RÁDIOS COMUNITÁRIAS NAS MÃOS DE IGREJAS – PERFIL HISTÓRICO* *Essa entrevista eu fiz mês retrasado, parte dela foi publicada num jornal e na íntegra sai hoje, aqui e agora.
O histórico das rádios comunitárias em Bauru teve início em 1998 com a aprovação da Lei das Rádios pelo Congresso Nacional. Muitas começaram a funcionar sem regularização e o caminho das pedras até os dias de hoje é um relato de críticas e lamentações. “Sofremos lá atrás e continuamos a sofrer. Hoje piorou, pois a habilitação se faz por cidades e quem define a escolha dessas são os deputados federais. O Clube da Viola, do qual faço parte, foi inscrito desde o começo, preenchia todos os requisitos para pleitear a concessão tem uma bela história a ser resgatada. Entregamos tudo o que nos pediam e por fim, quem ganhou foi a Igreja São Sebastião, FM Maria 87,9. De dez inscritos sobraram dois. Muitas funcionaram no período sem legalização, como a Alternativa e a Resistência Sertaneja, depois virando a Reversão FM. Na região somente três foram autorizadas, uma aqui, depois em Agudos e Duartina, todas ligadas à igreja católica. Hoje existem umas dez funcionando, nenhuma autorizada. A luta não é fácil, desgasta e cansa”, relembra Sebastião Camargo, o popular Tião Camargo, eletricitário aposentado e desde o início envolvido com infrutíferas tentativas de legalizar uma rádio comunitária na cidade.
Não tem como contar a história dessas rádios em Bauru sem envolver Tião. Esteve metido em quase todas as iniciativas. Em 2002 fecharam uma sua, a Reversão e daí entrou com novo pedido. Oito anos de tentativas até que, em 2010 toma conhecimento do arquivamento do seu processo. “Éramos três na disputa e a correria foi por conseguir assinaturas de apoio. O Ministério das Comunicações propôs nossa união, um novo Projeto Técnico foi feito, voltamos para Brasília e quando da conclusão, tudo foi novamente emperrado. É triste constatar isso, mas a barganha parece prevalecer nas escolhas. A coisa está muito confusa hoje”, continua seu relato.
Uma das premissas do espectro rádio comunitária é não ter publicidade e ter uma programação voltada para a comunidade assistida pelo alcance das ondas, sem nenhum tipo de texto comercial. Tião aproveita o momento e também lamenta o fim das AMs: “A desilusão é tanta e hoje se estende ao fato de até as emissoras AMs estarem com os dias contados. Tudo vai se transformar em FM. O homem do campo com seu radinho de pilha não vai mais sintonizar nada, vai ficar sem seu companheiro diário. Já para o dono do rádio, esse tem interesse somente no comércio local, daí tudo fica mais barato para ele”.
Hoje é sabido que para o funcionamento de um transmissor de rádio AM é necessário uma caixa do tamanho de uma geladeira e para o de uma FM o de uma de sapato. Daí, Tião prossegue com seu ressentimento: “Os donos das rádios pensam mesmo no dinheiro, no lucro e com isso dizem defender algo em nome da modernidade. Não desisto dos meus sonhos, continuo tentando a autorização de funcionamento de uma comunitária, mas não consegui mais esperar, abri uma virtual, uma Web Rádio, a Saudade Sertaneja, junto ao Clube da Viola de Bauru. Contratei um servidor para hospedar as músicas e aqui do meu quarto, com uma pequena mesa eletrônica produzo praticamente sozinho toda a programação, 24h do dia no ar. É o que quero? Não, mas é o que posso e o que consegui”, diz cheio de emoção.
O relato desse amante da música sertaneja de raiz e desde 2007 professor do PRONATEC junto ao SEST SENAT é quase idêntico ao de tantos outros. Só um projeto obteve sucesso até hoje em Bauru, nada mais. Muitos outros ficaram pelo caminho e o desânimo predomina. Num setor dominado por antigos proprietários, pouca inovação no setor, muito ainda se espera do que poderá despontar com novas aprovações. Pela sua baixa potência e o claro objetivo de incentivar a cidadania, desenvolvendo cada vez mais algo coletivo e plural, Tião e tantos outros esperam mais facilidades para os projetos pendentes. “Existe um imenso Brasil querendo mostrar sua cara e estamos sendo impedidos. Todas na região nas mãos da igreja e nenhuma na de grupos comunitários ou associação de moradores. O critério da escolha precisa ser menos político e cada vez mais social”, conclui.
Uma das premissas do espectro rádio comunitária é não ter publicidade e ter uma programação voltada para a comunidade assistida pelo alcance das ondas, sem nenhum tipo de texto comercial. Tião aproveita o momento e também lamenta o fim das AMs: “A desilusão é tanta e hoje se estende ao fato de até as emissoras AMs estarem com os dias contados. Tudo vai se transformar em FM. O homem do campo com seu radinho de pilha não vai mais sintonizar nada, vai ficar sem seu companheiro diário. Já para o dono do rádio, esse tem interesse somente no comércio local, daí tudo fica mais barato para ele”.
Hoje é sabido que para o funcionamento de um transmissor de rádio AM é necessário uma caixa do tamanho de uma geladeira e para o de uma FM o de uma de sapato. Daí, Tião prossegue com seu ressentimento: “Os donos das rádios pensam mesmo no dinheiro, no lucro e com isso dizem defender algo em nome da modernidade. Não desisto dos meus sonhos, continuo tentando a autorização de funcionamento de uma comunitária, mas não consegui mais esperar, abri uma virtual, uma Web Rádio, a Saudade Sertaneja, junto ao Clube da Viola de Bauru. Contratei um servidor para hospedar as músicas e aqui do meu quarto, com uma pequena mesa eletrônica produzo praticamente sozinho toda a programação, 24h do dia no ar. É o que quero? Não, mas é o que posso e o que consegui”, diz cheio de emoção.
O relato desse amante da música sertaneja de raiz e desde 2007 professor do PRONATEC junto ao SEST SENAT é quase idêntico ao de tantos outros. Só um projeto obteve sucesso até hoje em Bauru, nada mais. Muitos outros ficaram pelo caminho e o desânimo predomina. Num setor dominado por antigos proprietários, pouca inovação no setor, muito ainda se espera do que poderá despontar com novas aprovações. Pela sua baixa potência e o claro objetivo de incentivar a cidadania, desenvolvendo cada vez mais algo coletivo e plural, Tião e tantos outros esperam mais facilidades para os projetos pendentes. “Existe um imenso Brasil querendo mostrar sua cara e estamos sendo impedidos. Todas na região nas mãos da igreja e nenhuma na de grupos comunitários ou associação de moradores. O critério da escolha precisa ser menos político e cada vez mais social”, conclui.









