POR QUE ME UFONO DO MEU PAÍS? OU POR QUE NÃO CONSIGO JOGAR FORA MINHAS VELHAS REVISTAS?"Por que me ufano do meu país" é uma frase célebre e seu significado é mais ou menos este: "Por que tenho orgulho do meu país". Ela é título de um famoso livro - pouco lido, muito comentado -, publicado em 1900 pelo escritor e monarquista Conde de Afonso Celso. Na obra, o autor lista diversos motivos para celebrar o Brasil—como a grandeza territorial, a riqueza natural e a formação do povo—com o objetivo de estimular o patriotismo e a autoestima nacional logo no início da República. Faço uso dele neste exato momento, pois no dia de hoje, recupero perdido dentro das hostes do meu desorganizado Mafuá particular, uma edição rara de uma das mais importantes revistas que tivemos ao longo de nossa história jornalística, a ISTO É, dirigida por Mino Carta. E na sequência junto com meu segundo título, o "Por que não consigo jgar fora minhas velhas revistas?".
Eu sou um saudosista confesso, não tenho como negar. Leio hoje, com muita abnegação duas revistas impressas, a semanal CartaCapital, também obra de Mino Carta e a mensal revista piauí. Aboli os jornalões, todos eles, sendo que os li até quando pude, devorando-os tempos atraás. Sim, escrevo essa ODE para uma imprensa já não mais existente e dela tenho muita saudade. O tempo vai se encarregando delas irem se perdendo, fenecendo e falecendo. Fico com as lembranças e com algumas delas guardadas, sem ter coragem para me desfazer. Meu Mafuá é uma espécie de cemitério delas todas, onde gaurdo o que posso. Vez ou outra, como neste momento, reencontro uma e fico horas ali folheando-a, relendo de cabo a rabo, tentando fazer algo improvável e inconcebível, uma comparação com as destes tempos.
Não tem como. Primeiro porque o modal papel perdeu importância e muitos já o aboliram de suas vidas. Eu não, principalmente com os livros, hoje cada vez mais rodeado deles e de seu cheiro característico com o passar dos anos. Pois bem, nessa edição da ISTO É, na capa com a inscrição, ESPECIAL, saiu às bancas em 21/02.1979. Lá se vão 47 anos. Foi uma edição especial mesmo, pois tinha 162 páginas. Nela, tudo principiava com o editorial do Mino, num estilo e categoria únicos, impecável e glorioso. Na época eu tinha meros 19 anos, mas já havia pego o gosto por devorar algo advindo da boa imprensa. Comecei pelo Pasquim e pela imprensa alternativa e no mais, os jornalões e muitas revistas. Guardei o que pude e com isso, como neste momento, sento e esqueço da vida. Divago com o exemplar nas mãos.
Não é pra se gabar, mas o danado do Mino só andava muito bem acompanhado. Nas fotos algumas das pessoas cujos textos loteavam a revista: Cláudio Abramo, Clóvis Rossi, Nirlando Beirão, Tão Gomes Pinto, Villas Boas Corrêa, Ruy Castro, Antonio Callado e na última página, a de humor, nada menos que Henfil. É pra babar na fronha, não? E nessa edição entrevistas com nada menso que: Ulysses Guimarães, Petrônio Portella, RAymundo Faoro, Afonso Arinos, Luís Inácio da Silva, Dom Paulo Evaristo Arns e Severo Gomes. Quando peguei a dita cuja edição nas mãos, esqueci detudo o mais e me entreguei de corpo e alma nessas sacrosantas páginas. Diria, orgasmo total.
Não existe meios possíveis de comparação nos tempos atuais. Vivíamos como a capa explícita, tempos de ditadura militar, "Brasil de Geisel a Figueiredo". Entravámos no período do último ditador, quando a imprensa já conseguia algo fora das cercanias da censura prévia. Mino em todas suas publicações nadou de braçada e nos ofertou publicações históricas. Consegui guardar até bem pouco tempo as primeiras edições do "Jornal da República", também com o danado na direção. Hoje, tendo também nas mãos a edição, também especial da última Carta, comemorando a reeleição de Lula, gente como Erika Hilton, Jamil Chade, José Dirceu, Luiz Gonzaga Belluzzo, Maria Inês Nassif, Paulo Nogueira Batista Jr, Sergio Lirio e Vladimir Safatle. Guardadas todas as proporções, os time do Mino são ótimos, mas do de antanho tinha mais pegada. Sigo com estes e assim será minha vida até quando estiver por aqui.
Meu negócio é ler e muito, e em papel, onde possa grifar e depois guardar. Tenho o Mafuá exatamente para juntar meus cacos todos e ir remoendo-os ao londo de minha existência. Nem penso no que será feito deles quando me for. Hoje eles todos, espalhados numa quitinete é mais que um luxo. E deste luxo, do qual incluo a leitura, lhes apresento um trecho do que Mino escreveu lá nos idos de 79: "à medida que a abertura se realiza, a conquista e a manutenção do poder passam a depender, cada vez mais, do apoio popular. Sim, a abertura, se for pra valer, tornará a nação cada vez mais exisgente". Na Carta desta semana, Mino falecido, quem faz o editorial é Sergio Lirio e lá: "Lula, a ideia, renasceu nas ruas e só sobreviverá nelas. Não funciona mais apelar aos cidadãos de quatro em quatro, ou de dois em dois anos".
De tudo, algo reaformado, sigo eu com minhas leituras, meus livros e revistas, seguindo na mesma linha e pegada. Com saudade, mas entendendo o presente e pensando em como será isso tudo no futuro, onde o papel terá cada vez menos influência. Os textos fluirão de outra forma e serão guardados, eternizados como sempre, pois é uma delícia poder expor lá na frente, 47 anos depois, algo guardado com tanto esmero. Eu tenho uma devoção por quem escreve, mas sei muito bem separar o joio do trigo. Quem lê muito não se deixa enganar fácil. Eu guardei, guardo e continuarei guardando o que me convém. Vivo no meio disso tudo.
E NO MOMENTO EM QUE LEIO, A RÁDIO 94FM PODE ESTAR SENDO VENDIDA PARA GRUPO MUITO CONSERVADOR, LE POSICIONO DESTA FORMA E JEITO
E ESSA 94FM, DO PAULO SÉRGIO SIMONETTI, HOJE JÁ EM OUTRO ENDEREÇO - TOMARA CONSIGAM RESISTIR MAIS TEMPO SEM SE DEIXAR LEVAR POR CANTOS DE SEREIAS Fotos tiradas nove anos atrás, qdo do lançamento livro do Paulo, junto de Ademir Elias. Eu ainda acordo ouvindo a rádio, espio seu programa esportivo humorístico, acompanho o Augusto Lagatta e o Emerson Luiz, e hoje mesmo, sai de casa ouvindo o jornalismo, ainda contundente contra os desmandos dessa esdrúxula administração municipal. Ah, se soubessem como a cidade precisa de uma rádio sem amarras. Torço pela 94FM, mesmo sabendo o quanto é difícil remar hoje contra a maré, a tal onda de pensamento único. Resistir é preciso!
































", Hayashi Koshina.















