Dois locais, Maria Belén e Adrian Jara nos ciceroneiam pelas calles onde argentinos de todas as partes do país vem efetuar compras, depois revender. Caímos de boca nas andanças, guiados por dois entendidos no assunto. E até fizemos algumas comprinhas. Para mim, observador das calles, nada como andar por um lugar, que anos atrás estava forrado de imigrantes negros, todos africanos, ocupando todas as calçadas, vendendo roupa de griffe, todas falsificadas. A região passou por severa alteração de funcionalidade, com estes todos sendo praticamente expulsos, não só das calçadas, como do país. Não os vendo mais, pergunto ao Adrian e ele me responde: "A Prefeitura os retirou daqui e não os vemos mais em lugar nenhum".
Fui conferir e encontrei isso: "Os vendedores africanos (em sua maioria senegaleses) que trabalhavam como manteros em Once, Buenos Aires, foram dispersados devido a constantes operações de repressão e desalojo do espaço público pelo Governo da Cidade. Muitos migraram para outros bairros e províncias, enquanto outros continuam atuando de forma itinerante e cautelosa. Devido à forte presença policial, abandonaram o modelo de montar barracas fixas nas calçadas. Em vez disso, passaram a operar de maneira móvel (carregando bolsas e mercadorias nas mãos) e fogem rapidamente ao sinal de fiscais ou policiais. Para evitar a perda total de suas mercadorias nas batidas, muitos passaram a alugar pequenos espaços ou guardar estoques em galerias comerciais da região e saem às ruas apenas para vender unidades limitadas".
Para mim, que todo ano, neste mesmo período cá estou, mais do que perceptível a mudança. Antes quase intransitável a região, hoje mais tranquila. Do zelador do prédio onde estamos hospedados, me diz quando saíamos para o passeio: "Tome muiuto cuidado, pois lá costumam sumir coisas de nossas mãos". Não vi nada disso, achei um excesso. Gente sendo ludibriada nas ruas não é exclusividade daqui e sim de todos os lugares do mundo. O fato concreto é que, não presenciei nenhum ato de violência urbana na caminhada, andando e adentrando por todos os lugares, sem nenhum tipo de chateção. No mais, que ótima manhã, circulando pelas lojas deste bairro, recebendo pessoas de todas as partes do país, todos em busca de mercadorias para serem depois revendidas em suas cidades, nada diferente do que acontece no Brasil, em São Paulo na 25 de Março e no Rio, no Saara.

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