Mostrando postagens classificadas por data para a consulta dona Hilda. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta dona Hilda. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de agosto de 2022

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (166)


QUANDO VOCÊ PERCEBE QUE DENTRE TUDO O QUE JÁ FEZ, ALGUMA COISA FEZ CERTO
Ontem entrevistei para o "LADO B - A Importância dos Desimportantes", meu 98º bate papo, nada menos que o poeta José Brandão é no final da conversa, ele me diz querer falar mais uma coisinha. E me pergunta se li o livro "O País Impossível", que havia ganho semana passada. Digo que sim, e ele diz ter feito uma poesia para a dona Hilda Souza, a catadora de papel, falecida uns dois anos atrás e uma senhora, que sempre que a via, parava para estar junto dela por alguns instantes. Quando começou o mandato da vereadora Estela Almagro, a disse que precisava fazer Moções de Aplauso e Títulos de Cidadão para estes, os "simples", a carregar a cidade nas costas. Nã odeu tempo, pois quando fui contatá-la em sua casa no Fortunato, a triste notícia, ela havia falecido meses atrás. Ela ainda pode ser homenageada, numa rua ou praça lá perto do bairro onde viveu sua vida quase inteira.

Mas, hoje venho aqui para falar não só dela novamente - continuarei falando e escrevendo muito, pois jamais a esquecerei. O contentamento no caso foi, primeiro pela bela poesia do Brandão - o livro inteiro uma ODE aos pobres, não pelo conformismo, mas pela revolta e luta pelo fim das injustiças sociais neste País -, mas também quando me disse: "Henrique, passei a reparar nela após ler o que escrevia". Quer melhor coisa que isso? Brandão reparou no que escrevi sobre dona Hilda e assim como este escrevinhador, se sensibilizou e produziu um poema destes para trincar os dentes.

O PAÍS COMO UMA CATADORA DE PAPEL
A catadora de papel revira dos sacos de lixo
é uma preta de quase oitenta anos de vida
a cara enfezada dura doída.
Palavrões resmungos gemidos
buzinas roncos de motores explosões
cheiro de óleo queimado de carne queimada de vida
queimada.
Este país é uma catadora de papel.
Nuvens escuras pairam sobre a rua
as luzes estão acesas como se fosse noite ainda
o carrinho da catadora de papel ringe e segue.
São estes os sinais de que, algo onde você está envolvido e fazendo é o correto. Obrigada, Brandão, ele o "Afinador de Silêncios" pela lembrança deste escrevinhador, que certa vez viu o escritor Luiz Antonio Simas se autoretratar como "Historiador das Insignificâncias" e, desde então, adotou a designação para si. As muitas donas Hildas são o motor de minha escrita, algo idêntico ao lido no último livro do amigo poeta. Jamais me esquecerei de dona Hilda, a catadora de papel...

OBS.: Tanto eu, quanto Brandão, sabemos muito bem que, com o ex-capitão e miliciano presidente se reelegendo, a situação dos pobres só se agravará, daí impossível não estar junto de Lula neste momento.

LU BERNANDES E HELIO OITICICA JUNTOS EM BAURU
Lu Bernardes, EXPO NO BAR DO GENARO - A Bauru que ainda resiste. Ela é nossa/o Hélio Oiticica, rainha dos Parangolés na Terra do Sanduíche. Por aqui, em versões bem com a nossa cara e identidade, tudo o que flui no resto do planeta tem sua versão caipira, deste pedaço de sertão. Ser cosmopolita é conosco mesmo. Viva Lu e sua eterna arte. Uma de nossas "arteiras" preferidas.
Obs.: As fotos são de Pedro Romualdo.


HOJE É DIA DE RECORDAR MEU PAI, HELENO CARDOSO DE AQUINO E O FAÇO JUNTO DE ARCÔNSIO PEREIRA DA SILVA, NUM PASSEIO FEITO JUNTOS NA FEIRA DO ROLO EM 11/MARÇO/2010

"ARCÔNCIO E HELENO, 94 E 81, PASSEANDO NA FEIRA
Hoje uma historinha das mais simples, um reencontro, uma caminhada dominical de dois velhos senhores, que a lentos passos queriam rever um dos pontos mais movimentados da cidade. Pois foi assim, o ocorrido e eu conto como se sucedeu.

Domingo, 07/03, 10h, sol de rachar mamona, adentro a feira dominical de Bauru, mais precisamente o reduto da denominada Feira do Rolo junto de duas pessoas de responsa. Eu, HPA, 50 anos quase completados, ladeado de dois senhores, de um lado Arcôncio Pereira da Silva, 94 anos e do outro Heleno Cardoso de Aquino, 81 anos. Andar num horário desses naquela babilônia é algo difícil para quem tem as juntas bem lubrificadas, imagine para nós três e com o sol a nos amolecer as moleiras.

Nossa parada primeira foi na banca de livros e discos do Carioca, bem defronte a sede da Associação dos Aposentados de Bauru e Região, onde seu Arcôncio ostenta a carteira de sócio nº 1 da entidade. Portões fechados, arrumo banquinhos para ambos descansarem numa providencial sombra. “Eles não abrem mais aos domingos, pois ficava uma fila para o xixi”, me explica um vendedor de relógios. Seu Heleno, meu pai fica a fuçar livros e um deles lhe atrai, “Tietê – Imagens que o Brasil não vê”, que o Carioca lhe passa às mãos por módicos R$ 2 reais. Tiramos fotos e caminhamos por entre as bancas até uma de pastel, que pudesse acomodar três suados senhores, nenhum de chapéu. Um de queijo para cada um, regado com refrigerantes e alguns encontros, esbarrões e conversas com gente curiosa.

Ali na mesa são mostradas carteiras de ambos, uma da Associação, a do Arcôncio e outra do Passe Livre da Emdurb, a do pai Heleno. Uma peculiaridade da história da cidade outrora ferroviária, Arcôncio conta ter saido da Cia Paulista em 1949, após liderar uma famosa greve e Heleno, adentra a mesma em 1946, para dela sair só aposentado. E ali bem ao lado dos trilhos, mal puderam vê-los, pois o largo estava de gente aos borbotões e as pernas de ambos já não correspondiam com a vontade expressa pelo corpo.

Muita conversa, muito calor e uma caminhada de volta até o carro em exatos 150m dali. Ambos queriam caminhar, sair da rotina, rever a feira, ver gente e assim foi feito. Caminhando lentamente, ora pelo centro da feira, ora pela calçada, com várias paradas, para descansar as juntas e para um alcançar o outro Deu para sentir que além do cansaço, ambos estampavam uma fisionomia de desbragada alegria. E assim fomos todos para o almoço. Tudo aquilo não durou mais que duas horas e tenham certeza, foi a melhor coisa que fiz naquele domingão de sol implacável", história publicada no blog Mafuá do HPA.


OBS em 14/08/2022: São as tais inevitáveis lembranças a revoar dentro de nossa mente. Tantas histórias envolvendo meu querido paí, achei essa logo cedo e como gosto demais também de seu Arconsio, eis ela para ilustrar e reviver por onde eles já pisaram.

terça-feira, 18 de maio de 2021

COMENDO PELAS BEIRADAS (102)


AINDA A "CULTURA MUNICIPAL" OU A FALTA DE...
"Resumindo, foram roubados um milhão e quatrocentos mil da pasta da cultura de Bauru!", frase de Luiz Manaia, o Ralinho, baterista como poucos e consciente artista destas plagas. Sua frase entre aspas resume o que se passa com a Cultura Municipal, direção da novíssima (sic) prefeita Suéllen Rosim e sob a batuta de alguém só coordenando o desastre e anúncios desconectados, a secretária Tatiana Sá. Ontem ouvi algo de gente muito próxima dela em algo mais ou menos corroborando a conclusão do amigo Manaia: "Ela me disse que, a prefeita lhe disse que neste ano não vai ter um só centavo pra Cultura. Tudo contingenciado. A Tatiana está aí para administrar isso, contornar com a classe. Vai ser só pagar salários e nem um centavo pra nada. Não adianta insistir". Daí, quando leio a frase precisa, reta e direta do já cansado baterista, minha conclusão é a mesma: é pura balela isso de que o dinheiro que não foi gasto esse ano com eventos culturais cancelados será usado para favorecer a classe artística. Isso não vai acontecer. Quem ainda tem esperança de que algo ocorra, que seus eventos recebam patrocínio, devem colocar as barbas de molho e parar de permaneceram calados, aguardando algum benefício, pois será um horror quando perceberem que não terão patrocínio e só a partir daí passarem a criticar. Tem quem acredite que algo ainda ocorrerá algo para si, mas não pensam no todo. E o todo está numa penúria de dar gosto. Com Suéllen e Tatiana Sá, fundo do poço será pouco. A classe artística está sendo levada na conversa.

DONA HILDA DE SOUZA, SÍMBOLO DA LUTA DOS RECICLADORES – UMA VIDA INTEIRA NAS RUAS E LUTAS, FAZENDO DE TUDO E MAIS UM POUCO PELOS SEUS
Gosto muito mais de escrever dos vivos e produzindo algo de salutar pela aí, mas nestes últimos tempos, mais aqui dentro de casa, escrevo neste momento mais dos que se vão e após tomar conhecimento da partida. E para piorar nem sempre tomo conhecimento do falecimento de pessoas queridas assim muito rapidamente. Uma lástima. Por estes dias quando nem comparecer aos enterros é mais possível, eu escrevo dos que partem e me deixam um vazio há mais dentro do peito. HILDA DE SOUZA é dessas pelas quais guardarei lembranças inenarráveis pelo resto da vida. A descobri atuando com reciclados pelas ruas de Bauru, creio que lá pelos idos de 2005/2008, quando ainda atuava nas hostes da Cultura municipal. Desde quando bati os olhos naquela senhora, curvada sobre seu carrinho, sempre cheio de papelões e por todos os cantos do centro da cidade, fui logo me aproximando e não podia vê-la que logo partia para conversar. Fui em sua casa algumas vezes, tirei sempre muitas fotos e ela me proporcionou o meu primeiro trabalho acadêmico, quando contei algo de se sua saga, “Hilda, a catadora de papel – Acompanhamento de uma ação pelas ruas de Bauru”, 2015, junt ode minha orientadora de mestrado, profa doutora Maria Cristina Gobbi. Tanto eu, como a Gobbi nos apaixonamos por ele, sua resistência, persistência e aquele seu jeito sempre sorridente nos arrebatou. A mim para sempre. Ela tinha a mais linda dentição desse planeta, alvos como a neve e quando sorria – e o fazia sempre, mesmo nas adversidades -, encantava. Fui arrebatado e hoje, ao tomar conhecimento de seu falecimento – junto da perda do meu cão -, estou num estado que nem imaginam. Tristeza é pouco.

Ainda ontem estava matutando sobre ela e pensando em como poderia homenageá-la e conto dos motivos. Assisti parte da sessão da Câmara dos Vereadores de Bauru e lá um vereador insiste em quase toda sessão apresentar Moção de Aplausos para seus amigos pastores e as obras dos evangélicos neopentecostais. Ouvi aquilo tudo e engoli em seco. Enfim, não consegui deglutir, quando mais digerir. Pensei logo de cara no troco e em como podia apresentar para algum vereador – só temos um, no caso uma, a do PT, Estela Almagro, que poderia tocar a ideia lá dentro adiante -, a ideia de começar a apresentar Moções para Tipo Populares de Bauru, todos, no meu entender de muito maior significado que esse monte de pastores hoje já homenageados. Talvez o sejam por absoluta falta de quem apresente algo diferente. Estava proposto e fui rever o que já escrevi de dona Hilda, a catadora de reciclados bauruense. Eis aqui para quem quiser se inteirar o que já escrevi. São muitos textos desde 2008: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=hilda+de+souza. Li algo ontem à noite e a ideia mais do que fiza não me saiu da cabeça no meio da noite: “vou saber por onde anda dona Hilda, pois faz tempo que não a vejo pelas ruas de Bauru”.

Saio hoje na cata do meu desaparecido cão e de cara vou na rua Alves Seabra, na padaria do Antonio Luiz Ferreira, o Toninho, a Soberana, especializada em vender pães para carrinhos de lanche. Certa feita ele leu meus textos e disse a mim: “Ela é minha cliente, passa sempre aqui e forneço pães para ela e os seus”. Eu sei como ele fazia, dela ele não cobrava ou se cobrava era sempre o mínimo. Assim como a mim, dona Hilda havia arrebatado também a ele. Passei por lá hoje pela manhã, ele não estava e o funcionário que me atendeu, ao ver a foto que lhe mostrei pelo celular, me deu um tiro no baixo ventre: “Ele morreu e Subo até onde sei ela mora, no Fortunato Rocha Lima e lá, não preciso muito para me lembrar da casa dela. Sabia mais ou menos, mas ao perguntar numa pracinha, estava bem próximo, na outra quadra. Chego no quarteirão, vejo uma moça com seu celular no portão e pergunto. Ela me olha meio de soslaio, desconfiada e me diz: "Essa dona Hilda que está procurando é minha avó. Eu e minha mãe moramos aqui e a casa dela é duas para a frente”. Na minha mente, me voltou tudo de quando ali estive, com a Maria Luiza Carvalho, quando Hilda nos abriu sua casa e coração. Hoje, algo novamente acontece. Gabrieli Sthefani Brito do Nascimento, 20 anos, chama pela mãe, dona Cida, Aparecida de Fátima Fernandes Brito, 49 anos e conversamos em três. Digo a que vim. Primeiro digo não ser político e gostar muito de dona Hilda, conta algumas histórias e das vezes que a encontrava pela rua, o sorriso, o jeito envolvente. Vi lágrimas escorrendo dos olhos de Cida ao lhe contar que estou imbuído de produzir uma justa homenagem para sua mãe. Não havia conseguido, infelizmente com ela em vida, mas tentaria agora, talvez numa rua do bairro, praça ou mesmo um centro de reciclagem. As duas me contam ter ela falecido em 12/10/2019, aos 74 anos, portanto antes da pandemia, num Dia das Crianças e de câncer no pâncreas. Ouço elas dizendo que, Hilda trabalhou até não mais poder, mesmo com dores, descia quase todos os dias, incentivando os seus a ganhar a vida com o que sabia fazer, catando reciclados. Todos por ali continuam vivendo disso. Seu Edenil, o último companheiro, 50 anos, estava naquele momento nas ruas, percorrendo os mesmos trechos então trilhados pela família. Cida, com problemas de visão permanece em casa, mas diz querer também voltar a ajudar no sustento coletivo da família.

Fico com o número do celular de Cida e ela me passa a última foto da mãe, quando no hospital, já abatida, porém nunca vencida. Hilda é do time dos fortes, dos que não se deixam levar. Assim tocou sua vida e foi o que de melhor ensinou aos seus. Escrevi muito dela e com muito carinho. Hoje, firmei compromisso ali naquele portão de, fazer o possível e o impossível para que algo ocorra em homenagem a tão importante pessoa, das mais dignas que conheci nesta terra varonil. Vou levar o tema para a vereadora e ver o que pode ser feito para ontem, pois para hoje já será tarde. Além de tudo o que já escrevi, poderia fazê-lo muito mais. Assim de memória tenho muita coisa ainda guardado dentro da memória, das vezes em que, a via na rua, parava tudo e a observava. São tantos nas mesmas condições, buscando seu sustento com o desprezado por outro tanto, enfim, o reciclado é o disponibilizado nas calçadas. Hilda foi uma fortaleza e assim a entendo, um símbolo dentro de tudo o mais que vejo acontecendo dentro do que faz. Continuo a saga em busca de meu cão e hoje, mais debilitado, pois o baque pela notícia de nunca poder esbarrar com dona Hilda pelas ruas de Bauru foi algo para fazer baixar mais do que desânimo. Busco forças, reúno energias e sei, irei conseguir que algum reconhecimento ela consiga, pois seu nome, já eternizado para mim, também precisa o ser dentro dessa cidade “sem limites”. Para mim, algo precisa ser feito, uma espécie de pontapé inicial para valorização efetiva dos tipos populares de Bauru. Algo já foi feito pelo vereador Roque Ferreira e daqui por diante, ou fazemos algo, ou esses nunca terá seus nomes imortalizados em alguma placa. Viva dona HILDA!

NA CAPTURA
O cão Charles sumiu na noite de sábado e desde então pernoita fora de seus aposentos no Mafuá do HPA. Continuo na captura.

Acordei cedo, escrevi e publiquei algumas coisas muito rápidas, deixei pronto e em andamento alguma ajuda pra Ana nos afazeres domésticos e volto pra rua, no intuito de localizar essa preciosidade perdida. 

Ontem, alguma dicas. Estive em todas as que me indicaram poderia ter vestígios, rastros do meu cão. Fui no entorno do Cartolão, altos do PVA, depois imediações da Porteira do Rio Grande, perto da desprezível Havan, depois percorri tudo no entorno do Prevê Objetivo, centro da cidade. Percorri o Calçadão da Batista, olhei todo o percurso do rio Bauru e dei voltas em lugares não imagináveis. Colei cartazes em postes espalhados cidade afora - e adentro também. 

Estou vendo Bauru com outros olhos, depois de quase ano e meio de pandemia. Poderia escrever várias crônicas sobre as trombadas que vou tendo nas andanças, mas neste momento, estou mesmo é preocupado em achar o danado do fujão e ver com ele se está disposto a voltar pra casa. 

Espero convencê-lo...

sábado, 27 de março de 2021

REGISTROS DO LADO B (38)


O CONVITE PARA O 38º LADO B É COM ALGUÉM QUE RESISTE, INSISTE E PERSISTE NA LUTA, JOSÉ CLÁUDIO DE PAIVA

Resistir é preciso e também não sair da cancha de luta, eis algo que JOSÉ CLÁUDIO DE PAIVA não faz por nada desse mundo. Natural de Divinolândia, interior paulista e indo morar em Sampa bem menino, quando mudou para a capital paulista acabou por se transformar num cidadão do mundo, ou das causas sociais, pois de lá sai pronto e acabado, um bravo guerreiro, sempre na defesa dos clamores populares. De seu blog pessoal, o Leitura Treze, algo sempre renovador: "Olhar Diferente É a leitura que faz a personalidade das pessoas e que possibilita viagens improváveis... é a leitura". Um petista na acepção da palavra, velha guarda, defensor do LULA LIVRE desde sempre e desses que, o tempo pode passar, a luta pode endurecer, mas nada o fará sair da mesma. Não sai de jeito nenhum da galeria dos defensores do ex-presidente e faz questão de levantar bem alto a bandeira de luta dos trabalhadores resistindo ao insano golpe sobre seus costados.

O 38º Lado B - A Importância dos Desimportantes traz um cidadão do mundo, sacado neste momento das entranhas das intermináveis batalhas diárias, desses que mesmo nos piores momentos são abandonaram a cancha de luta e não esmoreceram, mesmo quando alguns desdisseram de continuar na lida da consolidação e confirmação de estar junto do povo, no meio dele, junto dele, enfim, sendo um dele, não vê sentido em se afastar e fazer a luta de outra forma e jeito. O motivo de trazê-lo aqui neste momento, mesmo não sendo muito conhecido do pessoal de Bauru e região - só os do meio sindical o conhecem e muito bem - é o de apresentar uma visão de como continua se dando a luta junto as camadas populares e movimentos sociais nos dias de hoje. O exemplo dele é de vital importância para não deixar esmorecer quem se apresenta desanimado e também reforçar que, sem luta nada se conquista.

Cláudio é um militantes nas 24 horas do dia e mais um pouco. O danado deve dormir pensando em como vai ser a distribuição do seu dia ao acordar. Ele já esteve aqui muito perto de nós e de Bauru, quando militou e morou em Jaú, Bariri e na Barra Bonita. De todos estes lugares tem muitas histórias, desde engraçadas até as trágicas e ao revê-las neste momento, muita lição de vida e também algo encorajador para todos os ainda dispostos a continuar empreendendo a luta por dias melhores para este combalido país. Cláudio não desiste e ao ouvi-lo, bate lá no fundo da gente, esse negócio de porque demos um breque, pois ao assim agirmos, abrimos o flanco para outros irem ocupando os espaços.

Cláudio não é um teórico e sim, um militante das ruas, destes que pega o touro a unha e o enfrenta com a cara e a coragem. O saboroso da conversa que irei travar com ele hoje no final do dia é exatamente enveredar a conversa por esse lado, a dele contar algo de seus feitos e da coragem sempre presente em continuar, mesmo na adversidade. Cavou lugares aqui e ali e continua cavando, desde seus tempos de metalúrgico, até hoje, na condição de jornalista de publicações petistas. 

Ele é responsável pela publicação diária de um jornal virtual, o "Luta", do diretório municipal do PT paulistano de Capela do Socorro e a partir daí, conversa o dia inteiro, produz textos, espalha outros, multiplica ideias, promove encontros e agita. Nada melhor do que um original agitador para nos contar suas histórias e assim possibilitar o retorno de muitos olhos brilhando, buscando também voltar a trilhar caminhos libertários.
O mais quem assistir o embate hoje, a partir das 18h, pela minha página do facebook, terão boas surpresas, pois conversar com quem é detentor de boas histórias é sempre algo arrebatador. Então, logo mais, hoje, sábado, 27/03, 18h, aqui pelo facebook deste mafuento

COMENTÁRIO FINAL:
Cláudio é um ser social louvável. Sua trajetória de vida demonstra isso. Sempre esteve envolvido em lutas e conquistas dos trabalhadores. Hoje, atuando como jornalista, coordena a publicação "LUTA", do Diretório Municipal do PT de Capelo do Socorro, com grande abrangência na capital paulista e ali, dá prosseguimento a algo pelo qual esteve empenhado boa parte dos últimos anos, o dentro dessa guerra pela informação, produzir matérias e possibilitar uma narrativa salutar, bem diferente da repassada pela mídia massiva e hegemônica. Daí, a importância do que faz, buscando com um veículo alternativo, mostrar outra visão dos acontecimentos. Ele está aqui exatamente por causa disso. Quero com a entrevista mostrar para mais e mais pessoas dessas possibilidades. Criar as próprias narrativas é algo mais que primordial nos tempos atuais, pois do contrário estaremos fadados a ter que aceitar a que nos é passada, por exemplo, nos noticiários da TV Globo ou TV Record, Estadão ou mesmo Folha de SP. Ao final uma frase dele chama a atenção, quando perguntado sobre o papel da esquerda e as vacinas: "A vacina só pode ser pensada num jeito coletivo, assim pensa e age a esquerda e não como fazem com o remédio, tipo a Cloroquina, pensada individualmente, numa proteção somente para si e não para o todo". O papel de pessoas como Claúdio é salutar, pois ele literalmente produz uma mídia onde os temas são tratados segundo a nossa visão, a dos vencidos, dos explorados, dos injustiçados e isso é feito em instruir mais e mais pessoas, fazendo-as tomar consciência de fato dos reais acontecimentos e assim reverter o jogo. Pessoas como José Cláudio são imprescindíveis. 

 
O GADO NÃO TOMA VACINA - SÓ OS MUITO IGNORANTES, CONHEÇO UM...
Hoje muito me surpreendeu tomar conhecimento da história de pessoa conhecida, que já chegou a frequentar minha casa, tem mais idade que eu, portanto, acima dos 60 anos, bolsonarista convicto, cego até não mais poder e tolerado por ser namorado de amiga. Pegou a covid tempos atrás e diz ter se tratado com o medicamento inservível, porém não tem certeza disso, pois quando num hospital, o cara acha que toma aquela porcariada e lá, os profissionais de saúde agindo dentro da normalidade, acabam por ministrar o que salva as pessoas e não a marmotice indicada pelo ex-capitão. Pois bem, o cara se diz curado e continua a propagar a sandice dos remédios inservíveis. Apronta mais uma e como gado não surpreende. Pode tomar a vacina, chegou o dia dos de sua idade, mas se recusa, pois como crê cegamente no seu mentor, o "mito", prefere morrer doente do que ter que se vergar. Não vai tomar e vai sim, continuar propagando coisas sem nexo.

Pelo visto, o cara é adepto daqueles malucos lá de Novo Hamburgo, os gaúchos que bateram continência para um caixa de cloroquina e não está atento ao que acabou de fazer o bispo Macedo, prócer da igreja Universal, pois este mesmo desdizendo da vacina, de bobo não tem nada e na primeira oportunidade, aportou na fila para tomar a vacina lá onde mora, nos EUA, se deixando até fotografar. Abomino as bestas levando este país para o buraco, como esse cego cidadão, que pela sua ignorância, não mais permitirei que volte a botar os pés em minha modesta residência. Quero cada vez mais distância destes e se existe alguma missão na vida para o que ainda me resta de tempo de permanência neste mundo é a de convencer gente como este, mas os que querem e propostos a ouvir, pois os besta quadrados, os cegos, estes estão irremediavelmente perdidos e não vale mais a pena perder tempo com estes. O desabafo foi escrito numa só sentada e representa bem o que senti ao tomar conhecimento dessa história. Como pode alguém desdizer tudo o que prega a ciência e se postar ao lado de alguém tão criminoso e desajustado como o ex-capitão? Gente como este representa os pelos quais quero mais e mais manter o máximo de distância.

UMA HISTÓRIA DE VIDA PARA ENCERRAR O DIA
HILDA PATRIZI BEIRANDO OS 90 E CHEIA DE VIDA, ESBANJANDO SIMPATIA
Uma das coisas que mais gosto e tenho feito cada vez menos são estes perfis. Queria chegar ao milésimo - como no gol do Pelé - e depois, se possível, reunir uns duzentos, escolha feita a dedo, um por um e publicar um livro, mostrando essas carinhas e contando um bocadinho, uma coisinha simples da vida de cada um. Em cada foto que tiro, só de olhar pra elas eu tenho algo pra dizer, uma história pra contar, um relato de vida por detrás e daí, se me deixarem eu discorro sobre isso por horas. Semana passada, revi uma pessoa querida e pedi para tirar fotos. Ela me disse não estar bem arrumada, mas a convenci e de todo o presenciado saiu isso que vos escrevo abaixo.

HILDA PATRIZI está beirando os 90 anos e morou vida quase inteira na beirada do rio Bauru, quadra 1 da Gustavo Maciel. Saiu de lá anos atrás, alguns anos após perder o marido, o ferroviário da Cia Paulista Carlos Patrizi. Ela não queria ir embora, deixar o lugar de uma vida inteira, mas foi convencida pelo filho, após uma enchente com mais de metro d'água dentro de casa. Ela se foi, como tantos outros e levou consigo o instrumento de seu trabalho, uma máquina de costura, que avariada pelas tantas enchentes, acabou sendo descartada. O único pedido de compras que fez nos últimos tempos foi este, ter uma máquina nova. Hoje, beirando os 90, tem sua máquina nova, reclama de costurar menos, pois "a visão não ajuda muito", mas insiste. Ela é dessas que não entrega os pontos. Na semana passada, após tomar conhecimento de mais uma enchente na região onde morou por mais de seis décadas, passa uma manhã toda por lá, acompanhando gente mais nova limpando o barro dos cômodos. Caminhou no meio do barro até meu portão, eu também com barro até as tampas, só para me dizer estar com saudade. Perguntou de todos, irmão por irmão, riu e se deixou fotografar após minha insistência. Eu tenho infinitas histórias dela com seu marido, vizinhos da casa de meus pais, das tantas bolas que caia em seu quintal, dos doces que fazia e das costuras que me fez a vida inteira. Tempos atrás, eu e ela já morando longe, nos encontramos ali e passei algumas bermudas com furos nos bolsos, mangas de camisas, barras de calças. E na hora de cobrar, ela dizendo não saber direito o que cobrar de mim. Foi assim a vida inteira e agora, só de vê-la ali no portão, interessada nos destinos de sua casa e das demais, me deu uma força para ir até o fim, limpar tudo e seguir em frente. Dona Hilda é como se fosse embaixadora daquele lugar. Seu sorriso vale ouro. Escreveria horas das tantas histórias, mas o espaço aqui é curto. Conto mais em outro momento.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

BEIRA DE ESTRADA (122)


COMO ESTARÁ NA PANDEMIA AQUELE TIPO POPULAR DAS RUAS? ALGUNS A GENTE DESCOBRE, NOUTROS A DÚVIDA PERSISTE, RESISTE E DÓI
Escrevo de tantos, conheci tanta gente ao longo desses anos e agora, diante dessa pandemia ocupando todos nossos espaços, eis uma cruel dúvida: Por onde andará tal pessoa? Como ela se safou? Terá conseguido suplantar sua situação? Sonho constantemente com isso. Dias atrás um desses fez contato. Falo daquele artista de rua de Bauru, que até bem pouco tempo se travestia de Chaplin ou de estátua viva nas feiras e assim ganhava sua vida, o querido Marcílio. Trabalhou por aqui também como servente de pedreiro, mas há meses sumiu, nada. Pois bem, escrevi algumas vezes dele e acabamos amigos pela internet. “Boa noite amigo como está vc?’, ele me perguntou. Ufa! Que ótimo, sinal de que estava por aí. Da última vez que o vi estava morando perto daquela agência da Caixa, ali na entrada dos trilhos, começo da rua Virgílio Malta. Pergunto: “Por aqui tudo bem e contigo, ainda morando aqui em Bauru e ali perto dos trilhos? Conte as novidades...”. Ele me responde: “No momento estou nas gerais montando o meu kege que inclui um apiário. Estamos plantando frutíferas hortaliças sem agrotóxicos, conseguimos um pequeno sitio cravado quase dentro de uma reserva permanente. Eu, o caçador de mim, como diz Bituca, o ser humano não pode perder a sua honra e o que acontece com oitenta por cento de nos brasileiros”. Baita alívio. Gosto demais deste, na internet identificado como Marnasci Gerais.

Com outros tantos nem tudo ocorre assim tão facilmente e a dúvida persiste. Dias atrás, como já escrevi aqui, liguei para o Carioca, o da banca de livros e discos da Feira do Rolo. Ele, segue sem poder trabalhar nas feiras, mas está bem, trancado em casa e vivendo da venda de alguns de seus itens para a Estante Virtual. Faço isso regularmente e assim vou desvendando os caminhos traçados por alguns dos personagens de meus escritos. Meu baita amigo, o Adilson da Banca, de sobrenome Chamorro fechou a sua ali na Treze com a Primeiro de Agosto, mas me diz continuar na ativa, modestamente, pelos meios modernos, vendendo pelo aplicativo e juntando forças com os ganhos da esposa. “Está dando para se garantir por esses dias, mas nada como a atividade na rua”, me disse. Passo lá pelo Confiança da vila Falcão dias atrás e ao espiar na rua lateral, não vejo o Adélio, ex-juiz de futebol amador e policial linha dura, hoje vendedor de salames. Cadê ele? Será que está tudo bem com ele? Na mesma situação, outros tantos. Quem eu vi hoje numa escapulida para ir aos bancos foi o vendedor de cartelas desse famoso bingo, Jurandir Elias. Ele tinha ponto defronte o Banco do Brasil da praça Rui Barbosa e hoje, na entrada e saída, olho e nada. Cadê ele? Ao ligar o carro, desço pela rua Primeiro e o vejo subindo a rua, mascarado e numa conversa animada com outro cidadão. Ele continua com a jaqueta da venda das cartelas, ou seja, na lida.

Pensei também naquele vendedor de amendoim e ratinhos de esponja, um senhor barbudo, sempre envergando a camisa do Corinthians. Calado, colocava seus ratinhos numa marquise de banco ou mesmo na beirada de alguma calçada e ali ficava. Desse eu não tenho notícias, como também não vi mais a Morena da praça, aquela esbelta moça que ali fazia ponto, junto de outros e outras, misturando-se aos habituês do lugar. Saio do banco, estico o pescoço para ver se reconheço alguém dentre os tantos sentados por ali, mas nada, nenhum conhecido. Como será estão se virando desde o começo disso tudo? Outro que gostava muito de cruzar era o senhor que vendia mapas. Ele envelheceu e não mais viajava com a sacola cheia de mapas. Começo do ano, o fotografei na Batista, fisionomia cansada, sentado defronte o Cisne Calçados, depois nada mais e olha que ele gostava de rua. Será que tem se dado bem com o confinamento? Outro sumido é o Raquele que se vestia de palhaço e ficava vendendo doces e revistas infantis no sinal do cruzamento da Nações com a Nuno de Assis? Da última vez, descrevi uma batida policial dentro do supermercado Confiança Rodoviária, denunciado por um policial a paisana, que o achou suspeito. Foi revistado, humilhado, nada encontraram e se dizia desgostoso de Bauru. Vendia o valor exato para pagar sua pensão e não pernoitar na rua. Sumiu.

E assim são tantos outros. Dentre os catadores de reciclados do centro da cidade, dona Hilda, moradora lá do Fortunato Rocha Lima, ela sobe e desce a imensa ladeira, caminho de sua casa até o centro, juntando os papéis e retornando para casa já com a noite chegando. Com mais de 70 anos, nem gosto de imaginar em algo de pior para sua vida já cheia de atribulações. Ela sustenta toda uma família, fortaleza viva. Sei nada dela por esses dias. E aquele senhor que ficava na esquina da Primeiro de Agosto, ali na frente do bar do chinês distribuindo folhetinhos com os serviços de dentistas da região. Já com certa idade. Espiei hoje ao passar defronte o lugar, mas nada dele. Suas dificuldades devem ter aumentado muito, pois o que ganhava ali na rua ajudava em muito nas despesas de sua casa. São tantos. E o rapaz no cruzamento da Antonio Alves com a Rodrigues, um que me pediu uma camiseta do bloco carnavalesco do Tomate, a dei e ele não mais a tirava do corpo. Ele não estava lá hoje no seu lugar habitual. E o filho da Madê Correa, que ficava vendendo carvão na esquina na Quinze de novembro, perto de sua casa. Será que anda se cuidando e alguém cuidando dele? E aquela senhora que ficava nos sinais ali também na Quinze, com aparência lembrando nossas mães?

A maioria faz parte do cenário habitual do centro da cidade bauruense e na ausência, falta irreparável, diria, insubstituível. A cidade hoje, movimentada mesmo em plena pandemia, dia de pagamento bancário, quinto dia útil e, tomara estejam em lugares seguros, também se protegendo. Espero reencontrá-los a todos e todas. Claro que, os queria todos os tipos das ruas em situações melhores, dando a volta por cima e o que menos queria era reencontrá-los em pior situação do que a da última vez. Prometo que irei contando mais e mais algo deles todos, tão logo os reveja pela aí. Torço para que isso volte a ocorrer no mais curto espaço de tempo possível. Muita gente se preocupa com eles, eu um desses.


O PRESIDENTE PRESSIONA O STF PELA ABERTURA, ENQUANTO AUMENTA A QUANTIDADE DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE BAURU CONTAMINADOS E AFASTADOS
No exato momento em que o presidente, o Senhor Inominável vai até o STF - Supremo Tribunal Federal, na companhia de empresários, claramente pressionando-o para decidir pela abertura de tudo, sem restrições, mesmo com o número de mortes no país tendo alcançado sua maior cifra, mais de 600 mortos por dia, fica claro outra evidência. Não existe nenhum plano salvador para a Economia brasileira, nada do lado governamental. A proposta é somente uma, forçar a abertura das portas. Garantir que as empresas, ali representadas por alguns expoentes empresários, tenham ajuda governamental, algo normal em tempos de pandemia, isso não existe. Assim caminha o país, insensível para o lado do ser humano, principalmente o do pobre que se infesta a olhos vistos, enquanto seu lado comercial, se mostra cada dia mais com seus olhos voltados somente para seus negócios e nada mais. Não queiram me dizer que fazem algum movimento para defender o trabalhador, pois não o fazem, ainda mais cientes de que, se esperassem mais, no máximo, um mês, talvez tivessemos em condições de voltar a abrir gradativamente. O Dia das Mães fala mais forte, enfim, seus cofres...

Reflito sobre isso e bato um longo papo com enfermeiro do Hospital da Unimed de Bauru. O conhecia assim de longe, pouco contato e ao saber que queria falar, ligo, me apresento e ele diz me conhecer, quer falar. Me diz que, só lá onde trabalha, dois profissionais de saúde, que trabalham tanto lá, como no Hospital Estadual estão internados, infectados pelo coronavírus. Informa algo mais, que 12 profissionais lá do Estadual estão afastados pelos mesmo motivo e se tratando em suas casas. E na cidade, num todo o número já chega a 40 profissionais afastados. Se isso não é assustador, me digam o que é? Não se faz necessário se estender muito. Não quiz entrar em detalhes, até para não possibilitar meios de identificá-lo. Seu sentimento é de receio, mas ciente de não poder parar e assim continua. Ao menos afirma, em ambos os lugares onde trabalha, o fazem em boas condições, com toda a segurança e artefatos para tal. Assim mesmo, com essa quantidade de gente infectada, uma certeza, o vírus circula, atravessa barreiras e meros panos fixados no rosto. 

Que essas informações sirvam de alerta para tudo o mais que está em curso. Junto as duas informações, a do Governo Federal desconsiderar as medidas de segurança e propor a flexibilização imediata e do outro lado, como anda a situação dos profissionais envolvidos com o atendimento aos doentes. Minha conclusão: continuo devidamente trancado, pisando na rua por algo estritamente necessário. Antes tívessemos um Governo que pensasse antes no seu povo e só depois, no que lhe dita as leis de mercado. Não temos, daí o salve-se quem puder presenciado hoje. Qual a pior morte, a de CPF ou CNPJ ?

quinta-feira, 12 de julho de 2018

BAURU POR AÍ (154)


BAURU EM TRÊS MOMENTOS DISTINTOS E MUITO ESCLARECEDORES

1.) MOÇÃO DE APLAUSO NA CÂMARA DE BAURU É BOÇALIZADA - FAZEM VISTA GROSSA PARA DONA HILDA

Quando dizem pela aí ser essa atual Câmara de Vereadores de Bauru a mais surreal de toda sua história, alguns dizem existir exageros na afirmação, mas quando se vai conferir passo a passo o que ali ocorre, não só a confirmação, como a constatação da regressão daquela antiga Casa de Leis, hoje servindo com seus atos para boçalizar os procedimentos, ocorrências e os homenageados pelos atuais edis. As tais Moções de Aplauso são escolhidas a dedo para levantar a moral do vereador que a indica e pouco vale para realçar algo do homenageado. Por ali a maior representação de pastores evangélicos homenageados por metro quadrado da face da Terra. Bastou completar um ano de púlpito, pronto recebe a honraria, mas nada de ação social que o façam de fato serem merecedores de algo pomposo. A última foi uma piada. A PM faz seu trabalho nas ruas e em alguns casos são merecedores de rasgados elogios, em outros cumprem a obrigação, nada além disso. Muitos dos seus membros já foram homenageados, mas desta feita algo estranho. Um PM ganha a honraria por parar a viatura e ajudar uma idosa a atravessar uma rua. Ato louvável? Claro. Não só policiais fazem isso. Eu mesmo já o fiz, outros idem. Por ter vindo de um carro da PM, nenhum estranhamento, ou seja, natural quem se comova e ajude os semelhantes. Desta feita quem o fez ganhou Moção de Aplauso. Eis o link: https://www.facebook.com/fabio.manfrinato.9/posts/1196577517148815. A PM não precisa disso, a Câmara idem. Fico triste, pois enquanto isso, dona Hilda, do alto dos seus quase 80 anos, continua recolhendo o lixo reciclável do centro da cidade com seu carrinho de mão e nem é lembrada. Ela ajuda toda uma cidade a se ver livre do inservível e não a enxergam. Nenhum vereador, creio eu, nunca a enxergou e, portanto, ela nunca poderá ter o prazer de entrar uma única vez no recinto da Câmara de Vereadores com os seus e receber uma Moção de Aplauso. Algo dela: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=dona+Hilda. Eu não tenho nada contra o policial ter parado o carro e ajudado a senhora atravessar a rua, mas tenho muito a ver dos motivos de Bauru não enxergar e valorizar gente com dona Hilda.

2.) "VOU TRABALHAR PRO DÓRIA", ME DIZ UM AMIGO - DOU MINHA OPINIÃO
O desespero de causa dos sem trabalho e sem ter mais onde buscar fontes de renda só aumenta. A cada virada de esquina as histórias se repetem e sem saída, alguns buscam o que lhes restam de alternativas ainda possíveis nesses tempos mais que sombrios. O golpe e tudo o que veio depois dele fechou portas, lacrou possibilidades e estagnou o país, tornando os miseráveis ainda mais dependentes das migalhas desse cruel e insano sistema neoliberal predatório. Entendo o desespero de causa do amigo e quando me diz, diante de todas as portas fechadas, tendo que viver praticamente de favor, clamando até por um prato de comida, não tenho como lhe apunhalar e virar as costas. Sento com ele e tento dar minha modesta opinião:

- Veja bem, tanto eu como você sabemos muito bem o que representa esse João Dória na política. Ele não nos engana, aliás é muito transparente. Veio para fazer o serviço sujo da elite, um que não tem nenhuma dó de nós, os que lutamos por direitos coletivos e movimentos sociais. Tendo isso bem claro e diante de uma oferta de trabalho temporário na sua campanha política e da sua situação pessoal no momento presente, ao aceitar e começar a receber, poder continuar sobrevivendo com algum no bolso, vejo que poderia fazê-lo da seguinte forma. Faça o mesmo que ele faz conosco. Ele finge que defende os interesses do povo. Todos dizem isso, mas sabemos quem de fato o faz. Esse não faz, mas da boca para fora diz que faz. Mente. Minta para ele também, simples assim, vá lá e faça de conta que trabalhe. Na frente dos que lhe pagam seja um ótimo ator, desempenhe o papel a lhe render os cobres no final do dia, mas quando distante deles, continue a ser quem sempre foi. Estará conseguindo algum e ao ludibriar gente como ele, certamente não estará fazendo nada de tão errado. Errado mesmo é a situação vivida pelo país, com tudo pela hora da morte e o povo num mato sem cachorro. Tente ao menos agir dessa forma, para ser ao menos original e verdadeiro com o seu eu interior.

3.) ACORDO E COMO SEMPRE, NO PÁGINA 12, ALGO SOBRE O QUE ACABEI DE SONHAR - RICO NÃO PAGA SUA CONTA DO DAE
https://www.pagina12.com.ar/127866-el-rico-no-paga
Fui ontem a noite ver o lançamento da candidatura do amigo Roque Ferreira para deputado federal no próximo pleito eleitoral. Ele insiste e vê-lo defender seus belos argumentos é motivo suficiente para não sair da lida. No meio de sua fala algo a me fazer sonhar. Ele dizia, sem sei porque citou isso, mas minha mente se apropriou e sonhei com o tema. É sobre os grandes devedores de água de Bauru, os endinheirados que devem muito ao DAE - Departamento de Água e Esgoto e não pagam suas contas. Dizem que um dos maiores é a ARCO - Associação da Expo Bauru. Ele brinca: "Vai você, caro Nicola (e cita um dos presente) dever alguns meses e verá o que lhe acontece. Já os caras devem há anos e nem são citados. Por que isso acontece?". Bastou para virar sonho, ou melhor, pesadelo.

Acordo com os olhos esbugalhados e como faço toda manhã (vício bendito), não saio de casa sem ler a edição virtual do melhor jornal diário da América Latina, um ainda possível, o argentino Página 12 (www.pagina12.com.ar). Dentre outras coisas, algo sobre o motivo do meu sonho e a pergunta que não quer calar: Por que o pobre é obrigado a pagar sua conta e se não o faz tem o serviço sumariamente cortado e o rico, o que possui capital para pagar não o faz e nem molestado é? Como a resposta para isso não vou encontrar na mídia massiva bauruense, só mesmo na independente ou na isenta estrangeira, o faço e reproduzo para conhecimento de tudo, todas e todos. E novamente o assunto poderia voltar à baila. Por que mesmo, hem? Sendo os pobres maioria, daí outra pergunta, por que permitem isso?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (146)


NOTÍCIA MAIS QUE TRISTE - MORREU O AROEIRA

A alegria do centro da cidade de Bauru está mais do que comprometida com a notícia do falecimento do CHICO AROEIRA, um batalhador, professor aposentado de judô e atuante sitiante da região de Águas Virtuosas. Diariamente alegrava a região com seu tradicional caminhãozinho e coletando lavagem em vários restaurantes da cidade para seu criadouro de porcos. Escrevi dele tempos atrás dois textos publicados no blog e aqui reproduzidos, bastando uma clicada a seguir:

http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Francisco+Aroeira

Mês retrasado um último reencontro, quando o o revi na rua Primeiro de Agosto junto de dois também resistentes, Oswaldo Malini e Waldo Ciro Geraldi e ele relembrava dos textos aqui publicados e da repercussão que obteve, do reconhecimento nas ruas, o que me encheu de orgulho. Aroeira era a própria aroeira, mas vergado por um problema de saúde, feneceu após alguns dias de hospital e a partir de agora, um vazio a mais no centro da cidade. Merece placa num desses locais, tal o vazio que sua ausência vai provocar.

Um personagem e tanto...

UM OUTRO FALECIMENTO E UMA SAUDOSA FOTO

Final de novembro um vizinho aqui de casa, CARLOS PATRIZI, ferroviário da Cia Paulista e cujo depoimento está constando do livro escrito sobre a história da ferrovia em Bauru, editado pelo Losnak e publicado sob as espensas da Prefeitura e encaixotado há uns dez anos, pois bem esse senhor, aos 89 anos, andarilho contumaz, pois andava a cidade toda, com folego de gato, ao cair numa cama de hospítal, com poucos dias se vai rapidamente como passarinho. Nessa foto tirada em outubro, ele e sua esposa, dona Hilda andando pelas ruas, voltando de compras na Casa do Arroz, aqui na Araujo Leite. Esses vazios urbanos vão se consumando, aqui e ali, demonstrando o inexorável da vida, uns vão, outros nascem, outros despontam e tudo segue, nem sempre muito para a frente, mas segue, no caso bauruense e brasileiro dos tempos atuais, meio que aos trancos e barrancos. Brinco no velório com a esposa sobre a ausência dos amigos no velório e ela com seu meigo jeito me responde com a maior simplicidade desse mundo: "Meu filho, seu Carlos não tinha mais amigos, todos eles já morreram e nós mesmos já não estamos muito bem". Fiz tempos atrás um perfil dele aqui no Personagens de Bauru, mas sem tempo para reproduzir o texto nesse momento, deixo aqui a foto como lembrança dos que se vão, lembranças se acumulando umas sobre as outras. Ainda outro dia por aqui, hoje não mais e daí, nós aqui na continuidade da contenda que é essa vida.

E POR FALAR EM MORTES, ONTEM 35 ANOS ATRÁS:
Lembrado na tira do diário argentino Página 12, por Miguel Rep.


NAS VÉSPERAS DA POSSE DO NEOLIBERAL MACRI NA ARGENTINA O DIÁRIO DE OPOSIÇÃO A ELE, PÁGINA 12 SOFRE ATAQUE DE HACKERS E SAI DO AR:

Algo de muito estranho está a ocorrer na Argentina nesse exato momento. Num violento ataque de hackers o diário Página 12 (www.pagina12.com.ar) é sacado do ar misteriosamente e por mais que tente, está encontrando muita dificuldade para conseguir voltar a ter sua página publicada na internet. A denúncia é grave e esbarra na postura da atuação que o novo presidente, Maurício Macri pretende dar ao país. Enquanto, tanto na Argentina o reconhecimento da derrota da situação ocorreu quase simultaneamente ao resultado, o mesmo se dá na Venezuela. Na Venezuela, uma raivosa oposição que, até então apregoava de suposta falta de democracia no país, dizia que não aceitaria outro resultado que não a vitória e Maduro aceitou a derrota de imediato. Cadê o ditador? Cadê a ditadura? Na Argentina algo muito parecido, Macri já anunciava medidas contestando o resultado, mas ganhou e Scioli e Cristina foram rápidos em reconhecer a derrota. E agora isso com o Página 12. Vejam algo da denúncia estampado na edição impressa de hoje. Os prenúncios de falta de liberdade que, até então eram anunciados como medidas praticadas por Cristina Kirchner e por Maduro é o que parece irá acontecer a partir de agora com neoliberais predatórios no comando das ações. Na Venezuela, comandando o parlamento e encurralando o presidente e na Argentina, com algo no ar "muito mais estranho do que os aviões de carreira".

Observem e confirmem isso nos próximos capítulos... Leiam algo mais clicando a seguir: http://adnrionegro.com.ar/…/pagina-12-denuncio-un-ataque-v…/

terça-feira, 6 de outubro de 2015

COMENTÁRIO QUALQUER (144)


UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA
A NO CRAVO: ESSA EU ME CURVO TODA VEZ QUE A VEJO...
Uma batalhadora na acepção da palavra. Beirando os oitenta anos continua na lida e sem poder parar. Dona Hilda de Souza é catadora de papel e mora lá no Fortunato Rocha Lima, beirando a rodovia Bauru/Marília. Sobe e desce a pé e empurra seu carrinho sempre cheio de papelão pelas ruas. Já escrevi muito dela e apresentei o meu primeiro trabalho/artigo acadêmico tendo ela como pano de fundo. Não só as agruras do seu dia a dia, mas a continuidade da exploração que todos sofrem na pesagem e revenda do que coletam. Na cidade, algumas cooperativas funcionando mas nas mãos de gente com ligação umbilical com associações de moradores e outros interesses, muitos deles políticos. Muita coisa acaba não batendo com os interesses desses trabalhadores. Recebi de uma amiga de bancos escolares de mestrado na Unesp um belo trabalho feito aqui sobre essa realidade, o exato ponto nevrálgico da atuação dessas cooperativas, onde acertam e onde ainda erram e muito. Quando terminar a leitura, com a permissão da autora, quero publicá-lo aqui, pois versa sobre um baita de um problemão bauruense. Por enquanto, fiquem com duas doloridas fotos de dona Hilda, tiradas ontem perto do Poupatempo. Ao revê-la pelas ruas, dia após dia e nunca em momentos de lazer, mas sempre na lida, aquilo que me faz continuar tentando fazer algo para denunciar e tentar alterar algo dessa tremenda desigualdade existente entre as classes sociais no mundo em que vivemos. Gente como dona Hilda merece e muito estar em outra condição. Essa sim é uma baita de uma merecedora de um Título de Cidadania Bauruense e da página inteira na Entrevista da Semana do JC dominical. Sua história de vida é a desses tantos que enfrentam o touro a unha e não podem esmorecer um só segundo. Uma das figuras mais simpáticas do centro da cidade. Experimentem ir bater um papo com ela e depois me contem...

E A NA FERRADURA: SE O ALCKMIN PROIBIU É PORQUE TEM ALGO DE ESQUISITO ALI NO METRÔ
Eu não quero só falar mal do governador Alckmin, mas ele e os que o defendem com unhas e dentes fazem de tudo (e sempre mais um pouco) para que continuemos no bombardeio. A homenagem pelo que fez com a questão da água já era o ridículo do ridículo e o “amigão” querendo laurear o chefe deveria ser sim penalizado, pois o expôs ao ridículo. Passado isso, quando se esperava uma trégua para acalmar a gozação, eis que hoje algo mais sério é divulgado. Por ordem superior do Governo paulista de agora em diante está proibida a divulgação de qualquer matéria ou informação sobre os bastidores das maiores construções ocorrendo em São Paulo, sendo a principal delas as do Metrô, cujos valores já são objeto de escândalo internacional. Só daqui a 25 anos. Mas com que autoridade se pode fazer algo assim? Sinceramente não sei. Num momento em que a transparência é tudo o que se pede, uma lei draconiana como essa é tudo o que a oposição pede para deixar transparecer a existência de algo mais do que suspeito nessa e em outras obras envolvendo o Governo do Alckmin. Na alegação estás dito que tudo foi feito para evitar o uso das informações ocultas por gente mal-intencionada ou inabilitada. O que seria isso? Investigar não pode? Imaginem se Dilma fizesse aprovar algo assim? Estaria impeachmentada no ato, mas com o Alckmin o povo paulista adora fazer vista grossa e joga tudo novamente para debaixo do tapete. O que alguém em sã consciência pretende com uma lei dessas? Tentem me convencer de que não é para esconder algo. Quando criança, meu pai querendo nos impedir de fazer algo proibia e daí era o mesmo que dizer: “Façam”. Quem não gosta do que é proibido? Ainda mais nesse caso, onde algo já foi descoberto e agora tentam brecar tudo com lei que nem sei se tem validade legal. Agora danou tudo, pois vejo implícito na proibição algo tão revelador quanto tudo o que já foi apurado. Eles estão se entregando minha gente!!!!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MEMÓRIA ORAL (187)


SETE HISTÓRIAS DE GENTE QUE SACODE A ROSEIRA EM BAURU

1.) LUIS LUVIZUTTO E SEU DESCOLADO BAR LÁ NO BAURU XVI

Não me canso de escrever por aqui que a boa música tem em Bauru um espaço mais do que privilegiado. Temos bons músicos e mesmo com essa tal de crise fazendo questão de bater à nossa porta, existe um bom espaço para apresentações variadas e múltiplas. Algo me encanta mais do que tudo e é quando vejo alguém num inusitado lugar, investindo num local periférico, longe dos tais points e propiciando um algo a mais, diferente e cheio de ousadia. Para esses mais do que um simples reconhecimento, um baita abraço. Esse perfilado aqui hoje fez isso, tem seu estabelecimento numa vila e lá também presente os músicos todos. Ele é merecedor de muito mais do que um mero afago, para mim, um empreendedor.

LUIS LUVIZUTTO é um sujeito rodado, aos 50 anos, chegou a morar tempos atrás e por oito anos em Fortaleza CE. Quando perguntado se é casado, brinca: “Sim e não. Já fui tudo, amasiado, juntado, apaixonado e hoje, solteiro”. Trabalhou por longo tempo aqui em Bauru como técnico de som e dessa forma conheceu boa parte da classe artística local. Relembra dos tempos na retaguarda de grupos como o Fonte Musical, por oito anos (onde atuou o atual secretário de Cultura, o Elson Reis) e no Alta Classe. Retornou para a cidade após o falecimento do pai, o Lindo, que tinha um bar lá nos altos da Nova Esperança e o fez para cuidar da mãe. Passou a morar com ela e teve a feliz ideia de reviver o bar do pai, reaberto na quadra 5 da rua Ramiz Tayar, a principal do Bauru XVI. O nome foi uma justa homenagem ao velho, Buteko do Papai, inaugurado em 29 de junho passado. Inovou trazendo a boa música, sempre as terças para o local, quando nesse dia poucos tocam som ao vivo, já tendo por lá passado quase todos os nomes da noite bauruense, seus velhos conhecidos. Luis toca o bar, localizado num largo de fácil estacionamento, recebe a todos com muita alegria, bota o filho para lhe ajudar quando o calo aperta, cuida também de um tio, paparica a mãe o tempo todo e quando pode, baixa as portas e também dá suas escapadas cidade afora. A comidinha lá servida é a fina flor dos botequins, indo de língua à dobradinha, tudo preparado ao seu modo e jeito. Fazendo fama.

2.) JORJÃO MUNHOZ CIRCULA COM SUA CADEIRA DE RODAS MOTORIZADA CIDADE AFORA

Desse aqui hoje retratado tenho uma história das antigas para contar. Temos um baita amigo em comum, Daniel Carbone, hoje morando em São Bernardo do Campo e certo dia, coisa de uns trinta anos atrás, fomos pescar numa turma nas barrancas do Tietê. Lá no meio do rio, eis que um deles, o único deficiente, que tivemos que carregar pra dentro do bote, cai na água e junto dele quer levar a todos. Nós voltamos, ele não e nada de um lado para outro do rio, algo que poucos dos “eficientes” conseguiria fazer. Voltou são e salvo e rimos muito. Ontem o reencontro e pergunto se repetiria a proeza. “Que isso, não entro num rio há décadas, mas que foi bom, foi, né?”. Foi.

JORGE MUNHOZ, 59 anos, foi figura demais de conhecida em Bauru décadas atrás. Motivado por uma paralisia infantil, sempre andou de muletas, o que não o impediu de fazer e acontecer. Com a mobilidade reduzida, sempre praticou esportes e foi forte pacas, braços engrossados. Atuou nas hostes da antiga TV Bauru, sempre atuando nas mesas internas de som, nos seus áureos tempos. Foram mais de 15 anos revividos por ele sempre entre muitas histórias e risadas. E se assim recorda aqueles tempos é porque devem ter sido memoráveis. De lá perambulou um bocado pela aí, tentou até a política e depois foi se encaixar lá nas hostes da EMDURB, quando se aposentou após sete anos ali trabalhados. Morando lá nos altos da Castelo Branco, numa rua paralela perto da quadra 24, sai diariamente de casa e de quatro rodas, ou seja, rodando com sua motorizada cadeira de rodas. Encostou a muleta de vez por causa do seu peso. Tudo lhe era demais dificultoso com as ditas cujas. Um bonachão, diz estar no sétimo enlace matrimonial e com um casal de filhos, feliz da vida, não tendo reclamações do atendimento que as empresas de ônibus prestam aos em situação como a dele, pois sempre que precisa, a van que atende os deficientes passa pelo seu portão e o leva cidade afora. Jorge roda muito, conversa muito, discute muito e no final do dia uma só preocupação, a de não esquecer a bateria de sua cadeira fora do carregador, pois do contrário no dia seguinte não irá a lugar nenhum.

3.) ODAIR ADORNO FEZ QUASE DE TUDO, HOJE TEATRO E PASTOREIA
Sabe aquilo da pessoa jogar em todas as posições? Hoje tento descrever alguém assim, fazendo de sua vida um ajuntamento de atividades, algumas delas bem dispares e desconexas, mas lá no fundo, tendo um belo elo de ligação. Quando vejo uma pessoa resignada com sua situação, reclamando da vida e tudo aí pela frente esperando de gente para os aprontamentos todos, percebo que alguns possuem uma disposição muito mais acentuada. Alguns parecem possuir um motorzinho nas canelas e não ficam parados nem que a vaca tussa. Vivem agitando suas vidas e a cada dia que passa juntando a tudo o que já fazem um algo mais. Quando você pensa que ele já fez de tudo, na virada da esquina lá está ele fazendo um algo novo. Vejam se não é o caso desse aqui.

ODAIR ADORNO é um baita negão, desses que referendam o termo criado para o mestre da música Monsueto, mas que serve como uma luva para outros tantos. O vejo como uma pessoa inquieta, sempre em busca de algo novo, catando aqui e ali, escarafunchando por tudo quanto é lado as novas possibilidades proporcionadas por essa vida. Tempos atrás esteve à frente de uma escola de samba, desses de guardar todo o aparato instrumental em sua casa e tudo da escola em sua cachola. Tempos depois esteve atrás de outra atividade a lhe mover a vida e tomar todo o seu tempo, o futebol amador. Com o mesmo endoidecimento do primeiro, tudo seu estava entrelaçado nisso. Juntando a tudo isso, nesse interim descobriu-se evangélico e se não me engano, chegou ao grau de pastor, outra coisa que deve tomar boa parte do seu disponível tempo. Pensam que isso o faz aquietar-se? Claro que não. Essa foto aqui publicada e retirada do seu facebook é mais uma atividade no seu já imenso currículo. A nova experimentação está se dando no campo teatral, onde está buscando algo a mais para recarregar suas energias. Ufa! Isso não é tudo. Com essa carinha alegre de sambista da velha guarda, esse distinto cidadão é um elétrico cidadão. Dias atrás estava divulgando um anúncio sobre uma escolinha de futebol lá onde mora, na Pousada da Esperança, a Organização Social, Cultural e Desportiva Pousadense, tudo com o intuito de retirar meninos da rua. E noutro já está desfilando com um garboso terno concorrendo ao título de Melhor Idade Masculino. Odair bate nas onze, folego de gato e diante de tudo isso, só não sei onde encontra tempo para dormir. Agitadíssima pessoa.

4.) JUSTINO COM SEU VIOLINO E LAMBRETA, INESQUECÍVEL PESSOA
Na antiga propaganda do Bamerindus, algo assim: “O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa”. Nem o Bamerindus existe mais, mas a tal musiquinha não me sai da memória, agora sendo recordada com uma pequena mudança: “O tempo passa, o tempo voa e a roubança continua numa boa”. O que essa letra tem a ver com o personagem hoje retratado é somente uma coisa, a tal da presença inexorável do tempo, uma que chega para tudo e todos, afastando da convivência das ruas muitas das pessoas pelas quais víamos quase diariamente. “O tempo passa, o tempo voa” e fico aqui a me perguntar sobre o paradeiro desse e de tantas outras pessoas. Só mesmo o facebook, com essas ramificações todas, enfronhadas nos mais diferentes lugares poderá nos auxiliar na localização dessa saudosa pessoa. Cadê ele?

Conheço seu ORIOVALDO JUSTINO do tempo em que andava pelas nossas ruas com uma lambreta e dotado de um capacete dos mais maneiros, cheio de incrementos mais do que pitorescos. Fazia serviços variados em residências, tipo as de encanador, eletricista, sempre acompanhado do seu violino, objeto meio que inseparável. Com a idade chegando, os filhos o impediram de continuar se arriscando com a moto por aí, mas não conseguiram fazer com que aposentasse o violino. Sempre tocou em tudo quanto é lugar, desde batizado, festa de casamento, culto religioso, bodas de prata e os mais diversos locais onde era convidado. Se estivesse com o instrumento do lado e o encontrando pela rua, pedindo ele o tirava da caixa e executa o serviço ali mesmo. Figuras das mais simpáticas e solicitas. Certa vez o encontrei voltando da casa de um enfermo. Havia ido lá para levar alegria com sua música. Justino é exatamente isso, a alegria em pessoa, bondoso, simples, singelo e prático. Escrevi dele tempos atrás, pois em tudo o que fazia uma pitada de irreverência e picardia. Tinha um celular daqueles grandões, tipo tijolos, pesados e o carregada num suporte seguro pela cinta. Havia produzido uma capinha especial só para ele, toda decorada, com metal retorcido e cheia de adereços. Da última vez que o vi ele estava pronto para tocar ali numa igreja na Araújo, para cima da Rodrigues. A idade chegou e nada mais sei de seu paradeiro, sei que morava lá pelos altos do Jardim Bela Vista. Alguém sabendo algo, conte para nós, pois seu Justino, além do bom papo, ótimo astral, era a simpatia em pessoa.

5.) GARÇONETE LUCIANA E A LIMPA QUE FIZERAM EM SUA CASA
Sabe aquilo da garrafa lançada ao mar com um pedido de socorro. Tem algumas que navegam mar adentro uma vida toda e não chegam a lugar nenhum, mas por outro lado, existem outras, que lançadas chegam rapidamente a tantos lugares. Respostas mais do que imediatas. Presenciei algo assim nesse final de semana, quando uma pessoa frequentadora de um bar da cidade, posta algo nas redes sociais para ajudar uma funcionária do seu lugar de frequência quase diária, uma que tivera sua casa roubada e de lá levaram quase tudo. No relato abaixo, algo de ambas, de quem lançou a garrafa ao mar e da pessoa que teve seu lar ultrajado. Nessas imediatas respostas, algo de bom dentro de cada um de nós sendo exposto.

LUCIANA LUANA SANTOS é funcionária, uma espécie de faz tudo lá no Bar Aeroporto, nos altos da avenida Octávio Pinheiro Brisolla, Altos da Cidade. Quem já esteve por lá sabe muito bem reconhece-la, pois atua de forma incessante, circulando entre as mesas, servindo de forma lépida e fagueira. Quieta, enquanto todos estão lá para se divertir, ela a nos atender. Dia desses passou por poucas e boas. Moradora do parque Val de Palmas, perto da rodovia Bauru/Marília, lá para cima da Nova Esperança, teve sua casa assaltada e fizeram uma limpa geral, dessas sem dó e piedade. Deixaram-lhe poucas coisas. Tudo o que puderam carregar, o fizeram. Roupas e eletrodomésticos, além de TV, plays dos filhos, vídeo, enfim, tiveram tempo, pois não havia ninguém em casa e de aparelhos de pequeno porte, nada restou. Com 25 anos, dois filhos, Stefany de 8 anos e Kevyn de 6, uma amiga, a artista plástica Viviane Mendes, moradora ali do lado toma conhecimento do ocorrido, posta nas redes sociais um pedido de ajuda e algo ocorre rapidamente. Receptividade de forma imediata. Conseguiu muitas roupas para si e o marido, mas poucas ainda para suas crianças e pede também se puderem lhe ajudar com os aparelhos de pequeno porte. No seu local de trabalho não existe como guardar as doações e assim sendo, os que tiverem algo e tendo disponibilidade, o pedido é para que deixem na casa da Viviane ali do lado ou mesmo na Banca de Revistas da Hilda, bem defronte o bar. Essa uma forma de coletivamente possibilitarmos para Luciana recuperar um pouco da alegria, pois visível na foto tirada ontem pela amiga Viviane, nota-se claramente sua fisionomia de tristeza e desencanto. Vamos ajudar a devolver a alegria para tão encantadora pessoa? O fone da Luciana é 99705.8432.

6.) CÍCERO COMANDA A LANCHONETE DO FORTALEZA HÁ 23 ANOS
Tem quem invente sua profissão e faça dela seu meio de vida. Bom mesmo quando isso acontece e tudo dá certo. Melhor ainda quando lá se vão mais de duas dezenas de anos à frente do tal negócio, sinal de que a persistência valeu a pena. Bauru possui infinitos lugares oferecendo comida e em lugares não restritos, nada condicionados a áreas pré-determinadas. Descobrir lugares pelos bairros e algo familiar, recheados de muito calor humano é para ser mesmo propagado, divulgado e espalhado. Faço relatos como esse com o maior prazer, querendo que sempre mais e mais pessoas passem a conhecer espaços novos. Esse aqui só mais deles.

JOSÉ CÍCERO DA SILVA, 57 anos, nasceu na vizinha Ourinhos e para cá veio a algumas dezenas de anos. Veio tentar a vida, viu, gostou e ficou. Mora lá nos altos da vila Independência quase o mesmo tempo. Tempos atrás criou o seu próprio emprego, o de ter um bar e lanchonete só para si. Lá se vão 23 longos anos e ele, junto de dona Helena, a nipônica esposa e comandante da cozinha, estão à frente do também restaurante do Clube Fortaleza, lá nos altos da vila Falcão, defronte a CPFL. Histórias não faltam e também momentos alegres e tristes, tudo junto, misturado e fazendo parte de suas vidas. Comparando o hoje com o ontem, claro, viveu épocas do clube estar muito mais cheio que os dias atuais. “Domingo mesmo, ficava lotado o dia inteiro e hoje o que mantém tudo é o futebol. O Fortaleza é regado a futebol. Quinta tem rachão e de sexta, sábado e domingo o campeonato interno dos associados. E eu aqui. Todos os outros dias é um bar com atendimento noturno, mas aos domingos sirvo uma comida por quilo feita no maior capricho”, diz. Tem mais. Cícero e Helena vivem disso e inovam com eventos variados, tornando o lugar também um ponto de referência para festas as mais variadas. Pra quem procura um lugar cheio de ótimo astral, fica a dica das comidinhas e bebidas geladas lá do Fortaleza.

7.) LAU REPRESENTA UMA GERAÇÃO DE ABNEGADOS SERVIDORES DOS CORREIOS
Muito interessante as relações de amizades construídas ao longo dos anos pelo motivo de voltarmos sempre nos mesmos lugares e quando ali, o reencontro das mesmas pessoas, dia após dia. No princípio um mero cumprimento, depois com o passar do tempo, um já se interessando pelo outro e na sequência muitas sólidas amizades se formando. Com esse personagem aqui retratado, vários encontros semanais e por mais de duas décadas. Impossível ficar simplesmente na conversa trivial. Passamos um a acompanhar a vida do outro. Outro dia ele chegou para mim na hora do atendimento e me perguntou: “Que foi, sumiu, aconteceu algo?”.

LAURINDO GARCIA é o LAU, um servidor dos Correios à moda antiga. Atua nas hostes da empresa há mais de 36 anos e só na agência Central, a da esquina das ruas Bandeirantes com Gerson França está por lá há 20 longos anos. Fez quase de tudo, desde ser carteiro e do tempo de circular pelas ruas de triciclo. Conseguiu sua aposentadoria, mas segue atuando, pois sente a necessidade de continuar mais um tempo na lida. Por muito tempo atuou no atendimento específico que os Correios tiveram ao Sedex, inclusive com horário especial, até 18h30 (hoje não mais existente) lá na Bandeirantes. Ao seu lado uma geração de outros profissionais, ele um dos últimos remanescentes ainda detrás do balcão de atendimento. Hoje atua quase no mesmo lugar onde começou, no canto esquerdo do salão principal e quando instigado, relembra com saudosismo de boas histórias ocorridas ao longo do tempo. Passou ileso pelos planos apertando os funcionários para serem ressarcidos e irem para casa com grana no bolso. Muitos pegaram a grana, abriram negócios e como não eram comerciantes, se deram mal, tentaram voltar e nunca conseguiram. Lau continua ali, saindo diariamente lá do jardim Solange onde mora, cumprindo um ritual de muitos como ele, observando as transformações na empresa e calados, tocando o barco e tentando a todo custo manter o padrão dos tempos quando já foi considerada uma das mais eficientes do país.