terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

DA "PARIS É UMA FESTA" DE HEMINGWAY AO QUE VEJO E SINTO PELAS RUAS DESTA COSMOPOLITA CIDADE
Trouxe três livros para ler nesta viagem. Li todos os três e num deles, o do jornalista carioca Sergio Augusto, que leio desde os tempos d'O Pasquim. "E foram todos para PAris - Um guia de viagem nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald & Cia", editora Casa da Palavra RJ, 2011, 128 páginas. Devorei numa sentada, mas não consegui seguir nada do roteiro. O livro foi publicado baseado numa matéria encomendada a ele pela Folha de São Paulo, para uma edição especial do extinto suplemento de Turismo. Na edição do livro ficou uma graça, pois tem muitas fotos, as antigas e muitas atuais. Tivesse tempo teria seguido algo do roteiro, pois é sempre bom percorrer trechos já esquadrinhados por grandes do passado. Também a respeito li outro, bem mais elucidativo do período de ouro da cidade, lá pelos anos 20, quando uma nata boêmia e intelectual aqui aportou, se fixou e fez história. Trata-se do famoso "Paris é uma festa", do Ernest Hemingway. Já escrevi dele por aqui algum tempo atrás e hoje, ao ler algo dito por Sérgio Augusto, o mesmo me volta à memória: "Uma Paris que só existe hoje na lembrança, notadamente na memória das ruas, dos prédios, hotéis, livrarias, quiosques, bares, cafés, bistrôs e jardins onde os mais notáveis expatriés deixaram suas marcas".

Estar em PAris é mais que tudo, voltar ao passado. Ele está e continua muito presente por todos os lados desta cidade. De todas as que estive, sem sombras de dúvidas, a mais intigante e provocante. Gostei de todas as que estive, Porto, Lisboa, Roma, Nápoles, Florença, venez, Milão e Paris. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026


PALAIS GARNIER E DIOR LA GALERIE
Tenho que confessar, se estivesse sózinho, não visitaria estes dois lugares e o fiz por causa de Ana Bia, a companheira de todas as horas. Ela havia já comprado os ingressos - caros, viu! - do Brasil, dia e horário agendados, inclusive prevendo o não enfrentamento de filas. Ela pensa em tudo quando em viagens. Para mim isto tudo é muito cômodo. Vou na valsa e, desta foirma tudo dá sempre muito certo.

Ambos os lugares não são nada revolucionários, no sentido exato da transformação social, porém, cada qual produz uma espécie de revolução. Tento descrever algo de ambas. Amanhecemos por aqui, o "Quarteto Fantástico", que voltou a se reencontrar em Paris. Começamos juntos nossa saga em Portugal, Porto e Lisboa, depois se separando, eu e Ana Bia estivemos na Itália e Edna e Leo na Espanha, Madri e Barcelona. Nos reencontramos no hotel Kyriad, junto ao portão de Clignancourt, bem na boca de um estação do metrô. Este lugar é escolhido pelo preço que, amiga de infância de Ana, agente de turismo na cidade, moradora nas proximidades nos consegue. Melhor impossível. 

Nossa manhã começa no hotel e depois se estendeu com andanças pelas ruas da cidade, mas principalmente com duas agendas previamente marcadas. A primeira no Palais Garnier, constituindo-se no maior teatro de óperas da cidade, em pleno funcionamento até hoje. Guardadas as devidas proporções, imagine-se dentro de uma visitação ao Tatro Amazonas ou mesmo ao Municipal carioca. É isso o que fizemos. Casa lotada, percorremos todas suas instalações, todas hoje constituídas como se fosse um museu, com peças expostas de suas grandes e inesquecíveis apresentações. O lugar é grandioso demais e presenciamos muitas jovens, de várias partes do mundo, chegando todas paramentadas, prontas como se fossem assistir a grande espetáculo e posam para fotos dos seus junto aos vários balcões existentes. Geram todas lindas fotos. Não tem como não ficar belo numa foto bem tirada num lugar destes. Até eu, já com cheiro e fisionomia distorcidas por quase vinte dias de ininterruptas viagens.

A decisão foi passear um pouco e uma grande loja da FNAC, ali pertinho caiu bem no gosto de todos. Eu, como devoto de papéis e caderninhos me esbaldo. Por aqui, uma mais lindo que o outro. O preço, quando convertido para nossa moeda é que não é nada convidativo. Relaxo e faço o que posso. Trago alguns poucos. Nem almoçamos e vamos para a Galerie Dior, onde toda a história do estilista e o costureiro mais famoso do planeta, Crhristian Dior tem contada sua saga e história. O cara, quer queiramos ou não, foi mais que bom. Dedicou sua vida para a alta costura e a produziu desta forma e jeito, para todas as famosas deste planeta. Hoje tudo reunido numa Fundação, administrando o local. São 3 andares e 13 ambientes diferentes, todos interligados. Na verdade, eram dois prédios, que foram unificados e adaptados. Neles tudo o que Dior produziu, numa exposição com um visual indescritível. Ao final, até mesmo para um crítico como eu, tenho que confessar, tudo maravilhosamente montado e impecável exposição.

Rodei o espaço todo junto de Ana e Edna - Leo foi bater perna na rua -, empurrando sua cadeira de rodas e acompanhados de uma funcionária da Fundação, por acaso chilena, quando pudemos conversar em espanhol com ela, tivemos mais que um tratamento vip. Circulamos por elevadores e lugares que o visitante não tem acesso. Desfrutamos todos der uma rara tarde. Na saída, uma região cheia de lojas de grandes marcas da moda mundial e difícil encontrar um restaurante com preços, considerados por nós, como possíveis. Andamos um pouco e nos deparamos com um, numa praça, tendo ao fundo a Torre Eiffell. Gastamos os tubos, mas enfim, desfrutamos de uma tarde admirável. Cansados, voltamos os quatro para o hotel. Teve mais, mas conto depois. Ser e estar turista, tendo já quase 20 dias nos costados, canso um bocado. Depois der algo intenso, nada como uma boa e confortável cama, onde normalmente mergulho de cabeça. 

Faltam três dias de passeios por Paris e, ciente de que tudo está chegando ao fim, durmo pouco, descanso menos ainda, escrevo só o que consigo, diante de tantas oportunidades e assim, tento retratar bocadinho do que vivencio. Paris, para mim, é uma supresa em cada esquiona. Adoro principalmente os lugares pouco mais distantes do centro turístico e nervoso, quando perambulo pelas ruas e me encanto com tudo que vejo. E como não paro de ver coisas interessantes, estou meio que em transe. Quando sair deste estado, espero voltar ao normal, algo que, creio eu, só acontecerá no Brasil e depois do Carnaval, de estar junto do bloco do Tomate, de sair na Estrela do Samba, Estação Primeiro de Agosto e Coroa Imperial. É muita coisa para o já combalido corpo de alguém com 65 anos e já um tanto carcomido pelo tempo. Sigo em frente, sem olhar muito para trás ou mesmo, pensar nas consequências, enfim, quando mesmo poderei voltar a por os pés por aqui. Só aqui no Kyriad já é a terceira vez e espero voltar outras, pois tudo o que vejo nas imediações me atrai demais da conta, mesmo não falando uma só palavra em francês. Sou um mímico indescritível.

domingo, 8 de fevereiro de 2026


CHEGANDO EM PARIS

ESTOU FARTO
"Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
do lirismo funcionário público com livro de expediente, protocolo e manifestação de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismo universais
Todas as construções sobretudo a sintaxe de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo".
(Trecho do poema 'Poética' de Manuel Bandeira, in: "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva)
 

O TOMATE ME ACOMPANHA ONDE ESTIVER
Acordo onde me encontro neste momento, Milão Itália, café da manhã tomado num dos Íbis pelo caminho e ao me preparar para mais uma viagem, a que nos levará para a última estada desta longa viagem anual, Paris França, sento a bunda diante do meu computador e reflito sobre algo me embalando neste exato momento, a 14ª aparição em praça pública do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO. Por sorte, este bloco é mais coletivo do que possam imaginar, pois eu cá distante, pouco posso fazer pelos encaminhamentos dessa saída e outros o fazem a contento, como idealizado desde o princípio. Lindo carnavalizar e ir sendo levado por algo coletivo, uma motivação festeira e, ao mesmo tempo, com essa nossa inegável e indelével pegada social.
Fausto Bergocce nos presnteou com a estampa da camiseta. Tobias Terceiro descerrá conosco, com músicos da Estação Primeiro de Agosto, cantando e fazendo baurulho, Mauricio Dos Passos, lá de Pederneiras contratou quem vai cuidar do som, Nel Marques e Cátia Machado fizeram a letra da marchinha destes 14 anos, a "Desde 2013 chinelando quem pisa no tomate", gravando e espalhando nosso hino paar este ano. Tem mais, Valquiria Correa, faz um trabalho esplêndido, organizando a venda das tais camisetas, contando com apoio de outros tantos. Rose Barrenha organiza os convites para outros grupos a nós se juntarem. E junto destes, tomateiros despontam de todos os lados, modos e maneiras. Lá no Bar do Genaro, o Fabrício, nosso quartel general para desfilar e depois se reabastecer - algo que deve ser feito também antes. E assim, um convidando o outro, surgem gente advinda das mais diferentes localizações. O importante é estarmos juntos, coesos e cientes do papel a ser cumprido. Temos também um lema, seguido ano após ano, o do "fazemos festa, mas estamos putos da vida". Festemops, enfim é carnaval, a maior festa popular brasileira, mas se faz necessário gritar bem alto com os que "pisam no tomate".
E na junção disto tudo, eu cá do outro lado do oceano, penso em tudo e vejo tudo caminhando, chegando o dia. A Prefeitura exige novos procedimentos, estes sendo finalizados. No nosso caso, somos e continuaremos sendo ad aternum, um bloco de rua, onde alguém diz que o furdunço deve acontecer no sábado de Carnaval, 14/02, 12h e assim as pessoas surgem e o agrupamento desce o Calçadão. A organização é para ter um mínimo de condições, um barulho alto, no mais desorganizados seremos. Somos rueiros, barulhentos, como me disse certa feita um policial, "você parecem siri na lata". Podemos ser, porém, temos ideal, sabemos muito bem dos motivos de nos reunirmos anualmente. Para os próximos, sempre idealizamos, algo mais sólido, com atividades o ano todo, mais incisivos com os tantos merecedores do Prêmio Desatenção. Neste ano, a Família Rosin num todo está recebendo a comenda, pelo conjunto da obra e nosso MUSO é uma justa homenagem a quem desde sempre chinelava estes, o Antonio Pedroso Jr, o popular Chinelo. Para as artes do Prêmio Desatenção, contamos com a colaboração de Fernando Redondo e para a do Muso, com a de Dirceu Mosquette Mjunior, cada qual dando seu quinhão para, no conjunto da obra, tudo dar muito certo. E muitos outros colaboradores que, neste momento, me escapam o nome. Na verdade, por ser tudo coletivo, cada qual cumpre um papel.
Eu adoro ficar escrevinhando do Tomate. É isso tudo aqui dito e muito mais. E este algo mais irei postando, junto com outros fazendo a mesma coisa, para ampliar a adesão, fazer com que estejamos, como em todos os anos, bem representativos. Jogo que segue, chegando o dia, faltando uma semana e todos se energizando para chinelar com força neste ano. Vamos juntos?

sábado, 7 de fevereiro de 2026


AMIGOS A GENTE ENCONTRA - DUAS EM MILÃO

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MILÃO, AS OLÍMPIADAS DE INVERNO E NÓS DOIS NO MEIO DISTO TUDO
São tantas coisas e tão pouco tempo para escrevinhações, que nos poucos encontrados, a busca por tentar deixar registrado algo significativo disso tudo sendo vivenciado. Só por pode conseguir circular mais uma vez pela cara Europa, reconheço, um baita esforço realizado e sendo concretizado. Vir até aqui pessoalmente conhecer algo do que foi deixado pelos aqui estiveram num passado histórico, ver com os próprios olhos é algo divinal, sem explicações. Ler e ver por imagens pelos neios disponíveis, porém distantes deste contato é bem diferente. Daí, tudo vale a pena, inclusive o cansaço que nos abate após a longa caminhada. Continuar a viagem e seguir o planejado não é algo fácil. Num roteiro com visitas diárias, uma atrás de outra, cidade após cidade, tudo embola na sua cabeça. No momento damos sequência e só depois, quando do retorno, após o descanso necessário, daí sim, poeira assentada, as avaliações da grandiosidade do vivenciado. Estamos na fase de continuação e assim temos pela frente mais alguns dias.

Ontem estávamos em Veneza, lá estivemos com o propósito de conhecer a experiência de uma famoso museu, o de Peggy Guggenheim e sua famosa coleção. Chegar por lá de trem, numa cidade marítima, patrimônio da humanidade e parte dela dentro do braço do mar, já é algo fora do comum. A cidade respira história. Foi uma passagem rápida, inclusive a viagem dentro dos barcos que fazem o transporte coletivo na cidade. Isso é único no mundo, um barco parando em lugares que possibilitem a caminhada por trechos sem água. E as construções todas envolvendo os visitantes. Por lá, uma intensa movimentação contrária a este número avassalador de turistas invadindo seu espaço. Passaram a cobrar uma taxa extra destes e mesmo assim, continuamos a chegar em larga escala. É necessário entender a visão do turista e mais que tudo, a do morador do lugar. Milão sempre viveu do turismo, mas hoje, pelo que vejo, ele precisa ser contido, ou melhor, controlado. 

Vejam como se dá as coisas durante uma viagem, quando começo escrevendo de algo e quando me dou conta já estou em outro assunto. Todos são interligados. Deixamos Venezade trem e já aportamos em Milão, em busca de outras experiências. Elas despontam em cada caminhada. O andar de trem, malas pesadas sendo carregadas por diferentes estações ferroviárias é para mim, filho e neto de ferroviários é algo doído, diante do que já tivemos no Brasil de antanho e perdemos, deixamos que o lobby rodoviário, inclusive do seu Franciscato, exterminasse. As estações de trem européias funcionam e quando ocorrem atrasos, avisam pelo autofalante interno do trem da possibilidade de ressarcimento. Descemos na de Milão e o deslumbre se dá no visual. O local é lindo, construído numa época onde ssua existência valorizava a importância do trem para o transporte de passageiros. É além da praticidade ali vivenciada, uma obra de arte. 

E caímos em Milão, que exatamente neste momento vive a abertura das Olímpiadas de Inverno, evento visto pelo mundo todo. A cidade está muito policiada e com reflexos disto por todos os lados. Os eventos marcantes da Olimpíada atraem gente do mundo todo e estamos aqui, nesta data por mero acaso. Não viemos pelo evento esportivo, mas ele, por sua grandiosidade, não existe como passar batido, indiferente. Juntamos o que viemos fazer com essa novidade. Sirenes a todos instante com passagem de delegações e autoridades, ruas interditadas e com ela, o acesso para museus. Perdemos uma vista por causa disto, o acesso ao Trienale Milano, com ingresso comprado. Não fomos neste, mas circulamos uma boa parte da tarde pelo belíssimo Castello, uma edificação murada imensa e na parte interna, um parque. Vários acontecimentos olímpicos ali também acontecendo. E depois o passeio pelo parque ao lado. Perde-se de um lado e ganha-se de outro, vantagens e desvantagens de qualquer passeio.

E depois de tudo, o desfrutar do que a cidade lher oferece. Tenho procurado me desligar de tudo o mais, mas no meu caso impossível, pois do outro lado do mundo, o bloco Bauru Sem Tomate é MiXto nos preparativos para mais um ano de apresentação, este ano com "Desde 2013 chinelando com quem pisa no tomate" e eu, um dos seus organizadores, cá estou com o pé em duas canoas e tentando remar ao mesmo tempo para dois lugares. Até o momento, dando tudo certo. Daqui para Paris, a última estada da viagem e depois Bauru e o Tomate. Parar mesmo, só depois do Carnaval, mas na sequência, a finalização de um bonito trabalho de Memória Oral em Tibiriçá, onde reúno depoimentos com personagens do distrito. Minha vida foi e será sempre assim. Se parar, feneço. Daí, sigo sempre em frente, tentando ser, fazer e acontecer. Algumas vezes, consigo...


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026


DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS - PARTE DOIS
5.) REGISTRANDO GRAFITES PELAS RUAS
Dentre todas as fotos que vou tirando pelas andanças que faço, gosto muito de registrar as dos muitos grafites. Estes representam para mim uma manifestação das mais interessantes e instigantes nas paredes mundo afora. Nelas encontro e tomo conhecimento de muitos artistasd, a maioria anônimos, porém com trabalhos bem direcionados e posicionados. Por aqui não é diferente. Dentre a imensidão de fotos que vou tirando por onde passo, o grafite sempre estará presente. Neste aqui, alguém me informa tratar-se de um artista que, pode ser visto em muitos cantos de paredes, mais precisamente em esquinas e sempre com este óculos, misturando o passado e o presente, numa velada crítica e também, jogando um pouco mais de luz, algo de hoje no ontem. São muitas as manifestações e tento ir entendendo, primeiro a intenção, depois com o tempo, devido a uma atenção maior, consigo até ir identificando nomes famosos. Tem tanta gente hoje famosa tendo começado desta forma, se expressando nasruas. Tem quem critique tudo, misturando as bolas e confundindo estes com a pichação e tascando o pau, simplesmente por fazerem o que fazem em paredes alheias. Eu sei distinguir muito bem um do outro e até na pichação vejo e entendo seu significado, numa grafia muito parecidada mundialmente. Podem ir reparando nas publicações que faço, nos registros aqui deixados, tem muito disso tudo. Eu sempre tentando entender e decifrar as muitas mensagens deixadas pelas paredes. Paro tudo, peço para quem comigo caminhe, que espere um pouquinho, pois não deixo o momento passar, vou lá e clico.

6.) DOS LEITORES DE RUA, DOS CONFESSIONÁRIOS E MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA
Sou atento observador dos detalhes do que vejo nas ruas. Na verdade, sou um andarilho e como registrador sou pífio, pois minhas fotos não são lá essas coisas. As faço sem técnica, na verdade, vou lá e clico, tentando captar algo e enquadrar da melhor maneira possível. Em muitos casos, o momento exige rapidez e daí, o registrado nem sempre sai a contento. Para mim, neste casos, vale muito, pois ao revê-las me remetem de volta naquele momento vivido. E como, para mim, tudo rende uma história, cá estão mais algumas delas.

Essa me fez voltar quando da entrada de uma igreja cheia de obras de arte e é a de um cidadão comum, sentado numa marquise, se protegendfo da garoa lá fora e lendo. Adoro encontrar com gente lendo. Isso para mim é muito encantador. Como leio muito, quando me deparo com outros fazendo a mesma coisa, no mínimo já quero ir lá e assuntar do título. No Brasil, infelizmente encontro cada vez menos gente lendo pelas ruas. O que encontro muito - por aqui também - são os com seus celulares nas mãos e com livros mesmo, não tanto como antes. Tenho notado que aqui também tem diminuido o número de livrarias abertas, porém, as que resistem são todas encantadoras. Ah, se soubesse italiano, com certeza, teria problemas mil com minha bagagem, pois certamente ultrapassaria a quantidade máxima de 23k para adentrar o avião sem incorrer em excesso de bagagem. Um luxo ter excesso devido a livros, porém o preço a pagar, como é salgado, melhor se segurar. E dai, quando vi este cidadão, com sua mochilinha e um pacote envolto em plástico, dando um tempo na vida, lendo numa boa, bateu aquela incontrolável vontade de ir lá sentar ao seu lado. Sou puxado para o que ali me trouxe, mas ao registrar me lembrarei dele para sempre.

Talvez poucas pessoas diante de um imensa igreja, recheada de obras de arte, reparem nos confessionários. Eu reparo em todos, mas não encontrei nenhum deles nas andanças por aqui, que estivessem em uso, ou seja, com algum fiel relatando seus pecados aos padres. Eu já fui em alguns destes quando ainda professava a fé católica e em todos, me lebro, ia assustado, pois me diziam teria que contar tudo e receber a penitência. Nunca que iria contar tudo para um padre. Contava algo, mas escondia sempre o mais picante, aquilo que não se conta pra ninguém. E por aqui, vejo confessionários de todas as formas e jeitos, pra todos os gostos e de acordo com a igreja visitada. Num templo grandão, confessionários que são também verdadeiras obras de artes, noutros mais modestos, mas todos presentes. Outro lugar que observo muito são os púlpitos, aquele lugar mais alto de onde o padre falava aos fiéis numa posição elevada, do alto, observando melhor sua platéia. Tem uns muito bonitos por aqui, mas creio, não sejam mais utilizados. Tudo isso faz parte do cenário mínimo de uma igreja católica. Como voraz registrador, vou captando alguns destes. Essa história de confessionário já foi registrado em muitas novelas e filmes, livros idem, com consequências inimagináveis. Imagine alguém com informações confidenciais de uma pessoa, tendo sob seus costados que, não poderia divulgar aquilo para ninguém, porém, como a "carne é fraca", tudo pode acontecer depois do fato revelado.

E por fim, observo muito os moradores em situação de rua. Dizem por aqui, que em sua maioria são imigrantes, porém, observo muitos de cada país também nessa situação. Não quero ficar deitando falação sobre dos motivos, pois cada caso é um caso. O que machuca o ser humano internamente é a situação, eu de um lado conseguindo passear, me divertir e outros tantos nem tendo o que comer, vivendo nas ruas. E aqui, com o agravante deste morador viver sob um clima totalmente desfavorável, frio intenso. Vê-los pelas ruas é pensar nisto tudo. Não dá para ficar indiferente em observar uma pessoa deitada quase que na chuva, enrolada num puído cobertor, no fim de uma escada que me levará para um visita paga dentro de um templo religioso. São estes os tais invisíveis deste mundo. E algo também observado por mim, como alguns de tanta convivência com os pássaros das paraças, principalmente os pombos, convivem com eles numa espécie de congraçamento. Parecem que interagem entre si, se conhecem e dividindo o mesmo espaço, sabem cada qual onde pisam. Fiquei a observar um destes, numa reverência para com os pombos. Queria ter gravado a cena, pois mostra muitos detalhes dessa convivência com tudo o que acontece nos lugares públicos. Ouvir as histórias destes é algo tocante. Observar de longe é uma coisa, se aproximar e estabelecer algum diálogo é outra coisa. Quando posso e consigo, sempre ganho muito, pois cada pessoa, por mais retraida que seja, tem histórias para contar.

7.) SE PERDENDO PELAS VIELAS E RUAS, TODAS MUITO PARECIDAS
Nestes quatro dias em Florença, o que mais fiz foi frequentar banheiros, pois a incontinência urinária anda pegando forte, depois a perdição absoluta que é sair sem rumo numa cidade como essa, fazendo questão de não seguir mapas. Se perder faz parte do negócio. Estive perdido, com um cartão nos bolsos e quando o calo doia, sacava do danado e me orientava. Acabava chegando ao hotel. Tivemos boas histórias, muitas debaixo de garoa por aqui. Nenhuma desagradável. Coisa mais chata e enfadonha é isso de seguir roteiros pré-estabelecidos, indo somente onde guias nos orientam. Quem gosta do ousado, adentra uma viela e segue em frente, sem saber no que vai dar ali na frente.

A cidade de Florença é uma perdição, pois as ruas são foram feitas simetricamente. São tortuosas e quebradiças. Começam aqui, logo ali terminam e desta começa outra, tudo isso sucessivamente. Ou seja, ótima para se perder. Na saída de algum lugar visitado, sendo levado de Uber ou mesmo pelos meios disponíveis, como ônibus ou metrô, o querer voltar caminhando sempre é uma boa aventura. desde que tenha tempo, adorável se perder e depois ir tentando se encontrar. Quando a língua ajuda, ótimo, mas quando se entende pouco, as dificuldades aumentam, junto com outros riscos. Placas indicativas ajudam muito, mas nerm sempre nos remetem a onde desejamos ir. Já segui muitas delas, mas desviado por outros interesses, sou levado para outros cantos.

E, como já disse, nada como se perder. Por aqui, se perder não é perigoso. Não presenciei nada de violência urbana e isso me faz ousar mais. Ouso dentro da medida do possível, pois ter tempo para fazê-lo, para vadiar é uma coisa e ter pouco tempo para fazê-lo é outra. E se perder com garoa nos costados, sacolas às mãos, isso não é lá muit oconfortável. Vivenciamos isso algujmas vezes por aqui e assim pudemos conhecer algo mais, que certamente se voltássemos de uber não o faríamos. Ruar é o mais gostoso de estar numa cidade diferente, ir descobrindo seus cheiros, sentindo com os pés seus detalhes. E o calçamento florentino é quase que em sua maioria constituído de pedras, lindo de ver. Ando bem nelas, sem percalços, mas quem possui alguma restrição neste sentido, sofre muito. O principal sofrimento é deixar de se perder pelos descaminhos possibilitados por um lugar como este.
Se perder por aí, virar uma esquina qualquer e seguir em frente, eis a alma do negócio.


DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS 
01.) UM PERUZZI, MUITO PRÓXIMO DE "PERAZZI"
Certa feita, muitos anos atrás, localizei gente dos PERAZZI na Itália. Escrevi para eles e recebi de volta um catálogo do que fabricavam. Eram armadores, mas armas antigas, escopetas e afins, mais para guardar como recordação. Lindo catálogo. Nunca mais tive nenhum contato com ninguém na Itália com o sobrenome idêntico ao meu. Sei que alguns dos meus antepassados, parte de minha mãe, vieram da Itália. Nunca fui atrás de levantar a árvore genealógica. Meu irmão Edson tentou algo neste sentido, mas por falta de tempo, parou. Agora, aqui nas ruas molhadas de Florença - não pára de chover, leve garoa, mas incessante -, vejo essa loja com algo bem próximo. Não entro, pois sem tempo para especulações e ciente de que, pelo visto uma franquia ou mesmo filial, nada encontraria de concreto. Segui em frente, mas tiro a foto e sei, viemos os Perazzi de algum canto da Itália. Minha tia de segundo grau, Norma, aeromoça das antigas, aqui se estabeleceu e vive até hoje. Perdi o contato. Quando me perguntam de que região são os Perazzi, desconverso, pois nada sei, porém quando me deparo com algo próximo, a memória é reativada, ao menos por instantes. Este elo de ligação, para mim está perdido. Toco meu barco com os que conheço, Perazzi's ou mesmo os Aquino's. Vida que segue.

02.) O JORDANIANO E MEU NOVO CINTO
Me desfaço de um cinto velho segurando minhas calças nas ruas molhadas de Florença. Compro um novo, 20 euros e junto um avental com o pinto do David, que levo para Bauru e nem sei o usarei. Compramos coisinha por serem vistosas, porém, a relegamos depois a permanecerem penduradas num canto qualquer da casa. Escrevia do cinto. Um simpático jordaniano me atende, corta a mesma, por ser grande demais e faz novos furos, tudo ali na rua. Um camelô ao estilo florentino, barraca como algumas que vejo no Brasil, atuando para um comerciante que os coloca nas ruas, tendo várias delas e o imigrante fica ali, exposto ao sol e chuva. Diz ganhar bem, pois já tem 20 anos de Itália. Conta histórias para mim do rei da Jordânia, traduzidas pela Ana Bia, que fez curso intensivo para aprender algo do italiano. Eu já nem gtento mais, pois meu chips, pelo visto não comporta mais comnhecimentos novos. Nem os velhos ele mantém guardados certos detalhes, quanto mais um novo. Gosto mesmo da conversa e da simpatia do jordaniano, que na sequência me apresenta um outro igual a ele, este também com quase 20 anos na cidade, advindo de Volta Redonda, portanto, faz questão de me ressaltar, "não sou carioca, sou fluminense". Prolongo a conversa na única língua que sei me comunicar a contento. Um brasileiro quando passa muito tempo fora de seu país, pelos menos em alguns que aqui contatei, falam em voltar, mas estão numa outra, vivenciaram algo bem diferente da vida no país nativo. Não sei explicar isso, mas neste, observei como possui um certo desdém do lugar onde veio, talvez meio de retroceder. Na vida, somos assim, caminhamos para lugares nunca dantes navegados e quando o fazemos, morremos de medo de voltar para trás. Meu novo cinto está firme na minha cintura e dele, toda vez que o ajustar nas calças que estarei vestindo, me lembrarei da fisionomia do jordaniano a me dizer: "Para mim foi muito bom ter saído do lugar de onde vim. Aqui conquistei algo mais".

3.) O "LAMPREDOTTO" É UMA ESPÉCIE DE BUCHADA DE BODE DAQUI
Estávamos em dois casais e batendo perna pela cidade, logo depois da saída de um dos museus, chovia e numa das esquinas nos deparamos com uma das casas com culinária das mais conhecidas por aqui, a TRIPPA E LAMPREDOTTO DA VINATTIERI. Este nosso casal de amigos moram por aqui há alguns anos, portanto estava nos ciceroneando pelas vielas todas fora do padrão, nada simetricas. Ele havia me falado das maravilhas de comer algo bem próximo da dobradinha brasileira e aqui com este nome, "lampredotto". Na verdade, na panela lá do Vinattieri estavam as tripas de porcos e vaca, algo bem ao estilo do que já conhecemos muito bem no Brasil, que no Nordeste recebe o pomposo nome de buchada de bode.

As mulheres passaram ao largo, viraram o rosto, mas eu e o amigo caímos de boca. Tudo já estava mais ou menos pronto numa grande panela, fumacinha e cheiro bem à mostra. O atendente, que não sei se é o tal do Vinattieri, cortou no meio um imenso pão italiano, fofeou o meio e tascou o grude. Depois colocou numa prensa quente e serviu pelando de quente. Esperamos um tempinho para a fervura diminuir a caloria e mandamos ver. Comemos com gosto. A diferença que senti de algo feito lá no Brasil para essa é o tempero. Aqui o italiano e lá, o nosso. Foi algo para sujar a barba. O lugar é apertado, modesto, mas não param de chegar pedidos e não de turistas, mas de locais, diria mesmo de trabalhadores, ao estilo daqueles que no Brasil andam com aqueles caixotes às costas.

Sinceramente, gostei. Pode não ser uma sumidade culinária, pois segundo ouço deste amigo aqui residente, este tal de lampredotto pode ser comparado com a história da feijoada, quando os negros comiam o que sobravam, os restos dos animais e daí, com isso, jogaram tudo nas panelas e deu na iguaria hoje refinada da feijoada. Por aqui, algo parecido, quando os mais abastados comiam o filé sobrando para a patuléia o restolho, que jogado na panela, hoje se transformou numa iguaria muitoi procurada. Ana e a esposa do meu amigo, ficaram promegtendo que naquele dia não mais nos beijariam, mas isso peredurou pouco. Logo na frente, querendo resolver a questão, inventamos de parar num Starbuck, só para fazer xixi e, é claro, lavar o rosto, no meu caso a barbicha branca, toda com aquele sabor do outro mundo. Essa a história de como acabei provando a tal da dobradinha aqui dos florentinos.

4.) VI RETRATADA MARIA MADALENA NUM QUADRO DE UM MUSEU
Nas igrejas, templos e museus aqui de Florença, o que não falta é santo ou gente da igreja, em retratações os valorizando, tudo com o intuíto de serem vistos como pessoas santificadas. Tem para todos os gostos, ou seja, santos para todo tipo de especialidade e devoção. Jesus Cristo então, está retratado de todas as formas, as possíveis, imagináveis e também as inimagináveis. Em todas as versões, algo um tanto parecido da figura do Cristo, como sempre o vimos. Em algumas, ele muito do bonitão, estiloso, porém, sangrando na cruz ou nas penitências todas de uma vida dedicada ao que acreditava. Só por uma vez vi uma retratação de Maria Madalena, a tal prostituta a fazer parte das histórias envolvendo Cristo. Nessa pintura, ambos meios ressecados pela exposição a todos as intempéries de uma vida verdadeiramente difícil. Essa mulher e sua história, se apresentando como prostituta é uma das que sempre me despertaram minha maior curiosidade. Como deveria ser a vida de uma prostituta naqueles tempos? No mínimo qualquer ser normal ficaria infestado de proeminências venéreas. Esquálida, amarelada, fraca, magra e com uma cara das mais sofridas, eis a Maria Madalena e sua instigante história de vida, fazendo com que, o próprio Jesus Cristo fosse arrebatado. Talvez seja essa a cópia mais exata do que tenha sido de fato Maria Madalena. Viver nas condições que viviam, passando longe qualquer tentativa de saneamento básico, eis que a dura realidade dos acossados pelos romanos nos apresenta uma imagem bem próxima do que aconteceu nas beiradas erebarbas deste mundo. Sei, não precisam medizer, que tudo isso é fruto de belos escritos, uma história narrada por muitos, trazida a nós através dos séculos e que, sabe-se lá aconteceu de fato. O homem sempre foi um bom contador de casos e alguns destes atravessam o tempo, sendo petrificados como realmente vividos.

OBS.: Estes relatos continuam, mas num outro post amanhã.