AINDA DO CARNAVAL BAURUENSE, PARA MIM, O PERSONAGEM DA FESTA: GILSON JACINTHO, DA VICE-CAMPEÃ COROA IMPERIAL, DO GEISEL
Faz já um bom tempo que tenho vontade de escrevinhar algo do que observo do carnavalesco Gilson Jachinto, há alguns anos à frente da Escola de Samba Coroa Imperial, localizada no bairro Geisel. No momento, está com 56 anos e não é nada novato da festa carnavalesca de Bauru. Nem sei se já tinha atuação em outras participações comandando a folia, mas passei a acompanhá-lo quando foi campeão, com o bloco Primavera, ali junto do Redentor, ao lado de Adílio Nascimento e Cristiane Ludgerio. Gilson é cria daquele pedaço, seu bairro é o Redentor, seu chão e naquele ano, 2020, superou dois fortes concorrentes, o Pé de Varsa, da vila Falcão e o Estrela do Samba, de Tibiriçá.
Até então eu só o conhecia de vista. Participeri daquele desfile quando emprestei a alfaia, tocada magistralmente pela Cristiane, o must da avenida naquele ano. Pelo que sei, ele é cria da Escola de Samba Cartola, lá dos altos do PVA - Parque Vista Alegre -, mas logo depois bateu asas e foi ser gauche na vida. E se deu bem. Na Coroa não sei como se deu sua chegada, sei que foi depois de todo o período sendo comandando pelo seu Avelino e suas irmãs. Ele fez parte da renovação surgida e possibilitada depois do falecimento do ex-presidente da Liga das Escolas de Samba. Veio também depois da passagem de Cláudio Goya, por três anos, como carnavalesco da escola. Despontou e foi ficando. Hoje, até o querem em outras funções, mas ele depois de um certo tempo foi trabalhar na Grande São Paulo e não quer outra vida fora do que mais gosta de fazer, a de ser o requisitado carnavalesco.
Escrevo algo e ele pode até achar que estou sendo rigoroso demais, mas o mundo carnavalesco da cidade, o via até bem pouco tempo como alguém que, sabia montar uma escola sem correria, tudo pronto bem antes da hora, mas sem aquele toque de ser ganhador. Se isso vigorou por alguns anos, creio eu, isso já não faz mais parte da realidade de quem conhece dos meandros do Carnaval. O Gilson hoje, pelo menos para mim, não deve nada a nenhum carnavalesco da cidade. Soube construir, pouco a pouco, padecendo de não lutar pelos títulos, até o que, neste ano não foi campeão por questão de dois décimos. O título ficou mais uma vez com a Mocidade Unida da Vila Falcão, mas se a Coroa ganhasse ninguém poderia reclamar, pois nos comentários dos bastidores, isso era mais do que possível. Enfim, chegou bem pertinho, dois décimos e ganhou percentuais de elevada consideração, de quase todos os que assuntei sobre sua pessoa. A Coroa pode ainda não possuir o décibel mais elevado dos ditos e vistos como os bambambãns, ou seja, uma escola importante, influente e talentosa, mas Gilson já o é e pelo vislumbrado neste ano, falta muito pouco. Quem ganha com tudo isso é o Carnaval de Bauru, pois aquela disputa entre Cartola e Mocidade, agora tem junto destes mais dois fortes concorrentes, a Coroa e a Estação Primeiro de Agosto.
Então, divaguei um bocado e foco agora no profissional do samba, Gilson. O cara é muito bom e está em plena ascenção. Ouvi de uma famosa carnavalesca da cidade, a Ludgerio que, ele é ótimo na montagem de carros e neste quesito existem poucos com igual qualificação. Ele mesmo já me disse algo a respeito, quando descreveu quando montou carros no estilo vapt-vupt e debaixo de forte chuva. Ou seja, foi colocado à prova e se saiu bem. Como não existe a perfeição em nada, pois todos, humanos, somos muito sujeitos a imperfeições variadas e múltiplas, ouço que ele sabe montar qualquer tema, porém não é excelência no floreio da fantasia. Porém, na junção de tudo o danado navega em mares, ainda mais depois deste ano, merecedor de rasgados elogios. Diante de bons carnavalescos, tendo o Horácio, do Cartola como o mais velho em atividade, Gilson desponta e se afirma.
Escrevo isso tudo na qualidade de quem só observa o evento Carnaval e nem pode ser considerado um estudioso do tema, ou mesmo um bom entendedor, mas como atento aobservador, o vi, principalmente neste ano, como aquele que, de forma jovial, sem afobação, sem muita prosopopéia, deu seu recado e muito bem dado. E exatamente pela forma como atua como carnavalesco, sem ficar se afirmando, se mostrando aos quatro ventos, executa algo mais do que louvável, diria mesmo, observado e reconhecido. Diante de tudo isso, vi nele alguém pelo qual se fazia necessário um texto como este. Diante de tudo o que presenciei nas duas noites na avenida Jorge Zainden - espero que a última -, não o credito como revelação, mas como a afirmação de alguém se afirmando e se estabelecendo como pela importante, fundamental para o crescimento do evento Carnaval na cidade. Conquistou tudo, não só com muito sangue, suor e lágrimas, mas também com um belo profissionalismo. Podem até não concordar comigo, mas vejo nele a pessoa mais que merecedora daquele saudoso Tamborim de Ouro, cria do velho e também saudoso Tuba, como o personagem deste ano.
Obs.: Adoro escrevinhar perfis de pessoas, algo que, quero incrementar e produzir mais daqui por diante. Outros tantos personagens do Carnaval estão no prelo.
"A Acadêmicos de Niterói apostou alto porque via, ali, uma chance única de se tornar conhecida. A pequena e relativamente nova escola de samba não conta com o patrocínio de grandes bicheiros ou empresários, e estreia no grupo especial sabendo que as chances de permanecer ali são pequenas como ela. Afinal, a disputa que define as campeãs se dá por milésimos de pontos e por muita influência e poder entre as grandes.
Com o visto temporário carimbado para brilhar na Sapucaí, a escola de Niterói resolveu aproveitar o momento e a liberdade de quem já venceu apenas por estar ali. Resolveu homenagear não o Presidente, mas o homem que desde menino também vence batalhas improváveis e desafia as tradicionais lideranças hereditárias, tornando-se um dos mais respeitados nomes na política internacional e criando o maior partido político da América Latina. Não é pouca coisa. Não é pouca história.
A escolha do enredo foi ousada, mas justa. Existe um personagem que inspira, que desperta paixões como amor e ódio, que merece ser, mais do que homenageado, estudado como fenômeno político e como objeto de comportamento social: o que explica o ressentimento e o antagonismo de uma parcela que, supostamente, se beneficia de suas políticas? E aqui, não se trata apenas dos que recebem algum auxílio, mas dos que lucram com o ciclo econômico desses investimentos, seja em comércio, construção civil, produção industrial...
Como explicar o ódio que não se manifestou nem nos maiores crimes de omissão ou ação praticados pelo adversário político? Como a homenagem de uma escola de samba a Lula causa mais indignação a uma parcela histérica e barulhenta da população do que a homenagem Ustra, por um então Deputado, no Congresso Nacional?
Como a critica política é abominável no samba mas não nas igrejas? Como o carnaval virou vilão, enquanto a família dita tradicional coleciona casos crescentes de abusos, crimes e assassinatos entre seus próprios membros?
O que está acontecendo conosco?",
Georgia Reeve













