HISTORIETAS ARGENTINAS
6.) ARGENTINA NA SEMIFINAL DA COPA: FUI PELA MANHÃ REVER A CASA DE LAS MADRES, REDUTO DE LUTA E RESISTÊNCA
A identificação imediata que tive com a luta empreendida pela MAdres da Praça de Mayo, que toda quinta, período da tarde, se reúnem e contornam a praça, num gesto de indignação contra o que fizeram com seus filhos e netos é tocante e imediata. Para mim, não existe como permanecer indiferente. Daí, em cada retorno para Buenos Aires é quase obrigatório dar uma passada pela sede das Madres, um local bem simples, mas onde em tudo está registrado algo de como se deu a luta delas ao longo do tempo. Além de um pequeno restaurante, o local de encontro e muitas fotos espalhadas pelas paredes, retratando quem está ao lado dessa incansável luta. Sempre trago algo, recuerdos, como bandanas e bandeiras com o símbolo delas estampado. Tenho no Mafuá, fixado num lugar de destaque uma dessas bandeiras, como a dizer e deixar bem explícito de que lado estou nessas contendas todas que a vida me leva a disputar.
A sede da associação das Madres - que mantém também uma universidade de cunho popular - está localizada há poucos quarteirões de onde me encontro, pertinho da praça do Congresso. Diante dessa sede, semanalmente ocorrem manifestações violentas, pois os "jubilados" (aposentados) arnetinos, protestam contra o que o desGoverno de Javier Milei faz com seus salários, cada vez mais achatados, insuficientes para chegar ao final do mês e a polícia nacional reprime, chegando a agredir estes. Um cenário de final dos tempos, dessa insanidade proporcionada pela extrema-direita, que rouba o que encontra pela frente e de diz salvadora da Pátria, afundando todos os países onde estão no poder. A luta das Madres extrapola a da incansável procura pelos seus, desaparecidos políticos e versa sobre todas as demais injustiças em curso na Argentina. E, assim sendo, não tem como passar batido. Tive o prazer de, justamente na primeira vez que aqui vim, 2007, ter ouvido Hebe de Bonafini, a grande líderança das Madres, já falecida, num discurso lindo, inflamado e ao lado de nada menos que Hugo Chávez. Continuarei passando pela sede delas e circulando nas quintas na praça de Mayo, todas vez que aqui estiver.
8.) E ASSIM O MAFUENTO HPA FALOU DO CARNAVAL DE TAQUARITINGA LÁ PELOS LADOS DE BUENOS AIRES
Enfim, minha participaççao no Congresso na UP - Universidade de PAlermo não foi o de acompanhar a esposa, Ana Bia em suas mais de cinco apresentações. Todo ano eu também me preparo e levo para o debate algo de minha lavra e responsabilidade. Eis a pomposa denominação, Congreso de Enseñanza del Diseño Universidad de Palermo e eu na Comissão P3: Narrativas visuales y representaciones culturales, juntamente com mais doze participantes. Meu tema de pesquisa ficou assim intitulado: História das 'Repúblicas' e a importância do carnaval em Taquaritinga". O que muito me anima é ter podido constatar que, o que escrevo gera debate e, principalmente, interesse. Compartilho a apresentação com o doutor em Design, Rodolfo Nucci, hoje residindo em Florença - Itália e taquatitingeunse, portanto, fonte deste meu olhar sobre algo ocorrendo em sua aldeia. Foi bom demais. Abaixo o texto na íntegra do resumo da pesquisa:7.) O JOGO ONDE A ARGENTINA GANHOU DA INGLATERRA DE 2 X 1, VISTO JUNTO DOS GERMANOS, NO PÁTIO DA UP - UNIVERSIDADE DE PALERMO
E ELES FORAM PARA A FINAL
E ELES FORAM PARA A FINAL
É um fato auspicioso e para mim, muito além da casualidade de aqui estar e poder presenciar a semana final desta Copa do Mundo de futebol e, coincidentemente, o Brasil já ter sido desclassificado e o único país latinoamericano ainda na disputa, o campeão da última disputa, 4 anos atrás, a Argentina. Já explanei em várias ocasiões da querência que tenho por este território latino. Não se faz necessário ficar repetindo exaustivamente o amontoado de motivos. Eles estão aflorados em minhas ações e proposituras. Eu tenho um lado de como tocar a vida e luto incansavelmente numa trincheira contra desmandos e poderosos, daqui e de alhures. E assim, cheguei neste momento a voltar numa apresentação acadêmica, junto da esposa Ana Bia, na UP - Universidade de Palermo e justamente no dia, quarta, quando a seleção argentina estaria se confrontando com o eterno rival deles, a Inglaterra. O jogo se deu às 16h e minha apresentação entre 12h30 e 14h30.
Ou seja, terminando a apresentação, em pouco tempo o jogo mobilizando os hermanos. A UP preparou um local para recepcionar quem por lá quisesse assistir o jogo, no seu pátio principal da unidade onde me encontrava. Numa bancada um monte de artigos para festar com as cores branco e azul, desde apitos, colares, gira-gira e afins e todos por lá com a camiseta da seleção. Sento ao lado de amigo uruguaio, de Ana e outros brasileiros. Curtimos muito ali estar presentes e presenciar a festa do lado deles, os anfitriões do Congresso. Duas grandes TVs e um amontoado de funcionários e professores, junto de congressistas de vários países da América Latina. Filtrei ao meu modo e jeito a ansiedade de antes do jogo e depois, o alívio e a festa com a grandiosidade do que foi o final da partida, quando a Argentina dá uma volta, demonstrando garra e força, vencendo a contenda. Uma comemoração ao estilo de um local acadêmico, um tanto contido, mas muito encolvente. Por detrás de tudo, eu lá a presenciar mais este feito. Como conheço muitos por lá, não me considerei fora de meu habitat. Confesso, torci por eles e nessa final de Copa, escolhi a Argentina como meu time.
e sobre a polêmica
RACISTA CHAMANDO RACISTA DE RACISTA COMO PRETEXTO PRA TORCER PRA OUTRO RACISTAAntes que venham com esse blá-blá-blá de que "branco" não tem "lugar de fala" para falar de racismo, já aviso duas coisas: 1) lugar de cala não cola pra cima de "moá"; 2) não sou branco, não sou preto, não sou índio: sou brasileiro, mestiço, como qualquer outro latino-americano. Inclusive você. Naqueles formulários dos EUA, sempre preenchi como "latino" porque "branco" não é cor, é critério de classificação e segregação social. Afinal, até hoje nunca conheci um japonês amarelo e eles seguem classificados assim. Índio só é vermelho quando pinta a pele de urucum e pros primeiros colonizadores, eles eram "negros da terra", mesmo tendo DNA semelhante a de asiáticos "amarelos".
Em resumo, cor, raça, etnia não passam de padrões historicamente construídos para fins socias. Quem ainda não entendeu isso, assista ao filme "Os Deuses devem estar loucos". É curioso quando um negro vê uma loira pela primeira vez, a acha horrível e fica com dó achando que ela está pálida por desnutrição.
Agora vamos ao que interessa. O brasileiro que chama o argentino de racista, está apontando um dedo para o vizinho, mas aponta quatro pra si mesmo.
Realmente, é muito cômodo dizer que os hermanos são racistas e se esquecer de que até outro dia o Brasil tinha um governante que dizia que negros pesavam em arrobas e que não serviam nem pra procriar. Seu vice dizia que era índio, mas que casou com uma branca para purificar a linhagem. Uma deputada do mesmo partido correu atrás de um homem negro com um revólver na véspera da eleição e nem foi esse o motivo de sua condenação.
A Argentina tem racismo? Óbvio que tem. Brasil tem? Tem e muito, mas incomoda falar e é muito mais cômodo jogar esse peso no vizinho.
"Ayn, mas os torcedores argentinos chamam brasileiros de macacos". Ora, quem vocês querem enganar? A vida inteira frequentei estádio e ouvi torcidas de todos os times brasileiros fazer isso. Isso só mudou quando começaram a punir os clubes, mas virando a esquina já continua nas brigas de torcidas.
Da onde surgiu o racismo? Do colonialismo europeu. Como países da América Latina absorveram o racismo? Por que a elite "criolla" nunca se viu como latino-americana, mas sempre sonhou em morar em Londes, Paris ou Miami com o dinheiro da exploração do próprio país.
Então sim, há racismo na Argentina, mas também no Brasil e em todos os países da América Latina. Só que elas não expressam o espírito do povo, senão de suas elites. O povo sem consciência emula suas elites. O nome disso é ideologia. Já dizia um certo velho barbudo alemão."
Texto do Thomas de Toledo









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