terça-feira, 31 de março de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE


EIS A DÚVIDA, VOU OU NÃO VOU? SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME

O MUNDO DA VOLTAS E BAURU É UM OVO
Eu tenho "N" histórias comprobatórias de que este mundo é mesmo um ovo. Inesquecível para mim, quando estudando na USC, universidade católica, recebíamos aulas de Educação Religiosa, aos moldes do Catolicismo. Quem dava aulas era um padre, que depois vi, chegou a ter cargo importante na igreja em Nova York. Ele muito centrado nas aulas, exigindo de todos uma contrição, que não podia ser possível, pois éramos - não deixei de ser - rueiros demais, ou seja, vivenciávamos, mesmo antes da ditadura militar, que era católica, o tal do Estado Laico. Eu, sempre festeiro, num dos Carnavais, vou pular no Rio de Janeiro, provavelmente excursão do Guilberto Carrijo. Estou eu lá em plena Cinelândia, festa por todos os lados, quem eu vejo desfilando na minha frente e abraçado com uma linda mulata? Sim, isso mesmo, exatamente o padre que ministrava as aulas mais carolas na USC. Ele me viu e eu o vi, nunca conversamos sobre o assunto, mas as suas aulas foram amainadas desde então.

Isso aqui só para introduzir em algo ocorrido comigo no dia de hoje. Fui à dentista, chego pouco antes e como sempre, levo algo para ler. A atendente, senhora simpática, puxa conversa e me diz: "O senhor gosta muito de ler, pegue uma revista Veja ali na mesa". Declino do convite e lhe digo que trago a minha própria revista, a Carta Capital. Queria até lhe explicar dos motivos de não ler mais a Veja, mas achei antiprodutivo, pois pela forma como me ofereceu algo para ler, pelo visto, não entenderei que uma possui um tendência e outra navega em outros mares. Continuo lendo e ela insistindo em prosear, foi quando lhe disse que neste mês li exatos seis livros e que, pelas minhas contas, nem que chegue aos 80 anos de vida, não terei tempo de ler tudo o que já tenho na fila. Ela se assustou: "Seis por mês. Nossa, é só parar de comprar, que dá tempo". Digo não ter intenção nenhuma em parar de comprar e que na feira domingo, com duas bancas de livros, trouxe mais uns seis. E compro também muitos CDs, pois na promoção lá na feira, são 3 por R$ 10. "Irresistível", lhes digo.

Foi quando ela, começa a me contar algo, que no desenrolar e desfecho, fico não só de queixo caído, como prostrado e ciente mesmo, este mundo é pequeno demais, tudo dá enormes voltas e acaba voltando para perto da gente. "Seu Henrique, eu uma vez conheci um cara que gostava tanto de livros como o senhor. Meu marido tem uma pequena empresa de dedtização e fomos fazer um serviço numa casa, onde tinham livros e discos por todo o lugar, além de posteres e propaganda política, fotos de artistas. Detetizamos a casa, pois ele estava com mêdo dos cupins se adiantarem e comerem seus papéis. Não sei se o senhor o conhece, essa casa fica ali perto do CIPs, perto do Poupatempo, ali ao lado do rio Bauru". Achei muita coincidência e lhe perguntei: "Por acaso essa casa não ficava bem defronte aquele largo ali perto do CIPs onde montavam parques e circos?". Ela me responde que sim e sou obrigado a lhe dizer: "Este senhor que você foi com seu marido fazer uma dedetização foi a minha casa, que denominada de Mafuá. Ali fazíamos muitas festas, tinha meu cão Charles, livros e discos tomando conta de tudo. Perdi muita coisa por lá, devido enchentes e acabei por vender a casa e comprar um kitinete perto de onde moro, onde guardo bem menos da metade do que tinha antes".

Ela não acreditando e na hora ligou para o marido, me colocando para falar com ele. Não me recordava da fisionomia deles, mas claro, lembrava do dia quando lá estiveram, achando aquilo tudo um exagero e fora do normal. A partir daí, conversamos mais um bom bocado de tempo. Na verdade, não consegui ler a revista trazida, pois até o momento em que fui chamado para adentrar a sala do atendimento, a conversa fluiu sobre este assunto, ela encantada por ter me reencontrado desta forma e jeito, totalmente inusitada e neste novo serviço, iniciado há apenas um ano. Falamos também dessas coincidências trombadas que a vida nos proporciona vez ou outra. Anoto o telefone deles e digo que, desde que vendi a tal casa e mudei meu acervo para uma kitinete, já fiz uma dedetização, mas na próxima chamarei eles. Deu para perceber que, ela não lê nenhum livro por ano. Gostaria muito, disse a ela de incentivá-la e se possível, até indicar umas leituras. Ela me diz não ter tempo. Não insisti, não sei se o mesmo ocorre com ela, mas vejo tantos por aí, reclamando da mesma situação e na primeira horinha de folga, lá estão viciadas teclando algo pelo celular.

Foi isso, essa a história de hoje. A de que, numa cidade como Bauru - ou qualquer outra -, as coincidências ocorrem aos borbotões. Quando menos esperamos, estamos revendo pessoas e situações pelas quais nunca mais pensávamos em voltar a colocar os olhos. Essas duas histórias aqui contadas não são as únicas acontecidas comigo e envolvendo algo ocorrido lá atrás e com um desdobramento lá na frente. Tenho algumas aqui de memória, outras me lembrarei logo mais. De uns tempos para cá, quando me acontece algo assim, não sei porque cargas d'água, acabo sonhando sobre o assunto e quando me dou conta, lembrando de algo mais. Essa surpresa acontecida hoje me foi por demais grata. De alguma forma, ela reconheceu em mim, algo pelo qual tanto me empenhei a vida inteira, não só no quesito juntar livros e discos, mas também de repassar algo de bom, para quem segue me acompanhando mais de perto. Agora mesmo um baita amigo me pede, se não tenho para lhe emprestar o livro "Cem Anos de Solidão", do Gabriel Gárcia Márques. Sabe o que faço num caso destes? Não empresto, dou o livro. E depois, ele depois de lido que passe adiante, enfim, este o papel do livro. Seguir trilhas inusitadas. Tenho "N" histórias de livros que percorreram caminhos pela aí e depois, voltaram para a minha mão. Ou seja, tudo dá voltas e voltas.

ENCONTRO DE DUAS FERAS, PELO ESCRITOR JOSÉ ROBERTO TORERO
Eu estava em Turim e vi um restaurante que tinha um preço bem camarada. Tão camarada que estava quase completamente lotado. O “quase completamente é porque havia uma mesa com apenas uma pessoa, que estava em frente a uma imensa travessa de macarronada.
Fui até ele e pedi para me sentar.
– Claro. Aliás, se quiser dividir a conta, esteja à vontade. O prato é grande demais para mim.
– Negócio fechado! – respondi. Depois, me apresentei:
– Torero, muito prazer.
– Calvino.
– Calvino? Italo Calvino?
– Em carne, osso e óculos.
– Puxa, sou seu fã! – confessei. Acho “O visconde partido ao meio”, “O Barão nas árvores” e “O cavaleiro inexistente” sensacionais. São fábulas para adultos. Elas têm leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência.
– Minhas virtudes literárias preferidas.
– Eu sei. Também li “Seis propostas para o próximo milênio”.
– É o seu favorito?
– Não. O que eu mais gosto mesmo é o “Cidades invisíveis”. Achei demais a ideia de falar de cidades para falar de outras coisas!
– Se você diz...
– Gostei tanto que, de certa forma, até plagiei essa ideia.
– Opa! Vá se explicando.
– É que, quando meu filho era pequeno, comecei a contar histórias sobre castelos para ele dormir. Mas, na verdade, as histórias eram sobre tudo, menos sobre castelos. Depois, essas histórias viraram um livro, o “Castelos”.
– Título muito original...
– É o mais vendido da minha editora! Já lá se foram quase cinquenta mil exemplares.
– Cinquenta mil, é...?
– Sim. E ele ainda teve filhotes: o “Pontes”, o “Árvores”, o “Prédios” e, no fim do ano, o “Mapas”.
– Minha leitura foi bem lucrativa para você, não?
– Se foi! E ainda nem falei de “As bibliotecas fantásticas”, que usa microcontos sobre bibliotecas imaginárias para falar de leitura, livros, escritores, histórias, poder etc...
– Esse vendeu muito?
– Quatro mil, um número bem decente.
– Então, pelas minhas contas, você me deve mais ou menos...
– Uma macarronada e essa garrafa de vinho? – propus rapidamente.
Ele pensou um pouco, sorriu e respondeu:
– Uma macarronada e duas garrafas de vinho. Garçom, mais uma dessas!
#paposcomospapas

segunda-feira, 30 de março de 2026


A FORÇA DE UMA IMAGEM E DE UM PROCEDIMENTO...
Eu aqui confesso, sou por demais admirador do amigo Benedito Falcão, que com sua esposa, Luciana, ambos trabalhadores do sistema cartorial brasileiro, residem hoje na vizinha Piratininga e estão sempre pela aí, expondo como devemos agir diante de tudo o que acontece à nossa volta. Na tarde de ontem, domingo, vejo pelas redes sociais, como ambos se dirigiam para um passeio pelo Boulevard Shopping, com suas camisetas vermelhas e ostentando, garbosa e corajamente a insígnia do PT, consequentemente da reeleição de Lula.

Como até as pedras do reino mineral sabem, Bauru e todo o interior paulista é muito bolsonarista. Chegamos no último pleito e ter 80% de votos para o capiroto. Não sei se algo se repeteria hoje, diante de tudo o que foi descoberto e divulgado sobre os procedimentos nada democráticos da clã do seu jair - com minúscula mesmo. Creio ser mais do que possível, pois foi incutido na mente do povo que o bestial, o que lhe crava estacas nos costados é a sua salvação. Cegos e perversos, pois a maioria sabe dos malefícios, mas continua de forma vil apoiando a besta humana. Nunca chegaremos a se constituir numa nação realmente soberana, com essa mentalidade, tacanha e contra seus interesses.

Pois bem, diante de tudo isso, o casal sai de casa e circula por um shopping, com camisetas vermelhas e petistas. Coragem? Mais que isso. Creio eu, que faço o mesmo e regularmente, só saio de casa envergando algo no peito com a mesma mensagem, agir assim é a mais pura determinação de que, algo precisa ser feito para conter o avanço bestial dessa direitona fascista e também irracional. Neste momento, mais que todos, quando ocorrerá uma eleição, onde está sendo colocado à prova o que o país quer para seu futuro, se a subserviência de apoiar quem o destruirá, ou a única opção possível de resistir e continuarmos com chances de lutar por outro mundo possível.

Este casal me fortalece para continuar, como eles, saindo para as ruas expondo algo e assim, propondo um diálogo com quem estiver predisposto a fazê-lo. Compartilhar o que fazem é como, incentivar para que, façamos o mesmo, mais e mais. O Brasil precisa de nós, os ainda conscientes, para não só resistir, mas para nos doarmos com um algo mais. O momento exige isso e permanecer calados, contidos, escondidos, só contribuirá para favorecer que a bestialidade continue vicejando. Portanto, estou com eles e não abro.

domingo, 29 de março de 2026


FATOS E PESSOAS QUE SÓ A FEIRA DOMINICAL ME PROPORCIONA
Minha gente, tenham paciência comigo hoje. Voltei da feira - a do Rolo -, mais de 12h30, muito sol na moleira e só quero postar historinhas dos esbarrões e encontros fortuitos, alguns por querer, acontecidos no quadrilátero, considerado por mim como, "o espaço mais democrático" desta terra, antes denominada de "capital da Terra Branca", "terra do sanduíche bauru" e por último do "astronauta", um que foi pro espaço e pasmem, de lá nunca mais voltou. Algum tempo atrás, coisa de uns cinco anos, na entrada da Feira do Rolo, hasteada de forma pomposa e com a devida galhardia, a bandeira do Paraguai. Nada melhor do que assumir jocosamente, algo que lhe foi impingido, porém, não corresponde à verdade dos fatos. Quem lá frequenta sabe que, tudo por lá e muito mais original do que tanta bestialidade ocorrendo hoje em Bauru, vide os recentes acontecimentos políticos. Prometi ao pessoal da feira, arrumar uma nova bandeira, para não deixar a tradição se apagar e ser esquecida com o passar do tempo. As historinhas virão a seguir...

1.) A GRAZY foi durante um bom tempo uma espécie de Embaixadora da Feirado Rolo, reinando ali no principado do Bar do Barba, encruzilhada da Gustavo Maciel com a Julio Prestes. Não existiu sujeito sério que, não tenha por ali passado só para tomar uma cervejinha gelada e desfrutar da boa conversa dela proveniente. Ela morava ali perto, nora da escritora Isolina Brezolin Vianna, defronte aquele hotelzinho junto da entrada da Estação da Paulista, na quadra 1 da rua Agenor Meira. Comparecia num cortejo na feira. A feira dominical irradiava felicidade com ela ali presente. O tempo passou ela cansou e bateu asas. Sabe aquela máxima apregoando que, quando a gente é jovem, se aventura e sai por aí, mas depois, já com certa idade, isso não mais acontece. Pois bem, com ela isso não cola. Cansada de Bauru, resolveu lá com a família, filha já maior de idade, trabalhando por aqui, foi de mala e cuia morar lá em Cabo Frio, litoral fluminense. E agora, vez ou outra, volta, só para enfeitiçar, prosear com os sem coragem de ganhar o mundo. Hoje foi um dia destes. Ela circulou pela feira, cumprimentou tudo e todos, barraca por barraca e depois parou bocadinho na encruza, se benzeu e quando perguntada se volta, disse: "Quando volto fico uns 15 dias, mas o lado de lá é bom demais. Já me enturmei, agora por aqui, só mesmo a passeio". E assim, a legião de fãs pode se dar por contente. Grazy está irradiando felicidade e isso, pelo que se vê, é uma das melhores coisas deste mundo. E se ela está bem consigo mesmo, todos por aqui, os que a conhecem tão bem, nada têm para reclamar. Ela passou hoje como um raio pela feira e fez com que todos ficassem se perguntando: sempre é tempo de ganhar o mundo. Enfim, com ela deu certo...

2.) Quem conheci hoje na Banca do Carioca, o livreiro da Feira do Rolo é o DIRCEU COMINNI, professor aposentado de História da Arte, morador e agitador cultural da vizinha cidade de Agudos. Durante algumas décadas levou para turmas variadas de alunos, seus ensinamentos e junto disso, volta e meia, baixava aos domingos na famosa feira, tudo para se reabastecer com LPs, o famosos bolachões. Um dos locais onde mais gastou dinheiro por lá foi com o Carioca. Algumas vezes voltava com uma caixa, dessas de papelão cheias de novidades, pois mesmo com isso do LP estar inflacionado, com o Carioca tudo é possível, ainda comprando com algo mais do que no preço justo. Pela amizade e reciprocidade, o preço cai. Essa uma das particularidades do Carioca. Este me apresentou o Direceu e no papo que tivemos, eu me achava portador de uma bela coleção de bolachões, uns dois mil, entre os entra e sai. "Eu já passei da casa dos 13 mil. Fiz minhas próprias estantes, tudo num tamanho onde cabem mais. Agora, estou além dos discos, procurando mais um aparelho de som. Já tenho dois, mas quero mais um de reserva", começamos nossa confabulação. A conversa ia longe, o sol estava de rachar mamona e trocamos figurinha adoidado. Ele me conta particularidades do armazenamento e diz que, só agora, depois de aposentado, algumas vezes olha para aquilo tudo e chega a pensar em se desfazer de algo, mas quando bota mais um pra rodar, o som se irradia pela casa todo, pronto, esquece, como hoje, quando bateu saudade da feira, o Carioca e de ssaber se por lá não teriam novidades. Sempre tem. E assim, seu Dirceu volta novamente pra Agudos com bom carregamento de novidades, para se juntar as tais mais de 13 mil já catalogadas. Quem gosta de boa música, professor da coisa e arteiro por natureza, não fica sem aquela ecapulida, primeiro para respirar o bom ar proveniente das ruas e depois para fazer aquilo que está dentro de gente como eu e ele, aquela comichão, aquele formigamento que dá quando nso deparamos com um LP que ainda não temos. De algo eu tenho certeza, ele veio no lugar certo. Ele e Carioca são mais que conhecidos, amantes antigos, todos inveterados pelo gosto de ouvir música advinda dos inesquecíveis e insubstituíveis bolachões. Fazemos parte de uma legião.

3.) Ele é uma das pessoas mais simpáticas da feira dominical, pelo menos na sua parte baixa, envolvendo a rua Julio Prestes e a Feira do Rolo. ADILSON é vidraceiro profissional, dos melhores que já vi em atuação. O conheço da feira faz um tempão, sempre dando aquela força para o Barba continuar tocando seu bar em frente, ele e sua esposa, a faz tudo do portão para dentro, Neide Bincoletto, a que faz aqueles sucos todos, cheios de vitaminas e aditivos, vendidos depois numa barraca na quadra 1 da Gustavo. Ela lá dentro e ele do lado de fora do portão, grandão, uma das pessoas mais gentis que conheci na vida. Era até bem pouco tempo, o cartão visitas do bar, mas acabou se cansando e hoje, seu negócio é circular e recepcionar amigos na manhã de todo domingo. Tempos atrás, precisei de um vidraceiro, o conhecia da feira e nem imagina ser ele o cara que me indicaram para fazer um serviço meio complicado. Ligo na firma especializada e me dizem: "Fique tranquilo, vou te enviar o melhor". Quando abri a porta, além da surpresa, o melhor de tudo, Adilson trabalha muito bem, assim como conversa. Quem não trabalhou fui eu, pois só queria conversar. Semanas atrás estava chegando na feira e ao me ver de longe, me esperou na boca de entrada com um chopp na mão, tirado na perua instalada no local. Perguntei se era para mim e ele: "Isso é pra gente começar os trabalhos". E depois, todo mundo, quando nos reunimos, a Cúpula da Encruza, reunida na sombra de uma das barracas bem na esquina da Gustavo com a Julio Prestes, ele é o embaixador, o que recepciona todos e direciona os assuntos a serem discutidos no dias. Ou seja, é o dono da pauta. Adilson, com seus quase dois metros de altura é a cara mais simpática deste lugar, onde bato cartão todo domingo e quando falho, por algum motivo não compareço, ele é o primeiro, no domingo seguinte a me perguntar: "Tudo bem contigo, não faça mais isso. Quando faltar, avise, pra ninguém aqui ficar preocupado. Estamos entendidos?". E depois disso, um abraço e conversas que não terminam num simples domingo. Aqui numa foto com o advogado Marcos Alves de Souza e noutra comigo.

ALGO OBSERVADO NAS RUAS, DURANTE CAMINHADA DIÁRIA, ANTES DA IDA NA FEIRA
Este conglomerado de casas de madeira, creio eu, já foi um apart hotel ou algo parecido, depois local de treinamento de variadas empresas, culminando com a sua aquisição e utilização pelo grupo empresarial Paschoalotto. Sua localização é numa pequena rua, a João Bathista Garcia Filho com a Manoel Pereira Rola, entre a Brisola e a Henrique Savi, sendo por demais conhecida e querida por todos. Ali, como já disse, área pertencente a um grupo empresarial, daí posto aqui algo, como a boa recordação que tenho do local e que vejo ocorrendo no presente, ou seja, algumas das casas de madeira sendo derrubadas, indo ao chão sem nada em seu lugar. Talvez exista outros planos para o lugar, mas o que externo aqui é o sentimento de mais uma perda para Bauru, pois quando aquelas casas foram viabilizadas, numa área dita e vista como nobre na cidade, trouxeram espécie de aconchego para região e creio eu, agora seu ciclo de vida esteja laconicamente se encerrando.

sábado, 28 de março de 2026


A FÁBRICA DE TRENS EM ARARAQUARA E ALGO DO PASSADO, QUANDO LULA VINHA DE TREM NAMORAR NUM RAMAL DA DOURADENSE ATÉ BARIRI
Semana passada, o presidente Lula esteve, com todo o seu staff em Araraquara, para dentre outras coisas, inaugurar uma imponente fábrica de trens, parceria Brasil com a China. Esse é o futuro mais auspicioso que poderíamos ter, a retomada do modal ferroviário, algo abandonado com a criminosa privatização férrea, ocorrida durante o Governo de FHC, o das bochechas flatulentas. Bem antes disso, o país já tinha optado por abandonar o trem, para cair nos braços do ônibus, trocando o modal férreo pelo rodoviário. Foi um desastre. Tínhamos trens espalhados por todos os lugares do Brasil. Em São Paulo, a ferrovia cortava o estado inteiro, com denominações como essa, a Douradense, que circulava por pequenas cidades, como Bocaína e Bariri.

A história do trem no Brasil é para chorar e Lula em Araraquara relembra algo disso. Nos anos 60, ela saia de São Paulo, onde trabalhava como metalurgico e vinha atrás de sua primeira namorada, que morava em Bariri. Imaginem isso, o presidente Lula já percorreu os trilhos que, logo depois tiveram suas atividades encerradas. No trecho de Bariri, eu estive lá junto com o cartunista Carlos Latuff, em março de 2010, quando este vasculhava o interior em busca de vestígios de estações desaparecidas. Achamos entulho férreo da de Taboca, entre Bocaína e Bariri. Derrubaram tudo. Aqui o link de nossa incursão:
https://mafuadohpa.blogspot.com/search.... Em Bariri, a antiga estação ainda está em pé. Só ela, hoje transformada em órgãos municipais, mas os trilhos desapareceram faz décadas.

A história do Lula vivida em Bariri e algo de sua fala, sobre o que tínhamos no passado e perdemos, por causa de uma opção despropositada da classe política no poder no Brasil. Aqui em Bauru, tivemos uma espécie de imperador do poderio do lobby rodoviário, o ex-prefeito e deputado federal Alcides Franciscato, um dos próceres da derrocada do trem. Ou seja, tem muita culpa no cartório. Ele foi tão nefasto neste sentido que, em seu jornal, o JC, nada podia ser publicado que fosse em caráter positivo ao trem. Essa a mentalidade política que prevalesceu no país por muito tempo. Se bobear, é ainda hoje a predominante. É criminoso saber que tínhamos linhas cortando o país todo e perdemos a maioria delas. Aqui mesmo em Bauru, o mato toma conta de nossos trilhos urbanos e o trem, que foi a fonte de nosso progresso, é achincoalhado vez ou outra, com muitos defendendo sua retirada.

E daí, Lula lá de Araraquara, inaugura uma potente fábrica de trens, acordo entre Brasil e China, justamente com a empresa, maior fabricante de trens do planeta. Lula sabe e joga pesado na reativação da ferrovia. A direita não faria isso, não faz e joga contra, inclsuive por se tratar de parceria com a China. Pura burrice, tacanhice e pequenez política. Não tem como, o Brasil tem que, obrigatoriamente, refazer suas ferrovias. Não existe outra saída e neste momento, o custo será alto. E se vamos refazer, precisamos apontar o dedo para quem a destruiu. Faço isso e os taxo como criminosos. A nossa estação da NOB, a mais bonita do interior paulista, está lá, sofrendo com enchentes, sem drenagem na área e servindo para promessas de uma prefeita fundamentalista, que mente, serve aos interesses bolsonaristas e não quer saber de parcerias com o Governo Federal. Ou seja, ela é o próprio atraso.

Ouço a história do Lula, vivenciada em Bariri e meus olhos se voltam para o passado. A antiga estação de trem em Bariri (SP) foi inaugurada em 1911 pela Estrada de Ferro Douradense e desativada em 1966. Neste vídeo, algo da história da estação de Bariri, por onde Lula circulou nos anos 60, vindo atrás de sua namorada:
https://www.youtube.com/watch?v=qPgc_Oz4wK0&t=14s. Fugindo do tema da reativação férrea brasileira, fico a imaginar: Primeira namorada do Lula foi a Maria de Lurdes, ela morava em Bariri e faleceu no parto do primeiro filho do Lula. Que história, hem! Na qualidade de "historiador das insignificâncias", algo dessa natureza me move. E por que não mais uma ida até Bariri, onde trabalhei e morei por dois anos, dos 17 aos 19 anos, tudo para tentar levantar algo mais dessa história? A do fim da ferrovia já está devidamenete contada. A que vem agora, tendo lula como protagonista é refazer tudo, colocar este país novamente nos trilhos.

No Canal Gov, a reportagem completa da ida de Lula até Araraquara, "Presidente Lula visita fábrica de trens no Brasil, unidade da chinesa CRRC", onde aos 49minutos52segundos, ele cita quando ia até Bariri, de trem para se encontrar com sua namorada:
https://www.youtube.com/live/033IA2Ekd8c. O jornal Candeia, de Bariri, republica em seu site, uma história já contada por eles, a de Maria de Lourdes:
https://jornalcandeia.com.br/.../presidente-lula-conta.../


sexta-feira, 27 de março de 2026


SABEM ONDE FICA O CARNAVAL MAIS ANIMADO E PARTICIPATIVO DO INTERIOR PAULISTA? VOU LHES CONTAR...
Quem gosta de Carnaval de verdade vai atrás. Eu fui e conto aqui. A gente ouve dizer, não acredita e para ter certeza precisa ir conferir in loco, botando pés, cabeça, tronco e membros lá no lugar. E assim, depois de ouvir um boato de que, na pacata cidade de Taquaritinga, quase 200 km de Bauru, acontecia o mais agitado, animado e concorrido carnaval do interior paulista, precisava conferir. Essa cidade, ali entre Ribeirão Preto e Araraquara, já foi conhecida pela pujança na agricultura, com algumas indústrias, mas hoje, a maioria dos empregos não são mais provenientes da área industrial, pois a cidade perdeu as que tinha para outros centros da região. São 53 mil habitantes, algo bucólica e para quem chega, a primeira impressão é por ali prevalecer vida modorrenta, sem grandes atrativos. Confesso, essa foi a expectativa. Será, ali existiria condições para ser considerada diferenciada no quesito Carnaval?

Sem nenhum contato na cidade, a intenção era escarafunchar e descobrir. Nada previamente agendado. Numa das praças centrais, uma igreja com estilo gótico, bonita, um dos atrativos da cidade e noutra, um palco, com amplo espaço, onde acontecem eventos variados, como shows musicais e apresentações variadas. Num dos outros, algo me chama a atenção, a imponência de uma fachada. A aparência não enganava, ali funcionou um dos cinemas da cidade, permaneceu fechado por um bom tempo, depois restaurado pela Prefeitura Municipal e lá no alto, o letreiro, Cine São Pedro. Achei por bem começar a peregrinação por ali e me dei bem. Antes, quando chegava ao local algo me impressionou e tirei fotos. Algumas casas com pinturas bem coloridas e nelas a incrição, "repúblicas". Vi uma só faculdade funcionando no centro e me questionava: deve ser mesmo das boas, pois as repúblicas são muitas.

Na portaria do São Pedro, pergunto quem poderia me dar informações sobre o local e o Carnaval. Sou encaminhado ao 1º andar, para falar com um representante da Cultura, Gabozzo. Ele, Francisco de Assis Araújo Gabozzo, ou simplesmente Chico Gabozzo, 52 anos, como gosta de ser chamado, encontrava-se atrás de um computador, conversando com a Diretora de Cultura, Dayane Scardoeli, que educamente não perguntei a idade. Me apresento e digo ter ficado impressionado com o local. Eles me contam algo mais, não só deste mais de outros, como a igreja - minha primeira foto na cidade, quando pedi para um simpático transeunte, para tirar foto minha - e a festa de Corpus Christi. Evidentemente, tudo desandou para o Carnaval, o meu principal motivo para a conversa. 

Os dois, ficaram animados e passaram a me mostrar fotos, contar histórias e eu ali, boquiaberto, não acreditando no que ouvia. Então era verdade, Taquaritinga possui um Carnaval diferenciado, com ampla participação popular já mais de 40 anos, agitação não mais vista, pelo menos com a empolgação lá deles, em outras paragens. Confesso, eu também me empolguei e eles dois não pararam mais de me contar novidades. A primeira foi elucidando o negócio das "repúblicas". Eram casas alugadas o ano inteiro por foliões, tudo para o advento do Carnaval, os 5 dias onde a cidade, como ouvi do Garbozzo, "a cidade espera pelo Carnaval". A frase é por demais significativa e só o quesito das repúblicas, muitas delas, existindo quase com exclusividade para a a festa, aquilo me tocou profundamente, ou seja, estava diante de algo surreal, único, merecendo uma atenção mais do que especial de minha parte.

Gabozzo e Dayana me detalharam o algo mais da festa, bancada em sua maior parte na cidade pela Prefeitura, enfim, dos cinco dias, no pico, 40 mil pessoas festejam nas ruas o evento. "Onde isso se repete no momento, além de Rio, São Paulo, Salvador e Recife", pergunto. Tudo começa na sexta de carnaval, com o bloco "Espanta Gente", circulando por 100 metros, muitos fantasiados e muita criticidade. Descubro que, a maioria da festa converge, desemboca defronte o Bar do Tadao, um senhor de origem nipônica, ou seja, pasmem, como alguém poderia dizer, em Taquaritinga, tem japonês no samba. De sexta a sábado, por cinco dias seguidos, um trio elétrico, o Batatão, percorre duas ruas pincipais do centro da cidade, descendo a rua Campos Salles e, tudo se findando defronte o Teruo. O mais interessante é quando pergunto a ele, como tudo começou. "O povão queria festar e se concentrava defronte o clube da cidade. Não podiam entrar e a festa começou a acontecer do lado de fora. Tempos depois, essa festa não parou, o clube acabou fechando as portas e tudo foi ganhando corpo, ano após ano, se transformando na festa atual", conta. 

A festa está garantida nos cinco dias, sempre das 22 às 3 ou 4h da manhã. Um aparato é montado, até com helicóptero da Polícia Militar, monitorando e garantindo a segurança. Outra história interessante ouço da Dayane: "A Prefeitura tem um caminhão antigo, fora de circulação que é removido para o local da festa e nele instalado o som. Virou tradição. Dali, se propaga o som, tudo se iniciando com uma carretinha, depois numa perua Kombi e por fim, o caminhão". Nas ruas, são três trios, um com Axé, outro misturando axé e músicas carnavalescas e o último, o mais querido, com a Banda Matrix, com muitos metais e só marchinhas. Não são mais do que 700 metros, mas segundo contam, enquanto um está chegando, outros ainda nem saíram. E junto disso, um desfile no domingo e terça, na rua Prudente de Morais, oito agremiações, entre blocos e escolas de samba. Gabozzo ri pela minha cara de espanto e me diz: "entendeu porque nosso Carnaval é o maior do interior de São Paulo. Se não acredita, venha conhecer pessoalmente".Numa das esquinas, outro local colorido, num casarão antigo, a Rádio Massa, grande propagadora da festa, outro point de convergência dos acontecimentos da cidade. 

Disse mais, muito mais e cita o Secretário de Cultura, Jonathas Fidélis, que poderia, segundo ele me dar muito mais informações. Naquela tarde não consegui falar com ele, mas sei que, pelas fotos mostradas a mim pelos computadores da Cultura, tudo o que me falaram é a expressão do de fato ali ocorre. Dayane faz mais e circula comigo até defronte onde estão localizadas algumas dessas repúblicas. "Todas elas são legalizadas, documentação toda em dia, bombeiro e tudo o mais. Fazem parte da festa. Eu mesma já comandei uma delas. Representam peças chaves de nossa festa, pois aglutinam gente, envolvida o ano inteiro para que tudo dê certo e a festa tenha prosseguimento", conta. Quando indago ao Gabozzo se, depois de tudo, Taquarintiga é parada, me diz: "Parada? Acho que se vier, além de não ficar parado, vais querer voltar todos os anos. Está convidado". 

Perto da despedida cometo a indiscrição de dizer que, na volta para Bauru, passaria por Itápolis, a Cidade do Sorvete, saboreando um deles. Levo um puxão de orelha e sou levado até o Bar do Tadao, que além de reunir os boêmios da cidade, faz ele mesmo, outra especialidade da cidade, "o melhor sorvete da região". Provei, gostei e não consigo mensurar, pois gosto muito da iguaria, porém uma certeza, o japa é mesmo bom no que faz. Ele, como a maioria dos nipônicos, ri e quando comento a frase contida na camiseta de seu fincionário, "do encontro de um Visconde com um General, nasceu a esquina do Carnaval. Viva a democracia e a paz!", pergunta se a entendi. Sim, duas ruas centrais e tudo convergindo para seu bar, algo como um local histórico, espécie de patrimônio imaterial da cidade, assim como ele, proeminente personagem dos mais conhecidos na cidade. 

Deu para perceber que, quem circula na cidade e não dá uma passada pelo seu bar, deixa de conhecer a essência do lugar. Enfim, o Carnaval faz de Taquaritinga um lugar único e hoje, mesmo com a situação não lá muito boa das finanças, cofres meio que vazios, a festa é mais que mantida, pois segundo ouço, é uma das maiores fontes de sua atração turística e financeira. E mais, a cidade acaba de ser incluída no MIT - Município com Interesse Turístico, do Governo do Estado e isso, como é mais do que sabido, tudo se deve em grande parte por tudo ao representado pelo Carnaval para a cidade. 


quinta-feira, 26 de março de 2026


ALGUMA COISINHA DO SHOW DE ZÉLIA DUNCAN EM BAURU
Em primeiro lugar, algo repetido ontem na saída do show, caminhando para a rua junto da artista performática Larissa Zulian: "O que seria de nós, de nossa formação musical aqui em Bauru não fosse o SESC?". A constatação é de todos os que, como nós dois, tivemos uma excelente formação musical através dos tantos shos ali assistidos na rua Aureliano Cardia. Lembro até hoje do primeiro deles, o que inaugurou o SESC Bauru, João Bosco, quando me foi entregue um encarte com ilustração dele na capa e nas páginas seguintes, as letras do que cantaria. Desde então, confesso, sem necessidade de me torturarem, o SESC me salvou. Devo muito a ele. Nenhum outro lugar em Bauru propiciou tanto de Cultura nas últimas décadas como o ali acontecido. E, para felicidade geral desta cidade e região, tudo continua - com menor ímpeto, mas na mesma pegada - acontecendo.

Na noite desta quinta, 26/03, 20h, com o que se denomina de pontualidade britânica, algo pouco ocorrido quando se fala de shows na cidade, quem subiu mais uma vez ao palco principal do SESC, montado em sua quadra principal, foi a performática cantora e compositora carioca ZÉLIA DUNCAN. Dela, tenho mais de dez álbuns, entre LPs e CDs, todos ouvidos com a devida frequência. Zélia, diria, embala meus sonhos e o faz com muita maestria. Caiu nas minhas graças, não só pela busca de um quase irretocável repertório, mas pela sensibilidade com que toca sua vida. Ele tem um jeito peculiar, só seu, onde fica explícito agir como age, não por imposição do mercado, por querer forçar a barra e conquistar um nicho de pessoas mais descoladas, nada disso, mas simplesmente por ser a mais natural possível. Ou seja, Zélia é essa pessoa, transparente e emoviante, que se vê ali no palco e na vida real. 

Logo na entrada no palco, quandoi falou pela primeira vez com o público de Bauru, fez questão de ressaltar algo assim: "Eu sei, todos vocês tiveram um dia muito ruim hoje e então, vamos juntos tentar fazer algo para melhorar a coisa". Ela fazia referência à forte chuva que na noite anterior, em penas 20 minutos, destruiu boa parte da cidade, ou ao menos lugares por onde escorrem as águas das chuvas caídas por aqui. Seu jeito natural está longe de quem faz algo neste sentido para aparecer. Zélia se sente emocionada com a reação do público, cantando e vibrando com seu show, cujas canções, ela sabe, não são aquelas que todos cantam pelas esquinas. Mesmo assim, o ginásio praticamente lotado, cantou muitos dos seus refrões e de outros cantantes, como Rita Lee, Itamar Assmpção, Paulinho Moska e Cássia Eller. Nos intervalos de cada canção, ela expunha algo mais de seu jeitão descolado, sensível e muito humano. Impossível não se apaixonar.

Eu, burro velho e também velho lobo das estepes, não caio mais em ladainha de gente desqualificada, que sobe ao palco para impressionar e possuem duas caras, os tais lobos em pele de cordeiro. Com 65 anos nos costados, criei uma espécie de couraça e sei muito bem diferenciar o joio do trigo. Zélia é trigo puro, aquele que dizem é apartado dos demais, por ser não para exportação, mas para uso em ocasiões mais que especiais. E o mundo, saliento, precisa mesmo de artistas como Zélia, não só para direcionar as massas um tanto perdidas, mas para dizer que, ainda existe um caminho possível, trilhado com sangue, suor e lágrimas, mas com baita luz no final do túnel. Ouvia ela falar e pensei naquele momento, lá no meio da multidão, numa fala do Renato Teixeira, amigo pessoal do Sérgio Reis, mas muito descontente com ele. "Meu amigo é grande artista, belo repertório, canta muito, mas não tem cultura suficiente para prosseguir com o discurso que tem propagado. Tem sido bestial demais e o chamo a atenção. Nós, artistas, não podemos fazer o que o Sergião anda fazendo", disse. 

Zélia sabe onde pisa, o que fala, com quem anda e quando abre a boca, o faz sensatamente, incentivando as massas a prosseguir resistindo, enfrentando o touro a unha. "Gente, este show éw fruto de muito trabalho. O pessoal do SESC trabalha muito. Para um show deste acontecer, tem muito trabalho por detrás. E os lá de cima, ou os que dizem, fazemos poucos, precisam saber o quanto trabalhamos, nós todos, para levar este barco adiante", fez questão de ressaltar. Foi uma noite e tanto, dessas onde, depois de tantas agruras dos últimos tempos, nos traz alento, vontade de perseverar e resistir, continuar sendo essa aroeira que todos somos, aquela que enverga, mas não quebra. O mundo precisa muito de artistas como Zélia, que quando no palco, são naturais, não forçam a barra, mas arrebatam muita gente e exatamente pelo jeito como demonstram tocar suas vidas. Se existe gente a me influenciar, dentro deste cabedal de ditos influencers, quero mais e mais ser influenciado por gente como Zélia Duncan.

POSTAGEM DE ZÉLIA DUNCAN SOBRE O SHOW DE BAURU, NO SESC:
Ah, os quqrtos de hotel…amigos de longa data, ou , no mínimo, cúmplices frequentes das noites de depois. Os agitos ainda, devagar, abaixando seus volumes. Os rostos tantos começam a dar licença pro descanso e pro silêncio. O show em Bauru foi alegre e intenso. Eu saí do hotel com um pouco de sono, porque precisei sair ontem de noite e acordei cedo hj. Areia nos olhos, peso nas pernas. Preguicinha. Quando cheguei no ginásio do Sesc já fiquei feliz de ver a banda, abraços conversas, nossos códigos. Ensaio pré-show, que chamamos de passagem de som. Quando voltei pra valer, a plateia estava toda lá, o espaço fica lindo assim, vivo. E tudo faz sentido. As 4h de carro, o calor, o suor vira vitamina, os agudos chamam a letra, os graves botam tudo no colo. Obrigada a cada um. Consegui receber umas 70 pessoas. Há tempos não conseguia, por motivos diversos.
Cheguei no hotel, comi e resolvi gravar pro meu pai, que hj faria 95 anos. Ele se foi aos 90.
Seu Moreira, não há problema, a gente faz o que pode no fim das contas, não é? E colhe, na medida do que plantou. Essa conta raramente falha. Porque quase nunca fecha e assim é a vida. Sinto falta da sua voz que, cantava bonito…Obrigada, Bauru, por cantar pra mim e comigo. Por provocarem tamanha energia em mim. Que as águas baixem onde subiram demais. Deixo meu amor e gratidão pra vcs. Até breve, até sempre.

MINHAS GRAVAÇÕES DE VÍDEO NO SHOW:

E DEPOIS DO SHOW, VI UMA FILIAL DA "LAGOINHA" DEFRONTE O SESC
Bauru, como sabemos, copia tudo de bom e também, tudo de muito ruim que acontece Brasil afora. Na frente do SESC, rua Aureliano Cardia, algo ainda com as portas abertas, a tal da igreja da Lagoinha, a mesma que centralizava dinheirama escusa do Banco Master e de Daniel Vorcaro, o banqueiro fora dos padrões de qualquer normalidade. A igreja lá deles, do pastor fisiculturista Fabiano Zettel, movimentando e lavando imensidade de dinheiro, foi praticamente obrigada a fechar suas portas - sem devolver o lá investido. E em Bauru, algo como uma franquia - igrejas neopentecostais são isso hoje -, não sei a quanto tempo agindo e quando a vi, meia porta aberta, talvez também recolhendo e dando cabo de móveis e utensílios, pois quando a matriz fecha, as demais ficam sem o poder gerencial central, daí vão pelo mesmo caminho. Depois de tudo, será ainda conseguiam amealhar fiéis, adeptos e doadores incondicionais de grana viva? Se conheço bem Bauru, acho bem possível.