DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS - PARTE DOIS
5.) REGISTRANDO GRAFITES PELAS RUASDentre todas as fotos que vou tirando pelas andanças que faço, gosto muito de registrar as dos muitos grafites. Estes representam para mim uma manifestação das mais interessantes e instigantes nas paredes mundo afora. Nelas encontro e tomo conhecimento de muitos artistasd, a maioria anônimos, porém com trabalhos bem direcionados e posicionados. Por aqui não é diferente. Dentre a imensidão de fotos que vou tirando por onde passo, o grafite sempre estará presente. Neste aqui, alguém me informa tratar-se de um artista que, pode ser visto em muitos cantos de paredes, mais precisamente em esquinas e sempre com este óculos, misturando o passado e o presente, numa velada crítica e também, jogando um pouco mais de luz, algo de hoje no ontem. São muitas as manifestações e tento ir entendendo, primeiro a intenção, depois com o tempo, devido a uma atenção maior, consigo até ir identificando nomes famosos. Tem tanta gente hoje famosa tendo começado desta forma, se expressando nasruas. Tem quem critique tudo, misturando as bolas e confundindo estes com a pichação e tascando o pau, simplesmente por fazerem o que fazem em paredes alheias. Eu sei distinguir muito bem um do outro e até na pichação vejo e entendo seu significado, numa grafia muito parecidada mundialmente. Podem ir reparando nas publicações que faço, nos registros aqui deixados, tem muito disso tudo. Eu sempre tentando entender e decifrar as muitas mensagens deixadas pelas paredes. Paro tudo, peço para quem comigo caminhe, que espere um pouquinho, pois não deixo o momento passar, vou lá e clico.
Essa me fez voltar quando da entrada de uma igreja cheia de obras de arte e é a de um cidadão comum, sentado numa marquise, se protegendfo da garoa lá fora e lendo. Adoro encontrar com gente lendo. Isso para mim é muito encantador. Como leio muito, quando me deparo com outros fazendo a mesma coisa, no mínimo já quero ir lá e assuntar do título. No Brasil, infelizmente encontro cada vez menos gente lendo pelas ruas. O que encontro muito - por aqui também - são os com seus celulares nas mãos e com livros mesmo, não tanto como antes. Tenho notado que aqui também tem diminuido o número de livrarias abertas, porém, as que resistem são todas encantadoras. Ah, se soubesse italiano, com certeza, teria problemas mil com minha bagagem, pois certamente ultrapassaria a quantidade máxima de 23k para adentrar o avião sem incorrer em excesso de bagagem. Um luxo ter excesso devido a livros, porém o preço a pagar, como é salgado, melhor se segurar. E dai, quando vi este cidadão, com sua mochilinha e um pacote envolto em plástico, dando um tempo na vida, lendo numa boa, bateu aquela incontrolável vontade de ir lá sentar ao seu lado. Sou puxado para o que ali me trouxe, mas ao registrar me lembrarei dele para sempre.
Talvez poucas pessoas diante de um imensa igreja, recheada de obras de arte, reparem nos confessionários. Eu reparo em todos, mas não encontrei nenhum deles nas andanças por aqui, que estivessem em uso, ou seja, com algum fiel relatando seus pecados aos padres. Eu já fui em alguns destes quando ainda professava a fé católica e em todos, me lebro, ia assustado, pois me diziam teria que contar tudo e receber a penitência. Nunca que iria contar tudo para um padre. Contava algo, mas escondia sempre o mais picante, aquilo que não se conta pra ninguém. E por aqui, vejo confessionários de todas as formas e jeitos, pra todos os gostos e de acordo com a igreja visitada. Num templo grandão, confessionários que são também verdadeiras obras de artes, noutros mais modestos, mas todos presentes. Outro lugar que observo muito são os púlpitos, aquele lugar mais alto de onde o padre falava aos fiéis numa posição elevada, do alto, observando melhor sua platéia. Tem uns muito bonitos por aqui, mas creio, não sejam mais utilizados. Tudo isso faz parte do cenário mínimo de uma igreja católica. Como voraz registrador, vou captando alguns destes. Essa história de confessionário já foi registrado em muitas novelas e filmes, livros idem, com consequências inimagináveis. Imagine alguém com informações confidenciais de uma pessoa, tendo sob seus costados que, não poderia divulgar aquilo para ninguém, porém, como a "carne é fraca", tudo pode acontecer depois do fato revelado.
E por fim, observo muito os moradores em situação de rua. Dizem por aqui, que em sua maioria são imigrantes, porém, observo muitos de cada país também nessa situação. Não quero ficar deitando falação sobre dos motivos, pois cada caso é um caso. O que machuca o ser humano internamente é a situação, eu de um lado conseguindo passear, me divertir e outros tantos nem tendo o que comer, vivendo nas ruas. E aqui, com o agravante deste morador viver sob um clima totalmente desfavorável, frio intenso. Vê-los pelas ruas é pensar nisto tudo. Não dá para ficar indiferente em observar uma pessoa deitada quase que na chuva, enrolada num puído cobertor, no fim de uma escada que me levará para um visita paga dentro de um templo religioso. São estes os tais invisíveis deste mundo. E algo também observado por mim, como alguns de tanta convivência com os pássaros das paraças, principalmente os pombos, convivem com eles numa espécie de congraçamento. Parecem que interagem entre si, se conhecem e dividindo o mesmo espaço, sabem cada qual onde pisam. Fiquei a observar um destes, numa reverência para com os pombos. Queria ter gravado a cena, pois mostra muitos detalhes dessa convivência com tudo o que acontece nos lugares públicos. Ouvir as histórias destes é algo tocante. Observar de longe é uma coisa, se aproximar e estabelecer algum diálogo é outra coisa. Quando posso e consigo, sempre ganho muito, pois cada pessoa, por mais retraida que seja, tem histórias para contar.
Nestes quatro dias em Florença, o que mais fiz foi frequentar banheiros, pois a incontinência urinária anda pegando forte, depois a perdição absoluta que é sair sem rumo numa cidade como essa, fazendo questão de não seguir mapas. Se perder faz parte do negócio. Estive perdido, com um cartão nos bolsos e quando o calo doia, sacava do danado e me orientava. Acabava chegando ao hotel. Tivemos boas histórias, muitas debaixo de garoa por aqui. Nenhuma desagradável. Coisa mais chata e enfadonha é isso de seguir roteiros pré-estabelecidos, indo somente onde guias nos orientam. Quem gosta do ousado, adentra uma viela e segue em frente, sem saber no que vai dar ali na frente.
A cidade de Florença é uma perdição, pois as ruas são foram feitas simetricamente. São tortuosas e quebradiças. Começam aqui, logo ali terminam e desta começa outra, tudo isso sucessivamente. Ou seja, ótima para se perder. Na saída de algum lugar visitado, sendo levado de Uber ou mesmo pelos meios disponíveis, como ônibus ou metrô, o querer voltar caminhando sempre é uma boa aventura. desde que tenha tempo, adorável se perder e depois ir tentando se encontrar. Quando a língua ajuda, ótimo, mas quando se entende pouco, as dificuldades aumentam, junto com outros riscos. Placas indicativas ajudam muito, mas nerm sempre nos remetem a onde desejamos ir. Já segui muitas delas, mas desviado por outros interesses, sou levado para outros cantos.
E, como já disse, nada como se perder. Por aqui, se perder não é perigoso. Não presenciei nada de violência urbana e isso me faz ousar mais. Ouso dentro da medida do possível, pois ter tempo para fazê-lo, para vadiar é uma coisa e ter pouco tempo para fazê-lo é outra. E se perder com garoa nos costados, sacolas às mãos, isso não é lá muit oconfortável. Vivenciamos isso algujmas vezes por aqui e assim pudemos conhecer algo mais, que certamente se voltássemos de uber não o faríamos. Ruar é o mais gostoso de estar numa cidade diferente, ir descobrindo seus cheiros, sentindo com os pés seus detalhes. E o calçamento florentino é quase que em sua maioria constituído de pedras, lindo de ver. Ando bem nelas, sem percalços, mas quem possui alguma restrição neste sentido, sofre muito. O principal sofrimento é deixar de se perder pelos descaminhos possibilitados por um lugar como este.
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| Se perder por aí, virar uma esquina qualquer e seguir em frente, eis a alma do negócio. |


















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