terça-feira, 4 de agosto de 2026

AMIGOS DO PEITO (257)


HOJE ME DEIXEI LEVAR POR FAUSTO BERGOCCE NUM GLAMOUROSO PASSEIO POR SAMPA
Meu amigo Fausto Bergocce, reginopolense de quatro costados, nasceu aí nas imediações de Bauru, mas desde muito cedo aportou aqui por Sampa, morando desde sempre em Guarulhos, na Grande São Paulo e hoje, querendo reviver algo do seu passado ou mostrar para mim alguns dos descaminhos de sua vida, sabendo de minha estada por estas plagas, marca comigo de nos encontrarmos para um rolê, justamente num dos locais mais marcantes de sua vida, a Padaria Marajá, na rua Martins Fontes, há 50 metros de onde trabalhou boa parte de sua vida, na sede do Diário Popular, jornal publicando por décadas suas charges diárias. Almoçar no Marajá e ouvir suas histórias, dos tempos de antanho, quando se lembra, quem morava por ali, nas imediações, o cantante Geraldo Vandré, o jogador de bola Almir Pernambuquinho e, pasmem, depois ficou sabendo, o cachorrinho do delegado Fleury, cabo Anselmo.

A Martins Fontes era um agito e ele, saindo de madrugada, após o fechamento do jornal, a parada certa era na Marajá, ponto de encontro de jornalistas e boêmios. O jornal fechou há décadas e a Marajá resiste ao tempo. Bem defronte a padaria, um sacrosanto lugar, o Sebo Samba Discos, no nº 154. Eu e Fausto já conhecíamos o lugar e por ali, sempre boas novidades e preços baixos, mas se faz necessário sujar as mãos e vasculhar pilhas e pilhas, livros e discos, com muitas preciosidades. Para variar, escolho alguns e começo a carregar o peso na continuidade das andanças.

De lá, Fausto me faz adentrar o prédio da Biblioteca Mário de Andrade e defronte, além de uma foto juntos, explica do estilo arquitetônico, neo-nazista, onde a ideia é essa, a imensidão do prédio e a pessoa pequenininha nele. "Em São Paulo, dois outros projetos com essa característica, o estádio do Pacaembu e a Ponte das Bandeiras, todos da mesma época", me diz. De lá descemos até o Anhagabaú, pegamos o metrô, onde ambos, com mais de 65 anos, não pagamos passagem. Ele com sua carteirinha, que libera a passagem na catraca e eu de posse do meu RG. Descemos defronte o prédio da FIESP, em plena avenida Paulista.

O convite era para adentrramos o vetusto local, onde ali duas exposição, numa a Cartunistas, com fotografias de Paulo Vitale, todas tendo como pano de fundo cartunistas famosos. Um deles é o próprio Fausto e circulando pelos corredores, muita gente conhecida, desde os irmãos Caruso até o bauruense Gilberto Maringoni. Ao lado dessa, Fausto ri e me diz, ocorrer uma com alguém divindindo com ele o espaço, nada menos que a "Brecheret Modernista". Mais um edificante passeio, com ele me explicando das muitas fases do artista e do tempo, anos 40, como se deu seu trabalho na São Paulo da época.

Eu vou tentando assimilar tudo e quando saímos, poucas quadras, uma foto diante do parque Trianon, ambos sentadinhos no banco onde Maurício de Souza está junto de toda sua troupe, desde Mônica à Horácio. Atravessamos a rua e vamos descansar na cadeira de descanso junto ao vão do Masp. Não adentramos o museu e permanecemos um tempo por ali divagando e curtindo as pessoas que, como nós passeava por ali nesta tarde de terça. Fausto anota numa folha de papel o nome de dois livros, me dizendo ter que ler, pois me darão uma ampla visão da vida paulista de outros tempos, escrito por Roberto Pompeo de Toledo, o "São PAulo Capital da Solidão (Volume 1)" e "São Paulo Capital da Vertigem (Volume 2)". Guardo o papel e seguimos adiante.

Fausto me convida a seguir para descermos a Augusta e assim fecharmos uma volta pela cidade, desta feita caminhando até onde saímos. E assim começamos a descer a rua Augusta, com ele me comntando as muitas histórias dos tempos do jornal, quando a boêmia fervia por aquela rua e adjacências. Descemos numa prosa só, parando aqui e ali, adentrando galerias, espiando antigas boates, parando nas esquinas para explicações de como tudo funcionava décadas atrás. Eu conheci a Augusta tempos atrás, mas nãocomo Fuasto, alguns anos mais experiente e com maior vivência. Nunca morei em Sampa, só ia e via, convivendo en passant com tudo o que ia ouvindo.

Paramos no Cine Petrobras, parada obrigatória para se utilizar de um bom banheiro público e depois uma foto de Fausto ao lado de Oscarito e Grande Otelo. Na descidas, outra padaria, desta feita indicada por Juliano Guido, sabendo que queríamos tomar sorvete. "Essa meu pai me levava quando criança", nos diz. A Padaria Bologna tem um lindo piso, preto e branco, além de um ótimo sorvete. Foi uma parada pra descanso e na sequência, outra parada cheia de saudade, quando tiro foto dele diante onde antes funcionou o Spazio Pirandello, um bar cheio de charme de décadas atras. Fausto foi me contando de quando, num dia ali se encontrou com Henfil, numa tarde de longa conversa entre dois artistas do traço.

Passamos novamente defronte a Marajá e seguimos até a Barão de Itapeteninga, onde tenho que buscar uma mala, deixada para conserto. Nos despedimos na estação do metrô República, onde embarco no sentido Butantã e Fausto no contrário, indo até perto da estação Itaquera, onde seguirá até Guarulhos. Foi uma tarde e tanto. Primeiro reencontrei o amigo e com ele circulei por lugares que lhe dizem respeito. Uma tarde como essa é tudo o que precisamos para ser felizes, batendo perna por aí e fazendo com que, a vida tenha continuidade, aconteça de forma salutar e saudável. Fausto é como eu, alguém de bem com a vida e assim, vamos tocando elas adiante, desta forma e jeito, um visitando o outro de vez em quando.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (218)


SAMPA, SEGUNDA, IMENSIDÃO DE LUGARES PARA IR, ADIVINHEM ONDE APORTO? NA LIVRARIA CALIL ANTIQUÁRIA, UM OÁSIS DENTRO DA CAPITAL PAULISTA
Confesso, São Paulo está hoje um tanto lusco fusco. Nem chove, nem molha. O sol resolveu não sair, nem o frio. Ou seja, bom para bater perna. E o forasteiro sai pela aí com um destino certo. Levar uma mala para consertar lá num local na conhecida Barão de Itapeteninga, centro velho da cidade, número 50 e já na ida, paro numa vitrine anunciando uma livraria fora do comum. Na volta, inevitável para mim, subo até o 9º andar do n° 88. Nessa vitrine uma amostragem do que iria encontrar por lá. Um sebo é um sebo e por lá livros usados, mas neste, o diferencial são os antigos, relíquias e afins. Chego, caminho por um corredor até alcançar o fundo. Um sinal avisa ao atendente, da chegada de um novo cliente.

Entro e sou recebido por um jovem livreiro, Murilo Calil, 32 anos, neto do velho e já falecido Calil Atallah, um libanês que há 73 anos atrás inaugurou este espaço. Imaginem uma livraria não com portas abertas para as ruas, mas atendendo num amplo salão no alto de um edifício. Este o diferencial dessa e no mais, só mesmo vendo o resto. Circulo pelos seus corredores e peço se posso fotografar. "Sim, mas não nas capas dos títulos antigos e telas. Só fotos desfocadas", me diz. Começo a me maravilhar e num dos corredores uma senhora, sentadinha num banquinho, limpando livros com um improvisado espanador.

Começo com ela uma longa conversa e descubro ser ela Maristela Montesanti Calil Atallah, 65 anos, a proprietária da livraria. Por ali só ela e o filho, proprietários e funcionários do lugar, ela muito feliz, por sinal, pois conseguiu passar o legado ao filho e este demonstra muito querer dar continuidade para algo iniciado pelo seu avô. Ela me conta, como faz para ir limpando um por um, todas as estantes e mantendo tudo impecável, numa dedicação só encontrada mesmo em quem ama muito o que faz. E as histórias são muitas, uma delas repetida a mim, quando digo ser de Bauru. "Tive um fiel cliente de Bauru, ele vinha regularmente e só levava livros raros. Visitava a livraria quase todo mês. Não tenho o nome dele aqui no momento, mas de um momento para outro, nunca mais apareceu", me diz. Digo que, com certeza, deve ter falecido, pois ninguém abandona assim um velho hábito.

Tanto ela, como o filho são por demais atenciosos e uma delícia conseguirem tocar adiante algo iniciado há tanto tempo. Vi muita raridade e não pude permanecer o tempo necessário para vasculhar de acordo e como se deve um local de tamanha envergadura, mas o encanto foi imediato. Deixei de lado outros prováveis afazeres paulistanos e passei momentos inesquecíveis neste oásis paulistano. Sei, São Paulo possui alguns belos oásis e confesso, no velho centro da cidade, este um ainda intocável. Querendo passar por momentos como se estivesse num outro século, dentro de um mundo diferente, este um dos lugares. Não me arrependo nem um pouco de ter deixado de ir em outros indicados lugares nesta segunda, tudo por causa de ter sido despertado por uma vitrine. Nem pergunto o preço das raridades, mas acabo levando algo instigante, o livro "O ladrão do Fim do Mundo", do Joe Jackson, a história de um inglês e de como roubou 70 mil sementes de seringueira, acabando com o monopólio do Brasil sobre a borracha e dando fim no ciclo da borracha amazônica. Indico quem venha por Sampa e cansado das andanças, aportem por lá. Um lugar sem decepções.


UMA HOMENAGEM AOS 90 ANOS DE UM EMÉRITO PESQUISADOR DO BRASILEIRO, ROBERTO DA MATTA, DE AGORA EM DIANTE DEIXANDO A PESQUISA E BUSCANDO SÓ AMENIDADES
Acabo de apresentar um trabalho acadêmico sobre o Carnaval em Taquaritinga, ainda conseguindo levar pras ruas mais de 40 mil pessoas pros cortejos, numa cidade com aproximadamente 50 mil habitantes. Ele, o antropólogo ROBERTO DA MATTA explicava coisas desta natureza muito bem, aliás, sua especialidade. Uso seu livro, "A CASA & A RUA" para explicar, ou melhor, conseguir entender essas amostragens de como se dá a vida dialética deste brasileiro, enfim, nós mesmos. Ele me mostrou como ocorre essa divisão do universo social brasileiro entre a casa (o espaço privado, do afeto, do parentesco, na qual as leis não entram) e a rua (o espaço público, do trabalho, das leis impessoais, do desamparo). Vi isso bem explícito, essa tentativa que todos fazemos no dia-a-dia em transformar a rua em casa, usando para isso os laços de amizade e também redes de favor, até para conseguir fugir da frieza das leis e quetais. Eu o leio desde muito tempo, claro, tudo começando com livros como "Carnavais, Malandros e Heróis" e depois outro, texto curto, mas contundente, o "Que país é este?". Ele acaba de completar 90 anos de idade e decidido comunica, não mais efetuará pesquisas científicas e sim, parte para amenidades. Continuará escrevinhando, mas sem a pretensão de o fazer baseado em longas pesquisas.

Por ele fiz algo meio que abominável nos últimos tempos e aqui confesso: quando o vi, tendo ao fundo sua biblioteca e a manchete "O intérprete do jeitinho brasileiro chega, produtivo, aos 90 - Ele ensina que para entender um povo é necessário conhecer seus ritos e seus mitos. Ele explica porque mergulhou em temas como carnaval, jogo do bicho e futebol". Foi o bastante para me redimir, olhar para os lados e comprar um exemplar do Estadão. Ninguém estava me olhando e cometi o deslize, tudo pelo Da Matta. Enfim, como li no livro Malandros, "...uma multidão tão sem rosto e sem voz, junto a uma elite tão rouca de gritar por suas prerrogativas e direitos; uma intelectualidade tãopreocupada com o coraçãodo Brasil e, no entanto, tão voltada para o último livro francês; uma criadagem que passa tão despercebida e patrões tão egocêntricos". Para ele - e para mim e outros tantos - o povo brasileiro o intriga na "sua generosidade, sabedoria e, sobretudo, esperança".

Dele, na entrevista li algo pelo qual estou acometido neste exato momento de minha vida: "Até os 50 ninguém morre. Ninguém acha que vai morrer. Só depois os problemas começam a aparecer. (...) O maior sofrimento é nos conformarmos com a ideia de que somos finitos. E enxergar esse contrastemaravilhoso entre a nossa consciência da finitude e as artes, o cinema, a pintura, o teatro, os romances". Sofro diariamente ao me olhar no espelho e agora, com a aposentadoria, a minha chegando aos 65 anos - não que tudo tenha se encerrado -, me vejo como ele, cercado de livros em meu Mafuá - um privilégio - e queria poder no que me resta de vida ficar entretido com "amenidades". Lindo ler o que pensa sobre a IA e a inteligência artificial, acreditando que uma coisa talvez nunca se misture com a outra, exatamente por causa de um único diferencial: "nossa consciência é agasalhada por uma máquina chamada corpo humano e são esses vários tipos de memória, que fazem a nossa consciência". E por fim, quando analisa na entrevista ao vetusto jornalão dos Mesquita, algo sobre essa onda conservadora do momento: "Do ponto de vista da ética, somos reacionários, seguimos um sistema ético do século 19", E isso, por si só, nos leva a um profundo "estudo de caso", algo me levando para seus estudos anteriores. Enfim, li, leio e continuarei lendo Da Matta, até para conciliar o que entendo disto tudo, com estudos já realizados neste sentido. E assim como ele, cercado de livros e papéis em nossos locais particulares, não escrevo e nem prtoduzo como ele, mas leio além da conta e isso me move, a tentar chegar aos 90, com a mesma boa cabeça, sempre voltada para coisas e causas sociais. Agora mesmo, o que me move é eleger Haddad governador e reeleger Lula, pois não suportaria viver num mundo onde o fundamesntalismo religioso e político me impediria até de ler e expor minhas ideias. Quero continuar livre, leve e solto, mas isso não será mais possível com a extrema-direita no poder. Da Matta me explica muito bem isso tudo.

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (233)


CONVENÇÃO PT, LULA E SUA REELEIÇÃO - EU HOJE NO EXPO CENTER NORTE

Existem coincidências que caem como uma luva. Vim pra sampa com a esposa Ana Bia, onde devemos permanecer por uma semana e justamente neste domingo, acontecia lá na Expo Center Norte, ao lado do terminal rodoviário Tietê, a Convenção Nacional do PT, a que homologa Lula como o candidato à Presidência da República, no caso dele, sua sucessão. Evidentemente, aqui estando, não tinha como estar em outro lugar. Quatro anos atrás estive na vitoriosa Convenção homologando Lula e comparecei novamente, como expectativas renovadas, pois mesmo diante de tanta coisa adversa, não tem como, sendo pessoa sensata, em querer se postar contrário a essa real possibilidade do país não cair nas mãos da perversa extrema-direita. E mais, sou petista, milito no Núcelo de Base, DNA Petista Bauru e assim, representando estes todos para lá me dirijo e assisto o evento do começo ao fim.

A entrada era limitada para dirigentes do partido, em todas suas instâncias, devido a limitação do espaço e abrigando gente de todo o país, ali se encontrando com candidatos de quase todos os estados da Federação. Vi gente desde a governadora do Rio Grande do Norte, ao senador por Rondônia, outro gaúcho, capixaba e assim por diante. Era possível ir trombando com gente conhecida do mundo político, destes que, na maioria das vezes só os vemos pelas redes sociais. Neste dia, todos ali diante de nossos olhos e mais que isso, podendo conversar, trocar figurinhas e se recarregar para os embates futuros que todos teremos pela frente. No palco, além de Lula e sua esposa, Alckmin e Haddad acompanhados. Nas falas convencionais, além de outras anteriores, falaram Edinho, o presidente do PT, depois Haddad, o candidato ao governo do estado de SP, Alckmin o vice-presidente e ele, Lula, que , creio eu, fez uso do microfone por aproximadamente 1h30. Deixando falaria mais e empolgado, relembra muito de sua vida e do que teremos todos pela frente.

Eu, vi tudo só e confesso, assim é melhor, pois não me prendo a nada, circulo por onde e quando quero, sem ter que permanecer atado e preocupado com outros junto de mim. Desta forma e jeito, circulei muito, não parando um só instante, ou melhor, só mesmo quando para as falas destes últimos citados. Trombei com tantos, destes que mantenho estreita admiração e de todos, recebi afeito mútuo, troca de figurinhas num momento em que, nós e eles, os já eleitos e candidatos estamos todos nas ruas, em busca da continuidade de um projeto salvador para o Brasil. Isso é relevante e nos une, o fato de termos todos plena consciência desta eleição ser um marco divisório, ou seguimos livres ou seremos todos podados e de certa forma, eliminados de participação política. Essa reunião política possui este motivo embasador, o de unidos termos uma ótima chance de vencer e assim ocorrendo, ver o país continuar florescendo, do contrário, o caos intalado e todos num mato sem cachorro.

Pelas minhas fotos alguns e algumas pelas quais pedi uma foto junto, pois os admiro, respeito e acredito no que fazem. Não pediria foto para depois expor e ao lado de alguém que desacredito. Gosto muito de estar em lugares como este, com prováveis e improváveis encontros e reencontros. Saio recarregado, algo mais do que necessário, ainda mais num momento como este. Pelo que já estamos observando ocorrer desde já, a partir do dia 16/8, quando oficialmente se iniciar a campanha - que neste ano será curta, dois meses -, uma já declarada guerra estará deflagrada. Todos sabemos disso e o que fazemos numa Convenção Nacional como essa é exatamente, essa obrigatória parada, ato oficial e a partir daí, com o pontapé inicial dado, dar início a contenda. Não temos muito o que fazer além de lutar muito e de forma organizada, se mostrar melhor que o cruel e insano oponente. O PT possui ainda um enorme cabedal de nomes, mais do que segestivos para o enfrentamento que se dará daqui por diante. Junto de outras agremiações com o mesmo ideal - pelo menos neste momento -, a vitória poderá ocorrer, mais do que viável, porém, nada ocorrerá sem "sangue, suor e lágrimas". Reúno folhetos, adesivos, propaganda de uns e outros, trago livros, cartazes, brindes e compro camisetas, bonés e bandeiras. E assim, quando tudo termina, volto para meu canto paulistano, com parada num restaurante, onde reencontro a esposa junto de amigos, mostro o que trouxe e quase fico sem nada. Todos quiseram algo, princiupalmente os adesivos. Ou seja, a querência por Lula neste momento é alta e precisa melhorar mais, para a vitória ocorrer ainda no 1º Turno.

OBS.: Conto algo da chegada, quando se fazia necessária uma pulseira para adentrar o evento. Ela foi distribuida na quantidade de 40 para para Macro Região do PT. Estava fora de Bauru e não tinha a minha. Cheguei e logo na entrada vejo um militante saindo - para cuidar da mãe, 90 anos -, páro para conversar e ele, ao saber não tinha pulseira, se predispôs a tirar a sua, colocando-a em meu braço. Trata-se de Serginho, da ABAESP e fico de descrever seu feito, até para demonstrar como somos generosos um para com os outros. Isso é a verdadeira prática socialista e de uma agremiação política onde o ser humano conta mais que tudo o mais. Das conversas que tive com todos estes, sempre surpresas positivas e acrescentando algo mais para mim. Fosse aqui contar as conversas com tantos, de vários estados brasileiros, o espaço teria que ser imenso. Resumo tudo numa só frase: Sai de lá muito recarregado.


sábado, 1 de agosto de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (193)


CRÔNICA DOS 130 ANOS DE BAURU - NÃO FOI POR FALTA DE AVISO

Parece que, com a alcaide bauruense, a fundamentalista Suéllen Rosin, não existe meio termo, nem meios de lhe dar toques, pois pela forma teocrática como exerce seu mandato, os únicos com este poder são seus pais, parceiros na empreitada de levar adiante a missão de mando sobre Bauru. Muitos já tentaram abrir seus olhos, indicando caminhos opostos ao que, faz questão de seguir, mas como todo cabeça dura, segue sua sina destrutiva, sem dar ouvidos para a patuléia.

Guardião, o intrépido super-herói destas plagaa insiste nestes toques mensais, na forma irônica, pois vê que indo pelo caminho da seriedade, nada conseguiria. "Suéllen, como se sabe, é bolsonarista. Quando observa-se, depois de tudo o que já foi revelado de Flávio e de toda famiglia Bolsonaro, muitos cegamente o louvando como salvador da Pátria, algo parecido ocorre com essa inconcebível administração pública municipal de Bauru. Até as pedras do reino mineral sabem que, dia mais dia tudo se findará da pior maneira possível, tal a sequência de fatos dantescos, mas isso parece ser pouco e age como se estivesse num mar de tranquilidade. Nero agiu assim, Mussolini e Hitler não tinha quem interompesse suas ações, Idi Amim continuaria agindo tresloucadamente não fosse interrompido e não nos esqueçamos, Donald Trump não ouve ninguém e assim leva os EUA para sua bancarrota enquanto Imperio. Suéllen faz parte deste segmento. Onde isso vai dar, tenham certeza, boa coisa não será", expoē Guardião seu ponto de vista.

E tudo culminando com o aniversário, os 130 anos de Bauru, uma data redonda onde as comemorações - se é que existem de fato - se concentram em shows musicais. "Olhemos para todos os lados e com a máxima atenção: diante de tanta barbaridade existe algo pra se comemorar? Os retrocessos são evidentes, obras paradas e promessaa de outras, que nunca sairão do papel. A cidade está relegada ao plano do abandono, suas instituições, antes pujantes, hoje sendo dilapidadas e sucateadas, vide o que acontece com o DAE. E ela, a alcaide, agindo como se nada estivesse ocorrendo. A melhor imagem representando este triste momento é o da chave da cidade, diante de tantos atos danosos e perversos seguidos, ter alcançado um descomunal tamanho, fazendo com que não possa mais ser carregado por ela. E assim, ela cai por terra, conduzida até aqui pelos próprios atos e descaminhos, sendo tragada pelo tombo, provavelmente caindo num dos tantos buracos de nossas ruas e na sequência, permanecendo à espera de internação por semanas, deitada numa maca. Este a imagem mais próxima como resultado da sequència de atos, onde mesmo sendo alertada, preferiu seguir pelos descaminhos. Bauru não merece chegar aos seus 130 e ser gerenciada desta forma e jeito", conclui.

Obs.: Guardião é obra do traço do artista Gonçalez Leandro, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA e é publicada todo dia 1° de cada mês.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

CARTAS (258)


VEJO SUÉLLEN E O CAOS TOTAL, SAÚDE EM PETIÇÃO DE MISÉRIA E OLHO PRO PASSADO, TUGA E DAVI CAPISTRANO, ANO DE 1986, QUE SAUDADE
Passo ontem à tarde para um café na casa da amiga Rose Barrenha e devorando quitutes, observo em sua estante, o que me chama a atenção é o menor livro - em tamanho, viu! - ali guardado, este divinal "SAÚDE PARA TODOS - UM DESAFIO AO MUNICÍPIO - A RESPOSTA DE BAURU", obra organizada pelo médico Davi Capistrano, que acertadamente um dia, o então prefeito Tuga Angerami convidou para vir aqui olhar como girava nossa Saúde Municipal e ver se dava um jeito nela. Ele veio, aqui se fixou, mudou muita coisa e aqui implantou um modelo de administração de Saúde, que fez tanto sucesso, gerando não só este livro, mas se tornando exemplo para infinidade de outras administrações. Se querem falar seriamente de um legado de Tuga e do Davi, isso aqui relatado neste livro é um exemplo que ultrapassa gerações e deveria servir para dar vergonha na cara de administrações atuais, atuando em total desalinho com o bom senso e trato mínimo de generosidade para com o semelhante.

Eu sentei na mesa, tomei meu café e saboreei o livro com muito mais gosto do que o bolo servido pela anfitriã. Nós, aqui em Bauru já tivemos a rica e rara oportunidade de ter um exemplo de atendimento na Saúde e depois de algumas poucas décadas, colocamos tudo a perder e hoje, o predomínio é do caos. Penso até em copiar o tal livrinho e deixar sorrateiramente na mesa de trabalho de alguns que se dizem administradores desta cidade, principalmente os cuidando de nossa Saúde. O princípio básico dessa dupla, revolucionando o formato administrativo nesta cidade possui um diferencial que poucos hoje detém, o de durante sua vida pública, terem também participado ativamente dos movimentos de luta pela democratização da sociedade brasileira. Hoje, nossos administradores são fundamentalistas, quando não terraplanistas, negadores da Ciência e daí, como querer que alguém com essa mentalidade vá cuidar de uma cidade, quiçá de sua Saúde? Impossível.

O livro me toca profundamente, pois acabo de voltar de uma visita para meu dileto amigo, Lulinha, hospitalizado para tratamento de problermas sérios no coração. Passou uma semana numa UPA até conseguir vaga no Hospital Estadual. Fui lá, observei também a deterioração do Estadual, belo por fora, mas de perto, já um grande problema a céu aberto. Isso tem nome, descuido para com a Saúde Pública. Tuga no prefácio coloca o dedo na ferida, "de todos os desafios do administrador público, nível de administração municipal, a saúde da população é dos maiores, se não o maior. A saúde é dos mais legítimos direitos do cidadão e cumpre ao Estado responder por essa necessidade. (...) Até porque, as pessoas moram nas cidades e aos seus responsáveis direitos - os prefeitos - cabe a maior parte da responsabilidade. A forma de corresponder a essa exisgência é o grande desafio".

O que vem a seguir, tanto como texto, como o que foi feito enquanto estiveram à frente da administração da cidade, deveriam elevá-los a um altar, mas hoje, como viceja, gente que mesmo desconhecendo tudo, opina sobre tudo, recebem críticas. Na comparação do que já tivemos ontem, com o que temos hoje, algo tão descabido, de incomparável proximidade. Como chegamos a um patamar tão elevado de entendimento de como deve ser o trato com o cidadão dentro da coisa pública e como pudemos em tão pouco tempo, perder tudo e fazer exatamente o contrário? E olha que temos um médico como vice-prefeito - e uma jornalista como prefeita.

Me desculpem, mas estou com o pavio curto e o que queria mesmo era poder esfregar esse livrinho na cara dos atuais políticos no comando desta cidade, desde vereadores, inoperantes e obsoletos, diria mesmo, inúteis, a esse bando de secretários incapazes de um trabalho sério e dentro de um mínimo de compreensão humana. Já da alcaide, sabemos ser ela centralizadora e assim sendo, a maior culpa deve recair sob os seus costados, sem dó e nenhuma piedade. Eu, se ela quiser e estiver disposta a aprender algo, volto na casa da amiga Rose, empresto o livro - guardado por ela com o maior carinho -, me comprometo a devolver e produzo uma cópia, entregando - se possível protocolada - nas mãos da alcaide. E depois, a danada da alcaide, teve a pachorra de ir lá no terreno onde na campanha disse iria construir um Hospital Municipal, falou, prometeu, até chegou a publicar nome de uma funcionária e nada mais aconteceu. Descaso total e absoluto. Eu entendo dos motivos do Tuga não querer mais saber de contato com quase mais ninguém. Uma desilusão total deve o estar consumindo, pois ele, ciente de ter feito, de ter balançado a roseira, hoje observa lá do seu canto, a mesma roseira quase seca. Este livro me faz criar coragem e dizer pra esses de hoje: Que falta de vergonha na cara, hem!!!.

COMENTÁRIO:
"Eu era aluno de Jornalismo na UB quando Capistrano esteve na Secretaria de Saúde do Governo Tuga. Certa vez promovi um debate entre ele e o médico Abrahim Dabus, então deputado estadual por SP. Fui buscar o Capistrano no hotel onde ele morava e o Abrahim na porta da mansão dele. Mas eu só tinha uma Brasília velha. Capistrano entrou primeiro, sem nem se dar conta de que carro era. Já Abrahim não disfarçou o mal estar em ser levado naquele "pois é". Entrou, mas pediu para ir na frente, alegando dor nas costas. Capistrano saiu pacientemente do carro e entrou atrás. Quando chegamos na faculdade, Abrahim estranhou não haver nenhuma autoridade do campus a recebê-lo. Capistrano nem se preocupou com isto. Entrou e foi cumprimentar alunos antes de sentar-se em seu lugar. Abrahim também entrou, e, talvez pelo problema nas costas, não se sentou ao lado de Capistrano. Permaneceu o tempo todo em pé. Capistrano deu um show de humildade, conhecimento e cidadania. Honestamente, nem me lembro do que falou Abrahim", jornalista Ricardo de Callis Pesce.

"Dupla que revolucionou o atendimento na saúde pública em Bauru: David Capistrano (ex-secretário da Saúde de Bauru) e Tuga Angerami (ex-prefeito). Esta fiz na famosa Operação Verão, realizada em 1985 na cidade para verificar as condições de saúde das crianças. O mutirão serviu para diagnosticar casos de doenças e planejar prevenção para o futuro. Em 1986, Bauru foi uma das primeiras cidades do País a baixar o índice de mortalidade infantil", fotógrafo Pedro Romualdo. 
Os revolucionários Davi Capistrano e Tuga Angerami em ação na Bauru dos anos 80.

CENA BAURUENSE (280)


ENQUANTO O CIRCO CONTINUA PEGANDO FOGO, EIS MAIS CENAS, FLASHES DAS RUAS BAURUENSES, ATÉ PARA DESVIAR O FOCO DA ATENÇÃO, VOLTADO HOJE MAIS PARA OS DEMANDOS POLÍTICOS
01. Publicado em 27.05.2026: 
A loja de confecções Tereza Tavares, altos do parque São Geraldo, rua Belmiro Pereira quadra 5 é sui generis. Dona Teresa começou o negócio com um brechó, algo em torno de uns 40 anos atrás e hoje sua loja é referência no bairro, não só pela diversidade, como pelo congraçamento de parentes ali reunidos aos finais de tarde, quando o sol se baixa. Por ali, ela, filha, neta, pai, mãe, cunhados, concunhados e afins, todos num papo sempre concorrido, cadeiras espalhadas pela calçada e assim, expondo a alegria de saber tocar a vida adiante.

02. Publicado em 29.05.2026: 
Em Bauru tivemos muitas vilas construidas para trabalhadores. Isso aconteceu muito no entorno das ferrovias e algumas delas ainda persistem em Bauru, como a ao lado da estação FEPASA e outra da SOROCABANA, no prolongamento da avenida Pedro de Toledo. Na rua Nóbile de Piero, muitas casas construídas para abrigar gente da ferrovia, belos casarões, alguns ainda conservados, outros nem tanto. Lembro de uma vila, a de um curtume perto dos trilhos, entrada da vila Prudência e essa, a mais conservada, com quatro casas, construídas junto ao AEROCLUBE, hoje, uma residência, uma loja e dois restaurantes, ali na cabeceira da entrada do local, enfeitando a avenida Octávio Pinheiro Brisola.

03. Publicado em 02.06.2026: Eu, particularmente, adoro isso de quarar ao sol, ainda mais neste começo do período mais frio. Basta sair um solzinho, já quero me refestelar ao sol. Imagino fazendo isso lá na grama que a alcaide plantou na praça Rui Barbosa, com este intuíto, o de ver o povo quarando ao sol. Lhufas para um chafariz, que antes enfeitava - para a alcaide Suéllen Rosin, com certeza, devia enfeiar - o local. Digo isso e na caminhada diária, vejo este senhor estatelado ao sol, não mais quarando, mas desabado, fazendo de colchão a grama do parque Vitória Régia, numa triste cena, destes tantos desmaiados pelas calçadas da cidade, quase invisíveis para a imensa maioria dos que circulam até por sobre eles.

04. Publicado em 03.06.2026: Adoro ver púlpitos e sacadas sendo utilizadas como locais para falações, comícios e até eventos. Quem não se recorda daquele lá no Pelourinho baiano, quando Michael Jackson fez seu show. Pois bem, aqui em Bauru, não me recordo de nenhum sendo utilizado para essa finalidade - nem os das igrejas -, daí toda vez que passo no cruzamento das ruas Cussy Junior com Virgilio Malta, centro da cidade, vendo essa sacada, ainda mal explorada, penso nela rodeada de gente lá embaixo e lá do alto algo a convulsionar mentes e proposituras. Toda sacada é muito instigante.

05. Publicado em 04.06.2026: Reuniões na casa da família Baté, no coração do distrito rural de Tibiriçá, são sempre regadas por algo, nem que seja um mero café quente, tirado na hora e com bolachas, servido num daqueles bules tirados de um museu, o acervo pessoal de dona Irene Cosmo, a matriarca.

06. Publicado em 06.06.2026: Paro para trocar o óleo do carro num posto de combustível na avenida Duque de Caxias e defronte de meus olhos, essas duas casas geminadas, muito antigas e na observância de como as enxergo hoje, com o passar de tantos anos, cada qual recebendo um tratamento e assim se apresentando diante de nós. Elas foram concebidas iguaizinhas e hoje, mesmo irmãs gêmeas, apresentam muitas similaridades, mas estão bem diferentes uma da outra. E assim, creio eu, ocorre com tudo o mais. O passar dos anos é inexorável para detectar e expor nossas diferenças.

07. Publicado em 07.06.2026: Diante de bandeirinhas fixadas nas grades do Aeroclube Bauru, onde daqui uma semana acontece mais uma festa particular do astronauta bauruense, Orlando Alves posta com foto de sua lavra: "Mais um arraiá aéreo, não sei se o Marcos Pontes foi mais inútil como astronauta, ministro ou senador". Eu corroboro a indignação e reafirmo o que lhe respondeu outra pessoa: "Foi inútil em todas". A parte bauruense lhe fazendo festa deve ser a mesma que, deu a Bolsonaro 80% de votos em Bauru.

08. Publicado em 08.06.2026: Lá do altos do Bela Vista, proximidades do Distrital, olhando para os lados do PVA - Parque Vista Alegre, impossível não associar a imagem vislumbrada da igreja da Casa do Garoto, como uma nave espacial, pronta para ser lançada aos ares.

09. Publicado em 09.06.2026: Fixado numa árvore, avenida das mais movimentadas da Zona Sul, vila Cidade Universitária, avisos constantes são deixados espalhados pelos mais variados locais, como espécie de norma a ser seguida pelos caminhadores e alimentadores de animais, porém, pisar erm dejetos destes continua sendo muito usual cidade afora.

10. Publicado em 10.06.2026: Neste sobrado, rua Cussy Junior, centro bauruense, residiu por muito tempo a família do advogado avareense Itaureo, sua esposa e as três filhas, Vivian, Cris e Nívea Jardim. Todos agora já se foram, com o passamento da Nívea por estes dias, aos 66 anos, já residindo longe daí há algum tempo. O lugar marca, pois as pessoas demarcam um território, circulando nele por tempo indeterminado e quando se vão, algo fica e isso sempre me volta à mente ao passar defronte. Conheci pouco a Vivian, fui amigo e trabalhei junto da querida Cris e vez ou outra, confabulava com a Nívea pelas ruas. Hoje tudo é saudade e o sobrado resiste ao tempo.

11. Publicado em 11.06.2026: Na esquina do Memorial Bauru, juntando dois cemitérios, este vertical e o outro horizontal, o da Saudade, esteve fincado por muitas horas o nome do amigo JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO VINAGRE, falecido nesta cidade e data. Ver o nome de um amigo, uma pessoa conhecida ou mesmo de qualquer outro nesta placa é algo para canfabularmos sobre a finitude desta vida.

12. Publicado em 12.06.2026: Com o início da Copa do Mundo, alguns ainda pintam muros e o próprio asfalto com as cores da bandeira brasileira, numa demonstração da continuidade do crédito nas vitórias da seleção, mas impossível, não se aproveitar do momento para expor o outro lado da questão. O vereador Lokadora encontrou na periferia da cidade, algo onde no entorno de uma buraco, a bandeira, numa clara e criativa ideia para explicitar a dura realidade das ruas nestes locais.

13. Publicado em 16.06.2026: Imagem recuperada, autoria do fotógrafo e nas horas vagas, professor Mauro Landolffi, ano de 2023, de uma das tantas escapulidas pelas ruas bauruenses, atrás de registros como estes tantos pelos semáforos, denominados certa feita, por João Bosco em uma magistral música, como "malabaristas do sinal vermelho".

quinta-feira, 30 de julho de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (220)


ESTE AQUI É ALGUÉM DE MUITA LUTA, LULINHA, HOJE INTERNADO NO HOSPITAL ESTADUAL
Lulinha é o Agnaldo Anastácio da Silva, um ser sindical durante todo o tempo que o conheço. Completou 64 anos e ano que vem iria se aposentar por idade, mas teve que antecipar a coisa, pois seu coração está dando sinais de enfraquecimento, após anos de intensa vida de reconhecida militância política. Não tem ato político em Bauru, destes relevantes, onde Lulinha não esteja por detrás. O danado agiu e viveu intensamente a vida até quando deu e agora, quando o coração começou a desapontar, passou poucas e boas, alguns AVCs e este último, uma semana aguardando internação numa UPA e desde a última sexta, internado no quarto 207 do Hospital Estadual. Fui visitá-lo, pois além de tudo, ele representa para mim essa luta da qual estou também envolvido dos pés à cabeça.

Seu estado não é grave, mas a filha, sua alma gêmea e cão de guarda, Natália, não esconde sua situação. "Meu pai tem hoje 30% do coração funcionando, algo irreversível e daqui por diante, precisa levar a vida com mais calma, sem correrias e sobressaltos. Ele é forte, vai vencer, mas terá que se enquadrar", conta. Hoje ele aprontou mais uma das suas. Passou por um atendimento médico e quando o médico lhe disse "dispensado", saiu hospital porta afora, sendo encontrado na calçada pela filha. Ela ao perguntar para onde iria, sua resposta só poderia ser uma: "Eu vou pro sindicato". Sim, o sindicato é a vida do Lulinha, tendo passado dentro de um a maior parte dos seus dias. Todos os que que já estiveram envolvidos nestas plagas em alguma luta operária, sindical e da esquerda, com certeza, esteve ladeado com Lulinha em algum momento. Inevitável. Ele esteve em todas e agora, quando o corpo pede calma, tenta entender como será sua vida daqui por diante.

Sento na beirada de sua cama e revivemos algo dessa intensa luta, desde os tempos da Causa Operária, que o levou junto do Partido Obrero, até a Argentina, depois com o PT, quando participou de todas as campanhas, as imagináveis e também as inimagináveis. Tendo eleição sindical por aí, lá estava Lulinha fazendo e acontecendo. Nos últimos tempos aflorou seu lado espiritual e eu, ateu convicto, ia até onde ele estava dando passes na Umbanda, só para receber os seus, pois nele eu acreditava. O tempo passa, o tempo voa e hoje, todos de minha geração, um tanto cansados, porém sem desistir da lida e luta. Com Lulinha não é diferente, continuando ativo lá nas hostes da CUT e Sinergia, só que, ele agora ciente de que, chegou a hora de continuar presente, mas numa outra alçada e pegada. Para quem foi mais do que ativo, a certeza, nada será fácil, mas como o danado quer viver mais um bocado de tempo, ele sabe melhor que ninguém, precisa pegar mais leve em tudo que faz. O coração assim pede.

Lá no hospital - pode receber visita no horário das 7 às 19h30 - lhe perguntaram após ser reencontrado já no portão de saída, se ele havia fugido. "Fugir? Que nada, você não sabe o que eu já fiz na vida. Eu só ia até ali na lua, mas iria voltar", disse. Para alguém como ele não é nada fácil permanecer retido dentro de um quarto de hospital. Porém, sabe que está dentro de um tratamento intensivo, no próximo sábado, passará por um exame mais detalhado, um cateterismo, até para se certificar do tratamento que terá pela frente. Sua filha está ao lado dele, os amigos o visitam regularmente, as ligações são contínuas e todos o estimulando para que, cumpra o prescrito e viva muito e bem daqui por diante. Lulinha é desses que, pela história que carrega nos costados, exemplo para tantos e uma espécie de amuleto da luta por dias melhores para este país. Personifica essa luta que teremos pela frente nessa tresloucada eleição deste ano, onde ele não poderá participar de forma 100% presente, como em todas as outras, mas para quem continuará pela aí, nada como se espelhar nele e tocar o barco adiante. Lulinha sempre esteve também junto do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, desde seu início, sendo já homenageado como muso e assim, reconhecido, como baluarte de nossas arruaças todas. Ele é mais que um dos nossos...

Em tempo: Antes de me despedir fomos pra varanda, 2º andar do hospital, um tanto desgastada, ele reclamão, dizendo que ali poderia ser uma área de lazer para os pacientes e de lá, debaixo de um toldo carcomido pelo tempo, muito puído, ladrilhos se soltando da parede do prédio, ele permanece algumas horas do dia, olhando para a rua e imaginando, como me disse, "passando um filme de minha vida" e acreditando que, muita coisa ainda virá de bom pela frente. A gente sabe que, não será um hospital que o irá prendê-lo, mas que essa curta estadia lhe sirva de reflexão, para ele e todos nós, irmanados com ele, saibamos vencer todos os próximos obstáculos que teremos em breve pela frente. A luta continua e a vida, mesmo que de forma mais suave, pode ser vivida intensamente. Ele exercitou isso de forma prática, sem pensar no dia de amanhã, tudo pela causa que o move. Lulinha é muito mais do que um mero militante.
A varanda no 2º andar, de onde Lulinha vê o mundo por estes dias.