quinta-feira, 28 de agosto de 2025


COMO VOU DEVORANDO UM LIVRO, MEU 5° NO MÊS, NELE MANUEL BANDEIRA
Que seria dos enfrentamentos das agruras desta vida não fosse a companhia dos livros? Estes nos momentos onde estamos só para nós mesmo, são mais que acolhedores, diria mesmo, apaziguadores. Acalentam e impulsionam nossos sonhos. Com eles, tenho o fogo de minhas brasas aeternamente mantidas acesas. Neste último, uma primorosa edição da Alumbramento RJ, publicação do Instituto Nacional do Livro, com 21 poemas de Carlos Drummond de Andrade e muitos textos extraídos da obra de MANUEL BANDEIRA, 184 páginas, com fotos, dessas fazendo com que, o leitor viaje no tempo e no espaço e siga junto, parede meia com o poeta. Trata-se do "BANDEIRA A VIDA INTEIRA", motivo de ontem ter ido lá votar na eleição do Conselho da Comunidade Negra e querer voltar o mais rapidamente para casa, pois a querência de terminar logo o livro me corroia intensamente, fazendo com que deixasse de lado até uma quase irrecusável convite para tomar umas cervejinhas. Chego em casa e escrevo: "Eu não quero fazer nada na rua/ Quero voltar correndo pra casa/ Pra ver se termino logo a leitura do livro sobre o Bandeira".
Sabe aquele livro que está na sua estante já faz um certo tempo, ele te observando, você pegando outros, deixando ele para trás, mas uma só certeza, quando chegasse a hora de pegá-lo, iria devorá-lo de uma só talagada? Pois bem, fiz exatamente isso. Manuel Bandeira foi um dos nossos poetas mais fotografados. Ele se deixou clicar nos mais diferentes lugares e em muitas, ele nos lugares mais simples, junto do povo e também nos bairros por onde morou no Rio de Janeiro, quase sempre na rua. Essa, além das poesias e textos, a parte mais provocadora e na qual perdi mais tempo no livro, a viagem feita observando as fotos e imaginando como se deram. Isso me fez viajar no tempo e no espaço. Me transportei para alguns lugares e num certo momento cheguei a pensar de como teria sido instigando, provocador e divinal ter vivido naqueles tempos, final dos anos 50, anos 60/70 no Rio.
Queria copiar as frases, as que juntei, misturando as dele com as do Drummond, mas como anotei no meu caderno de notas, deixo aqui a foto e se tiverem saco para decifrar meus garranchos, irão ver o que me cativou. Este foi um dos poucos livros onde não me achei no direito de grifar com minha caneta marca texto. Marco quase todos os que leio. Este mais que uma obra de arte, decidi por preservá-lo intacto, sem máculas. Olhem para essa foto da capa, com o poeta lendo uma edição de um dos jornais mais intigantes daqueles tempos, o Correio da Manhã, que infelizmente não tive o prazer de folhear nenhum de seus exemplares. Cheguei tarde, ele se foi antes de meu interesse por jornais. Fui rato de leitura com o Jornal do Brasil, que felizmente comprava diariamente aqui em Bauru, chegando de trem, disponível ali na banca existente na praça Machado de Mello. Tudo neste livro me remete à forma como foi propiciado, por essa tal Edições Alumbramento. Bandeira é o próprio alumbramento. Adoro ler suas coisas quando descreve as coisas mais simples, a forma como enxerga as situações ditas como as mais banais, triviais e delas, com uma escrita tão singela, tira leite de pedra. Eu decidi, agora, diante dos meus 65 anos, nãoquero mais ler nada muito complicado, como teses e de teorias. Ficarei com estes neste estilo. Me ajudarão muito a ir tocando a vida até dobrar o Cabo da Boa Esperança.


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