domingo, 7 de setembro de 2014

ALFINETADA (125)


CINCO TEXTOS ALFINETISTAS E ALFINETANTES, LAVRA MINHA DE FEVEREIRO DE 2002
Continuo com a saga de publicar todos meus antigos textos enviados para O Alfinete, "pica mas não fere" (semanário de Pirajuí SP), cinco a cada mês. No momento de fotografá-los para rerpodução por aqui, eis uma surpresa. Passados doze anos pouca coisa mudou no cenário político nacional e mundial. As agruras tiveram alguns de seus nomes alterados, mas a perfídia continua intacta. A Roseana de ontem pode hoje ser substituída por Marina, o tango argentino hoje tem o nome de abutres rapinadores, a sanguessuga é a mesma de antanho e as historinhas dos drops, com um romantismo que preciso voltar a praticar, perdendo um pouco a sisudez dos dias de hoje. Confiram abaixo o que Marcelo Pavanato permitia que publicasse nas honrosas páginas da resistência por aquelas plagas:
APONTAMENTO Nº 152 - Jogando merda no ventilador - 26/janeiro/2002
APONTAMENTO Nº 153 - Drops 3 - Fatos realmente acontecidos - 02/fevereiro/2002
APONTAMENTO Nº 154 - Para quem morre de amores por Roseana - 09/fevereiro/2002
APONTAMENTO Nº 155 - A sanguessuga - 16/fevereiro/2002
APONTAMENTO Nº 156 - O tango da morte anunciada - 23/02/2002

sábado, 6 de setembro de 2014

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (107)


A HISTORINHA DE COMO PERDI MINHA MÁQUINA FOTOGRÁFICA E DE SUA DEVOLUÇÃO


ESCREVI ISSO HOJE PELA MANHÃ - E LÁ SE FOI MAIS UMA MAQUININHA DE TIRAR FOTOS -Foi vista pela última vez no evento lá na estação ferroviária, dia 29/08, Aniversário de 25 anos do Museu Ferroviário, com a participação da Orquestra Municipal e da Cia Estável de Dança. A noite foi das mais agradáveis e tirei muitas fotos de tudo, todas e todos. Na saída fui buscar o carro que havia deixado defronte o hotel Imperial, ali na praça Machado de Mello. Estava com a máquina na mão ou em um dos bolsos da calça. Daí não me recordo se o coloquei dentro do carro, se caiu pelo caminho ou mesmo na estação. Não a vi mais. Na manhã seguinte fomos eu e Ana viajar para Caxias do Sul e não a encontrei. Dei aquela procurada assim por cima e viajamos. Fiquei a semana toda acreditando que pudesse estar caida dentro do carro ou mesmo na casa da Ana ou na minha. Voltamos dia 05/09 e vasculhei tudo. Nada dela. Dentro da embalagem da máquina, uma SONY 16.2, tinham vários cartões de visita com todos meu dados, telefones. Alguém sabendo do paradeiro da dita cuja, por favor me avisem, pois sei que por mais que a ensinei, não deu tempo de fazê-la voltar pra casa sem a minha presença. Infelizmente morrerei com mais R$ 600 paus em outra, junto com um cartão de memória com gigas múltiplas. Estou desolado e não podendo tirar fotinho nenhuma nesses dias. Vocês todos estão salvos até conseguir amealhar alguns tostões e adquirir outra. Qual devo comprar agora? Talvez uma que venha com corrente para ser presa junto com um cadeado e com tornozeleira. Essa é a terceira que some como o vento.

ESCREVI ISSO AGORA NO FINAL DA TARDE
- ACHEI MINHA MÁQUINA - Tenho que contar o maravilhoso desfecho disso tudo. Hoje pela manhã por pouco não sai para comprar uma nova máquina. Nem sei nem como consegui me segurar. Pouco antes do almoço postei o texto acima no facebook e quando estava prontinho para sair com meu pai para comermos fora, eis que toca o telefone. Era o ADRIANO, esse moço da foto ao lado. Primeiro me questionou se havia perdido uma máquina. Na afirmativa, me diz que junto da bolsinha havia encontrado um cartão e ligado várias vezes para o número do celular e nunca atendia.  Viajei e praticamente o desliguei durante uma semana. Ele insistiu e com o meu nome no cartão achou minha página no facebook e viu que as fotos dentro da máquina eram mesmo desse barbudo. Daí hoje ligou novamente para meu número fixo e nos falamos. Minha máquina estava com ele a semana toda e ele tentando me achar. Não perdi lá na estação ou na praça Machado de Mello e sim no estacionamento do supermercado Pão de Açucar, lá na rua Araújo, quando lá estive naquele dia por volta das 22h30. Nem acreditei, o ADRIANO é um dos sócios da ATITUDE VEÍCULOS, uma das muitas lojas lá dentro do AUTO FEST SHOPPING DO CARRO, em frente ao Alameda. É pastor na igreja APRISCO DAS OVELHAS lá na Avenida Flor do Amor. Conversamos muito sobre isso tudo que nos aconteceu e na segunda conto a história dele num Personagem sem Carimbo – O Lado B de Bauru. Com a recuperação da máquina, todos fiquem de sobreaviso, pois fotos e mais fotos serão tiradas nos próximos momentos, horas e dias.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

MEMÓRIA ORAL (167)


ALGUMA COISA DO SUL DESSE PAÍS CONTINENTE – CIDADES DA SERRA GAÚCHA


Acabo de voltar de minha primeira viagem ao interior gaúcho. Caxias do Sul, Gramado, Canela, Farroupilha, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e algumas outras pequeninas cidades, vilas e distritos, todas na denominada Serra Gaúcha, ou Vale do Vinho. O encantamento que sempre tive com o sul do país é algo facilmente explicável, em músicas como “Eu sou do Sul” (do Elton Saldanha), aqui na voz de dois opostos da música riograndense, o nativista Neto Fagundes e Tiago Ferraz, a voz do grupo de rock Estado das Coisas: https://www.youtube.com/watch?v=tI07S1ZVEDQ. “Eu sou do Sul/ É só olhar e ver que sou do Sul/ A minha terra tem o azul/ É só olhar e ver”. Fui ver isso tudo de perto e conto abaixo um bocadinho do que ficou cravado aqui dentro de mim. Essa coisa do nativismo sempre me cativou, sempre despertou em mim algo apaixonante, uma união em torno de um ideal de luta, existente em poucas regiões do país.

A primeira impressão marcante, dessas calando fundo tive ao visitar a denominada Casa de pedra, um museu localizado bem no meio do caminho para o famoso Parque de Eventos, onde todo ano é realizada a famosa Festa da Uva. Enxerguei naquela casinha encravada no meio de uma pracinha, rodeada de ruas movimentadas e de difícil acesso, a habitação mais representativa do período de colonização italiana na região. Data do início do século XIX e segundo relato ouvido de um monitor, foi levantada após a desilusão dos imigrantes italianos, após terem aportado no país e perceberem o engodo do qual foram induzidos ao embarcarem para o novo eldorado. A realidade aqui era dua, eles sem condições mínimas de comprar casas, muito menos levantar dentro do que lhes era oferecido para tanto. O jeito foi fazê-lo com pedras, algo em abundância na região. O resultado é a lindeza vista ali.

Dentro do citado Parque, uma cabeça do Cristo pode ser vista de todos os lugares e chama muito a atenção. Trata-se do Espaço Jesus 3º Milênio, obra idealizada e concebida pelo escultor Bruno Segalla, num rosto com 21 metros de altura, voltado para observar toda a cidade. No pé do Cristo algo de grande interesse preservacionista, o Memorial Atelier Zambelli, abrigando muitas peças de um antigo atelier de escultura do italiano Michelangelo Zambelli, que iniciou a produção de imagens sacras em 1915 e as revendia para igrejas, monumentos variados não só no país, mas mundo afora. Ver os moldes, como o artista produzia as peças de forma artesanal, depois quase industrial é uma boa maneira de constatar e valorizar o trabalho do artesão, produzindo maravilhas e as modelando com pequenas peças de mão. O esforço em reunir todas as peças é admirável e salutar para não deixar algo tão importante se perder ao longo do tempo.

No caminho de Bento Gonçalves, no alto de um pico da serra, lá está fincado não uma bandeira, mas uma imensa edificação católica, uma igreja, a de Caravaggio. Estive ali num domingo e o imenso pátio estava lotado, não de romeiros, mas de turistas, alguns devotos, todos ali por causa do mesmo motivo, observar a suntuosidade do imenso mosteiro, olhar lá de cima o vale à volta, a beleza do verde preservado e intacto. No entorno, alguns poucos restaurantes, todos com preços até elevados, cozinhas renomadas e na maioria deles, massas. No entorno da igreja muitos camelôs e em nenhum deles artigos religiosos reverenciando o religioso homenageado, mas sim aquilo encontrado em todas feiras populares, os inconfundíveis artigos de R$ 1,99, promovendo o sustento de muitas famílias, comendo pelas beiradas a quantidade de gente diariamente no local.

Vir ao Rio Grande e não conhecer uma vinícola é o mesmo que ir ao Rio, por exemplo, e não conhecer o Maracanã. Fui em algumas, destacando uma delas, talvez a maior da região, dentro do denominado Vale dos Vinhedos, já na cidade de Bento Gonçalves. A Casa Valduga está cercada de pequenos agrupamentos, meio urbano, meio rurais, todos com igrejinhas postadas bem na beira da pista. Um local dos mais aprazíveis, imensos parreirais à volta e com a predominância do verde nativo. A beleza do lugar, não esconde certo bucolismo, tanto que ouço de alguém bem próximo sobre o agrupamento humano à volta das vinícolas: “Na primeira semana tudo é mesmo muito lindo, da segunda em diante faltará movimentação e depois de mês não suportarei mais. Prefiro só visitar”. Não sei se chego a concordar, mas o que posso referendar é sobre a imponência dos Valduga, cobrando R$ 20 reais pela visita, mas oferecendo degustação grátis no percurso e na saída ainda a possibilidade de levar consigo uma bonita taça gravada com o nome da casa.Dentre mais de vinte no local, algo marcante.

No caminho de Canela, impossível não parar para nem que seja um simples espiada no trem tombado na fachada do “Mundo a Vapor” (www.mundoavapor.com.br), um museu dedicado à muitas formas de invenções a vapor, que movimentaram o mundo no século passado. Com uma bela monitoria, feita toda por jovens aprendizes, uma instigante viagem no tempo. Tudo montado em réplicas e nelas uma amostragem bem detalhada de como mundo funcionava cheio de muita fumaça no seu entorno, tudo graças ao uso do vapor. As réplicas são tão perfeitas, que numa delas a de uma fábrica de papel, ainda leva-se como brinde algo impresso ali na hora, com um papel feito ali diante dos olhos de todos. De tudo, algo salutar foi a reverência à famílias dos pioneiros, dos que labutaram na região em lugares insalubres, mas levaram adiante e foram pioneiros no progresso não só das cidades onde atuavam, mas do mundo num todo. Existia muito da criatividade pessoal de cada bom artífice dentro daquelas oficinas de antanho e isso foi fator determinante para facilitar as coisas para quem viveu na seqüência.

De tantas idas e vindas, andanças pra lá e para cá, destaco uma personagem inesquecível dentro desse mundo nada imaginário, mas muito real por detrás da boniteza dos lugares. No pequeno distrito de Forqueta, entre Caxias do Sul e Farroupilha. Até pouco tempo atrás um pequeno vilarejo, hoje crescendo demasiadamente, inclusive com a chegada de conjuntos habitacionais imensos. Resistindo dentro do bucólico lugar, uma espécie de museu, o da 1ª Cooperativa Vitinícola da América Latina, criada em 1929. Ali, num imenso barracão, talvez o maior do lugar, de um lado um pequeno museu, mostrando como o vinho era feito de forma quase artesanal há aproximadamente 70 a 100 anos. Do outro, uma loja, com produtos variados da região. São mais de trezentas família todas em plena atuação na região e ali naquele local a exposição do bocadinho produzindo por cada um desses.

O local tem um diferencial, dona Gema Trevisan Daltiero, 60 e poucos anos e todos dedicados à italianice e a dedicação quase exclusiva ao local. Ela própria se intitula “animadora” do local e faz jus ao título, pois com um vozeirão imponente conta piadas como ninguém, faz uma propaganda do lugar com um estilo mais que próprio, com requinte e galhardia. Na verdade o que faz é uma espécie de stand up forquetense, tanto que já apareceu em alguns programas de TV e acaba de gravar um DVD, que em breve de estar sendo revendido como mais um dos produtos distribuídos pela cooperativa. Gema dá um brilho mais que especial ao lugar e quando gosta de alguma pessoa ou grupo, dificilmente conseguirá se desvencilhar de tê-la grudada dificultando até as despedida do lugar. Encarnou o seu trabalho como uma missão, alguém podendo também ser considerada como um cartão postal da cooperativa.

Antes da despedida e na impossibilidade de citar todos os lugares por onde tive o prazer de circular, cito um pelo qual Caxias também se orgulha. Defronte o pátio férreo de sua antiga estação, hoje ocupada pela Secretaria de Cultura do município, um bar reverenciando o blues norte-americano, o Mississipi Delta Blues Bar, que além de reunir os amantes do blues gaúcho, conseguem não se sabe bem como promover a realização anual de um grandioso Festival de Blues, sendo que no último, conseguiu reunir mais de 7 mil pessoas na rua defronte a estação e ao bar, com atrações nacionais e internacionais. O local é relativamente pequeno, abrigando no máximo 250 pessoas (bem acotoveladas), o som é de primeira e além do alto astral, uma boutique com roupas bem transadas e o que há de melhor dentro desse quesito musical. Num estado e cidade com laços bem enraizados dentro do nativismo gaúcho, esse o mais movimentado e o melhor bar noturno com música ao vivo da cidade. Faltou o nativismo, não presenciado durante a semana por lá passada, mesmo após intensa garimpagem. Esse o rescaldo de parte do que me marcou lá pelas bandas (não seria pampas?) do sul do país.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (90)


ALGO PELO QUAL ME ENVOLVO - AQUI E AGORA AS REPERCUSSÕES
ALGO 1 – Dias atrás publiquei aqui mesmo um texto do Guardião, o super-herói bauruense sobre a problemática do que o governo estadual quer fazer com o Centrinho, o centro de excelência da FOB USP Bauru, atendendo com um primor fora do comum gente não só do Brasil, mas de toda América Latina. Alguns gritaram que exagerei ao culpabilizar o Sr Geraldo Alckmin, governador do estado por ter criado o ambiente de falência de todas as universidades públicas estaduais, USP, Unicamp e Unesp. Na sequência está EXTERMINANDO tudo no seu entorno e aí entra o Centrinho, que será defenestrado sem dó e piedade. O que mais se ouve hoje vindo de gente ligado ao Governo Estadual é que o Centrinho é CARO. Sendo criado em Bauru mais um grupo na defesa do Centrinho e denunciando o estado de coisas interno e a transformação do vinho para o barro lamacento. Fiquemos todos atentos e dando a maior atenção para o grupo:https://www.facebook.com/nossocentrinho. O momento é de união é de grita geral contra mais esse desmando de gente a promover a completa destruição com a coisa pública. Estou engajado nessa luta.

ALGO 2 – Meses atrás ganhei um processo por ter num texto jornalístico criticado abertamente o posicionamento do agudense Carlos Octavianni enquanto político. Tachei de crueldade alguns dos seus atos e pela família estar construindo algo oligárquico na vizinha cidade. Queriam que me retratasse, mas como tinha absoluta certeza do que estava escrevendo, o processo segue. Na defesa reuni 25 itens de crueldade, em 500 páginas de provas reunidas no processo e por um desses a Justiça paulista decide essa semana culpabilizar o Sr Carlão e dar fim aos seus direitos políticos. A decisão é pública e foi noticiada ontem pelo Jornal da Cidade em matéria que deve repercutir em toda região. Ela diz respeito ao cargo criado pelo atual prefeito para abrigar Carlão como Gerente daquela Cidade. Sobre isso a matéria do jornal é elucidativa e comprova do tipo de crueldade contida em meus textos. Leiam a matéria CARGO DE GERENTE DA CIDADE DE AGUDOS LEVA A CONDENAÇÃO aqui:http://www.jcnet.com.br/Regional/2014/09/cargo-de-gerente-da-cidade-de-agudos-leva-a-condenacao.html. E depois queriam que me retratasse. Não havia como, o processo corre. 25 crueldades alencadas, essa uma delas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

BAURU POR AÍ (103)


ESSE SANDUÍCHE SENDO FEITO BRASIL AFORA, EM CADA LUGAR DE UM JEITO - VIVA O BAURU!!!
Esse nosso famoso sanduíche bauru é mesmo um aglutinador, famoso país afora (no cardápio até em Portugal e no Uruguai). Por cada lugar que circule, lá está seu nome cravado em cardápios diversos. Na imensa, quase totalidade deles uma receita bem diferente da original. Algo sobre isso já foi amplamente debatido. Vale mesmo esse negócio do nome Bauru estar inscrito em variados e múltiplos lugares, sempre gerando um bom bate papo, conversas infindáveis sobre receitas, amores distantes, etc e etc. Ontem, 02/09, terça, mais uma e a conto aqui.

Caxias do Sul RS está localizada no coração da serra gaúcha, cidade de vinhos indescritíveis, gente hospitaleira, lugares onde os olhos descansam mais que o corpo. Circulo de lá para cá e já no hotel, grudado no elevador algo me chama a atenção. Um tal de “bauru caxiense” é o carro chefe em alguns dias da semana. Especulo daqui e dali e Ana (sempre ela, por aqui em mais um Colóquio de Moda) descobre da existência de um lugar onde é feito o tradicional bauru caxiense (sic). Como permanecer por aqui alguns dias e não querer conhecer o lugar e o tal prato? Juntamos uma turma e lá fomos ontem na hora do almoço.

Trata-se do Restaurante DANÚBIO (www.restaurantedanubio.com.br), um conhecido point caxiense encravado no coração da cidade, rua Itália 210, bairro de São Pelegrino, fazendo uso do slogan “A Grife do Bauru desde 1965”. O lugar é tradicional, abriu suas portas em 1954 e a partir de 1965 o nome Bauru passou a estar inscrito no seu cardápio. Além de cardápio variado, eis algo do qual fazem questão de difundir com garbo e louvor: “Movido por espírito empreendedor e profissionalismo, tranquilo desenvolve e cria novos pratos. Além claro, de estar sempre aperfeiçoando o tradicional Bauru. Tal empenho conquistou em 2010, 2012 e 2013 premiações no Concurso Divina Cozinha TOP – Os Melhores da Cidade, como o Melhor Prato da Cidade e Melhor Bauru”. Duas páginas do cardápio em forma de pequeno livrinho são dedicadas ao tão famoso prato. Lá a variação é grande: Bauru sem Tomate, Bauru ao Pão, Bauru Vegetariano, Bauru com Tomate e Bauru Rei.

Conferimos um deles, na verdade um filé feito com requinte, com duas grossas postas de carne e rodeados de muito molho, servidos com acompanhamento de salada, arroz e pão. O prato é bom, os dois chapeiros idem, o atendimento excelente, preços honestos e os donos da casa atenciosos. O bauru tradicional que conhecemos é uma coisa, esse aqui outra. Tudo bem, pois o que vale mesmo é como o nome bauru foi sendo diversificado e espalhado pelos mais diferentes lugares. Isso fica no imaginário de qualquer um que se interesse por desvendar os primórdios de como isso começou, como foi se solidificando e acabou virando uma instituição nacional. O fato é que os muitos baurus estão aí, fazendo muito sucesso por onde são servidos e o nome dessa cidade do interior paulista indo junto. Tudo graças a um tal de Casemiro Pinto Neto, o criador do tal lanche. Da casa caxiense só mais uma coisa e merecedor de destaque. O atendimento de dois chapeiros, o Darci (popular Cachepa), 53 anos, desde 1982 na casa e Mateus, 32 anos, desde moleque na arte de fazer os baurus. Para uma casa dar certo, nada melhor do que possuir gente assim na frente do bem fazer seus pratos. Nessa acertaram em cheio.

Encerro voltando para uma velha ladainha, algo pelo qual venho me batendo ano após ano. Trago comigo gratas recordações de uma agente do Iphan, que veio para Bauru coisa de uma década atrás, nos estudos para viabilizar a inscrição do sanduíche bauru como patrimônio imaterial brasileiro, assim como já o são o acarajé baiano e o queijo de minas. Tudo estava bem encaminhado, mas pouco se ouve nos dias de hoje da conclusão daquele projeto. A certificação de quem trabalha com a receita original foi feita e nada da alvissareira notícia do lanche, conhecido e difundido país afora, tornar-se definitivamente, de fato e de direito mais um patrimônio brasileiro. A quantas anda isso tudo? Falta algo para concretizar e finalizar o trabalho? Calhamaços de documentos foram preparados, uma funcionária estava designada para tratar somente disso, mas o desenlace ainda não ocorreu. Seria bom sabermos dos detalhes e trabalharmos todos juntos pela conclusão dos trabalhos. Afinal, depois de constatar in loco algo como o presenciado em Caxias, o sanduíche bauru merece mesmo ter seu nome registrado nos píncaros da glória dos patrimônios imateriais do país.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

AMIGOS DO PEITO (95)


HPA E A INQUIETUDE DESAGUANDO EM SEUS ESCRITOS*
* Esse texto sai hoje publicado no facebook como Personagens sem Carimbo - O Lado B de Bauru nº 500 e aqui reproduzido:
Peço antecipadas desculpas a tudo, todas e todos pela ousadia de produzir um texto versando sobre mim mesmo. Acabo de me inscrever nessa garbosa galeria dos Personagens sem Carimbo – O Lado B de Bauru. Tenho comigo fazer jus a esse mimo. Tarefa sempre complicada quando se escreve de si mesmo. Já o fiz em algumas vezes, na maioria quando me pedem pequenos históricos para apresentações variadas. O constrangimento é evidente. Não o faço com o intuito de paparicar a mim mesmo (adoro me criticar), mas reafirmando possuir um lado e dele tentar não me afastar. Com a publicação desse perfil reafirmo também o compromisso de continuar produzindo outros tantos 500. É o que gosto de fazer e tomei a liberdade desse número redondo, festivo, ser eu mesmo.


HPA sou eu, o HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO, 54 anos, bauruense, filho de Heleno e Eni, irmão da Helena, Erci e Edson, pai de outro Henrique e companheiro de todas as horas da carioca Ana Bia. Morei primeiro na vila Falcão e depois, até hoje nas barrancas do rio Bauru, proximidades com antigo clube Paulista, hoje Disbauto. Comecei a trabalhar aos 13, como aprendiz de cinteiro no Cintos América, depois fiz Escolinha da Rede (quase virei metalúrgico), permaneci por dois anos na antiga FEB (na vila Falcão), depois mais de 15 no Bradesco (rodando a região toda). Comecei os cursos de Tecnologia e Direito, mas conclui mesmo o de História, na USC, numa turma que mudou minha vida, com colegas que revolucionaram minha mente (eles são os culpados). Sou cria da escola pública, das lutas pelo fim do regime militar, da efervescência existente no final dos anos 80, das leituras tipo d’O Pasquim e de um envolvimento, do qual nunca mais me apartei com o desejo de ver esse mundo girando de outra forma (mais isso é possível?). Escrevendo sem eira nem beira, criador de casos, tive que criar meus empregos, daí fui ser dono de restaurante, professor sem cátedra e sou até hoje mascate com chancelas e bottons. Conheci boa parte do Brasil dessa forma, escrevi um livro, publiquei textos em jornais e revistas pela aí e mantenho acesa a chama da transformação social. Convicto socialista, em 2007, ainda quando Diretor dos Museus e do Patrimônio da Prefeitura Municipal de Bauru, criei um blog, o Mafuá do HPA, para extravasar essa ânsia de escrevinhações (meras tentativas, nem o português sei direito). Engajado em várias frentes de batalha, continuo tentando ser, fazer e acontecer, por caminhos e descaminhos, alguns entendíveis, outros nem tanto. Assim como Aldir Blanc um dia vaticinou, reafirmo que “envelheci, mas continuo em exposição, a ex-mulher, me chama de sardinha de balcão...vivo entre o torresmo e a moela”. Esse sou eu, só uma pequena parte, as outras terão que descobrir e se a contarem aqui, trucido a todos (as).

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CENA BAURUENSE (123)


ANIVERSÁRIO DO NOROESTE E A IDA DO AMANTINI NUM PROGRAMA DA AURI-VERDE
Primeiro de setembro é dia do ESPORTE CLUBE NOROESTE, hoje 104 anos. Qualquer bauruense que se preze não esquece disso, jamais. Eu não me prezo muito, mas disso não esqueço. O Noroeste sobrevive não se sabe como, após catastróficas ações de dirigentes pensando pouco nos cofres no clube. Enquanto o basquete viceja e cresce com empresários disputando para colocar suas marcas na camisa do sexteto, a coisa degrindola de vez pelos lados noroestinos. Estou vivendo um momento só meu nos últimos tempos, tendo a possibilidade de acompanhar de perto o dia a dia de um dos maiores noroestinos de todos os tempos, CLÁUDIO AMANTINI. Tenho estado com ele quase diariamente e dos últimos contatos, conto algo, com o intuito de demonstrar o que fomos, o que somos e o que podemos ou queremos ser.

Estive com ele a semana passada num Show de Bola do Timão, o programa esportivo da Auri-verde, das 18h15 às 19h. Triste fiquei ao saber e constatar que aquele programa, do qual fizeram parte expoentes do jornalismo nativo, hoje está resumido nas figuras de Rafael Antonio e Jota Augusto. Dias atrás dois jornalistas haviam sido sumariamente demitidos e o “timão” da emissora foi reduzido pela metade. Os dois que ficaram são bons, mas inverosímel uma equipe esportiva ser tocada dessa forma e jeito. A Auri-Verde está igualzinho ao Noroeste, numa situação remendada e necessitando de imediata repaginada.

Pois bem, seu Cláudio ocupou quase todo o horário do programa, onde foi para discutir a situação do time do coração da cidade. De tudo o que disse, resumidamente, o mais urgente foi que dentro da atual administração, o time possui um Conselho Deliberativo que hoje manda nos destinos de tudo o que ocorre lá pelos lados do Alfredo de Castilho. O presidente pouco manda, ou seja, o Noroeste tem dono, o que comando o tal Conselho. Esse comandante quer que o estádio passe aos domínios da Prefeitura. Quer mas pouco faz de concreto e não abrem o jogo, a caixa preta de tudo o que ocorre por lá. Quanto entra de receita mês, quem ainda patrocina, quanto existe em caixa, as transações efetuadas e o balancete de entrada e saída. Nada é explicitado. Nada se sabe. Nada se conhece. Tudo é informado em drops, aos poucos e de acordo com o desenrolar dos acontecimentos.

Amantini propõe o encerramento desse atual Conselho, inoperante, pois na última reunião somente três desses compareceram e mesmo assim seguem incólumes e mandões. Para o Noroeste voltar a ter crédito, ser acreditado, necessário se faz ter como aliados gente interessada em fazer negócios com esses lucros ficando nos cofres do time e não na mão de empresários da bola. Esse tipo de gente existe, mas não estarão ao lado do Noroeste sabendo que tudo o que colocarem lá não ficará com o time e sim na mão de terceiros. Ele luta pela destituição do atual conselho e busca entre bauruenses a formatação de outro, com gente cerrando forças para que o Noroeste siga forte, saudável, oxigenado e com a força e pujança condizente com sua história. Pra começo de conversa que isso venha à baila e todos possamos levar essa ideia adiante, pois a partir daí, luzes novas surgirão no final do túnel. A credibilidade hoje é quase nula e só voltará com a destituição do atual Conselho e um novo, com gente propondo de fato levantar e tirar o Noroeste da atual situação.

Amantini e a maioria dos noroestinos apostam nisso. Hoje dia de mais um aniversário, data boa para marcar posição e se dizer presente: o Noroeste sobrevive e sabe que o que ocorre lá pelos lados do Bauru Basquete, pode perfeitamente ocorrer também do seu. Mas do jeito que está, impossível. O movimento capitaneado pelo seu dirigente mais famoso está só começando, isso às vésperas dele completar 85 anos de idade.

25 ANOS DO MUSEU FERROVIÁRIO E ALGO DITO POR ELSON REIS NO DIA DA FESTA
Queria tanto poder mostrar para tudo e todas e todas o que presenciei lá na festança dos 25 anos do Museu Ferroviário de Bauru, quando DA abertura da gare central da estação da NOB, para apresentação da Orquestra Municipal e da Cia Estável de Dança, mas viajei para fora de Bauru por uns dias e acabei (pela primeira vez na vida) me esquecendo de trazer comigo minha máquina fotográfica e como não havia tirado lá de sua barriga as fotos que tirei na noite de sexta passada, fico sem postar o maravilhamento que ali presenciei. Uma pena, pois quando voltar elas já estarão um tanto velhas. Mas como não sou nada moderno, adentrando garbosamente esse novo estado de minha vida, o do reconhecimento de que a idade avança deixando marcas profundas e irretornáveis (incontornáveis também, viu!), farei isso mesmo que na quinta próxima, quando pisarei novamente os pés em Bauru, o assunto já estiver um tanto esquecido.

Os 25 anos desse museu, onde tive o prazer de atuar por 4 anos é algo incomensurável para a Bauru cheia de ótimas recordações férreas, sendo a melhor dela, esse entrelaçamento entre a população e os trilhos, pois foi ele o propulsor de todo progresso hoje vislumbrado em Bauru e é lindo continuar observando nas conversações feitas essa magia de cada família ter vários membros dos seus como antigos ferroviários, possibilitando conversas mil e boas recordações. Vi o museu renovado, vi gente interessada em tocar o barco para a frente com boa disposição, vi os mesmos de ontem e de mangas arregaçadas, trabalhando com uma vontade pouco observado em outros lugares. Isso tudo junto e misturado é um cadinho de que o trem é mesmo instigante, provocante e movimentador.

No mais, para encerrar esse curto texto lembro das palavras do secretário de Cultura, o amigo Elson Reis que diante da casa cheia e de posse do microfone vaticinou algo para ser cobrado posteriormente: "O prefeito me garantiu que a partir de janeiro estará licitando as obras dessa estação e as obras terão finalmente início". Ou seja, tudo por ali deverá voltar a ocorrer. Vamos cobrá-lo, sabe ele disso, pois voltar a ver aquilo com movimentação diária, ininterrupta é tudo o que clama essa cidade cheia de motivos férreos por todos os seus lados. E para finalizar mesmo informo que em setembro ocorrerá mais um Encontro Ferroviário e de Ferromodelismo em Bauru, consequentemente na famosa Estação, uma que Ignacio de Loyola Brandão, o famoso escritor um dia disse: "Essa é a mais linda estação ferroviária de todo o interior do estado".