quarta-feira, 15 de julho de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (217)


HISTORIETAS ARGENTINAS
6.) ARGENTINA NA SEMIFINAL DA COPA: FUI PELA MANHÃ REVER A CASA DE LAS MADRES, REDUTO DE LUTA E RESISTÊNCA
A identificação imediata que tive com a luta empreendida pela MAdres da Praça de Mayo, que toda quinta, período da tarde, se reúnem e contornam a praça, num gesto de indignação contra o que fizeram com seus filhos e netos é tocante e imediata. Para mim, não existe como permanecer indiferente. Daí, em cada retorno para Buenos Aires é quase obrigatório dar uma passada pela sede das Madres, um local bem simples, mas onde em tudo está registrado algo de como se deu a luta delas ao longo do tempo. Além de um pequeno restaurante, o local de encontro e muitas fotos espalhadas pelas paredes, retratando quem está ao lado dessa incansável luta. Sempre trago algo, recuerdos, como bandanas e bandeiras com o símbolo delas estampado. Tenho no Mafuá, fixado num lugar de destaque uma dessas bandeiras, como a dizer e deixar bem explícito de que lado estou nessas contendas todas que a vida me leva a disputar. 

A sede da associação das Madres - que mantém também uma universidade de cunho popular - está localizada há poucos quarteirões de onde me encontro, pertinho da praça do Congresso. Diante dessa sede, semanalmente ocorrem manifestações violentas, pois os "jubilados" (aposentados) arnetinos, protestam contra o que o desGoverno de Javier Milei faz com seus salários, cada vez mais achatados, insuficientes para chegar ao final do mês e a polícia nacional reprime, chegando a agredir estes. Um cenário de final dos tempos, dessa insanidade proporcionada pela extrema-direita, que rouba o que encontra pela frente e de diz salvadora da Pátria, afundando todos os países onde estão no poder. A luta das Madres extrapola a da incansável procura pelos seus, desaparecidos políticos e versa sobre todas as demais injustiças em curso na Argentina. E, assim sendo, não tem como passar batido. Tive o prazer de, justamente na primeira vez que aqui vim, 2007, ter ouvido Hebe de Bonafini, a grande líderança das Madres, já falecida, num discurso lindo, inflamado e ao lado de nada menos que Hugo Chávez. Continuarei passando pela sede delas e circulando nas quintas na praça de Mayo, todas vez que aqui estiver. 

7.) O JOGO ONDE A ARGENTINA GANHOU DA INGLATERRA DE 2 X 1, VISTO JUNTO DOS GERMANOS, NO PÁTIO DA UP - UNIVERSIDADE DE PALERMO
E ELES FORAM PARA A FINAL
É um fato auspicioso e para mim, muito além da casualidade de aqui estar e poder presenciar a semana final desta Copa do Mundo de futebol e, coincidentemente, o Brasil já ter sido desclassificado e o único país latinoamericano ainda na disputa, o campeão da última disputa, 4 anos atrás, a Argentina. Já explanei em várias ocasiões da querência que tenho por este território latino. Não se faz necessário ficar repetindo exaustivamente o amontoado de motivos. Eles estão aflorados em minhas ações e proposituras. Eu tenho um lado de como tocar a vida e luto incansavelmente numa trincheira contra desmandos e poderosos, daqui e de alhures. E assim, cheguei neste momento a voltar numa apresentação acadêmica, junto da esposa Ana Bia, na UP - Universidade de Palermo e justamente no dia, quarta, quando a seleção argentina estaria se confrontando com o eterno rival deles, a Inglaterra. O jogo se deu às 16h e minha apresentação entre 12h30 e 14h30.

Ou seja, terminando a apresentação, em pouco tempo o jogo mobilizando os hermanos. A UP preparou um local para recepcionar quem por lá quisesse assistir o jogo, no seu pátio principal da unidade onde me encontrava. Numa bancada um monte de artigos para festar com as cores branco e azul, desde apitos, colares, gira-gira e afins e todos por lá com a camiseta da seleção. Sento ao lado de amigo uruguaio, de Ana e outros brasileiros. Curtimos muito ali estar presentes e presenciar a festa do lado deles, os anfitriões do Congresso. Duas grandes TVs e um amontoado de funcionários e professores, junto de congressistas de vários países da América Latina. Filtrei ao meu modo e jeito a ansiedade de antes do jogo e depois, o alívio e a festa com a grandiosidade do que foi o final da partida, quando a Argentina dá uma volta, demonstrando garra e força, vencendo a contenda. Uma comemoração ao estilo de um local acadêmico, um tanto contido, mas muito encolvente. Por detrás de tudo, eu lá a presenciar mais este feito. Como conheço muitos por lá, não me considerei fora de meu habitat. Confesso, torci por eles e nessa final de Copa, escolhi a Argentina como meu time.

8.) E ASSIM O MAFUENTO HPA FALOU DO CARNAVAL DE TAQUARITINGA LÁ PELOS LADOS DE BUENOS AIRES
Enfim, minha participaççao no Congresso na UP - Universidade de PAlermo não foi o de acompanhar a esposa, Ana Bia em suas mais de cinco apresentações. Todo ano eu também me preparo e levo para o debate algo de minha lavra e responsabilidade. Eis a pomposa denominação, Congreso de Enseñanza del Diseño Universidad de Palermo e eu na Comissão P3: Narrativas visuales y representaciones culturales, juntamente com mais doze participantes. Meu tema de pesquisa ficou assim intitulado: História das 'Repúblicas' e a importância do carnaval em Taquaritinga". O que muito me anima é ter podido constatar que, o que escrevo gera debate e, principalmente, interesse. Compartilho a apresentação com o doutor em Design, Rodolfo Nucci, hoje residindo em Florença - Itália e taquatitingeunse, portanto, fonte deste meu olhar sobre algo ocorrendo em sua aldeia. Foi bom demais. Abaixo o texto na íntegra do resumo da pesquisa:

"Taquaritinga é uma pequena cidade brasileira, com aproximadamente 50 mil habitantes. Situa-se na região central do interior do estado de São Paulo, o mais populoso do país. Localizada a cerca de 336 km da capital paulista, é conhecida como ‘Cidade Pérola’, fazendo parte de uma área com forte tradição agrícola. A cidade consolidou-se historicamente no auge do ciclo do café e hoje mantém uma economia focada no setor agroindustrial e de serviços. Para quem circula pela primeira vez às ruas, talvez a entenda como sem grandes atrativos. Há somente quatro edifícios na área urbana pequeno movimento de pessoas, composto pelos próprios moradores. Tem tudo para que uma visita não apresente nada de diferente da maioria de outras cidades interioranas com as mesmas características. No entanto, algo a difere para quem, além de circular por ruas centrais, possui ‘algum faro’ para detectar singularidades. Circulando pela Rua Campos Salles, no Centro, algo destoa dos demais estabelecimentos. Alguns imóveis, muito coloridos, chamam a atenção e nestes a inscrição: ‘República’. No Brasil, trata-se de uma denominação para moradia comunitária de estudantes universitários, ao longo da trajetória acadêmica. Surge a dúvida: Onde estão as Universidades? A resposta a essa questão é o fator principal a tornar conhecida a cidade país afora: o Carnaval. No Brasil, o Carnaval é considerado a maior festa popular nacional. Em muitas cidades, principalmente nas do interior, perde a força e a empolgação. Durante os cinco dias de ‘folia oficial’, a cada ano, há menos atividades nas ruas e salões. Observa-se que em Taquaritinga ocorre o oposto. A frase que melhor expressa o que lá ocorre é dita por um dos representantes do Setor de Cultura, vinculado à Prefeitura Municipal: ‘Taquaritinga espera pelo Carnaval’. Explica-se as ‘Repúblicas’, com suas cores, que chamam mais do que a atenção, representando o espírito a envolver o grande número de participantes para a festa. Nos locais, ocorre uma das formas mais tradicionais de concentração popular, mantida durante o ano todo. Algumas ‘Repúblicas’ mantém atividades fixas e situação de funcionamento regularizada junto ao Poder Público Municipal. Taquaritinga, com aparência pacata, movimenta nas ruas, em dias de ‘pico’ da festa carnavalesca, aproximadamente 40 mil pessoas festando nas ruas. O espírito das tais ‘Repúblicas’ é de festa, algo conquistado ao longo dos anos. Para a cidade, o Carnaval é fonte de muito lucro, para muito além da folia. O foco da investigação é o de apresentar como isso se dá, os ricos personagens que fizeram e fazem história, e os locais consagrados como marcantes e imprescindíveis durante o festejo.
Considera-se fundamental, mapear as estratégias de manutenção da continuidade em atrair a atenção popular. Como ponto de partida, a proposta foi a de compilar depoimentos e registros históricos, com foco na consolidação das ‘Repúblicas’, como espaços de resistência cultural. As ‘Repúblicas’ de Taquaritinga se multiplicam a cada ano e tornam-se protagonistas do carnaval da cidade. Entre as mais tradicionais, estão DNA, CMS e, mais recentemente, a Xiquita Bakana, que vêm ganhando destaque pela organização e pela estrutura oferecida aos foliões. Impulsionam decisivamente o Carnaval de Taquaritinga e elevam o padrão da folia, com estrutura organizada, shows privados e conforto, transformando a festa em referência já consolidada como regional. As estruturas montadas para receber sócios e convidados demonstram intenção direcionada a que o Carnaval seja cada vez mais atrativo. Dentro das ‘Repúblicas’, o público encontra alimentação, bebidas à vontade, conforto e segurança. Podem não ser o único fator determinante do sucesso do Carnaval, mas, certamente, o que mais leve o nome da cidade quando se trata de festejos carnavalescos paulistas. Taquaritinga ‘adotou’ estes espaços, tornando-se impossível um olhar indiferente diante dos mesmos.

e sobre a polêmica
RACISTA CHAMANDO RACISTA DE RACISTA COMO PRETEXTO PRA TORCER PRA OUTRO RACISTA
Antes que venham com esse blá-blá-blá de que "branco" não tem "lugar de fala" para falar de racismo, já aviso duas coisas: 1) lugar de cala não cola pra cima de "moá"; 2) não sou branco, não sou preto, não sou índio: sou brasileiro, mestiço, como qualquer outro latino-americano. Inclusive você.
Naqueles formulários dos EUA, sempre preenchi como "latino" porque "branco" não é cor, é critério de classificação e segregação social. Afinal, até hoje nunca conheci um japonês amarelo e eles seguem classificados assim. Índio só é vermelho quando pinta a pele de urucum e pros primeiros colonizadores, eles eram "negros da terra", mesmo tendo DNA semelhante a de asiáticos "amarelos".
Em resumo, cor, raça, etnia não passam de padrões historicamente construídos para fins socias. Quem ainda não entendeu isso, assista ao filme "Os Deuses devem estar loucos". É curioso quando um negro vê uma loira pela primeira vez, a acha horrível e fica com dó achando que ela está pálida por desnutrição.
Agora vamos ao que interessa. O brasileiro que chama o argentino de racista, está apontando um dedo para o vizinho, mas aponta quatro pra si mesmo.
Realmente, é muito cômodo dizer que os hermanos são racistas e se esquecer de que até outro dia o Brasil tinha um governante que dizia que negros pesavam em arrobas e que não serviam nem pra procriar. Seu vice dizia que era índio, mas que casou com uma branca para purificar a linhagem. Uma deputada do mesmo partido correu atrás de um homem negro com um revólver na véspera da eleição e nem foi esse o motivo de sua condenação.
A Argentina tem racismo? Óbvio que tem. Brasil tem? Tem e muito, mas incomoda falar e é muito mais cômodo jogar esse peso no vizinho.
"Ayn, mas os torcedores argentinos chamam brasileiros de macacos". Ora, quem vocês querem enganar? A vida inteira frequentei estádio e ouvi torcidas de todos os times brasileiros fazer isso. Isso só mudou quando começaram a punir os clubes, mas virando a esquina já continua nas brigas de torcidas.
Da onde surgiu o racismo? Do colonialismo europeu. Como países da América Latina absorveram o racismo? Por que a elite "criolla" nunca se viu como latino-americana, mas sempre sonhou em morar em Londes, Paris ou Miami com o dinheiro da exploração do próprio país.
Então sim, há racismo na Argentina, mas também no Brasil e em todos os países da América Latina. Só que elas não expressam o espírito do povo, senão de suas elites. O povo sem consciência emula suas elites. O nome disso é ideologia. Já dizia um certo velho barbudo alemão."
Texto do Thomas de Toledo

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