sábado, 14 de fevereiro de 2009

COLUNA DO JORNAL BOM DIA (08) E UMA ALFINETADA (48)

SEMELHANÇAS DE BATTISTI E GAZA - Esse saiu hoje no BOM DIA
Pode parecer esdrúxulo, mas num ponto esses dois casos se encontram. A imensa maioria que é favorável à extradição do italiano faz coro numa série de outros posicionamentos um tanto contraditórios. Posso embarcar num barco, mas não em todos. Igualmente o caso israelense, onde a crítica ao estado de Israel pela insanidade na invasão à Gaza, não inviabiliza a defesa contra os ataques a comunidades judaicas.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Posso até me posicionar contra a extradição de Battisti, mas não faço coro a uma turba insana que se aproveita disso para incitar um descontentamento contra o governo brasileiro. Tenho minhas dúvidas quanto ao intuito dos atos praticados pelo italiano. Porém, continuo defendendo atos guerrilheiros contra governos arbitrários. Seria esse o caso? Porém, não faço parte da grita generalizada. Um erro não pode (e não deve) ser motivo para um levante geral, ainda mais municiado por setores retrógrados, dos quais sempre repudiei.

Uma coisa são os alhos, outra são os bugalhos. Eu, em nenhum momento ataco os judeus ou o judaísmo, ataco sim, atitudes do governo israelense em relação ao conflito em Gaza. Nem toda crítica pode ser considerada anti-semitismo. Minha ira tem direcionamento certo. O fato dos judeus terem sido vítimas de um genocídio não inviabiliza a critica pelo genocídio atual contra os palestinos. Não misturo um com o outro. Reside aí a semelhança dos dois casos.

O CASO DO REFERENDO BOLIVIANO E ALGO DAQUI - Esse saiu hoje n'O ALFINETE
Falam (e escrevem) horrores da Bolívia de Evo Morales. Não vejo motivos para tanto. Analisem comigo o caso do referendo recém terminado por lá sobre a nova Constituição defendida pelo governo, limitando o latifúndio e criando uma autonomia indígena em todo o país (a Bolívia é preeminentemente indígena). O “Sim” obteve 61,5% dos votos ante 38,5 do “Não”. Nada menos que 80,7% escolheram uma restrição na extensão máxima de propriedades rurais. Interesses oligárquicos e latifundiários perderam feio. Mesmo assim a oposição insiste em negar a legitimidade do resultado. Mas como, se tudo foi feito respeitando todos os preceitos democráticos e com maioria eleitoral? Contestar o que? A mídia conservadora e grupos oligárquicos esperneiam sem ter meios de reagir, pois tudo representou a vontade popular, com 90% de comparecimento. A legitimidade está mais do que manifestada, contando também com o aval de 350 observadores internacionais da OEA. Tudo legal e a vontade popular foi sacramentada.

Se bem entendi o negócio se processa assim. Para os grupos poderosos quando vitoriosos os seus interesse tudo vale, mas quando seus interesses perdem (e feio), nada vale e se faz necessário encontrar uma justificativa para melar tudo. O poder do “deus dinheiro” não respeita nada, a não ser os seus interesses. Isso é um costume secular e precisa ter fim. Saber perder deve fazer parte de qualquer democracia. Ainda bem que no Brasil os invisíveis, cidadãos socialmente desprezíveis, os ditos pobretões, de casta inferior, mesmo em imensa maioria não costumam criar problemas. Com a exceção dos sem-terra, os pobres brasileiros não são nada organizados e reconhecem o seu lugar. Permanecem quietinhos, submissos e subservientes, como os endinheirados gostam que fiquem.

Imagine um referendo por aqui e a grande massa votando pela limitação do latifúndio? Fariam de tudo para desmerecer a coisa e dariam um jeito de não legitimar o resultado. É o que os ricos bolivianos tentam fazer, mesmo estando em minoria. Nós, aqui na América Latina fomos governados, na grande maioria das vezes por grupos que representam os interesses de uma minoria. O povo pouco se fez representar ou teve voz para reagir e impor os seus interesses. Democracia na acepção da palavra é a maioria quem decide. Portanto, a maioria precisa se organizar e impor como deve ser os procedimentos, a conduta e o modo de agir. Deixar de ser conduzido. A Bolívia descobriu isso e está mobilizada para fazer valer o resultado das urnas. Para nós fica a lição: por que não fazemos o mesmo? Afinal, sem luta não se consegue nada. E esse nosso país lutou tão pouco, tão pouco sangue foi derramado em sua história, pouco nos revoltamos. Que as lições vindas de fora se derramem sobre nós. Na Venezuela a história se repete, dessa vez com um plebiscito.

Jogo tudo isso, não só para o Governo Lula, que poderia ter o respaldo popular para várias mudanças nesse injusto país, como nas questões locais. Não estamos acostumados a consultar o povo nas decisões tomadas. Isso não deve se limitar às consultas aos vereadores, pois muitos deles talvez não representem os anseios populares. Consultar e atender necessidades populares é outra coisa. Para muitos um perigo, pois, com certeza irá confrontar com interesses oligárquicos. Mas se é a grande massa quem na verdade elegem nossos representantes, eles fariam um bem danado permanecendo ao seu lado. Evo fez isso, leva pau de um lado e é adorado por outro. Não traiu seus eleitores, pois fez justamente o que havia prometido, nada mais. Para isso é preciso coragem e o desligamento por completo de interesses outros. Difícil, não?

HPA, 48 anos persistindo no jargão de que o princípio da liberdade não pode virar verba. EM TEMPO: As charges são do gaúcho Santiago e do carioca Latuff. Tudo além foi devidamente giletado da internet.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

MEMÓRIA ORAL (49)

CALDAS - O PONTO DE ENCONTRO DE UMA CIDADE
Caldas fica 30 km distante de Poços de Caldas, a famosa estância hidromineral, localizada no sul de Minas Gerais. Sua população deve girar em torno de uns 10 mil habitantes. A principal fonte de renda continua sendo a agricultura, mas de uns tempos para cá, os laticínios e as fábricas de doces caseiros estão ocupando espaço e fornecendo muitos empregos. O lazer não é tão variado assim. A grande distração para a população local continua sendo dar voltas em torno de uma imensa praça, por mais de seis quarteirões, indo de uma igreja a outra. No entorno da praça muitos bares, onde o movimento acaba se concentrando. Aqueles que oferecem música ao vivo, acabam por atrair um público maior. O turismo rural e a estância no distrito de Pocinhos do Rio Verde são coisas para turistas.

Num dos cantos dessa praça está localizado um antigo prédio, onde outrora funcionou um famoso Mercado Municipal. O local permaneceu aberto precariamente por muitos anos e o movimento foi caindo. Definhou de vez, até que a última administração municipal tomou a decisão de transformação do local. E tudo ficou com uma nova cara após passar por uma ampla reforma, ou melhor, um verdadeiro trabalho de restauro. Os comerciantes continuam por ali, agora respirando ares mais modernosos e de asseio. Tanta transformação acabou caindo no gosto popular.

O local virou point certo para a pequena cidade. De quinta em diante o local começa a ferver e fica difícil conseguir lugar para sentar e bebericar algo. A receita é uma só: chegar cedo. Os da cidade já sabem e demarcam seus lugares, os de fora ou se achegam a esses, ficam em pé nos balcões (algo também muito disputado) ou permanecem do lado de fora, tal o movimento. Muitos acabam por desistir, pois o local ferve. O espaço não é muito grande e permanece aberto somente o reservado para os três bares. Com pouco mais de três metros entre os balcões e a parede, por uns dez de comprimento, ali fica espremida uma verdadeira multidão.

O som ao vivo atrai. Não é novidade só dali, mas ali, naquele diminuto espaço interno, tudo fica mais apertado quando os músicos entoam os primeiros acordes, por volta das 21h. Se o local já estava cheio antes, fica uma loucura em questão de minutos. Só mesmo os proprietários dos três bares para conseguir distinguir um cliente de um estabelecimento dos demais. Pudera, por ali todos se conhecem e muito bem. Os forasteiros são logo identificados.

Estive ali com um sobrinho e sua esposa na noite de 30/01, uma chuvosa sexta-feira. Isso tudo fez com que o local ficasse mais cheio. Um jovem músico chamou nossa atenção e antes mesmo de tudo começar, por volta das 19h, após a passagem do som, senta-se conosco e quer saber: “Não são daqui, não?”. Trata-se de Tallis Teixeira Carvalho, de apenas 16 anos e tocando como nunca. “Aprendi na noite. Nunca fiz escola nenhuma de música. Venho sempre aqui, tocamos quase de graça, pois mesmo com a casa cheia, não somos lá muito reconhecidos. Mas sou novo e ainda chego lá. Meu sonho é tocar por aí, ficar famoso”, relata o jovem cantor mineiro. Com uma chamativa camisa do Flamengo, fala de suas dificuldades e da esperança de fazer sucesso. Faz questão que fiquemos para a apresentação da noite.

Escapamos para um banho rápido e voltamos rápido, ainda conseguindo um lugar. Não demora nada e somos abordados por Antonio Carlos, 38 anos, funcionário do Laticínio Pedra Branca, morador há apenas quadra e meia do local. Veio de uma cidade vizinha, gostou, conheceu a esposa e resolveu ficar. Pelo visto bate cartão por ali toda sexta e nos vendo isolados vai logo perguntando: “São de fora?”. Acaba ficando para um papo que se estende pelo resto da noite. Gosta de umas cervejinhas a mais e repete a todo instante: “Eu não sou ladrão e nem drogado. Bebo aqui toda sexta e minha vida é toda dedicada aos meus tesouros. Vivo para eles e gosto demais desse lugar”. Os tesouros são as duas filhas gêmeas, motivo de sua vida.

Num certo momento atravessa o bar e traz até nossa mesa o prefeito Camacho. Aproveitamos para reclamar da Polícia Militar mineira, verdadeira espanta turista no trecho entre a cidade e Pocinhos, num trecho de 4km. Ele, ciente e concordando nos diz: “Ali não é um trecho municipal e sim, federal. Precisamos resolver isso mesmo”(Aquilo é um acinte, pois todos param de circular por lá quando existe comando policial). Não deu nem para falar mais nada e já o levaram para outro canto. Daí surge um senhor de uns 70 anos, figura muito conhecida e querida no local, o seu Vinicius, que consegue naquele aperto, circular de mesa em mesa. Acaba por nos levar até onde o Tallis está cantando e acabamos tirando fotos de um comerciante da cidade, muito feliz, fazendo questão de nos apresentar o pai, que naquele momento estava formando uma dupla com o garotão do violão/guitarra.

Ficamos até quando agüentamos. Fomos praticamente obrigados a confirmar um retorno para uns 15 dias. Trocamos endereços, fones e e-mails com alguns e mesmo sendo a primeira vez que estávamos nos vendo, certa intimidade estava mais do que estabelecida. Conheci o local vazio e o vi lotar rapidamente. Vi a forma amistosa com que todos se tratavam. Vi a alegria estampada na face da grande maioria dos presentes. Vi e posso confirmar que, para se conseguir momentos de pura alegria e contentamento não se faz necessário muitos recursos, nem grande aparato. Aquilo ali, na forma como acontece, faz um bem danado para desestressar qualquer um que provenha de alguma cidade grande. E por fim, essa história não tem fim, pois acontece do mesmo jeito todo final de semana. E precisaria ser diferente? Uma pena não ter podido voltar. Mas o farei em breve...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

BAURU POR AÍ (11)

BAURU, FERROVIAS NA "REVISTA CNT"
A Confederação Nacional dos Transportes mantém uma edição mensal em forma de revista versando sobre os meios de transportes brasileiros, trata-se da "Revista CNT - Transporte Atual". No mês de fevereiro merece destaque algo sobre a cidade de Bauru, principalmente por causa da importância do famoso entroncamento ferroviário. Numa ampla reportagem de seis páginas, com o título "Apogeu e Decadência", e o subtítulo "Estação Noroeste de Bauru foi fundamental no desenvolvimento econômico brasileiro", o jornalista mineiro Edson Cruz traça um amplo perfil do que foi e o que é esse importante meio de transporte. Na matéria muita gente de Bauru fala a respeito do tema.

A versão impressa (40.000 exemplares) não é encontrada com facilidade por aqui, mas a virtual pode ser acessada através do site http://www.cnt.org.br/ e no canto esquerdo clicando na palavra "revista". É permitido baixar todos os textos da revista. Nela Bauru e bauruenses merecem destaque. Edson conseguiu reconstituir de forma clara e objetiva a história desse segmento de transporte. Ouviu desde ferroviários aposentados (Décio Voltolin e Antonio Boteon), como os historiadores João Francisco Tidei de Lima e Lídia Maria Vianna Possas, o representante do Sindicatos dos Ferroviários, José Carlos da Silva e o arquiteto Nilson Ghirardello, eu, sobre o período em que atuei como Diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural e o Chefe do Museu Ferroviário, Válter Tomás Ferreira Jr. As fotos foram quase todas cedidas pelo museu e ilustram muito bem o texto.

O relato serve muito bem para o leigo entender um pouco o que foi esse "apogeu e decadência". Disso tudo, a conclusão é uma: o que ocorreu por aqui, ocorreu por todos os lugares cortados por uma linha férrea. A história se repete, a tragédia foi a mesma, com menor ou maior intensidade. A minha modesta participação foi quando procurado pelo jornalista, ter indicado os nomes do João, do Nilson e da Lídia, ambos amigos fraternos e profundos conhecedores dessa questão. Com a fala deles o texto foi enriquecido e o jornalista conseguiu atingir seu objetivo. Detalhes do texto só abrindo o site.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UMA FRASE (30)

ELKE MARAVILHA E CHARLES DARWIN
Chegar tarde em casa, após um dia de estafantes viagens por esse interiorzão, um show com sambas e marchinhas homenageando Carmem Miranda, algumas cervejas na cabeça, não vai dar para grandes aprofundamentos. O corpo pede cama. Tenho que ser rápido. Reproduzo aqui algo que li e fiz questão de anotar, uma frase solta, de um texto que li no mês passado sobre a trajetória de Elke Maravilha. A frase é dela e como anotei, reproduzo aqui:
"Tem gente que é tão pobre, tão pobre, tão pobre que só tem dinheiro".
E para completar, nada melhor do que citar algo de Darwin, diante do seu bicentenário. A citação vai em espanhol, a língua do nosso continente, como a encontrei:
“Antes pensaba que hay magnificencia en esta concepción de que la vida, con sus variadas posibilidades, fue alentada originariamente por Dios, pero más tarde dejé de creer en esa posibilidad y ahora pienso que la Naturaleza sola se basta y se sobra.”

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CENA BAURUENSE (21)

ASSOCIAÇÃO S.O.S CERRADO EM ATIVIDADE E PROCURANDO NOVOS INTEGRANTES
A Associação foi fundada no dia 18 de outubro de 2008, tendo sido eleito a diretoria executiva, tendo como presidente eleito Amilton Marques Sobreira e 1º Secretária Marcia Regina Nava Sobreira. Participei da reunião de criação e de alguns contatos feitos pelo casal, que como muitos sabem, são marido e mulher. Ambos partiparam junto comigo no CODEPAC nos últimos anos e Amilton, movido por algo que o transforma numa espécie de "enfrentador" dos posseiros de Bauru, pois adora comprar uma briguinha (a boa briga) contra uns desmatadores e devastadores de nossas poucas reservas nativas. Fiz questão de participar por conhecer a luta de ambos e mais do que isso, a postura do advogado Amilton na defesa desse tipo de causa, meio que perdida nos tempos atuais. Márcia é historiadora e professora da USC. Achei que o SOS CERRADO possui sua cara e identidade. Precisa existir e merece ter mais gente ao seu lado.

"A idéia da fundação de uma associação de defesa exclusiva do cerrado se deve ao fato de que em todo o Estado de São Paulo existe menos de 1% dessa vegetação. Há uma indiferença em relação a esse bioma, e a população ainda não possui a consciência necessária de sua importância. A destruição desse bioma além das alterações climáticas, tem um outro aspecto referente a riqueza aí existente, como por exemplo as plantas medicinais de grande importância e a possibilidade de atividades com desenvolvimento sustentável, como por exemplo a apicultura e outras que não agridem o meio ambiente. A maior reserva que temos na região de Bauru, é a Área de Preservação Ambiental (APA) Vargem Limpa – Campo Novo e rodeada pelo Jardim Botânico e Zoológico Municipal de Bauru, e tal área corre risco de destruição devido a interesses econômicos", ressalta Amilton num texto distribuido quando da tentativa de divulgação junto à mídia local. "A finalidade da associação é a preservação do cerrado, sendo que para o alcance de tais objetivos se pretende a realização de palestras, interações com entidades afins, como também sendo necessário denúncias de danos ao cerrado através da imprensa falada, escrita e televisada, ao Ministério Público e se necessário ajuizamento de ações judiciais. Ainda, pretende-se ações de recuperação em áreas atingidas por degradação, e enfim toda e qualquer atitude necessária a preservação de referido bioma. Ainda, nos envolveremos na luta pelo desenvolvimento sustentável, em atividades econômicas que não destruam o cerrado, mas sim que o conservem e o implemente. A entidade é portanto uma associação de direito privado, sem cunho político ou partidário, com a finalidade de defender a preservação do cerrado, incluindo em sua atuação todos os que a ela se dirigirem, independente de classe social, nacionalidade, sexo, etnia ou crença religiosa. No dia 17 de janeiro já houve a primeira reunião ordinária da entidade e em fevereiro haverá a segunda para a continuidade da discussão dos tópicos abordados", concluiu o presidente.
A entidade está se organizando e será mais uma frente em defesa do meio ambiente, somando com as já existentes, sendo que as pessoas interessadas em participar poderão se comunicar através do E-mail: sos.cerrado@yahoo.com.br ou pelos celulares 97127169 e 81484147. Acho muito procedente estimular esse tipo de atitude. Amilton empreende uma luta sem tréguas com alguns famosos especuladores imobiliários de Bauru e, só por isso, merece todo o meu respeito e consideração. Passem a idéia para frente e estimelemos o casal a conseguir mais adesões a essa boa causa. Faço parte do seu Conselho Fiscal e pretendo estar, juntamente com o Amilton em mais essa frente de luta.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

UMA DICA DE LEITURA (32)

UMA VERDADE SOBRE ORKUT E OUTROS PORTAIS DE RELACIONAMENTO FÁCIL

Texto de autoria de Marco André Vizzortti - Prof. de Informática da USP
Dêem em uma pausa e reflitam sobre a verdade do que está escrito abaixo.

O ORKUT apareceu como uma forma de contatar amigos, saber notícias de quem está distante e mandar recados. Hoje está sendo utilizado com o propósito de, creio ser o seu maior trunfo, obter informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira. Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve?

Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade, de forma tão irresponsável e leviana. Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam sendo seqüestrados? Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros?
Já te abordaram num barzinho, dizendo que te conhecia faz tempo? Já foi a festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu ninguém? Pois é. TÁ tudo lá. No ORKUT .
Com cinco minutos de navegação eu sei que você tem dois filhos, tem um namorado, estuda no colégio tal, freqüenta cinemas. E o melhor de tudo, com uma foto na mão, identifico seu rosto
em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da rua. Afinal, já sei onde você está.
É só ler os seus recadinhos.

Faço um pedido: Quem quiser se expor assim, faça-o de forma consciente e depois não lamente, nem se desespere, caso seja vítima de uma armação. Mas poupe seus filhos, poupe sua vida Íntima. O bandido te ligou pra te extorquir dinheiro também porque você deixou. A foto dos meninos estava lá. Teu local de trabalho tava lá. A foto do hotel 5 estrelas na praia tava lá. A foto da moto que está na garagem estava lá. Realmente somos um povo muito inocente e deslumbrado. Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos. Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais. Se você me entendeu, ótimo!

Reveja sua participação no ORKUT, ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você os coloca.

Se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável. Informo que pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas gratuitos, sem perceber que tinham sido vítimas da própria imprudência. A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários.
Não só de Orkut vive a maioria dos internautas. Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma informação que pode nos prejudicar. Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede.. O papo pode ser muito bom, legal. Mas disponibilizar informações a nosso respeito pode se tornar perigoso ou desagradável. Portanto, cuidado ao colocar certas informações na Internet.

PS:- Passe a todos que você conhece e que utiliza o Orkut, 1Grau, Gazzag , NetQI, Blogs, Flogs, Skype etc... para que todos Tenhamos consciência sobre o assunto e possamos colaborar com a diminuição do crime. Eu acrescento ainda os outros meios de comunicação fácil via internet nos quais os usuarios disponibilizam seus dados pessoais na hora do cadastro o que vai facilitar e muito para os hakcers, MSM é um deles. Aliado a todas essas situações perigosas tem ainda a facilidade de acesso aos e-mails dos participantes dessas comunidades que nada mais é uma porta aberta para inserção de virus e programas de controle da sua máquina e de todos os demais que puderem ser identificados. Temos que estar e permanecer alertas para esses o outros riscos que a internet nos expõe por consequência de pessoas irreesponssáveis, desumanas, inescrupulosas, etc de coisa ruins.

Um abraço do Marco André Vizzortti
OBS do HPA: Não gosto de reproduzir textos longos por aqui e nem sou muito chegado a coisas tiradas da internet, sem que cheque sua verdadeira origem. Também sou avesso a um medo generalizado de fazer as coisas, pois assim sendo, não faria mais nada nessa vida, nem sairia mais de casa. Faço de minha vida uma experimentação diária e os que me conhecem sabem que passo longe da carolice. Vivencio de tudo um pouco, mas até hoje não abri MSM, nem ORKUT. Acho ainda desnecessários. Prefiro ficar na minha, com meus modestos contatos e conhecendo as pessoas num encontro formal, sem artimanhas preparadas artificialmente. Passei da fase de conquistar alguém num bate papo via internet. Se o fizesse seria, com toda certeza, para outros motivos, os profissionais, talvez. Esse texto me tocou. Aceito críticas e proponho um debate sobre o tema.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

RETRATOS DE BAURU (50)
PAVANELLO, DA SANGUE RUBRO
José Roberto Pavanello Silva é seu nome, mas todos o chamam somente por Pavanello. É o presidente da maior, mais atuante e mais antiga torcida organizada no nosso glorioso time de futebol, o Esporte Clube Noroeste. É um abnegado e daqueles que o cargo caem como uma luva, pois comandar uma legião de apaixonados por futebol, com gente de todas as classes sociais, de todos os segmentos, com pensamentos e ações das mais variadas é coisa para louco varrido. Não que Pavanello seja louco, pelo contrário, é ponderado demais e resolve tudo com uma fleuma, com uma tranquilidade absoluta, que até causa inveja. Sei que além dessa intensa atividade, que lhe toma quase todo o tempo disponível é representante comercial, ou melhor, um vendedor. Disso eu sei pouco, sei que é noroestino roxo e esse amor é também extensivo aos irmãos, que o seguem pelas viagens atrás do time do coração. Pavanello faz parte daqueles torcedores, que além do amor ao seu time, não são ignorantes e brigam por qualquer coisa, fazendo questão de resolver tudo na base do diálogo. Nos campos, figura das mais conhecidas, vive sempre com uma pasta debaixo do braço, com os documentos para liberação de faixas, instrumentos musicais e os contatos necessários. Esse é noroestino mesmo.


OBS.: Acabo de voltar hoje, onde viajei com a Sangue Rubro, para Itápolis, onde o Norusca perdeu vergonhasamente para o Oeste por 4x1. Desolados com a situação atual do time, tanto ele como eu, não desistimos, pois sabemos que essa turma de jogadores que aí está passa e o Noroeste fica. Aliás, ano que vem o clube completa seu Centenário e seria degradante cairmos para a segunda paulista justo agora.