CIRINO, VAGNER, MARSOLA E PEDRO, QUATRO BATUTAS PROFISSIONAIS, ATUANDO NO PRONTO ATENDIMENTO
Conto hoje a história que tive com quatro bons profissionais, ofícios diferenciados e eu correndo atrás de serviços variados. Na junção do que escrevo, histórias de vida mais que interessantes, em ramos diferenciados, como sapataria, armarinho, amolagem e assistência técnica de eletrodomésticos. Tudo começou com Ana Bia à procura de consertos variados para equipamentos domésticos, quando revejo e conheço ricos personagens das entranhas destes serviços. Conto algo de cada um destes:
CIRINO é sapateiro faz muito tempo e há 50 anos está localizado no mesmo lugar, na rua gerson França, duas quadras para cima da Duque de Caxias, ao lado de escritório do Lar dos cegos, num pequeno toldinho pendendo para o vermelho. Dias atrás, Ana Bia publica em seu facebook uma solicitação para quem soubesse de sapateiro. Três lhe indicaram a mesma pessoa. Eu já o conhecia e achava já estaria aposentado. Que nada, Cirino está lá forte e rijo, atuando e do mesmo jeito de sempre. Nenhum dos seus seguiu sua profissão, ou seja, seguirá aberto enquanto tiver forças. Seu trabalho é impecável e recomendado por todos, com aquele atendimento que não exige nem comprovantes burocráticos. Ele simplesmente anota seu fone e a pessoa deixa lá o objeto que necessita serviço. Faz de tudo e pelo que se vê, pelas indicações recebidas, goza de rasgados elogios. Adentrar o pequeno salão de seu comércio é como voltar ao passado, pois nada ali mudou de como eram os sapateiros de antigamente. Creio eu, todos os que restaram abertos possuem o mesmo visual. Pisar naquele espaço é um revival de uma Bauru que hoje, infelizmente, renega seu passado e se diz moderna, mas pouco faz para isso. Fico com quem faz, à moda antiga, demonstrando caminhar sempre de portas abertas e sem mudar nada. E precisa de mais alguma coisa?
VAGNER prega botões na Batista de Carvalho. É claro que não é só isso, pois lá no letreiro de sua loja, o Rei do Armarinho, na quadra do Calçadão, entre a Azarias Leite e a Gerson França, ele é talvez o único na região ainda tentando fazer o serviço ali na hora, sem postergar para depois. A pessoa precisa de um ilhoz, um botão ou o que seja, necessitand ode sua maquininha e lá está ele, pronto para lhe atender. Na Azarias tem famosos armarinhos, destes que, quando a pessoa pensa em algo do ramo, o nome surge imediatamente, mas estes vendem e não mais aplicam o produto. Na verdade, os grandões do ramo, quando a pessoa diz precisar de algo imediato, o indicam, pois só ele continua pregando botões e afins ali na hora. Se der sorte e não ter ninguém na fila é na hora mesmo, do contrário, nada como uma boa prosa e ir vendo ele atuando, depois voltar rpa casa já com o que necessitava prontinho para uso. Tudo são simples, sem salamaleques ou aquilo de dizer, "deixa aí, volte tal dia". Já no fundo, junto dele, numa mesa ao fundo, uma costureira e atuando do mesmo modo e jeito. Ou seja, a equipe de trabalho é estilo vapt-vupt, com resultados imediatos. Toda e qualquer loja do centro da cidade, quando o cliente precisa algo imediato, a indicação é só uma, ir na loja dele, simples, direto e reto.
MARSOLA é amolador de alicates, mas de tudo o que envolve corte. Na verdade, é ferroviário aposentado, Chefe de Trem da Fepasa, 29 anos atrás e desde então, abriu as portas para este outro ofício, o de amolador de facas, tesouras, alicates e afins. Seu local é conhecido de muitos do centro da cidade, ali na rua Rio Branco, entre o Calçadão e a Primeiro de Agosto, numa entradinha para pequeno estacionamento. Sua porta fica no meio do caminho e ali atua de forma silenciosa, precisam reta e direta. Seu ofício requer atenção e vista boa, pois num deslize, pode por a perder a peça do cliente. Ele é um senhor de bem com a vida, cheio de histórias de uma vida intensa, pois quem um dia foi ferroviário, viajando fazendo de tudo dentro de um trem, tem muita coisa para contar. E conta quando instigado. Na maioria das vezes, quando seu balcão sem clientes, não consegue permanecer lá dentro, sentado e fica junto da soleira da entrada do estacionamento, olhando o movimento e puxando prosa. Depois de tanto tempo ali no centro, acompanhou todas as transformações ocorridas e segue em frente, com seu ofício, aperfeiçoado ao longo do tempo, fazendo da lima e do esmeril seus artífices, companheiros de labuta diária. Marsola gosta de fazer tudo na hora e quando percebe vai demorar um bocadinho, diz ao cliente pra ir dar uma volta, curtir o Calçadão e na volta tudo estará prontinho.
PEDRO e seu filho atuam juntos na Center Peças Bauru, no ramo da assistência técnica de eletrodomésticos. Estão localizados ali na rua Agenor Meira, quadra 4, bem debaixo no edifício Carmem, quase esquina. Ele não é autorizado de nenhuma marca famosa, mas atende todas e muito mais rápido que as estabelecidas como tal. Enquanto muitas pegam a peça do cliente, preenchem papel e dizem informar posteriormente o orçamento, se puder, resolve ali na hora. Prefere trocar ali na hora, sem isso de ida e volta. Sua loja é isso, revende e já troca na hora. Está ali no centro há 10 anos e no ramo há mais de 30, atendendo todos elétricos, desde liquidificadores, micro-ondas, ferros de passar roupa, secadores e afins. Na frente peças de variadas marcas e detrás do balcão, pai e filho. Se a peça é de uma marca que não possui, indica até como pode ser feito a compra pela internet e chegando, troca na hora, sem salamaleques. Pedro é destes que já viu de tudo no ramo e sabe que, agindo como o faz, eficiência no atendimento, cativa as pessoas cansadas de levar algo para reparo, tendo que esperar dias para um simples orçamento e depois mais outro tanto de dias, apósaprovação, para execução e entrega. Encurta isso tudo e se puder, cumpre todas essas etapas num só atendimento. Não tem quem não goste.
A intenção deste texto, ressaltando profissionais atendendo na forma antiga, no estilo vapt-vupt, com eficiência garantida é uma amostragem de um estilo, ainda persistindo no centro da cidade de Bauru. Todos com aquele jeito simples, pregando a confiança como mola mestra do que fazem. É um encanto circular por essa Bauru, cheia de ricas histórias de vida e de trabalho. Todos estão enfurnados no coração desta cidade, essa que insiste, resiste e persiste. Olhar para eles com o devido carinho e atenção, eis a forma como posso retribuir. Num mundo de muita correria, desentendimentos e desacordos, nada como essa volta e encanto por quem faz. Histórias como as deles recarregam o dia de qualquer um.
DOIS "QUASE" VELHOS, DOIS CORAJOSOS CIDADÃOS"Duas imagens poderosas. Vilmar Ledesma postou estas duas fotos. Me lembraram os anos 80, final da ditadura. Dois amigos auxiliando o mundo.
Conto hoje a história que tive com quatro bons profissionais, ofícios diferenciados e eu correndo atrás de serviços variados. Na junção do que escrevo, histórias de vida mais que interessantes, em ramos diferenciados, como sapataria, armarinho, amolagem e assistência técnica de eletrodomésticos. Tudo começou com Ana Bia à procura de consertos variados para equipamentos domésticos, quando revejo e conheço ricos personagens das entranhas destes serviços. Conto algo de cada um destes:
CIRINO é sapateiro faz muito tempo e há 50 anos está localizado no mesmo lugar, na rua gerson França, duas quadras para cima da Duque de Caxias, ao lado de escritório do Lar dos cegos, num pequeno toldinho pendendo para o vermelho. Dias atrás, Ana Bia publica em seu facebook uma solicitação para quem soubesse de sapateiro. Três lhe indicaram a mesma pessoa. Eu já o conhecia e achava já estaria aposentado. Que nada, Cirino está lá forte e rijo, atuando e do mesmo jeito de sempre. Nenhum dos seus seguiu sua profissão, ou seja, seguirá aberto enquanto tiver forças. Seu trabalho é impecável e recomendado por todos, com aquele atendimento que não exige nem comprovantes burocráticos. Ele simplesmente anota seu fone e a pessoa deixa lá o objeto que necessita serviço. Faz de tudo e pelo que se vê, pelas indicações recebidas, goza de rasgados elogios. Adentrar o pequeno salão de seu comércio é como voltar ao passado, pois nada ali mudou de como eram os sapateiros de antigamente. Creio eu, todos os que restaram abertos possuem o mesmo visual. Pisar naquele espaço é um revival de uma Bauru que hoje, infelizmente, renega seu passado e se diz moderna, mas pouco faz para isso. Fico com quem faz, à moda antiga, demonstrando caminhar sempre de portas abertas e sem mudar nada. E precisa de mais alguma coisa?
VAGNER prega botões na Batista de Carvalho. É claro que não é só isso, pois lá no letreiro de sua loja, o Rei do Armarinho, na quadra do Calçadão, entre a Azarias Leite e a Gerson França, ele é talvez o único na região ainda tentando fazer o serviço ali na hora, sem postergar para depois. A pessoa precisa de um ilhoz, um botão ou o que seja, necessitand ode sua maquininha e lá está ele, pronto para lhe atender. Na Azarias tem famosos armarinhos, destes que, quando a pessoa pensa em algo do ramo, o nome surge imediatamente, mas estes vendem e não mais aplicam o produto. Na verdade, os grandões do ramo, quando a pessoa diz precisar de algo imediato, o indicam, pois só ele continua pregando botões e afins ali na hora. Se der sorte e não ter ninguém na fila é na hora mesmo, do contrário, nada como uma boa prosa e ir vendo ele atuando, depois voltar rpa casa já com o que necessitava prontinho para uso. Tudo são simples, sem salamaleques ou aquilo de dizer, "deixa aí, volte tal dia". Já no fundo, junto dele, numa mesa ao fundo, uma costureira e atuando do mesmo modo e jeito. Ou seja, a equipe de trabalho é estilo vapt-vupt, com resultados imediatos. Toda e qualquer loja do centro da cidade, quando o cliente precisa algo imediato, a indicação é só uma, ir na loja dele, simples, direto e reto.
MARSOLA é amolador de alicates, mas de tudo o que envolve corte. Na verdade, é ferroviário aposentado, Chefe de Trem da Fepasa, 29 anos atrás e desde então, abriu as portas para este outro ofício, o de amolador de facas, tesouras, alicates e afins. Seu local é conhecido de muitos do centro da cidade, ali na rua Rio Branco, entre o Calçadão e a Primeiro de Agosto, numa entradinha para pequeno estacionamento. Sua porta fica no meio do caminho e ali atua de forma silenciosa, precisam reta e direta. Seu ofício requer atenção e vista boa, pois num deslize, pode por a perder a peça do cliente. Ele é um senhor de bem com a vida, cheio de histórias de uma vida intensa, pois quem um dia foi ferroviário, viajando fazendo de tudo dentro de um trem, tem muita coisa para contar. E conta quando instigado. Na maioria das vezes, quando seu balcão sem clientes, não consegue permanecer lá dentro, sentado e fica junto da soleira da entrada do estacionamento, olhando o movimento e puxando prosa. Depois de tanto tempo ali no centro, acompanhou todas as transformações ocorridas e segue em frente, com seu ofício, aperfeiçoado ao longo do tempo, fazendo da lima e do esmeril seus artífices, companheiros de labuta diária. Marsola gosta de fazer tudo na hora e quando percebe vai demorar um bocadinho, diz ao cliente pra ir dar uma volta, curtir o Calçadão e na volta tudo estará prontinho.
PEDRO e seu filho atuam juntos na Center Peças Bauru, no ramo da assistência técnica de eletrodomésticos. Estão localizados ali na rua Agenor Meira, quadra 4, bem debaixo no edifício Carmem, quase esquina. Ele não é autorizado de nenhuma marca famosa, mas atende todas e muito mais rápido que as estabelecidas como tal. Enquanto muitas pegam a peça do cliente, preenchem papel e dizem informar posteriormente o orçamento, se puder, resolve ali na hora. Prefere trocar ali na hora, sem isso de ida e volta. Sua loja é isso, revende e já troca na hora. Está ali no centro há 10 anos e no ramo há mais de 30, atendendo todos elétricos, desde liquidificadores, micro-ondas, ferros de passar roupa, secadores e afins. Na frente peças de variadas marcas e detrás do balcão, pai e filho. Se a peça é de uma marca que não possui, indica até como pode ser feito a compra pela internet e chegando, troca na hora, sem salamaleques. Pedro é destes que já viu de tudo no ramo e sabe que, agindo como o faz, eficiência no atendimento, cativa as pessoas cansadas de levar algo para reparo, tendo que esperar dias para um simples orçamento e depois mais outro tanto de dias, apósaprovação, para execução e entrega. Encurta isso tudo e se puder, cumpre todas essas etapas num só atendimento. Não tem quem não goste.
A intenção deste texto, ressaltando profissionais atendendo na forma antiga, no estilo vapt-vupt, com eficiência garantida é uma amostragem de um estilo, ainda persistindo no centro da cidade de Bauru. Todos com aquele jeito simples, pregando a confiança como mola mestra do que fazem. É um encanto circular por essa Bauru, cheia de ricas histórias de vida e de trabalho. Todos estão enfurnados no coração desta cidade, essa que insiste, resiste e persiste. Olhar para eles com o devido carinho e atenção, eis a forma como posso retribuir. Num mundo de muita correria, desentendimentos e desacordos, nada como essa volta e encanto por quem faz. Histórias como as deles recarregam o dia de qualquer um.
Caco Barcelos em Teerã e Chico Buarque em Havana.
A importância de se fazer o que se faz e com maestria sempre na luta pelo que acreditam nesses anos todos. Imensos", Maria Lucia Rangel.
Vejo as duas imagens, ambos até bem parecidos, quase da mesma idade e de uma geração de gente mais corajosa, arrojada, ousada e fazendo questão de não desistir de fazer, enquanto podem, mesmo que para isso corra riscos, o que tem que ser feito. Caco foi para Teerã, quando muitos se escondem de querer passar por perto e Chico foi para Havana, quando outros tantos abominam o risco de estar lá justamente no dia de um bestial ataque. Eu, sou um velhinho assim, da mesma cepa. Contem comigo, pois uma vida sem riscos e sem coragem para os enfrentamentos todos é uma vida desperdiçada. A diferença é o tratamento que a mídia brasileira, digo TV Globo dá para os dois acontecimentos. Caco merece quase meia hora no dominical Fantástico e Chico, se o fizerem, mera citação, mesmo Teerã e Havana sendo hoje, dois lugares alvos e imantados nos dias atuais.











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