quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

CENA BAURUENSE (48)

CUBANO FÉRRER, LIVING ENERGY E BLOG DO NORUSCA
Show no SESC Bauru com Fernando Férrer (sobrinho do famoso Ibrahim, do Buena Vista Social Clube) e Orquestra. Casa mais do que lotada, transbordando de gente e de empolgação. Antes do início algo a animar alguns e desagradar outros. Uma aula de salsa bem na frente do palco e o público sendo convidado a dançar, impedindo a visão de todos os que estavam sentados nas mesas, principalmente os mais idosos. A dança continuou até o fim do show e na insistência foi chamada por muitos de “Aeróbica”, pois diversificou demais o ritmo caribenho. Quem queria somente ver/enxergar o show, teve que buscar outras alternativas, pois com a frente totalmente tomada, o visual do palco só era alcançado pelas laterais. Não seria mais adequado ter postado a dança no meio do salão ou no fundo? Férrer, que esteve em Bauru ano passado, fazendo parte como convidado da Orquestra Lyra Latina (em 01/04), animou todos os presentes. Trouxe uma banda mesclada de brasileiros e alguns cubanos, mesclando também no purismo do ritmo, com introdução da batida mais abrasileirada na forma de apresentação do repertório. Aos puristas, que esperavam só pura salsa, causou um certo espanto, mas o público de uma forma geral dançou e se divertiu o tempo inteiro. O ponto alto desse tipo de evento no SESC, além da boa música que irradiava por todos os poros é o congraçamento entre os presentes e a possibilidade de reencontros. Revi muita gente, conheci um outro tanto e participei de algo salutar no quesito cultural, o encontro de pessoas em torno de boa música, algo diferente do que se ouve na programação de muitas rádios AMs, FMs e até TVs. Desse jeito, vamos mudando os gostos musicais introduzidos à fórceps pela indústria cultural e introduzindo outros ritmos. Valeu! Como grande surpresa (lá tudo é possível), revejo minha professora de Geografia, nos tempos do Ginásio na EE Madureira, lá no Vista Alegre, anos 70 e conto ter sido ela uma das culpadas de ter cursado História anos depois. Eu, o filhão, Marcão, Nilma, Adalberto, Lázaro, Ralinho, Denise, Vinagre, Madê, mana Helena, Cristina Romão e tantos outros, estivemos por lá.

Uma outra novidade das mais salutares é a abertura na sexta, lá na Galeria Angelina W. Messemberg, junto ao Teatro Municipal de Bauru , com direito a coquetel, da exposição LIVING ENERGY, de uma pessoa que conheci a pouco tempo, aprendendo a admirar muito. Fui ano passado ver a fala do Férrez (nosso poeta marginal e revolucionário da periferia) lá no SESC e numa oficina de grafitagem lá estava o LUIZ GUSTAVO MARTINS, um dos expoentes dessa arte em Bauru. Fez questão de me mostrar sua arte e até trouxe para casa uma grafitagem sua num papel craft. Falou muito do seu trabalho e da falta de espaço para expor a extensão do mesmo. E não é que a Galeria de Arte bauruense abre suas exposições deste ano com a do Luiz. Não só estarei, como levarei alguns amigos comigo. Prestigiar o trabalho de um autêntico artista de nossas ruas, muitas vezes confundido com pichadores, é algo salutar. A abertura será sexta, 15/01, 20h com coquetel e tudo. Bola mais do que dentro.

Recebi a dica e vibrei com a iniciativa do REYNALDO GRILLO, lá de New Jersey EUA, em abrir um novo blog, só para falar do time do nosso coração, o NOROESTE. O endereço virtual é http://www.blogdonorusca.blogspot.com/ e no timaço de colaboradores estão J. F. Tidei de Lima, Marco Antonio Machado, Nelson Brandino, Paulo Sérgio Simonetti, Marco A. Buono, José Souto, além do próprio Reynaldo. Um timaço, que com o passar do tempo e dos embates, deve ser depurado ou até dilatado. Como amante do nosso Norusca estarei acompanhando tudo o que pintar lá. De início uma pauleira em cima do atual presidente, o dono da grana dentro do clube (faltou mostrar a alternativa para o caso dele sair. Qual será?) e muita informação sobre o primeiro jogo, ontem, lá em Osasco (a foto à direita é deles e foi tirada no jogo de ontem, lá em Osasco). Num e-mail, ele explica algo sobre o blog: "Depois de muita enrolação eu me meti a fazer um blog sobre o Noroeste com a ajuda de alguns noroestinos. O Tidei e o Marco Antonio ainda não escreveram... O Simonetti deixou eu pegar os textos que ele escreve sobre o Noroeste... Os demais são torcedores. Estamos aí pra meter bronca. Como voce mesmo disse... A mídia de esportes de Bauru tem mêdo do Damião e aquela curriola dele. Com certeza muita gente tá com o nariz torcido". Domingo estarei lá no campo junto dessa e de outras galeras. Uma pena, o Reynaldo estar tão longe e só acompanhar tudo via internet, mas vejam só, um blog noroestino feito lá nos States...
Abaixo um curto vídeo do show do Fernando Férrer, no SESC, só para sentir como foi o clima:

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

BAURU POR AÍ (32)

O VISUAL "BANGUELA" COM ASFALTO NOS BLOQUETES E PARALELEPÍPEDOS
Viajo muito pelas cidades da região e uma das coisas que mais aprecio é o piso das cidades. Uns mais cuidados, outros menos. Tenho um carinho mais do que especial por pisos de paralelepípedos e os de bloquetes (lindos, nasce grama nos espaços). Destaco três cidades em situações onde esses pisos são bem tratados e as reposições são feitas naturalmente: Garça, Gália e Itápolis. Em todas essas, qualquer problema no piso, que necessite a retirada do piso, feito o reparo, eles são recolocados sem maiores problemas ao chão. O feio aqui em Bauru é que todas as vias onde ainda existem paralelepípedos (esses são muitos) e os bloquetes, por terem sido desativadas as equipes de recolocação desses pisos tudo é substituído por camada asfáltica. Um horror e quem perde é a cidade, que fica mais feia a cada remendo feito. E são muitos os remendos, mas muitos mesmo.

Andar pelas vias com esse tipo de piso é como visualizar um boca desdentada, de aspecto feio e descuidado. Aqui em Bauru há muito tempo não existe mais nenhum setor a repor os paralelepípedos e bloquetes de nossas ruas, sendo escolhido o meio mais fácil, o de tapar tudo com asfalto. No tempo que trabalhei no setor de Proteção ao Patrimônio da Cultura local me deparei com um problema ligado a esse setor. A antiga Estação da Cia Paulista, tombada pelo patrimônio cultural tem todo o piso no seu entorno de paralelepípedos e para religação de água no local, muitos foram removidos. Na recolocação já iam colocando asfalto no local. Não deixamos e tudo está lá fora do lugar a mais de um ano. Tentamos de todos os meios e maneiras junto à Secretaria de Obras alguém remanescente do antigo setor, que pudesse nos ajudar. Encontramos, mas não tiveram autorização para efetuar o trabalho, que dispensaria um tempo maior que uma simples despejada de asfalto no buraco. A reforma final ainda não feita no local e terá que ser feita com o piso original, muito mais bonito.

Reencontro o amigo Nelson Fio, um dos grandes injustiçados da administração passada e o maior defensor do piso de bloquetes nas ruas de Bauru. Chegou a iniciar a criação de uma Usina de Bloquetes, com compra de materiais e tudo. Ela não vingou, Fio acabou perdendo o cargo e depois de sua saída, o assunto foi enterrado pelos lados da Prefeitura. Pergunto a ele os motivos dos bloquetes não terem dado certo em Bauru. Fio foi incisivo e contundente: "A manutenção dos mesmos é muito barata e todos sabemos serem os mais ecológicos possíveis, com grande poder de escoamento de água. Forças ocultas não deixaram o projeto dar certo. Torceram contra. Em vários lugares dá certo, aqui é complicado. Por um motivo ou outro parece que não querem buscar outras alternativas. Com essa chuvarada os bloquetes ajudariam bastante a escoar as águas. Quebrou uma rede de água e esgoto, voce conserta e logo a seguir devolve ele ao lugar, com baixa manutenção. Tira e recoloca no lugar. Vejam os condominios fechados da cidade, onde a maioria possuem pisos feitos de bloquetes. Me diziam que nas ruas de trânsito pesado não podia colocar, mas em todos os pátios de distribuidora de combustíveis, com aqueles caminhões enormes só dá bloquete. O problema por aqui é bem outro".

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (07)

TARCÍSIO MAZZEI E O PROJETO DE UM CARRO FÉRREO NO ALFREDO DE CASTILHO
Como é bom reviver essas e outras histórias (quem tem histórias para contar tem assunto que não acaba mais). Essa eu revivi hoje, lá na casa do Tarcísio Mazzei, o Bilão, um ribeirão pretano que aportou em Bauru há um bom tempo, ainda nos tempos da JuãoSom, quando veio gerenciar uma loja deles por aqui e acabou ficando. Vim a conhecê-lo por intermédio do amigo em comum, o Zé Vinagre, ex-secretário municipal de Cultura. Hoje, mal chego da estrada e sou convidado pelo Zé para assistir na casa do Tarcísio a última partida do play-off do basquete pela ESPN (Bauru perdeu do São José por uma diferença de 21 pontos - uma merda - estamos fora) e entre tantas conversas revivo algo proporcionado pela sua irreverência e verve criativa.

Corria o ano de 2006 e Tarcísio aparece lá na Secretaria de Cultura, onde eu exercia o cargo de Diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural com uma proposta miraculosa: no ano em que o Esporte Clube Noroeste completaria 95 anos, o presidente Damião Garcia poderia bancar o restauro de um carro ferroviário, que seria instalado lá dentro do estádio servindo como cabine de imprensa para transmissão dos jogos. Gostei da idéia e fomos à procura do tal carro. Não encontramos um adequado, mas Tarcísio fotografou uma estacionado lá na Gare da Estação e produziu lá com seus amigos do Jornal da Cidade um belo trabalho, já com o carro suspenso e colocado lá no alto do estádio. Fomos, eu e ele, à procura do respaldo do Noroeste e logo de cara, o diretor de futebol Celso Zinsly comprou a idéia. Foi conosco até a gare da estação e ficou alucinado com tudo o que viu e as amplas possibilidades. Lembro de sua fala: "Estreamos contra um time grande e toda a imprensa brasileira vai estar aqui. Imagine um Galvão Bueno transmitindo o jogo aqui e dentro de uma cabine num carro ferroviário". Levou a idéia para frente, mas ela acabou não vingando, primeiro porque o carro fotografado não estava cedido para a Prefeitura e segundo porque tínhamos pouco tempo até o começo do campeonato. O tempo passou mais um pouco e no ano seguinte Celso faleceu. Tudo foi esquecido.

Tarcísio me diz ter tudo guardadinho, todos os detalhes do projeto. O que resgato e publico aqui é uma cópia que acabou ficando comigo, em preto e branco, uma espécie de cartaz de divulgação, cópia do original colorido que foi apresentado ao presidente do clube. Lembranças boas, ainda mais porque já se passaram cinco anos e nesse o Noroeste completa seu Centenário. Hoje, a situação para se conseguir a liberação desses carros ficou mais fácil e seria uma grande pedida colocar um restaurado lá dentro do estádio Alfredo de Castilho. Cacife para tanto o clube possui e existem carros e mais carros férreos abandonados por aí, apodrecendo sem projetos de restauro. Tarcísio topa resgatar um projeto como esse e para incrementar tudo, não se faz necessário muita coisa. Em primeiro lugar, disposição para realizar, enfrentar barreiras e propor algo que possa efetivamente ser realizado. Pode até não ser um carro férreo como cabine de transmissão de jogos, mas um outro, como uma espécie de museu, onde se possa visitar e reviver a gloriosa história do centenário da "maquininha vermelha" (vi algo assim em Santa Clara, Cuba, num Museu revivendo uma passagem histórica ocorrida nos trilhos), que amanhã entra em campo em mais um campeonato. A idéia do Bilão pode até voltar à pauta do dia. Quem se habilita?
Em tempo: Projetos, que saudade, foram tantos, muitos deixados em andamento e quase todos abandonados. Hoje, a equipe do Ferrovia para Todos, todos especializados em restauro de composições férreas estão praticamente deslocados para outras atividades, num desperdício de amargar. Outros tempos...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

UMA FRASE (46)

LÁ FORA A DITA "GLOBALIZAÇÃO" e AQUI A DESDITA "NÃO REALIZAÇÃO"
A tal da globalização era para ser uma perfeita interação entre os povos do continente, mas na verdade, diante de algo que o capitalismo sabe fazer tão bem, tudo foi um tanto disvirtuado e o que vemos é ela estar sendo utilizada e reutilizada para expandir os males do globo, de uma forma praticamente instantânea. Tudo pode ser maravilhosamente explicado num e-mail que recebi tempos atrás e guardei para dele fazer uso aqui.

Pergunta: Qual é a mais correta definição de Globalização?
Resposta: A Morte da Princesa Diana..
Pergunta: Por quê?
Resposta:
Uma princesa inglesa
com um namorado egípcio,
tem um acidente de carro dentro de um túnel francês,
num carro alemão
com motor holandês,
conduzido por um belga,
bêbado de whisky escocês,
que era seguido por paparazzis italianos,
em motos japonesas.
A princesa foi tratada por um médico canadense,
que usou medicamentos brasileiros.
E isto é enviado a você por um português,
usando tecnologia americana (Bill Gates),
e, provavelmente, você está lendo isso em um computador genérico
que usa chips feitos em Taiwan,
e um monitor coreano
montado por trabalhadores de Bangladesh,
numa fábrica de Singapura,
transportado em caminhões conduzidos por indianos,
roubados por indonésios,
descarregados por pescadores sicilianos,
reempacotados por mexicanos
e, finalmente, vendido a você por chineses,
através de uma conexão paraguaia
Isto é, caros amigos, *GLOBALIZAÇÃO !!!*

Após uma pequena descontração de início de semana, volto o foco do refletor para nossa aldeia, a Bauru que moramos. Ela vive uma situação das mais sui generis. Janeiro é um mês de muita efervescência, onde a cidade recebe muita gente de fora e a maioria dos locais culturais são muito procurados. Vivem cheios. Na contramão disso tudo, algo fora da engrenagem é o que ocorre com a atuação programadíssima (sic) da Secretaria Municipal de Cultura, que até hoje, 11/01, não realizou um só ato cultural na cidade. O teatro está às moscas e para os que acreditam que possa estar passando por manutenção, não se deixem enganar, pois na verdade está é criando teia de aranha. A biblioteca central não empresta livros em janeiro e o Automóvel Clube, que mantinha sessões de teatro infantil aos domingos à tarde, simplesmente está de portas fechadas. Disseram que a descentralização seria feita e que os bairros seriam privilegiados com atividades. Nada, nem um mero Bibliônibus, uma apresentaçãozinha nas bibliotecas ramais, uma cantoria nos palcos das associações de moradores, um passeiozinho de Maria Fumaça, uma viola no coreto da praça. Tudo entregue às moscas e sem nenhuma atividade. Enquanto a cidade fervilha cultura, como pude comprovar pelas intensas atividades do final de semana lá no SESC, sábado com o Intervenções Aéreas e o Cine Família, só com filmes nacionais e no domingo com o teatro do grupo Pia Fraus e o grupo musical Barbatuque. Dia intenso num lado e marasmo total no outro.

No SESC reencontro Madê Correa, produtora e atriz local, rindo de orelha a orelha com o que presenciou por lá, mas triste pela situação fora do comum por que passa nossa cidade: "Janeiro a agenda do Automóvel Clube era do meu grupo teatral, teríamos os quatro domingos, mas tudo está fechado por lá. Resolveram que quando a cidade fervilha de gente em férias, bauruenses que ficam o ano todo fora de Bauru e passam algumas semanas por aqui, nada de diferente será visto por eles no quesito cultura pública. As portas me foram fechadas. Esse é o planejamento lá deles, uma vergonha assistirmos tudo isso sem reação. Quem está por lá não sabe a que veio e o que está fazendo. Estão mais perdidos que cego em tiroteio. No meu caso vou mais longe, as apresentações dominicais no Automóvel não geram gastos, pois os grupos levam tudo pronto. Nem assim as portas nos são abertas. Falta sensibilidade para atuar com Cultura e com os artistas locais. Já nem cobramos mais muito coisa de infra-estrutura, mas agora até o espaço nos é cerceado". Combino com a Madê de voltarmos na quarta ao SESC para o show gratuito com a orquestra cubana de Fernando Férrer, mas não sabemos se iremos, pois no mesmo dia lá pelos lados da Cultura local, onde magistralmente (sic) tudo é feito com muito critério, teremos o que mesmo. "Nada", me diz Madê. "E então, aonde iremos?", retruco cheio de dúvida. Caímos juntos na risada.

domingo, 10 de janeiro de 2010

RETRATOS DE BAURU (73)

RAFAEL ANTONIO, UM NARRADOR VIBRANTE E DIFERENCIADO
Rafael Antonio é um dos mais vibrantes narradores esportivos da nova geração. Ouvir futebol ou basquete pela voz emocionada do Rafa, como também é chamado, é estar ali dentro do campo ou da quadra, mesmo a quilômetros de distância. Uso um bordão para ir mais longe: é a maior esperança dentro da narração esportiva atual. Sai da mesmice atual, tanto que o acompanho onde estiver narrando e isso já faz um certo tempo. Já trabalhou dentro de quase todas as equipes esportivas na cidade, tendo começado, se não me engano, na Jovem Auri-Verde. Rodou por aí e já atuou numa espécie de cooperativa de narração, que é quando é contratado para fazer narração de um jogo para uma emissora distante. Viajou muito por causa disso e me lembro de tê-lo ouvido numa dessas rádios de muito longe, transmitindo se não engano o América carioca, lá no subúrbio carioca, no estádio de Edson Passos. Sua atuação jornalística não se limita ao esporte, tendo também trabalhado em equipes televisivas, atuando em reportagens gerais. Sua última incursão foi na TV Band e hoje sua voz está a serviço de algo inusitado, na equipe esportiva da rádio Band AM (horário locado), dividindo espaço com a falação loteada para os evangélicos. Eu, cansado de ver interrompido uma narração para o início do programa dos “crentes”, quando em casa, ouço só pela internet, no http://www.jornadaesportiva.com.br/ . Vivencio sua luta para continuar empunhando o microfone, nessas adversidades da vida esportiva interiorana, tanto que lá no site, um recadinho deixa um alerta de como andam as coisas no momento: “Atenção: Não estamos mais retransmitindo o programa ‘Esporte & Notícia”, da rádio Bandeirantes (AM 1160) de Bauru, pelo mesmo não fazer mais parte da programação da emissora”. Hoje, ouvindo a emocionada transmissão do basquete (ganhamos o 4º jogo de São José aqui), Guerrinha, o técnico do time, ciente dos problemas dessa única equipe a transmitir os jogos do basquete, diz no ar: “Para o próximo jogo, eu pago do meu bolso as despesas com hospedagem de toda a equipe, pois reconheço a importância de vocês continuarem atuando”. Rafael e toda equipe resiste e é sem sombras de dúvidas o melhor narrador de todo o interior brasileiro. Esse moço vai longe, ou seja, terça transmite o basquete lá em São José dos Campos e na quarta o Noroeste em Osasco.
OBS.: Homenageando o Rafa, faço o mesmo com outro grande amigo, Thiago Navarro, outra promissora revelação do esporte bauruense. Em tempo: O Rafa não é mais revelação, é fato consumado, prestes a estourar, alçar outros vôos.

sábado, 9 de janeiro de 2010

CENA BAURUENSE (47)

CARNAVAL 2010 - SAMBÓDROMO ESTACA ZERO - MAS TUDO JÁ NÃO ESTAVA MAIS DO QUE PLANEJADO?!?!?!
A Administração anterior foi seguidamente criticada por sua posição diante da realização ou não do Carnaval de rua de Bauru. A posição era mais do que clara, não seria repassado dinheiro às Escolas de Samba, e assim sendo, a festa que já estava sem acontecer há alguns anos, só voltou para a avenida no último ano do governo Tuga, em 2007. Foi realizada na avenida Nações Unidas e com a participação de blocos, conseguindo reunir milhares de pessoas num local onde as transformações para sua realização não eram profundas, muitos menos com elevados gastos financeiros. O atual "Sectário" (ops), desculpe, Secretário Municipal de Cultura chegou dizendo que iria fazer e acontecer. Não fez e em 2008 tudo voltou a acontecer na Nações e só com blocos, igualzinho o do ano anterior, novidade nenhuma. Carnavalesco assumido, desci a avenida num deles e fiz uma festa danada, gastando do meu próprio bolso a fantasia, uma mera camiseta e uma bermuda. O preço da minha alegria e dos que estavam ao meu lado não teve preço. Foi um esbalde, nos refastelamos, como manda a festa. Quero voltar a sair e talvez ainda consigamos emplacar o tão decantado bloco "As Viúvas do Batata" (o bloco que mais cresce na cidade, as tais viúvas, todos os que um dia acreditaram e estiveram ao lado do cidadão que ostentará o nome no estandarte e na marchinha, já praticamente pronta).

Esse é o lado da festa e sei que muitos blocos já estão se preparando e até ensaiando, como é o caso da ONG Periferia Legal, lá do Mary Dota. Fui convidado e aceitei ir num dos próximos ensaios. Porém, o problema é mais embaixo e pelo que li hoje nos jornais, por decisão irredutível e das mais abalizadas, a do "Sectário" (ops), digo, Secretário, a festa será no Sambódromo, lá no Geisel. Hoje é dia 10 e a festa terá início no dia 14/02, portanto um mês para tudo estar mais do que pronto, tinindo de bonito. Nada foi feito lá no Sambódromo, em completo abandono, com mato alto por todos os cantos e com a iluminação em precária situação (se é que ela ainda existe). Quem já trabalhou na Prefeitura sabe que para aquisição de qualquer material é necessário a abertura de um mero e simples Processo de Compra e nada foi iniciado e se for, não haverá tempo hábil de liberação antes do Carnaval. Quer dizer, tudo será feito nas "coxas", pois o próprio jornal diz que "poderá haver premiação, com possível apoio e participação conjunta da iniciativa privada bauruense". Tradução: de um valor já discutido nas rodas de carnavalescos, por volta de R$ 15 mil reais para cada Escola, a grana terá que ser coletada, porta a porta, numa coleta do tipo "chapéu na mão", empresa por empresa, pois do contrário, necas. Essa a organização prévia que tanto foi propalada pelo "Sectário" (ops), digo, Secretário durante o ano passado todo. Deu no que deu e hoje pela manhã, munido de um portentoso guarda-chuvas (para me proteger dos incandessentes raios solares em minha desprovida careca), fiz minha inspeção no local. As fotos, nada carnavalescas, estão aí para quem quiser conferir. A partir de segunda inicia-se uma contagem regressiva para ver o que isso tudo resultará. Eu, já com minha indumentária de Momo praticamente pronta, aguardo ansioso as definições para saber onde sairá o meu bloco, o mais famoso do pedaço, muito conhecido nos anos 50/60 lá pelos lados do Rio de Janeiro: O Bloco do Eu Sózinho. Skindum...skindum... Eta festa bem organizada, sô!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UMA MÚSICA (55)

MENINOS EU VI (GRAVIDEZ), MÚSICA DE GONZAGUINHA E A FELICIDADE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NAS RUAS
Essa música e letra do Gonzaguinha (tenho tudo dele aqui no mafuá, tudo em LPs, os bolachões) embalou um belo momento de minha vida. Esse LP é de 1984, ano das 'Diretas Já' e do meu primeiro casamento (com a Wilma Cunha). Tinha 24 anos e explodia em mim uma revolta pelas injustiças sociais (não aplacadas até hoje). Vivenciei bons momentos do povo nas ruas, coisa das mais improváveis e difíceis hoje em dia, quando o marasmo e a inércia tomam conta da vida das pessoas. Sintam o clamor do poeta na ousadia da letra:


"Meninos eu vi/ o povo nas ruas/ querendo dar à luz para quem quisesse ver/ para quem quisesse ganhar o brilho da luz/ meninos eu vi/ o povo nas ruas/ querendo dar o sol/ para quem quisesse ver/ para quem quisesse ganhar o brilho do sol/ bebi com eles/ a coragem das cores/ na avenida brasil/ aprender a colorir/ ergui com eles um brinde/ ao futuro/ sem o medo Brasil/ caminhar e color rir/ meninos eu vi/ que luto não é pra chorar/ é um verbo pra viver feliz/ Meninos eu vi/ o povo nas ruas/ em plena gravidez/ para quem quiser saber/ para quem quiser ganhar/aos filhos dessa gravidez".


Estava na cidade hoje pela manhã quando numa virada de esquina me deparo com algo a me devolver o brilho nos olhos: "o povo nas ruas em plena gravidez". Uma manifestação promovida pela CUT para o lançamento da chapa 2, que concorre em oposição ao comando do sindicato local dos Bancários (hoje na mão da Conlutas), em eleições marcadas para os dias 24, 25 e 26/janeiro. Logo de cara me deparo com Duílio Duka e Lulinha, ambos queridos combatentes das injustiças sociais brasileiras e ambos empunhando bandeiras vermelhas, desfraldadas ao vento, gritando palavras de ordem. Sinto-me trêmulo nesses momentos e fui ouvir do Duílio algo que também sinto: "Como gosto disso aqui, sinto falta". De Lulinha algo também bem peculiar de quem tem um envolvimento especial com a luta dos trabalhadores brasileiros: "Estou de férias, mas vim assim mesmo, nem precisaram me convocarem". Na esquina seguinte outro encontro, com um professor e poeta (esqueci seu nome) e algo sobre o que víamos: "Nos tempos da ditadura militar o povo ia seguidamente para as ruas, era normal manifestações e tudo isso se perdeu rapidamente. Hoje é inusitado ver algo assim e quando o vemos ficamos estupefatos". Triste essa constatação, com a qual concordo e endosso. Parei tudo o que fazia, juntei-me aos amigos e conhecidos, ouvi os discursos já na fase final, defronte a CEF (eles haviam circulado com um caminhão de som pelo centro bancário todo) e vim para casa mais leve, com uma bruta vontade de que na próxima virada de esquina outro movimento igual aquele estivesse também acontecendo. Já não somos mais os mesmos, mas existem uns a resistirem e como é salutar isso.
Somos todos filhos daquela gravidez.