sexta-feira, 24 de julho de 2026

PERGUNTAR NÃO OFENDE (236)


DOS MOTIVOS E IMPORTÂNCIA DE SAIR PELA AÍ ENVERGANDO CHE GUEVARA NO PEITO
Sou um velho turrão, ainda longe de ser babão. Envergo diariamente camisetas com estampas dentro do que acredito ainda ser possível lutar neste mundo, acreditando na realização de alguns sonhos não concretizados e em curso. Isso me move e assim, saio com elas para as ruas. Uns me dizem ser provocativo, diante deste mundo manada e seguindo ditames conservadores. O interior paulista é um reduto de alto quilate conservador, vide os 80% de Bolsonaro e os seus por aqui na última eleição. Vide a contituição dessa Câmara de Vereadores, com sua quase totalidade constituída de gente voltada para ideais de extrema-direita. Diante de uma Bauru, que já teve até um prefeito comunista, hoje temos lá no Palácio das Laranjeiras uma fundamentalista, bolsonarista e perversamente religiosa, com toda família encastelada junto dela no poder.

Eu combato isso com minhas parcas armas. Escrevo e vou publicando, reproduzindo, sem medo de ser feliz o que penso e como continuo agindo. É minha forma de se manifestar e continuar vivo. Escrevo, publico e também saio para as ruas envergando estampas sugestivas em minhas camisetas. Nesta quinta mesmo, circulei durante todo o dia e também na ida ao SESC à noite, uma linda, com a cara do CHE GUEVARA ocupando todo o frontal. No SESC fui abordado por três pessoas me felicitando pelo Che e no supermercado Tauste, o da Rio Branco, onde estive à tarde fazendo comprinhas de última hora, um senhor barbudo, do tipo motociclista dessas agremiações e escudos bem definidos como direitosos, cruzando comigo várias vezes pelo corredor, fazia gestos de descontentamento.

Quando isso ocorre, o que posso fazer? Passo a ostentar mais a camiseta e assim, se agia naturalmente, passo também a provocar. A vida nos provoca e quando instigados, por que não agir em resposta? Ainda vivemos num regime onde impera o estado laico e a liberdade de expressão. Sabemos todos que, se alguém com a mentalidade retrógrada de um Flávio Bestial Bolsonaro nos governar, estaremos adentrando num regime teocrático, onde nem sair mais com camisetas ostentando algo ao contrário do pregado pela extrema-direita miliciana será mais possível. Estes fazem uso da tal democracia para chegar ao poder e quando lá, o destroem. Isso é histórico. A única possibilidade que ainda temos de viver em plena liberdade é votando em Lula e Haddad no próximo pleito.
E daí, o cara me olhando de esgueio lá pelos corredores do Tauste e eu, garbosamente me exibindo pra ele, numa espécie de ringue, mas sem as cordas e ainda sem socos e pontapés. Ele ficou só nas intenções e eu só nas provocações. Era o único por lá ostentando algo assim e nada melhor do que, circular por estes lugares - o Confiança Max é outro lugar delicioso para circular com camisetas tendo Che na estampa - desta forma e jeito. Agora mesmo, nos preparativos para mais uma necessária caminhada, com a camiseta do Che já no cesto de roupa suja, cavo outra para circular pelas imediações da Getúlio Vargas - talvez a chuva adie meus planos. É divertido observar a reação das pessoas, num tempo, onde antes, duante vigência da Lava Jato e desGoverno do Seu jair nos atiçavam e admoestavam, mas hoje mais contidos, só viram o rosto e demonstram algo de repulsa. Não sei até quando isso ainda será possível, daí, como também não sei quanto me resta de tempo de sobrevida, continuo minha saga competitiva com os malversadores do sonho de um outro mundo possível.

"A ALEGRIA É A FALSA EUFORIA DE UM GOL ANULADO"
Dar continuidade para uma polêmica as vezes vale a pena. Entro em brigas, quando tenho certeza de estar com a razão, como nessa para defender - ele nem precisa disso - o querido João Bosco e também Aldir Blanc. Uma letra e canção de um velho LP da dupla, o "GALOS DE BRIGA", selo RCA Victor, anos de 1986 - quando tinha 16 anos -, talvez o melhor de todos deles dois, com 12 canções: Do Lado A essas, Incompatibilidade de Gênios, Gol Anulado, O Cavaleiro e os Moinhos, Rumbando, Vida Noturna, O ronco da Cuíca. Do Lado B mais essas: Miss Suéter, Latin Lover, Galos de Briga, Feminismo no Estácio, Tranversal do Tempo e Rancho da Goiabada. Todas belíssimas crônicas, retratando muito mais da vida como se dava naqueles tempos, do que propriamente o pensamento de cada um. Aldir, o letrista, tinha uma capacidade descomunal de retratar o cotidiano, como de fato acontecia. E assim ele o fez na letra de "GOL ANULADO", hoje, passados 40 anos, o país é outro - nem tão melhor assim -, mas naquele tempo imperava um machismo mais latente e isso Aldir sabia como ninguém transpor para o papel em suas canções. Todas irretocáveis. De uma polêmico xumbrega, provocada pelo Estadão - que cada vez leio menos e este sim, preconceituoso e extremista de direita -, tentam colocar João Bosco, com seus 80 anos, numa saia justa. Não colou, ele reagiu a contento e para muitos, não adianta mais explicar, dizer do contexto do cotidiano retratado pelo Aldir na época, pois as cabeças estão feitas e este predomínio do politicamente correto nos dana dos pés às cabeça. Eu não estou aqui para explicar nada, mas só para reafirmar que, o país hoje padece muito de falta de entedimento cognitivo do que se lê, ouve e vê. Daí, como João Bosco, continuo cantarolando GOL ANULADO como dantes e sem medo de ferir suscetibilidades alheias. Tempos atrás fui taxado de machista indevidamente - creio eu, vergonhosamente - e nem precisei me defender, pois minhas ações nestes 66 anos de vida provam o contrário. Basta uma conversinha ao pé do ouvido com todas as mulheres com quem tive o prazer de ter contato ao logo de minha existência. João Bosco e Aldir Blanc não precisam provar nada. E eu, aqui do meu cantinho mafuento, estou hoje ouvindo o tal LP por inteiro e aqui compartilho a canção da polêmica, até para ver se os que criticaram a postura do João, a ouçam com mais atenção e refletindo melhor, revejam algo dessa besta rejeição. Temos uma briga incomensuravelmente maior e mais importante pela frente, a de reeleger Lula para salvar este país do embrulho dessa bestial extrema-direita e é nisso onde estarei envolvido daqui por diante.

Eis Bosco cantando a tal canção: https://www.youtube.com/watch?v=OYLDpa42Bbk

Quando você gritou mengo
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar
Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente,
Se garante na cozinha
E ainda é vasco doente
Daquele gol até hoje
O meu rádio está desligado
Como se irradiasse
O silêncio do amor terminado
Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado

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