. Ele apenas perde a alegria de viver, a ponto de abandonar o futebol que o levou ao ato violento. É pouco? É. Mas não há uma sílaba nessa canção que exalte o feito. Muito pelo contrário, o que há é puro arrependimento.
Não sei de identitarismo. Mas sei um pouco de análise musical. E isso é o que eu tinha a dizer. TULIO VILLACA
4.) Sobre João e sua teimosia - Por um professor ainda preocupado com o futuro. Acho lamentável que os movimentos ditos progressistas, até os partidários, entendam que a exclusão seja uma inevitável manifestação desses movimentos. Em nosso país, o que não falta é reacionário, supremacista e classista em qualquer molde e medida. Gente que diz coisas absurdas em nome de fé religiosa e da “tradição” conservadora. No entanto, parece que, para algumas pessoas, falta energia e coragem para lidar com esse óbvio perigo, na urgência algorítmica dos “likes”. Por mera “sinalização de virtude”, termo cunhado por um grande amigo, que não quero envolver, apontamos dedos para o que nos incomoda, de um jeitinho bem seletivo, sem qualquer demonstração de inteligência estratégica, apenas para manter seu álibi, gerando assim o tal fogo amigo. Como paladinos da “verdade, pois é o que eu sinto”, estamos a todo momento a gerar mais e mais ressentimentos. Toda minha vida como educador baseou-se em uma troca real com aquelas e aqueles com quem trabalhei em sala de aula. Quando Paulo Freire escreveu sobre o amor necessário para nosso trabalho, defendia uma ideologia baseada em mútuo envolvimento para a compreensão da vida de todas as pessoas ligadas ao processo de ensino/aprendizagem. Todo movimento que se faz para qualquer tipo de esclarecimento é educacional já que todo mundo é capaz de entender tudo desde de que aberto para isso, mas com abertura que deve acontecer naturalmente e não por arrombamento. Sim, é preciso ter alguma paciência com pessoas com histórico, quando sua contribuição foi relevante e nos possibilitou chegar até aqui, livres para opinar e viver como nos convém e sem culpa. Sim, as pessoas têm direito a crítica, especialmente se nela não existe intenção de destruir. Sim, pessoas têm direito a própria defesa quando sentem-se injustamente julgadas, até porque não estão em julgamento, ou estão? Temos que reconhecer que muito de ruim foi naturalizada simplesmente por não atingir uma dita “maioria”. Que grupos sofreram e sofrem por simples descaso, pelo “a vida é assim”. O mundo segue mudando. Mas não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de alianças como essa com o João, cada voto conta. Por uma conveniência política momentânea, aliaram-se a tudo do mais perigoso em nome de protagonismo, perdemos Brizola e Darcy e “ganhamos” Macedo e Malafaia. Depois ninguém compreende porque, mesmo com tantos crimes tão evidentes, uma eleição não está garantida. Estamos alimentando antagonismos, há tempos. Aí está o ovo da serpente. CARLITO MACHADO
quarta-feira, 22 de julho de 2026
RETRATOS DE BAURU (317)
voltando atenção para Bauru
DESVENDANDO O MISTÉRIO DAS PLACAS ENCOBERTAS, OBRAS DO GOVERNO FEDERALDiante de aberrações que sempre pipocam pela aí, quando governantes inescrupulosos, os que nada fazem de obras públicas e vendo as muitas realizações promovidas pelo Governo Federal, Lula & Cia, encobrem a logo de quem de fato a fazem, tudo para encobrir o nada fazer, vendo algo assim numa foto publicada de obra em Bauru, publico este texto:
Chico Maia me explicita o que de fato ocorre: "meu caro companheiro. Estamos em fase de defeso eleitoral e a lei impõe limites a agentes públicos a três meses das eleições. No entanto, é necessário verificar se a regra está sendo cumprida sobre os convênios firmados com o governo do estado". Outro alerta recebo de João Azevedo: "Lei Federal em época de eleição o hospital estadual, Hospital de base e o manuel de abreu e maternidade santa Isabel passam pela mesma condição até mesmo nos uniforme foram tampados nesses sobre o "governo estadual".
Diante das evidências, evidentemente, entendo o que está em curso, porém, assim mesmo, constato ser isso fato já consolidado como prática de governantes inoperantes, que longe de períodos eleitorais, escamoteiam obras bancadas pelo Governo Federal, merecendo comentário de Nelson Redondo Arjonas: "Para a direita vale qualquer tipo de trapaça, não se importando com ética, moral ou a verdade. Parece que se orgulham com práticas desse tipo. Perderam totalmente a vergonha, se é que já tiveram". Assim sendo, necessário se faz o cumprimento da legislação existente, porém, ficar alerta para quando fora destes prazos, algo dessa natureza assim ocorrer, como recentemente li sobre o túnel submerso sendo construído para ligar o Guarujá ao continente, viabilizado por uma Parceria Público-Privada (PPP) que divide os aportes públicos em partes iguais entre o Governo Federal e o Estado de São Paulo, gerando divergências políticas sobre o protagonismo da execução. Tarcísio gosta de apregoar ser tudo bancado pelo Governo Estadual, quando na verdade, a maior parte está sendo bancada pelo Federal, ou seja, Lula & Cia.
MAIS UMA AUDIÊNCIA PARA CHOVER NO MOLHADO, A DA RECUPERAÇÃO DO SAMBÓDROMO - NÃO SEI SE AINDA NÃO ENTENDERAM, MAS SUÉLLEN NADA FARÁ"Por iniciativa da vereadora Estela Almagro (PT), a Câmara Municipal de Bauru realiza, nesta quarta-feira (22/07), a partir das 14h, uma Audiência Pública para discutir a reforma do Sambódromo Municipal. Em março deste ano, a parlamentar já tinha promovido um encontro para debater o tema (leia aqui). A discussão, desta vez, vai enfocar os editais dos projetos de recuperação e o calendário das obras para o espaço, que está interditado desde março de 2019 em decorrência de problemas estruturais. Foram convocados para o encontro o secretário de Cultura, Roger Barude; a secretária de Infraestrutura, Pérola Zanotto; o secretário da Fazenda, Everson Demarchi; e o chefe de Gabinete da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Leonardo Marcari. A chefe do Executivo Municipal também foi convidada para a audiência, assim como os membros do Conselho Municipal de Cultura, de blocos carnavalescos e da Comissão de Obras da Câmara Municipal de Bauru.
ACOMPANHE!
O encontro será exibido ao vivo pela TV Câmara Bauru (Canal 10 da Claro/NET e Canal 35.3 no sinal aberto digital), pelo YouTube e no portal da Casa de Leis. #camarabauru #bauru #audienciapublica #reformadosambodromo #carnaval", este o convite para essa Audiência Pública.
Garbosamente DECLINEI de participar de algo, onde sei de antemão que, a Prefeitura Municipal de Bauru, administração fundamentalista de Suéllen Rosin não fará empenho nenhum para realização dessa obra. No mais, creio eu, tudo também faça parte de algo mais para alavancar a campanha política da candidata vereadora bauruense à ALESP. Ela também é mais do que ciente de que, os valores levantados, aproximadamente 17 milhões de reais, indicados pelo staff da Prefeitura, só serão conseguidos através da iniciativa privada. Daí, não querendo perder tempo, deixo de comparecer. Apparicio Torelly, o nosso imortal Barão de Itararé possui uma frase já fazendo parte do consenso do dia-a-dia brasileiro e caindo como uma luva para este episódio da vida pública bauruense: "De onde menos se espera, daí é que não sai nada".
Vejo a repercussão da Audiência, o valor dado como necessário para obra, mas percebo não existir nenhum movimento público para a realização da obra ou para ir buscá-lo. Tudo conversa pra boi dormir. Na verdade a Prefeitura, faz o que sempre fez quando se trata de obras e ações onde ela não possui nenhum interesse na sua realização. Primeiro demonstar superficialmente interesse, desloca seus profissionais, orçam e depois crava: Se virem, corram atrás se quiserem sua realização. As prioridades dessa descabida administração são bem outras. Isso me faz lembrar do mesmo estardalhaço criado quando reuniram pessoas para uma provável recuperação da Casa dos Pioneiros, edificação em ruínas ali na rua Araújo Leite e depois, com o valor definido, a alcaide solta que, para sua realização, somente com a participação de campanha junto da iniciativa privada. Desde então, nada mais se falou sobre o assunto. Nessa administração, nada disso é surpresa. Ocorrendo mais uma Audiência Pública para discutir os destinos da Estação da NOB, verifiquem se tudo não ocorrerá da mesma forma e jeito. Cai nessa quem quer...
E JÁ QUE FALAMOS DELE...
A famosa máxima "De onde menos se espera, daí é que não sai nada" é uma criação do jornalista e humorista brasileiro Apparício Torelly, conhecido como o Barão de Itararé. Ela brinca com o ditado popular original "De onde menos se espera, daí é que não vem nada" (ou "de lá é que não vem nada") para satirizar a falta de expectativa em certas situações ou promessas vazias.Outras frases famosas do autor:
"Quando o pobre come frango, um dos dois está doente."
"O fígado faz muito mal à bebida."
"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato."
"Anistia é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças e crimes que ele mesmo cometeu."
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