segunda-feira, 18 de agosto de 2014

BAURU POR AÍ (102)


RÁDIOS COMUNITÁRIAS NAS MÃOS DE IGREJAS – PERFIL HISTÓRICO*
*Essa entrevista eu fiz mês retrasado, parte dela foi publicada num jornal e na íntegra sai hoje, aqui e agora.

O histórico das rádios comunitárias em Bauru teve início em 1998 com a aprovação da Lei das Rádios pelo Congresso Nacional. Muitas começaram a funcionar sem regularização e o caminho das pedras até os dias de hoje é um relato de críticas e lamentações. “Sofremos lá atrás e continuamos a sofrer. Hoje piorou, pois a habilitação se faz por cidades e quem define a escolha dessas são os deputados federais. O Clube da Viola, do qual faço parte, foi inscrito desde o começo, preenchia todos os requisitos para pleitear a concessão tem uma bela história a ser resgatada. Entregamos tudo o que nos pediam e por fim, quem ganhou foi a Igreja São Sebastião, FM Maria 87,9. De dez inscritos sobraram dois. Muitas funcionaram no período sem legalização, como a Alternativa e a Resistência Sertaneja, depois virando a Reversão FM. Na região somente três foram autorizadas, uma aqui, depois em Agudos e Duartina, todas ligadas à igreja católica. Hoje existem umas dez funcionando, nenhuma autorizada.
A luta não é fácil, desgasta e cansa”, relembra Sebastião Camargo, o popular Tião Camargo, eletricitário aposentado e desde o início envolvido com infrutíferas tentativas de legalizar uma rádio comunitária na cidade.

Não tem como contar a história dessas rádios em Bauru sem envolver Tião. Esteve metido em quase todas as iniciativas. Em 2002 fecharam uma sua, a Reversão e daí entrou com novo pedido. Oito anos de tentativas até que, em 2010 toma conhecimento do arquivamento do seu processo. “Éramos três na disputa e a correria foi por conseguir assinaturas de apoio. O Ministério das Comunicações propôs nossa união, um novo Projeto Técnico foi feito, voltamos para Brasília e quando da conclusão, tudo foi novamente emperrado. É triste constatar isso, mas a barganha parece prevalecer nas escolhas. A coisa está muito confusa hoje”, continua seu relato.

Uma das premissas do espectro rádio comunitária é não ter publicidade e ter uma programação voltada para a comunidade assistida pelo alcance das ondas, sem nenhum tipo de texto comercial. Tião aproveita o momento e também lamenta o fim das AMs: “A desilusão é tanta e hoje se estende ao fato de até as emissoras AMs estarem com os dias contados. Tudo vai se transformar em FM. O homem do campo com seu radinho de pilha não vai mais sintonizar nada, vai ficar sem seu companheiro diário. Já para o dono do rádio, esse tem interesse somente no comércio local, daí tudo fica mais barato para ele”.

Hoje é sabido que para o funcionamento de um transmissor de rádio AM é necessário uma caixa do tamanho de uma geladeira e para o de uma FM o de uma de sapato. Daí, Tião prossegue com seu ressentimento: “Os donos das rádios pensam mesmo no dinheiro, no lucro e com isso dizem defender algo em nome da modernidade. Não desisto dos meus sonhos, continuo tentando a autorização de funcionamento de uma comunitária, mas não consegui mais esperar, abri uma virtual, uma Web Rádio, a Saudade Sertaneja, junto ao Clube da Viola de Bauru. Contratei um servidor para hospedar as músicas e aqui do meu quarto, com uma pequena mesa eletrônica produzo praticamente sozinho toda a programação, 24h do dia no ar. É o que quero? Não, mas é o que posso e o que consegui”, diz cheio de emoção.

O relato desse amante da música sertaneja de raiz e desde 2007 professor do PRONATEC junto ao SEST SENAT é quase idêntico ao de tantos outros. Só um projeto obteve sucesso até hoje em Bauru, nada mais. Muitos outros ficaram pelo caminho e o desânimo predomina. Num setor dominado por antigos proprietários, pouca inovação no setor, muito ainda se espera do que poderá despontar com novas aprovações. Pela sua baixa potência e o claro objetivo de incentivar a cidadania, desenvolvendo cada vez mais algo coletivo e plural, Tião e tantos outros esperam mais facilidades para os projetos pendentes. “Existe um imenso Brasil querendo mostrar sua cara e estamos sendo impedidos. Todas na região nas mãos da igreja e nenhuma na de grupos comunitários ou associação de moradores. O critério da escolha precisa ser menos político e cada vez mais social”, conclui.

domingo, 17 de agosto de 2014

RELATOS PORTENHOS (14)


MERCADO DE LAS PULGAS EM BUENOS AIRES E O SEU MAIS PULGUEIRO PERSONAGEM
Irresistível quando viajando ir conhecer as feiras de cada lugar. Não só as feiras, mas os ditos “Mercado das Pulgas”, existentes mundo afora e em cada lugar com uma característica bem própria. O de Buenos Aires está incrustado no meio de um bairro residencial, Palermo e abrigado num antigo barracão. Ali, um prédio onde antigamente funcionou uma antiga fábrica. Após anos fechado o local recebeu durante uma primeira tentativa uma leva de ambulantes, que retirados do centro da cidade, foram para ali levados. O projeto não deu certo e após amargar mais um período de fechamento, eis que numa nova investida de sua utilização, eis que ali é instalado o hoje famoso, ponto turístico da cidade, o “Mercado de las pulgas”. O prédio chama muito a atenção, pois em todo o seu entorno estão gravados verdadeiras obras de arte, grafita dos por artistas famosos na área.

Circular por suas vielas (isso mesmo?) é inebriante. O ali existente e em exposição, existe em variados outros lugares, peças raras, desde talheres, louças, até móveis antigos, peças e maquinários antes úteis e hoje, utilizados para decoração mundo afora. Vasculhando seus quiosques, pode ser encontrado tanto uma placa de rua como uma bomba de um antigo posto de combustível dos anos 50. “Quem procura acha”, esse o verdadeiro slogan desses lugares ou até mesmo algo do tipo, “venha sem expectativas e sai com uma bela peça de recordação”. Tem quem passe por lá só para procurar louça, outros móveis e assim por diante. O fato é que o lugar está sempre com um bom público, renovado e vindo dos mais diferentes lugares.

Circulei junto de Ana Bia e de Ana Rabello, além de outros professores brasileiros da área de Design. Cada um com uma expectativa, buscando algo, olhando para uma direção e circulando por um quiosque. Uma dispersão generalizada desde a entrada. A maioria do grupo acabou convergindo para um quiosque, justamente o mais desorganizado, o mais bagunçado e assim como estampado numa matéria do jornal Clárin, “El más pulgoso de todo el mercado”. A história do simpático Hernán Esteban Fernandez, que gostaria de contar, já o foi e aqui disponibilizada no link a seguir: http://www.clarin.com/ciudades/pulgoso-mercado_0_1150085069.html. Hernán é dessas pessoas cheias de boas histórias e quando rodeado de gente interessado no que faz, sai-se com essa: “Sabia que de todos os comerciantes aqui do mercado eu sou o que mais vende. Quem entra na minha bagunça sempre acaba encontrando algo e levando alguma coisa. Barata ou caro, o importante é que vendo bastante”, conta rindo.

Diante da curiosidade de uma das moças do grupo, Hernán não resiste e aproximando-se lhe diz: “Não se assuste. O único problema é que algumas iguais a você que entraram em busca de algo nunca mais foram encontradas. Estão perdidas ali dentro”. Risos e as que ainda estavam indecisas entraram na generalizada desarrumação. Sim, o local é inusitado exatamente pela “bagunça organizada”, algo até sem sentido, mas com o todo o sentido nesses lugares. Ali de tudo um pouco e do tudo um nada. Você pode encontrar tanto um quadro velho, descartado de uma residência qualquer, como uma chaleira, um balde, um retrato velho, uma garrafa de leite, uma boneca ou mesmo um patinete. Uma verdadeira loucura, maravilha curativa. Com a publicação das fotos um bocadinho do que foi ali presenciado. Façam bom proveito, como nós fizemos quando lá estivemos há menos de duas semanas atrás.

Para mim, foi o que de mais inebriante presenciei por ali.E sabe o que mais me surpreendeu ali no quiosque do Hernás? Foi não ter encontrado sujeira (sic), muito menos nenhum tipo de pequeno animal, do tipo rato ou barata circulando pelo local. Tudo ali aparentada ser uma INSTALAÇÃO, ou seja, estava ali postado, mas fazendo parte de um contexto maior, onde a sujeira não se faz presente. Lindo não???

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (62)


EU GOSTO DE ROQUE – O LANÇAMENTO DE UMA CANDIDATURA
Agora sim vejo começando a campanha política aqui pela plaga bauruense. De tantos e tantos que se dizem candidatos bauruenses (que grande besteira isso, hem?), meu escolhido para DEPUTADO FEDERAL é meu velho conhecido, ROQUE FERREIRA. Não podia ser diferente, pois dentre todos os que se apresentam por aqui (ufa!), pelo menos um com identificação com o meu modo de pensar e agir. É com ele que eu vou, novamente. E ontem, 16/08, sábado, 19h, o lançamento de sua candidatura a mais uma empreitada rumo a representar um linha de pensamento no Congresso Nacional. A salão da CUT Bauru estava cheio e muitos conhecidos, onde altos papos foram engatilhados, efetivados, efervescidos e energizados. De tudo, ressalto aqui a falca do ROQUE, que é desses que, se deixarem e não ficarem a controlar, falar tanto como um Fidel, horas e horas, sem perder o fio da meada, sem improvisar, tudo com muita coerência. Anotei umas coisinhas e aqui um bocadinho disso:

“Não é mais possível fazer qualquer tipo de reforma dentro do sistema capitalista. Quando existiu alguma coisa fácil para a classe trabalhadora? Não será agora. Poderia arrumar 6 ou 7 milhões de reais para minha campanha, era só ir na Cosan, na s empresas ligadas à ferrovia, mas depois de eleito teria que pagar a conta. Teria que adotar todas as posturas do agronegócio, de não mais defender a reforma agrária e aí por diante. Participo dizendo sempre que a única forma do PT e setores da esquerda possuem é romper esse sistema de alianças. Existe aquela máxima de que se não fizer alianças não se ganha mais eleição. O PT ganhou, mas nesses doze anos as questões da classe trabalhadora não foram de fato enfrentadas. Por que nossa candidatura é autônoma e independente? Queremos ganhar com a força dos trabalhadores. Um marxista só deve ir para o parlamento para lá dizer que o parlamento não é o lugar para a transformação social que necessitamos. A crise que a Saúde pública vive hoje não será resolvida pelo município, pois a Lei de Responsabilidade Fiscal impede isso. Bauru está no limite dos seus gastos. A Saúde precisa ser federalizada, para assim a população ter acesso a ela de fato.Lamento a morte de Eduardo Campos, mas sob o ponto de vista político nada a lamentar, pois representava os interesses da burguesia. Lamentamos mesmo outras coisas. Não existe saída para a classe trabalhadora e isso em lugar nenhum do mundo. A greve das três universidades públicas é o resultado de uma política feita para destruir essas instituições e o exemplo vivo disso é a expansão sem critérios dos campis da Unesp pelo interior.
O Serviço de Transporte de massa tem que ser público, ele é monopólio do Estado e foi entregue para a iniciativa privada. Os ônibus transportam a maior força de trabalho que os patrões possuem, a dos trabalhadores, entregues ao patrão e depois esses são devolvidos no final do dia para sua senzala. Ouço muito o discurso do TEMOS QUE MUDAR. Mudar o que? Existirá mudança com Aécio? Com Marina? Luto dentro do partido onde milito pelo fim do consenso. Todas as lutas por reforma não resolvem nada. Sem combate não vai haver mudança estrutural na sociedade e no sistema capitalista nunca iremos atingir esse estágio. Já com o socialismo, sim. Não posso me recusar de participar do processo eleitoral e de continuar dizendo para que não alimentem esperanças de que com eleição nos moldes atuais algo possa ser efetivamente alterado. Não o será. Desperto para que o combate ocorra, esse meu compromisso e o de cada um aqui. Essa a luta de todos e eu só expresso essa vontade. O terreno eleitoral é uma podridão, a maioria dos políticos atuais não vale nada, mas se faz necessário continuar nas ruas e nas lutas. Não estamos num país de homens de bem. Nós queremos e devemos lutar por outro futuro e para isso se faz necessário defender o combate pela busca do socialismo”.

Voltei de lá convicto: É COM ESSE QUE EU VOU.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (68)


NUM MOMENTO EM QUE MARINGONI RECEBE CRÍTICAS POR UM POSICIONAMENTO APÓS A MORTE DE EDUARDO CAMPOS, RELEMBRO ALGO ONDE EFUSIVAMENTE O APLAUDI
O inimigo é a velha direita e não o PT, diz candidato do PSOL em SP
Gilberto Maringoni minimiza disputa interna no partido e promete não repetir ataques do PSOL ao PT na disputa em São Paulo. “O petismo pode não ser de esquerda, mas o anti-petismo geralmente é de direita”, por Renan Truffi — publicado 29/05/2014.


O historiador e cartunista Gilberto Maringoni, candidato a vereador pelo PSOL em São Paulo em 2012, teve de “atender a um chamado” do partido na última semana. O professor de filosofia da USP Vladimir Safatle [colunista de CartaCapital], que postulava a candidatura ao governo pelo PSOL, desistiu da disputa em meio a duras críticas contra o diretório estadual. As reclamações foram de que a legenda não tratou sua candidatura como prioridade e, consequentemente, não se engajou para levantar fundos. Maringoni, então, aceitou o desafio de assumir o posto de pré-candidato do PSOL no lugar do colega, a cinco meses das eleições. Professor na Universidade Federal do ABC, ele defende que não se trata de uma candidatura “tapa-buraco”. “Essa é uma forma menos elegante de falar suprir a demanda. Eu atendi um chamado. Não estou tapando buraco, não”. As condições para realizar a campanha ainda são as mesmas que foram decisivas para a desistência de Safatle. O PSOL não tem dinheiro em caixa e o historiador terá de sair “passando o chapéu” em busca de financiadores de campanha. Maringoni, entretanto, ameniza o conflito interno na sigla. “Essa questão [acusações de Safatle contra o PSOL] esquentou um pouco além da conta, mas nenhum fusível foi queimado. Não me parece que tenha inviabilizado a campanha”, afirma.

Com 18 anos de militância pelo PT, Maringoni tem um perfil um pouco diferente de outros candidatos lançados recentemente pelo partido. Os eleitores não devem esperar dele uma postura parecida com a do então candidato à Presidência pelo PSOL em 2010, Plínio de Arruda Sampaio, que atacou constantemente a hoje presidenta Dilma Rousseff (PT) em entrevistas e debates durante o pleito. Maringoni não tem problema em reconhecer os avanços dos governos Lula e Dilma. Ao contrário. Ele rejeita o “anti-petismo”, mas também não gosta da fama de ser considerado o mais petista dos membros do PSOL. “Essa piada é genial”, ironiza, apesar de admitir que vai focar suas críticas nos tucanos. “O inimigo continua sendo a velha direita. Embora o PT concilie com isso, seja frouxo para combater isso, ainda é muito diferente da velha direita. Até porque sua base social é muito diferente. Aí que não critico o PT. O petismo pode não ser de esquerda, mas o anti-petismo geralmente é de direita”, defende. Confira a entrevista de Maringoni a CartaCapital.

CartaCapital: Como foi a decisão para sua candidatura? Você foi convocado depois da desistência do Safatle?
Gilberto Maringoni: Eu sou filiado ao PSOL desde 2005. Fui da direção nacional. Coordenei a campanha do Plínio. O Safatle entrou no PSOL em setembro de 2013 e foi logo unanimidade no partido porque era uma chance de sinalizar para quem não é militante tradicional do partido. E o Safatle tem um detalhe interessante porque é um intelectual que faz um debate político mais amplo, um debate cultural da política. Não fica explicitamente na questão governo contra governo, PT contra PSDB, que em outros tempos nós chamaríamos de um debate ideológico. Ele escreve muito sobre os movimentos de junho. Aí ele propôs também uma coisa de muito interesse, que é um seminário com acadêmicos sobre ideias para o plano de governo. E, pelo que eu entendi, não acompanhei isso, não sou do diretório estadual, nacional, é que ele estava na dúvida de lançar a campanha. Não sei se por questões materiais. Não sei ao certo. E só aí me convidaram. Insistiram e eu falei: ‘tá bom’. Eu topei para fazer o debate. Foram vários dirigentes estaduais do PSOL que me chamaram. Fui candidato a vereador, fazer campanha é uma coisa muito boa. Você conhece a cidade, conhece um lado que geralmente não conhece. É uma vivência que eu não tinha tido [até 2012] e que é ótima. Você dá sua cara a tapa. Mas campanha a vereador é uma escala micro em relação a uma candidatura ao governo do Estado. O que me atraiu é saber que vou poder debater projeto, embora saiba que em campanhas como as nossas, com tempo mínimo de TV, as nossas únicas chances são nos debates televisivos. Mesmo assim é interessante você discutir um projeto maior. Aí que decidi aceitar. Depois de aceito é que teve esses problemas da semana passada [declarações do Safatle]. Não tenho vaidade. Estou com 55 anos. Milito desde os 19 anos. Militava na ditadura, participei de movimento estudantil, de partido. Então estou cumprindo uma tarefa cívica e democrática que qualquer cidadão pode cumprir.


CC: A impressão que ficou com a polêmica é que você foi convocado às pressas pelo partido. Sua candidatura é ‘tapa-buraco’?
GM: Tapa-buraco é um pouco menos elegante de falar suprir a demanda. Você pode dizer que a CartaCapital tapa um buraco de revistas politizadas. Sim, ela supre uma demanda. Eu atendi um chamado. Se você quiser chamar de tapa buraco, não é o mais elegante, mas eu não estou tapando buraco, não. Até porque tem muita gente no PSOL para suprir a demanda. Eu fui convencido, aceitei e agora estou achando que vale a pena. Sem ilusão nenhuma de resultado. Sem projeção de interesse pessoal. Eu vou me licenciar [da Universidade Federal do ABC] para cumprir essa tarefa. E é uma situação extremamente delicada que o País está passando agora que é uma ofensiva brutal da direita. E é uma ofensiva internacional. Eu não gosto de teoria da conspiração, mas os resultados das eleições europeias [mostram isso], principalmente na França, na Inglaterra, onde a extrema direita nunca teve tanta força. Isso além das eleições aqui na Colômbia, onde você teve um baixo comparecimento e polarização entre direita e extrema-direita. É uma situação que para nós coloca um quadro preocupante na América Latina.

CC: Uma das críticas que o Safatle fez, após o problema com o PSOL, é que a esquerda fica muito presa a “disputas internas”. Você acha que a esquerda não está madura no Brasil?
GM: Disputa interna tem dentro da direita e da esquerda. A disputa do Aécio e do Serra é histórica. Você organizar o seu time sempre gera uma disputa interna. O problema é que as disputas da direita são sempre abafadas pelo dinheiro ou por alguma liderança maior. É muito sintomático que o PSDB aqui em São Paulo há 20 anos só tenha dois candidatos. O Alckmin, quando terminar esse mandato, vai estar há 9 anos como testa do governo. Isso é sinal de competência? Não, isso é sinal de falta de renovação. O quadro secundário deles é formado por gente como Robson Marinho ou Bruno Covas, figuras secundárias. Se a disputa é fratricida é óbvio que ela é negativa. Agora a disputa em si, ela existe e é saudável. Eu acho que essa questão [acusações de Safatle contra o PSOL] esquentou um pouco além da conta, mas nenhum fusível foi queimado. Não me parece que tenha inviabilizado a campanha. Até porque o PSOL não tem aparelho, não tem máquina. Apesar de que, pelo tamanho, é um partido que tem uma presença além do que é o seu peso orgânico: três deputados federais, um senador, um deputado estadual, um vereador...

CC: O Safatle também criticou o partido por ser refratário em relação à necessidade de montar uma “aliança de frente de esquerda”. Como você avalia a esquerda pós-PT, como disse o Safatle?

GM: Primeiro, acho que não estamos numa era pós-PT. Eu acho que a época do PT não passou. Pós-PT é uma imprecisão. Você pode falar em pós-PCI (Partido ComunistaItaliano), mas o PT está aí. Você também pode falar que há uma discordância em relação a algumas diretrizes. O que eu acho é o seguinte: o que nós tivemos com a ida do PT ao governo é que tivemos uma paulatina guinada de adequação ao status quo. O governo representa grandes avanços para a sociedade brasileira. Não sou daqueles que acha que você tem que ser anti-PT. Agora o PT, embora tenha feito grandes avanços, não tocou em nenhum interesse das classes dominantes. Não fez nenhuma reforma que penalizasse as grandes fortunas, não penalizou o capital financeiro, não fez reforma agrária, não fez reforma urbana para minimizar o efeito da bolha imobiliária que há em algumas grandes cidades. Então é uma ação muito aquém do que podia ser feito, mas é um avanço. O que colocamos é que essas reformas que foram postas de lado precisam ser feitas, e é o meu entendimento. Não sei se é o entendimento do PSOL. Agora o inimigo, o adversário mesmo, continua sendo a velha direita. Embora o PT concilie com isso, seja frouxo para combater isso, ainda é muito diferente da velha direita. Até porque sua base social é muito diferente. Aí que não critico o PT. O petismo pode não ser de esquerda, mas o anti-petismo geralmente é de direita.

CC: Você acha possível uma frente de esquerda? Por que os partidos de esquerda, como PSOL, PSTU e PCdoB são tão divergentes?
GM: Sobre o PSTU, nós disputamos uma base social muito semelhante. Seria de se estranhar se não tivessem rusgas, um falando mal do outro. São partidos que estão disputando o mesmo espectro. É o espectro do movimento sindical e do movimento social radicalizado, e você tem que chegar chegando. Tem que chegar disputando. Isso vai gerar cotovelada. Como nos anos 1950, tinha o PTB, que era uma esquerda getulista e o PCB que era uma esquerda comunista e os dois viviam às turras. Mas volto a dizer o quadro nosso não é um quadro autofágico da esquerda. A gente discute uma frente de esquerda. Talvez saia. Claro que é possível. A relação dos partidos é igual de irmão. Eu vivia de cotoveladas com meu irmão, mas a gente se entendia. É meu irmão.

CC: O senhor é visto com o mais petista dos integrantes do PSOL. Como uma pessoa com esse perfil pode liderar uma frente de esquerda depois que o PT chegou ao governo?
M: Essa piada é genial. Ué, eu fiquei no PT 18 anos. Se eu quisesse ser petista, ia no PT com todo conforto. Seria bem tratado, não teria problema algum. O que eu acho é que temos que fazer uma política de disputar com o PT uma base popular. Eu não concordo com a política macroeconômica do PT. Não concordo com a aliança com o sistema financeiro, feita via taxa de juros. Não concordo com as privatizações que a Dilma está fazendo, com a aliança com o agronegócio, com o governo petista não ter aberto debate pela regulação da mídia, que é um escândalo. Eu não concordo com nada disso. Mas qual é a base social do PT? Os trabalhadores. A maioria dos sindicatos são simpáticos ao PT, os pobres brasileiros votam majoritariamente no PT. Você tem importantes setores do movimento popular organizado, uma série de ONGs progressistas que, mesmo achando que não dá mais com o PT, vão votar no PT para impedir o crescimento da extrema direita aqui no Brasil. O que eu tenho que fazer? Falar mal do PT ou fazer esse trabalho de disputar essa base social? Então vou disputar essa base social e dizer o seguinte: ‘olha quero conversar com vocês’. Não adianta espancar o PT, dizer que é o demônio na Terra porque aí eu brigo com a base social.


CC: Mas é possível ganhar essa base social com esse discurso, sem atacar o PT? Como tornar possível uma conjuntura de uma “nova esquerda” com esse discurso?
GM: Eu não consigo entender essa coisa de nova esquerda. O PT é o PT que é porque tem base social. Tenho que disputar essa base social, não ficar brigando. Eu tenho que saber ter diálogo, linguagem, abordagem com essa base social. Isso é muito mais radical do que ficar falando que o PT é isso, aquilo e tal. O que adianta eu xingar o Lula? Posso xingar, mas efetivamente isso é muito pouco. Senão você fica no denuncismo, ganha uns votinhos, mas não entra na disputa real.

CC: E é possível conseguir crescer e ganhar espaço só com essa ação política, sem se mostrar diferente do PT?
GM: Nós somos diferentes do PT. Nós não recebemos doação de empreiteiras, de bancos. Nós temos na política econômica questões essenciais para nos diferenciar do PT. A principal sangria é o pagamento da taxa de juros. O Brasil tem uma dívida interna de 2 trilhões de reais no total. Essa dívida faz com que o 40% orçamento público vá para o pagamento da dívida. Criança acima de 10 anos de idade sabe disso. O nosso problema não é o montante da dívida, que é baixa em relação à da Itália, da França. O nosso problema é o fluxo que sai do Tesouro. Esse fluxo é determinado pela taxa de juros que está em torno de 5% em termos reais. Se eu baixo essa taxa, eu piso na mangueira que drena dinheiro. Eu corto o fluxo, e o sistema financeiro pula. Baixar o juros é a medida mais radical que você pode ter na economia brasileira hoje.

CC: E no cenário estadual, o que o PSOL pretende trazer para o debate para se diferenciar do Alexandre Padilha [pré-candidato do PT ao governo do Estado]?
GM: São Paulo tem um terço do PIB brasileiro. Eu estava fazendo as contas. Pelo tamanho do PIB, somos [São Paulo] o 25º país do mundo. Então o peso que São Paulo tem nacional e internacionalmente é muito grande. Um quarto do lucro mundial da Telefônica vem daqui, da área da antiga Telesp. Nos últimos 20 anos, São Paulo foi o laboratório das grandes privatizações da era tucana, e o Estado perdeu capacidade de intervenção na economia e na sociedade. Então essa perda cria um problema sério na oferta de serviços públicos. Sobre a Sabesp, por exemplo, a melhor matéria foi do Fábio Serapião da CartaCapital. Ali fica claro que você destina 58 milhões de reais para os acionistas. Mas por que você destina isso? Porque você não privatizou a Sabesp. Você a transformou numa empresa mista com 40% das ações em mãos privadas. Quando você faz isso numa empresa de capital aberto, tudo bem. Numa empresa de serviços públicos implica você não investir o lucro para a empresa se renovar. Esse é um problema básico de São Paulo que de certa forma está em todo o Brasil. Precisamos recuperar o caráter decisório do Estado nas empresas estatais. E tem outras questões. O aparato de segurança em São Paulo está fora de controle. Não é só uma questão do governo Alckmin ser a favor da truculência. Você precisa desmilitarizar a polícia, rever as relações entre comando e base da polícia, fazer um processo de readequação do aparato policial. Geralmente em países com discrepância de renda muito acentuada os aparatos policiais são violentos. Então também precisamos atacar a disparidade de renda. Não é a pobreza que é violenta, é a diferença de renda. Nenhuma dessas tarefas você faz com um decreto de saída, mas, se você não abre essas picadas, você não atende as demandas de junho na sua raiz, que é a ineficiência dos serviços públicos.

CC: Você levantou duas bandeiras que também devem ser o foco da campanha petista em São Paulo contra os tucanos: água e segurança. Mas apontando para soluções mais radiciais. É isso o que quer dizer com conversar com a base social do PT?
GM: O que o PT vai propor? Eu fico aqui pensando. Vai pegar financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a Sabesp? Mas injetar dinheiro na Sabesp não vai resolver. Essa é a medida tradicional que o PT tem feito. Essa medida bateu no teto. Então, ou você muda a característica da empresa ou retoma o controle para ampliar sua influência dentro da empresa para que você não fique refém da distribuição do lucro. Senão, não vai adiantar. Vão colocar dinheiro e vai ficar num saco sem fundo.

CC: Um dos motivos que fez o Safatle desistir foi a falta de dinheiro no caixa do PSOL. Ele disse que levantou com a ajuda de apoiadores 300 mil reais mas falou que só com esse valor é pouco para uma campanha de governador. Você concorda? Como vai ser sua campanha se o partido não tem dinheiro?
GM: Ele está correto no que fala. Essa quantia de 300 mil reais é modesta para uma campanha para governador. Se você pensar que as candidaturas de PT, PSDB e PMDB vão ficar entre 50 e 80 milhões de reais numa conta modesta, 300 mil reais não é nem uma campanha para vereador em São Paulo. Em 2012 algumas campanhas a vereador do PSDB estavam orçadas entre três e seis milhões de reais. Isso na capital paulista. A questão é que o PSOL não tem esse dinheiro agora. E esse dinheiro no PSOL não é um dinheiro que se possa ter na mão, dinheiro vivo. E você tem uma pulverização de candidaturas a deputado estadual e federal, você tem Ivan Valente, Giannazi e uma série de candidatos que acabam potencializando a campanha. É como se você tivesse até mais do que 300 mil reais pulverizados na ação politica, em gente que trabalha voluntariamente. E o nome do governador sai em todo material de campanha de deputado. Em termos absolutos, eu acho que vamos ter por aí mesmo, mas não em dinheiro vivo. E claro que vamos passar nosso chapéu para os amigos. Mas vamos fazer essa campanha militante. Estamos loucos, malucos? Não, não estamos. Esse é o caminho. Se a gente não sai candidato, perdemos nossos deputados e a gente fica com isso aí: com o PT cada vez mais semelhante ao PSDB nas politicas, embora tenham bases diferentes. E, em uma situação mais adiante, podemos ter um cenário como o da Colômbia. Não estou dizendo que o PT é de direita.


C: Você falou da importância dos candidatos a deputado federal e estadual para a campanha de governador. Uma questão que o Safatle levantou é que, no PSOL, a candidatura a governador não parece ser prioridade. Você concorda?
GM: Não existe essa questão. Claro que temos mais chances nas proporcionais, mas sem uma candidatura com o mínimo de viabilidade, não daria [para lançar candidato]. Eu não sou nenhum sujeito conhecido, mas eu sei fazer campanha. Você tem que casar as duas coisas, tanto que o primeiro candidato nosso foi o Plinio de Arruda Sampaio, que era um candidato histórico. A gente sabe o tamanho do nosso chinelo, mas não tem esse negocio de prioridade, tapa-buraco. Claro que vão falar que eu sou o mais petista do PSOL. Ao contrário, acho que vamos fazer a campanha mais radical do PSOL, que é disputar a base social do PT.

CC: Você se considera mais radical que o Safatle ou que outros nomes dentro do PSOL?
GM: Eu não vou me comparar. Eu acho ele brilhante. Não tenho um 'radicalômetro'. Eu acho que vou mostrar os limites do PT, mas especialmente as diferenças com o PSDB. Vou mostrar aquilo o que o PT não pode falar, porque privatização não é mais uma diferença entre PT e PSDB. Vou ter que mostrar a questão trazida pelos movimentos de junho. Isso o PSOL faz sempre. Eu tenho dúvidas de que vamos ter movimentos como aquele de novo. Eu acho que os movimentos mudaram de qualidade, como no caso dessas greves dos garis e dos motoristas fora dos sindicatos. Você não pode fazer como o Haddad de dizer que é um movimento de guerrilha. Ele pode discordar do tipo de ação que os trabalhadores fizeram, mas acusar de terrorista é meio exagero. Isso é novo, essas estruturas institucionais, como a própria instituição sindical, estão sendo questionadas. Esse é fenômeno social novo, que é a saída desses canais existentes, conquistados há 30 anos. Todas que andavam em paralelo ao PT.

CC: O Safatle reclamou que o PSOL não pode se contentar com 2% dos votos nas runas. Segundo ele, o partido tem que colocar 6% dos votos como meta. Esse seria um dos desentendimentos com o diretório estadual que provocaram a desistência. Como o senhor vê essa questão? Quanto pretende conquistar de votos nas urnas?
GM: Claro eu queria que o PSOL tivesse até mais do que 6%. O PSOL teve em 2006 uma conjuntura especial, que foi 6% dos votos com a Heloísa Helena. A gente teve 5% em Fortaleza. Tivemos 33% com o Marcelo Freixo. Ganhamos em Macapá. Brasília teve 15%. Aqui a gente fica em torno de 1%. É o eleitorado mais difícil porque o poder econômico está aqui. Eu gosto de 1%? Não gosto. Se eu ficar pensando nisso, eu não faço campanha. Eu quero ganhar. Mas não vou colocar uma meta porque posso me frustrar ao ver que minha meta era muito modesta se eu ganhar as eleições.

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-inimigo-e-a-velha-direita-e-nao-o-pt-diz-candidato-do-psol-em-sp-3839.html 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

AMIGOS DO PEITO (94)


UM SARAU, O PROJETO MAOMÉ E UMA SERVIDORA ATOLADA ATÉ O PESCOÇO COM TUDO ISSO E MUITO MAIS
Esse texto tem duas partes, na primeira divulgo mais um sarau ocorrendo na cidade (oba!) e na segunda descrevo algo de quem bolou mais essa grandiosidade, uma servidora municipal das mais espevitadas (oba!).

1º SARAU DE ARTES DO PROJETO OPERAÇÃO MAOMÉ
O Sarau tem como objetivos dar visibilidade aos talentos da comunidade, transformar as bibliotecas e pontos de leitura em espaços de produção e difusão cultural e divulgar as entidades parceiras (Projeto Caná, Associação ELO SOLIDÁRIO, Associação Regional Flor de Liz, Casa da Capoeira, PROFIS, Associação de Moradores do Geisel, UNESP, Portal Participi). O I Sarau acontecerá dia 16 de agosto, das 9 ás 19 horas, no Centro Comunitário do Núcleo Habitacional Pres. Ernesto Geisel, á rua Antero Donini , quadra 1, ao lado do posto de saúde e das escolas municipais do bairro.

Nossa programação: Apresentações
10 horas – Bateria da Escola de Samba Coroa Imperial
11 horas – Apresentação de dança de salão com Geraldo Inhesta e Rosana Milleo
13 horas – Apresentação da banda de rock Gateway
14 horas – Apresentação da banda gospel Leões de Judá
15 horas – Apresentação de Capoeira da Casa da Capoeira com Alberto Pereira
16 horas – Apresentação da banda de rock Eternal Paradise
17 horas – Apresentação de dança do ventre com Rosangela Andrade
17:30 horas – Grupo de teatro Maquinaria

Exposições e barracas
Desenhos e retratos de Neto Artigiani
Artesanato de Raquel Pereira Netto
Brechó da PROFIS
Retratos de Isabel Sotero
Barraca de Comes & Bebes da Associação de moradores do Geisel
Netfotos de Pedro Salles
Gincana do Sací com Vitor Moraes
Barraca de doces da Associação Flor de Liz

Agora escrevo da pessoa que idealizou, bolou, criou, sendo também a mentora, paparicadora e uma espécie de faz tudo nele. Quando ouço por aí gente apregoando que o funcionário público é ser eternamente acomodado, desses que não querem mais saber de dureza, nada com nada, tocam a coisa só observando o tempo passar, daí eu além de ficar muito incomodado, sei que isso realmente ocorre, mas ainda bem existirem muitas boas e resistentes (persistentes também) exceções. Gosto demais da conta de citar os que remam contra a maré, os que efetivamente pegam no pesado, fazem e acontecem, arregaçam as mangas de suas camisas, saem da zona de conforto e tiram a bunda de suas cadeiras. São os que incomodam, os que não conseguem receber o soldo no final do mês sem mostrar resultados. Enxergo muitos resistindo dessa forma dentro do funcionalismo público.

Hoje, aqui e agora, escrevo dessa que está fazendo e acontecendo na Secretaria Municipal de Cultura, a servidora ROSÂNGELA MARIA BARRENHA, a ROSE, que até bem pouco tempos atuava nas hostes da Saúde Municipal, área de Saúde Mental. Hoje na Cultura, trouxe consigo a inquietação e isso já é demonstrado no que vem fazendo, primeiro lá na Biblioteca Municipal e agora com esse projeto. Sou suspeito para falar de Rose, pois ela é minha dileta amiga. Porém, impossível não enxergar nela essa irrefreada disposição de ser, fazer e acontecer. Nada feito para se mostrar, aparecer, longe disso, seu negócio é botar o bloco na rua. Se o que faz ainda passa desapercebido para alguns, peço que daqui por diante comecem a reparar nos envolvimentos e na sua atuação. Quando cito algo valoroso dentro do serviço público, gostoso mesmo é poder citar alguém com o quilate de envolvimento e desprendimento como o dessa tal de Rose. Não bajulo ninguém a toa, ela é merecedora disso tudo. Linda pessoa. E é claro que quando enalteço a Rose, existe junto dela muitas outras pessoas, pois ninguém é e deve ser uma ilha. Ela faz tudo em equipe, como tudo deve mesmo ocorrer. Pois bem, ele torna-se ainda mais grandiosa exatamente por causa disso, não se fecha em copas e está sempre ladeada de muita gente. Mais uma lindeza de sua pessoa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

BEIRA DE ESTRADA (38)


BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS DO LADO B DE BAURU (09)*
*texto publicado na agora Revista METRÓPOLE NEWS (dos amigos Vinicius e Borika), edição de AGOSTO 2014, começando a circular hoje em Bauru na sua versão impressa. No texto do mês reverencio a eterna amizade com um macanudo que me entende um bocadinho.

DUÍLIO DUKA É DOS CARAS MAIS PORRETAS QUE CONHECI NA VIDA

“Quem tem amigo não morre pagão”, reza um ditado popular. Eu tenho alguns e dentre eles escrevo hoje de um. Um baita de um sujeito. DUÍLIO DUKA DE SOUZA, hoje um aposentado professor e residindo temporariamente na vizinha Botucatu. Inesquecível sua trajetória de luta, inquebrantável pessoa, dessas iguais a aroeira, vergam, mas não quebram. Tenho tanta coisa para escrever dele, que temo me esquecer das partes mais saborosas de sua intensa vida. Na última (pelo que sei), acabou detido lá em Botucatu, quando aquela Câmara de Vereadores acabou livrando a cara de um vereador envolvido até o pescoço com sonegação de impostos. A maioria dos vereadores votaram para que o cara continuasse exercendo o cargo e meu amigo, junto da esposa ROSANA ZANNI, por legitimamente protestaram contra o descalabro do que ocorria naquela cada de leis (sic), acabaram sendo levados para o plantão policial dentro de um veículo policial. Isso ocorreu dois meses atrás, mas não é de hoje que esse espevitado e inquieto cidadão não consegue se segurar nas calças diante das iniquidades diante de nossos olhos.

Bauru toda se lembra da atuação de Duílio, dentre tantos militantes quando dos manifestos pela cassação do ex-prefeito Izzo. Inesquecível o dia em que protestando nas ruas contra o aumento abusivo das passagens dos ônibus urbanos sofre uma sonora bordoada de um policial, rachando-lhe o cocuruto. Sangrou, mas não saiu da avenida Rodrigues Alves, o palco daqueles acontecimentos. Noutra passagem, algo também mais do que elogiável. Imagina alguém ser criticado pelo deputado Pedro Tobias. Todos os que o são, podem conferir, tudo gente boa. Com Duka não foi diferente. Relembro aqui quando Duka e LUZIA QUINEZI, ambos representando os professores, diretores da Apeoesp, descobrem o deputando votando na Assembleia Legislativa Paulista contra o professorado e aqui em Bauru esse se dizia defensor da categoria. Questionado via imprensa por Duka, acuado, Tobias não respondeu, mas cutucou: “Esse desqualificado tem várias mulheres, nem sei se paga suas pensões, um vagabundo”. Duka respondeu com elegância e luva de pelica na mão. Elogiou o deputado, ignorou a agressão pessoal e provou que a denúncia feita era verdadeira.

Duílio Duka é o meu irmão de fé, camarada em todos os momentos possíveis e imagináveis. Num mundo onde cada vez mais nos distanciamos das pessoas, possuir amizades sinceras e desinteressadas é um grande alento. Para mim, essa pessoa é o velho Duka, 62 anos de muita resistência e persistência na busca dos seus ideais. Professor de História, líder sindical, poeta, escritor, militante do movimento negro, deserdado do PT, especialista na confecção de projetos, pai de 3 filhos e uma filha, eterno quebrado financeiramente, devorador de Paulo Freire e Milton Santos, além de boa praça e consultor sentimental nas horas vagas. Vive sempre com a cabeça fervilhando de novas e mirabolantes ideias. Sobreviveu dando suas aulas e dividindo seu tempo com outras tantas atividades, dentre essas cito algumas, a de ter sido presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, ter feito vários greves de fome ao longo da vida e ter o mesmo corpinho desde que me conheço por gente (não sei como consegue - deve ser bruxaria).

Não dá para falar mal de uma pessoa dessas, nem que queiram, pois sua ficha é das mais limpas do pedaço. Deve, como a grande maioria do povo brasileiro, mas isso faz parte desse mundo capitalista, que nos oferece tudo, sem propiciar os meios suficientes para quitarmos nossas pendengas. Até suas quatro ex-mulheres convivem maravilhosamente com ele, amigos para sempre, algo inimaginável para muitos. Não deve ser santo, pois isso deve ser chato paca, mas passa ao largo de críticas. Quem quiser saber mais dele, basta clicar o seu nome nesse treco denominado Google na internet e terão uma bela surpresa. O cara é universal. Além do mais é um intelectual da espécie aguerrida. Desses que não podemos deixar de prescindir.

Tenho muitas fotos tiradas com ele. Numa dessas, ambos com um nariz de palhaço, em dia de antiga e conturbada sessão da câmara de vereadores. Em outra, ele está ao lado, de nada menos do que Danny Glover, o astro negro do cinema mundial, quando de um encontro em Durban, na África do Sul. Duka é do cacete, acredito até que seja ele a verdadeira identidade do Menino Maluquinho. É pau para toda obra, tanto que lhe deixo aqui uma súplica:

- Empresta algum aí, amigão! Esse mês está difícil de terminar.

Puxa, acho que me esqueci de um monte de coisas desse cabra da peste, mas agora já foi. Fica pra outra oportunidade. Eu te amo DUKA!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

UMA CARTA (126)


CASCATA DE ESCÂNDALOS BAURUENSES* - O DONO DA CASA É O CULPADO
*Carta enviada para publicação na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade e não publicada, mas aqui reproduzida.


Os textos do articulista Zarcillo Barbosa, publicados todos os domingos no JC são sempre instigantes, provocadores e desembocam em boas ideias e até futuras ações. No último, o “Cascata de Escândalos” (www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=235204), publicado em 10/08 ele desfia o rosário de alguns dos escabrosos escândalos dos últimos tempos. Já quase no fim destrincha a manipulação difamatória contra os impolutos Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, urdida de computadores com origem intestina no Palácio do Planalto.

Diante da resposta que o Planalto não iria conseguir descobrir os autores, a sugestão do Zarcillo é simples e direta. Sugere ele que, não sendo possível encontrar o responsável, a culpa deve recair diretamente sobre o “dono da casa”, ou seja, dona Dilma, que no caso citado, não soube vigiar seus empregados.


Achei tudo ótimo demais. Faço aqui minha sugestão de aplicação outra e aqui na aldeia bauruense, a de todos os santos e também desmandos. Como é mais do que sabido, ocorreu anos atrás por aqui outro mensalão, versão do cerrado, esse devidamente comprovado, porém sem punições, o da AHB – Associação Hospitalar de Bauru. Todo santo mês era rapinada montante destinado e carimbado para a Saúde, tudo para bolsos particulares. O tempo passou e não houve meios de responsabilizar, nem os que desviaram, muitos menos os que embolsaram ou os que gastaram a bufunfa.

Já que aqui também não está sendo possível encontrar o(s) responsável(eis), acredito que tudo deva também recair em cima de quem os indicou e os colocou para atuarem na direção daquela organização hospitalar. Assim como lá no Planalto, quem também não soube vigiar seus indicados deve pagar pelo que fizeram sob suas barbas, saias ou mesmo cavanhaque. Lá dona Dilma e aqui o PT, Pedro Tobias.

Obrigado, amigo Zarcillo, a solução está dada. Confesso não ter pensado nisso até ler seu texto na edição deste domingo. Que ela chegue a quem direito para aplicá-la a contento.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).