domingo, 7 de novembro de 2010

UMA CARTA (55) e UMA ALFINETADA (77)

O FILHO DO JORNALEIRO E O CARLINHOS DO PS - texto publicado na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade - Bauru SP, edição de hoje e no semanário O Alfinete, de Pirajuí, edição de ontem, 06/11/2010.
Afinal, qual a real função de um vereador? Semana passada estava numa banca de revistas e o filho do dono, meninão com 18 anos completados meses atrás, falante e popular, enturmado com uma galera que adora Tropa de Elite, rodeio, pagode, carrões novos, MSM e bermudões transados já fazia campanha para o próximo pleito. “Sabe, Henrique, ele conhece muita gente, quero incentivá-lo a entrar para a política. Ele leva jeito. Quem sabe vereador”, foi o que seu pai me disse. Comprei minha revista e cai fora rápido.

Tem quem se elege com esse exato pensamento. Não sabe nem pra que chegou lá, mas possui o direito de fazê-lo, sem reclamações. Isso não é questão de estudo, o buraco é mais embaixo. Existem exemplos aos borbotões de vereadores que extrapolam o cargo, prometem mundos e fundos, atendem no atacado e varejo, praticam um deslavado assistencialismo e não estão nem aí para os avanços e retrocessos da cidade. Pensam somente no seu futuro político. Criam complicados mecanismos de sustentação do seu mandato, catalogam eleitores como clientes, que atendidos, podem lhe favorecer lá na frente. Balcão de negócios da pior espécie. E agem tão naturalmente que nem percebem o mal que causam para o sistema político num todo.

Aqui em Bauru um vereador subiu na tribuna nessa semana somente para reclamar que o presidente do DAE – Depto de Água e Esgoto não lhe atende os telefonemas, ou seja, não atende seus pedidos de atendimentos preferenciais. Os que lhe procuram no gabinete e que deseja passar na frente dos que, na fila buscam a autarquia para resolver algo estavam a reclamar. Faz isso descaradamente. E acusa: “O DAE está medonho”. Pressão como moeda de troca. Ou seja, faz parte da base aliada do atual governo e quando não atendido, sugere que pode votar contra os interesses do prefeito. Perguntam-me se vai conseguir seu intento? Claro, sempre consegue. Usa as armas que possui e as manuseia com habilidade. Sabe onde pisa.

O mesmo vereador, Carlinhos do PS (PP) possui essa prática enraizada no seu modo de agir. Assessores seus são habituês nos Postos de Saúde da cidade a conseguirem guias de atendimento, furando fila. Até quando? Que raios de forma de exercer a vereança são essas? Vota numa pessoa assim quem quer e se utiliza das benesses oferecidas pelo mesmo, idem. Não entendo ser essa a forma mais adequada de fazer política, de fiscalizar o executivo. Uso a fala do mesmo na tribuna para denunciar sua prática como algo mais do que condenável.

Não tenho nada contra analfabetos se elegerem, iletrados, incultos, gente de toda espécie, enfim, desde doutores a gente sem estudo algum, aliando o conhecimento acadêmico com o popular. Quero vê-los todos lá. Quanto mais melhor. O que sou contra é com aqueles que desvirtuam a função da vereança. Desses quero distância. Não dá mais para fazer visto grossa com isso. E o filho do jornaleiro vem aí, mas ainda dá tempo de transformá-lo numa pessoa consciente e ciente do que poderá fazer por sua cidade. Dele eu vou tentar me encarregar, mas do resto, quem se encarregará? E dos que lá já estão?

TRÊS TOQUES DOMINICAIS:
1. Imaginem aqui no Brasil um dia do jornaleiro ou do distribuidor de jornal, onde esses não trabalhassem e os jornais não fossem distribuidos. Os barões da mídia não permitiriam tamanho acinte. Pois na Argentina, onde a representação sindical deles é mais do que respeitada isso acontece. Hoje é o DIA DEL CANILLITA (chico de piernitas flacas que vendía diarios) e os jornais não são distribuidos no país todo. Um dia só por ano, em algo que fui pesquisar e acabei por gostar muito.

2. Preparem-se todos para algo grandioso na terça, 09/11, no Templo Bar, aqui em Bauru. É a primeira apresentação de mais um musical dirigido pelo competente SIVALDO CAMARGO, que dessa vez preparou com esmero uma reinterpretação do famoso musical DOIS NA BOSSA, que tanto sucesso fez nas vozes de Elis Regina e Jair Rodrigues. Um time de peso está à frente desse, como do último, o Opinião, tantas vezes comentado aqui. Além do Sivaldo, Denise Amaral e João Paulo Biano (vocais) e os músicos Norba Motta (cordas), Toninho Martins (bateria) e Neto (pianista e marido da Denise). Peço antecipadamente, não me convidarem para mais nada na noite de terça. Fila do gargarejo.

3. Para quem reclama da falta de algo sobre Patrimônio Cultural na cidade, eis que a FAAC-UNESP Bauru estará de amanhã, segunda, 08 a 12/11, promovendo o VII Encontro de Arte e Cultura, nessa edição trazendo a temática "Arte e Patrimônio". Logo na segunda já tem palestra da melhor professora que tive em História, LÍDIA POSSAS. A programação é extensa e coordenada por Nilson Ghirardello. Para saber mais cliquem no: www.faac.unesp.br/noticias/357

sábado, 6 de novembro de 2010

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (98) e UMA MÚSICA (67)

INTERPRETADORES COM VISEIRAS – publicado edição de hoje do diário BOM DIA
Dizem que os melhores advogados são aqueles a defenderem causas nas quais piamente acreditam, pura convicção, não necessitando nem de remuneração. É sabido também que, estar envolvido demais com uma causa pode também cegar quem a defende. Portanto, o melhor é sempre agir seguindo o bom senso. No caso da atuação do atual presidente Lula, que defenderei do primeiro ao último minuto, pois os avanços são inegáveis, não nego os tropeços. Reconheço-os e assim demonstro não ser vesgo e não enxergar como um cavalo com viseira, olhos fixos numa só direção. Escrevo isso após ler aqui mesmo no BOM DIA algo a me incomodar. Não aceito os que criticam somente o atual governo como o culpado de todos nossos males (ele resolveu muitos deles). Quem age dessa forma, sem enxergar os mesmos erros nos interesses embutidos no que defende, já sai perdendo na condição de avaliador. Caem logo no descrédito. E pior, podem passar a ser vistos como necessitando de uma boa chacoalhada a lhes possibilitar novas interpretações da realidade. Num dia aqui estava um “nunca os problemas estiveram tão comprometidos com interesses pessoais, de grupos empresariais ou de banqueiros, de indivíduos ligados à sindicatos e aos partidos políticos majoritários”, noutro “Dilma foi levada por uma parcela pobre, iletrada, da que tem preguiça de ler e compreender fatos, mas que se vende diante do argumento...” e por fim um “Lula conseguiu criar no Brasil sentimentos de racismo, regionalismo, cultura, riqueza e desrespeito constitucional”. Caolhismo e preconceito juntos. Não conseguem mais enxergar além do que acreditam e vêem no oposto o mal, o inferno ou até mesmo algo a ser expugnado de forma vil. Para esses, pobre tem que saber o seu lugar e dele não arredar pé. Pior que tudo é constatar que todos são adeptos da supremacia do conhecimento acadêmico sobre o popular. Integração de conhecimentos, nem pensar. Afinal, deram um duro danado, anos de labuta até acumularem a empáfia atual.
OBS.: Aqui cabe minha explicação. Estamos vivenciando nesses dias algo muito perigoso, além de todo preconceito que sempre existiu na cabeça de certa parcela de “interpretadores” do cenário político nacional. É mais do que sabido que, parcela do eleitorado brasileiro, insuflados por interesseiros de plantão, nunca aceitará Lula e o que ele representa. Empoados não podem dizer com todas as letras isso e ficam nos argumentos rasteiros. “Diante de fatos não existem argumentos”, ouvi da boca da radialista Maria Dalva, sobre os avanços proporcionados pelo Governo de Lula e dos que disputavam com sua sucessora, Dilma. Foi na veia. Procurando culpados, o absurdo é alguém escrevinhar que Lula é o grande culpado de tudo, inclusive do sentimento de racismo e regionalismo existente hoje, quando o que de fato ocorre é o contrário. O Governo dele tentou é diminuir as diferenças, olhando com outros olhos para os mais necessitados. E isso incomoda. Para alguns, pobre tem que se contentar com o seu lugar e pronto. Mais que isso, algo a preocupar é o que está sendo gerado no seio do estado de São Paulo. Algo tentando novamente insuflar a população para um divisionismo, separando o estado do resto do pais, principalmente do Nordeste. Um absurdo que precisa ser repudiado. Nós paulistas, não podemos nos deixar levar pelo interesse de uns poucos prejudicados, que tentam dessa forma promover algo inconcebível, a divisão do país. Falando disso, não existe como não se recordar de uma música, “NORDESTE INDEPENDENTE” (Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova), que inicialmente saiu no LP de ELBA RAMALHO, “Do jeito que a gente gosta” (Ariola, 1984), no ano das Diretas Já. Tenho ele aqui, guardadinho no meu mafuá. A letra é questionadora e instiga a pensarmos na bestialidade que isso proporcionaria ao país. O assunto está sendo discutido em todos os órgãos de imprensa nessa semana e desde já recomendo o texto da revista CARTA CAPITAL, que chega às bancas com esse tema na capa. Reflitam com a letra reproduzida abaixo e ouçam/vejam a interpretação de Elba clicando a seguir: http://letras.terra.com.br/elba-ramalho/250731/

Já que existe no sul esse conceito/ Que o nordeste é ruim, seco e ingrato/ Já que existe a separação de fato/ É preciso torná-la de direito/ Quando um dia qualquer isso for feito/ Todos dois vão lucrar imensamente/ Começando uma vida diferente/ De que a gente até hoje tem vivido/ Imagina o Brasil ser dividido/ E o nordeste ficar independente

Dividindo a partir de Salvador/ O nordeste seria outro país/ Vigoroso, leal, rico e feliz/ Sem dever a ninguém no exterior/ Jangadeiro seria o senador/ O cassaco de roça era o suplente/ Cantador de viola o presidente/ O vaqueiro era o líder do partido/ Imagina o Brasil ser
dividido/ E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial/ O idioma ia ser nordestinense/ A bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional/ O folheto era o símbolo oficial/ A moeda, o tostão de antigamente/ Conselheiro seria o inconfidente/ Lampião, o herói inesquecido/ Imagina o Brasil ser dividido/ E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar/ Do nordeste algodão, cana, caju/ Carnaúba, laranja, babaçu/ Abacaxi e o sal de cozinhar/ O arroz, o agave do lugar/ O petróleo, a cebola, o aguardente/ O nordeste é auto-suficiente/ O seu lucro seria garantido/ Imagina o Brasil ser dividido/ E o nordeste ficar independente

Se isso aí se tornar realidade/ E alguém do Brasil nos visitar/ Nesse nosso país vai encontrar/ Confiança, respeito e amizade/ Tem o pão repartido na metade,/ Temo prato na mesa, a cama quente/ Brasileiro será irmão da gente/ Vai pra lá que será bem recebido/ Imagina o Brasil ser dividido/ E o nordeste ficar independente

Eu não quero, com isso, que vocês/ Imaginem que eu tento ser grosseiro/ Pois se lembrem que o povo brasileiro/ É amigo do povo português/ Se um dia a separação se fez/ Todos os dois se respeitam no presente/ Se isso aí já deu certo antigamente/ Nesse exemplo concreto e conhecido/ Imagina o Brasil ser dividido/ E o nordeste ficar independente

Povo do meu Brasil/ Políticos brasileiros/ Não pensem que vocês nos enganam/ Porque nosso povo não é besta
OBS.: As charges aqui postadas são, a de cima do argentino Daniel Paz, extraída do Página 12, demonstrando como alguns gostam de resolver as coisas e a de baixo, do bauruense Fernando, demostrando como o Brasil fez mesmo bem em escolher a Verdade, diante da Mentira, pois essa continua expondo seus perigosos tentáculos para toda a nação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (15)
UMA IDÉIA RECEBIDA PELA INTERNET - OS LIVROS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA
O publicitário Ivan Menezes, que conheci dos tempos que atuei na Cultura da Prefeitura, nos produzia banners, que até hoje devem estar lá nos museus bauruenses. Hoje, alçou novos vôos. Atuou na campanha petista aqui por Bauru. Chegamos até a conversar sobre nossa divergência no quesito Deputado Estadual, ele votando numa daqui de Bauru, eu num de Jaú, ambos da nossa convivência. Nenhum dos dois ganhou, mas o meu teve muito mais votos que a dele. Na campanha da Dilma o revi no Calçadão. Ao abrir minha caixa de e-mails hoje, algo dele:

“OS QUINZE LIVROS DE SUA VIDA - As regras: não demore muito para pensar sobre isso. Quinze livros que você leu e que vão sempre estar com você. Liste os primeiros quinze que você lembra em não mais do que quinze minutos. Eles não tem que estar em ordem de importância. Marque quinze amigos, incluindo eu, porque eu estou interessado em ver quais livros meus amigos escolheram.
1 - O Pobre de Deus - Nikos Kazantzakis
2 - 100 Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez
3 - O Cavalheiro Inexistente - Italo Calvino
4 - Watchmen - Alan Moore (HQ)
5 - O Príncipe - Maquiavel
6 - A República - Platão
7 - A Tempestade - William Shakeaspeare
8 - On the Road - Jack Keruac
9 - Almoço Nu - William Burroughs
10 - A Última Tentação de Cristo - Nikos Kazantzakis
11 - Sidarta - Hermann Hesse
12 - Ratos e Homens - Jonh Steinbeck
13 - N.York, 95 cents ao dia - Charles Bukovski (HQ)
14 - O guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
15 - O Homem Duplo - Philip K. Dick"


Não repassei para mais ninguém, mas deixei lá minha lista. Do jeito que recebi tentei fazer minha relação. Devo ter demorado uns dez minutos e com toda certeza, vários eu acabaria trocando quando pensasse melhor. Tudo foi feito dando uma breve olhadinha aqui nos livros que ainda mantenho no mafuá. Gostei do exercício matinal. Vejam minha lista e tentem fazer o mesmo:

1. Veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano
2. Zero - Ignácio de Loyola Brandão
3. O príncipe - Maquiavel
4. Batismo de Sangue - Frei Beto
5. Bruzundangas – Lima Barreto
6. Revolucionários – Hobsbawm
7. A história da riqueza do homem – Leo Huberman
8. O general e seu labirinto – Gabriel Garcia Marques
9. O capital – Karl Marx
10. Os ásperos tempos (trilogia) – Jorge Amado
11. Cartas da Mãe – Henfil
12. Dom Quixote – Miguel de Cervantes
13. Aos trancos e barrancos – Darcy Ribeiro
14. Dom Casmurro – Machado de Assis
15. Misto Quente – Charles Bukowski

OUTRA COISA - Três shows de Paul McCartney no Brasil e o primeiro deles em Porto Alegre nesse final de semana. Pelo menos um bauruense estará presente nas três apresentações no país e nesse sábado estará desembarcando em Poa. Esteve também na última apresentação do ex-Beatle no Brasil, 17 anos atrás, em 1993. Trata-se do amigão MARCOS PAULO e além da ida, de assumir publicamente ser um apaixonado por Beatles, criou junto de outros, um blog para acompanhar a passagem de Paul, no qual também estará escrevendo. É o http://www.showpaulnobrasil.blogspot.com/ . Ótima pedida para quem cresceu ouvindo discos da banda inglesa. Dá até para pensar nos quinze da música que fizeram minha cabeça. Outra lista à vista.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MEMÓRIA ORAL (94)

BOREBI, A CIDADE DO ÚNICO INCIDENTE PÓS-ELEITORAL DO 2º TURNO *
Borebi é uma pequena cidade do interior paulista, 330 km de distância da capital paulista, entre Bauru e Lençóis Paulista e palco de algo muito comentado nos últimos tempos envolvendo a questão da reforma agrária. Ali, numa fazenda distante 30 km de sua área urbana, assentados do MST derrubaram com trator pés de laranja da Cutrale, numa ação a dividir opiniões. Agora, o único caso de violência no pós-eleitoral de domingo passado, duas pessoas agrediram o prefeito com um soco, levando-o para uma UTI hospitalar. E a pacata cidade volta aos noticiários nacionais.

Na entrada da cidade dá para sentir a influência do atual prefeito, pois a vicinal de 10 km que dá acesso à cidade leva seu nome, Antonio Carlos Vaca. Esse seu segundo mandato no executivo, 64 anos e alguém que soube ir firmando seu nome no imaginário das pessoas do lugar ao longo do tempo. O antigo distrito, entre canaviais e pinheirais, terras devolutas e os assentados recém-chegados, vivia meio que esquecida. Num passado não tão distante falava-se dali somente porque um famoso massagista escolheu o lugar para morar e para lá afluíam legiões de gente necessitando de seus serviços. Com sua morte, novo período de calmaria.

O retorno ao noticiário, dessa vez em caráter nacional é algo que a cidade não faz questão nenhuma de incentivar e propagar. No centro da cidade, tento dialogar com populares. Pergunto por nomes de pessoas e sinto logo de cara uma desconfiança generalizada. Informações saem a fórceps, depois de muita conversa. Diante de tanta negativa, dirijo-me até a casa do prefeito, ainda hospitalizado e quem me recebe é Magal, com camiseta da Prefeitura Municipal.

Leila Ayub Vaca, 61 anos, esposa do prefeito, ainda consternada com o ocorrido, não autoriza fotos, mas dá sua versão sobre o ocorrido. Uma festa dilmista quarteirões abaixo, um prefeito saindo de pijama na rua e encontrando casualmente com duas pessoas, uma troca de insultos mútuos e uma agressão brutal. A justiça está encarregada de desvendar tudo e esclarecer os detalhes, onde ambos os lados alegam terem lá suas razões.

“O fato já é do conhecimento de todos e novamente a cidade vira assunto nacional por motivo parecido ao anterior”, começa contando Leyla, professora da rede estadual, duas vezes prefeita do município e em vias de conseguir sua aposentadoria, sempre acompanhada por uma funcionária da Prefeitura a acompanhar em todos os lugares. Prefiro falar da cidade e ela me consegue pelo telefone a quantidade de habitantes do último censo, 2.295 habitantes. Obras estão espalhadas pela cidade toda, logo na entrada uma para atender a Terceira Idade, um ambulatório médico, as piscinas municipais e outra, a maior delas, a do novo Paço Municipal, tomando quase um quarteirão todo. “Tudo verba estadual, não vai colocar aí que fazemos algo com verba federal, que é mentira”, me diz.
Digo a ela de na ausência forçada do prefeito, gostaria de um contato com o vice-prefeito. Faz-me desistir da idéia, reforçando que tudo poderia me ser fornecido por ela mesma. Nas ruas, diante de muita insistência uma única pessoa, o sitiante Arnaldo Abreu concorda em falar algo: “Você já falou com dona Leila? Já. Então não temos mais nada para falar. O que ela falar tá falado. Não precisa perguntar mais nada para ninguém. Ninguém tem nada a comentar. O que ocorreu aqui foi um fato isolado, não existiu premeditação. Ela e o prefeito são a favor dos sem-terra. Borebi é de paz e a cidade tem de tudo”. E mais não falou.

Tento abordar as pessoas e nem fotos me são permitidas. “Posso te falar algumas coisas, mas aqui ninguém gosta de fazer prejulgamento de ninguém. Não é Borebi que está atravessando isso e sim o país inteiro. Aqui vivemos bem, que outra cidade você pode medir pressão às duas da manhã e ser atendido na hora? Fila não existe aqui. Aqui tem tudo”, me diz um morador, após pedir insistentemente para não ser identificado. Ouvindo parte da conversa, outro me puxa pelo braço para um canto da praça e diz: “Se aqui tem mesmo tudo, muda para cá para você ver se é bom. Muito dinheiro para pouca estrutura. Emprego tem para quem queira sofrer. Tô empregado e não tenho nada. Gera-se 600 empregos com salários muito ruins, enquanto que o certo era gerar 300, mas que conseguissem manter no mínimo outras 600 pessoas. Isso não acontece”.

Digo ter percorrido a cidade e visto um complexo esportivo e um recinto de rodeios bonitos, prédios novos e o paço municipal em obras. “As piscinas não funcionam, só existe outra na cidade, na casa do prefeito”, conclui. Dos assentados nem sinal pela cidade, pois depois do último incidente, segundo fico sabendo, somente as mulheres destes aparecerem para buscar leite no Posto de Saúde ou comprar o necessário. Rodo quilômetros na zona rural e nenhum progresso. Não acho nenhum deles com disposição para falar nada, nem sobre a cidade, muito menos sobre o soco no prefeito.

Seu Nê, como todos chamam o prefeito é unanimidade na cidade. Histórias de décadas atrás, muito antes da política ter impulsionado a vida do casal. Ele sempre prestou serviços de atendimento à necessidades emergenciais da população. Do casal, outra constatação, a de que desde que a cidade foi emancipada para município (era distrito da vizinha Lençóis Paulista), em 1992, o casal reveza-se no cargo máximo na cidade. Certa feita, ela precisou alegar não estar casada com ele para legalizar a candidatura. E mais, são poucos os que colocam a cara para bater ou expõe algo sobre a cidade. Não se deixam fotografar e nem aceitam uma simples menção do nome, mostrando como se processam esse tipo de relações nas pequenas cidades brasileiras. No muro da única escola estadual, uma frase contundente sobre como resolver a maioria de nossos atávicos problemas: "Educação custa caro? Ignorância custa muito mais".

Tudo por lá é muito limpo, ruas todas asfaltadas e uma convivência aparentemente pacífica. “Damos tudo para eles, desde saúde, água e alimentos, tanto para a população, como para os assentados”, me disse Leila. E somente quando seu Nê sair do hospital é que as definitivas respostas serão dadas de como continuará a relação entre a cidade e as quase cinqüenta famílias assentadas em sua zona rural. O assunto gera acalorada discussão, sempre bem distante da presença de forasteiros, pois nisso são mais do que reservados e polidos (“more aqui e saberá os motivos”, me diz um), já para outro assunto, esse ocorrido um dia após o do soco, todos falam abertamente.
Chipanzés de grande envergadura foram vistos e correram atrás de pessoas nas imediações do Posto de Saúde. Até a polícia foi chamada e um Boletim de Ocorrência instaurado. Os animais voltaram para a mata, causando preocupação numa população quase sem assunto novo para as rodas de conversa. Num dos movimentados bares centrais o assunto é a reunião marcada para assistir o jogo da noite diante de uma TV. Depois disso a cidade fecha.
* Esse texto seria publicado na edição nº 621, seção Brasiliana, da revista semanal Carta Capital, que sai nas bancas no próximo sábado, 06/11/2010, mas por ter sido concluída após o prazo de fechamento para as matérias, está sendo publicada somente no site da revista (www.cartacapital.com.br).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

UMAS DICAS (66)

TEM DIAS QUE NÃO SE TEM NADA PARA FAZER E HOJE TEM TUDO DE UMA SÓ VEZ
Hoje, quarta, mês começando de forma séria e vou ficar matutando aqui onde irei dar o ar da graça nessa noite. Futebol na TV, digo de antemão, tô fora. Por outro lado, vejam só o que tem para fazer na noite de hoje:
1. 19h no Auditório do Fundeb, campus da Unesp Bauru, lançamento do livro “A Força das Mídias Sociais”, da doutora em Ciência da Comunicação pela ECA – Escola de Comunicações e Artes, POLLYANA FERRARI. O mais legal de tudo é a discussão sobre algo dos mais relevantes no momento: comunicação e mídias sociais. O PIG – Partido da Imprensa Golpista anunciaria isso como os preparativos para uma futura censura estatal. Inscrições devem ser feitas antecipadas pelo fone 14.31036066 e o livro custa R$ 20,00.

2. 19h30 no Auditório do SENAC Bauru, Nações com Primeiro de Agosto, palestra dentro do projeto “Encontros com a Imprensa”, com nada menos que o jornalista PAULO MARKUN. Possibilidades de discussão de algo no pós-eleitoral versando sobre os rumos da mídia e uma reflexão sobre a profissão de jornalista. Markun já escreveu livros marcantes, sobre Anita Garibaldi e Vladimir Herzog, além de ter comandado o Roda Viva por 10 anos e presidido a TV Cultura em governos tucanos. Dá até para ficar sabendo como são os bastidores da TV estatal paulista nos dias de hoje, quando jornalistas íntegros, porém perguntadores são demitidos por não dizerem amém ao que lhes impõem patrões que atentam contra a Liberdade de Expressão.

3. 21h no Templo Bar (http://templobar.blogspot.com/ ), ali na rua Benjamin quase esquina com Araújo, ocorre o lançamento do segundo livro de HQ do chargista e caricaturista bauruense GUSTAVO DUARTE (http://mangabastudios.blog.uol.com.br/ ), nosso embaixador no jornal futebolístico Lance. Ano passado ele lançou “Có” no mesmo lugar e agora vem com “Táxi”, no mesmo estilo, dispensando o diálogo e fazendo com que cada imagem converse com o leitor. A história versa sobre a trajetória de um jazzista em busca do case esquecido num bar. Quando ele percebe o esquecimento, pega um táxi e vai em busca do instrumento. E como não poderia deixar de ser, Gustavo faz homenagens a Bauru, primeiro ao glorioso e centenário Esporte Clube Noroeste, depois ao Templo Bar, quando um personagem aparece com a inscrição do bar numa camiseta. Rever Gustavo, que sempre volta por aqui ostentando uma camiseta vermelha do Norusca é sempre bom, como a possibilidade cada vez mais rara de rever Josi Vicentin, que brilhou por aqui durante a implantação do Bom Dia e bateu asas para Sampa. E já sei que vai ter música da boa, com a banda paraibana de rock “Clã-Destinos” (http://www.myspace.com/cladestinos#ixzz13vju4puI ). R$ 10 paus cada exemplar, com direito a alongado e desenhado autógrafo. Dilma que se cuide, pois Gustavo já anunciou que sua fisionomia rende bons traços e assim sendo, os próximos quatro anos tendem a render bastante. Termino a noite por aqui, disso tenho certeza.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

UMAS FRASES (59)

TRÊS PITACOS NO PÓS-ELEITORAL
1 . Assisti a entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional. Percebo que com ela o buraco será mais embaixo. A primeira entrevista para TV não foi para a TV Globo (essa quem levou foi a Record) e não foi na bancada do JN no Rio. Tiveram que ir à Brasília. William Bonner, mais cínico impossível, um que havia espezinhado a candidata, agora era a polidez em pessoa. Lobo em pele de cordeiro. E no fim clama pela “Liberdade de Expressão e de Imprensa”, como se a proposta do PT fosse contra algo nesse sentido. Ela lhe dá a melhor resposta que alguém poderia ter dado: “O controle da imprensa é o controle remoto”. Exercemos isso já faz um tempão. Agora, que algo precisa e deve ser feito no quesito Meios de Comunicação isso é inegável e não tem nada a ver com censura, como apregoam os mandarins da mídia. Para entender o que se deve discutir recomendo uma entrada no site do FNDC – Fórum Nacional Democratização da Comunicação (http://www.fndc.org.br/ ) e para saber ainda mais, aqui em Bauru tem um representante nacional do movimento, antenadíssimo com o assunto, o professor Juliano Maurício de Carvalho, da Faac Unesp, do Grupo de Gestão e Políticas de Comunicação da Unesp.
2. Lendo o JC de ontem, noto que o vereador tucano, Marcelo Borges, herdeiro declarado do deputado Pedro Tobias estava raivoso na redação do jornal quando da proclamação da eleição de Dilma. Virou uma espécie de inveterado atirador de pedras na vidraça alheia, quando a sua é mais fina que papel de seda. Dias atrás, edição 412 do Bauru Ilustrado, encarte do JC de 30/10 está lá uma foto dele, todo barbudo e sorridente ao lado de Lula, quando da passagem deste à cidade em 1980 e recebido “pela cúpula do partido”. Seu posicionamento me faz lembrar de um dos debates quando Plínio de Arruda Sampaio instigado por Dilma, lhe dá um troco indevido, mas que serve como uma luva para Marcelo. “Sim, eu vim da Direita, fui convertido e convencido, estando agora na Esquerda, mas pior que isso é o outro lado, os que estiveram na Esquerda e hoje estão na Direita. Esses não têm mais salvação”, disse. Marcelo está no mesmo caminho, cada vez pior.

3. Exemplifico aqui como a religião tomou uma proporção inadequada no último pleito e na cabeça das pessoas. Escrevo para o semanário O Alfinete, de Pirajuí e na última edição, estampado na 1º página uma manchete com foto: “Religiosos de Pirajuí abençoam a nova unidade do INSS, que foi inaugurada ontem com a presença do ministro”. Vejam o inusitado da coisa. Pirajuí recebeu a visita do Ministro da Previdência (fato inédito) para inauguração de prédio do INSS e a manchete é a água benta que os padres e pastores jogaram no prédio. Uma inversão desmedida e comprovando que o negócio está mais desorientado do que se imaginava. A fé não precisa ser demonstrada em todos os momentos. Pregação desnecessária a ocultar o fato principal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CENA BAURUENSE (72)
O CASO EU CONTO COMO O CASO FOI – A FESTA DILMISTA EM BAURU FOI ISSO
Ressaca eleitoral. Nada disso, pois poucos foram os que se esbanjaram com a já esperada vitória dilmista. Ela, que deveria ter ocorrido no 1º Turno, chegou naturalmente, como deveria ter ocorrido lá atrás. Foi só adiada. Mas veio, consolidando o que país nunca deixou de saber. Lula transformou esse país e com fatos não existe o que contestar. Sua candidata, a que representa a melhor proposta para o país, pegou a onda e soube dela usufruir o que de melhor tinha, ou seja, é a Presidente da República. Dito isso, vamos a algo para os que aqui me acompanham. Relato dois eventos ocorridos em Bauru ontem, o primeiro um show no SESC, a movimentar a cidade, o com o sambista ALMIR GUINETO, 16h, entrada gratuita, quando a eleição ainda nem havia terminado. E o segundo, a festa da vitória de Dilma na cidade, num encontro daqueles que estiveram envolvidos com a campanha vitoriosa. Escrevo de ambas.

Votei cedo, eu e a já famosa camiseta da DILMA POP, que meus amigos dizem que “já anda sozinha”. Sim, andei muito com ela nesse mês de outubro. Foi a que mais usei. Uma lavadinha rápida e lá estava a vesti-la novamente. Talvez a emoldure, colocando-a num lugar de destaque aqui no mafuá. Veremos. Do show, primeiro a mobilização, pois liguei para muitos, combinando de lá estarmos para uma espécie de antecipada comemoração da vitória dilmista. Eu, Ana Bia, o filho e Duka chegamos por lá 16h15, encontrando o SESC tomado de gente, entupido literalmente. Sorrisos bonitos, vistosos e gente a sacramentar algo que sempre digo: “Saudades dos tempos que o poder público, ou seja, a Secretaria Municipal de Cultura patrocinou samba junto à cantina do Teatro Municipal com o Quintal do Brás”. Em 2006 e 2007 bombava o pequeno espaço junto ao Teatro e hoje, bomba o SESC nas tardes de domingo. Meu sobrinho de joelho operado, o Marcos reuniu gente da família numa mesa, chegou cedo e guardou lugar para um amontoado de gente a se aglomerar por ali. A fila da bebida passava ao lado e foi um desfilar de gente conhecida que não acabava mais. As músicas cantadas pelo sambista eram do conhecimento de todos e a cantoria só não se estendeu mais porque o SESC é rigoroso com a questão do horário.
Às 17h20 o show já tinha terminado. Aí começou outro tipo de reencontro, a casa esvaziou nuns 60% e os que por lá permaneceram, o fizeram para papear mais alegremente. A turma do Quintal estava lá inteira e o Ivo, mestre no comando do samba na palma da mão incentivou eu e o Duka a promovermos algo novo num novo espaço. Acho que vou esquecer de um bocado de gente, mas lá vai uma lista dos que por lá passaram: Cláudia Coelho (prometeu me dar de presente o livro “Onze Camisas Futebol Clube”), Ademir Elias e sua Ivanilda Aquino, o ex-zagueirão do Norusca Jorge Fernandes, o Carioca da banca de livros da Feira do Rolo e a namorada, Adilson da Banca e esposa, a “louca por alegria” Rose Barrenha e amigas, mana Helena e muitas de suas amigas, Gilson Gimenes da Funprev e tantos outros. Com todos, já esbanjava alegria incontida pelos destinos da nação estar sendo renovados na mão de gente responsável. A incerteza foi mandada para as cucuias e ao sair de lá, já se tinha certeza de que Dilma venceria.
De lá, uma passada rápida no comitê do amigo Roque Ferreira, onde nos juntamos à ele, Tatiana Calmon e Gibi, rumando todos para a sede do PT. Lá tudo fechado, foi quando alguém disse que algo estava acontecendo no Bar Hortelã, na rua Constituição, atrás do prédio do JC. A caravana foi para lá e algumas mesas já estavam agitadas. Montamos a nossa em plena calçada e por lá ficamos a bebericar e ouvir/ver o que uma TV ligada nos repassava. Do outro lado da rua um carro tocava todos os jingles das antigas e novas campanhas de Lula e do PT. Sindicalistas ligados à CUT formavam outro animado grupo. A vice-prefeita , seu marido o Secretário de Esportes, o atual presidente da Executiva do PT, Cláudio do Sindicato da Construção Civil e outros estavam numa outra mesa. Na medida em que o tempo foi passando, a alegria contagiou a todos. Num certo momento um grupo resolveu que deveria ir no Jornal da Cidade. Foram e alguns adentraram para entrevistas, como Roque Ferreira e a vice-prefeita. Demoraram a voltar e quando o fizeram tudo já estava sacralizado. Por volta das 20h30 o resultado já estava definido e todos voltaram para suas mesas. A aglomeração volta a ocorrer quando Dilma faz seu primeiro pronunciamento como presidente. Muitas pessoas acabaram passando por lá durante esse tempo, avisadas por outras. Por volta das 22h, tento reunir alguns para uma carreata, que segundo eu, deveria subir a Nações e a Getúlio. Relacionei mais de 15 carros, mas fui voto vencido. Fui convencido de que o horário poderia desagradar aos que dormem cedo e continuamos no bar. Tempos atrás e motivado pelo ocorrido, depois de tudo o que se sucedeu nesse período eleitoral, a carreata sairia de qualquer jeito, cedo ou tarde. Hoje, a desmobilização é mais fácil do que a arregimentação para tirá-la do lugar. Então foi isso. Em Bauru a festa da eleição da Dilma, começou com a certeza estampada na fisionomia das pessoas lá no SESC e terminou diante de uma TV e de garrafas vazias de cerveja numa mesa de bar. E eu estive presente em ambas.
Hoje, segunda, analisando as matérias de jornais, nada além do esperado. Parece que as manchetes e textos estampam aquela “engolida em seco” da mídia nativa. Das capas, reproduzo uma, a do Diário de São Paulo, hoje pertencente ao grupo do Bom Dia. Na manchete principal, além do percentual de cada um (Dilma 56,05% e Serra 43,95%), o título “DEU LULA DE NOVO”. E eu pergunto: poderia ter sido diferente?