sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MÚSICA (69)

UMA INCLEMENTE CHUVA E UMA PRESTAÇÃO DE CONTAS NUM DOS SEUS INTERVALOS
A chuva não dá tregua, cai de forma inclemente e judia de muitos quando em excesso. Enquanto ela cai do lado de fora do mafuá, tento lembrar de uma música sobre esse tema. A primeira que vem à mente é a do Lobão, "ME CHAMA". Todos a conhecem, sintam a letra: "Chove lá fora/ E aqui tá tanto frio/ Me dá vontade de saber.../ Aonde está você?/ Me telefona/ Me Chama! Me Chama!/ Me Chama!.../ Nem sempre se vê/ Lágrima no escuro/ Lágrima no escuro/ Lágrima!.../ Tá tudo cinza sem você/ Tá tão vazio/ E a noite fica/ Sem porque.../ Aonde está você?/ Me telefona/ Me Chama! Me Chama!/ Me Chama.../ Nem sempre se vê!/ Mágica no absurdo/ Mágica no absurdo/ Mágica!...". Vejam no: http://www.youtube.com/watch?v=1Dg1_8OWAkI&feature=related

Enquanto ela continua a cair lá fora, num intervalo vou ontem na Câmara Municipal de Bauru presenciar a Plenária do Mandato (Prestação de Contas dos dois primeiros anos) do vereador Roque Ferreira PT, o único por aqui a fazer algo nesse sentido. Cheguei tarde, chuva e outros problemas, mas a tempo de ver a fala de alguns sobre o trabalho do parlamentar, a postura para os próximos dois anos e seu discurso final. Dei meu pitaco, com uma declaração que escrevi ali mesmo e li na Tribuna:

"Roque expõe seu mandato. Nisso ele é único. Esse é seu estilo desde que o conheço e isso já faz tempo. Sua atuação é das mais abrangentes, em todas as frentes. Mas Roque tem um lado, o lado do trabalhador, dos desvalidos e junto aos movimentos sociais. E aqui, nessa Câmara de Vereadores é um diferencial positivo, talvez o único, o de maior sensibilidade e ciente do seu papel. Uma pessoa esclarecida e transparente. Nesses dois primeiros anos não se furtou em atuar comprando brigas e enfrentando os tais barões da mídia, da indústria, do comércio, todos aliados ao capital que oprime as massas. Vê-lo nessas lutas é a certeza de que meu voto foi o mais acertado. Elogiar seu mandato é fácil. Faço aqui o mais difícil. Socialista e comunista, o único aqui nessa Câmara, trava uma luta desigual. Existem duas formas de se fazer a revolução como a imaginamos. Uma é pela revolta popular organizada e disso estamos longe. Outra é a escolhida por Lula, Dilma e por Roque, dentro de uma agremiação política aceita pelo atual sistema. A revolução não será feita dessa forma, mas pelas brechas pode-se conscientizar as massas. Roque quando optou por essa forma estava ciente de que teria atuação limitada, dentro do prescrito pelas normas partidárias. Percebo Roque querendo ser mais vibrante, com atuação mais livre, independente, mas isolado faz o que lhe é permitido. Não aceito a crítica solta de que Roque está contido. Eis aqui o motivo. Ele sabe até onde ir, como ir, com quem ir, quando ir e principalmente quando não deve ir. Ousar não é estravazar, tornar o mandato irresponsável. Mandato popular dentro do que nos é permitido é isso aí, sendo improvavél algo além disso. Ele cumpre o seu papel e o faz muito bem. Aqui o vejo como o Último dos Moicanos. Muito obrigado".

Batemos um papo, estava junto da Ana Bia, circulamos pela sala de café, dessa vez não joguei sal grosso nas escadas e na saída nova chuva. Sai cantarolando outro hit chuvoso. Dessa vez, foi o "CHOVE CHUVA", do Jorge Ben Jor. Sintam a letra: "Chove Chuva/ Chove sem parar...(2x)/ Pois eu vou fazer uma prece/ Prá Deus, nosso Senhor/ Prá chuva parar/ De molhar o meu divino amor.../ Que é muito lindo/ É mais que o infinito/ É puro e belo/ Inocente como a flôr.../ Por favor, chuva ruim/ Não molhe mais/ O meu amor assim...(2x)/ Chove Chuva/ Chove sem parar...(2x)/ Sacundim, sacundém/ Imboró, congá/ Dombim, dombém/ Agouê, obá/ Sacundim, sacundém/ Imboró, congá/ Dombim, dombém/ Agouê/ Agouê, oh! oh! oh! obá/ Agouê, oh! oh! oh! obá/ Agouê, oh! oh! oh! obá...". Vejam no: http://www.youtube.com/watch?v=B63yfE6QyNY&feature=related

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CHARGES ESCOLHIDAS À DEDO (35)

GENTE QUE LÊ E OUVE MÚSICA E LÁ EMBAIXO GENTE QUE NEGOCIA E EXECUTA*
*(A charge dita lá no alto, na verdade é uma tira do LAERTE, um rei do traço nacional, interpretando como ninguém esse negócio dos que, como eu, gostamos de coisas exóticas e as duas lá de baixo do argentino REP, um mestre muralista e livresco como poucos).
Ainda algo passado no final do ano passado envolvendo esse gosto por livros e boa música. Sai à caça de um livro de presente, o “Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, um clássico sobre a América Latina. Li que a LP&M reeditou em livro de bolso por meros R$ 22. Fui à caça nas livrarias e sebos da cidade. Nada e numa grandona, um meninão, desses com cara de tudo entender, começa a procurar o livro na estante de Clássicos Nacionais. Fico a vasculhar outras coisas e o vejo indicar para uma senhora que queria o último livro do Chico Buarque, o “Estorvo”. Sou obrigado a dizer-lhe antes de partir que o último ganhou o Prêmio Jabuti e seu nome é “Leite Derramado”. Tem um ar de tudo saber, mas nada sabe de Chico, nem de Galeano. Caço também para presentear a um amigo o CD de Anna de Hollanda, a recém empossada ministra da Cultura. Nada na cidade, não a conheciam e numa loja um balconista, após ser informado que ela é a nova ministra me diz que acha que havia lido alguma coisa na “Veja” (fonte nada confiável). Preferi comprar o CD e o livro por um site na internet. Ando descrente das coisas, pois se perguntasse por Justin Bieber ou Danielle Steel receberia informações detalhadas de tudo, inclusive da vida pessoal de ambos.
Mas nem tudo está irremediavelmente perdido. Meu filho, 16 anos passa aqui pelo Mafuá e arrebata (leva emprestado, sem previsão de garantido retorno) três livros de uma só batelada. Diz estar montando uma estante de livros e para contribuir dou o que tenho. O faço com gosto, não sem antes lermos juntos algo sobre os livros. Num deles, o “Anarquistas” (diz que será o primeiro a ser lido), interpretamos juntos uma frase de Elile Henry, “A defesa de um terrorista”, de 1894: “Disseram-me que a vida era fácil, que estava aberta a todas as pessoas inteligentes e cheias de entusiasmo; a experiência me ensinou que só os cínicos e os servis conseguiram bons lugares nos banquetes. Disseram-me que as instituições sociais baseavam-se na justiça e na igualdade: eu observava à minha volta e só via mentiras e falsidades”. Esquecemos da vida (e eu do trabalho) e ficamos a confabular por algumas horas. Viajei ontem e ele levou mais alguns, depois vou me certificar quais foram. Tudo por sua biblioteca. Por fim, leio nos jornais que o PT de Bauru esteve reunido (só acredito vendo) e irá exigir na Justiça (acho uma injustiça, mas...) o cargo de vereador, que com a saída de Batata para a pasta de Esportes, foi ocupada pelo Carlão do Gás, PR (reclamam quase um ano depois, estranho, não?). Nada a ver com gente que lê, mas tudo com gente que trama e executa. Quem irá assumir a vaga, se conquistada, será o Cláudio, da Construção Civil. Sai o do Gás entra do Tijolo. Brincadeiras à parte, por mim a cidade perde, mas isso são os evidentes sinais de uma campanha eleitoral tendo seus primeiros lances. Os próximos, seguindo esse, serão todos abaixo da linha da cintura. De minha parte, somente algo: O PT É MUITO MAIS, MAS MUITO MAIS QUE ISSO TUDO. Bauru padece nas mãos de gente a comandar a legenda com tacão medieval. Dias melhores para a sigla, só com guerrilha, luta armada e revolução. Prego isso e para tanto, já mandei afiar meu “Machete” (assistiram o filme? Eu vi e gostei). Porém, tomei uma decisão, esqueçam tudo o que escrevi. Estou numa briga com a balança, me pesei ontem em Atibaia e observei um estrago barrigal só comparado ao do Zeca Pagodinho (veja sua foto comparando a dele com a da grávida Antonelli - ele ganhou). Nesse momento essa briga me diz mais respeito. Tenho que abdicar de guloseimas mil e aderir à exercícios contínuos e diários. E isso dói. Preciso parar de reclamar o "leite derramado".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ALGO DA INTERNET (40)

EMBAIXADOR AMIGO, BIBLIOTECA REABRE, CINE E LOJA FECHADAS, JORNAL NACIONAL E ESQUENTA!
São tantas coisas, mas algumas me fizeram parar e dar uma espiada mais detalhada. Cito-as:
1. Chávez, o presidente venezuelano se vê a todo instante acoçado pelos algozes do Norte, os EUA, que rastreiam suas ações em algo injustificado. Invadem sua privacidade em pleno território venezuelano e instigam a rebeldia, o terrorismo rasteiro e a contra-revolução. Algo que os EUA não tolerariam em hipótese nenhuma em seu território (por muito menos 5 cubanos estão presos em território ianque). Bonachão e tentando ainda tirar uma de um embaixador que foi pego com a mão na botija, Chávez saiu-se com essa: “Tomara nomeassem o Oliver Stone, o ator Sean Peann ou o Noam Chomsky. Temos muitos amigos lá”. Citaria outro, Michael Moore.
2. Um dos paraísos localizados dentro da Grande Sampa, pelo menos para mim é a Biblioteca Mario de Andrade, localizada no coração da cidade. Circular por aquela região é algo que todo interiorano faz e rever aquelas portas fechadas estava tornando-se tortura. Circulei muito ali e a degradação era mais do que evidente nos últimos tempos. Sua reabertura já ocorreu, mas a festa está marcada para o dia do aniversário da cidade, dia 25 e deve contar, tão logo passe por lá, com minha presença. Viajo sem sair do lugar nesses lugares. Confiram mais no http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/
3. O portal da revista Imprensa na internet deu manchete com algo de grande repercussão, “Jornal Nacional registra pior audiência dos últimos dez anos”. A TV Globo tem programas de qualidade mais do que comprovada, com minisséries estupendas, como “As Cariocas” e essa agora baseada nas músicas do Chico, mas tem um jornalismo dos mais tendenciosos e a cara disso é o casal de apresentadores, o Bonner e sua esposa. Não dá para esconder terem um lado e a imparcialidade vai para as cucuias. Telespectador percebe e o resultado está aí, índice nunca vistos e oara baixo. Para mim não é surpresa nenhuma. Assisto só para constatar qual o sarcasmo do dia. Não me esquecerei jamais do que fizeram com Brizola, a maldição Lula durante esses oito anos e a fase Dilma guerrilheira. Não esperem terem virado santos. Quando menos se espera mostram novamente a carinha que todos conhecemos muito bem.
4. Dois fechamentos de entristecer qualquer um. Um no Rio, em Copacabana, quando a Modern Sound, a maior loja de CDs e música do Brasil cerra definitivamente suas portas. Presenciei shows ali de babar na fronha. Num dos últimos, Cláudia Telles cantava e chega de cadeira de rodas o grande Tito Madi. Foi uma emoção a envolver a todos. Um bar junto de infinitos CDs, todos os que você nunca mais esperava encontrar à venda. Não agüentou os novos tempos, assim como o Cine Belas Artes, na Consolação em Sampa. Antes desses cinemas atuais, esse marcou época e cheguei a sair de uma sala e entrar em outra, tudo com filme de arte, cults e aqueles que não passavam em outro lugar, só ali. O dono do imóvel forçou o fechamento, pois pensa em algo mais lucrativo para o espaço. Os que abrem em shoppings só passam "M...". Dois de uma só tacada. Vejam isso: http://www.youtube.com/watch?v=WvKazu_lp0w e mais no: http://www.youtube.com/watch?v=wdUmz3Ch4EY
5. Já assisti dois e anunciam que irá somente até março, mas todo domingo no horário do almoço a TV Globo lançou um programa que gostei muito, o “Esquenta!”, com a Regina Casé. É uma louca babilônia, com o primeiro trazendo Zeca Pagodinho e Gilberto Gil, ambos com as respectivas famílias e tendo Lula, o presidente que saia de cena naquele dia, como entrevistado de fundo. Ele e gente do povo, o gari do Rio que samba na rua. Virei fã e no segundo, domingo passado a mesma loucura. Esse é o tipo de programa que não adianta outros tentarem copiar, pois igual a Casé não existe. Aquilo lá é a cara dela e junto de outro grande, Arlindo Cruz, me fazem almoçar na sala, com o prato de macarrão diante da telinha, sujando de molho de tomate o sofá da mama. Acho que não perderei nenhum. Cliquem nesse e vejam outros no: http://www.youtube.com/watch?v=JI6yYa00kHQ
OBS.: E mais, hoje voltam os shows no SESC, amanhã tem Plenária do vereador Roque na Câmara (qual outro vereador de Bauru tem coragem de fazer a sua?) e sexta show também no SESC com EDVALDO SANTANA (lembram dele?). Nos encontramos por aí...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (32)

O SELO DO LULA E OS MÉDICOS CUBANOS NO HAITI
Escrevo isso do “preconceito ao sapo barbudo” porque até as pedras do reino mineral sabem o quanto Lula sofreu nesses oito anos de governo, espezinhado por uma cruel e difamatória elite, que se vendo contrariada em alguns de seus interesses, dá-lhe pau no sapo barbudo (expressão criada magistralmente por Leonel de Moura Brizola). Lula se foi, mas continuam as espezinhações. Ontem, após vê-lo num selo dos Correios, até editoriais foram feitos pelo excesso de sua estampa circular nacionalmente. Bazófia da pior laia. O “cara” (para usar denominação do Obama) transformou esse país e merece a homenagem. Outra coisa foi sobre o uso de uma base militar para suas primeiras férias depois do governo. Os mesmos editoriais de sempre. Um presidente em fim de mandato, após 8 anos no governo não mereceria tal honraria? Claro que sim, excesso de zelo, ou de “preconceito ao sapo barbudo”, diria. E para não falar que não o critico, o faço sempre que pisa na bola. Achei péssima a questão dos passaportes diplomáticos para seus filhos. Algo totalmente desnecessário e Lula poderia passar muito bem sem essa. Ele, mesmo com essa pisada, tem saldo credor imenso e continua a merecer minha mais expressiva admiração.

Mas o motivo mesmo dessa escrevinhação de hoje é para tocar em outro tema desse negócio do preconceito e de nunca aceitar nada de positivo no que o provável adversário e inimigo produzem. Quem não enxerga um palmo diante do nariz não deve ser lá um bom julgador, mas como o mundo está lotado até as tampas deles, lá vai o caso que me fez vir a público e esmiuçá-lo para conhecimento geral. De vez em quando gosto de provocar um desses e um dos temas preferidos é CUBA. Eu, como todos sabem, admiro por demais da conta o resistente país caribenho, mas muitos, influenciados por leituras não lá muito dignas de confiança pensam o contrário. Leio algo interessante e repasso para um desses, que espuma só de pensar que lá acontecem fatos dignos de nota. Para esse, o negócio mesmo é o do capital, nada de social, socialismo e comunismo (toc toc toc). Além das risadas, envio algumas coisinhas e espero a retaliação, que ocorre quase que imediatamente. Daí desponta um troca de e-mails, cada um na defesa do que acha mais acertado.

Recebo de um amigo carioca algo com o título: “HAITI – CUBANOS FAZEM O QUE O MUNDO PROMETEU E NÃO CUMPRIU” (leiam a seguir no http://www.jornalorebate.com.br/site/internacional/6423-haiti-cubanos-fazem-o-que-o-mundo-prometeu-e-nao-cumpriu- ). Algo simples, o mundo inteiro prometeu ajuda para o Haiti, mas quem está realmente fazendo o serviço pesado são os cubanos. Envio para esse conhecido com um recado: “Leia com atenção, pois vai entender como é a ação dos cubanos e do regime de governo lá deles. Depois me conte o que achou”. A resposta veio curta e grossa (“POIS É... MAS DEPOIS DE LER ESTE ARTIGO TALVEZ PENSE NO QUE SE REFERE A MÉDICO...”) e com um texto, o “Médicos reprovados” (leiam a seguir no: http://www.educacionista.org.br/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=7511&Itemid=43 ). Li, achei meio falso, mas assim mesmo, acredito necessitar de mais informações para avaliar melhor isso. Respondi a ele dessa forma e aguardo sua resposta, que ainda não veio, mas com certeza virá: “Continuo preferindo sempre o atendimento humanitário. É disso que falo, de tudo aquilo que está embutido no sentido de fazer/cursar Medicina e que quase não é colocado em prática no mundo atual dominado pelo capital. Isso que me comove, esse se doar, ir aonde está o problema e resolver a pendenga. Nisso os cubanos são inigualáveis, tendo o melhor ou pior curso. Continuo preferindo o modo de agir deles, onde o homem, a pessoa em si está acima de tudo e o dinheiro pouco vale. Tenho dito. Henrique”. Depois conto mais...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

RETRATOS DE BAURU (94)

ELISA CARULO, MILITANTE EM TEMPO INTREGRAL
Elisa Carulo dos Santos, 64 anos, milita pelas causas sociais desde a juventude. Nasceu em Garça, veio para Bauru ainda pequena, acabou na capital, onde viveu até os vinte anos. Estudou no Seminário de Agudos, onde “recebeu os hábitos, mas não fez os votos”. Trabalhou na padaria da Lalai e no BTC. Voltou para São Paulo, Jardim Angela e ali pegando ônibus às 4h da manhã para o trabalho conheceu uma pessoa, que no atropelo de subir e pegar lugar no coletivo, acabou por pegá-la na perna. De uma irritação inicial nasce uma amizade e daí uma militância em comum. Começou na igreja, na Ação Católica, comandada na época por Evaristo Arns, daí caiu direto no movimento de resistência a ditadura, atuando no MR 8. Em 72 conhece o marido, metalúrgico, secretário do sindicato e a militância aflora com maior intensidade. Em 85 fica viúva e com 4 filhos volta definitivamente para Bauru em 91, dessa vez para assumir a função de Merendeira, após concurso na Prefeitura. Junto da militância daqui não parou mais, foi uma das primeiras moradoras do Núcleo José Regino e por dois mandatos presidente de sua Associação de Moradores, sendo sua fundadora. Concorreu à vereança, esteve engajada em todas as disputas eleitorais e nos embates sindicais, sempre ao lado dos movimentos sociais. Acabou saindo do PT, ingressou no PC do B e hoje, tenta voltar ao PT. Aposentou-se em 2008 e está por trás da criação de um Movimento Pró-Saúde no bairro onde mora. Acaba de fazer um curso de computação e está aprendendo a dirigir motocicleta. “Essa moçada de hoje é parada. É a segunda geração do pós-ditadura, nós temos que ter paciência com eles. Estão em outra. Filhos e netos do silêncio. Tenho saudade dos movimentos, das lutas todas. Tento esquecer das coisas, mas não tem um dia que não me lembro de tudo”, suas definitivas palavras. Vê-la ao lado da moto em seu quintal é a certeza de que iremos continuar nos deparando com dona Elisa nos enfrentamentos por aí. Não desiste nunca de seu sonho e continua colocando em prática seu modo todo peculiar de enfrentar isso tudo, com a cara e a coragem.

domingo, 9 de janeiro de 2011

CARTAS (59)

DÁ MEU CARGO DE VOLTA, AHI Ó MEU! *
* Essa carta minha sai publicada hoje na Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade, aqui de Bauru. O desabafo é o sentimento de muitos que, assim como eu, não toleram mais comparações de que a esquerda é igualzinha a direita. Os que assim procedem é que abandonaram as hostes esquerdistas e inseriram-se de mala e cuia no predatório sistema do vale-tudo. Resistir é preciso. Continuo, com todas as ressalvas possíveis e imagináveis, acreditando ser o PT o melhor partido dentro de todos os em funcionamento hoje. Depurado, voltaria aos velhos tempos. Se a discussão via imprensa não ajuda muito no processo, o faço por notar não existir vida orgânica em nenhum partido da dita esquerda hoje. E assim sendo, discutiremos aonde? Vamos à carta:

Uma prática das mais abomináveis na política brasileira em qualquer administração pública é a troca de favores. Na eleição da Câmara de Vereadores de Bauru, mais uma vez ficou escancarado que alguns vereadores só votam ao lado dos interesses do município quando recebem favores, empregos como moeda de troca. Sakai e Carlinhos do PS não escondem de ninguém serem useiros e vezeiros da prática, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Uma vergonha que deve ser denunciada, não só de quem pede, mas de quem oferta tais benesses. Ambos são considerados lesivos e predadores, dilapidadores do patrimônio. E todos sabem, cedeu a esse jogo uma vez, fica praticamente impossível dele se desvencilhar. Vira uma bola de neve. Daí para frente a coisa tende a piorar, pois quem recebeu quer sempre mais e quem cedeu se vê obrigado a cada vez abrir mais as pernas. Prostituição política na acepção da palavra.

E os que se dizem de esquerda e diferentes do jogo político mesquinho, como atuam diante disso? Quando entram em campo fazendo uso das mesmas armas e se beneficiando com a mesma intensidade, não se diferem nem um pouco dos que criticaram a vida toda. Abro os jornais de hoje, 07/01 e lá está que vários assessores ligados ao PT, alguns que haviam sido afastados de suas funções no período eleitoral estão voltando a atuar dentro do DAE. E o fazem sob pressão, ou seja, imposição partidária junto a quem de direito. Quem faz a pressão para recontratação? Vamos dar nome aos bois. Pior que tudo é verificar se possuem qualificação para ocuparem a função onde foram designados. Estão sendo admitidos para ajudarem o DAE nesse momento ou fazerem política partidária e com remuneração pública?

No que as pessoas do PT, as que agem iguaizinhos a todos os outros, diferem dos que tanto criticam? Em nada, são iguaizinhos. Os vejo ainda piores, pois fazem uso de um discurso voltado para o social, de ação centrada nas camadas mais necessitadas, mas na prática já estão inseridas no sistema predatório, o pior possível, dilapidando órgãos públicos. Tudo farinha do mesmo saco. Não generalizo isso a nível nacional, mas onde existir precisa ser denunciado, pois continuam proferindo um discurso do qual já abandonaram da prática social faz tempo.

Órgãos como o DAE, COHAB, EMDURB e cargos municipais não de carreira deveriam ser ocupados por gente com qualificação, concursadas ou no mínimo que iriam de fato executar as tarefas a eles determinadas. Repudio isso a ocorrer dentro do DAE nesse momento (um dos mais aflitivos da autarquia, com gente internamente jogando a favor da privatização), como os novos contratados na Câmara, todos com ligação umbilical com a mesma igreja do pastor presidente. Enquanto prevalecer esse pensamento e prática, não avançaremos um milímetro sequer no caminho de administrações realmente saudáveis.

Não basta clamar por dias melhores, precisamos, nesses casos exigir a aplicação da lei. Escancarar seus nomes e expor essa chaga diante dos olhos de todos. Se quero mudar o mundo, transformá-lo, não posso ter as mesmas ações dos que repudio.

sábado, 8 de janeiro de 2011

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (106 e 107)

SENSIBILIDADES DE LULA E DILMA - publicado no diário bauruense BOM DIA, 01/01/2011
Hoje é um dia dos mais especiais para o Brasil. Termina a primeira era de Lula como Presidente de República e tem início a de sua sucessora, Dilma. Sai temporariamente de cena um presidente que transformou o país de nação atrasada, patinando sempre no mesmo lugar, subserviente e paraíso de uma minoria reinando absoluta, em algo bem mais palatável, com uma ainda insipiente divisão de benefícios para todos, mas com um olhar voltado mais para o social e uma expansão do país no cenário mundial, sendo respeitado como nação soberana e não como coadjuvante. Quer queiram ou não algumas aves do mau agouro, o país de hoje difere em tudo dos períodos instáveis vividos no passado. Avançamos maravilhosamente e isso foi alcançado por um legítimo trabalhador no poder, depois de todos os governos dos “letrados”. A última eleição deixou exposto um Brasil raivoso, intolerante, que não consegue nem ao menos reconhecer os avanços ocorridos no período Lula. Imagina eles verem no “inculto” presidente um que criou mais universidades públicas que todos seus antecessores juntos? Não enxergam um palmo diante do nariz e se dizem cristãos, do pau oco, concluo. Torcem contra, mantendo desejos ocultos e inconfessáveis de que representantes da minoria excludente voltem a comandar a nação. A eleição comprova que o retrocesso não tem mais vez. Dilma, sua legítima sucessora, assume um país pujante, com um rumo definido. O país herdado de Lula sabe muito bem qual o caminho a ser seguido e Dilma esteve presente em todos os seus momentos. O prosseguimento desse trabalho é a coisa mais natural a acontecer daqui para frente. Não me falem em sorte, pois Lula não contou só com isso. Mais do que isso, ele possui os olhos voltados para algo muito em falta nos dias de hoje, sensibilidade social. Dilma tem tudo para seguir em frente e obter melhores resultados, afinal, além de ótima administradora é mulher e assim sendo, possui aquela sensibilidade inerente a elas, que todos os homens reconhecem dentro do seu próprio lar. Estamos em muito boas mãos.

“TRÊS PATETAS” NO CULTO DE POSSE - publicado no diário bauruense BOM DIA, edição de hoje, 08/01/2011
Na posse da nova composição da Câmara de Vereadores de Bauru lá estive com dois amigos e munidos de megafones de papel e cartazes fizemos nosso solitário protesto. Troca de favores, mudança de lado e rasteira por interesses contraria o aprendido numa vida inteira. Aquela eleição não pode ser tratada como algo normal, corriqueiro, pois o ocorrido, com o pastor (sim, um dito servo de Deus) e vereador Sakai dando uma banana para acordos feitos, saltando de mala e cuia para as hostes adversárias, tudo pelo e para o poder é a excrescência em forma de ação. Foi inevitável a comparação do ouvido no discurso de posse com os antigos acordos feitos na garantia de um mero “fio do bigode”. Tornaram-se fora de moda, démodé. Chego a pensar em usar as gravações feitas no dia daquela eleição, montar um documentário, sendo passado em todas nossas escolas, demonstrando como não deve ser uma atuação política. Mais, política e religião quando entrelaçadas, uma usufruindo da outra, gera o presenciado, um mero culto, com púlpito e louvação. Não sou moralista, longe disso, pois vejo nesses os piores, mas elevamos nossas vozes lá por ética e num outro gesto simbólico espalhamos um pouco de sal grosso nas escadas da Câmara, para tirar o mal olhado, a carga pesada ali presente. E para rebater a presença maciça de somente uma facção religiosa no ato, afinal, nosso estado continua laico. E “1984” mera obra de ficção. Recebo via e-mail, enviado por um amigo, cópia de bate papo virtual entre o vereador Marcelo Borges, articulador da escabrosa eleição e assessora do novo presidente da Câmara, onde somos taxados de “Os três patetas”. Pensando em nos atingir, fomos sim elogiados. Os três do cinema mudo foram mestres no que faziam e a comparação vira a partir de agora nossa marca registrada. Incorporamos o nome, com louvor. Inevitável também lembrar Cazuza e a letra de “Brasil” (Não me convidaram...). Já mudar o procedimento lá deles exige pertinácia, organização e competência. E como ouvi de um amigo, não basta cutucar só esses, pois até os que defendemos incidem nos mesmos erros (dar e receber benesses). O sistema do capital propicia isso, tudo passa a ser feito dessa forma, a coisa mais normal desse mundo.

ALGUMA COISA A MAIS SOBRE O SAL GROSSO - Saiu hoje, publicado na coluna Entrelinhas, do JC, uma citação sobre o ocorrido nas escadarias da Câmara e algo a envolver o pastor presidente SAKA AHI, Ô MEU:

"FAXINA NA ESCADARIA - Enquanto isso, o presidente da Câmara Municipal, vereador Roberval Sakai, disse, através da assessoria de imprensa, que acompanhou e até participou da faxina feita ontem na escadaria de entrada do prédio da casa de Leis. Bom, faxina periódica é fato normal e obrigação. A divulgação desse expediente é que pode resvalar no campo do populismo.
LIMPANDO SAL GROSSO - A não ser que Sakai esteja querendo tirar o sal grosso despejado pelos manifestantes que protestaram durante sua posse. No dia 1º deste ano, cidadãos que criticaram sua postura na eleição da Casa de Leis resolveram "purificar" a Câmara jogando sal grosso nas escadarias".