segunda-feira, 8 de junho de 2026

PERGUNTAR NÃO OFENDE (235)


APÓS O DIA NACIONAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA, EIS A SITUAÇÃO DO JORNALISMO INVESTIGATIVO EM BAURU
Escrevo isso após uma conversa com dileto amigo, jornalista de uma cepa hoje em falta, o investigativo. O faço também, justamente neste momento, pois o dia 7 de junho é comemorado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. A data foi escolhida para marcar um momento histórico: em 7 de junho de 1977, durante a Ditadura Militar, cerca de 3 mil jornalistas assinaram um manifesto exigindo o fim da censura e a instauração de uma imprensa livre no Brasil. E diante da data e da conversa, tento analisar a quantas anda este tal de JORNALISMO INVESTIGATIVO aqui em Bauru.

Hoje, infelizmente, ele deixou de existir na cidade e se ainda respira por aparelhos, isso se deve a ações isoladas de alguns poucos jornalistas, estes atuando de forma isolada e sem respaldo garantidor de empresas jornalísticas. Essas empresas na cidade estão praticamente reduzidas a pó. Nosso único jornal impresso, o JC - Jornal da Cidade é semanal, possui time reduzido de profissionais e sem condições de bancar continuidade de matérias de cunho investigativo, essas demandando mais tempo, apuração levando tempo. Os recursos miaram e se limitam a contratar, vez ou outra, um profissional do ramo, como o faz com Nelson Gonçalves, para matérias semanais. Ele se desdobra, em condições próprias e assina ainda boas matérias. No mais, vejo matérias de cunho histórico, ótimas por sianl, mas nada relevante para o momento.

No mais, no meio do rádio isso se findou há um bom tempo. Temos colunistas e estes se limitam a dar opinião, segundo sua percepção pessoal do fato. Perdemos a Auri-Verde, hoje mera reprodutora de material bolsonarista, como dias atrás fez questão de reafirmar no ar, o condutor do espólio, o indefectível Alexandre Pittolli. Deixou de praticar jornalismo faz tempo e hoje virou algo pago para fazer propaganda do fascismo e seus asseclas. Em todas as demais, nada de mais profundo, tudo superficial e pior, tudo muito contido. Sempre existiu no jornalismo bauruense um certo receio, medo de avançar o sinal, pois como se sabe os donos do poder local são implacáveis. Poucos se arriscam a contrariar interesses destes, pois a partir daí as portas se fecham em definitivo.

Na TV, nenhum arroubo além da notícia do fato, quando este acontece. Não existe ninguém se aprofundando nos temas mais candentes na cidade, como averiguar em detalhes o que de fato está em curso dentro da atual administração municipal. Quem faz isso? Quem está indo atrás de uma suspeita e a vasculhando na sua continuidade? Não o fazem, por interesses da empresa jornalística e também por falta de recursos. As verbas publicitárias minguaram e não permitem nada além de pagar os salários de seus funcionários. Se algum acontecimento ocorre fora do horário padrão, praticamente deixa de ser notícia ou a matéria é meramente para comunicar algo ter ocorrido, sem nenhum aprofundamento.

A crítica aqui sendo feita é algo de um cenário, onde é impossível desdizer ou negá-lo, pois está mais do que evidente, espécie de fratura exposta do jornalismo local, quiçá brasileiro. Como bancar algo fora do atual cenário? Difícil, primeiro pelo fato já citado, o de poucos estarem dispostos a bater de frente com os interesses dos donos do poder local, depois sem recursos, nada vai acontecer. E, desta forma e jeito segue o jornalismo local, diante de uma infinidade de denúncias mais do que sérias, porém tudo sendo tratado de forma superficial. Olho para trás e vejo algo no passado, onde encontro bom material investigativo, longe de perseguições, mas sim de produção de conteúdo sério, árduo trabalho para desmontar estruturas corruptas, violentas e danosas ao patrimônio, principalmente o público. Hoje, mesmo com o latente descalabro, quem o pratica segue quase imune, pois tudo é dito e feito de forma muito superficial. Sinal dos tempos e, infelizmente, sem nenhuma perspectiva de luz no final deste túnel.

CENSURA*
* Entenda como é viver hoje nos EUA, um dos países sede da Copa do Mundo 2026 e o mais opressor do planeta:

"Leen Hijaz, de 17 anos, faria o discurso de formatura na Clayton High School, na Carolina do Norte. Ela disse: "Aqui nós temos uma voz e o privilégio de ter a liberdade de usá-la, enquanto no mundo há aqueles que precisam lutar e sofrer para serem ouvidos". Em seguida, mencionou "os milhões que sofrem na Palestina, no Sudão, no Congo, no Afeganistão e as famílias separadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos)". Ela não pôde continuar; o diretor da escola, num claro ato de censura, tirou-lhe o microfone", da coluna PIRULO DE TAPA, edição de hoje do diário argentino, Página/12, o que ainda de melhor temos na imprensa latina.

DEFENDENDO O PIX E COLOCANDO OS TRAIDORES DA PÁTRIA NA CADEIA
O João do Pix
— E aí, João, beleza?
Ele olhou por cima do carrinho, com o celular na mão e uma garrafa d’água já separada.
— Beleza nada, mas vai indo. Vai querer uma?
— Hoje eu quero é trocar uma ideia.
— Ih, quando começa assim vem bomba - riu irônico.
— Vem mesmo. Mas é bomba que pode cair no teu Pix.
Ele riu, meio desconfiado.
— Meu Pix? Meu Pix é trabalhador, parceiro. Cai na hora. Não reclama. Nunca pede folga, não ramela.
Já vi João vendendo água, bala, paçoca, capinha de celular, pares de meia, guarda-chuva quando o tempo fecha. Esse corre pequeno que segura muita casa. Antes, quando alguém parava e falava “tem cartão?”, ele já sabia que vinha problema. Ou perdia a venda, ou passava na maquininha e deixava um pedaço do dinheiro pelo caminho.
— Pô, isso aí me salvou — ele disse, apontando para o QR Code colado no carrinho. — O cara compra uma água de três conto, manda três conto. Compra duas, manda seis. Cai na hora. Eu já compro gelo, já pago fornecedor, resolvo minha vida. Antigamente era um tal de taxa, aluguel de máquina e o cambau. Tinha um sócio sugador.
— Alguém que nem carregou o isopor.
— Aí que tá. Eu no sol, o outro mordendo de longe.
Ficamos um pouco quietos. Passou um rapaz, pegou um drops e uma água, fez o Pix e saiu andando.
— Caiu? — perguntei.
— Caiu. Na hora. É por isso que eu falo: pode falar mal de um monte de coisa, mas esse negócio aqui funcionou. Pra nós funcionou.
Aí eu falei:
— Então presta atenção na malandragem. Essa história dos Bolsonaro com os Estados Unidos não é longe da tua vida.
Ele fez cara feia.
— Ah, política, mano? Os caras lá roubando, brigando, fazendo vídeo, e eu aqui correndo atrás do meu. E você vem aqui rezar pro Lula? O que eu tenho a ver com isso?
— Tem a ver porque os bolsonaro foramlá pedir pro Trump enquadrarem PCC e CV como organização terrorista.
— Mas facção tem que se ferrar mesmo, tem que passar o rodo.
— Claro. Ninguém está defendendo facção, João. O papo é outro. Quando os Estados Unidos botam esse carimbo, eles não estão só falando de polícia e bandido. Eles mexem com banco, transferência, suspeita, bloqueio, regra financeira. Eles começam a olhar para o dinheiro que circula no Brasil com a régua deles.
Ele ficou sério.
— Mas aí pega quem?
— Pode pegar muita coisa. Banco. Empresa. Sistema financeiro. E no meio disso entra o Pix. Porque vão dizer que facção usa Pix, que o dinheiro passa por conta pequena, que precisa vigiar mais, limitar mais, bloquear mais.
— Mas vagabundo usa tudo, pô. Usa carro, usa celular, usa internet. Vai acabar com celular também?
— Essa é a conversa.
Ele coçou o queixo e olhou de novo para o QR Code.
— Pera aí. Então o cara usa o crime como desculpa e depois sobra pra todo mundo?
— Exato.
— Aí é foda.
— É.
— Porque quem tem dinheiro dá um jeito. Quem tem contador dá um jeito. Quem tem advogado dá um jeito. Agora eu, se o banco bloqueia minha conta numa sexta, eu faço o quê? Vou explicar pra robô? Vou ligar em central? Vou mandar documento? Enquanto isso, não compro gelo, não pago mercadoria, não vendo.
— É isso.
Ele guardou uma nota amassada no bolso e continuou:
— E os caras falam que defendem o Brasil, né?
— Falam.
— Mas correm pros americanos?
— Correm.
— Pra americano dizer o que o Brasil tem que fazer?
— Isso.
Ele soltou uma risada seca.
— Aí é muito louco. Quando é povo de fora falando de floresta, de direito humano, essas coisas, eles gritam soberania. Quando é americano botando a mão em banco, em polícia, em dinheiro, aí pode?
— Para eles, pode.
— Então só é justo quando atrapalha a grana deles.
— Mais ou menos isso.
— Mais ou menos nada. É isso mesmo.
A conversa parou aí por alguns segundos. O barulho de ônibus, buzina, gente passando, um cara pedindo informação, outro perguntando se aceitava Pix. Aceitava. Claro que aceitava. Todo mundo aceitava. O Pix virou parte da rua. O dinheiro curto circulando. A venda pequena chegando inteira. O trabalhador fazendo conta na cabeça e conseguindo fechar o dia com um pouco menos de perda.
O João voltou no assunto:
— Sabe o que é pior? Os caras nem pensam em nós. Eles fazem o jogo deles lá em cima e sobra pra quem está aqui embaixo. Se começa essa palhaçada de bloquear, limitar, desconfiar de tudo, quem dança primeiro sou eu.
- É, João, você e o cara da marmita. A mulher do bolo. O moleque que faz entrega. A manicure. O pessoal que vive de pingado.
— E tudo em nome do combate ao crime.
— Combate ao crime no meu Pix? Vai combater crime onde o crime na pqp. Vai atrás de lavagem grande, de banco grande, dos cabecoes, de carga, de arma. Agora vem encher o saco de quem vende água?
Era ali que a coisa ficava clara. O João não precisava de aula sobre geopolítica. Ele tinha entendido pela prática. O problema não era combater PCC ou CV. O problema era político brasileiro chamar governo estrangeiro para produzir efeito interno e, no caminho, abrir risco para uma infraestrutura que virou parte da vida popular brasileira.
O Pix não é tecnocracia. É soberania no cotidiano, no dia a dia. É o trabalhador receber sem entregar uma parte de cada venda para intermediário. É o dinheiro pequeno circular com menos mordida. É uma tecnologia pública funcionando onde quase tudo funciona contra.
A família Bolsonaro fala grosso contra o crime, mas aceitou colocar o Brasil na mira da regra dos outros. Fez pose de valentia em Washington e deixou a conta para o João pagar no carrinho.
Ele resumiu melhor do que qualquer analista:
— Então é isso? Os caras vão lá lamber bota de gringo, fazem graça pra internet, e depois eu que posso perder meu Pix?
— É isso.
— Puta que pariu.
Pegou outra garrafa, vendeu, recebeu no celular e olhou a tela.
— Caiu.
Caiu. Por enquanto, caiu.
E talvez seja essa a cena inteira. Enquanto o dinheiro do João ainda cai, a gente entende o tamanho da disputa. Eles chamam de segurança. Chamam de combate ao terrorismo.
Na rua, o nome é outro.
É mexer na vida de quem trabalha. Pode chamar de extorsão.
Ricardo Queiroz Pinheiro

domingo, 7 de junho de 2026

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (254)


CRÔNICA DE UM FURDUNÇO NO BAR DO BARBA, FEIRA DO ROLO
Como a gente sabe e sem querer brincar com a redundância do que irei escrever, um dia não é como o outro. E em cada novo dia, novas histórias são escritas, independente se os personagens e os locais são os mesmos. Exatamente por causa disto, volto todo domingo para rever pessoas e conversar, sentir o clima do que rola lá pelos lados da Feira do Rolo, o local mais democrático de Bauru. E tudo o que fazemos é também algo para ir de encontro com histórias, renová-las e assim ir tocando a vida pra frente. E se existe algum lugar onde as histórias se renovam de fato é neste divinal lugar, onde retorno a cada domingo.

Impossível passar por lá e mesmo sem parar para prosear, não olhar para o que está acontecendo lá pelos lados do Bar do Barba. Eu já me movimentei demais por este senhor, fazendo até campanha para conseguir recuperar sua sanfona. Hoje, sei por ele me dizer, ela está novamente avariada, talvez algo mais sério, quase inutilizada, mantida num pedestral em seu estabelecimento, pois dela não quer se separar, muito menos dispor.
Hoje eu paro por lá e puxo assunto, pois o vi discutindo com uma pessoa, indisposta pelo som proveniente do bar. Barba leva tudo numa boa e sabe ir tocando seu pequeno negócio. "Você não acredita, mas o cara veio reclamar que a música proveniente daqui é ruim e eu, a comparando com tudo o que ouço rolando pro aqui, vejo que está dentro do padrão popular. Aqui rola um karaokê bem popular e quem toca, o faz por prazer, por ver um microfone disponível e dele fazer uso", me diz.

Neste sacrossanto lugar da feira é complicado querer censurar alguém ou menosprezar o que por ali acontece, de uma forma mais natural impossível. Barba sabe que, tem quem não goste, assim como tem quem goste e respeite. "Aqui é um bar onde recebo meus amigos, eles circulam aqui dentro e me ajudam a tocar isso pra frente. Assim como abro o microfone, abro minha cozinha e os deixo à vontade. Isso aqui é muito mais democrático do que muitos outros lugares por aí", me diz.

Depois disso me leva para conhecer uma espécie de altar, no corredor, ao lado da porta de sua cozinha. Lá ele guarda algumas preciosidades recebidas destes tantos amigos que por ali já passaram. Faz questão de mostrar um chaveiro com a reprodução da Torre Eiffell de Paris, recebida do amigo advogado Marcos Alves de Souza, um que bate cartão todo domingo. Coincidência, Marcos não compareceu no bar neste domingo e Barba todo respeitoso me diz: "Ele vem todo domingo e hoje sabe o que fez? Me ligou de Paris, onde está, só para se justificar e não ficar preocupado com sua ausência. Veja só, ele gosta de estar aqui conosco, mas vai sempre também para Paris. Somos opostos e assim, com gente como ele e você, que sempre estão aqui, sem ficar me criticando, mas observando e propondo me ajudar a levar isso aqui de portas abertas é que sigo em frente. Devo um obrigado a todos vocês".

Eu me encanto com a sensibilidade de gente como o querido e respeitado Barba, pois ciente de todas suas dificuldades, faço questão de aqui passar e sempre consumir algo. VAlorizo lugares como esse, seguindo aos trancos e barrancos, com gente fiel nos acompanhamentos, como deve ser a vida de todos nós. O bom da vida é exatamente isso, ter quem olhe e nos ampare, critique, mas não nos abandone na beira da estrada. Na Feira do Rolo, histórias como essas se renovam a todo instante. Teria outras tantas para contar sobre o vivenciado hoje. Isso mesmo, essa foi só uma delas. E por fim, conto a última. Barba, depois de tudo, me convida: "Você não quer também cantar no karaokê do bar?". Declino, pois se já reclamaram do cara, creio iriam me atirar ovos chocos. Fico só na assistência e platéia. Melhor assim.


NOROESTE EM CAMPO, JOGANDO SUA CLASSIFICAÇÃO EM BAURU
Hoje rolou a última rodada da fase de classificação da Série A4 do Brasileirão e nela o glorioso e centenário Esporte Clube Noroeste faz parte. De oito times, seis se classificam, dois caem fora e a partir da próxima rodada começa o mata mata. O jogo em Bauru é contra o Sampaio Correa, de Saquarema RJ. Chegamos em segundo lugar no grupo e após o final da contenda, gol no último minuto de jogo, ganhamos de 1x0, mantivemos assim a classificação. Enfrentaremos na rodada seguinte a Portuguesa carioca, lá da Ilha do Governador.

Este foi um resumo do que aconteceu para nós na rodada. Um domingo um tanto frio, véspera de início de Copa do Mundo, horário não de costume do público torcedor bauruense, um domingo à tarde, mas mesmo assim, aproximadamente umas 1500 no estádio. E a partir daí, mesmo com o jogo sendo também transmitido ao vivo por uma dessas TVs alternativas, inegável, o melhor mesmo é ir no campo. Eu sou sócio torcedor, pago anuidade de R$ 30 reais, mas venho em todos os quando estou pela cidade. Enfim, sou trocedor e gosto demais da conta de rever amigos, pessoas queridas, bater papo e ficar no meio do furdunço provocado por cada nova partida. Não tem preço isso de você estar lá, deixar até de ver se foi ou nã ode fato pênalti contra o Noroeste, depois desperdiçado pelo time adversário, mas ficar dentro do burburinho da partido.
AURÉLIO ALONSO

Mais do que a partida em si, onde a classificação era dada como certa, para mim e outro tanto de torcedores, nada como estar no campo. Revi gente querida e muitos conhecidos, cumprimentei e fui comprumentado. Gilson Dias, que um dia foi diretor do saudoso jornal Bom Dia, num dedinho de prosa me pergunta: "E o que está achando disso tudo, trace um panorama?". Respondo: "Panorama do Noroeste, da Seleção ou do que rola no país?". Rimos e ele me diz: "Do Brasil, claro?". E assim como ele, nos reencontros algo parecido foi se repetindo. Fico boa parte do tempo junto do jornalista Aurélio Alonso, abraço efusivo dou no artesão dos trenzinhos de madeira, meu velho considerado Francisco Cardoso, lá do Gasparini, assim como no Heraldo, amigos desde os tempos de Escolinha da Rede.

Com o Batista, ainda viajando, do alto dos seus mais de 70 anos, antes vendendo assinaturas de revistas país afora, hoje mapas. Disse a ele, ciente de um dia ter me dito que, "jogo na loteria toda semana e se um dia ganhar quero ser o presidente do Noroeste, um que vai se dedicar exclusivamente para ele". Pergunto se jogou essa semana. Me disse que sim e reforça: "Se ganhar, vai ser meu Chefe da Comunicação". É isso, vou ao campo e saio com emprego quase garantido, bastando o Batista ganhar na loteria (toc toc toc). Dos políticos hoje dou um abraço no Carrijo, proseio com o Raul Paula e vejo de longe o vereador Lokadora. Estes, como eu, batemos cartão e por motivos diferentes ou não, mantemos a chama noroestina acesa. E o compositor Jotha Luiz, outro não perdendo sequer um jogo.
BATISTA

Estavam por lá o Colé, hoje aposentado da Prefeitura, vi o Vitor Agrela batendo forte percussão numa das torcidas organizadas epresenciei a discussão do Rafael Antonio com o José Luiz Pereira, ambos transmitindo o jogo pela Jornada Esportiva. Por fim, por gostar demais do tereno repórter de campo, o Jota Martins, o vendo com seu equipamento de transmissão sempre falhando, brinco e tenho lido no ar: "Comprem um equipamewnto novo para o Jota". Eles me respondem: "Aceitamos um PIX". Faria mesmo, pois sei a luta que deve ser manter uma rádio no estilo do que fazem, tudo pelo gosto de manter uma equipe esportiva no ar, produzindo algo dentro de um padrão respeitável, do que venha a pode rser cahamado dignamente de amantes do futebol.

Eu vou ao estádio exatamente nessa condição, a de amante do futebol, mais ainda por amor a este time, o que me toca, o de minha aldeia, parafraseando algo vislumbrado por Fernando Pessoa. Assim como Rafael Antonio transmite jogos do Noroeste por amor a este time, citei estes tantos por lá pelo mesmo motivo. Estamos e estaremos sempre de volta, exatamente por, mesmo podendo fazer outro tanto de coisas pela aí, preferimos estar no estádio vendo o Norusca jogar. Isso nos faz feliz, nos agrupa e, na alegria de mais uma vitória ou mesmo quando saímos de lá depois de uma acachapante derrota, voltamos. Creio que o amor por essa coisa cahamada futebol passa muito por tudo isso que tentei descrever aqui, após presenciar uma partida da séria A4 do Brasileirão.

E PRA FINALIZAR, TEXTO DO JORNALISTA LEONARDO DE BRITO, SOBRE A CONTENDA DESTE DOMINGO À TARDE, ALGO NECESSÁRIO DENTRO DA CRÔNICA ESPORTIVA DESTAS PLAGAS: "O Noroeste não fez uma bela exibição e contou com a sorte na vitória sobre o Sampaio Corrêa por 1 a 0, gol de Yuri Ferraz, na última bola do fraco jogo no Alfredo de Castilho. O time de Saquarema, Região dos Lagos (Litoral fluminense) perdeu um pênalti cobrado por Elias, que vinha sendo o jogador mais brilhante da partida. Mas o Norusca mereceu vencer - atacou mais, mandou bola na trave. E o mais importante: avançou no Brasileiro da Série D. Na segunda fase da Quarta Divisão, o Noroeste enfrentará a Portuguesa do Rio Janeiro. O jogo de ida será no Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, e o de volta em Bauru. Quanto a sorte, ótimo contar com ela. Já dizia Nélson Rodrigues, "com sorte você atravessa o mundo e sem sorte não atravessa a rua". Texto sobre a Copa do Mundo de 2026 no meu blog emconfiancawordpress.com". Leonardo foi abafado pela chegada de leva de novos ditos jornalistas esportivos na cidade, mas nada ainda o suplantou. Continua sendo cada vez mais necessário. Leitura obrigatório após os jogos.
EU, O MAFUENTO HPA, COM GILMAR DIAS, EX-BOM DIA E O FILHO

CHICO CARDOSO e HERALDO LIMA, AMBOS ORIUNDOS DA NOB

sábado, 6 de junho de 2026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (216)


OS PRIMEIROS PASSOS
Eu, de uns tempos para cá, ando acordando muito cedo. O despertador de meu celular toca diariamente às 5h30. Eu não tenho que pegar no batente logo a seguir. Consegui minha aposentadoria, mas não abro mão de algo, feito de forma repetitiva e pela qual tenho enorme prazer, contentamento inenarrável. Até antes do despertador me acordar eu já estou de pé. Temos dentro da gente uma espécie de reloginho interno, um acionado não mecanicamente, mas incondicionalmente por alguma motivação extra. Este me avisa, me alerta e me me faz pular da cama lépido e fagueiro, pronto para ir pra cozinha, esquentar uma caneca de leite, dentro dela colocar uma colher de nescafé, duas gotas de adoçante, comer um pão, mesmo que amanhecido - nada como esquentá-lo no micro-ondas por 15 segundos - e ali mesmo, em pé, diante da pia da cozinha, fazer essa primeira refeição. A faço e quando na fruteira ainda alguma banana, uma dessas frutas que não dispenso por nada, a como e só a partir daí me dirijo até o local onde estão meus papéis, livros, CDs e cadernos. Sento diante do computador, revejo o que está acontecendo de mais importante pela aí e inicio algo encantador, o que realmente me move, a leitura. É mais que um prazer, sei ser também mais do que um privilégio poder desfrutar desses benefícios, quando muito não mais o conseguem, muitos mesmo querendo muito, rodeados de tantas outras obrigações.

Eu mergulho diraiamente na leitura e na escrita. Gosto muito de escrever à mão. Como é bom manter cadernos na mesa. Eu não sei desenhar uma mera casinha, mas escrevo muito. Nem sei se sei escrever direito, mas o faço diariamente. E não quero perder este hábito por nada neste mundo. Acordar cedo me faz um bem danado. Antes dormia mais tarde, hoje não mais consigo, pois acordando cedo e não dormitando um bocadinho durante o dia, quando chega 21, 22h estou caindo pelas tabelas. E o que me faz, em alguns dias, permanecer acordado até mais tarde é também a leitura e a escrita. Muitas vezes exercito isso tudo da forma mais silenciosa possível, como agora, mas em outras, boto uma música, escolhida a dedo, dentre as me rodeando, entre CDs e LPs e assim me sinto mais preparado para enfrentar o que terei pela frente, quando abrir a janela, sentir o bafo do que rola fá fora e sei, preciso também me inserir neste contexto, o de ruar um bocadinho, até para não enferrujar. E daí, só após isso tudo, estou apto a me juntar a tudo o mais pela frente. Quando não sigo essa rotina diária, por algum motivo sou obrigado a levantar e já ir direto para algum compromisso, sinto ter perdido algo importante. Hoje, está dando tudo certo, escrevo um pouco por aqui e um bom livro me espera, com um marcador na página onde ontem parei. E hoje, domingo, tem feira e nela bato ponto. Não fico sem querer ir ver, com meus próprios olhos, como as coisas acontecem lá na Feira do Rolo, o local onde essa tal de democracia acontece de fato nessas plagas. Nos outros lugares, ela é muito parcial e lá, o povo ainda faz e acontece. Para mim, essa feira tem o poder de me recarregar.

E como vivo com as bateria facilmente sendo descarregadas, a leitura, a escrita, mesclado com pitadas de rua e de uma boa conversa aqui dentro com minha companheira de todas as horas, Ana Bia, sigo em frente. E, sei e mem preparo, tento fazer a minha parte, dentro do contexto de luta, essa declarada guerra para não nos deixarmos cair no fascismo. Essa é parte de minha rotina, aqui confessada.

OBS.: Nas saídas de sábado, eu eu e José Cláudio de Paula, hoje voltando a residir em Jaú, Fernanda do Nicéia, em seus afazeres no Confiança Centro e meu filho, HA, este num rancho com casal de amigos, nas barrancas do rio Tietê, em Arealva.

e por falar na alcaide, inconPrefeita bauruense
ELA GASTA DESCONTROLADAMENTE E ABUSIVAMENTE COM OS SEUS E SE ESQUECE DE BAURU - O FUNDAMENTALISMO SÓ PENSA NELES.
AMIGUINHOS FUNDAMENTALISTAS
"BAURUENSES "VOCÊSSS" CONCORDAM EM PAGAREM 57 MIL REAIS EM UMA FESTINHA PARA O GOVERNADOR QUE É RESPONSÁVEL DIRETO COM A PARCERIA DA PREFEITA SUELEN ROSIN, (SUA AMIGA), PELA MORTE DE CENTENAS DE PESSOAS NA CIDADE POR FALTA DE LEITOS DE UTI ???
POIS FOI ISSO QUE ACONTECEU, 27 MIL DE ALUGUEL E MAIS 30 MIL DE COMES/BEBES, QUE DELÍCIA GASTAR DINHEIRO ALHEIO PRA NOSSOS DELEITES HEIN !!!
E O BAURUENSE CONTINUA ZZZZZZZZZZZZ", compartilhando postagem de Rafael SAntana de Lima.

COMENTÁRIOS:
- "SE O EVENTO É DO ESTADO, O GOVERNO DO ESTADO É QUE DEVERIA CUSTEAR O EVENTO E PRESTAR CONTAS AO TCE ! CUMPRIMENTAR COM O CHAPÉU ALHEIO É FÁCIL, O DINHEIRO NÃO É DELA, É NOSSO... E NÓS PAGAMOS A CONTA ! A CÂMARA MUNICIPAL DE BAURU VAI CONTINUAR SENDO OMISSA E CONIVENTE ?", Coaracy Domingues.
- "Enquanto ela fica mexendo em outras coisas em Bauru a saúde bublica tá péssima " prioridade na saúde Tanta gente morrendo aguardando médicos nos upas. Ontem mais um se foi aguardando atendimento médico. É de . Fora prefeita ....foraaaa.....", Sidnéia Paiva.
- "Não concordamos... Se ela quer bancar a dona da cidade, que arque com o dinheiro dela e não do povo.", Helena Aquino.
- "Direita e bolsonarismo só pensam no benefício próprio.", Neide Gonzales. 

A ALCAIDE NUMA SINUCA DE BICO E O QUESTIONAMENTO: QUE PERGUNTA FARIA A ELA SE TIVESSE UM INESPERADO ENCONTRO, COMO ESTE NA FEIRA DOMINICAL DA RUA GUSTAVO MACIEL?
Eis o vídeo gravado na feira dominical, ano de 2024: 
COMENTÁRIOS:
- "Ela é tão canalha. Sem scrip não consegue sequer olhar para câmera ou formar um raciocínio lógico.", advogado Márcio Machado.
- "NOTA-SE OS CAPACHOS DELA FILMANDO PARA DEPOIS FAZER CORTES EM FAVOR DELA PRA ELA PODER LACRAR NAS REDES !!", Fernando Rafael Alves Pereira.
- "Os Luluzinhos da mentirosa que vergonha temos que excluir todos os traidores e Mentirosos.", Jaime Prado.
- "Por falar em verbas Enquanto isso : https://contraponto.digital/idosos-e-sem-vinculo-familiar-pressionam-servicos-publicos-municipais/", Maria Cristina Zanin Sant'Anna.
- "Esses canalhas não tem argumentos. Preferem responder omitindo o que deveriam ter feito.", advogado Laércio Donizete Gasparini.


QUEM SABE O QUE FAZ E JÁ SE ANTECIPA, ASSUME O PAPEL DE LACAIO

quinta-feira, 4 de junho de 2026

FRASES (270)


O QUE FAZER NUM FERIADO, ONDE PRATICAMENTE NÃO SAIO DE CASA?
Em primeiro lugar LER. Ando lendo muito e isso me faz um bem danado. Creio não estar caminhando para a senilidade, exatamente pelo fato de continuar lendo muito e, ao mesmo tempo, escrevendo. Mantenho um caderno, onde escrevo nele diariamente. Exercitar a escrita para mim é outro fator preponderante dentre todas minhas atividades diárias. Sei que o faria muito mais rapidamente pelo computador - odeio escrever meus longos textos pelo celular -, porém não abro mão da escrita e do exercício das mãos. Alio a tudo isso os trabalhos domésticos, que após a aposentadoria se multiplicaram e não poderia ser diferente. Em casa, eu aposentado, Ana Bia não, nada como estar inserido no contexto. E junto de tudo isso, o tempo para as atividades externas. Sou rueiro, adoro contato com pessoas e escrever delas. E dedico também uma parte do dia para estar mantendo viva a chama do meu Mafuá, meu cantinho, onde guardo meu acervo pessoal, livros, discos e outras recordações. Meu venerado santuário. Dele não me afasto, aliás, lá me recarrego, pois tem tudo o que sempre gostei de ter e de fazer. Lá leio e ouço muita música. Tenho encontrado tempo para tudo. Não me digam como, mas tenho.

E num feriado como este em plena quinta? Primeiro o término de dois livros. Ambos já estavam iniciados e aproveitei a deixa para executá-los. No mês passado consegui ler dez, mas também passei duas semanas fora, muito tempo em ônibus e tirei o atraso. Os dois lidos trouxe de fora, um ganhei em Sampa quando visitei o Museu da Diversidade, o livrão "Olho Nu", do fotógrafo Rogério Reis, que vai muito além da fotografia e lá uma constatação do nosso tempo: "O jornalismo vai deixar de ser monopólio dos jornalistas, e a gente ia passar da era dos meios para a era da massa de meios, porque cada um se sente um meio de comunicação". O que faço com meu celular é o que todos hojes fazem, tiramos fotos pra dedéu e além de publicar tudo, escrevemos, damos muito mais opinião, mesmo quando essa não tem nenhum conhecimento profundo sobre o que estamos opinando. Reis foi na veia.

O segundo livro eu trouxe de Lavras-MG, este de um senhor com 84 anos, primo do publicitário Carlito Maia, Carlos Fernando de Moura Delphim, um baita engenheiro-arquiteto, pioneiro na defesa dos jardins históricos no Brasil - esteve à frente de um belo trabalho de recuperação dos jardins do Itamaraty. No seu livro, "Silogismos da Paisagem", como me escreve no autógrafo, "um pouco do que vejo do mundo, das paisagens". Viajei com sua interpretação do que vemos como paisagem: "A paisagem é percebida de inúmeras formas pelos indivíduos que a interpretam e a vivenciam, por meio dos sentidos e experiências prévias que conferem significado aos elementos visíveis e invisíveis que a compõem. Varia de pessoa para pessoa, dependendo de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como cultura, histórico pessoal e contexto social".

Exercitei o que li, primeiro aqui confessando ser o único que faz caminhada e consegue ler ao mesmo tempo. Não encontrei mais ninguém andando e com um livro sempre às mãos. Depois, hoje pude ler e conferior o entendimento que tinha de paisagem. Além do livro, saio com minhas camisetas com estampa de temas sociais e propositalmente circulando pela Zona Sul bauruense, uma que votou 80% em Bolsonaro. Hoje o fiz com boné do Lula Presidente 2022 e isso sempre causa tropeços, olhares enviesados em incautos. Concilio a caminhada diária com este benfazejo de causar neste reduto conservador destas plagas bauruenses. Enfim, se posso sair do trivial, por que fazê-lo como todos os demais?

A arrumação doméstica em estantes e armários têm me consumido nos últimos dias. Faço aos poucos e na atividade de arrumar estantes de livros, uma perdição, pois me demoro demais quando defronte um sugestivo livro. Abro, releio e do reencontro, um baita e precioso tempo, inevitável perdição. Eu e Ana Bia, só nós dois no apartamento, ela muito envolvida com seus projetos acadêmicos, seus textos e pesquisas neste sentido e eu, tentando emplacar alguns de minha lavra para revistas, como a Carta Capital e a Piauí. Escrevinhamos muito por estes dias. E no meio do burburinho, paro para atendê-la e também cozinhar. Cozinho muito mal, sou resiliente, insisto e sempre sai algo, contestado, mas sendo o que temos como alimento, comemos e seguimos em frente. Ela não se cansa de repetir, que saio muito e fico pouco em casa. Ah, como gostaria de ficar e ler muito mais do que faço.

Hoje mesmo, além da leitura peguei a tal série da Netflix, a "Brasil 70 - A saga do tri", direção do Paulo e Pedro Morelli, que achava ser um mero filme, mas depois de iniciado, percebei tratarem-se de cinco episódios. Não posterguei e uma vez iniciado, fui até o fim. Gostei, pois vai além do futebol e relata - ao seu modo e jeito - uma versão de como foi a tal campanha do tri no futebol. Rodrigo Santoro fez o então jornalista e técnico João Saldanha. Esse gaúcho foi porreta demais, pois comunista de carteirinha nos levou para a Copa, após o fracasso de 1966 e só foi destituído ao confrontar o ditador de plantão, Garrastazu Médici, não aceitando interferência, com a famosa frase: "Eu escalo o meu time e o senhor o seu ministério". Era demais para uma ditadura. E na sequência, o Bruno Mazzeo interpretando o Zagalo, este chegando três meses antes da Copa começar. O confronto de ambos se deu no México, Saldanha como jornalista e Zagalo dirigindo a equipe. Uma Copa no México, convenhamos, é muito mais edificante e glamourosa que nos EUA. Marcelo Adnet é o narrador dos jogos e me fez relembrar Geraldo José de Almeida, o primeiro que vi narrando jogos pela TV. Tem muito de ficção misturado com a realidade dos fatos, dando para sentir toda a influência de uma ditadura em algo onde o país era difundido mundo afora. Inevitável sua utilização, alguns entendendo mais, como Tostão e Paulo Cesar Caju, outros menos como Pelé. É um filme recheado com muita IA - Inteligência Artificial e pelo que vejo, inevitável em tudo daqui por diante. Escreveria muito mais sobre o que vi, mas prefiro fazê-lo com quem assistiu e pessoalmente. Enfim, conversar é preciso e mais do que necessário.

Termino o filme quase meia noite, com Ana já deitada. E a partir daí, uma reflexão do que terei pela frente nos próximos dias. Aqui em casa já separei dois livros, ambos versando sobre futebol e vidas atribuladas, o "Eu e o Futebol", biografia do controvertido Almir Pernambuquinho e mais um da série Perfis do Rio, com "João Saldanha", do João Máximo. É o máximo que posso fazer por essa insólita e incômoda Copa do Mundo a se iniciar, exatamente num país indesejado no momento - consegui até agora não comprar sequer um pacotinho de figurinhas da Copa. Assim como vi no filme, com a então esposa do Saldanha, tentando se manter indiferente, sendo militante dentro do país, naquele momento, 1970, dominado pela violência imposta pela ditadura, eu, amante do futebol, assistindo hoje principalmente jogos pela TV de divisões inferiores - as séries B, C e D do Brasileiro -, creio não terei como deixar de torcer ao ver nossa seleção em campo. No mais, continuo atento e contundente contra os ladravazes deste país, todos estes da famiglia do Bozo, seus asseclas e seguidores. Estou em casa, mas sei estar vivenciando o começo de uma GUERRA, algo que, nos próximos dias deve se transformar essa campanha eleitoral. Ainda não digeri como, um cara, o tal do Flávio, que já deveria estar preso, continua livre, sem punição, mesmo já comprovadamente criminoso e ainda candidato. Então, roubar e trair a Nação pode, desde que da direita? Se é bandido, tem que ser punido, ainda mais político. Com minhas armas, continuarei daqui de minha trincheira, desferindo golpes, tiros, traques, estilingadas e pedradas na direção dos perversos dessa nação, algo como o Bauru Sem Tomate é MiXto faz, agindo contra quem pisa no tomate. E tenho dito.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (230)


EU CRESCI OUVINDO QUE, "DECISÃO DA JUSTIÇA É PRA SE CUMPRIR", MAS HOJE, QUANDO ALGO OCORRE EM DESACORDO AO QUE PENSAM A ELITE E A DIREITA, PREGAM TUDO AO CONTRÁRIO
Uso isso como título do que quero escrever, pois é mais do que sabido estarmos vivenciando um momento dos mais trágicos e tensos da vida política nacional. Emergiu para o epicentro dessa vida política esse esprectro repugnante do bolsonarismo, que de uma certa forma sempre existiu, mas estava, não adormecido, mas contido e assim inerte. Fluiu e hoje, após a passagem desastrosa do seu Jair pelo poder, não querem dele mais se afastar. E a partir daí, não o conseguindo pelos meios normais, usam de todos os artifícios possíveis, alguns até então inimagináveis, para fazer valer sua linha de pensamento e ação como as únicas possíveis. Como não conseguem mais conviver com o diferente, quando não conseguem viabilizar o seu modus operandis, esperneiam e ameaçam. Isso passou a ser uma constante.

Isso de que, "decisão da Justiça é pra ser cumprida", segundo a concepção deles é só quando essas decisões lhes são favoráveis. Quando uma ou outra lhe contraria, pois não vejo, mesmo o STF tão favorável assim aos interesses populares, querem virar a mesa. E jogam pesado para isso. Seria para rir, não fosse o momento trágico. Eu ainda não vivi para ver um Judiciário atuando totalmente de forma isenta e sem estar atrelado aos interesses dos donos do poder. Até porque, muitos dos nele atuando, são oriundos dessas classes sociais ou no mínimo, quando lá chegam, se acomodam e passam a achar mais conveniente decidir mais de acordo com o que é imposto por quem de fato manda. no pedaço. O conservadorismo impregna tudo, inclusive o Judiciário.

Se algo mudou, isso ainda se deve a decisões esporádicas, nunca do grupo todo. Porém, mesmo esporádicas isso incomoda quem sempre teve decisões sempre muito favoráveis para como pensa deve ser o mundo. Olho por exemplo, para Flávio Dino e fico contente com o que ouço. "A floresta dos valores que nós representamos está fortemente ameaçada e por isso, caminho sempre buscando as árvores, que são capazes de com suas copas generosas, nos proteger enquanto a tempestade não cessa", sigo frase dita pelo ministro do STF - Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, dias atrás, quando foi homenageado com um título Honoris Causa. Ah, se todos agissem e pensassem desta forma e jeito, com certeza teríamos um outro país. Infelismente estes são poucos e mesmo poucos, incomodam muito.

Este outro país, pelo que vejo, piorará e muito se deixarmos o radicalismo e a banalidade, por exemplo, dessa thurma hoje de perversos e danosos radicais da ultra-direita assumir novamente o poder. Com certeza, serão piores do que já foi feito ao país quando da passagem de Jair Bolsonaro no poder. Assim como, lá nos States, no segundo mandato Trump está sendo imensamente pior do que no primeiro. Aqui, teremos uma terra arrasada e a destruição de tudo o que ainda temos em pé, com instituições, direitos e livre expressão. Seremos governados por gente tão inescrupulosa que, mudar a Constituição e destituir quem age contra seus interesses será mera formalidade. Quando vejo estes investindo hoje contra alguns atos judiciais que lhe são desfavoráveis - e como agem em relação às universidades públicas - , penso que isso é só o começo. Estes não aceitam o contraditório. Estão prontos para calar toda e qualquer manifestação contrária.

No que me resta de vida, estarei lutando dentro dessa minha trincheira escrevinhativa, contra estes fascistas todos. E estes estão por todos os lados, inclusive aqui juntinho de mim. Bauru é um antro desse espectro conservador, hoje ainda mais radical do que já foi no passado. Os que se fingem de bons mocinhos, são perversamente e infinitamente piores. Travam planos miraculosos, não só contra a legislação vigente, como tudo o que talvez possa surgir como iniciativa de lhes sacar privilégios. Todos presenciamos como foi urdida e mantida a trama daqueles tantos que, financiados por gente daqui, se mantiveram diante dos quartéis. Aquilo foi conspiração golpista na sua melhor acepção, às claras, sem medo de mostrar a cara. Ou melhor, mostraram os dentes, mas as caras mesmos, seus líderes ainda não foram mostrados, pois não possuem coragem para fazê-lo diante do fracasso golpista. Eu repito a todo instante: estamos diante e dentro de uma acirrada guerra. Jogam com todas suas armas para vergar o país soberano e instituir um regime autoritário, predatório, muito corrupto e onde direitos não mais existirão. Como não quero isso, denuncio e coloco a cara a tapa, luto e estou na lida contra o que sei - não precisa ninguém me dizer -, enfiará o país num caminho quase sem volta. Eu sei muito bem identificar, mesmo que estes ainda ajam veladamente, quem está de um lado e do outro. E também sei, ainda é muito possível avançarmos como nação livre, soberana e justa.
 

ESSA É PARA QUEM AINDA PASSA O PANO PARA O SENADOR PAULISTA QUE NADA FAZ DE BOM, ELE É FAVORÁVEL A ESCALA 7 X 0, ESCRAVIZANDO O TRABALHADOR - SÃO PAULO ELEGEU UM SER ABOMINÁVEL, MARCOS PONTES
Na onda fascista bolsonarista muitos foram eleitos com este estigma, o que infelicitou o país e tomou conta das cabeças dos que, iludidos lhes deram voz e mandatos. Assim foi feito com o senador Marcos Pontes, nascido e criado em Bauru. 

Este personagem da vida pública nacional, traiu a nação quando foi o escolhido para nos representar como astronauta e na volta, deu uma banana para todo o investimento feito em sua pessoa. Sua trajetória toda depois da volta do espaço foi voltada para negar o público e incentivar o privado. Meteu os pés pelas mãos em muitos dos seus investimentos e conseguiu ser indicado e eleito como senador da República. 

Desde então, sem nenhum projeto consistente e viável, vive só de seu discurso conservador, predatório e pueril. Foi um péssimo ministro de Estado, só reafirmando tudo o que Bolsonaro lhe impunha. Lembro bem de sua cara amarela quando Bolsonaro ao seu lado, dizia da terra nã oser redonda. 

Essa sua iniciativa em Bauru, com o Arraiá Aéreo é algo onde se misturam sua iniciativa privada, um negócio particular, com ajuda pública da também fundamentalista alcaide bauruense, Suéllen Rosin, lhe dando toda sustentação. Distribuir algum alimento ao final não reduz o feito maior, o lucro embutido com o evento. 

E, para lacrar, este seu posicionamento, não favorável a escala 6 x1, muito menos com a 5 x 2, mas com a 7 x 0, ou seja, o trabalhador terá que atuar nos sete dias ininterruptos da semana e para obter algum descanso semanal, terá que negociar pessoalmente com o patrão, sem intermediação de legislação existente. Ou seja, regiume escravocrata na sua acepção. Este é o bauruense MARCOS PONTES, sem tirar, nem por, digno representante de como pensa e age a elite local. Não avançaremos um só centímetro enquanto nação soberana, com gente assim com o poder da caneta. 


terça-feira, 2 de junho de 2026

RETRATOS DE BAURU (316)


FABIANO, UM SAPATEIRO E A HISTÓRIA DE BAURU NA PONTA DOS PÉS
Tinha uma bolsa para consertar e acabei, por indicação sendo levado, através deste recado, ao seu Fabiano: " Quem conhece o seu Fabiano? Um dos melhores sapateiros de Bauru e região. José Carlos Fabiano , 84 anos e ainda trabalha, trabalha muito. Ele faz sapatos lindos, faz botas dos mais diversos modelos. Ele fez muitos sapatos pra mim, na minha infância. Sapato do tecido do vestido. Era moda. Fez muitas bolsas pra minha mãe, sapatos também. O pai dele, seu Pedro Fabiano, usando essa máquina aí da foto, fazia as chuteiras do seu Dondinho, pai do Pelé. Seu Fabiano tem muitas histórias... Pessoa espetacular, muito educado, super caprichoso com o trabalho. Até hoje ele dá jeito nos meus sapatos e bolsas. Que Deus o fortaleça! A sapataria fica na Rua Azarias Leite quadra 8, lado esquerdo de quem desce. ".

Fui lá, conferi isso, o que precisa ser feito saiu na hora, não queria me cobrar, pois era coisa pequena e acabi passando um PIX para dona Ester, 69 anos, sua esposa, que o acompanha em suas jornadas, como uma espécie de partner. Sua trajetória é mesmo de arrepiar. Tudo isso informado no recado recebido - que não sei a autoria - é a mais pura verdade. Na rua Azarias Leite ele está há apenas 6 meses, vindo de seu último local, o comecinho da rua Quinze de Novembro, onde ficou 4 anos e só saiu porque o dono do imóvel precisou do local para ceder ao um filho. Antes, foram quase 50 anos na rua Célio Daiben, junto da praça Itália, bem pertinho de onde nasceu, a vila Falcão.

É mais que uma delícia observá-lo trabalhando e mai ainda conversar com ele - e sua esposa. Ele estará completando 84 anos nessa semanas, mais precisamente dia 5 de junho e em sua trajetória já viu e fez de tudo. Tudo começou com seu pai, um pequeno fabricante de botas, sandália e chuteiras. É mesmo verdade ele ter feito chuteiras para o Dondinho, o pai do rei pelé, como conta também ter saracoteado cidade afora junto do menino Pelé, andanças inesquecíveis, relembradas em detalhes. Num certo momento, olha pra mim e diz: "Muitos podem não acreditar, mas é a mais pura verdade. Para os que não acreditam, fica o dito pelo não dito, mas fiz muita arte, eu Pelé e a molecada da época".

Conta também, "Pelé tinha uma pelido de garoto, era Paçoca. Tinha um senhor, o Paçoca, que fazia doces, principalmente paçoca, tudo vendido nas ruas de Bauru. Eu saia na turma de moleques, junto de Paçoca e Pelé, cheguei a vender as paçocas, quebra-queixos com eles nas ruas, nuns tabuleiros e onde tinah campo, inevitável, paravamos para bater uma bola. E Pelé foi então apelidado dessa forma. Durou pouco, mas que foi foi". Na sapataria fala-se de tudo um pouco, neste momento, muito de futebol, pois estamos às vespéras de mais uma Copa do Mundo. Ele e dona Ester são incentivadores do neymar - mais ela -, pois entendem ele dominar bem esse ofício da bola. Fiacmos imaginando o que poderíamos fazer na vida se tivessemos um mês do salário do craque. Sonhamos juntos e ele lacra: "Fecharia a sapataria e ir viver no bem bom".

Um assunto puxa o outro e assim voltamos ao seu pai: "Seu João Jair Fabiano, meu pai deu aula de sapateiro no CIPS. O ofício aprendi com ele, algo que hoje, quando parar, não tenho ninguém querendo aprender e tocar esse barco. Somos pouquíssimos na cidade, heróis da resistência. Fala também que, 45 anos atrás deixou de morar na sua vila Falcão, que tanto gosta, para residir no Geisel, onde também fincou raízes. Acaba me revelando um segredo de polichinelo: "Sempre fiz chuteiras e remendei outras. Hoje o pessoal lá do Noroeste traz novas para mim, eu costuro o solado delas antes de ir ao campo, pois costumam soltar. Sou muito conhecido, vem gente de todo lugar. Conhece minha história dos sapatos para o pessoal do Carnaval?". Eu conhecia, pois Dulce Baté, do Estrela do Samba de Tibiriçá já havia me falado dele e, depois me contaram, todos esses sapatos revestidos e vistos brilhando no Carnaval possuem sua marca. Ou seja, seu Fabiano, ou como me diz, "me chamam de tudo, seu Zé, José, Fabi, Carlos e o importante é que, pelo que sei e vejo, Bauru me conhece e continuo por aí, sempre nas paradas de sucesso".

Digo a ele que, quero vir gravar com ele, tendo o cenário de sua sapataria ao fundo e ele, levanta a cabeça, mãos cheias de cola e me diz: "Fico te aguardando". Das mãos sujas de cola, me diz: "Se for trocar toda hora de pincel, não pagam o preço que cobro. Prefiro na mão, mais preciso". A esposa completa: "Depois esquento água e assim, devagar ele tira tudo. É algo que faz diariamente, fica com a mão mergulhada na água morna, esfrega muito e sai tudo, para no dia seguinte, vê-la colando novamente". E assim, me contando sobre os tantos sapatos, a maioria femininos, mostrando sua especialidade, revestí-los com tecidos, chegam mais clientes na loja e dou por encerrado nossa conversa, que duraria horas, pois o casal é envolvente e cativante, algo em falta nas muitas rodas de conversa cidade afora. Lá no seu salão, ele não sossega um minuto e acompanha a conversa mergulhado em muito trabalho. E daqui há três dias, completa mais um ano de vida.


e algo de outra labuta diária
FUI ATACADO, MAS ISSO É O DE MENOS, POIS QUEM OUSA ABRIR OS OLHOS ESTÁ SENDO TAMBÉM ATACADO, SEM DÓ E PIEDADE
O negócio do ódio não te mcura. A gente, que não envolvido por essa bestialidade até tentamos agir normalmente com quem sabemos é fascista por natureza. Estes, porém, não nos toleram e nos tratam mal. Hoje tentei dialogar com alguém que, conheço de longa data e sabemos estar cada qual num lado bem oposto do outro. Agi normalmente, mas levei uma patada e percebi, aquilo que havíamos tolerado por décadas estava quebrado, o vaso quebrado não mais se colaria. Para não ser deselegante, pois ele mais velho que eu, me despedi educadamente, dei-lhe as costas e me retirei.

Lembro disso e leio, coincidência da vida, ao chegar em casa, artigo de Jamir Chade, "Do próprio Veneno" e lá umas pérolas a exemplificar essa pavorosa divisão hoje acometendo o mundo, onde ons antes conversáveis, hoje já são irreconciliáveis. Saco da escrita do escriba, um dos mais gosto no momento: "Ninguém nasce odiando. A extrema-direita foi além e colocou o ódio como um instrumento político, como arma de mobilização. (...) ...eles realmente acreditam que, então, existe uma linha vermelha que não pode ser cruzada? (...) O ódio é intoxicante. A decadência econômica passa a ser culpa dos imigrantes, não da falta de investimentos em educação ou inovação. (...) Os fracassos pessoais tornam-se resultado de um sistema supostamente manipulado. (...) Um genocídio não começa no primeiro disparo, mas quando o ódio é autorizado, aplaudido e até recompensado. (...) A história revela que os movimentos construídos sob o ódio acabam se autodestruindo".

Hoje, essas milícias digitais, sendo difundidas pelas redes sociais assassinam tudo o que encontram pela frente, desde reputações, até fisicamente. Qualquer um a representar uma ameaça para estes corre perigo. Porém, algo ocorreu nestes últimos dias e além do vivenciado hoje comigo, vi alguns direitistas, os que ousaram enxergar, dizer o óbvio sobre o Flávio Bolsonaro. Estes padeceram e estão sendo crucificados juntamente conosco. Não existe um mínimo de tolerância para quem, do lado deles, ouse abrir os olhos. Existe uma ala da extrema-direita vigiando todos os seus e não os deixando abrir os olhos. Felizmente, vi gente querendo abrir os olhos e ao serem duramente atacados, percebo que nem tudo está lá maravilhoso e divinal do lado deles. Ponto para nós. Ao menos isso.

EU QUERO MUITO CONTINUAR LUTANDO, MAS EXISTE UMA FORÇA CONTRÁRIA ME PROPONDO DESISTIR - RESISTIR É PRECISO!!!
A frase atribuída a Clarice Lispector expressa um sentimento de recolhimento e busca por silêncio interior. Ela fala de um cansaço que não é apenas físico, mas também emocional, quando a convivência social deixa de trazer a mesma satisfação de antes e atividades mais introspectivas passam a oferecer conforto.
Ler, ouvir música e permanecer no próprio espaço podem representar uma necessidade de reencontro consigo mesmo, de descanso da agitação externa e de reflexão. Muitas pessoas passam por períodos em que a solitude se torna mais atraente do que a socialização.
Ao mesmo tempo, a frase não precisa ser entendida necessariamente como tristeza. Ela também pode revelar uma valorização da própria companhia, do silêncio e das pequenas experiências que alimentam a vida interior.
Como diria a própria Clarice em muitos de seus escritos, há momentos em que estar só não significa ausência, mas presença de si mesmo.
#ClariceLispector #Reflexão #Solitude #Autoconhecimento #Literatura
O que mais lhe chama atenção nessa frase: o cansaço, a vontade de ficar só ou o prazer encontrado nas coisas simples?