segunda-feira, 9 de março de 2026


SEGUNDA E EU JÁ COM SONO, ENVELHECI, DEITO CEDO, NÃO SEM ANTES...

PASSA O TEMPO, IMPOSSÍVEL ESQUECER DESSA OCORRÊNCIA NA RONDON
Impossível passar perto do famoso trevo que dá entrada - e saída - para Bauru, avenida Nações Unidas com rodovia Marechal Rondon e não recordar do ali ocorrido em 2022, quando dias antes um conglomerado de bauruenses se reune no pátio da Havan, justamente com um dos filhos de Bolsonaro. Logo a seguir, tudo combinado, plano engendrado em requintados lugares destas plagas, feito de comum acordo com muita gente graúda desta terra, recheada de golpistas, quando interrimpem o tráfego da rodovia e surge assim do nada, um caminhão de som, com um locutor esbravejando a favor da insurreição golpista. O local foi se enchendo de verdes-amarelos e a voz irradiando pelos microfones não era conhecida, ou seja, foi importada, veio atuar aqui a soldo de algo previamente preparado. Foram tempos sombrios, quando ser contra aquilo e circular pelas imediações era mais que perigoso. Lembro que, um dia ousei ir ao supermercado Confiança Flex, ali ao lado, com camiseta com temas contrários e a atendente do caixa me alerta: "Você é muito corajoso. Esse pessoal aí fora é muito perigoso. Eu vejo o que fazem e fico quietinha". Sim, a direitona fascista é perigosa, diria mesmo, criminosa. Aquilo tudo ali ocorrido hoje faz parte da história, porém não é coisa do passado, pois quem bancou aquilo tudo, os bauruenses que não só apoiaram, como financiaram a invasão e bloqueio da rodovia, depois aquela bazófia defronte o quartel da rua Bandeirantes estão quietinhos, impunes e como o avestruz, com a cabeça enfiada num buraco. Mas o que fizeram naqueles dias na rodovia, com cobertura policial de toda espécie, inclusive com helicóptero, é inesquecível e marca definitivamente o citado trevo.

PORQUE NÃO DEVEMOS FUGIR DE QUEM SÓ QUER CONVERSAR
Essa se deu defronte minha casa, na praça!Salim Haddad Neto, a redonda detrás do Habib's da Nações. Num dos bancos, sempre tem gente meio que sem rumo. Param para descansar ou mesmo tentar ver qual vai ser o passo seguinte. Passo por ali e sobre o banco muitos papelões e um chinelo largado ao léu. Assunto, olho para os lados e alguém vem na minha direção. Ele gesticula e me chama: "Ei, posso lhe falar?". 

Nesses momentos, até como autodefesa, ficamos da defensiva. Bobeira pura, pois a abordagem não representava perigo algum. Na verdade, nos borramos por pouca coisa. Ele se aproxima e diz gostar demais daquela praça e me pergunta: "O senhor mora aqui por perto?". Respondo que sim e a partir daí iniciamos longa conversa, contando circular pela cidade inteira e gostando muito de ali descansar. "Tenho preferência pelos finais de tarde, quando os pássaros estão em revoada. Deito e fico vendo a festa nas árvores. A gente devia voar, como os pássaros, não acha?". 

O negócio foi longe. Poderia discorrer muito mais. Saio de lá e sigo meu caminho. Só depois me dei conta. Ele nada me pediu. Queria só conversar. Antes da despedida, pede para observar os pássaros: "Olhe, eles conversam muito entre si e eu sinto muito falta de conversar. Desculpe se lhe atrapalhei em algo".

Eis porque, como diz o ditado, é conversando que a gente se entende. Aprendi.
Obs: O moço chegando com o cão não tem nada a ver com o dono dos papelões. Ele só passava por ali, momentos depois do ocorrido.

PESSOAS CONSCIENTES E CORAJOSAS SÃO A SALVAÇÃO DESTE MUNDO
"Em tempos de silêncio conveniente, ver gente da cultura se posicionando é um sopro de honestidade. O cineasta Kleber Mendonça Filho lembra algo básico: jornalismo não é torcida organizada, e muito menos militância disfarçada de notícia. Quando alguém com projeção pública decide não se calar diante de distorções e manipulações, não está “se metendo em política”. Está apenas exercendo consciência cidadã. Isso é massa!", MALU PORTO.

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