DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS
01.) UM PERUZZI, MUITO PRÓXIMO DE "PERAZZI"Certa feita, muitos anos atrás, localizei gente dos PERAZZI na Itália. Escrevi para eles e recebi de volta um catálogo do que fabricavam. Eram armadores, mas armas antigas, escopetas e afins, mais para guardar como recordação. Lindo catálogo. Nunca mais tive nenhum contato com ninguém na Itália com o sobrenome idêntico ao meu. Sei que alguns dos meus antepassados, parte de minha mãe, vieram da Itália. Nunca fui atrás de levantar a árvore genealógica. Meu irmão Edson tentou algo neste sentido, mas por falta de tempo, parou. Agora, aqui nas ruas molhadas de Florença - não pára de chover, leve garoa, mas incessante -, vejo essa loja com algo bem próximo. Não entro, pois sem tempo para especulações e ciente de que, pelo visto uma franquia ou mesmo filial, nada encontraria de concreto. Segui em frente, mas tiro a foto e sei, viemos os Perazzi de algum canto da Itália. Minha tia de segundo grau, Norma, aeromoça das antigas, aqui se estabeleceu e vive até hoje. Perdi o contato. Quando me perguntam de que região são os Perazzi, desconverso, pois nada sei, porém quando me deparo com algo próximo, a memória é reativada, ao menos por instantes. Este elo de ligação, para mim está perdido. Toco meu barco com os que conheço, Perazzi's ou mesmo os Aquino's. Vida que segue.
02.) O JORDANIANO E MEU NOVO CINTOMe desfaço de um cinto velho segurando minhas calças nas ruas molhadas de Florença. Compro um novo, 20 euros e junto um avental com o pinto do David, que levo para Bauru e nem sei o usarei. Compramos coisinha por serem vistosas, porém, a relegamos depois a permanecerem penduradas num canto qualquer da casa. Escrevia do cinto. Um simpático jordaniano me atende, corta a mesma, por ser grande demais e faz novos furos, tudo ali na rua. Um camelô ao estilo florentino, barraca como algumas que vejo no Brasil, atuando para um comerciante que os coloca nas ruas, tendo várias delas e o imigrante fica ali, exposto ao sol e chuva. Diz ganhar bem, pois já tem 20 anos de Itália. Conta histórias para mim do rei da Jordânia, traduzidas pela Ana Bia, que fez curso intensivo para aprender algo do italiano. Eu já nem gtento mais, pois meu chips, pelo visto não comporta mais comnhecimentos novos. Nem os velhos ele mantém guardados certos detalhes, quanto mais um novo. Gosto mesmo da conversa e da simpatia do jordaniano, que na sequência me apresenta um outro igual a ele, este também com quase 20 anos na cidade, advindo de Volta Redonda, portanto, faz questão de me ressaltar, "não sou carioca, sou fluminense". Prolongo a conversa na única língua que sei me comunicar a contento. Um brasileiro quando passa muito tempo fora de seu país, pelos menos em alguns que aqui contatei, falam em voltar, mas estão numa outra, vivenciaram algo bem diferente da vida no país nativo. Não sei explicar isso, mas neste, observei como possui um certo desdém do lugar onde veio, talvez meio de retroceder. Na vida, somos assim, caminhamos para lugares nunca dantes navegados e quando o fazemos, morremos de medo de voltar para trás. Meu novo cinto está firme na minha cintura e dele, toda vez que o ajustar nas calças que estarei vestindo, me lembrarei da fisionomia do jordaniano a me dizer: "Para mim foi muito bom ter saído do lugar de onde vim. Aqui conquistei algo mais".
Estávamos em dois casais e batendo perna pela cidade, logo depois da saída de um dos museus, chovia e numa das esquinas nos deparamos com uma das casas com culinária das mais conhecidas por aqui, a TRIPPA E LAMPREDOTTO DA VINATTIERI. Este nosso casal de amigos moram por aqui há alguns anos, portanto estava nos ciceroneando pelas vielas todas fora do padrão, nada simetricas. Ele havia me falado das maravilhas de comer algo bem próximo da dobradinha brasileira e aqui com este nome, "lampredotto". Na verdade, na panela lá do Vinattieri estavam as tripas de porcos e vaca, algo bem ao estilo do que já conhecemos muito bem no Brasil, que no Nordeste recebe o pomposo nome de buchada de bode.
As mulheres passaram ao largo, viraram o rosto, mas eu e o amigo caímos de boca. Tudo já estava mais ou menos pronto numa grande panela, fumacinha e cheiro bem à mostra. O atendente, que não sei se é o tal do Vinattieri, cortou no meio um imenso pão italiano, fofeou o meio e tascou o grude. Depois colocou numa prensa quente e serviu pelando de quente. Esperamos um tempinho para a fervura diminuir a caloria e mandamos ver. Comemos com gosto. A diferença que senti de algo feito lá no Brasil para essa é o tempero. Aqui o italiano e lá, o nosso. Foi algo para sujar a barba. O lugar é apertado, modesto, mas não param de chegar pedidos e não de turistas, mas de locais, diria mesmo de trabalhadores, ao estilo daqueles que no Brasil andam com aqueles caixotes às costas.
Sinceramente, gostei. Pode não ser uma sumidade culinária, pois segundo ouço deste amigo aqui residente, este tal de lampredotto pode ser comparado com a história da feijoada, quando os negros comiam o que sobravam, os restos dos animais e daí, com isso, jogaram tudo nas panelas e deu na iguaria hoje refinada da feijoada. Por aqui, algo parecido, quando os mais abastados comiam o filé sobrando para a patuléia o restolho, que jogado na panela, hoje se transformou numa iguaria muitoi procurada. Ana e a esposa do meu amigo, ficaram promegtendo que naquele dia não mais nos beijariam, mas isso peredurou pouco. Logo na frente, querendo resolver a questão, inventamos de parar num Starbuck, só para fazer xixi e, é claro, lavar o rosto, no meu caso a barbicha branca, toda com aquele sabor do outro mundo. Essa a história de como acabei provando a tal da dobradinha aqui dos florentinos.
OBS.: Estes relatos continuam, mas num outro post amanhã.






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