VEJO SUÉLLEN E O CAOS TOTAL, SAÚDE EM PETIÇÃO DE MISÉRIA E OLHO PRO PASSADO, TUGA E DAVI CAPISTRANO, ANO DE 1986, QUE SAUDADEPasso ontem à tarde para um café na casa da amiga Rose Barrenha e devorando quitutes, observo em sua estante, o que me chama a atenção é o menor livro - em tamanho, viu! - ali guardado, este divinal "SAÚDE PARA TODOS - UM DESAFIO AO MUNICÍPIO - A RESPOSTA DE BAURU", obra organizada pelo médico Davi Capistrano, que acertadamente um dia, o então prefeito Tuga Angerami convidou para vir aqui olhar como girava nossa Saúde Municipal e ver se dava um jeito nela. Ele veio, aqui se fixou, mudou muita coisa e aqui implantou um modelo de administração de Saúde, que fez tanto sucesso, gerando não só este livro, mas se tornando exemplo para infinidade de outras administrações. Se querem falar seriamente de um legado de Tuga e do Davi, isso aqui relatado neste livro é um exemplo que ultrapassa gerações e deveria servir para dar vergonha na cara de administrações atuais, atuando em total desalinho com o bom senso e trato mínimo de generosidade para com o semelhante.
Eu sentei na mesa, tomei meu café e saboreei o livro com muito mais gosto do que o bolo servido pela anfitriã. Nós, aqui em Bauru já tivemos a rica e rara oportunidade de ter um exemplo de atendimento na Saúde e depois de algumas poucas décadas, colocamos tudo a perder e hoje, o predomínio é do caos. Penso até em copiar o tal livrinho e deixar sorrateiramente na mesa de trabalho de alguns que se dizem administradores desta cidade, principalmente os cuidando de nossa Saúde. O princípio básico dessa dupla, revolucionando o formato administrativo nesta cidade possui um diferencial que poucos hoje detém, o de durante sua vida pública, terem também participado ativamente dos movimentos de luta pela democratização da sociedade brasileira. Hoje, nossos administradores são fundamentalistas, quando não terraplanistas, negadores da Ciência e daí, como querer que alguém com essa mentalidade vá cuidar de uma cidade, quiçá de sua Saúde? Impossível.
O livro me toca profundamente, pois acabo de voltar de uma visita para meu dileto amigo, Lulinha, hospitalizado para tratamento de problermas sérios no coração. Passou uma semana numa UPA até conseguir vaga no Hospital Estadual. Fui lá, observei também a deterioração do Estadual, belo por fora, mas de perto, já um grande problema a céu aberto. Isso tem nome, descuido para com a Saúde Pública. Tuga no prefácio coloca o dedo na ferida, "de todos os desafios do administrador público, nível de administração municipal, a saúde da população é dos maiores, se não o maior. A saúde é dos mais legítimos direitos do cidadão e cumpre ao Estado responder por essa necessidade. (...) Até porque, as pessoas moram nas cidades e aos seus responsáveis direitos - os prefeitos - cabe a maior parte da responsabilidade. A forma de corresponder a essa exisgência é o grande desafio".
O que vem a seguir, tanto como texto, como o que foi feito enquanto estiveram à frente da administração da cidade, deveriam elevá-los a um altar, mas hoje, como viceja, gente que mesmo desconhecendo tudo, opina sobre tudo, recebem críticas. Na comparação do que já tivemos ontem, com o que temos hoje, algo tão descabido, de incomparável proximidade. Como chegamos a um patamar tão elevado de entendimento de como deve ser o trato com o cidadão dentro da coisa pública e como pudemos em tão pouco tempo, perder tudo e fazer exatamente o contrário? E olha que temos um médico como vice-prefeito - e uma jornalista como prefeita.
Me desculpem, mas estou com o pavio curto e o que queria mesmo era poder esfregar esse livrinho na cara dos atuais políticos no comando desta cidade, desde vereadores, inoperantes e obsoletos, diria mesmo, inúteis, a esse bando de secretários incapazes de um trabalho sério e dentro de um mínimo de compreensão humana. Já da alcaide, sabemos ser ela centralizadora e assim sendo, a maior culpa deve recair sob os seus costados, sem dó e nenhuma piedade. Eu, se ela quiser e estiver disposta a aprender algo, volto na casa da amiga Rose, empresto o livro - guardado por ela com o maior carinho -, me comprometo a devolver e produzo uma cópia, entregando - se possível protocolada - nas mãos da alcaide. E depois, a danada da alcaide, teve a pachorra de ir lá no terreno onde na campanha disse iria construir um Hospital Municipal, falou, prometeu, até chegou a publicar nome de uma funcionária e nada mais aconteceu. Descaso total e absoluto. Eu entendo dos motivos do Tuga não querer mais saber de contato com quase mais ninguém. Uma desilusão total deve o estar consumindo, pois ele, ciente de ter feito, de ter balançado a roseira, hoje observa lá do seu canto, a mesma roseira quase seca. Este livro me faz criar coragem e dizer pra esses de hoje: Que falta de vergonha na cara, hem!!!.
COMENTÁRIO:
"Eu era aluno de Jornalismo na UB quando Capistrano esteve na Secretaria de Saúde do Governo Tuga. Certa vez promovi um debate entre ele e o médico Abrahim Dabus, então deputado estadual por SP. Fui buscar o Capistrano no hotel onde ele morava e o Abrahim na porta da mansão dele. Mas eu só tinha uma Brasília velha. Capistrano entrou primeiro, sem nem se dar conta de que carro era. Já Abrahim não disfarçou o mal estar em ser levado naquele "pois é". Entrou, mas pediu para ir na frente, alegando dor nas costas. Capistrano saiu pacientemente do carro e entrou atrás. Quando chegamos na faculdade, Abrahim estranhou não haver nenhuma autoridade do campus a recebê-lo. Capistrano nem se preocupou com isto. Entrou e foi cumprimentar alunos antes de sentar-se em seu lugar. Abrahim também entrou, e, talvez pelo problema nas costas, não se sentou ao lado de Capistrano. Permaneceu o tempo todo em pé. Capistrano deu um show de humildade, conhecimento e cidadania. Honestamente, nem me lembro do que falou Abrahim", jornalista Ricardo de Callis Pesce.
![]() |
| Os revolucionários Davi Capistrano e Tuga Angerami em ação na Bauru dos anos 80. |


















































