sábado, 18 de abril de 2026


A PARADA ESTRATÉGICA NA "PADOCA" DE AVAÍ, NO CAMINHO DA ALDEIA KOPENOTY
A história é boa. Marquei com o pessoal dos Baté, de Tibiriçá, de estar entre11 e 11h30h lá na casa da matriarca, dona Irene e ir com eles para Avaí, num dos festejos dentro da aldeia indígena de Kopenoty, essa comandada pelo amigo cacique Chicão Terena. Foi um corre, mas cheguei lá no horário combinado. Três carros, lotados, eu dirigindo um, Susy Silva, até bem pouco tempo diretora da EE Major Fraga, recentemente aposentada - com aquele ar de felicidade estampada no rosto - e Amanda Cosmo nos outros. Com algum atraso partimos, seguindo pela estrada terra, sentido Nogueira, depois um asfalto e adentramos Avaí pela porta dos fundos. 

No caminho a conversa fluia sobre a festa e sobre algo do qual ninguém sabia o que encontraríamos pela frente: comida. Já estava passando da hora do almoço e ninguém das três barcas tinha  almoçado. Em Avaí, atravessamos a cidade e quase na saída para pegar a estrada que nos levaria para a aldeia, última quadra, um ponto comercial me chama a atenção, a "Padoca", uma padaria. Foi quando, algo dentro de mim, me intigou a propor pararmos e comermos algo. Ninguém sabia o que encontraríamos lá na aldeia. Teriam ou não comida? Na dúvida, buzinei para os demais carros e estacionamos defronte o local.

Pronto a festa estava completada e da forma mais animada possível. Nos balcões muitas opções, até um bolo salgado, mas acabamos todos concluindo, quase por unanimidade pelo tradiciomnal pão com mortadela e refrigerantes. E assim foi feito. De ínicio quatorze pães, depois mais dez e  muita mortadela. Ou seja, fizemos a festa, denominada por nós como a do farelo. Agitamos o pedaço e assim conhecemos o Edson, carinha de índio e sua equipe, três pessoas, sendo fazendo e acontecendo na padaria. Ele, soubemos pela prosa, é primo do cacique Chicão, tem 44 anos e abriu a padaria faz dois anos. Muito simpático, me disse, chegar lá todos os dias às 4h, abrindo o estabelecimento às 5h, pois por lá muitos saem muito cedo para trabalhos em outras cidades. Perguntei se não era muito cedo para abrir e ele: "Acredite, 4h30 já tem gente esperando do lado de fora, pois querem um pãozinho quente antes do batente". 

Renderia uma conversa longa, mas no momento, o primordial era encher a barriga e seguir viagem até a Kopenoty. A parada foi das mais providenciais e o lanche estava delicioso, o pão da casa foi aprovado por todos e assim, festamos todos juntos, num congraçamento que, teria continuidade na aldeia. Ninguém reclamou de nada e ao final, a Padoca cobra um preço justo, tudo dividido entre as partes, com uma merreca para cada. Felicidade geral estampada na face de todos, farelos muito bem distribuídos pelo local e despedida alegre com o Edson e sua equipe. Achávamos estar atrasados e não prolongamos mais a prosopopéia, pois a intenção era chegar na aldeia a tempo de presenciar a premiação do concurso da Beleza Indígena 2026. De barriga cheia, voltamos para a estrada. Felicidade é muito disso, algo simples, feito coletivamente e onde tudo acontece de uma forma singela, sem sobressaltos.

NA VÉSPERA DO DIA DOS POVOS INDÍGENAS, ME JUNTO COM OS BATÉ DE TIBIRIÇÁ E PRESENCIAMOS A PREMIAÇÃO DA BELEZA INDÍGENA 2026, NA ALDEIA KOPENOTY, EM AVAÍ
Foi uma tarde e tanto, muito intensa. A aldeia Kopenoty, distante uns 15km de Avaí representa muito da luta de resistência e a demonstrar que, com luta e perseverança, algo é conquistado. A reserva indígena de Avaí é fruto de um intenso e perseverante trabalho indígena, até a conquista definitiva dessas terras. Cacique Chicão, o representante maior de todos eles, sabe muito bem e basta acompanhar sua trajetória para se certificar de que, sem luta nada é conquistado. E chegando lá na aldeia, após um trecho de asfalto e outro de terra, a constatação, sua aldeia é uma das mais bem organizadas, com uma infraestrutura consolidada e em funcionamento. Por lá, desde um amplo salão de recepção, festas e eventos, uma ampla casa, que amtes abrigou atendimento da antiga FUNAI e hoje abriga um Centro de Memória, depois a escola, as quadras esportivas e as casas, todos de alvenaria e muito bem distribuídas pela área. No total, me dizem, mais de mil indígenas ali vivem atualmente. 

Sou levado para lá na véspera de mais um Dia dos Povos Indígenas - antigamente denominado de Dia do Índio -, quando a aldeia Kopenoty realizava mais um Festival/Concurso da Beleza Indígena. Ao lado da quadra esportiva, barracas foram montadas e os produtos indígenas expostos. Todo o artesanato ali produzido, além de alimentação aos presentes. Todos os ali atuando nas barracas, paramentados para receber os visitantes. Chicão Terena, com várias atividades naquele dia, pede para que Dário, Mestre Bilíngue da aldeia nos leve e explique sobre o Centro de Memória ali localizado. O antigo casarão, todo de madeira, bem no centro da área de lazer, antigamente foi o posto da FUNAI e hoje abriga o que muitos consideram como um museu. "Museu é outra coisa. Isso aqui para nós é um Centro de Memória, onde disponibilizamos muito de nossa história. Museu somos nós, os seres vivos, os representantes de nossas etnias, aqui presentes e com toda nossa vivência, para explicar e contar o que sabemos, passar adiante algo de nosso passado. Tudo isso que vocês podem ver aqui dentro representa os passos dados para chegarmos até aqui", conta.

Salutar passar porali antes de visitar toda a aldeia, pois ali a real possibilidade de observar as condições para se chegar no patamar atual. E do lado de fora, na véspera do dia dos Povos Indígenas, muitas apresentações durante todo o dia, culminando no meio da tarde com a escolha e premiação da Beleza Indígena. Muitas são as concorrentes, mas quando todos começam a circular entre si, algumas desistem e somente quatro desfilam no tapete vermelho estendido na quadra de esportes. Um quadro de jurados, escolhido dentre os presentes e composto por pessoas que, de uma forma ou outra estão ao lado da vida da aldeia. Este o frenesi do evento da tarde e comandado pelo vice cacique da aldeia, capitaneado pela sua esposa, uma das organizadoras de tudo o que por ali ocorre.Vanessa Terena descreve a organização: "Terminando um evento, começamos outro, atrás dos patrocinadores, onde aqui é ressaltada a beleza da mulher indígena, o papel da mulher indígena, a sua força e ocupando novos espaços, fortalecendo também o empoderamento de nós, mulheres indígenas. A participante tem que ter mais de 13 anos de idade, residir ou ser indígena e vir paramentada, com trajes e pinturas de sua aldeia".


Das quatro concorrentes, duas locais e duas de fora, uma orieunda no estado do Mato Grosso e outra do Paraná, essa a ganhadora este ano. O importante de tudo é o congraçamento, a recepção aos visitantes, quando estes passam a conhecer algo mais da aldeia e dessa convivência o entendimento do que é, verdadeiramente, a causa indígena. Chicão Terena está envolvido nessa luta desde muito cedo. Acompanhou desde pequeno todo o desenrolar de todas as conquistas, culminando com o estado atual de desenvolvimento dessa e de outras aldeias no conglomerado de Avaí. "É um prazer receber vocês todos, o pessoal de Tibiriçá, nossos parceiros, professores e gente interessada na cultura Terena. Isso para nós é gratificante, poder mostrar e apresentar nossa cultura, arte, artesanato", conta.

Estar com eles, participar de qualquer evento que for, junto deles é mais do que uma integração. Neste dia, convidado que fui pela família Baté/Cosmo, de Tibiriçá, viemos em três carros, lotados e todos imbuídos de algo em comum, estar integrados e entendendo plenamente o que ali acontece. Dulce Baté, representando a família disse algo a respeito: "Eu tenho mais que uma dívida de gratidão com o povo dessa aldeia. Somos vizinhos, nós lá no distrito rural de Tibiriçá, em Bauru, muito perto da aldeia e eles do lado de cá, sempre juntos em variadas atividades. Sempre eles estão lá em nossos eventos e nós, sempre que podemos, estaremos aqui com eles. Isso é um relacionamento de verdadeiros irmãos. Cada qual com sua luta e quando juntos, mais fortes para nossas disputas e conquistas. É sempre muito gratificante estar aqui. Hoje, estamos vivenciando uma tarde mais que especial".



VIM A CONHECER O FOTÓGRAFO CESAR DINIZ, DA PULSAR IMAGEM, ANOS DE ESTRADA, HOJE NA ALDEIA KOPENOTY, EM AVAÍ E AQUI CONTO ALGO DESTE PROFISSIONAL
Acabo conhecendo pessoas nos lugares mais inesperados, como hoje lá na aldeia Kopenoty, em Avaí, quando me deparo com o profissional da fotografia, décadas de estrada, Cesar Diniz, da agência fotográfica Pulsar Imagem. O vi fotografando o evento e não o conhecendo, achava ter sido contratado pelo pessoal da aldeia para registrar o evento. Ele e sua potente máquina circulavam pelo evento todo com muita desenvoltura e daí tive a mais absoluta certeza de tratar-se de alguém do ramo, com quilometragem e muita bagagem. 

Num momento de folga, quando a premiação da Beleza Indígena 2026 já estava concluída, vi ele sentado num canto, sento ao lado e puxo conversa. Me apresento e pergunto se ele atua em alguma cidade ali da região, pois não o conhecia. Nos conhecemos a partir deste papo. Cesar é tão inquieto como este HPA. Já trabalhou em diversas empresas jornalísticas deste país e depois de tanta rodagem, querendo continuar a fazer o que sabe, optou por se aliar a uma agência, a Pulsar e, as vezes em projetos seus, isolados e sem apoio, mas em outros com apoio destes, sai pela aí em busca de material diferenciado. Cesar filtra e sai pelo mundo a registrar a história deste mundo. Conta algo de onde já esteve presente e eu ali, diante de alguém, cheio de, não só histórias, mas uma diferenciada vivência. E onde fomos nos encontrar? Justamente ali numa aldeia indígena, a Kopenoty, nos arrebaldes de Avaí, uma pequena cidade interiorana paulista. 

Ele que já viu de tudo nesta vida, tendo conhecido muitas aldeias, me conta estar surpreendido com a orrganização e desprendimento coletivo ali encontrado. Eu também estava vivenciado o mesmo e assim, trocamos figurinhas. Ótimo conhecer pessoas assim, se aproximar quando pipoca um click interno a me dizer: precisa ir lá e conhecer aquela pessoa. Na maioria das vezes não me decepciono e mesmo assim, tudo rende histórias. Com Cesar, algo mais, pois ele ali está coletando fotos e registros para algo maior, sobre as aldeias indígenas e para tanto, um trabalho não só neste dia. Chegou na sexta, procurou um pequeno hotel em Duartina e desde então, vai e volta na aldeia. No domingo irá acompanhar como se dá a colheita de mandioca na aldeia e na segunda irá acompanhar o início da semana letiva na escola local. Na festa, esteve pela manhã acompanhando a dança típica do Kopenoty e essa surreal e linda premiação da Beleza Indígena. 

Para conhecer bocadinho mais do que venha a ser a Pulsar Imagem, eis o link: https://www.pulsarimagens.com.br/quem-somos. A Pulsar é isso: "Criado em 1991, Pulsar Imagens é o mais completo banco de imagens do Brasil. Nosso acervo possui mais de um milhão de fotografias e vídeos, que retratam paisagens brasileiras, com sua natureza e arquitetura; elementos da nossa cultura, como as festas populares; além de aspectos da nossa política e economia. Há também um grande número de fotos do exterior. Nossas fotografias e vídeos foram registrados por mais de setenta fotógrafos profissionais, ganhadores dos prêmios Nikon de Fotografia, Esso de Jornalismo e Wladimir Herzog de Direitos Humanos, entre outros. Muitas de nossas imagens também estão em acervos de diversas instituições, como MASP - Museu de Arte de São Paulo, MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, IMS - Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural e National Museum of Natural History / Smithsonian Institute. Pulsar Imagens tem, entre os seus clientes, as principais editoras de livros didáticos do país, além de outras empresas do mercado editorial brasileiro. As maiores agências de publicidade do Brasil também comprovaram a nossa qualidade, utilizando nossas fotos em grandes campanhas espalhadas por todo o país. Possuímos também imagens publicadas em países, como França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos".

Sobre o profissional Cesar, eis o link para saber mais e contato: https://cesarmdiniz.wordpress.com/about/ e algo mais sobre um de seus trabalhos, envolvendo a cidade de São Paulo e também indígenas: https://www.pulsarimagens.com.br/autor/cesar-diniz. Cesar é um sujeito escolado, vivência absoluta em rodagens sem fim mundão afora e quando versamos sobre seu trabalho, me diz algo assim: "Hoje estou aqui nesta pequena aldeia, mas atuo também na aldeia paulistana, aquele conglomerado com mais de 20 milhões de pessoas. Registro o que acontece em aldeias diversas". 

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