quarta-feira, 15 de abril de 2026


EU VIM PRA TAQUARITINGA, ENTENDER MELHOR ISSO DO "MELHOR CARNAVAL DO INTERIOR" E ASSIM, ESCREVER UM TEXTÃO ACADÊMICO - FOTOS E GRAVAÇÕES
Taquiritinga é uma cidade respirando Carnaval. Quando lá estive pela primeira vez, o encanto se deu, em primeiro lugar quando vi as casas coloridas no seu centro comercial, com a designação de "repúblicas". Ao descobrir tratarem-se de casas alugadas o ano inteiro, especificamente para o Carnaval, quando grupos de foliões ocupam as ruas da cidade e promovem um dos maiores carnavais do interior brasileiro, vi que, algo mais deveria ser feito.

Voltei para contar e descobrir mais. Marquei um bate papo ocupando boa parte do dia e do começo da noite desta quarta, 15/04, quando fui, pouco a pouco, me enfronhando mais a fundo nessa intrincada história: enquanto o Carnaval fenece em muitas cidades do interior brasileiro, nessa ele floresce e se revitaliza, algo surpreendente e merecedor mesmo de muita curiosidade. Na chegada, me dirijo para o Centro Cultural, localizado junto ao Cine São Pedro e por lá, encontro o secretário de Cultura, o jovem Jonathas Fidélis junto do Daniel Ordini, um dos cantores da famosa, na cidade, Jardineira da Tarde. Reúno os dois e faço a primeira entrevista do dia, quando contam de como tudo começou e de como tudo está tendo continuidade e sendo cada vez mais ampliado. São histórias que, o forasteiro ouve e quer ir pras ruas conferir dua veracidade.

Foi o que fiz. Subi e desci as ruas ali perto, observando as tais "repúblicas", ouvindo pessoas e constatando informações recebidas. Quer conhecer uma "república" por dentro: 
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TITO SARGI, 90 ANOS E SEU SHOPPING "TEM TUDO DO TITINHO" EM TAQUARITINGA
Foi ele, origem italiana e corintiano, quem, após soltar um porco num jogo do Palmeiras, acabou de sacramentar o animal como símbolo do rival. Daí, não teve mais jeito, aceitaram. Mantém aberta sua loja todos os dias da semana, sempre sentado em sua frente, esperando seus clientes e amigos. Quando viaja pra pescar, Coxim MT, 900 km, fecha as portas da loja, pois só ele entende sua organização. Conheça a variedade, de um prego a equipamentos náuticos. Um "tem de tudo", com a cara do interior paulista.
O registro de TITO ao vivo e a cores:
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VICENTE SAPATEIRO E POR DETRÁS O GLORIOSO PASSADO DA "BOSSA NOVA" DE TAQUARITINGA

Colhendo histórias por aí, por onde passo reuno mais e mais, depois não me seguro, posto aqui e espalho a coisa. É o que faço neste momento, quando de passagem por Taquaritinga, aproximadamente 200km de Bauru, perto de Araraquara e Ribeirão Preto. Quando ontem, falo numa roda de conversa sobre ter postado algo sobre um sapateiro de minha cidade, Bauru, praticamente me obrigam a não deixar a cidade sem conhecer algo do ocorrido com um dali.

E assim vou conhecer José Vicente Manólio. Seu pai, Moacir Manólio, teve uma fábrica de calçados, com amplo maquinário, 12 funcionários e na parede, ocupando todo o espaço de imenso salão, uma infinidade de moldes para calçados. Vicente, herdou tudo isso do seu pai, aprendeu o ofício ao longo do tempo e do que se vê na loja, cheia de sapatos por todos os lados, quando ele me leva para os fundos, dois amplos salões e neles, muitos materiais, espalhados por todos os lugares e máquinários em perfeito estado de funcionamento. Moacir deu o nome de Bossa Nova - amante da boa música de sua época - para a fábrica, que durante algumas décadas fabricou sapatos variados, inclusive botinas, porém, com o passar do tempo, tudo foi se modificando e hoje, com as pessoas quase não consertando mais seus pisantes, simplesmente trocando-os quando velhos e desgastados, não conseguiram dar continuidade. Fecharam as portas, mas aquilo tudo ali permaneceu, numa espécie de resistência viva aos novos tempos.

A sapataria não fechou e continua aberta, não só funcionando, como também sendo mais um dos locais na cidade de boa conversa. No pouco tempo que ali passei, vi muito disso, a quantidade de pessoas, que por ali circulam só para conversar. No papo as questões políticas do momento e, principalmente o futebol, com os jogos acontecidos nos últimos dias sendo motivo de ampla discussão. Na parede da loja, metade é ocupada por sapatos recentemente ali deixados para algum reparo e na outra metade, ele me mostra, estão sapatos deixados há mais de seis meses e nunca mais buscados. Nos fundos, aquela imensa quantindade de moldes em madeira, que Vicente não quer dispor. Já sugeriram para que queimasse ou mesmo vendesse para decoração em ambientes, mas ele até hoje nada fez. Sabe que, queimar não o fará, até em respeito aqo seu pai e pelo que já viu ali acontecendo. Quanto a vender, não sabe o que fazer.

Vicente não reclama de nada. Segue o rumo dos acontecimentos e continuará de portas abertas. "Hoje tem um rapaz, segurança num banco que, trabalha até às 17h e depois ele vem aqui e fabrica botinas e sapatos sob encomenda. Aprendeu direitinho e quando, daqui uns cinco anos, quando me aposentar, creio ele dará continuidade no Bossa Nova. Sei que, tenho que resolver sobre esse espaço todo, pois nada disso poderá continuar com essa disposição do passado. Meu ofício eu faço da melhor forma possível e para o futuro, espero ainda encontrar quem reconheça isso tudo como um belo material, ainda a ser aproveitado ou mesmo utilizado como decoração. Ficaria muito contente em conseguir resolver isso tudo da melhor forma possível", conta. Eis Vicente: 
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Uma conversa com o lenda vida da cidade, o seu Tadao, o do bar carnavalesco: https://www.facebook.com/100000600555767/videos/pcb.27327796010157049/1310963284247612
EU EM TAQUARITINGA E AS HISTÓRIAS - OU SERIAM ESTÓRIAS? - DO ZITA MENDONÇA JR
Eu, tentando em apenas dois rápidos dias, vividos intensamente, desbravar e conhecer mais de uma cidade, no caso Taquaritinga, aproximadamente 50 mil habitantes, na qual me desloquei com o inteuito de saber mais disso deles serem considerados o "melhor carnaval do interior paulista". Descobri por lá, nas andanças durante o dia, que o melhor lugar, o ponto de convergência de todo este assunto, quando todos para lá de dirigem, entre 17 e 23h é o Bar do Tadao, na confluência de dois títulos bem característicos deste país, as ruas levando os nomes de um visconde, o do Rio Branco, com a General, no caso o Glicério.
Neste local o epidentro do carnaval local, onde todos convergem e assim sendo, o ponto mais famoso da boêmia local e também reduto de muita conversa. Fui conferir e acabei me tornando adepto, com pouco mais de uma hora por lá já estava mais do que enturmado e ambientado. No balcão observada a movimentação de um senhor, com uma camiseta escrita à mão, com os dizeres "Deixa que Digam" e já estava um tanto incomodado, por ninguém ainda tê-lo me apresentado. Ou seja, todo e qualquer cidadão com um escrito deste no peito só pode tratar-se de gente de uma lavra e safra mais que especial. Quando ameaço fazer uma gravação com o proprietário do bar, o Emerson Palomo, ele se achega e a partir daí, não só o conheço, como me introduzo em suas histórias. Sabe aquelas pessoas envolventes e mesmo sem querer querendo, possuem a facilidade de logo de cara bater uma boa empatia? Com ele aconteceu algo parecido.
Eu e meu fiel escudeiro na cidade. RODOLDO NUCCI.

A partir daí conheço o Zita, nome de sua mãe, incorporado por ele e hoje só sendo chamado de Zita Mendonça Jr, ou seja o primogênito, hoje até mais famoso que a mãe pelas redondezas. Ele, como vim a saber é atento observador de tudo o que acontece, não só no bar, mas na cidade, transformando tudo em pequenas historietas. Conta logo a seguir ter conseguido reunir algo do que já ouviu em dois pequenos livros, impressos num formato como revistas e que, na verdade, não vende, distribuiu. Pelo visto foi com a minha cara, pois após trocarmos figurinhas conversativas no bar, ele pede licença para se ausentar por dez minutos e quando volta, traz de sua casa os dois exemplares dos seus livros e me presenteia.

Tentei ler algo ali no bar, mas as conversações eram intensas, copos de cevada renovados e não consegui. Deixei para depois. Uma contada a mim ali no ato, gravei na mente e a conto. O sujeito depois de beber algumas por lá, final de noite, vai ao banheiro e por lá dorme. Liga tempo depois para o dono perguntando quando o bar vai abrir. O dono atende e diz ter fechado há apenas duas horas e que só abriria dia seguinte, como ele já sabia. Daí fica sabendo que o cara ligou só pra saber quando iria abrir, pois ficou trancado lá dentro. Isso tudo ele vai ouvindo, grava mentalmente e depois passa para o papel. Reuniu tudo e imprimiu os livrinhos, distribuidos para quem ainda gosta de leituras pitorescas. Seus livros são constrituídos de histórias deste naipe, desprentensiosas, mas daquelas que, merecem mesmo o registro, pois registram maravilhosamente o dia a dia, as entranhas de uma localidade, suas coisinhas mais miúdas.

Depois fico sabendo, Zita é inveterado boêmio, destes que, a mulher viaja pelo mundo e ele pede para que o deixe ficar circulando pela sua cidade, rastreando assuntos para escrevinhações. Não quer outra coisa da vida, que pelo visto, tanto já lhe deu. Durmo na cidade e no dia seguinte, tomando café pego o livro para ler e não paro mais. Termino na estrada, antes de chegar em Bauru, tudo também facilitado pela impressão em letras maiores que o habitual. Voltar ao Tadao é algo que, pelo descoberto, todos que ali passam, querem fazê-lo. Eu já quero é aprofundar (ui!) as conversações com o debochado, escrachado, espevitado e extrovertido Zita. Chamá-lo de "figura" pode ser pejorativo, mas representa bem o bar e a cidade, num lado pelo qual não quero mais me esquecer. Viva os estrovertidos!

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