domingo, 7 de agosto de 2011

MEUS TEXTOS DO BOM DIA (136 e 137)

LIÇÃO PORTENHA APLICADA EM BAURU – texto publicado diário bauruense BOM DIA, 30/07/2011
Vivencio in loco uma eleição na Argentina. Acirrada disputa em segundo turno pela Prefeitura de Buenos Aires. De um lado, Macri, concorrendo à reeleição, assumido populista direitista e do outro, Filmus, unindo as esquerdas e interesses mais palatáveis. Povo nas ruas, panelaços, acirramento de questões e algo igual ao vivenciado em Bauru, São Paulo e Brasil. Explico. A maior polêmica no período pré-eleitoral foi um artigo publicado no diário Página 12, pelo cantante Fito Páez, “A metade”, onde escracha sua repugnância pelo avanço direitista. "Metade dos portenhos gosta de ter o bolso cheio, a que custo não importa. Metade dos portenhos gosta mais de aparentar do que ser. Não porque eles não podem. Eles não querem ser. E o que esta metade está sendo ou no que está se transformando, cada vez com mais veemência há algumas décadas, é repugnante”, escreveu o músico. "Aqui, a metade dos portenhos prefere seguir tentando resolver o mundo em mesas de bar, nos táxis, emburrecendo cada vez mais com profetas do vazio disfarçados de animadores familiares televisivos, porque o povo quer é se divertir. Metade de Buenos Aires dá asco. Buenos Aires quer um governo de direita. Mas daquela direita com papadas. Simplória… Gente com idéias para poucos. Gente egoísta. Gente sem swing. Isso é o que a metade da Cidade Autônoma de Buenos Aires quer para si mesma”, continuou. E o mesmo não aconteceria em Bauru? Hoje, nos seus 115 anos, ótima oportunidade para séria reflexão do que queremos. Tem candidato chegando de fora, mais populista impossível, outro ocultando interesses na defesa da especulação imobiliária, tem boi de piranha e tem quem entre de gaiato no navio. E a Bauru que decide as eleições quer o que? Continuo me posicionando ao lado da metade dos que querem e lutam por algo novo, sem medo de ser feliz, com os pés mais do que atolados nos interesses dos menos favorecidos e colaborando para que os de uns poucos não prevaleçam sobre os da maioria. Torço aqui na Argentina e aí estarei no campo de batalha para desmascarar a metade lobo em pele de cordeiro, uma que só pensa nos seus próprios botões.

QUÃO TOLA É A DECADENTE “ZELITE” – texto publicado no diário bauruense BOM DIA, 06/08/2011
O Brasil continua uma terra de injustiças e injustiçados e o grande mal a persistir é o que contaminou a cabeça de uma classe a se intitular com direito divino sobre as demais. Fizeram e desfizeram do país ao seu bel prazer e hoje, decadentes ainda não totalmente assumidos, tentam sobreviver com a aura de um passado que não mais existe. Só eles podiam falar com cátedra de viagens, citar lugares nunca dantes navegados pela massa ignóbil, o luxo de terem pisado locais reservadamente chiques e saborear exclusivamente de meios de locomoção como aviões, por exemplo. A área internacional dos aeroportos o seu reduto, última trincheira e a freqüência a um free shop algo só permitido aos mais vetustos. A banalidade elevada à enésima potência. Nunca imaginavam uma horda de desclassificados invadindo esse último reduto e ainda por cima fotografando tudo. Esse clicar do mundo é algo tão divinal, que assumidamente faço isso, principalmente diante destes a ainda se acharem os donos da cocada preta. Registro o quanto são ridículos e suas fisionomias demonstram cada vez a decadência, não só financeira, como de intelecto. Viceja nesses um olhar de “elo perdido” (ou seria desfeito?). O sonho, se ainda não acabou, pressentem “algo de novo no ar além dos aviões de carreira”. E se assustam. Dou muita risada com suas vestes (mantendo o vinco do arcaico), os cheiros falsos provenientes um perfume caro (só assim para esconderem o cheiro fétido do mofo), os trejeitos todos pensados (e tão inúteis), numa tentativa vã e insana de mostrarem-se acima da média, um tentando ser mais imponente (e inconseqüente) que o outro. Recomendo uma esbarrada, um tropeção, para talvez os reintegrarem na realidade atual e ao novo momento, onde o ingresso dos de baixo é quase um fato, não uma miragem. Ao não aceitarem a chegada intempestiva da turba de “desqualificados”, afirmam exercerem esses uma guerra entre as classes, pregadores do separatismo e, por fim, questionam: Não é mesmo possível uma coisa dessas, afinal, nós que nunca pensamos em nos apartarmos, se nada fizermos, daqui a pouco quererão morar no nosso condomínio fechado?

OBS FINAL: Todas as fotos a ilustrar esses meus dois textos foram tiradas por mim nas ruas de Buenos Aires entre os dias 26 e 31/07/2011. Algo que gostei muito nos muros portenhos foi a grafitagem com "estencil", algo ainda um tanto incipiente aqui no Brasil e sem o caráter político, lá algo marcante e de presença constante. Escrevo sobre isso nos próximos dias. Por fim, Macri, o direitista se reelegeu por lá com quase 68% dos votos e no meu texto dessa semana no BD, a inspiração, claro, partiu de algo abominável publicado no mesmo jornal, edição de 02/08, "Guerra entre classes", do Ivan Garcia Goffi, talvez um dos únicos assumidos direitistas bauruenses, a versão local do Jair Bolsonaro.

sábado, 6 de agosto de 2011

UM LUGAR POR AÍ (16)

EMPÓRIO RIBEIRÃO BONITO, LÁ NO MATO EM AREALVA E NA AGRIFAM
Particularmente, gosto muito desses botequins incrustados no meio do mato, com aquela imensidão de verde por todos os lados. Esse, motivo de minha escrevinhação de hoje é um dos que mais gosto. Conheço o EMPÓRIO RIBEIRÃO BONITO já faz bem uns vinte anos. A família CARDOSO, capitaneada pelo patriarca, Sr Agenor Cardoso, são protagonistas de algo a difundir o nome de Arealva mundão afora, pois idealizaram e colocaram em prática o tal de “turismo rural” naquela cidade.

Primeiro escrevo sobre onde fica Ribeirão Bonito. Não denomino ali de distrito, pois são menos de uma dezena de casas em torno de uma igrejinha e um campo de futebol. Há uns 16 anos atrás, a família Cardoso, que tinha uma bela água corredeira dentro de sua propriedade, resolveu usufruir disso e abriu as portas para o turismo. Abriu também o armazém, hoje comandando pelo filho, NILTON CESAR CARDOSO, um da nova geração, desses a ficar com a barriga encostada no balcão de sol a sol. Chego lá de duas formas, na primeira via Arealva, quando ao atravessar a cidade no sentido da prainha, uma pequena rotatória, seguindo em frente chega-se a praia, indo à esquerda para Marilândia e à direita, seguindo por uns 10 km numa boa estrada de terra aporta-se em Ribeirão Bonito. No outro, o que prefiro, na estrada de Bauru/Arealva, logo após o trevo do Aeroporto, tem a entrada para o distrito de Santa Isabel (ótimo lugar para uma parada cervejeira) e de lá um pouco mais de 10 km de terra, passando por um camping, com cachoeira e tudo.

A venda é o ponto de encontro de tudo o que acontece na região. Um pouco mais adiante um braço do rio Tietê e muitos ranchos e casas de descanso. Tudo o que acontece na região fica-se sabendo no balcão do Empório. Ali é também a sala de troféus do Ribeirão Bonito Futebol Clube, ocupando um quarto com a história vivida no gramado ao lado. No salão da igreja as festas a lotar a pracinha e um barracão ao lado. Numa reforma feita na igreja iriam se desfazer do piso e Nilton arrebanhou tudo e colocou no empório. Ficou lindo, um piso abençoado pelos deuses sei lá de onde. A matriarca tem lá suas especialidades culinárias e faz uns salgados bem ao gosto do que faz toda mãe que gosta dessas coisas culinárias. Tem um enroladinho ao estilo daqueles bolinhos de chuva, com açúcar envolto que é dar água na boca. Tudo por lá é muito bom e tem até alojamento para aqueles que querem curtir aquilo tudo com mais tempo.

E uma vez por ano o clima do Empório é transportado para a AGRIFAM – Feira de Agricultura Familiar em Agudos. Fui ontem lá com o amigo Vinagre conferir um pouco disso e constatei o clima “mateiro arealveano” instalado num lugar montado entre bambus, tocos, toras e cobertura de capim e folhas de coqueiro. Comida em três versões, porco pururuca, tilápia em cubos e lingüiça caseira. De escorrer baba pelo queixo, mas algo inexplicável é que nessas barracas não se pode vender nada líquido, nenhum tipo de bebida. E como comer isso tudo a seco? Do outro lado, um restaurante e uma infinidade de barracas com produtos provenientes da agricultura familiar. Uma pena que essa feira, que começou quinta, termina hoje e às 17h. Meu escrito termina aqui, pois pretendo não só almoçar por lá na comemoração hoje dos 83 do meu pai e comer um bocadinho disso tudo de novo. O grande problema é que o Nilton não faz fiado e abandonou a "caderneta" para anotar os devedores. Tenho que me virar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

AMIGOS DO PEITO (56)

DOIS AQUI NO MAFUÁ, UM NA 94 FM, OUTRO NO JC E ALGO DE MIM NA FM URQUIZA
Recebo hoje pela manhã aqui no mafuá duas ilustres visitas. Quem bate no portão logo cedo é ROBERTO MALINI. Vem me trazer um cartaz de mais um evento de Horror na cidade, o “NOITE DOS MALDITOS”, com a exibição do seu curta-metragem, o ASFIXIA. Vai ser dia 12/08, sexta, 22h30 no Espaço Cultural Celina Alves Neves, na rua Gerson França 6-66 (o número da besta). Dele, faço semana que vem um Retrato de Bauru com as fotos tiradas hoje aqui na minha bagunça mafuenta. Estávamos no meio de uma conversa e quem adentra o mafuá sem bater nem avisar é o também amigo, o fotógrafo ZANELLO. Vem para confirmar se atenderei ao convite do Germanito para o comparacer ao GRANDE SHOW COM O DUO GLACIAL, MIGUEL e ANINHA, na Chácara do Germanito, rodovia Bauru/Iacanga, entrada no Elefante do Pé Quebrado, 06/08, 20h. Lá, bem ao gosto de ambos, só música sertaneja de raiz, bem diferente do que estará tocando lá no Recinto da Expô, o Mello Moraes.

No Espaço Cultural Leônidas Simonetti da 94FM acontece a exposição "Reminiscências - Bauru pelos olhos de WALTER MORTARI", uma seleção de pinturas que retrataram Bauru em diferentes épocas. A antiga marquise do Posto Sem Limites, o Ribeirão das Flores (na altura do cruzamento das avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis, próximo ao Supermercado Confiança), a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, entre outros logradouros, foram retratados pelo talento e pelo olhar amoroso deste que é um dos nossos mais importantes artistas. Durante todo o mês de agosto. Mortari é um senhor com mais de 80 anos e uma cabeça voltada para a modernidade. Adorei vê-lo nessa idade junto aos jovens na Caminhada da Liberdade, desde o Vitória Régia até a Praça Rui Barbosa. E mais, ele ainda anda de bicicleta e encontra tempo para suas pinturas. Como não prestigiar algo assim. A curadoria é do Eto Coelho, que a cada dia está ficando craque nesse negócio de exposição de arte.

No Jornal da Cidade de hoje um artigo na página 2, a “Opinião”, assinado pelo jornalista LUIS VICTORELLI, com um tema e um título que merece ser lido e debatido, o “Murdoch, Cabrini e o Jornalismo”. Leiam aqui: http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=212927

Para meus amigos de plantão mais uma novidade sobre o programa La Guagua, transmitido pela FM Urquiza Buenos Aires (http://www.fmurquiza.com/ ) e a envolver meu nome. Escrevi um longo texto e tento que o mesmo emplaque na semanal Carta Capital e no Página 12 argentino. Var virar um Memória Oral por aqui no blog, mas por enquanto continua inédito, pois queria vê-lo primeiro numa edição impressa. Enviei uma cópia para o radialista JOSÉ LUIS AJZENMESSER e ele me responde rapidamente via e-mail: “Prezado amigo: fiquei emocionado com seu artigo sobre meu programa de rádio. É o melhor presente que posso receber no aniversário de La Guagua. Amanhã, sábado, 6/8, programa especial das 13 as 17h da tarde, quando vou começar lendo sua matéria feita com muito carinho e profissionalismo. De novo, muito obrigado pelo apoio e afeto. Abração. Jose Luis”. Convido a todos para escutar o meu texto na voz do JLA, que sairá publicado aqui somente a partir da próxima semana. Continuo em estado de graça.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (10)

A QUESTÃO DA AHB - NOVE INCRIMINADOS, MAS AINDA FALTAM OS GRAÚDOS...
Tenho acompanhado com enorme interesse onde vai desaguar esse rio da crise financeira da ASSOCIAÇÃO HOSPITALAR DE BAURU e um rombo mais do que histórico, aliás mostruoso e criminoso. Um internauta a me manter constantemente informado sobre essa questão é o denominado O ARAUTO, O PENSADOR, J.SCHUBERT, NEW TIME e assinando em algumas vezes com o nome de JOSÉ RAMOS, tão idignado quanto eu e a maioria dos bauruenses. Recebo deste o documento em vermelho abaixo e reproduzo, sobre sua repercussão de algo divulgado pela imprensa no dia de ontem:

"TEM UNS QUE VÃO MORRER SE TIVEREM QUE BOTAR DINHEIRO DELES PRÁ PAGAR ESSE "ROMBO" DO DESFALQUE PRATICADO CRIMINOSAMENTE.

AGORA TODOS ELES ESTÃO SE FAZENDO DE INOCENTES E ALEGANDO QUE NÃO SABIAM DE NADA...

ERAM "JUSTOS E PERFEITOS" E ASSINARAM TODOS ESSES DOCUMENTOS, LIVROS E ATAS, SEM LER? DUVIDAMOS!!!

DESVIARAM (FURTARAM) MUITO (MUITO MAS MUITO MESMO) DINHEIRO PÚBLICO, DINHEIRO DO POVO E, COMPRARAM UM MONTE DE "PORCARIADA" SUPER FATURADA PARA USAR NOS PACIENTES DO SUS. GARANTIMOS QUE NENHUM DELES DEIXARIA USAR ISSO QUE COMPRARAM SUPERFATURADO NELES OU EM PARENTES DELES.

FORAM "SACANAS" E LEVARAM MUITA VANTAGEM, AGORA VÃO TER QUE PAGAR, TERÃO QUE "DEVOLVER" O DINHEIRO QUE SURRUPIARAM DO HOSPITAL PARA BENEFÍCIO PRÓPRIO.

OS PACIENTES CORRERAM RISCO DE VIDA POR FALTA DE ATENDIMENTO ADEQUADO PORQUE O HOSPITAL NÃO TINHA DINHEIRO MAS, QUANDO ENTRAVA VERBA METIAM A MÃO PARA "RESOLVER" PROBLEMAS PARTICULARES CAUSADOS POR ELES MESMOS OU COM O CONHECIMENTO E AUTORIZAÇÃO DELES QUE LÁ ESTAVAM PARA FISCALIZAR E IMPEDIR ESSAS (ROUBALHEIRAS) COISAS.

QUE SEJAM PUNIDOS EXEMPLARMENTE TODOS OS ENVOLVIDOS, TODOS!!!


LEIAM A NOTÍCIA BOMBA!!!
SAIU NO Jornal da Cidade. Leiam a seguir:
http://www.jcnet.com.br/detalhe_geral.php?codigo=212852
SAIU NO Bom Dia. Leiam a seguir:
http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/62662/MPF+em+Bauru+requer+que+mais+nove+respondam+por+improbidade+na+Associacao+Hospitalar

OBSERVAÇÕES:
O Ex superintendente foi inocentado? Quem foi que pediu para que comprassem esses equipamentos da CARDIOSUL? Eram aparelhos destinados para qual fim?".

Esse é o comentário do ARAUTO e o nome do Superintendente inocentado é o de REINALDO ROCHA, ex-prefeito de Avaí, assessor do deputado Pedro Tobias por décadas, ligação umbilical com o deputado bauruense e hoje presidindo o PSDB no estado de SP. Seria de muito bom alvitre ouvi-lo. Sua versão dos fatos deve ser das mais instigantes e interessantes. E não a reproduzo com a intenção de incriminá-lo, nada disso, é pela contribuição que daria nas investigações. Mera ajuda, só isso. E por que a imprensa local não o procura? Aguardemos...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

COMENTÁRIO QUALQUER (87)

MÚSICA CUBANA, CAPOEIRA, LAZER QUE TEMOS, BURACO NAÇÕES, DAE COM SABESP E PIMPA
Meu post de hoje começa com uma homenagem, pois dia 3 de agosto é o do CAPOEIRISTA. Então, feliz dia do capoeirista!!!!! E quando se fala de capoeira hoje em Bauru é inevitável a lembrança de ALBERTO, um ex-bancário, que dedica e centra todos seus fogos numa dedicação mais do que exclusiva para as atividades com o berimbau. Ele, empolgado com a chegada de um grande dia, 28/08, quando ocorrerá a inauguração da PRAÇA MESTRE BIMBA na cidade. Uma das muitas fotos distribuídas por ele ilustra essa singela homenagem.

Queria hoje escrevinhar somente de música e de algo postado num comentário aqui no blog na segunda, por outro amigo, o EGBERTO, ex-capô do ex-Bauru Chic (saudades do sanduíche Bauru feito por ele) sobre a CULTURA E O LAZER QUE TEMOS E O QUE QUEREMOS E PRECISAMOS. Vale a pena ler as reflexões desse professor, que mesmo aposentado, nunca pode ser chamado de ex-professor, pois está sempre a nos dar boas lições e consistentes toques. Dá a dica do livro “Políticas Públicas de Lazer”, do outro professor, Nelson Carvalho Marcelino, um toque e tanto sobre o assunto: “A partir da Constituição de 1988, o lazer passou a ser direito social de todos os cidadãos brasileiros. Foi assegurado também, praticamente, em todas as constituições estaduais e leis orgânicas de municípios de nosso país. Muito ainda precisa ser feito antes que o lazer seja vivido, plenamente, como um direito social pela nossa população; para que o Sistema Nacional de Esporte e Lazer se consolide e funcione, ou para que o lazer torne-se um programa de governo, ligado a uma Secretaria Especial, por exemplo. Este livro surge para contribuir na reflexão da complexa tarefa de formulação de políticas públicas setoriais na área de lazer. Além disso, também procura oferecer material para discussão aos muitos cursos, de Educação Física, Turismo, Administração e outros, que vêm adotando em seus currículos a disciplina de Políticas Públicas do Lazer”. Essa discussão é pra agora.

Desde minha volta de uma viagem de uma semana na Argentina, ontem escrevia que estava ainda fora do prumo e estou. Primeiro, chateado até a medula por ter perdido o show do MPB 4 no SESC, dia 01/08, no mesmo horário que outro no Parque Vitória Régia, o com o sambista Jorge Aragão, que também não fui. Perder o MPB 4 foi demais para mim. Mais ainda foi abrir os jornais de hoje e dar de cara com duas manchetes de baixo calão. Na primeira sobre o buraco nas Nações, aquele feito para roubar zilhões de uma empresa de segurança. Cartas minhas publicadas na Tribuna do Leitor do JC e reproduzidas neste blog, com os títulos “Conexões subterrâneas na Literatura, no Complexo do Alemão e aqui”, em 8/2 e depois a tacada definitiva em “Ser vizinho de cofre forte do Tio Patinhas é...”, em 05/03, respondem a uma indagação feita hoje pelo diário BOM DIA: “De quem é a responsabilidade por fechar o túnel que passa por baixo das casas?”. Simples, disse eu, a Justiça já tinha que ter acionado e responsabilizado o dono do cofre forte, o do Tio Patinhas. Não existe outro a pagar essa conta. E por que isso ainda não foi feito? Lerdeza pública e privada, só isso. Na outra manchete do dia, uma vergonha para todos nós bauruenses com um título na capa do JC, “SABESP PODE FAZER A PRINCIPAL ESTAÇÃO DE ESGOTO DE BAURU”. Um lema da campanha de Rodrigo, o prefeito era “O DAE É NOSSO”. Hoje, vejo que a coisa já não é bem assim. Saúde meio privatizada e agora, DAE no mesmo caminho. Isso merecerá comentário mais apurado nos próximos dias. Pior não poderia ser.

Por hoje é só, tento deixar meus diletos leitores com música. Eu e Ana Bia tivemos a oportunidade de conhecer uma casa noturna em Buenos Aires, no bairro de San Telmo, o “Resto Bar TODO MUNDO!” (rua Anselmo Aieta 1095) e lá gravamos na noite de 28/07, quinta, um show de música cubana com um cantor peruano (naquele dia comemorava-se o dia da Independência Peruana e o da posse de Humala como novo presidente daquele país). Imagine o astral de um bar que possua um poster do escritor JULIO CORTAZAR ao fundo do palco. Saímos de lá e fomos caminhar madrugada afora, como dois perdidos numa noite suja. As fotos deste post são daquele show e o vídeo idem.

TRISTEZA SEM FIM: Ontem, meu cão de quase 16 anos de idade, o PIMPA foi-se e deixa todos que tivemos o prazer de sua convivência, infinitamente tristes. Cavo, eu e o filho uma cova para ele numa chácara nas imediações de Bauru. Ele, o cão, era um dos poucos que adorava a música de minha vitrolinha, deitava de barriga para cima e revirava os olhos ouvindo o que meus vizinhos diziam: “Como pode alguém gostar de uma música dessa?”. ENCERRO COM MÚSICA CUBANA PARA AMENIZAR A TRISTEZA...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (57)

RETOMANDO A VIDA POR AQUI, UMA FESTA, UM CÃO E LEMBRANÇAS MUSICAIS
Vou procurar não espezinhar demais os que me lêem aqui com reminiscências de minha viagem de sete dias por Buenos Aires. É que me entrego nesses momentos. Comprei um desses Diários de Viagem (editado pela Tilibra) e fiz um minucioso relato, cheio de colagens (parece um verdadeiro álbum de figurinhas). Agora, com ele quase todo concluído, consigo reviver cada passo dado. E foram tantos. Contarei alguns deles aqui, com uma riqueza maior de detalhes do que a escrita inicialmente. Lembranças são sempre dolorosas, pois como havia me dito o cineasta Carlos Pronzato quando de sua passagem por Bauru e após comunicar meu intento de viajar ao seu país. “Não vá”, me disse. “Mas como, sonho com isso?”, retruquei. Rindo me respondeu: “É que ao voltar vai ver o quanto fazes pouca coisa por aqui e o quanto deixarás por lá”. Pois é, ele tem razão.

Antes das lembranças, ontem dei uma breve espiada na festa de aniversário de Bauru, a dos seus 115 anos, comemorada com pompa no Parque Vitória Régia (leiam comentário texto de ontem de Egberto, ex-Bauru Chic). Passamos, eu e Ana Bia, quase no final do dia, quando uma banda de rock bauruense estava no palco e muita gente por ali. Quase não se via a grama e quando isso era possível, percebia-se que o estrago era grande. Parecia aqueles campos pelados de futebol varzeano do passado. Tudo muito cheio, ficamos pouco tempo. Estávamos ainda com a cabeça meio que fora de órbita. Peguei o fim da bagunça promovida pelo Quintal do Bras, comandado pelos amigos Ivo e Borracha. Um grande contentamento pelo que estiveram a proporcionar aos presentes. Onde esse grupo canta é sinal de música boa e gente alegre ao redor. Nem me fiz notar, mas notei o quanto podem crescer, bastando alguém investir e acreditar que “desse mato sai coelho”. De lá fui ver meu velho cão, o Pimpa, quase 16 anos de vida, tão velhinho que não anda mais, suas pernas expiraram o prazo de validade. Levado a um veterinário, Cléo e o filho ficaram com dó de sacrificá-lo e tentam um tratamento. Mas como fazê-lo com a velhice elevada a enésima potência. Ele está lá de fraldas, mexendo só o rosto e com aqueles olhinhos que tantas alegrias deram a todos à sua volta. Lembro sempre de sua aventura paulistana, socorrido por um casal de anjos lá de Marília. Pimpa, dentre todos os cães que tive me é o mais marcante. Todos temos nossas histórias com cães.

Diante desses dois relatos, volto ao que queria de fato escrever hoje. Algo lá a lembrar aqui, com duas passagens vividas na Argentina em distintos momentos. No primeiro, eu Ana e o filho caminhávamos pela rua Florida, um movimentado calçadão, quando nos deparamos com alguns jovens tocando samba, uma batucada de escola de samba. Fotografei e gravei. Escaparam pelos fundos de uma galeria e fiquei a escutá-los de longe. É muito bom você notar algo de seu país num ambiente estranho. Mais emocionado fiquei no metrô (que lá se denomina Subte), quando fui conhecer a rádio FM Urquiza, no bairro do Congresso. Um saxofonista monta uma caixinha no meio do carro e liga um acompanhamento. Toca duas músicas, todos aplaudem e quase na chegada ao ponto final, encerra com “Garota de Ipanema” e me derreto todo. Esvazio meu bolso com vários pesos e vou dar-lhe um abraço. Comento isso com o pessoal da rádio e me dizem: “Mas tocou bem?”. “Sim”, respondo. São coisas tão pequenas, parecem tão insignificantes, mas recheadas de muita vida. Deixa-me esquecer logo disso e retomar a vida onde a deixei guardada num guarda-volumes quando de minha partida. Mas onde é que estava mesmo, que não consigo me lembrar e nem sei onde guardei a tal da chave. E hoje já é terça, porém continuo mais perdido que cego em tiroteio.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

INTERVENÇÕES SUPER-HERÓI BAURUENSE (10) e DICAS (80) Nada contra a bela festa programada pelo prefeito Rodrigo Agostinho para comemorar os 115 anos de Bauru. Ela ocorre no lugar mais nobre da cidade para eventos dessa natureza e seu ponto mais positivo é a valorização do artista local, colocado em destaque na programação. O local já é conhecido e a convergência para o Parque Vitória Régia algo feito quase que naturalmente. Algo também poderia ser pensado na diversificação dos espaços, deslocando muitas atividades para a periferia da cidade, pensando no não deslocamento das pessoas de suas regiões e sim, em levar algo até eles. É o tal do “artista ir onde o povo está”, que Milton Nascimento cantou brilhantemente numa música. O GUARDIÃO, o super-herói bauruense, criação do desenhista Leandro Gonçalez (http://www.desenhogoncalez.blogspot.com/ ) e com uns pitacos desse mafuento blogueiro adora festas como essas, mas deixa só um lembrete em forma de súplica para todos os envolvidos nas questões municipais, a da existência de uma infinidade de assuntos sérios para serem discutidos na seqüência. A festa é uma espécie de trégua disso tudo e um recarregar de energias para que se comece, já a partir de amanhã a discutir esses outros assuntos. E eles são tantos e precisam tanto de urgente solução.

ORGULHOS DE BAURU - ONTEM, HOJE E SEMPRE*
*Em 20/07, a jornalista Lidiane Oliveira pediu para que respondesse por e-mail a essa indagação dos orgulhos de Bauru, para ser incluída em matéria do diário BOM DIA, que circularia hoje, 01/08, aniversário da cidade. O fiz de forma alongada e muito do que escrevi está aproveitado em dois textos publicados na revista “Bauru 115 Anos – 30 Motivos para se apaixonar pela cidade”, o “A Bauru de ontem” e a “Bauru de amanhã”. Abaixo o texto enviado à jornalista na sua íntegra:

“Gosto de viajar nas vias contrárias a de muitos a se dizerem progressistas na cidade.

Um dos orgulhos de ONTEM, sem sombras de dúvidas foi termos tido dois ícones do passado instalados aqui na cidade. O primeiro foi o mais famoso entroncamento ferroviário brasileiro, reunindo três ferrovias, a Noroeste, Paulista e Sorocabana e nos escancarando as portas para a América Latina, com o denominado Trem da Morte, que saia daqui e ia até a Bolívia. Viam-se latinos de muitos países pela cidade, uma latinidade impossível hoje em dia. O outro ícone foi que o mais famoso bordel da América Latina, o Eni's Bar é de Bauru, sendo ponto de encontro de toda uma geração ligada no sexo pago e com refino, com "catiguria". Motivo de orgulho para uns e de escárnio para outros, o fato é que ela, a dona Eni, além da atividade que mantinha, foi uma das maiores e generosas filantropas da cidade, atividade mantida até quando pode e não reconhecida com o devido valor pela cidade, quando parte desta virou-lhe as costas. Falta o algo mais no reconhecimento da importância dela para a cidade.

O orgulho de HOJE é algo ainda pouco percebido pela maioria das pessoas do interior paulista. Vive-se aqui uma diversidade cultural não existente na maioria das cidades brasileiras. Faz-se de tudo um pouco e, na maioria das vezes, com baixo custo. Temos atividades bancadas por órgãos públicos, de qualidade reconhecida e tendo como ícone durante décadas o SESC, mantendo shows, eventos e atividades culturais, numa espécie de exemplo a ser seguido por todas as instituições voltadas para o lazer do cidadão. Para comprovar isso basta dar uma espiada no que é oferecido de cultura de qualidade nas cidades da região e cai-se a ficha, Bauru ainda mantém um padrão acima da média. O SESC nosso maior diferencial, o de qualidade, claro.

O orgulho de AMANHÃ é um sonho, um grande sonho, o dos dirigentes políticos, empresariais e culturais da cidade voltarem seus olhos para o cidadão de Bauru. Muito do que é oferecido culturalmente para a população da cidade hoje ainda é feito pensando somente num segmento, atendendo gostos de uma parcela da população. A Expo Bauru é um exemplo disso, pois na programação desse ano, uma das poucas feitas de forma gratuita para a população ainda privilegia algo de gosto duvidoso e parece desconhecer ou não reconhecer a existência de uma diversidade cultural na cidade. Quando reclamamos da falta de cultura, dos gostos ruins, de se ouvir somente um tipo de música, pouco se tem refletido sobre as culpas de cada um. Eis uma, pois quando se existe a possibilidade de promoção de algo para a grande maioria, tudo não é pensado coletivamente e o reproduzido ainda permanece o a favorecer somente alguns. Imagine uma gana de atividades e possibilidades sendo estendido a todas as camadas da população, indistintamente e de forma igualitária. Um sonho, possível, mas distante, muito distante”.