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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (73)


UMA HISTÓRIA ARGENTINA
SERGIO HORVATH, RESISTE DESDE MUITO TEMPO NA ARGENTINA – DIANTE DE UM NOVO MOMENTO, CRÊ EM ALGO DE BOM PARA GENTE COMO ELE, OS PERIFÉRICOS SOBREVIVENTES
Quero lhes contar a história de um argentino, mas não a de um argentino qualquer e sim, a de um típico de suas entranhas. Desses, diria, encruado, incrustrado nos seus ditos mais arraigados sentidos sociais, no que isso pode ter de mais relevante. O conheci anos atrás e a empatia foi imediata. Conto como foi. Exatos três anos atrás estávamos num grupo percorrendo o bairro de La Boca, zona suburbana de Buenos Aires, local turístico e também por ser onde está localizado o campo La Bombonera, do time de futebol do Boca Juniors.

Horário do almoço, um professor ali conosco, havia morado na cidade por quase um ano na cidade e nos indica um lugar fora da zona turística para a refeição. Todos aceitam e ao andarmos algumas quadras, meio a meio entre a zona principal de turismo e o campo do Boca, chegamos a uma edificação outrora imponente, mas no momento um tanto deteriorada. Um galpão que antes havia abrigado um frigorífico, agora o fazia para um Mercado Popular, o antigo Marcado de la Boca, todo ele para atender os locais, nada turístico. Como muitos outros, por ali tem de tudo um pouco, desde lojas com comércio de roupas, brindes, sapatos, serviços variados, como muitos profissionais, alfaiates, eletricistas e alguns artistas plásticos, além de restaurantes.

Bem no fundo, um restaurante popular, o Black Café, bem rústico, com comida a preços populares e tudo feito por um casal, Luiz e Teresa. Comemos por ali e o mesmo professor que se dizia refinado na hora da alimentação, não resisti e lhe perguntei: “Te vejo reclamando da comida em muitos lugares, mas aqui não e a simplicidade é a marca desse lugar”. Ele sorri e me diz: “Exijo nos lugares onde propõe algo e não cumprem, aqui não. Aqui a comida é essa, simples, feita pelo casal e a proposta é essa, não inventam nada que depois não conseguem cumprir”. Gostei e seguindo o mesmo lema nos esbaldamos. Só para dar um pulo lhes digo, voltei nos anos seguintes e já nos tornamos amigos de todos por lá. Não só amigos dos donos do reaturante, como de outro estabelecimento ali ao lado desse, o Local 70, ou como diríamos pro aqui, o Box 70, uma mistura de sebo, galeria de arte, livraria e loja de antiguidades. A história a seguir é de um dos proprietários desse lugar.

Quem me conhece sabe que, não me seguro diante de sebos, estejam onde estiverem e mesmo que tenha dificuldades na língua, a imediata identificação com esses lugares me faz se aproximar e puxar conversa. Foi o que fiz, vi inicialmente alguns CDs de música argentina e quis vê-los. Foi quando conheci a dupla de proprietários, Sergio Horvath, 56 anos e Marcelo Martin, 57 anos, ambos artistas plásticos, pintores e artesãos. No primeiro ano arrematei uns 15 CDs, vendidos por um preço simbólico, muito baixo, talvez pela grande diferença existente entre o valor do peso dele e do nosso real. Mais que a compra, conhecer a ambos, kirchneristas e peronistas, militantes de esquerda e naquele momento revoltados com a política neoliberal aplicada no país pelo presidente Maurício Macri. Conversamos muito, trouxe comigo muitos endereços virtuais e fiquei de voltar. Nas prateleiras, estantes e do lado de fora, posters e cartazes sobre o posicionamento de ambos. Os vi depois num outro grupo, todos sentados nas mesas do bar/restaurante confabulando sobre atividades políticas.

Ambos não me saíram mais da cabeça, mas só voltei a ter novo contato no ano seguinte, no mesmo período quando por lá voltei. Desta feita somente eu e Ana. Almoçamos novamente e retorno ao Local 70. Converso novamente com eles dois, compro mais CDs e me dizem mais sobre as dificuldades todas de manter uma pequena e modesta galeria nos fundos de um Mercado Popular numa zona onde praticamente não circulam turistas. Na conversa, sempre aquele algo a mais sobre política e o desastre do neoliberalismo predatório na Argentina. Percebo o quanto gostam de Lula e clamam pelo retorno da denominada política do Pátria Grande. No espaço começo a perceber melhor como vivem. Ambos pintam e Sergio, o que mais permanece no lugar, também produz peças de artesanato, esculpindo barcos de madeira e depois fixando uma pintura ao seu estilo, bem colorida. Vivem disso, da venda dos livros, LPs, CDs e antiguidades da loja e do que produzem. Divulgam ao seus modos e jeitos, percorrem feiras variadas na cidade e usam o local como ponto de apoio, o endereço fixo.

Novamente me vou e neste ano, na visita anual para apresentar trabalhos acadêmicos, entre julho e agosto, acabamos não almoçando no restaurante. Compro poucos CDs e retorno dias depois, mas encontro o local fechado, ambos batalhando algo pelas ruas. Ouço do Sergio, ambos estarem envolvidos na eleição de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, compromissos pela cidade e pouco por ali. Nesse ano retorno para trabalhar como jornalista na eleição, entre 25 a 29 de outubro e é claro, levo amigos para almoçar no restaurante, conhecer o Local 70 e seus dois artífices. Não encontramos com Marcelo, mas sim Sergio e desta feita, além dos CDs comprados, indicações preciosas da nova música argentina, tangueiros de uma nova geração. O convidamos para almoçar conosco e ele nos conta algo mais sobre suas atividades. Primeiro nos aponta o teto do Mercado e diz sobre a pintura ali existente. É dele e mesmo após o incêndio no local anos atrás, a mesma não teve como ser retocada, mas parte ainda intacta e resistindo ao tempo. Além de tudo, muralista.

Sergio é pai de um jovem, esse já se safando sozinho, com suas próprias forças, ele separado e diante das dificuldades optou anos atrás por ocupar um pequeno quartinho nos fundos do Mercado, ao alto, acima dos banheiros públicos. Lá, num canto sua cama e noutro o seu estúdio, onde trabalha, pinta e produz a maioria dos seus trabalhos. Quando não está no apertado local, está na loja ou das ruas, participando de feiras, eventos e também atuando politicamente. Vida espartana, sua vida hoje é munida pela esperança. Descrente de tudo o que possa vir de modelos como os praticados por Macri, Piñera, Lenin Moreno e Bolsonaro, alia sua vida profissional, com uma intensa participação no combate a esses que, decididamente atuam contra pessoas como ele. Ciente disso, não se intimida em demonstrar isso no que está exposto na loja. Num dos cantos, algo sobre a luta pelo Lula Livre, noutro sobre o gato Macri e as agruras da desunião dos países latinos. Desta feita, eleição no dia seguinte, muita propaganda política, o que sobrou de um intenso trabalho realizado na região.

Falamos de tudo, de política local, da regional, literatura, Buenos Aires, Cristina e Alberto, além das agruras naturais de quem, como ele, deu muito murro em ponta de faca, pagou o preço e hoje está ali, num local pouco frequentado, onde seu trabalho está um tanto escondido, oculto e sem grandes possibilidades de exposição. Faz o que pode, com suas próprias pernas e recursos. Não reclama, trabalha muito, se vira e não para um só segundo. Me diz que, quando me deparo com o box fechado, sinal de estar tentando algo pela aí. Essa sua vida, uma atuação política que espera com o novo Governo, traga algo de novo, um olhar diferente para todos os como ele, vivendo em condições cheias de restrições e privações. Olha para tantos outros à sua volta e isso o entristece, pois os que foram morar nas ruas hoje representam uma parcela significativa da população. “Como posso esperar que consumam arte, o que faço, o que sei fazer, se o dinheiro que se ganha hoje mal dá para suprir as necessidades básicas do povo. O turismo é o que nos salva, mas também não está como antes”, diz. Atento a tudo, sabe que a reviravolta não será rápida, mas lenta e gradual. Aguentou-se até agora e não será nesse momento, quando o que tanto lutou para conseguir foi alcançado, irá desistir. Sabe ter que aguentar um pouco mais e para tanto olha firme para nós, nada resignado, nos abraça na despedida, está ao nosso lado contra gente como Bolsonaro e tudo de ruim representado por políticas onde a miséria é o resultado final. Mesmo nas dificuldades sentidas ali no dia, sabe muito bem que, não basta a Argentina mudar de rumo, sendo também relevante o Brasil fazer o mesmo, o Uruguai não se deixar levar pelo discurso conservador e assim por diante. Trocamos cordiais abraços e volto pras ruas ciente de que, esses são os valorosos deste mundo.

OBS.: Essa história continua, pois a de Luiz e Tereza, os donos do restaurante ali na frente do Local 70, o Black Café, eu conto em detalhes nos próximos dias. Na junção das duas, algo dos que lutam em La Boca.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (110)

meu conto de natal
ZENAIDE, A PRAÇA E AS MANGAS
Passada rápida pela agência do Banco do Brasil da Praça Rui Barbosa. Estaciono o carro bem defronte a praça e quando já estava quase atravessando a rua, sou chamado e uma distinta senhora me pede se pode olhar meu carro. Como negar, para tão charmosa senhora, na qual vi nos traços os de minha finada mãe. Adentro o banco e a esqueço, faço o que tenho que fazer e volto sem um tostão nos bolsos, enfim, tudo hoje pago com dinheiro virtual e quase sempre com pouca grana nos bolsos.

Adentro o carro e quando estava para sair, ela me aborda e só de me olhar, vejo nada ter separado para ela. Explico ao meu modo e jeito. Digo que, infelizmente, naquele momento, nada teria, mas não esqueceria dela e em breve, talvez amanhã, quando ali voltasse se a encontrasse, com certeza, daria um valor pelos dois dias. Ela se aproxima e diz não precisar se preocupar. Me agradece pela atenção e me oferece mangas. Fico sem jeito, ela conta ser dali dos pés existentes na praça, todos carregados e que um outro cuidador de carros, pega para ela. Me ofereceu todos os ainda em seu poder. Aceito prontamente e fico naquele estado onde não sei se deveria me envergonhar ou me encher de brio pelo presenciado.

Fui embora, chego no Mafuá, chupo as mangas e decido que, fui muito do muquirana, pois tinha algum valor nos bolsos e, na verdade, havia achado alto para lhe dar. Repenso e decido: tenho que lá voltar. Volto e a encontro no mesmo lugar. Ao passar de carro, ela me reconhece e acena. Estaciono e chego sem que perceba, entrego o dinheiro e ela sorri, nos falamos. Conta que, por essa não esperava e paramos para conversar bocadinho mais. Pergunto seu nome, ela me diz, ZENAIDE, 73 anos, moradora do centro da cidade, já tendo trabalhado de tudo um pouco e diz ter ficado muito conhecida, por ter sido apontadora do jogo do bicho na rua Treze de Maio. Disse que já a conhecia, mas não sabia de onde e que, voltei não só por ter quase uma obrtigação interior de lhe retribuir pelas mangas, mas também por ter me feito relembrar de minha mãe.

Não tenho mais o que dizer. Ela ainda me oferece mais uma, a última que tem e me diz, que depois seu amigo lhe trará mais. Da conversa, subtraio o algo que a faz estar ali, de manhã até lá pelas dez da noite: "É o que consegui pensar em fazer para conseguir algo a mais neste Natal. E, tenho que lhe dizer, estou conseguindo. Consegui esse espaço aqui na praça, o pessoal me respeita e com meu jeito, já também bastante conhecida aqui na região do centro, todos tem me ajudado bastante. E, lhe digo, não tenho tido até agora nenhum problema com os carros que tenho olhado". Dou-lhe
um abraço
e saio meio que, agradecido, por ter tido a oportunidade de vivenciar mais uma bela história, simples, mas de profunda aprendizagem. Vou pra casa, pensando nela, dona Zenaide e de todos os demais ali na praça e nas imediações, labutando ao seu modo e jeito para conseguir ao menos passar um Natal com um algo mais. São tantos, todos com belas histórias e loucos para uma conversinha, onde possam nos contar este algo mais de suas vidas e do que fazem para ir tocando a vida adiante. Todos precisamos muito de conversar.

POR AMILTON E MÁRCIA NAVA
Márcia Nava é professora e uma grande amiga que acaba de ficar viúva e está com grandes despesas devido os cuidados com o esposo Amilton, é uma situação extremamente difícil, mto delicada.
Ela tem livros publicados sobre a história de Bauru, fez da pesquisa parte de sua vida, de sua história.
Cada livro é R$ 25,00 ou 2 por R$40,00.

Aproveite o Natal para dar história, cultura e apoiei uma professora q faz história.

* Interessados, tenho algumas unidades comigo, e no Bar do Genaro, na Vl. Falcão, esquina da Wenceslau Braz e com a Altino Arantes tem também, abre às 16hrs.*
Dúvidas , entre em contato.
#Leitura #Livro #Cultura #História #Bauru #Interior #SP #Pesquisa #Professor #Educação #Natal #Navidad #Presente

REVER ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO, COM O COUVERT SENDO REVERTIDO PRA Audren Ruth, EIS ALGO DE INOLVIDÁVEL IMPORTÂNCIA
Que dizer do Arismar e da turma que irá tocar com ele na próxima terça, 20/12, no TemploBar Bauru? Nada. São todos mais que ótimos. Que dizer da resistente Audren Ruth, uma cantante que, nos encantou a todos e hoje precisa de todos seus amigos e considerados? Nada, ela merece sempre mais de todos nós. Se eu, por algum motivo não puder ir, pago o couvert e algo mais. Juntando tudo, esses todos são os que valem muito a pena estarmos cada vez mais juntos, sem ninguém soltar da mão de ninguém. Eu vou, e você?
"Dia 20/12 - Terça no Templo Bar Ambiente as 21h, Vamos fazer o 5° Sarau de Piano, com a presença dessa Lenda da música brasileira e mundial Arismar Do Espirito Santo!!! com a participação dos super músicos Paulo Maia, Kleber Gaudencio, Thiago Murback, Vitor Napolião, Gilberto De Almeida Bessa, Danilo Andrade. o Couvert R$20,00 será doado para o tratamento da querida Audren Ruth!!! vai ser uma noite musical sensacional!! bora!?", pianista Roger Pereira.

"POR QUE MEUS AMIGOS BRASILEIROS AGRADECEM A MESSI?"
Polêmico título de artigo de Martin Granovisk, publicado hoje, terça, 20/12/2022, no diário argentino Página 12, ótimo para reflexões variadas e múltiplas. Não vale ver só a ilustração e se chatear, ou mesmo achar inconveniente. Se faz necessário ler o escrito do começo ao fim, depois sim, se quiser, comentar:

"O jogo acabou e em um minuto já recebi cumprimentos de fora no WhatsApp.
Uma amiga chilena, funcionária de Salvador Allende com vinte e poucos anos e ainda na política, mandou uma bonequinha com os braços levantados. Quando respondi, ele aumentou a aposta: "Stand up Latin America!". E então as mensagens não pararam mais.

Como vocês bem sabem, na hora de entregar a taça principal, Mauricio Macri, importante executivo da FIFA, não apareceu em campo ao lado de seu admirado emir. Depois de ler uma nota sobre os elogios de Macri à principal beleza natural do Catar - a falta de sindicatos -, um amigo me disse que os catarianos obviamente estão muito longe de atingir um nível razoável de relações trabalhistas. O cara sabe disso. Ele é ainda mais tucumano do que Felipe Yapur. Ele anuncia “Vou fazer você chegar aqui” (do quéchua “aka”, procure no dicionário), mas anuncia longe, porque trabalha no exterior como funcionário público internacional especializado em questões trabalhistas. O especialista diz que, em comparação com sua história não muito distante, os catarianos caminham para uma certa formalização do mercado de trabalho. Por exemplo, Antes, a remuneração dos trabalhadores estrangeiros era negociada por meio de empresas de cada país. Nepaleses, indianos, filipinos ou indonésios ganharam no Catar apenas o pouco que poderiam ganhar em seus países de origem. Agora existe um salário comum. “Se Macri soubesse disso, pensaria que é populismo, porque você começa aí e depois chegam os sindicatos”, ironiza o tucumanense.

Mas as mensagens mais impressionantes do WhatsApp vieram do Brasil. Um ex-ministro do Lula me mandou aquela fotozinha que mostra o Diego com uma auréola e uma bola brilhante. Embaixo está escrito: "São Maradona". Outro foi direto ao ponto: “Parabéns, Martín”. Com um terceiro amigo, que também era ministro, mandávamos mensagens de antes. Pela semifinal recebi uma imagem com Mbappé, Messi, Modric e Hakimi por trás, os quatro caminhando rumo à Copa. O Brasil não estava mais lá. Dizia, na tradução do português para o espanhol: “Sem dancinhas, sem mudar a cor do cabelo, sem refeições milionárias. 'Mal' treino, concentração e vontade de vencer”.
--Tem uma raiva aí da Seleção Brasileira, né? perguntei ao meu amigo.
"Absolutamente", respondeu ele.
--Daqui parece que eles eram frívolos.
--Nem mesmo isso. Apenas $$$$$.
"Então que mal o Bolsonaro fez... ", escrevi para ele. Ele transformou a cor amarela das camisas em um álibi para o dinheiro.
"Verde, quero você verde", respondeu ele poeticamente, antes de repetir um sinal três vezes. USD, USD, USD.

Na sexta-feira, meu amigo voltou à carga. Um Messi chegou com o polegar para cima e uma lenda em português. Traduzo: “Sem comer bifes de ouro, sem brincos, sem cabelos tingidos. Só jogando." Na manhã de domingo, antes da final, outra mensagem: “Unidos hoje pela Argentina! Forte abraço". E depois do pênalti de Gonzalo Montiel e da loucura, outro: "Viva a Argentina!"

Presumi que não haveria mais mensagens de alegria compartilhada. Erro. Na manhã de segunda-feira, chegou ao meu celular uma imagem que não tinha visto nas redes. É uma montagem. O presidente Jair Bolsonaro é visto, de bebida na mão, cercado pela seleção brasileira. Abaixo lê-se, em português: “Obrigado, Argentina, por ter nos livrado dessa cena”. Em outras palavras, "obrigado, Argentina, por ter nos livrado dessa cena".
Meus amigos brasileiros, como o chileno ou o tucumano, são velhos militantes políticos. Por isso ninguém caiu na tola tentação, diria Messi, de atribuir a vitória da Argentina na Copa ao peronismo, ao governo, ao movimento sindical organizado ou a Cristina. Mas todos eles também são torcedores de futebol, característica em que nem sempre impera a irmandade latino-americana. Especialmente em privado. E ainda, principalmente os brasileiros, ficaram contentes com algo que vai além dos limites do futebol.

O que nesta seleção desperta esses sentimentos em você? Seriedade, talvez? A sobriedade de Messi e Scaloni? A insistência destes miúdos em nunca esquecer, mas nunca, sempre que falam, de onde vêm? E se não vierem de muito baixo como Dibu Martínez ou Gonzalo Montiel,

Deve haver nessa seleção, e em sua marca popular, uma certa nobreza que os amigos brasileiros sentem como algo diferente. Algo muito oposto ao fascismo.