quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

UM LUGAR POR AÍ )156)


CAMINHOS E ESCOLHAS, O CASO ABILIO DINIZ E O POSICIONAMENTO DOS GRANDES EMPRESÁRIOS BRASILEIROS
Confesso algo abominável, mas até tempos atrás nutria certa simpatia pelo empresário Abilio Diniz. Sua ascenção e como se fez sua caminhada até ter em mãos um dos maiores grupos supermercadistas do país. Sentia nele uma certa sensibilidade social, uma conversa sedutora e me deixava levar. Durante os governos do PT, principalmente nos de Lula, nunca teve um posicionamento destrutivo, perverso na sua plenitude. O achava diferente dos demais empresários deste país, principalmente os grandões. Ele também teve seus problemas na administração do grupo, teve que se desfazer de parte de suas sociedades e assim continua na crista da onda - vão-se os anéis, ficam os dedos. Mas o que mudou de lá para cá? O golpe de 2016, Temer e Bolsonaro, isso fez com que a maioria dos empresários brasileiros, primeiro apoiassem a reforma trabalhista, que fumbicou de vez com os direitos trabalhistas. O empresário que esteve apoiando tudo o que foi feito, impossível um olhar de carinho para com estes. Diniz não se pronunciou sobre nada disso. Quem cala consente, daí, neste domingo quando me deparei com seu livro na Banca do Carioca, na feira do Rolo, tudo isso me veio à mente e tentei traçar como se deu a caminhada de gente como Diniz após a chegada do fundamentalismo ao poder. Onde estão hoje e onde se situam? Aquela admiração de antanho se perdeu com o tempo. Diniz envelheceu e não possui nem mais o poder de antes, mas podia muito ter estar falando em nome da maioria dos iguais a ele, numa demonstração de gostar de fato deste País e buscar algo sensato como solução, principalmente na superação do que passamos hoje. Não faz nada disso e isso me atormenta. Qual é a dos ditos empresários brasileiros, os tais cabeças pensantes, os que mandam de fato, os que possuem influência e voz, os intelectualizados? Estão todos coniventes e aceitando numa boa o que foi feito com o Brasil? Que eles todos estão perdendo e muito com o momento atual, mesmo ganhando, poderiam estar em outra e daí, me questiono, da mentalidade predominante da maioria da elite e classe empresarial brasileira, a que dá sequência ao estilo e prática Casa Grande & Senzala. Quantos se mostram como envernizados e moderninhos por fora, mas por dentro pão bolorento? Diniz me fez pensar nisso tudo e, é claro, só fotografei seu livro, não tendo coragem nem de por mais as mãos neste momento. E aqui em Bauru, qual o posicionamento dos empresários desta terra varonil, qual a linha de pensamento e ação destes? Apóiam incondicionalmente o capiroto? A classe trabalhadora cada vez mais encurralada num paredão e estes posando de bons mocinhos. Não engulo mais essa.

AS DUAS CASAS, LADO A LADO EM JACUBA
Jacuba é logo ali na curva da esquina. Distrito de Arealva, fica do lado de cá da pista. Pode ser considerada menor que muitas vilas desta aldeia bauruense. Lugar pacato, poucas ruas, uma praça central e no entorno pequenos comércios. Dias atrás estive por ali e algo me chamou a atenção. Parei em frente ao Posto de Saúde, tendo na esquina o Cartório e fiquei aguardando alguém com um procedimento. Tive tempo para espairecer a cabeça. Primeiro uma casa me chamou a atenção, com sua frente toda parecendo uma bela colcha de retalhos, com cacos de azulejos e pisos compondo sua fachada e noutra algo feito sob encomenda, com plano de arquitetura, bem construída, imponente e reluzente.

Com tempo, me pus a compará-las. Numa, com toda certeza, um profissional foi contratado, executou o serviço, impecável e o resultado está ali pra quem quiser ver. Na outra, seu proprietário queria obter o mesmo resultado, mas talvez com menos recursos, optou por outra estratégia, o uso de sua própria criatividade e, juntando cacos e pontas de estoque, montou um mosaico diversificado, dentro da concepção que possui de beleza. Essa me chamou mais a atenção. A outra, levantada com recursos e condições diferenciadas, tem lá sua importância, mas nada se compara com a critividade e ousadia de quem se propõe a executar algo e o faz mesmo na adversidade. Não sei como a arquitetura considera e qualifica isso, mas creio eu tenha significativa importância. Respeito em primeiro lugar.

Não estou aqui para discutir estética, beleza, mas naquele momento, diante das duas residências e tendo as duas famílias ali em suas casas, pois presenciei movimentação em ambas, tive uma vontade indisfarçável de ir papear com o morador dessa cheia de desejos de, ele mesmo, ao seu modo e jeito, fazer algo e chamar de seu. Fiquei na vontade, mas se puder ainda volto lá só para elogiá-lo. O outro não precisa de elogio, sua casa deve ser confortável, é bonita e não existe muito para se discutir. Já dessa outra, se o abordasse, teria assunto para uma tarde inteira de boa conversação. O brasileiro quando quer é dos mais criativos. Ele mesmo faz e acontece e numa pequena vila, como Jacuba, onde tudo é tão parecido, nada foge do trivial, está tudo tão certinho, um pedaço do mundo onde tudo rola de forma traqnuila, sem grandes incidentes, ver essa fachada, já me fez viajar na maionese. Posto as fotos, delas duas lado a lado e depois, a que me fez escrever este texto. Ela é uma casa em constante mutação, pois a cada novo dia, seu proprietário pode encontrar por aí um novo caco e descobrir que ficará lindo se adicionado a outro que já está lá fixado e daí, creio que tudo vai tomando forma e se transformando num obra de arte a céu aberto.

A INTENÇÃO DA PREFEITA SUÉLLEN E DA SECRETÁRIA DE CULTURA TATIANA SÁ É TRANSFORMAR A "CIA ESTÁVEL DE DANÇA" E TUDO O MAIS POR LÁ NUM JOGRAL GOSPEL
As atitudes são nítidas, claras e todas no sentido de aniquilar de vez toda e qualquer manifestação cultural pelo viés público. Nesse post por mim compartilhado, da vereadora Estela Almagro, só mais um detalhe do que virá pela frente. Desde que assumiram juntas, a cidade e a Cultura, ocorre o mesmo que no desGoverno do ex-capitão em Brasília, o terra arrasada. A destruição total e absoluta de toda e qualquer manifestação cultural livre. Só permanecem funcionando algo onde exista uma total conivência com os princípios fundamentalistas, o que vai em total desalinho com os preceitos mínimo culturais. Neste momento, com esse novo Diretor de Ação Cultural, Thiaguera, músico gospel sertanejo, totalmente desconhecido da classe artística, só ali estando para dizer amém a todas as perversidades propostas pela triste dupla, Suéllen e Tatiana. A Cultura pública municipal não mais existe em Bauru, pelo menos enquanto Suéllen for a prefeita. Vai ser um horror, mas muito em breve, tanto a Cia Estável de Dança, como o Teatro Municipal de Bauru receberão somente apresentações gospel. A perversidade da dupla não tem limites, ou seja, tudo o mais é possível.
A PUBLICAÇÃO DA VEREADORA ESTELA ALMAGRO SOBRE O ASSUNTO:
AO NEGAR RECURSO PARA CIA ESTÁVEL DE DANÇA, SUÉLLEN CONFIRMA SUA PRÁTICA DE DESIDRATAR A POLÍTICA CULTURAL EM BAURU
O governo Suéllen Rosim promove mais um ataque frontal à cultura de Bauru. Sem justificativa, a administração barrou a participação da Cia. Estável de Dança na edição de 2022 do Curso Internacional de Férias no município de Salto (SP) ao não repassar cerca de R$ 10 mil.
Dessa forma, o governo Suéllen demonstra que pretende transformar a Cia. Estável de Dança de Bauru em um jogral gospel, retirando o caráter cultural-artístico inovador e inventível, e formador de talentos da Companhia de dança, que desenvolve um processo criativo com a linguagem cênica, usando a dança como forma de expressão máxima.
Sem o recurso público, pela primeira vez sem justificativa plausível, os 8 bailarinos deixaram de embarcar para o curso a partir de 14 de janeiro, quando participariam de 58 aulas no período de 10 dias.
A Cia.tem como fundamento a formação de bailarinos em curso internacional com intercâmbio com profissionais internacionais da dança.
Desde sua criação, há 10 anos, a Cia. Estável marca presença neste importante curso de formação de bailarinos. Houve apenas um ano em que a administração antecipadamente informou a impossibilidade do repasse.
CADÊ ASSINATURA?
Neste ano, foi montado um processo que necessitava da assinatura da prefeita Suéllen Rosim. Como não houve a assinatura, o setor de Finanças da Prefeitura de Bauru não providenciou a liberação do recurso para inscrições e transporte dos bailarinos.
O diretor artístico da Cia. Estável de Dança Sivaldo Camargo acrescentou que, na tarde desta terça-feira, dia 18, ouviu de pessoas da administração a tentativa de justificar o injustificável para explicar o não repasse dos recursos.
Precisamos reagir a esse desmonte da política cultural em Bauru, no seu sentido mais amplo !
Vamos exigir explicações !

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (161)


PUXAR O FIO DESSA MEADA...
Semana passada publiquei aqui algo mais do que estranho acontecendo nas comprinhas de final de ano da Secretaria de Educação, através das indicações de gastos produzidas pela atual alcaide, a incomPrefeita Suéllen Rosim. Era no quesito boneco do "corpo humano" para laboratórios de Ciências em escolas. Ela gastou R$ 3 mil a peça, quando no mercado existe o mesmo produdo por menos da metade do preço. E comprou para escolas infantis, cheches, onde estudam crianças de 3 a 5 anos. Muito estranho, mas pouco deram a devida atenção. Volto à carga, pois esse fio da meada merece ser puxado com o devido esmero e consideração.

Consultei conhecidos dentro das hostes da Prefeitura e todos (as) me disseram, por A + B, não terem entendido a compra dos bonecos, junto de outros produtos não solicitados. Isso é uma coisa, mas tem mais. Foi-me dito que em 2019 ocorreu uma compra do mesmo material, só que não para creches, mas para todo o Ensino Fundamental. Professora do setor repassa mais informações: "Não sei o motivo desta injustificada compra neste momento, mas em 2019 foi comprado laboratórios móveis para todas as escolas de ensino fundamental do município, para colaborar no processo ensino aprendizagem. Pela primeira vez na história as escolas tiveram acesso a essa ferramenta. Comprar novamente e por esse preço é injustificável. O boneco do corpo humano já fazia parte deste material. Não sei por qual motivo foi adquirido novamente e em separado", me escreveu. Localizo até um link de matéria do JC daquele período, constatando e comprovando a compra anteriormente feita: https://www.jcnet.com.br/.../716748-escolas-municipais....

Na compra de 2019 o item Corpo Humano fazia parte de vários itens, ele mais um dentro do pedido por inteiro, mas no feito pela atual administração, essa compra isolada e por um preço fora da normalidade. O fato está posto e sem desconfiar de nada, mas sempre bom investigar e verificar como são feitos os gastos públicos, creio que, a dúvida não pode permanecer pairando no ar. Li hoje comentário de Andréa Sevilha, com algo sobre procedimentos e condutas da alcaide e acho pertinente adiconá-lo ao meu texto, até para tentar produzir algo mais contundente sobre procedimentos de gastos públicos: "A desprefeita está transformando a prefeitura e a cidade em cabide de emprego para a famílicia dela. É cargo para a mãe, o pai, a irmã, o cunhado, os amigos, cachorro, gato, papagaio, etc... Se alguém investigar de verdade vai encontrar até um esquema de rachadinha, pois a prefake é fã do Bozoloíde e faz tudo o que ele faz". Faço uma ligação direta com o que escrevi e o texto da Andréa. Ficamos por aqui batendo na mesma tecla: puxando o fio dessa meada. Investigar é preciso!

MARCELO AFONSO ABANDONADO NA ESTRADA - ISSO ME REMETE AO TUCANO PAULO PRETO*
* Sabe quem adoraria escrever sobre um assunto como este? Broncolino, o Primeiro a Rir das Últimas.

Essa foto do vereador Marcelo Afonso, Patriota, até dias atrás líder da incomPrefeita Suéllen Rosim na Câmara de Vereadores é algo a merecer um textão. Ele e a prefeita são do mesmo partido, o Patriota, portanto, fundamentalistas e bolsonaristas. Ela, a alcaide, com pretensões de efetivar a família nos mais altos degraus da política, mostra os dentes e defenestra seu líder, destituindo-o de cargo dentro do partido, tudo para abrigar os seus - pai e mãe. Tem quem faça tudo na política exatamente dessa forma e jeito, não se lixando para nada mais além dos seus interesses. Isso é problema deles, que se entendiam tão bem até dias atrás. Se um não conhecia bem o outro, agora pelo visto se conhecem. Isso uma coisa, mas comento da foto.
Não sei a autoria da foto e a circunstância em que foi tirada (foi gileteada por mim de post da vereadora Estela Almagro), mas ela me remete algo e se encaixando como uma luva para ser comentada neste exato momento. No registro, o vereador Marcelo Afonso está à beira de uma estrada, sózinho e olhando pro horizonte, como de fato, na vida real. Suéllen virou as costas para seu líder na Câmara e ele pediu o boné. Sabem o que me lembra essa foto? O Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, importante figura dentro da estrutura tucana, envolvendo Alckmin, Serra e outros a época. O PSDB estava as voltas com denúncias de superfaturamento nas obras do Rodoanel e os capos do partido estavam querendo abandoná-lo, para ser devorado como boi de piranha. Ele, percebendo a trama, soltou o verbo: "Não se pode abandonar um líder ferido na beira da estrada". Foi um recado, direto e reto. Se abandonado, ele contaria tudo o que sabia. O fato é que, evidentemente, diante das circunstâncias, não foi abandonado e assim, ninguém ficou sabendo do que tinha para contar. Já no caso bauruense, o Marcelo foi abandonado e como primeira providência, pediu o boné de continuar defendendo a indefensável. Se vai contar algo mais da intempestiva relação, isso já é outra coisa. A foto me remete a Paulo Preto.

necessárias amenidades
SEU LUIZ É DO TIME DOS GATOS, OS QUE SABEM ANDAR EM CIMA DOS TELHADOS (INCLUSIVE MOLHADOS) SEM QUEBRAR NADA
Seu Luiz esteve aqui em casa dias atrás e tentou me ensinar um monte de coisas. Não aprendi quase nada, mas ouvi atentamente. Creio já não ter cachola bem ajustada para aprendizados, depois dos 60 e com a cabeça a mil, pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Tinha algo urgente para ele resolver e o danado chegou, deu o seu jeito e todo pimpão, me mostrou que o mundo é assim mesmo: ninguém sabe tudo, tem uns que sabem umas coisas e outros sabem outra. Todos mais do que importantes no frigir dos ovos. Disse ao seu Luiz que, a água entrava feia por cima, ou seja por um telhado mal ajambrado e diante do aguaceiro quase constante, o telhado estava em petição de miséria. Disse ter medo dele afundar com tudo o mais para baixo e causar estragos ainda maiores do que já os tinha. Ele não se fez de rogado, mediu tudo, assuntou, provou, cheirou, tirou algumas telhas, espiou por dentro e subiu no telhado como um gato, conseguindo ao final da empreitada algo pelo qual fiquei pasmo. Ele fez tudo e não me quebrou nenhuma telha. Sorria lá de cima e riamos da situação, eu observando de longe, pronto para acionar o atendimento de urgência, mas como me afirmou, nada disso se fez necessário. Além de todo o serviço efetuado, tudo dentro do combinado, o danado é bom de conversa e o tempo que passou lá pelos lados do Mafuá trouxeram mais alegria ao lugar. Gosto de gente assim, simples de tudo, mas sabichões até não mais poder. Chega mansinho, sem alarde, não propaga nada, mas executa e o faz com absoluta maestria. Um soberano no que faz. Hoje, lá pelos lados do Mafuá, o problema da água que entrava por cima está parcialmente resolvido e tudo graças ao seu Luiz. Só não foi resolvido de forma total e absoluta, pois telhado com mais de 50 anos, não adianta muito remendar e sim, trocar. Como não poderei fazê-lo no momento, seu serviço me saiu mais que perfeito. Já das águas que chegam por baixo, rente ao chão, advindas das chuvas, enxurradas e enchentes, isso ele nada pode fazer no momento, mas me deu boas ideias, tentativa de amenizar o problema. Hoje, passados quase uam semana de sua vinda aqui, soube que o danado está de cama. Não está com a covid, mas acometido, como a maioria dos que conheço, com essa gripe forte, derrubando todos. Pois é, seu Luiz não cai do telhado de jeito nenhum, mas no momento está no estaleiro, se resguardando, tomando seus xaropes e fazendo compressas, no esmero do lar para voltar a faxzer o que gosta, subir em telhados e de lá, lançar aquele olhar de sapiência sobre os do lado de baixo. Esse senhor é daqueles que valem muito a pena a gente dar um breque em tudo e escrevinhar algumas linhas, postar umas fotos comprovando seu eficiente rrabalho, pois não só sabe tudo do seu ofício, como esbanja simpatia e isso conta muito quando de alguém estranho aqui nos nossos domínios. Pelas fotos a comprovação de tudo o que aqui escrevi e mais um pouco. Pessoas como ele a gente conhece e já quer fazer amizade pra uma vida toda.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

FRASE DE LIVRO LIDO (173) e MÚSICA (207)


pegando leve
COMENTÁRIOS NECESSÁRIOS SOBRE O LIVRO DO AMIGO AURÉLIO, “O ÓVNI DE BADAGARU” – OBRA TODA CONCEBIDA, PRODUZIDA E REALIZADA NA ALDEIA BAURUENSE*
* Antes de começar o pega pra capar com as publicações políticas, dou meu breque e escrevo das coisas mais que saborosas desta vida.

É sempre mais que uma vitória, ainda mais nestes tempos bicudos, ver amigos conseguindo lançar livros. O jornalista AURÉLIO FERNANDES ALONSO acaba de conseguir esse grande feito e faço parte, ao meu modo e jeito, de sua obra. Saiu de sua cachola cheia de caraminholas e viagens pelo interior paulista, mais precisamente o sertão do estado de São Paulo, uma reunião de pequenas histórias, juntadas e misturadas, dando vazão ao seu “O ÓVNI DE BADAGARU – A LUZ QUE VEIO DO NADA”. Aurélio é jornalista de uma cepa inquebrantável, o de estar onde a matéria ocorre, ou seja, não gosta de escrever à distância. Esteve junto dos fatos até sua aposentadoria, ano atrás e em cada lugar por onde passava anotava algo da crendice, uma história mais que local. Quando encontrou tempo na vida, sentou a bunda na cadeira e escrevinhou não um livro, uma obra de ficção fantástica ou algo parecido, mas uma NOVELA. Um estilo que pode muito bem, ser transformada num enredo para um filme ou mesmo, uma longa trama. Os fatos estão todos ali reunidos, os de muitas localidades, juntados na sua cria, a tal da Badaguru, um pequeno distrito perdido aqui por estes lados do interior paulista, onde grassa histórias e estórias do arco da velha. A escrita do Aurélio é franca, límpida, transparente, gostosa e sem delongas. Ele resume tudo em apenas 98 páginas.

Eu tive o prazer de ler antes, pois o danado acabou me convidando, justamente eu, o dito como “esquerda gourmet”, para prefaciar sua cria. Li antes de todos e mais que isso, Aurélio me ligava e contava detalhes, leu a obra quase toda pelo telefone, com comentários de cada passagem. Eu, portanto, sei de algo mais, ou seja, onde e quando ocorreu algumas das passagens mais mirabolantes da trama. Um luxo estar situado dentro da obra. Assim me considero e hoje, com o livro nas mãos, graciosamente a mim presentado junto de uma caneca com a marca de Badagaru (seria a nossa Sucupira ou Boendía?), fico extasiado com o que vejo. Aurélio deu seu jeito para conseguir fluir uma bela obra e foi ao encontro de quem a realizasse dentro do que imaginava. O livreto ficou lindão. O cuidado com a edição ficou a cargo do livreiro e também editor Reginaldo Furtado, dono do sebo O Livtreiro, ali na Saint Martin. Reginaldo cuida disso tudo com o devido esmero, cuidado e sabe que, ouvindo atentamente o poponente, a cria sairá cheia de luz. Assim foi feito. Adorei tudo na edição da ainda modesta editora Clepsidra, inclusive na forma como numerou as páginas. Enfim, um livro também é recebido com empatia quando tudo dá certo. No do Aurélio, parece que tudo assim ocorreu.

Peguei meu exemplar ontem pela manhã lá na banca da Ilda, a do Aeroclube, deixada pelo autor com dedicatória: “Ao amigo Henrique Aquino. Este livro é sobre as inquietudes e crendices deste país, 15/01/2022”. Vim babando com ele nas mãos e lendo suas páginas iniciais, em voz alta, nas paradas de semáfaros. Podem ter certeza, falava sózinho enquanto dirigia. A história precisa ser conhecidas e a obra é encontrada lá na Ilda ou com o próprio autor, mas não aceite ele te doar o livro, por favor, compre, para ele conseguir pagar o que gastou e assim, consiga também imprimir logo mais uma segunda edição. Eu, um emotivo cidadão, agora que a coisa já está nas ruas, posso publicar aqui o meu texto, escrito sob pressão, pois Aurélio me deu um prazo para fazê-lo e devo ter ultrapassado os limites algumas vezes, até o dia em que, ligou e disse assim: “Sai ou não o prefácio?”. Saiu e assim ficou:

“Eu, daqui por diante só darei importância e lerei histórias pra lá de fantásticas. As normais são exatamente isso, normais, daí, cansam quem já as leu à exaustão. Não me chamam mais a atenção as triviais, relatando o dia a dia sem o algo mais, o incondicional, inusitado. Continuo lendo e muito, mas me tocar fundo, não tendo o algo mais, perco o interesse logo de cara.

Pensava exatamente nisso quando me chega às mãos o texto do novo livro do amigo jornalista Aurélio Fernandes Alonso. Numa ligação telefônica, quando me convidou para escrever este texto de abertura, relata personagem por personagem, de como se dava a trama de seu primeiro livro, que não considera romance e sim, uma novela de cunho surreal, insólita e original. Na medida que ia revivendo cada passagem e os personagens, como cada qual foi introduzido no texto, aquilo me fez ir longe. Primeiro pensei em Dias Gomes e seu imortal texto “O Bem Amado”, da fictícia Sucupira e depois até em Gabriel García Márquez, na ainda mais imortal Buendía, do clássico “Cem Anos de Solidão”. São comparações mais do que justas, muito pertinentes. Em ambos, muito de realidade e ficção.
Despertou em mim, logo de bate pronto, o interesse pela leitura. Conhecendo Aurélio como o conheço, décadas de jornalismo estradeiro, colhendo histórias e desvendando estórias pelos cafundós do interior paulista, sei que durante todo seu tempo de ativo jornalismo, seu gosto era por escrever sobre exatamente essas histórias e personagens. Impossível para ele adentrar um lugar qualquer, tomar conhecimento de algo a movimentar aquele povo e não a querer desvendar, ir à fundo. Muitos dos seus textos são exatamente em cima desta tecla. Hoje percebo, ele não só escreveu, como colecionava histórias. Deve ter um lugar não só em sua memória, mas em algum caderno ou cantinho de computador, onde tudo foi armazenado para uso futuro.

Chegou o dia de colocar os bofes pra fora. Da mesma forma que me contou cada história que ia tomando conhecimento nas mais diferentes localidades, soube com primazia transportá-las para uma aldeia, diria mesmo, um pequeno distrito, onde coube todos. Ele buscou um fio condutor para citar todos, enfim, nenhum poderia ficar de fora e assim o fez com sapiência e maestria. A maioria dos relatos não tem sequência na estória, mas tem presença e importância bem definida. Confesso maravilhado ter viajado – continuo viajando – numa fértil imaginação de tudo o que se desenrola de histórias mirabolantes pelos quatro cantos deste seu mundinho – que também é o meu. Seu livro é isso, a abertura do seu baú de lembranças, com tudo o que tinha lá guardado, agora pululando pela aí, cada qual com vida própria, livres, leves e soltos.

Não consigo esconder minha euforia com textos desse quilate. Eu vibro com as histórias advindas deste mundo, surfando entre o real e o irreal - também, irracional –, o verdadeiro e o falso, o possível e o impossível, enfim, o dantesco. A danado do Aurélio soube juntar isso tudo, conduzir suas lembranças de forma saborosa e envolvente, encontrando num final caudaloso, o fechamento improvável para lacrar a tampa do caixão. Essa história contada em detalhes pelo Aurélio não tem fim, até porque, pelo que sei, ele tem muito mais registros e a tal tampa permanecerá sempre aberta. Com a mente regada em botequins, campos de várzea, prostíbulos, quebradas, vicinais, praças e ruelas, todos de ponta de vila e com muita gastança de solas e solas de sapatos, possui material para muito mais. Isso aqui é só o começo. Ainda bem, pois já estou com aquele gostinho de quero mais”.

O texto passou depois por um revisor e teve melhorias consideráveis. O que aqui tento é simples. Despertar o interesse para que muitos comprem, leiam e espalhem a ideia. Só assim o Aurélio vai se sentir estimulado a botar no papel tudo o mais que ferve e está lá espremendo seu cérebro. Precisamos contribuir para que ele possa colocar tudo pra fora o quanto antes.

pegando pesado
O PAU COME NA CASA DO NOCA - PREFEITA SUSSU, NOS PREPARATIVOS PARA SALTO ELEITORAL, QUER TUDO SÓ PARA ELA E OS SEUS
O pau come feio na Casa do Noca, ops, digo, na Casa da alcaide fundamentalista Suéllen Rosim, ou se não na casa, nas imediações, dentro do quintal. No famoso samba, “O Pau Comeu”, esse trecho é bem similar com algo ocorrendo também nas entranhas políticas de uma nova turma tentando se firmar no céu nada estrelado do firmamento local: “Todo mundo brincando, forró animado/ Quando um cabra armado, entrô com o Zé Minhoca/ Na casa de Noca e baixou o cajado/ E o pau comeu, comeu, comeu/ Na casa de Noca, o pau comeu”. Ocorrências nem um pouco inusitadas ou causando estranhamento andam em curso, causando estupor em alguns, mas tudo dentro da mais pura normalidade para outros.

Vamos ao fato. Leio postado pelo servidor municipal Rafael Santana de Lima, sempre muito crítico com a atual administração (ele tem por hábito escrever tudo em caixa alta): “NOTÍCIA QUE NÃO ME SURPREENDE, POIS TÁ ESCRITO LA NA CÂMARA: O DIA DO FAVOR É A VÉSPERA DA INGRATIDÃO. FALTA DE ÉTICA, DE COMPANHEIRISMO, DE RESPEITO...OU SIMPLESMENTE "TRAIRAGEM" MESMO, POIS O NOBRE VEREADOR MARCELO AFONSO TEM UM ENORME MÉRITO NA VITÓRIA DESSE GOVERNO, E NÃO FOI SEQUER COMUNICADO DESSA ABSURDA E ESTRANHA "MUDAGÍLIA", MISTURA DE "MUDANÇA E TRAIRAGEM DE FAMÍLIA". PARABÉNS VEREADOR AO SE POSICIONAR, FAZ UM BELO TRABALHO, É UM INCANSÁVEL, QUE BUSCA RESOLVER OS PROBLEMAS DA POPULAÇÃO, E TRAZENDO O QUE EU MAIS VALORIZO NA POLÍTICA " RESULTADO ". PODEM DIZER O QUE QUISEREM, PORÉM NUNCA QUE NÃO CORRESPONDE AOS VOTOS DOS SEUS ELEITORES E AO NOME DE SEU PAI EX VEREADOR AFONSO, O QUAL DEVE ESTAR MUITO ORGULHOSO DE SUA ATITUDE. P A R A B É N S !!!”.

O furo foi dado pelo jornalista Nélson Gonçalves em sua coluna nas redes sociais: “Família Rosim assume comando do Patriota e PSC – Líder da prefeita anuncia que deixa função após ser excluído do novo comando do Patriota. Família Rosim assume a legenda e também o comando do PSC”. Nada mais do que uma movimentação do segmentos fundamentalista, fechando-se em copas entre si, excluindo todos os demais de participação no naco de poder. Evidentemente tudo sendo feito com intuito eleitoral. Antes de entrar no mérito da questão, quando li o que o amigo Rafael postou e logo a seguir em outro post, algo muito parecido, o de Alcides Mendonça II (também com hábito de escrever tudo em caixa alta): “BOM DIA - MINHA SOLIDARIEDADE AO VEREADOR MARCELO AFONSO QUE INOCENTEMENTE ABRIU A PORTA DE SUA CASA PARA ACOLHER ESSA ... DE BIRIGUI QUANDO JÁ TINHA UM GRUPO MONTADO, GRUPO ESTE QUE TRABALHOU NA CAMPANHA DESSA MULHER QUE ENGANOU A TODOS COM UM FALSO DISCURSO MORALISTA E CRISTÃO, A MASCARA CAIU, EM SUA ANSIA DE PODER ESSA GENTE DEMONSTROU QUE PASSAM POR CIMA DE TUDO E DE TODOS ATROPELANDO TODOS OS VALORES MORAIS PARA TENTAR ALCANÇAR SEUS OBJETIVOS, MAS JUNTOS NÓS NÃO DEIXAREMOS ISSO ACONTECER. FAMÍLIA ROSSIM, NÓS NÃO QUEREMOS VOCÊS EM BAURU, VOLTEM PARA O BURACO DE ONDE SAIRAM”.

Só a partir daí, postei um comentário neste post, algo bem simples, direto e reto, resposta de minha lavra e responsabilidade, até para deixar bem claro algo mais dessa movimentação de peças no tabuleiro do fundamentalismo bauruense: “Ninguém foi enganado, meu caro. Todos ali sabiam muito bem onde estavam enfiando seus pés e mãos. Não tem inocente nessa história”. Daí, me veio à mente a canção do “pau comendo na casa do Noca”. No caso, a Casa do Noca é a hoste fundamentalista, bolsonarista, negacionista, onde todos estão intimamente – ou seria umbilicalmente? - ligados com o retrocesso pelo qual a cidade Bauru atravessa com a atual administração. Sem tirar nem pôr, Patriota e PSL, para mim, são farinha do mesmo saco, representam a mesma linha de pensamento e ação, agem de comum acordo e se não estão mais se entendendo, o que está em curso são disputas fraticidas pelo poder. Nada mais que isso. Muito bom para a população bauruense enxergar mais nitidamente do que e de quem se tratam. No meu caso, diante de tudo o que vejo, continuo seguindo regra básica de conduta, o de me manter o máximo de distância destes todos. A Bauru que luto para ver vicejar, não possui nenhum destes como próceres. Só isso, nada mais. O imbróglio lá na Casa do Noca, pelo visto, é bem mais simples de ser resolvido do que os interesses eleitorias em curso.
OBS.: Qualquer semelhança com o ocorrido na Casa do Noca não é mera coincidência.

domingo, 16 de janeiro de 2022

REGISTRO DO LADO B (76) e BEIRA DE ESTRADA (146)


APRESENTAÇÃO DO 76º LADO B, ACONTECENDO HOJE, DOMINGO, 16/1, 19H COM O ADVOGADO ALEXANDRE MANDL, NA INTRANSIGENTE DEFESA DOS TRABALHADORES E DO MOVIMENTO SOCIAL ORGANIZADO
Eu continuo produzindo este Lado B e o faço desde o princípio exatamente com este intuito, o de apresentar histórias envolventes de pessoas, as que fazem e acontecem neste mundo. Eu só trouxe aqui gente que faz e acontece, rema contra a corrente, insiste, persiste e resistem com uma força que, não pode passar batido. Eu estou aqui, com meu jeito nem sempre límpido e reluzente, mas tentando mostrar o melhor de mim e bater papo com os interessantes desta vida. Isso me move e me conduz. E em cada semana, penso muito em quem vai ser o próximo, quem vai se juntar a tantos outros nessa galeria de batalhadores, a maioria verdadeiros revolucionários, dando murro em ponta de faca e esgrimando pela aí. Suas histórias são o que de melhor temos, até para conseguir continuar na lida. Me espelho em todos os que aqui estiveram, como este aqui hoje, uma baita pessoa humana e que vai gerar, com toda certeza uma conversa pra lá de proveitosa.

ALEXANDRE MANDL é advogado, 40 anos, residente em Campinas há mais de vinte anos, natural de Sorocaba e desde que pra lá foi estudar Direito, não mais conseguiu de lá sair. Desde jovem trilhou um caminho, o da defesa dos oprimidos pelo brutal sistema onde vivemos. Uma escolha assim, como se sabe não é algo nada fácil, pois quem o faz, fica marcado para todo o sempre. Mandl fez questão de não só fazer sua escolha, como ir fundo e dela não mais consegue - e nem quer - se afastar. Um jovem desses que, arrebatam quem estiver à sua frente já nas primieras palavras. Eu tive o prazer de ser apresentado a ele pelo querido Roque Ferreira. Ambos militavam juntos da Esquerda Marxista, ele já advogado da Assessoria Jurídica Popular. Vinha sempre a Bauru defender Roque nos tantos processos onde estava enfurnado. Foi empatia à primeira vista.

Só para terem uma ideia, esse tal de Mandl, possuidor de uma agenda das mais lotadas e requisitadas, encontra tempo, para aqui estar quando o assunto é algum trabalhador correndo risco ou causa de poderosos atentando contra os interesses da classe trabalhadora. Já o vi aqui em incontáveis situações e uma dessas, talvez a primeira tenha sido quando do caso Ajax, com trabalhadores e moradores sendo contaminados por chumbo proveniente do descaso dos empresários daquela empresa. Ele tem muitas histórias para contar e uma dessas é a da Flaskô, uma ocupação vitoriosa na região de Campinas, sendo sempre utilizada como exemplo quando se fala de luta e ocupações e fábricas falindo e abandonando seus funcionários ao deus dará. Sua vinda aqui será para nos contar algo disso tudo, nos encorajar para a continuidade da luta. É sempre muito bom ouvir formas de resistência, o que já foi feito, o que se faz, como fazer e como não se deixar vencer, continuar na lida e luta. Por tudo isso e muito mais, esse bate papo vai ser dos mais envolventes e daí, convido tudo, todas e todos, para juntos conhecer esse valoroso lutados das causas sociais.
Vamos juntos?

CHAMADA PARA O 76º LADO B, COM ALEXANDRE MANDL, UM ADVOGADO DE LUTA E NA LUTA
Este está envolvido dos pés à cabeça na resistência, fazendo parte da Assessoria Jurídica Popular, junto ao trabalhador e movimentos sociais. 40 anos de idade, desde muito jovem na lida e luta, amanhã, DOMINGO, 16/1/2022, 19h, aqui pelo meu facebook, um bate papo revelador e cativante com admirável pessoa humana, suas histórias e envolvimentos. Eis o link: 
https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/461303555385513

COMEÇA AQUI O 76º LADO B, HOJE COM O ADVOGADO E MILITANTE SOCIAL ALEXANDRE MANDL, DIRETAMENTE DE UMA TRINCHEIRA DE LUTA


MEU AMIGO RUBENS COLACINO, O ESPIRITISMO E ALGO DE COISAS DE OUTRO MUNDO
Será que posso ser considerado convicto ateu? Tento. Venho de família eminentemente católica, me afastei da religião faz tempo, mas ela não se afasta de mim. Como não admirar e não querer pregar junto de alguém como o padre Júlio Lancelotti? Minha religiosidade está junto destes, Boff, frei Beto, Casaldaliga, padre Severino, pra ficar aqui pela região. Hoje pela manhã bato de frente com o amigo, professor de longa data, militante na Apeoesp, Rubens Colacino. Nem sei porque, mas quando percebemos estávamos falando de religiosidade e daí por diante, desvirtuamos a conversa. Relato até para, juntos tentar entender melhor algo de como são tocadas certas religiões. Rubens, como é sabido até pelas pedras do reino mineral é espírita. Professa e propaga sua religião por onde ande. Sempre carrega consigo folhetos e os distribui.

Hoje falávamos das agruras deste mundo e disse a ele que, não acreditando em outra vida, pois até agora ninguém voltou para contar de fato como é o lado de lá, temos que aproveitar ao máximo essa estadia, pois não existindo outra, deixar de fazer algo é muito para minha cabeça. Ele já me contrariou e até aí tudo bem, questões de crença. O que achei um tanto pesado foi quando citou Cássia Eller, a cantora falecida anos atrás e me dizia: "Ela estava vagando, sem destino, sofrendo muito sem conseguir fazer a passagem, pois fez muita coisa errada enquanto viva e desdizendo de outras vidas, se encontrava apartada e padecendo. Até o momento em que foi abordada e se mostrou favorável a rever o que havia feito. Daí foi reencarnada numa pessoa em Minas Gerais. Fez um manifesto que postei tempos atrás, onde aceitava estar acreditando numa nova postura. Ela se salvou, pois aceitou rever seu passado".

Eu não consigo conversar normalmente sobre esses assuntos nesse nível. Pra mim não dá. Fico constrangido de ser grosseiro com o Rubão, gente querida de longa data, mas quando chega nesse ponto, travo e prefiro me afastar. Até porque disse mais. "O próprio Raul Seixas, que teve uma vida parecida, fez e aconteceu, depois de morto, conseguiu rever tudo e hoje está num outro plano, mas tranquilo, sereno, pois enxergou seus erros". Queria me contar mais de outros famosos, chegou a citar Cazuza, mas interrompi sua fala. O espiritismo seria isso? Fazer crer que, depois de morto, tenham pecado muito e possam se redimir em outras reencarnações. Não criei problemas para o Rubens, nem o constrangi, mas passo adiante esse diálogo hoje ocorrido, pois ele não se esconde, conta isso por onde ande, acredita piamente no que me diz. O máximo que consegui dizer a ele foi: "Pera lá, se a Cássia teve esse monte de problemas do lado de lá eu também vou ter, pois apronto muito e continuarei a fazê-lo, até porque acho que me resta pouco tempo de vida e não quero deixar nada para trás". Se o que prega é verdade, devo começar a me preocupar? Na verdade, ando demais preocupado com os embates pela frente este ano, principalmente na derrubada do capiroto e não com os que, supostamente, terei um dia do lado de lá.

sábado, 15 de janeiro de 2022

DICAS (216)


PERDER UM AMIGO*

* Este foi meu 46º texto, de minha lavra e responsabilidade, publicado hoje no semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, sobre algo mais do que entalado em minha garganta. Escrevo movido pela emoção e quando isso ocorre, a escrita fica avariada. Escrever nessas condições é uó do borogodó. A seguir o texto:

Primeiro, antes de tudo, posto a letra de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, para algo bem com sua cara, poema escrito numa mesa, algumas décadas atrás e com este título: “PERDER UM AMIGO - Perder um amigo/ Morrer pelos bares/ Pifar em New York/ Penar em Pilares./ Perder um amigo/ Errar a tacada/ Sentir comichão/ Na perna amputada. /Perder um amigo/ Mudar pra bem longe/ Levar vida afora/ O tombo do bonde./ Perder um amigo/ É a última gota/ Se o cara duvida/ Que a vida é marota/ Perder um amigo/ Perder o sentido/ Perder a visão/ As mãos, os ouvidos./ Perder um amigo/ Perder o encontro/ Marcado e marcar-se/ Com a perda do espelho/ Nos olhos do amigo/ Aonde melhor/ Conheci minha face”.

O que entristece mais quando alguém se vai, como neste momento, conhecido professor daqui de Bauru, militante social de uma vida inteira, PT e PSTU, Almir Ribeiro, 62 anos. Exatamente a minha idade. Junto tudo e tento escrever algo, num momento em que talvez saia algo disforme, fora do tom, azedo ou mesmo, sem sal. Ando angustiado e os motivos são mais do que evidentes. Tantas perdas e tanta imbecilidade, gente desdizendo da Ciência para continuar seguindo alguém totalmente desajustado, fora do tom, miliciano e criminoso. Chegamos a este ponto neste insólito país. Perdemos ao longo dos últimos anos a capacidade de reagir, ir pras ruas protestar e botar pra quebrar. Este que ontem se foi, era de uma geração que fazia e acontecia. Sem medo de colocar a cara a tapa, enfrentou tudo e todos, sem se vergar.

O entristecer maior é quando olhamos para os lados e diante de gente como ele partindo, mesmo muitos na lida, mas as peças de reposição parece não ser mais tão impetuosas e envolventes, arrebatadoras como dantes. Ou os tempos são outros ou estamos cada vez mais bundas moles. Não desmereço uma parcela da juventude hoje lendo muito, porém, militando menos. Não dá para fazer revolução sem a existência de uma base sólida, uma teoria por detrás de tudo. Poucos se dão ao luxo de ler, ir em busca das referências antes de abraçar as causas. Almir leu a vida inteira e conhecia como poucos todos os movimentos revolucionários mundo afora. Olho para os lados e não vejo mais gente deste mesmo quilate na lida e luta. Pioramos.

Meu orgulho – e também deste que se foi – é ter conseguido, ao menos, algo a me encher de orgulho. Meu filho hoje lê mais do que eu, muito mais e discute de igual para igual teorias, desde as marxistas, darwinistas, trotskistas, revolução francesa, russa de 1917, como nossas guerras, decepções e avanços. Tenho é muita dificuldade em acompanha-lo no debate. Ou seja, ele por ser assim, vai sofrer muito mais neste mundo onde ser indiferente parece ser um grande negócio. Almir não conseguiria viver indiferente, nem eu, muito menos nossos filhos. Quer orgulho maior que este? Envelheci, sei que o mundo avançou em muitos aspectos mas em outros regrediu e hoje a dominação se faz pelo medo, uma intimidação calando tudo e “quase” todos. Quando vejo ainda gente discutindo em voz alta que o “comunismo” é o pior dos mundos, sem nenhum conhecimento do que isso venha a ser, olho para trás, o que já fomos ou ao menos tentamos ser e me prostro, quase resignado, triste, pois ando cada dia mais cansado, poucas esperanças. Buscando forças, um “energético” dos bons.

Não tivemos nem força suficiente para vergar esse presidente hoje ainda no poder e depois de tanta malversação. Almir se foi entristecido por dentro, militando e tentando até o último instante formar, mostrar, propor, instigar, sugerir, confrontar... Eu farei o mesmo, até meu último suspiro e sei, meu filho fará o mesmo, mas nem sei se teremos força para impor uma vitória popular, onde o ser humano seja o artífice da construção de um novo mundo. A luta de uma vida inteira, lendo e buscando formas de vergar os perversos, os que danam com nossas vidas é tarefa sem fim. Almir foi mais aguerrido que eu. Estava mais preparado, conseguiu mostrar isso para mais pessoas do que consigo fazer. Precisamos para mudar este mundo, de muito mais gente assim, sem medo de nunca esmorecer. Eu não pretendo fazê-lo, mas aos 61, o corpo dói, a incontinência retarda meus passos, mas na caminhada sei, não existe trégua. Sinto o baque, mas não existe como esmorecer e entregar os pontos. Se estou em busca de um país melhor, diferente, muito mais justo, soberano, tenho que, mesmo na adversidade, “levantar a cabeça, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e historiador (www.mafuadohpa.blogspot.com).

ENQUANTO ISSO, NO REINO DE SUSSU PREFEITA, TODOS DISTRAÍDOS E ELA SE APROVEITANDO DA SITUAÇÃO...
Fez o que era esperado, por decreto, após impasse (sic) pelo não quórum da reunião do Conselho de Usuários, que supostamente decidiria sobre o aumento. Como no dia choveu a cântaros na cidade - teve até enchente no Mafuá -, o quórum não foi alcançado e como se sabe a cidade não poderia esperar mais sem uma decisão, ela optou por assumir a pinimba para sua responsabilidade, apagou as luzes, mandou todos sairem da sala e assinou o aumento. A passagem dos ônibus urbanos estarão já a partir de fevereiro custando bem pertinho de R$ 5 reais cada. Nenhuma novidade. Nosso últimos prefeitos não agiram em desacordo com o que lhe era imposto pela pressão das empresas de ônibus - as duas, por sinal, do mesmo proprietário, mas com nominação diferente para enganar incautos. Empresas de ônibus movimentam muita grana, entrada diária e assim sendo, quando existe necessidade de algo, nunca se negaram a fazê-lo, mas depois cobram a conta. A pressão feita pelo reajusta - ou como se diz nas esquinas, aumento - não é algo novo, nem se deu pela primeira vez. Suéllen se mostra favorável à pressão recebida, pois não pestanejou e aumentos os preços das passagens. 

Do Conselho de Usuários, mesmo querendo se mostrar operantes e com alguma utilidade, quer queiram, quer não, sempre foram massa de manobra nas mãos dos alcaides. Desconheço se algum dia o Conselho brecou algum aumento nos preços cobrados. Sempre estiveram em acordo casado com as administrações e os aumentos ocorrem dentro de percentuais previamente acordados. Daí, a pergunta que nã oquer calar é somente uma: se a maioria dos conselhos existentes hoje na cidade, perlo menos os deliberativos, não estão deliberando mais nada - e já faz algum tempo -, qual o sentido de se manter reuniões ordinárias? Sendo de caráter consultivo, tudo bem, até entende-se, podem no máximo indicar algo, sugerir, propor, mas nunca decidir, já o deliberativo, ao contrário, tem o poder de veto, de tomar decisões. Quando não o faz, algo mais do que estranho no ar. O fato é um só e até agora se não foi entendido pela maioria da população, que algo fique exposto, como mais uma das tantas fraturas bem evidentes destes tempos e dessa administração: o Executivo é autoritário, prepotente, não gosta de ouvir contrários, muito menos acatar decisões que não sejam as suas. Bolsonaro, o ainda presidente miliciano brasileiro age do mesmíssimo jeito e maneira, sempre dando seu jeito e sendo sua a palavra final. Se é para ser assim, qual o sentido de manter estes Conselhos? Seria simplesmente para manter as aparências? Pelo meu parco e diminuto entendimento, não dá mais para tapar o sol com a peneira: estamos vivenciando uma administração onde nenhum voz externa é levada em consideração. Quando nem a de um Conselho constrituído o é, por que fariam ouvindo a voz do povo. Meu dileto amigo, ex-secretário de Cultura em administrações passadas, Elson Reis é hoje o representante do funcionalismo junto da Ouvidoria da Prefeitura. Deve passar mal bocados, pois ouvir é uma coisa e ver aquela reclamação ser colocada em prática, atendida ou mesmo,  tudo resolvido é bem outra coisa. Suéllen, a Sussu do Cerrado, pode até te ouvir, mas é do tipo que, principalmente reclamações, entram por um ouvido e saem pelo outro. Ou seja, discussão inócua, pois a prefeita gosta de bater o martelo ao seu modo e jeito. Viva o aumento, reajuste ou seja lá o que quiserem denominar. Contestação até o presente momento nenhuma legal ou em curso. Só mesmo uns gritos e bocejos de praxe. Em fevereiro, com o passe mais caro, o usuário terá que se conformar ou andar mais a pé do que já está fazendo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

RETRATOS DE BAURU (260)


ALMIR RIBEIRO (1960/2022) – DEPOIMENTOS
- “Almir Ribeiro foi um dos melhores da minha geração. Com uma fina e irretocável ironia "desafinava o coro dos contentes"; com uma inteligência privilegiada encontrava soluções onde muitos já não viam caminho; com uma aparente frieza, era o exemplo maior de solidariedade e coerência. Conheci Almir ainda na década de 80 quando comecei, timidamente, a participar das reuniões do PT. Embora nossa diferença de idade seja pequena, ele já era um militante respeitado e radical e eu apenas um novato sonhador e reformista. Ficamos amigos aos poucos e juntos participamos da heroica campanha eleitoral de 1988, ele como candidato a vice prefeito e eu vereador. Os embates dentro e fora do partido nos aproximou, não somente na política, mas também pelas afinidades intelectuais, principalmente culturais. Com seu imenso conhecimento em história, música, cinema, entre tantas outras, me abriu caminhos e descobertas. Deixou de ser apenas um amigo para também ser um farol a iluminar meus passos políticos e intelectuais. Com ele conheci a obra literária de Italo Calvino e filmes como "O baile" de Ettore Scola. Nos últimos anos, embora afastado da militância partidária, jamais deixou de participar de todas as atividades políticas de rua que foram organizadas, ofertando um alento para velhos e novos militantes. Sua partida, assim como a do camarada Roque Ferreira, amigo em comum, nos deixa meio órfão, sem horizonte, com a preocupação de que de fato eles venceram. Finalizo com as palavras do camarada Tauan Matheus que muito me tocaram: “E lá se vai uma das últimas pessoas que me ligavam à algo que almeja ser ... lá se vai o último incansável e imprescindível combatente da classe trabalhadora. Não resta mais ninguém. Nem eu desejo ser mais nada.”. Almir, presente!”, advogado Arthur Monteiro Junior.

- “Há alguns dias, eu andava perplexo com as notícias sobre a saúde do Almir Ribeiro. Sabia que o quadro era muito delicado, mas imaginava que, por ele ser casca-grossa, derrotaria a visitante indesejada pelo cansaço. Hoje veio a notícia que acabou com nossos dias. Digo nós, por todos que tivemos o privilégio de tê-lo enquanto professor. Não foi qualquer professor. Foi alguém que nos abriu os olhos para a vida. Para as contradições da sociedade capitalista. Para nossos preconceitos. Para nossa visão mesquinha de mundo. Esta foto, que tomo emprestada de seu filho Henrique, conta muito dele: aquele sorriso sarcástico nos cantos dos lábios, os olhos meio espremidos, com um ar jocoso, sempre pronto a soltar uma tirada demolidora. Quanta falta vai fazer seu senso de humor, seu azedume, sua crítica ferina, sua luta... Na sala de aula, nos tratava como iguais, algo difícil de se ver, mesmo hoje, em nossas escolas. Ele nos mostrou livros, músicas, filmes. Algum tempo atrás, ele postou algo sobre o filme Radio Flyer. Então, lembrei que ele tinha nos mostrado esse filme durante uma aula. Almir achou engraçado e respondeu que estava tentando se recordar da justificativa que ele tinha usado para mostrar um filme daqueles a seus alunos do ensino médio. E precisava de justificativa? Na certa, ele apenas quis compartilhar conosco algo que o fez emocionar. Sim, porque ele era emotivo. Era inusitado ver aquele poço de ironias contando o modo com brincava com a filha Marina. Ou das horas que se dedicava ao seu jardim na frente de casa, ao lado do filho Henrique. Nunca perdeu a ternura. Nem o sarcasmo e a inteligência aguçada. Nem a disposição para lutar pelo socialismo. Neste dia tão sombrio, cheguei a pensar em escrever algo como: “O PT é a única alternativa para a classe trabalhadora no Brasil”, na esperança de que Almir viesse esculhambar comigo e me chamar de reformista. Mas ele não virá. Hoje, ficamos um pouco mais órfãos”, jornalista Rodrigo Ferrari.

- “Adeus amigo culto! Sinto sua falta. Homem inteligentíssimo, crítico mordaz, de humor ácido, típico dos inteligentes. Um homem culto, letrado, um professor para todos os que o conheceram. Acompanhava suas postagens. Não o conheci pessoalmente, mas os diálogos que mantivemos ao longo da nossa curta amizade via facebook foram suficientes para fomentar a admiração que vou guardar no coração. Era, pra mim, a tradução do " endurecer sem perder a ternura" sendo que sua forma de endurecer foi seu ceticismo, sua ironia sarcástica que acompanhou até seu último post . Dava para ver, nas entrelinhas de suas críticas, nos poemas de domingo, nas saudades enviesadas de Olímpia, mas referências amorosas aos filhos, quão grande era seu coração. Almir, como eu gostaria de te lo conhecido melhor, fico imaginando como seria a sua voz. Tenho certeza de que passaria algumas horas numa mesa de buteco, diante de uma cerveja gelada, dividindo sua companhia com a Tatiana Calmon Karnaval , quiçá o Henrique Perazzi de Aquino e a Ana , escutando sua análise crítica, essa metralhadora giratória que não poupava ninguém, suas histórias de Olímpia. Seu orgulho dos filhos, a saudade da filha... Sei que você era cético com relação à espiritualidade, e por respeito não vou enveredar por aí. Creio que sua existência ficará marcada no coração de muitos, mesmo naqueles por quem você lutava e que não tiveram a capacidade de enxergar que sua luta era coletiva, tamanha a miopia da atualidade. Enfim, Adeus Amigo Culto e Não Oculto, nosso tempo foi curto, e o mundo se torna cada dia mais estranho. O sol, amanhã, levantará novamente sem nos pedir licença, e seguiremos nossa caminhada levando a saudade no coração. Valeu, Almir, ter te conhecido, mesmo tão pouco e por tão pouco tempo, eu o tinha como um amigo, palavra que não me é vã. Vá em paz!”, Márcia Nuriah.

- “- Bom dia, Almir! Como você está... Bom, isto não se pergunta por estes dias.
- Não, eu estou ótimo. Vivemos nossos melhores dias.
- Como assim Almir "melhores dias"? Estamos em pandemia, Bolsonaro no governo, esquerda perdida... Eu acho que vivemos os piores dias.
- É porque você está olhando para o passado, eu estou olhando para o futuro, por isto sei que estamos vivendo nossos melhores dias.
Assim era o Almir, de (mau)humor e inteligência inigualável. E tinha razão ”, Marcos Chagas, da Apeoesp.

- “Vai faltar/ Vai faltar nas nossas fileiras,/ Vai faltar nos nossos debates,/ Vai faltar nas ruas,/ Vai faltar nas poesias,/ Vai faltar nos nossos silêncios/ De hoje.../ Almir, você vai faltar/ porque faz falta.../ Pessoas como você: / faz falta.../ Mas estará tão presente quanto sua incansável presença e convicção de que só a luta permanente, sem reformas, sem eleições, que muda realmente as nossas vidas!/ Obrigada pelos ensinamentos, conversas, dicas, sugestões, solidariedade e cumplicidade... / Hoje estamos mais tristes. Você vai faltar!”, Franci Leme.

- “Eu era bem jovem. A professora Saletinha, que de antropologia e vida entende tudo, falou em uma aula que um tal de Almir achava o seguinte: "pode ser até que Deus exista, mas eu tenho outras coisas para me preocupar agora". A aula estava acontecendo nos jardins do Sagrado Coração, a faculdade que já foi Fafil, Fasc, USC e nem sei que nome chamar hoje. Me interessei.
Um dia, nos anos 80, passeando pela Batista, em Bauru, encontrei o professor Odil José de Oliveira Filho, que trabalhava na livraria da Tilibra. Odil, grande poeta, falou algo como: tô saindo da livraria, mas vai entrar um cara melhor, o Almir. Era a segunda vez que ouvia falar bem de um tal de Almir.
Até que um dia, sei lá como e quando, me vi na rua Sete de Setembro, num predinho perto do BTC e conheci pessoalmente o tal de Almir, que ganhou um "sobrenome". Era o Almir da Bia. Acho que eu estava com o Serginho Ribeiro e o Zé Vinagre. Depois que a gente passa dos 30, esquecemos uma porção de coisas. Ou damos um jeito de esquecer.
Tempos depois, Almir, que agora já era Ribeiro, me indicava livros, falava suas ideias, sua visão de mundo: trotskista. Eu, igual o Arthur Monteiro, tinha quase a mesma idade que Almir. Mas o camarada era bem mais experiente, com posições firmes, muito conteúdo. Parecia que tinha uns dez anos a mais.
Nada disso. Almir se enfiava em livros. Cara inteligente, dono de ótimas ironias. Um pensador. Mais que isso: um cara preocupado com um mundo melhor, defendendo sempre aquele que fosse o oprimido. Resumindo, o cara era foda. Perdia o amigo, mas não perdia o posicionamento político.
Com isso, Almir nunca perdeu um amigo. Até Roque Ferreira, que era tal qual Almir, tinha posições políticas contrárias. Porém, todos sempre com o mesmo ideal: combater o fascismo e defender o oprimido.
E agora estamos aqui, pasmos, tristes. Não haverá o bom dia aos amigos cultos e ocultos. Aquele "parabéns" no dia do aniversário, a partir de hoje, não acontecerá. E hoje é o meu aniversário. Almir foi embora hoje.
Me visitou em Santa Maria da Serra. Do nada. Estava passeando com o filho, Henrique, que vai ser um dos maiores juristas desse Brasil. Almir andava orgulhoso: Henrique tá nas Arcadas. Largo de São Francisco. Outro dia mesmo eu passei lá em frente e lembrei do Almir e do Henrique.
Mas não é dia de despedida. É dia de amigos cultos e ocultos. É dia de combinar que a luta não acaba aqui. Os ensinamentos, a amizade e as preocupações de Almir precisam ser uma de nossas bandeiras. Almir: presente!”, professor Reginaldo Tech.

- “Morreu meu amigo Almir Ribeiro. Mais uma vítima do Genocida. Transcrevo abaixo um poema que fiz na morte de outro amigo querido. Tudo o que se possa dizer nessa hora é muito difícil, porque nada substituirá a presença de nossos queridos. Fique o poema como uma homenagem. É sim por advogada sorte nossa passagem pelas Horas ao lado do Amigo que nos acolheu e deu-nos seus ouvidos. É pelo diapasão de Sua voz, que nenhum canário imita, que por momentos esquecemos a derradeira escala de nossa humana condição. É pelo constitutivo raciocínio Dele que nos tornamos sábios para entre nós e mais não importa, porque sentimos a rosa duradoura, as três estrelas retilíneas e os batimentos que vêm do vácuo primordial. É por agosto e os demais dias inacabados que devemos honrar o Amigo. Não deixarmos que a pequena Memória de nossa areia vida apague Suas pegadas quando juntos caminhamos, sem nenhum propósito além da mútua Afeição”, professor Geraldo Bérgamo

- “O Almir sempre me impressionou. Seja com seu humor, seu sarcasmo, sua inteligência ou sua sensibilidade. Sempre conversávamos muito durante os atos e manifestações.No primeiro ato Fora Bolsonaro de 2021 ele me viu com a camisa do PCB e perguntou:
- Ué? Como assim?
Ficamos conversando por uns 20 minutos sobre isso. Obrigado Almir Ribeiro, por tanto! Se pudesse defini-lo, utilizaria a célebre frase de Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” Almir Ribeiro, PRESENTE”, Leandro Siqueira.

- “Hoje a noite nos deixa Almir Ribeiro, grande e imprescindível militante Trotskista. Um homem genial e coerente, considerado por muitos um dos maiores intelectuais de Bauru. Almir Foi meu primeiro professor Socialista, ele morava perto da escola, chegava de chinelo e cigarro no bolso da camisa, dominava seu conteúdo e acima de tudo era crítico a ele, uma postura segura de suas posições e extremamente embasado. Minhas primeiras aulas no estado foram entregues por ele, por coincidência ou não. Mas jornadas de julho em 2013 quando cercamos a câmara, ele me disse, que devíamos "meter o pé na porta e tacar fogo em tudo", ele falava sério, mas nós recuamos. Ao longo desses anos ele veio sempre nos chamando atenção, e se encontrando com nós em cada protesto, sem arredar o pé. Um ancião, de uma geração de militantes que formou gigantes como seu companheiro e também grande mestre Roque Ferreira. Almir sempre chamou minha atenção para meus erros de português aqui no face, até hoje eu resisto com eles...As vezes ia consultá-lo, assim que estávamos fundando a CAL, eu fui até ele, e ele me disse, e bateu na tecla, de que " a prática tem que estar alinhada com teoria e a teoria tem que estar lado a lado com a prática, só assim formaríamos militantes Revolucionários". No começo do ano passado quando a CAL já estava caminhando, ele me chamou para almoçar com sua família, e lá ele chamou mais vezes minha atenção para alguns aspectos, eu estava preocupado com alguns setores e ele me deu mais algumas orientações, que pretendo levar comigo para sempre. Almir estava acostumado ser um amigo briguento, ele brigava e debatia com todos amigos, ele lutou muito, e seguiu coerente até seus últimos momentos.Essa luz que esses anciões vãos nos deixando, estes que pavimentaram o caminho para nós, tem que ser honrada por nós que viemos depois. O que nos deixa a vida de um homem que lutou a vida inteira acreditando em um sonho? Um homem que lutou até seus últimos momentos com coerência por seus ideias? Quantos que estavam do lado dele e do Roque foram cedendo, abandonando suas convicções, desacreditando no mundo, perdendo o brilho por um sonho por um futuro melhor? Quantos mais vão lutar a vida inteira por um ideal, e dedicar ela por isso, e nos deixar sem ver a sociedade pelo qual lutaram a vida toda? Roque e Almir partem em meio a pandemia, em meio ao governo Bolsonaro, em meio a maior crise econômica e climática que já vimos, com seus sonhos tão distantes. Mas que todos que vivem até o final lutando por suas convicções socialistas e justas saibam, que eles nós fortalece. Muitos da minha geração vão viver até o final de suas vidas lutando, não sabemos se veremos a aurora do socialismo, mas sem sombra de dúvida no mínimo manteremos a esperança acesa, assim como estes grandes mestres manterão para nós. Eu não aceito nada menos do que revolução, e lutaremos arduamente por isso. Para você Almir, Gratidão, que nos que ficamos honremos e não se vendemos em memória a sua luta. Ao amigo culto e oculto”, Matheus Versatti.

- “QUE MERDA, QUE MERDA, QUE MERDA! - Almir Ribeiro, 62, amigo desde 1977, que veio de Olímpia para Bauru trabalhar e estudar, militante da Convergência Socialista e por algum tempo do PSTU, morreu nesta noite. Era duro, leal, corajoso e dono de vasta cultura e humor implacável. Tinha uma cardiopatia que mantinha controlada. Uma súbita arritmia o levou ao hospital, há alguns dias. Logo, foi diagnosticado com covid e entubado. Não resistiu. Vá em paz, camarada, vá em paz. Seguiremos na batalha com você na memória...”, professor Gilberto Maringoni.

- “Eu caminhei entre gigantes... Eu estive com seres de visão de tão longo alcance que enxergavam além da curva do rio. Eu estive com pessoas que conseguiam ler as entrelinhas e até mesmo entender o que não estava escrito. Em suas veias corriam a solidariedade em sua mais rubra cor. Eu conheci vários dos imprescindíveis do poema de Brecht. O prof. Almir Ribeiro era um deles... Um abraço cheio de saudades, vá em paz, companheiro...”, Silvio Durante.

ALGO FINAL DESTE HPA
– Queria também poder escrever algo sobre o Almir, mas não consegui. Ando um tanto triste, desanimado por estes dias e sua morte, com a mesma idade que a minha, acelerou esse processo. Juntei texto de conhecidos amigos, todos sentidos relatos e preenchem muito bem o sentimento e algo do que também penso e sinto neste momento.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

AMIGOS DO PEITO (193)


ESQUEÇAM DESTE HPA, PELO MENOS POR HOJE...
Mais uma enchente no Mafuá. Terceira neste verão, menos de trinta dias. Rescaldo e dia de trabalho. Escritos ficam postergados. Até...

POESIA ESCRITA COM ÁGUA PELAS CANELAS
O RODO É O SOCORRO - por Fabio Vieira DE Alencar*
* Fábio é mais que um poeta. Brasileiro, piauiense, morando em Bauru há um ano, tenta sobreviver por estas plagas e há uma semana está pelo Mafuá. Ontem, 22h10, ao voltar de um estágio numa empresa, onde tenta conseguir emprego, chega e vê tudo o que é seu dentro da água. Quase choramos juntos, não pelas roupas, mas pelos livros e seus escritos todos molhados, barrentos. Ele hoje me mostra o resultado do que lhe passou pela cabeça com a experiência da enchente, algo já rotina pelos lados do Mafuá:

Entre a lama e o lodo
o socorro é o rodo
o homem está errado
a natureza está certa
tomando pela força o que antes era dela
o poeta , sentado
fumando um cigarro
madrugada adentro
esperando a água abaixar
chorando e pensando
quanta aprovação
irá suportar
sem alento
o sonho é ter um lugar
sem temer
ou o pior esperar
enquanto isso
entre choro e riso
lama e lodo
sem livro
... o rodo é o socorro.
- Fábio Vieira -

DESFORRA DO PLANETA PARA COM A "CIVILIZAÇÃO"
"Desastres em Cascata - O sistema climático sob o qual foi criada a civilização está morto", um texto de David Wallace, sobre as mudanças climáticas no planeta, publicado na revista Piauí, bem propício para isso tudo que acontece nesse momento, a queda da rocha em Capitólio, o desmoronamento em Outro Preto, as enchentes na Bahia e no Espírito Santo, e mesmo as três no Mafua. Eis o link para leitura do texto: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/desastres-em-cascata/?fbclid=IwAR0G26HBh5VSHeZfc9lZ41FGi2N-5XBd2ar6XtZ9Jn4-SYVCNwNL1164t8M

AINDA LIMPANDO O MAFUÁ, TOMO CONHECIMENTO DE OURO PRETO...
"EU QUERIA NÃO FALAR MAIS DE DESASTRES, Mas estes são didáticos e pedagógicos.
Alguem lá atrás sem muito conhecimento cortou a base de um lote e fez um casarão,,, até aqui nada acontecia.... o Vizinho fez o mesmo, e talvez nada aconteça, o outro achou seguro e também fez,,, veio a chuva maior, mais constante e encontrou uma parte do morro sem estruturas para tanta intervenção descuidada.... Veio o Desatre. A Melhor política Pública é o Conhecimento Aplicado em Prevenção", arquiteto José Xaides. Eis o link do vídeo do desmoronamento: https://www.facebook.com/josexaides.alves/posts/4643115935756457

EM DEFESA DA ESTAÇÃO - SÁBADO TEM EVENTO NA PRAÇA MACHADO DE MELLO, CONTRA DESEJO DA PREFEITA DE VENDER ESTAÇÃO DA NOB*
* Eu queria escrever algo a respeito, mas a cabeça está loucamente fora do prumo no dia de hoje, daí me deparo com este texto do professor Reginaldo Furtado e o compartilho, pois nele tudo o que queria dizer e sei, ele disse de forma primorosa:
"Bauru, de "boca do sertão" à "ponte para o futuro". Sonhos e desmandos!
Um dia desses a ferrovia chegou a Bauru trazendo o futuro.
Em torno dela construiu-se os sonhos e esperanças de um povo em busca de uma vida melhor. O corporativismo competitivo de outras empresas de transportes, como cupins, foram dilapidando o sonho ferroviário. E agora querem enterrar de vez o que restou desse sonho. Comprada pela prefeitura para encampar as secretarias da Educação e suas congêneres, ao invés de reformada, será rifada à iniciativa privada. Qual o direito que nossos governantes têm, passageiros que são no trem da história, de como ente público colocar as aspirações pessoais acima do dever de zelar pelo bem da população e pela preservação do patrimônio da cidade?
Quando a ganância e a falta de empatia conduzem as decisões de um governo, que como vermes corroem a democracia, percebemos que cometemos um erro de escolha. A estação ferroviária, um marco arquitetônico; patrimônio popular, é mais que um prédio: é uma referência histórica de pessoas que lutaram e morreram pelos sonhos de construirem uma vida aqui, nessa cidade que um dia foi chamada de "boca do sertão". Lembremo-nos que o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória!
Prof. Reginaldo Furtado (uma vez ferroviário, sempre ferroviário!)".

E ANTES DE DEITAR, A NOTÍCIA MUITO PIOR DO QUE QUALQUER ENCHENTE - MAIS UM AMIGO QUE SE VAI, PROFESSOR ALMIR RIBEIRO, 62 ANOS