quarta-feira, 15 de abril de 2026

terça-feira, 14 de abril de 2026


CIRINO, VAGNER, MARSOLA E PEDRO, QUATRO BATUTAS PROFISSIONAIS, ATUANDO NO PRONTO ATENDIMENTO
Conto hoje a história que tive com quatro bons profissionais, ofícios diferenciados e eu correndo atrás de serviços variados. Na junção do que escrevo, histórias de vida mais que interessantes, em ramos diferenciados, como sapataria, armarinho, amolagem e assistência técnica de eletrodomésticos. Tudo começou com Ana Bia à procura de consertos variados para equipamentos domésticos, quando revejo e conheço ricos personagens das entranhas destes serviços. Conto algo de cada um destes:

CIRINO é sapateiro faz muito tempo e há 50 anos está localizado no mesmo lugar, na rua gerson França, duas quadras para cima da Duque de Caxias, ao lado de escritório do Lar dos cegos, num pequeno toldinho pendendo para o vermelho. Dias atrás, Ana Bia publica em seu facebook uma solicitação para quem soubesse de sapateiro. Três lhe indicaram a mesma pessoa. Eu já o conhecia e achava já estaria aposentado. Que nada, Cirino está lá forte e rijo, atuando e do mesmo jeito de sempre. Nenhum dos seus seguiu sua profissão, ou seja, seguirá aberto enquanto tiver forças. Seu trabalho é impecável e recomendado por todos, com aquele atendimento que não exige nem comprovantes burocráticos. Ele simplesmente anota seu fone e a pessoa deixa lá o objeto que necessita serviço. Faz de tudo e pelo que se vê, pelas indicações recebidas, goza de rasgados elogios. Adentrar o pequeno salão de seu comércio é como voltar ao passado, pois nada ali mudou de como eram os sapateiros de antigamente. Creio eu, todos os que restaram abertos possuem o mesmo visual. Pisar naquele espaço é um revival de uma Bauru que hoje, infelizmente, renega seu passado e se diz moderna, mas pouco faz para isso. Fico com quem faz, à moda antiga, demonstrando caminhar sempre de portas abertas e sem mudar nada. E precisa de mais alguma coisa?


VAGNER
prega botões na Batista de Carvalho. É claro que não é só isso, pois lá no letreiro de sua loja, o Rei do Armarinho, na quadra do Calçadão, entre a Azarias Leite e a Gerson França, ele é talvez o único na região ainda tentando fazer o serviço ali na hora, sem postergar para depois. A pessoa precisa de um ilhoz, um botão ou o que seja, necessitand ode sua maquininha e lá está ele, pronto para lhe atender. Na Azarias tem famosos armarinhos, destes que, quando a pessoa pensa em algo do ramo, o nome surge imediatamente, mas estes vendem e não mais aplicam o produto. Na verdade, os grandões do ramo, quando a pessoa diz precisar de algo imediato, o indicam, pois só ele continua pregando botões e afins ali na hora. Se der sorte e não ter ninguém na fila é na hora mesmo, do contrário, nada como uma boa prosa e ir vendo ele atuando, depois voltar rpa casa já com o que necessitava prontinho para uso. Tudo são simples, sem salamaleques ou aquilo de dizer, "deixa aí, volte tal dia". Já no fundo, junto dele, numa mesa ao fundo, uma costureira e atuando do mesmo modo e jeito. Ou seja, a equipe de trabalho é estilo vapt-vupt, com resultados imediatos. Toda e qualquer loja do centro da cidade, quando o cliente precisa algo imediato, a indicação é só uma, ir na loja dele, simples, direto e reto.


MARSOLA
é amolador de alicates, mas de tudo o que envolve corte. Na verdade, é ferroviário aposentado, Chefe de Trem da Fepasa, 29 anos atrás e desde então, abriu as portas para este outro ofício, o de amolador de facas, tesouras, alicates e afins. Seu local é conhecido de muitos do centro da cidade, ali na rua Rio Branco, entre o Calçadão e a Primeiro de Agosto, numa entradinha para pequeno estacionamento. Sua porta fica no meio do caminho e ali atua de forma silenciosa, precisam reta e direta. Seu ofício requer atenção e vista boa, pois num deslize, pode por a perder a peça do cliente. Ele é um senhor de bem com a vida, cheio de histórias de uma vida intensa, pois quem um dia foi ferroviário, viajando fazendo de tudo dentro de um trem, tem muita coisa para contar. E conta quando instigado. Na maioria das vezes, quando seu balcão sem clientes, não consegue permanecer lá dentro, sentado e fica junto da soleira da entrada do estacionamento, olhando o movimento e puxando prosa. Depois de tanto tempo ali no centro, acompanhou todas as transformações ocorridas e segue em frente, com seu ofício, aperfeiçoado ao longo do tempo, fazendo da lima e do esmeril seus artífices, companheiros de labuta diária. Marsola gosta de fazer tudo na hora e quando percebe vai demorar um bocadinho, diz ao cliente pra ir dar uma volta, curtir o Calçadão e na volta tudo estará prontinho.


PEDRO
e seu filho atuam juntos na Center Peças Bauru, no ramo da assistência técnica de eletrodomésticos. Estão localizados ali na rua Agenor Meira, quadra 4, bem debaixo no edifício Carmem, quase esquina. Ele não é autorizado de nenhuma marca famosa, mas atende todas e muito mais rápido que as estabelecidas como tal. Enquanto muitas pegam a peça do cliente, preenchem papel e dizem informar posteriormente o orçamento, se puder, resolve ali na hora. Prefere trocar ali na hora, sem isso de ida e volta. Sua loja é isso, revende e já troca na hora. Está ali no centro há 10 anos e no ramo há mais de 30, atendendo todos elétricos, desde liquidificadores, micro-ondas, ferros de passar roupa, secadores e afins. Na frente peças de variadas marcas e detrás do balcão, pai e filho. Se a peça é de uma marca que não possui, indica até como pode ser feito a compra pela internet e chegando, troca na hora, sem salamaleques. Pedro é destes que já viu de tudo no ramo e sabe que, agindo como o faz, eficiência no atendimento, cativa as pessoas cansadas de levar algo para reparo, tendo que esperar dias para um simples orçamento e depois mais outro tanto de dias, apósaprovação, para execução e entrega. Encurta isso tudo e se puder, cumpre todas essas etapas num só atendimento. Não tem quem não goste.

A intenção deste texto, ressaltando profissionais atendendo na forma antiga, no estilo vapt-vupt, com eficiência garantida é uma amostragem de um estilo, ainda persistindo no centro da cidade de Bauru. Todos com aquele jeito simples, pregando a confiança como mola mestra do que fazem. É um encanto circular por essa Bauru, cheia de ricas histórias de vida e de trabalho. Todos estão enfurnados no coração desta cidade, essa que insiste, resiste e persiste. Olhar para eles com o devido carinho e atenção, eis a forma como posso retribuir. Num mundo de muita correria, desentendimentos e desacordos, nada como essa volta e encanto por quem faz. Histórias como as deles recarregam o dia de qualquer um.

DOIS "QUASE" VELHOS, DOIS CORAJOSOS CIDADÃOS
"Duas imagens poderosas. Vilmar Ledesma postou estas duas fotos. Me lembraram os anos 80, final da ditadura. Dois amigos auxiliando o mundo.

Caco Barcelos em Teerã e Chico Buarque em Havana.

A importância de se fazer o que se faz e com maestria sempre na luta pelo que acreditam nesses anos todos. Imensos", Maria Lucia Rangel.

Vejo as duas imagens, ambos até bem parecidos, quase da mesma idade e de uma geração de gente mais corajosa, arrojada, ousada e fazendo questão de não desistir de fazer, enquanto podem, mesmo que para isso corra riscos, o que tem que ser feito. Caco foi para Teerã, quando muitos se escondem de querer passar por perto e Chico foi para Havana, quando outros tantos abominam o risco de estar lá justamente no dia de um bestial ataque. Eu, sou um velhinho assim, da mesma cepa. Contem comigo, pois uma vida sem riscos e sem coragem para os enfrentamentos todos é uma vida desperdiçada. A diferença é o tratamento que a mídia brasileira, digo TV Globo dá para os dois acontecimentos. Caco merece quase meia hora no dominical Fantástico e Chico, se o fizerem, mera citação, mesmo Teerã e Havana sendo hoje, dois lugares alvos e imantados nos dias atuais.

segunda-feira, 13 de abril de 2026


QUANDO SAIO PRAS RUAS, MAS PREFERIRIA ESTAR LENDO
No momento atual do mundo, preferiria, mais do que nunca, permanecer lendo, do que sair e enfrentar tudo o que se apresenta, mas não o faço, pois sei, se não estiver na lida e luta, exatamente neste momento, amanhã poderá ser tarde demais.

A lietura é das poucas coisas reconfortantes, não só no mundo atual, como em todo e qualquer momento. Com ela me reamino, me reabasteço para os embates todos. Diante de tudo o que tenho aqui ao lado da cama, me esperando para a leitura,seria muito mais fácil me fechar em copas e me entregar, aceitar a derrota e seguir com a cabeça enfiada num buraco, como fazem os avestruzes diante do perigo.

A prodridão do mundo se acelerou de uma forma avassaladora e hoje, vejo cada vez mais complicado o diálogo, exercido até bem pouco tempo entre as partes. Nem as campanhas políticas são mais feitas nesse contato corpo a corpo, sendo substituídas pelo envio de mensagens via celular, o meio de comunicação mais eficiente para fazer chegar suas mensagens. Aquele trabalho de formiguinha de antanho já não é mais tão eficiente. Pode até continuar conseguindo resultados, mas no campo do avanço de ideias, nada como o conquistado com o recebimento de mensagens via celular. E, infelizmente, neste quesito, eu me vejo patinando, com pouca infiltração. Não é nem uma questão de passar a mensagem errada, nada disso, mas o meio mais influenciável e dentro da exatidão que a tecnologia possibilita.

Vejo a prefeita bauruense e toda sua influência de poder conquistada através desta forma. Mantém com grande eficiência, atingindo muito bem seus objetivos, mensagens diárias, distorcidas e desvirtuadas ou não, mas mantendo o seu público, não só informado como sem poder respirar, com algo contínuo a influenciá-lo. Abro hoje meu celular e vejo sendo despejado um cabedal de informações, cuja maioria identifico como fake news, feitas para confundir e ludibriar o eleitorado. São pesquisas fajutas, cada qual a demonstrar que o candidato deles já está na dianteira.

A frase do ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", nunca foi tão utilizada como neste momento. Uma quantidade avassaladora de mentiras é espalhada diariamente pelas redes sociais, com o intuito de enganar, de fazer passar a mensagem perversa, sádica e devastadora de que, o algoz do momento seja o salvador. O país segue altaneiro, com seus problemas, mas num caminho, que certamente não estaríamos trilhando se fossemos governados pela direitona fascista. Sim, escrevo aqui para defender o Governo Lula e sua continuidade, pois sei o que anda sendo feito para sacá-lo do poder, ludibriando o povo nesta próxima eleição.

Eu não quero ver este país governado novamente por ninguém com o sobrenome Bolsonaro, pois sei que, se algum dia este voltar, o fará, como fez Donald Trump em seu segundo mandato, muito pior e mais devastador que no primeiro. Será o caos estabelecido e todas as liberdades democráticas, tão duramente conquistadas estarão, não só em risco, como eliminadas. A primeira delas, já anunciada, a da liberdade dos aprisionados pela tentativa de golpe. Flávio já anuncia que, se eleito, subirá a rampa do Planato em sua posse junto de seu pai e de todos os golpistas presos. Para fazer isso, se faz necessário uma transformação jurídica neste país e se isso de fato ocorrer, tudo o mais será também possível.

Eu fecho meus livros neste momento e me coloco na empreitada de lutar desbragadamente para impedir que isso aconteça. Não meço esforços neste sentido. Sei da perseguição que, gente como eu, com firmes posicionamentos, teremos se um dia o fascismo voltar a nos governar. Olho para os EUA de hoje, onde simplesmente ser oposição se tornou um risco, não só de ser preso, como de morrer. Lá já não se pode mais praticar o livre exercício de falar o que se pensa, quanto mais exercitar a oposição livremente nas ruas. Aqui, todos devemos estar conscientes de que, ainda temos tempo para fazer a escolha entre continuar sendo um país soberano ou entregarmos tudo para o que de pior temos, o explícito banditismo no poder.

Eu não tenho escolha. Se ficar lendo e sem envolvimentos, o complexo de culpa será avassalador, pois depois, não terei mais como reagir. Se ainda posso reagir, este é o momento. E daí me ponho à luta e a disposição dos que, ainda lutam. Eu não me escondo, não fico quieto, não torço sem nada fazer. Eu tento fazer e faço, mesmo que a minha maneira, mas não deixo de fazer. Se todos fizessemos o mesmo, creio eu, venceríamos este dragão da maldade pronto para nos abocanhar. Eu não suporto mais governantes como Suéllen, os Rosin todos, Tarcísios, Bolsonaros, Malafaias, Ratinhos, os Marinhos e suas mentiras, Octavianis, Zemas, Borgos, Caiados, Mendonças, Fux, Temer, Liras, Pittollis em rádios, Cafeos, Nunes Marques, Ramagens e tantos outros e outras que nos apunhalam a todo instante.

Não dá mais para permanecer quietos e indiferentes. Não dá mais para ficar lendo e observando tudo à distância. Se o fizermos, o arrependimento será doloroso demais. Os nos colocamos à luta, pois estamos diante de uma declarada guerra ou perdemos tudo o que consquistamos. Quando tudo o que defendo está por um fio, fecho o livro e empunho as armas que tenho. Se no momento, ainda só a escrita, dela me utilizo com toda força, garra e coragem. É o que me resta fazer. E faço.

domingo, 12 de abril de 2026


CONVERSAS DOMINICAIS EM TORNO DE PLÍNIO MARCOS
Domingo foi dia de muitas andanças. Poderia escrever de muitas delas, mas o faço em primeiro lugar para retratar uma história simples. Para mim, as mais simples acabam sempre nas mais importantes. E como gosto de mais de escrevinhar de e sobre livros, eis mais uma envolvendo este rico objeto de consumo diário. 

Na Banca do Carioca, Feira do Rolo, ele me oferece um livro, exposto em sua banca. Era a biografia, "Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos", escrita por Oswaldo Mendes. O catatau, com 500 páginas eu o tenho desdeque, em 04/05/2010, foi lançado pelo seu autor na Jalovi dos Altos da Cidade. Lá estive e consegui o autógrafo do autor. Só que, quando Carioca me oferece o livro, havia me esquecido do fato. Ele mostra o exemplar que estava à venda, por meros 20 pratas e diz: "Este está autografado pelo autor. Acabei de ler - ele lê muita coisa antes de colocar à venda em sua banca - e o cara é demais. Leve este autografado e me devolva semana que vem o seu exemplar". 

Muita gentileza de sua parte. Só mesmo o inestimável livreiro da feira para fazer algo assim. Esbocei recusar, mas ele insistiu e assim foi feito. Trouxe para casa e ao confrontar os dois exemplares, o meu também estava autografado. Volto na banca semana passada e nada do Carioca, que havia faltado. Seu espaço vazio. Antes já havia ido na sua banca de quarta, no parque Vitória Régia, voltando quarta passada. preocupado, ligo para sua namorada e ela me informa: "Não se preocupe, ele está ótimo, uma quarta choveu, outra saímos juntos e no fina lde semana foi para o Paraguai com amigos. Neste estará de volta".

Fui e tirou foto dele com os dois exemplares - junto também de meu filhão, o HA, circulando com a gente pela feira, algo do qual, só deixo de fazê-lo em caso de força maior. Isto tudo foi o bastante para voltarmos com louvor para o assunto Plínio Marcos, suas histórias e lendas urbanas. Conheci pessoalmente Plínio com sua banca, vendendo seus livros em Bauru e a história da generosidade com o livrão contando sua história, entra desde já para os anais (ui!) de tantas outras envolvendo meus livros e essa divinal banca. 

O que Carioca fez, ilustra bem sua pessoa e de como os iguais a ele agem durante o percurso de suas vidas. Depois, quando me pedem explicações por querer voltar lá todo domingo, conto histórias como essa e pronto, está lacrado, Carioca e sua banca são mais que patrimônio imaterial desta cidade. Quando vejo tanta gente desqualificada e descabidasendo homenageada com títulos nesta aldeia, me deparo com o dia a dia deste cidadão das ruas. Daí, não tem nem como, fico, permaneço e não abandono as ruas, seus personagens e histórias. Elas me movem.

ALGO MAIS DA MENTALIDADE DOS EMPRESÁRIOS BAURUENSES QUE BANCARAM A QUARTELADA DE 8 DE JANEIRO
Domingo, uma pessoa muito querida me mostra uma lista com alguns dos empresários bauruenses que, durante a bazófia da tentativa de golpe do 8 de janeiro, contribuiram com grana alta. Eu, na verdade, não levo um susto, somente me certificando de alguns que, tinha quase certeza, agora sei estão do outro lado. É uma verdadeira aberração ver empresários, ligados a ramos onde o bolsonarismo nada fez e na continuidade de governos com aquela índole, seriam arrastados para problemas mil.

As investigações sobre o golpe de 8 de janeiro de 2023, conduzidas pela Polícia Federal (PF) na Operação Lesa Pátria e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), identificaram empresários de diversos setores — com destaque para o agronegócio e logística — que financiaram o transporte, alimentação e acampamentos de manifestantes que depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já denunciou dezenas de pessoas físicas por envios de PIX, fretamento de ônibus e custos de acampamentos, configurando "adesão subjetiva" à tentativa de golpe. Os empresários atuaram, segundo as investigações, principalmente no pagamento de ônibus para o "Dia D" de Brasília e na manutenção dos acampamentos golpistas na frente dos QGs do Exército, financiando estrutura como churrasco e banheiros químicos. A Operação Lesa Pátria segue em andamento, visando identificar não apenas os financiadores locais, mas os articuladores intelectuais dos atos.

Não consigo entender como alguns destes, vetustos conhecidos de todos nós, entraram de cabeça nessa onde conservadora, pior que tudo, financiando a derrocada do país enquanto nação soberana. Deram muita grana e alguns, os grandões, teriam problemas mil pela frente num desGoverno com grandes obras todas paralisadas, como se vê acontecendo na argentina de Javier Milei. O cara investe naquele que, sabidamente vai ser seu algoz. Coisas ininteligíveis deste país nada varonil. O fato é que, essas listas ainda não são públicas, mas deveriam o ser, pois revelam o quanto nossas elites estiveram comprometidas com o retrocesso e o atraso, muitas vezes nem sabendo pensar em si próprios, mas agindo movidos pelo bestial ódio de classe. Daí, um dos grandes motivos de nosso atávico atraso. Com gente como estes tomando conta do poder financeiro de uma cidade, onde 80% votou em Bolsonaro, o que se pode esperar de altivo e altaneiro para nosso acalantado futuro? Vivemos a decrepitude em sua magnitude e essa lista provoca um lindo jogo de esconde-esconde na cidade do sanduíche.

sábado, 11 de abril de 2026


GENARO NOROESTE GENARO
Sábado, 11/04, dois eventos marterlando na cabeça: preciso estar em ambos. Por sorte, locais mais ou menos próximos. 

No primeiro, o evento da comemoração dos 7 anos do Bar do Genaro, encravado no coração da vila Falcão, reduto eminentemente de trabalhadores, inicialmente ferroviários, depois de tudo o mais. Este bar tem uma característica mais do que predominante: é o bar da legítima esquerda bauruense. Aqui, aquele lema do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, o "a gente faz festa, mas tá puto da vida" é levado muito à sério. Vir ao bar, isso por si só, se traduz aqui pelas bandas de Bauru, numa real possibilidade de lazer. Mais que isso, um encontro de gente amiga, a maioria pensando e agindo da mesma forma, em busca de "um outro mundo possível" e lutando com todas suas armas contra o fascismo, esteja onde estiver. Os tempos, como se sabe, não estão nada fáceis e, ainda mais neste ano, não se pode bobear e achar que a reeleição do Lula está garantida. Com ele, neste momento, a única possibilidade do país continuar navegando num mar soberano, democrático e com justiça social. Do contrário, estaremos novamente, não mais correndo riscos, mas possibilitando que o país sofra uma reviravolta, que o destruirá enquanto nação digna. Eu, não quero ver o Brasil novamente nas mãos de gente ignóbil como qualquer um destes Bolsonaros ou filiado ao PL/Centrão. Daí, todos os momentos possíveis onde estamos juntos, devem se transformar em mais que um encontro festivo. Para os que ainda não perceberam, estamos dentro de uma guerra. Não só a travada lá entre Irã e os dois invasores, Israel e os EUA, mas com a possibilidade da insanidade voltar ao comando também do Brasil. 

O quadro é este e é assim que saio hoje para as ruas, para qualquer atividade. Não existe mais como compemporizar. O Bar do Genaro completa 7 anos e sua trajetória é de luta. Ao longo do tempo, felizmente conseguiu também ir depurando muitos dos seus frequentadores. O evento de hoje, marcado para ter início 16h, teve música ao vivo, num conjunto de músicos que, além do inusitado encontro, propiciaram, além do tradicional samba e da MPB, também Jazz. Sabe lá que é você sentar numa mesa de calçada, num bar da vila Falcão e ouvir Jazz, com refinados músicos? Isto tudo acontece e possibilitado pelo encontro de pessoas, mais que diferenciadas, lá no quadrilátero do bar da esquerda bauruense. Não creio ali ter estado presente alguém com alguma chance de não votar em Lula. Hipótese remotíssima. Nas mesas, que vão se formando e se decompando, pois as pessoas saem de uma e logo estão em outras, a conversa é uma só, predominante: a eleição de outubro. O próprio Genaro faz questão de repetir isso a todo instante, mesa por mesa: "Neste ano, menos festa e mais conscientização. Cada evento aqui deve ser também um ato político por Lula e pelo Brasil".

Eu lá estive, amigas e amigos próximos, todos juntos e muitas rodas de prosa. Isso serve muita para nos aproximar mais e mais. Bar tem este lado louvável. Cada um com suas peculiaridades. Neste, o que me insiro, o lado de luta, ideal de ver a cidade, hoje comandada por fundamentalistas, o estado por gente descapacitada, envolvida com as tramóias do Banco Master e irmanados para ver Lula ser reeleito, com a esperança de todas as conquisdtas serem mantidas e continuar vendo o país com a altivez internacional, saindo deste lamentável quadro de dependência e submissão. De lá do bar, rodas constituídas, mais ou menos umas seis quadras, subindo a ladeira, encontra-se o estádio Aldredo de Castilho, onde o Noroeste joga sua primeira partida em casa, deste curto campeonato Série D do Brasileiro. Eu fui, tente arrigementar outros, os que sempre me acompanham, mas desta feita nada consegui. Interrompi as conversações no Genaro e fui presenciar uma partida de futebol.

Torcer para o Noroeste é como certa vez me vaticinou o falecido Roque Ferriera, quando lhe questionei de estar incomodado com isso de como o time era comandado. Sua resposta me aquietou: "Henrique, continue indo e torcendo, pois se for se preocupar com as ocorrências dos bastidores, deixará de torcer pelo seu time. Em todos, tem fatos lamentáveis ocorrendo nos seus bastidores". E assim o faço desde então. Hoje, jogo contra o XV de Piracicaba, pouca gente do estádio, menos de mil pessoas e de lá dentro, algo mais que discutível. A direção do Noroeste contrata uma equipe de marketing e após um lançamento festivo, surge uma terceira camisa, essa já vestindo o time hoje. Melhor seria fosse só camisa de colecionador. Não agradou ninguém, pois não prestigia nenhuma das cores do time, o vermelho e o branco, predominando um cinza. A numeração das camisas é pequena e de longe impossível enxergar. Quem narrou o jogo, três equipes esportivas da cidade e mais as do visitante, sofreram. Das arquibancadas, uma só voz: "Hoje seria o dia para o time estar inteirinho de vermelho". De um amigo, noroestino dos influentes, pedindo para se manter no anonimato: "A diretoria não ouve o torcedor. Parece estar acima de nós e assim, atitudes como essa são corriqueiras". O time também é corriqueiro, mas o torcedor entende, muitos do campeonato passado foram vendidos e na montagem atual, muitas peças novas. Poderia ser melhor? Sim, mas só o fato de voltarmos a disputar um campeonato de projeção nacional, ontem com transmissão do jogo ao vivo, pela TV Band, já é algo para se comemorar. Mas cuidar também dos bastidores, do bom relacionamento com seus torcedores é mais que primordial. Perdíamos de 2 x 0 atpe uns 35 minutos do 2º Tempo e ao final 2 x 2. Ufa!

No estadio, procuro ficar ao lado da velha guarda, uns que acompanham o time desde os cueiros e assim sendo, já viram de tudo. Nenhuma novidade com a chegada da SAF ao Noroeste. Pelo menos, a SAF é constituída de gente da cidade, o que se concebe como também torcedores e assim sendo, que as transformações venham para solidificar o glorioso e centenário time de futebol. Eu e muitos que conversam comigo sabemos, o futebol é algo caro, mas quado bem planejado, traz retornos. Que isso esteja em curso, um alento. Estamos todos de olho, pois torcedor vibra, sua e fala o que pensa, isso tudo dentro da normalidade do futebol paixão. E creio eu, seria de bol alvitre, ver em alguns jogos, a direção do clube - clube ou time? - espalhada nas arquibancadas e conversando, ouvindo, filtrando o que ouve, para depois poder aplicar no dia a dia com mais sapiência. Encastelados do lado de lá do estádio, dentro de camarotes e sem sentir o fulgor dos comentários dos seus torcedores, ficará sempre muito mais complicado. Existindo interação, podem eles lá ter a certeza, ficará mais fácil administrar. Saio de lá e desço conversando com um da velha guarda, vindo de Sampa, onde mora atualmente e se hospedando no hotel ali ao lado da ITE, só para assistir os jogos. Ouvir gente como ele é noroestar na acepção da palavra. Essa interação é necessária em todos os lugares onde queremos ser, fazer e acontecer. O pensamento é mais oxigenado quando exercido ouvindo a maior quantidade de pessoas. Isso, todos sabemos, mais complicado, mas a vontade é fazer de fato algo sólido, consistente e duradouro, por que não implangtar este modal organizacional de gestão?

Do campo, desço as seis quadras e volto para o Bar do Genaro. Por ali, novas rodas e uma conversação sem fim. Na conjunção dos encontros, o benfazejo de ver da disposição coletiva de botar o bloco na rua, defender a democracia conquistada e lutar para desmascarar a farsa existente a culpabilizar os governos de esquerda, os que fazem algo de sólido pelos trabalhadores e população em geral, não propondo flexibilizar nada, muito menos dar continuidade ao que fazia o neoliberalismo com as bruxuleante privatizações. Imaginemos um país, sem por exemplo, a Petrobras, que sempre deu lucros exorbitantes ao país? O mesmo se pode pensar aqui em Bauru, quando uma prefeita chega e praticamente decreta a falência do DAE, antes a "jóia da Coroa" da cidade. Lutamos todos, por um time de futebol forte, consistente, com gente da cidade lutando de fato pelas suas dores e cores, com administradores envolvidos de fato das questões do progresso destas plagas e por um país, com Lula, este oitentão danado de raçudo, que los levará para mais 4 anos de uma liberdade, que se bobear podeeremos perdê-la, danando com todos nossos sonhos. Estar na lida e luta faz parte da luta de todos, pelo menos no Bar do Genaro isso é consenso.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

CANSEI

SE TEM QUEM NÃO ENXERGUE, O POVO PRECISA VER ANTES DE VOTAR, QUAL A PROPOSTA EXISTENTE PARA QUERER SER DEPUTADA?

Não julgo aqui procedimentos jurídicos, pois desconhecendo os detalhes, a documentação para embasar a decisão, fico só observando. Eu, na qualidade de "bauruense observador", me mantenho com um pé bem atrás, pois tendo observado procedimentos anteriores, não consigo enxergar nada de alvissareiro para a cidade com candidatos dessa lavra postulando nos representar, por exemplo na Alesp ou mesmo na Câmara dos Deputados. Tenho bem nítida a lembrança dessa mesma pessoa, junto a prefeita, mãe e filha, distribuindo cestas básicas, num ato explicitamente político, ali na quadra de esportes, junto ao rio Bauru. Aquela cena não me sai da cabeça. 

Na reunião do todo recebido pela cidade, enquanto entidade pública recepcionava as doações e o acumulado era distribuido num evento. E as duas, passando a imagem delas serem as que propiciaram o benefício. Vejo isso e entendo cada vez mais o procedimento que a Maria Inês Faneco, minha dileta amiga e à frente de um dos maiores projetos assistenciais desta cidade, quando distribui semanalmente cestas básicas na periferia da cidade. Faneco é direta e reta, não aceitando a participação de políticos, pois sabe ela, como gostam de aparecer nessas horas. Recusa a participação destes. E se ela tira fotos é mais para deixar registrado, principalmente para quem doa, onde e como são distribuídos os alimentos. Faneco nunca será candidata a nada, pois sabe, se o fizer, dará um fim para o que faz, pelo menos com a credibilidade alcançada. Já ver próprio político fazendo a distribuição, com equipe de TV e reportagem registrando, algo que não engulo, nem a forcéps.

E daí, o trabalho dessa mesma pessoa à frente da Assistência Social da cidade de Bauru. Se tirava fotos distribuindo alimentos, lembro também de algo, denunciado por uma pessoa que esteve junto da família desde o começo, ou seja, era unha e carne, depois por motivos de não ser mantida em cargos prometidos, resolveu denunciar algo mais do que escandaloso, o desvio de móveis e utensílios da Prefeitura para a igreja familiar dos Rosin. O tempo passou, o caso foi devidamente apurado e os resultados, não tão alardeados. Enfim, como ficou a denúncia? O fato é que a ex-servidora, cargo de confiança, se calou com o tempo e nada mais se fala do assunto.

Estes são temas onde a família é lembrada, quer eles queiram ou não. São públicos, foram amplamente divulgados pela mídia, mas não tiveram continuidade e precisam ser levados em conta quando quem deles participou se propagam e postulam se candidatar para cargos públicos, e se dizendo defensoras da cidade de Bauru. Escrevo isso de forma rápida, só para lembrar. Tivesse mais tempo, neste momento, alencaria muitos outros tópicos, mais do que preocupantes. Creio que, para o bauruense cravar seu voto num digno representante para essas duas assembléias, a paulista e a nacional, tudo isso precisa ser colocado no liquidificador de nossa compreensão e extraído o suco básico, antes de sacramentar o voto de quem poderá nos representar. Denúncias podem ser arquivadas, livrando pessoas de problemas maiores em sua decorrência, mas não livram do todo, quando da junção do conjunto da obra. Muito cuidado nessa hora.

A ESTRATÉGIA DE SUÉLLEN ROSIN É PROMETER - CUMPRIR O PROMETIDO É ÓUTRA COISA
Escrevo este texto embalado pelas maravilhosas ilustrações produzidas pela verve criativa do publicitário Fernando Redondo, através dos recursos de IA e que, tão bem retratam algo peculiar da atual situação em curso na cidade de Bauru. Tento escrever algo do que vejo, ouço e leio.

Suéllen optou por continuar no cargo de prefeita até o final de seu mandato. Ao final do mesmo, estará sem o que se denomina chamar de "foro privilegiado". Ela, em todo o seu mandato, esteve aliada, entrelaçada com entre 17 e 17 vereadores, dos 21 eleitos e estes votam cegamente tudo o que é apresentado na Câmara. Não existe discussão, pois a decisão é tomada anterioremente, bastando a estes ir lá e sacramentar a coisa. Um trabalho de equipe, onde um ou outro, ao longo do tempo, percebendo como tudo era proposto, cairam fora. Seria ótimo ouví-los num longo depoimento, dos motivos disso ter ocorrido. Entraria para os anais da história bauruense. Pois bem, ela não saiu no prazo regulamentar e se assim o fez, a primeira impressão é a de que, não quiz passar a Prefeitura para seu vice, pois pelo que se percebe, não possuia total confiança de que este continuaria na mesma pegada. Imaginem um vice assumindo e se desgarrando de tudo o que os Rosin fizeram até então- sim, ela não atua sózinha na Prefeitura e até as pedras do reino mineral sabem de como age seu pai lá no 3º andar do Palácio das Cerejeiras. Seria muito risco e isso apressaria o fim do domínio do clã na cidade. Eles, os Rosin sem nenhum mandato, estariam praticamente aniquilados na cidade, pois pelo que se prenuncia, na sucessão, quando algum outro, distante do clã, assumir a Prefeitura, eles perderão toda importância até então construída. Ela, continuando no cargo, mantém, pelo menos até o final do seu mandato, o poder na esfera municipal.

Dito isso, as ilustrações do Redondo são uma espécie de registro histórico, onde podemos ir acompanhando, com riqueza de detalhes, os últimos procedimentos da administração. São muitas pisadas na bola, uma atrás de outra. De tudo, podem reparar e constatar, até me cobrar, a maioria - diria mesmo, imensa maioria -, trata-se de PROMESSAS. Suéllen Rosin vive de promessas. São vídeos promocionais são meramente pelas publicitárias, montadas com o devido afinco para espalhar ser a alcaide uma pessoa das mais atuantes, porém, tudo são promessas. Fico com uma bem modesta, recursos pífios diante do montante de juras de estar realizando o possível e o impossível. O chafariz da praça Rui Barbosa. Ele é sintomático e clássico exemplo da promessa, com vídeo pomposo e depois tudo caindo no esquecimento. Tudo o mais é assim. No mais recente promete ser, fazer e acontecer com o rio Batalha e a questão da reserva d'água na cidade. Para mim, como se comprova com tudo o mais, conversa pra boi dormir.

O tempo urge, restando muito pouco para realização de tantas promessas. Quem olha para trás e olha pelo retrovisor, o que já foi prometido e nunca cumprido, confirma ser a alcaide muito boa de mídia, equipe eficiente, porém em nenhum destes trabalhos jornalísticos ocorre a da entrega das obras. Quando ocorre, perceba nitidamente isso, a imensa maioria oriunda de verbas públicas recebidas, a maioria do Governo Federal, que ela faz questão de omitir em sua publicidade. Eu não me iludo mais. Na verdade, nunca me iludi. Tenho aversão para com governos fundamentalistas. Quando um governante, mesmo estando num campo totalmente oposto ao do Governo central do país, resolve nada fazer para ampliar recusros, tudo por richa ideológica, já veja nestes, incapacidade administrativa. Neste caso, distanciamento é colocar a cidade em risco. Agora mesmo, quando vejo a antiga estação da Cia Paulista sendo praticamente finalizada, com a provável reabertura do tão acalentado Museu Histórico, veremos como ela divulgará o montante de verbas recebidas e propiciando a execução dessa obra.

Para mim, mero observador, muito claro, Suéllen faz um jogo para a mídia. Vive de promessas. Promete, promete, até produz algo afirmando estar com tudo em endamento, mas tudo mero trabalho no campo de hipóteses e, como se sabe, jogo para a torcida. Não adiante ninguém lá do atual staff da administração querer espernear e dizer o contrário. As provas existentes e já expostas por ela mesma, a alcaide, nos seus vídeos, deixam claro, lindas promessas, sem quase nada de concretização. A cidade vive deste acordo entre ela e os tais 17/18 dentro da Câmara de Vereadores e nada mais. O que virá depois disso, com empréstimos vultuosos, todos tornando a municipalidade altamente devedora, porém, com os recursos todos, muito pouca explicação convincente de sua efetiva e produtiva utilização. Ter muito dinheiro em caixa não é sinal de nenhuma realização, quando não existe projetos, meros estudos de viabilização. Dinheiro, como se sabe, voa. Quando diante de uma nota de cem reais nos bolsos, antes de trocá-lo, achamos ter algum consoco, mas trocou, bastou para sumir. Desaparece, assim como os zilhões sendo emprestados neste momento pela atual administração, com anuência de seus vereadores. Para mim, a ficha já caiu e faz tempo. Suéllen continuará prometendo, prometendo e prometendo. É só que sabe fazer. Não esperem nada de concreto. Talvez, lá na frente, com nova administração e nova mentalidade administrativa. Nem estes, quando assumirem poderão fazer algo, pois terão um rombo tão grande para administrar que, estarão de mãos bem atadas. Eu tenho tudo isso bem nítido quando olho para o que vejo em curso na cidade de Bauru. Estaria vendo fantasmas?

quinta-feira, 9 de abril de 2026


EU APRESENTANDO BAURU PARA O ARGENTINO LEANDRO
Uma colega de Ana Bia aporta em Bauru, vinda da Argentina, colegas de ofício, ambas da mesma área, o Design e junto dela, o namorado, o buenarista Leandro. Enquanto as duas passam o dia na Unesp, eu fico encarregado de apresentar a cidade de Bauru ao visitante. E daí, a grande questão, onde poderia levar alguém como ele numa tarde de quinta? Tento mostrar alguma coisa, entendida por mim como interessante e acabo o levando para conhecer o Complexo do Esporte Clube Noroeste, envolvendo o ginásio Panela de Pressão e o estádio Alfredo de Castilho. 

O relógio marcava umas 15h, sol à pino e os portões do complexo fechados. Bato no portão principal, me identifico e digo das intenções:

- Estou com um visitante estrangeiro, argentino e gostaria de levá-lo para conhcer a Panela de Pressão por dentro e também ele dar uma olhada no estádio do Noroeste. Disse a ele que, ambos foram construídos num época de ouro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, com marcas bem fortes do que representou o papel do ferroviário para levantar isso tudo. Na Panela, desde aquele teto impressionante, todo de madeira e depois os trilhos na estrutura da cobertura das arquibancadas.

Isso não impressionou muito o atendente. Este deixou bem claro, na Panela até poderíamos entrar, mas naquele horário não havia ninguém. O treino foi pela manhã e tudo estava fechado. Já do futebol, a ordem era para não deixar ninguém entrar. Tudo fechado e proibido. Teriua que conseguir uma autorização com alguém da diretoria e naquele momento, não havia ninguém por ali. Estávamos quase desistindo, quando vi no portão de cima, o destinado área dos visitantes com alguma movimentação. Chegamos, explico a intenção e o funcionário, pergunta se íriamos andar por tudo ou só olhar dali do alto. Confirmo só uma olhada e somos autorizados. Conto o que sei sobre como aquele estádio foi possibilitado e olhando para a Panela, sua estrutura, chego nos motivos da denominação. Não queríamos nada mais que isso e por pouco, nem a espidada de soslaio conseguiríamos.

De lá, percorro a avenida Pedro de Toledo e chego defronte a estação da NOB. Conto o que sei sobre a importância dela para o progresso da cidade e digo mais: "Na maioria das cidades do interior, elas se desenvolveram no entorno da igreja. Em Bauru, uma das poucas, onde isso se deu no entorno da estação ferroviária". Conto mais: "Para uma cidade interiorana como Bauru, algo aqui ocorreu, com ela tendo um famoso entrocamento férroviário e nela três ferrovias, uma para cada lado. Por uma delas, passavam por aqui, gente de boa parte da América Latina, pois o trem ia até a Bolívia. Tivemos aqui essa rica particularidade, a de ver constantemente a cidade sempre com muitos latinos. Tudo se foi com a privatização e o fim do trem de passageiros. Quando Bauru poderá ter algo assim novamente acontecendo por aqui?". Eu mesmo respondi: "Só se alguém como o presidente Lula, realmente reativar a ferrovia, com o pontapé inicial dado em Araraquara, numa parceria com a China e uma fábrica de trens ali instalada". 

Foi a deixa para falarmos de política. Aliás, não paramos mais. Voltei, passei por cima do viaduto inacabado e ao final, mostrei o que restou de uma época de ouro para a cidade, a maioria ruínas. "Nem a estação, imponente como você viu, hoje propriedade da Prefeitura, a atual prefeita, fundamentalista até não mais poder, promete e nada cumpre. Tudo permanece abandonado, quando poderai já estar abrigando órgãos públicos importantes e revitalizando o centro", digo. Mostro a ele a situação da primeira quadra do Calçadão da Batista, com a maioria das portas fechadas. Digo que, "o movimento, o que resta de vitalidade no centro, começa umas quatro quadras para cima. Sei que, na Argentina atual, a de Milei, o que mais se vê hoje, são portas fechadas, desemprego e abandono, servidores sem reajuste e uma penúria para endoidecer gente sã".

Leandro me conta das desventuras de um país, que já tinha problemas e hoje, tudo agravado com um despreparado no poder. Digo a ele das visitas que faço para Buenos Aires todos os anos, quando a esposa participa de um Congresso Acadêmico, do qual é fundadora e eu sigo junto, aproveitando para conhecer mais da cidade a cada ano. Confesso a ele, meu forte sentimento pelo argentino, porém, muito triste pela situação decrépita atual, proveniente de um presidente totalmente desajustado - em todos os sentidos. Ele concorda e a partir daí, torcamos figurinhas das maledicências de dois do mesmo nível, Milei e Bolsonaro. Ele me pergunta se o filho do Bolsonaro possui alguma chance na eleição deste ano. Digo que, o país está um tanto dividido, mas creio, não chegaremos a tanto, pois o despreparo e desqualificação, passado nada ilibado de Flávio Bolsonaro será como se o país passasse um atestado de burrice para o mundo. "A situação do filho do Bolsonaro é idêntica a deste secretário de governo argentino, o Manuel Adorni, que acaba de ser pego, num caso sem justificativas, com imóveis em seu nome e sem lastro financeiro para adquirí-los. Inventou ter recebido doações de duas aposentadas, valores altos, algo totalmente fora da casinha, igual aos imóveis do tal do Flávio, comprados todos com dinheiro vivo e quando se checa, não existe lastro de como poderia ter pago isso pelos meios legais. Como votar num cara como esse? Só mesmo, despirocados.

Saio do centro e digo se não quer beber algo, calor, nós dois ainda com algum tempo. Dentro das opções, ficamos a cerveja e daí, digo que lhe levarei no bar da esquerda de Bauru, o do Genaro, que naquele horário, 16h, deveria estar abrindo as portas. Dito e feito. Por lá, tomamos três bem geladas. Ele me diz que, na Argentina não se toma tão gelada como aqui. Tudo bem, lá não é tão quente como no Brasil. Genaro já ciente da visita do argentino, coloca na sua vitrolinha música cubana em homenagem a Che Guevara, ilustre argentino. Na sequência, que desponta é o uruguaio Mano Chao. Versamos muito sobre este cantante. Leandro diz já ter assistido dois shows e Genaro diz ter perdido um recente em Ribeirão Preto. Eu ainda não tive o prazer, mas confesso que tempos atrás quem cantou em Bauru foi Fito Paez, no SESC local. Disse que cerco na idas ao seu país, para ver se consigo algo com ele por lá, Leon Gieco, Teresa Parodi, Victor Heredia e outros. Não dei sorte. Evidentemente, o futebol adentra o campo de jogo e Leandro, torcedor do Velez Sarsfield. Nós dois, nos confessamos muito mais maradonistas do que messistas. Genaro lembra dos dois craques argentinos que jogaram no Corinthians, Tevez e Masquerano. Ele não perdoa: "Sim, craques, mas na vida pessoal, ambos direitistas, conservadores. O caso do Tevez, vindo de onde veio, inexplicável".

Falamos da política de ontem e de hoje, dos cantinhos que descobri na sua cidade, ele descreve algo do amor por muitas coisas brasileiras, ou seja, trocamos boas figurinhas do álbum de nossas vidas. A conversa fluiria até não mais poder, mas o telefone toca e do outro lado o aviso, a visita na Unesp chegara ao final. Teríamos que ir buscá-las. Fomos numa conversação, ele em castelhano e eu em português. Se existia alguma dificuldade de entendimento no incío, depois de algumas cervejas e acepipes, tudo se dissipou e o entendimento se deu às mil maravilhas. Voltamos os quatro para casa, no começo da noite, saímos para comer um sanduíche bauru na barraca do Jóia, o filho do Zé do Skinão, na praça da Paz - o Leandro comeu dois e terminamos a noite diante da TV, assistindo um jogo pela Copa Libertadores, entre uma equipe brasileira, o meu Corinthians e o argentino Platense. Publico este texto antes do final da contenda. Mas por aqui, tudo em paz e com entendimentos fluindo de forma maravilhosa. Isso de rivalidade é coisa besta. Somos latinos e muito cientes de que, pra gente vergar quem nos oprime, temos que nos entender cada vez mais. Por aqui, sinal de que tudo caminha positivamente.