sábado, 22 de agosto de 2026

MÚSICA (263)


EU LOGO CEDO NA PADARIA, COM JULIO CORTÁZAR NO PEITO
Eu sei, poucos o conhecem por aqui. Saio estampado no peito alguns pelos quais minha apreciação é exarcebada. Este aqui, cuja camiseta comprei na última estada em Buenos Aires, mais precisamente num artesão na Feira de San Telmo, é nada menos que um dos maiores escritores latinoamericanos, Julio Cortázar, que andou muito pelo Brasil, circulando entre diletos escritos paulistanos. Sua maior referência para mim são os "cronópios" e a muito famoso por misturar o cotidiano e o fantástico em histórias sem ordem linear. "O Jogo da Amarelinha", creio eu, seu mais famoso romance, destes que, quando li pela primeira vez, ia parando e tentando entender antes de prosseguir. Sua leitura é rebuscada e para quem quer se iniciar, adianto não mergulhe de cabeça, pois pegando leve, aos poucos, vai aproveitando melhor.

Não sou gato escaldado e agora, já com 66 nos costados, reler ele é algo difícil, pois o chips de minha mente já está cansado, cheio e para que o entendimento se faça por inteiro, tudo requer mais tempo. Adoro ler Cortázar em estado de vadiagem, pois a concentração se faz mais elegante e assim absorvo mais. Quando vi sua camiseta sendo vendida, um lindo traço de algum artista de rua platino, a peguei e não mais larguei. A trouxe e hoje levanto e vou pra padaria com ela. De cara, assim de bate pronto, quem por lá cruzo é uma das pessoas mais simpáticas do pedaço, uma senhora, nossa miss na padaria aqui da esquina. Deve girar lá pelos 80 e com uma tatuagem na canela, encantadora pessoa. Ela vem até mim e me pergunta quem é o gajo na camiseta. Ao revelar seu nome, ela abre um sorriso e me diz algo profundo dele e do que representa para quem o conhece.

Logo a seguir, já no caixa, o dono da padaria me diz: "Tê tentando me esforçar, mas ainda não reconheci quem seja o cara aí da sua camiseta". Digo ser o escritor argentino Julio Cortázar e ele, também reconhecendo, me diz algo sobre os grandes escritores do país vizinho. Uma pena, Cortázar não ter sido tão difundido por aqui, ou melhor, até foi para para gerações passada e hoje, dentro da nova, creio eu, ninguém mais o conheça. Sempre tem disso dentro dessa rapidez com que o tempo voe em nossas vidas. E assim, alguém muito falado hoje, amanhã já será um esquecido. Eu, envolto pelos livros todos lá do meu mafuá não deixo isso acontecer e mantenho acesa a chama destes que um dia reverenciei e quero continuar fazê-lo até quanto tiver a compreensão dos fatos dentro de mim.

Ler Cortázar é ir vendo coisas normais virarem, assim de uma hora para outra pesadelos ou mistérios sem que as pessoas achem isso estranho. Isso é o tal dos seres imaginários, do realismo fantástico onde ele foi mais que mestre. Ele foi muito mais que um escritor, pois esteve antenado com seu tempo e bateu de frente contra a cruel ditadura implantada em seu país, muito mais violenta que a nossa. Foi um corajoso, um bravo que soube impor respeito aos seus detratores e aos gendarmes derfensores de ditaduras, como as que tivemos aqui e na Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e afins.

Melhor que tudo foi na saída, ao lado da nossa miss da padaria, uma jovem, que nunca deve ter ouvido falar dele, mas a vejo anotando seu nome num guardanapo de mesa, ou seja, ela vai levar o nome pra casa e tomara pesquise algo, se interesse e leia algo dele. Só por provocar que algo aconteça no entorno de seu nome, ganhei o dia. Enfim, encerro com uma curta frase dele, como todas bem reflexivas: "Só há um meio de matar os monstros. Aceitá-los" ou, agora mesmo uma última: "Ninguém é mais sério do que um menino quando está brincando".

A PROPOSTA DO FILHO: EM TODO SEU RETORNO PARA BAURU, PELO MENOS ASSISTIREMOS UM FILME JUNTOS
Ele, o filho, mora em Araraquara e vez ou outra aporta por aqui, quando dividimos o tempo, ora comigo, ora com a mãe, a Cleo. Ora todos juntos. Eu o iniciei nesse negócio de gostar de ler e de cinema. Eu acabei diminuindo o ritmo e sempre me vejo dizendo pela aí da pretensão de voltar a assistir, pelo menos uns dois por semana. Ainda não consegui. Lembro de quando ele ainda adolescente, o levava regularmente ao cinema e sentávamos juntos para assistir a alguns. De uns tempos para cá, ele me propos retomar isso e sua proposta, além de tentadora, foi dessas irrecusáveis: "Em cada retorno meu para Bauru, escolhemos um filme, sentamos em sua sala e o desfrutamos juntos". Estamos tentando cumprir o prometido.

Neste final de semana ele por aqui, para meu contentamento e jubilo. Fui assistir a um jogo do Noroeste - ganhou de 4 x 3 do Comercial e se se classificou em 1º lugar no grupo na copa Paulista. Ele não quis ir e me fez lembrar de uma vez, creio que lá pelos seus treze anos, pela aí, o levo ao campo e no intervalo me diz: "Ainda tem mais outro tempo igual a este". Ou seja, ele não pegou o amor pela bola, mas, para minha felicidade, pelos livros, música e entendimento de tudo à nossa volta, com maior desenvoltura que a alcançada por mim. Ele me comenta filmes e mais filmes e me faz a clássica pergunta: "Já assistiu?". A imensa maioria, respondo laconicamente: "Não". E reforço a intenção de tentar fazê-lo ao lado de Ana Bia, minha companheira de todas as horas, que assiste muitos mais filmes que eu.

E assim sendo, sentamos na sala de casa e o deixo escolher. Apresenta um leque de intenções e vejo que, tudo desemboca no "DIAS PERFEITOS", longa do alemão WIM WENDERS, onde a trama se passa em torno de Hirayama, um senhor japonês, levando uma vida feliz, conciliando seu trabalho como zelador dos banheiros públicos de Tóquio com sua paixão por música, literatura e fotografia. Sua rotina estruturada é lentamente interrompida por encontros inesperados que o forçam a se reconectar com seu passado.

“Dias perfeitos é o mais próximo que já cheguei de fazer uma declaração sobre a paz”, declarou Wenders em entrevista. “Para mim, uma das grandes condições da paz é estar satisfeito com o que se tem. Um dos grandes problemas da paz é que nossos países e economias são viciados em crescimento. O crescimento gera guerras. O crescimento gera desigualdade. O crescimento cria aqueles que não podem crescer, em oposição àqueles que sempre querem continuar a crescer. O crescimento é um enorme obstáculo à paz. Nossos economistas não gostam de ouvir isso. Eles não querem ouvir que não devemos ficar felizes com o que temos e tentar compartilhar isso em vez de crescer mais. Crescer mais só é possível às custas de outros que crescerão menos, e esse é o motivo da maioria das guerras. Hirayama é um verdadeiro pacificador. Ele é meu primeiro herói da paz de verdade... bem, exceto pelos anjos em Asas do desejo.”. Confesso, fui arrebatado pela singeleza do filme.

Pela sua interpretação como protagonista de Dias perfeitos, Koji Yakusho recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Cannes de 2023. Meu danado filho, me induz a assistir um filme, desses que a gente não esquecerá nunca mais. Disse a ele, gostar muito mais de filmes assim, singelos, do que aqueles de ação. Daqui por diante, fico só com estes e me encanto, primeiro com os locais de cada filmagem, neste caso uma Tóquio em suas entranhas e depois o tema escolhido. Sabe aquilo da pessoa viver de forma quase monástica e encontrar grande dignidade no trabalho diário, um que o satisfaz, mesmo sendo degradante para a maioria manada da população? E depois, nos momentos livres, ele lê livros, cuida de plantas, fotografa as copas das árvores e ouve uma excelente trilha sonora em fitas cassete no carro, com artistas como Lou Reed, Patti Smith, Nina Simone, Jimi Hendrix e Van Morrison. Isso me fez lembrar de quando ouvia meus CDs no carro, levando toda semana sete ao carro, ouvindo um por dia, trocando na outra por novos. Um dia os carros vieram sem aparelhos para tocar CDs e fiquei desolado. No filme, um tocador de cassetes e Hirayama faz exatamente o que fazia. Não é pra querer voltar a ter uma vida mais simples e abandonar todos os luxos que vamos agregando junto de nós ao longo da vida? É o filme expõe isso de uma forma bem lúdica, límpida, transparente e aconchegante. Orgasmo total.

Poderia descrever outras maravilhas do filme, como o isolamento de Hirayama, tocando sua vida e dela usufruindo benesses inigualáveis, bem diferente do que seus familiares abastados o fazem, ou seja, o filme é uma delícia e o filho acerta na mosca. Ficarei com ele retido dentro de mim por um bom tempo. O filme termina, comemos pipoca e sua mãe o vem buscar. Amanhã iremos passear na Feira do Rolo e depois, bocadinho mais de prosa à tarde. E na manhã de segunda, segue de volta para sua vida em Araraquara. Eu absorvo o máximo que posso em cada vinda dele e muito dessas sessões de cinema.
Eis algo mais do "DIAS PERFEITOS".
Começem pelo trailler do filme, três minutos: https://www.youtube.com/watch?v=j9srd9g_SEk
Assistam isso: https://www.youtube.com/watch?v=Qcmce0aufXY&t=6s
E descubram depois algum link para asistir o filme inteiro. Sem decepções, uma relíquia conematográfica. Tenho que confessar, meu filhão acerta em cheio em suas escolhas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RELATOS PORTENHOS LATINOS (162)


UM FINAL DE SEMANA COM ELE NO COMANDO, HENRIQUE, O FILHO POR AQUI - TUDO O MAIS É CONSEQUÊNCIA
QUANDO ELE PINTA NO PEDAÇO EU PARO TUDO PRA LHE DAR TODA A ATENÇÃO DESTE MUNDO
Não existe nada melhor neste mundo do que, você tendo colocando um filho no mundo, ele tendo batido asas, vivendo por aí, em outras paragens e quando aporta por perto, o que faço é me liberar de tudo o mais e ficar de prontidão, primeiro para recebê-lo, depois lhe dar toda a atenção deste mundo. Fiz isso neste final de sexta, quando o mesmo chega e vem me visitar, finalzinho de tarde, adentrando meu reduto mafuento. Começamos a divagar com o que mais tenho no lugar, livros. Ele me relatando o que tem lido, me trazido um de presente e eu lhe dizendo: "Daqui, leve o que queiser, o que te interessar".

A prosopopéia durou um bom tempo, primeiro ele vasculhando uma caixa onde havia arrebanhado um monte destes, lá adquiridos no Sebo do Bau, pela bagatela de R$ 1,50 cada. Digo terem sido uma espécie de resgate, pois os mesmos encontravam-se lá por alguns anos, dentro de caixas fechadas, intactas e agora, com a decisão do livreiro de renovar seus estoque, fez uma limpa e disponibilizou tudo por preços mais que módicos. Eu adoro mergulhar em lugares assim, dentro desta concepção, a de lá, com certeza,sempre encontrar preciosidades diferenciadas e únicas. Ele faz o mesmo lá pelos lados onde mora, Araraquara e me conta de suas também incursões no Araricoera, o Sebo que um dia trabalhou e hoje só frequenta.

Isso do filho ter chegado já nos seus trinta e poucos anos e ambos amantes inveterados de livros, leituras e afins é mais que um luxo. Algo pelo qual considero minha passagem aqui pela Terra mais do que realizada é o fato de ter conseguido passar isso para o filho, este benfasejo por livros e um entendimento, melhor do que o meu, de tudo o que se passa neste mundão. Sei que, ele assim exercendo sua vida, sofre mais do que a maioria da manada, que faz questão de se juntar a modismos e grupos nada abonadores, os tais apregoando ser melhor seguir os donos do poder do que constestar e demonstrar o erro deles. Somos mais ansiosos, pois sabemos muito bem com quem estamos tratando e como as coisas devem ser tratadas nestes embates todos. Viver, nestes tempos é algo muito perigoso e mesmo o sendo, eu e ele chegamos no entedimento mútuo de que, nada valeria a pena não fosse deste jeito como tocamos nossas vidas.

E agora, tenho o prazer inenarrável de passar um final de semana ao seu lado, ele me contando das suas e eu das minhas, desabafos mútuos, sinceros e cheios de emoção. Eu consigo fazer isso maravilhosamente com o filho, o que tempos atrás, chegamos a acordar 3h da manhã para ir assistir um filme cult, quando estes passavam neste horário lá no Cine Alameda e hoje, ele em todas as vezes por Bauru, já me fez uma exigência, prontamente aceita, a de pelo menos sentarmos num final dia, começo de noite e antes dele voltar pros seus afazeres, assistir um filme escolhido de comum acordo e depois ficarmos parlando sobre ele e tudo o mais que possamos encontrar de conversa paralela e prolongativa. Escrevo isso carregado de emoção, pois sei que, acordarei no sábado e irei buscá-lo para andanças pela aí, lugares e cantinhos onde possamos prolongar essa conversa até não mais poder. Coisa melhor de boa.

NOS ATENTEMOS PARA ISSO, A QUEDA DO ARGENTINO CERIMEDO, CRIADOR DAS ARTIMANHAS DE MILEI E BOLSONARO É PRA SER ENTENDIDA EM E COM TODAS SUAS ENTRANHAS
"O @xicosa tem razão.
A mídia brasileira, inclusive a de esquerda, ainda não caiu a ficha sobre o que significa a "queda" do argentino Cerimedo, preso na Bolívia por tentativa de homicídio contra sua mulher.
É, sem dúvida, a maior baixa do bolsonarismo nos últimos anos.
Cerimedo sempre foi um importantíssimo quadro de Milei e Bolsonaro, e seu trabalho era a base de quase todas as tramoias que tivemos nos últimos anos.
Ele é o pião em todas as farsas que Eduardo e os irmãos repercutem por aqui.
Foi dele a "auditoria" contra as urnas eletrônicas que serviu de apoio ao bolsonarismo, inclusive nos questionamentos judiciais.
As "falhas" das urnas eletrônicas que ele construiu eram uma farsa.
Não há "esquema" de fraudes, grana ou golpe em que este argentino bolsonarista raiz não esteja envolvido.
Agora foi preso na Bolívia, onde organizava tramoias e golpes ao comandar a tentativa de morte contra sua mulher.
Está preso e desesperado.
Sua mulher, vítima da tentativa de homicídio, está denunciando todos os esquemas de suborno, roubo ou golpes do argentino tão festejados pelo bolsonarismo.
É a maior "queda" no mundo podre que junta internet, achaques e outros crimes.
O bolsonarismo está de olho em pé.
Basta ver o desespero da turma de Milei, que sempre teve Cerimedo como principal organizador.
Basta dar uma olhada no Clarín, na La Nación ou no Página 12, e poderão ver o explosivo desdobramento do caso.
Como seria bom ouvirmos o Ariel Palacios na @globonews contando mais sobre essa loucura do Milei e da família Bolsonaro", ROQUE CITADINI. 

RESISTINDO CONTRA A DESTRUIÇÃO DO DAE E DO PATRIMÔNIO PÚBLICO BAURUENSE
A cidade precisa tomar conhecimento dos bastidores do que de fato ocorre nas,entranhas dos tantos contratos e aprovações açodadas na Câmara de Vereadores. Do jeito que está, Bauru peede todas e de goleada.
Eis o vídeo do Gustavo denunciando a patifaria: 

"Os leituristas do DAE estão Parados...
Tamanha ineficiência em administrar uma CIDADE
A concessão deveria só terminar a obra da estação de tratamento de esgoto
Não destruir 40% do DAE
QUE PRESTA O SERVIÇO PARA O MUNICÍPIO A MAIS DE 60 ANOS
Funcionários públicos, qualificados, alguns formados em Bauru, CTI, Unesp, FATEC, SENAI, USP.
Anhanguera, UNIP,
Ana Nery, Engenheiro Aurélio Ibiapina ( antiga escolinha da rede ferroviária).
Dentre outros servidores que passa no concurso em Bauru e vem de outro ESTADO..
Os serviços do DAE é muito específico, estas escolas profissionalizantes ou técnica não tem um curso voltado para área de saneamento..
Serviço do DAE tem complexidade que as vezes o servidor público aprende depois de ser aprovado no Concurso.
São +de 60 anos prestando serviço em Bauru, existe servidores públicos contratado para todas as especialidades, com experiências de 1 ano, 15 anos, 36 anos e até 47 anos de DAE.
Está atual administração com a concessão deixou 187 servidores de FATO sem realizar sua atividade sem nenhuma necessidade e explicação, totalmente desnecessário..
Se existia um problema era terminar a 30% da obra da ETE VARGEM LIMPA..."GUSTAVO ARAÚJO, SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

UM LUGAR POR AÍ (214)


ALCKMIN, O VICE-PRESIDENTE, PASSOU POR BAURU, ESTIVE NO EVENTO E ESCREVO ALGO SOBRE SUA PESSOA
O atual vice-presidente da República, candidato à reeleição, junto de Lula, Geraldo Alckmin está em real campanha e circula por todo o estado, até muito mais de tantos, como eu, que já deveríamos estar fazendo e acontecendo pela aí. Alckmin está dentro de um processo, já estabelecido e constituído e dentro dele faz o que pode para conscientizar pessoas da necessidade de continuarmos apostando nossas fichas, não só em Lula, mas também votando em Fernando Haddad pra governador, Marina e Tebet pro Senado. Ele hoje não é sómente um cidadão paulista, pois confidenciou quando eessa sua rápida passagem por Bauru, retornando pra Sampa e sua casa, que no dia seguinte estaria em Belo Horizonte, ou seja, de SP vai pra MG. Alckmin está na lida e luta. Cumpre o seu papel.

Dessa sua passagem por Bauru, voltando de outros compromissos pelo estado, combina com o ex-deputado estadual Pedro Tobias, seu dileto amigo de décadas, ambos médicos, de aqui reunir pessoas interessadas em ouví-lo e acreditando na proposta e dispostos a não deixar o país cair nas mãos da extrema direita. Daí, um local é escolhido e o 21 Center, ali nos altos da rua Gustavo Maciel, antigo point do Pedro Tobias, para seu café diário pelas ruas, lota e reúne gente de todas as matizes e até mesmo crenças políticas. Não vejo como nada surreal ou estranho o ajuntamento, pois ali, neste exato momento, como já ocorreu quando da última eleição de Lula à presidência, o que de fato ocorre é uma salutar união, envolvendo grupos antes antagônicos, cumprindo o seu papel para não permitir que caíamos num caminho quase sem volta, entregando o nosso destino nas mãos do bolsonarismo e, consequentemente, da extrema-direita.

Leio e ouço Lula falando dias atrás sobre algo neste sentido. Dizia ele que, disputou várias eleições com adversários e cita nomes, Covas, Serra, FHC e mesmo Alckmin, antagônicos, porém bem diferentes do que se vê hoje na disputa. Se antes existia um diálogo e quem perdia, aceitava a derrota e se preparava para o próximo embate, com os atuais, a ruptura já começa em todo e qualquer encontro. Daí, quando me vejo lá no salão do café do 21 Center, converso com a maioria dos presentes, inclusive com muitos com quem digladiei no passado, hoje todos unidos. Isso é capitular? Tenho a certeza que não. Não estivessemos com Lula e Haddad, na dispersão, o pior para este estado e país. Todos ali sabem muito bem o que representa Tarcisio se reeleger e Flávio ser alçado à presidência. O encontro não é casual, nem inoportuno. Trata-se de uma estratégia estabelecida dentro da guerra sendo travada nesta campanha eleitoral.

Eu já fui adversário, tanto de Pedro Tobias, como de Geraldo Alckmin. Os vejo muito diferentes de como atuaram no passado. Isso é ótimo. Pior seria se continuassem dentro daquela linha política. Entenderam o que de fato ocorre, Alckmin aceitou ser vice de Lula, foi eleito e não decepcionou em nenhum momento. Tobias abriu mão do discurso preferido do seu eleitorado conservador paulista, bateu de frente com estes e se manteve fiel ao entendimento de que, só avançariamos vergando o obtuso conservadorismo. Ambos pagaram o preço, muito lhes viraram as costas, porém, estes sim não capitularam. E neste exato momento, sem tergiversar, continuam ao lado de Lula e contra a perversidade bolsonarista e o discurso extremista de direita.

Nesta e em tantas outras eleições nas quais participei, dando o meu quinhão, não vi isso de votar no "menos pior". Lula nunca foi o menos pior, pois sempre representou o palpável, o possível e por tudo o que já fez, mesmo diante de tanta adversidade, é hoje considerado o melhor presidente que este país já teve. Isso é histórico, algo já consolidado. Continuarei ao seu lado e ciente de que, como não podemos realizar a tão acalantada revolução, tenho que me adequar e ir galgando as conquistas degrau por degrau. É o que faço. Alckmin e Tobias são outras pessoas. Enxergaram o óbvio, que a maioria do povo paulista ainda não conseguiu enxergar. Pelo que vejo, não mais nos decepcionaram. E na conversa com Alckmin, disse a ele de o achar, em muitos momentos, com um discurso até mais contundente que muitos petistas e esquerdistas. Ele riu e disse a todos junto de mim: "O PT tem um diferencial que nenhum outro partido tem neste país, uma forte e atuante militância. Respeito e me orgulho de estar sendo entendido por estes".

O momento do país exige exatamente isso que vemos em curso. Isso está longe de capitular. Tem muitos se aproximando por interesse. Não é o caso de Tobias e de Alckmin. Eu confesso, fui lá me encontrar ontem com todos os presentes e com um intuíto interno já muito bem formatado e estabelecido: quero trabalhar intensamente nestes 50 dias de campanha, pela reeleição de Lula, por Haddad, pela dupla de senadoras mulheres e por dois candidatos, deputado federal e estadual, gente nas quais acredito muito e sei, farão muito, não só por minha cidade, mas pelo país num todo. Eu vejo Alckmin fazendo e acontecendo. de sua boca um discurso eloquente, consistente e muito bem atualizado e entrosado com as necessidades do país. E por que não estaria junto deles neste momento? Ainda mais, quando o outro lado, esté sim é de um retrocesso sem fim e praticamente sem volta. Eu continuo do lado certo da luta. Creio que, reelegendo Lula, teremos que nos próximos quatro anos, rever muito da estratégia utilizada e construir um novo país. Isso sim será uma grande revolução dentro do país, pois será talvez uma última oportunidade. Esmorecer jamais!
Meu vizinho Júlio é o de camisa preta. 

Em tempo: Revejo junto dos demais presentes, alguém que conhecia como morador do mesmo prédio onde residimos e o conhecia superficialmente. Trata-se de Júlio César Garcia de Alencar, natural de Caucaia (CE) e formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com doutorado e atuação docente na Universidade de São Paulo (USP), hoje exercendo a função de Diretor do Hospital das Clínicas, este ao lado do parque Vitória Régia. Mais que uma grata surpresa. Ele, vindo de Fortaleza CE, já tinha afinidade com seu companheiro e seu cão, pelos corredores do lugar onde moramos, agora juntamos outras, o fato de gostarmos de Belchior e por ser ele parente próximo do jornalista e escritor Lira Neto, o que escreveu a trilogia sobre Getúlio Vargas e que, já esteve algumas vezes em Bauru. O encontro desta tarde/noite serviu para que o conhecesse. Foi demais da conta.

Eis parte da gravação feita por mim da fala do Alckmin no 21 Center:

o outro lado da moeda
QUANDO LEIO SOBRE A EXISTÊNCIA DE EMPREGOS DE MONTÃO, PENSO LOGO: MAS QUANTO ESTÃO PAGANDO DE SALÁRIO???
"Remuneração próxima de R$ 2.000 tem encontrado menos interessados em vagas com escala
6x1, em que o profissional trabalha seis dias consecutivos e tem um dia de descanso.
Esse cenário já é percebido no setor de supermercados, que relata maior dificuldade para preencher algumas oportunidades.
A mudança está relacionada à forma como muitos trabalhadores avaliam uma vaga.
Além do salário, entram na decisão fatores como custo de vida, transporte, alimentação, moradia, tempo livre e a rotina de trabalho.
Jornadas extensas, poucas folgas e atividades que exigem bastante disposição física podem pesar na escolha, principalmente quando a remuneração não acompanha as despesas do dia a dia.
Para as empresas, o desafio é encontrar profissionais para determinadas funções. Para os trabalhadores, a busca é por oportunidades que ofereçam uma combinação mais equilibrada entre remuneração, jornada e qualidade de vida.
Esse cenário também fortalece as discussões sobre a escala 6x1, valorização profissional e novas formas de organização das jornadas.
A realidade mostra que, cada vez mais, as pessoas estão analisando o conjunto de condições oferecidas antes de aceitar uma oportunidade", RONALDO DIVINO.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

RETRATOS DE BAURU (318)


AH, SE TUDO OCORRESSE SEM SEGUNDAS INTENÇÕES, PORÉM, PREDOMINA O "SEM QUERER QUERENDO"

nada como começar a conversa com uma boa historinha
UMA BOA HISTÓRIA DE COMO, JOCOSAMENTE, POR POUCO NÃO TIVEMOS UM BATALHÃO DE MERDA CONTRA A PERVERSIDADE*
* Extraído do livro "Anos 60", Luiz Carlos Maciel, L& PM RS, 1987.
"1968 - Estávamos todos, artistas e intelectuais cariocas, no teatro Gláucio Gil, em Copacabana, em assembléia geral permanente para protestar contra a ditadura, mobilizados pela morte do estudante Edson Luís, no restaurante Calabouço. Já haviam acontecido: o enterro e uma segunda passeata, reprimida pela PM com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes tamanho família, cães e cavalos.

A assembléia discutida as táticas a serem adotadas numa nova manisfestação nas ruas, marcada para o dia seguinte. Considerava-se certa uma nova ação policial e se debatia o que devia ser feito em face das delicadas e arriscadas circunstâncias.

Um rapaz pediu a palavra:
- Sugiro à assembléia que lancemos, contra a polícia, bombas de merda! - propôs ele, com voz firme.

Perplexidade geral. Murmúrios generalizados. Esboços de protesto. Mas o rapaz prosseguiu, com convicção:
- Por favor, eu peço a atenção da assembléia por poucos minutos. Vou explicar tudo, por favor, trata-se de uma ideia perfeitamente exequível.

Fez-se silêncio. Com esse tático voto de confiança da assembléia, o rapaz prosseguiu:
- Felizmente, temos tempo, até amanhã, para a coleta do material. Além de recolher nossa própria produção pessoal, podemos pedir a parentes, empregadas, vizinhos, etc, que contribuam para que possamos acumular a maior quantidade possível de material. Alé, é claro, do que podemos obter de cães e gatos. Todos podem e devem ajudar. Esse material deve ser acondocionado em sacos plásticos e os sacos, isto é, as bombas, serão levados para os altos dos edifícios nas ruas por onde a passeata vai passar. Quando a polícia vier, seus soldados serã oalvejados do alto dos edifícios. A assembléia há de concordar que uma tropa toda cagada perde a moral e, portanto, não tem mais condições de luta. As bombas de merde resolvem nosso problema.

Metade da assembléia começou a rir. A outra metade ficou indignada.
- Provocação! - gritou um.
- Está querendo avacalhar a assembléia - denunciou outro.
- Só pode ser da comunidade de informação - concluiu um terceiro.

Fez-se um tumulto. Mas o presidente impôs ordem na assembléria e submeteu, democraticamente, a proposta à votação.
As bombas de merda foram rejeitadas".

e vamos ao que realmente interessa
1.) O DAE DE SUÉLLEN DESPEJA MERDA NAS RUAS DE BAURU - COMO RETRIBUIR TAMANHO APREÇO PELA CIDADE?
"Caminhão novo da concessionária quebra e esgoto é despejado em via pública
Um caminhão novo da concessionária responsável pelos serviços de esgoto apresentou problemas durante a operação e acabou despejando esgoto em uma rua de Bauru.
O episódio mostra uma realidade que muitos trabalhadores do DAE sempre defenderam: não basta trocar quem presta o serviço ou adquirir equipamentos novos. Toda frota precisa de manutenção preventiva, investimento contínuo e boas condições de trabalho para funcionar adequadamente.
A realidade é que qualquer veículo está sujeito a falhas. O que faz a diferença é a existência de um plano permanente de manutenção, renovação da frota e investimento público.
O verdadeiro debate é sobre garantir recursos e planejamento para que o serviço seja prestado com qualidade.
Equipamento novo não elimina problemas. O que garante um serviço de qualidade é investimento contínuo, manutenção adequada e compromisso com o interesse público.
Pela reestatização do DAE, já!", texto do grupo FORÇA DA BASE - SERVIDORES EM MOVIMENTO BAURU SP 

2.) DUAS CONTAS E UMA EXPLICAÇÃO NÃO JUSTICANDO COMO FOI POSSÍVEL A DUPLICIDADE DE CONTAS
"O Departamento de Água e Esgoto (DAE) informa que os consumidores devem efetuar o pagamento de qualquer fatura que apresente a logomarca e o padrão oficial da autarquia, independentemente do mês correspondente.
A recomendação para priorizar a quitação da conta oficial do DAE ocorre após notificações de moradores que receberam uma cobrança adicional da Companhia de Saneamento de Bauru (CSB) referente ao mês de agosto (08/2026).
Em relação às faturas duplicadas enviadas pela CSB, os usuários devem entrar em contato diretamente com a central de atendimento da concessionária para solicitar a verificação e a regularização da cobrança.", publicado pelo DIÁRIO DO BRASIL TV PREVE Acesse: www.dbtv.com.br.
Isso antes, agora O CAOS.

3.) MUITA SAUDADE DESTE ADVOGADO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS, RECONHECIDAMENTE DE LUTA E QUE, SEMPRE SE POSICIONOU À FRENTE DE TODAS AS LUTAS DA CATEGORIA - FAZ SEMPRE MUITA FALTA
Eis fala de despedida, muito sentida: https://www.facebook.com/reel/1391461319399986
"Olá Servidores Públicos municipais de Bauru e Região. Estou encerrando o meu ciclo à frente da Assessoria Jurídica do SINSERM. Agradeço a todos e todas pelo Carinho e Confiança que sempre depositaram em mim. Continuarei ao lado e à disposição de vocês agora no meu escritório pelos seguintes contatos. Meu whats: (14) 98155 5257. Meu E-mail martins@advmms.adv.br", da despedida do advogado do Sinserm, José Francisco MArtins, em sua despedida após mudança direção do sindicato dos servidores municipais, início de março 2026. Uma grande perda na real defesa dos interesses dos trabalhadores.

4.) VENDILHÕES DO DAE PRECISAM TER SEUS NOMES EXPOSTOS EM PRAÇA PÚBLICA - ESTÃO DECRETANDO O FIM DA "JÓIA DA COROA"
Preparem a conta tá chegando aí na casas de vcs privatizar que e bom

terça-feira, 18 de agosto de 2026

FRASE DE LIVRO LIDO (234)


NO QUE OS "ANOS 60" FOI MUITO MELHOR DO QUE OS ATUAIS TEMPOS
Isso tudo que vou aqui escrever não é nenhuma divagação a respeito do que foi os tais "anos 60", mas pura constatação: foram imensamente melhores e mais produtivos - dentro da perspectiva do ser humano - do que este trister momento, onde mesmo com todos os avanços tecnológicos, estamos perdendo de goleada para tudo o que nos foi possibilitado algumas décadas atrás. 

Eu já tinha plena consciência disso, mas confirmei novamente ao reler - havia lido inicialmente há uns dez anos atrás - um livrinho com exatas 120 páginas, o "ANOS 60", autoria do jornalista LUIZ CARLOS MACIEL, editora L&PM RS, 2ª edição, 1987. Maciel foi praticamente quem sintonizou o Brasil com o universo underground dos anos 60, com os seus artigos semanais para o jornal carioca Pasquim e neste livro, que a gente senta e lê de uma só golfada, pois ele sintetiza tudo o que ali foi possibilitado e ele, felizmente, viveu com profunda intensidade. Ele mesmo denomina aqueles dez anos como a "DÉCADA DO AGITO" e o faz acertadamente. Os motivos são muito evidentes e todos expostos assim, como uma lavada na cara de quem está contente com os tempos atuais.

Também denominados como "LOUCOS ANOS", tudo por causa de sua sucessão de fatores. Cito alguns: Panteras Negras, LSD, hippies, líderes estudantis, estrelas do rock, gurus, pacifistas, visionáriosm profetas lisérgicos, eis alguns dos protagonistas da explosiva década. Não foi pouca coisa tudo o proporcionado ao mundo em tão pouco tempo, tanto que, lê-se muito pela aí, de forma correta, que o mundo nunca mais voltaria a ser o mesmo. "Foi nos 60 que praticamente nasceram os movimentos ecológicos e pacifistas, que se criaram as comunidades rurais, se descobriram - para nós, pois elas já existiam a zilhões de anos -  as religiões milenares do Oriente, se deflagrou a revolução sexual, que se mergulhou na experiência alucinógena. Todo este universo colorido e movimentado é analisado agora por um dos seus maiores protagonistas, sintonizando a juventude brasileira da época com o underground internacional", colo da orelha do livro.

Tentem fazer como o faço neste momento uma viagem no tempo, analisando tudo o que estarei relatando a seguir e depois me digam com a máxima sinceridade, se não dá um bruta saudade de tudo aquilo, mesmo eu, tendo agora 66 e no nascido em 1960, chegando ao final da década com meros 10 anos, mas desfrutando na sequência, quando comecei a enxergar e sacar as coisas deste mundo, como fomos nos acaretando e perdendo muito de uma alcançada essência, um modo de viver e de encarar tudo o mais, sem a sisudez e a babaquice de misturar a vida com baboseiras como leis de mercado e essa idiotice apregoada logo a seguir como modus operandi, "deus, pátria, família". Ou seja, chegamos lá e regredimos, voltamos para trás. Não escrevo mais nada, mas nas frases aqui selecionadas do livro, uma amostragem do que tivemos e tentem comparar com o que temos:

- "Aconteceram coisas demais, nos 60. (...) Queríamos mudar o mundo, era a nossa questão básica; mais: tínhamos a certeza de isso ia acontecer".
- "Às vezes, fico chocado ao perceber que as gerações mais recentes não mostram a mesma disposição para a transformação, em qualquer de seus níveis, preferindo a inércia conformista e deixando que os 60 ganhem, cada vez mais, a aura de ter sido a década da rebeldia parr excellence".
- "Percebemos, nos anos 60, que nossa educação havia sido uma distorção; nossa formação, um prócesso mórbido, uma deformação. Na verdade, ir em cana, nos 60, era uma das melhores maneiras de crescer como ser humano, evoluir espiritualmente".
- "O homem político abraça uma ideologia, elege uma política, e descansa. A cabeça dele fica preguiçosa. Mas há alternativa. Esta é uma ideia tântrica: fazer, deste jogo mentiroso que é a política, uma caminho de libertação".
- "Quanto mais a televisão, os jornais, os colegas e os vizinhos falavam mal de Cuba, mais indignado com o imperialismo ianque e mais convencido eu ficava de que o socialismo era a via de libertação dos povos latino-americanos".
- "Para os cânones conformistas, a contestação e o protesto seriam manisfestações mórbidas de desajustamento. (...) ...a luta prioritária, no interior de uma sociedade conformista, é em defesa do direito de discordar".
- "Por definição, careta é o homem que não é livre, não assume a responsabilidade da própria existência e prefere deixar-se conduzir com o resto da manada. Ele obedece, sem questionar, as regras que lhe são impostas. (...) ...a passividade, a apatia, a complacência e o conformismo. Estas sãos as condições e, simultaneamente, as consequências da automatização".
- "A pedra angular do existencialismo era a redical liberdade da existência humana".
- "Queríamos que o povo tomasse consciência e que a justiça triunfasse - objetivos desaparecidos do panorama contemporâneo -, mas não admitíamos o dogmatismo estreito, o sectarismo cego, a burrice".
- "Uma cidade foi o símbolo dos saltos qualitativos operados nos costumes, no lazer, no comportamento, nas artes populares, durante a década de 60. Refiro-me naturalmente a Londres, a swinging city daqueles anos pródigos em novidades".
- "Havia necessidade vital por liberdade. Quer dizer: era o oposto do que acontece hoje, quando a desução conformista começa a parecer irressistível. (...) A transmutação dos valores foi resumida, pelos mass media, na célebre tríade: sexo, drogas e rock'n'roll. Cada uma dessas áreas assinalou um rompimento radical com o passado e, mesmo, com o futuro".
- "Lembrar os 60 pode ser mais do que um mero saudisismo: pode ajudar a tomada de consciência de uma decadência que parece historicamente inevitável, mas que não é metafisicamente necessária".
- "Se o square norte-americano procurava a felicidade injetando dólares na sua conta bancária, por que não haveriam os jovens rebeldes de procurar a felicidade injetando drogas na corrente sanguínea? (...) Onde não existiam outras formas de ser radical, a ventura interior do transe do LSD era a possibilidade do protesto. (...) ...transformando o LSD em mais uma bandeira dos jovens rebeldes para agredir as instituições do establishment norte-americano".
- "Essa tentativa de dissolver a diferença ideológica entre esquerda e direita é uma tática típicado pensamento reacionário. (...) Nenhuma paciência resistirá à espera por um pensamento de direita criador ou revelador".
- "As manifestações de 68 na França demonstraram que as entidades organizadas não detêm o monopólio da iniciativa de ação política. (...) ...o protesto não pode ser subordinado às estratégias definidas de determinadas organizações; pelo contrário, ele é a expressão direta do interesse público". 
- "O rompimento das cadeias ideológicas permitiu o florescimento de uma nova visão política que proibia proibir e colocava a imaginação no poder. (...) A guerra entre ELES e NÓS será decidida pelos que têm hoje sete anos de idade. Eles oferecem responsabilidade, medo, puritanismo, repressão. Nós oferecemos  sexo, drogas, rebelião, heroísmo e fraternidade".
- "Ou você está do lado da polícia ou do lado dos seres humanos".
- "Se algo, então, mudou radicalmente em minha vida, devo-o em várias coisas, e Jimi Hendrix foi, sem dúvida, uma delas. (...) Os jovens universitários americanos deixaram a barba crescer, compraram um violão e cantavam folk songs. Bob Dylan foi o produto dessa mudança de condições e a agitações políticas em praticamente todo campus universitário. (...) Pode-se dizer que apenas dez pessoas - Dylan, os quatro Beatles e os cinco Stones -, nos dois lados do Atlântico, iniciaram uma verdadeira revolução cultural".
- "A grande lição que se tentou aprender, nos anos 60, foi a liberdade. (...) A possibilidade de uma alternativa eficiente, que era a intenção nos 60, foi perdida. (...) Nos anos 60, chegou-se perto da verdade básica que é a única religião que pode ser considerada autêntica é aquela que cada um cria para si próprio. As instituições religiosas desvituram o seu propósito original; as igrejas organizadas são a própria negação dosentimento religioso vivo".
- "Os 60 foram os asnos da invenção, da criação original. É por isso, por exemplo, que dizer vanguarda dos 70, ou 80, soa mal: a vanguarda é dos 60. As conquistas dos 60 são oficializadas e viraram moda, abençoadas pelo sistema. Todo mundo se droga; todo mundo curte rock; todo mundo é m´sitico; o mundo aparentemente mudou e a revolução venceu, isto é, acabou. (...) Os 70 foram chamados de a Década do Ego. Os 80 são os anos da diluição. O gesto libertário perdeu o sentido; a busca acabou; o caminho está fechado. As instituições, velhas ou novas, mostram-se fortalecidas. Voltamos ao que havia antes dos 60, só que pior. (...) O confirmismo é normal; a moda é ser careta. O indivíduo desaparece; nascem os robôs. A vitória do sistema só não é total porque sua natureza é ilusória".

É pra ter ou não muita saudade de tudo o que representou os tais ANOS 60?

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BAURU POR AÍ (254)


RUMO, A CONCESSIONÁRIA "SEM RUMO" E DILAPIDANDO O QUE SOBROU DA MALHA FERROVIÁRIA NA REGIÃO DE BAURU, COM ANUÊNCIA CONTEMPLATIVA DA ADMINISTRAÇÃO DE SUÉLLEN ROSIN
Recebo foto enviada por amigo e vou ver o que de fato está ocorrendo no Pátio Férreo da antiga Cia Noroeste. 

Dias atrás um amigo me envia uma foto e um texto sobre uma movimentação ocorrendo dentro do pátio ferroviário bem atrás e dos lados da Estação da NOB, com tudo podendo ser bem visualizado também da avenida Nuno de Assis. Eu postei: "Amigos (as) me provocam, passam por lugares, me enviam fotos e me instigam a escrever algo a respeito, como aqui no comecinho da avenida Rodrigues Alves, boca de entrada do pátio ferroviário, até bem pouco tempo todo abandonado, mato crescendo por todo canto e local de dormitório de muitos em situação de rua. Me dizem que, algo começou a acontecer por lá e está modificando o cenário, com limpeza em pleno andamento, não se sabe se feita pela empresa concessionária da malha férrea ou pela Prefeitura Municipal de Bauru - isso mais difícil. O fato é que - toc toc toc -, tomara algo de bom comece a vicejar pela região, pois o estado de abandono dos últimos tempos é mais que um Cartão Postal Negativo da cidade de Bauru, famoso pólo ferroviário, entroncamento de três grandes ferrovias, que fizeram história neste país, a Noroeste, Paulista e Sorocabana. Será?".

Quando tomo conhecimento do que está em curso, não levo um susto, pois sabia de antemão que, vindo da atual administração municipal, comandada pela fundamentalista Suéllen Rosin e em relação à ferrovia e suas edificações, assim como os bens férreos ainda sobre os trilhos, nada viria e agora, a notícia de que, a limpeza da área está sendo promovida pela concessionária da linha férrea, a Rumo, que desde que aqui se instalou, tem demonstrado anos após ano, estar sem nenhum rumo. Não houve nada de produtivo ou que pudesse ser devidamente comemorado desde a chegada destes, para administrar a malha férrea que corta Bauru e tem aqui na cidade um dos seus pontos de maior movimentação e atividades. Nosso entroncamento é conhecido por todos, o maior paulista e isso não impressiona quem chega somente com um intuito, o de fazer grana, quando na verdade o que mais é necessário no momento seja alguém que goste realmente de ferrovia e faça algo para salvá-la. Tiveram a faca e o queijo na mão e nada fizeram. Da atual administração municipal, se tivesse ido atrás do DNIT e o Governo federal, certamente teria conseguido boas parcerias para ajudar na recuperação do tanto de estrago aqui promovido no passado. Suéllen não possui nenhum interesse em conversar com Lula e, consequentemente, com quem possa fazer algo para ferrovia e a tal da Rumo, desde que aqui chegou, sugou mais um bocadinho do que ainda restava de possibilidades de fazer alguma grana com a utilização da malha, agora somente para uso de transporte de carga.

E diante de tudo, forma décadas de abandono, com um cenário tétrico espalhado pelo pátio. Quem passa por cima do viaduto JK e olha para o pátio tem uma amostragem, não só do abandono, mas do descaso. Aquele amontoado de itens férreos, carros de toda espécie, desde locomotivas, vagões de carga e passageiros, tudo abandonado a céu barto, se desgastando ao tempo. E neste momento, quando quase tudo já se perdeu, a proposta miraculosa é limpar tudo, tornando o visual mais apresentável. Dos vagões e carros férreos, a proposta é vender tudo como sucata e ainda levantar uma última grana. Isso tem nome e sobrenome, sacanagem e perversidade. Evidentemente que, o pessoal do atual staff da Prefeitura, sem nenhuma especialização ou amor para com a ferrovia, permanecerão calados e vendo a banda passar. Ou seja, se nada for feito neste exato momento, muita coisa ainda aproveitável irá para o leilão e, consequentemente, o forno. 

Este o triste cenário do antes mais bonito pátio férreo do interior paulista, o abrigando as estações da Noroeste, da Paulista e da Sorocabana. Neste exato momento, diante do que ainda resta das ruínas da Sorocabana, diante da avenida Pedro de Toledo, um amontoado de madeira, tudo já cortadinho e perfilado para utilização como lenha, auferindo algum lucro para quem o cortou. Na região, muita coisa já foi devidamente cercada e com o matagal, que até poucotempo tomava conta de tudo, com área mais limpa, terá início a retirada dos vagões e carros férreos. Isso é uma grande vergonha para Bauru, que teve todo seu progresso proveniente da ferrovia, ver e pouco poder fazer, além de gritar, espernear e denunciar a maluquice em curso. Muita coisa ainda pode ser salva dessa sanha pérfida por fazer dinheiro de tudo o que encontram pela frente, pouco se importando com a história e o passado reluzente desta cidade. Este libelo escrevinhativo é para ser lido e entendido como uma DENÚNCIA, algo grave e precisando de alguém, gritando em alto e bom som: CHAMEM A POLÍCIA, pois amanhã será tarde demais. Mas, o que esperar de uma administração, cujos seus três museus permanecem fechados ao público e o Ferroviário, antes tão pujante, com o Projeto Ferrovia para Todos, que mantinha uma composição férrea turística circulando nessa malha, nada faz para tentar ao menos garantir mais alguns itens, para prováveis restauros? Como sabemos, nossa Estação da NOB permanecerá fechada e abandonada por Suéllen e agora, tudo o que ainda resta de itens reaproveitáveis, desaparacerão de uma hora para outra, com poucos ousando em contestar ou denunciar a pouca vergonha em curso.

outra coisa
NADA ANDA BEM LÁ PROS LADOS DA EMDURB - VEJA TEXTO DE FERNANDO REDONDO
"ÁREA AZUL, QUANDO A 'FALHA DE COMUNICAÇÃO' VIRA DESCULPA - QUEM RESPONDE PELO CONTRATO?"
Eis o link para leitura deste texto e real entendimento do que de fato se passa nas hostes desta empresa municipal bauruense, sob o comando da atual alcaide, a incomPrefeita Suéllen Rosin: 

domingo, 16 de agosto de 2026

MEMÓRIA ORAL (335)


CONSIDERAÇÕES DE UM DIA TODO VOLTADO PARA O RETORNO DE LULA NO VILA EUCLIDES - EU NUMA BARCA, CHEIO DE HISTÓRIAS PARA CONTAR
Começo aqui compartilhando um texto do professor e escritor bauruense, hoje radicado em Sampa, Gilberto Maringoni, sempre muito crítico de Lula e ao PT, mas neste momento de nossa vida política, tendo que reconhecer da não existência de outro campo de luta e resistência, onde possamos atuar, quer não o de apoiar, acreditar e cerrar fileiras junto de Lula. Eis seu texto, publicado logo após a abertura da campanha de Lula em Vila Euclides: "UM TENTO EM VILA EUCLIDES - A campanha Lula marcou um golaço na manhã deste domingo: lotou o estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, e fez um comício como há muito não se via entre as forças progressistas. O local escolhido não poderia ser melhor. Trata-se de um símbolo dos trabalhadores e da luta pela democracia no Brasil. Ou seja, o ato, de saída, expressa uma posição de classe, o que contrasta com a aglomeração em torno de Flávio Bolsonaro, na praia de Copacabana. De um lado, a organização e de outro a dispersão domingueira. Lula pronunciou um discurso extremamente hábil, lembrando das greves de 1979-80. Há diferença entre elas, lembrou. Na primeira, diante de uma categoria radicalizada, que não aceitava o acordo com o patronato previamente articulado por ele, Lula não coloca em votação o mérito da questão. Pede apenas um voto de confiança a milhares de trabalhadores para seguir negociando. É aprovado por amplíssima maioria. No ano seguinte, o esquerdismo deu o tom. Depois de 45 dias de paralisação, os trabalhadores saem derrotados. A mensagem é clara para o presente: confiem em mim e não façamos exigências além da conta. É o passaporte para o apoio militante a uma candidatura que coloca como ponto essencial o aprofundamento do aperto fiscal. "Confiem e deixem comigo" é o mote geral. Foi a essência de uma intervenção curta, cuja segunda parte foi preenchida com referências a conquistas passadas e poucas alusões ao futuro. Uma peça lapidar de habilidade e competência política para tentar reconquistar o entusiasmo militante numa disputa que será decidida por margem estreita de votos".

E de Bauru, enviamos também mais que uma mensagem de apoio, consideração e mais que tudo, confirmação por acreditar, não só em Lula, mas em sua proposta e tudo o que já foi feito e, com certeza, irá continuar fazendo enquanto viver. Foram dois ônibus saindo de Bauru e com direção até o estádio 1º de Maio, o de Vila Euclides. No que estive presente, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, dez vagas para gente ligada ao Bar do Genaro e lá fui inserido. Saímos cedo, 23h do sábado, com chegada sendo prevista para 5h30, quando aportaríamos, todos juntos numa padaria e de lá para o estádio. Não deu, o ônibus ao adentrar a rodovia embicou num defeito da pista, declive acentuado e ficou entalado, aproximadamente 9km da chegada. Na demora para conseguir tirá-lo do lugar, todos se deslocaram de Uber, de 4 em 4 e assim chegamos, pulserinha vermelha nos pulsos, assuntamos o local, fizemos as primeiras aproximações, muitas barracas de candidatos e partidos do lado de fora, até atravessarmos as catracas.
Eu, Patrus e um dos tantos Bezerras.


A partir deste momento, tudo é HISTÓRIA. A emoção inicial foi adentrar este templo, não só do futebol - o time do São Bernardo o utiliza hoje para a Série B do Brasileirão -, mas no nosso caso, político. Alguém nos mostrou como era o estádio antes, a disposição de Lula, em cima de uma mesa emprestada, sem microfones, só com o gogó, depois sua fala sendo gritada e espalhada ao vento para todos e a imaginação viajou no tempo. O aparato atual, mas que portentoso, não só enaltece aquilo tudo, como demonstra Lula procurar nos detalhes, ressaltar como deve ser feita a luta, com perseverança, garra e sem esmorecer. Se aquilo tudo ali possibilitado 47 anos atrás, por que não iniciar essa nova caminhada, as eleições deste ano, revivendo essa história e com ela, nos unido todos, para vergar, vencer e se firmar num Governo popular, onde a soberania brasileira estará não só ressaltada, como de fato acontecendo? 

Existia a possibilidade de se tentar ficar mais perto do palco e da passarela, por onde Lula e os demais estariam presentes, mas a opção da maioria do grupo foi permanecer no alto de uma arquibancada, visão privilegiada e de lá, presenciar tudo o mais. Histórias de vida, uma atrás de outra, foram sendo possibilitadas neste lugar. Ressalto a de um senhor, digno representante dos Bezerra, nordestino de quatro costados, parentesco com Gregório Bezerra. Dele ouvi um bocadinho da história deste, que juntando ao que já sabia, me fez crer que, dessa grandeza que nos une, a de estarmos juntos, décadas e mais décadas, sem arredar pé e sempre acreditando, ao lado de quem realmente faz e acontece, neste tão decantado outro mundo possível. Ali ao lado deste Bezerra, passou por nós, tiramos foto com Patrus Ananias, de tanta história política e hoje candidato ao governo mineiro, numa necessária reconquista de Minas Gerais. O prazer inenarrável de ir, pouco a pouco, juntando histórias como a destes dois, eternos militantes e destes inquebrantáveis de uma vida inteira. 

Lá de cima, do alto desta arquibancada, privilegiado por, quando saiu o sol, estarmos sob uma reconfortante sombra, ou seja, estávamos numa espécie de camarote. Lá do alto, no gramado todo coberto por placas, íamos vendo aquela constelação toda de políticos, conhecidos de todos nós, muitos tendo a admiração coletiva dos presentes. Num palco montado ao lado do principal, circulando neste espaço, foram se revezando todos os importantões presentes, os candidatos aos governos estaduais, os ministros e gente da vida pública nacional. Foi algo realmente revigorante e digo mais, uma espécie de recarregador de baterias, ouvir aqueles todos, poucos minutos cada, quando reafirmaram a necessidade de estarmos todos juntos, nesta breve campanha, quando venceremos com amor, o ódio e a essa nação imperialista querendo nos subjugar, sendo mantido como mero quintal. Tudo o exposto ali naquele momento, era algo mais dessa resistência, a desta campanha, já fazendo história mesmo antes de começar.

E assim fui vendo gente como, falas começando com o gaúcho Paulo Pimenta, depois sendo estendida para Dr Rosinha, Gleice Hoffmann e Requião Filho, do Paraná, o sempre louvável presidente hoje do BNDES, Mercadante, Luís Cesar Bueno, na luta pelo governo em Goiás, depois revendo o acreano Jorge Viana, hoje concorrendo ao Senado. Falaram também várias lideranças, representando vários setores nacionais, intercalados por gente conhecida de todos os presentes, como os ministros Luiz Marinho e a digna representante do PC do B, Luciana Santos. As duas candidatas ao Senado por São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva tambpem falaram. Foram muitos outros (as), sendo conduzidos aos microfones, com as falas se encerrando com o ministro Alexandre Padilha, todos no mesmo tom, o da firmeza de propósitos. Daí, por volta das 11h, tudo sendo jogado para o palco principal. 

Treze minutos de contagem regressiva e tudo culminando com a apresentação no palco. Primeiro as instruções todas do aparato montado para atendimento de tanta gente, de 20 a 40 mil pessoas. Uma hora antes, os espaços vazios prenunciavam que, o estádio não ficaria totalmente cheio, mas com a aproximação do horário de início do evento, todos os espaços foram tomados, inclusive os ocupados com imensas bandeironas. Ela continuariam sobre as arquibancadas se não fossem todos os espaços preenchidos, mas eles foram e, desta forma e jeito, tudo teve início. Uma inversão de procedimentos ocorre e o palco principal, debaixo do imenso painel de led, onde tudo ocorreria, acabou sendo utilizado em segundo plano e tudo foi levado para junto da massa, meio do povão e debaixo também de muito sol, não tão inclmente, mediano, mas agindo. Ali sentados, Lula e Janja, Alckmin e Haddad, com as respectivas esposas. 

As apresentações pipocam no palco principal, desde os antigos companheiros de Lula, na greve, cujo estádio foi o palco das assembléias, depois com o hino sendo cantado por Fafá de Belém, depois com a fala de Janja, um pastor cantor, com uma canção, não evocando hinos evangélicos, mas Lula e seus feitos. Depois representantes do Hip Hop e a emocionante dala de Benedita da Silva, realmente em algo emocionante. E depois as falas de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, respectivamente candidatos à governador do estado de São Paulo e a vice de Lula. Interessante e ressaltado por Haddad, os discursos limitados há cinco minutos cada. E tudo culminando com o de Lula, esse mais extenso, porém, diante de todos os demais já feitos em ocasiões similares, com tempo também reduzido. Lula foi preciso, cirúrgico e já aqui ressaltado no escrito por Gilberto Maringoni. O evento tinha hora para começar e terminar. Se passou do horário, foi pouca coisa. O mais importante foi a organização, impecável e o vislumbrado pela massa, muito além de ser contagiante e inebriante. Não deve ter quem de lá saiu sem se sentir revigorado e revitalizado para a luta. "Saíamos daqui prontos para nestes próximos 50 dias, falar de eleição, de Lula e da necessidade de eleger uma bancada condizente com a necessária renovação", foi repetido por todas e todos. 

E depois de tudo, o retorno para casa. Uma saída sem percalços, circulando pelas ruas próximas ao estádio, neste também reencontro e muitas conversações possíveis. Vi este momento, o da saída, como o da chegada, como grandiosos dessas possibilidades, de irmos cruzando com pessoas conhecidas, ouvindo suas histórias, relatos que, juntados aos nossos, constrõem este grande mosaico, essa vivência, algo bem peculiar de todos ali presentes, algo realmente contagiante e mais que um recarregador de baterias. Nosso ônibus já estava recuperado, agora sem um pequeno pedaço de seu parachoques, mas apto a nos receber e assim voltamos para casa, com uma parada, tipo 16h, para um jantar e depois mais estrada, com as paradas em algumas cidades próximas. Do rescaldo final, o bom disso tudo é ver fortalecido dentro de todos, essa gana por estar envolvido na lida e luta deste momento da vida nacional, onde o que se pode ser feito, o será, pelo bem do país. Todos possuem plena consciência disso e o belo evento de lançamento da campanha de Lula, muito bem pensado e executado, nos ajuda e muito para a continuidade de tudo daqui por diante. 

Como comecei com um texto, encerro com outro, agora com o do grupo Jornalistas pela Democracia, expressando bem o sentimento coletivo de ontem, o de todos que estiveram lá presenciando in loco Lula de volta à Vila Euclides e dando o pontapé inicial em sua campanha pela reeleição: 

"O Brasil que eu me recuso a entregar - Há momentos em que a política deixa de parecer uma sequência de eleições e, de repente, se revela como história. Ver Lula voltar à Vila Euclides é um desses momentos para mim. Eu não vejo apenas um candidato retornando a um lugar simbólico para iniciar mais uma campanha presidencial. Vejo a distância que o Brasil percorreu - e a distância que continua teimosamente se recusando a percorrer. Vejo o operário que emergiu de um país onde homens como ele deveriam trabalhar, obedecer e permanecer politicamente invisíveis. Vejo o líder sindical que aprendeu a falar a partir do chão da fábrica, e não dos salões onde o Brasil tradicionalmente decidia seu futuro. E vejo, décadas depois, o mesmo homem voltando como presidente da República a um lugar inseparável do despertar democrático do país. Essa imagem importa para mim porque o Brasil sempre foi extraordinariamente competente em mudar o vocabulário enquanto preservava suas hierarquias. Abolimos a escravidão sem abolir sua arquitetura de desigualdade. Viramos República sem desmontar completamente o poder oligárquico. Saímos da ditadura sem eliminar o imaginário autoritário que tornou a ditadura possível. Construímos instituições democráticas enquanto milhões de brasileiros continuaram experimentando a cidadania como algo condicional - dependente de renda, cor, território, educação e do acidente do nascimento.

É dentro desse Brasil que eu compreendo Lula. Não como santo. Não como líder infalível. E certamente não como alguém que deva estar acima de críticas. Eu o compreendo como ruptura. Um migrante pobre de Pernambuco não deveria, segundo a velha lógica brasileira, tornar-se a figura política central do país. Um metalúrgico sem o pedigree tradicionalmente exigido pelo poder não deveria sentar-se diante de presidentes, monarcas, banqueiros e diplomatas falando como igual. As pessoas historicamente confinadas às margens da representação política brasileira não deveriam reconhecer a si mesmas na Presidência da República. Mas isso aconteceu. E alterou para sempre a geografia simbólica do poder no Brasil. (...) Minha relação com a esquerda brasileira nunca dependeu de carteirinha, devoção ou obediência. Eu discordo de partidos, governos, dirigentes e estratégias. Não preciso de santos políticos. Uma democracia saudável deveria tornar santos desnecessários. Mas preciso saber de que lado da disputa histórica estou. Em 2026, essa disputa é muito maior do que Lula. O Brasil está decidindo se democracia é apenas o procedimento pelo qual governos são eleitos ou se também carrega obrigações com dignidade, inclusão social, soberania e cidadania plena. Está decidindo se derrota política deve ser processada pelas instituições ou respondida com fantasias de ruptura. Está decidindo se o país se entende como permanentemente subordinado aos interesses estratégicos de potências mais fortes ou como uma nação com direito de perseguir seus próprios interesses, alianças e escolhas diplomáticas. E está decidindo se os recursos extraordinários do Brasil - ambientais, agrícolas, minerais, energéticos, culturais e humanos - continuarão produzindo um país rico habitado por milhões de pessoas que jamais experimentam essa riqueza como algo que também lhes pertence. E aí que Lula importa para mim hoje. (...)  Ele importa porque, no cenário político que existe agora, ocupa uma interseção histórica particular: democracia contra restauração autoritária; inclusão social contra a naturalização da exclusão; soberania contra submissão; e a própria política contra a ideia de que o poder pertence naturalmente a uma casta permanente. Há ainda algo que seus adversários nunca conseguiram compreender completamente. Podem odiar Lula. Podem atacá-lo, investigá-lo, prendê-lo, ridicularizar sua escolaridade, seu sotaque, sua origem, seu vocabulário ou as pessoas que votam nele. Mas não podem apagar sua importância histórica. Essa parte já aconteceu. Um menino nascido na pobreza em Pernambuco entrou para a história brasileira pelas portas de uma fábrica e chegou à Presidência da República. Qualquer que seja a opinião sobre Lula, essa trajetória pertence definitivamente à história do país. (...) Eu não voto em Lula porque acredito que ele salvará o Brasil. Eu voto nele porque sei qual Brasil me recuso a entregar. Isso basta. E talvez, depois de tantos anos, sempre tenha bastado".