sexta-feira, 31 de julho de 2026

CARTAS (258)


VEJO SUÉLLEN E O CAOS TOTAL, SAÚDE EM PETIÇÃO DE MISÉRIA E OLHO PRO PASSADO, TUGA E DAVI CAPISTRANO, ANO DE 1986, QUE SAUDADE
Passo ontem à tarde para um café na casa da amiga Rose Barrenha e devorando quitutes, observo em sua estante, o que me chama a atenção é o menor livro - em tamanho, viu! - ali guardado, este divinal "SAÚDE PARA TODOS - UM DESAFIO AO MUNICÍPIO - A RESPOSTA DE BAURU", obra organizada pelo médico Davi Capistrano, que acertadamente um dia, o então prefeito Tuga Angerami convidou para vir aqui olhar como girava nossa Saúde Municipal e ver se dava um jeito nela. Ele veio, aqui se fixou, mudou muita coisa e aqui implantou um modelo de administração de Saúde, que fez tanto sucesso, gerando não só este livro, mas se tornando exemplo para infinidade de outras administrações. Se querem falar seriamente de um legado de Tuga e do Davi, isso aqui relatado neste livro é um exemplo que ultrapassa gerações e deveria servir para dar vergonha na cara de administrações atuais, atuando em total desalinho com o bom senso e trato mínimo de generosidade para com o semelhante.

Eu sentei na mesa, tomei meu café e saboreei o livro com muito mais gosto do que o bolo servido pela anfitriã. Nós, aqui em Bauru já tivemos a rica e rara oportunidade de ter um exemplo de atendimento na Saúde e depois de algumas poucas décadas, colocamos tudo a perder e hoje, o predomínio é do caos. Penso até em copiar o tal livrinho e deixar sorrateiramente na mesa de trabalho de alguns que se dizem administradores desta cidade, principalmente os cuidando de nossa Saúde. O princípio básico dessa dupla, revolucionando o formato administrativo nesta cidade possui um diferencial que poucos hoje detém, o de durante sua vida pública, terem também participado ativamente dos movimentos de luta pela democratização da sociedade brasileira. Hoje, nossos administradores são fundamentalistas, quando não terraplanistas, negadores da Ciência e daí, como querer que alguém com essa mentalidade vá cuidar de uma cidade, quiçá de sua Saúde? Impossível.

O livro me toca profundamente, pois acabo de voltar de uma visita para meu dileto amigo, Lulinha, hospitalizado para tratamento de problermas sérios no coração. Passou uma semana numa UPA até conseguir vaga no Hospital Estadual. Fui lá, observei também a deterioração do Estadual, belo por fora, mas de perto, já um grande problema a céu aberto. Isso tem nome, descuido para com a Saúde Pública. Tuga no prefácio coloca o dedo na ferida, "de todos os desafios do administrador público, nível de administração municipal, a saúde da população é dos maiores, se não o maior. A saúde é dos mais legítimos direitos do cidadão e cumpre ao Estado responder por essa necessidade. (...) Até porque, as pessoas moram nas cidades e aos seus responsáveis direitos - os prefeitos - cabe a maior parte da responsabilidade. A forma de corresponder a essa exisgência é o grande desafio".

O que vem a seguir, tanto como texto, como o que foi feito enquanto estiveram à frente da administração da cidade, deveriam elevá-los a um altar, mas hoje, como viceja, gente que mesmo desconhecendo tudo, opina sobre tudo, recebem críticas. Na comparação do que já tivemos ontem, com o que temos hoje, algo tão descabido, de incomparável proximidade. Como chegamos a um patamar tão elevado de entendimento de como deve ser o trato com o cidadão dentro da coisa pública e como pudemos em tão pouco tempo, perder tudo e fazer exatamente o contrário? E olha que temos um médico como vice-prefeito - e uma jornalista como prefeita.

Me desculpem, mas estou com o pavio curto e o que queria mesmo era poder esfregar esse livrinho na cara dos atuais políticos no comando desta cidade, desde vereadores, inoperantes e obsoletos, diria mesmo, inúteis, a esse bando de secretários incapazes de um trabalho sério e dentro de um mínimo de compreensão humana. Já da alcaide, sabemos ser ela centralizadora e assim sendo, a maior culpa deve recair sob os seus costados, sem dó e nenhuma piedade. Eu, se ela quiser e estiver disposta a aprender algo, volto na casa da amiga Rose, empresto o livro - guardado por ela com o maior carinho -, me comprometo a devolver e produzo uma cópia, entregando - se possível protocolada - nas mãos da alcaide. E depois, a danada da alcaide, teve a pachorra de ir lá no terreno onde na campanha disse iria construir um Hospital Municipal, falou, prometeu, até chegou a publicar nome de uma funcionária e nada mais aconteceu. Descaso total e absoluto. Eu entendo dos motivos do Tuga não querer mais saber de contato com quase mais ninguém. Uma desilusão total deve o estar consumindo, pois ele, ciente de ter feito, de ter balançado a roseira, hoje observa lá do seu canto, a mesma roseira quase seca. Este livro me faz criar coragem e dizer pra esses de hoje: Que falta de vergonha na cara, hem!!!.

COMENTÁRIO:
"Eu era aluno de Jornalismo na UB quando Capistrano esteve na Secretaria de Saúde do Governo Tuga. Certa vez promovi um debate entre ele e o médico Abrahim Dabus, então deputado estadual por SP. Fui buscar o Capistrano no hotel onde ele morava e o Abrahim na porta da mansão dele. Mas eu só tinha uma Brasília velha. Capistrano entrou primeiro, sem nem se dar conta de que carro era. Já Abrahim não disfarçou o mal estar em ser levado naquele "pois é". Entrou, mas pediu para ir na frente, alegando dor nas costas. Capistrano saiu pacientemente do carro e entrou atrás. Quando chegamos na faculdade, Abrahim estranhou não haver nenhuma autoridade do campus a recebê-lo. Capistrano nem se preocupou com isto. Entrou e foi cumprimentar alunos antes de sentar-se em seu lugar. Abrahim também entrou, e, talvez pelo problema nas costas, não se sentou ao lado de Capistrano. Permaneceu o tempo todo em pé. Capistrano deu um show de humildade, conhecimento e cidadania. Honestamente, nem me lembro do que falou Abrahim", jornalista Ricardo de Callis Pesce.

"Dupla que revolucionou o atendimento na saúde pública em Bauru: David Capistrano (ex-secretário da Saúde de Bauru) e Tuga Angerami (ex-prefeito). Esta fiz na famosa Operação Verão, realizada em 1985 na cidade para verificar as condições de saúde das crianças. O mutirão serviu para diagnosticar casos de doenças e planejar prevenção para o futuro. Em 1986, Bauru foi uma das primeiras cidades do País a baixar o índice de mortalidade infantil", fotógrafo Pedro Romualdo. 
Os revolucionários Davi Capistrano e Tuga Angerami em ação na Bauru dos anos 80.

CENA BAURUENSE (280)


ENQUANTO O CIRCO CONTINUA PEGANDO FOGO, EIS MAIS CENAS, FLASHES DAS RUAS BAURUENSES, ATÉ PARA DESVIAR O FOCO DA ATENÇÃO, VOLTADO HOJE MAIS PARA OS DEMANDOS POLÍTICOS
01. Publicado em 27.05.2026: 
A loja de confecções Tereza Tavares, altos do parque São Geraldo, rua Belmiro Pereira quadra 5 é sui generis. Dona Teresa começou o negócio com um brechó, algo em torno de uns 40 anos atrás e hoje sua loja é referência no bairro, não só pela diversidade, como pelo congraçamento de parentes ali reunidos aos finais de tarde, quando o sol se baixa. Por ali, ela, filha, neta, pai, mãe, cunhados, concunhados e afins, todos num papo sempre concorrido, cadeiras espalhadas pela calçada e assim, expondo a alegria de saber tocar a vida adiante.

02. Publicado em 29.05.2026: 
Em Bauru tivemos muitas vilas construidas para trabalhadores. Isso aconteceu muito no entorno das ferrovias e algumas delas ainda persistem em Bauru, como a ao lado da estação FEPASA e outra da SOROCABANA, no prolongamento da avenida Pedro de Toledo. Na rua Nóbile de Piero, muitas casas construídas para abrigar gente da ferrovia, belos casarões, alguns ainda conservados, outros nem tanto. Lembro de uma vila, a de um curtume perto dos trilhos, entrada da vila Prudência e essa, a mais conservada, com quatro casas, construídas junto ao AEROCLUBE, hoje, uma residência, uma loja e dois restaurantes, ali na cabeceira da entrada do local, enfeitando a avenida Octávio Pinheiro Brisola.

03. Publicado em 02.06.2026: Eu, particularmente, adoro isso de quarar ao sol, ainda mais neste começo do período mais frio. Basta sair um solzinho, já quero me refestelar ao sol. Imagino fazendo isso lá na grama que a alcaide plantou na praça Rui Barbosa, com este intuíto, o de ver o povo quarando ao sol. Lhufas para um chafariz, que antes enfeitava - para a alcaide Suéllen Rosin, com certeza, devia enfeiar - o local. Digo isso e na caminhada diária, vejo este senhor estatelado ao sol, não mais quarando, mas desabado, fazendo de colchão a grama do parque Vitória Régia, numa triste cena, destes tantos desmaiados pelas calçadas da cidade, quase invisíveis para a imensa maioria dos que circulam até por sobre eles.

04. Publicado em 03.06.2026: Adoro ver púlpitos e sacadas sendo utilizadas como locais para falações, comícios e até eventos. Quem não se recorda daquele lá no Pelourinho baiano, quando Michael Jackson fez seu show. Pois bem, aqui em Bauru, não me recordo de nenhum sendo utilizado para essa finalidade - nem os das igrejas -, daí toda vez que passo no cruzamento das ruas Cussy Junior com Virgilio Malta, centro da cidade, vendo essa sacada, ainda mal explorada, penso nela rodeada de gente lá embaixo e lá do alto algo a convulsionar mentes e proposituras. Toda sacada é muito instigante.

05. Publicado em 04.06.2026: Reuniões na casa da família Baté, no coração do distrito rural de Tibiriçá, são sempre regadas por algo, nem que seja um mero café quente, tirado na hora e com bolachas, servido num daqueles bules tirados de um museu, o acervo pessoal de dona Irene Cosmo, a matriarca.

06. Publicado em 06.06.2026: Paro para trocar o óleo do carro num posto de combustível na avenida Duque de Caxias e defronte de meus olhos, essas duas casas geminadas, muito antigas e na observância de como as enxergo hoje, com o passar de tantos anos, cada qual recebendo um tratamento e assim se apresentando diante de nós. Elas foram concebidas iguaizinhas e hoje, mesmo irmãs gêmeas, apresentam muitas similaridades, mas estão bem diferentes uma da outra. E assim, creio eu, ocorre com tudo o mais. O passar dos anos é inexorável para detectar e expor nossas diferenças.

07. Publicado em 07.06.2026: Diante de bandeirinhas fixadas nas grades do Aeroclube Bauru, onde daqui uma semana acontece mais uma festa particular do astronauta bauruense, Orlando Alves posta com foto de sua lavra: "Mais um arraiá aéreo, não sei se o Marcos Pontes foi mais inútil como astronauta, ministro ou senador". Eu corroboro a indignação e reafirmo o que lhe respondeu outra pessoa: "Foi inútil em todas". A parte bauruense lhe fazendo festa deve ser a mesma que, deu a Bolsonaro 80% de votos em Bauru.

08. Publicado em 08.06.2026: Lá do altos do Bela Vista, proximidades do Distrital, olhando para os lados do PVA - Parque Vista Alegre, impossível não associar a imagem vislumbrada da igreja da Casa do Garoto, como uma nave espacial, pronta para ser lançada aos ares.

09. Publicado em 09.06.2026: Fixado numa árvore, avenida das mais movimentadas da Zona Sul, vila Cidade Universitária, avisos constantes são deixados espalhados pelos mais variados locais, como espécie de norma a ser seguida pelos caminhadores e alimentadores de animais, porém, pisar erm dejetos destes continua sendo muito usual cidade afora.

10. Publicado em 10.06.2026: Neste sobrado, rua Cussy Junior, centro bauruense, residiu por muito tempo a família do advogado avareense Itaureo, sua esposa e as três filhas, Vivian, Cris e Nívea Jardim. Todos agora já se foram, com o passamento da Nívea por estes dias, aos 66 anos, já residindo longe daí há algum tempo. O lugar marca, pois as pessoas demarcam um território, circulando nele por tempo indeterminado e quando se vão, algo fica e isso sempre me volta à mente ao passar defronte. Conheci pouco a Vivian, fui amigo e trabalhei junto da querida Cris e vez ou outra, confabulava com a Nívea pelas ruas. Hoje tudo é saudade e o sobrado resiste ao tempo.

11. Publicado em 11.06.2026: Na esquina do Memorial Bauru, juntando dois cemitérios, este vertical e o outro horizontal, o da Saudade, esteve fincado por muitas horas o nome do amigo JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO VINAGRE, falecido nesta cidade e data. Ver o nome de um amigo, uma pessoa conhecida ou mesmo de qualquer outro nesta placa é algo para canfabularmos sobre a finitude desta vida.

12. Publicado em 12.06.2026: Com o início da Copa do Mundo, alguns ainda pintam muros e o próprio asfalto com as cores da bandeira brasileira, numa demonstração da continuidade do crédito nas vitórias da seleção, mas impossível, não se aproveitar do momento para expor o outro lado da questão. O vereador Lokadora encontrou na periferia da cidade, algo onde no entorno de uma buraco, a bandeira, numa clara e criativa ideia para explicitar a dura realidade das ruas nestes locais.

13. Publicado em 16.06.2026: Imagem recuperada, autoria do fotógrafo e nas horas vagas, professor Mauro Landolffi, ano de 2023, de uma das tantas escapulidas pelas ruas bauruenses, atrás de registros como estes tantos pelos semáforos, denominados certa feita, por João Bosco em uma magistral música, como "malabaristas do sinal vermelho".

quinta-feira, 30 de julho de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (220)


ESTE AQUI É ALGUÉM DE MUITA LUTA, LULINHA, HOJE INTERNADO NO HOSPITAL ESTADUAL
Lulinha é o Agnaldo Anastácio da Silva, um ser sindical durante todo o tempo que o conheço. Completou 64 anos e ano que vem iria se aposentar por idade, mas teve que antecipar a coisa, pois seu coração está dando sinais de enfraquecimento, após anos de intensa vida de reconhecida militância política. Não tem ato político em Bauru, destes relevantes, onde Lulinha não esteja por detrás. O danado agiu e viveu intensamente a vida até quando deu e agora, quando o coração começou a desapontar, passou poucas e boas, alguns AVCs e este último, uma semana aguardando internação numa UPA e desde a última sexta, internado no quarto 207 do Hospital Estadual. Fui visitá-lo, pois além de tudo, ele representa para mim essa luta da qual estou também envolvido dos pés à cabeça.

Seu estado não é grave, mas a filha, sua alma gêmea e cão de guarda, Natália, não esconde sua situação. "Meu pai tem hoje 30% do coração funcionando, algo irreversível e daqui por diante, precisa levar a vida com mais calma, sem correrias e sobressaltos. Ele é forte, vai vencer, mas terá que se enquadrar", conta. Hoje ele aprontou mais uma das suas. Passou por um atendimento médico e quando o médico lhe disse "dispensado", saiu hospital porta afora, sendo encontrado na calçada pela filha. Ela ao perguntar para onde iria, sua resposta só poderia ser uma: "Eu vou pro sindicato". Sim, o sindicato é a vida do Lulinha, tendo passado dentro de um a maior parte dos seus dias. Todos os que que já estiveram envolvidos nestas plagas em alguma luta operária, sindical e da esquerda, com certeza, esteve ladeado com Lulinha em algum momento. Inevitável. Ele esteve em todas e agora, quando o corpo pede calma, tenta entender como será sua vida daqui por diante.

Sento na beirada de sua cama e revivemos algo dessa intensa luta, desde os tempos da Causa Operária, que o levou junto do Partido Obrero, até a Argentina, depois com o PT, quando participou de todas as campanhas, as imagináveis e também as inimagináveis. Tendo eleição sindical por aí, lá estava Lulinha fazendo e acontecendo. Nos últimos tempos aflorou seu lado espiritual e eu, ateu convicto, ia até onde ele estava dando passes na Umbanda, só para receber os seus, pois nele eu acreditava. O tempo passa, o tempo voa e hoje, todos de minha geração, um tanto cansados, porém sem desistir da lida e luta. Com Lulinha não é diferente, continuando ativo lá nas hostes da CUT e Sinergia, só que, ele agora ciente de que, chegou a hora de continuar presente, mas numa outra alçada e pegada. Para quem foi mais do que ativo, a certeza, nada será fácil, mas como o danado quer viver mais um bocado de tempo, ele sabe melhor que ninguém, precisa pegar mais leve em tudo que faz. O coração assim pede.

Lá no hospital - pode receber visita no horário das 7 às 19h30 - lhe perguntaram após ser reencontrado já no portão de saída, se ele havia fugido. "Fugir? Que nada, você não sabe o que eu já fiz na vida. Eu só ia até ali na lua, mas iria voltar", disse. Para alguém como ele não é nada fácil permanecer retido dentro de um quarto de hospital. Porém, sabe que está dentro de um tratamento intensivo, no próximo sábado, passará por um exame mais detalhado, um cateterismo, até para se certificar do tratamento que terá pela frente. Sua filha está ao lado dele, os amigos o visitam regularmente, as ligações são contínuas e todos o estimulando para que, cumpra o prescrito e viva muito e bem daqui por diante. Lulinha é desses que, pela história que carrega nos costados, exemplo para tantos e uma espécie de amuleto da luta por dias melhores para este país. Personifica essa luta que teremos pela frente nessa tresloucada eleição deste ano, onde ele não poderá participar de forma 100% presente, como em todas as outras, mas para quem continuará pela aí, nada como se espelhar nele e tocar o barco adiante. Lulinha sempre esteve também junto do bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, desde seu início, sendo já homenageado como muso e assim, reconhecido, como baluarte de nossas arruaças todas. Ele é mais que um dos nossos...

Em tempo: Antes de me despedir fomos pra varanda, 2º andar do hospital, um tanto desgastada, ele reclamão, dizendo que ali poderia ser uma área de lazer para os pacientes e de lá, debaixo de um toldo carcomido pelo tempo, muito puído, ladrilhos se soltando da parede do prédio, ele permanece algumas horas do dia, olhando para a rua e imaginando, como me disse, "passando um filme de minha vida" e acreditando que, muita coisa ainda virá de bom pela frente. A gente sabe que, não será um hospital que o irá prendê-lo, mas que essa curta estadia lhe sirva de reflexão, para ele e todos nós, irmanados com ele, saibamos vencer todos os próximos obstáculos que teremos em breve pela frente. A luta continua e a vida, mesmo que de forma mais suave, pode ser vivida intensamente. Ele exercitou isso de forma prática, sem pensar no dia de amanhã, tudo pela causa que o move. Lulinha é muito mais do que um mero militante.
A varanda no 2º andar, de onde Lulinha vê o mundo por estes dias.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (200)


REVER O LUIS AURÉLIO APÓS MUITOS ANOS, ALGO DE INCOMENSURÁVEL VALOR E IMPORTÂNCIA - ELE CONTINUA NA LIDA E LUTA
Chego atrasado no evento pro candidatura pra deputada estadual Bebel, na sede da Apeoesp Bauru, na última terça, sento ao fundo e fico prestando a atenção nas falas alternadas ao microfone. Na mesa formada à frente, ladeando Bebel, uma pessoa me chama a atenção. Não o via há muito tempo, creio eu, desde o falecimento de sua esposa, a querida Sueli Lima, assistente social da Prefeitura Municipal e que comigo atuou na última administração Tuga Angerami. Foram tempos auspiciosos no quesito realização e propositura nesta cidade, guardando ótimas recordações de todos que estiveram envolvidos nestes inesquecíveis anos.

Então, lá na mesa, aguardando também seu momento de fala estava o LUIS AURÉLIO, maridão da Sueli, um sujeito destes que, basta um encontro, um esbarrão, uma conversa pra se tornar admirador. Este danado já chegou pronto aqui em Bauru. Um dia aportou por aqui, conheceu a Sueli e juntaram suas vidas num projeto único. Estive algumas vezes na casa deles lá na barte baixa do jardim Beija Flor, perto do Centro Comunitário e de uma pracinha. Fiquei o observando, pois não o via há quase uma década. Ele fez uso do microfone, faliu bonito, defendeu a candidatura de alguém como Bebel, muiuto necessária na Alesp e trocamos olhares. Deu pra notar algo grandioso neste ser humano, o fato de continuar o mesmo, na lida e luta, esgrimando pelas mesmas causas a nos mover. Só por isso, uma admiração profunda. Venero todos os que não abandionam por nada a cancha de luta.

E quando já estava atento em quem seria o próximo a fazer uso do microfone, eis que ele vem até mim, nos cumprimentamos, um forte abraço e aquelas trocas de gentilezas habituais. Diz estar morando no mesmo lugar e por isso, fica entendido que devo aparecer, até para colocar as conversas em dia. O visual do Luis continua o mesmo, com aqueles cabelos longos, brancos e presos num coque, amarrados. Ele é um lutador das causas sociais, desde quando aqui aportou, já com baita currículo nos costados. Esteve envolvido em várias questões edificantes lá pelos lados da Capital e depois, se instalou por aqui, casou e tiveram uma filha, que conheci, mas também perdi o contato. A vida teve prosseguimento, Sueli se foi, muito nova e ele seguiu seu destino.

Desses reencontros, sempre sai algo bom e edificante. Neste, vejo como é grandioso a gente, quando fica um tempo sem reencontrar alguém, quando o faz, se depara com ela ali na mesma trincheira de luta, ao lado das pessoas que nos movem e nos alicerçam, nos dão força e consistência para seguir em frente. Na nossa fisionomia, algo dessa passagem do tempo, rugas estão mais do que instaladas em nossas faces, porém essas não nos fazem esmorecer. O Luis representa isso tudo, a exata fisionomia destes tantos que, não abandonam uma causa e mesmo cansados, continuamos a nos mover, fazendo algo para transformar o estado de coisas prejudicial aos interesses dos trabalhadores. Gente como este Luis me são mais que gratas e demonstram que, desistir é para os fracos. Algo nos move e isso não nos faz parar pelo caminho. Estarei em breve batendo palmas lá no portão dele, para um longa prosa. Rever juntos nossas andanças é sempre revigorante.


ALGO DOS MUITOS VEÍCULOS AMARELOS OCUPANDO NOSSAS RUAS
Na cena de hoje algo que se repete, não só em Bauru, quiçá no país (quase) inteiro, o dos carrinhos amarelos do Mercado Livre rodando para lá e para cá. Observo o aumento deles pelas ruas com muita atenção e aqui compartilho a conversa tida hoje com um comerciante de um dos bairros da cidade. "Estamos passando por um momento muito complicado. As pessoas estão deixando de consumir produtos conosco e o fazem hoje pelas redes sociais. Compram quase tudo através do virtual e mesmo aqui em minha loja, observo algo. O funcionário atende a pessoa, ela escolhe, faz descer caixas, mas não leva e descobri, elas experimentam aqui e depois, compram através do celular, com empresas de fora, na maioria das vezes para redes muito grandes, essas impossíveis de se tentar um preço próximo deles. As lojas fechando no centro e as de bairro são um reflexo disso, que acredito, não ocorra só aqui, mas no país inteiro. Como enfrentar a esses, não sei, mas o que sei é que não aguentaremos mais muito tempo. Temo que nosso antes vistoso comércio vá se transformar num grande deserto de portas fechadas e cada vez mais, muitos carrinhos amarelos rodando pra lá e pra cá", foi o que me disse.

SOBRE A TENTATIVA DE IMPEDIR A RODA DA FEIRA
"A situação é a seguinte: A OAB interviu, e foi feita uma reunião na Cultura. Foi a Bom termos, mas não definitivo. Uma nova reunião deveria ser realizada com Cultura, SAGRA, capoeira e feirantes, pra ajustar todos os ponteiros. Ofício da OAB solicitando e estabelecendo pontos foi protocolado, mas não tem data. A Capoeira vai fazer a Roda, conforme programado primeira quarta-feira de cada mês. ESTAMOS CONVIDANDO A TODOS!!!
Capoeira é PATRIMONIO CULTURAL BRASILEIRO
E dever de todos a sua proteção", Alberto Pereira, pela Casa da Capoeira.

Explico melhor. A RODA DA FEIRA já é uma tradição. Ocorre desde muito tempo em locais públicos de Bauru e sem maiores complicações. Neste ano, administração da fundamentalista Suéllen Rosin, tudo se torna um problema - até com a liberação do coller nos festejos do aniversário da cidade no Recinto Mello Moraes. Com o impedimento, não se sabe se existe por detrás algo de preconceito pelo que representa ou é mesmo uma burra burocracia palaciana, onde tudo precisa ter aval da alcaide. Proibir e impedir a descida da RODA é algo mais do que irracional, algo como barrar a participação popular de ocupar suas praças e ruas livremente. Tudo precisa ser regulamentado, seguir regras, com ofícios e documentos, eis o lado legalizado, este também criando obstáculos para que o povo se manifeste e ocupe livremente as ruas. Ter que discutir essa liberação é uma clara demonstração de como é a cabeça dos burocratas - não seria burrocratas? - hoje detrás das mesas decisórias país afora. Deburocratizar o mundo, eis o que devemos fazer.

terça-feira, 28 de julho de 2026

ALFINETADA (267)


CIDO, UM MESTRE EM GEOGRAFIA, RELEMBRANDO JUNTOS ALGO DE SUA ESPOSA, SAUDOSA ROSIO
Cido, ou melhor, o professor José Aparecido Santos é velho conhecido, militância primeiro como bancário e depois como professor de Geografia, indo e vindo, até Adamantina, onde exerce a profissão. Tempos atrás, após o falecimento da esposa, a peruana Rosio Fernandez Bacio Salcedo, com quem atuei junto no CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru, ele me chamou num canto e ofereceu parte do acervo em livros delas. Aceitei e os incorporei ao Mafuá. Estivemos juntos na campanha pra vereador do Cláudio Lago e vez ou outras, nos encontramos pela aí, ambos nessa eterna luta em prol deste Brasil altaneiro e soberano. Militamos no mesmo partido político, o PT.

Por pouco não nos encontramos na Convenção petista, a que homologou Fernando Haddad pra governo de SP. Cido é oriundo daquela região, Campinas, onde começou sua militância como bancário. Dias atrás me chamou novamente, vendo do meu interesse por temas ferroviários, pra oferecer trabalhos de orientandos da esposa, feitos em cima de algo sobre o Patrimônio Histórico e a Ferrovia bauruense. Deixamos pra depois da convenção. Ontem nso encontramos e antes de mais nada, revivemos algo de sua história e da Rosio. Ela de Cuzco, no Peru e se conheceram, 40 anos atrás, quando ele e amigos por lá estiveram e sem querer de deparou com aquela jovem estudante. Flertaram e a partir dali, o relacionamento deu no que deu.

Tudo na vida tem momentos de emoção. O relacionamento deles começou intenso, pois na noite quando a conheceu, amigos o levaram para uma boate e lá permaneceram a noite, perdendo o trem que os levariam embora. No meio da noite ouvem uma explosão, era no trem, um atentado e várias pessoas ali morreram. Tudo começa desta forma e jeito entre eles. Ele passou a conhecer e amar o Peru, indo e voltando muito para lá e outros países andinos. Tudo uma longa história. Ele veio me entregar maquetes feitas por estaudantes da Unesp, sob orientação da esposa e acha que comigo estarão em boas mãos, como monografias com tema sobre a História e o Patrimônio Histórico. Ele adentra o Mafuá no final de tarde, ali ao começar a ouvir seus relatos, sentamos e a conversação se perdeu de vista.

Cido enviuvou há pouco tempo e ainda está aturdido com o rico material que vai desmembrando de tudo o que Rosio deixou entre seus guardados. Ele se surpreende a cada mexida nas estantes e caixas. Desta feita se lembrou de mim, achando que, comigo parte do encontrado estará em boas mãos. Folheamos tudo juntos e ao observar por onde Rosio fazia seus alunos caminharem, impossível não se interessar e querer conhecer, ler, ver em detalhes cada trabalho, o motido da pesquisa e os resultados de cada um. Enfim, por detrás de tudo, sempre a História bauruense. Eu o agradeço por tudo, enfim, se já tinha uma fila imensa a aguardar minha leitura, agora tenho mais um bocadinho, daí, nada como pedir uma sobrevida, talvez a concessão de alguns anos há mais acrescentados no final da mainha, para conseguir dar vazão em tudo o que tenho acumulado e não gostaria de ir embora sem antes botar não só os olhos, mas tomar conhecimento. E assim, desta forma e jeito, se avoluma cada vez mais meu rico acervo pessoal de livros e documentos. O Mafuá já está se tornando pequeno para tanta coisa boa.

BEBEL E PEDRO TOURINHO, EU SÓ VOU VER CANDIDATOS COM COMPROVADA RESPONSABILIDADE COM A COISA PÚBLICA
As próximas eleições batem na nossa porta e daqui até o dia do pleito, começo de ouutubro, muitos candidatos estarão circulando por Bauru, os daqui e os de fora. Eu se pudesse votaria em vários. Aqui nos meus comentários, alguns dos que poderiam muito bem contar com meu voto, pois sei, folha corrida das melhores, gente com ilibada reputação e comprovada ação pelo bem comum.

Hoje, terça, 28 de julho, começo da noite, dois destes passam por aqui em atividades separadas e depois se juntam. Bebel foi presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores da rede pública estadual por uma vida e sempre esteve ao lado da causa dos professores e da escola pública. Tem uma ótima atuação da ALESP e passa por Bauru, reunindo gente da região toda. Já na sede da CUT Bauru, quem por lá se reuniu com sindicalistas e simpatizantes foi o médico sanitarista e servidor público estadual, Pedro Torinho, tendo já disputado a Prefeitura de Campinas pelo PT. Se juntam para unidos, demonstrar força pela reeleição de Lula, eleição de Fernando Haddad pra governador, Marina e Tebet para o Senado.

Quando gente deste quilate passando pela cidade, faço um esforço e vou ouvir e ver o que tem pra dizer. Com estes não existe promessa vazia, forçação de barra e nada de chove não molha. É disso que realmente precisamos, seriedade no que fazem, cartas na mesa, propósitos muito bem definidos. Bebel concorre para deputada estadual e Pedro Tourinho para federal, ambos gente de Lula e do PT. Junto deles, gente que eu conheço e reconheço como sendo de lida e eternos lutadores por dias melhores para todos nós. Eu só escrevo de quem eu sei, faz e acontece, não faz acordo com a parte contrária e estão aí, como eu, em busca deste tão falado "outro mundo possível". Quando me virem comentando por aqui de algum candidato (a), podem ter a mais absoluta certeza, só coloco a mão no fogo por gente em quem acredite de fato esei, daqui da cidade ou de alhures, tanto faz, o importante é ter a certeza de que não me deixarão na mão. Políticos na acepção da palavra. O Brasil para mudar pra melhor, precisa e muito de gente de garra e fibra como estes dois.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

DICAS (271)


O QUE ACHAM DE ALGUÉM TROMBANDO COMIGO, NUMA MANHÃ DE SEGUNDA, DENTRO DE UM SEBO?
O Sebo é o do Bau, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Rodrigues Alves, centro nervoso da cidade e onde seu proprietário, o Roberto - o filho do Bau - está fazendo uma promoção dessas de arrepiar o pelo dos abnegados por livros e discos. Tudo pela bagatela de R$ 2 reais a unidade. Não tem quem não resolva, hora ou outra, passar por lá e conferir se ainda encontra algo, pois a devassa foi grande, mas pelo que fiquei sabendo, com um acervo de caixas e caixas ali acumuladas, décadas a fio, muita coisa nem os proprietários sabiam de sua existência. Ou seja, a garimpagem está em pleno curso na cidade de Bauru, mais precisamente neste sacrosanto lugar.

E assim sendo, impossível também nas idas e vindas não encontrar com alguém sujando as mãos, vasculhando velhas estantes, tudo em busca de algo dentro do seu gosto e preferência. Eu, desde quando começou essa última liquidação - Roberto afirma não irá fechar o sebo, é só para acertar o estoque -, já estive por lá umas quatro vezes e sempre me surpreendo. Hoje, quem dou de cara é o jornalista João Pedro Feza, um que residiu em Bauru por um bom tempo, trabalhando em vários de nossos já não mais existentes órgãos de imprensa e depois quando as portas se fecharam, foi em buscar de ar fresco lá pelas bandas de SAntos, onde reside há poucos metros dos botecos na beirada da Vila Belmiro, onde recolhe histórias e estórias para nos encher de inveja. Nada como viver num cais de um porto, ainda mais o de Santos, onde a história de estivadores briguentos, algo narrado tempos atrás por Plínio MArcos, no encantou. Feza dá prosseguimento ao inesgotável tema.

Vez ou outra o danado aporta por aqui, para algum trabalho dentro de sua área. Ontem circulou num dos pouquíssimas e raros eventos ainda promovidos pelo saudoso e hoje fechado Museu Ferroviário Regional de Bauru - MFRB - uma vergonha nenhum dos três bauruenses estar aberto. Hoje, como quer não quer nada, aportou lá pelas bandas do Bau e na virada de uma encruzilhada - lá dentro tem várias -, damos de cara e assim, iniciamos uma conversação para lá de boa. Nas estantes sempre algo de bom. Ele se agarra num velho LP do Roberto Carlos, desses de início de carreira e o livro cucaracha do Henfil, tudo pelo inimaginável preço de R$ 2 reais cada. Proseamos até lhe informar que, infelizmente, meu alvará estava vencido e teria que retornar ao meu bunker caseiro.

O que ve ser uma delícia mesmo é poder desfrutar de mais um tempinho, ouvindo suas histórias de beirada de porto, botequins com cheiro de sardinha, algo que, com certeza, ele deve ter acumulado ao longo dos últimos tempos. Feza é destes poucos que, por essas plagas, a gente pode denominar de jornalista de verdade. Eu, vez ou outra me intitulo como jornalista, mas não chego nem perto de alguns, cujo ofício realmente esteve no cerne de suas vidas. Eu brinco com a coisa, gente como Feza leva a sério. Tomara fique mais uns dias por aqui e possamos prosear mais um bocadinho, ele me contando as últimas do Neymar e eu, lhe atualizando sobre as últimas da thurma de Birigui que se apossou de Bauru e nem colocando a vassoura atrás da porta, não arreda mais o pé daqui. Enfim, eu e ele saímos com algumas preciosidades literárias e musicais do Bau e confesso, nenhum de nós gastou mais de R$ 20 pratas. Vale ou não a pena aparecer por lá? Só pelos reencontros já valeria e depois da garimpagem, sempre preciosidades.

EXPOSIÇÃO SEDENTÁRIA DE DOUTRINAS ALHEIAS
Mário de Andrade batizou certa feita, referindo-se a um verdadeiro vício ocupacional o de se deixar levar e ficar praticando a teoria do auto-engano, ou seja, mesmo ciente de estar errado, o sujeito continua defendendo o modus operandi de quem é o mentor do que pensa. Ele já não pensa mais por ele mesmo, mas pela ideoa do mandatário do seu mundinho. Preferiu ficar ali, aceitando tudo, do que ter que enfrentar e desdizer de quem supostamente o protege ou o ampara e assim, virou um repetidor idolatrado de algo mentiroso. Passa isso adiante, como verdade fosse, briga por causa disso, mesmo sabendo que aquilo não corresponde com a verdade e que, o outro lado, talvez faça melhor o que o seu deixa de fazer. Mas aceitar isso é outra coisa, inaveitável dentro do padrão de ações onde está encralacrado. Como desdizer do seu mentor, mesmo mentiroso, o que lhe proporcionou uma boquinha, tudo para valorizar a verdade?

Pensei nisso tudo quando vi uma pessoa conhecida, ontem enaltecendo com loas de melhor homem do mundo, o governador Tarcisio de Freitas, após este ter ido visitar a cidade de Taquaritinga, após a tregédia do vendaval da última sexta. O governador foi lá, tiraram fotos juntos e ele passou, so por causa disso a ser a melhor pessoa do mundo. Nada havia ainda de concreto em auxílio ou ajuda, somente palavras, promessas. Do outro lado, vindo do Governo Federal uma ação concreta, porém para viabilizá-la a cidade precisaria publicar um decreto se apresentando em estado de calamidade pública. Para este, por se tratar de advsersário de onde está situado, a pessoa elogia quem ainda não fez e nada diz de quem já fez algo.

Este é só um exemplo do mundo onde estamos situados. Lembrei da teoria de Mario de Andrade, a da "exposição sedentária de doutrinas alheias" e concluo que, com essa observÂncia, vou tentando alinhar mentalmente que a relação mais íntima, traiçoeira e definidora de um ser humano é a que ele trava consigo mesmo. Enfim, como é possível para uma mesma pessoa enganar-se a si própria? Num belo livrinho, o economista Eduardo Gianetti, o "Auto-engano", ele destrinchaalgo disso: "como nos desincumbimos de proezas como crer no que não cremos, mentir pra nós mesmos e acreditar na mentira ou remar de costas rumo a um objetivo?".

Cada vez mais difícil aquele que está envolvido na mentira pensar na possibilidade de estar enganado, desdizendo do que fez até hoje, as crenças, valores e paixões que os governa. Penso vendo essa gente se pronunciar: existirá uma possibilidade de rever algo e avançar ou continuará a vida inteira dominado, inerte e sendo conduzido como manada, enganado e ludibriado, tudo em troca de meras migalhas? Poucos conseguem sair deste moto contínuo. Sinceramente, pelo que conheço dele, acho um tanto difícil o governador se sensibilizar e doar dinheiro a fundo perdido para reverter o momento de cidades como Taquaritinga, pois a extrema-dierita age exatamente ao contrário, ela subtrai e não acrescenta, já o proposto pelo Governo Federal é palpável, está exposto e só não aceita quem está absorto pelo outro lado da moeda. Este é só o começo de uma divagação que vai longe...

"É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE NÃO É BOM MEXER COM A MALUCA... ENTÃO NÃO ME CUTUCA...QUE EU NUNCA DEI VIDA MOLE PRA FILHA DA..."
Outro dia me perguntaram: "Você ouve ou já ouviu ANITTA?" Tive que confessar, gostava dela, de seu firme posicionamento da vida e político, mas musicalmente conhecia muito pouca coisa. Agora, dia 23 de julho ela lançou o álbum EQUILIBRIVUM II, continuidade da primeira parte, lançada em abril. Me convidam para ouvir e me enviam por e-mail o álbum - agora não existe quase mais disco físico, tudo no mundo virtual - e me foi dito: "Ouça do começo ao fim e me diga o que achou". Ouvi, ela influenciada nas raízes brasileiras, explorando gêneros como samba, forró e MPB com fortes referências à espiritualidade de matriz afro-brasileira, contando com participações especiais de grandes nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença e Mart'nália, tive que confessar: além de já ter gostado - e muito - de sua postura como artista, agora me vergo e confesso ter gostado também de sua música. Creio eu, demorei muito. Sim, continuarei gostando muito mais do que ouço desde sempre, essa maravilhosa MPB, mas sempre estarei aberto para novas possibilidades. Assim sendo, escolhi para aqui compartilhar a NÃO ME CUTUCA, onde Alceu Valença tem uma pequena participação. Só posso dizer para todos os que, como eu, estavam reticentes, para que capitulem e a ouçam. Seus vídeos são de um visual extremamente competentes. Assim, ouvindo ANITTA, começo a semana.
Eis Anitta e Alceu numa das canções do novo álbum: https://www.youtube.com/watch?v=PSB7uxRtpaU

domingo, 26 de julho de 2026

COMENTÁRIO QUALQUER (275)


como é bom perambular pela aí e conhecer pessoas
UMA HISTÓRIA CAPTADA NUM DISTRITO DE CAMPINAS, MESMO DIA CONVENÇÃO HADDAD GOVERNADOR
Das viagens que faço pela aí, sempre extraio delas boas histórias. Algumas conto por aqui. Essa uma delas. Ontem, sábado, 15/07, estive em Campinas, mais precisamente nos belos distritos de Souza e Joaquim Egídio, ambos ladeando a rodovia D Pedro, a que saindo de Campinas leva quem por ela rode até Taubaté, São José dos Campos e parte do litoral paulista. Mais precisamente em Souza, ontem a convenção do PT homologando Fernando Haddad como o candidato a governador. Uma boa festa, num ótimo lugar e na saída, quando tudo se findou e todos felizes, com a real possibilidade de, neste curto espaço de tempo, a realização de uma bela campnha reelegendo Lula e trazendo Haddad para o governo paulista.

Eu, Claudio Lago, Pedro Valentim e Maurício Passos, estávamos voltando e passamos, guiados por este ultimo em Joaquim Egídio, um lugar parasidíaco e por lá, um velho amigo seu, ANTONIO CÂNDIDO SIMÕES, pederneirense como ele. Foi uma parada para nos levar a um belo restaurante, onde almoçamos e a partir daí, ouvi as histórias já perpetradas no passado entre ambos e outro da mesma localidade, o Zé, o José Roberto Alves Reginato, servidor aposentado da Unesp Bauru. Primeiro algo do Antonio, que um dia foi trabalhar naquela região, na Replan da Petrobrás, plataforma de Paulínia e gostando demais do lugar, nunca mais saiu de lá. Chegamos em seu portão e a surpresa, ele comprou um contâiner e nele construiu sua morada. Ficou lindo e peça única na cidade. Fiz questão de conhecer e para recepcionar os visitantes, um café com amendoim, receita pederneirense.

Antônio é dotado de um prosa sedutora e o depois do alongado almoço, ficamos mais um bom tempo dentro de sua casa. Maurício e ele revivendo artes feitas nos tempos quando vagavam pelo mundo. Eu só ouvindo e assimilando, invejando as andanças e causos. Por causa deles, creio eu, fomos os últimos a sair lá na convenção e deixar a cidade. Queria anoitecer quando arredamos pé. A vontade era permoitar e encontrar um canto para se encostar no contâiner residência, mas como todos tínhamos compromissos voltamos, não sem antes, Antonio sacar uma revista lá do fundo baú, uma antiga Chiclete com Banana, obra o Angeli e fazendo circular entre todos, a deixou de presente com Maurício. Este explica: "Os dois personagens da revista, o Meia Oito e o Nanico, revolucionários por osmose são eles dois, o Antonio e o Zé. Desde que foi lançado, imediatamente foram incorporados pela dupla". Isso gera uma outra longa conversa e destes reencontros, algo sem momento exato para terminar.

Tivemos que voltar, porém antes, Antonio me pergunta: "Você não conhece a Sonia Fardin?". Claro que sim, fizemos História juntos na antiga USC, ela veio para Campinas décadas atrás. Era uma das revolucionárias do curso. Antonio e Sonia se conheceram em Campinas, muito pela trajetória de lida e luta, inevitável encontro frequentando os mesmos lugares e gotos, onde ambos sempre estiveram envolvidos e ao relembrar o nome dela, nada como passar um filme pela cabeça. Eu, ela, Antonio, Zé e Maurício éramos sonhadores bem lá atrás e pelo visto, continuamos com a mesma pegada. Os outros dois, Lago e Valentim, podem ser incluídos na troupe. É muito bom ir revendo pessoas, suas histórias, a trajetória de uma vida inteira e nelas, sem desvios, sentando depois de tanto tempo sem se ver pessoalmente, constatando que, mesmo aposentados, um tanto consados, não desistimos, continuando ao lado de gente como Lula e Haddad, sonhando firmemente com um outro mundo possível. Somos assim, ou melhor, seremos assim por toda a vida.

o nojo que dá certos personagens da vida pública
ESTE É O SER SAÍDO DAS PROFUNDEZAS DO PÂNTANO, HOJE AINDA GOVERNANDO A ARGENTINA E EXPELINDO IMBECILIDADES POR ONDE CIRCULE
Que se trata de um doernte mental ninguém tem mais nenhuma dúvida, porém, este ser abjeto conseguiu anos atrás se eleger presidente da Argentina e hoje, reduziu este país a um território em total decadência e dependência. Nunca a Argentina se viu numa situação tão desconfortável como a atual, com suas indústrias praticamente sendo fechadas, uma atrás de outra, com o país sem perspectiva de recuperação. Praticamente entrega tudo, desde reservas ao próprio território e a soberania nacional, de mão beijada para os interesses, não norte-americanos, mas o do pirata que governa os EUA atualmente, Donald Trump. Um ser subserviente e limpa botas de Trump, de quem se humilha para continuar aparecendo nas fotos com seu mentor e líder. Uma vergonha para a América Latina, pelo que produz de viralatismo. Bastou abrir a boca, para dela sair algo mais contundente que uma latrina cheia de fezes. Os argentinos não ersperavam tanta vergonha com um presidente e hoje, com o país já tendo decretado falência, este senhor, fugindo de suas obrigações presidenciais, viaja para todo lugar, sempre as custas do erário público, não para levar algo de edificante para seu povo, mas para propagandear atitudes retrógradas e dentro do viés da extrema-direita. Ou seja, no conjunto da obra, um ser dos mais repugnantes hoje no planeta.

Sua imagem irradia nojo, a decrepitude humana na sua excelência. Seu visual, nada despojado, mas demonstrando a inaptidão ou mesmo incampacidade absoluta para o exercício do cargo que ocupa, o coloca não só como um dos seres mais desprezíveis, como rejeitados. Por onde passe, expele repetidamente besteiras, coisas sem nexo, nenhuma produndidade ou mesmo honestidade de propósitos. Está perdido e a cada dia que passa no poder, a consolidação do descalabro de um país, antes um dos mais altivos da América Latina, hoje com ele no poder, a latrina do continente. Não existe um só adjetivo positivo para um ser com tamanha capacidade de azedar um ambiente, de tornar impossível a convivência no mesmo ambiente, até pelo odor nauseabundo expelido. Costuma contaminar o ar dos ambientes por onde circule e só mesmo, seres tão abomináveis como ele o convidam para compartilhar o mesmo espaço físico.

Esteve no Brasil para junto de outros seres abomináveis, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, expelir impropriedades inaceitáveis contra o presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva. Você pode discordar de Lula, mas acusá-lo de forma criminosa e recheado de inverdades é algo além do normal, merecedor não só de repulsa, mas punição. Demonstra demência, algo repetido por todos os lugares onde comparece e em como se apresenta nestes ambientes. Sem abrir a boca já é uma aberração, porém, quando abre, fica impossível permanecer no mesmo ambiente. Sua recente passagem ao Brasil é mais que uma peça de horror, essa executada em praça pública, comprovando tudo o que aqui escrevi até agora. Tenho muita pena dos argentinos por não estarem conseguindo se livrar dele neste momento. Quanto mais tempo permanece no poder, mais a Argentina é destruída e terá difícil recuperação quand oeste se for, creio eu preso e condenado. Quem dá ouvidos para Javier Milei, colocando-o em patamares onde ainda se leve em consideração o que fala, é tão repugante quanto ele.

sábado, 25 de julho de 2026

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (232)


SE É PARA IR NA CONVENÇÃO HOMOLOGANDO HADDAD GOVERNADOR, VAMOS LONGE PARA VÊ-LO FALAR JUNTO DE LULA
Fernando Haddad estaria sendo homologado como candidato do PT ao governo do Estado de SP, concorrendo contra o pérfido Tarcísio de Freitas, este eleito governador e mesmo promovendo uma péssima admninistração, ainda goza do voto de boa parte do povo paulista. Acreditando piamente na proposta de alguém sério, compromissado de fato com a coisa e causa pública, eu, Claudio Lago, Maurício Passos e Pedro Valentim, nos organizamos e vamos de carro, de Bauru até Campinas, mais precisamente no distrito de Souza, ao lado da rodovia D Pedro, no caminho para o mar. Isso mesmo, rodamos numa fria manhã, ameaça de chuva forte, aproximadamente uns 400 km, tudo para se reencontrar com outros tantos, espalhados pelo estado todo e que, acreditando nessa proposta, estão para lá se dirigindo. 

Saímos por volta das 6h, quando o evento começaria por volta das 9h30. Como é de praxe conosco, muita conversa, alguma estrada errada pelo caminho, paradas prolongadas e a chegada se deu com mais de meia hora de atraso. Por sorte num evento com oeste, muitas pessoas fazem uso da palavra. Haddad não é a única estrela da desta. Aliás, a grande  estrela mesmo é o presidente Lula, vindo  de Brasília exclusivamente para prestar seu apoio para ver Haddad chegando lá. Nas falas preliminares, as candidatas ao Senado, Simone Tebet e Marina Silva, depois o candidato para vice de Haddad, Márcio França, na sequência o vice-presidente, o também paulista Geraldo Alckmin. Depois de ouví-los todos entrariam no palco, montado no formato do estado de SP e todos tendo que passar por uma passarela, o Haddad e Lula.

O local um amplo ginásio esportivo, local de difícil acesso não é motivo para que a militância não saia de casa. Todos estão mais do que acostumados com adversidades e longas caminhadas. Vamos sempre pra Brasília e fomos muitas vezes para Curitiba, no período quando Lula esteve preso injustamente na Polícia Federal. Souza é mais um dos tantos locais, lugares onde o fato acontece e lá comparecemos. A surpresa da chegada é imensa, pois se esperávamos muita gente, o local estava abarrotado. Difícil estacionar e uma felicidade ir vendo tanta gente disposta a mudar os rumos deste Estado, não dando voz para a extrema-direita, pérfidas pessoas fazendo de tudo e mais um pouco para destruir tudo o que possa, porventura, lutar por direitos de trabalhadores. A única saída possível é a união de todos e o vislumbrado ali quando descia para adentrar o ginásio, o sentimento a me impulsionar era exatamente este, o do quanto vaele a pena lutar.

Muitos candidatos presentes com barracas e distribuição de santinhos, principalmente adesivos com slogans. Neste local, lado de fora do tal ginásio, a concentração era de alegria, verdadeiro congraçamento humano. Impossível circular pelo local sem muitas paradas para conversas. Ocorre ali, mesmo sem querer, um recarregamento de baterias, onde a pessoa pode chegar até o local um tanto desanimada, mas ao ali chegar, o deslumbramento. Algo assim, possibilitado naquele dia e momento. Recolho muitos papéis, converso e revejo pessoas conhecidas e o assunto é somente um, como executar a corrida eleitoral para fazer com que Haddad chegue lá e Lula continue sendo nosso presidente. O quarteto que saiu de Bauru tinha dificuldades em se manter juntos. Naquele lugar, só mesmo amarrados um ao outro por uma cordinha. 

O ginásio estava abarrotado e o acesso bloqueado, ainda mais para quem chegou atrasado. Num certo momento, resolveram abrir novamente as portas e foi neste momento, que adentramos o palco dos acontecimento. Um ginásio completamente abarrotado de pessoas convictas de que, a mudança deve ocorrer em São Paulo nessas eleições. O palco, bem no centro e uma multidão o ladeando. Ao microfone a renovação das falas e todas incisivas, duras contra Tarcísio e também contra tudo o que representa essa famiglia criminosa, os Bolsonaros. A esperança está no ar e paira sobre tudo. Ouço tudo o que posso e ao final, as de Haddad e Lula, impecáveis e necessárias. Elas estão aí, fáceis de serem conseguidas pelo Youtube e repetí-las aqui ocuparia muito espaço. O que vale mesmo é a reafirmação de que, a militância petista e o núcleo de simpatizantes cresce e estará nas ruas e lutas nessa campanha, como nunca esteve, pois está muito ciente de que, este pleito será muito diferente de todos os outros. Os interesses em jogo são muito grandiosos e além de tudo, escancarado a participação de Donald Trump e tudo o que de mal está ao seu lado.

Na saída, nova reunião do lado de fora com tudo e todos, em conversações intermináveis. A fome clamava por algo para comer, mas estava no ar, algo como, uma querência por mais conversa, por mais aproximação entre todos, pois a causa a nos reunir é mais que nobre. voltamos em paz, parando novamente aqui e ali. Um almoço começado depois das 16h, junto de novas pessoas e depois uma visita para um amgio morador do distrito. Ou seja, saímos de lá mais de 18h, talvez um dos últimos a deixar o local, chegando em Bauru, com passagem por Pederneiras para deixar Maurício, aportando em Bauru, todos revidorados, já por volta da meia noite. Este foi mais um relato de tantas sagas feitas pela aí, sempre em busca deste tal de "outro mundo possível" e contando com gente como Lula, Haddad a nos conduzir. Os seguimos, em primeiro lugar, pela absoluta certeza de que, com eles a real possibilidade do país continuar soberano, livre, leve e solto e depois, pelas convicções políticas e ideológicas que nos unem. Somos assim, fomos assim e seremos sempre assim. Entenderam?