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terça-feira, 18 de maio de 2021

COMENDO PELAS BEIRADAS (102)


AINDA A "CULTURA MUNICIPAL" OU A FALTA DE...
"Resumindo, foram roubados um milhão e quatrocentos mil da pasta da cultura de Bauru!", frase de Luiz Manaia, o Ralinho, baterista como poucos e consciente artista destas plagas. Sua frase entre aspas resume o que se passa com a Cultura Municipal, direção da novíssima (sic) prefeita Suéllen Rosim e sob a batuta de alguém só coordenando o desastre e anúncios desconectados, a secretária Tatiana Sá. Ontem ouvi algo de gente muito próxima dela em algo mais ou menos corroborando a conclusão do amigo Manaia: "Ela me disse que, a prefeita lhe disse que neste ano não vai ter um só centavo pra Cultura. Tudo contingenciado. A Tatiana está aí para administrar isso, contornar com a classe. Vai ser só pagar salários e nem um centavo pra nada. Não adianta insistir". Daí, quando leio a frase precisa, reta e direta do já cansado baterista, minha conclusão é a mesma: é pura balela isso de que o dinheiro que não foi gasto esse ano com eventos culturais cancelados será usado para favorecer a classe artística. Isso não vai acontecer. Quem ainda tem esperança de que algo ocorra, que seus eventos recebam patrocínio, devem colocar as barbas de molho e parar de permaneceram calados, aguardando algum benefício, pois será um horror quando perceberem que não terão patrocínio e só a partir daí passarem a criticar. Tem quem acredite que algo ainda ocorrerá algo para si, mas não pensam no todo. E o todo está numa penúria de dar gosto. Com Suéllen e Tatiana Sá, fundo do poço será pouco. A classe artística está sendo levada na conversa.

DONA HILDA DE SOUZA, SÍMBOLO DA LUTA DOS RECICLADORES – UMA VIDA INTEIRA NAS RUAS E LUTAS, FAZENDO DE TUDO E MAIS UM POUCO PELOS SEUS
Gosto muito mais de escrever dos vivos e produzindo algo de salutar pela aí, mas nestes últimos tempos, mais aqui dentro de casa, escrevo neste momento mais dos que se vão e após tomar conhecimento da partida. E para piorar nem sempre tomo conhecimento do falecimento de pessoas queridas assim muito rapidamente. Uma lástima. Por estes dias quando nem comparecer aos enterros é mais possível, eu escrevo dos que partem e me deixam um vazio há mais dentro do peito. HILDA DE SOUZA é dessas pelas quais guardarei lembranças inenarráveis pelo resto da vida. A descobri atuando com reciclados pelas ruas de Bauru, creio que lá pelos idos de 2005/2008, quando ainda atuava nas hostes da Cultura municipal. Desde quando bati os olhos naquela senhora, curvada sobre seu carrinho, sempre cheio de papelões e por todos os cantos do centro da cidade, fui logo me aproximando e não podia vê-la que logo partia para conversar. Fui em sua casa algumas vezes, tirei sempre muitas fotos e ela me proporcionou o meu primeiro trabalho acadêmico, quando contei algo de se sua saga, “Hilda, a catadora de papel – Acompanhamento de uma ação pelas ruas de Bauru”, 2015, junt ode minha orientadora de mestrado, profa doutora Maria Cristina Gobbi. Tanto eu, como a Gobbi nos apaixonamos por ele, sua resistência, persistência e aquele seu jeito sempre sorridente nos arrebatou. A mim para sempre. Ela tinha a mais linda dentição desse planeta, alvos como a neve e quando sorria – e o fazia sempre, mesmo nas adversidades -, encantava. Fui arrebatado e hoje, ao tomar conhecimento de seu falecimento – junto da perda do meu cão -, estou num estado que nem imaginam. Tristeza é pouco.

Ainda ontem estava matutando sobre ela e pensando em como poderia homenageá-la e conto dos motivos. Assisti parte da sessão da Câmara dos Vereadores de Bauru e lá um vereador insiste em quase toda sessão apresentar Moção de Aplausos para seus amigos pastores e as obras dos evangélicos neopentecostais. Ouvi aquilo tudo e engoli em seco. Enfim, não consegui deglutir, quando mais digerir. Pensei logo de cara no troco e em como podia apresentar para algum vereador – só temos um, no caso uma, a do PT, Estela Almagro, que poderia tocar a ideia lá dentro adiante -, a ideia de começar a apresentar Moções para Tipo Populares de Bauru, todos, no meu entender de muito maior significado que esse monte de pastores hoje já homenageados. Talvez o sejam por absoluta falta de quem apresente algo diferente. Estava proposto e fui rever o que já escrevi de dona Hilda, a catadora de reciclados bauruense. Eis aqui para quem quiser se inteirar o que já escrevi. São muitos textos desde 2008: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=hilda+de+souza. Li algo ontem à noite e a ideia mais do que fiza não me saiu da cabeça no meio da noite: “vou saber por onde anda dona Hilda, pois faz tempo que não a vejo pelas ruas de Bauru”.

Saio hoje na cata do meu desaparecido cão e de cara vou na rua Alves Seabra, na padaria do Antonio Luiz Ferreira, o Toninho, a Soberana, especializada em vender pães para carrinhos de lanche. Certa feita ele leu meus textos e disse a mim: “Ela é minha cliente, passa sempre aqui e forneço pães para ela e os seus”. Eu sei como ele fazia, dela ele não cobrava ou se cobrava era sempre o mínimo. Assim como a mim, dona Hilda havia arrebatado também a ele. Passei por lá hoje pela manhã, ele não estava e o funcionário que me atendeu, ao ver a foto que lhe mostrei pelo celular, me deu um tiro no baixo ventre: “Ele morreu e Subo até onde sei ela mora, no Fortunato Rocha Lima e lá, não preciso muito para me lembrar da casa dela. Sabia mais ou menos, mas ao perguntar numa pracinha, estava bem próximo, na outra quadra. Chego no quarteirão, vejo uma moça com seu celular no portão e pergunto. Ela me olha meio de soslaio, desconfiada e me diz: "Essa dona Hilda que está procurando é minha avó. Eu e minha mãe moramos aqui e a casa dela é duas para a frente”. Na minha mente, me voltou tudo de quando ali estive, com a Maria Luiza Carvalho, quando Hilda nos abriu sua casa e coração. Hoje, algo novamente acontece. Gabrieli Sthefani Brito do Nascimento, 20 anos, chama pela mãe, dona Cida, Aparecida de Fátima Fernandes Brito, 49 anos e conversamos em três. Digo a que vim. Primeiro digo não ser político e gostar muito de dona Hilda, conta algumas histórias e das vezes que a encontrava pela rua, o sorriso, o jeito envolvente. Vi lágrimas escorrendo dos olhos de Cida ao lhe contar que estou imbuído de produzir uma justa homenagem para sua mãe. Não havia conseguido, infelizmente com ela em vida, mas tentaria agora, talvez numa rua do bairro, praça ou mesmo um centro de reciclagem. As duas me contam ter ela falecido em 12/10/2019, aos 74 anos, portanto antes da pandemia, num Dia das Crianças e de câncer no pâncreas. Ouço elas dizendo que, Hilda trabalhou até não mais poder, mesmo com dores, descia quase todos os dias, incentivando os seus a ganhar a vida com o que sabia fazer, catando reciclados. Todos por ali continuam vivendo disso. Seu Edenil, o último companheiro, 50 anos, estava naquele momento nas ruas, percorrendo os mesmos trechos então trilhados pela família. Cida, com problemas de visão permanece em casa, mas diz querer também voltar a ajudar no sustento coletivo da família.

Fico com o número do celular de Cida e ela me passa a última foto da mãe, quando no hospital, já abatida, porém nunca vencida. Hilda é do time dos fortes, dos que não se deixam levar. Assim tocou sua vida e foi o que de melhor ensinou aos seus. Escrevi muito dela e com muito carinho. Hoje, firmei compromisso ali naquele portão de, fazer o possível e o impossível para que algo ocorra em homenagem a tão importante pessoa, das mais dignas que conheci nesta terra varonil. Vou levar o tema para a vereadora e ver o que pode ser feito para ontem, pois para hoje já será tarde. Além de tudo o que já escrevi, poderia fazê-lo muito mais. Assim de memória tenho muita coisa ainda guardado dentro da memória, das vezes em que, a via na rua, parava tudo e a observava. São tantos nas mesmas condições, buscando seu sustento com o desprezado por outro tanto, enfim, o reciclado é o disponibilizado nas calçadas. Hilda foi uma fortaleza e assim a entendo, um símbolo dentro de tudo o mais que vejo acontecendo dentro do que faz. Continuo a saga em busca de meu cão e hoje, mais debilitado, pois o baque pela notícia de nunca poder esbarrar com dona Hilda pelas ruas de Bauru foi algo para fazer baixar mais do que desânimo. Busco forças, reúno energias e sei, irei conseguir que algum reconhecimento ela consiga, pois seu nome, já eternizado para mim, também precisa o ser dentro dessa cidade “sem limites”. Para mim, algo precisa ser feito, uma espécie de pontapé inicial para valorização efetiva dos tipos populares de Bauru. Algo já foi feito pelo vereador Roque Ferreira e daqui por diante, ou fazemos algo, ou esses nunca terá seus nomes imortalizados em alguma placa. Viva dona HILDA!

NA CAPTURA
O cão Charles sumiu na noite de sábado e desde então pernoita fora de seus aposentos no Mafuá do HPA. Continuo na captura.

Acordei cedo, escrevi e publiquei algumas coisas muito rápidas, deixei pronto e em andamento alguma ajuda pra Ana nos afazeres domésticos e volto pra rua, no intuito de localizar essa preciosidade perdida. 

Ontem, alguma dicas. Estive em todas as que me indicaram poderia ter vestígios, rastros do meu cão. Fui no entorno do Cartolão, altos do PVA, depois imediações da Porteira do Rio Grande, perto da desprezível Havan, depois percorri tudo no entorno do Prevê Objetivo, centro da cidade. Percorri o Calçadão da Batista, olhei todo o percurso do rio Bauru e dei voltas em lugares não imagináveis. Colei cartazes em postes espalhados cidade afora - e adentro também. 

Estou vendo Bauru com outros olhos, depois de quase ano e meio de pandemia. Poderia escrever várias crônicas sobre as trombadas que vou tendo nas andanças, mas neste momento, estou mesmo é preocupado em achar o danado do fujão e ver com ele se está disposto a voltar pra casa. 

Espero convencê-lo...

quinta-feira, 12 de julho de 2018

BAURU POR AÍ (154)


BAURU EM TRÊS MOMENTOS DISTINTOS E MUITO ESCLARECEDORES

1.) MOÇÃO DE APLAUSO NA CÂMARA DE BAURU É BOÇALIZADA - FAZEM VISTA GROSSA PARA DONA HILDA

Quando dizem pela aí ser essa atual Câmara de Vereadores de Bauru a mais surreal de toda sua história, alguns dizem existir exageros na afirmação, mas quando se vai conferir passo a passo o que ali ocorre, não só a confirmação, como a constatação da regressão daquela antiga Casa de Leis, hoje servindo com seus atos para boçalizar os procedimentos, ocorrências e os homenageados pelos atuais edis. As tais Moções de Aplauso são escolhidas a dedo para levantar a moral do vereador que a indica e pouco vale para realçar algo do homenageado. Por ali a maior representação de pastores evangélicos homenageados por metro quadrado da face da Terra. Bastou completar um ano de púlpito, pronto recebe a honraria, mas nada de ação social que o façam de fato serem merecedores de algo pomposo. A última foi uma piada. A PM faz seu trabalho nas ruas e em alguns casos são merecedores de rasgados elogios, em outros cumprem a obrigação, nada além disso. Muitos dos seus membros já foram homenageados, mas desta feita algo estranho. Um PM ganha a honraria por parar a viatura e ajudar uma idosa a atravessar uma rua. Ato louvável? Claro. Não só policiais fazem isso. Eu mesmo já o fiz, outros idem. Por ter vindo de um carro da PM, nenhum estranhamento, ou seja, natural quem se comova e ajude os semelhantes. Desta feita quem o fez ganhou Moção de Aplauso. Eis o link: https://www.facebook.com/fabio.manfrinato.9/posts/1196577517148815. A PM não precisa disso, a Câmara idem. Fico triste, pois enquanto isso, dona Hilda, do alto dos seus quase 80 anos, continua recolhendo o lixo reciclável do centro da cidade com seu carrinho de mão e nem é lembrada. Ela ajuda toda uma cidade a se ver livre do inservível e não a enxergam. Nenhum vereador, creio eu, nunca a enxergou e, portanto, ela nunca poderá ter o prazer de entrar uma única vez no recinto da Câmara de Vereadores com os seus e receber uma Moção de Aplauso. Algo dela: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=dona+Hilda. Eu não tenho nada contra o policial ter parado o carro e ajudado a senhora atravessar a rua, mas tenho muito a ver dos motivos de Bauru não enxergar e valorizar gente com dona Hilda.

2.) "VOU TRABALHAR PRO DÓRIA", ME DIZ UM AMIGO - DOU MINHA OPINIÃO
O desespero de causa dos sem trabalho e sem ter mais onde buscar fontes de renda só aumenta. A cada virada de esquina as histórias se repetem e sem saída, alguns buscam o que lhes restam de alternativas ainda possíveis nesses tempos mais que sombrios. O golpe e tudo o que veio depois dele fechou portas, lacrou possibilidades e estagnou o país, tornando os miseráveis ainda mais dependentes das migalhas desse cruel e insano sistema neoliberal predatório. Entendo o desespero de causa do amigo e quando me diz, diante de todas as portas fechadas, tendo que viver praticamente de favor, clamando até por um prato de comida, não tenho como lhe apunhalar e virar as costas. Sento com ele e tento dar minha modesta opinião:

- Veja bem, tanto eu como você sabemos muito bem o que representa esse João Dória na política. Ele não nos engana, aliás é muito transparente. Veio para fazer o serviço sujo da elite, um que não tem nenhuma dó de nós, os que lutamos por direitos coletivos e movimentos sociais. Tendo isso bem claro e diante de uma oferta de trabalho temporário na sua campanha política e da sua situação pessoal no momento presente, ao aceitar e começar a receber, poder continuar sobrevivendo com algum no bolso, vejo que poderia fazê-lo da seguinte forma. Faça o mesmo que ele faz conosco. Ele finge que defende os interesses do povo. Todos dizem isso, mas sabemos quem de fato o faz. Esse não faz, mas da boca para fora diz que faz. Mente. Minta para ele também, simples assim, vá lá e faça de conta que trabalhe. Na frente dos que lhe pagam seja um ótimo ator, desempenhe o papel a lhe render os cobres no final do dia, mas quando distante deles, continue a ser quem sempre foi. Estará conseguindo algum e ao ludibriar gente como ele, certamente não estará fazendo nada de tão errado. Errado mesmo é a situação vivida pelo país, com tudo pela hora da morte e o povo num mato sem cachorro. Tente ao menos agir dessa forma, para ser ao menos original e verdadeiro com o seu eu interior.

3.) ACORDO E COMO SEMPRE, NO PÁGINA 12, ALGO SOBRE O QUE ACABEI DE SONHAR - RICO NÃO PAGA SUA CONTA DO DAE
https://www.pagina12.com.ar/127866-el-rico-no-paga
Fui ontem a noite ver o lançamento da candidatura do amigo Roque Ferreira para deputado federal no próximo pleito eleitoral. Ele insiste e vê-lo defender seus belos argumentos é motivo suficiente para não sair da lida. No meio de sua fala algo a me fazer sonhar. Ele dizia, sem sei porque citou isso, mas minha mente se apropriou e sonhei com o tema. É sobre os grandes devedores de água de Bauru, os endinheirados que devem muito ao DAE - Departamento de Água e Esgoto e não pagam suas contas. Dizem que um dos maiores é a ARCO - Associação da Expo Bauru. Ele brinca: "Vai você, caro Nicola (e cita um dos presente) dever alguns meses e verá o que lhe acontece. Já os caras devem há anos e nem são citados. Por que isso acontece?". Bastou para virar sonho, ou melhor, pesadelo.

Acordo com os olhos esbugalhados e como faço toda manhã (vício bendito), não saio de casa sem ler a edição virtual do melhor jornal diário da América Latina, um ainda possível, o argentino Página 12 (www.pagina12.com.ar). Dentre outras coisas, algo sobre o motivo do meu sonho e a pergunta que não quer calar: Por que o pobre é obrigado a pagar sua conta e se não o faz tem o serviço sumariamente cortado e o rico, o que possui capital para pagar não o faz e nem molestado é? Como a resposta para isso não vou encontrar na mídia massiva bauruense, só mesmo na independente ou na isenta estrangeira, o faço e reproduzo para conhecimento de tudo, todas e todos. E novamente o assunto poderia voltar à baila. Por que mesmo, hem? Sendo os pobres maioria, daí outra pergunta, por que permitem isso?

domingo, 14 de agosto de 2022

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (166)


QUANDO VOCÊ PERCEBE QUE DENTRE TUDO O QUE JÁ FEZ, ALGUMA COISA FEZ CERTO
Ontem entrevistei para o "LADO B - A Importância dos Desimportantes", meu 98º bate papo, nada menos que o poeta José Brandão é no final da conversa, ele me diz querer falar mais uma coisinha. E me pergunta se li o livro "O País Impossível", que havia ganho semana passada. Digo que sim, e ele diz ter feito uma poesia para a dona Hilda Souza, a catadora de papel, falecida uns dois anos atrás e uma senhora, que sempre que a via, parava para estar junto dela por alguns instantes. Quando começou o mandato da vereadora Estela Almagro, a disse que precisava fazer Moções de Aplauso e Títulos de Cidadão para estes, os "simples", a carregar a cidade nas costas. Nã odeu tempo, pois quando fui contatá-la em sua casa no Fortunato, a triste notícia, ela havia falecido meses atrás. Ela ainda pode ser homenageada, numa rua ou praça lá perto do bairro onde viveu sua vida quase inteira.

Mas, hoje venho aqui para falar não só dela novamente - continuarei falando e escrevendo muito, pois jamais a esquecerei. O contentamento no caso foi, primeiro pela bela poesia do Brandão - o livro inteiro uma ODE aos pobres, não pelo conformismo, mas pela revolta e luta pelo fim das injustiças sociais neste País -, mas também quando me disse: "Henrique, passei a reparar nela após ler o que escrevia". Quer melhor coisa que isso? Brandão reparou no que escrevi sobre dona Hilda e assim como este escrevinhador, se sensibilizou e produziu um poema destes para trincar os dentes.

O PAÍS COMO UMA CATADORA DE PAPEL
A catadora de papel revira dos sacos de lixo
é uma preta de quase oitenta anos de vida
a cara enfezada dura doída.
Palavrões resmungos gemidos
buzinas roncos de motores explosões
cheiro de óleo queimado de carne queimada de vida
queimada.
Este país é uma catadora de papel.
Nuvens escuras pairam sobre a rua
as luzes estão acesas como se fosse noite ainda
o carrinho da catadora de papel ringe e segue.
São estes os sinais de que, algo onde você está envolvido e fazendo é o correto. Obrigada, Brandão, ele o "Afinador de Silêncios" pela lembrança deste escrevinhador, que certa vez viu o escritor Luiz Antonio Simas se autoretratar como "Historiador das Insignificâncias" e, desde então, adotou a designação para si. As muitas donas Hildas são o motor de minha escrita, algo idêntico ao lido no último livro do amigo poeta. Jamais me esquecerei de dona Hilda, a catadora de papel...

OBS.: Tanto eu, quanto Brandão, sabemos muito bem que, com o ex-capitão e miliciano presidente se reelegendo, a situação dos pobres só se agravará, daí impossível não estar junto de Lula neste momento.

LU BERNANDES E HELIO OITICICA JUNTOS EM BAURU
Lu Bernardes, EXPO NO BAR DO GENARO - A Bauru que ainda resiste. Ela é nossa/o Hélio Oiticica, rainha dos Parangolés na Terra do Sanduíche. Por aqui, em versões bem com a nossa cara e identidade, tudo o que flui no resto do planeta tem sua versão caipira, deste pedaço de sertão. Ser cosmopolita é conosco mesmo. Viva Lu e sua eterna arte. Uma de nossas "arteiras" preferidas.
Obs.: As fotos são de Pedro Romualdo.


HOJE É DIA DE RECORDAR MEU PAI, HELENO CARDOSO DE AQUINO E O FAÇO JUNTO DE ARCÔNSIO PEREIRA DA SILVA, NUM PASSEIO FEITO JUNTOS NA FEIRA DO ROLO EM 11/MARÇO/2010

"ARCÔNCIO E HELENO, 94 E 81, PASSEANDO NA FEIRA
Hoje uma historinha das mais simples, um reencontro, uma caminhada dominical de dois velhos senhores, que a lentos passos queriam rever um dos pontos mais movimentados da cidade. Pois foi assim, o ocorrido e eu conto como se sucedeu.

Domingo, 07/03, 10h, sol de rachar mamona, adentro a feira dominical de Bauru, mais precisamente o reduto da denominada Feira do Rolo junto de duas pessoas de responsa. Eu, HPA, 50 anos quase completados, ladeado de dois senhores, de um lado Arcôncio Pereira da Silva, 94 anos e do outro Heleno Cardoso de Aquino, 81 anos. Andar num horário desses naquela babilônia é algo difícil para quem tem as juntas bem lubrificadas, imagine para nós três e com o sol a nos amolecer as moleiras.

Nossa parada primeira foi na banca de livros e discos do Carioca, bem defronte a sede da Associação dos Aposentados de Bauru e Região, onde seu Arcôncio ostenta a carteira de sócio nº 1 da entidade. Portões fechados, arrumo banquinhos para ambos descansarem numa providencial sombra. “Eles não abrem mais aos domingos, pois ficava uma fila para o xixi”, me explica um vendedor de relógios. Seu Heleno, meu pai fica a fuçar livros e um deles lhe atrai, “Tietê – Imagens que o Brasil não vê”, que o Carioca lhe passa às mãos por módicos R$ 2 reais. Tiramos fotos e caminhamos por entre as bancas até uma de pastel, que pudesse acomodar três suados senhores, nenhum de chapéu. Um de queijo para cada um, regado com refrigerantes e alguns encontros, esbarrões e conversas com gente curiosa.

Ali na mesa são mostradas carteiras de ambos, uma da Associação, a do Arcôncio e outra do Passe Livre da Emdurb, a do pai Heleno. Uma peculiaridade da história da cidade outrora ferroviária, Arcôncio conta ter saido da Cia Paulista em 1949, após liderar uma famosa greve e Heleno, adentra a mesma em 1946, para dela sair só aposentado. E ali bem ao lado dos trilhos, mal puderam vê-los, pois o largo estava de gente aos borbotões e as pernas de ambos já não correspondiam com a vontade expressa pelo corpo.

Muita conversa, muito calor e uma caminhada de volta até o carro em exatos 150m dali. Ambos queriam caminhar, sair da rotina, rever a feira, ver gente e assim foi feito. Caminhando lentamente, ora pelo centro da feira, ora pela calçada, com várias paradas, para descansar as juntas e para um alcançar o outro Deu para sentir que além do cansaço, ambos estampavam uma fisionomia de desbragada alegria. E assim fomos todos para o almoço. Tudo aquilo não durou mais que duas horas e tenham certeza, foi a melhor coisa que fiz naquele domingão de sol implacável", história publicada no blog Mafuá do HPA.


OBS em 14/08/2022: São as tais inevitáveis lembranças a revoar dentro de nossa mente. Tantas histórias envolvendo meu querido paí, achei essa logo cedo e como gosto demais também de seu Arconsio, eis ela para ilustrar e reviver por onde eles já pisaram.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (144)


UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA
A NO CRAVO: ESSA EU ME CURVO TODA VEZ QUE A VEJO...
Uma batalhadora na acepção da palavra. Beirando os oitenta anos continua na lida e sem poder parar. Dona Hilda de Souza é catadora de papel e mora lá no Fortunato Rocha Lima, beirando a rodovia Bauru/Marília. Sobe e desce a pé e empurra seu carrinho sempre cheio de papelão pelas ruas. Já escrevi muito dela e apresentei o meu primeiro trabalho/artigo acadêmico tendo ela como pano de fundo. Não só as agruras do seu dia a dia, mas a continuidade da exploração que todos sofrem na pesagem e revenda do que coletam. Na cidade, algumas cooperativas funcionando mas nas mãos de gente com ligação umbilical com associações de moradores e outros interesses, muitos deles políticos. Muita coisa acaba não batendo com os interesses desses trabalhadores. Recebi de uma amiga de bancos escolares de mestrado na Unesp um belo trabalho feito aqui sobre essa realidade, o exato ponto nevrálgico da atuação dessas cooperativas, onde acertam e onde ainda erram e muito. Quando terminar a leitura, com a permissão da autora, quero publicá-lo aqui, pois versa sobre um baita de um problemão bauruense. Por enquanto, fiquem com duas doloridas fotos de dona Hilda, tiradas ontem perto do Poupatempo. Ao revê-la pelas ruas, dia após dia e nunca em momentos de lazer, mas sempre na lida, aquilo que me faz continuar tentando fazer algo para denunciar e tentar alterar algo dessa tremenda desigualdade existente entre as classes sociais no mundo em que vivemos. Gente como dona Hilda merece e muito estar em outra condição. Essa sim é uma baita de uma merecedora de um Título de Cidadania Bauruense e da página inteira na Entrevista da Semana do JC dominical. Sua história de vida é a desses tantos que enfrentam o touro a unha e não podem esmorecer um só segundo. Uma das figuras mais simpáticas do centro da cidade. Experimentem ir bater um papo com ela e depois me contem...

E A NA FERRADURA: SE O ALCKMIN PROIBIU É PORQUE TEM ALGO DE ESQUISITO ALI NO METRÔ
Eu não quero só falar mal do governador Alckmin, mas ele e os que o defendem com unhas e dentes fazem de tudo (e sempre mais um pouco) para que continuemos no bombardeio. A homenagem pelo que fez com a questão da água já era o ridículo do ridículo e o “amigão” querendo laurear o chefe deveria ser sim penalizado, pois o expôs ao ridículo. Passado isso, quando se esperava uma trégua para acalmar a gozação, eis que hoje algo mais sério é divulgado. Por ordem superior do Governo paulista de agora em diante está proibida a divulgação de qualquer matéria ou informação sobre os bastidores das maiores construções ocorrendo em São Paulo, sendo a principal delas as do Metrô, cujos valores já são objeto de escândalo internacional. Só daqui a 25 anos. Mas com que autoridade se pode fazer algo assim? Sinceramente não sei. Num momento em que a transparência é tudo o que se pede, uma lei draconiana como essa é tudo o que a oposição pede para deixar transparecer a existência de algo mais do que suspeito nessa e em outras obras envolvendo o Governo do Alckmin. Na alegação estás dito que tudo foi feito para evitar o uso das informações ocultas por gente mal-intencionada ou inabilitada. O que seria isso? Investigar não pode? Imaginem se Dilma fizesse aprovar algo assim? Estaria impeachmentada no ato, mas com o Alckmin o povo paulista adora fazer vista grossa e joga tudo novamente para debaixo do tapete. O que alguém em sã consciência pretende com uma lei dessas? Tentem me convencer de que não é para esconder algo. Quando criança, meu pai querendo nos impedir de fazer algo proibia e daí era o mesmo que dizer: “Façam”. Quem não gosta do que é proibido? Ainda mais nesse caso, onde algo já foi descoberto e agora tentam brecar tudo com lei que nem sei se tem validade legal. Agora danou tudo, pois vejo implícito na proibição algo tão revelador quanto tudo o que já foi apurado. Eles estão se entregando minha gente!!!!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

BEIRA DE ESTRADA (31)


BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS DO LADO B DE BAURU (02) – publicado no jornal mensal Metrópole News (do Vinicius Burda), nº 7, janeiro 2014.
HILDA SE SOUZA, A CATADORA A MERECER UMA JUSTA HOMENAGEM
Janeiro é mês emblemático dentro do ano, que pelo visto começa a partir de março, depois do Carnaval.  Ano passado, uma das ocorrências repetidas quase que semanalmente na Casa de Leis bauruense foi a entrega de MOÇÕES DE APLAUSO para pastores evangélicos, todos com ligação umbilical com o que pensa e age o atual e o anterior presidentes. Fizeram da Câmara uma extensão de suas atividades como pastores. Isso causou transtornos, malentendidos, fuxicos e muito descontentamento. Afinal, por que só pastores seriam os merecedores dessa honraria...

Ao invés da repetição dessas Moções somente para pastores, afinal, acredita-se que todos já foram agraciados, a Câmara de forma edificante poderia homenagear as pessoas mais simples, as "carregadores de piano", que são muitas e na maioria das vezes esquecidas e até menosprezadas. Imaginem a cada semana (ou até com um espaçamento maior), uma homenagem renovada, uma MOÇÃO DE APLAUSO PARA OS QUE REALMENTE DIGNIFICAM BAURU.

Na ideia inicial (encampada pelo vereador Roque Ferreira), pessoas das mais dignas, dessas que trabalham muito, são vistas pela cidade inteira e dão seu quinhão de contribuição para Bauru ser o que é. Penso inicialmente em DONA HILDA DE SOUZA, a famosa catadora de papéis do centro da cidade. Essa senhora, com seu carrinho de mão ajuda de forma substancial a limpar o centro de nossa cidade, teve sua residência incendiada recentemente, sustenta toda sua família com o que arrebanha na porta dos estabelecimentos comerciais, está sempre a sorrir e com os seus mais de 60 anos, se mostra alguém a merecer uma honraria e o reconhecimento dessa cidade. Hilda personifica o trabalhador que carrega seu instrumento de trabalho com a força do próprio punho. Com ela poderia ser dado o pontapé inicial para um projeto grandioso, o de valorizar essas pessoas a circular por nossas ruas. Depois, muitas outras e as sugestões ficam em aberto, pois nomes é o que não nos faltam.

A seguir um pouco mais dessa valorosa batalhadora. O nome dessa batalhadora deveria ser Desbravadora, Guerreira e Persistência, pois sua vida toda foi uma intensa luta pela sobrevivência. Criou todos os seus filhos com a força do seu braço, coletando objetos pelas ruas da cidade, sem dó e piedade, levantando seu lar e dando de comer aos seus. Aos 67 anos, figura muito conhecida de nossas ruas, forte como tem que continuar sendo, busca forças diárias para empurrar o seu carrinho pelas ruas e ganhar o seu sustento. Há 35 anos está catando reciclados e vivendo disso. Possui um vozeirão de impressionar, forte e contundente, daqueles que fere quem está ao seu lado, pela imponência. É uma mulher decidida, líder comunitária onde mora, no Fortunato Rocha Lima, de onde não sai de casa para quase nada, a não ser o trabalho e ir à igreja. Possui uma risada e uns dentes de fazer inveja e uma conversa envolvente, como todas as pessoas que não têm nada a esconder. É de uma sinceridade impressionante, não gosta de fotos, muito menos as tiradas quando está com o seu objeto de trabalho, o carrinho. No seu rosto as marcas do último embate, dessa vez com uma panela de pressão que explodiu perto de sua face. Não permite concessões ao seu modo de viver. Quem a conhece sabe o que quero dizer, ela é desse jeito e pronto. Uma mulher de fibra, numa atividade aviltante, como a grande maioria dos desvalidos desse país.

OUTRAS BIOGRAFIAS, TODAS PERSONAGENS LADO B DE BAURU:
MARINA GIORDANO é uma senhora de fino trato, trabalhou a vida toda em diversos e variados lugares, como a Drogasil, Sampaio, Mappin e outros, até conseguir a justa aposentadoria. Aos 72 anos, moradora do Mary Dota, goza do benefício de não mais pagar ônibus circular urbano e assim vem para o centro fazer o que gosta. Mas de que gosta dona Mariana? Ele possui uma coleção de aproximadamente mil discos, que ouve regularmente em sua vitrolinha e está sempre a cata de novidades. Sua preferência, mambo, salsa e os do Rolando Boldrin. Coleciona xícaras e circula pela Feira do Rolo em busca de novidades, trazendo sempre outras para troca. Ali naquele reduto, traz livros já lidos e vai os trocando pelos ainda não lidos. Na bolsa, diz sempre manter um, o que lê no momento. Viúva há 25 anos, esses seus passatempos, essa sua forma de encarar a vida e pelo sorriso ostentado, aparenta ser feliz e fazer o que gosta. Irmã do famoso Marron, lá do Pé de Valsa, ela ainda revende Avon nas horas vagas e de sombrinha em punho, para enfrentar as agruras do calor bauruense, diz sem medo de ser feliz, que a vida não tem lhe sido ingrata. Lépida, fagueira, dona Marina sabe o que faz.

CLAÚDIO DE SOUZA é um sujeito com a cara da felicidade estampada no sua face (como é fácil fazer com que as pessoas possam ser felizes). É o personagem representando o juiz na peça, todo de preto, algo surreal (talvez um Joaquim Barbosa dos tempos idos), estripulias mil no palco. Aos 48 anos, Cláudio diz amar o teatro. Mora longe, lá no Santa Edwirges e trabalha num suado batente na empresa Nova Era Empreendimentos Industriais, lá no Distrito Industrial I, defronte a Sukest. Sua função é a jardinagem, ofício aprendido ao longo dos anos e desenvolvido com maestria e sapiência. Bolou esquetes de 15 minutos cada, texto dele mesmo e não tendo onde apresenta-los, pede ao patrão se não pode fazê-lo no horário de intervalo, mostrando aos seus colegas de trabalho um bocadinho de sua arte. Licença concedida, ele diz que no início foi motivo de olhos atravessados, mas hoje, não querem que ele pare mais. E ele continua. Meses atrás foi atrás de Paulo Neves, mostrou a gravação de alguns deles e disse que queria fazer teatro de verdade, ter o registro da categoria. Essa foi sua estreia e a alegria o invadiu por inteiro. Deu o melhor de si. Suou a cântaros. Contou sua história para todos que tiveram a disposição de ouvi-lo e agora, gelo quebrado, quer expor suas gravações no youtube, facebook e buscar outras formas de reconhecimento. Cláudio é a esperança em pessoa, cheio de sonhos,
crendo que após conseguir chegar até aqui, poderá ir muito mais longe. E quero muito que vá.

Seu SALVADOR MOURA é um distinto senhor, morador do Geisel e tendo por ofício de vida o de pintor. Pinta e borda, paredes mil, casas uma atrás da outra, esse seu sustento. Aos 59 anos, bem vividos, já fez de tudo na vida, mas dentre as coisas que gosta de relembrar com imensa saudade é a de cantar. Sim, foi (alguém deixa de ser?) cantor. E para provar, abre o gogó sempre que solicitado. O apelido, que carrega pro resto da vida é VAGALUME e explica: “Eu pegava serviços à noite, coisa que poucos queriam fazer e em algumas vezes usava um farolete para clarear as paredes. Começaram me chamar de Vagalume e o apelido fincou em mim”. Pois bem, esse Vagalume trabalhou por mais de dez anos na Bauru Painéis, depois outro tempo como decorador e continua pintando por aí, cantando pouco, infelizmente. Pai da cantora Joelma, do grupo Balaio de Sinhá, tem orgulho em dizer que ela já cantarolava desde os dois anos, influência paterna total. Um retinto senhor, magro, esbelto e cheio de muito charme, inclusive nos momentos em que circula com um cigarro (apagado, viu!) atrás da orelha. A simpatia em pessoa, um ser de bem com a vida e sabendo leva-la a contento, como deve mesmo ser as nossas relações com essa distinta senhora. Vagalume é desses a clarear trilhos para os desalumiados.

MAURO DIAS BORBOREMA é seu nome de batismo, mas com o passar do tempo ficou só BORBOREMA, como todos o conhecem. Nasceu em Garça, mas ganhou a estrada logo cedo, de um lado para outro, aportando em Bauru e por aqui se estabelecendo. Com 50 e lá vai fumaça de idade, uma das tantas coisas que faz por gosto é o amor pelo futebol. Fundou um time amador na cidade e na querência de homenagear o falecido BAC, aproveitou o B de Bauru e o do seu nome, assim nascendo o Borborema Futebol Clube, um desses tantos que vive sem patrocínio, buscando forças aqui e ali, sobrevivendo só deus lá sabe como. Estamos a poucos dias de mais um torneio amador ter início, tudo ainda está embrionário lá pelos lados do time, mas ele não se perturba, pois sabe que a luz virá e o time entrará em campo. Borborema é um místico, teve famoso templo de umbanda em Garça, sua terra natal e hoje tenta reviver outro por aqui, algo que deve acontecer tão logo a luz baixe e lhe inspire onde, como e por que. Enquanto isso não acontece, festeja a vida ao lado de gente do samba, do futebol, da umbanda e os que compreendem sua forma de ser e agir. Bonachão, bate bola em várias posições, tudo ao mesmo tempo, trabalhando, crendo e curtindo o lazer pelas quebradas do mundaréu. No último domingo gravou vários vídeos, um de 48 minutos com o pessoal do samba lá na Escola de Samba Coroa Imperial e quer que o ajudemos a espalhar a festa. Eis aqui seu vídeo, entregando todos que por lá estiveram:https://www.facebook.com/photo.php?v=244682635712567&set=vb.100005124964140&type=2&theater 

sábado, 13 de junho de 2015

BAURU POR AÍ (114)


HILDA – A CATADORA DE PAPEL E UMA SITUAÇÃO QUE NADA MUDA COM O PASSAR DOS ANOS

Ando sem muito tempo para conversações internéticas. Mestrado em curso, milhões de livros sob a mesa e um mundão novo pela frente a tomar quase todo o meu tempo. Aos 54, beirando os 55, aprendendo e gostando do novo horizonte à minha frente. Ampliando conhecimentos. Aproveito essa introdução sobre esse meu novo momento e publico algo do meu primeiro artigo aprovado num Congresso Acadêmico, justamente aqui em Bauru, no ‘Mídia Cidadã e Movimentos Sociais: Desigualdades, Resistências e Mídia Cidadã’, ocorrido na Unesp Bauru entre 22 e 24/04. Tive o prazer de apresentar o artigo num GT – Grupo de Trabalho, o de nº 6, coordenado pelo professor de Jornalismo Dino Magnoni. Escolhi como tema de pesquisa algo bem comum nos meus escritos, de minha regular produção nas publicações no blog e nos perfis dos Personagens sem Carimbo – O Lado B de Bauru: “Hilda, a catadora de papel: acompanhamento de sua ação nas ruas de Bauru”.

Foi uma escolha mais do que providencial, algo feito com muito orgulho, pois essa personagem do centro bauruense é hoje para mim, uma digna representante dos tantos excluídos e invisíveis de nossa sociedade, foco do meu estudo. Muito dela já escrevi no Mafuá do HPA e clicando a seguir um bocado disso: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=hilda+de+souza. Abaixo alguns dos slides (total de dezoito) que apresentei naquele dia. Viva dona Hilda, uma das mais nobres pessoas que conheço nessa cidade varonil. Falando dela, é claro, falo de todos os demais em situação idêntica. Enfim, se a Cooperativa de Reciclados existe por que esses das ruas preferem continuar vendendo o que coletam em outros lugares?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DIÁRIO DE CUBA (47)

OMAR, DA MUNDO LATINO E UM PARQUE SOB O RIO ALMENDARES
Antepenúltimo dia em Cuba. Quando tudo vai chegando ao fim, parece queremos aproveitar cada minuto como se fosse o último. Pois assim se sucedeu comigo naquele 25/03/2008, uma terça-feira. Acordo lembrando ainda do seu Lázaro, um barman atuando ao lado do hotel. Uma de suas falas serve de reflexão para mim e Marcos Paulo: “Se queremos ter um país realmente marxista, temos que instruir, dar educação e cultura para o povo, pois só um povo que sabe discernir muito bem as coisas pode ser marxista de verdade. Não existe como um povo sem cultura entender e discutir dialética”. Proféticas palavras.

O nosso “desayuno” (café da manhã) foi bom demais. Acabou servindo para todo o dia, exatamente como os ursos fazem quando hibernam. Logo na saída da sala de café uma simpática estudante universitária fazia uma pesquisa sobre o atendimento matinal do hotel. Nada a reclamar, aproveitamos para conversar com uma estudante e a conversa não rendeu mais porque queríamos sair às ruas e o mais rápido possível. Teríamos dois encontros previamente agendados, um para a manhã e outro para a tarde. Pegamos um táxi defronte o Habana Libre Hotel e fomos até a produtora Mundo Latino (calle 41 % 22), pagando meros cinco pesos.

Por lá esperamos pouca coisa, pois nosso velho conhecido do começo da viagem, Omar Olazabal, 45 anos, diretor da Mundo Latino estava em reunião. Enquanto aguardávamos, ficamos a papear com uma estagiaria que diz conhecer brasileiros de Maracatu (sic). Fomos levados a uma sala isolada, nos fundos, fizemos um breve relato ao Omar, que ouviu tudo atentamente, fez perguntas, não se furtou a responder às nossas: “O que temos que tomar cuidado não é com a religião, mas sim com o consumismo” (quando lhe questionamos sobre religião), “proibir algo por proibir é perigoso, pois logo mais outras tantas portas serão abertas. O fundamental é brecar o consumismo desenfreado”, “quando o Período Especial foi necessário, ocorreu uma abertura maior para o turismo e para o consumo, daí surgiu a rineteria. Essa é uma das preocupações que temos. Estamos muito atentos aos que tentam tirar vantagem dos turistas” e “as igrejas em Cuba não interferem em nada nas decisões tomadas pelo estado, aqui existe uma hierarquia e ela é respeitada. A igreja enquanto instituição sabe até onde pode e deve ir”. Tiramos muitas fotos, poucas com ele e várias com as simpáticas funcionárias.

Na saída, por volta das 11h, percebemos estar muito perto da casa de dona Hilda Marin, a mãe da amiga cubana residente em Bauru, Rosa Tolon. Nosso encontro com ela estava marcado para o final da tarde e resolvemos ficar ali por perto, ir conhecendo novos locais nas redondezas. Voltando pela avenida 23, ao atravessar sobre a ponte sob o rio Almendares nos deparamos com uma árvore idêntica aquela vista no cemitério em Santiago de Cuba, cujo nome é Anacayta (árvore símbolo do Panamá) e o fruto é uma caixinha em formato de coração. Para para ver, tiro fotos com três senhoras e peço explicação. Uma delas até nos canta uma canção sobre a mesma. Papeamos por um certo tempo, ouvindo suas histórias. Uma pena foi constatar que todas estavam com pressa. Andamos um pouco mais e localizamos a casa de Hilda, porém como ainda era muito cedo, continuamos nossas andanças.

Voltamos para os lados do rio e descobrimos um parque, quase debaixo da ponte. Muitos barcos circulam de um lado a outro, com gente remando de um lado para outro. Aproveitamos para descansar. Volto até as anacaytas e recolho algumas caixinhas, algumas delas cheias de sementes, pois logo de cara fiquei com a intenção de plantar em algum lugar em Bauru. Vasculhamos o parque inteiro e pouco conversamos com as pessoas. Por volta das 13h30 caminhamos até a casa da querida Hilda, mas isso fica para o próximo relato.