Domingo foi dia de muitas andanças. Poderia escrever de muitas delas, mas o faço em primeiro lugar para retratar uma história simples. Para mim, as mais simples acabam sempre nas mais importantes. E como gosto de mais de escrevinhar de e sobre livros, eis mais uma envolvendo este rico objeto de consumo diário.
Na Banca do Carioca, Feira do Rolo, ele me oferece um livro, exposto em sua banca. Era a biografia, "Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos", escrita por Oswaldo Mendes. O catatau, com 500 páginas eu o tenho desdeque, em 04/05/2010, foi lançado pelo seu autor na Jalovi dos Altos da Cidade. Lá estive e consegui o autógrafo do autor. Só que, quando Carioca me oferece o livro, havia me esquecido do fato. Ele mostra o exemplar que estava à venda, por meros 20 pratas e diz: "Este está autografado pelo autor. Acabei de ler - ele lê muita coisa antes de colocar à venda em sua banca - e o cara é demais. Leve este autografado e me devolva semana que vem o seu exemplar".
Muita gentileza de sua parte. Só mesmo o inestimável livreiro da feira para fazer algo assim. Esbocei recusar, mas ele insistiu e assim foi feito. Trouxe para casa e ao confrontar os dois exemplares, o meu também estava autografado. Volto na banca semana passada e nada do Carioca, que havia faltado. Seu espaço vazio. Antes já havia ido na sua banca de quarta, no parque Vitória Régia, voltando quarta passada. preocupado, ligo para sua namorada e ela me informa: "Não se preocupe, ele está ótimo, uma quarta choveu, outra saímos juntos e no fina lde semana foi para o Paraguai com amigos. Neste estará de volta".
Fui e tirou foto dele com os dois exemplares - junto também de meu filhão, o HA, circulando com a gente pela feira, algo do qual, só deixo de fazê-lo em caso de força maior. Isto tudo foi o bastante para voltarmos com louvor para o assunto Plínio Marcos, suas histórias e lendas urbanas. Conheci pessoalmente Plínio com sua banca, vendendo seus livros em Bauru e a história da generosidade com o livrão contando sua história, entra desde já para os anais (ui!) de tantas outras envolvendo meus livros e essa divinal banca.
O que Carioca fez, ilustra bem sua pessoa e de como os iguais a ele agem durante o percurso de suas vidas. Depois, quando me pedem explicações por querer voltar lá todo domingo, conto histórias como essa e pronto, está lacrado, Carioca e sua banca são mais que patrimônio imaterial desta cidade. Quando vejo tanta gente desqualificada e descabidasendo homenageada com títulos nesta aldeia, me deparo com o dia a dia deste cidadão das ruas. Daí, não tem nem como, fico, permaneço e não abandono as ruas, seus personagens e histórias. Elas me movem.
As investigações sobre o golpe de 8 de janeiro de 2023, conduzidas pela Polícia Federal (PF) na Operação Lesa Pátria e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), identificaram empresários de diversos setores — com destaque para o agronegócio e logística — que financiaram o transporte, alimentação e acampamentos de manifestantes que depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já denunciou dezenas de pessoas físicas por envios de PIX, fretamento de ônibus e custos de acampamentos, configurando "adesão subjetiva" à tentativa de golpe. Os empresários atuaram, segundo as investigações, principalmente no pagamento de ônibus para o "Dia D" de Brasília e na manutenção dos acampamentos golpistas na frente dos QGs do Exército, financiando estrutura como churrasco e banheiros químicos. A Operação Lesa Pátria segue em andamento, visando identificar não apenas os financiadores locais, mas os articuladores intelectuais dos atos.
Não consigo entender como alguns destes, vetustos conhecidos de todos nós, entraram de cabeça nessa onde conservadora, pior que tudo, financiando a derrocada do país enquanto nação soberana. Deram muita grana e alguns, os grandões, teriam problemas mil pela frente num desGoverno com grandes obras todas paralisadas, como se vê acontecendo na argentina de Javier Milei. O cara investe naquele que, sabidamente vai ser seu algoz. Coisas ininteligíveis deste país nada varonil. O fato é que, essas listas ainda não são públicas, mas deveriam o ser, pois revelam o quanto nossas elites estiveram comprometidas com o retrocesso e o atraso, muitas vezes nem sabendo pensar em si próprios, mas agindo movidos pelo bestial ódio de classe. Daí, um dos grandes motivos de nosso atávico atraso. Com gente como estes tomando conta do poder financeiro de uma cidade, onde 80% votou em Bolsonaro, o que se pode esperar de altivo e altaneiro para nosso acalantado futuro? Vivemos a decrepitude em sua magnitude e essa lista provoca um lindo jogo de esconde-esconde na cidade do sanduíche.


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