crônica de uma morte anunciada
ELE É APENAS CANDIDATO, MAS JÁ SONHA EM COMO DISTRIBUIR EMENDASEu tenho comigo, um dos cânceres destruindo a ação paralamentar dentro da Câmara dos Deputados é o que ocorre atualmente com as tais Emendas Parlamentares, corroendo tudo por onde passe. Por mim - e para o ministro Flávio Dino, do STF - existe uma única maneira de combater os trambiques: acabando com a obrigação de o Governo pagar as emendas. Neste momento, três parlamentares - todos do campo da direita fascista - já estão condenados pelo envolvimento em desvios variados, ou seja, a ação destes e de um percentaul grande deles faz uso indevido da grana, mistura o público com o privado, rouba descaradamente. Existe por lá um manto a encobrir a sacanagem e se chama "orçamento secreto". Se a coisa é secreta, o próprio nome já diz, mais difícil controlar a execução da dinheirama em circulação e então, a falcatrua corre solta. Este atualmente o painel das entranhas de Brasília. Por um lado, alguns tentando limitar e até extinguir o penduricalho e do outro, a festa e lobby muito forte, jogando pesado na sua continuação.
O Palácio do Planalto, no caso, o presidente Lula, perdeu o poder sobre parte enorme do orçamento graças à impositividade e aos bilhões de reais para emndas. Trata-se de um "sequestro orçamentário", um monstro com tentáculos para todos os lados e fortalecido, encorpado e fazendo de tudo - e mais um pouco -, para impedir que tudo volte ao normal, ou seja, que essa função distributiva de valores ocorra através do Governo Federal e não por quem é pago para fiscalizar e executar leis, não para distribuir grana. No quadro perdulário, informo que as emendas impositivas surgiram em 2015 e de lá para cá, os parlamentares aperfeiçoaram a forma como fazer chegar o dinheiro na ponta, inventando o mecanismo do PIX de distribuição de recursos, que nada mais é do que um modo de driblar dispositivos de controle. É mais que um absurdo o volume dessas emendas, já alcançando a cifra anual de 50 bilhões de reais. Daí, com tudo isso em curso, os escândalos têm duas causas: a montanha financeira e a falta de transparência. Tudo está minimamente interligado quando o assunto é essa grana, inclusive a influências nas próximas eleições em todos os seus níveis. Prefeitos beneficiados por emendas tornam-se cabos eleitorais dos legisladores padrinhos da remessa. Ou seja, a perdição é completa, atingindo todos os níveis.
Todo o país está ciente destes procedimentos. Têm quem se aquiete e se beneficie e tem quem grite contra, enfim, a clara percepção da grana sendo desviada e usada indevidamente. Diante deste quadro, ouço dias atrás uma entrevista no programa matinal da 96FM de Bauru, quando o jornalista João Jabbour e o economista Reinaldo Cafeo (sic) entrevistam um candidato bauruense, peleiteando vaga na Câmara dos Deputados, ou seja para deputado federal, Nelson Dabus (PSDB), sobrinho-neto do ex-deputado estadual por Bauru, o também médico Abrahim Dabus. O programa sonda como pensa e age quem pleiteia chegar lá e o jovem médico, deixar claro pertencer à direita, informando não possuir afinidade nenhuma com nada que se mostre "esquerda". Nisso já limita o diálogo, pois determina onde estará se eleito e sem possibilidade de diálogo, ou seja, nada acrescentará no campo do necessário diálogo. Se mostra mais um dos a agir no limitado campo hoje do ódio como mola mestra de suas ações.
Isso posto, Cafeo se aproveita para, em todos os momentos continuar na ladainha agressiva contra o Governo Federal, algo onde prevalesce muita fake news como informação. Para ele, quem deveria estar sendo investigado no momento quando o tema são os desvios de grana no rombo da Previdência é o filho do Lula, citado o tempo todo e não os já comprovados como ladrões. Ou seja, como até as pedras do reino minela sabem, repassa para quem os ouve, informação truncada e falsa da verdade. Jabbour fica mais na sua e não entra nessa, mesmo quando cutucado: "Você que já foi do campo da esquerda, não acha isso um absurdo?". O também diretor do JC, jornalista de velha cepa, trabalhando num meio sabidamente de direita, sabe se esquivar e tenta recolocar na conversa nos eixos, pelo menos com menos abusiva tendência falaciosa. E na continuidade da conversa, onde o médico é questionado sobre como agiria se eleito, uma das suas ações é justamente já pensando em como fará a distribuição das emendas. Chegou a dizer, que poderiam ser repassadas para este ou aquele lugar, onde existe deficiência de recursos e coisa e tal. Fiquei só ouvindo e chego na conclusão mais óbvia: não só ele, mas muitos do que pleiteiam chegar lá, já pensam em como será feita a distribuição daquele imenso montante de grana.
Existe muita pouca disposição para uma efetiva ação parlamentar, mas sim, para dar continuidade neste penduricalho, que denomino de monstro ou no simplescombate a tramoias. São muito poucos os que, pensam em chegar lá é botar uma lupa no desarranjo institucional causado pelo impositividade da utilização dessas emendas. Do tal do Dabus, que até pelo sobrenome herdado, não pensa em começar sendo vereador, mas já se acha com cabedal para salto mais alto, nenhuma surpresa. Faz parte dessa elite, não só bauruense, mas nacional, não chegando para mudar nada, mas para fazer parte do jogo. Não digo que esteja com ruins intenções, mas será mais um político dentro deste quadro dos que passam batidos, sem expressão e não dizendo a que vieram de fato. Diante do agravamento da situação, com tanta gente envolvida em cosias escusas eu me atento ao discurso de quem propõe algo contra tudo o que está aí e nunca para quem já pensa em como se utilizar do que já existe. Na verdade, Bauru continua com uma lista de candidatos para nossas casas legislativas, sejam estaduais ou federais, muito fraca. Não voto em gente assim, pois não acresecenta nada. Este tipo de entrevista desnuda as pessoas. Eu faço parte dos que entendem que as emendas precisam ser muito limitadas, controladas e se possível até extintas. Que tal repetir a mesma pergunta para todos os postulantes a cargos eletivos hoje, inclusive vereadores. Legislar e fiscalizar é bem outra coisa. Bauru segue muito fraca no quesito candidatos para cargos futuros e assim sendo, continuo votando em pessoas e propostas bem diferentes das atuais já expostas.




















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