Eis meu último texto, de onde extraio considerações destes nove dias passados na capital paulista. Andei por todos os lados e quero aqui relatar algo de como é mais do que perceptível o tal do conservadorismo do povo paulista.
O motorista do Uber é um senhor de aproximadamente uns 65 anos, muito simpático e conversador. Falávamos de tudo e no meio da conversa, dia a ele ter vindo recentemente, algumas outras vezes, sempre rapidamente para Sampa e numa delas só para assistir no Allianz Park a um show de Gilberto Gil. O homem se transformou de uma hora para outra e rispidamente me disse: "Eu não assisto show deste comunista nem de graça". Levei um susto, pois se Gilberto Gil era comunista, até então eu não sabia. Pensei na melhor forma de continuar a conversa até o final da viagem sem altercações e mesmo já ciente de que a resposta poderia ser a pior possível, lhe disse: "Puxa não sabia que ele era comunista. Aliás, nem eu sei bem o que venha a ser isso. O que o senhor entende por comunista? Poderia me explicar, até para entender melhor". Ele, antes tão cordial, mudou o tom e me disse: "O sr é comunista como ele?". Preferi me calar, pois vi que, poderia ter a viagem interrompida e ser deixado no meio da mesma, num lugar incerto e não sabido. Me digam, existe como argumentar ou querer que pessoas como ele entendam o engano onde estão encralacrados?
Levei a mala para consertar num endereço famoso no centro paulistano, sendo atendido pelo filho do proprietário, herdeiro do pequeno negócio. Estávamos travando uma alvissareira conversa, ele me dizendo dos quase 50 anos de portas abertas, tudo iniciado pelo seu pai e coisa e tal. Foi quando, nem sei como levamos a conversa para o tema da política e assim sem mais nem menos, ele fez questão de deixar bem claro o lado que defende, sem que, em nenhum momento até então havíamos tocado neste assunto. "O país precisa ficar livre desse ladrão de nove dedos. Tá tudo ruim por causa dele". Vi que, se ousasse responder teria problemas e como havia pedido urgência no conserto, precisando da mala pronta em no máximo três dias, quando retornaria para Bauru, me calei. No retorno, mala pronta, valor combinado pago, eu tomo a iniciativa, após ouví-lo sobre os problemas do momento: "Sim poderíamso estar melhor, mas se o Bolsonaro tivesse sido reeleito, creio eu, nem este negócio iniciado por seu pai estaria mais aberto, pois o país estaria no fundo do poço". Foi o gancho para ele se ruborizar, se avermelhar e querer me demonstrar o indemostrável. Discutimos um pouquinho e pedi a ele para ter bom senso, pois nem relações internacionais normais tínhamos mais. Quando percebi, não existia nenhuma possibilidade de fazer ele enxergar algo diferente do que pensa, me despedi e fugi dali o quanto antes.
Na Convenção do PT que havia presenciado, peguei alguns bottons e num deles, que sai grudado em minha lapela semana inteira, a inscrição "Fim da Escola 6 x 1 Já!". A coisa ia passando batida em quase todos os lugares, mas num deles, o senhor na fila da padaria, final de tarde, eu comprando pãezinhos quentes, olha pra mim e diz não concordar com essa escala, pois "o país precisa de mais trabalho". Prosopopéia conservadora. Iria me calar, mas acabei por lhe dizer: "Meu senhor, fui bancário, sempre trabalhei na escola 5 x 2, depois como funcionário público a mesma coisa, como professor também. Qual o problema, se antes podia, por que agora não pode? Isso de querer que o trabalhador faça uma escravocrata escala de 7 x 0 é bom só para um dos lados. Escravidão é coisa do passado e isso nem é decisão política, mas de bom senso". Ele resmungou, mas a moça do caixa me agraciou com uma piscadela.
Na fila dos frios, dentro de um supermercado, peguei a minha senha e fui aguardar ser chamado. Em poucos instantes um burburinho de confusão junto das pessoas que estavam a pegar suas senhas. Um vetusto senhor, aproximadamente uns 70 anos, ao pegar a senha "124", se negou a pegá-la e estava esbaforido a gritar em alto e bom som: "Eu não quero essa senha de jeito nenhum. Este número não me representa. Sou muita macho". E ficou lá no patati patatá. Incrédulos, a maioria dos presentes à esdrúxula cena. Uma senhora ao meu lado, se dirigindo a mim: "Ainda existe isso? Isso me parece um caso de afetamento a demonstrar algo pronto para explodir, um desejo incontido". Ri e lhe disse: "Deve ser bolsonarista, no mínimo". Ela riu, ou seja, concordou.
Dos quatro exemplos vivenciado, algo bem representativo, nenhuma mulher. Todos os diálogos forma travados com homenes e duas mulheres se mostraram contrárias a algo em curso, daí a pergunta que não quer calar: Seria mesmo o homem muito mais conservador do que a mulher? E daí, estes já com a cabeça revirada e sem volta, pensam até em dar prosseguimento em ideia de jerico advinda de Donal Trump e dos perniciosos religiosos que o seguem, propondo que a mulher deixe de votar. Como a famiglia Bolsonaro diz amém para tudo o que Trump apregoa, creio, pensam do mesmo jeito, ou seja, da pior maneira possível. Vota neles só quem está mesmo já dominado pelo obscurantismo.
POSTERIORES COMENTÁRIOS:
1.) "Pois é seu Zé?!!! Modestamente, vejo esse estado de coisas, por ti relatado, meu preclaro HPA, como resultante duma lavagem cerebral sistemática, desde o final da década de 1950, quando os filhotes do tio sam, comandados pela poderosa mão de sião, tentam colonizar ou re-colonizar províncias sul-americanas, incluindo nosso maravilhoso país. Há cerca de 3/4 semanas passadas vivenciei situação parecida com sua (Uber), quando precisei de um carro para trasladar do Tauste até minha casa, e por causa dessa suprema ignorância sobre o comunismo, recebi um e-mail da operadora, pedindo explicações sobre meu comportamento dentro do veículo, e que eu havia infringido regras e normas da empresa, ou seja, o motorista sentiu-se ofendido por mim, gravou o diálogo e encaminhou para a administradora do aplicativo. Vida que segue...", MILTON EPSTEIN
2.) "A cidade de São Paulo votou Lula: 47,5% com votos da periferia, já o minto ficou com 38%, vc conversou com a classe média, homens mais velhos, típicos bolsominions", IZABEL CRISTINA RODONDO PINA
3.) "Não consigo compreender a falta de raciocínio... ACEFALIA ?????", ANA MARIA DE CARVALHO GUEDES

















