quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026


AS VELHAS QUESTÕES QUE TODOS PERGUNTAM: MAS POR QUE NAS ESTÁTUAS SÓ MOSTRAM O SEXO MASCULINO E A FEMININA ESTÁ OCULTA?

Fui em busca de quem pudesse me esclarecer com maior profundidade. Eu supostamente acreditava ser fruto de uma espécie de machismo da época, guardado todas a enorme diferenciação existente entre quanto foram feitas e o tempo presente. Enfim, o homem continua sendo o condutor, não só da História da Humanidade, como a sua versão é a que vingou ao longo do tempo. Se o homem decide, ele impôs que assim fosse feito, o falo masculino está presente na imensa maioria das estátuas e em nenhuma delas, a genitália feminina. No lugar da vagina, uma superfície lisa. E daí, essa pergunta atravessa os séculos e quando fui questionar a professora carioca de História da Arte, Ana Maria Rebello, ela antes de me dar uma aula sobre o assunto, me disse: "Essa pergunta todos os alunos sempre me fizeram".
"Henrique, eu costumava mostrar para meus alunos que essa questão tem várias perspectivas. Você pode olhar por diversos pontos de vista. Trata-se de uma construção histórica e cultural. Em cada época, em cada sociedade você tem um olhar, uma compreensão, que vai se atualizando a cada geração. Essa época que você me pergunta, o Renascimento, já tinha passado pela Idade Média. Já tinha tido também uma influência muito grande da religião, do Cristianismo nos costumes. O mecenato renascentista estava ligado a uma esfera de poder e uma das coisas que o Michel Foucault fala da história da Sexualidade, com a visão dele, é que as estruturas do poder também tem uma influência muito grande e havia por parte dos mecenas algumas exigências quando os artistas faziam as obras encomendadas por eles. E quando se tratava de Mitologia havia uma pequena liberdade para se criar os corpos. é claro que os atributos masculinos tem a ver como a sexualidade era narrada pela própria mitologia. O fauno é fauno, a gente sabe. Os artistas se sentiam um pouco mais livres para mostrar isso. Com relação à mulher, o Cristianismo fez com que, a maneira como fosse tratada a imagem feminina, bem mais discreta. Os artistas não podiam ultrapassar muito os limites dessa representação. No máximo seios à mostra, as formas dos corpos insinuada sob tecidos muito leves, transparentes, mas nunca uma exposição exagerada. Isso tem a ver com tudo, com o controle social, do poder, da entrada dos valores cristão. Esses mecenas patrocinavam inclusive obras para as igrejas. Nas igrejas tudo era muito mais controlado".
Ela me diz mais e aqui compartilho, enfim, seus alunos perguntavam muito disso: "Alunos querem saber de tudo. Eles nos pergutam porque é uma coisa que diz muito para eles, em relação às mudanças do olhar pra sexuaalidade que a gente está tendo na atualidade. A gente olha para essas imagens com os olhos do nosso momento atual, mas a gente tem que pensar que aquilo foi construído dentro de um outro contexto, outros olhares, outras necessidades, outros controles. O artista não podia simplesmente fazer o que ele queria. Realmente ele tinha limites. Todas as representações da arte, seja ela institucionalizada, qualquer forma, está ligado ao contexto cultural da época com que aquele artista pertence. E ele ao expressar-se expressa aquilo que vive no tempo em que está. Ele também expressa um pouco dele próprio. Isso da beleza dos corpos, do trazer de volta o classismo da Grécia, que havia uma correção na apresentação da anatomia, porém idealizada. O Renascimento procura tratar os corpos com uma realidade mais cuidada, mas ainda idealiza, embelezam, porque era essa a forma de reitenpretar o classicismo que os artistas do período incorporam. Esse assunto é pano pra manga, tenhho muito o que te explicar sobre este assunto e se quiser, me ligue com tempo e ficaremos horas neste debate".
Ana Rebello sabe tudo e me elucidaria muito os questionamentos. Perguntei mais, sobre os corpos esbeltos retratados, se representavam a realidade dos fatos. E sobre a explícita homossexualidade da mitologia grega, evidente nas imagens das estátuas. Enfim, os gregos adoravam seus corpos e assim se expressavam. Tá tudo isso muito bem exposto em obras fantásticas, atravessando séculos. Tive o prazer de ver muitas delas e isso tudo me encanta, me faz querer saber mais. No retorno vou prosear longamente com ela e depois volto ao assunto por aqui.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026


EM DIA DE TANTA CORRERIA A ESCREVINHAÇÃO FICA PREJUDICADA
DIA DE VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (1): GALLERIE DEGLI UFFIZI - MICHELANGELLO, LEONARDO, RAFAEL E BOTTICELLI

DIA DE VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (2): E FICAMOS PAQUERANDO "DAVI" NA ACCADEMIA GALERIA ARTE 

DIA VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (3): DUOMO E OPERA DI SANTA MARIA DE FIORE

Só de estar aqui em Florença, Itália, estadia de quatro dias, uma das tantas cidades respirando Cultura por todos os poros, parar e querer ficar escrevinhando algo longo é meio que impensável. Ou escrevo ou vou pras tantas atividades marcadas e já agendadas. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Eu, como sabem, gosto de escrever, mas tem dias onde a escrevinhação fica por conta das fotos que tiro. Elas dizem muito e neste momento, dizem tudo. Assimilo tudo o que vejo em cada virada de esquina e com tudo isso destro da cachola, espero que, lá na frente, já em casa, escreva melhor sobre tudo isso. Por aqui, faço o que posso. E sigo em frente, pois a jornada por aqui ainda não terminou.

DAS CHINELADAS DO BLOCO DO TOMATE EM 2026
1.) A PERVERSIDADE E EVIDENTE DOENÇA DE DONALD TRUMP
O maior medo de Donald Trump, segundoa sua sobrinha psicóloga Mary L. Trump:
"Diante da tempestade perfeita de sua incompetência, declínio crescente em diversas áreas (psicológica, cognitiva e física), e a sensação de estar perdendo o controle — de si mesmo e da narrativa — e o desespero que isso traz, era talvez inevitável que a humilhação o perseguisse a cada passo”, disse Mary L. Trump sobre o tio.
“Ele se humilha quase diariamente e, frequentemente, das maneiras mais públicas imagináveis. Parece uma espécie de justiça poética cósmica.”
Mary segue em sua análise. “Não precisamos de mais provas de que Donald é um homem com graves distúrbios psiquiátricos, mas, se precisássemos, mais evidências poderiam ser encontradas diariamente em seus acessos de raiva, sua hipersonia, sua alarmante falta de controle dos impulsos e sua crescente e evidente perversidade e corrupção”, pontua.
“Mais importante ainda, a resposta do Partido Republicano e de outras forças obscuras na América é que se mostra mais relevante e diagnóstica. Donald Trump ameaça desmantelar as instituições e a governança americanas e, com sua retórica belicosa e ameaças aos nossos aliados, destruir a ordem pós-Segunda Guerra Mundial.
O silêncio dos cúmplices de Donald Trump equivale à cumplicidade. Sua dedicação inabalável a um lunático e a uma agenda que ameaça desestabilizar os Estados Unidos, tanto interna quanto internacionalmente, revela tudo o que precisamos saber sobre o que estamos combatendo e contra quem precisamos travar essa luta".
“Deixando de lado a humilhação dos Estados Unidos, o que vimos em Davos foi o crescente reconhecimento, entre os líderes da UE e outros aliados, de que uma linha vermelha foi cruzada. Como disse sucintamente o primeiro-ministro belga, Bart De Wever: ‘Um país da OTAN está ameaçando outro país da OTAN com uma invasão militar'”, aponta.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 RUANDO EM FLORENÇA

domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Em trânsito


QUAL O JOGO DOS MUITOS CANDIDATOS SEM MENHUMA CHANCE DE GANHAR PARA DEPUTADOS EM BAURU? 
Candidatos que não querem ganhar: por que esse jogo se repete em Bauru e em todo o Brasil. A cada eleição estadual ou federal, o roteiro se repete em Bauru. Muitos candidatos a deputado, vários deles vereadores da própria cidade, entram na disputa. Logo surgem críticas de lideranças locais, jornalistas e formadores de opinião: a divisão do voto estaria impedindo a cidade de eleger um representante. Esse “choro” tem sentido. Do ponto de vista da cidade, é legítima a frustração de ver votos pulverizados enquanto outras regiões conseguem eleger seus deputados. O problema é que essa leitura, apesar de correta, é incompleta. Ela ignora como o jogo político realmente funciona.

Para começar, é preciso falar de números. Em São Paulo, um candidato competitivo a deputado estadual ou federal precisa, em média, de 60 a 70 mil votos. A maioria dos vereadores que se lançam candidatos sabe que não chega nem perto disso. Muitos fazem cinco ou seis mil votos. Não é ingenuidade nem ilusão. Eles entram na disputa conscientes de que não serão eleitos. Então por que se candidatam? O primeiro motivo é partidário. Bauru é uma das maiores cidades do estado e, para os partidos, isso importa muito. Um grande nome estadual ou nacional, se concorrer sozinho na cidade, tende a ter votação irrelevante. Sem base local, sem presença constante, pode sair com poucas centenas de votos. Quando o partido lança um candidato local, conhecido, com base eleitoral própria, o cenário muda. Esse candidato não serve apenas para si mesmo. Ele puxa votos para a legenda, ajuda outros nomes do partido e apresenta o figurão ao eleitorado local. O resultado é simples: votos que não existiriam passam a existir. O candidato local vira uma peça funcional dentro da estratégia do partido, mesmo sem chance real de vitória.

O segundo motivo é ainda mais decisivo e diz respeito ao projeto pessoal. Para muitos vereadores, a campanha de deputado não é uma tentativa de eleição, mas uma pré-campanha altamente estruturada para o futuro. Uma candidatura a deputado dá acesso a fundo partidário, visibilidade, material gráfico, vídeos profissionais, agendas públicas e circulação intensa pela cidade. Tudo isso fortalece o nome do candidato, amplia sua rede de apoios e mantém sua imagem viva no debate político. Enquanto um vereador que não se candidata passa esse período praticamente invisível, o que disputa deputado cresce politicamente. Mesmo perdendo a eleição, ele chega mais forte para a próxima campanha municipal, com mais reconhecimento, mais lideranças e mais poder de negociação. Em muitos casos, a votação obtida vira argumento para composições futuras, alianças, candidaturas a vice ou simplesmente para valorizar o próprio passe político.

É por isso que, eleição após eleição, cidades como Bauru veem tantos candidatos sem chance real de vitória. Não se trata de erro, vaidade ou desconhecimento. Trata-se de estratégia. O incômodo das lideranças locais faz sentido, mas ele não muda a lógica do sistema. Esse jogo não acontece só em Bauru. Ele se repete em praticamente todas as cidades médias do país. Partidos precisam de votos, políticos precisam de visibilidade, e o sistema eleitoral incentiva exatamente esse tipo de movimento. No fim, a pergunta não é se esse modelo é justo ou ideal. A pergunta é se ele é real. E a resposta é simples: é assim que o jogo funciona. Quem não entende isso fica indignado. Quem entende, joga.
Texto da página Além dos Outdoors.

sábado, 31 de janeiro de 2026


SABE O QUE MAIS GOSTEI DE VER NA PRAÇA PRINCIPAL DE ENTRADA DO VATICANO?

Conto a seguir. A estátua de trabalhadores/migrantes na Praça de São Pedro, no Vaticano, é o monumento "Angels Unawares" (Anjos Inconscientes), inaugurada em 2019 pelo Papa Francisco. Criada pelo artista canadiano Timothy Schmalz, esta obra de bronze de seis metros retrata um barco com refugiados e migrantes de várias épocas e culturas. Representa a hospitalidade, a luta de migrantes e refugiados fugindo de guerras e perseguições. Está situada na Praça de São Pedro, perto da Colunata de Bernini e inclui 140 pessoas e asas de anjo no centro, sugerindo uma presença divina entre os necessitados. Foi a primeira obra de arte instalada na praça em cerca de 400 anos. Adicionalmente, existe outra escultura de Timothy Schmalz, intitulada "Seja Acolhedor" (Angels Unawares), colocada em abril de 2025 perto dos chuveiros dos pobres na Colunata, representando um migrante sentado, convidando à empatia.
Podem dizer o que quiserem do papa argentino Francisco, mas dentre todos, pelo menos ao meu ver, foi o mais sensível de todos. o atual pode ter tido no passado um trabalho junto a comunidades carentes, mas já não se fala mais dele. De Francisco, pelos seus atos contínuos, falava-se dele o tempo todo. Inquietava os poderosos de plantão. Foi único. Essa escultura, algo como uma imposição dele ali no coração da praça - mesmo que num canto -, representa a sua linha de pensamento e ação elevada a algo físico, possibilitado materialmente. Sua representação nos tempos atuais é mais do que significativa e suplanta essas questões religiosas todas. Essa massa de imigrantes ali representada é algo mais do que presente no mundo atual e passando batida, ignorada pela maioria dos mortais, porém, eles estão aqui, convivendo bem junto de nós e neles, na fisionomia ali vista, a dor e o sofrimento humano dos que padecem nos mais diferentes lugares deste planeta, necessitando de deslocamentos constantes para tentar continuar sobrevivendo. Fiquei muito tocado com o que senti ao rodeá-la.

COLISEUM E FORO PALADINO/ROMANO - MANHÃ DE SÁBADO, COMPLETADA COM IGREJA SANTA MARIA MAGGIORE, ONDE ESTÁ ENTERRADO PAPA FRANCISCO
Pisar no Coliseum é estar diante da história na sua acepção. O Império Romano perdurou por um tempo maior do que a duração do que hoje vemos no decaído Império Norte-Americano, que já está em frangalhos e se segurando pela força, pois o poderio econômico já se foi. Impérios podem durar muito tempo, mas um dia caem. Os motivos são variados e múltiplos, mas não se sustentam uma vida inteira. Este imenso conglomerado onde os gladiadores se esfalfavam no palco dos acontecimentos, nada mais é do que essas atuais Arenas esportivas, lugar onde se joga futebol e acontecem imensos shows. O pão e o circo continuam acontecendo nestes lugares. O nome de Arena, evidentemente, oriundo deste Coliseum, talvez a primeira grande arena que se tem notícia na história. Hoje são muitas e o que acontece no seu interior não se difere muito da original.
Isso mesmo, passa um filme sobre a cabeça de quem se põe a pensar sobre instigante assunto. A relação é clara, direta e reta. Isso posto, fiquei a matutar muito durante e após o passeio no local. Qualquer Império necessita também de um lugar específico para proporcionar à sua população um pouco de distração, onde ela é engambelada para a continuidade do incessante e macabro escambo, rapinagem. Claro, um lugar como este não ocorre somente este tipo de procedimento em suas apresentações, mas isso fica evidente. Ouvi por lá de uma guia explicando para seus atentos ouvintes que, os gladiadores souberam com o tempo ir construindo os resultados, fazendo um rodízio de perdedores e ganhadores entre eles, até como questão de pura sobrevivência. Fosse tudo levado a ferro e fogo, creio eu, nada teria como resultado essa intempestiva ação do ser humano por aqui. O saber ir contornando as situações também faz parte do jogo.
Roma é a exposição e amostragem do que foi este tal de Império Romano. Muito disso foi salvo e está exposto, não como chaga, mas também como amostragem para não permitir que os mesmos erros se repitam. Porém, eles constantemente voltam a ocorrer, pois o ser humano não aprende e gosta de avançar devagar os degraus de um mundo mais justo. Na Roma antiga a perpetuação da força e de como os ditadores de então, exerciam seu poder sem dó e piedade. E o que vemos hoje, por exemplo, nas ações do insano e doentio Donald Trump não é a repetição de todos os mesmos erros do passado? Não aprendeu nada. No Império Romano a queda ocorreu, pois estavam já passando de todos os limites, no nazismo Hitler fez o mesmo e não tinha limites. Trump começa a exercitar este poder sem limites, que para mim é a exposição de sua decadência, os esperneio final, que pode durar ainda ainda algumas dezenas de anos, mas não durará muito tempo. Depois disso, outros impérios virão. A História é a repetição disso.
Finalizo enaltecendo a possibilidade que estou tendo de colocar os olhos sobre tudo isso, ou seja, olhar com meus próprios olhos como tudo isso foi possível, a grandiosidade do que vejo e nas condições materiais daquela época. Isso nos faz soltar fumacinhas da cabeça. E se os romanos levantaram tudo isso sem as condições materiais de hoje, só com o poderio da força escravagista, imagina agora quem detém o poder do mundo, com condições imensamente melhores. Este mundo só não avança para o bem, porque existe este disvirtuamento da mente humana, não trabalhando para o bem comum, mas para a acumulação de riquezas e pensando em construção de algo pessoal, pouco coletivo. De todos os grandes imperadores do passado, quem atuou mesmo pensando no coletivo, no bem estar de todos? Não esquentem a moringa, pois a resposta é nenhum. Eu cá estou, no meio do que restou daquele império, andando entre escombros, perambulando depós de séculos da ocorrência fatal, o desfecho e vivenciando in loco a decadência lenta e gradual de outro, o dos EUA. Este Coliseum é um dos símbolos máximos do que foi o Império Romano e voltando para nosso tempo, qual seria o símbolo máximo do que ainda representa o poderio dos EUA sobre o planeta? Não creio seja a Estátua da Liberdade. Pensando a respeito.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A FORÇA DA IGREJA PARA CONTER O ÍMPETO POPULAR DE CONTESTAÇÃO
Circulamos, eu e Ana Bia, por estes dias em dois países onde é muito marcante a presença da igreja, aqui no caso europeu a católica, na vida das pessoas. Creio que, a maior quantidade de igrejas por metro quadrado do mundo esteja aqui localizada. Visitei algumas das mais suntuosas nas cidades por onde estive, tanto em Portugal, como na Itália. A maioria delas, as maiores, cobram ingresso para adentrar seus templos. Altares e estátuas reluzentes, cada qual tentand ose mostrar mais impoente que a outra. Tudo isso, construído numa época onde o poder também se manifestava e se mostrava exatamente desta forma, a com a exposição mais reluzente, mais grandiosa. Isso é uma coisa, ultrapassando até o próprio poder da fé. A fé, vejo isso bem nitidamente, teria que ser expressada de forma absoluta, sem reservas ou restrições, pelo povo de forma geral, sem contestação e vejo nisso, já devidamente comprovado, uma forma absoluta de dominação. Isso não me impede de estar aqui, achar tudo lindo, porém, enxergar este outro lado, algo mais do que necessário.

Trouxe para ler aqui na Europa um livro do escritor gaúcho Josué Guimarães - que sempre gostei muito -, ele morando em Portugal na época da Revolução dos Cravos, por volta de 1975, onde relatou como foi a passagem do regime ditadorial de Salazar para o proposto pela Revolução dos Cravos, no livro "Lisboa Urgente - o Portugal de hoje que os brasileiros e os portugueses no Brasil desconhecem", livro impresso em 1975. Na parte sobre religião é muito contundente e aqui compartilho algumas de suas impressões: "De todos os recantos do país acorrem os crentes com o intuito de pagarem à Santa aquilo que julgam ter sido um benefício dela recebido. É uma incalculável multidão de doentes, velhos, deficientes físicos e mentais, inocentes crianças, caquéticos, débeis, cegos, paralíticos, famintos, desempregados. É a transferência do humano para o sobrenatural. Pedem à SAnta porque não adianta pedir ao governo e asswim recorrem à medicina celeste, pedindo a proteção dos céus".

Continua: "Como nas transações comerciais, quanto mais precioso for o bem almejado, mais se precisa dar em penitências e sacrifícios de toda ordem. (...) Os pecados geram as guerras, a guerra vem com a punição aos pecados. Nunca foi dito aos crentes que a guerra bem que poderia não ser a vontade de Deus, mas uma iniciativa do Nazismo ou do fascismo. (...) E a organização mercantil funcionando como uma grande empresa moderna, os dirigentes industriais fabricando velas, imprimindo santinhos, cunhando medalhas e moedas, fabricando crucifixos e imagens, estampando estandartes e flâmulas, montando restaurantes e cafés, confeitarias e bares, pensões e hotéis, estabelecendo linhas de transporte... (...) a figura do homem providencial teve sempre as suas raízes cravadas nesse solo fértil da crendice popular, na alimentação do sobrenatural para contrabalançar o que não lhes era dado no terreno temporal. (...) As desigaldades humanas deixaram de ser o produto dos opressores, mas a vontade de Deus. Cria-se assim,a passividade das massas. Torna-se, assim, o povo dócil. (...)A Companhia de Jesus afirmava também que a instrução do povo era prejudicial à sociedade e à salvação das lamas trabalhadoras".

Entenderam? Vi isso aqui de forma explícita e até, escandalosa. Nas filas nas entradas dos templos mais famosos, o povo ali teleguiado em busca de uma veneração aos seus santos, tudo em busca de não só ver o belo representado pela arte ali exposta, mas também em busca de sua salvação. 

em Bauru a alcaide está decretando o fim do seu Plano Diretor
EU BAURU O SENSATO É SABER COMO OCUPAR OS SEUS VAZIOS URBANOS E NÃO QUERER INVADIR ÁREA VERDE - PARA SUÉLLEN ROSIN O PLANO DIRETOR ATENDE OS INTERESSES DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E NÃO OS DA CIDADE - Leiam texto do Fernando Redondo
A Prefeitura de Bauru Sanciona o Maior Negócio Imobiliário de sua História
Parece que a Prefeitura de Bauru, em sua revisão do Plano Diretor, decidiu encenar uma tragicomédia em três atos. No primeiro, gasta-se uma pequena fortuna pública para bancar um diagnóstico técnico de alto nível da FIPE. No segundo, ignora-se solenemente todas as conclusões desse estudo. No terceiro, entrega-se a cidade, de bandeja, ao setor que verdadeiramente comandou a ópera: o imobiliário e os donos de terra. O que chega à Câmara Municipal não é um projeto de cidade, mas uma licença monumental para a especulação, assinada, carimbada e recheada de benesses pela gestão Suéllen Rosim.
O roteiro é tão previsível quanto vergonhoso. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada com dinheiro público, apresentou um diagnóstico lúcido: Bauru já tem estoque de vazios urbanos e a projeção é de estagnação do crescimento populacional. Em linguagem de gente: a cidade não precisa se espalhar mais; precisa usar melhor o que já tem.
Qual foi a resposta da “santa e tecnocrática” administração? Aplaudir o estudo e fazer exatamente o oposto. A minuta propõe a inclusão de mais 55 milhões de metros quadrados no perímetro urbano, sendo a maior parte – pasmem – sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha. É o triunfo da ganância sobre a razão, da especulação sobre a sustentabilidade. Enquanto a cidade sofre com restrição hídrica na região Oeste, o governo libera a urbanização do manancial. A justificativa? Criar uma “Zona de Interesse Ambiental” com lotes mínimos de 400m². É a maquiagem verde para um crime urbanístico: tentar vender a liquidação da proteção ambiental como um “zoneamento criterioso”.
Quem são os arquitetos desta obra-prima da rendição? A coordenação tem nomes e sobrenomes que contam a história real. Lideram o processo Rafaela Foganholi (Secretária de Aprovação de Projetos), Fabiane Trevisan (coordenadora da revisão), Pedro Rodrigues (gerente de planejamento), Sanae Kuko (coordenadora de políticas de zoneamento) e Letícia Floriano (gerente de aprovação de projetos). Mas a cartilha parece ter sido ditada por outros dois personagens emblemáticos: Paulo Garbelotti e, principalmente, Tábata Ribeiro. Esta, uma figura que fez o caminho inverso ao do serviço público: veio diretamente de construtoras para comandar a Secretaria Municipal de Habitação. Não é conflito de interesses; é a fusão completa entre o interesse público e o privado. A nomeação de Tábata Ribeiro não é um detalhe biográfico; é a declaração de princípios desta gestão. É o lobista profissional sendo premiado com a chave do galinheiro.
O capítulo da outorga onerosa, porém, é onde o cinismo atinge seu ápice doutoral. O direito básico de construir (Coeficiente de Aproveitamento) salta de 1 para 3 sem custo algum. Traduzindo: os incorporadores poderão triplicar o tamanho de seus empreendimentos sem pagar um centavo à cidade pela valorização que causam. A cobrança só começa após esse patamar generoso. É o presente de grego definitivo: criam-se regras para parecer moderno, mas esvaziam-se financeiramente para servir. Enquanto isso, a proposta extingue a doação obrigatória de áreas públicas para 90% dos loteamentos, aqueles com até 20 mil m². Menos parques, menos equipamentos, mais lucro privado.
O resumo é este: a prefeita Suéllen Rosim, cercada por técnicos que assinam embaixo e por ex-construtores que ditam as regras, entrega um pacote de bondades históricas aos donos de terra e incorporadores. Expande a cidade para áreas ambientalmente frágeis contra todos os estudos, e subsidia a construção privada com a renúncia fiscal da outorga. É a privatização do planejamento urbano. O plano que chega à Câmara não é para regular o mercado, mas para servi-lo. Resta saber se os vereadores, muitos da base da prefeita, terão a coragem de interromper este espetáculo de rendição ou se serão meros figurantes na consolidação da Bauru dos Especuladores. As fichas já estão na mesa. A cidade aguarda para ver quem, afinal, a representa.
FERNANDO REDONDO / Jornalismo Independente

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS EM NÁPOLES, ITÁLIA
Gosto de mais da conta de viajar e ir conhecendo novas culturas e povos. Gosto principalmente, até mais do que visitar a história de um povo, como todos os museus e parques históricos por onde estou e estive, de ter contato com o lado mais popular, o de luta de cada cidade. Neste giro europeu, o que muito tem me impressionado são as poucas conversas que consigo ir travando nas caminhadas.

A mais significativa, a que mais me tocou foi termos feito, eu e Ana Bia, um tour a pé pelo Bairro Espanhol, em Nápoles, aqui na Itália. Confesso, quando montávamos o roteiro de nossas andanças, fiz Ana incluir essa cidade, pois ciente do culto à Maradona, queria ter contato pessoal com aquilo que só conhecia por leituras variadas. Ver pessoalmente algo neste sentido é para tocar fundo qualquer cidadão sensível. 

O que via aqui não é simplesmente um culto a memória do índodo futebolístico Maradona. Ele representa muito mais que isso para os napolitanos. E o bairro Espanhol é uma espécie de República Maradonista encravada no coração da cidade. Por ali, um bairro com todas as moradas bem juntinhas umas as outras, como as tais comunidades que vemos em muitas cidades brasileiras. A luta destes seguia até que, um belo dia, aqui veio jogar bola pela time da cidade, o craque argentino. Ele, de origem muito simples, chega e se identifica imediatamente com a luta destes, os que padecem no dia a dia para sobreviver. Luta desmedidamente dentro do campo de jogo e consegue levantar valorosos títulos para o Napoles. 

Essas vitórias extrapolaram o campo da bola, pois as fez entrelaçadas com a luta destes, os empobrecidos que, alé mdo amor à bola, empreendem a luta diária pela sobrevivência. E Maradona esteve não ao lado destes, mas junto. Ele não só observou, como foi à luta por eles e a identificação que já era imensa tornou-se incomensurável. o que vi nas ruas deste bairro e espalhados por toda a cidade é algo tocante. Essa cidade não ama somente o jogador de bola que aqui jogou, mas identificou nele o lutador que necessita para transformar sua condição social. Poucos foram os jogadores que estiveram tão decididamente fazendo essa opção de luta. Maradona fez e merece todas as homenagens que aqui presenciei.

O marido de nossa guia pelas ruas do bairro possui três tatuagens de Maradona em seu corpo e nenhuma dela, a esposa. Ele, segundo ela, a ama, mas é louco por Moradona. Essa loucura, verdadeira devoação é por ter visto no craque o que necessitavam para reagir, ir à luta e não desistir dos seus sonhos. 

LUTEMOS
Lutem como Paulo Freire e Darcy Ribeiro!
Lutem como Robert De Niro!
Lutem como Muhammad Ali!
Lutem como o Dr. Reverendo Martin Luther King!
Lutem como Mandela!
Lutem como Malcom-X!
Lutem como Mujica!
Lutem como Hugo Chávez!
Lutem como Fidel Castro e Che Guevara!
Lutem como os Panteras Negras!
Lutem como Mino Carta e sua Carta Capital
Lutem como Lula
Lutem como Cristina Kirchner e Gustavo Petro
Lutem como Roger Waters
Lutem como Greta Thumberg
Lutem como o fazem os antifascistas
Lutem como Roque Ferreira!
Lutem como o Bauru Sem Tomate é MiXto
Mas façam alguma coisa!