A UNESP LEVA PRA MESA DE DEBATES A QUESTÃO DA DESTINAÇÃO DO AEROCLUBE BAURU
A questão é a seguinte: a Prefeitura de Bauru, gestão de Suéllen Rosin fez de tudo e mais um pouco para apressar e ter decidido a seu favor o que seria feito da área do Aeroclube. Dentro de área nobre, ou seja, ação intempestiva da especulação imobiliária, atrai desde bom tempo o interesse de setor interessado em lotear a área. E pelo que se sabe, a Justiça declinou a favor dos interesses da Prefeitura, porém, decisão ainda prematura, pois o imbróglio judicial, deverá se estender por muitos anos. A prefeita quer que tudo seja resolvido rapidamente. Ouço que até já cogitaram o destombamento pelo CODEPAC, algo um tanto inconcebível, inconsequente e até mesmo inexequível. Ou seja, tem quem quer tudo resolvido de forma rápida, porém, estes não levam em consideração o fato de que o Aeroclube chegou e foi instalado no local há coisa de 80 anos, onde na época nada existia e mesmo que a cidade desconheça, presta um serviço de relevância para o todo área de formação aérea, com aproximadamente 60 novos profissionais sendo entregues anualmente ao mercado.
Diante de tudo isso, observando como tudo estava sendo resolvido, com o Aeroclube praticamente encurralado, num beco quase sem saída, a UNESP Bauru, através de três professores da FAAC, Adalberto Retto Jr, Kelly Magalhães e Maira Dias, produzem um evento, inicialmente para seus alunos, depois estendido e ampliado para toda a cidade, denominado “REINSERÇÃO DA ÁREA DO AEROCLUBE DE BAURU – NA CIDADE E NO TERRITÓRIO”. Em três tópicos e quatro palestrantes, o debate se iniciou às 14h e se estendeu até perto das 18h. São estes os tópicos e palestrantes: “Reinserção simbólica e indentitária – Antonio Tidei de Lima, ex-prefeito e Guilherme Maddi, diretor jurídico do Aeroclube), “Reinserção ecológica e ambiental, Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor Jardim Botânico Bauru) e “Reinserção funcional e programática, José Xaides Neto, arquiteto e urbanista.
Os quatros palestrantes estavam todos perfilados na defesa do Aeroclube, ou seja, não se mostraram favoráveis à nada relacionado com venda e prédios ou condomínios nos local. Gravei trechos da fala de cada um, todos dentro da temática e ao final, após cada um apaixonadamente, como o tema merece ser tratado, com início do debate, fui o primeiro a fazer uma pergunta. “Nós todos aqui, chegamos a um consenso pela manutenção da área. Depois de decisão já tomada pela Justiça, ainda prevendo recursos, o que ainda pode ser feito para sensibilizar e proporcionar outro rumo em algo, como se sabe, deixando será o fim do Aeroclube”.
Vários responderam e o que se viu, daí por diante foi a ampliação do debate, inclusive com a participação, de forma apaixonada, de um antigo piloto de helicóptero, formado pelo Aeroclube, seus dirigentes, membros da Federação dos Aeroclubes do Brasil, pilotos, pais de pilotos, todos ali formados e um aluno, este proveniente de Petrópolis RJ, com uma fala, dessas para emocionar: “Eu quero me formar piloto, vim de longe, moro aqui, gosto aqui,não vim aqui à toa, escolhi Bauru, por tudo o que sei essa escola possui de reconhecimento na área aérea. Talvez a cidade desconheça muito do que lá ocorre. Ela não pode se findar deste jeito”. Pronto, o debate ganhou corpo e foi acalorado do começo ao fim. O dirigente da Federação Jolando Gatto, sede no Rio Grande do Sul, ele residindo em Marília, fez um apanhado de outro Aeroclube fechado recentemente em Belém PA, o último com formação profissional na Amazônia e outro no interior do Rio Grande do Sul. “O Brasil hoje forma pilotos para o mundo todo, mas pelo visto, iremos ter que importar profissionais. Os aeroclubes são questão de soberania nacional. Este aqui é reconhecido mundialmente”.
Algo ficou compreendido por todos, com a fala do Guilherme Maddi, “essa área ainda está em litígio, ou seja, nada poderá ser definido já. Vai demorar e nada poderá ser vendido nessa administração”. Foi um alívio, porém, todos sabem, que “seguro morreu de velho”. Daí por diante, na maioria das falas algo como um apelo, para que o Aeroclube se aproxime mais da cidade e promova ações educativas e junto da comunidade, aproximando mais a cidade deles e, informando a ela tudo o que lá ocorre. Essa a forma de desmistificar algo muito repetido na cidade: “o local é para ricos, esporte para poucos e não traz benefício nenhuma para a cidade”. Seu Fernando, aviador aposentado, 86 anos, a maioria dedicada ao Aeroclube, pede a palavra e conta histórias, a maioria pouca conhecidas de todos. Ele, por si só, merece não só uma entrevista, como uma ampla reportagem histórica sobre a importância e relevância do Aeroclube. “Poucos conhecem a história do alemão, Kurt, que escapou da Alemanha nazista, veio para o Brasil, descobriu o nosso Aeroclube, sendo quem implantou a maioria deles, espalhados país afora. Não mais saiu, foi peça chave em tudo o que por aqui aconteceu. Aqui morreu e aqui está enterrado. Sua história está entrelaçada com a do lugar”.
Falaram também a arquiteta Ludmila Tidei, colocando a Assenag a disposição para a continuidade deste debate e Edilson Moura Pinto, aviador de longa carreira, hoje residindo na cidade, detentor do blog Plano Brasil, na defesa dos aeroclubes brasileiros. Uma das mais emocionadas foi a professora Solange Zampieri: “Uma vez, dando aula num distrito de Pederneiras, trouxe alunos para visitar o Zoo e na mesma semana, seus pais e conhecidos queriam conhecer o lugar. Tenho certeza, o mesmo aconteceria com o Aeroclube, se algo neste sentido fosse propiciado para estudantes, não só daqui, mas de toda região”. Dois jornalistas, Aurélio Alonso e Ricardo Santana também pediram a palavra, com comoventes palavras, descrevendo a importância histórica da preservação deste lugar e por fim, do papel de que um dirigente do Aeroclube teve, de se aliar com quem propõe a venda, porém, sendo possível essa reversão, por tudo o que foi apresentado e demonstrado pelos presentes.
Ou seja, intercalados com a participação da mesa, coordenados pelo professor Adalberto, os palestrantes também responderam muitas indagações. O tema não foi esgotado e ao final, o parabéns coletivo para a iniciativa da FAAC em propor este debate. Eu, na qualidade de historiador, tomei conhecimento de fatos que, desconhecia e desde já, quero ir atrás, conhecer mais e para fazê-lo, se faz necessário que o Aeroclube abra suas portas para a cidade. Existe a possibilidade de um Museu ou mesmo exposições de seu acervo. Creio que, ao final, todos os presentes saíram por demais satisfeitos, cheios de gás e propensos a defender com unha e dentes a permanência do Aeroclube, talvez sendo a ele anexada outra possibilidade, a de um parque ecológico. Ausências sentidas foram de representantes da Prefeitura Municipal, atual administração e do segmento ligado ao mercado imobiliário. Destes, sabe-se suas intenções, porém, faltou a conversa com estes. No mais, foi um sucesso.
OBS.: Nas fotos e vídeos, a tentativa deste escrevinhador de ser o mais amplo possível, dando voz a todos os da mesa. Mais não gravei, por um único e lamentável motivo: acabou a bateria de meu celular. Talvez a Unesp tenha feito registros ou mesmo do Diário do Brasil TV Preve, que esteve presente e produziu divinal matéria relatando o ocorrido.
https://www.facebook.com/reel/1423584169567491
O evento ocorreu na Unesp Bauru na tarde de quarta, 18/03, com ampla discussão acadêmica e de interessados na defesa do patrimônio histórico da cidade.
HPA, participando como historiador - Bauru SP, quinta, 19 de março de 2026.

..eles também, com certeza, é um casal... sábado é o dia limite...e penso com tristeza,mais uma loja de verdade de roupas femininas, tradicionais tamanhos grandes e outros tamanhos também...pensa num casal gente fina?! Gente boa mesmo...fico triste ...pois parece que já nem existe quase lojas assim, que vendem tudo feito no Brasil...roupas que são muito boas... já quase td venderam..hj estavam tristes eu tb chorei...um casal que conheço,faz parte dos 20 anos que por aqui moro...pude contar com eles em momentos tristes e outros alegres! Hoje quarta feira estavam já desmontando ... não aguentei e me recolhi ..na minha toca! Sentirei falta de lá conversar...meus vizinhos queridos..JM Fiquem bem!", recebo este texto da também professora de História, Marcia Regina Zamarioli e no último sábado, 14/3, sentados no Bar do Genaro, conversávamos a respeito, confabulando sobre a região toda ali perto do Bosque da Camunidade, onde além dessa loja, uma pequena padaria, bem defronte a entrada do bosque fechou também suas portas. Estes pequenos comércios, tão importantes para fazer girar essa grande engrenagem que é uma cidade, no seu todo, não resistem aos novos tempos, com a chegada dos grande magazines e agora, essas empresas vendendo online, com preços sem competição. Todos perdemos, inclusive aquele tempo divinal de conversação, mantido diante seus balcões. Eu sou um incentivador de pequenos comércios e cada um deles que se vai, bate mais uma angústia interior. Em tempo: O "J" da loja é de José e o "M", de Maria, o casal que ali atuou por mais de 20 anos.






