sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ALFINETADA (80)

FRASES REUNIDAS NA MINHA AGENDA DO ANO PASSADO
Como faço todo ano, vou reunindo frases pelas páginas de minha agenda pessoal, ocupando todos os espaços vagos. No primeiro texto do ano, reproduzo algumas para os leitores d’O Alfinete:

- “A gente vai contra a corrente”, Chico Buarque de Hollanda.
- “Ao final sempre ganha a morte, porque tem menos pressa do que a vida e também menos vergonha”, Camilo José Cela.
- “Descobri que o grande barato é aprender a viver com menos. A gente passa a dar valor as coisas simples. Não tem nada melhor do que ser dono de seu próprio tempo. Nem tudo o que a gente acha importante é necessário”, jornalista Ricardo Kotscho.
- “Eu sou de ninguém/ Eu sou de todo mundo, é todo mundo é meu também/ Já sei namorar, já sei chutar a bola/ Agora só me falta ganhar, não tenho juiz”, trecho de música dos Tribalistas.
- “Tudo que um homem faz na escuridão da noite será revelado na claridade do dia”, Carlos Imperial.
- “Universidade é uma fábrica para a produção de conhecimento e técnicos para servir as muitas burocracias da sociedade”, Clark Kerr.
- “Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a miséria da existência humana”, Brecht.
- “Neste país é preciso dizer o óbvio, ainda que as pessoas tenham resistência a ele”, cineasta Sérgio Bianchi.
- “Nunca se explique. Para seus amigos não é preciso se explicar. Para seus inimigos é inútil”, escritor Rubem Alves.
- “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e viver com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve. E a vida é muito para ser insignificante”, Charles Chaplin.
- “O brasileiro não faz história, ele é um expectador”, Raul Seixas.
- “O Brasil é feito por nós. Agora só falta desatar os nós” Barão de Itararé.
- “Jornalismo é publicar alguma coisa que alguém não quer que seja publicado”, citado pela deputada estadual carioca Cidinha Campos.
- “Nada nos humilha mais do que a coragem alheia”, dramaturga Nelson Rodrigues.
- “Enquanto a classe política não perder o medo da imprensa a gente não vai ter liberdade de imprensa nesse país. Esteja certo disso”, presidente Lula.
- “Com Lula a esperança venceu o medo e com Dilma a verdade vai vencer a mentira”, Leonardo Boff, pouco antes da verdade vencer a mentira.
- “Quero um país que não fale fino com Washington e nem grosso com a Bolívia e o Paraguai”, Chico Buarque de Hollanda pouco antes disso tudo ser confirmado pelo sufrágio eleitoral.
OBS.: Texto será publicado edição de amanhã, 08/01 no semanário pirajuiense O Alfinete.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DROPS – HISTORINHAS REALMENTE ACONTECIDAS (46)

ALGUMAS HISTORINHAS DE FINAL DE ANO DAS RUAS CARIOCAS
Estive no Rio de Janeiro de 19 a 26/12/2010 e aqui conto algumas poucas observações bem pessoais:
01. Dona Maria mora bem longe do centro do Rio. Moradora da Baixada, desce diariamente até o centro da cidade, proximidades da rua Uruguaiana e da Alfândega, chegando e voltando via trens da Central do Brasil. Junta latinhas nas ruas e o mês de dezembro é a possibilidade de arrebanhar um ganho extra, pois junta mais, devido as festas do período. Para facilitar seu trabalho de carregar tudo até o comprador, joga tudo o que colhe no meio da estreita rua da Alfândega e deixa os carros passarem por cima, depois junta tudo num carrinho e segue em frente.
02. Jerson (com J mesmo) é garçom de um dos mais famosos restaurantes do Rio, o Bar Luiz, localizado na rua da Carioca, quase chegando na famosa Praça Tiradentes. Vê-lo trabalhando com uma barba e cabelo muito bem aparados e um traje ao velho estilo, impecável é reconhecer que uma casa inaugurada em 1887 mantém muito de suas tradições. Falante vai e volta à nossa mesa e explica sobre seus 8 anos por lá, começando na limpeza, depois ajudante de cozinha e por fim, garçom. Um verdadeiro plano de carreira cumprido à risca pelos que querem trabalhar na famosa casa. Feliz da vida, diz não querer saber de atuar em outro ramo e lugar.
03. Vamos todos assistir à ultima sessão do dia, 21h30, do filme “Film Socialisme”, do Jean Luc Godard, meio de semana chuvosa, na estação Laura Alvim, coração de Ipanema. Corremos pelo túnel Rebouças (do Grajaú até lá), pensando encontrar fila e ao chegar a incredulidade, éramos quase únicos, pois além de nós mais três pessoas. Do filme, difícil de ser compreendido, como toda obra de Godard, uma mensagem final para não mais sair da cuca: “quando a lei não é justa a justiça se põe acima da lei”. Penso depois: Insisto em salas com filmes de arte e até lá no Rio as salas penam. Que fazer?
04. Indicado pelo blog Buteco do Edu vou conhecer um botequim dos mais modestos, diante de grandões cariocas, o Rio Brasília, encravado num cantinho de um prédio, junto da rua Haddock Lobo, plena Tijuca. Passo no final da tarde do dia 25, desviando de dois grandões, até achá-lo num canto, espremido por um prédio e um outro estabelecimento qualquer. Na porta, Pedro, um dos sócios, lava o estabelecimento, um pequeno salão, estreito e abarrotado. “Pouca coisa acontece aqui dentro, tudo rola na calçada, com mesas e cadeiras espalhadas. Esse o verdadeiro espírito carioca”, me diz. Penso logo na situação aqui de Bauru e relembro caminhões recolhendo mesas em calçadas, numa implacável fiscalização que nem bandidos possuem. Bares sim. Sou como Eduardo Goldemberg, o do Buteco citado, prefiro os pés sujos aos ditos limpos, afinal escrevinho num blog incluído com louvor nos ditos Blogs Sujos.
05. Fotografei pisos mil nas velhas, vistosas e divinais ruas do centro velho do Rio, principalmente aquelas estreitas junto do cais do porto. Adoro esse tipo de piso e o faço só para demonstrar como são, além de lindas, mais úteis do que possam pensar nossos modernosos administradores municipais. Das vantagens deles, incontáveis, nem preciso ficar aqui chovendo no molhado (aguardem papo com Fio, o dos bloquetes por aqui). Resolver podem até não fazê-lo na sua totalidade, mas que amenizariam essa imbecilidade de asfaltar até quintal, isso não tenham dúvida. Aqui uma foto da região defronte a Casa França Brasil, atrás do prédio do Centro Cultural Banco do Brasil.
06. Claúdia é uma garotona, estudante universitária e tentando sobreviver na cidade grande. Gosta de arte e deu seu jeito para ganhar algum a mais bem pertinho de tudo o que gosta de fazer. Compra suporte de bottons, reúne imagens via internet, monta esses de lapela e sai vendendo na porta de cinemas, shows e espetáculos. Antenada com os acontecimentos do momento, os apetrechos chamam muito a atenção e o preço dos mais convidativos, cada um por R$ 2. Eu e o filho compramos alguns diante do Cine Odeon, em plena Cinelândia, antes de usarmos o banheiro do cinema para trocar as bermudas por calças compridas e ver a exposição Guerra e Paz no Teatro Municipal (lá não se podia entrar de calça curta e Ana trouxe duas para nós). Ela na porta de ambos os lugares, com seu paninho cheio imagens que fazem a cabeça de gente como eu.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

UM LUGAR POR AÍ (08)

CASA FÍGARO OU CASA PONCE? O MAIS IMPORTANTE É O DESTINO DADO A MESMA
No final da administração do prefeito Tuga Angerami (2005 a 2008) foi conseguido uma permuta com a Justiça do Trabalho, que ocupou por muitos anos o prédio localizado na esquina das ruas Antonio Alves e Ezequiel Ramos, transferindo todos os documentos lá localizados para um depósito junto a antiga Escolinha da Rede, ao lado das Oficinas da extinta RFFSA. O prédio veio para a Prefeitura e foi imediatamente repassado para a Secretaria Municipal de Cultura. Ainda no final de 2008 muitas coisas foram imaginadas para o local. Num empenho no final da administração todo o terreno foi limpado e muitos já vislumbravam ali um espaço cultural de grande monta, com até uma espécie de barzinho cultural para os finais de tarde, coisa que o centro da cidade sente falta. Dentro da casa nas primeiras incursões foram visualizados abaixo de uma pintura branca, pinturas antigas, da época da construção da casa, afrescos históricos.

Aquilo encantou a todos desde o início e um minucioso trabalho de restauro foi iniciado, comandando pela Neli, funcionária do setor com formação museológica. Equipamentos foram adquiridos e servidores removidos só para cuidar de que nada fosse perdido. Várias hipóteses foram levantadas sobre os primórdios da casa. Inicialmente foi dada uma denominação de casa Fígaro, com ligação ao construtor da mesma e muito tempo depois chegou-se a outro nome, o de Casa Ponce, esse com ligação aos moradores da casa. Lembro que até uma antiga moradora foi contatada e um registro de Memória Oral está feito e em poder do pessoal ligado à proteção do Patrimônio Cultural.

Muitas outras coisas foram acontecendo na casa. Até uma profissional restauradora com cursos na Itália veio para Bauru e queria cuidar da recuperação dos afrescos. Mete-se em trapalhadas e nunca mais se viu falar dela na cidade. Abnegadas pessoas sempre estiveram na retaguarda de tudo, juntamente com uma equipe de voluntários. Por fim, uma arquiteta com formação em restauro integrou-se à equipe e um setor de Apoio às Artes foi instalado no local. A efervecência continuou na parte interna, com luzes sempre acesas, guarda vigiando o local, carros estacionados dentro de sua área, mas na parte externa quase nada diferente de como tudo foi encontrado. Não ouço nada de novo sendo divulgado sobre os destinos de tudo aquilo. O prédio é muito rico e sua destinação é algo que deveria merecer uma atenção mais do que especial, tanto da Secretaria Municipal de Cultura, como da Prefeitura num todo.

Escrevi ontem aqui sobre obras em prédios de cidades vizinhas, muitos deles que abrigaram antigos cinemas e com recuperação em andamento, na maiorias das vezes todos beneficiados com verbas federais e até Leis de Incentivo. Por aqui não vislumbro nada disso. Não dá para não perguntar: Que projeto foi idealizado para ali? O que já foi feito? Qual o caminho a ser tomado? Foi tentado (ao menos isso) verbas externas para algo grandioso? O que não dá para imaginar como sensato é passados mais de dois anos de tudo ser repassado para a Cultura, continuar existindo ali só o setor de Artes e nada de novo estar sendo pensado para eternizar ali um real atrativo cultural?
Resolvi escrever sobre essa bela casa motivado por um comentário postado ontem aqui no mafuá pedindo informações sobre sua destinação. Como pouco sei sobre o hoje, falo do ontem, mostro iniciativas ocorridas, mas fico no aguardo de algo de concreto como resposta para indagações feitas. E o hoje? E o amanhã?
OBS.: Todas as fotos foram tiradas por mim no final de 2008.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

UMA FRASE - GILETE PRESS (62)

FALEMOS DE CULTURA, DO INCENTIVO E DA AUSÊNCIA DELA – AQUI E ACOLÁ
Primeiro o acolá, a posse da nova ministra da Cultura brasileira, a cantora ANA DE HOLLANDA. Gosto dela e comprovou sua competência por onde já atuou. Prevejo embates interessantes no setor. Ressalto frases proferidas dias antes de tomar posse: “Em todo território nacional existe uma presença do MinC que não existia há oito anos. Há várias áreas a serem destacadas, como a criação do Instituto Brasileiro de Museus e os Pontos de Cultura. Não quero interromper as coisas boas. (...) Precisamos trabalhar muito para usar a cultura como fator de inclusão social. O grande centro da cadeia produtiva da cultura está na área da criação, que é uma característica essencial do povo brasileiro. Temos que usar a cultura em todas as áreas”. Culta e sem empáfia (esse negócio de necessitar expor aos quatro ventos ser PhD), demonstra que sujar os pés de barro é edificante para quem ocupa cargos públicos.

Ana possui uma história com Bauru e com um bauruense, Sivaldo Camargo. Ele a trouxe para cantar em Bauru em 2004, convencendo Fernando, o do Templo (sempre fez isso) a bancar seu show (Camila conta algo em sua coluna no Bom Dia de 22/12/2010). Ficaram amigos e anos depois, quando este estava comandando a Ação Cultural da Cultura municipal acabaram por trazer apresentações da Funarte para Bauru. Estão se falando rotineiramente e Siva radiante com a acertada escolha de Dilma.

Enquanto a Cultura brasileira vive nesse clima de expectativa, leio no Jornal da Cidade dois textos sobre recuperação de locais culturais. “Prefeitura de Torrinha inicia a instalação da Casa de Cultura “ (25/12/2010) e “ Agudos faz recuperação do Cine Theatro” (28/12/2010), com projetos e obras sendo iniciadas. Na região, Pederneiras fez uma linda recuperação de instalações culturais com cinema no centro e estação revitalizada, Pirajuí devolveu à circulação seu Cine São Salvador junto da praça central, São Manuel e Santa Cruz do Rio Pardo idem. Pipocam ações culturais por várias cidades. Ótimo momento para eles, para Bauru, ainda clima de expectativa e espera. Fala-se em reforma do Teatro Municipal, o Museu Histórico Municipal foi espremido junto da edificação da Estação da Paulista e não vejo projeto de voltar a funcionar e acontece um grande evento na virada do ano no Vitória Régia e mais uma vez a Cultura não está presente. Quem anda falando desses eventos é a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, mas a pergunta que não quer calar é CADÊ A CULTURA? No Carnaval, ouço, seria a mesma coisa.

Li outro dia no Facebook o vereador Roque reclamando do valor de R$ 200 mil reais, referente a emenda do orçamento feita pelo deputado Vicentinho no final de 2007, destinada para restauro das estações estava em vias de esvair-se como cinza. Por que? Não percam isso, por favor. As estações continuam abandonadas e o passeio da Maria Fumaça parados. Professores de arte recentemente contratados assumiram sem qualquer tipo de planejamento. Janira Fainer Bastos, a atual secretária vive acorrentada com a burocracia e não faz nada sem consultar instâncias jurídicas da Prefeitura. Nada acontece e o clima entre os funcionários é desolador, assina-se o ponto, cumpre-se o horário e não se vê a hora de voltar para casa. Se a reclamação era do autoritarismo do mandatário anterior, hoje a estagnação predomina. E o clima de terror deve prevalecer, pois ambos jornais, ainda em dezembro, lançam balões de ensaio de que em janeiro (já estamos nele), a secretária seria substituída por alguém a ser indicado pelo vereador Fabiano Mariano, do PDT, aliado e amigo do prefeito. Fato é que enquanto fatos novos acontecem a cada dia nas cidades da região, por aqui tudo fechado, portas cerradas e um clima de final de feira. Enquanto a nova ministra chega falando em inclusão social, por aqui, dispersão funcional e operacional.

Querem mais? Hoje, na Tribuna do Leitor do JC, uma corajosa carta do publicitário Moacir Puga sobre o assunto. Leia clicando a seguir: http://www.jcnet.com.br/detalhe_tribuna.php?codigo=19902399023

OUTRA COISA - Um servidor exemplar: Trabalhei por 4 anos na Secretaria Municipal de Cultura de Bauru e lá convivi com um desses exemplares servidores públicos. Ouço da boca de muitos, existir lá um problema crônico, grupos cristalizados e antagônicos convivendo e um a espezinhar o outro. Um clima nada ameno. Sim, mas um quadro a ser recolocado no seu devido lugar com diálogo e medidas de incentivo à recuperação do setor. Vários servidores são dos mais abnegados, prontos para atuarem condignamente e se valorizados, renderiam o inimaginável. Basta querer. Um desses, Marcelinho, do Setor Operacional. Sempre presente com o som da Cultura em todos os chamados, irradiando simpatia e um servidor a ser enaltecido, pronto para o que der e vier. Vive hoje um aflitivo momento, com uma doença grave a lhe corroer. Quando penso num novo momento para a Cultura, penso muito em pessoas como ele, dedicados no que fazem e com o passar dos anos observando de camarote o desmantelamento de toda uma vida construida ali. Estão como uma nau perdida num vendaval. E pessoas como Marcelinho sabem como tocar aquilo até sem receber ordens. Aroeira pura.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BEIRA DE ESTRADA (11)

UM IRMÃO, UMA MUDANÇA E A NOITE DE NATAL - Crônica minha publicado na Revista do Caminhoneiro, edição de final de ano (Dezembro 2010), com tiragem de 100 mil exemplares.
O caminhoneiro Tito é por muitos considerado metódico. Tudo por não abrir mão de programar a vida com certa antecedência. Passar o Natal em família é uma dessas programações. Antecipa tudo, age com o cronometro na mão. Todo ano, dez dias antes encosta o caminhão e inicia a tarefa de organizar sua festa. E ela sempre dá o que falar. Um dos gostos de sua vida.

Naquele ano não seria diferente. Caminhão na revisão e daí para frente, de bermuda e chinelos, merecidas férias. Estrada só no próximo ano. Mas quando algo desponta a alterar o programado, como fugir do destino? A tal da Lei de Murphy indicando que, se algo pode acontecer errado, aí é que dará errado.

Os últimos meses já haviam lhe reservado uma grata surpresa. Seu único irmão, Nicolau, que durante anos esteve afastado de sua convivência por desavenças, lhe bate à porta e reatam a amizade. Distantes uns 2000 km, a dificultar a aproximação, nas poucas vezes que tentou, foi rechaçado. Dessa vez, com um abraço selaram a reconciliação. Algo inexplicável a abrir a cabeça do mano e só isso era um bom motivo para estar mais feliz do que nos anos anteriores.

E eis que algo novo acontece. Retorna daquela que seria sua última viagem do ano, ciente do irmão a lhe esperar. A notícia é boa, este conseguiu transferência do emprego para sua cidade. Só que, até o final do ano teria que já estar residindo ali e a mudança era o problema. Pensou na ajuda do irmão caminhoneiro. E como dizer-lhe não, talvez colocando tudo a perder. Com mirabolantes planos, tudo teria que ser cronometrado, pois do contrário, eles e a mudança passariam o Natal na estrada.

Na ida tudo certo. Na volta, certo até demais, quando de uma hora para outra o inusitado começa a mostrar sua face. Tiraram de letra o cachorro do irmão ter desaparecido numa parada. Achá-lo foi coisa para meio dia. Logo a seguir uma ponte que nunca tinha apresentado problema é interditada, provocando longa espera e um desvio a ocupar outro meio dia.

Notícias chegavam da festa sendo encaminhada e para desespero, sem sua presença e comando. Muita estrada ainda pela frente. Não se agüentava por dentro, sem poder demonstrar isso ao irmão. Se mais nada ocorresse chegariam na manhã do grande dia. Aceleraram o bruto, mas não escaparam de um pneu furado, um rodoviário parando para as averiguações de rotina e uma dor de barriga inesperada. Pareciam testes, provas a serem eliminadas e quando faziam as contas do atraso, eis o motivo para a última parada. Haviam se esquecido dos presentes, principalmente o das esposas. Tito nunca deixou de fazê-lo com certa pompa. Mandaram tudo as favas, enfrentando nas lojas as tais filas de retardatários.

Por fim, voaram no trecho final, ambos com o coração na boca e na virada da esquina, faltando poucos minutos para o bimbalhar dos sinos estavam em prantos. Avistando as luzes acesas, buzinaram em alto e bom som o caminhão. Chegada triunfal e emoção para dar e vender. A mesa no quintal e o caminhão carregado, estacionado como pano de fundo, fazendo parte do cenário. Juntou gente e o cansaço, esse só apareceu no dia seguinte, quando resolveram descarregar tudo após o almoço natalino. Por fim, como última tarefa, Nicolau, por ter o mesmo nome do Papai Noel foi o escolhido para distribuir os brinquedos da criançada.

A história vivida por ambos ficou famosa, quase um folclore do lugar. De tudo, Tito conta ter sido seu melhor Natal. Vejam só, justamente o que saiu bem fora de sua previsibilidade. E quando dá de contar detalhes, recomenda-se sentar, que a história é longa.

domingo, 2 de janeiro de 2011

CENA BAURUENSE (75)

“FOI UM CULTO”, COM COMEÇO, MEIO E FIM, NEM PARECIA EVENTO DE POSSE
Foi dessa forma que duas pessoas fizeram comentários a mim sobre a sessão de posse do pastor vereador Sakai como presidente do próximo biênio à frente da Câmara de Vereadores de Bauru, realizada ontem, 01/01/2011, à partir das 18h. Estive lá, junto de mais três amigos, não para prestigiar, mas para protestar. Os motivos até as pedras do reino mineral o sabem (querem mais detalhes?). Éramos inicialmente quatro, mas um foi chamado para compor o espaço destinado às autoridades presentes (outros se achegaram a nós e foram aconselhados a manter distância para evitar aborrecimentos, pois não estávamos lá para aplaudir nada). Por favor, não nos confundam com os Três Mosqueteiros (que também eram quatro), longe da comparação, pois somos os mais imperfeitos possíveis e não estávamos ali propondo moralização nenhuma. Somos contra qualquer tipo de moralismo, principalmente o falso, pior de todos, exposto em outro canto daquele requintado salão. Que diriam de uma pessoa que tendo “Pinto” no nome renega o mesmo e ao citar o seu e o do pai, retira-os dos pronunciamentos? Cada pessoa era recebida com uma manifestação ao estilo de recepção de fiéis a uma igreja evangélica (evitaram fazer a louvação conosco). Chegamos cedo, nos postamos na última fila da galeria e quando percebidos fomos tentados a desistir da idéia. "Hoje ocorre aqui uma festa de família. Você gostaria que alguém invadisse sua festa e fizesse isso? Faça o protesto na primeira sessão ordinária”, vieram nos dizer. Resistimos, pois ali, palco de tantos anteriores acontecimentos, passa longe de ser um ambiente dos mais familiares. Ali é discutido e decidido o futuro de uma cidade e o buraco é muito mais embaixo. Presenciamos quase calados o “culto” todo. Geramos um mal estar e ele foi nítido do começo ao fim do espetáculo. Sem sombras de dúvidas foi a mais desprestigiada sessão de posse dos últimos tempos. Nenhum popular foi tocado a lá comparecer. Só convidados, parentes, amigos, fiéis e autoridades (na sua maioria enviando representantes). Realmente um clima familiar, ou melhor, de alguém hablando num púlpito e fiéis aclamando, sem nenhuma contestação. Quebramos o protocolo. Nada contra cultos (ou tudo, mas não vem ao caso comentar aqui), mas é que não se é conveniente colocar Deus no meio disso tudo. Outros religiosos, levando tudo pelo lado ético, poderiam não gostar e isso geraria impasses desgastantes. Resistimos quase calados, só levantando em alguns momentos os dois cartazes e os megafones de papelão, meros indumentárias cheios de simbolismo. O final da transmissão feita pela TV Câmara foi ridículo. Rapidamente o vereador Amarildo, presidindo a sessão, percebe nossa agitação, com palavras de ordem em cima do tema da ética, profere algo assim: “Ninguém mais querendo fazer uso da palavra e nada mais havendo a ser proferido, dou por encerrada a sessão”. Demos nosso show e o corte do som da transmissão foi imediato. Sobem os letreiros na tela e percebe-se que todos viram seus pescoços para o fundo da sala onde três “subversivos” entoavam sua cantilena solitária (percebemos a aprovação de alguns, porém calados, submissos e resignados). Foi nosso modesto protesto contra a escabrosidade transpirada (imaginem se ficássemos sabendo de detalhes outros) e que será a tônica dos trabalhos legislativos nos próximos dois anos. Saímos vaiados pela turba a aclamar o novo presidente e como último ato, espalhamos sal grosso pelas escadarias, clamando por ares mais purificados. A insatisfação manifestada por nós deve ser sentida não só como a de um reduzido grupo de senis velhinhos (todos os três acima dos 50). Deixamos claro não querer fazer parte dessa festa, mas estaremos atentos para efetivar novas incursões. O grupo estará acrescido de mais participantes, pois adesões já ocorreram. A “saia justa” terá continuidade e de nada adiantará pesquisas sobre quem somos (tem um vereador que adora perseguir adversários e pedir cabeças a torto e a direito), pois não somos nada (e para quem interessar possa, informamos todos sermos clientes vitalícios do SPC e do Serasa) e de pouca valia servirá algo ouvido por um dos nossos no acirramento da discussão ainda na galeria da Câmara: “Sabe com quem está falando?”. Não quisemos saber. O recado é o seguinte: Nem todo mundo é bobo.
OBS.: Não tiramos fotos no local do protesto, mas o fotógrafo da Câmara e os dois jornais locais o fizeram, as TVs Tem e Record idem, além de registradores particulares em câmeras digitais e celulares. Recebendo fotos, serão disponibilizadas aqui. Para satisfazer a curiosidade, reproduzo uma foto de cada um dos participantes, além de uma outra, coletiva. As duas fotos em preto e branco da sessão foram reproduzidas da edição do Jornal da Cidade de hoje (no Bom Dia nadica de nada, fomos ignorados por eles). Leiam mais no: http://www.jcnet.com.br/detalhe_politica.php?codigo=198970

sábado, 1 de janeiro de 2011

UM COMENTÁRIO QUALQUER (78)

DIA 01/01/2011 – DUAS POSSES A SEREM COMENTADAS - DILMA E SAKAI
1) Na primeira, jubilo e contentamento. Dilma Rousseff , uma mulher de fibra está assumindo a Presidência da República, no lugar do presidente que mais fez pelo social, Lula (Adorei sua fala de que usa a expressão "Nunca antes...", só para irritar a oposição). Ponto. De Lula, elogios múltiplos e variados, todos repetidos incansavelmente nesse espaço. De Dilma, a esperança de que continuando na mesma linha, tenhamos nossos seculares problemas sociais amenizados. Não acredito que o capitalismo possa saná-los, pois isso é impossível num regime excludente a predominar o capital sobre a pessoa. O que vislumbro para o Brasil com Dilma é um caminho já sem volta, o do atendimento às reivindicações sociais, um olhar cada vez maior para as necessidades dos menos favorecidos e a amplitude de algo maravilhosamente trabalhado por Lula, com o Brasil tornando-se uma potência, mas não no sentido imperialista e sim, de partilha e entendimento dos problemas mundiais, buscando soluções compartilhadas. Acredito que com Dilma essas possibilidades estarão ampliadas, pois com Serra, o derrotado candidato da oposição retrógrada o caminho seria bem outro. O site WikiLeaks expõe documentos sobre uma tal de Patricia Pedral, diretora da Chevron no Brasil, já acordada com Serra, que em caso de vitória deste o pré-sal teria suas regras alteradas para beneficiar os grandões do petróleo norte-americano. Que dizer de privatizações na Petrobras, Correios e Banco do Brasil? Pelo menos dessa escapamos. Bato na madeira de acordos feitos por tucanos, todos eles a nos apunhalar pelas costas, sem dó e piedade.
2) Pois aqui em Bauru ocorreu um acordo, nefasto como todos envolvendo tucanos, feito por um que se acha mago (prefiro Bruxo das Maldades e Inconveniências), num acordo de bastidores ocorrido para eleição da presidência da Câmara de Vereadores de Bauru. Um antes apoiador do atual governo municipal, desses a pedir (e receber) benefícios mil (empregos para apaniguados) quando vislumbra vôo mais alto, dá uma banana e cospe no prato que comeu até agora, indo de mala e cuia para os braços oposicionistas, com a indicação de presidir a Casa de Leis da cidade. Tudo armado pelo tal bruxo, Marcelo Borges, vereador do PSDB. Cria e criador se merecem. E a Câmara de Bauru seguirá sendo um exemplo de como não deve ser conduzida a política. Pastor Sakai, representante de um pensamento dos mais arcaicos e retrógrados, estará ocupando a presidência por dois longos anos (toc toc toc). O ocorrido poderia servir de exemplo, passado como documentário em todas nossas escolas de como a política pode se tornar perniciosa e maléfica, tornando-se um mal desprezível (penso em produzir isso). Ouço que os empregos perdidos na administração municipal seriam recompostos na administração estadual. Ou seja, ninguém perde e tudo é reacomodado. Recebo CONVITE (cliquem nele para ampliação - dessa vez, se for, não entro de bicão), via e-mail, para estar na festa de posse do tal pastor (muita cara de pau, não?). Se for será para espalhar sal grosso nas escadarias da Câmara, circular com um nariz de palhaço e portando um cartaz com os dizeres: SAKA AHI, Ô MEU! – E O DECORO E A ÉTICA, CADÊ? Reúno alguns amigos e havendo a disponibilidade estaremos marcando presença já no primeiro ato legislativo do ano. O ano promete e algo que será de grande utilidade, talvez o instrumento mais útil nesse iniciado 2011 seja um MEGAFONE, desses potentes, para se fazer ouvir e fazendo com que “eles” saibam muito bem que seremos uma pedra no sapato em suas atitudes. Sakai que nos espere, mas como ouço de um amigo: Por que só com Sakai? Isso mesmo, com ele só o começo. O MEGAFONE estará em ação de norte a sul, leste a oeste. E hoje é só o primeiro dia do ano.

Quatro OBSs.: 1) A terceira posse que poderia ser comentaqda aqui é a do governador de SP, Alckmin, mas me abstenho, pois basta de irritação e afinal, por que devemos nos irritar logo no dia 1 do ano novo? 2) A minha foto com a inscrição sobre o Sakai é uma que desfilou junto da última Parada da Diversidade, da qual ele é visceralmente contra. 3) Essa foto do Megafone, que tento artesanalmente fazer até a hora da posse do Sakai, vi publicado na coluna "Gente Boa", do Joaquim Ferreira dos Santos, d'O Globo RJ, edição de 21/12/2010. Foi bater os olhos e ver utilidades mil. 4) Para saberem o que penso do Sakai, cliquem no canto superior esquerdo, numa barra, escrevendo o nome dele e terão tudo o que acho de seu posicionamento político, religioso, ético...