domingo, 12 de julho de 2026


O CIDADÃO ARGENTINO E A NAÇÃO ARGENTINA QUE CONHEÇO E GOSTO DE CONVIVER - ISSO É SAN TELMO, DOMINGO DIA DE FEIRA NA CALLE DEFENSA
A Argentina está sendo atacada por todos os lados. Primeiro por este insano desGoverno de Javier Milei, um extremista de direita, totalmente fora da casinha, doente mental e propiciando para o país hermano chegar nas produndezas do fundo do poço com uma rapidez impressionante. Dói muito ouvir diariamente pela voz do radialista Victor Hugo Morales, em seu programa La Mañana, das 9 às 13h, entrevistas com turmas de desempregados, fábricas fechadas de uma hora para outra, aprofundando a crise. Por estes dias ouvi: "Só tenho uma saída, para mim e meus colegas de trabalho, entrar para o contrabando. O que vou fazer na minha idade? Nada mais me resta de oportunidades. Vou até países vizinhos, compro o que posso e tento revender aqui. Este nosso desespero". Sinto este clima pairando no ar por aqui e isso me impede de só passear por aqui ou mesmo estar preso nas atividades acadêmicas que aqui me trouxe. As ruas me trazem outra mensagem, a da dor do momento argentino. Sei que, eles, os hermanos votaram em Milei, acreditando num mudança, que agora sabem, nunca virá pelas mãos da extrema-direita, pois padecem a olhos vistos. No Brasil, algo assim já havia ocorrido, quando Bolsonaro subir ao poder. Perdeu o pleito, mas sua mensagem paira no ar, pois como sabem, Bauru, onde moro, votou nele na última eleição, com 80% de seu eleitorado. O conservadorismo pueril deste segmento pueril deste segmento ignóbil mata e asfixia nossas nações. Impossível não me posicionar ao lado do povo argentino neste momento. 

A questão do futebol é a que menos me movimenta. Sempre gostei muito de futebol, ainda mais de Copa do Mundo, mas pelos adotados pela FIFA, prefiro assistir, torcer, mas sem aprofundamentos mais significativos, pois do que vejo, inevitável, o alinhamento da entidade dfo futebol com tudo o que vejo de errado e pecaminoso do mundo neste momento, como estar submissa à Donald Trump, por exemplo. Esse tal de favoritismo pro lado dos argentinos é algo que não engulo. O futebol tocado pelas entidades donas do futebol nunca foram normais e no mais, futebol, sempre foi e será salutar continuar sendo fonte de eterna discussão. Se foi pênalti ou não, antes tudo culpa de um juiz, supostamente ladrão, hoje de um VAR, ligado umbilicalmente a quem banca e patrocina o evento. Sempre teremos dúvida, até porque, na maioria das vezes, torcemos sempre para os mais fracos. E estes, sempre perdem. Dificilmente chegam aos finais de campeonatos. Nos empolgam, mas ficam pelo caminho, por "n" motivos. Vejo a luta da AFA - Associação de Futebol Argentino, com o Tapia, seu presidente numa luta para que os clubes argentinos não se transformem em SAFs e o poder estabelecido, representado pelo ex-presidente Macri, este hoje funcionário da FIFA, fazendo de tudo para destituí-lo do cargo. Não compreendo como a FIFA poderia beneficiar a AFA comandada por Tapia, com toda a pressão que vejo acontecer nos bastidores contra ele. Venhamos e convenhamos, a seleção argentina hoje é muito melhor que a nossa, quiçá de qualquer outro país latinoamericano. 

Isso tudo posto, vou e estou nas ruas aqui em Buenos Aires, desde a chegada na noite de sábado, 11/7, justamente no horário do intervalo da partida contra a Suiça. O jogo estava 1 x 1 e achava poderia ser difícil descer do aeroporto até o Airbnb onde nos hospedamos, eu, esposa Ana Bia, amiga Neiva e aluna da Unesp Bauru, Letícia. O clima em Ezeiza estava com muita gente concentrada diante de telões, mas nada anormal. Descemos normalmente e só não fomos pras ruas - estamos há quatro quadras do Obelisco -, pelo adiantado da hora do final do jogo, quase 1h da manhã e pelo frio. Optamos por ver as pessoas caminhando alegres pelas ruas após o justo 3 x 1, da sacada do 2º andar, onde estamos, pois no dia seguinte,m queríamos estar acordados bem cedo para ir pras ruas, mais precisamente para a famosa Feira de San Telmo, calle Defensa. Festar nas ruas depois da 1h da manhã não é a mesma coisa que fazê-lo durante o dia. Isso de estar nas ruas, sentirei cada momento e aqui vou postando minhas impressões no desenrolar da semana. Tenho muito o que ver e o que sentir por aqui. Na medida do possível irei postando, compartilhando fotos e ideias, se possível debatendo e tentando chegar a um denominador comum. Não vou adentrar este campo de que, a seleção argentina está sendo beneficiada, pois acho terreno pantanosa, não porque exista ou seja para mim difícil fazê-lo, mas o vejo impregnado, neste momento de alto grau de pitadas de uma influência, onde são tratados como "racistas", quando vejo que, nós brasileiros, o somos do mesmo modo e jeito.

Leio sobre a não participação dos negros na seleção argentina e aqui circulando pelas ruas, não os vejo na mesma quantidade que em outros países. Todos sabem, sou casado com uma negra e ela, neste momento, torce desbragadamente pela Argentina. O que sei, como historiador, é algo histórico, remetendo quem se interessar para os primórdios da construção deste país. O negro aqui não teve presença marcante como no Brasil ou em outros países europeus, como França, depois Espanha, Bélgica, Inglaterra e até mesmo a Alemanha. Sim, em séculos passados penaram muito por aqui os que aqui estavam, resultando, com a situação atual. Como Scaloni pode querer convocar negros para a seleção se eles são tão poucos de origem argentina? A culpa não é do treinador, sendo que este jogou ao lado de negros em toda sua carreira européia. Sou contra a discriminação aqui ocorrida, a forma como o negro e o indígena - mapuche - sofreu e sofre por aqui, muito mais penalizado que o branco, porém, quando tudo desemboca num jogo de futebol, me reservo no direito de entender que, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Abomino reações racistas onde elas existirem e não as vejo entre a seleção. Na torcidas é outra coisa. Tanto aqui como no Brasil, existem os irracionais e estes precisam ser combatidos, com veemência e inflexibilidade punitiva. No mais, pelo que vejo, tudo foi acentuado por se tratar de Copa do Mundo. 

Perambulo pelas ruas de Buenos Aires, sinto o mesmo clima de exposição de produtos de sua seleção, igualzinho o que sempre vi no Brasil. Conversei com muitos, sem exaltação e lampejos de ufanismo. Muitos estrangeiros na Feira de San Telmo, a maior na capital argentina e, principalmente brasileiros. Estes, pelo que sinto, engolem em seco os argentinos, mas eu não, como bom conversador, gosto mesmo de conversar, ainda mais quando o oponente está disposto a travar um bom diálogo. Me afasto de todos os que, como aí, insistem nisso de rivalidade. Que essa fique no campo de jogo e neste momento, inegável, os hermanos estão num grau superior ao nosso. São mais aguerridos e unidos pela causa de ganhar o campeonato. Das conversas nas ruas, o futebol é só mais uma delas. O que filtro mesmo é o momento argentino, algo do vivido e proporcionado pelo obtuso Milei, algo idêntico ao vivenciado pelo período Bolsonaro no Brasil, onde prevalesce o despreparo para o exercício de função tão importante, resultado daí o fracasso do país enquanto nação soberana, independente e produtiva. A Argentina que já teve um parque industrial de ótimo nível, está perdendo - ou já perdeu - essa característica e isso é muito danoso, pois a recuperação, se ocorrer, será lenta. Milei hoje diz abertamente que a Argentina não tem característica industrial, reservando isso para empresas estrangeiras, importação e assim sendo, que fenece é sua população. Circulo por aqui querendo entender isso, decifrar como, tanto aqui como aí, consguimos enveredar por líderes tão boçais, despreparados e nos apunhalando de forma tão vil. Circulando por aqui, vou tentando contar algo do que vejo e seinto, em uma semana de estadia. Volto ao Brasil, no próximo domingo, 19/07, logo depois do encerramento da final da Copa do Mundo. Se a Argetina ganhar, não verei a desta nas ruas, pois já estarei dentro de um avião, retornando ao Brasil. Tenho muito o que ver e aqui ir relatando.

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