quinta-feira, 23 de julho de 2026

MÚSICA (262)


A OBRA PRIMA DO ALDIR, PELO QUE VEJO, NUNCA SERÁ ENTENDIDA POR PARTE DOS BRASILEIROS - EIS O EXERCÍCIO DA DIFICULDADE COGNITIVA QUE NOS MOVE: ESTOU COM ALDIR BLANC E JOÃO BOSCO, PRECISO EXPLICAR? TÁ AÍ...

1.) A primeira coisa que me chama atenção no post do Estadão (que, como sabemos, não tem compromisso com a ética e muito menos responsabilidade em suas publicações) é o depoimento de um João magoado, indignado mesmo, com todo direito a sê-lo. Um João que sempre foi doce, gentil, sorridente, cujo rosto se ilumina quando nos mostra acordes, canções inteiras, suas referências de vida, espetáculos. Na entrevista, o João estava sendo provocado, instigado pra falar da canção Gol Anulado, com aquela má-fé tão característica da im-prensa em questão . Obviamente o Estadão publicou o exato momento em que a fome mostrou raiva pra interromper. Ora, se o João tá falando desse jeito, antes das pedras, seria bom nos questionarmos sobre o nosso entendimento da sociedade brasileira ao longo desses 50 anos que se passaram desde o lançamento da canção composta por ele e por meu velho, Aldir Blanc. Aliás, para os muito poucos conhecedores habitantes de internet, a letra É do Aldir, que completaria, assim como João, 80 anos. Não queiram imaginar o que meu velho faria com sua tinta giratória se soubesse que suas composições foram atacadas por pseudos “miliciantes” que não compreendem lições básicas de arte - aquela das nove musas. A canção maldita pelos fascis-lacradores de causas encontra-se no lado A, segunda do disco, e é elemento constitutivo de uma obra-prima, um álbum (objeto de arte formado pelas obras que o sustentam como produto concreto das expressões pretendidas). Tem o casal que quer se separar pela mais completa Incompatibilidade de Gênios, tem o feminismo no Estácio, tem a solidão urbana na Vida Noturna, tem a dor do luto e da desigualdade social no Rancho da Goiabada, tem galã suburbano com suas conquistas amorosas em Latin Lover, tem o lirismo de Galos de Briga que fala da coragem dos oprimidos contra os opressores, enfim, tem toda uma representação artística daquela década de 70 que só quem sofreu sabe. Sobre a re-ação do João: alguém aqui já re-agiu bem a ambientes e situações de profundo desconforto? Se sim, és um psicopata. Se não, é gente, feito o João, que inclusive nos ensinou a ser gente. Vida longa ao Boscão, tão humano que é divino! Aldir Blanc, presente! Protege seu mano daí que a gente protege daqui. Que falta você nos faz. PATRÍCIA FERREIRA

2.) Para me cancelar de vez... Esta semana as redes sociais foram sacudidas pela entrevista do compositor João Bosco ao jornal O Estado de São Paulo. Em sua fala ele criticou a patrulha ideológica identitária e as críticas a uma música sua, "Gol Anulado", que descreve uma mulher que vibra com o gol do Zico. Seu marido, contrariado por ser vascaíno, bate nela "até cansar". A reação de censura à violência explícita da letra provocou o comentário de João Bosco, mas o debate mostrou de um lado o próprio compositor defendendo a liberdade de retratar a sociedade daquela época (50 anos atrás) e do outro grupos identitários que reclamam de uma suposta banalização da violência contra a mulher.
Ao meu ver, a explicação do João Bosco e seu posicionamento contra a patrulha identitária são perfeitas. O que se vê agora é um monte de gente tentando usar um dos maiores compositores do Brasil como escada para fazer vídeos na Internet e lacrar, usando essa divisão para ganhar notoriedade. Aliás, esse debate é igual ao debate da direita que defende a pena de morte: se você se posicionar contra a pena capital, então é automaticamente a favor de bandidos e do crime. Neste caso da música de João Bosco, se você abomina a censura e defende a liberdade de expressão ampla, você esta ao lado dos espancadores de mulheres. Falso dilema, perceberam?
Essa esquerda liberal - que adora censura - acredita que se você não falar de alguma coisa ruim esta coisa desaparece. Basta não falarmos de violência e.... pufff, acabam as guerras, as lutas, as agressões e os ataques covardes. Estamos diante de um real delírio identitário: ao invés de expor a realidade, apresentar os problemas, trazer o pus à flor da pele, escondemos, censuramos, cerceamos, calamos e proibimos palavras e pronomes. João Bosco descreve um personagem em suas músicas!!! Woody Allen também, Machado de Assis e Chico Buarque idem. Como censurar literatura e música baseando-se nessa leitura torta e oportunista dos identitários? Como aceitar que um personagem não seja a imagem exata de um problema social? Como podemos, no século XXI, defender abertamente a censura mais abjeta, que amordaça a arte e detém a transformação social?
Pois quando alguém perguntar as razões do crescimento da extrema direita aqui teremos um bom início de conversa. Sou um sobrevivente dos anos de chumbo e lembro bem do clima da época da ditadura militar. Naquela época gritávamos contra a censura, que usava da violência para nos calar a voz. Se não aceitávamos que milicos grosseiros e ignorantes passassem caneta vermelha nas nossas músicas, por que deveríamos aceitar a censura dos identitários? Por que continuamos a aceitar que o neoliteralismo empobreça nossa literatura? Leiam as justificativas de hoje para calar os artistas: o bem maior, o drama da violência, as ideias que ameaçam a estrutura da família. Estas não passam de ecos tétricos das desculpas de ontem! Tanto antes como agora estas vozes representam as forças conservadoras, a serviço da direita. Enquanto isso, a esquerda está cada vez mais parecida com o que outrora combatia, tornando-se paulativamente mais moralista, antidemocrática, censuradora, oficialista, oportunista, identitária e desconectada dos reais desejos nacionais.
Censurar músicas? Sério? E a literatura? Cinema também? RICARDO HERBERT JONES

3.) Nas seis horas seguintes à derrota de um time do coração, em média a violência doméstica aumenta 6%. Quem diz isso é um estudo cruzando resultados do Brasileirão com boletins de ocorrência de violência doméstica no Rio e em SP.
Isso é uma coisa. Outra coisa é a entrevista que o João Bosco deu ao Estadão em que critica excessos dos que ele chama de identitários. Esta discussão é gigantesca. Eu, pessoalmente, apoio toda luta por direitos das minorias E o respeito integral às diferenças.
Mas o que trato aqui não é isso, e sim o samba Gol anulado, do João com o Aldir, do álbum Galos de briga, de 1976. Que narra exatamente a situação descrita no primeiro parágrafo: "Quando você gritou Mengo / No segundo gol do Zico / Tirei sem pensar o cinto / E bati até cansar". Que João citou como exemplo de cancelamento. Vou tratar apenas desta canção.
Falei outro dia da praga contemporânea da neoliteralidade ( conceito criado por mim até onde sei), que consiste em não diferenciar autor de obra, eu lírico de autor, personagem de enredo. O viés de leitura que faz com que a representação de um crime seja sempre vista como apologia do crime, nunca como crítica.
Pois bem. Numa narração artística há ao menos três instâncias: o autor, o personagem e o enredo. Eles se imbricam, mas não se confundem, porque, por mais que o autor crie a partir de suas vivências, ele não é o que narra.
Gol anulado narra uma agressão covarde a uma mulher. Muito bem, agora vejamos o contexto: João canta o samba num tom suave que contrasta com a brutalidade do que é narrado, mas também melancólico, triste mesmo.
A melodia perambula entre notas graves - a única exceção é no verso "E ainda é Vasco doente", em que ele nitidamente rememora uma alegria, mas ainda assim sem nenhum entusiasmo. E a harmonia em tom menor acompanha a tristeza.
O eu lírico da canção não vai preso, como deveria. Ele apenas perde a alegria de viver, a ponto de abandonar o futebol que o levou ao ato violento. É pouco? É. Mas não há uma sílaba nessa canção que exalte o feito. Muito pelo contrário, o que há é puro arrependimento.
Não sei de identitarismo. Mas sei um pouco de análise musical. E isso é o que eu tinha a dizer. TULIO VILLACA

4.) Sobre João e sua teimosia - Por um professor ainda preocupado com o futuro. Acho lamentável que os movimentos ditos progressistas, até os partidários, entendam que a exclusão seja uma inevitável manifestação desses movimentos. Em nosso país, o que não falta é reacionário, supremacista e classista em qualquer molde e medida. Gente que diz coisas absurdas em nome de fé religiosa e da “tradição” conservadora. No entanto, parece que, para algumas pessoas, falta energia e coragem para lidar com esse óbvio perigo, na urgência algorítmica dos “likes”. Por mera “sinalização de virtude”, termo cunhado por um grande amigo, que não quero envolver, apontamos dedos para o que nos incomoda, de um jeitinho bem seletivo, sem qualquer demonstração de inteligência estratégica, apenas para manter seu álibi, gerando assim o tal fogo amigo. Como paladinos da “verdade, pois é o que eu sinto”, estamos a todo momento a gerar mais e mais ressentimentos. Toda minha vida como educador baseou-se em uma troca real com aquelas e aqueles com quem trabalhei em sala de aula. Quando Paulo Freire escreveu sobre o amor necessário para nosso trabalho, defendia uma ideologia baseada em mútuo envolvimento para a compreensão da vida de todas as pessoas ligadas ao processo de ensino/aprendizagem. Todo movimento que se faz para qualquer tipo de esclarecimento é educacional já que todo mundo é capaz de entender tudo desde de que aberto para isso, mas com abertura que deve acontecer naturalmente e não por arrombamento. Sim, é preciso ter alguma paciência com pessoas com histórico, quando sua contribuição foi relevante e nos possibilitou chegar até aqui, livres para opinar e viver como nos convém e sem culpa. Sim, as pessoas têm direito a crítica, especialmente se nela não existe intenção de destruir. Sim, pessoas têm direito a própria defesa quando sentem-se injustamente julgadas, até porque não estão em julgamento, ou estão? Temos que reconhecer que muito de ruim foi naturalizada simplesmente por não atingir uma dita “maioria”. Que grupos sofreram e sofrem por simples descaso, pelo “a vida é assim”. O mundo segue mudando. Mas não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de alianças como essa com o João, cada voto conta. Por uma conveniência política momentânea, aliaram-se a tudo do mais perigoso em nome de protagonismo, perdemos Brizola e Darcy e “ganhamos” Macedo e Malafaia. Depois ninguém compreende porque, mesmo com tantos crimes tão evidentes, uma eleição não está garantida. Estamos alimentando antagonismos, há tempos. Aí está o ovo da serpente. CARLITO MACHADO

quarta-feira, 22 de julho de 2026

RETRATOS DE BAURU (317)


voltando atenção para Bauru
DESVENDANDO O MISTÉRIO DAS PLACAS ENCOBERTAS, OBRAS DO GOVERNO FEDERAL
Diante de aberrações que sempre pipocam pela aí, quando governantes inescrupulosos, os que nada fazem de obras públicas e vendo as muitas realizações promovidas pelo Governo Federal, Lula & Cia, encobrem a logo de quem de fato a fazem, tudo para encobrir o nada fazer, vendo algo assim numa foto publicada de obra em Bauru, publico este texto: 

"A foto viralizou em Bauru, numa demonstração de como age a extrema-direita, falseando com a verdade, tudo para beneficiar seus sórdidos interesses. Gostaria de saber quem ocultou, adesivando por cima de placa de obra custeada pelo Governo Federal, para sairem dizendo ter sido outrem seu realizador. Quem faz e patrocina isso também em Bauru? De onde vem a ordem? Não é tão difícil assim puxar o fio dessa meada e chegar no mandatário da bestialidade".

Chico Maia me explicita o que de fato ocorre: "meu caro companheiro. Estamos em fase de defeso eleitoral e a lei impõe limites a agentes públicos a três meses das eleições. No entanto, é necessário verificar se a regra está sendo cumprida sobre os convênios firmados com o governo do estado". Outro alerta recebo de João Azevedo: "Lei Federal em época de eleição o hospital estadual, Hospital de base e o manuel de abreu e maternidade santa Isabel passam pela mesma condição até mesmo nos uniforme foram tampados nesses sobre o "governo estadual".

Diante das evidências, evidentemente, entendo o que está em curso, porém, assim mesmo, constato ser isso fato já consolidado como prática de governantes inoperantes, que longe de períodos eleitorais, escamoteiam obras bancadas pelo Governo Federal, merecendo comentário de Nelson Redondo Arjonas: "Para a direita vale qualquer tipo de trapaça, não se importando com ética, moral ou a verdade. Parece que se orgulham com práticas desse tipo. Perderam totalmente a vergonha, se é que já tiveram". Assim sendo, necessário se faz o cumprimento da legislação existente, porém, ficar alerta para quando fora destes prazos, algo dessa natureza assim ocorrer, como recentemente li sobre o túnel submerso sendo construído para ligar o Guarujá ao continente, viabilizado por uma Parceria Público-Privada (PPP) que divide os aportes públicos em partes iguais entre o Governo Federal e o Estado de São Paulo, gerando divergências políticas sobre o protagonismo da execução. Tarcísio gosta de apregoar ser tudo bancado pelo Governo Estadual, quando na verdade, a maior parte está sendo bancada pelo Federal, ou seja, Lula & Cia. 

MAIS UMA AUDIÊNCIA PARA CHOVER NO MOLHADO, A DA RECUPERAÇÃO DO SAMBÓDROMO - NÃO SEI SE AINDA NÃO ENTENDERAM, MAS SUÉLLEN NADA FARÁ
"Por iniciativa da vereadora Estela Almagro (PT), a Câmara Municipal de Bauru realiza, nesta quarta-feira (22/07), a partir das 14h, uma Audiência Pública para discutir a reforma do Sambódromo Municipal. Em março deste ano, a parlamentar já tinha promovido um encontro para debater o tema (leia aqui). A discussão, desta vez, vai enfocar os editais dos projetos de recuperação e o calendário das obras para o espaço, que está interditado desde março de 2019 em decorrência de problemas estruturais. Foram convocados para o encontro o secretário de Cultura, Roger Barude; a secretária de Infraestrutura, Pérola Zanotto; o secretário da Fazenda, Everson Demarchi; e o chefe de Gabinete da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Leonardo Marcari. A chefe do Executivo Municipal também foi convidada para a audiência, assim como os membros do Conselho Municipal de Cultura, de blocos carnavalescos e da Comissão de Obras da Câmara Municipal de Bauru.
ACOMPANHE! O encontro será exibido ao vivo pela TV Câmara Bauru (Canal 10 da Claro/NET e Canal 35.3 no sinal aberto digital), pelo YouTube e no portal da Casa de Leis.
#camarabauru #bauru #audienciapublica #reformadosambodromo #carnaval", este o convite para essa Audiência Pública.

Garbosamente DECLINEI de participar de algo, onde sei de antemão que, a Prefeitura Municipal de Bauru, administração fundamentalista de Suéllen Rosin não fará empenho nenhum para realização dessa obra. No mais, creio eu, tudo também faça parte de algo mais para alavancar a campanha política da candidata vereadora bauruense à ALESP. Ela também é mais do que ciente de que, os valores levantados, aproximadamente 17 milhões de reais, indicados pelo staff da Prefeitura, só serão conseguidos através da iniciativa privada. Daí, não querendo perder tempo, deixo de comparecer. Apparicio Torelly, o nosso imortal Barão de Itararé possui uma frase já fazendo parte do consenso do dia-a-dia brasileiro e caindo como uma luva para este episódio da vida pública bauruense: "De onde menos se espera, daí é que não sai nada". 

Vejo a repercussão da Audiência, o valor dado como necessário para obra, mas percebo não existir nenhum movimento público para a realização da obra ou para ir buscá-lo. Tudo conversa pra boi dormir. Na verdade a Prefeitura, faz o que sempre fez quando se trata de obras e ações onde ela não possui nenhum interesse na sua realização. Primeiro demonstar superficialmente interesse, desloca seus profissionais, orçam e depois crava: Se virem, corram atrás se quiserem sua realização. As prioridades dessa descabida administração são bem outras. Isso me faz lembrar do mesmo estardalhaço criado quando reuniram pessoas para uma provável recuperação da Casa dos Pioneiros, edificação em ruínas ali na rua Araújo Leite e depois, com o valor definido, a alcaide solta que, para sua realização, somente com a participação de campanha junto da iniciativa privada. Desde então, nada mais se falou sobre o assunto. Nessa administração, nada disso é surpresa. Ocorrendo mais uma Audiência Pública para discutir os destinos da Estação da NOB, verifiquem se tudo não ocorrerá da mesma forma e jeito. Cai nessa quem quer...

E JÁ QUE FALAMOS DELE...
A famosa máxima "De onde menos se espera, daí é que não sai nada" é uma criação do jornalista e humorista brasileiro Apparício Torelly, conhecido como o Barão de Itararé. Ela brinca com o ditado popular original "De onde menos se espera, daí é que não vem nada" (ou "de lá é que não vem nada") para satirizar a falta de expectativa em certas situações ou promessas vazias.

Outras frases famosas do autor:
"Quando o pobre come frango, um dos dois está doente."
"O fígado faz muito mal à bebida."
"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato."
"Anistia é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças e crimes que ele mesmo cometeu."

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CHEGUEI, ESTOU DE VOLTA - AVALIAÇÕES DESSA ESTADA COMOS HERMANOS 

domingo, 19 de julho de 2026

AMIGOS DO PEITO (256)

MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA VIAGEM, NAS HISTORIETAS ARGENTINAS 14.) MANHÃ DE SÁBADO, PASSEIO PELA 25 DE MARÇO/SAARA ARGENTINA, AQUI O "ONCEDois locais, Maria Belén e Adrian Jara nos ciceroneiam pelas calles onde argentinos de todas as partes do país vem efetuar compras, depois revender. Caímos de boca nas andanças, guiados por dois entendidos no assunto. E até fizemos algumas comprinhas. Para mim, observador das calles, nada como andar por um lugar, que anos atrás estava forrado de imigrantes negros, todos africanos, ocupando todas as calçadas, vendendo roupa de griffe, todas falsificadas. A região passou por severa alteração de funcionalidade, com estes todos sendo praticamente expulsos, não só das calçadas, como do país. Não os vendo mais, pergunto ao Adrian e ele me responde: "A Prefeitura os retirou daqui e não os vemos mais em lugar nenhum".

Fui conferir e encontrei isso: "Os vendedores africanos (em sua maioria senegaleses) que trabalhavam como manteros em Once, Buenos Aires, foram dispersados devido a constantes operações de repressão e desalojo do espaço público pelo Governo da Cidade. Muitos migraram para outros bairros e províncias, enquanto outros continuam atuando de forma itinerante e cautelosa. Devido à forte presença policial, abandonaram o modelo de montar barracas fixas nas calçadas. Em vez disso, passaram a operar de maneira móvel (carregando bolsas e mercadorias nas mãos) e fogem rapidamente ao sinal de fiscais ou policiais. Para evitar a perda total de suas mercadorias nas batidas, muitos passaram a alugar pequenos espaços ou guardar estoques em galerias comerciais da região e saem às ruas apenas para vender unidades limitadas".
Para mim, que todo ano, neste mesmo período cá estou, mais do que perceptível a mudança. Antes quase intransitável a região, hoje mais tranquila. Do zelador do prédio onde estamos hospedados, me diz quando saíamos para o passeio: "Tome muiuto cuidado, pois lá costumam sumir coisas de nossas mãos". Não vi nada disso, achei um excesso. Gente sendo ludibriada nas ruas não é exclusividade daqui e sim de todos os lugares do mundo. O fato concreto é que, não presenciei nenhum ato de violência urbana na caminhada, andando e adentrando por todos os lugares, sem nenhum tipo de chateção. No mais, que ótima manhã, circulando pelas lojas deste bairro, recebendo pessoas de todas as partes do país, todos em busca de mercadorias para serem depois revendidas em suas cidades, nada diferente do que acontece no Brasil, em São Paulo na 25 de Março e no Rio, no Saara.

15.) CLUB DEL PROGRESSO, ARISTOCRÁTICO PONTO ENCONTRO PRESIDENTES ARGENTINOS
Localizado em Sarmiento 1334, este tradicional restaurante buenarista, o Club Del Progreso, fundado em 1852, foi palco de encontro de todos presidentes argentinos. Localizado nas imediações do Congresso e Senado da Repúbluca, foi por muito tempo um clube exclusivo de cavalheiros, um dos mais antigos da Sudamérica, ícone da história de Buenos Aires. Hoje, recebe frequentadores de várias partes, com imensos pratos compartilhados e em seu salão principal, flâmulas de times da nossa latinidade. Atração turística e preços populares, atendimento receptivo e clima de confraternização. Ao fim, encontro um argentino com camiseta estampada algo do jogo da última quarta, qiando Argentina se classificou para final da Copa: "As Malvinas são argentinas". Comemos muito, preço honesto e quase preciso ser carregado para habitação onde nos encontramos. Vale a pena, também por ter visto lá no salão, flâmula do Flamengo, time que Ana Bia Andrade torce e do Corinthians, time que torço.

16.) CAFÉ DA MANHÃ, DESPEDIDA DE BUENOS AIRES, ENTRE AMIGOS, NA CONFEITARIA IDEAL
Amigos argentinos cientes de nossa despedida da cidade, organizam para este domingo, algo luxuoso, a ida, 8h da manhã, abrir a famosa Confeitaria Ideal, para um sonoro café da manhã. A Ideal fez história na capital portenha, localizada a poucos metros do seu maior ponto turístico, o Obelisco. Foi ponto de encontro, cem anos atrás, da nata da elite local, a que podia desfrutar de lugares tão luxuosos. Reinou aberta e influenciando as decisões políticas até os anos 70. De suas mesas, saiam decisões políticas, direcionando os rumos, inclusive do país. Fechou as portas e sua edificação foi abandonada e esquecida, tornando-se uma chaga a céu aberto. 

A emblemática Confiteria La Ideal, fundada em 1912, reabriu em 2022 após passar por uma restauração massiva de cinco anos. O processo devolveu o seu esplendor original, recuperando lustres franceses, vitrais italianos, detalhes folheados a ouro no teto, mármores e bronzes trazidos da Europa, preservando a sua histórica arquitetura Belle Époque. As confeitarias de Buenos Aires são sinônimo de tradição. Com forte influência do estilo europeu, são uma das características mais marcantes da cidade. Muitas delas acompanharam o crescimento histórico da capital argentina e marcam presença há mais de 100 anos. É o caso dessa, também um dos Bares Notáveis mais emblemáticos da cidade. Depois de anos fechada para restauração, reabriu as portas com o mesmo deslumbre dos seus primeiros dias. Este foi um ponto de encontro de políticos, escritores e protagonistas de todas as épocas: o escritor Jorge Luis Borges, Carlos Gardel, diversos presidentes, Charlie Watts, baterista dos Rolling Stones, Yoko Ono. Além disso, a confeitaria aparece no filme Evita, protagonizado por Madonna e Antonio Banderas.

Fomos num grupo de amigos e curtimos o local com a devida pompa. Entre os diversos elementos que foram restaurados durante a obra estão os lustres franceses, todo o mobiliário, os vitrais italianos, bronzes, mármores, grades e vitrines, e o teto com seus detalhes folheados a ouro. Além do elevador, que se parece fielmente ao seu original. Espalhados por Buenos Aires, me deparo com centenas de lugares como este, algo bem natural por aqui, onde a preservação histórica ainda recebe digno tratamento.

17.) FRAGMENTOS COLHIDOS NAS CALLES E AQUI COMENTADAS
Eu teria muito mais para descrever do vivenciado nestes poucos dias zanzando por Buenos Aires. Tudo são gratas recordações. Ano após ano, tenho não só o prazer, como um privilégio este poder voltar, rever lugares e pessoas. Procuro conhecer mais e mais lugares, o mesmo servindo para pessoas. Por onde esbarro, me deparo com novas histórias, enfim, tudo vale e merece ser contado. As vezes cometo inconfidências, excesso deste incontrolável desejo de ver registradas histórias, principalmente a de personagens ditos e vistos como menosres. Daí, essa denominação onde me encaixo com maestria, de Historiador das Insignificâncias. 

Dois ricos personagens me cativaram nessa estada por Buenos Aires, nestes dez dias aqui passados. Primeiro foi o jornaleiro da esquina onde me encontrava hospedado, na calle Santiago del Estero. Seu nome é simplesmente TONI, como me disse e assim o chamei por todos os dias. Ele guardava para mim o exemplar diário do jornal Página 12 e no sábado e domingo, mesmo não abrindo sua banca, tendo a chave do prédio onde estive hospedado, entrava 5h30 da manhã, deixando o jornal enfiando embaixo da porta da sala. Por fim, peronista de quatro costados, me disse fazer parte aos finais de semana de um programa social em Lanus, região da Grande Buenos Aires, atendendo famílias muito necessitadas e ao dizer, gostaria de estar com ele, já marcamos para o próximo ano. Em cada passada pela sua banca, surgiam histórias, dessas maravilhosas de quem vive a vida intensamente e, assim como eu, faz de tudo e mais um pouco para tentar buscar este tal de "outro mundo possível". Deixou em mim incrustrado momentos de indescrítiveis demonstrações de como, o ser humano, quando quer, é o grande personagem transformador deste mundo.

O segundo personagem é também alguém que, não sei o sobrenome. Por anos seguidos nos hospedamos num apartamento lá nos altos da avenida Corrientes, depois da Callao e o zelador do prédio, alguém saído das entranhas mais seimples deste país, um batalhador na acepção da palavra. Mora nos fundos do prédio com sua esposa, filha de gaúchos brasileiros e de cada vez que conversávamos, bateu aquela empatia. Ele me confindenciou muito de sua vida e das reais agruras do povo argentino, o que padece de forma vil o mal sendo cometido pelo nefasto Javier Milei ao país. Neste ano, não conseguimos nos hospedar na calle Corrientes, mas mantivemos contato. Ele guardou para nós uma caixa com utensílios utilizados para a Festa Brasileira que fazemos. Veio trazer até nós e voltou para o rescaldo da tal festa. Pouco antes de deixar o apartamento, o chamamos, pois não queríamos jogar nada do que trouxemos. Ele veio até nós, noite de sábado, 0h30, junto da esposa, Isabella e daí, perdemos a noção do tempo. Levou entre outras coisas uma garrafa de cachaça 51 e no dia seguinte, momentos antes do jogo, posta uma foto de caipirinha feita e de como estava esperando assistir a final da Copa. Marcamos dele ver como podemos voltar a nos hospedarmos lá no prédio onde trabalha e novamente guarda a caixa cheia de utensílios, para a festa pretendida para ocorrer em 2027. 

Tem tantas outras, como o relato do jovem garçon lá no bairro La Boca, nos explicando sobre os primórdios e origem das casinhas coloridas e de zinco do bairro. E a do cara, no sábado à tarde com a camiseta "As Malvinas são argentinas", que por pouco não compro dele e troco pela que estava usando. E a de uma senhora, comandando o microfone diante do prédio onde mora Cristina Kirchner, me contando dos motivos de parar tudo e estar ali, coordenando sua solidariedade para com a ex-presidente, injustamente presa e segundo ela, a única com reais condições de fazer algo concreto para o povo argentino. Os registros nas calçadas, lugares onde foram sequestrados os muitos desaparecidos durante a violenta ditadura militar. E o imenso carro verde sendo consertado pelo jovem proprietário, enfiando debaixo dele o dia inteiro. E algo tocante, muito triste, as inscrições em muitos pontos comerciais: "Nos cerramos. Vamos efectivo, com 25%". A mulher dormindo dentro do Mc Donald's, onde entrava não para comer, mas para urinar, na falta de banheiros públicos. Tudo o que vi daria para escrevinhar mais que um livro.

18.) BELLAGAMBA BODEGÓN, UM BAR COM ESTILO E PERSONALIDADE PRÓPRIA
O Bellagamba Bodegón é um dos restaurantes mais tradicionais e econômicos de Buenos Aires, famoso por servir comida caseira farta, preço justo (numa placa dentro do salão, anúncio de prato do dia por 3 mil pesos) e por seu ambiente boêmio e retrô. As porções são generosas, ideais para compartilhar, com pratos clássicos como milanesas, massas, empanadas e bife de chorizo.
Foi neste espaço que, decidimos fazer a despedida de Buenos Aires neste domingo, momentos antesde dirigir-se para o aeroporto e voltar pra vida rotineira em Bauru. Este restaurante é bem avaliado, não só pelo já aqui comentado, mas também pelo seu visual interno. Em suas paredes fotos antigas, dos mais variados temas, ocupando todas suas paredes e no salão, antiguidades de todos tipos e épocas.
Circular por um lugar assim é de uma certa forma respirar algo sobre a história da cidade e de muitos dos seus antigos personagens. Uma viagem no tempo e espaço, aliado com uma comida estilo caseira. Pelo que vi tem duas filiais na cidade, uma próxima do Congresso, na avenida Rivadavia e essa onde estive, em Palermo, na calle Armênia. Saímos de lá satisfeitos e direto para o aeroporto. Dia de voltar para casa.

sábado, 18 de julho de 2026

BEIRA DE ESTRADA (210)


HISTORIETAS ARGENTINAS

11.) REVENDO OS AMIGOS DO "LA CAVE", DEGUSTANDO UM BOM VINHO ARGENTINO
Aprendendo a degustar um bom vinho com quem sabe, o casal César e Flávia, ela uma enóloga de responsa, ou seja, estudiosa no assunto, entendida de fato. Não era um dia dos melhores para ir até seu estabelecimento, na calle Rodríguez Peña, pois no mesmo dia, um jogo da Argentina pela Copa. As ruas estavam intransitáveis, mas como gostamos uma muvuca, de rua cheia e também, é claro, de um bom vinho, lá estivemos para a anual degustação. 

Desfrutamos de preciosos queijos, empanadas riquíssimas e quatro tipos de vinho, devidamente explicados e degustados. Algo como um necessário reencontro, feito sempre bem no meio do tempo que por aqui passamos, numa espécie de pit stop, onde recarregamos nossas baterias, revemos os amigos e saímos todos, um pouco mais borrachos, porém, satisfeitos e prontos para tudo o mais.

PRECISO EXPLICITAR PARA QUEM SERÁ MINHA TORCIDA NA FINAL DA COPA DO MUNDO?

12.) RUANDO E O PASSEIO PELO MUSEU COLON, JUNTO AO CAMINITO
O Teatro Cólon todos conhecem sua grandiosidade, creio eu o mais imponente de toda América Latina. 

No seu entorno, hoje conhecemos como se dá a fabricação de seus ricos e diferenciados cenários e manutenção dos mais significativos figurinos. 

Tudo centralizado há muitos quilômetros do teatro, este na avenida Nove de Julho, próximo do Obelisco e sua fábrica de cenários, num imenso barracão, ao lado do cais, zona portuária, 200 metros da entrada do Caminito.


SÓ POR ISSO, ESTOU RECONFORTADO: TORCI MAIS QUE CERTO, VIVA AMÉRICA LATINA LIVRE
"Obrigado por tudo, mas fundamentalmente por isso", jornalista da rádio 750 AM e do Página 12, meu amigo internético, de quem tenho vários livros, Gustavo Campana.

13.)
FEIJOADA NA FESTA BRASILEIRA PARA DILETOS ARGENTINOS EM NOSSA MORADA PORTENHA
Estamos em quatro hospedados num Airbnb na calle Santiago del Estero, região próxima do Congresso/Senado argentino e como todo ano, Ana Bia, se prepara e convida alguns diletos amigos portenhos, a maioria do meio universitário, ligados com a Universidade de Palermo, para uma noite brasileira em nossa habitacion. A cozinha neste ano este a cargo de Neiva Santos, que deu seu jeito mesclando as carnes argentinas com o que conhecmos como FEIJOADA. Os hermanos ficam sempre conectados e paparicam do acepipe com extrema dedicação. E depois, faço a festa com porteiros, o jornaleiro - grande amiugo -, vizinhos do apartamento e assim, num grande congraçamento, mostramos a que viemos, deixamos nossos cartões de visita, algo como ficam sabendo quem de fato são os tais brasileiros, que ano após anos, sai lá do interior de São Paulo, a terra do sanduíche Bauru e aportando em Buenos Aires, promovem um festim de congraçamento.

E junto de nossa festa, como todo ano, comemoramos o aniversário de Sérgio Bauer, peluqueiro de cães, companheiro do querido Adrian, um faz tudo do Congresso da UP. Ele traz o bolo,m cada qual um vinho e os brasileiros se juntam e promovem a comilança. 

Ou seja, se melhorar estraga. Somos felizes desta forema e jeito, com Ana trazendo uma lembrancinha para cada um e recebendo em troca esse carinho. Como não gostar dessa Argentina, a de quem labuta, luta e enfrenta mais do que um leão por dia, mas também encontra tempo para se reunir, conversar muito, cantarolar algo e unidos, ver como faremos para seguir em frente.

JOGADOR CONSCIENTE

quinta-feira, 16 de julho de 2026

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (215)


HISTORIETAS ARGENTINAS

9.) NO DIA SEGUINTE, O JOGO ERA COISA DO PASSADO E FUI CONHECER ALGO MAIS SOBRE PERONISMO
Toni, o jornaleiro peronista, localizado bem aqui na esquina de onde me encontro nesta semana em Buenos Aires, vai me dando as dicas de onde devo ir e me apresenta pessoas em todas as vezes que passo por lá. Hoje mesmo, me apresenta um senhor. "É dos nossos, peronista, velha guarda, tradicional, dos bons", me diz. Tudo rende conversas. Pede para que vá papear um pouco na sede do Partido Justicialista, menos de 200 metros da banca, me informando serem peronistas tradicionais e assim, irei me aprofundando nos conhecimentos políticos da vida argentina.
Chego no local, com um "Cristina Livre" bem na frente e lá dentro, caricaturas e fotos dela espalhadas pelo salão. No balcão de entrada, quem ali se encontra é Matias Marucco, jovem dirigente justicialista. Me identifico como petista e a partir daí, iniciando a conversação com ele me falando de Perón e de Cristina Fernandez de Kirchner e eu de Lula, ali permanecemos por aproximadamente uns 40 minutos. Pergunto sobre todas as minhas dúvidas sobre a política local e ele prontamente me responde, dentro dos preceitos peronistas. Não desdiz do que acontece dentro do peronismo hoje, com muitos grupos, de certa forma antagônicos, porém lá na frente, com o mesmo ideal de luta. "Isso não é ruim, pois não nascemos iguais e do confronto, quando o ideal é o mesmo, sempre flui algo de bom".

Pergunto do confronto entre o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof e Máximo Kirchner, o filho de Cristina, seu sucessor político. Ele me explica que dentro de uns 40% do eleitorado convertendo para o peronismo, Cristina possui o grupo com maior percentual, depois o Kicillof, depois Sergio Massa, o candidato peronista que perdeu a última eleição para Javier Milei. "Tudo vai ser pegado agora, mas quando definir quem vai encabeçar como nosso candidato, estaremos todos unidos", me diz. Digo que, algo parecido acontece no Brasil, onde Lula comanda o PT, mas vários grupos comandados por políticos variados estão sempre em disputa interna.

E assim a prosa prossegue, inclusive com ele me dando sua versão sobre o papel da seleção argentina de futebol, onde somente uns quatro podem ser considerados mais à esquerda. "Os jogadores estão num outro patamar. Os que realmente vieram de classes mais pobres, continuam assim, mas quem é advindo de outra situação, dificilmente se posiciona junto de bandeiras populares". Por fim, no frigir da conversa, ele me diz que, para entender de fato o que venha a ser o peronismo, teria que ler, ao menos dois livros escritos por Péron, o "La Comunidad Organizada" e "Doctrina Peronista". Diz que, os encontro facilmente pelos sebos da cidade. "Foram escritos há mais de 50 anos, mas continuam mais atuais do que nunca", conclui.

A conversa poderia ter fluido muito mais, mas o tempo por aqui urge e tendo outros compromissos pela frente, nos despedimos, quando chega outro dirigente e me vendo brasileiro e admirador do peronismo, me dá a dica certeira para a parte da tarde: "Vá até a casa de Cristina. Hoje tem manifestação de apoio lá defronte e com grandes chances dela sair na sacada. Estamos na rua San Jose. Basta seguir um quilometro adiante, ela mora no prédio 1111". Foi o que fiz. 

10.) FUI VER CRISTINA, ELA NO BALCÃO, 2° ANDAR, CALLE SAN JOSE 1111
Na conversa pela manhã com pessoas ligadas a partidos peronistas, a informação de que, na parte da tarde, por volta das 16h, uma manifestação de apoio para Cristina Kirchner, a ex-presidenta da República, condenada injustamente pelo lawfare político, nova especialidade latinoamericana de prender opositores, hoje reclusa em prisão domiciliar, ocorreria defronte o prédio onde reside na calle San Jose nº 1111. A concentração de populares lhe prestando apoio é constante, diária e praticamente ininterrupta, numa clara demonstração do forte apoio popular que a líder peronista sempre teve. Cristina sucedeu seu marido Nestor Kirchner no poder e a Lava Jato argentina, denominada de Comodoropy, para impedir seu retorno ao poder, invencionou uma questão Cadernos, já desmontada, quando lhe imputaram crimes de corrupção, sem comprovação, só para tirar-lhe o direito de concorrer.

Cristinase mudou a pouco tempo para este novo endereço, mais popular do que o anterior, próximo do Cemitério da Recoleta. EScolhido a dedo, uma ampla sacada permite que ela tenha acesso para seus apoiadores e, desta forma, frequentemente sai na sacada e saúda o conglomerado popular ali presente. Desta feita eu estava ali e vagando dentre os presente, muitos fazendo uso do microfone , rodeados de pequenos comerciantes vendendo souveniers com temas relacionados ao peronismo. Desde botons, adesivos, camisetas, brincos, colares, canecas, chaveiros, cartazes, tudo feito de forma artesanalmente e proporcionando algum ganho para seus idealizadores. A criatividade de quem não desgruda de Cristina é latente e demonstra sua força, perseverança na lida e luta.

Aproximadamente umas cem pessoas estavam ali concentradas, atentas às falas e mais ainda na movimentação na sacada do 2º andar. Quando ocorre uma movimentação de abertura do janelão onde ela reside, as falas se interromperam e no lugar, música com temas ligados à Cristina. Ela permanece no balcão por aproximadamente uns dez minutos, faz gestos para todos, acena, aponta para alguns e monta um coraçãozinho com as mãos, indicando com a mãos alguns. É o momento que todos esperavam. Cristina, pelo que vê e constatei, continua sendo a grande liderança política argentina, a mais expressiva e popular. Foi também uma das que, nos últimos tempos promoveu a concretização de esperança de dias melhores para o povo mais marginalizado, principalmente o trabalhador. Depois dela, o peronismo elegeu Alberto Fernandes, que claudicou na continuidade de um governo popular e na sequência, enfraquecido, perdeu o pleito para JAvier Milei. A desconstrução do país se deu de forma arrasadora, praticamente colocando fim em todas atividades sociais. O país vive um caos social e o alento de uma virada de mesa, ocorre através do peronismo, sendo o nome de Cristina, mesmo proscrito o de maior alcance popular.

Cristina junto de Lula podem ser considerados hoje duas das mais significativas lideranças políticas do Cone-Sul, justamente nos dois países com maior importância no continente. Eu, na qualidade de jornalista, de historiador e de voraz leitor do tema da Pátria Grande latinoamericana, sempre me interessei muito, não só pelo peronismo, mas principalmente por quem pratica essa política mais voltada para os interesses poplares na América Latina. Lula em sua última visita à Argentina a visitou em seu apartamento e as relações entre eles sempre foi das melhores. Conversando com os presente, me descobrindo brasileiro, a primeira coisa que me diziam era a de gostarem muito de Lula. Respondio sempre retribuindo: "Eu também e milhões de brasileiros, entendemos o que se passa aqui e gostamos muito de Cristina e do peronismo".

Cristina não se omite de continuar dando opiniões e influenciado nos rumos do peronismo no país. Ela sabe e tenta de todas as formas reverter sua situação jurídica, porém diante das dificuldades de vergar um Judiciário comprometido dos pés à cabeça com o conservadorismo neoliberal, de gente como ex-presidente Maurício Macri, este ainda apoiando Milei, faz o confronto como pode e uma das possibilidades é essa, a de manter estreito contato popular nas aparições na sacada de seu apartamento. Hoje, por uma felicidade, tive o prazer de vê-la numa dessas saídas na sacada. O contentamento de todos os presentes, percebido por mim, circulando entre os presentes é a certeza de que, o povo não é bobo e mesmo diante de todas as adversidades, sabe muito bem quem pode fazer algo por ele. Cristina é uma dessas, com ação política comprovadamente popular. Aplaudi efusivamente quando saiu no balcão. Fiquei emocionado, como todos os presentes.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (217)


HISTORIETAS ARGENTINAS
6.) ARGENTINA NA SEMIFINAL DA COPA: FUI PELA MANHÃ REVER A CASA DE LAS MADRES, REDUTO DE LUTA E RESISTÊNCA
A identificação imediata que tive com a luta empreendida pela MAdres da Praça de Mayo, que toda quinta, período da tarde, se reúnem e contornam a praça, num gesto de indignação contra o que fizeram com seus filhos e netos é tocante e imediata. Para mim, não existe como permanecer indiferente. Daí, em cada retorno para Buenos Aires é quase obrigatório dar uma passada pela sede das Madres, um local bem simples, mas onde em tudo está registrado algo de como se deu a luta delas ao longo do tempo. Além de um pequeno restaurante, o local de encontro e muitas fotos espalhadas pelas paredes, retratando quem está ao lado dessa incansável luta. Sempre trago algo, recuerdos, como bandanas e bandeiras com o símbolo delas estampado. Tenho no Mafuá, fixado num lugar de destaque uma dessas bandeiras, como a dizer e deixar bem explícito de que lado estou nessas contendas todas que a vida me leva a disputar. 

A sede da associação das Madres - que mantém também uma universidade de cunho popular - está localizada há poucos quarteirões de onde me encontro, pertinho da praça do Congresso. Diante dessa sede, semanalmente ocorrem manifestações violentas, pois os "jubilados" (aposentados) arnetinos, protestam contra o que o desGoverno de Javier Milei faz com seus salários, cada vez mais achatados, insuficientes para chegar ao final do mês e a polícia nacional reprime, chegando a agredir estes. Um cenário de final dos tempos, dessa insanidade proporcionada pela extrema-direita, que rouba o que encontra pela frente e de diz salvadora da Pátria, afundando todos os países onde estão no poder. A luta das Madres extrapola a da incansável procura pelos seus, desaparecidos políticos e versa sobre todas as demais injustiças em curso na Argentina. E, assim sendo, não tem como passar batido. Tive o prazer de, justamente na primeira vez que aqui vim, 2007, ter ouvido Hebe de Bonafini, a grande líderança das Madres, já falecida, num discurso lindo, inflamado e ao lado de nada menos que Hugo Chávez. Continuarei passando pela sede delas e circulando nas quintas na praça de Mayo, todas vez que aqui estiver. 

7.) O JOGO ONDE A ARGENTINA GANHOU DA INGLATERRA DE 2 X 1, VISTO JUNTO DOS GERMANOS, NO PÁTIO DA UP - UNIVERSIDADE DE PALERMO
E ELES FORAM PARA A FINAL
É um fato auspicioso e para mim, muito além da casualidade de aqui estar e poder presenciar a semana final desta Copa do Mundo de futebol e, coincidentemente, o Brasil já ter sido desclassificado e o único país latinoamericano ainda na disputa, o campeão da última disputa, 4 anos atrás, a Argentina. Já explanei em várias ocasiões da querência que tenho por este território latino. Não se faz necessário ficar repetindo exaustivamente o amontoado de motivos. Eles estão aflorados em minhas ações e proposituras. Eu tenho um lado de como tocar a vida e luto incansavelmente numa trincheira contra desmandos e poderosos, daqui e de alhures. E assim, cheguei neste momento a voltar numa apresentação acadêmica, junto da esposa Ana Bia, na UP - Universidade de Palermo e justamente no dia, quarta, quando a seleção argentina estaria se confrontando com o eterno rival deles, a Inglaterra. O jogo se deu às 16h e minha apresentação entre 12h30 e 14h30.

Ou seja, terminando a apresentação, em pouco tempo o jogo mobilizando os hermanos. A UP preparou um local para recepcionar quem por lá quisesse assistir o jogo, no seu pátio principal da unidade onde me encontrava. Numa bancada um monte de artigos para festar com as cores branco e azul, desde apitos, colares, gira-gira e afins e todos por lá com a camiseta da seleção. Sento ao lado de amigo uruguaio, de Ana e outros brasileiros. Curtimos muito ali estar presentes e presenciar a festa do lado deles, os anfitriões do Congresso. Duas grandes TVs e um amontoado de funcionários e professores, junto de congressistas de vários países da América Latina. Filtrei ao meu modo e jeito a ansiedade de antes do jogo e depois, o alívio e a festa com a grandiosidade do que foi o final da partida, quando a Argentina dá uma volta, demonstrando garra e força, vencendo a contenda. Uma comemoração ao estilo de um local acadêmico, um tanto contido, mas muito encolvente. Por detrás de tudo, eu lá a presenciar mais este feito. Como conheço muitos por lá, não me considerei fora de meu habitat. Confesso, torci por eles e nessa final de Copa, escolhi a Argentina como meu time.

8.) E ASSIM O MAFUENTO HPA FALOU DO CARNAVAL DE TAQUARITINGA LÁ PELOS LADOS DE BUENOS AIRES
Enfim, minha participaççao no Congresso na UP - Universidade de PAlermo não foi o de acompanhar a esposa, Ana Bia em suas mais de cinco apresentações. Todo ano eu também me preparo e levo para o debate algo de minha lavra e responsabilidade. Eis a pomposa denominação, Congreso de Enseñanza del Diseño Universidad de Palermo e eu na Comissão P3: Narrativas visuales y representaciones culturales, juntamente com mais doze participantes. Meu tema de pesquisa ficou assim intitulado: História das 'Repúblicas' e a importância do carnaval em Taquaritinga". O que muito me anima é ter podido constatar que, o que escrevo gera debate e, principalmente, interesse. Compartilho a apresentação com o doutor em Design, Rodolfo Nucci, hoje residindo em Florença - Itália e taquatitingeunse, portanto, fonte deste meu olhar sobre algo ocorrendo em sua aldeia. Foi bom demais. Abaixo o texto na íntegra do resumo da pesquisa:

"Taquaritinga é uma pequena cidade brasileira, com aproximadamente 50 mil habitantes. Situa-se na região central do interior do estado de São Paulo, o mais populoso do país. Localizada a cerca de 336 km da capital paulista, é conhecida como ‘Cidade Pérola’, fazendo parte de uma área com forte tradição agrícola. A cidade consolidou-se historicamente no auge do ciclo do café e hoje mantém uma economia focada no setor agroindustrial e de serviços. Para quem circula pela primeira vez às ruas, talvez a entenda como sem grandes atrativos. Há somente quatro edifícios na área urbana pequeno movimento de pessoas, composto pelos próprios moradores. Tem tudo para que uma visita não apresente nada de diferente da maioria de outras cidades interioranas com as mesmas características. No entanto, algo a difere para quem, além de circular por ruas centrais, possui ‘algum faro’ para detectar singularidades. Circulando pela Rua Campos Salles, no Centro, algo destoa dos demais estabelecimentos. Alguns imóveis, muito coloridos, chamam a atenção e nestes a inscrição: ‘República’. No Brasil, trata-se de uma denominação para moradia comunitária de estudantes universitários, ao longo da trajetória acadêmica. Surge a dúvida: Onde estão as Universidades? A resposta a essa questão é o fator principal a tornar conhecida a cidade país afora: o Carnaval. No Brasil, o Carnaval é considerado a maior festa popular nacional. Em muitas cidades, principalmente nas do interior, perde a força e a empolgação. Durante os cinco dias de ‘folia oficial’, a cada ano, há menos atividades nas ruas e salões. Observa-se que em Taquaritinga ocorre o oposto. A frase que melhor expressa o que lá ocorre é dita por um dos representantes do Setor de Cultura, vinculado à Prefeitura Municipal: ‘Taquaritinga espera pelo Carnaval’. Explica-se as ‘Repúblicas’, com suas cores, que chamam mais do que a atenção, representando o espírito a envolver o grande número de participantes para a festa. Nos locais, ocorre uma das formas mais tradicionais de concentração popular, mantida durante o ano todo. Algumas ‘Repúblicas’ mantém atividades fixas e situação de funcionamento regularizada junto ao Poder Público Municipal. Taquaritinga, com aparência pacata, movimenta nas ruas, em dias de ‘pico’ da festa carnavalesca, aproximadamente 40 mil pessoas festando nas ruas. O espírito das tais ‘Repúblicas’ é de festa, algo conquistado ao longo dos anos. Para a cidade, o Carnaval é fonte de muito lucro, para muito além da folia. O foco da investigação é o de apresentar como isso se dá, os ricos personagens que fizeram e fazem história, e os locais consagrados como marcantes e imprescindíveis durante o festejo.
Considera-se fundamental, mapear as estratégias de manutenção da continuidade em atrair a atenção popular. Como ponto de partida, a proposta foi a de compilar depoimentos e registros históricos, com foco na consolidação das ‘Repúblicas’, como espaços de resistência cultural. As ‘Repúblicas’ de Taquaritinga se multiplicam a cada ano e tornam-se protagonistas do carnaval da cidade. Entre as mais tradicionais, estão DNA, CMS e, mais recentemente, a Xiquita Bakana, que vêm ganhando destaque pela organização e pela estrutura oferecida aos foliões. Impulsionam decisivamente o Carnaval de Taquaritinga e elevam o padrão da folia, com estrutura organizada, shows privados e conforto, transformando a festa em referência já consolidada como regional. As estruturas montadas para receber sócios e convidados demonstram intenção direcionada a que o Carnaval seja cada vez mais atrativo. Dentro das ‘Repúblicas’, o público encontra alimentação, bebidas à vontade, conforto e segurança. Podem não ser o único fator determinante do sucesso do Carnaval, mas, certamente, o que mais leve o nome da cidade quando se trata de festejos carnavalescos paulistas. Taquaritinga ‘adotou’ estes espaços, tornando-se impossível um olhar indiferente diante dos mesmos.

e sobre a polêmica
RACISTA CHAMANDO RACISTA DE RACISTA COMO PRETEXTO PRA TORCER PRA OUTRO RACISTA
Antes que venham com esse blá-blá-blá de que "branco" não tem "lugar de fala" para falar de racismo, já aviso duas coisas: 1) lugar de cala não cola pra cima de "moá"; 2) não sou branco, não sou preto, não sou índio: sou brasileiro, mestiço, como qualquer outro latino-americano. Inclusive você.
Naqueles formulários dos EUA, sempre preenchi como "latino" porque "branco" não é cor, é critério de classificação e segregação social. Afinal, até hoje nunca conheci um japonês amarelo e eles seguem classificados assim. Índio só é vermelho quando pinta a pele de urucum e pros primeiros colonizadores, eles eram "negros da terra", mesmo tendo DNA semelhante a de asiáticos "amarelos".
Em resumo, cor, raça, etnia não passam de padrões historicamente construídos para fins socias. Quem ainda não entendeu isso, assista ao filme "Os Deuses devem estar loucos". É curioso quando um negro vê uma loira pela primeira vez, a acha horrível e fica com dó achando que ela está pálida por desnutrição.
Agora vamos ao que interessa. O brasileiro que chama o argentino de racista, está apontando um dedo para o vizinho, mas aponta quatro pra si mesmo.
Realmente, é muito cômodo dizer que os hermanos são racistas e se esquecer de que até outro dia o Brasil tinha um governante que dizia que negros pesavam em arrobas e que não serviam nem pra procriar. Seu vice dizia que era índio, mas que casou com uma branca para purificar a linhagem. Uma deputada do mesmo partido correu atrás de um homem negro com um revólver na véspera da eleição e nem foi esse o motivo de sua condenação.
A Argentina tem racismo? Óbvio que tem. Brasil tem? Tem e muito, mas incomoda falar e é muito mais cômodo jogar esse peso no vizinho.
"Ayn, mas os torcedores argentinos chamam brasileiros de macacos". Ora, quem vocês querem enganar? A vida inteira frequentei estádio e ouvi torcidas de todos os times brasileiros fazer isso. Isso só mudou quando começaram a punir os clubes, mas virando a esquina já continua nas brigas de torcidas.
Da onde surgiu o racismo? Do colonialismo europeu. Como países da América Latina absorveram o racismo? Por que a elite "criolla" nunca se viu como latino-americana, mas sempre sonhou em morar em Londes, Paris ou Miami com o dinheiro da exploração do próprio país.
Então sim, há racismo na Argentina, mas também no Brasil e em todos os países da América Latina. Só que elas não expressam o espírito do povo, senão de suas elites. O povo sem consciência emula suas elites. O nome disso é ideologia. Já dizia um certo velho barbudo alemão."
Texto do Thomas de Toledo