domingo, 21 de junho de 2026

CENA BAURUENSE (279)


MEU OLHAR PARA O QUE VEJO ACONTECENDO DENTRO DA TAL CIDADE SEM LIMITES

01. Publicado em 18.04.2026: Ah, o que seria da vida da gente sem um pouco de humor e ironia? Eu mesmo respondo: Muito mais dura. Assim sendo, recebo foto e mensagem do dileto amigo Gilberto Maringoni, direto da capital paulista com uma provocação neste sentido: "Todas as questões referentes ao estreito de Ormuz são decididas na loja maçônica Architectos de Ormuzd, situada à avenida Rodrigues Alves 8-56, centro, Bauru, SP". E não é? E como não havia ainda pensado nisso, essa loja maçônica, centenária como a cidade, está entrelaçada com a sua história e pelo bem, pelo mal, continua vivíssima e atuante, no ponto nevrálgico dos acontecimentos, enfim, Ormuz é hoje o epicentro de tudo.

02. Publicado em 19.04.2026: No começo desta rua, a Agenor Meira, lá no fundo, o telhado da antiga estação da Cia Paulista e na parede o letreiro da FEPASA, que um dia movimentou o pedaço, com trens e hoje, depois de longo tempo fechada e abandonada, através de emenda parlamentar do deputado Vicentinho PT/SP, algo foi se movimentando e dizem, ela está quase pronta para ser aberta com a necessária devolução ao público do Museu Histórico Municipal. Na cidade, três museus e nenhum em funcionamento, todos fechados e nestes dois mandatos de Suéllen Rosin, nenhum deles funcionou um dia sequer. O que dizer de uma cidade de 400 mil habitantes, cujos seus três museus permanecem fechados e a maioria de suas bibliotecas ramais foram fechadas, desincentivando a leitura? Não existe Feira do Livro, que resolva ou encumbra isso. Destes que aí estão na administração pública municipal eu só acredito vendo e ainda acho, encontrarão mil desculpas para postergar a abertura desta histórica edificação, mesmo estando praticamente pronta. Quer apostar?

03. Publicado em 21.04.2026: Na calçada ao lado da entrada principal do Cemitério da Saudade uma indicação para circulação de deficientes os levariam para bater com os costados na parede. Não existe um padrão mínimo de entedimento para colocação dessa sinalização nas calçadas ou ela é mero enfeite?

04. Publicado em 22.04.2026: Vagueando pelo campus da Unesp Bauru, lindo se deparar com jovens estudantes de Artes/FAAC, sentadinhas e quarando ao sol, diante de um fusca, um dos emblemáticos carros deste país, hoje não mais fabricado e passando para o papel seus traços e formas. O fusca hoje, como se vê, é objeto de estudos.

05. Publicado em 23.04.2026: O edifício Timburi, no alto das Nações Unidas, quase defronte o CEASA, está em fase de conclusão e nele, pendurados em suas cadeiras, quatro operários, trocando figurinhas e conversando despreocupadamente enquanto trabalham e se balançam ao vento.

06. Publicado em 24.04.2026: Meus diletos amigos (as) dos reencontros dominicais na feira da Gustavo e na do Rolo são todos assim, irreverentes e criativos, saindo pras ruas, sem medo de mostrar estar no lugar mais democrático da cidade e assim, se expor em fotos sempre hilariantes e até provocativas. O professor Fabiano Ferreira, filósofo de carteirinha é um destes, quando passa a semana inteira tentando transmitir algo de positivo pra mente dos alunos, cada vez mais inverossímel e aos finais de semana estravaza e comparece, ou melhor, se recarrega nas poucas quadras da feira, exatamente em busca de condições, o encontrar forças para os embates todos da próxima semana.

07. Publicado em 15.04.2026: Rua Rio Grande do Norte, vila Cardia, quadra detrás do Cemitério da Saudade, manhã de domingo e muita gente sai feliz da vida, carregando sua cesta básica pelas ruas do bairro, em distribuições regulares do Centro Espírita Irmã Catarina.

08. Publicado em 27.04.2026: Das necessárias diárias caminhadas que faço, sempre por caminhos diferentes, nunca pelo mesmo, observo muito isso, principalmente aqui pelos lados da Vila Universitária, algumas casas que foram construídas no início do loteamento no local, quando o bairro não possuia esse visual mais abastado. Sabe aquilo de "último dos moicanos", pois vejo isso, encravado no bairro, numa resistência de dar gosto, como essas casas de madeira, resistindo a tudo e todos, na esquina das ruas Henrique Savi, a que desce do Bauru Shopping e Caetano Sampieri, a que desemboca nas Nações. Cercadas, ilhadas, mostram para mim, sem que ninguém me diga, algo de como foi essa região um dia começou e de como se apresenta hoje. Do que vejo, exemplo vivo, extraio o lema em seu melhor entendimento: "Resistir é preciso".

09. Publicado em 29.04.2026: Adoro ir trombando e revendo pessoas conhecidas e queridas pelas ruas da cidade. Nada como ir assuntando de como cada um segue na lida e luta do dia a dia. Dias atrás, como sempre faz e o vejo constantemente, o jornalista Leonardo de Brito, que um dia aportou aqui vindo do Nordeste e fez seu nome, sempre escrevendo de esportes. Ficou um dos caras mais entendidos em Noroeste desta aldeia. Chegou o dia em que, encerrou o ciclo junto ao Jornal da Cidade, onde trabalhou por aqui o tempo todo e agora, aposentado, sempre de bermudas e com uma mochila às costas, circula pela região da Getúlio, pronto para novas conversações. E o que achará ele desta Copa do Mundo nos EUA, justamente no meio de um conflito mundial, declarada guerra, onde o futebol, como tudo o mais é mero joguete nas mãos dos poderosos de plantão? E do Noroeste nas mãos de uma SAF regional? Conversas deste tipo rendem longos papos, a perder de vista e de hora. Leonardo é proseador até não mais poder. Interceptá-lo nas caminhadas é querer se perder em conversas mais que prolongadas.

10. Publicado em 30.04.2026: Os invisíveis desta vida estão espalhados pela cidade inteira e dormem em qualquer lugar, bastando surgir o cansaço da continuidade da caminhada, como aqui na rua Araújo Leite, quase esquina com a Duque de Caxias, em algo mais que constrangedor, para quem está perfilado pelo fim das desigualdades sociais. Não existe a possibilidade de encarar como normal ver uma pessoa dormindo do meio da tarde, atravessado numa calçada.

11. Publicado em 11.05.2026: Depois de mais de uma semana fora de Bauru, uma das cenas mais controvertidas dentro do inóspito - pela ação de fundamentalista administração - centro comercial da cidade, eis que a alcaide, interdita o viaduto da Treze de Maio, não só na alça caindo na avenida Nuno de Assis, mas por completo. Como tudo que diz é desacreditado, desmentido e até esquecido, jogado pra debaixo do tapete, a afirmação de que, tudo estaria totalmente liberado em questão de dias está sob resguardo, aguardando se o frio não se intensificará ou mesmo possa chover. Tudo nestas plagas é desculpa para adiamentos e postergações. Veremos...
Obs: A foto aérea é do Jornal da Cidade.

12. Publicado em 13.05.2026: Não se assuste ao passar pela calçada defronte a loja "O Curioso", na rua Gustavo Maciel, bem na quadra e ao lado de onde por anos funcionou o Cine Vila Rica , pois isso é só o começo do que acabarás por encontrar lá dentro.

13. Publicado em 14.05.2026: Meio desta semana, um pequeno congestionamento na descida da Agenor Meira, junto da loja Magazine Luiza, provocado por caminhão da SEMA - Secretaria do Meio Ambiente -, estes podando (tomara seja só isso?) no meio do dia, quando poderia fazê-lo num horário menos problemático. A questão principal não é essa, pois podas são necessárias, muito menos que o plantio de mudas de árvores variadas e múltiplas na cidade, uma reconhecidamente vista com poucas árvores em sua área urbana. Muito do calor sofrido pelo bauruense poderia ser amenizado com mais árvores em nossas ruas e podas sem critério. Enfim, como secretário dessa pasta, deveriam no mínimo estar trabalhando alguém que entende deste assunto e ame verdadeiramente a natureza. Ocupar com gente do staff, sem comprometimento com a causa, sempre provoca aberrações funcionais, como a de quem gerencia nossas bibliotecas, fechando a maioria das ramais, justamente as espalhadas nos bairros da cidade. Tudo nessa administração é na contramão do bom senso.

14. Publicado em 24.05.2026: Este o cenário funerário bauruense, triste sina de itens férreos, antes rodantes e muito úteis, hoje sucatas apodrecendo no que nos resta de trilhos. Quem passa por cima do viaduto JK, o que liga a Azarias Leite ao Fórum, olhando para o que antes foi a fonte do progresso bauruense, hoje só desolação. Diria mesmo que, a FERRUGEM é a marca mais significativa que tivemos ao longo das últimas dácadas.

15. Publicado em 25.05.2026: Impossível circular por um determinado bairro, casas quase todas opacas, padrões tristes dentro do contexto da cidade, porém, alguém faz questão de se mostrar diferente, alegre, altaneiro, propondo outro caminho, daí tiro a foto e a compartilho. É o que fiz ao passar diante dessa imodesta residência, quadra 3 da rua Adante Gigo, no jardim dona Lili - nem sabia da existência de bairro com este nome -, região que faz divisa e fica próxima ao jardim Carolina e à avenida Cruzeiro do Sul.

sábado, 20 de junho de 2026

 FESTEJEI COM GENTE AMIGA

sexta-feira, 19 de junho de 2026


DIA DE JOGO DO BRASIL
Eu não me encontro em condições, nem físicas, muito menos mentais - de escrevinhar quase nada no dia de hoje. Cheio de atribuições, até as tampas, me reservo no direito de reproduzir alguma coisa que, porventura tenha cruzado meu caminho e aqui posto, com o intuito de preencher o vácuo diário, de quem se acha na obrigação de manter posts constantes, textos quase inisnterruptos. Hoje o bicho pegou...

Queria ter sido Sócrates, um doutor da bola e craque no pensamento, mais que boim das ideias e nas realizações. Creio ter ficado pelo meio do caminho, mas como a caminhada ainda não se encerrou, acredito ainda ser possível fazer algo mais do que já fiz. Olho para o momento atual do futebol brasileiro, participando de mais uma Copa do Mundo e quando me volto para trás, tudo me faz lembrar uma piada que tenho ouvido, dizem que dita pelo Rivelino, porém acho ser só mera piada. Diz terem perguntado para Rivelino como ele acha seria um jogo da seleção campeão de 1970 e a atual, qual o placar. Ele diz, seria 1 x 0 para a de 70. A pessoa não contente com a resposta, indaga, se este placar não seria pouco. E ele, firme e forte: "Tá bom o resultado, o Pelé já morreu e os que restaram estão todos com mais de 80 anos". Sim, eu ainda vejo algo do bom futebol de antanho, em alguns bons jogadores, mas pouco, cada vez menos nos bastiões da bola brasileiros. Não perdemos o fio da meada, mas nos deixamos levar pelo breilho provocado mais pelos bastidores da bola, do que realmente ocorre dentro das quatro linhas. 

Não sei se isso também se reflete no mundo da política. Sabíamos fazer política, a fizemos e soubemos enfrentar uma ditadura militar. Belas lembranças tenho da resistência da classe estudantil nas ruas, depois as operárias, com aquilo tudo que ocorreu lá pelas bandas de São Bernardo do Campo e adjacências. Estivemos todos envolvidíssimos numa luta de resistência, todos botando a cara para bater. Tudo foi se esaviando com o tempo e mesmo, nunca tendo abandonado o campo de jogo, creio deixamos nos levar por algo que nos fez perder este jogo. Fomos dominados e hoje, para reverter o placar, a luta está mais do queDo outro lado, os piores deste mundo, onde o campo político está sofrendo forte influência da extrema direita e essa, perversa como sempre o foi, nos apunhala em praça pública. Sangramos, ainda estamos vivos, porém respirando por aparelhos. Se juntarmos as forças, vejo isso bem nítido, dá para reverter isso tudo, mas estamos ficando só nas palavras, gestos pueris e pífia movimentação. 

O que não queria escrevinhar hoje, saiu assim de uma só golfada. Um escrito envolvendo o futebol que as TVs nos mostram a cada instante, o desta insólita Copa nos States e esse jogo da política, não só brasileira, mas mundial, onde as forças reacionárias, conservadoras e radical de direita, fica nos apunhalando a todo instante, bem abaixo da linha da cintura e vamos reagindo lentamente. Ou vamos pra cima deles ou eles continuarão com este jogo mais que sujo, mentindo a todo instante e conquistando espaço e as mentes, destes tantos incautos, hoje mais preocupados com a sua sobrevivência, do que que com ideologia e saber escolher de fato quem de fato mereça dirigiar nossos rumos. Se o mundo continuar sendo conduzido pelos que, nos apunhalam pelas costas, amanhã, quando estiverem de fato nos governando, nos apunhalaram pela frente, mas daí será tarde demais. Quero e vou continuar resistindo. Na verdade, nem sei como, mas estou aí na lida e luta, pro que der e vier, ciente de minhas responsabilidades. Não me omito de colocar a cara à tapa, pois sei que, se hoje a coisa não está lá essas coisas, quando os perversos comandarem tudo, daí sim, o pior estará estabelecido. 

Deixa continuar minha sina de ir tentando, neste momento, vencer as etapas de mais um dia. Se amanhã voltar aqui é porque consegui vencer mais um dia e assim a luta terá, de minha parte, continuidade.

Em tempo: A ilustração do doutor Sócrates é de autoria do 
w
endellnarkedmicom interpretação livre da música "para Lennon e McCartney" composta por Lô Borges, Fernando Brant, Márcio Borges e cantada maravilhosamente por Milton Nascimento. Título da arte retirado do melhor programa sobre futebol e política em formato 'podcastal', segundo o autor da arte, o Fronteiras Invisíveis do Futebol. E assim, ele recomenda muito (mesmo que você não acompanhe futebol). 

AINDA SOBRE O FUTEBOL E NOSSA SELEÇÃO, CHEGUEI A PENSAR NESSA ALUSÃO
"ASSIM NOSSO TIME DE FUTEBOL, VAI MAU, NOSSO JOGADOR SÃO TUDO UNS PERNA DE PAU"
Ando assistindo partidas de futebol até mais do que deveria, tudo por influência dessa Copa agindo nos nossos costados. Tento selecionar, algumas vezes gosto, outras desgosto e continuo torcendo, mesmo quando algumas seleções são o que, o grupo paulistano DEMÔNIOS DA GAROA descreveu certa feita, décadas atrás, num belo samba, o "TIME PERNA DE PAU" (Vicente Amar). Saboroso reviver a letra, ouví-los e assim tocar o barco adiante. Tomara a seleção brasileira acabe não se tornando o que prescreve o samba. A música "Time Perna de Pau" foi lançada originalmente pelos Demônios da Garoa em 1968 em um compacto simples (com "Timão" no lado A). No ano seguinte, em 1969, a faixa integrou o repertório do LP "Ói Nóis Aqui Tra Veis", lançado pela gravadora Chantecler, 1969. Cantarolo ela aqui nesta manhã, antes de botar as pernas nas ruas para minha caminhada matinal.

Eis esses demônios nos mostrando a existência de times pernas de pau: https://www.youtube.com/watch?v=P_nSvP6Wjeg
Assim nosso time de futebol, vai mau,
Nosso jogador são tudo,
São "tudo" uns "perna de pau",
Só "contratemo", quem "num" sabe nem "chutá",
Parecemos "muié" de malandro,
Só "sabemo" é "apanhá",
Mais os "curpado", são os nosso "diretô",
Que não dão aos "jogadô",
Assistência, "morá" nem "materiá",
Se "nós tirá" em "urtimo" lugar,
A "curpa" é do "ténico", que "num sabe orientá".
Bola, vai, bola, vem,
Nosso time, entra bem,
Num se "sarva" ninguém, da derrota,
Será "possíver", como é que pode,
Desse jeito eu morro,
"Nóis" grita, grita, grita,
E os nosso jogador,
Num fazem nem um "gorrô".

quinta-feira, 18 de junho de 2026

HISTÓRIAS DE GENTE DESSAS PLAGAS
Pudesse e tivesse tempo, permaneceria contando histórias, reverenciando algo do que vejo nas andanças pela aí, reverberando este ladfo salutar, o do congraçamento humano, mas em quase tudo hoje, tenho que ficar separando quem está de um lado e do outro na contenda onde estamos metidos. Nestas duas, não assuntei sobre isso, mas sim sobre o que vi, primeiro pela expressão de cada um dos aqui retratados, depois quando me deparei com suas histórias, não me contive e elas aqui estão:

1.) A FAMÍLIA SOARES E NELAS, FÁBIO, DE BRÁS DE PINA ATÉ BAURU
Tenho um relacionamento fraterno com os Soares, desde quando estudei História, na antiga USC, junto de Fabíola Soares. Naquela insólita turma, ter uma carioca, recém chegada do Rio de Janeiro, foi um dos combustíveis para aquele grupo se manter acesa e inflamado. Com ela vim a conhecer o Seu Soares, um senhor saído da Marinha do Brasil e que quando chegou seu tempo de adentrar a reserva, por uma dessas coincidências da vida acabou aportando em Bauru, de onde se fixou e nunca mais saiu. Naquela época, acreditada que por ser das Forças Armadas o sujeito era conservador e Seu Soares era o oposto, um ativo e conversador militante das forças democráticas. Fiquei encantando desde o começo. Ele aqui esteve à frente do G Petisco e depois em sociedade com o Pedro Tobias, no Posto Sem Limites. Essa história de como comandou esses dois lugares, ícones na cidade, ainda merece ser devidamente contada.

Mas não é disso que quero escrevinhar e sim dos três filhos do Seu Soares, a Fabíola, que conheço melhor pela convivência desde a época dos bancos universitários, depois o Flávio, alguém por quem é impossível não nutrir admiração, pois junto da esposa, tocaram até quando puderam o Bru e outros jornais toalhas, aqui e em Marília, algo com uma criatividade espalhada nas mesas de bares, que infelzimente não percorrer mais estes estabelecimentos nos tempos atuais. Marcaram época e fazem parte de outra rica história. E por fim, o que menos conheço, o FÁBIO, o filho que ficou no Rio de Janeiro, mais precisamente em Brás de Pina e aqui aportava, indo e vindo, por causa dos pais e irmãos estarem aqui residindo.

No dia do falecimento do Zé Vinagre, como Fabíola foi casada com ele por muito tempo, algo grandioso foi ver a sua família toda ali, em algo realmente grandioso, como a dizer, o Zé merece da gente estar aqui. E assim, nos dois dias que estive por lá, vi o Fábio junto do pai, praticamente o amparando, permanecendo ao seu lado e depois, tive o prazer de uma conversa mais alongada. Dentre as revelações tão sinceras e reveladoras, eu o percebia muito atento em minha boca enquanto falava. Foi quando soltou: "Você percebeu, meu pai está enxergando vultos, vê pouco e precisa de ajuda, enfim a idade e tudo o mais. Eu, neste momento ao seu lado, com meu aparelho de surdez com problemas, ouço mal e a vida inteira aprendi a leitura labial. Nossa conversa flui por causa disso". 

Conversamos muito sobre isso dele ir e vir. Eu sempre fui um admirador desses cariocas desabridos e sabendo se estabelecer por aqui e ali. Os subúrbios cariocas são encantadores e mesmo hoje, com todo o pérfido aparelhamento do crime organizado, não deixa de manter seus encantos. Brás de Pina é um desses lugares. E o Fábio me contou histórias de lá e de cá, dessas viagens e de suas estadas por aqui. Vê-lo e ter a oportunidade de papear, olhar para suas mãos cheias de anéis, aliado a colares é reviver toda uma história e trajetória de vida. O visual que carregamos junto da gente diz muito de nossas escolhas e prererências. As de Fábio são latentes. 

Não tenho muito para relatar de nossa conversa, mas confesso, naquela manhã de sexta, fiquei tocado, pedi para fazer umas fotos juntos. Sei estar ali um sujeito onde, a prosa renderia algo a tomar mais que um dia inteiro. Não tínhamos esse tempo. Seu Soares e ele estavam partindo, lindo vê-los juntos, um não enxeregando bem e outro não escutando, porém se completando. Dessa família, gosto de todos. Me dou bem com todos e assim continuarei, sempre que revê-los faço festa, quero abraçar e além da reverência, ouvir histórias. Enfim, um dos grandes prazeres desta vida é isso, a real possibilidade de ir conseguindo manter laços de afinidade, esses indissolúveis ao longo do tempo.

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (219)


PERMITA-ME ESCREVER ALGO SOBRE O GRANDE PAULO NEVES
No velório do José Vinagre, eu e Orlando Alves conversamos com Thiago e Talita Neves e um dos assuntos não poderia ser outro, o pai de ambos, PAULO NEVES. E como está o grande homem do teatro bauruense?, foi a pergunta feita a eles. Da resposta positiva, marcamos de ir bater um papo em sua casa. E hoje cumprimos o prometido. Paulo Neves é dessas pessoas a dispensar apresentações em Bauru, pois durante algumas décadas, seguindo os passos da mãe, a grande teatróloga local, dando nome ao Teatro Municipal, Celina Alves Neves, seguiu seus passos e se consolidou no assunto, não só por tudo o que nos possibilitou de apresentações e de cursos, mas também por ser um dos maiores estudiosos do teatro mundial.

Quando a gente observa muita gente se dizendo detentores da arte teatral, impossível levar a sério, quando sem bagagem, trazendo consigo não só a soberba, mas a se apresentando como possíveis de encenações com grandes nomes, sem ter cabedal para tanto. Paulo é mestre no que faz e no início da conversa já nos dá uma lição: "Tempos atrás fui apresentado a alguém que veio se me falar de teatro e disse adorar o Zé Celso Martinez Correa. Porém, algo superficial, sem nenhum aprofundamento. É o mesmo de quem, sem ter o envolvimento de muitos anos querer logo de cara ir encenando um autor de ponta. Sem bagagem, algo só com o fundo comercial, cenário bonitinho, não engulo. Passam vergonha".

Paulo não para de estudar, mesmo tendo parado com seus grupos teatrais há mais de sete anos. Na mesa um livro sempre relido, o "Teatro de Grupo em tempos de ressignificações", pois segundo nos diz a teoria tem que estar intimamente ligada com a prática. Brinco com o assunto e conto algo dito a mim tempos atrás por outro estudioso do assunto, Sivaldo Camargo, quando da passagem do Antonio Abujamra pela cidade, eles circulando pelo Calçadão da Batista e este lhe pergunta, o que já tinha dirigido. Sivaldo lhe diz um nome dos mais conhecidos, foi quando Abujamra para, lhe segura pelo braço e diz: "Quem você pensa que é para encenar isso". Ou seja, o mesmo dito por Paulo, foi confirmado, pois para não passar vergonha, precisa adquirir uma consistência maior. "Não é o caso do Sivaldo, mas tem gente muito sem sentido, sem nenhum aprofundamento, se propondo a fazer algo só para, com cenários bonitos, querer aparecer. Soberba é ruim em todos os sentidos", conclui.

Papear com Paulo, vê-lo contando suas andanças, desde quando aprovado num concurso público, passou oito meses dando aula e residindo no sótão de um bar, pois não havia hospedagem em Pariquera-açu. De lá, convidado por um amigo entrou para a Sabesp e permaneceu oito anos na região de Presidente Prudente. Foi quando, iniciou de fato as incursões pelo mundo do teatro. Demos um salto e ele nos contou detalhes de sua atuação já em Bauru, os grupos teatrais, a formação dos filhos, as aulas de História e algo mais dos tempos de sua atuação cultural no Colégio D'Incao. Inesquecível as muitas Semanas Latinoamericanas sob sua orientação e direção, hoje não mais ocorrendo.

Paulo tem muita coisa para contar, pois vivenciou de tudo um pouco ao longo de sua trajetória de vida. Eu e Orlando estávamos nos retroalimentando ali sentados em sua sala, ouvindo maravilhados seus relatos de vida e ele sem guardar mágoas ou resentimentos. Gostoso ouvir algo de alguém que, mesmo tendo sido preterido e deixado de lado em algumas oportunidades, soube dar a volta por cima, entender e analisar com mais calma cada passagem onde esteve envolvido. Tendo vivenciado muitas administrações municipais, atuando dentro de algumas delas, analisa cada uma de forma lúcida, consciente e com riqueza de detalhes.

Ele continua lendo muito, vendo muita TV, neste momento acompanhando tudo sobre a Copa do Mundo ("O Brasil tem pouquíssima chance de chegar ao hexa"), ouvindo diversos noticiários ao mesmo tempo, antenado e atualizadíssimo com tudo o que rola na política, principalmente a nacional. Paulo é um homem de esquerda, sabe bem da importância da reeleição de Lula. Lembro de ter colecionado o saudoso Pasquim e de quando o disponibilizou oferecendo para quem quisesse ter algo único sob seu domínio. Folheamos juntos seu livro de memória, editado pela bauruense Mireveja e as tantas fotos expostas em porta retratos em sua sala. Uma pena o tempo passar tão rápido. Com o compromisso de voltar em breve, para dar continuidade e prosearmos mais, pois depois de uma certa idade, o que de melhor temos guardado dentro da gente, precisa de alguma forma ser colocado pra fora. Nós três nos deleitamos em quase três horas ininterruptas de uma conversa que, pelo visto, está só começando. Paulo enviou nestes dias carta sobre a trajetória do Zé Vinagre para o JC, como sempre fez ao longo de toda existência do jornal, sendo um dos seus maiores colaboradores. Essa última, nos disse para aguardar sábado, pois deve sair na edição impressa.

E PARA LACRAR, DEPOIMENTO DE DUÍLIO DUKA DE SOUZA SOBRE PAULO NEVES E MEU TEXTO: "Belo relato! Só quem conhece o Paulo Neves sabe o quão grande é este camarada. Paulo é, no meio dessa humanidade desumana, espécie rara, porque Paulo Neves é Professor, pai, sábio, culto, sincero, honesto, é direto, sem meias palavras, porque é verdadeiro! Em contrapartida, é injustiçado política e culturalmente pela sociedade bauruense que o ignora, não valoriza e, parece que faz questão de não reconhecer a preciosidade e a riqueza que tem em casa chamada Paulo Neves. Mas, como eu, o Henrique, o Orlando Alves, o Thiago Neves, a Talita e outros, conhecemos esse fenômeno e podemos dar a ele o título Patrimônio Cultural de Bauru. Salve Paulo Neves!!!". 

para os que não se omitem, como Falabella e Paulo Neves
SOU E SEMPRE SEREI UMA PESSOA DE ESQUERDA - FALABELLA EXPLICA PORQUE, A CORAGEM DE NÃO ESCONDER ONDE SE ENCONTRA E O QUE FAZ, COMO AGE DENTRO DESTE MUNDO
"Eu sempre serei um homem de esquerda." afirma o ator e dramaturgo Miguel Falabella durante sua participação no #RodaViva, transmitido essa semana pela TV Cultura SP.https://www.facebook.com/reel/1800568094248565

terça-feira, 16 de junho de 2026

ALFINETADA (266)


A QUE PONTO CHEGAMOS - O ÓDIO QUE NÃO TEM MAIS CURA
Acordo e ao abrir as redes sociais, nas primeiras horas do dia, um vídeo onde um jovem médico, sapatinhos/tênis brancos reclama de ter que colocá-los, ou desgastá-los numa unidade de saúde pública no interior de uma cidade nordestina. Dá mais que nojo em assistir a vídeos dessa natureza, ou seja, o cara estudou por quase dez anos de sua vida e sai da universidade sem nenhuma consciência e sensibilidade para com o semelhante. Pelo que se entende, gente assim, já entra na universidade querendo quando sair diplomado já ir trabalhar e ganhar os tubos em atividades privadas. Pelo que se percebe, odeiam ter que fazer o necessário internato. Durante o internato (que corresponde aos dois últimos anos da faculdade de medicina), o estudante passa por rodízios práticos em hospitais e unidades de saúde, sempre supervisionado por médicos. Aqui o vídeo do prefeito da cidade maranhense repudiando o ocorrido e tomando as providências cabíveis: https://www.youtube.com/watch?v=APseGmpRaJQEntre os vai e vens, idas e vindas querendo consertar o inconsertável, o que fica é a postura, essa sem conserto. Algo dessa natureza é exposto diriamente em postagens explícitas, onde é demonstrado onde estamos chegando.

Daí, pouco tempo depois vejo postagem de uma pessoa muito conhecida em Bauru, feita dia 14/06 e só vista hoje por mim. Essa pessoa, fui ver, gosta muito de compartilhar postagens de onde obtém o conteúdo que acha necessário para estar bem informado: só sites e grupos ligados a extrema-direita. Nessa, uma aberração. Trata-se de uma postagem do Invest Brasil: "Uma torcedora brasileira chamou atenção durante a Copa do Mundo ao fazer uma declaração polêmica sobre a ausência de apoiadores do governo nos estádios dos Estados Unidos. Ao ser questionada sobre o que estava achando do torneio, ela respondeu que estava satisfeita com o ambiente e afirmou não ter visto “nenhum petista” nas arquibancadas. A torcedora ainda aproveitou para criticar programas de transferência de renda, dizendo que “como eles não gostam de trabalhar e só com auxílio do governo não dá, né?”, em referência ao custo elevado de uma viagem internacional para acompanhar a Seleção Brasileira. A fala rapidamente viralizou nas redes sociais e gerou reações divergentes. Enquanto alguns internautas concordaram com a declaração e fizeram críticas às políticas assistenciais do governo, outros apontaram que a fala generaliza milhões de brasileiros e ignora diferentes realidades econômicas e sociais. O episódio acontece em meio à grande presença de brasileiros nos Estados Unidos durante a Copa, onde além do futebol, manifestações políticas e debates sobre a situação do Brasil têm marcado presença entre torcedores. Para apoiadores da declaração, a fala reflete uma crítica ao que consideram dependência excessiva de programas sociais. Já os críticos argumentam que benefícios como o Bolsa Família atendem famílias em situação de vulnerabilidade e não impedem que seus beneficiários trabalhem". 

Fui percorrer as postagens dessa pessoa conhecida e além de postagens contra toda e qualquer coisa relacionada à esquerda, do qual possui latente ódio, repetidas imagens de uma santa católica, Nossa Senhora Aparecida. E o faz intercalada com postagens onde posta desavergonhadamente uma imensidão de fake-news. Trata-se de uma pessoa onde, por mais que se tente, não existe mais possibilidade alguma de diálogo. Por mais argumentos que a pessoa tente demonstrar o contrário para alguém já dominado, nada conseguirá, pois sua cabeça já está feita. Atos positivos são ignorados e os negativos são exacerbados, mostrados de forma ampliada, tudo para tentar fazer valer sua degradada opinião. Agora mesmo, algo está sendo repetido por muitos iguais a essa conhecida pessoa, quando após a tragédia em Limeira, quando uma jovem é lançada para a morte, sem uma corda de segurança do alto de um viaduto. Trata-se de uma tragédia, mas memes substituem a imagem da moça e no lugar colocam o presidente Lula, como se isso pudesse ser motivo de piada. Se utilizam de uma tragédia para continuar fazendo a triste e decrépita disputa política. A mediocridade ultrapassou todos os limites do bom senso. O que vejo sendo feito é mais do que desprezível e lamentável. Nesse caso, um deputado estadual de Santa Catarina, além de colocar Lula sendo jogado do viaduto, colocou sua própria imagem como se tivesse sido ele quem o joga lá do alto. 

Isso é normal? Estamos tratando com gente normal? E daí a constatação que aqui me traz: a que ponto chegamos. Teremos volta desse grau de insanidade sendo espalhada com o vento e se difundindo como praga no meio das redes sociais? Eu já passei de todos meus limites em tentar dialogar, pois com estes, os que pensam e agem desta forma e jeito, nada consigo. Eles não querem mudar, pensam e agem exatamente dessa forma, mais que desmiolada, desmemorizada e muito criminosa. Creio que, muita gente ainda conseguindo pensar livremente, sem essas amarras propostas pela extrema-direita, consiga enxergar onde estão metidos, atolados até o pescoço num lamaçal de idiotice e mentiras, algo perigoso, possam conseguir refletir e mudar sua opinião. Ouço dizer que, a locura atingiu um grau tão elevado de barbaridades sendo espalhadas que, muito provável ocorra um momento onde seja dada um click e a possibilidade de voltarem a enxergar oquer de fato está em curso e acontecendo. Da continuidade dessa insanidade coletiva, o que virá será sempre mais violência, como a ocorrida contra o aposentado em Copacabana, que só por ter adesivo de votar numa pessoa de esquerda, no caso Benedita da Silva, foi espancado, quase até a morte. Muitos já morreram por causa disso, como o petista que fazia festa de aniversário em Foz do Iguaçu e um desses malucos lá chegou e descarregou nele sua arma. E daí, o questionamento mais plausível: de onde está partindo a violência? Quem a está produzindo? Me pergunto neste momento, quando vejo Lula nas pesquisas já querendo ultrapassar os 50% de intenção de votos, como será a reação desses amalucados? A tensão deve aumentar e se não for contida, pode atingir índices incontroláveis. Ódio de classe é doença.

COMO IR TENTANDO FAZER ALGO PARA ALTERAR O QUADRO DE ÓDIO VIGENTE - A CONVERSA QUE TIVE COM CARLOS COLETTA
Revi o músico Carlos Coletta na última passagem do Fernando Haddad por Bauru, nosso candidatíssimo para governador de São Paulo, nessa intensa movimentação para retirar o estado das mãos da extrema-direita, uma infelicitando todo e qualquer tipo de avanço democrático. Nossa conversa gravitou para além da música, o seu melhor campo de entendimento para se tocar uma boa vida. Falamos de política, do momento atual e quero aqui relembrar, na verdade contar, quando vejo tantos desistindo de tentar ainda uma reação no sentido de fazer com que, a massa hoje entorpecida, ludibriada e seguindo como manada para o seu próprio matadouro enquando civilidade humana.

Coletta me conta o que faz e em algo do seu dia-a-dia. Me disse estar atuando algumas poucas horas do dia como motorista de UBER e nela, além da renda ali obtida, tem buscado em cada viagem estabelecer um franco diálogo com o passageiro. Contou algo desses diálogos e quando percebe estar diante de alguém com ideais de vida já contaminadas pela extrema-direita, bolsonaristas e afins, faz de tudo e mais um pouco para demonstrar o contrário, colocando mais do que uma minhoca na cabeça da pessoa. Disse que, já se mostrando oponente de cara, criaria um clima ruim na viagem e assim age ao contrário, ouve e depois faz a pessoa entender, com exemplos claros para cada situação, que algo poderia ocorrer melhor se a ação fosse outra.

Ou seja, ele exerce de fato um trabalho de formiguinha. Enquanto ouvimos pela aí infinidade de baboseiras e nos enervamos, queremos explodir, ele vai agindo pelas beiradas, numa ação concreta e se não reduz os índices de desvio de conduta racionais, pelo menos tenta, faz o que pode e cada vez melhor se informando, segue no seu dia-a-dia cheio de esperança. Sim, assim o vi, uma pessoa acreditando que, se cada um fizer a sua parte, existe a chance de reverter o que ainda se vê em curso com o avanço desmedido de uma mentalidade já agindo além do conservadorismo.

EUA É HUMILHADO COM RENDIÇÃO ABSOLUTA COM IRÃ, PAGARÁ POR TODA DESTRUIÇÃO PROVOCADA
"Donald Trump acaba de firmar um acordo de paz com o Irã onde se cumprem todas as pretensões iranianas:
- São liberados os ativos congelados do Irã.
- É levantado o bloqueio naval dos Estados Unidos.
- Israel se retira e abandona completamente o Líbano.
- Os Estados Unidos compensam economicamente Teerã pelos danos.
- Os Estados Unidos baixam a cabeça e aceitam que não vão conseguir remover o governo dos aiatolás.
Tudo para que o regime iraniano reabra o estreito de Ormuz que estava aberto antes de começar a guerra. Trump perdeu dezenas de homens, aviões, veículos, radares, drones e milhões de dólares. Esta é uma das piores catástrofes militares em décadas para os Estados Unidos.
Não há outra palavra que me venha à mente que não seja HUMILHAÇÃO."
Não sei de quem é o texto.
Recebi num grupo.
Assino embaixo.

FRASE DA TIRA DO MIGUEL REP VALE PRA TUDO, OU SEJA, SE JÁ TEMOS UM GOVERNO ASSIM EM BAURU E SÃO PAULO, DEPENDE DE NÓS NÃO DEIXARMOS O BRASIL ENVEREDAR PELO MESMO DESCAMINHO
Nas eleições deste ano, é tudo ou nada. Ou mantemos a CIVILIDADE, ou cairemos de bandeja na BARBÁRIE. Não existe segunda ooção.
HPA, amanhecendo para mais uma semana, de luta, labuta e muita resistência.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

AMIGOS DO PEITO (255)


ELA VAI CONTAR A HISTÓRIA DO DEBATE E DO JORNALISTA SERGIO FLEURY, VIVA DIVA FERNANDES
Eu conheço a escritora DIVA FERNANDES há alguns - muitos - anos e por detrás de seus escritos um me tocou, a contada em seu livro sobre a contaminação provocada pela fábrica de baterias Ajax em Bauru, causando danos irreversíveis para uma população residindo nas proximidades da fábrica. A partir do que li no "Marcas do Chumbo - A história do menino David", passei a gostar mais dela, pois nem todos possuem a coragem de se enveredar por histórias e relatos envolvendo os tais "donos do poder" de uma localidade. Diva foi a fundo e não me canso de dizer a ela, mesmo o filme já tendo rendido um belo documentário, tem tudo, é um roteiro pronto para se transformar nuim longa metragem, talvez como foi feito com o caso do Césio em Goiás. 

Diva é uma pessoa muito simples, metódica e trabalha em sua casa, dentro do seu ambiente e habitat. Ali em seu modesto computador faz a maioria de suas pesquisas. As demais a faz com os documentos que vai arrebanhando e sentada em sua ampla mesa, papéis espalhados, vai alinhavando seus escritos, como o faz neste momento contando uma outra rica história, dessas que não pdoem ser perder e merecem ser, não só contadas, mas passadas adiante. Ela é natural de Espírito Santo do Turvo, uma pequena cidade, antes distrito, enconstada em Santa Cruz do Rio Pardo e dali, aprendeu a gostar do que ia vendo publicado num jornal, que já foi quinzenal, semanal e até diário, o DEBATE, obra, criação e só possível por causa de verve de um bravo guerreiro, o jornalista Sérgio Fleury - nunca op confunda com o policial torturador com o mesmo nome. 

Fui visitá-la na semana passada, junto de outra guerreira, Rose Maria Barrenha, a que toca a Casa de Frida de uma forma muito especial e divinal, sendo, fazendo e acontecendo. Estivemos lá numa tarde, tomamos café e comemos de um bolo, receita sua, feita sem leite, algo que, só mesmo provando. Falamos de tudo um pouco e em especial, o motivo que ali nos levou, reviver algo deste hebdomadário onde um dia escrevemos. Eu e ela tivemos coluna, com ampla liberdade de escrever o que queríamos e assim fomos até os últimos dias do bravo e único atuando amplamente dentro do jargão da liberdade factual dos fatos. Eu ainda guardo alguns poucos exemplares e muitos dos textos de minha lavra ali publicados. 

Essa história quem está predisposta a contar é a desbravadora Diva. Eu, de minha parte, só posso incentivá-la e farei a minha parte, dando uma longa entrevista, contando o que sei, o vivenciado por mim e o que representou este jornal dentro do cabedal do que foi a produção de um jornal totalmente independente, sem amarras, sem estar atrelado a poderes constitu´pidos, ou seja, tudo o quer publicava era fruto de apuração do jornalista, que atuou sem medo de ferir suscetibilidades locais. Repito sempre, o Debate foi único no que fez. Vislumbro muito poucos existindo dentro do rigor jornalístico que o Sergião - como o chamávamos - impôs para sua publicação. Essa história é mais que rica, do começo ao fim e ser revivida me traz, além da vontade de colaborar, a de ver vingar o quanto antes, pois tudo o quer ali foi feito precisa ser mostrado, contado e usado como exemplo para todos nós, os viventes deste mundo, onde os poderosos nos querem cada cada vez mais calados e contido.

Diva sabe estar diante de algo único e exatamente por causa disso, precisa ser muito meticulosa, cuidadosa e saber retratar cada detalhe. Fico sabendo e fico louco para ouvir, os depoimentos, muitas horas que possui gravado com o próprio Sérgio, ele contando como se deu a história do jornal. O Debate e Sérgio tornaram-se referência nacional quando da denúncia do caso do juiz local, que foi favorecido por benesses da Prefeitura local. Foi processado e quase foi obrigado a fechar as portas do jornal, com uma condenação de alto valor. O caso virou assunto nacional e com isso, a comprovação do que sei e sinto ser necessário escrever sobre o Sérgião, ele nunca arrefeceu na forma como praticava o jornalismo. Enfrentou essa e outras paradas e ao contar isso tudo, todos ficarão sabendo dos motivos de o tê-lo como um dos maiores que vi atuando. 

"Muito em breve, vamos juntos, passear por esta História que revela mais que um Jornal, um legado de vida!  Agora você é tudo o que a fé pode tocar... e tudo o que minha caneta souber escrever ... Escrevendo este Livro sobre a História do Jornal Debate/Sérgio Fleury de Santa Cruz do Rio Pardo, procuro dimensionar a grandeza da comunicação irreverente, porém, responsável e formadora de cidadania. Sempre uma voz livre na sua defesa", Diva escreve e publica em suas redes sociais. Diz a mim e a Rose, no dia da visita em sua casa, já ter gravado com muita gente e aguarda o meu depoimento com ansiedade. Devo fazê-lo nesta semana e enquanto isso não acontece, rememora aqui comigo mesmo, de como o conheci, chegando a ver a gráfica do jornal em pleno funcionamento. A minha participação foi mínima, pois sempre que posia, fazia questão de escrever sobre a importância do DEBATE no cenário e no contexto  do mundo político regional, quiçá nacional.

Estive com o Sérgio pouco antes do julgamento final, que o livrou de pagar o absurdo porposto pelos seus acusadores, algo que o levaria não só a falência, mas a ter que encerrar a publicação. Enviei texto meu para a revista Carta Capital, não publicado, mas aproveitado em um texto, onde versavam sobre o papel do jornalismo nos tempos atuais. Um dos maiores orgulhos que carrego comigo foi o fato dele, toda vez que se reencontrava comigo diaia: "Quando saiu a matéria na Carta Capital, instigada por ti, aquilo foi decisivo para a tomada de decisão definitiva da Justiça. Devo isso a ti". Sabe-se lá o que é ouvir isso? Isso, não só me toca profundamente, como me faz entender o que move pessoas como ele, quiçá também este HPA, em continuar esgrimando contra os tais vendilhões do templo, estes tantos que hoje infestam e açoitam o erário público. Sergião foi imparcial até onde deu, porém sempre atuou na defesa de quem sabe, faz  e exerce sem máculas suas funções. Daí, nunca o vi tendo nenhuma atitude conservadora. Foi um jornalista livre, algo raro no interior paulista e assim o DEBATE seguiu até seus último suspiro.

Eu fico emocionado só ter a oportunidade de contar algo, conversar a respeito com a Diva, ou com quem quer que seja. Eu acompanho muito o jornalismo brasileiro e hoje mesmo, recebo uma ligação de uma pessoa tentando me vender uma assinatura do Estadão. Sei tratar-se de uma funcionária e assim sendo, não posso desrespeitá-la no que faz. "Desculpe, sei que é seu trabalho, mas aqui em casa, deixei de ler o Estadão faz tempo. Ele não entra aqui nem de graça. Sua linha editorial é um horror dentro do que entendo como jornalismo", disse. A moça, acostumada a ouvir algo assim, educadamente desligou. Não existe mais como contemporizar com quem continua e sempre praticou um jornalismo tendencioso e excludente, a favorecer interesses de minorias. Isso, sabemos todos, não é exclusividade do Estadão. Lembro essa história só para recolocar e encerrar este já longo texto, relembrando mais uma vez a importância existente dentro do que foi a trajetória do DEBATE e do seu idealizado, o jornalista Sérgio Fleury. Diva está diante de um tema dos mais instigantes e se estiver realmente disposta, pode produzir algo mais que histórico. Diva e Sérgio foram amigos uma vida inteira e isso, por si só, não é requisito para a produção de um refinado e bem depurado texto. Ela sabe disso e deve dormir pouco e mal, quando diante de tanto material já recolhido, está agora diante de sentar e colocar tudo no papel. Aguardo os resultados com sofreguidão, pois tenho a mais absoluta certeza: não existe nada igual a história do DEBATE. Tudo graças ao jornalismo praticado, a forma realimente libertária, dentro do que se discute muito e se pratica pouco, a verdadeira liberdade de expressão, sem amarrações e com muita responsabilidade.

Eis o Sergião numa entrevista para uma rádio de sua cidade: 
https://www.facebook.com/reel/401056985951475 e um pouco também de Diva nessa conversa quando do lançamento do seu famoso livro: https://www.facebook.com/reel/883722516527123. E, por fim, texto meu publicado n'O Alfinete, de Pirajuí, sobre como entendia o DEABATE.

O QUE RESTA DE ALGO SALUTAR NO CENTRO DA CIDADE: BANCA DO ADILSON
Passar diante da Banca do Adilson, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Primeiro de Agosto e não dar uma paradinha para confabular com seu proprietário é quase um acinte. Hoje, ele me segura pelo braço e me leva até a lateral da banca, onde está pintado a data de sua abertura, 1980 e me questiona: "Você que escreve de tudo, datas lá de tempos antigos, leve em consideração a quanto tempo estou com a banca funcionando neste lugar". Eu sempre levei sua importância em elevada consideração, tanto ser ele um dos três personagens bauruenses, motivadores de meu mestrado em Comunicação, quando versei sobre tipo populares na cidade, ele, o Carioca da Banca na Feira do Rolo e a nosso eterna pipoqueira Maria Inês Faneco.

Tempos atrás o denominei de "GPS do Centro da Cidade", pois toda e qualquer informação, até sobre imóveis para alugar, os fechados e acontecimentos variados ali acontecidos, tudo precisa necessariamente passar pelo balcão dessa banca, local de muita conversa, essas indo além de tudo o que ali é comercializado e está relacionado na tal lateral adesivada. Adilson Chamorro mostra fotos de quando começou, jovem, magrinho e pena insistência/persistência, segue no local, rodeado não só de clientes, mas de amigos. Na verdade, volta sempre para casa recheado de novas histórias, muitas confidências e fatos escabrosos e inusitados acontecidos nas redondezas e que, por fim, chegam ao seu conhecimento.

Hoje, como não poderia deixar de ser, a coqueluche do seu dia a dia são as tais figurinhas da Copa do Mundo, os álbuns da Panini. Seu diferencial é vender o pacotinho aberto. O que vem a ser isso? Ele abre, seleciona, deixa tudo catalogado e o cliente chega, escolhe a quantidade e leva dentro de um pacotinho, só que aberto. "Nessa fase da coleção, passados já algum tempo de venda, poucos compram pacotes fechados e quem coleciona, está querendo mesmo completar seu álbum. E daí, em locais como o meu, isso é possível. Nessa época, com a Copa do Mundo rolando, o grande motivador de locais como o meu, são as figurinhas", conta. Além disso, Adilson guarda registros de sua trajetória, em envelopes debaixo do balcão e os mostra para diletos consdierados. Como do tempo quando, no governo Izzo, teve a barraca recolhida por mais de um mês, até conseguir recuperar o ponto e desde então, ali permanece, para alegria de tudo o mais no centro da cidade. Ou seja, o centro não seria o mesmo sem a sua presença e ele também, não saberia o que fazer da vida sem a sua rotina ali no local. Um não vive sem o outro.

São personagens como Adilson, o que me faz parar o carro e antes mesmo de querer ir fazer o que me trouxe ao centro, dar uma parada, assuntar o que anda rolando, quais as novidades permeando a vida do centro e só a partir daí, devidamente cerregado - ou recarregado - de preciosas informações, se faz possível ir fazer tudo o mais. Vê-lo ali, tendo ao fundo um painel com exemplares antigos da revista Playboy, caixas com cédulas e moedas antigas e até peças de antiguidade, dão um toque mais do que especial em querer continuar circulando na região. No pouco que ali fiquei, dois vieram lhe oferecer moedas antigas e peças diferenciadas, dessas que a pessoa guarda uma vida toda e quando o calo aperta, pensa em fazer um dinheirinho com ela para cumprir algum compromisso urgente. Ou seja, muito do que ocorre no centro, passa pela famosa e funcionando já há muitas décadas na esquina famosa. Adilson resiste bravamente à passagem do tempo.