terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

DA "PARIS É UMA FESTA" DE HEMINGWAY AO QUE VEJO E SINTO PELAS RUAS DESTA COSMOPOLITA CIDADE
Trouxe três livros para ler nesta viagem. Li todos os três e num deles, o do jornalista carioca Sergio Augusto, que leio desde os tempos d'O Pasquim. "E foram todos para PAris - Um guia de viagem nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald & Cia", editora Casa da Palavra RJ, 2011, 128 páginas. Devorei numa sentada, mas não consegui seguir nada do roteiro. O livro foi publicado baseado numa matéria encomendada a ele pela Folha de São Paulo, para uma edição especial do extinto suplemento de Turismo. Na edição do livro ficou uma graça, pois tem muitas fotos, as antigas e muitas atuais. Tivesse tempo teria seguido algo do roteiro, pois é sempre bom percorrer trechos já esquadrinhados por grandes do passado. Também a respeito li outro, bem mais elucidativo do período de ouro da cidade, lá pelos anos 20, quando uma nata boêmia e intelectual aqui aportou, se fixou e fez história. Trata-se do famoso "Paris é uma festa", do Ernest Hemingway. Já escrevi dele por aqui algum tempo atrás e hoje, ao ler algo dito por Sérgio Augusto, o mesmo me volta à memória: "Uma Paris que só existe hoje na lembrança, notadamente na memória das ruas, dos prédios, hotéis, livrarias, quiosques, bares, cafés, bistrôs e jardins onde os mais notáveis expatriés deixaram suas marcas".

Estar em Paris é mais que tudo, voltar ao passado. Ele está e continua muito presente por todos os lados desta cidade. De todas as que estive, sem sombras de dúvidas, a mais intigante e provocante. Gostei de todas as que estive, Porto, Lisboa, Roma, Nápoles, Florença, venez, Milão e Paris. Porém, Paris é muito mais do que a festa descrita pelo escritor norte-americano. Uma pena eu não falar a língua. Conversando com amigo brasileiro, ele me contava de seu irmão, que não quer saber de aprender a língua francesa, pela justificativa: "É uma língua morta". Pode ser, mas o charme dela, para mim, suplanta a de qualquer cidade norte-americana. Por aqui flui algo que mesmo em Nova York não vejo possível. Além de tudo, tem muito mais história, "anos luz" à frente. E o melhor de tudo, para mim é flanar por essas ruas. Aqui tem cada lugarzinho, pontos comerciais, tão delicados, não existentes em nenhum outro lugar do planeta. Paro diante de alguns destes e fico imaginando: como pode existir um lugar assim, ser um ponto comercial e gente ir ali, não para admirar, mas para comprar algo. O francês é diferenciado e isso me é encantador. Não consigo conversar com nenhum deles sem um bom intérprete, mas consigo me virar pelas ruas. Pego metrô, ando de ônibus e me safo sem me perder adoidado. Se perder por aqui faz parte do negócio e querer continuar perdido é que é a verdadeira perdição. Eu quero isso.

"Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem, sua presença irá acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel", escreveu Ernest Hemingway em carta a um amigo , 1950. Isso é uma coisa, porém a escritora Gertudre Stein, abelha mestra da Rive Gauche, outra estrangeira que aqui se fixou até seu falecimento, foi na veia: "Era em Paris que estava o século XX". Sim, era isso mesmo, mas no livro que leio ressalto algo mais desses estrangeiros que por aqui aportavam: "...convencidos de que era mais fácil e sobretudo mais chique, ser duro na capital francesa do que em casa". Mais do livro: Thomas Jefferson, o primeiro a proclamar que todo mundo tem duas pátrias: o país onde nasce e a França" ou "é incontável o número de aficionados que já foram a Paris para peregrinar os lugares onde os escritores e seus personagens circularam e encheram a cara", ou "Montmartre? É de outra era. (...) A pé, sempre a pé; flâneur que se preza não anda de táxi, nem de ônibus, flana tout simplement". 

No momento o que me cativa e me deixa transtornado, amante de papéis como sou, encontrar por aqui ainda em pleno funcionamento incontáveis bancas de revistas e jornais pelas ruas. Entro e mesmo sem entender uma linha, folheio várias e se não me impedem, quero trazer tudo, acreditando que um dia irei traduzir. As bancas daqui me atraem e me fazem desviar de qualquer caminho previsamente traçado. Creio eu, estar diante do país com o maior número de banacs de revistas do planeta na atualidade. Ou seja, o francês continua se interessando por ler no papel. As edições das revistas e jornais são pra lá de lindas e os caderninhos de escrevinhações, um mais lindo que o outro, todos merecedores do preço que ostentam. São caros, mas são verdadeiras obras de arte. Enquando Ana Bia quer visitar museus, tudo previamente agendado, eu me perco é nas bancas. Ficaria dias inteiros entrando numa e saindo de outras. Hoje mesmo, terça, 10/02, segui Ana em museus e amanhã já a avisei, ela me acompanhará. Iremos ruar e ela terá que ter a paciência que tive com ela. Iremos ruar o dia inteiro, chova ou faça sol e no comecionho da noite, convidada por uma amiga dela, dos seus tempos de ginário, aqui morando há mais de vinte anos, jantaremos pela aí. Ela sempre nos leva em lugares com a cara deste país. A França resiste e eu a admiro demais por causa exatamente disso. Gosto dos resistentes e este país e de uma beleza indescrítivel, justamente por este motivo.

Ficaria horas por aqui descrevendo algo dessa devoção pela cidade. Chego no hotel ao final de mais um dia, sempre muito cansado, pois andamos hoje à exaustão. Circulamos os quatro pela margen do Sena, Léo empurrando sua mãe numa cadeira de rodas e se continuasse a escrevinhação do dia, reservaria tudo o mais para os bouquenistes, os pequenos comerciantes, antes só de livros, espalhados pelos dois lados da margem do rio, hoje vendendo também souveniers para turistas. Foram tombados pelo patrimônio imaterial da humanidade e dão o toque diferenciando este rio de todos os demais. Já escrevi destes alguns anos atrás por aqui e em cada viagem quero ir revê-los. É como eu ir na Feira do Rolo lá em Bauru e não passar na Banca do Carioca, o livreiro da Feira do Rolo. Impossível. e o faço não para comprar nada, mas para tentar imaginar como se dava o trabalho dos pioneiros ali junto ao famoso rio. Isso me faz levitar sem tirar os pés do chão. Viajo de olhos abertos e se bobear caio no rio, ou na sua margem, onde gente corre o dia inteiro. 

Paro de escrever para arrumar as malas e dormir. Devo sonhar com o que encontrarei amanhã na despedida da cidade. Até...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026


PALAIS GARNIER E DIOR LA GALERIE
Tenho que confessar, se estivesse sózinho, não visitaria estes dois lugares e o fiz por causa de Ana Bia, a companheira de todas as horas. Ela havia já comprado os ingressos - caros, viu! - do Brasil, dia e horário agendados, inclusive prevendo o não enfrentamento de filas. Ela pensa em tudo quando em viagens. Para mim isto tudo é muito cômodo. Vou na valsa e, desta foirma tudo dá sempre muito certo.

Ambos os lugares não são nada revolucionários, no sentido exato da transformação social, porém, cada qual produz uma espécie de revolução. Tento descrever algo de ambas. Amanhecemos por aqui, o "Quarteto Fantástico", que voltou a se reencontrar em Paris. Começamos juntos nossa saga em Portugal, Porto e Lisboa, depois se separando, eu e Ana Bia estivemos na Itália e Edna e Leo na Espanha, Madri e Barcelona. Nos reencontramos no hotel Kyriad, junto ao portão de Clignancourt, bem na boca de um estação do metrô. Este lugar é escolhido pelo preço que, amiga de infância de Ana, agente de turismo na cidade, moradora nas proximidades nos consegue. Melhor impossível. 

Nossa manhã começa no hotel e depois se estendeu com andanças pelas ruas da cidade, mas principalmente com duas agendas previamente marcadas. A primeira no Palais Garnier, constituindo-se no maior teatro de óperas da cidade, em pleno funcionamento até hoje. Guardadas as devidas proporções, imagine-se dentro de uma visitação ao Tatro Amazonas ou mesmo ao Municipal carioca. É isso o que fizemos. Casa lotada, percorremos todas suas instalações, todas hoje constituídas como se fosse um museu, com peças expostas de suas grandes e inesquecíveis apresentações. O lugar é grandioso demais e presenciamos muitas jovens, de várias partes do mundo, chegando todas paramentadas, prontas como se fossem assistir a grande espetáculo e posam para fotos dos seus junto aos vários balcões existentes. Geram todas lindas fotos. Não tem como não ficar belo numa foto bem tirada num lugar destes. Até eu, já com cheiro e fisionomia distorcidas por quase vinte dias de ininterruptas viagens.

A decisão foi passear um pouco e uma grande loja da FNAC, ali pertinho caiu bem no gosto de todos. Eu, como devoto de papéis e caderninhos me esbaldo. Por aqui, uma mais lindo que o outro. O preço, quando convertido para nossa moeda é que não é nada convidativo. Relaxo e faço o que posso. Trago alguns poucos. Nem almoçamos e vamos para a Galerie Dior, onde toda a história do estilista e o costureiro mais famoso do planeta, Crhristian Dior tem contada sua saga e história. O cara, quer queiramos ou não, foi mais que bom. Dedicou sua vida para a alta costura e a produziu desta forma e jeito, para todas as famosas deste planeta. Hoje tudo reunido numa Fundação, administrando o local. São 3 andares e 13 ambientes diferentes, todos interligados. Na verdade, eram dois prédios, que foram unificados e adaptados. Neles tudo o que Dior produziu, numa exposição com um visual indescritível. Ao final, até mesmo para um crítico como eu, tenho que confessar, tudo maravilhosamente montado e impecável exposição.

Rodei o espaço todo junto de Ana e Edna - Leo foi bater perna na rua -, empurrando sua cadeira de rodas e acompanhados de uma funcionária da Fundação, por acaso chilena, quando pudemos conversar em espanhol com ela, tivemos mais que um tratamento vip. Circulamos por elevadores e lugares que o visitante não tem acesso. Desfrutamos todos der uma rara tarde. Na saída, uma região cheia de lojas de grandes marcas da moda mundial e difícil encontrar um restaurante com preços, considerados por nós, como possíveis. Andamos um pouco e nos deparamos com um, numa praça, tendo ao fundo a Torre Eiffell. Gastamos os tubos, mas enfim, desfrutamos de uma tarde admirável. Cansados, voltamos os quatro para o hotel. Teve mais, mas conto depois. Ser e estar turista, tendo já quase 20 dias nos costados, canso um bocado. Depois der algo intenso, nada como uma boa e confortável cama, onde normalmente mergulho de cabeça. 

Faltam três dias de passeios por Paris e, ciente de que tudo está chegando ao fim, durmo pouco, descanso menos ainda, escrevo só o que consigo, diante de tantas oportunidades e assim, tento retratar bocadinho do que vivencio. Paris, para mim, é uma supresa em cada esquiona. Adoro principalmente os lugares pouco mais distantes do centro turístico e nervoso, quando perambulo pelas ruas e me encanto com tudo que vejo. E como não paro de ver coisas interessantes, estou meio que em transe. Quando sair deste estado, espero voltar ao normal, algo que, creio eu, só acontecerá no Brasil e depois do Carnaval, de estar junto do bloco do Tomate, de sair na Estrela do Samba, Estação Primeiro de Agosto e Coroa Imperial. É muita coisa para o já combalido corpo de alguém com 65 anos e já um tanto carcomido pelo tempo. Sigo em frente, sem olhar muito para trás ou mesmo, pensar nas consequências, enfim, quando mesmo poderei voltar a por os pés por aqui. Só aqui no Kyriad já é a terceira vez e espero voltar outras, pois tudo o que vejo nas imediações me atrai demais da conta, mesmo não falando uma só palavra em francês. Sou um mímico indescritível.

domingo, 8 de fevereiro de 2026


CHEGANDO EM PARIS

ESTOU FARTO
"Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
do lirismo funcionário público com livro de expediente, protocolo e manifestação de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismo universais
Todas as construções sobretudo a sintaxe de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo".
(Trecho do poema 'Poética' de Manuel Bandeira, in: "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva)
 

O TOMATE ME ACOMPANHA ONDE ESTIVER
Acordo onde me encontro neste momento, Milão Itália, café da manhã tomado num dos Íbis pelo caminho e ao me preparar para mais uma viagem, a que nos levará para a última estada desta longa viagem anual, Paris França, sento a bunda diante do meu computador e reflito sobre algo me embalando neste exato momento, a 14ª aparição em praça pública do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO. Por sorte, este bloco é mais coletivo do que possam imaginar, pois eu cá distante, pouco posso fazer pelos encaminhamentos dessa saída e outros o fazem a contento, como idealizado desde o princípio. Lindo carnavalizar e ir sendo levado por algo coletivo, uma motivação festeira e, ao mesmo tempo, com essa nossa inegável e indelével pegada social.
Fausto Bergocce nos presnteou com a estampa da camiseta. Tobias Terceiro descerrá conosco, com músicos da Estação Primeiro de Agosto, cantando e fazendo baurulho, Mauricio Dos Passos, lá de Pederneiras contratou quem vai cuidar do som, Nel Marques e Cátia Machado fizeram a letra da marchinha destes 14 anos, a "Desde 2013 chinelando quem pisa no tomate", gravando e espalhando nosso hino paar este ano. Tem mais, Valquiria Correa, faz um trabalho esplêndido, organizando a venda das tais camisetas, contando com apoio de outros tantos. Rose Barrenha organiza os convites para outros grupos a nós se juntarem. E junto destes, tomateiros despontam de todos os lados, modos e maneiras. Lá no Bar do Genaro, o Fabrício, nosso quartel general para desfilar e depois se reabastecer - algo que deve ser feito também antes. E assim, um convidando o outro, surgem gente advinda das mais diferentes localizações. O importante é estarmos juntos, coesos e cientes do papel a ser cumprido. Temos também um lema, seguido ano após ano, o do "fazemos festa, mas estamos putos da vida". Festemops, enfim é carnaval, a maior festa popular brasileira, mas se faz necessário gritar bem alto com os que "pisam no tomate".
E na junção disto tudo, eu cá do outro lado do oceano, penso em tudo e vejo tudo caminhando, chegando o dia. A Prefeitura exige novos procedimentos, estes sendo finalizados. No nosso caso, somos e continuaremos sendo ad aternum, um bloco de rua, onde alguém diz que o furdunço deve acontecer no sábado de Carnaval, 14/02, 12h e assim as pessoas surgem e o agrupamento desce o Calçadão. A organização é para ter um mínimo de condições, um barulho alto, no mais desorganizados seremos. Somos rueiros, barulhentos, como me disse certa feita um policial, "você parecem siri na lata". Podemos ser, porém, temos ideal, sabemos muito bem dos motivos de nos reunirmos anualmente. Para os próximos, sempre idealizamos, algo mais sólido, com atividades o ano todo, mais incisivos com os tantos merecedores do Prêmio Desatenção. Neste ano, a Família Rosin num todo está recebendo a comenda, pelo conjunto da obra e nosso MUSO é uma justa homenagem a quem desde sempre chinelava estes, o Antonio Pedroso Jr, o popular Chinelo. Para as artes do Prêmio Desatenção, contamos com a colaboração de Fernando Redondo e para a do Muso, com a de Dirceu Mosquette Mjunior, cada qual dando seu quinhão para, no conjunto da obra, tudo dar muito certo. E muitos outros colaboradores que, neste momento, me escapam o nome. Na verdade, por ser tudo coletivo, cada qual cumpre um papel.
Eu adoro ficar escrevinhando do Tomate. É isso tudo aqui dito e muito mais. E este algo mais irei postando, junto com outros fazendo a mesma coisa, para ampliar a adesão, fazer com que estejamos, como em todos os anos, bem representativos. Jogo que segue, chegando o dia, faltando uma semana e todos se energizando para chinelar com força neste ano. Vamos juntos?

sábado, 7 de fevereiro de 2026


AMIGOS A GENTE ENCONTRA - DUAS EM MILÃO

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MILÃO, AS OLÍMPIADAS DE INVERNO E NÓS DOIS NO MEIO DISTO TUDO
São tantas coisas e tão pouco tempo para escrevinhações, que nos poucos encontrados, a busca por tentar deixar registrado algo significativo disso tudo sendo vivenciado. Só por pode conseguir circular mais uma vez pela cara Europa, reconheço, um baita esforço realizado e sendo concretizado. Vir até aqui pessoalmente conhecer algo do que foi deixado pelos aqui estiveram num passado histórico, ver com os próprios olhos é algo divinal, sem explicações. Ler e ver por imagens pelos neios disponíveis, porém distantes deste contato é bem diferente. Daí, tudo vale a pena, inclusive o cansaço que nos abate após a longa caminhada. Continuar a viagem e seguir o planejado não é algo fácil. Num roteiro com visitas diárias, uma atrás de outra, cidade após cidade, tudo embola na sua cabeça. No momento damos sequência e só depois, quando do retorno, após o descanso necessário, daí sim, poeira assentada, as avaliações da grandiosidade do vivenciado. Estamos na fase de continuação e assim temos pela frente mais alguns dias.

Ontem estávamos em Veneza, lá estivemos com o propósito de conhecer a experiência de uma famoso museu, o de Peggy Guggenheim e sua famosa coleção. Chegar por lá de trem, numa cidade marítima, patrimônio da humanidade e parte dela dentro do braço do mar, já é algo fora do comum. A cidade respira história. Foi uma passagem rápida, inclusive a viagem dentro dos barcos que fazem o transporte coletivo na cidade. Isso é único no mundo, um barco parando em lugares que possibilitem a caminhada por trechos sem água. E as construções todas envolvendo os visitantes. Por lá, uma intensa movimentação contrária a este número avassalador de turistas invadindo seu espaço. Passaram a cobrar uma taxa extra destes e mesmo assim, continuamos a chegar em larga escala. É necessário entender a visão do turista e mais que tudo, a do morador do lugar. Milão sempre viveu do turismo, mas hoje, pelo que vejo, ele precisa ser contido, ou melhor, controlado. 

Vejam como se dá as coisas durante uma viagem, quando começo escrevendo de algo e quando me dou conta já estou em outro assunto. Todos são interligados. Deixamos Venezade trem e já aportamos em Milão, em busca de outras experiências. Elas despontam em cada caminhada. O andar de trem, malas pesadas sendo carregadas por diferentes estações ferroviárias é para mim, filho e neto de ferroviários é algo doído, diante do que já tivemos no Brasil de antanho e perdemos, deixamos que o lobby rodoviário, inclusive do seu Franciscato, exterminasse. As estações de trem européias funcionam e quando ocorrem atrasos, avisam pelo autofalante interno do trem da possibilidade de ressarcimento. Descemos na de Milão e o deslumbre se dá no visual. O local é lindo, construído numa época onde ssua existência valorizava a importância do trem para o transporte de passageiros. É além da praticidade ali vivenciada, uma obra de arte. 

E caímos em Milão, que exatamente neste momento vive a abertura das Olímpiadas de Inverno, evento visto pelo mundo todo. A cidade está muito policiada e com reflexos disto por todos os lados. Os eventos marcantes da Olimpíada atraem gente do mundo todo e estamos aqui, nesta data por mero acaso. Não viemos pelo evento esportivo, mas ele, por sua grandiosidade, não existe como passar batido, indiferente. Juntamos o que viemos fazer com essa novidade. Sirenes a todos instante com passagem de delegações e autoridades, ruas interditadas e com ela, o acesso para museus. Perdemos uma vista por causa disto, o acesso ao Trienale Milano, com ingresso comprado. Não fomos neste, mas circulamos uma boa parte da tarde pelo belíssimo Castello, uma edificação murada imensa e na parte interna, um parque. Vários acontecimentos olímpicos ali também acontecendo. E depois o passeio pelo parque ao lado. Perde-se de um lado e ganha-se de outro, vantagens e desvantagens de qualquer passeio.

E depois de tudo, o desfrutar do que a cidade lher oferece. Tenho procurado me desligar de tudo o mais, mas no meu caso impossível, pois do outro lado do mundo, o bloco Bauru Sem Tomate é MiXto nos preparativos para mais um ano de apresentação, este ano com "Desde 2013 chinelando com quem pisa no tomate" e eu, um dos seus organizadores, cá estou com o pé em duas canoas e tentando remar ao mesmo tempo para dois lugares. Até o momento, dando tudo certo. Daqui para Paris, a última estada da viagem e depois Bauru e o Tomate. Parar mesmo, só depois do Carnaval, mas na sequência, a finalização de um bonito trabalho de Memória Oral em Tibiriçá, onde reúno depoimentos com personagens do distrito. Minha vida foi e será sempre assim. Se parar, feneço. Daí, sigo sempre em frente, tentando ser, fazer e acontecer. Algumas vezes, consigo...


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026


DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS - PARTE DOIS
5.) REGISTRANDO GRAFITES PELAS RUAS
Dentre todas as fotos que vou tirando pelas andanças que faço, gosto muito de registrar as dos muitos grafites. Estes representam para mim uma manifestação das mais interessantes e instigantes nas paredes mundo afora. Nelas encontro e tomo conhecimento de muitos artistasd, a maioria anônimos, porém com trabalhos bem direcionados e posicionados. Por aqui não é diferente. Dentre a imensidão de fotos que vou tirando por onde passo, o grafite sempre estará presente. Neste aqui, alguém me informa tratar-se de um artista que, pode ser visto em muitos cantos de paredes, mais precisamente em esquinas e sempre com este óculos, misturando o passado e o presente, numa velada crítica e também, jogando um pouco mais de luz, algo de hoje no ontem. São muitas as manifestações e tento ir entendendo, primeiro a intenção, depois com o tempo, devido a uma atenção maior, consigo até ir identificando nomes famosos. Tem tanta gente hoje famosa tendo começado desta forma, se expressando nasruas. Tem quem critique tudo, misturando as bolas e confundindo estes com a pichação e tascando o pau, simplesmente por fazerem o que fazem em paredes alheias. Eu sei distinguir muito bem um do outro e até na pichação vejo e entendo seu significado, numa grafia muito parecidada mundialmente. Podem ir reparando nas publicações que faço, nos registros aqui deixados, tem muito disso tudo. Eu sempre tentando entender e decifrar as muitas mensagens deixadas pelas paredes. Paro tudo, peço para quem comigo caminhe, que espere um pouquinho, pois não deixo o momento passar, vou lá e clico.

6.) DOS LEITORES DE RUA, DOS CONFESSIONÁRIOS E MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA
Sou atento observador dos detalhes do que vejo nas ruas. Na verdade, sou um andarilho e como registrador sou pífio, pois minhas fotos não são lá essas coisas. As faço sem técnica, na verdade, vou lá e clico, tentando captar algo e enquadrar da melhor maneira possível. Em muitos casos, o momento exige rapidez e daí, o registrado nem sempre sai a contento. Para mim, neste casos, vale muito, pois ao revê-las me remetem de volta naquele momento vivido. E como, para mim, tudo rende uma história, cá estão mais algumas delas.

Essa me fez voltar quando da entrada de uma igreja cheia de obras de arte e é a de um cidadão comum, sentado numa marquise, se protegendfo da garoa lá fora e lendo. Adoro encontrar com gente lendo. Isso para mim é muito encantador. Como leio muito, quando me deparo com outros fazendo a mesma coisa, no mínimo já quero ir lá e assuntar do título. No Brasil, infelizmente encontro cada vez menos gente lendo pelas ruas. O que encontro muito - por aqui também - são os com seus celulares nas mãos e com livros mesmo, não tanto como antes. Tenho notado que aqui também tem diminuido o número de livrarias abertas, porém, as que resistem são todas encantadoras. Ah, se soubesse italiano, com certeza, teria problemas mil com minha bagagem, pois certamente ultrapassaria a quantidade máxima de 23k para adentrar o avião sem incorrer em excesso de bagagem. Um luxo ter excesso devido a livros, porém o preço a pagar, como é salgado, melhor se segurar. E dai, quando vi este cidadão, com sua mochilinha e um pacote envolto em plástico, dando um tempo na vida, lendo numa boa, bateu aquela incontrolável vontade de ir lá sentar ao seu lado. Sou puxado para o que ali me trouxe, mas ao registrar me lembrarei dele para sempre.

Talvez poucas pessoas diante de um imensa igreja, recheada de obras de arte, reparem nos confessionários. Eu reparo em todos, mas não encontrei nenhum deles nas andanças por aqui, que estivessem em uso, ou seja, com algum fiel relatando seus pecados aos padres. Eu já fui em alguns destes quando ainda professava a fé católica e em todos, me lebro, ia assustado, pois me diziam teria que contar tudo e receber a penitência. Nunca que iria contar tudo para um padre. Contava algo, mas escondia sempre o mais picante, aquilo que não se conta pra ninguém. E por aqui, vejo confessionários de todas as formas e jeitos, pra todos os gostos e de acordo com a igreja visitada. Num templo grandão, confessionários que são também verdadeiras obras de artes, noutros mais modestos, mas todos presentes. Outro lugar que observo muito são os púlpitos, aquele lugar mais alto de onde o padre falava aos fiéis numa posição elevada, do alto, observando melhor sua platéia. Tem uns muito bonitos por aqui, mas creio, não sejam mais utilizados. Tudo isso faz parte do cenário mínimo de uma igreja católica. Como voraz registrador, vou captando alguns destes. Essa história de confessionário já foi registrado em muitas novelas e filmes, livros idem, com consequências inimagináveis. Imagine alguém com informações confidenciais de uma pessoa, tendo sob seus costados que, não poderia divulgar aquilo para ninguém, porém, como a "carne é fraca", tudo pode acontecer depois do fato revelado.

E por fim, observo muito os moradores em situação de rua. Dizem por aqui, que em sua maioria são imigrantes, porém, observo muitos de cada país também nessa situação. Não quero ficar deitando falação sobre dos motivos, pois cada caso é um caso. O que machuca o ser humano internamente é a situação, eu de um lado conseguindo passear, me divertir e outros tantos nem tendo o que comer, vivendo nas ruas. E aqui, com o agravante deste morador viver sob um clima totalmente desfavorável, frio intenso. Vê-los pelas ruas é pensar nisto tudo. Não dá para ficar indiferente em observar uma pessoa deitada quase que na chuva, enrolada num puído cobertor, no fim de uma escada que me levará para um visita paga dentro de um templo religioso. São estes os tais invisíveis deste mundo. E algo também observado por mim, como alguns de tanta convivência com os pássaros das paraças, principalmente os pombos, convivem com eles numa espécie de congraçamento. Parecem que interagem entre si, se conhecem e dividindo o mesmo espaço, sabem cada qual onde pisam. Fiquei a observar um destes, numa reverência para com os pombos. Queria ter gravado a cena, pois mostra muitos detalhes dessa convivência com tudo o que acontece nos lugares públicos. Ouvir as histórias destes é algo tocante. Observar de longe é uma coisa, se aproximar e estabelecer algum diálogo é outra coisa. Quando posso e consigo, sempre ganho muito, pois cada pessoa, por mais retraida que seja, tem histórias para contar.

7.) SE PERDENDO PELAS VIELAS E RUAS, TODAS MUITO PARECIDAS
Nestes quatro dias em Florença, o que mais fiz foi frequentar banheiros, pois a incontinência urinária anda pegando forte, depois a perdição absoluta que é sair sem rumo numa cidade como essa, fazendo questão de não seguir mapas. Se perder faz parte do negócio. Estive perdido, com um cartão nos bolsos e quando o calo doia, sacava do danado e me orientava. Acabava chegando ao hotel. Tivemos boas histórias, muitas debaixo de garoa por aqui. Nenhuma desagradável. Coisa mais chata e enfadonha é isso de seguir roteiros pré-estabelecidos, indo somente onde guias nos orientam. Quem gosta do ousado, adentra uma viela e segue em frente, sem saber no que vai dar ali na frente.

A cidade de Florença é uma perdição, pois as ruas são foram feitas simetricamente. São tortuosas e quebradiças. Começam aqui, logo ali terminam e desta começa outra, tudo isso sucessivamente. Ou seja, ótima para se perder. Na saída de algum lugar visitado, sendo levado de Uber ou mesmo pelos meios disponíveis, como ônibus ou metrô, o querer voltar caminhando sempre é uma boa aventura. desde que tenha tempo, adorável se perder e depois ir tentando se encontrar. Quando a língua ajuda, ótimo, mas quando se entende pouco, as dificuldades aumentam, junto com outros riscos. Placas indicativas ajudam muito, mas nerm sempre nos remetem a onde desejamos ir. Já segui muitas delas, mas desviado por outros interesses, sou levado para outros cantos.

E, como já disse, nada como se perder. Por aqui, se perder não é perigoso. Não presenciei nada de violência urbana e isso me faz ousar mais. Ouso dentro da medida do possível, pois ter tempo para fazê-lo, para vadiar é uma coisa e ter pouco tempo para fazê-lo é outra. E se perder com garoa nos costados, sacolas às mãos, isso não é lá muit oconfortável. Vivenciamos isso algujmas vezes por aqui e assim pudemos conhecer algo mais, que certamente se voltássemos de uber não o faríamos. Ruar é o mais gostoso de estar numa cidade diferente, ir descobrindo seus cheiros, sentindo com os pés seus detalhes. E o calçamento florentino é quase que em sua maioria constituído de pedras, lindo de ver. Ando bem nelas, sem percalços, mas quem possui alguma restrição neste sentido, sofre muito. O principal sofrimento é deixar de se perder pelos descaminhos possibilitados por um lugar como este.
Se perder por aí, virar uma esquina qualquer e seguir em frente, eis a alma do negócio.


DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS 
01.) UM PERUZZI, MUITO PRÓXIMO DE "PERAZZI"
Certa feita, muitos anos atrás, localizei gente dos PERAZZI na Itália. Escrevi para eles e recebi de volta um catálogo do que fabricavam. Eram armadores, mas armas antigas, escopetas e afins, mais para guardar como recordação. Lindo catálogo. Nunca mais tive nenhum contato com ninguém na Itália com o sobrenome idêntico ao meu. Sei que alguns dos meus antepassados, parte de minha mãe, vieram da Itália. Nunca fui atrás de levantar a árvore genealógica. Meu irmão Edson tentou algo neste sentido, mas por falta de tempo, parou. Agora, aqui nas ruas molhadas de Florença - não pára de chover, leve garoa, mas incessante -, vejo essa loja com algo bem próximo. Não entro, pois sem tempo para especulações e ciente de que, pelo visto uma franquia ou mesmo filial, nada encontraria de concreto. Segui em frente, mas tiro a foto e sei, viemos os Perazzi de algum canto da Itália. Minha tia de segundo grau, Norma, aeromoça das antigas, aqui se estabeleceu e vive até hoje. Perdi o contato. Quando me perguntam de que região são os Perazzi, desconverso, pois nada sei, porém quando me deparo com algo próximo, a memória é reativada, ao menos por instantes. Este elo de ligação, para mim está perdido. Toco meu barco com os que conheço, Perazzi's ou mesmo os Aquino's. Vida que segue.

02.) O JORDANIANO E MEU NOVO CINTO
Me desfaço de um cinto velho segurando minhas calças nas ruas molhadas de Florença. Compro um novo, 20 euros e junto um avental com o pinto do David, que levo para Bauru e nem sei o usarei. Compramos coisinha por serem vistosas, porém, a relegamos depois a permanecerem penduradas num canto qualquer da casa. Escrevia do cinto. Um simpático jordaniano me atende, corta a mesma, por ser grande demais e faz novos furos, tudo ali na rua. Um camelô ao estilo florentino, barraca como algumas que vejo no Brasil, atuando para um comerciante que os coloca nas ruas, tendo várias delas e o imigrante fica ali, exposto ao sol e chuva. Diz ganhar bem, pois já tem 20 anos de Itália. Conta histórias para mim do rei da Jordânia, traduzidas pela Ana Bia, que fez curso intensivo para aprender algo do italiano. Eu já nem gtento mais, pois meu chips, pelo visto não comporta mais comnhecimentos novos. Nem os velhos ele mantém guardados certos detalhes, quanto mais um novo. Gosto mesmo da conversa e da simpatia do jordaniano, que na sequência me apresenta um outro igual a ele, este também com quase 20 anos na cidade, advindo de Volta Redonda, portanto, faz questão de me ressaltar, "não sou carioca, sou fluminense". Prolongo a conversa na única língua que sei me comunicar a contento. Um brasileiro quando passa muito tempo fora de seu país, pelos menos em alguns que aqui contatei, falam em voltar, mas estão numa outra, vivenciaram algo bem diferente da vida no país nativo. Não sei explicar isso, mas neste, observei como possui um certo desdém do lugar onde veio, talvez meio de retroceder. Na vida, somos assim, caminhamos para lugares nunca dantes navegados e quando o fazemos, morremos de medo de voltar para trás. Meu novo cinto está firme na minha cintura e dele, toda vez que o ajustar nas calças que estarei vestindo, me lembrarei da fisionomia do jordaniano a me dizer: "Para mim foi muito bom ter saído do lugar de onde vim. Aqui conquistei algo mais".

3.) O "LAMPREDOTTO" É UMA ESPÉCIE DE BUCHADA DE BODE DAQUI
Estávamos em dois casais e batendo perna pela cidade, logo depois da saída de um dos museus, chovia e numa das esquinas nos deparamos com uma das casas com culinária das mais conhecidas por aqui, a TRIPPA E LAMPREDOTTO DA VINATTIERI. Este nosso casal de amigos moram por aqui há alguns anos, portanto estava nos ciceroneando pelas vielas todas fora do padrão, nada simetricas. Ele havia me falado das maravilhas de comer algo bem próximo da dobradinha brasileira e aqui com este nome, "lampredotto". Na verdade, na panela lá do Vinattieri estavam as tripas de porcos e vaca, algo bem ao estilo do que já conhecemos muito bem no Brasil, que no Nordeste recebe o pomposo nome de buchada de bode.

As mulheres passaram ao largo, viraram o rosto, mas eu e o amigo caímos de boca. Tudo já estava mais ou menos pronto numa grande panela, fumacinha e cheiro bem à mostra. O atendente, que não sei se é o tal do Vinattieri, cortou no meio um imenso pão italiano, fofeou o meio e tascou o grude. Depois colocou numa prensa quente e serviu pelando de quente. Esperamos um tempinho para a fervura diminuir a caloria e mandamos ver. Comemos com gosto. A diferença que senti de algo feito lá no Brasil para essa é o tempero. Aqui o italiano e lá, o nosso. Foi algo para sujar a barba. O lugar é apertado, modesto, mas não param de chegar pedidos e não de turistas, mas de locais, diria mesmo de trabalhadores, ao estilo daqueles que no Brasil andam com aqueles caixotes às costas.

Sinceramente, gostei. Pode não ser uma sumidade culinária, pois segundo ouço deste amigo aqui residente, este tal de lampredotto pode ser comparado com a história da feijoada, quando os negros comiam o que sobravam, os restos dos animais e daí, com isso, jogaram tudo nas panelas e deu na iguaria hoje refinada da feijoada. Por aqui, algo parecido, quando os mais abastados comiam o filé sobrando para a patuléia o restolho, que jogado na panela, hoje se transformou numa iguaria muitoi procurada. Ana e a esposa do meu amigo, ficaram promegtendo que naquele dia não mais nos beijariam, mas isso peredurou pouco. Logo na frente, querendo resolver a questão, inventamos de parar num Starbuck, só para fazer xixi e, é claro, lavar o rosto, no meu caso a barbicha branca, toda com aquele sabor do outro mundo. Essa a história de como acabei provando a tal da dobradinha aqui dos florentinos.

4.) VI RETRATADA MARIA MADALENA NUM QUADRO DE UM MUSEU
Nas igrejas, templos e museus aqui de Florença, o que não falta é santo ou gente da igreja, em retratações os valorizando, tudo com o intuíto de serem vistos como pessoas santificadas. Tem para todos os gostos, ou seja, santos para todo tipo de especialidade e devoção. Jesus Cristo então, está retratado de todas as formas, as possíveis, imagináveis e também as inimagináveis. Em todas as versões, algo um tanto parecido da figura do Cristo, como sempre o vimos. Em algumas, ele muito do bonitão, estiloso, porém, sangrando na cruz ou nas penitências todas de uma vida dedicada ao que acreditava. Só por uma vez vi uma retratação de Maria Madalena, a tal prostituta a fazer parte das histórias envolvendo Cristo. Nessa pintura, ambos meios ressecados pela exposição a todos as intempéries de uma vida verdadeiramente difícil. Essa mulher e sua história, se apresentando como prostituta é uma das que sempre me despertaram minha maior curiosidade. Como deveria ser a vida de uma prostituta naqueles tempos? No mínimo qualquer ser normal ficaria infestado de proeminências venéreas. Esquálida, amarelada, fraca, magra e com uma cara das mais sofridas, eis a Maria Madalena e sua instigante história de vida, fazendo com que, o próprio Jesus Cristo fosse arrebatado. Talvez seja essa a cópia mais exata do que tenha sido de fato Maria Madalena. Viver nas condições que viviam, passando longe qualquer tentativa de saneamento básico, eis que a dura realidade dos acossados pelos romanos nos apresenta uma imagem bem próxima do que aconteceu nas beiradas erebarbas deste mundo. Sei, não precisam medizer, que tudo isso é fruto de belos escritos, uma história narrada por muitos, trazida a nós através dos séculos e que, sabe-se lá aconteceu de fato. O homem sempre foi um bom contador de casos e alguns destes atravessam o tempo, sendo petrificados como realmente vividos.

OBS.: Estes relatos continuam, mas num outro post amanhã.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026


AS VELHAS QUESTÕES QUE TODOS PERGUNTAM: MAS POR QUE NAS ESTÁTUAS SÓ MOSTRAM O SEXO MASCULINO E A FEMININA ESTÁ OCULTA?
Fui em busca de quem pudesse me esclarecer com maior profundidade. Eu supostamente acreditava ser fruto de uma espécie de machismo da época, guardado todas a enorme diferenciação existente entre quanto foram feitas e o tempo presente. Enfim, o homem continua sendo o condutor, não só da História da Humanidade, como a sua versão é a que vingou ao longo do tempo. Se o homem decide, ele impôs que assim fosse feito, o falo masculino está presente na imensa maioria das estátuas e em nenhuma delas, a genitália feminina. No lugar da vagina, uma superfície lisa. E daí, essa pergunta atravessa os séculos e quando fui questionar a professora carioca de História da Arte, Ana Maria Rebello, ela antes de me dar uma aula sobre o assunto, me disse: "Essa pergunta todos os alunos sempre me fizeram".

"Henrique, eu costumava mostrar para meus alunos que essa questão tem várias perspectivas. Você pode olhar por diversos pontos de vista. Trata-se de uma construção histórica e cultural. Em cada época, em cada sociedade você tem um olhar, uma compreensão, que vai se atualizando a cada geração. Essa época que você me pergunta, o Renascimento, já tinha passado pela Idade Média. Já tinha tido também uma influência muito grande da religião, do Cristianismo nos costumes. O mecenato renascentista estava ligado a uma esfera de poder e uma das coisas que o Michel Foucault fala da história da Sexualidade, com a visão dele, é que as estruturas do poder também tem uma influência muito grande e havia por parte dos mecenas algumas exigências quando os artistas faziam as obras encomendadas por eles. E quando se tratava de Mitologia havia uma pequena liberdade para se criar os corpos. é claro que os atributos masculinos tem a ver como a sexualidade era narrada pela própria mitologia. O fauno é fauno, a gente sabe. Os artistas se sentiam um pouco mais livres para mostrar isso. Com relação à mulher, o Cristianismo fez com que, a maneira como fosse tratada a imagem feminina, bem mais discreta. Os artistas não podiam ultrapassar muito os limites dessa representação. No máximo seios à mostra, as formas dos corpos insinuada sob tecidos muito leves, transparentes, mas nunca uma exposição exagerada. Isso tem a ver com tudo, com o controle social, do poder, da entrada dos valores cristão. Esses mecenas patrocinavam inclusive obras para as igrejas. Nas igrejas tudo era muito mais controlado".

Ela me diz mais e aqui compartilho, enfim, seus alunos perguntavam muito disso: "Alunos querem saber de tudo. Eles nos pergutam porque é uma coisa que diz muito para eles, em relação às mudanças do olhar pra sexuaalidade que a gente está tendo na atualidade. A gente olha para essas imagens com os olhos do nosso momento atual, mas a gente tem que pensar que aquilo foi construído dentro de um outro contexto, outros olhares, outras necessidades, outros controles. O artista não podia simplesmente fazer o que ele queria. Realmente ele tinha limites. Todas as representações da arte, seja ela institucionalizada, qualquer forma, está ligado ao contexto cultural da época com que aquele artista pertence. E ele ao expressar-se expressa aquilo que vive no tempo em que está. Ele também expressa um pouco dele próprio. Isso da beleza dos corpos, do trazer de volta o classismo da Grécia, que havia uma correção na apresentação da anatomia, porém idealizada. O Renascimento procura tratar os corpos com uma realidade mais cuidada, mas ainda idealiza, embelezam, porque era essa a forma de reitenpretar o classicismo que os artistas do período incorporam. Esse assunto é pano pra manga, tenhho muito o que te explicar sobre este assunto e se quiser, me ligue com tempo e ficaremos horas neste debate".

Ana Rebello sabe tudo e me elucidaria muito os questionamentos. Perguntei mais, sobre os corpos esbeltos retratados, se representavam a realidade dos fatos. E sobre a explícita homossexualidade da mitologia grega, evidente nas imagens das estátuas. Enfim, os gregos adoravam seus corpos e assim se expressavam. Tá tudo isso muito bem exposto em obras fantásticas, atravessando séculos. Tive o prazer de ver muitas delas e isso tudo me encanta, me faz querer saber mais. No retorno vou prosear longamente com ela e depois volto ao assunto por aqui.
PINTO DO DAVI ESTÁ TAMBÉM NOS AVENTAIS DE COZINHEIROS

pra não dizer que não falei do Carnaval do Tomate em Bauru
TOMATE ESQUENTANDO OS TAMBORINS PARA MAIS UMA SONORA CHINELADA NO CARNAVAL
Que a situação está fora de controle pelas ações intempestivas de Donal Trump ninguém tem mais dúvidas e aqui na terrinha varonil do sanduíche, mesmo tendo conseguido sua reeleição, a alcaide Suéllen Rosin possui uma somatória de ações que a mantém sob o fio da navalha. Ou seja, mantém junto com 17 vereadores, fazendo e acontecendo em investidas preocupantes para o destino da cidade de Bauru. A última é este direcionamento para manter o Plano Diretor atrelado a interesses imobiliários, algo não só incompreensível como preocupante. Diante destes dois personagens, o intrépido, burlesco, farsesco e algumas vezes carnavalesco BAURU SEM TOMATE É MIXTO promove sua 14º descida do Calçadão no Carnaval no "DESDE 2013 CHINELANDO COM PISA NO TOMATE", uma união entre a festa carnavalesca e um sério momento de denúncia do que estão a fazer com Bauru e com o mundo.

Chinelando, estaremos homenageando o original CHINELO, Antonio Pedroso Jr como nosso MUSO 2026, pois para fazer uso de um incisivpchinelo, nçao existia ninguém igual. Chinelo com certeza aprovaria a entrega do Prêmio DESATENÇÃO 2026 para a Família ROSIN, todos eles, os que aqui chegaram e se encastelaram, com igreja e tudo, até hacker e agora querem mandatos no Congresso Nacional e Alesp, tudo com as benções de 17 sombras, os vereadores que lhe dão sustentação.

Tomatear é carnavalizar a vida, porém de forma consciente, denunciando as mazelas desta cidade e de tudo o mais. Este o motivo de estarmos nas ruas há exatos 14 anos. E para tanto contamos, neste ano com os músicos da Escola de Samba Estação Primeiro de Agosto, do querido Tobias Terceiro, dando o toque que necessitamos para não deixar a peteca cair. Nossa marchinha/samba deste ano conta com a presença ilustre do casal Kátia Machado e Nél Marques, numa letra picante, ousada e a demonstrar claramente dos motivos pelos quais estamos nas ruas.

Junte tudo isto e venha conosco, sábado, 14/2, concentração na praça Rui Barbosa a partir das 11h, com alguma falação reverenciando positivamente o CHINELO e negativamente a FAMÍLIA ROSIN, com descida marcada para acontecer 12h, pelo Calçadão. Nossas camisetas, este ano contando novamente com o traço de FAUSTO BERBOCCE continuam sendo vendidas por R$ 50, preço normal e R$ 70 para apoiadores. Contatem VALQUIRIA VERA CORREA, pelo fone whatts PIX 14.996313102 e colabore com o Tomate. Somos assim mesmo, a gente "FAZ FESTA, MAS TÁ PUTO DA VIDA".

Junte-se a nós. Vamos...
HPA, pelos tomateiros de plantão...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026


EM DIA DE TANTA CORRERIA A ESCREVINHAÇÃO FICA PREJUDICADA
DIA DE VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (1): GALLERIE DEGLI UFFIZI - MICHELANGELLO, LEONARDO, RAFAEL E BOTTICELLI

DIA DE VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (2): E FICAMOS PAQUERANDO "DAVI" NA ACCADEMIA GALERIA ARTE 

DIA VISITA MUSEUS EM FLORENÇA (3): DUOMO E OPERA DI SANTA MARIA DE FIORE

Só de estar aqui em Florença, Itália, estadia de quatro dias, uma das tantas cidades respirando Cultura por todos os poros, parar e querer ficar escrevinhando algo longo é meio que impensável. Ou escrevo ou vou pras tantas atividades marcadas e já agendadas. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Eu, como sabem, gosto de escrever, mas tem dias onde a escrevinhação fica por conta das fotos que tiro. Elas dizem muito e neste momento, dizem tudo. Assimilo tudo o que vejo em cada virada de esquina e com tudo isso destro da cachola, espero que, lá na frente, já em casa, escreva melhor sobre tudo isso. Por aqui, faço o que posso. E sigo em frente, pois a jornada por aqui ainda não terminou.

DAS CHINELADAS DO BLOCO DO TOMATE EM 2026
1.) A PERVERSIDADE E EVIDENTE DOENÇA DE DONALD TRUMP
O maior medo de Donald Trump, segundoa sua sobrinha psicóloga Mary L. Trump:
"Diante da tempestade perfeita de sua incompetência, declínio crescente em diversas áreas (psicológica, cognitiva e física), e a sensação de estar perdendo o controle — de si mesmo e da narrativa — e o desespero que isso traz, era talvez inevitável que a humilhação o perseguisse a cada passo”, disse Mary L. Trump sobre o tio.
“Ele se humilha quase diariamente e, frequentemente, das maneiras mais públicas imagináveis. Parece uma espécie de justiça poética cósmica.”
Mary segue em sua análise. “Não precisamos de mais provas de que Donald é um homem com graves distúrbios psiquiátricos, mas, se precisássemos, mais evidências poderiam ser encontradas diariamente em seus acessos de raiva, sua hipersonia, sua alarmante falta de controle dos impulsos e sua crescente e evidente perversidade e corrupção”, pontua.
“Mais importante ainda, a resposta do Partido Republicano e de outras forças obscuras na América é que se mostra mais relevante e diagnóstica. Donald Trump ameaça desmantelar as instituições e a governança americanas e, com sua retórica belicosa e ameaças aos nossos aliados, destruir a ordem pós-Segunda Guerra Mundial.
O silêncio dos cúmplices de Donald Trump equivale à cumplicidade. Sua dedicação inabalável a um lunático e a uma agenda que ameaça desestabilizar os Estados Unidos, tanto interna quanto internacionalmente, revela tudo o que precisamos saber sobre o que estamos combatendo e contra quem precisamos travar essa luta".
“Deixando de lado a humilhação dos Estados Unidos, o que vimos em Davos foi o crescente reconhecimento, entre os líderes da UE e outros aliados, de que uma linha vermelha foi cruzada. Como disse sucintamente o primeiro-ministro belga, Bart De Wever: ‘Um país da OTAN está ameaçando outro país da OTAN com uma invasão militar'”, aponta.

2.) ACORDA BAURU, O GRITO CONTRA  A PROPOSITURA INSANA DE SUÉLLEN
Entendam os Privilégios criados para Poucos e as injustiças IMPOSTAS para a MAIORIA da população no Plano Diretor de Bauru.
O que é o Coeficiente de Aproveitamento 3 cedido pela FIPE e Prefeitura para quem já tem privilégio e o 1, 1,5 para as periferias, já segregadas e que para se desenvolver terão que pagar muito mais.
OFICIALIZARAM O APHARTEID SOCIAL. OS VEREADORES TEM OBRIGAÇÕES DE CORRIGIREM ESTAS INJUSTIÇAS E COBRAREM AS CONTRAPARTIDAS CORRETAS PARA TERMOS UMA CIDADE MAIS JUSTA E COM DISTRIBUIÇÃO DO DESENVOLVIMENTO.
Isaias 10:1-2.
Ai daqueles que fazem leis injustas e decretos opressores aos mais humildes do meu povo.
Urbanista e Prof. José Xaides, Coordenador dos diversos Planos de Iniciativas Populares protocolados para debate do Executivo e Legislativo no Plano Diretor De Bauru.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 RUANDO EM FLORENÇA

domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Em trânsito


QUAL O JOGO DOS MUITOS CANDIDATOS SEM MENHUMA CHANCE DE GANHAR PARA DEPUTADOS EM BAURU? 
Candidatos que não querem ganhar: por que esse jogo se repete em Bauru e em todo o Brasil. A cada eleição estadual ou federal, o roteiro se repete em Bauru. Muitos candidatos a deputado, vários deles vereadores da própria cidade, entram na disputa. Logo surgem críticas de lideranças locais, jornalistas e formadores de opinião: a divisão do voto estaria impedindo a cidade de eleger um representante. Esse “choro” tem sentido. Do ponto de vista da cidade, é legítima a frustração de ver votos pulverizados enquanto outras regiões conseguem eleger seus deputados. O problema é que essa leitura, apesar de correta, é incompleta. Ela ignora como o jogo político realmente funciona.

Para começar, é preciso falar de números. Em São Paulo, um candidato competitivo a deputado estadual ou federal precisa, em média, de 60 a 70 mil votos. A maioria dos vereadores que se lançam candidatos sabe que não chega nem perto disso. Muitos fazem cinco ou seis mil votos. Não é ingenuidade nem ilusão. Eles entram na disputa conscientes de que não serão eleitos. Então por que se candidatam? O primeiro motivo é partidário. Bauru é uma das maiores cidades do estado e, para os partidos, isso importa muito. Um grande nome estadual ou nacional, se concorrer sozinho na cidade, tende a ter votação irrelevante. Sem base local, sem presença constante, pode sair com poucas centenas de votos. Quando o partido lança um candidato local, conhecido, com base eleitoral própria, o cenário muda. Esse candidato não serve apenas para si mesmo. Ele puxa votos para a legenda, ajuda outros nomes do partido e apresenta o figurão ao eleitorado local. O resultado é simples: votos que não existiriam passam a existir. O candidato local vira uma peça funcional dentro da estratégia do partido, mesmo sem chance real de vitória.

O segundo motivo é ainda mais decisivo e diz respeito ao projeto pessoal. Para muitos vereadores, a campanha de deputado não é uma tentativa de eleição, mas uma pré-campanha altamente estruturada para o futuro. Uma candidatura a deputado dá acesso a fundo partidário, visibilidade, material gráfico, vídeos profissionais, agendas públicas e circulação intensa pela cidade. Tudo isso fortalece o nome do candidato, amplia sua rede de apoios e mantém sua imagem viva no debate político. Enquanto um vereador que não se candidata passa esse período praticamente invisível, o que disputa deputado cresce politicamente. Mesmo perdendo a eleição, ele chega mais forte para a próxima campanha municipal, com mais reconhecimento, mais lideranças e mais poder de negociação. Em muitos casos, a votação obtida vira argumento para composições futuras, alianças, candidaturas a vice ou simplesmente para valorizar o próprio passe político.

É por isso que, eleição após eleição, cidades como Bauru veem tantos candidatos sem chance real de vitória. Não se trata de erro, vaidade ou desconhecimento. Trata-se de estratégia. O incômodo das lideranças locais faz sentido, mas ele não muda a lógica do sistema. Esse jogo não acontece só em Bauru. Ele se repete em praticamente todas as cidades médias do país. Partidos precisam de votos, políticos precisam de visibilidade, e o sistema eleitoral incentiva exatamente esse tipo de movimento. No fim, a pergunta não é se esse modelo é justo ou ideal. A pergunta é se ele é real. E a resposta é simples: é assim que o jogo funciona. Quem não entende isso fica indignado. Quem entende, joga.
Texto da página Além dos Outdoors.

sábado, 31 de janeiro de 2026


SABE O QUE MAIS GOSTEI DE VER NA PRAÇA PRINCIPAL DE ENTRADA DO VATICANO?

Conto a seguir. A estátua de trabalhadores/migrantes na Praça de São Pedro, no Vaticano, é o monumento "Angels Unawares" (Anjos Inconscientes), inaugurada em 2019 pelo Papa Francisco. Criada pelo artista canadiano Timothy Schmalz, esta obra de bronze de seis metros retrata um barco com refugiados e migrantes de várias épocas e culturas. Representa a hospitalidade, a luta de migrantes e refugiados fugindo de guerras e perseguições. Está situada na Praça de São Pedro, perto da Colunata de Bernini e inclui 140 pessoas e asas de anjo no centro, sugerindo uma presença divina entre os necessitados. Foi a primeira obra de arte instalada na praça em cerca de 400 anos. Adicionalmente, existe outra escultura de Timothy Schmalz, intitulada "Seja Acolhedor" (Angels Unawares), colocada em abril de 2025 perto dos chuveiros dos pobres na Colunata, representando um migrante sentado, convidando à empatia.
Podem dizer o que quiserem do papa argentino Francisco, mas dentre todos, pelo menos ao meu ver, foi o mais sensível de todos. o atual pode ter tido no passado um trabalho junto a comunidades carentes, mas já não se fala mais dele. De Francisco, pelos seus atos contínuos, falava-se dele o tempo todo. Inquietava os poderosos de plantão. Foi único. Essa escultura, algo como uma imposição dele ali no coração da praça - mesmo que num canto -, representa a sua linha de pensamento e ação elevada a algo físico, possibilitado materialmente. Sua representação nos tempos atuais é mais do que significativa e suplanta essas questões religiosas todas. Essa massa de imigrantes ali representada é algo mais do que presente no mundo atual e passando batida, ignorada pela maioria dos mortais, porém, eles estão aqui, convivendo bem junto de nós e neles, na fisionomia ali vista, a dor e o sofrimento humano dos que padecem nos mais diferentes lugares deste planeta, necessitando de deslocamentos constantes para tentar continuar sobrevivendo. Fiquei muito tocado com o que senti ao rodeá-la.

COLISEUM E FORO PALADINO/ROMANO - MANHÃ DE SÁBADO, COMPLETADA COM IGREJA SANTA MARIA MAGGIORE, ONDE ESTÁ ENTERRADO PAPA FRANCISCO
Pisar no Coliseum é estar diante da história na sua acepção. O Império Romano perdurou por um tempo maior do que a duração do que hoje vemos no decaído Império Norte-Americano, que já está em frangalhos e se segurando pela força, pois o poderio econômico já se foi. Impérios podem durar muito tempo, mas um dia caem. Os motivos são variados e múltiplos, mas não se sustentam uma vida inteira. Este imenso conglomerado onde os gladiadores se esfalfavam no palco dos acontecimentos, nada mais é do que essas atuais Arenas esportivas, lugar onde se joga futebol e acontecem imensos shows. O pão e o circo continuam acontecendo nestes lugares. O nome de Arena, evidentemente, oriundo deste Coliseum, talvez a primeira grande arena que se tem notícia na história. Hoje são muitas e o que acontece no seu interior não se difere muito da original.
Isso mesmo, passa um filme sobre a cabeça de quem se põe a pensar sobre instigante assunto. A relação é clara, direta e reta. Isso posto, fiquei a matutar muito durante e após o passeio no local. Qualquer Império necessita também de um lugar específico para proporcionar à sua população um pouco de distração, onde ela é engambelada para a continuidade do incessante e macabro escambo, rapinagem. Claro, um lugar como este não ocorre somente este tipo de procedimento em suas apresentações, mas isso fica evidente. Ouvi por lá de uma guia explicando para seus atentos ouvintes que, os gladiadores souberam com o tempo ir construindo os resultados, fazendo um rodízio de perdedores e ganhadores entre eles, até como questão de pura sobrevivência. Fosse tudo levado a ferro e fogo, creio eu, nada teria como resultado essa intempestiva ação do ser humano por aqui. O saber ir contornando as situações também faz parte do jogo.
Roma é a exposição e amostragem do que foi este tal de Império Romano. Muito disso foi salvo e está exposto, não como chaga, mas também como amostragem para não permitir que os mesmos erros se repitam. Porém, eles constantemente voltam a ocorrer, pois o ser humano não aprende e gosta de avançar devagar os degraus de um mundo mais justo. Na Roma antiga a perpetuação da força e de como os ditadores de então, exerciam seu poder sem dó e piedade. E o que vemos hoje, por exemplo, nas ações do insano e doentio Donald Trump não é a repetição de todos os mesmos erros do passado? Não aprendeu nada. No Império Romano a queda ocorreu, pois estavam já passando de todos os limites, no nazismo Hitler fez o mesmo e não tinha limites. Trump começa a exercitar este poder sem limites, que para mim é a exposição de sua decadência, os esperneio final, que pode durar ainda ainda algumas dezenas de anos, mas não durará muito tempo. Depois disso, outros impérios virão. A História é a repetição disso.
Finalizo enaltecendo a possibilidade que estou tendo de colocar os olhos sobre tudo isso, ou seja, olhar com meus próprios olhos como tudo isso foi possível, a grandiosidade do que vejo e nas condições materiais daquela época. Isso nos faz soltar fumacinhas da cabeça. E se os romanos levantaram tudo isso sem as condições materiais de hoje, só com o poderio da força escravagista, imagina agora quem detém o poder do mundo, com condições imensamente melhores. Este mundo só não avança para o bem, porque existe este disvirtuamento da mente humana, não trabalhando para o bem comum, mas para a acumulação de riquezas e pensando em construção de algo pessoal, pouco coletivo. De todos os grandes imperadores do passado, quem atuou mesmo pensando no coletivo, no bem estar de todos? Não esquentem a moringa, pois a resposta é nenhum. Eu cá estou, no meio do que restou daquele império, andando entre escombros, perambulando depós de séculos da ocorrência fatal, o desfecho e vivenciando in loco a decadência lenta e gradual de outro, o dos EUA. Este Coliseum é um dos símbolos máximos do que foi o Império Romano e voltando para nosso tempo, qual seria o símbolo máximo do que ainda representa o poderio dos EUA sobre o planeta? Não creio seja a Estátua da Liberdade. Pensando a respeito.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A FORÇA DA IGREJA PARA CONTER O ÍMPETO POPULAR DE CONTESTAÇÃO
Circulamos, eu e Ana Bia, por estes dias em dois países onde é muito marcante a presença da igreja, aqui no caso europeu a católica, na vida das pessoas. Creio que, a maior quantidade de igrejas por metro quadrado do mundo esteja aqui localizada. Visitei algumas das mais suntuosas nas cidades por onde estive, tanto em Portugal, como na Itália. A maioria delas, as maiores, cobram ingresso para adentrar seus templos. Altares e estátuas reluzentes, cada qual tentand ose mostrar mais impoente que a outra. Tudo isso, construído numa época onde o poder também se manifestava e se mostrava exatamente desta forma, a com a exposição mais reluzente, mais grandiosa. Isso é uma coisa, ultrapassando até o próprio poder da fé. A fé, vejo isso bem nitidamente, teria que ser expressada de forma absoluta, sem reservas ou restrições, pelo povo de forma geral, sem contestação e vejo nisso, já devidamente comprovado, uma forma absoluta de dominação. Isso não me impede de estar aqui, achar tudo lindo, porém, enxergar este outro lado, algo mais do que necessário.

Trouxe para ler aqui na Europa um livro do escritor gaúcho Josué Guimarães - que sempre gostei muito -, ele morando em Portugal na época da Revolução dos Cravos, por volta de 1975, onde relatou como foi a passagem do regime ditadorial de Salazar para o proposto pela Revolução dos Cravos, no livro "Lisboa Urgente - o Portugal de hoje que os brasileiros e os portugueses no Brasil desconhecem", livro impresso em 1975. Na parte sobre religião é muito contundente e aqui compartilho algumas de suas impressões: "De todos os recantos do país acorrem os crentes com o intuito de pagarem à Santa aquilo que julgam ter sido um benefício dela recebido. É uma incalculável multidão de doentes, velhos, deficientes físicos e mentais, inocentes crianças, caquéticos, débeis, cegos, paralíticos, famintos, desempregados. É a transferência do humano para o sobrenatural. Pedem à SAnta porque não adianta pedir ao governo e asswim recorrem à medicina celeste, pedindo a proteção dos céus".

Continua: "Como nas transações comerciais, quanto mais precioso for o bem almejado, mais se precisa dar em penitências e sacrifícios de toda ordem. (...) Os pecados geram as guerras, a guerra vem com a punição aos pecados. Nunca foi dito aos crentes que a guerra bem que poderia não ser a vontade de Deus, mas uma iniciativa do Nazismo ou do fascismo. (...) E a organização mercantil funcionando como uma grande empresa moderna, os dirigentes industriais fabricando velas, imprimindo santinhos, cunhando medalhas e moedas, fabricando crucifixos e imagens, estampando estandartes e flâmulas, montando restaurantes e cafés, confeitarias e bares, pensões e hotéis, estabelecendo linhas de transporte... (...) a figura do homem providencial teve sempre as suas raízes cravadas nesse solo fértil da crendice popular, na alimentação do sobrenatural para contrabalançar o que não lhes era dado no terreno temporal. (...) As desigaldades humanas deixaram de ser o produto dos opressores, mas a vontade de Deus. Cria-se assim,a passividade das massas. Torna-se, assim, o povo dócil. (...)A Companhia de Jesus afirmava também que a instrução do povo era prejudicial à sociedade e à salvação das lamas trabalhadoras".

Entenderam? Vi isso aqui de forma explícita e até, escandalosa. Nas filas nas entradas dos templos mais famosos, o povo ali teleguiado em busca de uma veneração aos seus santos, tudo em busca de não só ver o belo representado pela arte ali exposta, mas também em busca de sua salvação. 

em Bauru a alcaide está decretando o fim do seu Plano Diretor
EU BAURU O SENSATO É SABER COMO OCUPAR OS SEUS VAZIOS URBANOS E NÃO QUERER INVADIR ÁREA VERDE - PARA SUÉLLEN ROSIN O PLANO DIRETOR ATENDE OS INTERESSES DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E NÃO OS DA CIDADE - Leiam texto do Fernando Redondo
A Prefeitura de Bauru Sanciona o Maior Negócio Imobiliário de sua História
Parece que a Prefeitura de Bauru, em sua revisão do Plano Diretor, decidiu encenar uma tragicomédia em três atos. No primeiro, gasta-se uma pequena fortuna pública para bancar um diagnóstico técnico de alto nível da FIPE. No segundo, ignora-se solenemente todas as conclusões desse estudo. No terceiro, entrega-se a cidade, de bandeja, ao setor que verdadeiramente comandou a ópera: o imobiliário e os donos de terra. O que chega à Câmara Municipal não é um projeto de cidade, mas uma licença monumental para a especulação, assinada, carimbada e recheada de benesses pela gestão Suéllen Rosim.
O roteiro é tão previsível quanto vergonhoso. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada com dinheiro público, apresentou um diagnóstico lúcido: Bauru já tem estoque de vazios urbanos e a projeção é de estagnação do crescimento populacional. Em linguagem de gente: a cidade não precisa se espalhar mais; precisa usar melhor o que já tem.
Qual foi a resposta da “santa e tecnocrática” administração? Aplaudir o estudo e fazer exatamente o oposto. A minuta propõe a inclusão de mais 55 milhões de metros quadrados no perímetro urbano, sendo a maior parte – pasmem – sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha. É o triunfo da ganância sobre a razão, da especulação sobre a sustentabilidade. Enquanto a cidade sofre com restrição hídrica na região Oeste, o governo libera a urbanização do manancial. A justificativa? Criar uma “Zona de Interesse Ambiental” com lotes mínimos de 400m². É a maquiagem verde para um crime urbanístico: tentar vender a liquidação da proteção ambiental como um “zoneamento criterioso”.
Quem são os arquitetos desta obra-prima da rendição? A coordenação tem nomes e sobrenomes que contam a história real. Lideram o processo Rafaela Foganholi (Secretária de Aprovação de Projetos), Fabiane Trevisan (coordenadora da revisão), Pedro Rodrigues (gerente de planejamento), Sanae Kuko (coordenadora de políticas de zoneamento) e Letícia Floriano (gerente de aprovação de projetos). Mas a cartilha parece ter sido ditada por outros dois personagens emblemáticos: Paulo Garbelotti e, principalmente, Tábata Ribeiro. Esta, uma figura que fez o caminho inverso ao do serviço público: veio diretamente de construtoras para comandar a Secretaria Municipal de Habitação. Não é conflito de interesses; é a fusão completa entre o interesse público e o privado. A nomeação de Tábata Ribeiro não é um detalhe biográfico; é a declaração de princípios desta gestão. É o lobista profissional sendo premiado com a chave do galinheiro.
O capítulo da outorga onerosa, porém, é onde o cinismo atinge seu ápice doutoral. O direito básico de construir (Coeficiente de Aproveitamento) salta de 1 para 3 sem custo algum. Traduzindo: os incorporadores poderão triplicar o tamanho de seus empreendimentos sem pagar um centavo à cidade pela valorização que causam. A cobrança só começa após esse patamar generoso. É o presente de grego definitivo: criam-se regras para parecer moderno, mas esvaziam-se financeiramente para servir. Enquanto isso, a proposta extingue a doação obrigatória de áreas públicas para 90% dos loteamentos, aqueles com até 20 mil m². Menos parques, menos equipamentos, mais lucro privado.
O resumo é este: a prefeita Suéllen Rosim, cercada por técnicos que assinam embaixo e por ex-construtores que ditam as regras, entrega um pacote de bondades históricas aos donos de terra e incorporadores. Expande a cidade para áreas ambientalmente frágeis contra todos os estudos, e subsidia a construção privada com a renúncia fiscal da outorga. É a privatização do planejamento urbano. O plano que chega à Câmara não é para regular o mercado, mas para servi-lo. Resta saber se os vereadores, muitos da base da prefeita, terão a coragem de interromper este espetáculo de rendição ou se serão meros figurantes na consolidação da Bauru dos Especuladores. As fichas já estão na mesa. A cidade aguarda para ver quem, afinal, a representa.
FERNANDO REDONDO / Jornalismo Independente

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS EM NÁPOLES, ITÁLIA
Gosto de mais da conta de viajar e ir conhecendo novas culturas e povos. Gosto principalmente, até mais do que visitar a história de um povo, como todos os museus e parques históricos por onde estou e estive, de ter contato com o lado mais popular, o de luta de cada cidade. Neste giro europeu, o que muito tem me impressionado são as poucas conversas que consigo ir travando nas caminhadas.

A mais significativa, a que mais me tocou foi termos feito, eu e Ana Bia, um tour a pé pelo Bairro Espanhol, em Nápoles, aqui na Itália. Confesso, quando montávamos o roteiro de nossas andanças, fiz Ana incluir essa cidade, pois ciente do culto à Maradona, queria ter contato pessoal com aquilo que só conhecia por leituras variadas. Ver pessoalmente algo neste sentido é para tocar fundo qualquer cidadão sensível. 

O que via aqui não é simplesmente um culto a memória do índodo futebolístico Maradona. Ele representa muito mais que isso para os napolitanos. E o bairro Espanhol é uma espécie de República Maradonista encravada no coração da cidade. Por ali, um bairro com todas as moradas bem juntinhas umas as outras, como as tais comunidades que vemos em muitas cidades brasileiras. A luta destes seguia até que, um belo dia, aqui veio jogar bola pela time da cidade, o craque argentino. Ele, de origem muito simples, chega e se identifica imediatamente com a luta destes, os que padecem no dia a dia para sobreviver. Luta desmedidamente dentro do campo de jogo e consegue levantar valorosos títulos para o Napoles. 

Essas vitórias extrapolaram o campo da bola, pois as fez entrelaçadas com a luta destes, os empobrecidos que, alé mdo amor à bola, empreendem a luta diária pela sobrevivência. E Maradona esteve não ao lado destes, mas junto. Ele não só observou, como foi à luta por eles e a identificação que já era imensa tornou-se incomensurável. o que vi nas ruas deste bairro e espalhados por toda a cidade é algo tocante. Essa cidade não ama somente o jogador de bola que aqui jogou, mas identificou nele o lutador que necessita para transformar sua condição social. Poucos foram os jogadores que estiveram tão decididamente fazendo essa opção de luta. Maradona fez e merece todas as homenagens que aqui presenciei.

O marido de nossa guia pelas ruas do bairro possui três tatuagens de Maradona em seu corpo e nenhuma dela, a esposa. Ele, segundo ela, a ama, mas é louco por Moradona. Essa loucura, verdadeira devoação é por ter visto no craque o que necessitavam para reagir, ir à luta e não desistir dos seus sonhos. 

LUTEMOS
Lutem como Paulo Freire e Darcy Ribeiro!
Lutem como Robert De Niro!
Lutem como Muhammad Ali!
Lutem como o Dr. Reverendo Martin Luther King!
Lutem como Mandela!
Lutem como Malcom-X!
Lutem como Mujica!
Lutem como Hugo Chávez!
Lutem como Fidel Castro e Che Guevara!
Lutem como os Panteras Negras!
Lutem como Mino Carta e sua Carta Capital
Lutem como Lula
Lutem como Cristina Kirchner e Gustavo Petro
Lutem como Roger Waters
Lutem como Greta Thumberg
Lutem como o fazem os antifascistas
Lutem como Roque Ferreira!
Lutem como o Bauru Sem Tomate é MiXto
Mas façam alguma coisa!