FATOS E PESSOAS QUE SÓ A FEIRA DOMINICAL ME PROPORCIONA
Minha gente, tenham paciência comigo hoje. Voltei da feira - a do Rolo -, mais de 12h30, muito sol na moleira e só quero postar historinhas dos esbarrões e encontros fortuitos, alguns por querer, acontecidos no quadrilátero, considerado por mim como, "o espaço mais democrático" desta terra, antes denominada de "capital da Terra Branca", "terra do sanduíche bauru" e por último do "astronauta", um que foi pro espaço e pasmem, de lá nunca mais voltou. Algum tempo atrás, coisa de uns cinco anos, na entrada da Feira do Rolo, hasteada de forma pomposa e com a devida galhardia, a bandeira do Paraguai. Nada melhor do que assumir jocosamente, algo que lhe foi impingido, porém, não corresponde à verdade dos fatos. Quem lá frequenta sabe que, tudo por lá e muito mais original do que tanta bestialidade ocorrendo hoje em Bauru, vide os recentes acontecimentos políticos. Prometi ao pessoal da feira, arrumar uma nova bandeira, para não deixar a tradição se apagar e ser esquecida com o passar do tempo. As historinhas virão a seguir...
1.) A GRAZY foi durante um bom tempo uma espécie de Embaixadora da Feirado Rolo, reinando ali no principado do Bar do Barba, encruzilhada da Gustavo Maciel com a Julio Prestes. Não existiu sujeito sério que, não tenha por ali passado só para tomar uma cervejinha gelada e desfrutar da boa conversa dela proveniente. Ela morava ali perto, nora da escritora Isolina Brezolin Vianna, defronte aquele hotelzinho junto da entrada da Estação da Paulista, na quadra 1 da rua Agenor Meira. Comparecia num cortejo na feira. A feira dominical irradiava felicidade com ela ali presente. O tempo passou ela cansou e bateu asas. Sabe aquela máxima apregoando que, quando a gente é jovem, se aventura e sai por aí, mas depois, já com certa idade, isso não mais acontece. Pois bem, com ela isso não cola. Cansada de Bauru, resolveu lá com a família, filha já maior de idade, trabalhando por aqui, foi de mala e cuia morar lá em Cabo Frio, litoral fluminense. E agora, vez ou outra, volta, só para enfeitiçar, prosear com os sem coragem de ganhar o mundo. Hoje foi um dia destes. Ela circulou pela feira, cumprimentou tudo e todos, barraca por barraca e depois parou bocadinho na encruza, se benzeu e quando perguntada se volta, disse: "Quando volto fico uns 15 dias, mas o lado de lá é bom demais. Já me enturmei, agora por aqui, só mesmo a passeio". E assim, a legião de fãs pode se dar por contente. Grazy está irradiando felicidade e isso, pelo que se vê, é uma das melhores coisas deste mundo. E se ela está bem consigo mesmo, todos por aqui, os que a conhecem tão bem, nada têm para reclamar. Ela passou hoje como um raio pela feira e fez com que todos ficassem se perguntando: sempre é tempo de ganhar o mundo. Enfim, com ela deu certo...
2.) Quem conheci hoje na Banca do Carioca, o livreiro da Feira do Rolo é o DIRCEU COMINNI, professor aposentado de História da Arte, morador e agitador cultural da vizinha cidade de Agudos. Durante algumas décadas levou para turmas variadas de alunos, seus ensinamentos e junto disso, volta e meia, baixava aos domingos na famosa feira, tudo para se reabastecer com LPs, o famosos bolachões. Um dos locais onde mais gastou dinheiro por lá foi com o Carioca. Algumas vezes voltava com uma caixa, dessas de papelão cheias de novidades, pois mesmo com isso do LP estar inflacionado, com o Carioca tudo é possível, ainda comprando com algo mais do que no preço justo. Pela amizade e reciprocidade, o preço cai. Essa uma das particularidades do Carioca. Este me apresentou o Direceu e no papo que tivemos, eu me achava portador de uma bela coleção de bolachões, uns dois mil, entre os entra e sai. "Eu já passei da casa dos 13 mil. Fiz minhas próprias estantes, tudo num tamanho onde cabem mais. Agora, estou além dos discos, procurando mais um aparelho de som. Já tenho dois, mas quero mais um de reserva", começamos nossa confabulação. A conversa ia longe, o sol estava de rachar mamona e trocamos figurinha adoidado. Ele me conta particularidades do armazenamento e diz que, só agora, depois de aposentado, algumas vezes olha para aquilo tudo e chega a pensar em se desfazer de algo, mas quando bota mais um pra rodar, o som se irradia pela casa todo, pronto, esquece, como hoje, quando bateu saudade da feira, o Carioca e de ssaber se por lá não teriam novidades. Sempre tem. E assim, seu Dirceu volta novamente pra Agudos com bom carregamento de novidades, para se juntar as tais mais de 13 mil já catalogadas. Quem gosta de boa música, professor da coisa e arteiro por natureza, não fica sem aquela ecapulida, primeiro para respirar o bom ar proveniente das ruas e depois para fazer aquilo que está dentro de gente como eu e ele, aquela comichão, aquele formigamento que dá quando nso deparamos com um LP que ainda não temos. De algo eu tenho certeza, ele veio no lugar certo. Ele e Carioca são mais que conhecidos, amantes antigos, todos inveterados pelo gosto de ouvir música advinda dos inesquecíveis e insubstituíveis bolachões. Fazemos parte de uma legião.
3.) Ele é uma das pessoas mais simpáticas da feira dominical, pelo menos na sua parte baixa, envolvendo a rua Julio Prestes e a Feira do Rolo. ADILSON é vidraceiro profissional, dos melhores que já vi em atuação. O conheço da feira faz um tempão, sempre dando aquela força para o Barba continuar tocando seu bar em frente, ele e sua esposa, a faz tudo do portão para dentro, Neide Bincoletto, a que faz aqueles sucos todos, cheios de vitaminas e aditivos, vendidos depois numa barraca na quadra 1 da Gustavo. Ela lá dentro e ele do lado de fora do portão, grandão, uma das pessoas mais gentis que conheci na vida. Era até bem pouco tempo, o cartão visitas do bar, mas acabou se cansando e hoje, seu negócio é circular e recepcionar amigos na manhã de todo domingo. Tempos atrás, precisei de um vidraceiro, o conhecia da feira e nem imagina ser ele o cara que me indicaram para fazer um serviço meio complicado. Ligo na firma especializada e me dizem: "Fique tranquilo, vou te enviar o melhor". Quando abri a porta, além da surpresa, o melhor de tudo, Adilson trabalha muito bem, assim como conversa. Quem não trabalhou fui eu, pois só queria conversar. Semanas atrás estava chegando na feira e ao me ver de longe, me esperou na boca de entrada com um chopp na mão, tirado na perua instalada no local. Perguntei se era para mim e ele: "Isso é pra gente começar os trabalhos". E depois, todo mundo, quando nos reunimos, a Cúpula da Encruza, reunida na sombra de uma das barracas bem na esquina da Gustavo com a Julio Prestes, ele é o embaixador, o que recepciona todos e direciona os assuntos a serem discutidos no dias. Ou seja, é o dono da pauta. Adilson, com seus quase dois metros de altura é a cara mais simpática deste lugar, onde bato cartão todo domingo e quando falho, por algum motivo não compareço, ele é o primeiro, no domingo seguinte a me perguntar: "Tudo bem contigo, não faça mais isso. Quando faltar, avise, pra ninguém aqui ficar preocupado. Estamos entendidos?". E depois disso, um abraço e conversas que não terminam num simples domingo. Aqui numa foto com o advogado Marcos Alves de Souza e noutra comigo.
Macacos me bloguem. Aderi. Estarei juntando aqui, direto do meu mafuá particular, translucidação da minha bagunça pessoal, uma amostra de escritos variados, onde cabe de tudo (quase!) um pouco, servidas sempre, de forma desorganizada, formando um mural esclarecedor do pensamento de seu escrevinhador.
Pegue carona aqui e ao abrir a tampa do baú, constate como encaro tudo isso. Deixo cair rostos, palavras; alguma memória. O diálogo se instaura.
Abracitos do
Henrique Perazzi de Aquino - direto de Bauru S.P.
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