terça-feira, 6 de outubro de 2020

BAURU POR AÍ (182)


A MAIS NOVA CRIA PARIDA DAS ENTRANHAS DAS QUEBRADAS BAURUENSES - E TENDO ESTE MAFUENTO COMO PREFACIADOR
Essa história é para mim o must destes tempos de reclusão e pandemia. Vivo fechado em copas, no recesso do lar e muito raramente boto as caras e as asas nas ruas. Tento tocar a vida daqui de dentro, lendo muito e fazendo contatos daqui e dali, tudo para demorar um bocadinho mais para enloquecer - que todos enloquecerão, disto não tenho a menor dúvida, mas tento dificultar e retardar a coisa pra mais longe. 

Escrevi por aqui tempos atrás de mais uma coletânea de gente bauruense publicando nestes tempos, os do grupo Expressão Poética, com a antologia "Cães Bélicos". A partir do que escrevi, recebi um inusitado convite, o de prefaciar algo naqueles meses ainda sendo gestado, parido aos poucos, um livro com uma coletânea de poetas e cronistas das entranhas desta aldeia. Eles mesmo sabem estarem à margem de tudo, principalmente dos olhos da mídia massiva e de tudo o mais. São dezesseis instigantes e provocadores cidadãos e cidadãs, escrevinhadores destes tempos e se unindo para colocar em circulação o que fazem. Conseguiram seu intento reunindo forças, mas o que seria isso? Simples, acada um pagou pela impressão da tiragem inicial de cento e pouco livros e eles acabaram de sair do forno. 

O grupo se denomina "NÓS, A SUAVE TEMPESTADE", o mesmo nome do livro, com os nomes na capa dos seus organizadores: Leonardo Praconaro, Lauro Neto, Hítalo Souza e Amanda Helena. Cada qual usou o espaço para fazer uma breve apresentação inicial e depois tascou seu escrito, despejado no estilo que sabem fazer, o advindo das entranhas destas terras, com muito "sangue, suor e lágrimas". Sou suspeito para escrever se gostei, pois eles todos me conquistaram quando recebi o convite para prefaciar a obra. Ou seja, recebi em primeira mão muitos dos escritos e os devorei com gula, pensando em como cada um escreveu, onde estava, qual a situação, o que sentia, daí por diante. Me coloquei na pele deles, ou ao menso tentei e suei frio a cada leitura. Hoje o livro está pronto e eles buscando uma forma de colocá-los em circulação. Não podem fazer um lançamento num local público, pois a pandemia continua fazendo vítimas e daí Amanda, uma das endiabradas do grupo me presenteia com um exemplar e me passa mais uma missão: "Veja o que pode fazer pela divulgação". Na dedicatória que me fez algo assim: "Para Henrique, padrinho da criança. Com carinho e gratidão, orgulho desse prefácio fera!!!".

Chorei e diante de missão tão arrebatadora e de difícil solução, enfim, como dar vazão diante de tudo aí fora conspirando contra, fazer circular este livro e torná-lo conhecido. Repasso este texto inicial para amigos instalados dentro de órgãos de comunicação, com pedido para todos: façam algo pro este livro, está nas mãos de vocês torná-los menos marginal. Pedido espalhado, aguardo que a mensagem seja recebida e se espalhe, saia divulgada pelos quatro cantos. Faço força, mentalizo positivo e creio ser possível, pois esse pessoal e bom pra caramba.

Abaixo reproduzo o meu prefácio, escrito dentro do espírito do que senti, um fervor me subindo espinha acima, na medida que ia lendo o que esse povo escreveu. Espero que assim como fui arrebatado, muito outros o sejam, comprem os livros e façam eles imprimirem mais. Quem puder, por favor, compre o livro e espalhe essa revolucionária idéia mundo afora.

Prefácio
Cansei de ler algo sobre os figurões, os vetustos que sempre pululam pelas páginas dos conhecidos meios de comunicação massivos. Tenho comigo que, estes possuem canais próprios de divulgação do que fazem, como e porque fazem. Fujo destes. Cavo outras leituras, outros ambientes e principalmente, quero me inteirar de outras possibilidades. Essas são tão poucas. Difíceis, pois publicar e se fazer aparecer num mundo jogando contra não é tarefa das mais fáceis. O meio mais recomendável hoje é fazê-lo pelas redes sociais e seus canais, mas ali tudo fragmentado e para pescar algo diferente, ousado, batendo de frente com o proposto, só mesmo com muito garimpo.

E quanto tudo isso se apresenta assim na sua frente, pronto e acabado, reunião de gente guerreira, buscando espaço, produzindo no fio da navalha, o que fazer? Caio de boca, mergulho de cabeça e quase nunca me decepciono. A coletânea inaugural deste “Nós, a suave tempestade”, reunindo de forma magistral muitos destes fora do circuito é para endoidecer gente sã. Prova inconteste de muita resistência, insistência e persistência, tudo junto e misturado. Conheço muitos dos aqui reunidos pelos reencontros proporcionados pelas trombadas da vida e agora, através dessa rica e única possibilidade, tomo conhecimento de algo mais, o que vai pelas cabeças e mentes mais que pulsantes, sei estar diante de originais desbravadores destes novos tempos.

Eu, do alto dos meus 60 anos, faço parte de uma engajada geração. Muito produzimos, fizemos e acontecemos. Muitos de nós continuam nas paradas de sucesso, cada qual ao seu modo e jeito. Muitos desistiram ao longo do tempo, outros já se foram e os espaços estão sempre se renovando. Antes, confesso, era mais fácil publicar, mesmo sem o advento internet. Tínhamos mais livrarias, editoras, sebos, bancas de jornais e gente apostando fichas em novidades, principalmente as atuando e tendo como guia algo fora do padrão convencional. O mundo mudou, relações se estreitaram, o individualismo virou uma praga e mesmo diante de tanta dificuldade, ver gente disposta a transpor e romper barreiras é mais do que alvissareiro. Eu me encanto, me deixo levar pelo ímpeto e no que fazem também me sinto revigorado. Tudo é assim mesmo, conseguido com “sangue, suor e lágrimas”.

O pulsar dessa literatura das quebradas me conduz e contagia. É mais que um mero alento para os tempos atuais. Com o aqui propiciado algo mais, revelador do que vai pela cabeça de geração sendo construída no caos e entre tropeços, se esgueirando para não caírem na vala comum. Algo da necessária renovação está aqui reunida, mostrando outros caminhos, numa proposta não só alternativa, mas de sobrevivência dos de baixo, os que lutam com suas próprias armas para sobreviver na selva consumista e a engolir incautos, desavisados e os que se deixam levar. Aqui uma amostra dos que não se deixam levar. O livro propondo esse novíssimo voo de Ícaro é um marco. Que com ele, essa chama não mais se apague e os desde Lado B deste canto do mundo se unam cada vez mais, se mostrem, se apresentem e vicejem, pois competência e disposição, todos possuem aos borbotões. 

Fui arrebatado pelo que aqui li. Eles, até sem o saberem seguem o que muitos já fizeram, fazem e eles, certamente farão, dando continuidade em rebeldia tão necessária, expressa numa frase: “Não nasci para aceitar as coisas como elas se apresentam. Quem nos salvará da seriedade? Nenhum monopólio jamais foi capaz de aceitar uma brincadeira”, escritor Júlio Cortazar (1914/1984). Ah, se um adentrando a terceira idade pudesse ser aceito no grupo, me juntaria sem pestanejar a quem propõe saídas bem distantes das ditadas e impostas pelos meios convencionais. Rejuvenescem e recarregam baterias de quem pensava em se aposentar. 

Acenderam aquele fogo interno quase apagado e agora só penso em esgrimar, me juntar junto a eles nas trincheiras de resistência.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista, professor de História, minúsculo comerciante, blogueiro e andante das causas sociais, muito fora do padrão convencional (www.mafuadohpa.blogspot.com).


CORRIDA ATRÁS DO PÃO MAIS BARATO - NA PERIFERIA É MAIS BARATO QUE NA ZONA SUL.
Tudo tem subido desmedidamente de preço, algo surreal em tempos de pandemia, quando a contenção seria o melhor papel, principalmente o do empresário, ainda mais quando o aumento, pelo que se observa parte dos maiores, os mais abastados e os que estão ganhando mais nestes tempos. Eu, na qualidade de bom degustador e guloso por PÃES, resolvi fazer uma pesquisa por conta própria e constatar in loco a quantas anda o preço de alguns dos pães cidade afora. Preferi não percorrer padaria, até porque não conseguiria fazê-lo nestes tempos de quase absoluta reclusão. Escolhi aleatoriamente alguns supermercados: Confiança Rodoviária, Panelão Santa Edwirges, São Judas Tadeu da rua 1º de Agosto e por fim, o Tauste da rua Rio Branco. 

Publico as quatro fotos com o preços auferidos e para pães, mais ou menos do mesmo tamanho e denominação, Pão da Família/Fazenda. O que constatei eu descrevo na sequência e não me assusta, nem representa novidade é o seguinte: o pão é consideravelmnete mais barato nos mercados menores e com unidades na periferia. Os dois da Zona Sul, Tauste e Confiança possuem preços mais ou menos similares, entre R$ 6,00 e R$ 7,50 a unidade e os do Panelão e do São Judas entre R$ 2,75 e R$ 3,50. Qual a conclusão mais simplista que se tem desta comparação? A minha foi a de que quem atende o pessoal com menos recursos e o faz com menos pompa vende mais barato e quem oferece mais pompa vende mais caro.

Alguma novidade? Creio que não. Se o mesmo for feito em padarias da periferia da cidade e nas pomposas da Zona Sul, o resultado será o mesmo. E daí, o algo mais, se isso acontece com o pão, feito no lugar, com padaria própria, qual seria os preços dos demais produtos? Quem poderia dizer algo mais é quem faz compra todo dia e acompanhou, por exemplo, a desmedida alta do preço do arroz, o baluarte dos últimos aumentos. Por que fiz isso? Simples comparação e constatação. As conclusões tirem todos e todas...

O MURO DO ROQUE NA CASA DA TATIANA E FILHOS
Ficou lindo. Ela, Tatiana Calmon foi de uma sensibilidade imensa ao ocupar o muro da casa onde vive, o reduto do Roque, dela e seus dois filhos, com a história do Roque, relembrando no traço, pincel e grafite de artistas reconhecidamente populares, todos com a vertente da luta empreendida pelo nosso eterno militante. Bauru não possui murais, algo tão lindo de ser ver, pois neles um bocado da história do retratado. Este, creio eu, o primeiro, pois ali Tatiana deve ter sentado, pensado muito até chegar na decisão final de tudo o que deveria estar ali contido. Ela foi precisa, cirúrgica e foi dando as dicas para os artistas, que iam deitando e rolando no espaço que tinham pela frente. O resultado é não só a cara do Roque, como também a da Tati, dos seus filhos e de quem esteve a vida inteira dedicado numa militância infindável. Espero muito em breve poder ir lá, olhar pessoalmente, tirar minhas próprias fotos, talvez até com a explicação da própria Tati para cada pedacinho ali contido. Eu me emociono com o que vejo, pois fui ali incontáveis vezes, na maioria para não só visitar Roque, mas para buscá-lo ou levá-lo de incursões juntos cidade afora. Falo muito neste momento de minha vida com Marcos Resende, o Comunista em Ação, um hoje isolado militante, assim como o bravo guerreiro que lutava contra os moinhos praticamente sózinho e ele me diz em todas as vezes: "Não vou deixar o idela de Roque ser esquecido. Eu vou estar aqui para lembrar a todos que a luta se dá dessa forma". O muro agora pronto está num local um tanto restrito, dentro do residencial no coração da periferia, mas no fundo até acjo bom, pois terá visitação controlado e bestiais não poderão danificá-lo. Esse é um presente de Tatiana para a cidade e nele deveria ter um cantinho reservado para os visitantes irem com um pincel acrescentando seus nomes e datas de visitação - só os que a Tati permitir que o façam. Ainda vejo tudo de longe e vejo do que está sendo entregue, pronto e acabado, um maravilhoso mural, o primeiro desta cidade, reverenciando nosso maior e mais ilustre militantes das causas sociais. Ficou mais que ótimo e tem a cara da sensibilidade da Tatiana. Eis o link do vídeo da Tatiana: https://www.facebook.com/tatiana.calmon/videos/3484375894916586

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

FRASE DE LIVRO LIDO (158)


HISTORINHA PRA COMEÇAR BEM A SEMANA - O ESPALHADOR DE SEMENTES DE ALGODÃO
Conto logo no começo de mais uma semana. Semanas atrás, dia 20/09, o fotógrafo Zanello veio até aqui no portão de casa para gravar mais um Ao Vivo, dentro do projeto que toco de entrevistar personagens do LAdo B desta aldeia. Foi maravilhoso, ele trouxe sua viola e ao final, na praça aqui defronte, cantou e encantou transeuntes. Antes de se despedir, Luiz Zanelo tira de um dos bolsos um chumaço de algodão, estende a mã oe me aforece: "Isso aqui representa a paz. Tenho lá no meu terreno no Jaraguá, onde planto de tudo um pouco e distribuo para quem puder ir plantando e tocando a ideia para frente". Peguei e deixei aquele montinho branco em cima de minha de trabalho. 

Alguns dias depois planto algumas sementes e como faço com algumas outras, vou curtindo a belezura por elas proporcionada. Passaram-se uns quatro dias e nada. Continuava molhando aquele vaso vazio, mas já sem esperanças. A semente não vingou, era o que supunha. Dias depois, um pequeno botãozinho explode e sai da terra. Vibro e molho ele com todo carinho. O danado está só a crescer e de um botão, nasceram outros pontos, folhas surgindo pra todos os lados. Não sei se meu modesto vaso vai suportar o que virá pela frente. Peço ajuda e orientação. Toco o barco com o pequeno vaso ou devo remover tudo para lugar maior. Por enquanto, estou encantado com a belezura do verde brotando e explodindo aqui na varanda do apartamento. Rego duas vezes ao dia, pela manhã, logo ao acordar e depois, final da tarde, depois do sol se por. Estou correto?

O fato é que curto o momento broto e da singeleza do ato do amigo Zanelo, espalhando mudas por onde ande, pessoa sincera, boa por natureza. Fiz questão de repassar a curta historinha e assim o faço com desejos para tudo, todas e todos de boa semana e dias melhores diante deste cruel e insano momento.

O PERCURSO DE UM LIVRO DE CLARICE
Essas histórias me arrebatam e me movem. Eu e a mana Helena Aquino estamos envolvidos numa campanha livresca, pela captação de livros para a Geladeira Cultural colocada defronte a igreja Humanidade Livre, bem próximo do parque Vitória Régia. Pelas comunicações e solicitações feitas aqui pelas redes sociais, chegaram muitos livros, vindos de doações diversas. Conto a história de um destes. Chega até a mana uma caixinha com alguns, entregues por Lívia Papassoni e um ela se interessa em ler antes de levar até a Geladeira. Trata-se do "Clarice na Cabeceira - Cônicas" (editora Rocco RJ, 2010, 176 páginas). Instigante mesmo. São pessoas conhecidas, como Ferreira Gullar, Caertano Veloso, Lygia Fagundes Telles, Siviano Santiago, Eduardo Portella, Joaquim Ferreira dos Santos e outros, 20 no total. Eles citam num texto a crônica da Clarice, a que os pegou de jeito e na sequência a crônica. Coisa linda, arrebatadora.

Helena, a mana, se encantou e o leu antes, mas caiu na besteira de me dizer algo do livro. Acabou por me repassar com o compromisso de no término da leitura, devolver. Foi o que fiz, mas Helena também comentou com outra pessoa, a poeta e causídica Amanda Helena sobre a obra. Essa, tarada por tudo o que venha de Clarice pediu se quando terminasse, antes de levá-lo à geladeira, ela também tivesse o prazer de ler. Faço isso hoje e assim o livro vai completando ciclos de leitura inauditas e destas inimagináveis, bonitas de serem vistas. Amanda o receberá hoje e, creio eu, este é mesmo o que deve ir acontecendo com os livros, uma circulação sem precedentes. Enfim, quem será o próximo até chegar finalmente a tal Geladeira e de lá tomar outros rumos. Já imaginou se um livro desses tivesse um chip?
Completo o ciclo com a reprodução de algumas frases sacadas da obra:

- Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela.
- E sobretudo procurar não entender, porque quem entende desorganiza.
- Mais vago do que a realidade.
- Nós somos o que nos falta.
- Alegria discreta de camponês que só lida com o básico.
- Eu bobo me emprestava uma estranha superioridade. Por um simples fato: eu era feliz daquele modo.
- Aviso: não confundir bobos com burros.
- Quando não escrevo, estou morta.
- Estou habituada a não considerar perigoso pensar. Penso e não me impressiono.
- Contanto que a caneta escreva, qualquer uma serve.
- E quando penso em tudo que não participo, Brasil ou não, fico desanimada com minha pequenez.
- Metade das coisas quer eu faria se eu fosse eu, não posso contar.
- Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém está perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
- Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
- Viver é dramático. Mas não há escapatória: nasce-se.
- O problema é que o papel branco exige que eu escreva. Vou e escrevo.
- Quando estou em estado de escrever, não leio.
- Comida é questão de sal.
- Somos o que papai e mamãe fizeram de nós.
- Escrever é um pouco vender a alma.
- Toda ansiedade é idolatria.
- Profundo cansaço da luta.
- Por baixo dos fatos, do enredo, borbulha a matéria misteriosa de que é feita a existência.
- O silêncio é o mais nobre dos materiais de que se vale.
- Morri de muitas mortes e mantê-la-ei em segredo.
- Desistir de nossa animalidade é um sacrifício.

UMA FOTO E UMA IDEIA, TALVEZ ALGUMA DISCUSSÃO
Na foto recebida, tirada na estradinha de terra que leva até a estação férrea de Val de Palmas, lá muito depois da vila Nova Esperança, uma encruzilhada e nela um despacho/oferenda umbandista. Nada contra, mas uma observação, por mim vista como plausível: por que não, diante do abrasador calor e seca, junto da questão do excessivo tempo de decomposição, não sejam depositados nesses lugares velas apagadas e ao invés de peças de cerâmica, folhas de plantas recepcionando a oferenda, como de bananeiras?
obs.: O questionamento feito por mim hoje pela minha página do facebook, gerou uma acalorada discussão, que posto como comentário deste post.

domingo, 4 de outubro de 2020

REGISTROS DO LADO B (140 e RETRATOS DE BAURU (245)


14º “LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES”, COM A PROFESSORA DE MÚSICA, ATRIZ DE TEATRO, FREQUENTADORA DE BARES, PRODUTORA DE CONCORRIDOS SARAUS MUSICAIS E AOS 77 ANOS, EXÍMIA BOÊMIA: FALO DE DULCE LAGRECA
Um luxo poder bater papo com alguém tão encantadora como DULCE LAGRECA. Ela não foge ao espírito do que quero aqui ir registrando, pois mesmo sendo parte da classe média bauruense, filha de comerciante e esposa de médico, ambos foram personagens diferenciadas nesta insólita Bauru. Primeiro por gostarem de música e quem o faz com a maestria como envolvimento de toda uma vida, não pode, ou melhor, não consegue ser indiferente às agruras desta vida. Ela foi sempre professora e de escola pública, primeiro no Moraes Pacheco, lá nos Altos do Bela Vista e depois, quando da aposentadoria no Luiz Zuiani, ali pertinho da Duque de Caixias, quase ao lado da Vila Vicentina. Exerceu por décadas algo hoje nem mais fazendo parte do currículo das escolas públicas estaduais e municipais, aulas de Música. Relembrar isso da existência de aulas de Música nas escolas públicas, seria algo como uma obrigação do Estado, mas não, foram minando, deixando de lado, até o momento em que desapareceu e quem tinha uma iniciação, para muitos decisiva para o resto da vida, se viram sem aquele encanto. Dulce fez parte deste seleto time de professoras a musicar a aldeia bauruense, enchendo-a de acordes. Só por isso sua história é envolta de muita curiosidade e deve ter histórias para relatar, contar, descrever, dessas a nos fazer permanecer de boca aberta, atentos e com a respiração presa.

Ela, com certeza, não para por aí e segue por outros caminhos, também visto por alguns como descaminho, ou seja, fugia do trivial. Criada numa família musical, contará como foi sua iniciação, conheceu o marido, médico e mais que tudo, músico. O pai foi comerciante e dono de imobiliária, mas fez algo inusitado por essas plagas, criou uma gravadora de discos. Quem já sabia que já tivemos uma gravadora na cidade? Pois é, o pai de Dulce, Armando Turtelli aprontou isso na pacata Bauru, assim como o marido, Francisco Lagreca, um médico musicista, espalhou saraus pela cidade e assim conseguia fugir do marasmo e disso de viver numa cidade um tanto conservadora. Enfim, Dulce, do alto dos seus 70 anos, que ela diz ter só da boca pra fora, pois da boca pra dentro, continua agindo como uma menina, cheia de planos e concretizando alguns, todos ao seu modo e jeito, saindo e conhecendo bares da cidade, os cantores da noite, lugares nos arredores e rebarbas da aldeia bauruense. Ela vai nos contar isso tudo e muito mais e em uma hora, que como sabemos será pouco, vai discorrer sobre sua vida, suas andanças, sua história, preferências, gostos e manias. Uma simpatia de pessoa só de bater os olhos e depois de alguns minutos ao seu lado, impossível não ser contagiado e seguir como admirador, quiçá amante à distância, pois ela tem um jeito envolvente, caliente e cheia de charme, algo irresistível para quem sente falta de boas conversas, dessas que varam a noite.

Eis algo que escrevi delas em algumas publicações no blog Mafuá do HPA (www.mafuadohpa.blogspot.com):

- Em 04.05.2012 publiquei: “LA VITA PASSA - Uma das coisas que mais gosto de fazer aqui nesse mafuento espaço é divulgar algo sobre alguns dos meus diletos amigos. Quando recebo algo vindo deles, abro meu coração e divulgo aqui para os poucos que me leem. Hoje são dois e abaixo algo sobre o que estão aprontando na cidade: (...) Olá, amigo HENRIQUE... Voce sabe como é...Terça feira é um dia danado de ruim prá teatro, mas como não somos globais??? Fazer o que? Estou te mandando algumas fotos com a atriz Dulce Lagreca ao meu lado e o release do espetáculo e do grupo... Vc pode não acreditar mas estou fazendo esse ano 42 anos de carreira artística no Teatro e a Cia. de Artes CELEIRO DA ARTE faz 15 anos... Parece que começamos outro dia, né??? Mas ainda existe um tremendo preconceito prá atrizes e dramaturgos da cidade de Bauru, mesmo eu sendo nascida em SP... Prá vc ter uma idéia Mauro Rasi só ficou famoso depois q foi pro Rio...e Edson Celulari só qdo apareceu na Globo... Por isso quero dar um "Xô ao PRECONCEITO" contra as pessoas q pensam q nosso trabalho não tem qualidade... Vá nos assistir... Tenho certeza q irá gostar... Faça mesmo um barulho prá gente... Precisamos ter uma plateia consciente...precisamos mostrar que o Teatro em Bauru tem força e pode mostrar coisas muito boas... Um grande beijo da MADÊ CORRÊA. Espetáculo La Vita Passa, no Teatro Municipal - 8 maio 2012, terça, 20h30”.

- Em 27.05.2015 publiquei: “OS VÍDEOS QUE FAZEM A CABEÇA DO HPA - DULCE LAGRECA EM "A CASA DE BERNARDA ALBA" NO PROTÓTIPOS - Lorca em Bauru, um luxo só. Ontem, domingo 14/05, abdiquei, eu e Ana Bia Andrade de irmos no Vitória Régia assistir ao show do Marcelo D2 na Virada Cultural, tudo por causa de uma última apresentação no Espaço Protótipo Tópico, lá na Monsenhor Claro. Tratava-se de nada menos que 'A CASA DE BERNARDA ALBA', obra do espanhol Federico Garcia Lorca, direção de Andressa Francelino, que já havia sido apresentada esse ano na Semana de Teatro Paulo Neves Neves, mas não pude assistir naquela oportunidade. As meninas insistiram em continuar apresentando a peça e mais quatro datas foram marcadas. Perdi as três primeiras e na última, ontem, 20h, não podia deixar de cumprir promessa feita junto a incomensurável Dulce Lagreca. Momentos antes havia saído lá do Teatro Municipal, no fechamento do V Festival Internacional de Bonecos e falando sobre minha intenção com Thiago Neves ele me diz: "Vá correndo, falta pouco mais de meia hora e veja com muito carinho a Dulce Lagreca cantando em espanhol". Fomos e gostamos demais do que vimos. Moças dedicadas, querendo acertar, apostando muitas fichas no que fazem e no caminho mais do que certo, ou seja, fazendo o que gostam. Erros existem em todos os lugares, mas a vontade de acertar em todas supera muita coisa. Já do que gravei, Dulce cantando naquele momento em que, fazendo o papel de irmã da Bernarda, escapa do seu quarto e solta a voz na sala. Não ia gravar, tanto que perdi o começo, mas não me aguentei. Saquei de minha maquineta e registrei o momento mais do que belo. Dulce é tudo de bom, uma entrega total e absoluta em tudo o que faz. Nem preciso dizer que gostei demais dessa jovem senhora soltando o gogó e já estou me candidatando para a empresariar em algumas de suas próximas apresentações musicais cidade afora. Já penso numa noite de gala noTemploBar Bauru. Que acha Fernando? Vamos lotar sua casa tudo para paparicar a Dulce. Pode ir ensaiando desde já cara cantora. Quem vai comigo nessa? Cliquem a seguir para assistir: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/1073953689301306/?pnref=story”.

- Em 02.09.2019 publiquei: “VIDA SEVERINA BAILANDO POR BAURU OU COMO ESSE PESSOAL DO FIM DO MUNDO AINDA CONSEGUE LEVAR AO PALCO ALGO COM TAMANHA ENVERGADURA - Enquanto o país quase inteiro caminha para um estado de profunda DEMÊNCIA, alguns poucos resistem e insistem em continuar dando murros em ponta de faca, produzindo, sendo, fazendo e acontecendo de uma forma mais que ousada. Justamente nesse momento onde os sinais de debilidade se avolumam pelo país, justamente aqui na aldeia bauruense, nas noites de sábado e domingo, algo para provar que, nem tudo está definitivamente perdido, pois cabeças pensantes continuam pulsando pela aí e vez ou outra, mesmo contra todas as adversidades mostram a que vieram. É o caso da Cia Estável de Dança de Bauru, comandada pelo competente Sivaldo Camargo, bailarino com décadas de reconhecidos trabalhos, desses que, quando todos se acomodam, preferindo se esconder, tentar passar incólumes, desapercebidos, ele vai atrás e acaba de colocar mais um produto com a cara de sua Cia na praça, desta feita a difícil e ousada encenação do poema de João Cabral de Mello Neto, “Morte e Vida Severina”. (...)Antes do início do espetáculo no palco, a atriz Dulce Lagrecaca foi convidada a declamar o poema e, mais uma vez, a plateia em êxtase. Eis a poesia: “Siva e Ari que amam João que amava a dança/ a dança que critica a morte/ pelas facas do sol lambida/ e a dança de Sevilha/ riscada em fósforo virgem:/ pois se uma é nordestina/ de magreza lixada por lima,/ o mar da outra é enigma/ que o Capibaribe adivinha;/ uma se faz das palavras/ que secam mal se as pronunciam,/ enquanto as dançarinas da outra/ pode “incendiar-se sozinha”./ Mas aqui nesse espetáculo/ que ora ser lhes apresenta,/ Sivaldo e Ari trazem o João/ que com a morte não se contenta;/ com a morte que cozinha com a morte/ pelos vazios da barriga,/ pelos vazios mais ocos/ que são vazios às escondidas,/ o sol o sol o sol/ CAR/ ou a morte às claras por bala/ se a fome não faz o serviço/ e a morte que se vai vivendo/ do homem na modalidade bicho:/ bicho que mal começa finda,/ bicho que reza e acredita/ e que em bicho se divide/ por ser mais bicho ainda./ o sol o sol o sol o sol/ CAR/ Tudo isso em João é denúncia/ dos exploradores da vida/ que faz Severinos dos muitos/ para que poucos prossigam./ o sol o sol o sol o sol/ CARCARÁ/ Siva e Ari que amama João que amava os Severinos/ todos em diapasão nordestino lhe trazem, assim reunidos/ um desassossego rude, um repente intestino/ para que dúvidas não pairem/ do que não pode ser vivido”.

- Em 04.09.2019 publiquei: “A SENSIBILIDADE DAS FOTOS RECEBIDAS DE TRÊS AMIGOS (AS) - Recebo fotos de três distintos amigos (as) ontem e todas muito me emocionam. A sensibilidade de cada um está presente em cada uma delas e muito bem expressada ao me enviarem, cientes do destino que dou a elas. Misturei todas, ou melhor, embaralhei como num jogo de cartas, mas a sequência é feita para tocar fundo, mesmo fora da ordem (e qual seria a ordem?). A professora Loriza Lacerda de Almeida fotografou o espetáculo Morte e Vida Severina no Teatro Municipal e dentre os registros, todos muito bons, essas me tocaram mais fundo, talvez por gostar demais da personagem ali retratada, a dama do teatro Dulce Lagreca, quando declamou antes do espetáculo”.
Tem mais, mas fico por aqui e o publicado é só para apimentar, manter a curiosidade em alta e outras revelações só mesmo assistindo pela minha página no facebook, domingo, 04/10, a partir das 10h. Conto com tudo, todas e todos. Ela é arrebatadora e quem comparecer não vai se arrepender...

Eis o link para assistir o Bate papo de 1h08 por inteiro: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3892888220741158

COMENTÁRIO DEPOIS DE TUDO: Dulce foi maravilhosa o tempo todo, arrebatadora, como escrevi acima. Apaixonante, pessoa sensível, cheia de charme e de bem com a vida, sabendo se desviar dos percalços. Ela já havia me dito não gostar de se meter em temas políticos. Evitei a saia justa e só em um momento toquei em algo resvalando no tema. Foi quando lhe perguntei de Bauru, se com essa vivência de 77 anos não achava a cidade conservadora. Ela confirmou, disse enxergar Bauru desta forma, pouco acolhedora, mas por outro lado amar demais a cidade, não conseguindo viver em outro lugar. Olhou para o passado e disse antes as relações políticas eram mais quentes, resolvidas mais no braço, muitas promessas de pegar fogo e hoje, tudo mais ameno, brando, sem o fervo de antes. No mais falamos de sua vida, classe média, professora de escola pública uma vida inteira, casada com médico psiquiatra, ambos com a vertente musical acentuada, também boêmia, rendendo boas histórias. E o teatro, iniciado após o falecimento do marido, já na terceira Idade, o que a sustenta e a mantém alegre, jovial e com uma fisionomia de evidente disposição. Vale a pena assistir o bate papo. Adorei conversar com ela. 

adeus
BRECHA, O DA MELHOR PANCETA DE BAURU SE FOI
Seu bar continua, pois já tinha passado a bola para os filhos. Brecha estava cansado e ficava mais em casa nos últimos tempos. O Bar do Brecha, ali atrás do posto na Rodrigues Alves, bem atrás do Cemitério da Saudade ficou fechado por uns tempos, por causa da pandemia, mas já voltou e serve a panceta conforme o freguês a requer. Eu adoro ir lá e devorá-la num prato feito, o famoso PF, de dois tamanhos, um pequeno e outro maior, com mais sustância. E o prato principal da casa é a porção de panceta que o Brecha trazia lá de Tibiriçá, preparava ao seu modo e jeito, sendo degustada por todos com o maior deleite. Até minha Ana, carioca da gema e se vangloriando não comer carne de porco, se vergou provou e não parou. Comia sempre e também indicava. Muitos amigos de fora, foram todos levados para lá a desfrutar do acepipe. Nenhum reclamou e na maioria das vezes, o Brecha estando lá, ele vinha até a mesa e contava histórias, detalhes de como desfraldava o embutido do porco, sem contar o segredo principal, o que fazia para ser servido de forma diferenciada. O segredo não foi com ele, pois o filho, hoje no comando, seguirá daqui por diante com a mesma sapiência do velho mestre. Brecha deu não só nome ao bar, mas fez muito mais, pois levantou um bar, movimentadíssimo perto de campo santo, onde dizem, não é lugar bom pra se montar negócio de comida.
Seu botequim conseguiu superar isso e isso já é coisa do passado, décadas atrás. Hoje, a triste notícia, o Brecha se foi e por essa tal de Covid, não perdoando ninguém. Entristece e aqui fico na minha reclusão relembrando todas as vezes que lá estivemos. A última foi logo depois do Carnaval, quando eu e Ana juntamos lá a Dulce e a Ivone Baté, Sivaldo Camargo e desfiamos a roseira dos porquês o Tibiriçá não foi campeã no Carnaval deste ano. Bebemos um bocado e como sempre, ali sempre ninguém se perde na conta de quantas desceram gogó abaixo, pois é levado para o pé de uma das mesas uma caixa de cerveja vazia e a cada que vai sendo consumida ela desce para a caixa. Ao final, contamos todas, juntamos ao que comemos e tudo é acertado sem maiores percalços. Vou voltar várias vezes ao Brecha, mas nada será como antes, pois daqui para frente não mais será possível ouvir suas histórias, creio que da primeira vez que lá aportei, a dos tempos quando foi jogador de bola, e pelo tamanho não tão avantajado, se enfiava pelas brechas para passar pelos adversários, até por debaixo das pernas do grandalhão diante de si. Se foi hoje um grande sujeito e assim Bauru vai ficando bocadinho mais triste. Abaixo um texto que escrevi dele quase dez anos atrás.

Em 24/02/2011 escrevi dele no blog Mafuá do HPA:

“BRECHA, O VOLANTE QUE VIROU REI DA PANCETA - Afonso Ferreira da Silva, 62 anos é o popular Brecha, comandante em chefe do Bar do Brecha, uma das coqueluches entre os bares bauruenses. O apelido Brecha foi conquistado ainda nos tempos em que era centro-médio, o popular volante, atuando nos times do Matsubara e da Desportiva, um já extinto time de Santa Cruz do Rio Pardo. Quando o futebol foi deixado meio que de lado, em 1973 foi trabalhar no restaurante Reghine, de onde saiu com a idéia fixa de possuir seu próprio negócio. Montou o bar em 1989 já com o famoso nome no antigo Posto Continental, na sua parte frontal, defronte o Cemitério da Saudade. Junto da esposa, Elizabeth, que hoje é também chamada de dona Beth e até de dona Brecha, seguindo uma receita aprendida dos tempos de morador rural em Espírito Santo do Turvo, onde nasceu, sempre soube como ninguém destrinchar as partes internas de um porco. Seu sucesso começou daí e ganhou fama. Com a reforma do posto, criou coragem e ampliou seu negócio, reformando a área na sua parte de trás e lá, junto de um cunhado, esposa e dos filhos deste, conduzem o estabelecimento que ficou famoso pela panceta mais divinal da cidade, além de outras especialidades, como a porpeta, um bolinho de carne recheado de queijo. Simpático, cumpridor absoluto e irredutível do horário de funcionamento, que faz questão de manter exposto em letras garrafais na parede, abre e fecha religiosamente sempre dentro do determinado, isso já por quatro anos.
Tudo ali é feito com esmero, como os vários molhos, um para tempero da carne, outro batido para ser levado a mesa e outro mais ardido. Hoje, o frigorífico está entregando as peças de panceta personalizadas, com carimbo pessoal e a forma de preparar, diz ele, é a mesma dos tempos de roça: "Matava porco, não tinha geladeira e a barrigada fazia para comer com a família. A receita tirei daí e a forma de preparar é meu diferencial". Brecha, diz que o apelido veio dos tempos de boleiro, pois fuçador, procurava as brechas para fazer seus golzinhos e assim como lá, no quesito comercial, encontrou a sua se firmando de forma vigorosa. Brecha virou point”.

OBS.: As fotos do Brecha são todas minhas e tiradas em 2011.

sábado, 3 de outubro de 2020

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (131)


"O LIVREIRO", DO REGINALDO ABRE HOJE SUAS PORTAS
O professor Reginaldo Furtado demonstra coragem e arrojo em mais uma de suas iniciativas. O cara é professor, ofício de uma vida inteira e junto dela, amealhou ao longo de mais de 40 anos de profissão uma gana de livros, lotando espaços possíveis e impossíveis dentro de sua casa. O tempo foi passando, ele pegou também outros gostos na vida, um deles o de se perder pelo mundo, ele e sua motocicleta, tudo ampliado depois da dor do passamento de sua esposa, o que, certamente, aumentou em muito a solidão dele dentro de quatro paredes. Sempre teve outras fugas, uma delas a poesia, pois exímio escrevinhador, se mete em fraseados dos mais construtivos e daí dá prosseguimento para sua vida.

Chega num momento de sua vida, pandemia que não acaba mais, aquilo tudo dentro de casa e ele mesmo querendo dar sentido diferente para o que lhe resta de existência, junta também algo de uma necessidade, que todos temos nos dias de hoje, de amealhar algum a mais, bate o estalo: "Vou abrir um sebo". A ideia não foi só ganhar algum com a coisa, mas reencontrar pessoas, bater papos, propiciar novas amizades e fazer circular aquilo tudo que tinha só para si e agora vai ganhar o mundo.

A partir de hoje, 10h, o sebo O LIVREIRO, localizado no coração da cidade, rua Saint Martin 15-07 estará abrindo suas portas e sempre, das 10 às 15h - pelo menos agora, nesse período de sérias restrições andativas -, atenderá ao público interessado nas belezuras ali expostas em suas estantes. Reginaldo não mora ali, mas diz ser ali casa de uma amiga e como ela tinha espaço físico considerável na garagem de frente de sua casa, depois de longas conversas, veio a consumação do que estará se materializando neste auspicioso dia. 

A abertura de mais um ponto comercial para circulação de livros deve sempre ser comemorado, não mais com fogos de artifício, mas com toda pompa e se possível estendendo um tapete vermelho, não para os visitantes, mas para quem ainda é possuidor da coragem de enfrentando todos os dragões dos moinhos aí nos obstruindo o caminho, fazê-lo da mesma forma e mostrando ser possível algo nos moldes do que vem pela nossa cabeça. Reginaldo sempre foi bom de conversa, proseador desses que mais gosta de ouvir do que falar. Essa qualidade já um sinal de sua evolução. Fala menos e ouve mais, mas quando emite o que lhe vai pela cachola, um posicionamento firme e contundente. Todos sabem muito bem o lado onde se encontra, o que defende e quais suas lutas. Se as alardeia pouco, com pouco tempo de conversa o sujeito já sabe muito bem quais seus ideias e propósitos.

Um audaz cidadão, que hoje, além de ganhar o mundo, rodando pela aí com o vento na cara, estará a partir de hoje em outra frente de batalha e convencimento, a de falar de livros, leitura e temas no entorno. Todos hoje estamos mais do que necessitados de lugares assim, onde além de fazer algo pelo qual gostamos, encontramos alguém à altura, com cabedal para tanto, iniciando um diálogo dos mais proveitosos e duradouros. Quem conversa com Reginaldo sabe do que escrevo, pois começando uma conversa hoje, interrompida pelos motivos do curto encontro, já pensa em como irá fazer para tê-lo frente a frente novamente. Com O LIVREIRO aberto não se façam mais de rogados e vamos todos pra lá, ver o que ele tinha de bom escondido dentro de sua casa e colocar as conversas em dia.

Sim, no meio disso tudo, essa coisa aí fora que não cede, pandemia ainda muito presente e atuante. Reginaldo não conseguiu esperar mais e estará atendendo dentro de todas as normas recomendáveis e seguidas por ele, do distanciamento e procedimentos adequados para este momento. O auspicioso fato é que, a partir de hoje, uma nova livraria estará aberta na cidade e com ela, aquela coisa imantada, magnética nos chamando para lá adentrarmos e dar início numa viagem de sonhos. Fiquei mais do que contente com a belezura da proposta do amigo Reginaldo, remando contra a maré, inclusive dos que dizem que investimento em livros hoje é coisa do passado, algo onde o lucro não é dos mais edificantes. Um negócio como este, todos sabemos, não tem em si somente isso de lucrar e muito menos enricar, mas tem muito mais de tocar a vida fazendo o que se gosta, ir tocando-a para frente com altivez, sapiência e envolvido. Ah, o que seria da gente sem os envolvimentos!

O lugar que eu mais reencontrava o Reginaldo era nas manhãs de domingo, todas elas, lá na Banca do Carioca, o livreiro da feira do Rolo, quando nunca de lá saia sem carregar batelada de livros. Ele, assim como eu e outros tantos, íamos lá - voltaremos em breve -, em busca das raridades que Carioca sempre conseguia garimpar e diante da aproximação de cada cliente, já levantava os braços e o recebia sempre com um: "Não imagina o que trouxe e reservei para ti. É a tua cara". E no momento seguinte nos colocava nas mãos, algo que ele, ciente de que por ali passaríamos, obras identificadas como tendo a nossa cara, jeito e maneira. Reginaldo teve sempre algo o esperando e voltava todo domingo. Juntou tanto, pegou tanto gosto pela coisa, chegando ao ápice de montar seu próprio sebo, onde a partir de hoje vai dar vazão a todo aprendizado livresco de quatro décadas. Um encanto arrebatador.

Parabéns, Reginaldo Furtado. Que tudo dê muito certo e desde já, seu sebo é mais um dos lugares onde indico de olhos fechados como parte do oásis ainda existente em Bauru, desses cantinhos onde diante de tudo o que vemos acontecendo aí fora, pode ser um reduto de acontecimentos inexplicáveis. Vida longa aO LIVREIRO.

BAURU ATINGE OS 200 MORTOS POR COVID
Mais um número redondo, cifra alta para uma cidade como Bauru, perto dos 400 mil habitantes, polo regional e com um único lugar para atendimento regional de pacientes, o Hospital Estadual. Por mais que falem e citem a existência de outros, inclusive particulares, o bicho literalmente pega é no HE, local não só de maior afluência como de circulação e atendimento especializado, principalmente o público, feito de forma gratuita. 

Ontem sexta, Bauru atinge 201 mortos, 184 novos casos só num dia, totalizando agora 11.765 confirmações. Importante sempre sinalizar o número de curados, agora são 8.618 pessoas. Mais que isso, algo não divulgado, mas com a análise das cifras divulgadas já dá para se ter uma ideia de como deve se dar o atendimento nos hospitais. Isso sim é o que mais deve preocupar, pois Bauru está diante da não existência de vagas disponíveis para abarcar o ainda crescente número de pessoas com necessidade de internação. Temos equipes na cidade competentes para atender, mas teremos também equipamentos suficientes para atender a demanda e leitos disponíveis, pessoal qualificado também disponível para estar ao lado de forma adequada dos enfermos?

201 pode parecer pouco para alguns, mas o que vale mesmo é olhar para a situação atual de atendimento, esse no seu limite. Difícil de acreditar que, num momento onde existe uma baixa evidente do número de infectados no país, na nossa região, algo na contramão, pois o HE se mantém no limite, lotado até as tampas e a demonstrar situação mais que preocupante, ou seja, algo está ocorrendo na cidade e no seu entorno não permitindo que caia o número de pessoas infectadas. Seria o desleixo da população e autoridades? Seria a ação da reabertura e suas consequências? 

Algo está voltando a preocupar na Europa, com o fechamento de cidades e países. Já sabemos, tudo o que ocorre lá hoje, passado um tempinho, ocorre por aqui também e se lá existe mais cuidado e afinco, principalmente de autoridades sanitárias, como aqui no Brasil impera o desleixo, a possibilidade de agravamento é muito mais evidente. Estejamos todos mais do que atentos, pois nas últimas duas semanas Bauru registrou 31 novas mortes, ou seja, o vírus continua mais do que ativo entre nós, mesmo que a cidade tenha assumido ares de normalidade. Circular por suas ruas e locais é constatar volta para uma normalidade que não deveria ainda existir. Os números confirmam isso, mas existe uma força contrária muito mais forte do que a ação preventiva e necessária. Daí, estabelece-se o clima de "salve-se quem puder" e "deus dará". Assim prosseguimos...

UM LUXO SÓ
O próprio candidato a vereador, combativo e de luta, Claudio Lago, nº 13.000, esteve aqui em casa ontem adesivando meu carro, já instrumento de sua campanha. Impossibilitado de ajudá-lo com contatos externos, farei o que posso aqui dentro de casa, espalhando a ideia de termos um garantido mandato de resistência e no atendimento dos interesses da classe trabalhadora, junto do Núcleo de Base DNA Petista. Com muito trabalho e dedicação, chegaremos lá e assim, a real possibilidade de dar cara nova e novo direcionamento para Câmara de Vereadores de Bauru. Eu não só acredito, como sei ser possível e por causa disto, voto em quem sei não irá me decepcionar e sim, irá me representar dignamente e lutará por uma cidade realmente diferente. Não basta somente querer, temos também que nos envolver e mostrar quem seriam esses a dar a cara nova que essa cidade tanto clama. A campanha já está nas ruas e com ela, toda vez que agora por aí circular, levarei comigo CLAUDIO LAGO junto a mim. Nesse eu aposto minhas fichas.

Dentre o número de candidatos se apresentando na eleição tenho muitos amigos e amigas. Muitos pelos quais poderia também dar meu voto. Infelizmente, a escolha se dá somente com um nome e temos que fazer a escolha, ser claros e transparentes. Tenho admiração por muitos, dentro e fora da sigla onde milito, o PT, mas encontrei em Claudio Lago a reunião de tudo o que antevejo a Câmara necessita para continuar, ou melhor, voltar a ser uma local de discussão ampliada e salutar dos problemas desta cidade. Claudio sabe muito bem que estará lá se eleitro, não para fazer conchavos e negócios e sim, para fiscalizar e possibilitar uma cidade mais justa, pois dará voz para uma gana de bauruenses que hoje não encontram um vereador onde consigam se ver representados. Muitos outros farão um bem danado conseguindo lá chegar e arejar nossa edilidade, com outro caminho e propositura. Aposto nisso, escreverei muito sobre essas possibilidades nos próximos dias, pois somente transformaremos nossa aldeia em algo mais palatável, quando conseguirmos ter lá gente que pensa e age como a gente, mais que isso, que quando lá não se desvie e lute pelos tantos não lá representados, os interesses da maioria da população. Quantos o fazem hoje? Quantos poderão fazer amanhã? Nós decidiremos com nosso voto, daí não posso desperdiçá-lo, dando-o para pessoa reconhecidamente de luta, um que não esmorece, tem folha corrida a comprovar pelo que já fez, algo salutar dentro das necessidades desta cidade. Daí, cravo antecipadamente CLAUDIO LAGO como vereador, PT na cabeça, nº 13.000 na hora do voto.

DOIS LINKS

2 – Manu, Manu da felicidade - Cantora de Bauru participa de clipe da música “Adeus Pantanal” ao lado de artistas, Social Bauru: https://www.socialbauru.com.br/2020/09/30/cantora-de-bauru-participa-de-clipe-da-musica-adeus-pantanal-ao-lado-de-artistas-consagrados/?fbclid=IwAR1z90QjPGRPU98HoMHOHGVZ6zjpd5ZitQCesauZ6IeTRmVC8WqiyqUOIkU

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

ALGO DA INTERNET (169)


A PALIATIVA SOLUÇÃO DA AMIGA DE BOTUCATU
Paula Freire é professora, ativa e sempre esteve nas ruas e nas lutas em sua terra natal, Botucatu e até já baixou aqui por Bauru tempos atrás, em manifestações variadas, como as do Lula Livre e protestando contra esse fascismo querendo vingar neste país. É de luta, resistência e deve estar, assim como este mafuento, depois de quase sete meses de reclusão, louca para ir pras ruas, onde tentaremos ao nosso modo e jeito virar essa mesa e devolver um pouco da normalidade perdida. Quantos não estão assim, roendo mais que as unhas e prontos para tudo, mas ainda no recesso impositivo de uma quarentena que já se estende por muito mais tempo do que imaginávamos. E desde então, todas nossas ações se deram daqui de dentro de nossas casas, protesto e ação dentro do que podemos fazer, quase tudo pela via internética, redes sociais. Ela e eu, outros tantos,não esmorecemos e assim seguimos, até quando as portas se abrirem, daí a busca por novos horizontes e possibilidades. O momento talvez ainda não tenha chegado, pois hoje, pelo que se lê, morre até mais gente que antes, mais gente hospitalizada e uma turba tratando tudo como se já estivessemos na normalidade. Daí, a gente, grupo de risco, nos posicionamos daqui de dentro, cada qual no seu bunker pessoal e em cada novo acontecimento, uma nova forma, a demonstração de nossa rejeição, repúdio, escárnio acontece pela escrita e imagens que postamos. Hoje, ao ver uma dela, no primeiro momento ri, depois, baixando a poeira, algo me fez sentar e batucar essas linhas pra ela e tudo o mais. O debate da campanha norte-americana foi o escárnio em pessoa, ápice do que pode advir da bestialidade humana, a total perda de respeito pelo próximo,tática usada pelos mais perversos - no caso do debate deles, os dois são muito perversos -, evidente que, um deles é muito pior que o outro, daí nada melhor do que nem querer vê-lo. A toalha sob a imagem do maléfico é o que nos resta fazer e continuar na lida, se posicionando, opinando, botando a cara para bater e enfrenteando algo da perversidade aqui pelas redes sociais. Gente como eu e a Paula, não esmorecemos, não entregamos os pontos, não cederemos, não iremos nunca concordar com algo feito e saído das sórdidas mentes de bolsonaristas e também trumpistas, doristas, guedistas... Eu já não ligo na rádio que só fala asneira, não vejo mais a TV que só defende o Senhor Inominável, deixei de ler o jornal onde o que impera são as opiniões de leitores do lado de lá e assim por diante. O que a gente faz é continuar unido, cada um no seu canto,todos tentando ao seu modo e jeito não deixar a peteca cair. Assim seguimos, sendo em alguns momentos irônicos, até para não enlouquecer e loucos para nos encontrarmos, nos bares da vida, nas tantas manifestações que no passado nos aproximaram e nos fez amigos. Eu sigo em frente, cada vez mais plugado em gente como Paula Freire, ela comigo, eu com ela e assim mantemos a chama acesa, flamejante, pulsante e impulsionante. O que quero mesmo neste momento é ir pras ruas, se juntar a outros tantos e fazer de tudo e mais um pouco para reverter a bosta onde enfiaram este país. Jogar a toalha nunca, mas cobrir a face do adversário e inimigo sim. Eles não vencerão, pois não deixaremos. Segue o jogo...

ESCREVER OU NÃO PARA O JC, SOLICITANDO PUBLICAÇÃO
Quase escrevo carta para o jornal, o único que temos. Pensei melhor e resolvi me conter e não fazê-lo. Já fui muito mais frequente em participações na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade, hoje cada vez menos. Sinto que lá não é minha praia. O jornal antes me contagiava mais. Hoje, não só ele, mas muitos lugares, pessoas e leituras me entediam. Por que devo responder a cartas que representam hoje o pensamento da maioria dos seus ainda leitores? Foi o que me fez não escrever. Dias atrás, mais precisamente no último domingo um tal de Benone desdiz da verdade, faz arrazoado de pensamentos desconexos, a maioria demonstrando não conhecer nada de fato, mas querer escrever de tudo, enfim, o que vale é emitir sua opinião e a impor, nem que seja a forceps. Houve uma resposta divinal, desancando o dito cujo, mas depois dela,mais dois o fizeram e para elogiar o proscrito pelo tal Benone. Até sentei no computador, pronto para responder, enfim, queria provocá-los, mas pensei melhor, recuei. O jornal, creio eu, ainda me abre espaço para escrevinhar o que penso, mas andei atacando o prócer, seu criador em textos desdizendo do que fez quando mais jovem, a perversidade de uma tal "Turma da Garagem" e, nem sei, se ainda me publicam depois de ter ultrapassado os tais limites, esses que a gente sabe existirem e quando ultrapassados, daí por diante, o rompimento. Eu continuo a ler o JC, aliás é único, último dos moicanos, gosto de ler jornal e este o último também que continuo lendo no formato que mais apreceio, o papel, sentindo o cheiro, virando as páginas. Não concordo com a linha editorial, mas a entendo, aliás, seguem a mesma desde a criação. defendem algo,ideal de classe e nem é por causa disto que não escrevi, tréplica da réplica, mas também por achar que não vale a pena insistir em bater com o martelo em superfície dura, impenetrável, como a mente da maioria dos leitores do jornal. Lendo Clarice Lispector ao acordar, "quando não escrevo, estou morto", o faço por aqui, não servindo como justificativa por não ter comprado mais uma briga, mas por já ter desistido de fazê-lo junto a quem também desisti de querer alterar a linha de ação e conduta. Certa feita, Almir Ribeiro, disse a mim que, insistia em comentar alguns dos meus posts, pois sentia que podia pensar diferente, até alterar minha linha de pensamento e só o fazia por causa disto, já tendo desistido de fazê-lo com quem sabe não mudará mais. Nunca mais esqueci.Usei do mesmo mantra para me segurar e não perder tempo com a imensa maioria dos ainda leitores do JC. Mas continuarei escrevendo e enviando cartas lá, enfim, algumas devem servir para alguma coisa e talvez até revejam o que pressinto tenha sido a decisão de abolir qualquer vestígio deste HPA por lá. Mesmo com tudo o que escrevi, nossa relação é de anos, diria mesmo, décadas.


ANTES QUE ME QUESTIONEM A RESPEITO, AQUI RESPONDO
Sim, eu tomei conhecimento de coligações do partido onde milito, o PT com partidos distos e vistos como golpistas. Elas existem e não existe como negar. O partido fechou questão de não concordar com coligação com partido que tenha apoiado o golpe de 2016. Ponto. Existe um consenso permitindo algo nesse sentido em cidades com menos de 10 mil habitantes, onde a ideologia não é levada tão em consideração. De minha parte afirmo: não gosto disso e creio, deveria valer para todas as cidades. Por mim digo, reafirmo e repito: não atuaria em nenhuma campanha com acordos espúrios e coligações dessa natureza. Seria, no meu caso, irreconciliáveis, sem possibilidade de diálogo. Aqui em Bauru, na composição da reestruturação proposta pela nova direção do partido na cidade, tenho certeza, algo nesse sentido não seria aprovado e possível. Daí,continuo em campanha por uma Prefeitura realmente diferente, ousada e libertária para Bauru e dando todo meu apoio para um candidato a vereador pelo qual tenho a absoluta certeza, será um bravo guerreiro, comprovadamente de luta, Claudio Lago, representando o coletivo de onde milito, o Núcleo de Base DNA Petista. Já me perguntaram que o argumento que uso não vale, pois aqui na cidade nos coligamos com o partido Rede, capitaneado pela candidata a vice na coligação petista, Maria Flor e que esteve alinhado com os golpistas. Sim, estiveram e talvez ainda estejam, mas assim como o PT e PSOL, a Rede também abriga dentro de suas fileiras, núcleos diversos, posições conflitantes e divergentes e o representado pela Maria Flor é progressista e, tenho certeza, não se alinhou aos golpistas. Ela própria pode explicar isso muito bem.Se existem erros em vários lugares, aqui no lugar onde milito, estamos alinhados com os ideais petistas de antanho, os mesmos de sua criação e fortalecimento. Milito aqui por pensar daquela forma e aqui encontrar espaço para fazê-lo, sem constrangimento e problemas. Dentro de tudo o que existe hoje dentro do possibilitado e permitido pela legislação eleitoral, o PT segue altaneiro e sempre vanguarda de luta, enfrentamento ao avanço do conservadorismo. Assim sigo.
Eis um link sobre o assunto: https://www.esquerdadiario.com.br/Alianca-com-golpistas-e...

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (93)


"A ARTE DE FURTAR" - O CASO DE AGUDOS, QUE PODERIA TAMBÉM SER O DA COHAB, AHB...
A máfia sendo desbaratada e atuando dentro da Câmara de Vereadores da vizinha Agudos não surpreende. Denúncias existiam de algo mais do que estranho. Quando cassaram o atual prefeito, algo depois desfeito pela inconsistência do realizado, aquilo já era prenúncio de algo mais do que estranho, um conluio onde quem se posicionava contrário aos interesses em curso era não só desqualificado, mas destituido. A pouca vergonha estava institucionalizada e tomava conta de tudo. A cidade inteira sabia o que acontecia, até denunciava, mas não encontrava força suficiente para modificar o estado das coisas. Muita gente poderosa sempre esteve por detrás e até comandando o que estava em curso. Hoje, quando ocorre o estouro da boiada, tudo começa a aparecer, a sujeira jogada pra debaixo do tapete desponta e todos ficam sabendo de detalhes escabrosos. No JC de ontem: "...o foco seria descobrir se esta entidade interferiu nos processos de cassação, conduzidos pela Câmara Municipal, bem como saber os motivos que levaram o prefeito ao rompimento do contrato. (...) A hipótese considerada é que os dois processos de cassação tenham sido desencadeados após o chefe do Executivo agudense rescindir, em junho de 2019, o contrato como uma Organização Social (OS) que administrava uma Unidade de Saúde do município". 

Vereadores, pagos pelo município para investigar e estar atentos ao que faz o Executivo, quando agem ao contrário, constituem por si só uma Máfia, uma organização criminosa e lesam o erário público da forma mais vil possível. Evidente que, para tudo chegar nas cassações ocorridas não contou com a participação somente dos dois vereadores até agora citados. Quantos mais faziam parte do conluio criminoso e corrupto? A cidade quer saber, até porque muitos concorrem novamente à reeleição. Impossível não associar o que se vê ocorrendo neste momento em Agudos com "A Arte de Furtar", (Fritz Utzeri, Jornal do Brasil, 30/11/2000):

Peça rápida em um ato.
Cenário: redação de jornal.
Editor acaba de saber da prisão de um banqueiro, acusado de dar um golpe em correntistas e procura palavra para a manchete.
"Que tal roubo?", pergunta o editor.
"É perigoso", responde o redator. "Além disso, roubo implica violência".
"Duvido", diz o editor, pega o Aurélio e lê: "Roubar." A primeira definição é com violência, mas lá vem. "Furtar, subtrair coisa alheia", e tem mais, "apropriar-se fradulentamente de; subtrair."
"Taqui, ó!", grita o editor em triunfo e roubo vai para a manchete.
Logo estabelece-se a dúvida na cabeça do editor e um advogado é consultado a respeito. Vai logo afirmando que "tecnicamente não é bem assim, não é roubo".
Editor: "Ah é? E como chamar isso?"
Advogado: "Apropriação... talvez... É preciso ver os detalhes técnicos."
Editor: "E quem se apropria é o queê? Não é ladrão?"
Advogado: "Não é bem assim..."
Editor: "Quem subtrai uma laranja numa feira, está fazendo o quê?"
Advogado (rápido): "Furtando."
Editor: "E quem furta é o quê?"
Advogado (rápido): "Ladrão!"
Editor: "E quem some com a dinheirama deste caso, de um monte de gente pobre é o quê?"
Advogado: "Bom... depende... tecnicamente..."
(pano rápido)

A CÂMARA DE VEREADORES DE AGUDOS ENVERGONHA NÃO SÓ AQUELA CIDADE, MAS TUDO À SUA VOLTA
O que veio á tona comprova algo de muito sujo, sendo ali praticado e não é de hoje, agora escancarado e a cada dia, com o desenrolar das apurações, cai a fachada que alguns insistiam em manter. Agudos está degenerada e necessitando de intervenção, mas não sua Prefeitura Municipal e sim, sua Câmara de Vereadores. Eis o link: https://www.facebook.com/ze.majewski.7/posts/1575294295997350 

COISAS QUE NÃO ME ENTRAM NA CABEÇA - O QUE PODE E O QUE NÃO PODE SER DIVULGADO PELA IMPRENSA MASSIVA
Acontece todo santo dia, mas não consigo entender e se alguém o conseguir, que o faça, pois as coisas não batem aqui no fechamento da minha cachola. Leio jornais, vejo TV e ouço rádios e em todos estes meios de comunicação massivos algo como um escamoteamento das informações, saindo truncadas e para favorecer alguém. Impossível pensar diferente. Pensem comigo. Uma farmácia de manipulação do centro de Bauru é autuada por produzir fórmulas se utilizando do nome de médico. Denunciada por este, a polícia entra em ação, investiga e ontem escancara o negócio, prende o proprietário do estabelecimento e o farmacêtico responsável. Maravilha, tudo dentro dos conformes. Mas, cadê o nome dos tais presos e o da farmácia? Os que lesaram os códigos de ética e normalidade funcional e o fizeram para uferir lucros desmedidos. A justificativa de toda a imprensa é que os nomes não foram divulgados pela polícia, daí não foram informados. Sou de um tempo que, jornalista não esperava a notícia cair no seu colo e quando vinha truncada, faltando exatamente a parte mais saborosa, ele ia atrás, investigava e tudo saia no dia seguinte em manchete. Hoje, pelo visto, não mais. Se ela não chega completa, vai ao ar pela metade mesmo. De que vale algo truncado dessa forma? Pra mim, denigre o jornalismo e o órgão que divulga pela metade.

Esse caso acima pode ser considerado o Caso 1. Teve também o Caso 2, mais ou menos ocorrendo da mesma forma e jeito. Quase no mesmo dia uma Operação da Polícia Federal cumpre buscas em empresas de Bauru, postos de combustível, na desarticulação de braço financeiro que há mais de dez anos (informações da imprensa) atuavam em conluio com facção criminosa paulista. Li, ouvi e vi tudo o que pude e não ouvi a menção do nome da tal facção criminosa, apesar de até as pedras do reino mineral saber qual se trata e não citam em nenhum momento o nome ou localização dos tais postos de combustível. Ou seja, matéria truncada, pela metade, faltando o principal.
Teve também o Caso 3, esse a envolver o mundo da política e de outros interesses em questão. Foi no caso da prisão do vereador de Agudos e seu irmão de Paulistânia. Em tudo o que li, vi e ouvi a clara alusão de que não agiram sózinhos, pois seria mesmo impossível fazer tudo o que fizeram, só um isolado vereador. Esse nome saiu, mas nada mais. Ontem num vídeo, não divulgado pela mídia, um bate boca entre vereadores, acusações gravíssimas, que se fosse algo a envolver a oposição, para ser mais claro, alguém do PT, estariam todos com seus nomes na lama. Existe reservas na divulgação de alguns nomes. Não chamo isso de zêlo, mas é que casos dessa natureza acontecem costumeiramente e não podem ser considerados casos isolados. Resvalando em alguém com algum poder local, inclusive com influência e até mesmo sendo também anunciante, ou fomentador de jabas, daí pouco e nada sairá.

Escrevo sobre essas três ocorrências, quase todas no mesmo espaço de tempo e em todas, algo muito parecido, diria, procedimentos idênticos. Mudou a imprensa ou mudou eu? Que isso sirva de uma boa discussão sobre esses procedimentos na esfera jornalística. Aguardo alguma repercussão...
                      Depois de ler tudo, eis dos motivos da importância de Mafalda...