MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA VIAGEM, NAS HISTORIETAS ARGENTINAS 14.) MANHÃ DE SÁBADO, PASSEIO PELA 25 DE MARÇO/SAARA ARGENTINA, AQUI O "ONCEDois locais, Maria Belén e Adrian Jara nos ciceroneiam pelas calles onde argentinos de todas as partes do país vem efetuar compras, depois revender. Caímos de boca nas andanças, guiados por dois entendidos no assunto. E até fizemos algumas comprinhas. Para mim, observador das calles, nada como andar por um lugar, que anos atrás estava forrado de imigrantes negros, todos africanos, ocupando todas as calçadas, vendendo roupa de griffe, todas falsificadas. A região passou por severa alteração de funcionalidade, com estes todos sendo praticamente expulsos, não só das calçadas, como do país. Não os vendo mais, pergunto ao Adrian e ele me responde: "A Prefeitura os retirou daqui e não os vemos mais em lugar nenhum".
Fui conferir e encontrei isso: "Os vendedores africanos (em sua maioria senegaleses) que trabalhavam como manteros em Once, Buenos Aires, foram dispersados devido a constantes operações de repressão e desalojo do espaço público pelo Governo da Cidade. Muitos migraram para outros bairros e províncias, enquanto outros continuam atuando de forma itinerante e cautelosa. Devido à forte presença policial, abandonaram o modelo de montar barracas fixas nas calçadas. Em vez disso, passaram a operar de maneira móvel (carregando bolsas e mercadorias nas mãos) e fogem rapidamente ao sinal de fiscais ou policiais. Para evitar a perda total de suas mercadorias nas batidas, muitos passaram a alugar pequenos espaços ou guardar estoques em galerias comerciais da região e saem às ruas apenas para vender unidades limitadas".
Para mim, que todo ano, neste mesmo período cá estou, mais do que perceptível a mudança. Antes quase intransitável a região, hoje mais tranquila. Do zelador do prédio onde estamos hospedados, me diz quando saíamos para o passeio: "Tome muiuto cuidado, pois lá costumam sumir coisas de nossas mãos". Não vi nada disso, achei um excesso. Gente sendo ludibriada nas ruas não é exclusividade daqui e sim de todos os lugares do mundo. O fato concreto é que, não presenciei nenhum ato de violência urbana na caminhada, andando e adentrando por todos os lugares, sem nenhum tipo de chateção. No mais, que ótima manhã, circulando pelas lojas deste bairro, recebendo pessoas de todas as partes do país, todos em busca de mercadorias para serem depois revendidas em suas cidades, nada diferente do que acontece no Brasil, em São Paulo na 25 de Março e no Rio, no Saara.
Localizado em Sarmiento 1334, este tradicional restaurante buenarista, o Club Del Progreso, fundado em 1852, foi palco de encontro de todos presidentes argentinos. Localizado nas imediações do Congresso e Senado da Repúbluca, foi por muito tempo um clube exclusivo de cavalheiros, um dos mais antigos da Sudamérica, ícone da história de Buenos Aires. Hoje, recebe frequentadores de várias partes, com imensos pratos compartilhados e em seu salão principal, flâmulas de times da nossa latinidade. Atração turística e preços populares, atendimento receptivo e clima de confraternização. Ao fim, encontro um argentino com camiseta estampada algo do jogo da última quarta, qiando Argentina se classificou para final da Copa: "As Malvinas são argentinas". Comemos muito, preço honesto e quase preciso ser carregado para habitação onde nos encontramos. Vale a pena, também por ter visto lá no salão, flâmula do Flamengo, time que Ana Bia Andrade torce e do Corinthians, time que torço.
Amigos argentinos cientes de nossa despedida da cidade, organizam para este domingo, algo luxuoso, a ida, 8h da manhã, abrir a famosa Confeitaria Ideal, para um sonoro café da manhã. A Ideal fez história na capital portenha, localizada a poucos metros do seu maior ponto turístico, o Obelisco. Foi ponto de encontro, cem anos atrás, da nata da elite local, a que podia desfrutar de lugares tão luxuosos. Reinou aberta e influenciando as decisões políticas até os anos 70. De suas mesas, saiam decisões políticas, direcionando os rumos, inclusive do país. Fechou as portas e sua edificação foi abandonada e esquecida, tornando-se uma chaga a céu aberto.
Eu teria muito mais para descrever do vivenciado nestes poucos dias zanzando por Buenos Aires. Tudo são gratas recordações. Ano após ano, tenho não só o prazer, como um privilégio este poder voltar, rever lugares e pessoas. Procuro conhecer mais e mais lugares, o mesmo servindo para pessoas. Por onde esbarro, me deparo com novas histórias, enfim, tudo vale e merece ser contado. As vezes cometo inconfidências, excesso deste incontrolável desejo de ver registradas histórias, principalmente a de personagens ditos e vistos como menosres. Daí, essa denominação onde me encaixo com maestria, de Historiador das Insignificâncias.
O Bellagamba Bodegón é um dos restaurantes mais tradicionais e econômicos de Buenos Aires, famoso por servir comida caseira farta, preço justo (numa placa dentro do salão, anúncio de prato do dia por 3 mil pesos) e por seu ambiente boêmio e retrô. As porções são generosas, ideais para compartilhar, com pratos clássicos como milanesas, massas, empanadas e bife de chorizo.
Foi neste espaço que, decidimos fazer a despedida de Buenos Aires neste domingo, momentos antesde dirigir-se para o aeroporto e voltar pra vida rotineira em Bauru. Este restaurante é bem avaliado, não só pelo já aqui comentado, mas também pelo seu visual interno. Em suas paredes fotos antigas, dos mais variados temas, ocupando todas suas paredes e no salão, antiguidades de todos tipos e épocas.
Circular por um lugar assim é de uma certa forma respirar algo sobre a história da cidade e de muitos dos seus antigos personagens. Uma viagem no tempo e espaço, aliado com uma comida estilo caseira. Pelo que vi tem duas filiais na cidade, uma próxima do Congresso, na avenida Rivadavia e essa onde estive, em Palermo, na calle Armênia. Saímos de lá satisfeitos e direto para o aeroporto. Dia de voltar para casa.

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