segunda-feira, 12 de outubro de 2020

MEMÓRIA ORAL (260)


ELE REINOU NUMA ESQUINA DA CIDADE - SEU JOSÉ MARIA, O DOS FOLHETINHOS NA PRIMEIRO DE AGOSTO ESTÁ HOSPITALIZADO E SEUS PARENTES ME PEDEM PARA CONTAR PARTE DE SUA HISTÓRIA
Tudo começou desta forma e jeito: “Olá Henrique tudo bem? Você há uns anos atrás postou uma foto de um senhor que entregava panfletos no centro, sempre de chapeuzinho... você tem essa foto ainda? Ele é meu avô e está muito doente, queria ter essa foto, pois perdi ela no meu notebook que quebrou (...) Consegui pelo seu site! Obrigada”.

Tentando um novo contato comigo, Gabriela Nogueira se comunica pelo Facebook. A respondo assim: “É aquele senhor que ficava na esquina da Primeiro de Agosto com Gustavo? Entregava para uma dentista. É ele? Que chato saber que não está bem de saúde”. Ela responde: “Ele mesmo, está entubado no hospital”. Respondi: “Me lembra o nome dele completo. Vou localizar e te aviso. E me mantenha informado da saúde dele. Muitos, assim como eu, passávamos por lá e sempre rendia boas conversas”. Ela: “JOSÉ MARIA DE JESUS”.

Algo assim vai além da tristeza. Eu fui um registrador de fotos e histórias das ruas de Bauru e possuo aqui guardados registros de quase duas décadas, registros quase únicos de infinitos personagens marcantes da aldeia bauruense. A imagem dele é para mim muito marcante e com o nome fui pesquisar no blog Mafuá do HPA, encontrando este texto, publicado em 23.09.2015:

“AOS 87 ANOS JOSÉ MARIA DISTRIBUI “COMPRO OURO” POR SETE HORAS DIÁRIAS - Vejo esse senhor toda vez que vou ao centro bauruense. Sempre ali no mesmo lugar e distribuindo o mesmo folheto. Ele repete com todos o mesmo procedimento, estende a mão e oferece o papel. Eu, mesmo já sabendo do que se trata nunca recusei de pegar e fingir guarda-lo. Não me atreveria a jogar na lixeira e sob os olhos de um senhor tão idoso. A cena se repete e sempre me perguntei: “Quem será ele?”. Fui conhece-lo e do que ouvi, aprendi a admirá-lo mais e mais. Vejam se não tenho razão.
JOSÉ MARIA DE JESUS, 87 anos (01/01/1928), mora lá no Alto Paraíso, depois do Hospital Manoel de Abreu e de segunda a sábado, sai de sua casa às 8h e volta depois das 16h30. Permanece o dia quase todo, faça sol ou chuva ali defronte um bar no cruzamento das ruas Primeiro de Agosto com Gustavo Maciel, bem no centro da cidade. Em pé, só saindo dali para almoçar, ir ao banheiro ou beber água, distribui cartões com os dizeres “Compro Ouro”, ganhando por dia R$ 20 reais. São dez anos ali na lida, nove para o mesmo comprador de ouro. Seu José foi taxista por 28 anos, tendo começado a trabalhar na Zona do Meretrício e seu último ponto foi o do terminal rodoviário. Quando aposentou recebia um salário mais três quartos e hoje, me diz, recebe somente um salário mínimo, daí a necessidade de complementar sua renda. Almoça por ali mesmo, quase sempre no Tempero Manero, por R$ 5 reais e quando sente sede ou precisa ir ao banheiro, uma dentista ali do lado é seu ponto de apoio e referência. Com quatro filhos, oito netos e um casal de bisnetos, casado pela segunda vez, há quatro anos teve um enfarte, o que o obriga a tomar diariamente sete comprimidos. Questionado sobre o permanecer em pé ali durante tanto tempo foi direto: “Não tenho problema nenhum em permanecer em pé”. Muitos param e puxam conversa (“outro dia me levaram lá na cozinha do Banco do Brasil e até bolo comi”), outros pegam o folheto e o descartam no chão ou na lixeira defronte o banco, mas alguns guardam e pela constância e seriedade com que executa sua função, segue por ali o mais famoso distribuidor de folhetos do centro bauruense”.

Diante dele hoje doente, tentando se recuperar, resgato não só as fotos, como outros tantos que comigo comentaram dos registros feitos naquela oportunidade. A questiono para ver se me envia algo mais, para construir um texto em sua homenagem: “Gabriela fale mais do seu avô. Quero resgatar as fotos que tirei dele e republicar amanhã com esse algo a mais. Era tão saudável as conversas com ele lá na esquina do centro. Queria que me contasse mais do que fazia, onde morava, onde trabalhou, como era seu dia a dia. Pode ser até num áudio gravado. Vamos relembrar algo mais dele e assim dar força pra ele se reerguer...”. Ela me responde ainda no domingo: “Oii! Falei com minha mãe, e pedi para ela como filha gravar um áudio falando de como era ele como pai, mais novo até todo esse momento, ela disse que amanha vai mandar o áudio aí eu te encaminho pode ser?”. Respondi: “Faça sim, conte algo mais e me diga também como ele vai. Quando postarmos muita gente vai se lembrar dele e mentalizar positivo”. No final do domingo ainda me posta: “Estamos falando com meus tios também gravarem algo. Aí amanhã já mandamos tudo. Pq meu tio mais velho que lembra muita coisa, aí estamos esperando ele gravar até amanhã. E meu vô infelizmente se encontra na UTI, sedado...”.

Hoje, logo pela manhã me chegam vários áudios. No primeiro, a filha o descreve: “O pai é nascido em primeiro de janeiro de 1929. É o caçula de sete e quando nasceu o pai dele havia falecido e a mãe registrou só como Jesus. Todos os irmãos tem sobrenome Veloso, ali em Santo Antonio da Estiva, perto de Pirajuí. Todos o chamavam de Zé Veloso e só descobriram que, na verdade não tinha Veloso e sim Jesus quando ele foi casar. Mesmo assim, todos continuaram chamando ele pela forma antiga. Casou aos 27 anos e na época diziam que ele roubou a mãe. Tempos diferentes, ele pegou minha mãe, levou pra casa da mãe dele, conversaram com o avô e a levou pro altar. Gostava muito de jogar futebol, de dançar, de forró e tinha um cavaquinho. Lembro dele tocando chorando num canto do seu quarto, lembrando com saudade de sua mãe. Teve quatro filhos, trabalhou muito na região de Pirajuí, nas fazendas como administrador. Moramos em Iacanga, depois Bauru, onde foi motorista do Quaggio, de caminhão tanque e de táxi, também tivemos um bar. Morou no Redentor, jardim Carolina, antigo Fura Bucho, depois Geisel, jardim Olímpico, Mary Dota e por fim vila Industrial. Aposentou aos 65 anos e nunca parou de trabalhar. Trabalhou até aos 90 e só parou porque as pernas já não correspondiam. Era pessoa de só no olhar a gente já sabia que tinha que ficar quieto. Família humilde, nunca deixou faltar nada, teve oito netas, três bisnetas e agora final deste mês chega a quarta bisneta. Os filhos são (por ordem): 1 Ademir, 2 Hamilton, 3 Amarildo e 4 Arlete”.

Eu dou uma parada, respiro fundo e continuo transcrevendo o que ela me postou: “Agora depois de velho, quando começou a entregar os papeizinhos, ele já estava viúvo, havia sofrido um assalto com um táxi, onde bateram muito nele, até com pontapés na cabeça. Ele não queria parar, foi quando vi o anúncio no jornal. Ele foi, não parou mais e de um foi outros, trabalhava de segunda a sábado como se batesse cartão. Não gostava de feriado prolongado, pois gostava de estar na rua, vendo pessoas, conversando, se sentir útil. Com 80 anos, quando infartou foi a primeira vez que foi para um hospital. O médico pediu para ele ficar um mês em casa, ele ficou quinze. Quando ele teve que parar mesmo começou um processo de não aceitação. Debilitado começou aparecer outros problemas de saúde. Estudou pouco, escrevia mais ou menos, mas Matemática era o forte. Na época do bar, somava as cadernetas numa rapidez impressionante. Era de uma geração que não era de muita carícia, de colocar no colo, mas de muito respeito. O carinho da forma dele, eu por ser a única mulher era a ‘fia’. Sem abraços, sem afagos, sempre no canto dele, cuidando de todos a distância. Sempre preocupado com todos e hoje ele nessa situação, a gente pedindo a deus para que faça o melhor por ele. Já com 91 anos, dá pra falar que em 90 anos ele viveu bem, muito bem. Adorava o Clube da Vovó, eu levava e depois ia busca-lo. Voltava sempre alegre, me dizendo que havia dançado a noite inteira, camisa suada, todo feliz. Vaidoso, sempre de roupa social, camisa, calça, sapato, gostava de não demonstrar a idade que tinha. Vaidoso, mas sem luxo. Nunca usou um jeans, sempre do mesmo jeitinho, de bigode, a mesma aparência. Uma neta lhe perguntou como conseguia manter a aparência e ele lhe disse: ‘Como muita banana e alface’. Não sei o que vai ser agora, aguardando notícias, todo dia ansiosos, mas com a certeza de que a missão dada a ele foi muito bem cumprida”.

Num outro depoimento, um irmão conta: “Trabalhou muito tempo na serraria Brasil, depois foi também trabalhar na Ibitinguense, quando morou um ano em Iacanga. Na volta para Bauru trabalhou por três anos na ECCB. Depois trabalhou muito tempo também como taxista na zona do meretrício, onde o apelido dele era Zé do Boné. Sempre gostava de suar um bonezinho branco”. Ou seja, reuniram a família, pegaram depoimentos de vários deles, vozes intercaladas, tudo para tentar descrever quem foi de fato esse senhor que, a mim me despertou quando passava ali pela Primeiro de Agosto, ele sempre tão educado na entrega das propagandas, sem deixar nada cair no chão, um saquinho a tiracolo. Impossível passar batido, escrevi e publiquei aquele texto. Muitos vieram me contar outras histórias e também de paradas só para bater papo. Hoje, ao ouvir e transcrever os relatos a mim enviados, vejo que foi muito mais, fez muito, devia ter muita história para contar em todos os lugares por onde passou. Esse o encanto da vida, poder receber histórias como essa e ter o prazer de passar para a frente. Não deixar elas aqui mofando em minhas gavetas. Busco tempo para isso, a transcrição e leva-las adiante. Neste momento, entristecido pelo fato de sabe-lo enfermo e na torcida por dias melhores, quando ainda espero poder gravar suas histórias como taxista, chofer do Quaggio e mesmo as dos seus tempos ali na esquina do centro.


OUTRA COISA
FOTO A ME EMPAPAR DE SAUDADE - QUANDO VOLTAREI PRA RUAS?
O jornalista Aurélio e o advogado Marcos, companheiros de inesquecíveis e memoráveis jornadas etílicas, degustativas e com muita prosopopéia falatista, imaginativa e resolvitista, me fazem se retorcer aqui de onde me encontro, no reduto do lar, ainda aguardando dias melhores para poder voltar pras ruas. Eles já o fizeram, com os cuidados necessários, alguns descuidos também, mas não mais aguentando a reclusão botaram o bloco na rua e já estão fazendo e acontecendo pela aí. Eu ainda não consegui. Penso duas, três, quatro vezes e depois da quinta, já com a chave na mãos, penduro a dita cuja novamente aqui na parede e nem abro a porta. Não está sendo fácil para ninguém. Perdemos muitos conhecidos, colegas e baita amigos (as) nesses quase oito meses de reclusão e isso tudo eu coloco na balança quando fico me retorcendo, quase sendo necessário uma camisa de força para me segurar aqui dentre quatro paredes, mas resisto, insisto e persisto, ainda bravamente. Não fico desdizendo e criticando que já capitilou, nada disso, não sou desses a espezinhar quem já circula - com os devidos cuidados -, mas prefiro continuar recluso, pelo menos agora, depois de tanto tempo tentando me safar de pegar a coisa, não será e nem poderá ser agora, quando acredito o jogo já esteja na sua prorrogação que vá eu me danar por causa de manter entre sete chaves por mais um pouco. Muita saudade do Bar do Barba, nosso encontro dominicial lá na encruzilhada, boca de entrada da Feira do Rolo e depois a convivência com tudo aquilo que acontecia - e voltou a acontecer - lá na Banca do Carioca, reduto de infindável prazer, pois lá é um daqueles lugares onde consigo ter orgasmo sem o uso das mãos. Ele flui naturalmente só com a força do pensamento, algo muito difícil na minha idade. Eu vejo essas pessoas todas conhecidas, diletos companheiros de copo e de conversa - muita fiada, outras mais do que sérias -, sofro internamente e externamente, torço por elas todas, ainda confiante que meu dia chegará. Abdiquei de bares, manifestações, trabalho, festas, passeios, diversões, convescotes, campanha política, visitas e tudo o mais onde possa comparecer pessoalmente. Faço a maioria das coisas aqui do reduito do meu lar e assim devo prosseguir mais um bocadinho, esperando a tal da vacina, para daí, não só voltar pras ruas, mas ver o que ainda podemos fazer coletivamente para, numa organização realmente popular, em primeiro lugar, botar pra correr esses vendilhões hoje lá nos governando sob o comando do Senhor Inominável. Depois, tudo o mais, a vida em si e as ruas. Não imaginam o quanto sinto saudade dessa convivência das e com as ruas. Me aguardem, creio eu, meu dia chegará...

domingo, 11 de outubro de 2020

REGISTROS DO LADO B (15)


O 15º LADO B AO VIVO É COM O PROFESSOR OSCAR FERNANDES DA CUNHA
Trazer até aqui meu amigo Oscar é o mesmo que pensar e repensar em como "A classe operária não vai ao paraíso", ou seja, versar sobre a impiedosa exploração do trabalhador iludido com as promessas jamais cumpridas desde o "milagre brasileiro", a maior peça de marketing político da ditadura militar brasileira. Do milagre mesmo, para os deserados da sorte, os humilhados, os ofendidos, só a capacidade de sobrevivência em meio às condições mais adversas. Hoje, falaremos disso tudo e muito mais, tudo com a cara de resistência deste entrevistado.

O “LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES” procura traçar um perfil bem variado do que penso ser esses tantos com belas histórias de vida e resistência, mas com pouco ou nenhum espaço na mídia massiva. Histórias de vida pouco conhecidas, mas muito parecidas com as nossas. Tenho procurado diversificar, variar o conteúdo, abordagens diferentes, relatos com perfis distintos e daí, no frigir dos ovos, ir apresentando históricos de vida, que na junção, na somatória, apresenta registros históricos. São histórias merecedoras de registro e constituindo a verdadeira trajetória de uma cidade, pois com elas quero ir contando a cada domingo, algo novo, despertando também o interesse não pela História Oficial, a contada pelo vitoriosos, mas a pela visão dos derrotados, os trabalhadores, os assalariados, os periféricos, suburbanos, os que ralam de fio a pavio e desta forma constroem algo valoroso. É desses e com estes o meu interesse em ter iniciado esse projeto e a cada domingo, ele se revigora, pois me encanta muito estar propondo algo até então pouco realizado. Quanto mais contarmos nós mesmos a nossa própria história, não deixando que outros a contem, ela terá menos chance de ser contada distorcida. Essa minha pretensão.

Dele já escrevi um bocadinho no blog Mafuá do HPA e aqui relembro algumas pequenas coisinhas:
- Em 05.03.2014 publiquei: “As inverdades pela internet e o aniversário de Oscar Sobrinho: Chove lá fora e eu aqui dentro do mofado mafuá tentando escrevinhar, juntar os pedaços desse ainda não inacabado Carnaval. Para mim ele vai perdurar por mais alguns dias nos meus escritos para uma revista e nos Personagens ligados ao samba, algo que peguei gosto e nem sei bem quando estarei findando definitivamente (acredito que nunca). Mas o que quero fazer mesmo nesse momento é relatar algo sobre outra festa ocorrida bem no meio da festança de Carnaval, que foi o aniversário de 53 anos do OSCAR FERNANDES DA CUNHA, ocorrido lá na sua casa do Geisel (êta nominho difícil de engolir) na manhã de domingo, 02/03 e estendendo-se até o arroz secar (não sei como aguentaram prosseguir com o restante da festa ocorrendo do lado de fora da casa). Foi um forrobodó dos mais prazerosos, reunião de diletos amigos, tudo em torno de imenso caldeirão, cozido de frango com milho. Oscar é um matuto de um professor muito querido por todos os lugares onde passou, discípulo de Herman Vos, um padre belga que por aqui aportou e introduziu uma legião de jovens num negócio denominado Comunidade Eclesial de Base. Herman passa três meses por ano em Bauru e sempre comparece, como nesse dia, na festa orcardiana. Oscar seguiu a onda e daí por diante, adentrou de cabeça em algo que transformou sua vida, o de ser plenamente um ser social. Na faculdade veio mais, uma turma pronta para o que der e vier e outra mestra, Salete Alberti, uma libertária, aquela que o introduziu definitivamente nesse negócio denominado de “dialética”. Faz uso disso, tanto a teoria como a prática no seu dia a dia. Oscar é desses caras que não confunde “alhos com bugalhos”. Sabe muito bem discernir o “joio do trigo”. Por onde deu aulas, na sua maioria escolas públicas (a única exceção foi num período no Liceu Noroeste), bairros populares e estudantes ávidos por buscar conhecer como se processa, de fato os bastidores da história não brasileira. Oscar reconta essa história em suas aulas de História. Formou uma legião de gente por onde passou e é lindo vê-lo sendo reconhecido por onde passe. Na sua casa, no dia da festa, algo parecido, amigos de todos os quilates, muitos dos tempos de formação católica, outro tanto dos bancos escolares, familiares, vizinhos e até alunos. Na sua casa uma verdadeira convulsão, congestionamento de pessoas querendo lhe dar um abraço e filar sua bóia. Lindo foi ver os papos sendo possibilitados em cada canto. Só gente pensando esse país para a frente, lutando por dias melhores, sem retrocessos e preconceitos. Ali valia quase tudo, menos gente “coxinha”. Lá compareci junto de meu filho e sai todo pimpão. Oscar bateu um papo descontraído com meu filho. Ele, prestes a se aposentar, fez questão de mostrar sua biblioteca, falar dos seus livros preferidos, contar um pouco da história de cada um. Disse que, muitos já haviam sido doados, pois quando percebe que serão melhor utilizados nas mãos de outras pessoas não se faz de rogado e presenteia-os com gosto. Foi conversando com meu filho e assim, de uma hora para outra, saca uma rara coleção da prateleira e a entrega ao meu filho. Era a História da Vida Privada, versão brasileira, três grossos volumes, contando algo bem ao seu estilo de nossa história, não a oficial, mas a contada segundo a versão do seu cotidiano. Ver o brilho nos olhos do meu filho e a satisfação do Oscar, que não ganhou presente nenhum de nós dois, mas saímos ambos presentados de sua casa. Meu filho com belos livros e eu, com o valor que ele deu ao meu filhão. Escrever de gente como o Oscar me enchem de contentamento. Quando escrevo dele retorno de imediato ao início do meu texto de hoje, quando escrevi algo sobre a Venezuela e as besteiras que reproduzem sobre seu momento. Oscar sabe direitinho o que por lá ocorre e assim como a maioria dos ali presentes em sua casa, não divulgam inverdades. Quando comenta algo, pesquisa, lê, vai a fundo, interpreta. Um ser diferenciado num mundo onde viceja os espalhadores de besteirol mentiroso via internet. Daí junto os dois assuntos e encerro meu texto, um com profunda ligação com o outro”.

- Em 30.11.2014 publiquei: ““E NINGUÉM VAI AVISAR A POLÍCIA...” – REPERCUSSÕES DA 1ª FESTA BOLIVARIANA DE BAURU, UMA HISTÓRIA PARA INGLÊS (NÃO SERIA PAULISTA?) VER - A idéia nasceu de um comentário feito via redes sociais, vindo de uma conhecida militante social bauruense, Tatiana Calmon: “Que inveja, a cidade de Ourinhos vai ter uma Festa Bolivariana e aqui nada”. Pronto, bastou isso para o tema ir fomentando discussões variadas e dentre os prós e contras, quando alguns mais ousados brincaram daquela forma resvalando em algo bem impertinente, beirando as raias do desagradável, foi o bastante, nascia ali a 1ª FESTA BOLIVARIANA DE BAURU. Esse que vos escreve, HPA inicia algo buscando aquecer as turbinas de todos aqueles que, estavam até dias atrás nas ruas e na campanha pela reeleição da presidenta Dilma, para que não abandonassem seus postos e se engajassem também nessa nova contenda. “Sim, foi demais da conta isso de denominar tudo e todos com alguma conotação esquerdista de bolivariano. Nesse balaio cabíamos todos, mas o fizeram de forma pejorativa, com explícitas demonstrações de intolerância do tipo, ‘vá morar em Cuba’, ‘essa petralhada é tudo farinha do mesmo saco’ ou mesmo ‘comunista pdp’. Algo precisava mesmo ser feito”, escrevi. E foi. Eu e Tatiana pensávamos num lugar, algo intimista para começar a fomentar a discussão desses novos tempos, onde após a eleição algo a mais foi acirrado, incentivado e floresceu, vigorando uma permissividade de insultos, provocações e até mesmo achincalhes a tudo o que beire à luta social e desmerecendo o passado de luta e resistência. A escolha da casa de um antigo militante bauruense, professor de História, ex-presidente do Diretório Municipal do PT não foi por acaso. Oscar Fernandes da Cunha seu nome e do local onde reside outro problema, o Núcleo Residencial Presidente Geisel. Quando pensávamos que isso seria um problema, o próprio Oscar, aceita prontamente a realização em sua casa e diz que no convite poderíamos citar assim: “Rua tal, nº tal, bairro Ernesto G”. Pronto, pegou o espírito da coisa no ato. (...) continua...”.

- Em 21.06.2015 publiquei: “CONVITES ACEITOS E COMIDINHAS DIFERENCIADAS - Foi ontem à noite. Um jantar na casa de um dileito amigo, Oscar Fernandes da Cunha e sua digníssima esposa Cicera Maria Silva Cunha. Rapapés preparados com apuro, ele dizendo ser a paga por serviço prestado a ele por Ana Bia Andrade. Vou de contrapeso, pois ciente de que o degustado seriam comidinhas feitas pelo "mestre quase cuca" Oscar, algo de bom nos estaria reservado. E estava. Levamos uma garrafa de vinho que nem foi aberta. Chego lá e dou de cara com outro dileto amigo, Agnaldo Lulinha Silva e sua esposa. Pronto, tudo montadao e a certeza de uma noite das mais prazerosas. Uma belíssima de uma muqueca de peixe, dessas que chegam à mesa borbulhando. Cervejinha em latões da Germânia e na mesa talheres em prata, que queria colocar nos bolsos e fazer negócio com os tais amanhã lá na CEF, mas fui impedido. Oscar devidamente paramentado com aquelas camisas que o nicaraguense Daniel Ortega e o cubano Raul Castro usam na América Central estava todo de branco e sem um pingo de gordura na vestimenta. Desconfiei de cara, mas sei que de cozinha o danado sabe. Fez uma médias com as damas presentes e apresenta do fundo de de sua geladeira uma cervejinha alemã, que só provei de colher. Era a parte a mim reservada, pois não mais me deixaram bebericar. A farofa de carne seca com pinhão batido em liquidificador estava de endoidecer gente sã e Ana já me incumbiu de nova missão, a de sequestrar na calada na noite um bocadinho da dita cuja para experimentações e descobertas. Quero descobri a fórmula e enricar tipo esses Malafaias da vida. Planificando como será a expropriação. Tinha uns regalos a mais, tudo devidamente provado, aprovado, desgustado e lábios devidamente lambidos. Foi uma noite de bruta esbórnia degustativa. As fotos de causar inveja são a inconteste prova de que, mesmo sem muitos caraminguás nos bolsos a vida ainda pode continuar sendo bela, basta ninguém querer invadir a Venezuela, muito menos querer se meter a participar de convescotes partidários cidade afora, como os que ocorreram na Bauru ontem. Tudo foi na maciota, sem provocações, incitações à malafaiadas com rolas e outros quesitos mais. No final da noie, um guindaste encostou à porta e nos levou para nosso berço, onde repousamos o sonos dos justos. Acordamos querendo mais e mais, mas o convite era só para ontem”.

- Em 2702.2016 publiquei: “ACORDO E VEJO MEU BAITA AMIGO NA PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DA CIDADE - E não era nada sobre nota policial, política, social, comercial, muito menos dentro do que mais estamos acostumados a sair fazendo hoje em dia, principalmente pelas redes sociais, se digladiando sobre questiúnculas de rebate ao ódio espalhado pelas ruas. Oscar Sobrinho versava sobre o Oscar, o outro, o do cinema, que não assisto mais já faz tempo e descubro, ele também não. Vale por ver o amigo lembrado e pelas belas indicações cinematorgráficas feitas pelo gajo. Ele, como bom pioneiro tomateiro juramentado, deixa claro e tão evidente em tão poucas linhas dos motivos de o ter na mais alta consideração. VivaOscar Fernandes da Cunha, um baita de um sujeito, não só pelo avantajado tamanho (altura e largura), mas pelo imenso coração humanitário, venerador dos bons santos e causas, degustador da boa bebida e hoje um também sapiente fazedor de pratos, construtor de paladares e sabores. Esse Oscar merece mesmo os píncaros da glória!! http://www.jcnet.com.br/Cultu…/…/02/de-oscar-para-oscar.html”.

- Em 23.01.2017 publiquei: “AS NOTÍCIAS TRISTES SE REPETEM - ESSA MOVIMENTOU ÚLTIMO SÁBADO - Na porta de casa uma perua kombi dos Correios e nela um velho e considerado amigo como motorista. Lhe pergunto: "Não sabia que estava nos Correios". Ele me diz: "Não estou. Trabalhei durante quase 20 anos na mesma empresa, uma grandona de entregas. Fechou as portas e estou no olho da rua. Consegui esse bico nos Correios, férias de um entregador e estou no lugar. Um só mês e depois não sei. Procurar o que na minha idade? E agora nem sei mais quando poderei me aposentar...". Mal entro em casa e ao abrir o computador outra. Oscar Fernandes da Cunha, nosso homem bóia do bloco carnavalesco dos Tomates, tendo que atuar em várias frentes de trabalho como professor para prover o sustento de sua prole, ontem foi em mais uma reunião de começo de ano no Colégio Particular Liceu Noroeste, localizado ali na Rodrigues Alves. Motivo da reunião: despedir todos os ainda professores, pois o Liceu a partir de agora está deixando de existir. Fechou as portas. Aquele colégio tradicional que um dia teve a melhor Banda Marcial do estado de SP (se não foi a melhor, chegou perto), hoje está lacrando suas portas. A tristeza nesse caso não me acomete por causa de seus proprietários. Eles estão muito bem instalados lá pelas bandas da FIB, numa escola em franca evolução. Minha dor são pelos funcionários, os mais novos desempregados da cidade. O Liceu se foi, seus proprietários já estão em outra e os até então funcionários, na rua da amargura. Oscar e tantos outros tentando e pensando em novas possibilidades. Quais mesmo, hem?”.

- Em 25.02.2020 publiquei: “OSCAR VEIO DE CAJADO E COM O FILHO A TIRACOLO - Oscar Fernandes da Cunha é professor de História na rede pública e padece nos últimos tempos de problemas nas pernas, causadas pelo peso atual da constituição corpórea a sustentá-lo em pé. É um dos fundadores do bloco Bauru Sem Tomate é MiXto e dele não arreda pé, pois ciente de estar dentre tantos outros com a mesma verve da resistência instalada junto ao motorzinho do corpo. Está difícil dar aulas em pé, mas resiste e em casa, a terapia é continuar em pé, desta feita diante do fogão, produzindo pães artesanais, sua especialidade, depois do desagravo ao momento atual vivido pelo país. Resiste, insiste e persiste, pois como sabe muito bem, depois de certo tempo de quilometros rodados, a vida não mais permite peças de reposição se sim, só de manutenção. E assim, recauchutando daqui e dali, apertando uns parafusos, soltando outros, afrouxando a repinboca da parafuseta, segue a vida. Pediu uma camiseta especial, tamanho dito por ele mesmo como M, longe de Médio, mas sim, de Mamute. Ri do dito, apregoava das dificuldades que teria para descer o Calçadão, mas daria seu jeito. Deu e foi lindo vê-lo chegando junto do filho, esse sua muleta, a escora necessária para chegar lá na outra ponta com a certeza de o fazê-lo sem percalços. Oscar já desceu esse mesmo Calçadão com fantasias homéricas, como a do Homem Borracha, envolto numa bóia gigante, câmara de ar de caminhão, tudo para desdizer das enchentes na cidade. Hoje o faz mais comedido, com um cajado às mãos, porém sua verve nunca está totalmente recolhida, prometendo preparo mais provocativo para os próximos encontros. Churrasqueiro de mão cheia, abrilhanta os convescotes do bloco, com seu avental sempre impecável e seu jeito nobre, cheio de categoria na forma como trata um assado. Presença obrigatória no bloco, desses que o grupo trará para o desfile nem que for de maca, ele comparece e ao ser visto, a certeza do bloco sobreviver, dando o seu jeito. Ele não é o único com problemas de forno na descida do Tomate, já sendo pensado uma ala reunindo os com junta avariada e com pouca graxa nas juntas”.

- Em 20.05.2020 publiquei: “OS PÃES DO PROFESSOR OSCAR E REFLEXÕES SOBRE O FUTURO DA EDUCAÇÃO EM SÃO PAULO E NO BRASIL - Meu dileto amigo Oscar Fernandes da Cunha é professor de História como eu (estudamos juntos na hoje quase extinta USC), ele funcionário público, querendo muito se aposentar nos próximos anos, tendo já chegado perto de dirigir escolas estaduais. Inesquecível sua passagem pelo distrito de Tibiriçá, onde deixou legião de admiradores. Nas horas vagas faz pães caseiros em sua residência no Geisel e sempre que posso e a pandemia me permite, damos nosso jeito, ou eu vou buscar ou ele vem me trazer, mesmo ambos sendo do grupo de risco, ou seja, o pão nos faz cometer verdadeiras locuras. Eu cometo, pois não aguentando mais o pão feito pela padaria nos arredores de minha casa, vou em busca desse algo mais artesanal e cheio de delicioso sabor. Ontem mesmo nos reencontramos e trago cinco deliciosos Foccacia, ao estilo italiano e feitos com dois ovos caipira. Antes de deitar, me deliciaram num café com pães de gosto inenarrável. Oscar é mestre nesses ofícios, o de dar aula e de fazer pães caseiros. Possui outras virtudes e qualidades e abaixo enumero outra, a percepção de fazer a coisa certa e se manter uma vida inteira do lado palatável deste mundo, mesmo que isso lhe traga inúmeras dores de cabeça - e também no bolso. (...) Falávamos de algo hoje em voga: - Meu caro amigo, vocês hoje estão ministrando aulas à distância e quem me diz que, lá na frente, com essas aulas gravadas, não serão todos mais facilmente dispensados e elas utilizadas para o que querem fazer da Educação brasileira, transformando-a num cursinho à distância? - lhe instigo. - Sim, eles irão fazer isso, com toda certeza. Não existe a menor dúvida. Se hoje, ainda com alguma organização resistimos, muito em breve algo de pior estará acontecendo. Com a mentalidade hoje vigente, imagino que, o Estado terá que manter o Ensino Básico, o da alfabetização de forma presencial, mas nos demais se livrará de tudo hoje existente. É o tal do Estado Mínimo. Do básico em diante, tudo o mais será dessa forma empacotada, entregue de forma uniforme e seguindo padrões do leve seu vídeo e estude em casa, sem utilização de salas de aula. Hoje, meu caro, a situação da Educação no Estado já está do jeito que eles querem. Veja bem, com as escolas fechadas, gastam quase nada com luz, água, horas extras, remoção de professores, os chamar os eventuais, merenda, gastos extras como copiadoras, tonner e todas as despesas diárias que não são baixas. Custo zero e o Estado ganhando muito com tudo isso. Eles não dizem ganhando, mas economizando. O aluno que quiser ter uma Educação diferenciada terá que ir fazê-la na rede privada, pagando caro, ou seja, o pobre estará cada vez mais na rua da amargura com esses neoliberais no comando do país, seja em Brasília ou São Paulo”.


Eis o link para assistir a entrevista/bate papo, ao vivo: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3915875761775737

sábado, 10 de outubro de 2020

CENA BAURUENSE (207)


DE DEZ EM DEZ IMAGENS, ALGO DAS ENTRANHAS DE INSÓLITA BAURU
01. Em 04.09.2020 publiquei: "
Na Praça D. Pedro, defronte Câmara Municipal, esquina com Azarias Leite, pequenos ambulantes autônomos se viram como podem e ali revendem legumes e frutas embaladas, forma encontrada para minimizar dificuldades em tempos de pandemia".

02. Em 08.09.2020 publiquei: "Foto circulando pelas redes sociais sobre a tórrida situação do ar respirável nestas terras no oeste paulista, também conhecido como sertão do mais rico estado da Federação, diante deste clima seco e inclemente sol, tudo isso em pleno Inverno, refletido numa mera fila de ônibus na avenida Rodrigues Alves". 
03. Em 10.09.2020 publiquei: " Bauru vista da região do Cemitério do Ypê, junção de duas cidades, uma degradada e necessitando de muito amparo, a da baixada, junção de dois lados, sendo o lá de cima, parte mais abastada, Jardim América e adjacências, essa fazendo questão de não querer se misturar com o que ocorre ali na sua quase parede meia".
04. Em 13.09.2020 publiquei: "As ruas de Bauru nunca estiveram tão cheias de gente tentando se virar como podem, montando seus próprios pequeninos negócios e deles extrair algo para sua subsistência, como este senhor, todo final de semana, com seu aparato ali numa lateral do parque Vitória Régia, fazendo das suas, sonhando com dias melhores, estes cada vez mais difíceis com um desGoverno que ao invés de proteger quem mais precisa, deixar os preços dispararem e quando questionados, a resposta é sempre a mesma: "Fazer o que?".
05. Em 16.09.2020 publiquei: "Em foto de Tauan Mateus, faixa na parte externa do sindicato dos professores da rede estadual de Ensino, a Apeoesp, deixa claro o posicionamento da entidade em relação a Educação e ao quase retorno às aulas, em decisão do desGoverno de João Dória".
06. Em 18.09.2020 publiquei: "Em foto do Jornal Dois, divulgada ontem, a entrada de Bauru e de sua vegetação rural sendo também devastada pelas chamas e com indagações iguais as que atormentam todo o país, aqui resumida na de Wagner Fatore publicada pelas redes sociais, a qual não fugimos à regra: "O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Áreas gigantescas! Curioso que nenhuma delas foi atingida pelas chamas. Continuamos sem notícias de plantações ou rebanhos atingidos pelas queimadas".
07. Em 21.09.2020 publiquei: Em foto de Ofélia Bravin, tirada nas imediações do Hospital Estadual na tarde de ontem, algo sobre estranhas fumaças que sobem aos céus na insólita Bauru, pipocando em vários pontos da cidade, prenúncio dos novos tempos, muito além das acidentais queimadas".
08. Em 20.09.2020 publiquei: "Em foto do grupo de voluntários ligados a Inês Faneco, algo a entristecer, a imensa fila que se forma quando aparece com as cestas montadas para distribuição: muda o local, as pessoas, mas as filas são sempre imensas e a demonstrar o quanto existe de falha no sistema vigente, que deveria nos amparar e proteger, mas na imensa maioria das vezes abandona estes sem nenhum amparo e consideração".
09. Em 26.09.2020 publiquei: "Vila Falcão, vindo pela avenida Daniel Pacífico, logo depois da linha do trem, esquina com rua Vital Brasil, lugar que um dia já abrigou algum comércio, hoje um algo a mais do abandono daquele canto do bairro, cujos outros dois locais também se deterioram, edificações que antes abrigaram uma Delegacia de Polícia e Escola de Samba Mocidade Independente e bloco Lagoa do Sapo".
10. Em 29.09.2020 publiquei: "Em foto do servidor público municipal Silvio Selva, lotado no Teatro Municipal, a triste e entendível situação atual de seu local de trabalho, que antes da pandemia, tinha agenda concorrida e dificilmente era conseguido datas em curto espaço de tempo e hoje vive sob as condições por ele mostradas".

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (184)


ELE NÃO PODE PARAR*
* Sigo hoje o dia inteiro só com historinhas, todas ocorridas no entorno de minha pessoa.

HISTORINHA UM
Ele acordou e sabia, teria que estar naquela cidade, atender cliente e o faz como na maioria das vezes, com seu carro.
Este seu ganha pão, ligou a máquina, cruzou os dedos e foi cumprir compromisso assumido, tirar mais um pedido, remar contra a maré.
Estava com pouca grana, colocou o que tinha de gasolina no tanque e pegou estrada, 140 km de Bauru e o fez só depois do almoço, pois sem grana, assim não passaria fome.
Chegou, atendeu o cliente e esperava receber de forma imediata, porém este não o pagou. Postergou e prometeu fazê-lo depois.
Ele, mesmo desmoronando, não insistiu.
Saiu de lá, sentou num banco da praça e pensou: "E agora, o que faço para voltar?"
A gasolina que tinha no tanque não daria, ficaria pelo caminho.
Pensou, matutou, enfim, não conhecia ninguém daquela cidade que, naquele momento pudesse lhe estender a mão e entender sua situação.
Precisa de R$ 40 reais, o suficiente para chegar em casa.
Não teve coragem de voltar ao cliente e contar sua situação.
Liga para amigo de Bauru, ciente de que este possui muitos conhecidos naquela cidade e para este se abre, conta a situação, quase chora.
Diz ter vindo com uma calça e por esquecimento, o dinheiro havia ficado em outra, hoje sem nenhum cartão, estava no mato e sem cachorro.
O amigo liga para seu conhecido e este lhe diz: "Posso ajudar, mas terá que esperar terminar reunião on-line, só lá pelas 19h, daí vou com ele no posto".
Liga de volta, explica e pensam juntos noutra solução. Sugere que vá ao posto, diga que o dinheiro do abastecimento será transferido para sua conta. Tudo acompanhado e só depois abastecer.
Diz também que vai enviar algo a mais, pois precisa se alimentar. Ele se recusa ao algo a mais, diz não estar com fome, explica ter almoçado antes de vir.
Combinam assim, ele chegaria num posto e de lá ligaria.
Desligam e a espera se mostra longa. O tempo passa.
"Por que a demora se ele já estava indo para o posto?", começa a se preocupar.
Passados uns 40 minutos, o telefone toca e do outro lado a explicação. No relato o amigo diz que, quando desligou o telefone, toca novamente e do outro lado o tal do cliente, o que terminou de atender: "Você ainda está na cidade? Volte aqui, preciso de algo mais".
Ele foi. Complementou o pedido e se antes adiara o pagamento, desta feita fez diferente: "Te fiz voltar. Não é justo não te pagar já". E pagou.
Agradece o que faria por ele, prometem se ver em breve, desligam seus telefones e assim, carro abastecido, inicia o retorno para Bauru.HISTORINHA UM*
* Sigo hoje o dia inteiro só com historinhas, todas ocorridas no entorno de minha pessoa.
Ele acordou e sabia, teria que estar naquela cidade, atender cliente e o faz como na maioria das vezes, com seu carro.
Este seu ganha pão, ligou a máquina, cruzou os dedos e foi cumprir compromisso assumido, tirar mais um pedido, remar contra a maré.
Estava com pouca grana, colocou o que tinha de gasolina no tanque e pegou estrada, 140 km de Bauru e o fez só depois do almoço, pois sem grana, assim não passaria fome.
Chegou, atendeu o cliente e esperava receber de forma imediata, porém este não o pagou. Postergou e prometeu fazê-lo depois.
Ele, mesmo desmoronando, não insistiu.
Saiu de lá, sentou num banco da praça e pensou: "E agora, o que faço para voltar?"
A gasolina que tinha no tanque não daria, ficaria pelo caminho.
Pensou, matutou, enfim, não conhecia ninguém daquela cidade que, naquele momento pudesse lhe estender a mão e entender sua situação.
Precisa de R$ 40 reais, o suficiente para chegar em casa.
Não teve coragem de voltar ao cliente e contar sua situação.
Liga para amigo de Bauru, ciente de que este possui muitos conhecidos naquela cidade e para este se abre, conta a situação, quase chora.
Diz ter vindo com uma calça e por esquecimento, o dinheiro havia ficado em outra, hoje sem nenhum cartão, estava no mato e sem cachorro.
O amigo liga para seu conhecido e este lhe diz: "Posso ajudar, mas terá que esperar terminar reunião on-line, só lá pelas 19h, daí vou com ele no posto".
Liga de volta, explica e pensam juntos noutra solução. Sugere que vá ao posto, diga que o dinheiro do abastecimento será transferido para sua conta. Tudo acompanhado e só depois abastecer.
Diz também que vai enviar algo a mais, pois precisa se alimentar. Ele se recusa ao algo a mais, diz não estar com fome, explica ter almoçado antes de vir.
Combinam assim, ele chegaria num posto e de lá ligaria.
Desligam e a espera se mostra longa. O tempo passa.
"Por que a demora se ele já estava indo para o posto?", começa a se preocupar.
Passados uns 40 minutos, o telefone toca e do outro lado a explicação. No relato o amigo diz que, quando desligou o telefone, toca novamente e do outro lado o tal do cliente, o que terminou de atender: "Você ainda está na cidade? Volte aqui, preciso de algo mais".
Ele foi. Complementou o pedido e se antes adiara o pagamento, desta feita fez diferente: "Te fiz voltar. Não é justo não te pagar já". E pagou.
Agradece o que faria por ele, prometem se ver em breve, desligam seus telefones e assim, carro abastecido, inicia o retorno para Bauru.

HISTORINHA DOIS
Durante algumas décadas ele viajou pelos quatro cantos deste país vendendo assinatura de revistas. Ganhou bem e contribuiu com a Previdência, sempre com valores baixos. Conheceu praticamente o país inteiro.
O tempo passou, o corpo já não conseguindo acompanhar a necessidade de continuidade do que fazia. Adoeceu, teve que se aposentar e o fez, caindo desmedidamente seus rendimentos.
Por certo tempo conseguiu se manter, enfim, tinha guardado algumas economias. Com a pandemia, elas se foram - elas e tudo o mais.
Algo precisava ser feito e foi. O que sabe fazer e bem é vender, de porta em porta, adentrando escritórios e convencendo no frente a frente a aquisição do que tem para oferecer.
O negócio de revistas está em baixa: "Fazer o que? Com o que posso neste momento aumentar meus rendimentos?", matutava.
Escolheu permanecer no que sempre soube fazer, inclusive comandando equipes de vendedores e o produto escolhido foi os mapas rodoviários.
Ligou para o conhecido fornecedor e este lhe envia um estoque, tudo em consideração e consignação.
Vai à luta, mas logo de cara percebe, os tempos são outros. O que mais ouve: "Hoje tenho o google maps, não preciso mais disso".
Consegue tirar leite de pedra, sempre vende algo, mas cada dia mais difícil. 
Não desiste e num arroubo pensa em mim. Liga e diz: "Amigo, você que é ligado nesse mundo político, me diga, sabe de alguém prercisando de comandar equipe na distribuição de propaganda política? Tenho experiência, sei como fazer, preciso trabalhar, a coisa não está fácil".
Conversamos bastante e lhe pergunto: "Tu conseguiu se aposentar?". Diz que sim e complementa: "Foi por baixo, hoje ganho uns mil e pouco, está complicado, preciso de mais".
Não lhe dou esperanças, pois dos que conheço, os de minha linha política, a maioria o faz por militância, de forma espontânea.
Antes de desligar ainda me diz: "Vender mapa ou revistas era uma mina de ouro. Todos queriam ter mapas nos seus escritórios e assinatura de revista era mamão no mel, hoje dureza total. Como os tempos mudaram, hem! Acho que nem revista os escritórios fazem mais questão de ter lá nas salas de espera".
Desligamos e me coloco em seu lugar, mil reais não dá nem para cesta básica e os remédios. Cada um rói o cerebelo em busca deste algo a mais, o complemente salvador que, em dias pandêmicos, cada vez mais inalcançável. Dilacerante ouvir as histórias que me chegam. A cada uma, definho junto delas.

HISTORINHA TRÊS
“Oi Henrique tudo bem? Meu amigo sei que estamos vivenciando momentos difíceis, mas estou pedindo um apoio dos amigos pois fui demitido várias vezes desde que encabecei a oposição e não consegui mais me firmar, a última empresa em que eu estava trabalhando, eu trabalhava escondido pra que ninguém ficasse sabendo, mas não sei como ficaram, me chamaram lá e me fizeram a proposta de pedir a demissão ou ser demitido por justa causa. Estou passando por momentos difíceis meu amigo, a minha esposa Qtambém Perdeu emprego e estamos pra perder tudo, enfim.... Estou passando por necessidades, minha energia foi cortada, estou sem despesa na minha casa. Todos me conhecem e sabem que eu corro atrás, luto e me viro como posso mas não consigo fazer uns bicos e estou pedindo ajuda aos amigos que me conhecem e sabem da minha índole. Tenho muita vergonha dessa situação, mas preciso engolir tudo isso e pedir ajuda aos que me conhecem, qualquer ajuda é bem vinda meu amigo e logo que tudo se normalizar faço questão de devolver.... Obrigado meu amigo”, o pedido.
Cortei alguns pontos, pois não quero, não devo e não preciso identificar a pessoa. Quero reproduzir algo se espalhando com o vento, cada dia mais e mais. Dificuldades aumentando, histórias se repetindo, uma atrás de outra, cada qual com pitada mais dolorosa.
Tento algo: “como posso te ajudar, meu amigo? Eu também tive tudo tão reduzido. Poderia ser com uma cesta básica?”. Sua resposta: “Oi meu amigo, eu estou muito envergonhado de estar pedindo, mas preciso. Aceito qualquer ajuda meu irmão, serei muito grato”.
Quando lhe digo de divulgar, tentar ampliar o leque de gente lhe ajudando me diz: “Oii Henrique, na verdade por mim eu não tenho problemas com relação a isso, mas a família da minha esposa me critica muito por ter escolhido lutar e ter perdido todos esses empregos, ter sofrido todas estas demissões. A família dela é muito grande, alguns são muito bem de vida, mas não peço nada a eles, pois sei que virão as críticas e eles começarão novamente a falar das minhas escolhas. Por esse motivo eu peço pra não ser exposto meu amigo, isso me traria problemas.... Me desculpe Henrique. Mas essa família é complicada e com certeza vai acabar em brigas”.
As escolhas que a gente faz em vida, lutar por direitos, fazer a defesa da causa dos trabalhadores, que queiram ou não, causa medo e apreensão. Quem o faz, ainda mais nestes tempos, o faz acuado, sem respaldo e ciente de que, por qualquer coisinha, será o primeiro da lista. Muitos estão na mesma situação, perdendo o pouco que possuem, principalmente o emprego, pelo simples fato de serem sindicalizados e levantar a voz em defesa das leis trabalhistas. Terra arrasada, dos medrados e medrosos, desembocamos nessa nhaca e agora, a pergunta que não quer calar: Como reverter isso?
“Henrique, eu não tinha nenhuma estabilidade, não tinha quem me defender na hora que o cara me disse para escolher pedir demissão ou ser mandado embora por justa causa, só por ter pedido por meus direitos. Os direitos não mais existem e os empregos, a maioria deles só é mantido aos que se calam, quietos e conformados. Eu não aguento isso”, desabafa.

HISTORINHA QUATRO
noite de quinta, 08/10
SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL NO POSTO SAÚDE CENTRAL NA RUA QUINTINO BOCAIÚVA, CENTRO DE BAURU - SEM ÁGUA PARA ATENDER OS PACIENTES
"Em pandemia, situação de covid, sem água no Posto Saúde central. Banheiro sem poder dar descarga. É preciso que órgãos competentes visitem o Posto Saúde Central para documentar a caótica situação. É muito lamentável, é preciso que órgãos competentes tomem conhecimento disso através de um advogado e venham ver pessoalmente as condições do local de trabalho, pois funcionários vem sofrendo, punição por denunciar isso ou questionar as condições. Não podemos documentar a verdade.
Não vou desistir, é preciso ter muita coragem!", relata um funcionário.
Só mesmo com uma fiscalização para que medidas sérias sejam tomadas.

manhã de sexta, 09/10
Funcionários do Postão de Saúde da rua Quintino Bocaiúva, centro de Bauru, trabalhando em condições precárias.
Um deles me envia relatos da situação e se diz perseguido: “Tentam impedir que continue denunciando o que aqui acontece. Eu não tenho medo de ameaças e só paro quando tudo for resolvido. Podem me processar, vou até o fim. Isso aqui do jeito que está não pode continuar”.
Alguns dos seus relatos: “Peça para um jornalista vir documentar o banheiro interditado neste momento. Desde ontem sem água. São 8 horas e 16 minutos, eu já documentei o que pude, mas preciso de alguém dos usuários de fora para documentar isso ou um jornalista. Não posso fazer tudo sozinho”.
Escreve mais: “Quero entrar com ação no ministério, mas preciso que o povo também se mobilize, não posso aceitar pressão psicológica ou outras, estou fazendo a minha função de profissional da Saúde, querer um atendimento digno a população, condições para os funcionários trabalhar em pleno covid. Não peço nada além disso. Não tenho medo de nada, mas a população tem que mobilizar!! Tem que pedir uma auditoria no núcleo de saúde centro”.
O servidor municipal se expõe até mais do que podia. Quando age da forma como o faz, movido não por interesses eleitorais, pois também me diz: “Tem candidato aí que sei, será pior do que o vejo acontecendo hoje. Precisamos de gente que goste do serviço público, que o entenda, o incentive e melhore essas condições. Não precisamos de privatização. Precisamos de olhos voltados para a penúria onde nos encontramos. Por favor, mande alguém aqui para constatar o que lhe digo”.
Eu, conhecendo muito bem o servidor, sei que seu lamento é uma garrafa lançada ao mar com um pedido de socorro dentro e faço questão de espalhar, de divulgar, de passar adiante. Independente de estarmos no meio de uma campanha política, hoje falta água em muitos pontos da cidade, inclusive no posto de saúde aqui citado, também com banheiros entupidos. Passo a mensagem adiante para que possa causar o estardalhaço necessário, até que se consiga uma solução plausível para o que vem ocorrendo – e não de hoje, de muito tempo. Os corajosos, os que não param, os que enfrentam o touro à unha, esses são verdadeiramente os imprescindíveis.
OBS.: Fotos enviadas a mim por usuários do citado posto de saúde.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

UM LUGAR POR AÍ (141)


O CONLUIO EM AGUDOS IMPEDE QUE VEREADORES SE MOVAM E OUSEM CASSAR MANDATO DE UM DELES, PRESO POR ALICIAR ALGUNS OUTROS - MUITOS PLEITEIAM A REELEIÇÃO
Esse caso de Agudos é uma síntese do país hoje, praticamente dominado pela sacanagem mais explícita do mundo onde prevalece o dinheiro acima de tudo. Quando o dinheiro é o mandante, tudo é possível e a pessoa se torna escrava, comete coisas mais que inusitadas em seu nome. Na vizinha Agudos, parede meia com Bauru, um espertalhão demonstrou para alguns vereadores como estes poderiam enricar com desvios feitos junto à Saúde. Toparam e receberam altas comissões para dar aval à entrada dessa organização criminosa na cidade. Ela atuava numa boa, até o momento em que o prefeito notou a coisa e barrou a auspiciosa iniciativa proveniente de alguns vereadores. Foi o que bastou para ser cassado duas vezes, descaradamente. Hoje, com um vereador preso e muitos outros com o __ nas mãos, desbarato o conluio, a maioria ainda, mesmo denunciados e indiciados, não têm seus nomes divulgados. Dias atrás foi levado para a mesma Câmara um pedido de início de processo de cassação do vereador preso, cujas denúncias irrefutáveis praticamente comprovam sua participação no delito, mas os nobres vereadores preferiram não cortar a própria carne. Evidente que, querem esse assunto longe da discussão e da pauta, pois cassando um, o fio da meada será puxado e todos os demais serão também denunciados, incriminados e tudo desfeito. Isso tudo ocorreu diante dos olhos de toda uma cidade, toda uma mídia, inclusive a de Bauru, onde muitos deram guarida para integrantes hoje encralacrados no meio da fogueira e nada acontecia, tinham poder, exerciam algo de cima para baixo, de forma violenta, coercitiva, na base do grito, da violência, muitas vezes até física.
Deu no que deu, um dia o barraco cai, como está caindo, mas aos poucos, não no todo, pois algo ainda permanece em pé e querendo atuar, vendo como poderá escapar disso tudo e continuar pela aí, fazendo o que sempre fez. Agudos vai permitir isso? Enfim, quais os outros vereadores envolvidos na maracutaia? A quanto tempo faziam isso e quanto conseguiram roubar do erário público? Quem são eles? Não é só a cidade de Agudos que precisa tomar conhecimento de todos os detalhes do ocorrido, pois a ramificação também se dá por aqui e por vários outros lugares. Muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte e até nas matérias jornalísticas percebe-se quem quer e quem não quer informar de fato. Nesta aqui, o jornalista Alexandre Colim, da TV Record dá nome aos bois, mas outros não o fazem, omitem nomes, parte das investigações e até fogem da pauta, dão como algo trivial, pouca valia. Estão encobrindo o que? Tapando o sol com peneira por que motivo? AGUDOS PRECISA SER PASSADA A LIMPO, eis o momento.

Eis o link para assistir matéria da TV Record: https://www.facebook.com/priscila.vito.1/posts/3305955846139719

USAR ALPARGATAS NAS RUAS VIROU SINAL DE NÃO SER MACHO: TÔ DANADO...
Eu faço uso de alpagatas desde muito tempo, décadas atrás quando descobri a comodidade proporcionada por ela aos meus cansados pés. As uso em cores variadas e múltiplas, cores aberrantes e estampas que muitas vezes não combinam com as vestes. Uso até roer, ou seja, desgatar pelo tempo e tenho uma das primeiras até hoje guardada, pois queria colocá-la num quadro e fixar na parede lá do Mafuá, exibindo-a como peça de museu. neste vídeo aqui compartilhado um monte de perversidade reunida, todas mais que perversas e a demostrar a bestialidade e boçalidade destes tempos. Um bando de covardes agride um jovem negro e seu cão, primeiro por causa de sua não masculinidade, expressada também pelo uso das tais alpargatas. Chegamos a este ponto e se nada for feito, passaremos daí para algo mais, a própria execução. Já existe uma permissividade para atos desta natureza. São tolerados e encarados como de ajuste para enquadrar os "fora da nova ordem mundial". Eu sempre fui fora dessa ordem e assim pretendo continuar, mas não sei até quando isso será permitido se for dado continuidade a desGovernos como este que hoje está encastelado em Brasília. Caímos mum poço sem fundo, onde o pior ainda está por vir. Isso que se vê é só o primeiro reflexo da merda que foi solta e está circulando livremente nas ruas e querendo impor a forcéps seu modo e visão tacanha do mundo. Vamos permitir isso? Vamos tolarar isso? Não vamos agir? Até quando? O que mais precisa ser feito para que algo ocorra? Pior, vamos continuar votando em quem propaga isso como a mais absoluta normalidade? Cansado disso tudo e já colocando minha alpargatinha nos pés e saindo rpas ruas com meu bastão de beisebol no bolso, pronto pra tudo.

Eis o link para assistir a aberração da violência despontando nas ruas: https://www.facebook.com/manu.santtos.18062/posts/823669571728397

MESMO CÉTICO DE QUE ESSE DINHEIRO VENHA A SER DISPONIBILIZADO DE VERDADE, CÁ ESTOU PARTICIPANDO DO GRUPO DE TRABALHO DA LEI ALDIR BLANC DE BAURU
Foi hoje pela manhã a primeira reunião desse grupo de acompanhamento e fiscalização da implantação da Lei Aldir Blanc, versão Bauru. Fazem parte do grupo pessoas indicadas pelo poder público municipal e várias entidades ligadas à Cultura na cidade. Estou lá participando como suplente, indicado pelo Amigos da Cultura de Bauru, que tem como titular a atriz Regina Ramos. A reunião se deu de forma presencial, diretamente do Teatro Municipal e também on-line, a forma pela qual participei. Um apanhado de tudo o que já foi feito, todo o trabalho desenvolvido, seguindo as regras estabelecidas e o que ainda está em curso, sendo feito, viabilizado e implantado. Muita coisa sendo discutida e com informações ainda sigilosas, porém nada, até o presente momento que mereça o caráter de privado. No momento em que cada um pode fazer uso da palavra, na minha participação, ressaltei o quanto ainda, mesmo com tudo o que já foi feito, creio estarmos fazendo algo para nada, pois "sou cético quanto a tudo o que venha deste desGoverno Federal. Se a lei era para o atendimento de algo emergencial, já perdeu o sentido e mais e mais coisas são solicitadas, cada vez mais detalhes, novos dados para serem inseridos.
Nada me tira da cabeça que, a lei existe de fato no papel, o dinheiro idem, mas a dificuldade para conseguir concretizar sua vinda é algo intransponível". Disse também, reafirmando o que outro membro já havia questionado, ter "sentido a falta de projetos envolvendo os técnicos e os profissionais atuando por detrás dos artistas, estes os que mais necessitam e pouco amparados. Faltam editais para os braçais, os com menor chance de serem atendidos, os que atuam nos bastidores culturais". O Secretário de Cultura, Rick Teixeira pediu a todos, algo concreto também para estes e no próximo encontro, já definido para a próxima quinta, 15/10, também às 10h, desta feita, totalmente on-line. Vamos ver até onde isso tudo vai dar. Mesmo com toda boa vontade da Secretaria Municipal de Cultura, ainda creio estamos levantando a bola para alguém que inventa a existência de dinheiro para a Cultura, mas na hora do vamos ver, ele se mostrará inviável de ser alcançado e será devolvido aos cofres federais. Ver para crer. Tomara seu ceticismo não vingue e a cidade possa de fato ser contemplada com esses mais de dois milhões de reais para artistas e entidades onde atuem, socorrendo a todos nesse momento de real necessidade. Toc toc toc...

UMA BELA HISTÓRIA DE SOLIDARIEDADE PARA ENCERRAR O DIA
O dia em que o Falcão socorreu o passarinho Quintana. O Hotel Majestic mostrou a Mario Quintana o olho da rua, colocou-o para fora.
A miséria chegou absoluta ao universo do poeta. Ele não foi feito para a riqueza, quando muito conquistar uma princesa com seus versos, depois voltar ao pântano.
Uma cidade que expulsa um poeta pode te transformar em estátua de sal.
Mario está só, o Correio do Povo faliu, o passado faliu, as palavras faliram.
Um império sem homens e sem sentimentos. O porteiro aproveita e joga um agasalho que tinha ficado no quarto.
“Toma, velho!”
Mario recita ao porteiro: A poesia não se entrega a quem a define.
Mario estava só.
Cadê os passarinhos?
A sarjeta aguardava o ancião.
Paulo Roberto Falcão fora avisado do acontecido.
Quando chega em frente ao hotel, observa aquela cena absurda, triste.
Estaciona e caminha até o poeta com as malas na calçada.
“Sr. Quintana, o que está acontecendo?”
Mario ergue os olhos e enxuga uma lágrima, destas que insistem em povoar os olhos dos poetas.
Quisera não fossem lágrimas, quisera eu não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de minha mãe e fosse engenheiro, médico, professor.
Mas ninguém vive de comer poesia.
Mario lhe explica que o dinheiro acabou.
Está desempregado, sem família, sem amigos, sem emprego.
Restaram apenas essas malas nas ruas de Porto Alegre.
Mario observa Falcão colocando suas malas dentro do carro em silencio. Em silencio, Falcão abre a porta para Mario e o convida a sentar.
No silencio de duas almas na tarde fria de Porto Alegre, o carro ruma na direção do arquipélago, na direção do infinito.
Falcão para o carro no Hotel Royal, desce as malas, chama um dos empregados:
“O Sr. Mario agora é meu hóspede!”
“Por quanto tempo, Sr. Falcão?”
Falcão observa o olhar tímido e surpreso do poeta e enquanto o abraça comovido, responde:
“Por toda a eternidade”.
O poeta faleceu em 1994.
Por Caco Marcos

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

ALFINETADA (196)


DESCREVENDO RAUL, O PRIMEIRO COLOCADO NAS PESQUISAS EM BAURU – AQUELE QUE NÃO GOSTA DE MIXARIA
Pesquisa eleitoral é divulgada na cidade e nela o candidato Raul Gonçalves de Paulo (DEM) está com 28%, bem na frente do segundo e demais candidatos à prefeito. O que isso significa para Bauru? Alinhavo o que vejo claramente representado nessa candidatura e, mesmo que tentem ocultar, esconder debaixo do tapete, impossível não associar à figura do candidato Raul, o bolsonarismo, como também em boa parte do eleitorado bauruense e brasileiro. Representa muito bem tudo o que aconteceu com o país desde o conluio golpista de 2016. Referendou tudo, se mostrou conservador não só da boca pra fora, mas também em sua atividade profissional, centralizador, durão e não atinado com nada renovador, transformador ou mesmo oxigenante para as instituições que ainda resistem de portas abertas. Inesquecível o que disse, ainda quando vereador e estávamos às voltas com a chegada dos médicos cubanos no país. Em dois momentos foi lamentável. Primeiro quando não entendendo o repasse de valor do que o governo brasileiro pagava pela presença deles atuando no país, um percentual ficava de posse daquele país e investido na formação de outros profissionais. Soltou essa: “Médico brasileiro não trabalho por mixaria”. O bloco do Tomate o desancou. Depois disse mais, quando num debate com um destes médicos o argumentou diretamente, do alto de sua empáfia, se a qualificação dos médicos cubanos era a mesma dos brasileiros, querendo dificultar ao máximo o exercício da profissão deles no Brasil. Isso, por si só demonstra com quem estamos lidando e quem é o sujeito que pretende ser prefeito desta cidade. Ele não se fixa em partido nenhum, pula de galho em galho, ao seu bel prazer e dentro daquele que melhor convier para sua necessidade eleitoral.

Ou seja, não possui vínculo com nada a não ser com seus interesses, no caso o de tornar-se prefeito. Tentou uma vez, tentará outras, assim como fez Gazzetta. Já foi até dito e visto como defensor da causa ecológica, quando militou ao lado do atual prefeito no PV – Partido Verde. Isso tudo resvala de forma muito séria em outra coisa. As notícias de sua atuação dentro das hostes da Beneficência Portuguesa, onde a dirigiu por bom período é a constatação da forma autoritária e impositiva como norma de conduta. Ouve pouco, faz tudo seguindo somente o que lhe dita sua cabeça, ou seja, não possui nenhuma propensão de atuação em equipe. Como se isso já não fosse muito, basta rever onde já se posicionou em relação a temas bem candentes dentro de uma administração municipal, como o trato como o funcionalismo público. Este padecerá de forma desmedida o tendo como administrador. Se não existe diálogo lá onde atua na Beneficência, acreditam que haverá na estrutura da Prefeitura? Evidente que não. Atuará bem dentro do estilo implantado por Bolsonaro, passando o trator, terra arrasada. Eu atuo pelas rebarbas do setor Cultural e sei o quanto alguém com essa visão estreita será altamente prejudicial ao setor. Carnaval, pode esquecer, isso não existe para gente como ele, o outro lá como vereador, Meira e afins bolsonaristas. Esqueçam de ter alguém com visão cultural ampliada, pois a estreiteza predominará de sua eleição por diante.

Sem me estender muito, concluo comparando o que o país viu acontecer quando do Bolsonaro em campanha. Será um retrocesso sem precedentes na cidade. Predomínio de implantação de estrutura privada, dentro de sua linha de entendimento de como se resolve a coisa pública, deixando a estes a condução da maioria dos serviços e reservando ao público, cada vez mais, o que se denomina como Estado Mínimo. Com Raul, Bauru não terá chances de progresso e sim, assim como com Bolsonaro, aumentar rapidamente nossa distância de desenvolvimento aliada à justiça social e atendimento das necessidades das classes menos favorecidas e a dos trabalhadores. Nos bastidores, qualquer um pode perceber que, a união de grandes interesses econômicos, como o da especulação imobiliária e afins se articulam ao seu lado, indicando a gravidade da situação. Qualifico a ascensão de alguém como Raul nas pesquisas bem nítido: a construção e fortalecimento no país da República dos Bárbaros. Ele é prócer deste triste, cruel e insano momento do país. Vivemos momento onde gente como Raul, Bolsonaro e Trump podem deslizar à vontade, não importando o que cometam, pois já fizeram a cabeça de parte significativa do eleitorado e daí por diante, mesmo diante de evidências de que atuaram de um modo, continuarão acreditando ser ele o salvador da Pátria. Podem achar exagerado o que escrevo, mas Raul faz parte da mesma tropa que está em atuação no país bolsonarista neste momento, sem tirar nem por, mesma forma de pensar e agir. Seu discurso é antes de tudo o do predomínio da supremacia branca, messiânica, moralista e mesquinha. Se assim querem ver a cidade administrada, assim será. E não pensem que escrevo isso tudo pensando em cravar o voto no segundo colocado da pesquisa. Claro que, ambos são diferentes, bem diferentes, um muito ruim e outro ruim, mas nenhum o administrador de fato que essa cidade precisa. Estaria cidade dividiva entre o roto e o esfarrapado

O CICLO SE RENOVA A CADA INSTANTE
Tudo é simbolismo e revoluciona, ontem, hoje e sempre. Mafalda representando isso, essa nova geração que pode ir busca de suas tiras e mensagens e a partir delas ocorrer a mesma identificação que gerações anteriores a ela tiveram. Ontem passei por algo similar quando uma criança, algo em torno de uns 10, no máximo 12 anos, vendo meu adesivo do candidato a vereador do PT Claudio Lago no vidro traseiro do carro, me perguntou quando tirava meu carro lá perto da praça Rui Barbosa: "Por que o vermelho?". Seu pai ficou de boca aberta e já de porta aberta, nem a fechei e me coloquei a explicar algo de um simbolismo que não pode ser perdido, a do uso do vermelho, representando luta, comprometimento com uma causa, resistência, insistência, persistência de luta, engajamento ao lado das causas sociais etc. Usei uma linguagem acessível para ela, mas demonstrei ser o vermelho símbolo de pessoas que resistem, lutam e defendem as causas de todos iguais a nós. E disse també,m para ela percebe, o quanto isso pode incomodar alguns, pois estes não mais fazendo uso do vermelho, perderam seu símbolo, já não defendem mais a mesma causa, se envergonham da mesma, algo muito triste. FAlei pra ela do quanto se faz necessário não perdermos o símbolo e que aquele adesivo no carro era de uma pessoa que queria disputar a eleição, mas não abandonava seu símbolo e muitos, só de ver ali o vermelho estariam nele representados, pois veriam e teriam certeza de ali estar alguém que pensa e está do seu lado. Disse também que muitos fazem usos sem o merecer e outros tem vergonha de continuar os símbolos. O sol estava forte, o pai sorriu para mim, não disse nada e se foram. Eu entrei no carro e me pus a pensar. Hoje ao abrir o facebook, vejo a charge do argentino Daniel Paz sobre a Mafalda, mais que um símbolo e tudo me volta à mente. Semana passada fui até a padaria aqui perto de casa, dois dias depois de Quino ter falecido e o dono da padaria me olhando com aquela cara de insatisfação só pelo uso da Mafalda na camiseta, só faltou me dizer dos motivos que tenho para não tirar esse símbolo do peito. Juntei tudo e pensei em símbolos, estampas que nos movem e dela não nos afastamos.

UFA! O CENTRO DE BAURU AMANHECEU DIFERENTE
Enquanto continuo recluso, intrépidos jovens continuam fazendo e acontecendo. Acendem meu fogo, reavivam minha alma um tanto aquietada e acomodada aqui onde me encontro. E fico a justificar minha ausência: Ah, se não estivesse em quarentena! Parabéns é o máximo que consigo pronunciar neste insólito momento...