quarta-feira, 22 de julho de 2026


MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA VIAGEM, NAS HISTORIETAS ARGENTINAS 14.) MANHÃ DE SÁBADO, PASSEIO PELA 25 DE MARÇO/SAARA ARGENTINA, AQUI O "ONCE"
Dois locais, Maria Belén e Adrian Jara nos ciceroneiam pelas calles onde argentinos de todas as partes do país vem efetuar compras, depois revender. Caímos de boca nas andanças, guiados por dois entendidos no assunto. E até fizemos algumas comprinhas. Para mim, observador das calles, nada como andar por um lugar, que anos atrás estava forrado de imigrantes negros, todos africanos, ocupando todas as calçadas, vendendo roupa de griffe, todas falsificadas. A região passou por severa alteração de funcionalidade, com estes todos sendo praticamente expulsos, não só das calçadas, como do país. Não os vendo mais, pergunto ao Adrian e ele me responde: "A Prefeitura os retirou daqui e não os vemos mais em lugar nenhum".
Fui conferir e encontrei isso: "Os vendedores africanos (em sua maioria senegaleses) que trabalhavam como manteros em Once, Buenos Aires, foram dispersados devido a constantes operações de repressão e desalojo do espaço público pelo Governo da Cidade. Muitos migraram para outros bairros e províncias, enquanto outros continuam atuando de forma itinerante e cautelosa. Devido à forte presença policial, abandonaram o modelo de montar barracas fixas nas calçadas. Em vez disso, passaram a operar de maneira móvel (carregando bolsas e mercadorias nas mãos) e fogem rapidamente ao sinal de fiscais ou policiais. Para evitar a perda total de suas mercadorias nas batidas, muitos passaram a alugar pequenos espaços ou guardar estoques em galerias comerciais da região e saem às ruas apenas para vender unidades limitadas".
Para mim, que todo ano, neste mesmo período cá estou, mais do que perceptível a mudança. Antes quase intransitável a região, hoje mais tranquila. Do zelador do prédio onde estamos hospedados, me diz quando saíamos para o passeio: "Tome muiuto cuidado, pois lá costumam sumir coisas de nossas mãos". Não vi nada disso, achei um excesso. Gente sendo ludibriada nas ruas não é exclusividade daqui e sim de todos os lugares do mundo. O fato concreto é que, não presenciei nenhum ato de violência urbana na caminhada, andando e adentrando por todos os lugares, sem nenhum tipo de chateção. No mais, que ótima manhã, circulando pelas lojas deste bairro, recebendo pessoas de todas as partes do país, todos em busca de mercadorias para serem depois revendidas em suas cidades, nada diferente do que acontece no Brasil, em São Paulo na 25 de Março e no Rio, no Saara.

terça-feira, 21 de julho de 2026

 E COMO ANDOU BAURU NESTES DEZ DIAS ONDE BATI ASAS

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CHEGUEI, ESTOU DE VOLTA - AVALIAÇÕES DESSA ESTADA COMOS HERMANOS 

domingo, 19 de julho de 2026


MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA VIAGEM, NAS HISTORIETAS ARGENTINAS 14.) MANHÃ DE SÁBADO, PASSEIO PELA 25 DE MARÇO/SAARA ARGENTINA, AQUI O "ONCE"

Dois locais, Maria Belén e Adrian Jara nos ciceroneiam pelas calles onde argentinos de todas as partes do país vem efetuar compras, depois revender. Caímos de boca nas andanças, guiados por dois entendidos no assunto. E até fizemos algumas comprinhas. Para mim, observador das calles, nada como andar por um lugar, que anos atrás estava forrado de imigrantes negros, todos africanos, ocupando todas as calçadas, vendendo roupa de griffe, todas falsificadas. A região passou por severa alteração de funcionalidade, com estes todos sendo praticamente expulsos, não só das calçadas, como do país. Não os vendo mais, pergunto ao Adrian e ele me responde: "A Prefeitura os retirou daqui e não os vemos mais em lugar nenhum".
Fui conferir e encontrei isso: "Os vendedores africanos (em sua maioria senegaleses) que trabalhavam como manteros em Once, Buenos Aires, foram dispersados devido a constantes operações de repressão e desalojo do espaço público pelo Governo da Cidade. Muitos migraram para outros bairros e províncias, enquanto outros continuam atuando de forma itinerante e cautelosa. Devido à forte presença policial, abandonaram o modelo de montar barracas fixas nas calçadas. Em vez disso, passaram a operar de maneira móvel (carregando bolsas e mercadorias nas mãos) e fogem rapidamente ao sinal de fiscais ou policiais. Para evitar a perda total de suas mercadorias nas batidas, muitos passaram a alugar pequenos espaços ou guardar estoques em galerias comerciais da região e saem às ruas apenas para vender unidades limitadas".
Para mim, que todo ano, neste mesmo período cá estou, mais do que perceptível a mudança. Antes quase intransitável a região, hoje mais tranquila. Do zelador do prédio onde estamos hospedados, me diz quando saíamos para o passeio: "Tome muiuto cuidado, pois lá costumam sumir coisas de nossas mãos". Não vi nada disso, achei um excesso. Gente sendo ludibriada nas ruas não é exclusividade daqui e sim de todos os lugares do mundo. O fato concreto é que, não presenciei nenhum ato de violência urbana na caminhada, andando e adentrando por todos os lugares, sem nenhum tipo de chateção. No mais, que ótima manhã, circulando pelas lojas deste bairro, recebendo pessoas de todas as partes do país, todos em busca de mercadorias para serem depois revendidas em suas cidades, nada diferente do que acontece no Brasil, em São Paulo na 25 de Março e no Rio, no Saara.

sábado, 18 de julho de 2026

BEIRA DE ESTRADA (210)


HISTORIETAS ARGENTINAS

11.) REVENDO OS AMIGOS DO "LA CAVE", DEGUSTANDO UM BOM VINHO ARGENTINO
Aprendendo a degustar um bom vinho com quem sabe, o casal César e Flávia, ela uma enóloga de responsa, ou seja, estudiosa no assunto, entendida de fato. Não era um dia dos melhores para ir até seu estabelecimento, na calle Rodríguez Peña, pois no mesmo dia, um jogo da Argentina pela Copa. As ruas estavam intransitáveis, mas como gostamos uma muvuca, de rua cheia e também, é claro, de um bom vinho, lá estivemos para a anual degustação. 

Desfrutamos de preciosos queijos, empanadas riquíssimas e quatro tipos de vinho, devidamente explicados e degustados. Algo como um necessário reencontro, feito sempre bem no meio do tempo que por aqui passamos, numa espécie de pit stop, onde recarregamos nossas baterias, revemos os amigos e saímos todos, um pouco mais borrachos, porém, satisfeitos e prontos para tudo o mais.

PRECISO EXPLICITAR PARA QUEM SERÁ MINHA TORCIDA NA FINAL DA COPA DO MUNDO?

12.) RUANDO E O PASSEIO PELO MUSEU COLON, JUNTO AO CAMINITO
O Teatro Cólon todos conhecem sua grandiosidade, creio eu o mais imponente de toda América Latina. 

No seu entorno, hoje conhecemos como se dá a fabricação de seus ricos e diferenciados cenários e manutenção dos mais significativos figurinos. 

Tudo centralizado há muitos quilômetros do teatro, este na avenida Nove de Julho, próximo do Obelisco e sua fábrica de cenários, num imenso barracão, ao lado do cais, zona portuária, 200 metros da entrada do Caminito.


SÓ POR ISSO, ESTOU RECONFORTADO: TORCI MAIS QUE CERTO, VIVA AMÉRICA LATINA LIVRE
"Obrigado por tudo, mas fundamentalmente por isso", jornalista da rádio 750 AM e do Página 12, meu amigo internético, de quem tenho vários livros, Gustavo Campana.

13.)
FEIJOADA NA FESTA BRASILEIRA PARA DILETOS ARGENTINOS EM NOSSA MORADA PORTENHA
Estamos em quatro hospedados num Airbnb na calle Santiago del Estero, região próxima do Congresso/Senado argentino e como todo ano, Ana Bia, se prepara e convida alguns diletos amigos portenhos, a maioria do meio universitário, ligados com a Universidade de Palermo, para uma noite brasileira em nossa habitacion. A cozinha neste ano este a cargo de Neiva Santos, que deu seu jeito mesclando as carnes argentinas com o que conhecmos como FEIJOADA. Os hermanos ficam sempre conectados e paparicam do acepipe com extrema dedicação. E depois, faço a festa com porteiros, o jornaleiro - grande amiugo -, vizinhos do apartamento e assim, num grande congraçamento, mostramos a que viemos, deixamos nossos cartões de visita, algo como ficam sabendo quem de fato são os tais brasileiros, que ano após anos, sai lá do interior de São Paulo, a terra do sanduíche Bauru e aportando em Buenos Aires, promovem um festim de congraçamento.

E junto de nossa festa, como todo ano, comemoramos o aniversário de Sérgio Bauer, peluqueiro de cães, companheiro do querido Adrian, um faz tudo do Congresso da UP. Ele traz o bolo,m cada qual um vinho e os brasileiros se juntam e promovem a comilança. 

Ou seja, se melhorar estraga. Somos felizes desta forema e jeito, com Ana trazendo uma lembrancinha para cada um e recebendo em troca esse carinho. Como não gostar dessa Argentina, a de quem labuta, luta e enfrenta mais do que um leão por dia, mas também encontra tempo para se reunir, conversar muito, cantarolar algo e unidos, ver como faremos para seguir em frente.

JOGADOR CONSCIENTE

quinta-feira, 16 de julho de 2026

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (215)


HISTORIETAS ARGENTINAS

9.) NO DIA SEGUINTE, O JOGO ERA COISA DO PASSADO E FUI CONHECER ALGO MAIS SOBRE PERONISMO
Toni, o jornaleiro peronista, localizado bem aqui na esquina de onde me encontro nesta semana em Buenos Aires, vai me dando as dicas de onde devo ir e me apresenta pessoas em todas as vezes que passo por lá. Hoje mesmo, me apresenta um senhor. "É dos nossos, peronista, velha guarda, tradicional, dos bons", me diz. Tudo rende conversas. Pede para que vá papear um pouco na sede do Partido Justicialista, menos de 200 metros da banca, me informando serem peronistas tradicionais e assim, irei me aprofundando nos conhecimentos políticos da vida argentina.
Chego no local, com um "Cristina Livre" bem na frente e lá dentro, caricaturas e fotos dela espalhadas pelo salão. No balcão de entrada, quem ali se encontra é Matias Marucco, jovem dirigente justicialista. Me identifico como petista e a partir daí, iniciando a conversação com ele me falando de Perón e de Cristina Fernandez de Kirchner e eu de Lula, ali permanecemos por aproximadamente uns 40 minutos. Pergunto sobre todas as minhas dúvidas sobre a política local e ele prontamente me responde, dentro dos preceitos peronistas. Não desdiz do que acontece dentro do peronismo hoje, com muitos grupos, de certa forma antagônicos, porém lá na frente, com o mesmo ideal de luta. "Isso não é ruim, pois não nascemos iguais e do confronto, quando o ideal é o mesmo, sempre flui algo de bom".

Pergunto do confronto entre o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof e Máximo Kirchner, o filho de Cristina, seu sucessor político. Ele me explica que dentro de uns 40% do eleitorado convertendo para o peronismo, Cristina possui o grupo com maior percentual, depois o Kicillof, depois Sergio Massa, o candidato peronista que perdeu a última eleição para Javier Milei. "Tudo vai ser pegado agora, mas quando definir quem vai encabeçar como nosso candidato, estaremos todos unidos", me diz. Digo que, algo parecido acontece no Brasil, onde Lula comanda o PT, mas vários grupos comandados por políticos variados estão sempre em disputa interna.

E assim a prosa prossegue, inclusive com ele me dando sua versão sobre o papel da seleção argentina de futebol, onde somente uns quatro podem ser considerados mais à esquerda. "Os jogadores estão num outro patamar. Os que realmente vieram de classes mais pobres, continuam assim, mas quem é advindo de outra situação, dificilmente se posiciona junto de bandeiras populares". Por fim, no frigir da conversa, ele me diz que, para entender de fato o que venha a ser o peronismo, teria que ler, ao menos dois livros escritos por Péron, o "La Comunidad Organizada" e "Doctrina Peronista". Diz que, os encontro facilmente pelos sebos da cidade. "Foram escritos há mais de 50 anos, mas continuam mais atuais do que nunca", conclui.

A conversa poderia ter fluido muito mais, mas o tempo por aqui urge e tendo outros compromissos pela frente, nos despedimos, quando chega outro dirigente e me vendo brasileiro e admirador do peronismo, me dá a dica certeira para a parte da tarde: "Vá até a casa de Cristina. Hoje tem manifestação de apoio lá defronte e com grandes chances dela sair na sacada. Estamos na rua San Jose. Basta seguir um quilometro adiante, ela mora no prédio 1111". Foi o que fiz. 

10.) FUI VER CRISTINA, ELA NO BALCÃO, 2° ANDAR, CALLE SAN JOSE 1111
Na conversa pela manhã com pessoas ligadas a partidos peronistas, a informação de que, na parte da tarde, por volta das 16h, uma manifestação de apoio para Cristina Kirchner, a ex-presidenta da República, condenada injustamente pelo lawfare político, nova especialidade latinoamericana de prender opositores, hoje reclusa em prisão domiciliar, ocorreria defronte o prédio onde reside na calle San Jose nº 1111. A concentração de populares lhe prestando apoio é constante, diária e praticamente ininterrupta, numa clara demonstração do forte apoio popular que a líder peronista sempre teve. Cristina sucedeu seu marido Nestor Kirchner no poder e a Lava Jato argentina, denominada de Comodoropy, para impedir seu retorno ao poder, invencionou uma questão Cadernos, já desmontada, quando lhe imputaram crimes de corrupção, sem comprovação, só para tirar-lhe o direito de concorrer.

Cristinase mudou a pouco tempo para este novo endereço, mais popular do que o anterior, próximo do Cemitério da Recoleta. EScolhido a dedo, uma ampla sacada permite que ela tenha acesso para seus apoiadores e, desta forma, frequentemente sai na sacada e saúda o conglomerado popular ali presente. Desta feita eu estava ali e vagando dentre os presente, muitos fazendo uso do microfone , rodeados de pequenos comerciantes vendendo souveniers com temas relacionados ao peronismo. Desde botons, adesivos, camisetas, brincos, colares, canecas, chaveiros, cartazes, tudo feito de forma artesanalmente e proporcionando algum ganho para seus idealizadores. A criatividade de quem não desgruda de Cristina é latente e demonstra sua força, perseverança na lida e luta.

Aproximadamente umas cem pessoas estavam ali concentradas, atentas às falas e mais ainda na movimentação na sacada do 2º andar. Quando ocorre uma movimentação de abertura do janelão onde ela reside, as falas se interromperam e no lugar, música com temas ligados à Cristina. Ela permanece no balcão por aproximadamente uns dez minutos, faz gestos para todos, acena, aponta para alguns e monta um coraçãozinho com as mãos, indicando com a mãos alguns. É o momento que todos esperavam. Cristina, pelo que vê e constatei, continua sendo a grande liderança política argentina, a mais expressiva e popular. Foi também uma das que, nos últimos tempos promoveu a concretização de esperança de dias melhores para o povo mais marginalizado, principalmente o trabalhador. Depois dela, o peronismo elegeu Alberto Fernandes, que claudicou na continuidade de um governo popular e na sequência, enfraquecido, perdeu o pleito para JAvier Milei. A desconstrução do país se deu de forma arrasadora, praticamente colocando fim em todas atividades sociais. O país vive um caos social e o alento de uma virada de mesa, ocorre através do peronismo, sendo o nome de Cristina, mesmo proscrito o de maior alcance popular.

Cristina junto de Lula podem ser considerados hoje duas das mais significativas lideranças políticas do Cone-Sul, justamente nos dois países com maior importância no continente. Eu, na qualidade de jornalista, de historiador e de voraz leitor do tema da Pátria Grande latinoamericana, sempre me interessei muito, não só pelo peronismo, mas principalmente por quem pratica essa política mais voltada para os interesses poplares na América Latina. Lula em sua última visita à Argentina a visitou em seu apartamento e as relações entre eles sempre foi das melhores. Conversando com os presente, me descobrindo brasileiro, a primeira coisa que me diziam era a de gostarem muito de Lula. Respondio sempre retribuindo: "Eu também e milhões de brasileiros, entendemos o que se passa aqui e gostamos muito de Cristina e do peronismo".

Cristina não se omite de continuar dando opiniões e influenciado nos rumos do peronismo no país. Ela sabe e tenta de todas as formas reverter sua situação jurídica, porém diante das dificuldades de vergar um Judiciário comprometido dos pés à cabeça com o conservadorismo neoliberal, de gente como ex-presidente Maurício Macri, este ainda apoiando Milei, faz o confronto como pode e uma das possibilidades é essa, a de manter estreito contato popular nas aparições na sacada de seu apartamento. Hoje, por uma felicidade, tive o prazer de vê-la numa dessas saídas na sacada. O contentamento de todos os presentes, percebido por mim, circulando entre os presentes é a certeza de que, o povo não é bobo e mesmo diante de todas as adversidades, sabe muito bem quem pode fazer algo por ele. Cristina é uma dessas, com ação política comprovadamente popular. Aplaudi efusivamente quando saiu no balcão. Fiquei emocionado, como todos os presentes.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (217)


HISTORIETAS ARGENTINAS
6.) ARGENTINA NA SEMIFINAL DA COPA: FUI PELA MANHÃ REVER A CASA DE LAS MADRES, REDUTO DE LUTA E RESISTÊNCA
A identificação imediata que tive com a luta empreendida pela MAdres da Praça de Mayo, que toda quinta, período da tarde, se reúnem e contornam a praça, num gesto de indignação contra o que fizeram com seus filhos e netos é tocante e imediata. Para mim, não existe como permanecer indiferente. Daí, em cada retorno para Buenos Aires é quase obrigatório dar uma passada pela sede das Madres, um local bem simples, mas onde em tudo está registrado algo de como se deu a luta delas ao longo do tempo. Além de um pequeno restaurante, o local de encontro e muitas fotos espalhadas pelas paredes, retratando quem está ao lado dessa incansável luta. Sempre trago algo, recuerdos, como bandanas e bandeiras com o símbolo delas estampado. Tenho no Mafuá, fixado num lugar de destaque uma dessas bandeiras, como a dizer e deixar bem explícito de que lado estou nessas contendas todas que a vida me leva a disputar. 

A sede da associação das Madres - que mantém também uma universidade de cunho popular - está localizada há poucos quarteirões de onde me encontro, pertinho da praça do Congresso. Diante dessa sede, semanalmente ocorrem manifestações violentas, pois os "jubilados" (aposentados) arnetinos, protestam contra o que o desGoverno de Javier Milei faz com seus salários, cada vez mais achatados, insuficientes para chegar ao final do mês e a polícia nacional reprime, chegando a agredir estes. Um cenário de final dos tempos, dessa insanidade proporcionada pela extrema-direita, que rouba o que encontra pela frente e de diz salvadora da Pátria, afundando todos os países onde estão no poder. A luta das Madres extrapola a da incansável procura pelos seus, desaparecidos políticos e versa sobre todas as demais injustiças em curso na Argentina. E, assim sendo, não tem como passar batido. Tive o prazer de, justamente na primeira vez que aqui vim, 2007, ter ouvido Hebe de Bonafini, a grande líderança das Madres, já falecida, num discurso lindo, inflamado e ao lado de nada menos que Hugo Chávez. Continuarei passando pela sede delas e circulando nas quintas na praça de Mayo, todas vez que aqui estiver. 

7.) O JOGO ONDE A ARGENTINA GANHOU DA INGLATERRA DE 2 X 1, VISTO JUNTO DOS GERMANOS, NO PÁTIO DA UP - UNIVERSIDADE DE PALERMO
E ELES FORAM PARA A FINAL
É um fato auspicioso e para mim, muito além da casualidade de aqui estar e poder presenciar a semana final desta Copa do Mundo de futebol e, coincidentemente, o Brasil já ter sido desclassificado e o único país latinoamericano ainda na disputa, o campeão da última disputa, 4 anos atrás, a Argentina. Já explanei em várias ocasiões da querência que tenho por este território latino. Não se faz necessário ficar repetindo exaustivamente o amontoado de motivos. Eles estão aflorados em minhas ações e proposituras. Eu tenho um lado de como tocar a vida e luto incansavelmente numa trincheira contra desmandos e poderosos, daqui e de alhures. E assim, cheguei neste momento a voltar numa apresentação acadêmica, junto da esposa Ana Bia, na UP - Universidade de Palermo e justamente no dia, quarta, quando a seleção argentina estaria se confrontando com o eterno rival deles, a Inglaterra. O jogo se deu às 16h e minha apresentação entre 12h30 e 14h30.

Ou seja, terminando a apresentação, em pouco tempo o jogo mobilizando os hermanos. A UP preparou um local para recepcionar quem por lá quisesse assistir o jogo, no seu pátio principal da unidade onde me encontrava. Numa bancada um monte de artigos para festar com as cores branco e azul, desde apitos, colares, gira-gira e afins e todos por lá com a camiseta da seleção. Sento ao lado de amigo uruguaio, de Ana e outros brasileiros. Curtimos muito ali estar presentes e presenciar a festa do lado deles, os anfitriões do Congresso. Duas grandes TVs e um amontoado de funcionários e professores, junto de congressistas de vários países da América Latina. Filtrei ao meu modo e jeito a ansiedade de antes do jogo e depois, o alívio e a festa com a grandiosidade do que foi o final da partida, quando a Argentina dá uma volta, demonstrando garra e força, vencendo a contenda. Uma comemoração ao estilo de um local acadêmico, um tanto contido, mas muito encolvente. Por detrás de tudo, eu lá a presenciar mais este feito. Como conheço muitos por lá, não me considerei fora de meu habitat. Confesso, torci por eles e nessa final de Copa, escolhi a Argentina como meu time.

8.) E ASSIM O MAFUENTO HPA FALOU DO CARNAVAL DE TAQUARITINGA LÁ PELOS LADOS DE BUENOS AIRES
Enfim, minha participaççao no Congresso na UP - Universidade de PAlermo não foi o de acompanhar a esposa, Ana Bia em suas mais de cinco apresentações. Todo ano eu também me preparo e levo para o debate algo de minha lavra e responsabilidade. Eis a pomposa denominação, Congreso de Enseñanza del Diseño Universidad de Palermo e eu na Comissão P3: Narrativas visuales y representaciones culturales, juntamente com mais doze participantes. Meu tema de pesquisa ficou assim intitulado: História das 'Repúblicas' e a importância do carnaval em Taquaritinga". O que muito me anima é ter podido constatar que, o que escrevo gera debate e, principalmente, interesse. Compartilho a apresentação com o doutor em Design, Rodolfo Nucci, hoje residindo em Florença - Itália e taquatitingeunse, portanto, fonte deste meu olhar sobre algo ocorrendo em sua aldeia. Foi bom demais. Abaixo o texto na íntegra do resumo da pesquisa:

"Taquaritinga é uma pequena cidade brasileira, com aproximadamente 50 mil habitantes. Situa-se na região central do interior do estado de São Paulo, o mais populoso do país. Localizada a cerca de 336 km da capital paulista, é conhecida como ‘Cidade Pérola’, fazendo parte de uma área com forte tradição agrícola. A cidade consolidou-se historicamente no auge do ciclo do café e hoje mantém uma economia focada no setor agroindustrial e de serviços. Para quem circula pela primeira vez às ruas, talvez a entenda como sem grandes atrativos. Há somente quatro edifícios na área urbana pequeno movimento de pessoas, composto pelos próprios moradores. Tem tudo para que uma visita não apresente nada de diferente da maioria de outras cidades interioranas com as mesmas características. No entanto, algo a difere para quem, além de circular por ruas centrais, possui ‘algum faro’ para detectar singularidades. Circulando pela Rua Campos Salles, no Centro, algo destoa dos demais estabelecimentos. Alguns imóveis, muito coloridos, chamam a atenção e nestes a inscrição: ‘República’. No Brasil, trata-se de uma denominação para moradia comunitária de estudantes universitários, ao longo da trajetória acadêmica. Surge a dúvida: Onde estão as Universidades? A resposta a essa questão é o fator principal a tornar conhecida a cidade país afora: o Carnaval. No Brasil, o Carnaval é considerado a maior festa popular nacional. Em muitas cidades, principalmente nas do interior, perde a força e a empolgação. Durante os cinco dias de ‘folia oficial’, a cada ano, há menos atividades nas ruas e salões. Observa-se que em Taquaritinga ocorre o oposto. A frase que melhor expressa o que lá ocorre é dita por um dos representantes do Setor de Cultura, vinculado à Prefeitura Municipal: ‘Taquaritinga espera pelo Carnaval’. Explica-se as ‘Repúblicas’, com suas cores, que chamam mais do que a atenção, representando o espírito a envolver o grande número de participantes para a festa. Nos locais, ocorre uma das formas mais tradicionais de concentração popular, mantida durante o ano todo. Algumas ‘Repúblicas’ mantém atividades fixas e situação de funcionamento regularizada junto ao Poder Público Municipal. Taquaritinga, com aparência pacata, movimenta nas ruas, em dias de ‘pico’ da festa carnavalesca, aproximadamente 40 mil pessoas festando nas ruas. O espírito das tais ‘Repúblicas’ é de festa, algo conquistado ao longo dos anos. Para a cidade, o Carnaval é fonte de muito lucro, para muito além da folia. O foco da investigação é o de apresentar como isso se dá, os ricos personagens que fizeram e fazem história, e os locais consagrados como marcantes e imprescindíveis durante o festejo.
Considera-se fundamental, mapear as estratégias de manutenção da continuidade em atrair a atenção popular. Como ponto de partida, a proposta foi a de compilar depoimentos e registros históricos, com foco na consolidação das ‘Repúblicas’, como espaços de resistência cultural. As ‘Repúblicas’ de Taquaritinga se multiplicam a cada ano e tornam-se protagonistas do carnaval da cidade. Entre as mais tradicionais, estão DNA, CMS e, mais recentemente, a Xiquita Bakana, que vêm ganhando destaque pela organização e pela estrutura oferecida aos foliões. Impulsionam decisivamente o Carnaval de Taquaritinga e elevam o padrão da folia, com estrutura organizada, shows privados e conforto, transformando a festa em referência já consolidada como regional. As estruturas montadas para receber sócios e convidados demonstram intenção direcionada a que o Carnaval seja cada vez mais atrativo. Dentro das ‘Repúblicas’, o público encontra alimentação, bebidas à vontade, conforto e segurança. Podem não ser o único fator determinante do sucesso do Carnaval, mas, certamente, o que mais leve o nome da cidade quando se trata de festejos carnavalescos paulistas. Taquaritinga ‘adotou’ estes espaços, tornando-se impossível um olhar indiferente diante dos mesmos.

e sobre a polêmica
RACISTA CHAMANDO RACISTA DE RACISTA COMO PRETEXTO PRA TORCER PRA OUTRO RACISTA
Antes que venham com esse blá-blá-blá de que "branco" não tem "lugar de fala" para falar de racismo, já aviso duas coisas: 1) lugar de cala não cola pra cima de "moá"; 2) não sou branco, não sou preto, não sou índio: sou brasileiro, mestiço, como qualquer outro latino-americano. Inclusive você.
Naqueles formulários dos EUA, sempre preenchi como "latino" porque "branco" não é cor, é critério de classificação e segregação social. Afinal, até hoje nunca conheci um japonês amarelo e eles seguem classificados assim. Índio só é vermelho quando pinta a pele de urucum e pros primeiros colonizadores, eles eram "negros da terra", mesmo tendo DNA semelhante a de asiáticos "amarelos".
Em resumo, cor, raça, etnia não passam de padrões historicamente construídos para fins socias. Quem ainda não entendeu isso, assista ao filme "Os Deuses devem estar loucos". É curioso quando um negro vê uma loira pela primeira vez, a acha horrível e fica com dó achando que ela está pálida por desnutrição.
Agora vamos ao que interessa. O brasileiro que chama o argentino de racista, está apontando um dedo para o vizinho, mas aponta quatro pra si mesmo.
Realmente, é muito cômodo dizer que os hermanos são racistas e se esquecer de que até outro dia o Brasil tinha um governante que dizia que negros pesavam em arrobas e que não serviam nem pra procriar. Seu vice dizia que era índio, mas que casou com uma branca para purificar a linhagem. Uma deputada do mesmo partido correu atrás de um homem negro com um revólver na véspera da eleição e nem foi esse o motivo de sua condenação.
A Argentina tem racismo? Óbvio que tem. Brasil tem? Tem e muito, mas incomoda falar e é muito mais cômodo jogar esse peso no vizinho.
"Ayn, mas os torcedores argentinos chamam brasileiros de macacos". Ora, quem vocês querem enganar? A vida inteira frequentei estádio e ouvi torcidas de todos os times brasileiros fazer isso. Isso só mudou quando começaram a punir os clubes, mas virando a esquina já continua nas brigas de torcidas.
Da onde surgiu o racismo? Do colonialismo europeu. Como países da América Latina absorveram o racismo? Por que a elite "criolla" nunca se viu como latino-americana, mas sempre sonhou em morar em Londes, Paris ou Miami com o dinheiro da exploração do próprio país.
Então sim, há racismo na Argentina, mas também no Brasil e em todos os países da América Latina. Só que elas não expressam o espírito do povo, senão de suas elites. O povo sem consciência emula suas elites. O nome disso é ideologia. Já dizia um certo velho barbudo alemão."
Texto do Thomas de Toledo

terça-feira, 14 de julho de 2026

ALGO DA INTERNET (239)


HISTORIETAS ARGENTINAS
4 - NÃO SE METAM COM O BOCA, UM DOS MOTIVOS DE TORCER PRA ARGENTINA
Ana Bia, a esposa, esteve o dia todo participando de atividades junto do Congresso de design, na UP - Universidade de Palermo e fiquei encarregado de levar nossa hóspede, sua aluna, Letícia Gomes Fagundes para conhecer o bairro de La Boca, onde está concentrada a nação azul e amarela, o Boca Juniors. Devo ter executado a missão a contento, pois pelo que senti, ela gostou demais de tudo o que viu, inclusive de minhas observações sobre o local.

Para mim, o reduto onde está encravado o estádio da Bombonera não está ali por acaso, pois o time e sua torcida são muito relevantes dentro do contexto dos aguerridos contestadores do status quo mundial. O bairro de La Boca é um porto de água doce, por onde fluia o comércio via fluvial argentino e junto deste porto, uma imensidão de trabalhadores. A história destes é louvável e demonstra toda a bravura dos que ali resistiram, com poucos recursos, levantando suas moradias com latas e madeiras advindas de sobras do que fluia do trabalho.

Hoje, almoçando no bairro, um jovem garçon me explica em detalhes algo mais dessa linda história. "Essas residências resistiram por mais de uma centena de anos, pois a região da cidade não possui acidentes sísmicos, nem maresia, pois aqui um rio, o da Prata e não o mar. E as cores, cada casinha pintada de uma cor, tudo proveniente do que conseguiam de sobras das empresas onde trabalhavam. Daí, um pintava sua casa de azul, outro de verde, outro de laranja e assim por diante. Pulsa neste local algo da força do trabalhador argentino", nos conta.

E depois o time do Boca, hoje encabeçando com seu presidente, o ex-jogador Juan Román Riquelme, lutando bravamente contra as investidas do ex-presidente do país e também do Boca, Maurício MAcri, neoliberal e junto de Milei e da Fifa, fazendo de tudo para que os clubes argentinos se tornem SAFs. A AFA - Associação de Futebol Argentino, presidida por Chiqui Tapia sofre todo tipo de ataques pelo mesmo motivo, o de resistir as investidas neoliberais. Isso tudo é cara de uma resistência argentina mais do que louvável. Acompanho a luta destes pelo que me diz diriamente Victor Hugo Morales em seu programa na rádio 750AM, reforçando o que já pensava: o Boca é hoje um espaço de resistência ao conservadorismo de gente como Milei, Macri, Infantino e a extrema-direita.

E como andar por este bairro e não ver isso tudo com os próprios olhos sem se emocionar. Impossível. Isso tudo está mais do que latente em todas as equinas. Este um dos motivos de gostar demais desta cidade, povo e nação. Estou do lado destes que lutam, resistem e enfrentam o touro à unha. Dessa união do bairro de La Boca com seu time, o Boca Juniors viceja algo grandioso, exemplo para o mundo todo. Os vejo num posicionamento muito parecido com o que o Corinthians teve com o grupo Democracia Corintiana, Sócrates & Cia. Aliás, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira e Diego Maradona muito me representam. Hoje, eu e Letícia, andando pelo bairro nos emocionamos com tudo o que vimos. A faixa exposta lá ao lado do estádio, "Boca contra todos", me diz muito e cala fundo quando leio críticas contundentes contra os aregtninos. Se existem os racistas, os preconceituosos, os extremistas de direita, eles também existem entre nós brasileiros, mas também existem os que resistem bravamente, como os moradores do La Boca e dos atuais dirigentes do time do Boca. Estou com eles e não abro.

5.) UMA FEIRA PERMANENTE DE LIVROS, DEZENAS DE BARRACAS NO MEIO DA PRAÇA ITÁLIA
Eu já conheço a maioria dos belos museus e teatros de Buenos Aires. Não escrevo isso para me gabar. É que retorno para essa cidade há mais de 15 anos, quase ininterruptos, só deixando de vir durante a pandemia. Ana Bia, a esposa é coo-fundadora de um Congresso de Design por aqui e volta todo ano para participar, o deste ano o 20º e junto dela, cá estou, anos após ano. Aprendi a gostar da cidade e dos argentinos. Não volto aos museus todos os anos, preferindo estar nas ruas e sentir o sentimento da população, principalmente agora, neste dias difíceis, quando um desGoverno, o do extremista de direita Javier Milei praticamente coloca o país numa posição de aniquilamento, com imensidão de trabalhadores perdendo seus empregos todo dia e sem condições de recolocação no mercado de trabalho.

Nas ruas eu não saio, "daqui ninguém me tira", dizia uma velha música. Sou assim, rueiro e livresco, adorador de livros. Leio ainda pouco em espanhol. Me esforço e não deixo de conhecer novos lugares onde livros estejam presentes. Hoje mesmo, voltei a um lugar que não retornada há pelo menos uns dez anos, a Feira de Livros da Praça Itália, bairro de Palermo Soho. Encravado no meio da praça, uma fileira de barracas, ocupando aproximadamente uns cem metros, uma de costas para outras, ou seja, duas fileiras de barracas,um sebão ao ao livre. Saimos do bairro de La Boca e fomos de ônibus circular, parando bem defronte a ela.

O passeio por lá, para mim é sempre divinal, pois me encontro e também me perco em lugares assim. E o mais importante e legal de tudo, percebi que minha companheira nessa empreitada, o jovem estudante de Design em Bauru, aluna de Ana Bia, Letícia Fagundes, nutre a mesma paixão por livros e assim sendo, mergulhamos de boca no que víamos ali diante de nossos olhos. A perdição é divinal. Logo na entrada, numa placa quase oculta por caixas de livros, uma frase de Adolfo Byoi Casares, "A eternidade é uma das raras virtudes da literatura". Seguindo este lema, de banca em banca, a via separando livros e por fim me disse: "Creio não gastarei nada em livrarias com obras novas. Aqui encontro tudo e por muito menso que a metade do preço".
Trago um do Quino e uma biografia em HQ do cantante uruguaio Zitarrosa e paquerei, o que provavelmente me fará voltar, por mais dois, um com ensaio fotográfico do escritor Ernesto Sábato e outro do chargista Miguel Rep sobre Charly Garcia. Ainda não sei fazer a conversão direito do peso para o real, nem para o dólar, mas sei ter pago muito barato pelos dois que trouxe. Letícia tinha em sua sacolinha uns quatro e assim, como dois perdidos num dia não tão limpo, com algum frio - termômetros marcavam 8º -, saímos de lá, não saciamos, porém satisfeitos. Na saída, na banca de uma senhora, a única que vi comandando um espço por lá, a famosa frase do John William Cooke (1919-1968): "Os pobres que votam na direita são como cães que cuidam de mansões, porém dormem do lado de fora". Melhor impossível.

Livros nos fazem pensar e também agir. Quem lê se renova a cada instante e isso, com osabemos é mais que um perigo, pois um povo mais culto, nunca de deixará enganar por falsos profetas e nem por políticos inexcrupulosos. Daí, leio muito e divulgo livros, a leitura como fonte libertadora. Feira como essa me seduzem e sou arrebatado por elas. Numa outra barraca, outra frase, "Hoje pode ser um grande dia", usada acertadamente para o local, pois para quem lê, sempre o novo dia é mais do que grande.
copa do mundo
TORÇO PRA ARGENTINA, ADMIRO MESSI JOGANDO, MAS ELE NUNCA SERÁ UM MARADONA - VIVAS PARA NETO E PENINHA, JUNTOS NA TV BAND, PENSO DA MESMA FORMA E JEITO
Dizem que não dá para misturar política com futebol, mas para mim é inadmissível quando um jogador tem um posicionamento de paparicar líderes da extrema-direita. Não deixarei de torcer pra Argentina nestes jogos da final da Copa, porém a minha posição contrária aos sete jogadores que apóiam Milei e alguns babam ovo pra líderes mundiais da pior espécie, me reservo no direito de gostar de vê-los jogando futebol, mas nunca de paparicá-los. E assim, desta forma e jeito, sigo torcendo pelo futebol, não se esquivando de deixar claro meu posicionamento e onde me encontro no contexto deste mundo.
Eis Neto e Peninha batendo um bolão: https://www.facebook.com/reel/1022583040360346

livros
O RISCO PARA QUEM ACUMULA LIVROS NUM MUNDO ONDE ISSO É MAIS DO QUE UM PERIGO
LIVROS. Reportagem curiosa do The New York Times, publicada hoje no O Globo, fala sobre o escritor e tradutor Mendel Uminer, de 31 anos, que foi despejado de seu apartamento em Nova York por acumular cerca de 10 mil livros. Mendel mora em um estúdio de 55 metros quadrados no Upper East Side. A administração do prédio alegou risco de incêndio e excesso de desordem, mas Uminer recusou-se a se desfazer da coleção, que reúne obras sobre judaísmo, cinema, ópera, teatro e poesia. Criado em uma comunidade hassídica do Brooklyn, ele abandonou os estudos rabínicos para cursar cinema e filosofia na Universidade de Columbia e atualmente prepara o lançamento da revista literária Notarikon Review. “Minha biblioteca é meu manual de vida”, afirmou.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (255)

HISTORIETAS ARGENTINAS*
* Algumas historietas, gravadas pela memória e aqui transcritas, registros do que vou vendo e achando por bem deixar algo escrito. 

AS FOTOS DO GROSSMAN VENDIDAS PELA FILHA EM CAMISETAS (01)
"As fotografias são uma seleção dos trabalhos que Eduardo Grossman capturou durante sua extensa carreira jornalística. Sua visão se reflete em cada uma delas", com este título, Lucia Grossman, filha do famoso fotógrafo argentino, expõe algo criado por eles, pai e filha, para levar adiante o trabalho de décadas registrando pessoas na Argentina. Tudo está registrado no site https://www.grossmanstore.com.ar/, onde boa parte da historiografia musical e literária do país está agora exposta em estampas, sendo vendidas via online e pessoalmente por Lucia na dominical Feira de San Telmo. Para quem, como eu, ainda nada conhecida nada sobre o fotógrafo, com uma viajada pelo seu site, o https://www.eduardogrossman.com/, com a viagem pelas suas fotos, a contatação de ser realmente um dos maiorais na Argentina.

Tudo isso só para lhes contar do encantamento que tive ao, no domingo, 12/07, passeando pela famosa feira, dou de cara com a pequena banca de camisetas, todas negras, para dar melhor visualização das fotos ali impressas. Vi reproduzidas a imagem de gente conhecida no cenário argentino, como Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Fito Paez, Charly Garcia, Spinetta, Goyeneche, Elis Regina, Índio Solari, Bioy Casares, Borges, Sábato, Fontanarrosa, Favio e outros (as). Foi um encanto à primeira vista. Tentei dar uma volta e não levar nenhuma, mas pra lá voltei e fiquei, além de escolher uma - qualquer uma delas por 38 mil pesos -, conversar e saber mais de sua origem.

Lucia conta que o pai está bem, com 75 anos e na ativa. Ela, diante deste triste momento argentino, com a chegada de Javier Milei ao poder e todas as atividades econômicas um tanto estranguladas, precisava impulsionar a vida, pois essa não tem como parar. E daí, a ideia de transpor o trabalho do pai para as camisetas, num projeto de alga significação, primeiro pela escolha das estampas e depois para, numa malha que os dignificasse. E assim nasceu a Grossman Store, que são nada mais do que as camisetas com arte. A receptividade foi imediata e assim como eu, quem passa defronte a barraca, conhece um pouco que seja da Cultura argentina, se deixa levar e além de fazer uma viagem no tempo, acaba sendo mais que seduzido e traz, ao menos uma para casa. 

Na Argentina de hoje, não é difícil encontrar espalhado em várias manifestações como as ali presenciadas, de uma invenção de sobrevivência, onde junta-se a continuidade de um trabalho existente com a criatividade necessária em tempos bicudos. Não entro neste detalhe com ela, mas a vendo, a própria filha ali na frente da barraca e podendo, antes de mais nada de falar de seu pai, algo para mim de incolvidável valor. E  cada estampa tem sua própria história e momento dentro da Cultura nacional. Junto da camiseta um pequeno cartão, com a explicação do registro. Tem alguns realmente significativos, como a da mão do Charly Garcia ou a do abraço entre ele e Mercedes Sosa. Enfim, trouxe uma com a estampa de Mercedes e assim, este o meio encontrado para não mais me esquecer de algo realmente digno de registro. Essa história, não só pela venda das camisetas em si, mas por tudo o que envolve os registros, merece ser passada adiante, assim como os sites de contato deles, o do pai e da empresa da filha.

Na Feira de SanTelmo algo assim está presente  em cada virada de esquina, nessa inusitada reunião de artistas, cada qual com uma bela história por detrás do balcão de uma barraca. Quem gosta de colher histórias, ouvir algo mais e se aprofundar no conhecimento de como se deu e se dá de fato o desenrtolar dos acontecimentos, este é o lugar. Escolhi contar aqui a história de uma das milhares - por mim, creio eu, passem de mil -, do que está por detrás de uma delas. A arte está no ar por lá, transpira em cada pedaço e flui rapidamente, se transportando de um lugar a outro, de acordo com o andar, os passos dados. Arrebatador como cada um dos artesãos ali presentes, até pela expressão de cada um deles, consegue levar adiante, não só um meio de sobrevivência, mas um local onde isso é possível e flui de maneira divinal. Isso me toca muito em cada caminhada pelas ruas de Buenos Aires. Procuro e vou atrás de lugares assim, pessoas que nada tem a ver com essa baboseira que vejo hoje rolando pelas redes sociais, quando insistem em tentar perpetuar do racismo existente na Argentina, como se isso fosse exclusividade deles. Eu sigo provando, pelas andanças que faço, a existência dessa Argentina que resiste, insiste e persiste em se apresentar e ousar ser, fazer e acontecer.

O ENCALHE NAS BANCAS DO BONECO DE MILEI COM A MOTOSERRA (02)
Tudo para mim vale o registro. Andávamos pela calle \Florida, onde pululam bancas, antes locais de venda de periódicos diversos e hoje, em sua maioria souveniers variados e múltiplos. Dentre eles, este com Javier Milei, o atual presidente argentino, polêmico e extremista de ponta, destruindo a dignidade e soberania do povo hermano. Chega ao poder e com ele isso que está em seu discurso e imagem, o uso de uma motoserra, como símbolo da mudança que havia proposto. O símbolo viralizou no país, assim como a propaganda enganosa de salvar o país. O que acontece por aqui é exatamente o contrário, mas isso já é outra história.

Contava das bancas atuais, onde encontrar jornais é algo raro, mesmo muitos deles continuarem existindo por aqui e em até maior número que no Brasil. E nessas bancas, outrora reduto de leituras, hoje de mimos variados. E dentro de todo o contexto, vejo o boneco do Milei com a motoserra numa delas. Não resisto e pergunto ao barraqueiro - não mais posso chamá-lo de jornaleiro -, o preço, mas o que queria mesmo saber é se ainda é procurado o boneco. Consigo o intento. Ele me conta que, no auge, quando foi lançado, logo após ele assumir o Governo, coisa de dois anos atrás, vendeu muito, mas hoje, está um tanto encalhado. E ainda por cimas me faz uma alusão com o boneco e as tais figurinhas da Copa do Mundo, que também ali são revendidas.

"Vendi razoavelmente bem, tanto o boneco, como as figurinhas. A Copa vai chegando ao fim e com ela a procura das figurinhas diminui. Sei que mais um breve tempo terá fim. Eu ainda tenho muitos álbuns e dificilmente os venderei. Assdim como este boneco. A desilusão por aqui com este presidente foi imensa. A maioria dos que votaram nele já não apregoam isso por aí como antes. Ou estão quietas, pelo que observbam acontecendo ao país ou estão envergonhadas por terem sido ludibriadas. E assim, continuo com as figurinhas expostas e também os bonecos, pois preciso vendê-los", me conta um senhor, de mais ou menos uns 50 anos, dizendo por ali atuar há mais de vinte anos.

Ouço dele já ter visto de tudo e que, no comércio ali nas ruas, muita coisa é renovável, hoje em evidência, amanhã não mais. "Tem coisas como estampas com o Maradona, essas eternas. Tudo o que tem Messi e a seleção atual vende muito. Sofremos muito com a política por aqui e este hoje no poder ér só mais uma das decepções, mas está sendo cruel demais. Não posso me identificar, pois sofrerei consequências, mas tenho certeza, ele vai passar e ainda pagará por tudo o que faz", conclui. Saio de lá triste pela constatação do que faz ao país este insano governante e feliz por perceber (toc toc toc), que logo mais estraá devidamente sepultado no latão do lixo histórico, como algo desprezível e lamentável, assim como Bolsonaro no Brasil e Trump nos EUA. No momento, o boneco ainda continua sendo vendido, mas como vasculhei, ainda em poucas bancas na movimentada calle Florida.


TONI, O JORNALEIRO PERONISTA E O REDUTO NA CALLE SANTIAGO DEL ESTERO (03)
Estou de domingo passado até o próximo 20/07 instalado num Airbnb na calle Santiago del Estero, algumas quadras do famoso Obelisco, em Buenos Aires. O lado onde me encontro é mais popular e assim sendo, consigo figir um bocadinho daquele monte de luz neon propagada pela calle Corrientes. Gosto deste contato com gente que pulsa exatamente o quero filtrar por aqui nessa minha estada: as reais condições da população neste desGoverno de Javier Milei. Ao andar e sentir a pulsação das calles, sinto por todos os lados os reflexos de como se dá, realmente e de fato, a vida dos buenaristas, principalmente os populares, se desdobrando para sobreviver e tocar a vida adiantes nestes bicudos - e frios - tempos.

Na esquina de onde me encontro um jornaleiro dos mais simples, revendendo quase que esxclusivamente jornais - poucas revistas - e muitos dos souveniers hoje expostos em todas as bancas do mundo. Acordo cedo e já estabelecendo um diálogo, trata-se de TONI, como me diz gosta de ser chamado, está no mesmo local há mais de trinta anos e já viu de tudo por estes lados do mundo. Na outra esquina, distante 100 metros, um Centro de Estudos Peronista, com a fachada "Aqui se aprende a amar a Pátria", além de algo mais na fachada "As Ilhas Malvinas são argentinas". O peronismo, como se sabe é frontalmente contrário ao proposto por Javier Milei e os tais neoliberais, propondo a destruição do Estado como o temos. Ele se aproxima em muito do petismo e do Governo Lula. Guardadas todas as proporções, um segmento respeito o outro e combate o mesmo inimigo, esse descabido neoliberalismo predatório e excludente.

Dito isso, vamos ao jornaleiro Toni. Ele representa dignamente essa Argentina que insiste, persiste e resiste nos tempos atuais. Sua banca é uma espécie de reduto peronista. "O peronismo é por aqui o fator pulsante do povo. Este jornal que vens aqui comprar, o Página 12 é o baluarte de todos nós. Ele está nas bancas há mais de 40 anos e é uma espécie de farol a nos guiar. Essa banca não existiria sem o Página 12, toda manhã aqui com matérias sérias, mostrando o país que temos e por onde devemos continuar a luta. Eu aqui, conhecido por todos, sou peronista desde sempre e sou referência, com muitos marcando encontros aqui defronte e até deixando algo para ser entregue para outros, com a mensagem: pegue lá com o Toni", me diz.

Ele me mostra o jornal com todo orgulho e outros mais como o Le Monde Diplomatique. "Estou aqui de segunda a sexta. Aos sábados e domingos, faço outra coisa da vida, mas durante a semana estou aqui a filtrar algo dessa luta que é viver e buscar dias melhores para os argentinos. A luta não tem sido fácil, muito maior do que enfrentar o frio. Com este já estamos habituados a conviver, mas com esse espírito conservador, propondo destruir empregos e com as possibilidades dos fracos e oprimidos, isso faz parte de um processo de luta, que desunidos não os venceremos. Eu só vendo publicações que são uma espécie de farol. E o Página 12 é o maior de todos, mantendo em suas páginas fotos dos desaparecidos e da luta das Madres da Praça de Mayo. Obrigado mesmo por estar comprando comigo e ter vindo conhecer e divulgar as minhas histórias. Espero poder conscientizar pessoas lá do seu país de que, estamnos resisistindo aqui na Argentina e que, unidos, nós latinos não vamos permitir que nos vençam. Nós somos fortes, mas unidos", diz. Desde que o conheci, compro nessa estada, o jornal com Toni, um jornaleiro destes que podemos botar a mão no fogo.

domingo, 12 de julho de 2026

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (161)


O CIDADÃO ARGENTINO E A NAÇÃO ARGENTINA QUE CONHEÇO E GOSTO DE CONVIVER - ISSO É SAN TELMO, DOMINGO DIA DE FEIRA NA CALLE DEFENSA
A Argentina está sendo atacada por todos os lados. Primeiro por este insano desGoverno de Javier Milei, um extremista de direita, totalmente fora da casinha, doente mental e propiciando para o país hermano chegar nas produndezas do fundo do poço com uma rapidez impressionante. Dói muito ouvir diariamente pela voz do radialista Victor Hugo Morales, em seu programa La Mañana, das 9 às 13h, entrevistas com turmas de desempregados, fábricas fechadas de uma hora para outra, aprofundando a crise. Por estes dias ouvi: "Só tenho uma saída, para mim e meus colegas de trabalho, entrar para o contrabando. O que vou fazer na minha idade? Nada mais me resta de oportunidades. Vou até países vizinhos, compro o que posso e tento revender aqui. Este nosso desespero". Sinto este clima pairando no ar por aqui e isso me impede de só passear por aqui ou mesmo estar preso nas atividades acadêmicas que aqui me trouxe. As ruas me trazem outra mensagem, a da dor do momento argentino. Sei que, eles, os hermanos votaram em Milei, acreditando num mudança, que agora sabem, nunca virá pelas mãos da extrema-direita, pois padecem a olhos vistos. No Brasil, algo assim já havia ocorrido, quando Bolsonaro subir ao poder. Perdeu o pleito, mas sua mensagem paira no ar, pois como sabem, Bauru, onde moro, votou nele na última eleição, com 80% de seu eleitorado. O conservadorismo pueril deste segmento pueril deste segmento ignóbil mata e asfixia nossas nações. Impossível não me posicionar ao lado do povo argentino neste momento. 

A questão do futebol é a que menos me movimenta. Sempre gostei muito de futebol, ainda mais de Copa do Mundo, mas pelos adotados pela FIFA, prefiro assistir, torcer, mas sem aprofundamentos mais significativos, pois do que vejo, inevitável, o alinhamento da entidade dfo futebol com tudo o que vejo de errado e pecaminoso do mundo neste momento, como estar submissa à Donald Trump, por exemplo. Esse tal de favoritismo pro lado dos argentinos é algo que não engulo. O futebol tocado pelas entidades donas do futebol nunca foram normais e no mais, futebol, sempre foi e será salutar continuar sendo fonte de eterna discussão. Se foi pênalti ou não, antes tudo culpa de um juiz, supostamente ladrão, hoje de um VAR, ligado umbilicalmente a quem banca e patrocina o evento. Sempre teremos dúvida, até porque, na maioria das vezes, torcemos sempre para os mais fracos. E estes, sempre perdem. Dificilmente chegam aos finais de campeonatos. Nos empolgam, mas ficam pelo caminho, por "n" motivos. Vejo a luta da AFA - Associação de Futebol Argentino, com o Tapia, seu presidente numa luta para que os clubes argentinos não se transformem em SAFs e o poder estabelecido, representado pelo ex-presidente Macri, este hoje funcionário da FIFA, fazendo de tudo para destituí-lo do cargo. Não compreendo como a FIFA poderia beneficiar a AFA comandada por Tapia, com toda a pressão que vejo acontecer nos bastidores contra ele. Venhamos e convenhamos, a seleção argentina hoje é muito melhor que a nossa, quiçá de qualquer outro país latinoamericano.

 
Isso tudo posto, vou e estou nas ruas aqui em Buenos Aires, desde a chegada na noite de sábado, 11/7, justamente no horário do intervalo da partida contra a Suiça. O jogo estava 1 x 1 e achava poderia ser difícil descer do aeroporto até o Airbnb onde nos hospedamos, eu, esposa Ana Bia, amiga Neiva e aluna da Unesp Bauru, Letícia. O clima em Ezeiza estava com muita gente concentrada diante de telões, mas nada anormal. Descemos normalmente e só não fomos pras ruas - estamos há quatro quadras do Obelisco -, pelo adiantado da hora do final do jogo, quase 1h da manhã e pelo frio. Optamos por ver as pessoas caminhando alegres pelas ruas após o justo 3 x 1, da sacada do 2º andar, onde estamos, pois no dia seguinte,m queríamos estar acordados bem cedo para ir pras ruas, mais precisamente para a famosa Feira de San Telmo, calle Defensa. Festar nas ruas depois da 1h da manhã não é a mesma coisa que fazê-lo durante o dia. Isso de estar nas ruas, sentirei cada momento e aqui vou postando minhas impressões no desenrolar da semana. Tenho muito o que ver e o que sentir por aqui. Na medida do possível irei postando, compartilhando fotos e ideias, se possível debatendo e tentando chegar a um denominador comum. Não vou adentrar este campo de que, a seleção argentina está sendo beneficiada, pois acho terreno pantanosa, não porque exista ou seja para mim difícil fazê-lo, mas o vejo impregnado, neste momento de alto grau de pitadas de uma influência, onde são tratados como "racistas", quando vejo que, nós brasileiros, o somos do mesmo modo e jeito.

Leio sobre a não participação dos negros na seleção argentina e aqui circulando pelas ruas, não os vejo na mesma quantidade que em outros países. Todos sabem, sou casado com uma negra e ela, neste momento, torce desbragadamente pela Argentina. O que sei, como historiador, é algo histórico, remetendo quem se interessar para os primórdios da construção deste país. O negro aqui não teve presença marcante como no Brasil ou em outros países europeus, como França, depois Espanha, Bélgica, Inglaterra e até mesmo a Alemanha. Sim, em séculos passados penaram muito por aqui os que aqui estavam, resultando, com a situação atual. Como Scaloni pode querer convocar negros para a seleção se eles são tão poucos de origem argentina? A culpa não é do treinador, sendo que este jogou ao lado de negros em toda sua carreira européia. Sou contra a discriminação aqui ocorrida, a forma como o negro e o indígena - mapuche - sofreu e sofre por aqui, muito mais penalizado que o branco, porém, quando tudo desemboca num jogo de futebol, me reservo no direito de entender que, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Abomino reações racistas onde elas existirem e não as vejo entre a seleção. Na torcidas é outra coisa. Tanto aqui como no Brasil, existem os irracionais e estes precisam ser combatidos, com veemência e inflexibilidade punitiva. No mais, pelo que vejo, tudo foi acentuado por se tratar de Copa do Mundo. 

Perambulo pelas ruas de Buenos Aires, sinto o mesmo clima de exposição de produtos de sua seleção, igualzinho o que sempre vi no Brasil. Conversei com muitos, sem exaltação e lampejos de ufanismo. Muitos estrangeiros na Feira de San Telmo, a maior na capital argentina e, principalmente brasileiros. Estes, pelo que sinto, engolem em seco os argentinos, mas eu não, como bom conversador, gosto mesmo de conversar, ainda mais quando o oponente está disposto a travar um bom diálogo. Me afasto de todos os que, como aí, insistem nisso de rivalidade. Que essa fique no campo de jogo e neste momento, inegável, os hermanos estão num grau superior ao nosso. São mais aguerridos e unidos pela causa de ganhar o campeonato. Das conversas nas ruas, o futebol é só mais uma delas. O que filtro mesmo é o momento argentino, algo do vivido e proporcionado pelo obtuso Milei, algo idêntico ao vivenciado pelo período Bolsonaro no Brasil, onde prevalesce o despreparo para o exercício de função tão importante, resultado daí o fracasso do país enquanto nação soberana, independente e produtiva. A Argentina que já teve um parque industrial de ótimo nível, está perdendo - ou já perdeu - essa característica e isso é muito danoso, pois a recuperação, se ocorrer, será lenta. Milei hoje diz abertamente que a Argentina não tem característica industrial, reservando isso para empresas estrangeiras, importação e assim sendo, que fenece é sua população. Circulo por aqui querendo entender isso, decifrar como, tanto aqui como aí, consguimos enveredar por líderes tão boçais, despreparados e nos apunhalando de forma tão vil. Circulando por aqui, vou tentando contar algo do que vejo e seinto, em uma semana de estadia. Volto ao Brasil, no próximo domingo, 19/07, logo depois do encerramento da final da Copa do Mundo. Se a Argetina ganhar, não verei a desta nas ruas, pois já estarei dentro de um avião, retornando ao Brasil. Tenho muito o que ver e aqui ir relatando.


ABSURDOS SUELLISTAS EM BAURU
SUÉLLEN E SEU ESTILO NÃO DÃO UMA DENTRO - ARCAICOS, PERVERSOS E QUEM PADECE É A CIDADE
Absurdo: pintaram as pedras portuguesas do terminal rodoviário de Bauru. Quem deu essa ordem? Não acredito na falta de critério, pedras portuguesas devem ser lavadas e não pintadas. Um clássico da arquitetura portuguesa sendo tratado dessa maneira medíocre.