domingo, 14 de junho de 2026


ALGO DA HISTÓRIA DO CASAL QUE VAI ATRÁS DE CAMISETAS COM ESTAMPAS EXCLUSIVAS PRA DOMINGO VENDER NA FEIRA
Duas semanas atrás, Luiz Manaia, o Ralinho das Baterias passou pela feira e se encantou com as estampas da banca do casal Wilma e Jura da Rocha, enfincada na encruzilhada que dá início para a Feira do Rolo, mais precisamente, rua Gustavo Maciel com Julio Prestes. Viu uma em especial, Rita Lee sendo retratada como Ovelha Negra. Provou ali mesmo, mas ele é magro além da conta e naquele momento, com estampa da nossa rainha do rock, só do G pra cima. Wilma foi atrás, hoje até vestia uma e está com a do Ralinho guardada, esperando ele voltar pra pegar a sua.
Confesso aqui, eu também me encantei com o propiciado pelo animado casal. Eles, recepcionam bem, sempre sorridentes e prontos para altaneiras conversas, todos os que de avolumam, justamente defronte a banca, para os conversês do dia. São tão generosos que, costumam guardar algo destes. Muitos já esqueceram muita coisa por ali, desde guarda-chuvas até comidinhas compradas e ali deixadas em confiança. O guarda-chuva eles até guardam e trazem de volta no domingo passado, mas como Jura me diz, "a comidinha, acabamos por consumir".
São mais de 30 anos de feira, vendendo roupa. Wilma me corrige quando digo isso: "São exatos 32 anos domingando por aqui, daí, difícil quem não nos conheça". Digo do encanto meu e do Ralinho pelas camisetas, afinal, o que aqui me traz para essa escrevinhação. Eles hoje trabalham com exclusividade revendendo a marca Mulek Doido, que na feira, me confirmam, ninguém mais além deles, porém em Bauru, "como este mundio é grande e tem lugarpara todos, alguém mais já deve estar também revendendo", me diz Wilma. Dentro da diversidade oferecida pela marca, estes atuam com estampas com uma variação impressionante, vindo desde de temas nacionais aos de fora, abordando desde cinema, futebol, música, política e tudo o que possa ser traduzido em vendas, com criatividade e boa apresentação.
No site da Mulek algo sobre a diversidade do que produzem: "Se você curte rock, hip-hop ou quer camisetas iradas para o dia a dia, venha conferir nossa coleção! Temos modelos das maiores bandas de rock, como Nirvana, Guns N’ Roses, Metallica, AC/DC, Iron Maiden, Pink Floyd, Led Zeppelin, Red Hot Chili Peppers, Ramones, Pearl Jam e muito mais! Também trabalhamos com camisetas do Tupac e estampas personalizadas!". Na verdade, a banca toda ornamentada com essa variação de estampas chama muito a atenção e aliado com a simpatia do casal, o sucesso é meio que garantido. Na mesma esquina, hoje rola uma animada conversa dominical, rodízio de mentes pensantes e pulsantes, inveterados amantes do prazer de desfrutar da tal "feiraterapia". E estes, tendo ao lado o abrigo seguro proporcionado pelo casal, atuam unidos para tornar o domingo algo sempre muito agradável.
Wilma me conta que, além dos domingos, tem sua banca montade pelo do AME, nos altos do jardim Bela Vista, bem perto de onde moram, mas que nomento está vindo mais na feira, pois perdeu a mãe algumas semanas atrás e ainda não conseguiu voltar a trabalhar a contento. De uma certa forma, além do ganho obtido com a movimentação na feira, existe sempre um algo mais e este chega através do calor humano proporcionado pelos contatos feitos durante todo o período. Já estão montando tudo antes das 4h da manhã e saem só depois das 13 e tarará. Enfim, por mim vale muito a pena vir conferir essas diferenciadas camisetas, mas vale também passar pra prosa e tudo o mais rolando por ali, pois o lugar, dizem e confirmo, é encantado. Quem vem, volta sempre, como é o caso destes animados cidadãos, dentre os quais me incluo.
OBS.: Na última foto, na sequência, eu, o mafuento HPA, o homem mais elegante da feira, que sempreesqueço seu nome, o BArba, do bar na esquina, Adilson vidraceiro e Marcos Alves de Souza, nosso advogado, ali sempre de plantão e que, semana passada não esteve na feira, álibi aceito por todos, estava em Paris. Estes são só uma pequena amostra dos que rodeiam a banca da Wilma e do Jura, que sua esposa "jura", ele só o faz até meia noite. Domingo sem estes não é domingo.

O CENÁRIO DOMINICAL - DO QUAL FAÇO PARTE - NA ENTRADA DA FEIRA DO ROLO BAURUENSE
A vivência adquirida todo domingo nas andanças e conversas pelas cercanias da Feira do Rolo são mauito mais do que meras cenas bauruenses. Neste domingo, nas duas primeiras fotos, um amigo que não frequenta aciduamente o local me envia as duas primeiras fotos, tiradas com o Barba em seu bar e me escreve: "Te envio, pois vi nele a sua figura. Vocês são muito parecidos, até acheio ser você, mas depois olhei melhor e acho que pela convivência passaram a se parecer cada vez mais". Sei lá, o fato é que, estávamos todos lá na esquina da Gustavo com a Julio Prestes, Barba aparece com seus trejes para a Copa do Mundo. "Achei isso tudo no fundo de uma mala. Usei na última Copa, lavei e desbotou um pouco, mas não comprei nada novo", disse. Ri quando me disse do desbotado, pois eu comprei uma camiseta vermelha, com escudo da CBF e Bar do genaro, ele mesmo me dizendo ao me entregar: "Encomendei vermelho e me enviam essa cor, que está mais pra Holanda, do que o vermelho que queríamos". Vesti e na entrada da feira, alguém me aborda e me mostra: "Tenho uma igual a sua. Estive ontem no Genaro e comprei". Ou seja, éramos dois com o tal do desbotado vermelho. No mais, a conversação fluiu a contento, mesmo com o frio e a garoa, quer ia e voltava. Num certo momento, ou seja, já com alguns quilometros rodados, vejo que os três benericando cerveja na esquina o faziam com marcas diferentes e isso também valeu uma bela foto. Por ali é consenso, ninguém foi dar com os costados no tal do Arraiá Aéreo, nem fica babando ovo pra golpistas e fascistas. Eu só ando com gente dessa laia e consideração. No conjunto da obra, montamos e fazemos parte do grande cenário da boca de entrada da Feira do Rolo bauruense.

sábado, 13 de junho de 2026

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (199)


ISSO PODE SE REPETIR POR QUALQUER LUGAR DO PAÍS, INCLUSIVE BAURU
A CIVILIZAÇÃO DO “CIDADÃO DE BEM”
"Em Copacabana, um idoso de 69 anos relata ter sido atacado na porta de casa por um grupo que misturou agressão, ofensa política, intolerância religiosa e grito bolsonarista.
A Polícia Civil investiga. As câmeras do prédio podem falar mais do que muito patriota de internet com CPF de covarde.
Mas o enredo é conhecido: primeiro sequestraram a camisa da seleção, depois a bandeira, depois Deus, depois a família, depois a moral. Agora tentam sequestrar até o direito de um idoso voltar para casa com um adesivo político na bolsa.
É a extrema direita em seu estado mais puro: braveza de bando, coragem de esquina, cristianismo de tacape e patriotismo com bafo de milícia.
E antes que apareça o jurista de zap: sim, há presunção de inocência, mas não há presunção de ingenuidade.
Quando alguém bate em idoso, arranca símbolo religioso e grita senha política, não estamos diante de “divergência de opinião”, mas da pedagogia do ódio fazendo estágio probatório no meio da rua.
Bolsonarismo nunca foi apenas voto; é método, linguagem e autorização moral para ressentido virar carrasco de ocasião".

Reproduzo o texto acima do ocorrido em Copacabana, com um senhor com pouco mais idade que a minha e exclusivamente por portar um adesivo de Benedita da Silva em seu veículo. Daí chegam os brutamontes e, sempre agindo em grupo, agridem. Estes, sabemos, não querem realizar nenhum tipo de diálogo. Ainda mais agora, quando percebem que o candidato deles, o tal do Flávio Bolsonaro está derretendo neste mar de continuada corrupção e certamente perderão a eleição presidencial, daí como último recurso, praticam a violência. Isso é um sinal do que está por vir nos próximos dias. 

Conto algo mínimo dentro deste cenário e acontecido comigo. Acabo de comprar uma camiseta vermelha com a inscrição da CBF e do Bar do Genaro, nosso reduto esquerdista bauruense, na frente e nas costas, a inscrição, diante de enorme número 13, "Uma Torcida de Opinião". E que mal tem em querer sair com elas pelas ruas, aliás, como sempre faço com minhas camisetas recheadas de inscrições sugestivas de resistência e luta? Pois bem, fui fazer minha caminhada ontem pela manhã e como faço todo sábado cedo, incluo uma passada pela Banca da Ilda, ali defronte o Aeroclube. O diferencial desta manhã é que, está ocorrendo justamente ali no Aeroclube o tal do Arraiá Aéreo, capitaneado empresarialmente pelo astuto ex-astronauta Marcos Pontes. Por ali, um mar de gente com camisetas verde-amarelas. 

Democraticamente, comprei meu exemplar do Jornal da Cidade e continuei minha caminhada, agora com o jornal dobrado embaixo do braço. A camiseta vermelha com o 13 incomodava, deu para perceber isso. Eu também posso me incomodar com quem faz uso da camisa da seleção não para finalidades de simplesmente torcer pelo time brasileiro, a seleção de futebol, mas nem por isso, admoesto quem dela faz uso. Em dois momentos percebi algo estranho. Num primeiro ato, o sujeito que vinha atrás de mim, ao me ultrapassar, mesmo sózinho no percurso, olhou para o meu lado e ficou com seu pescoço demonstrando não gostar do que estava vendo. Foi embora gesticulando com o pescoço e logo a seguir, um outro, este passa por mim, estavam em três pessoas e me chama de "imbecil". 

Por sorte ficaram nisso. Ainda não tinha visto o vídeo com a agressão em Copacabana e ao chegar em casa, pude assistí-lo e juntei as coisas. Sei que, o tal do Arraiá Aéreo é reduto de bolsonarista, não na maioria dos que por lá passam em busca de presenciar algo do universo aéreo nacional, mas de quem ali atua. Creio que, a convivência entre os diferentes é parte fundamental da continuidade deste país enquanto nação livre, soberana e a demonstrar que, todos podem ter e vivenciar a tal da liberdade de expressão e de manifestação. O bolsonarismo, sabemos disso, restringe isso, pois acredita serem eles os escolhidos, os únicos e ao desrespeitar os demais, se mostram como será o país, sem por algum desastre estes um dia voltarem ao poder. Trump governou os EUA num primeiro mandato e estava mais contido, as leis ainda eram respeitadas, mas no segundo chegou agredindo e ultrapassando todos os limites. Vejo no fascismo brasileiro algo muito parecido. Estão prontos para agredir tudo e todos, da forma mais virulenta e violenta possível. Combato estes todos, pois sei o que nos acontecerá se este Flávio, Tarcísio, Zema, Caiado ou qualquer outro bestial chegar ao poder neste momento. Não será uma simples derrota, será o aniquilamento do que nos resta de soberania e, principalmente, de liberdade.

O gesto lá de Copacabana demonstra bem isso. O meu, guardadas todas as proporções, demonstra uma ponta do iceberg, este derretendo diante de nossos olhos. De minha parte, prestes a completar 66 anos, vendo muito dos meus, gente da minha idade indo embora de vez deste plano de vida, confesso, não tenho mais nada a perder. Continuarei saindo pela aí com minhas camisetas, falando e escrevendo o que penso, lutando como sempre fiz, contra o avanço do fascismo e das injustiças sociais. Eu tenho um lado e isso incomoda é porque estou, de certa forma, talvez ainda insipiente, conseguindo atingir meus objetivos. Sei estarmos todos dentro de uma já declarada GUERRA. Não arredo pé, não me encolho, não fujo da raia e nem demonstro medo, mesmo que possa até admití-lo. O momento é de resistência, de botar o bloco na rua. Certamente, devem ocorrer protestos pontuais contra o ocorrido lá em Copacabana e quiçá, Benedita da Silva, ganhe  no Rio e consiga reestabelecer algo da sobreidade carioca. Por aqui, como uma pedrinho no sapato, faço a minha parte e continuarei escrevendo e muito contra o que fazem políticos como esse MArcos Pontes, alguém que nesse momento, lá do Senado, apoia a Escla 7 x 0, ou seja, o trabalhador não ter descanso e se o tiver, negociar diretamente com o empresário. Isso é escravidão, algo bem compatível com o ideal de quem apóia o bolsonarismo.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026

COMENDO PELAS BEIRADAS (185)


TORCER OU NÃO TORCER PELA SELEÇÃO, EIS A QUESTÃO
Chegou o dia do começo de mais uma Copa do Mundo de Futebol. Essa, a mais sórdida de todos. No que diz respeito ao México e ao Canadá, sem nenhum problema, mas no que diz respeito aos Estados Unidos, esse o país e o fator que, desde sempre, colocaram essa Copa e tudo o que por lá ocorre neste momento a perder. A realização deste encontro futebolístico mundial num país onde este esporte é praticamente desconhecido e seu presidente, o prepotente pirata, roubando na mão grande o planeta e se fazendo impor pelo poderio bélico é pra desacreditar toda e qualquer realização sensata. Não existe como algo dar certo tendo à frente alguém como Donald Trump. Impossível. O que ele patrocina mundo afora, para tentar manter a supremacia de seu país globalmente é um acinte para todos os demais países do globo. E, diante deste cenário catastrófico, eis que mais uma Copa acaba por se realizar lá. Não sei o quanto isso traria de resultados positivos seu cancelamento ou mesmo, realização em outros territórios, talvez até mesmo só no México e Canadá. Enfim, quem hoje consegue se posicionar contrário ao poder de mando dos EUA? Talvez, de fato, só a China e a Rússia. E desta forma, com atos arbitrários e totalmente na contramão do bom senso, tem início este torneio, o envolvendo o maior número de seleções nacionais já visto.

E daí, a pergunta que todos se fazem: diante de tudo isso, também aliado ao descalabro do futebol brasileiro e de sua manipulação por interesses outros que não o futebol, chegando ao cúmulo da camisa da seleção ser indumentária da direita fascista, você ainda consegue torcer para o escrete nacional? Minha resposta é a mesma que, daria décadas atrás o então técnico da seleção brasileira, SIM. Na qualidade de brasileiro, separo bem as coisas. Sei de toda sacanagem das entranhas do futebol e de sua utilização mesquinha e sem vergonha, mas continuo sendo brasileiro. Sou também avesso à forma como é conduzida a convocação de jogadores, mas me pergunto: em qual momento foi diferente? Talvez só com Saldanha, quiçá com Telê Santana. Eu gosto demais da conta deste treco denominado futebol. Anteontem mesmo estava diante da TV vibrando num jogo da série B, Náutico X Fortaleza. Torci muito pelo time pernambucano, como continuarei fazendo com ele e com o time do meu, o glorioso e centenário Noroeste, em campeonatos não interrompidos com a realização da Copa. Se bobear voltarei num destes domingos lá em Santa Cruz do Rio Pardo, para presenciar mais um jogo da Santacruzense na 4ª divisão do paulista de futebol.

Escrevo isso para dizer que, estarei assistindo a alguns poucos jogos e, se possível, todos os do Brasil. Não me peçam para torcer contra. Torço contra – e muito -, para tudo o que ocorre nos bastidores, mas não contra o time do Brasil. Seu muito bem dividir e separar o joio do trigo. Adoraria ver seleções como a do Uruguai e Portugal, minhas outras torcidas nessa Copa, se darem bem. Escolhi essas e assim seguirei. Torço muito por Vini Jr, Endrick, Rayan, Luiz Henrique e alguns outros, poucos por sinal, se darem bem. Sei de todas as dificuldades e vejo um só astro hoje nessa Copa, ciente de como deve ser combatido este grande mal da omissão e em condições de erguer sua voz e dizer o que realmente precisa ser dito para todo o mundo, o francês Kylian Mbappé. Talvez ele não faça nada e assim deve ser nesta Copa, a da omissão e de todos de cabeça baixa.

Certa vez fui buscar para irmos juntos ao campo do Noroeste, o querido Roque Ferreira, que não dirigia e lhe dizia de estar triste, contrariado com os destinos do que via nos bastidores do clube e que talvez isso pudesse refletir na minha torcida. Ele calmamente, olhando para o campo me disse: “Henrique, torça, você veio aqui para isso. Se for pensar nessas coisas e nessas barbaridades todas que acontecem a todo instante e em todos os lugares, não só aqui, deixará de torcer e até de gostar de futebol. Torça e depois, façamos o que sempre fizemos, denunciar e se posicionar”. Sigo agindo dessa forma e jeito. É o que farei nessa Copa, a mais obscura e tenebrosa de todos os tempos. Assim sendo, na medida do possível, estarei por aqui, também falando de futebol. Torcendo dentro do que ainda entendo ser possível. A cada nova Copa, ando mais moderado, mas ainda torcendo. Eu continuo tentando. No mais, me verão por aqui esgrimando e destrinchando com minhas opiniões algo disso tudo. Nos vemos pela aí...

ISSO AQUI É SÓ PARA DEMONSTRAR A HUMILHAÇÃO A QUE LATINOS HOJE SÃO SUBMETIDOS AO QUERER ENTRAR EM SOLO NORTE-AMERICANO
Não tenho nenhum motivo para querer voltar lá, pelo menos enquanto perdurar este governo de Donald Trump, altamente perigoso para o planeta. Sei o quanto somos indesejados e daí, por que iria querer ir pra lá, nem que fosse como turista, meros dias? Melhor manter distância. Os exemplos são muitos e se repetem a todo instante. HPA

A COPA DA VERGONHA, NEM JORNALISTA DA TV GLOBO ESCAPOU DA HUMILHAÇÃO
A jornalista Karine Alves, da TV Globo, relatou ao vivo no Bom Dia Brasil que foi submetida a uma revista minuciosa ao desembarcar nos Estados Unidos para cobrir a Copa do Mundo. Segundo ela, agentes inspecionaram suas roupas, seus pertences e até seu cabelo, em uma abordagem que descreveu como constrangedora.

O episódio reforça as críticas que vêm cercando a organização do torneio. Em vez de recepcionar profissionais da imprensa e visitantes do mundo inteiro com o espírito de integração que a Copa promete, os Estados Unidos acumulam relatos de revistas rigorosas, dificuldades com vistos, detenções e deportações.

A FIFA vende a Copa como uma celebração global do esporte. Mas, para muitos jornalistas, torcedores e integrantes de delegações, a impressão é que a primeira disputa não acontece dentro do estádio. Acontece na imigração. E até agora, a burocracia, humilhação e a desconfiança parecem estar vencendo de goleada.
(Ploc Social)

SIMPLES ASSIM

quarta-feira, 10 de junho de 2026

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (214)


FALAR DE QUE MESMO NESTE INTRINCADO MOMENTO? - ELUCUBRAÇÕES SOBRE O MESMO TEMA, O FUTEBOL E A COPA DO MUNDO 
Começa amanhã a Copa do Mundo 2026 e junto da maior competição esportiva do mundo, uma série de dúvidas, receios e temores permeiam os torcedores – diante do governo de Donald Trump e das ações dos EUA nas últimas semanas contra países como Irã, Senegal e o impedimento do árbitro somali, Omar Artan, de entrar no país.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR, EM MAIÚSCULA:
SERÁ OS ATUAIS TÉCNICOS E DIRIGENTES DO FUTEBOL MUNDIAL TERIAM A MESMA CORAGEM DE SALDANHA COM MÉDICI, SE ESTIVESSEM DIANTE DE DONALD TRUMP?

UMA COPA QUE JÁ COMEÇA CHEIA DE PERCALÇOS NEGATIVOS, TODOS CAUSADOS PELA INSANIDADE TRUMPISTA
Os Estados Unidos decidiram cancelar a cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos poucos dias antes da abertura do torneio. A medida afeta diretamente milhares de pessoas que planejavam acompanhar a seleção do Irã durante a competição. Como se isso não bastasse, a própria delegação iraniana também enfrentará restrições, já que a equipe não poderá permanecer hospedada em território americano e deverá retornar ao México após compromissos relacionados aos jogos e treinamentos.

Oficialmente, a decisão acontece em meio às tensões entre Washington e Teerã, que voltaram a escalar nos últimos meses. Mas o episódio levanta uma questão muito maior do que futebol. A Copa do Mundo sempre foi apresentada como um evento capaz de unir povos, culturas e nações, independentemente das disputas políticas entre governos. Quando torcedores passam a ser atingidos por conflitos geopolíticos, a fronteira entre esporte e política praticamente desaparece.

E talvez seja exatamente essa a reflexão mais importante. Se uma competição mundial começa a selecionar quem pode ou não participar da experiência do torneio com base em disputas entre Estados, o futebol deixa de ser apenas futebol. O que está em jogo já não é apenas uma partida dentro de campo, mas a capacidade de um evento global permanecer verdadeiramente aberto ao mundo inteiro.
Retirado do MÓZ DA DIÁSPORA

EUA SE DECLARANDO INJUSTOS E REACIONÁRIOS, COMPROVANDO O QUE TODO O MUNDO JÁ SABIA: AUTORITARISMO CHEGOU ALI E PAROU
Tenho visto várias postagens de casos de racismo, discriminação, preconceito, com relação a gente que está chegando para a Copa no país mais criminoso do mundo. Vi o caso de uma seleção africana sendo revistada como se os jogadores fossem bandidos. Hoje, ocupa as redes o caso do juiz somali que teve o visto negado. O cara é juiz. Foi escalado para apitar na Copa. E o EUA negam o visto. Fim da picada. $E sabe o que faz a FIFA? Nada! Porque a Copa não se trata mais de futebol. Agora tudo é business. O que menos importa é a bola rolando, a gorduchinha no fundo das redes. Só importa o tanto de grana que as empresas patrocinadoras vão ganhar. E o preçõ dos ingressos? Totalmente impeditivo para simples mortais. Não sinto pena de ninguém. Pra mim, toda essa gente que aceitou ir aos EUA, esse país terrorista, para dar moral para um certame que é pura farsa, não merece sequer um muxoxo de enfado. Com todo respeito.. que se f.... todos!!! ELAINE TAVARES

AH, QUE VONTADE INCONTROLÁVEL DE ESCREVINHAR SOBRE UM JOGADOR DIFERENCIADO COMO O DR. SÓCRATES
Da mesma forma que, escrevi de João Saldanha, o jornalista e técnico, dito e visto como João sem Medo, escreveria de tantos outros, da mesma cepa e resistência. Reinaldo, o centroavante do Atlético Mineiro, que deixou de ir para uma Copa e muito bem nos representaria, principalmente no quesito cabeça pensante e pulsante. Ponho a cabeça para funcionar e tantos outros me pipocam na mente. Raí, Afonsinho, Tostão, Almir Pernambuquinho, Casagrande, Juninho Pernambucano, Neto, Vladimir, Richarlison e evidentemente, SÓCRATES. Fora do país, lembro do francês Cantona, que um dia deu uma sonora voadora em um fascista dentro de uma estádio europeu e de Maradona, mais que um símbolo de luta e resistência mundo afora.

Neste momento, poucas horas antes de começar a Copa mais controversa que já tive conhecimento, uma onde o México e o Canadá entram como coadjuvantes e os EUA como seu maior protagonista e também criador de caso, nada como relembrar de nosso craque, Corinthians e Flamengo, SÓCRATES. Imagino vê-lo hoje, chegando com a delegação brasileira e adentrando solo norte-americano, o que fariam com ele na imigração e como seria a dua reação. E mais que isso, como seria a reação da delegação brasileira. Sócrates não era de levar desaforo pra casa e, com toda certeza, usaria o momento também para se pronunciar, se fazer ouvir. E isso faz muita falta hoje em dia nos craques pela aí. Talvez só o francês Kylian Mbappé hoje possua essa característica. Ele tem se destacado por usar sua voz contra o avanço da extrema-direita em seu país, alertando a população e defendendo que os atletas devem se posicionar, pois são, antes de tudo, cidadãos.

Gente como Sócrates faz uma falta danada dentro do cenário do futebol, hoje - sempre foi assim - dominado por falas mansas, sem querer opinar e se posicionar sobre os embates mais sérios deste mundo. Abomino Messi exatamente por causa disso. Ele nunca se posicionou sobre nada de questões políticas, mesmo diante de tanta aberração ocorrendo internamente na Argentina. Maradona deu de dez a zero nele e em tantos outros carques da bola. Olho para trás, relembro com muita saudade de toda a trajetória do Sócrates e de seus posionamentos. Como ficar indiferente? Impossível. Adentro mais uma Copa e fico a observar quem terá a coragem de ousar falar algo dentro do território norte-americano? Com certeza, gente como Saldanha, Maradona, Cantona e Sócrates teriam. Me ponho a ler sobre futebol por estes dias e textos envolvendo estes bravos guerreiros da bola estarão povoando minha mente. 

Viva Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira!

terça-feira, 9 de junho de 2026

CHARGE ESCOLHIDA À DEDO (232)


COMO FAZER O POVO PAULISTA ENTENDER E ABRIR OS OLHOS? ISSO É POSSÍVEL? IGNORÂNCIA OU BURRICE
Eu continuo tentando, mas como é mais do que sabido, o povo paulista continua sob o efeito de uma hipnose continuada. Não posso afirmar que, o conservadorismo do povo paulista despontou após o desGoverno de Jair Bolsonaro. Esatria mentido. Desde que me conheço por gente, tempos do PSDB no governo, até antes, nunca foi eleito alguém com qualificação esquerdista. As oportunidades foram muitas e até agora São Paulo preferiu dar continuidade para governos populistas, conservadores e até para quem nunca até então havia morado no estado, não conhecendo nada do lugar onde iria governar. Isso ocorreu com o pérfido Tarcísio de Freitas e, infelizmente, se uma reviravolta sem precedentes ocorrer, pelo que se percebe, só mesmo obra de um trabalho de grande valia e consideração. A lida para impor essa necessária mudança continua e se mostra internitente trabalho.

Escrevo esse preâmbulo para contar mais uma. Na verdade, a repetição de algo se repetindo como mantra paulista. Antes de contar a historinha do dia, relembro frase de Rubem Fonseca, logo na bertura de seus livro, o Pequenas Criaturas: "Dizem que existe uma diferença entre o sujeito burro e o ignorante, que o ignorante pode aprender a mudar, e o burro não consegue". É que não consigo compreender, por mais que me esforce, depois de tudo o que se mostrou sobre a péssima administração de Tarcísio, mesmo assim, ele lidera as pesquisas. Nada do que já foi divulgado, o apodrecimento da Sabesp após a privatização, o dinheiro pessimamente aplicado, o envolvimento com o dinheiro ilícito do Banco Master, a perversidade da proximidade e similaridade com tudo o que de mal fez ao país Bolsonaro, mesmo assim, Tarcísio lidera.

Do outro lado um professor, profundo conhecedor dos problemas do país e do estado, detalhando muito bem tudo o que precisa eer feito para recuparação paulista, mas essa mensagem parece não chegar e modificar o voto conservador, algo mais do que enraizado. Vejo hoje estudantes e trabalhadores nas ruas de Bauru, protestando contra a perversidade de como Tarcísio trata as universidades públicas e de como sua polícia age violentamente com a população e nos comentários, algo grosseiro, perverso e incentivando a continuidade do modo errático e danoso. O movimento nas ruas foi marcante, mas quando me deparo com os comentários negativos, constato o quanto isso tudo já deixou de ser algo ignorante, passando a ser tratado por mim como burrice.

Aqui onde moro, o cara é aposentado de uma grande empresa pública, mora bem, trabalhou a vida inteira no sistema 5 x 2, mas defende com unhas e dentes o 6 x 1 ou até mesmo o 7 x 0, me dizendo que o trabalhador pode muito bem negociar com o empresário. E pior, me diz de forma abrupta: "Cambada de vagabundos quem quer deixar de trabalhar pra descansar". Dou risada na sua cara e lhe digo: "Mas trabalhaste a vida inteira no sistema 5 x 2 e agora cegamente, defende algo diferente". Saiu espumando e eu, ciente de que, não mudarei seu modo de continuar dentro deste modo burro de se deixar levar.

Não espero nada de muito diferente de Bauru, onde moro, pois por aqui Bolsonaro obtve 80% de votação. Creio, pouca coisa mudou. A aprovação para o Arraiá do astronauta, outro que, mesmo nada tendo feito pela cidade e por São Paulo, consegue níveis de aprovação surpreendentes. Hoje passo por um cartório e lá, sentado enquanto aguardo o atendimento, presencio conversa do graduado funcionário com um cara do agro local. "Não vamos dar chance para eles, né! Aqui eles nunca terão chance", um diz ao outro entre risos e chacotas. A conversa não era entre ignorantes. Entenderam? Encerro com uma lapidar frase de Nicolau Maquiavel, berm exemplificando este momento: "Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidaão". Cai o pano.

COMENTÁRIO DE DIRCEU MOSQUETTE JUNIOR, APÓS LEITURA DE MEU TEXTO:
"Sou muito burro!
Sou muito burro! Por mais que eu raciocine não consigo entender como pessoas defendem o indefensável! O nosso Judiciário representando legitimamente os interesses do povo! Fazendo Justiça dentro das “4 linhas da Constituição " dando amplo direito de defesa aos criminosos que além do Golpe de Estado planejando inclusive a morte de candidatos legitimamente eleitos! Sendo execrados pelos " Inteligentes"! Sou muito burro! Vejo o povo indo contra um governo que só quer o se bem! Não consigo entender! Ser pobre e a favor de quem só Legisla pelos ricos ou em causa própria! Defender um ex-presidente que deixou 700.000 mil seres humanos perecerem em uma pandemia por conta de sua incompetência! Ou seria maldade? A minha burrice é tanta que não consigo entender pq os que se dizem “Patriotas" defendem outras nações em detrimento da nossa terra Brasileira! Não entendo pq os que se dizem Cristãos defendem o “Dente por dente e o Olho por olho"! Gostaria de ser um pouco mais inteligente para conseguir compreender tudo isso, mas nasci extremamente burro!
A minha ignorância não permite que eu entenda quem é pobre e defende aqueles que negam empregos, alimentos e salários dignos aos seus filhos!
Por ser uma pessoa tão burra e ignorante não tenho mais paciência com os “Espertos" que estão infiltrados em todos os ambientes inclusive naqueles em que a voz do povo deveria ser ouvida e respeitada!
Para todos esses “espertos" desejo que eles sejam castigados assim como "Sisifu" que acreditava possuir muita esperteza, mas que foi condenado pela ira dos Deuses!". 

mais algumas poucas coisinhas publicáveis
1.) "O MÉDICI ESCALA MINISTÉRIO, EU ESCALO A SELEÇÃO"
Às vésperas da Copa do Mundo de 1970, João Saldanha era o treinador da seleção brasileira e montou o time tricampeão mundial. Comunista, ele foi derrubado do cargo pelo regime militar.
Diante das interferências dos ditadores, que se utilizavam do futebol para tentar melhorar sua imagem, Saldanha soltou a famosa frase que peitava o regime.
No início de 1970, quando foi ao México para o sorteio dos grupos da Copa, denunciou os podres da ditadura: afirmou que no Brasil havia cerca de 3 mil presos políticos, 300 torturados e "não sei quantos mortos" pelo regime militar.
Eis este vídeo e daí a pergunta, quantos possuem a coragem deste JOÃO SEM MÊDO?https://www.facebook.com/reel/1624879051953431

2.) JOÃO SEM MEDO.
Só ontem assisti ao filme "João Sem Medo" e, com alegria, revi ali meu amigo Tenorinho e também e Maria Sallas. Tenorinho, líder sindical e do PCB. Maria Sallas, líder sindical têxtil, que certa vez entrevistei numa homenagem ao Tenório, sem saber quem ela realmente era. E, me parece, havia sido a segunda esposa do Saldanha. O gaúcho Saldanha era sozinho uma patrulha e uma divisão. Filho de gaúcho caudilho da divisa, que pegava em armas, cresceu em meio a lutas. Ele mesmo pegou em armas no Norte do Paraná, em defesa de camponeses atacados por latifundiários.
A grandeza do técnico botafoguense e comandante da Seleção de 70 precisa ser mais conhecida. Disse ele: "Eu não convoquei 22 damas. Convoquei 22 feras". JOÃO FRANZIN

3.) E PARA AMENIZAR, ALGO DE MEU PADECIMENTO DIANTE DA TECNOLOGIA
EU SOU UMA NEGAÇÃO PRA FAZER TUDO ISSO, DAÍ DEIXO PARA TRÁS...
Mas não é isso mesmo o que eles querem?

segunda-feira, 8 de junho de 2026

PERGUNTAR NÃO OFENDE (235)


APÓS O DIA NACIONAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA, EIS A SITUAÇÃO DO JORNALISMO INVESTIGATIVO EM BAURU
Escrevo isso após uma conversa com dileto amigo, jornalista de uma cepa hoje em falta, o investigativo. O faço também, justamente neste momento, pois o dia 7 de junho é comemorado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. A data foi escolhida para marcar um momento histórico: em 7 de junho de 1977, durante a Ditadura Militar, cerca de 3 mil jornalistas assinaram um manifesto exigindo o fim da censura e a instauração de uma imprensa livre no Brasil. E diante da data e da conversa, tento analisar a quantas anda este tal de JORNALISMO INVESTIGATIVO aqui em Bauru.

Hoje, infelizmente, ele deixou de existir na cidade e se ainda respira por aparelhos, isso se deve a ações isoladas de alguns poucos jornalistas, estes atuando de forma isolada e sem respaldo garantidor de empresas jornalísticas. Essas empresas na cidade estão praticamente reduzidas a pó. Nosso único jornal impresso, o JC - Jornal da Cidade é semanal, possui time reduzido de profissionais e sem condições de bancar continuidade de matérias de cunho investigativo, essas demandando mais tempo, apuração levando tempo. Os recursos miaram e se limitam a contratar, vez ou outra, um profissional do ramo, como o faz com Nelson Gonçalves, para matérias semanais. Ele se desdobra, em condições próprias e assina ainda boas matérias. No mais, vejo matérias de cunho histórico, ótimas por sianl, mas nada relevante para o momento.

No mais, no meio do rádio isso se findou há um bom tempo. Temos colunistas e estes se limitam a dar opinião, segundo sua percepção pessoal do fato. Perdemos a Auri-Verde, hoje mera reprodutora de material bolsonarista, como dias atrás fez questão de reafirmar no ar, o condutor do espólio, o indefectível Alexandre Pittolli. Deixou de praticar jornalismo faz tempo e hoje virou algo pago para fazer propaganda do fascismo e seus asseclas. Em todas as demais, nada de mais profundo, tudo superficial e pior, tudo muito contido. Sempre existiu no jornalismo bauruense um certo receio, medo de avançar o sinal, pois como se sabe os donos do poder local são implacáveis. Poucos se arriscam a contrariar interesses destes, pois a partir daí as portas se fecham em definitivo.

Na TV, nenhum arroubo além da notícia do fato, quando este acontece. Não existe ninguém se aprofundando nos temas mais candentes na cidade, como averiguar em detalhes o que de fato está em curso dentro da atual administração municipal. Quem faz isso? Quem está indo atrás de uma suspeita e a vasculhando na sua continuidade? Não o fazem, por interesses da empresa jornalística e também por falta de recursos. As verbas publicitárias minguaram e não permitem nada além de pagar os salários de seus funcionários. Se algum acontecimento ocorre fora do horário padrão, praticamente deixa de ser notícia ou a matéria é meramente para comunicar algo ter ocorrido, sem nenhum aprofundamento.

A crítica aqui sendo feita é algo de um cenário, onde é impossível desdizer ou negá-lo, pois está mais do que evidente, espécie de fratura exposta do jornalismo local, quiçá brasileiro. Como bancar algo fora do atual cenário? Difícil, primeiro pelo fato já citado, o de poucos estarem dispostos a bater de frente com os interesses dos donos do poder local, depois sem recursos, nada vai acontecer. E, desta forma e jeito segue o jornalismo local, diante de uma infinidade de denúncias mais do que sérias, porém tudo sendo tratado de forma superficial. Olho para trás e vejo algo no passado, onde encontro bom material investigativo, longe de perseguições, mas sim de produção de conteúdo sério, árduo trabalho para desmontar estruturas corruptas, violentas e danosas ao patrimônio, principalmente o público. Hoje, mesmo com o latente descalabro, quem o pratica segue quase imune, pois tudo é dito e feito de forma muito superficial. Sinal dos tempos e, infelizmente, sem nenhuma perspectiva de luz no final deste túnel.

CENSURA*
* Entenda como é viver hoje nos EUA, um dos países sede da Copa do Mundo 2026 e o mais opressor do planeta:

"Leen Hijaz, de 17 anos, faria o discurso de formatura na Clayton High School, na Carolina do Norte. Ela disse: "Aqui nós temos uma voz e o privilégio de ter a liberdade de usá-la, enquanto no mundo há aqueles que precisam lutar e sofrer para serem ouvidos". Em seguida, mencionou "os milhões que sofrem na Palestina, no Sudão, no Congo, no Afeganistão e as famílias separadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos)". Ela não pôde continuar; o diretor da escola, num claro ato de censura, tirou-lhe o microfone", da coluna PIRULO DE TAPA, edição de hoje do diário argentino, Página/12, o que ainda de melhor temos na imprensa latina.

DEFENDENDO O PIX E COLOCANDO OS TRAIDORES DA PÁTRIA NA CADEIA
O João do Pix
— E aí, João, beleza?
Ele olhou por cima do carrinho, com o celular na mão e uma garrafa d’água já separada.
— Beleza nada, mas vai indo. Vai querer uma?
— Hoje eu quero é trocar uma ideia.
— Ih, quando começa assim vem bomba - riu irônico.
— Vem mesmo. Mas é bomba que pode cair no teu Pix.
Ele riu, meio desconfiado.
— Meu Pix? Meu Pix é trabalhador, parceiro. Cai na hora. Não reclama. Nunca pede folga, não ramela.
Já vi João vendendo água, bala, paçoca, capinha de celular, pares de meia, guarda-chuva quando o tempo fecha. Esse corre pequeno que segura muita casa. Antes, quando alguém parava e falava “tem cartão?”, ele já sabia que vinha problema. Ou perdia a venda, ou passava na maquininha e deixava um pedaço do dinheiro pelo caminho.
— Pô, isso aí me salvou — ele disse, apontando para o QR Code colado no carrinho. — O cara compra uma água de três conto, manda três conto. Compra duas, manda seis. Cai na hora. Eu já compro gelo, já pago fornecedor, resolvo minha vida. Antigamente era um tal de taxa, aluguel de máquina e o cambau. Tinha um sócio sugador.
— Alguém que nem carregou o isopor.
— Aí que tá. Eu no sol, o outro mordendo de longe.
Ficamos um pouco quietos. Passou um rapaz, pegou um drops e uma água, fez o Pix e saiu andando.
— Caiu? — perguntei.
— Caiu. Na hora. É por isso que eu falo: pode falar mal de um monte de coisa, mas esse negócio aqui funcionou. Pra nós funcionou.
Aí eu falei:
— Então presta atenção na malandragem. Essa história dos Bolsonaro com os Estados Unidos não é longe da tua vida.
Ele fez cara feia.
— Ah, política, mano? Os caras lá roubando, brigando, fazendo vídeo, e eu aqui correndo atrás do meu. E você vem aqui rezar pro Lula? O que eu tenho a ver com isso?
— Tem a ver porque os bolsonaro foramlá pedir pro Trump enquadrarem PCC e CV como organização terrorista.
— Mas facção tem que se ferrar mesmo, tem que passar o rodo.
— Claro. Ninguém está defendendo facção, João. O papo é outro. Quando os Estados Unidos botam esse carimbo, eles não estão só falando de polícia e bandido. Eles mexem com banco, transferência, suspeita, bloqueio, regra financeira. Eles começam a olhar para o dinheiro que circula no Brasil com a régua deles.
Ele ficou sério.
— Mas aí pega quem?
— Pode pegar muita coisa. Banco. Empresa. Sistema financeiro. E no meio disso entra o Pix. Porque vão dizer que facção usa Pix, que o dinheiro passa por conta pequena, que precisa vigiar mais, limitar mais, bloquear mais.
— Mas vagabundo usa tudo, pô. Usa carro, usa celular, usa internet. Vai acabar com celular também?
— Essa é a conversa.
Ele coçou o queixo e olhou de novo para o QR Code.
— Pera aí. Então o cara usa o crime como desculpa e depois sobra pra todo mundo?
— Exato.
— Aí é foda.
— É.
— Porque quem tem dinheiro dá um jeito. Quem tem contador dá um jeito. Quem tem advogado dá um jeito. Agora eu, se o banco bloqueia minha conta numa sexta, eu faço o quê? Vou explicar pra robô? Vou ligar em central? Vou mandar documento? Enquanto isso, não compro gelo, não pago mercadoria, não vendo.
— É isso.
Ele guardou uma nota amassada no bolso e continuou:
— E os caras falam que defendem o Brasil, né?
— Falam.
— Mas correm pros americanos?
— Correm.
— Pra americano dizer o que o Brasil tem que fazer?
— Isso.
Ele soltou uma risada seca.
— Aí é muito louco. Quando é povo de fora falando de floresta, de direito humano, essas coisas, eles gritam soberania. Quando é americano botando a mão em banco, em polícia, em dinheiro, aí pode?
— Para eles, pode.
— Então só é justo quando atrapalha a grana deles.
— Mais ou menos isso.
— Mais ou menos nada. É isso mesmo.
A conversa parou aí por alguns segundos. O barulho de ônibus, buzina, gente passando, um cara pedindo informação, outro perguntando se aceitava Pix. Aceitava. Claro que aceitava. Todo mundo aceitava. O Pix virou parte da rua. O dinheiro curto circulando. A venda pequena chegando inteira. O trabalhador fazendo conta na cabeça e conseguindo fechar o dia com um pouco menos de perda.
O João voltou no assunto:
— Sabe o que é pior? Os caras nem pensam em nós. Eles fazem o jogo deles lá em cima e sobra pra quem está aqui embaixo. Se começa essa palhaçada de bloquear, limitar, desconfiar de tudo, quem dança primeiro sou eu.
- É, João, você e o cara da marmita. A mulher do bolo. O moleque que faz entrega. A manicure. O pessoal que vive de pingado.
— E tudo em nome do combate ao crime.
— Combate ao crime no meu Pix? Vai combater crime onde o crime na pqp. Vai atrás de lavagem grande, de banco grande, dos cabecoes, de carga, de arma. Agora vem encher o saco de quem vende água?
Era ali que a coisa ficava clara. O João não precisava de aula sobre geopolítica. Ele tinha entendido pela prática. O problema não era combater PCC ou CV. O problema era político brasileiro chamar governo estrangeiro para produzir efeito interno e, no caminho, abrir risco para uma infraestrutura que virou parte da vida popular brasileira.
O Pix não é tecnocracia. É soberania no cotidiano, no dia a dia. É o trabalhador receber sem entregar uma parte de cada venda para intermediário. É o dinheiro pequeno circular com menos mordida. É uma tecnologia pública funcionando onde quase tudo funciona contra.
A família Bolsonaro fala grosso contra o crime, mas aceitou colocar o Brasil na mira da regra dos outros. Fez pose de valentia em Washington e deixou a conta para o João pagar no carrinho.
Ele resumiu melhor do que qualquer analista:
— Então é isso? Os caras vão lá lamber bota de gringo, fazem graça pra internet, e depois eu que posso perder meu Pix?
— É isso.
— Puta que pariu.
Pegou outra garrafa, vendeu, recebeu no celular e olhou a tela.
— Caiu.
Caiu. Por enquanto, caiu.
E talvez seja essa a cena inteira. Enquanto o dinheiro do João ainda cai, a gente entende o tamanho da disputa. Eles chamam de segurança. Chamam de combate ao terrorismo.
Na rua, o nome é outro.
É mexer na vida de quem trabalha. Pode chamar de extorsão.
Ricardo Queiroz Pinheiro