sábado, 4 de abril de 2026


crônica de uma morte anunciada
ELE É APENAS CANDIDATO, MAS JÁ SONHA EM COMO DISTRIBUIR EMENDAS
Eu tenho comigo, um dos cânceres destruindo a ação paralamentar dentro da Câmara dos Deputados é o que ocorre atualmente com as tais Emendas Parlamentares, corroendo tudo por onde passe. Por mim - e para o ministro Flávio Dino, do STF - existe uma única maneira de combater os trambiques: acabando com a obrigação de o Governo pagar as emendas. Neste momento, três parlamentares - todos do campo da direita fascista - já estão condenados pelo envolvimento em desvios variados, ou seja, a ação destes e de um percentaul grande deles faz uso indevido da grana, mistura o público com o privado, rouba descaradamente. Existe por lá um manto a encobrir a sacanagem e se chama "orçamento secreto". Se a coisa é secreta, o próprio nome já diz, mais difícil controlar a execução da dinheirama em circulação e então, a falcatrua corre solta. Este atualmente o painel das entranhas de Brasília. Por um lado, alguns tentando limitar e até extinguir o penduricalho e do outro, a festa e lobby muito forte, jogando pesado na sua continuação.

O Palácio do Planalto, no caso, o presidente Lula, perdeu o poder sobre parte enorme do orçamento graças à impositividade e aos bilhões de reais para emndas. Trata-se de um "sequestro orçamentário", um monstro com tentáculos para todos os lados e fortalecido, encorpado e fazendo de tudo - e mais um pouco -, para impedir que tudo volte ao normal, ou seja, que essa função distributiva de valores ocorra através do Governo Federal e não por quem é pago para fiscalizar e executar leis, não para distribuir grana. No quadro perdulário, informo que as emendas impositivas surgiram em 2015 e de lá para cá, os parlamentares aperfeiçoaram a forma como fazer chegar o dinheiro na ponta, inventando o mecanismo do PIX de distribuição de recursos, que nada mais é do que um modo de driblar dispositivos de controle. É mais que um absurdo o volume dessas emendas, já alcançando a cifra anual de 50 bilhões de reais. Daí, com tudo isso em curso, os escândalos têm duas causas: a montanha financeira e a falta de transparência. Tudo está minimamente interligado quando o assunto é essa grana, inclusive a influências nas próximas eleições em todos os seus níveis. Prefeitos beneficiados por emendas tornam-se cabos eleitorais dos legisladores padrinhos da remessa. Ou seja, a perdição é completa, atingindo todos os níveis. 

Todo o país está ciente destes procedimentos. Têm quem se aquiete e se beneficie e tem quem grite contra, enfim, a clara percepção da grana sendo desviada e usada indevidamente. Diante deste quadro, ouço dias atrás uma entrevista no programa matinal da 96FM de Bauru, quando o jornalista João Jabbour e o economista Reinaldo Cafeo (sic) entrevistam um candidato bauruense, peleiteando vaga na Câmara dos Deputados, ou seja para deputado federal, Nelson Dabus (PSDB), sobrinho-neto do ex-deputado estadual por Bauru, o também médico Abrahim Dabus. O programa sonda como pensa e age quem pleiteia chegar lá e o jovem médico, deixar claro pertencer à direita, informando não possuir afinidade nenhuma com nada que se mostre "esquerda". Nisso já limita o diálogo, pois determina onde estará se eleito e sem possibilidade de diálogo, ou seja, nada acrescentará no campo do necessário diálogo. Se mostra mais um dos a agir no limitado campo hoje do ódio como mola mestra de suas ações.

Isso posto, Cafeo se aproveita para, em todos os momentos continuar na ladainha agressiva contra o Governo Federal, algo onde prevalesce muita fake news como informação. Para ele, quem deveria estar sendo investigado no momento quando o tema são os desvios de grana no rombo da Previdência é o filho do Lula, citado o tempo todo e não os já comprovados como ladrões. Ou seja, como até as pedras do reino minela sabem, repassa para quem os ouve, informação truncada e falsa da verdade. Jabbour fica mais na sua e não entra nessa, mesmo quando cutucado: "Você que já foi do campo da esquerda, não acha isso um absurdo?". O também diretor do JC, jornalista de velha cepa, trabalhando num meio sabidamente de direita, sabe se esquivar e tenta recolocar na conversa nos eixos, pelo menos com menos abusiva tendência falaciosa. E na continuidade da conversa, onde o médico é questionado sobre como agiria se eleito, uma das suas ações é justamente já pensando em como fará a distribuição das emendas. Chegou a dizer, que poderiam ser repassadas para este ou aquele lugar, onde existe deficiência de recursos e coisa e tal. Fiquei só ouvindo e chego na conclusão mais óbvia: não só ele, mas muitos do que pleiteiam chegar lá, já pensam em como será feita a distribuição daquele imenso montante de grana. 

Existe muita pouca disposição para uma efetiva ação parlamentar, mas sim, para dar continuidade neste penduricalho, que denomino de monstro ou no simplescombate a tramoias. São muito poucos os que, pensam em chegar lá é botar uma lupa no desarranjo institucional causado pelo impositividade da utilização dessas emendas. Do tal do Dabus, que até pelo sobrenome herdado, não pensa em começar sendo vereador, mas já se acha com cabedal para salto mais alto, nenhuma surpresa. Faz parte dessa elite, não só bauruense, mas nacional, não chegando para mudar nada, mas para fazer parte do jogo. Não digo que esteja com ruins intenções, mas será mais um político dentro deste quadro dos que passam batidos, sem expressão e não dizendo a que vieram de fato. Diante do agravamento da situação, com tanta gente envolvida em cosias escusas eu me atento ao discurso de quem propõe algo contra tudo o que está aí e nunca para quem já pensa em como se utilizar do que já existe. Na verdade, Bauru continua com uma lista de candidatos para nossas casas legislativas, sejam estaduais ou federais, muito fraca. Não voto em gente assim, pois não acresecenta nada. Este tipo de entrevista desnuda as pessoas. Eu faço parte dos que entendem que as emendas precisam ser muito limitadas, controladas e se possível até extintas. Que tal repetir a mesma pergunta para todos os postulantes a cargos eletivos hoje, inclusive vereadores. Legislar e fiscalizar é bem outra coisa. Bauru segue muito fraca no quesito candidatos para cargos futuros e assim sendo, continuo votando em pessoas e propostas bem diferentes das atuais já expostas. 
 

sexta-feira, 3 de abril de 2026


PRECISAMOS FAZER ALGUMA COISA...
Tudo bem, já que o mundo anda desajustado até não mais poder, nada como tentar fazer algo pelas vias anormais. Daí, bolamos um plano em conjunto para trapacear algo pela frente, tipo eleições, contas futuras e compromissos médicos. Já que o mundo não vai mesmo ter jeito, a maneira encontrada para tentar passar bons momentos é usufruir do alheio. Os EUA já estão praticando isso há algum tempo e, como temos visto, os danados estão se dando bem. Roubaram descaradamente o petróleo da Venezuela, num ato de pura pirataria e agora, sob o comando deles toda a produção do ouro negro lá daquele país. Foi um ato muito bem planejado e execução perfeita, diria mesmo, cinematográfica. E se com eles deram certo, nada como tentar também a sorte e executarmos, nós os adentrando a dita Terceira Idade, como Donald Trump, grandes assaltos, se locupletando de algo alheio. Se com eles, vejo poucos condenando o ato artbitrário de rapinagem, isso quer dizer que daqui por diante tudo está literalmente liberado. Assim sendo, creio devemos traçar um plano para adentrarmos o lucrativo negócio da expropriação alheia. Que acham da ideia? 

No cinema, estão dando neste momento, com apresentações diárias no Boulevard e Bauru Shopping, aulas de como ser bem sucedido, aos interessados, como eu, em adentrar o novo ramo de negócios. Iremos aprender este algo mais logo mais, sessão neste começo de noite no Boulevard Shopping Bauru, 19h30. Aliás, como nos ensinam os norte-americanos, a cada dia de forma mais escrachada e explícita possível, antes tarde do que nunca. Podemos começar a exercitar a concorrência com eles. Estou muito propenso a aderir de mala e cuia, pois como estamos observando, os riscos de dar errado são mínimos, tanto que o próprio EUA já querem expandir os negócios para Cuba, Colômbia, México, Paraguai, Argentina e, é claro, o Brasil. Já nos seus planos acabar com o PIX brasileiro e valorizar a expropriação patrocinada pelas bandeiras dos cartões de crédito norte-americanos. Ou seja, precisamos também bolar umas jogadas bem sacanas para lesar o alheio, pois pelo que vemos, isso é o negócio do momento. Esse negócio de levar uma vida pacata, sem sobressaltos e adrenalina é coisa do passado. Topam? Negócio garantido, praticamente sem riscos, tudo com a chancela dos irmãos do Norte, o todo poderoso EUA. Com o aval deles tudo é mais fácil. Velhinhos unidos jamais serão vencidos.

ESTAMOS BOLANDO UM INFALÍVEL PLANO...
Eu faço parte do time dos que precisam, depois de certa idade, de muito estímulo para ir tocando a vida pra frente. Pois foi em busca disso que, na noite deste feriado de sexta, eu instigo outros iguais a mim e em quatro adentramos o Boulevard Shopping, para assistir e ser provocado pelo instigante filme "Velhos Bandidos", uma produção com a cara deste Brasil irreverente e perspicaz, no qual estou inserido dos pés à cabeça. Digo precisar de estímulos e toques, pois na vida atual, o que mais se vê são os vivendo como manadas, seguindo como gado no pasto, estímulos que o levam com o flautista de Hamelin fazia, levando-os todos para o desfiladeiro. Eu e estes três da foto, fazemos parte dos que não aceitam, não querem e vão em busca de outras possibilidades.
E fomos, não só se inspirando pelo que vimos na tela grande, mas em tudo o mais na vida. Não nos deixamos levar pelo canto da sereia golpista, ou mesmo fascista. Ousamos e remamos contra a maré. Eu, de minha parte, digo mais, se preciso for - e acho já estar chegando a hora -, de fazer mais do que uma loucura, em prol de não permitir que o país se deixe levar pela onda conservadora. O filme foi só um belo pretexto para o encontro deste mafuento HPA, com sua companheira de todas as horas, a professora Ana Bia, essa única na ativa, pois as outras duas, garbosamente, como eu, já devidamente aposentadas, Fátima Brasília, como bancária, da extinda NCNB - Nossa Caixa Nosso Banco e Rose Maria Barrenha, psicóloga das boas, atuando uma vida inteira nas hostes da Prefeitura Municipal, uma das partícipes da criação da Luta Antimanicomial.
A gente, quando provocados pelo filme, estávamos não só em busca de diversão. Ela veio facilmente com o filme, mas mais do que isso, a intenção era se inspirar para fazer algo, um assalto que o seja, para conseguir tocar altivamente a vida adelante. A ideia do assalto, que não é de toda ruim, tocada pelo diretor do filme, envolvendo dois ótimos atores, Fernanda Montenegro e Ari Fontoura, quase 100 anos de vida cada, nos faz rir, mas pensar muito. Ou seja, a gente não pode desistir de nossos sonhos, estejamos com a idade que for. Sempre haverá uma forma, um jeito e uma maneira de ser, fazer e acontecer. E se, para tanto, tivermos que nos juntar, associar ou mesmo provocar, os mais jovens para ir no embalo, que assim o seja. Neste sentido, o filme é ótimo, pois os dois velhinhos sabiam que, sózinhos dificilmente conseguiriam realizar o intento, daí deram um jeito de se juntar a um casal, muito mais jovens e até um policial, concretizando o intento com sucesso. Maravilhosa ideia para sair do casulo onde nos encontramos e na lida e luta, buscarmos outras saídas e possibilidades.
E depois, como ninguém é de ferro, nos juntamos os quatro numa pizzaria e demos continuidade aos planos iniciados com a ideia de ir ao cinema e de ser provocados. Ou seja, traçamos planos, riscamos papéis, quase fundimos a cuca e na conclusão pensada, nada melhor do que, nos unir a mais pessoas. Bolamos onde e como poderíamos ser úteis e fazer algo muito diferente, talvez até numa real e divinal transformação de nossas vidas. Chegamos na conclusão - com a ajuda de alguma cevada - que, nada melhor do que pensarmos juntos e a partir daí, colocar o bloco na rua e, mesmo flocando, errando, dando com os burros n'água, não desistirmos. E assim será feito, ou seja, aguardem novidades. Quer se juntar ao grupo? Confesso, o plano é bom, diria mesmo perfeito e só em quatro não daremos conta. Enfim, acreditamos que um outro mundo é mais do que possível.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

CENA BAURUENSE (275)


voltamos
DEPOIS DE LONGO INTERREGNO, COMO ENCARO O QUE VEJO PELAS RUAS BAURUENSES
01. Publicado em 11.12.2025: Essa, a localizada na avenida Marcos de Paula Rafael, coração do Mary Dota, bem defronte o supermercado Confiança, mais uma das tantas bancas, antes vendendo jornais e revistas. Hoje, não se vê mais nenhum destes, pois até o Jornal da Cidade, antes diário, hoje semanal, sumiu destes locais e seus proprietários para continuarem de portas abertas vendem de tudo um pouco, num malabarismo e contorcionismo bem usual neste tipo de pequeno comércio de rua.

02. Publicado em 12.12.2025: Impossível passar pela vila Santa Luzia, numa esquina da rua Antonio A. de Faria e não cantarolar algo do Wilson Simonal de antanho: "Vesti azul, minha sorte então mudou...".

03. Publicado em 13.12.2025: Uma das cenas mas inadmissíveis do planeta, se repetindo aqui e alhures. A luta de uma vida inteira de milhões de pessoas é para não mais continuar vendo cenas como essa se repetindo mundo afora.

04. Publicado em 14.12.2025: Bauru padeceu neste domingo com uma intensa chuva, com alagações múltiplas e variadas. A chuva perdurou até por volta das 16h e dentre todas as fotos de alagamentos, eis essa, cuja autoria não consegui identificar, feita depois de todos os estragos, tirada lá na Comendador Joaquim da Silva Martha, rotatória depois dos trilhos férreos, com alguém juntando todas as placas de veículos que por ali tentaram atravessar a água no seu período mais crítico e como resultado foram perdidas. Na legenda dizia que, elas estão lá expostas e a disposição de seus respectivos prioprietários. Num dia de chuva forte, quem está nas ruas vê de tudo e também está sujeito a tudo.

05. Publicado em 16.12.2025: Assentamento urbano Primavera, localizado ao lado do cemitério Cristo Rei, visão ampla, do alto para baixo.

06. Publicado em 17.12.2025: Na Nações Unidas, defronte Confiança Flex, uma placa, instalada pela UDEMO - Sindicato Magistério SP - tenta alertar incautos dos malefícios da reforma administrativa e o que se passa de fato com o desmonte da Educação patrocinado pelo desGoverno de Tarcísio de Freitas. E fica a "confiança" que, com luta e mobilização tudo pode mudar.

07. Publicado em 19.12.2025: O nome do colégio privado localizado ali na rua Inconfidência, defronte o Poupatempo pode ser Athena, porém no imaginário popular nunca vai deixar de ser chamado como Colégio La Salle, fechado já algumas décadas.

08. Publicado em 21.12.2025: Eis uma verdadeira lei com a cara brasileira de quem presta atenção no povo, num todo. Isso não existe, por exemplo, no gigante Estados Unidos da América, lugar onde o dinheiro está acima de tudo e todos. Lá quem não tem, vale nada. Aqui a legislação obriga - pelo menos a lei de 2022, diz isso - qualquer hospital ao atendimento emergencial, como presenciado na placa, instalada bem no saguão do Hospital Unimed, bairro Aimorés, rodovia sentido Pederneiras/Jaú.

09. Publicado em 25.12.2025: Pode chover ou fazer o maior sol do mundo, como hoje, ser o feriado que for, como o de hoje, mas lá no cruzamrnto da avenida Nações Unidas com a Nuno de Assis, sempre existirá os que, saem de suas casas dispostos a fazer algum, levantar algum, para tentar proporcionar um dia mais altaneiro para ele e os seus. Lá no meio da rua, entre os carros, um destes e oferecendo aquilo tudo que a gente não precisa, mas acaba comprando, para propiciar que a roda continue girando, não como a gente queria, mas girando.

10. Publicado em 26.12.2025: Foi nessa esquina, Maria C. de Arantes com São Gonçalo, bem do lado dos muros do Tiro de Guerra, que aconteceu hoje o mais recente feminicídio na cidade de Bauru. Uma moça residia numa kitinete com sua criança, tendo medida protetiva contra o ex-marido. Agredida constantemente, se recuperava da última, mudando constantemente sua residência, porém foi por este descoberta. Tiveram na esquina uma discussão, ouvida pelos vizinhos e foi ali executada, com um tiro certeiro. Ele, na sequência, foge com a criança. Eu, mana Helena e o filho Henrique, passávamos pela região, quando nos deparamos com a cena momentos após o ocorrido. O corpo estava no chão, a polícia ainda não havia chegado. Vizinhos estavam consternados, câmaras registraram a fuga e presenciamos a chegada dos primeiros policiais. Daí, em momentos uma grande caçada pela região, até com uso do helicóptero da corporação. Tudo muito rápido, girando com muita adrenalina em nossas cabeças e na de todos os presentes. O fato é que, nessa pacata esquina, ocorre mais um brutal ato de feminicídeo neste país. Todos brutais, banais e insanos, representando bem como somos no geral, um povo já somatizando essas barbaridades e atrocidades, como atos corriqueiros. O cara perseguia sua vítima, ela tinha a medida protetiva a seu favor, mas isso é pouco diante da mente desvirtuada, doente e criminosa de muitos homens, passando por cima de tudo para fazer vingar seu bestial instinto. A chuva do final do dia lavou todos os resquícios do local, mas não apagará da mente de quem presenciou a cena, o horror que precisamos encarar e reverter a todo custo. Mulheres não podem continuar sendo eliminadas desta vil forma. Barbaridades que nos mancham a todos e só se reveterá com uma ampla ação coletiva contrária e também elucidativa, denunciando e não deixando passar, não tratando como normais atos tão indignos da ação humana.

11. Publicado em 27.12.2025: Na Bauru sendo depenada por todos os lados e sentidos, a simples existência de um bosque em sua periferia, mais precisamente no Jardim Silvestre, ao lado do Mary Dota é um alento, porém, deve permanecer desconhecido e funcionar sem alarde, pois do contrário, o setor responsável (sic) pelo meio ambiente na cidade pode querer decepar mais algumas espécimes, tudo para manter o índice elevado, o percentual de mais destrutivos do estado tarcisista.

12. Publicado em 29.12.2025: Ele é desconfiado, com toda a razão e pela foto, dele e de sua bicicleta, percebe-se possuidor de histórias relevantes e contagiantes, dessas muito mais interessantes que a de qualquer político do momento atual bauruense. Ir tentando se aproximar, falar sobre os quilometros rodados ao longo de tão turbulenta e atribulada vida, me faz continuar tentando, pois são essas as pessoas, consideradas por mim, como as mais interessantes destas plagas.

13. Publicado em 30.12.2025: Bauru não é cidade conhecida por ter obras de artistas expostas pelas ruas. Temos poucas e uma destas, está lá no Bosque da Comunidade, podendo ser visualizada da rua Saint Martin, porém, nenhuma placa indicativa de sua autoria e importância artística.

14. Publicado em 31.12.2025: Observando a passagem do ano com a devida singeleza que a data exige, a reverencio com tudo o que possa estar representado nesta foto, cruzamento da Olavo Bilac com José Bonifácio, coração do Bela Vista.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE


EIS A DÚVIDA, VOU OU NÃO VOU? SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME
No Guardião deste mês, o foco de seu comentário principal é para algo que, muito provavelmente irá acontecer nos próximos dias com os rumos políticos da incomPrefeita bauruense Suéllen Rosin. Ela não deve estar conseguindo dormir direito, atormentada pelo dilema destes dias: "Ser ou não ser, eis a questão", ou melhor "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". 

O intrépido super-herói bauruense explica: "A data máxima para ocorrer a saída dos cargos, para todos os políticos interessados em disputar novos mandatos na eleição deste ano se encerra dia 04/04 e assim sendo, Suéllen sabe que, seus dias estão contados. Comenta-se muito pela famosa Rádio Peão que, ela precisaria muito de um mandato, para obter com ele algum sossego, com o que se denomina de foro privilegiado. Do contrário, pelo conjunto da obra, ou pela quantidade de ações como mandatária bauruense, muitas delas mais do que discutíveis, estaria correndo riscos certos de ter problemas com o Judiciário. Será? É o que dizem e na mesma Rádio Peão, citam uma extensa relação de possibilidades neste sentido. Daí, o comentário principal é de que, ela jogaria toda sua força política para conseguir se eleger como deputada federal no próximo pleito".

Este um dos tantos comentários enevolvendo a mesma questão. "Ficar para que, sendo este seu último nadato como alcaide municipal? Este outro grande questionamento, também muito comentado na cidade. Comenta-se que, se sair, sua administração desanda e o vice não aguentaria o rojão de defendê-la mais a contento. Se ficar, defende sua administração até o último minuto e não teria como concretizar o tal do foro privilegiado. Ou seja, como estamos hoje adentrando o mês de abril, daqui há exatos quatro dias, encerra-se o prazo para ela decidir lá com os seus, se fica ou se vai. Eis o dilema, ser ou não ser", prossegue jocosamente Guardião.

Na cidade circulam muitos outros comentários sobre como ela encaminharia seu sucessor. Guardião tenta juntar tudo o que ouve nos seus contatos e aqui os explicita: "Suéllen sabe que, não sendo ninguém do seu clã familiar o escolhido por ela para concorrer à prefeito na próxima eleição, corre o risco de encerrar o ciclo político dos Rosin na cidade de Bauru. Alguém em sã consciência acha que, se Mandaliti, Raul ou qualquer outro que concorra for eleito, irá dar algum tipo de continuidade no domínio do clá Rosin na cidade? E quem ela tem para indicar dentro de sua família? Só três possibilidades, o pai, a mãe ou o marido. Sentiram a encruzilhada onde está enfronhado os destinos dos Rosin em Bauru? Tem muita gente rindo de orelha a orelha. Todos sabem que, a maioria conseguida lá na Câmara se esvairá como pó no deserto, cada um se aproveitando maravilhosamente do atual momento, mas nenhum fará esforço algum ou colocará em risco o futuro político, diante de cenário tão incerto. E junte-se a tudo isso, a aproximação do dia 4, quando estará tomando uma decisão, seguindo por um caminho ou descaminho que, a levará para um cargo eletivo ou para o encerramento do ciclo político dos Rosin em Bauru".
OBS.: Guardião é obra do traço do artista Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA.

AS GRANDES MENTIRAS DESTE 1º DE ABRIL

terça-feira, 31 de março de 2026


O MUNDO DA VOLTAS E BAURU É UM OVO
Eu tenho "N" histórias comprobatórias de que este mundo é mesmo um ovo. Inesquecível para mim, quando estudando na USC, universidade católica, recebíamos aulas de Educação Religiosa, aos moldes do Catolicismo. Quem dava aulas era um padre, que depois vi, chegou a ter cargo importante na igreja em Nova York. Ele muito centrado nas aulas, exigindo de todos uma contrição, que não podia ser possível, pois éramos - não deixei de ser - rueiros demais, ou seja, vivenciávamos, mesmo antes da ditadura militar, que era católica, o tal do Estado Laico. Eu, sempre festeiro, num dos Carnavais, vou pular no Rio de Janeiro, provavelmente excursão do Guilberto Carrijo. Estou eu lá em plena Cinelândia, festa por todos os lados, quem eu vejo desfilando na minha frente e abraçado com uma linda mulata? Sim, isso mesmo, exatamente o padre que ministrava as aulas mais carolas na USC. Ele me viu e eu o vi, nunca conversamos sobre o assunto, mas as suas aulas foram amainadas desde então.

Isso aqui só para introduzir em algo ocorrido comigo no dia de hoje. Fui à dentista, chego pouco antes e como sempre, levo algo para ler. A atendente, senhora simpática, puxa conversa e me diz: "O senhor gosta muito de ler, pegue uma revista Veja ali na mesa". Declino do convite e lhe digo que trago a minha própria revista, a Carta Capital. Queria até lhe explicar dos motivos de não ler mais a Veja, mas achei antiprodutivo, pois pela forma como me ofereceu algo para ler, pelo visto, não entenderei que uma possui um tendência e outra navega em outros mares. Continuo lendo e ela insistindo em prosear, foi quando lhe disse que neste mês li exatos seis livros e que, pelas minhas contas, nem que chegue aos 80 anos de vida, não terei tempo de ler tudo o que já tenho na fila. Ela se assustou: "Seis por mês. Nossa, é só parar de comprar, que dá tempo". Digo não ter intenção nenhuma em parar de comprar e que na feira domingo, com duas bancas de livros, trouxe mais uns seis. E compro também muitos CDs, pois na promoção lá na feira, são 3 por R$ 10. "Irresistível", lhes digo.

Foi quando ela, começa a me contar algo, que no desenrolar e desfecho, fico não só de queixo caído, como prostrado e ciente mesmo, este mundo é pequeno demais, tudo dá enormes voltas e acaba voltando para perto da gente. "Seu Henrique, eu uma vez conheci um cara que gostava tanto de livros como o senhor. Meu marido tem uma pequena empresa de dedtização e fomos fazer um serviço numa casa, onde tinham livros e discos por todo o lugar, além de posteres e propaganda política, fotos de artistas. Detetizamos a casa, pois ele estava com mêdo dos cupins se adiantarem e comerem seus papéis. Não sei se o senhor o conhece, essa casa fica ali perto do CIPs, perto do Poupatempo, ali ao lado do rio Bauru". Achei muita coincidência e lhe perguntei: "Por acaso essa casa não ficava bem defronte aquele largo ali perto do CIPs onde montavam parques e circos?". Ela me responde que sim e sou obrigado a lhe dizer: "Este senhor que você foi com seu marido fazer uma dedetização foi a minha casa, que denominada de Mafuá. Ali fazíamos muitas festas, tinha meu cão Charles, livros e discos tomando conta de tudo. Perdi muita coisa por lá, devido enchentes e acabei por vender a casa e comprar um kitinete perto de onde moro, onde guardo bem menos da metade do que tinha antes".

Ela não acreditando e na hora ligou para o marido, me colocando para falar com ele. Não me recordava da fisionomia deles, mas claro, lembrava do dia quando lá estiveram, achando aquilo tudo um exagero e fora do normal. A partir daí, conversamos mais um bom bocado de tempo. Na verdade, não consegui ler a revista trazida, pois até o momento em que fui chamado para adentrar a sala do atendimento, a conversa fluiu sobre este assunto, ela encantada por ter me reencontrado desta forma e jeito, totalmente inusitada e neste novo serviço, iniciado há apenas um ano. Falamos também dessas coincidências trombadas que a vida nos proporciona vez ou outra. Anoto o telefone deles e digo que, desde que vendi a tal casa e mudei meu acervo para uma kitinete, já fiz uma dedetização, mas na próxima chamarei eles. Deu para perceber que, ela não lê nenhum livro por ano. Gostaria muito, disse a ela de incentivá-la e se possível, até indicar umas leituras. Ela me diz não ter tempo. Não insisti, não sei se o mesmo ocorre com ela, mas vejo tantos por aí, reclamando da mesma situação e na primeira horinha de folga, lá estão viciadas teclando algo pelo celular.

Foi isso, essa a história de hoje. A de que, numa cidade como Bauru - ou qualquer outra -, as coincidências ocorrem aos borbotões. Quando menos esperamos, estamos revendo pessoas e situações pelas quais nunca mais pensávamos em voltar a colocar os olhos. Essas duas histórias aqui contadas não são as únicas acontecidas comigo e envolvendo algo ocorrido lá atrás e com um desdobramento lá na frente. Tenho algumas aqui de memória, outras me lembrarei logo mais. De uns tempos para cá, quando me acontece algo assim, não sei porque cargas d'água, acabo sonhando sobre o assunto e quando me dou conta, lembrando de algo mais. Essa surpresa acontecida hoje me foi por demais grata. De alguma forma, ela reconheceu em mim, algo pelo qual tanto me empenhei a vida inteira, não só no quesito juntar livros e discos, mas também de repassar algo de bom, para quem segue me acompanhando mais de perto. Agora mesmo um baita amigo me pede, se não tenho para lhe emprestar o livro "Cem Anos de Solidão", do Gabriel Gárcia Márques. Sabe o que faço num caso destes? Não empresto, dou o livro. E depois, ele depois de lido que passe adiante, enfim, este o papel do livro. Seguir trilhas inusitadas. Tenho "N" histórias de livros que percorreram caminhos pela aí e depois, voltaram para a minha mão. Ou seja, tudo dá voltas e voltas.

ENCONTRO DE DUAS FERAS, PELO ESCRITOR JOSÉ ROBERTO TORERO
Eu estava em Turim e vi um restaurante que tinha um preço bem camarada. Tão camarada que estava quase completamente lotado. O “quase completamente é porque havia uma mesa com apenas uma pessoa, que estava em frente a uma imensa travessa de macarronada.
Fui até ele e pedi para me sentar.
– Claro. Aliás, se quiser dividir a conta, esteja à vontade. O prato é grande demais para mim.
– Negócio fechado! – respondi. Depois, me apresentei:
– Torero, muito prazer.
– Calvino.
– Calvino? Italo Calvino?
– Em carne, osso e óculos.
– Puxa, sou seu fã! – confessei. Acho “O visconde partido ao meio”, “O Barão nas árvores” e “O cavaleiro inexistente” sensacionais. São fábulas para adultos. Elas têm leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência.
– Minhas virtudes literárias preferidas.
– Eu sei. Também li “Seis propostas para o próximo milênio”.
– É o seu favorito?
– Não. O que eu mais gosto mesmo é o “Cidades invisíveis”. Achei demais a ideia de falar de cidades para falar de outras coisas!
– Se você diz...
– Gostei tanto que, de certa forma, até plagiei essa ideia.
– Opa! Vá se explicando.
– É que, quando meu filho era pequeno, comecei a contar histórias sobre castelos para ele dormir. Mas, na verdade, as histórias eram sobre tudo, menos sobre castelos. Depois, essas histórias viraram um livro, o “Castelos”.
– Título muito original...
– É o mais vendido da minha editora! Já lá se foram quase cinquenta mil exemplares.
– Cinquenta mil, é...?
– Sim. E ele ainda teve filhotes: o “Pontes”, o “Árvores”, o “Prédios” e, no fim do ano, o “Mapas”.
– Minha leitura foi bem lucrativa para você, não?
– Se foi! E ainda nem falei de “As bibliotecas fantásticas”, que usa microcontos sobre bibliotecas imaginárias para falar de leitura, livros, escritores, histórias, poder etc...
– Esse vendeu muito?
– Quatro mil, um número bem decente.
– Então, pelas minhas contas, você me deve mais ou menos...
– Uma macarronada e essa garrafa de vinho? – propus rapidamente.
Ele pensou um pouco, sorriu e respondeu:
– Uma macarronada e duas garrafas de vinho. Garçom, mais uma dessas!
#paposcomospapas

segunda-feira, 30 de março de 2026


A FORÇA DE UMA IMAGEM E DE UM PROCEDIMENTO...
Eu aqui confesso, sou por demais admirador do amigo Benedito Falcão, que com sua esposa, Luciana, ambos trabalhadores do sistema cartorial brasileiro, residem hoje na vizinha Piratininga e estão sempre pela aí, expondo como devemos agir diante de tudo o que acontece à nossa volta. Na tarde de ontem, domingo, vejo pelas redes sociais, como ambos se dirigiam para um passeio pelo Boulevard Shopping, com suas camisetas vermelhas e ostentando, garbosa e corajamente a insígnia do PT, consequentemente da reeleição de Lula.

Como até as pedras do reino mineral sabem, Bauru e todo o interior paulista é muito bolsonarista. Chegamos no último pleito e ter 80% de votos para o capiroto. Não sei se algo se repeteria hoje, diante de tudo o que foi descoberto e divulgado sobre os procedimentos nada democráticos da clã do seu jair - com minúscula mesmo. Creio ser mais do que possível, pois foi incutido na mente do povo que o bestial, o que lhe crava estacas nos costados é a sua salvação. Cegos e perversos, pois a maioria sabe dos malefícios, mas continua de forma vil apoiando a besta humana. Nunca chegaremos a se constituir numa nação realmente soberana, com essa mentalidade, tacanha e contra seus interesses.

Pois bem, diante de tudo isso, o casal sai de casa e circula por um shopping, com camisetas vermelhas e petistas. Coragem? Mais que isso. Creio eu, que faço o mesmo e regularmente, só saio de casa envergando algo no peito com a mesma mensagem, agir assim é a mais pura determinação de que, algo precisa ser feito para conter o avanço bestial dessa direitona fascista e também irracional. Neste momento, mais que todos, quando ocorrerá uma eleição, onde está sendo colocado à prova o que o país quer para seu futuro, se a subserviência de apoiar quem o destruirá, ou a única opção possível de resistir e continuarmos com chances de lutar por outro mundo possível.

Este casal me fortalece para continuar, como eles, saindo para as ruas expondo algo e assim, propondo um diálogo com quem estiver predisposto a fazê-lo. Compartilhar o que fazem é como, incentivar para que, façamos o mesmo, mais e mais. O Brasil precisa de nós, os ainda conscientes, para não só resistir, mas para nos doarmos com um algo mais. O momento exige isso e permanecer calados, contidos, escondidos, só contribuirá para favorecer que a bestialidade continue vicejando. Portanto, estou com eles e não abro.

domingo, 29 de março de 2026


FATOS E PESSOAS QUE SÓ A FEIRA DOMINICAL ME PROPORCIONA
Minha gente, tenham paciência comigo hoje. Voltei da feira - a do Rolo -, mais de 12h30, muito sol na moleira e só quero postar historinhas dos esbarrões e encontros fortuitos, alguns por querer, acontecidos no quadrilátero, considerado por mim como, "o espaço mais democrático" desta terra, antes denominada de "capital da Terra Branca", "terra do sanduíche bauru" e por último do "astronauta", um que foi pro espaço e pasmem, de lá nunca mais voltou. Algum tempo atrás, coisa de uns cinco anos, na entrada da Feira do Rolo, hasteada de forma pomposa e com a devida galhardia, a bandeira do Paraguai. Nada melhor do que assumir jocosamente, algo que lhe foi impingido, porém, não corresponde à verdade dos fatos. Quem lá frequenta sabe que, tudo por lá e muito mais original do que tanta bestialidade ocorrendo hoje em Bauru, vide os recentes acontecimentos políticos. Prometi ao pessoal da feira, arrumar uma nova bandeira, para não deixar a tradição se apagar e ser esquecida com o passar do tempo. As historinhas virão a seguir...

1.) A GRAZY foi durante um bom tempo uma espécie de Embaixadora da Feirado Rolo, reinando ali no principado do Bar do Barba, encruzilhada da Gustavo Maciel com a Julio Prestes. Não existiu sujeito sério que, não tenha por ali passado só para tomar uma cervejinha gelada e desfrutar da boa conversa dela proveniente. Ela morava ali perto, nora da escritora Isolina Brezolin Vianna, defronte aquele hotelzinho junto da entrada da Estação da Paulista, na quadra 1 da rua Agenor Meira. Comparecia num cortejo na feira. A feira dominical irradiava felicidade com ela ali presente. O tempo passou ela cansou e bateu asas. Sabe aquela máxima apregoando que, quando a gente é jovem, se aventura e sai por aí, mas depois, já com certa idade, isso não mais acontece. Pois bem, com ela isso não cola. Cansada de Bauru, resolveu lá com a família, filha já maior de idade, trabalhando por aqui, foi de mala e cuia morar lá em Cabo Frio, litoral fluminense. E agora, vez ou outra, volta, só para enfeitiçar, prosear com os sem coragem de ganhar o mundo. Hoje foi um dia destes. Ela circulou pela feira, cumprimentou tudo e todos, barraca por barraca e depois parou bocadinho na encruza, se benzeu e quando perguntada se volta, disse: "Quando volto fico uns 15 dias, mas o lado de lá é bom demais. Já me enturmei, agora por aqui, só mesmo a passeio". E assim, a legião de fãs pode se dar por contente. Grazy está irradiando felicidade e isso, pelo que se vê, é uma das melhores coisas deste mundo. E se ela está bem consigo mesmo, todos por aqui, os que a conhecem tão bem, nada têm para reclamar. Ela passou hoje como um raio pela feira e fez com que todos ficassem se perguntando: sempre é tempo de ganhar o mundo. Enfim, com ela deu certo...

2.) Quem conheci hoje na Banca do Carioca, o livreiro da Feira do Rolo é o DIRCEU COMINNI, professor aposentado de História da Arte, morador e agitador cultural da vizinha cidade de Agudos. Durante algumas décadas levou para turmas variadas de alunos, seus ensinamentos e junto disso, volta e meia, baixava aos domingos na famosa feira, tudo para se reabastecer com LPs, o famosos bolachões. Um dos locais onde mais gastou dinheiro por lá foi com o Carioca. Algumas vezes voltava com uma caixa, dessas de papelão cheias de novidades, pois mesmo com isso do LP estar inflacionado, com o Carioca tudo é possível, ainda comprando com algo mais do que no preço justo. Pela amizade e reciprocidade, o preço cai. Essa uma das particularidades do Carioca. Este me apresentou o Direceu e no papo que tivemos, eu me achava portador de uma bela coleção de bolachões, uns dois mil, entre os entra e sai. "Eu já passei da casa dos 13 mil. Fiz minhas próprias estantes, tudo num tamanho onde cabem mais. Agora, estou além dos discos, procurando mais um aparelho de som. Já tenho dois, mas quero mais um de reserva", começamos nossa confabulação. A conversa ia longe, o sol estava de rachar mamona e trocamos figurinha adoidado. Ele me conta particularidades do armazenamento e diz que, só agora, depois de aposentado, algumas vezes olha para aquilo tudo e chega a pensar em se desfazer de algo, mas quando bota mais um pra rodar, o som se irradia pela casa todo, pronto, esquece, como hoje, quando bateu saudade da feira, o Carioca e de ssaber se por lá não teriam novidades. Sempre tem. E assim, seu Dirceu volta novamente pra Agudos com bom carregamento de novidades, para se juntar as tais mais de 13 mil já catalogadas. Quem gosta de boa música, professor da coisa e arteiro por natureza, não fica sem aquela ecapulida, primeiro para respirar o bom ar proveniente das ruas e depois para fazer aquilo que está dentro de gente como eu e ele, aquela comichão, aquele formigamento que dá quando nso deparamos com um LP que ainda não temos. De algo eu tenho certeza, ele veio no lugar certo. Ele e Carioca são mais que conhecidos, amantes antigos, todos inveterados pelo gosto de ouvir música advinda dos inesquecíveis e insubstituíveis bolachões. Fazemos parte de uma legião.

3.) Ele é uma das pessoas mais simpáticas da feira dominical, pelo menos na sua parte baixa, envolvendo a rua Julio Prestes e a Feira do Rolo. ADILSON é vidraceiro profissional, dos melhores que já vi em atuação. O conheço da feira faz um tempão, sempre dando aquela força para o Barba continuar tocando seu bar em frente, ele e sua esposa, a faz tudo do portão para dentro, Neide Bincoletto, a que faz aqueles sucos todos, cheios de vitaminas e aditivos, vendidos depois numa barraca na quadra 1 da Gustavo. Ela lá dentro e ele do lado de fora do portão, grandão, uma das pessoas mais gentis que conheci na vida. Era até bem pouco tempo, o cartão visitas do bar, mas acabou se cansando e hoje, seu negócio é circular e recepcionar amigos na manhã de todo domingo. Tempos atrás, precisei de um vidraceiro, o conhecia da feira e nem imagina ser ele o cara que me indicaram para fazer um serviço meio complicado. Ligo na firma especializada e me dizem: "Fique tranquilo, vou te enviar o melhor". Quando abri a porta, além da surpresa, o melhor de tudo, Adilson trabalha muito bem, assim como conversa. Quem não trabalhou fui eu, pois só queria conversar. Semanas atrás estava chegando na feira e ao me ver de longe, me esperou na boca de entrada com um chopp na mão, tirado na perua instalada no local. Perguntei se era para mim e ele: "Isso é pra gente começar os trabalhos". E depois, todo mundo, quando nos reunimos, a Cúpula da Encruza, reunida na sombra de uma das barracas bem na esquina da Gustavo com a Julio Prestes, ele é o embaixador, o que recepciona todos e direciona os assuntos a serem discutidos no dias. Ou seja, é o dono da pauta. Adilson, com seus quase dois metros de altura é a cara mais simpática deste lugar, onde bato cartão todo domingo e quando falho, por algum motivo não compareço, ele é o primeiro, no domingo seguinte a me perguntar: "Tudo bem contigo, não faça mais isso. Quando faltar, avise, pra ninguém aqui ficar preocupado. Estamos entendidos?". E depois disso, um abraço e conversas que não terminam num simples domingo. Aqui numa foto com o advogado Marcos Alves de Souza e noutra comigo.

ALGO OBSERVADO NAS RUAS, DURANTE CAMINHADA DIÁRIA, ANTES DA IDA NA FEIRA
Este conglomerado de casas de madeira, creio eu, já foi um apart hotel ou algo parecido, depois local de treinamento de variadas empresas, culminando com a sua aquisição e utilização pelo grupo empresarial Paschoalotto. Sua localização é numa pequena rua, a João Bathista Garcia Filho com a Manoel Pereira Rola, entre a Brisola e a Henrique Savi, sendo por demais conhecida e querida por todos. Ali, como já disse, área pertencente a um grupo empresarial, daí posto aqui algo, como a boa recordação que tenho do local e que vejo ocorrendo no presente, ou seja, algumas das casas de madeira sendo derrubadas, indo ao chão sem nada em seu lugar. Talvez exista outros planos para o lugar, mas o que externo aqui é o sentimento de mais uma perda para Bauru, pois quando aquelas casas foram viabilizadas, numa área dita e vista como nobre na cidade, trouxeram espécie de aconchego para região e creio eu, agora seu ciclo de vida esteja laconicamente se encerrando.