sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (160)


MAS NEM HOJE NO DIA DE NATAL VOCÊ ESQUECE DELE? SIM, INCLUSIVE HOJE...
Pera lá, hoje é 25/12, uma data que dizem ser especial, mas lá pelos lados do Planalto Central, um lugar hoje dominado pelo pensamento e linha de ação miliciana, tudo continua como dantes, com os planos de aniquilamento do país, daí nada muda e não existem datas especiais, existirão sim dias especialíssimos quando este povo se levantar para retomar seu rumo, botando pra correr esses malversadores que hoje se apossaram do poder e promovem um cenário surreal, para este país, que um dia ousou ser livre, mas hoje se mostra atado dos pés à cabeça, inclusive a mente. Meu caro e dileto amigo reginopolense, Fausto Bergocce, artista do traço de mão cheia não gosta muito de fazer mais charge política, mas diante dos fatos tão aterradores, se rende e me envia uma, aqui reproduzida, como todas as demais, um alerta para o levante. Hoje mesmo seria um ótimo dia para o levante, mas creio termos comido demais na noite de ontem, levantado tarde e pelo que vejo, deixaremos para mais tarde o que já deveríamos ter feito muito tempo tempo atrás. E quando é que tomaremos vergonha na cara e viraremos logo essa mesa? Se não foram rápidos, minhas energias não terão sobrevida muito longa e não poderei estar junto da mudança, pois meu corpo dá evidentes sinais de cansaço e fadiga. Quero estar junto de algo que ainda possa ocorrer, mas enquanto ainda tenho alguma lenha pra queimar. Do contrário, temo ir antes e ainda na vigência do descalabro. Esse cara tira onda na nossa cara e nem reagir a contento conseguimos mais.

DIVAGANDO APOS A BEBELANÇA E COMILANÇA NATALINA
No painel necessário das relações humanas, o papel exercido pelos políticos brasileiros deixa a desejar. Se faz necessário um fundo mergulho, evitando o risco de cair nas descrições simplistas. Como abrir a cortina do mistério em torno da alma do brasileiro? Enfim, como se processa as relações humanas, as que são o grande sustentáculo, o "princípio da valorização do ser humano", algo ainda não colocado em prática na sua acepção por essas plagas. Dou de cara hoje com um povo recebendo informação imediata via seu celular, redes sociais, mas cada vez recebendo menos algo confiável e assim sendo, muito mal informado e, por isso mesmo, mais sujeito a manipulações e menos intransigente na defesa do que seria os seus reais interesses. Se deixa levar e é ludibriado. O grau mínimo de dignidade humana está longe de ser alcançado e o primeiro passo para a dignidade de um povo, qualquer um sabe, independe de debates ideológicos. Melhor lembrar a dignidade de Schiller: "Chega de falar no assunto: dai-lhe de comer e onde morar;/ Quando tiverdes coberto a nudez, a dignidade aparecerá sozinha". Acreditava piamente nisso, mas vejo que não é só isso, pois o que não ocorreu no Brasil são as necessárias mudanças no espírito do povo. Este continua ao deus dará e, assim sendo, ao sabor dos aproveitadores, muitos lhe fazendo a cabeça para agir como se seu algoz fosse seu libertador. Sonhei com a discussão que tive tempos atrás com um estrangeiro, ele me dizendo na lata: "Vocês tem tantos recursos naturais e a maioria da população continua na miséria. Só existe uma explicação: burrice". Falava que o Brasil era um boi, não tinha ideia da força e do potencial que possuía. Estávamos amarrados por uma fina linha e não nos libertávamos porque não tínhamos inteligência. Não tínhamos cabeça. Quis argumentar, "burrice, não, pode ser falta de conhecimento das coisas, de cultura, mas burrice, não". Ele insistiu, eu não o convenci e nem ele a mim. Hoje lendo o último editorial de Mino Carta na melhor revista semanal do nosso mundo, a Carta Capital, lá está: "Parece-me que o Brasil atual atingiu um ponto extremo de uma crise de demência que vem de longe, se quisermos, desde o descobrimento. (...) Aqui vivemos na treva. (...) Isso tudo se deve à falta de organização de um povo súcubo, ignorante, conformado. (...) Aqui vivemos à margem da humanidade por obra de uma situação somente explicável à luz de uma análise patológica". Junto a "burrice" com a "demência", bebo na noite de Natal e, creio eu, ainda não consegui sair do estado de flanar nas "alturas", daí tento escrever algo, explicar pra mim mesmo o que se passa, qual o motivo da letargia, desse povo não entender estar sendo enganado e sem chegar numa conclusão cuspo isso para o papel e vou deitar, pois as ideias estão um tanto confusas, embaralham minha mente e devem assim continuar até não seu mais quando.

A PRESIDÊNCIA DO CONGRESSO NACIONAL E AS ESQUERDAS
Rodrigo Maia perdeu a queda de braço com a Justiça (sic) e não podendo mais ser reeleito para a presidência da Câmara dos Deputados, agora faz um jogo onde tenta unificar tudo o mais num balaio contra o já declarado candidato de Boslonaro, Artur Lira, do PP de Alagoas, líder do Centrão. A existência de união contra Bolsonaro e tudo o que representa é algo mais do que louvável, mas algo não entra na minha já cansada cachola: Ele, Maia fez tudo o que estava prescrito contra os interesses populares, mais Bolsonaro impossível e assim mesmo, pelo visto, não goza da confiança do clã no poder, tanto que é tratado como inimigo. Agora, ele que tanto fez por este desGoverno, articula algo e tenta arregimentar a esquerda com um discurso cerca lourenço, o de evitar que Bolsonaro controle o Congresso. Um dos nomes sendo articulados para representar essa frente é o de Baleia Rossi, MDB paulista, ainda mais aliado ao discurso e prática bolsonarista que Maia. Vence quem conseguir maioria simples dentre 513 votos e a oposição, diria esquerda, hoje sendo paparicada para engrossar o caldo, conta com 133 votos, que somados aos dos golpistas até poderia dar para barrar Lira. A pergunta que não quer calar é: Vale a pena? Alguma votação a favor dos interesses da esquerda seria levado ao cabo? Não, nada, nenhuma. E daí, entrar nessa frente para que, se tanto um quanto o outro representam o lado mais pérfido, nefasto, pecaminoso e também criminoso da política brasileira. O avanço das reformas que interessam ao mercado virão tanto com Lira como com Rossi, daí só entraríamos - a esquerda -, para que Rossi ganhe, depois tudo voltaria ao normal e a esquerda, minoria em tudo o mais. Já cansei desse roteiro, não teria outro não? Inclua-me fora disso.

QUE MAIS POSSO ESPERAR SE ESTIVE PESSOALMENTE COM PAPAI NOEL, O ORIGINAL, O VERDADEIRO, O DAS ENTRANHAS DE BAURU?
Vocês não vão acreditar, mas é a mais pura verdade. Em 2017 cruzei com o Papai Noel de carne e osso, ainda por cima tomando chopp e circulando na Feira do Rolo. Era o próprio, tenho a mais absoluta certeza, reconheci pela barba, o bafo - o de ambos - e o saco, inconfundível. Eu ficaria horas por aqui discorrendo sobre este Noel, que na verdade é conhecido na feira e no bar onde toca sua sobrevivência, na esquina das ruas Julio Prestes com Gustavo Maciel, simplesmente como BARBA, alguém a merecer todo carinho, atenção e gastos - ali consumi chopps dominicais até a chegada da pandemia. Já contei sua história por aqui várias vezes e hoje, dia emblemático de mais um Natal, me fixo em sua pessoa para personificar a luta dos tantos pelas ruas, fazendo das tripas coração para, ao menos continuar de portas abertas e em cada domingo, se renovando, agindo teatralmente como aqui o vemos. São os tais imprescindíveis para mim. Daí, ele é o meu NOEL.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

INTERVENÇÕES DO SUPER HERÓI BAURUENSE (140)


UM ANO MUITO DIFÍCIL, MAS TUDO PODE PIORAR - OU NÃO, ENFIM, BAURU CRÊ
Não existe como fazer prognósticos altaneiros para o país, pois diante da iniquidade de um desGoverno cada vez mais insano, tudo na decadência. Os reflexos podem ser vistos por todos os lados e em cada aldeia deste país, a perspectiva sombria de algo sem nada de alvissareiro a propor uma reviravolta, ou no mínimo um fio de esperança. Guardião, o super-herói bauruense, sempre atento e atuando muito nestes tempos de pandemia, ainda mais agora quando todos estão arrefecendo e tocando a vida como se nada estivesse em curso. "BAURU é só o reflexo de parte do que se passa no resto do país, sem tirar nem por. A perdição é nacional e o sentimento de demência instalado na mente da maioria das pessoas se dá por aqui com a mesma intensidade do que se vê pela aí. Por aqui com um agravante, Bolsonaro ganhou a eleição com 80% dos votos e no último pleito é confirmado o conservadorismo da cidade quando a candidata de uma partido declaradamente fundamentalista, o Patriota chega ao poder. Com apoio não só de evangélicos neopentecostais, mais também de católicos e todos os que, enganados, foram levados de roldão acreditando que, o novo, a mudança, a solução de seus problemas estaria no rostinho bonito, conhecido de todos pela TV", começa sua fala Guardião.

Ele continua: "O ano foi dos mais complicados e as dificuldades são imensas para conseguir fechar a tampa quando da passagem de um para outro. Um país sem perspectiva e agora, um cidade remando na mesma linha ideológica, a do reducionismo político. Ela venceu os barões da cidade e pelo que se vê até agora não topou sentar com estes, numa composição de interesses que sempre acaba ocorrendo. Escolheu os seus, mas nada que fuja do script. A reza será na mesma cartilha, a de governar com os olhos voltados para o atendimento do segmento mais abastado e dando lhufas para os que mais necessitam, sendo também a maioria. Com a crise instalada a nível nacional e as contas da municipalidade de pernas para o ar, um começo meio as cegas, acreditando que a máquina sozinha vai vencendo os obstáculos. Como ter esperança diante de tudo isso? Por que apostar as fichas e depositar esperanças quando já pelos nomes anunciados nenhuma mudança de rumo e propondo o atendimento das reivindicações da classe que mais padece? Enfim, mudará o que? Resolverão o que?".

A esperança bauruense reside diante de tantos problemas pela frente numa solução simples, ELA. Guardião fala sobre a simplista solução: "O ocorrido seria de grande monta, enfim, uma mulher e negra chegando ao poder numa cidade declaradamente conservadora, mas a escolhida nunca esteve presente em nenhum movimento reivindicatório em sua vida, só de louvação e mesmo, quando diante de um suposto e ainda não explicado caso de racismo, quando um movimento de agigante para repudiar o ato, ela desdiz de comparecer e opinar. Para seu partido não existe racismo no país, para os de sua fé idem, enfim, vencem todos os que se entregam aos ditames dos próceres das igrejas. Como querer no mínimo entender o que se passa de fato com este país, quando a mente atua de forma restrita, limitada e intransigente, sem enxergar o diferente como possível, mas como algo a ser repudiado e combatido? O confronto está mais do que estabelecido e não será de boas intenções e da boca pra fora que resolveremos os problemas desta cidade. Não quero gorar nada, mas diante de todos os problemas que teremos pela frente, querer resolvê-los simplesmente ao lado de quem foge do diálogo, creio ser o caminho certo para nada dar certo. A lua de mel da eleita para com a cidade tem prazo de vigência e quiçá algo a ilumine além da crença", conclui.
OBS FINAL: Com este texto o desejo deste mafuento HPA e do idealizador do Guardião, o artista Leandro Gonçalez para boas entradas e saídas para este ano - toc toc toc. Lembram-se da frase "Resistir é preciso", pois bem, em Bauru ela se renova com "Crer é preciso". A gente tenta, mas nada convence.

A GENTE SE VÊ
Não sei nem como consegui chegar até aqui, mas já que cheguei, confesso, não tem sido nada fácil. Se apareci em alguns lugares, devo me recolher novamente. Enfim, quero viver e daí só aumentando o isolamento. Até mais ver, um dia a gente volta a se ver, se assim for possível. Não dá pra ser feliz diante de tudo o que presencio acontecendo à minha volta. Impossível ser indiferente, impossível não adoecer quando pouca coisa ou quase nada se pode fazer. Empurro tudo bocadinho mais. Talvez consiga. Boas entradas e saídas, com baita abracito para tudo, todas e todos são os votos deste mafuento HPA.
OBS.: A ilustração é do genial amigo Gilberto Maringoni e expressa muito be mmeu sentimento natalino nesta altura do campeonato.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

COMENTÁRIO QUALQUER (209)


SILVIO, NÃO EXISTE COMO, É A CARA DA DISCOTECA DE BAURU*
*Cada texto publicado hoje por este mafuento HPA tem que ser seguido de um guia de justificativas, no meu caso, devido à Covid, inevitavelmente, pois decidi me recolher e como continuo escrevendo de pessoas, como seu deu o reencontro.

Fui ao supermercado Confiança Nações dias atrás e na entrada, reconheço alguém por detrás da máscara, pois se trata de velho conhecido, convivência estreita de décadas atrás. Ele também me reconhece por detrás da necessária e obrigatória indumentária na face, o que não impede de nos cumprimentarmos com um leve toque de cotovelos. Na sequência a inevitável pergunta: "Como vai?" e a mais esperada resposta: "Tudo bem, sobrevivemos e cá estamos". Não passou disso e além da incontida vontade de conversar, assuntar mais, fiquei com algo encucado e aqui declaro: Vou logo mais atrás do SILVIO FARIA, para tentar gravar um bate papo com ele resgatando uma das histórias mais inebriantes destas plagas, a da loja de discos mais famosa da cidade, a DISCOTECA DE BAURU, que por perto de 50 anos, encrustada ali na Virgílio Malta foi o oásis do quesito musical da cidade.

É inevitável a cada reencontro com o Silvio, a lembrança da Discoteca, pois ele - pelo menos para mim e para legião de declarados fãs do que representou o lugar -, mesmo com a passar dos anos, tanto tempo já do seu fechamento, mas nunca perdendo o fascínio e a boa lembrança. Já contei aqui mesmo em alguns outros posts, algo sobre essas boas lembranças e ao reencontrá-lo, primeiro a alegria por vê-lo também como sobrevivente desses tempos de confinamento e depois, para agilizar a conversa sobre o que tem para contar sobre o que rolou por lá, desde os tempos de sua mãe, depois ele no comando da loja. Eis o link com o que já escrevi dele no blog Mafuá do HPA: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=Discoteca+de+Bauru

Para mim, Bauru possui muitos marcantes personagens e de todos estes, poucos contaram, deixando registrado algo de sua participação na história desta cidade. Alguns já se foram e essa lacuna nunca mais será preenchida e dos que restam, muitos como o Silvio estão pela aí, com tudo guardadinho na memória e se ninguém for lá destrinchar, ajudá-lo a colocar pra fora, são histórias que se perderão com o passar do tempo. Inevitável eu ao olhar pro Silvio me ver lá vasculhando aqueles balcões de discos, principalmente de LPs e muitos deles ainda comigo, na coleção deste mafuento. O selo da loja, renovado a cada ano, sempre da cor prata, com o ano da inauguração e o do em curso, acrescido de quantos funcionando. Marcaram uma época e depois dele, algumas poucas lojas de discos continuaram resistindo, duas na Batista de Carvalho e a do Marcão lá no Bauru Shopping, todas já fechadas. Hoje, em algumas poucas, balcões com CDs e mesmo LPs, fora os sebos, estes com muita coisa da antiga. Dos áureos tempos, Silvio deve ter uma rica história para contar e verei com ele se logo para o início de janeiro, posso tentar dobrar, driblar sua timidez e fazer com que grave algo para a posteridade.

OBS.: A foto dele é minha e foi tirada em 2017 quando o segui, cerquei e fotografei zanzando pela Feira do Rolo, circulando pela Banca do Carioca, pasmem, em busca de LPs. O rei dos LPs estava em busca de algo mais por aquelas paragens.

SEU MARCOS E COMO VAI SER O NATAL DA IMENSA MAIORIA DOS BRASILEIROS*
* Tempos atrás, perto de uma década, a cada ano enviava um texto com esse espírito para o Jornal da Cidade e eles me publicavam com destaque no Primeiro Caderno. Fizeram isso por uns quatro anos seguidos, depois pararam com a alegação da mudança da diagramação e falta de espaços. Eu, cá do meu lado, continuo produzindo algo parecido, com o mesmo teor a cada final de ano. Eis minha história natalina para este final de 2020.

Voltei a me fechar em copas, ou seja, saindo para o estritamente necessário e numa dessas escapulidas, como faço sempre, tento ter o mínimo de contato possível com as pessoas à minha volta. Adoro ruar e circular, conversar, prosear e conhecer gente nova, mas não está dando e o melhor é evitar riscos, pois o Covid não nos abandonou. Na segunda, 21/12 estaciono o carro na Batista, quadra de baixo da praça Rui Barbosa, pois numa olhada vi que não havia fila na Casa Lotérica ali existente. Quando ia descendo do carro, um senhor muito simpático me dirige a palavra e diz sobre o adesivo que tenho colado no vidro traseiro do carro, sobre a Defesa do SUS. "Gostei demais desse adesivo. Fui operado do coração pelo SUS e o atendimento foi excelente. Nada a reclamar, só a elogiar. Nota 20, tenho orgulho de falar disso, por isso parei só para te dizer isso", me diz. Puxa conversa, vejo que quer falar mais. E fala. Pergunto se não tem medo dos riscos todos de estar na rua. Passa a explicar sua situação pessoal. "Quer o que? Fui lá no Hospital Estadual buscar meu remédio, o Tramal, esse um deles e não tem em estoque. Não posso ficar sem ele e daí me ponho novamente nas ruas, saio em busca de alguma solução. Nada é por acaso e ao me deparar com o adesivo no seu carro te vejo como alguém sensível, parei para conversar".

MARCOS VIEIRA, 70 anos, casado há 43 anos e feliz no relacionamento, mas cheio de dificuldades. Mora num lugar privilegiado, perto do Bauru Shopping, na rua Saint Martin e com seus parcos recursos, faz pães, primeiro para consumo próprio, depois para aumentar seus ganhos e assim tentar cobrir suas despesas. "Velho tem muitos gastos, quase todos com medicamentos. Isso consome quase tudo que ganho e se não me virar não como", diz. Digo que posso ajudá-lo, mas estou indo para a Casa Lotérica pagar contas e na volta, com certeza terei algo. Ele pede se pode me esperar voltar e ao olhar dentro do carro vê uma edição daquele dia do Jornal da Cidade em cima do banco e não resiste: "Posso ficar lendo enquanto lhe aguardo?".

Vou e na volta ele ali diante do carro, me devolve o jornal e faz questão de mostrar a manchete que mais lhe chamou a atenção: "O povo todo numa miséria de dar gosto e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas recebe de presente de Natal um aumento de 40% no seu salário. Isso é um insulto para gente como eu, fazendo das tripas coração para sobreviver". Falo que sou jornalista e que escreveria dele, peço permissão para as fotos e lhe digo se tem como ver o resultado. Ele levanta a camisa, mostra seu pequeno celular pendurado na cita e diz: "Meu filho, o meu só recebe, é dos antigos, não tenho dessas modernidades". Peço seu fone para anunciar dos pães e me passa, agradecendo pela atenção: 14.99837.1250.

A história do seu Marcos é a de muitos à minha volta e foi algo pescado num rio cheio de peixes de igual teor, todos com algo parecido para nos relatar. A dor que qualquer pessoa sensível sente nestes embates pelas ruas, dessas aproximações em forma de mão estendida, um clamor pela ajuda, algo feito com muito sofrimento é de doer na alma. São tantos e todos, cada qual com algo parecido, sem esperanças, fazendo de tudo e mais um pouco para tentar ir driblando as adversidades. Ele volta a insistir no "nada nessa vida é por acaso" e tenta dizer mais, contar mais, quer aproveitar a oportunidade, expor, mostrar e ser ouvido. Eu, cheio de não me toques, não consigo ser indiferente e mesmo demonstrando a necessidade do distanciamento, ali permaneço. Ele fala, mantemos distância, ambos mascarados e saio dali arrasado, reflexos alterados e de lá vou direto para casa, contar pra Ana do ocorrido. Ela me chama de louco, me faz tomar banho - como sempre faz a cada retorno meu da rua - e também sensibilizada, estamos cada vez mais cientes de que, este país tomou um rumo na descendente, caminho sem volta, cabeças e atitudes no desalinho, desGoverno insano em todos os níveis e o povo cada vez mais no desespero, clamando por migalhas que os possibilite continuar obtendo um mínimo, estes não só para alimentação, mas comprando seus remédios. Como passar um Natal, mesmo que entre duas pessoas como farei eu e Ana, feliz diante de tudo isto à nossa volta?

MAS ENFIM, QUEM É SEU MARCOS?
- "Apenas para ilustrar: Esse senhor é o Marcos Litivac, ex-funcionário do Banco do Brasil, que já teve posição bem mais confortável da que vive hoje, precisando vender pães para complementação da renda", Nelson Redondo Arjonas.
- "Recebo ligação de amigo, me contando a história do seu Marcos, dono de várias propriedades na cidade, dos tempos quando ele estudava na faculdade e era inquilino dele. Daí em diante, hoje se mantém somente com a casa onde mora, seu único refúgio. São as voltas dessa vida e ele, fez questão de pousar para as duas fotos, uma tirou a máscara diante do adesivo do carro e pediu para que divulgasse seu fone para a revenda dos pães, HPA.
- "Conheci o Marcus nos tempos áureos... Comprava carros numa revendedora onde eu era caixa... Nunca... Jamais se o visse na rua o reconheceria!! Me lembro que um dia me chamou a atenção por chamá-lo de Marcos.!!É Marcus Litivac.. Descendente de suecos, por favor! Boa sorte a ele!!Trabalho digno não desonra ninguém...!!", Maria Veras Prestes Pereira.
- "Esse senhor sempre teve muitos bens na região central de Bauru, mas mesmo assim sempre dando golpes nas pessoas, meu pai foi um deles, na emoção, pois sempre com o mesmo argumento, que a esposa está doente com câncer.....se está desse jeito hoje e por merecer, pois o golpe ele dava nas pessoas que de alguma forma o conhecia", Ana Monteiro.
- "Vi sua publicação. Esse senhor já foi na Unesp e eu e muitos docentes já compraram os pães dele, principalmente pela sensibilização após a história que ele conta de que sua esposa está com câncer e vende os pães para ajuda-la. Eu comprei muitos pães após isso, principalmente porque minha mãe teve câncer e faleceu disso e sei bem como é caro e complicado. O problema é que descobrimos que a esposa dele não era doente e após isso ele nunca mais voltou na Unesp para vender os pães. Acho que por ele nunca mais voltar essa história se confirma. Não posso confirmar para você que ele mentiu em tudo e nem quero julgar ninguém, mas ele mesmo confirmou o caso não indo mais lá, até porque comprávamos muitos pães e o ganho era bom...enfim, espero que eu esteja errada, ou que talvez a história verdadeira apareça. Abraços!", servidora da Unesp Bauru.
- "Leio os vários relatos, inclusive alguns pelo reservado e tiro minhas próprias conclusões. De tudo o que ouvi, nada desmerece minha história, meu relato, após o que ouvi do seu Marcus. Ele me sensibilizou e isso me basta. Sua história me encantou e não existe mentira no que me contou. Ele hoje, mora num bom lugar da cidade, o último imóvel que lhe restou e quase sem recursos, busca medicamentos no Hospital Estadual e vende pães. Li relatos dele vendendo pães em muitos lugares, da redação do JC ao campus da Unesp. De seu passado, leio e não me arrependo do escrito, pois fiz algo sentido e ele idem, ao meu lado relatando suas necessidades atuais. Se fez e aconteceu no passado, quem sou eu para julgar e o ignorar. Enfim, vivemos no país dos golpes, onde eles se sucedem a cada instante e muitos não causam nenhum rubor. Junto tudo, o passado e o presente no mesmo balaio e cada um traça sua história como consegue. Adoraria reencontrá-lo e se me permitisse escrever algo a mais. Talvez o faça, se ele assim permitir, mas sem culpabilizá-lo por nada, mas produzindo um relato de vida. Essas histórias quando contadas num todo, com começo, meio e fim são inebriantes. Quem não possui uma história cheia de altos e baixos para relatar e vivendo onde vivemos, não viveu nada de inebriante na vida. Cada um carrega seus feitos e também as culpas. Toquemos o barco", HPA.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

MEMÓRIA ORAL (262)


RELATOS ENVOLVENDO AÇÃO NEOPENTECOSTAL
* Reuni algumas e ao longo do dia irei tento destrinchar dos procedimentos e práticas.

1.) Sandra Pereira Tonelli estava em plena campanha para a vereança na última eleição e promove no Calçadão da Batista um samba, uma descida sambando e carnavalizando o pedaço, propositura de sua campanha. Deve ter sido lindo, pois ela samba como poucas, um dom mais que único, a tornando diferenciada no que faz. Convidou para estar ao seu lado o candidato a prefeito de seu partido, Sandro Bussola. Este aceitou e mesmo sem sambar, esteve presente, foi visto e fotografado ao lado dela em trajes carnavalescos. Para as pessoas normais, sem nenhum problema, mas para dirigentes da dita cúpula evangélica neopentecostal, dizem ter sido a gota d'água e ele, a partir daí, com as relações lá entre eles já um tanto estremecidas, perde o último apoio que tinha dessa comunidade. Isso eu ouvi pessoalmente de alguém pertencente ao círculo de poder destes: "Meu caro, ele é dirigente e não poderia ter pisado na bola e se mostrado ao lado de quem gosta de Carnaval. Nós temos postura e quem se desvia, está fora". Sandro que está envolvido nas tais viagens com dinheiro público pela Cohab, nunca sofreu perseguição dessa cúpula por causa deste motivo, mas por se mostrar simpático para uma candidata, esta amante declarada do carnaval, pelo visto, passou a ser persona non grata entre os seus. As relações no meio destes se dá exatamente desta forma e jeito, sem tirar nem por. Escreveu não leu o pau comeu. Mijou fora do prescrito pela cartilha, riscam o nome do caderninho. E de tudo, algo mais a ressaltar e mais que perceptível, o ódio que possuem do Carnaval. De minha parte, todo apoio para Sandra e na defesa, sempre e sempre, da maior festa popular desta país. São pequenos detalhes.

2.) Uma entrevista ao vivo com personalidade conhecida e este a interrompe quando chega no assunto Igrejas Evangélicas Neopentecostais. O constrangimento é perceptível e por segundos a câmera fica sem registrar a fala do entrevistado. Quando volta, pede para o entrevistador, no pé do ouvido: "Por favor, não toque nesse assunto. Em casa tenho tudo resolvido, mas na família não, eles são fundamentalistas e terei problemas, pegarão demais no meu pé". A entrevista segue normal, sem outras intercorrências e o assunto não é mais abordado. Ouço depois de jornalista daquela localidade, que bem poderia ser também daqui, pois o problema não é local e sim, de âmbito geral: "Meu caro, eles agem assim mesmo. Imagino ele falar o que pensa e ter que enfrentar depois a família reunida na sua cabeça, cobrando e até cortando ajuda e apoio. Todos estão sendo cerceados até de se pronunciar e isso é geral, por todos os lugares". Entendo o que se passa, mas não compreendo e não aceito como normal, pois se tudo aceitarmos hoje, que já está desse jeito, o que virá amanhã, se forem maioria? A pergunta me esquenta o cerebelo.

3.) A história da padaria funcionando numa das esquinas da cidade e recentemente adquirida por seguidores de igreja neopentecostal. A mudança no procedimento é radical e já na fachada algo a lembrar, uma espécie de sinalização aos seu, como a dizer "Aqui é mais uma casa tua, venha". Comprei pão por lá algumas vezes e o fazem bem feito, no capricho, mas ouvi por lá algo que me fez não mais voltar: "A gente faz parte de uma rede. Eu vou lá, eles vem aqui e assim todos prosperam. Se sei que o estabelecimento do meu vizinho é de alguém de outra crença, deixo de ir tendo alguém da minha oferecendo o mesmo produto. Eu ajudo aos meus e não estes outros, eles que o façam entre si, que produzam algo em rede como fazemos". Sai de lá com meus pães na mão e sem saber direito o que faria com eles, pois perdi o apetite. Do que ouvi lá, um ótimo exemplo de como as coisas estão se dando no frigir dos ovos, no campo de batalha. A divisão está estabelecida e em curso, entenda quem a quiser e souber. Veja meu caso particular, aqui perto de casa tem o Mercado Tobaro e lá um pão artesanal divinal, tendo na embalagem uma nítida informação ser produto de pessoas professando a fé evangélica. Irei deixar de consumir por este motivo? Não consigo, o que compro é muito bom. Fosse o contrário, sendo o pão de origem de alguém umbandista seria comprado pelos neopentecostais? Esse o imbróglio.

4.) O eletricista vai na casa de meu amigo e conversam sobre vários assuntos, um deles este, relatado por ele a mim e aqui transcrito, mais ou menos como ouvi: "Eu frequento a igreja lá no bairro, me converti, era homem de futebol e bares, hoje não mais. Continuo gostando de futebol e fui comentar com o pastor da igreja onde vou, gostar muito de Maradona. Isso logo após a morte dele, pois sempre me espelhei nele para jogar. Levei uma dura. Ele me disse que ainda continuo no desvio, pois idolatro ídolos falsos e poderia muito bem escolher outro jogador para reverenciar, algum professando nossa fé". São pequenos detalhes, cada qual se juntando ao conjunto da grande obra. Tenho um inquilino, pintor evangélico e começou a frequentar igreja no Chapadão. O pastor já foi em sua casa, levou sua família e neste domingo, me contou mais: "Como posso deixar de seguir ele, ele faz muito por mim. Hoje mesmo, ele morando no Beija Flor, a igreja sendo lá no Chapadão, ele veio aqui em casa, perto do CIPs, totalmente fora do seu roteiro, só para me buscar. Ele me quer lá, demonstra isso e eu vou". Trata-se de um trabalho de formiguinha, um por um e assim conseguem o milhão, enquanto a militância política e educacional perde feio desdizendo de há muito dessa catequização (sic). Ouço e junto essas histórias, cada qual a demonstrar o quanto já avançaram e estarão avançando cada vez mais.

5.) Neopentecostalismo e fundamentalismo andam de mãos dadas, aja visto o ocorrido no pleito em Bauru, quando a prefeita é neopentecostal e o seu vice é católico, sendo que na campanha, mesmo sem se juntarem, ambos segmentos estiveram bem ativos nos bastidores da eleição, cada qual cumprindo sua missão. Ambos os segmentos, fundamentalistas até a medula, conservadores por opção e no frigir dos ovos, algo em comum, o bolsonarismo, a defesa das leis de mercado e a crueldade para com os interesses dos menos favorecidos. No mais, desavenças, como agora, quando na montagem do secretariado, cada qual tenta ao seu modo e jeito lá estar e demonstrar toda sua importância, imponência e mais que tudo, a fé acima de tudo e todos, inclusive dos interesses da cidade. Portanto, não existe diferenciação entre neopentecostal e católico ou seja lá que religião for, quando fundamentalista. O exemplo é singelo, cristalino e pode ser observado na campanha, quando conseguiram, mesmo não se tolerando, tocar o barco até o fim e conquistarem a vitória. Hoje, o buraco é mais embaixo e as divergências começam a se aflorar, pois na ocupação dos cargos disponíveis se mostra a força de um e de outro. Observar esse jogo de bastidores e se a força da prefeita suplantará desde já a do seu vice é algo para quem sempre se manteve distante desse jogo e está neste momento assistindo tudo de camarote. O bem da cidade vem depois, primeiro os cargos serão loteados e ocupados. Quem acha que os critérios religiosos são deixados de lado nessa hora, precisa reavaliar seus conceitos.

6.) E fechando a tampa do caixão a escabrosa história se repetindo país afora. Um agricultor paulistano leva carga de frutas para uma unidade de abastecimento, faz a entrega da remessa solicitada, dezenas de caixas de uma fruta específica e como, sempre, entrega primeiro e recebe depois. Seu fone toca horas depois e, infelizmente não era para comunicar o pagamento, mas sim a devolução de quase toda a carga. "Desculpe amigo, mas tenho que lhe devolver a maior parte. Para não ter prejuízo total fico desta vez com algumas caixas, mas devolvo as demais. A história se deu longe daqui, mas assim mesmo tudo foi feito por mim para dificultar ao máximo a identificação dos envolvidos, por um motivo bem simples: se a situação já está complicada e devoluções sendo feitas, quando denunciados, a perseguição pode piorar. Fatos e casos com oestes são demais de corriqueiros pela aí, com não só gente não mais comprando produtos ao tomar conhecimento de sua procedência, como também comerciantes, pressionados ou não, nem mais comprando quando sabem a procedência. O Brasil está deste jeito e não se assustem, pois isso é o trivial, quase se tornando corriqueiro para quem faz negócios. Exagero de minha parte? Cliquem no google e se informem de quantos casos iguais a estes pululam Brasil afora.

ELES ESTÃO CHEGANDO
O QUE EU ACHO DO SECRETARIADO? NADA...

E deveria achar? A eleita foi ela e as escolhas são feitas dentro da alçada que possui e dos compromissos que já estabeleceu como conduta de seu Governo. 

Expectativas? Mínimas. Nada mais que isso. Vida que segue e a partir de agora, o "Patriota" mostrando a que veio. Na qualidade de oposição, me mantenho distante, seguindo a vida e a partir de janeiro de 2021, com uma só certeza, se as relações de quem espera ter um trabalho voltado para as minorias, ao lado dos movimentos sociais, dos trabalhadores e no atendimento de suas justas reivindicações, creio as dificuldades serão enormes, ampliadas e mais contundentes, acirradas e aguerridas.

 Se faz necessário uma organização popular de enfrentamento não só ao governo municipal, mas também ao estadual e, principalmente, ao federal. É o que nos resta... 

A ressalva, se existir, vai para os funcionários de carreira assumindo pastas ou dando continuidade em outras. Estes eu valorizo e me coloco ao lado, pois sei o quanto é difícil atuar com a chegada de sabichões impondo o novo, o que salvará o planeta, detentores do maná a iluminar tudo. Que consigam, no mínimo, aplacar e fazer com que os que chegam não cometam tantas brutalidades com a coisa pública. Para mim, estes serão a luz a iluminar o que teremos pela frente. 

Sou oposição.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

FRASES (203)


A BUCHA DA PREFEITA SUÉLLEN ROSIM – O QUE EXISTE SOB JUDICE NO TRE - TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
Ser contra ou a favor é o que menos deveria interessar neste momento, quase véspera dela assumir como prefeita em Bauru. Diante de toda intensa movimentação ocorrendo nestes dias, não só no que denominam de transição, mas também no arrumação, eis algo que precisaria ser resolvido de uma só vez, até para que ela consiga navegar em mar de tranquilidade e sem pendengas daqui por diante. Suéllen não é novata na política, já tentou ser eleita em outras oportunidades e como todos sabem, existem regras a serem cumpridas para tanto. Cumpri-las faz parte do negócio e quando do descumprimento, no mínimo a pessoa pode se tornar inelegível. Ela corre este risco e a cidade – ou boa parte dela – sabe disso. Ela já teve recursos de eleições passadas julgados no TRE – Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e pelo que se mostra, não cumpriu acordos, passou batida por eles e agora, tudo está nas mãos de um Juiz, que deverá decidir seu destino político. Sua decisão pode ser ainda este ano ou, o que seria pior para Bauru, somente após o recesso de final de ano e consequentemente, quando ela já estiver ocupando o cargo de prefeita. Tudo o que está até agora informado abaixo faz parte de publicação do TRE, portanto, não se trata de nenhuma novidade para ninguém, bastando um pequeno garimpo e sua exposição, até pelo bem do que teremos pela frente, uma prefeita isenta de problemas ou ela tendo que continuar se defendendo ad eternum, atrapalhando sua nova atividade.

Eis o que se tem sobre ela e seus processos junto ao TRE:

Diários Oficiais - Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo - 26 Set 2019 - Páginas sem caderno - Página 18
Processo 0605982-84.2018.6.26.0000- TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO - PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) - 0605982-84.2018.6.26.0000- São Paulo - SÃO PAULO
RELATOR (A): MARCUS ELIDIUS MICHELLI DE ALMEIDA
INTERESSADO: ELEIÇÃO 2018 SUELLEN SILVA ROSIM DEPUTADO ESTADUAL
REQUERENTE: SUELLEN SILVA ROSIM Advogado do (a) INTERESSADO: Advogado do (a) REQUERENTE: ALESSANDRO BRAIDOTTI RODRIGUES -SP180485
EMENTA
PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2018. DEPUTADO ESTADUAL.
IRREGULARIDADES:
ITEM 4) DESPESAS PAGAS COM RECURSOS DO FEFC NÃO COMPROVADAS, NO VALOR DE R$ 7.335,51. CORRESPONDE A 2,57% DO TOTAL ACUMULADO DE DESPESAS. IRREGULARIDADE PERSISTE.
ITENS 5 E 6) GASTOS ELEITORAIS IRREGULARES, NO VALOR DE R$ 4.890,00, PAGOS COM RECURSO DO FUNDO PARTIDÁRIO E, AINDA, NO VALOR DE R$ 12.030,60, PAGOS COM RECURSOS DO FEFC. EQUIVALEM, RESPECTIVAMENTE, A 1,71% E 4,21% DO TOTAL ACUMULADO DE DESPESAS. FALHAS SUBSISTEM.
ITEM 9) AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES REFERENTES AOS RECURSOS ESTIMÁVEIS EM DINHEIRO, NO VALOR DE R$ 3.000,00. REPRESENTA 1,05% DO TOTAL DE RECEITAS ARRECADADAS. FALHA NÃO SANADA.
ITENS 10 E 12) RECEBIMENTO DE DOAÇÕES, NO VALOR TOTAL DE R$ 2.000,00, E REALIZAÇÃO DE GASTOS ELEITORAIS, NO VALOR TOTAL DE R$ 33.696,67, EM DATA ANTERIOR À DATA DE ENTREGA DA PRESTAÇÃO DE CONTAS PARCIAL, MAS NÃO INFORMADOS À ÉPOCA, CORRESPONDEM, RESPECTIVAMENTE, A 0,70% DAS RECEITAS ARRECADADAS E 13,99% DAS DESPESAS CONTRATADAS. FALHAS QUE NÃO IMPEDIRAM A FISCALIZAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CAMPANHA. IRREGULARIDADE RELEVADA.
ITEM 11) DIVERGÊNCIA, NO VALOR DE R$ 2.000,00, ENTRE AS INFORMAÇÕES RELATIVAS À DESPESA COM A LOCAÇÃO/CESSÃO DE BEM IMÓVEL INFORMADA NA PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL E AQUELA CONSTANTE DA PARCIAL. REPRESENTA 0,70% DO TOTAL DAS DESPESAS. FALHA QUE PODE SER RELEVADA, POIS NÃO PREJUDICOU A ANÁLISE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CANDIDATA.
ITEM 13) SALDO DO FUNDO DE CAIXA DECLARADO ULTRAPASSOU, EM R$ 9.062,62, O LIMITE ESTABELECIDO NO ART. 41, DA RESOLUÇÃO TSE Nº 23.553/17. CORRESPONDE A 3,18% DAS DESPESAS CONTRATADAS. IRREGULARIDADE SUBSISTE.
ITEM 14) REALIZAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ESPÉCIE, NO VALOR TOTAL DE R$ 6.804,37, PARA O MESMO FORNECEDOR, EXTRAPOLANDO O LIMITE ESTABELECIDO PARA GASTOS DE PEQUENO VALOR. REPRESENTA 2,39% DAS DESPESAS CONTRATADAS. FALHA PERSISTE.
IRREGULARIDADES QUE COMPROMETEM A TRANSPARÊNCIA E A FISCALIZAÇÃO DAS CONTAS. INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE.
OBS. FINAL: O TRE - SP permite consulta pública. Basta entrar com o número do processo: 0605982-84.2018.6.26.0000. Lá duas pendências:
1ª - O valor que ela deve ao Estado, atualizado pela AGU, em julho de 2020, é de R$ 26.625,59;
2ª - O último andamento do processo é de 20/08/2020:
Gabinete do Magistrado, Marcelo Vieira de Campos:
Conclusos para decisão.

RESUMO DA ÓPERA: Das duas uma, ou tudo isso não vai dar em nada ou caso contrário, ela pode vir a ser condenada e com direitos políticos alvejados, tornar-se inelegível, antes ou, mesmo, após da posse. Problemas com a Justiça, muitos os tem, mas no caso de pessoas públicas, como a agora prefeita, nada melhor do ter tudo esclarecido e mostrado, até pra que possa se defender, se justificar e trabalhar em paz. Não se trata de perseguição para com Suéllen, mas algo pendente e cuja morosidade lhe atravancará o bom desempenho, tão necessário após 1º de Janeiro de 2021. Tornar isso público é algo mais do que normal, pois tudo está lá no site do TRE, podendo ser acessado, como feito e aqui publicado, se buscando uma agilidade na solução e definição do que está em andamento, até pelo bem de Bauru, tão aflita em busca de alguém, que lhe resolva seus problemas mais candentes. Depois do mafuento disparo da postagem de ontem, este aqui segue na mesma linha, porque entra em detalhes que todos insistem em manter ocultos, sem divulgação, sem debate, sem democracia. Todas essas informações estão lá, no Portal do TRE - SP, sob uma rubrica iniludível e indiscutível: Consulta Pública!. Disponibilizo o link para ao eventual leitor interessado acessar diretamente o Caso Suéllen: https://pje.tre-sp.jus.br:8443/.../Detal.../listView.seam... Eu, ao contrário do possa querer algum zeloso camarada, estou apenas, expondo, tardiamente (isso deveria poder ter feito parte do debate eleitoral, primeiro e segundo turnos!) detalhes públicos de um processo em que, há prevalecer lei, direito, justiça. Nada mais.

UMA PLACA NO MEIO DA RUA E NELA ALGO PRA SE PENSAR
Domingo pela manhã, quadra 24 da rua Bernardino de Campos, horário em que os pequenos comerciantes costumam colocar na beirada da calçada algo a mais para reforçar suas atividades, como cavaletes com anúncios e neste, a de um cabeleireiro, dizem que bolsonarista e evangélico neopentecostal, somente atendendo público restrito, reservado e escolhido a dedo.

A repercussão:
- "Como será que ele vai fazer o teste de fidelidade? Hahaha", Tarsila Lima da Costa.
- "Uma boa oportunidade pra colocar uma roupa de irmão, deixar o cara cortar o seu cabelo e depois do corte dizer que está lá a mando do Tinhoso", Bruno Sanches.
- "Vou ficar com os cabelos longos rsrsrs", Marcos Antonio Ferraz.
- "Eu passei hoje e me chamou a atenção e comentei com o Silvio, e fizemos uma brincadeira. Fiel a quem? Só corta quem são os fieis? Será os fiéis da torcida do Corintians? Ficamos na dúvida", Elizete Maria Barro.
- "Gente... Kkk Marketing... E está dando certo... O cara é muito gente boa, batalhador pra caramba... Esse é super super", Juarez Scarelli.
- "Ouvi dizer q qdo entra um homem no salão..fica cheio de gente lá fora pra testemunhar", Adilson Chamorro.
- "Será que ele faz perguntas sobre a Bíblia e se o cliente errar alguma ele não atende e manda embora? É cada uma", Rosa Camolez.

Muitos levam algo assim na brincadeira, mas o que está em curso é algo muito sério. Amanhã conto aqui várias histórias reunidas sobre procedimentos dos evangélicos neopentecostais, da mesma  linhagem da prefeita eleita. Estejamos todos preparados...

COMO DESEJEI BOAS ENTRADAS (E SAÍDAS TAMBÉM) HÁ SETE ANOS ATRÁS, MAS COMO TUDO CONTINUA TÃO ATUAL, RENOVO AS EXPECTATIVAS COM MESMO CARTÃO*
*
Este ano nem cartão estou predisposto a criar. Fica valendo este mesmo...
MEUS CAROS E CARAS, GENTE PRÓXIMA E DISTANTE: Não esperem de mim um cartão formal de Boas Festas. Nada sairá de mim nesse sentido. O máximo que consegui produzir dentro do meu sentimento com esses dias é em cima dessa bela frase do Galeano, ótima reflexão para o que já fomos, o que somos e o que queremos ser daqui para frente. Tenhamos todos a paz suficiente para caminharmos lealmente diante de tudo o que se apresenta. Boas entradas e saídas para todos (as). Abracitos cordiais do HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO (www.mafuadohpa.blogspot.com)

domingo, 20 de dezembro de 2020

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (151)


BAURU NAS MÃOS DA DECISÃO DE DOIS JUÍZES E A CIDADE QUE SE PROCLAMA MELHOR APARELHADA NO QUESITO JORNALÍSTICO NADA FAZ PARA ENTREVISTÁ-LOS SOBRE DOIS RUMOROSOS CASOS
Bauru é uma cidade sui generis, pois por aqui uma das maiores concentrações por metro quadrado de jornalistas, inclusive com faculdades, universidades, cursos paralelos e afins, todos versando sobre a prática do Jornalismo. Também por aqui rádios, TVs, um jornal com dezenas de anos e muitas publicações, com jornalistas atuando de forma independente, autônoma e por conta própria - alguns também como coisa mandada -, enfim, jornalistas não faltam, até se trombam, mas não vejo nenhum destes questionando quem de direito pode determinar o destino desta cidade nos próximos dias.

No quesito COHAB o juiz Fábio Bonini está à frente da 4ª Vara Criminal e sabe tudo sobre o que rolou até o presente momento sobre este rumoroso caso envolvendo dezenas de políticos destas plagas. Suas investigações hoje devem ser determinantes para que a cidade tome finalmente conhecimento de quem de fato fez algo de irregular. No quesito Suéllen Rosim e suas pendengas com a lei, acordos não cumpridos e descumprimento de legislação eleitoral em pleitos passados, está nas maõs do juiz paulistano Marcelo Vieira de Campos, do TRE a decisão sobre o futuro político, se estará inelegível e perde ou não o cargo para o qual foi recém eleita.

Junto a informação de Bauru ser muito bem dotada de jornalistas e órgãos jornalísticos com a citação dos dois nomes dos juízes e deixo a pergunta no ar: Por que até o presente momento ninguém questionou ou tentou entrevistar a ambos sobre o andamento dos processos, para quando será a decisão final e se falta algo mais para suas conclusões? O Mafuá e este mafuento são pequenos demais para fazer isso, pois acredita ser essa tarefa de empresas fundadas e funcionando com destinação da prestação de serviços relevantes no quesito jornalístico, com maior cabedal para tanto, ou seja, condições. "O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bameridus continua numa boa...", apregoava a campanha publicitária deste hoje falido banco e poderia ser o pano de fundo para a rolagem do tempo nestes dois casos. Enfim, será que o mafuento terá que tentar uma entrevista com os dois, mesmo diante deste mar de jornalistas e empresas existentes na cidade? 

Enfim, recebo hoje questionamento de colega professor me instigando a escrever o texto acima produzido: "Caríssimo Henrique, pensando melhor, para o verdadeiro e vitorioso perfil do Mafuá, talvez nem se trate de se cogitar de uma entrevista ou algo parecido com os dois juízes. O que caberia ao Mafuá, ao menos num entendimento politicamente mafuento, seria especular sarcasticamente e ironicamente, como é que uma cidade que se orgulha de praticar o melhor jornalismo da região, com tantos veículos históricos, verdadeiras vacas sagradas da comunicação social, mais cursos de jornalismo em tantas faculdades, com dezenas de mestres e milhares de estudantes procurando seu lugar ao sol nos negócios da imprensa, não tem ninguém que faça as duas matérias óbvias do momento, para esclarecer o povo bauruense e toda a audiência da região aquilo que ele ignora, mas deveria conhecer, nos mínimos detalhes! Ou, não?". É o que faço neste exato momento...

AH, COMO EU QUERIA TER ESPERANÇAS E ACREDITAR QUE MESMO OS FUNDAMENTALISTAS ATENDERIAM NOSSOS CLAMORES
Eis o link da Carta Aberta de agentes culturais para a prefeita eleita: https://www.facebook.com/denise.amaral.3914/posts/3657714614264885

Mafuento se posiciona: Compartilho a Carta Aberta de vários segmentos ligados na Cultura bauruense para com a prefeita Suéllen Rosim - Patriota, há exatos 10 dias da posse e no momento em que as especulações em torno do nome do responsável que irá assumir a pasta seguem a todo vapor. Dizem que poderia ser a atriz Tatiana Sá, que por lá esteve durante alguns dias fazendo o trabalho de transição ou mesmo alguém ligado ao segmento católico, cujos nomes estão já em poder da alcaide ou mesmo, como alternativa ela acatar a sugestão da classe artística e colocar algum funcionário de carreira ou com folha corrida no quesito entendimento mínimo do que venha a ser a Cultura Municipal. O Patriota chegou ao poder e tem em Bauru seu reduto mais consistente, tanto que neste momento notamos a chegada de muita gente vinda de fora, todas com vinculações, ou com ela ou com este partido, quando não as duas coisas e mais a de ser membro de igreja neopentecostal. A briga vai ser feia e de promessas o paraíso está cheio. Tento crer em algo diferente, tanto que cá estou, compartilho a Carta, mas como não acredito um só milímetro em Bolsonaro - e quem foi eleita é muito bolsonarista - e muito menos neste partido com fundamentos reacionários, aliado ao que vejo ocorrer país afora quando a ação e mentalidade igrejeira se impõe sob tudo o mais, só mesmo um MILAGRE para, não só na Cultura, mas em outros setores pudesse ocorrer algo com a cara salutar e oxigenada de, no mínimo, uma continuidade do que já vem sendo feito. Toc toc toc...
Em tempo: Adoraria queimar a língua e ter que me retratar, redimir ou reconsiderar, sendo exatamente isso o que mais quero fazer, pois crer acima de tudo, ainda faz parte do negócio.

A IMPORTÂNCIA DE SER GAUCHE A VIDA INTEIRA E NÃO SE DEIXAR LEVAR PELOS DITAMES DAS LEIS DE MERCADO E NEOLIBERAIS
Tem uma premissa apregoando por aí que todo jovem é rebelde, mas depois isso passa, ou seja, a pessoa não só se acomoda, como se integra ao mundo onde vive. No caso brasileiro, adentra o mundo do individualismo e desdiz das lutas pelo conjunto da obra, pelo país num todo, pensando mais em si do que no geral. Quer enricar e abre mão de muita coisa. Em primeiro lugar o revolucionário tem mesmo que ser ácido e não perder o ímpeto, pois quando perde, ele não desafia e nem provoca mais nada. O capitalismo é a vitória do individualismo e isso não é bom, não pode ser bom. Triste quem pensa só nele e não nos demais à sua volta. Quantos já não se disseram de luta, estiveram na luta e hoje estão fazendo exatamente o contrário, alguns de forma envergonhada, outros não, assumindo muito bem o papel a eles destinado dentro do sistema que tritura pessoas, mentes e atitudes.

Que vida leva a pessoa que se transformou um Simpson, deixando de lado a luta ou os ideais do passado? Ele passa a ser um ser triste, acabrunhado e aqueles sonhos esquecidos o tornam uma mera peça na engrenagem do mal. O sistema tritura a todos que dele fazem parte, como uma máquina a moer carne. O lema do libertário deve ser "viver e compartilhar" e não "aceitar e resignar", como o induzem a aceitar e proceder. As pessoas estão se acorrentando cada vez mais aceitando serem gados. O burocrata de hoje, que um dia sonhou é uma pessoa infeliz, pois o trancaram numa sala e ele possui poucos movimentos. O engomadinho, o liberalóide é antes de tudo um fracassado, pois abriu mão de seus sonhos, foi convencido que o meio mais fácil é o de fazer dinheiro e foda-se o resto. O resto é a coletividade. O idiota não é um cara livre, mesmo que assim se entenda. A maioria dos dias do cotidiano dessas pessoas são iguais, daí uma merda. O idiota padronizado não vive nada, não mija fora do penico, não arrisca, não vislumbra outros horizontes e só faz o joguinho sórdido a ele determinado. Essas pessoas vivem em eterna depressão, pois para elas não existe mais perspectivas, tudo é muito igual.

A sociedade determina que a felicidade está atrelada ao consumo é isso é deprimente. O homem não foi feito para ser contido e viver resignado, daí a importância dos que fogem à regra. As conquistas do mundo capitalista não preenchem a lacuna existencial e daí o aumento das pessoas com estado cada vez mais depressivo, pois se veem num beco sem saída. O vazio existencial quando bate no ser humano é destrutivo e ele alcança a todos que, de forma limitada só pensam em consumir, amealhar objetos e capital, sem se distrair, ousar e levar uma vida mais leve, sem amarras. O prazer maior é no contato com as pessoas, na convivência só possível quando me relaciono com os demais à minha volta e não os evito, muito menos os encaro como numa competição destrutiva. Construir história, ter história pra contar e não só bobas vantagens obtidas sob os demais. Os libertários possuem histórias alvissareiras para contar aos demais e os vivendo como manada dentro do atual sistema, quando velhos terão o que para contar? Não terão do que se vangloriar. As pessoas livres são muito mais felizes e os verdadeiramente livres estão à margem do sistema. Fazem e acontecem, tem de frente e no confronto ousam. Os dias ficarem iguais é terrível, algo sem esperança e isso é bem o que resulta para quem aceita as regras impostas, tudo resignado. A pessoa fica presa ao sistema em tudo, inclusive financeiramente. Eu tento e faço de tudo para não me adequar, continuar sendo um outsider dentro do mundo em que vivo, pois sei que assim continuarei livre, leve e solto, sem amarras e condicionamentos. Que seria do mundo sem as loucuras e os loucos?

COMO É DIVINAL VER A IMPRENSA MASSIVA SER OBRIGADA A CAPITULAR E SE REDIMIR PELOS ERROS E CRIMES COMETIDOS

sábado, 19 de dezembro de 2020

REGISTROS DO LADO B (25) e PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (148)

O 25º LADO B SE DÁ COM WANDER FLORENCIO, A CARA DA PERIFERIA LATEJANTE BAURUENSE, BOM DE OUVIDO, FALA E ESCRITA, CONTANDO SUAS PERIPÉCIAS

"Dizem que eu sou malandro, cantor de bandido e até revoltado, somente porque canto a realidade/ De um povo falido e marginalizado/ Na verdade, eu sou um cronista que transmite o dia a dia do meu povo sofredor/ Dizem que eu gravo música de baixo nível porque falo a verdade que ninguém falou" (Bezerra da Silva).

É com imenso prazer que apresento e me posto ao lado de WANDER FLORENCIO, 40 anos de estrada, onde comeu muita poeira variada, mas aqui chega forte, altaneiro e como aroeira, verga mas não quebrando de jeito nenhum. Este cidadão é uma das personagens mais conhecidas das entranhas desta terra, pois o danado sabe se impor e se representar, mesmo quando não convidado, aparece, pede a palavra e passa seu recado. Desde que o conheci atua desta forma e jeito, sempre ligado e atuante junto à comunidade onde mora e a defender o lado palatável deste país. Um ser pulsante, com uma garra dessas inquebrantáveis, nadando contra a maré e a correnteza juntas, mas mesmo assim se fazendo forte, não desistindo, desses que a gente vai ter certeza, amanhã no ato marcado ele lá vai estar, com seu jeito mais que peculiar e somar forças para todas as lutas empreendidas por estas plagas. Bem a cara e identidade desta propositura, a do LADO B - A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES.

Todos conhecem Wander, impossível não ser percebido, notado, mas poucos conhecem sua trajetória e o que fez para chegar até aqui. Sua vida é uma eterna luta, desbravador e conquistados, pois cada passo dado é também uma conquista, um avanço e ele vai galgando um por um, degrau por degrau, algumas vezes sendo mal entendido, noutras acolhido com louvor e assim ele toca sua vida, algumas vezes se cuidando, noutras se descuidando, mas sempre atuante. Comigo a empatia bateu logo de cara quando o conheci e ele produzindo um blog, o “Boteco do Valente”, onde ia postando seus pensamentos e ideias. Gostei de cara, tivemos parcerias e depois também nos acompanha em todos os eventos lá pros lados do Mafuá, desde os encontros festivos do bloco do Tomate, como os bate papos políticos. Sempre rodeando a estante de livros e discos, pois são temas que lhe são próximos, possui não só carinho, como quer se enfronhar mais e daí mergulha de cabeça. Sempre circulou pelas rebarbas da cidade e estará contando algo disso tudo, para deleite de quem ainda só o conhece pela fachada, mas não no seu interior. Um papo necessário, um depoimento de vida dos mais significativos, pois WANDER é mais do Lado B, mais do que Importante dentro da desimportância a que estamos todos submetidos. Ele sabe muito bem disso tudo, pois convive com este tratamento pueril dado pelos de cima aos de baixo. Sente na pele e expele em registros memoráveis, como o que estaremos junto construindo logo mais.

Abaixo alguns dos escritos produzidos por mim sobre o Wander e publicados inicialmente no blog Mafuá do HPA:

- Publiquei em 17/08.2011: “WANDER, UM BOTEQUEIRO INDIGESTO E VALENTE - Wander Custódio Florêncio é a cara da periferia bauruense, uma cara sofrida, de resistência e luta. Esse meninão aprendeu que as coisas nessa vida não se resolvem na maciota, mas na porrada e fez disso seu caminhar. Tudo em sua vida foi feito com “sangue, suor e lágrimas” e hoje, aos 30 anos, publica no seu blog pessoal, o BOTECO DO VALENTE, um manifesto a fazer história. Morador do Núcleo IX de Julho, família de baixa renda, trabalhando como autônomo, conseguiu ingressar no curso de Administração, na Faculdade Anhanguera e diz fazer parte do “Partido da Cara Feia”. Refinou o discurso e hoje segue um lema do MV Bill, quando reproduz algo sobre a perda da consciência de luta pelo povo: “só é forte quando é nóis contra nóis/ na frente do opressor baixa a cabeça e perde a voz”. Atento a tudo à sua volta, diz olhar algumas coisas só para ver onde isso tudo irá dar, pois “a piada é a mesma, só mudando quem a conta”, após acompanhar uma interminável reunião do Orçamento Participativo de Bauru. Algo a perturbá-lo é a eterna divisão das ditas esquerdas: “Enquanto vocês brigam, eles gostam, já mostrava um desenho do Latuff (clique na charge ao lado e ela aumenta em sua tela). As esquerdas estão mais preocupadas com quantos cargos de confiança irão pegar dos que nas reformas propriamente ditas. Viraram a Geni, dão para qualquer um”.

Sua luta mal começou e para confirmar diz: “Se nem Jesus Cristo agradou, não serei eu que irei agradar. Dou os parabéns, mas se preciso for puxo também a orelha. Não podemos ter meio termo, ou é ou não é”. E assim segue sua vida, cada vez mais ácido e indigesto, mas ciente de ter feito a escolha acertada para tocar a sua. Seus ícones, me foram passados numa lista e aqui estão: Lampião, Engels, Karl Marx, Lenin, Trotsky, Wilhelm Reich, José Martí, Lênin, Bezerra da Silva, Face da Morte, Sérgio Vaz, Che Guevara, MV Bill, Thaíde e DJ Hum, Trilha Sonora do Gueto, Agostinho Neto, Henfil, Victor Jara, Gog, Facção Central, Chico Buarque, Racionais MCs, Silvio Rodríguez, Frei Betto, Leonardo Boff, Zumbi, Toussaint L’Ouverture, Simón Bolívar, José Martí Perez, Emiliano Zapata, Augusto César Sandino, Camilo Torres, Otto René, Paulo Freire, Jorge Aragão, Almir Guineto, Victor Jara, Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva, Gonzaguinha, Chico Mendes, Raul Seixas, Leci Brandão, etc. Saiba mais do valente Wander, o do boteco do IX de Julho clicando no: 1. Geni, o Zepelim, as Esquerdas e Movimentos Sociais de Bauru e a Bosta Que Se Avizinha http://botecodovalente.blogspot.com/.../geni-o-zepelim-os... 2. Esquerda Bauruense: Luta ou Bagunça? http://botecodovalente.blogspot.com/.../esquerda... 3. Manifesto do Boteco do Valente: http://botecodovalente.blogspot.com/.../manifesto-do...”.

- Publiquei em 26.02.2013: “Tempos atrás, 02/02/2009, Wander Florêncio no seu Boteco do Valente (www.botecodovalente.blogspot.com) havia escrito algo sobre esse tema e mesmo fazendo uma defesa da união em torno do prefeito bauruense, difícil de acontecer por causa das alianças e interesses em torno dele, acredito muito pode ser aproveitado e inserido no contexto atual. Leiam o “Esquerda bauruense: luta ou bagunça?” clicando a seguir http://botecodovalente.blogspot.com.br/.../esquerda.... Vejam um trecho do texto: “Fica então essa reflexão para a esquerda bauruense para que dê corretamente os próximos passos, que deixe de lado os interesses particulares, bem como rixas e afins e forme de uma vez por todas uma ampla frente progressista colocando Bauru como participante desse momento histórico em que vive a América Latina. Que todas as cidades na nossa região liderem uma revolução no interior paulista contra o neoliberalismo”. De tudo, não preciso acrescentar mais nada, só talvez uma avaliação sobre uma charge do Latuff, também de 2009, sobre o tema e com atentos e sorridentes observadores. Fazemos a felicidade desses, pois essa é a esquerda que eles pediram aos céus. Imaginem num esforço mental a chegada ao poder de um grupo tão dividido, como seriam seus atos? Tem gente que está preparada para ser oposição, sempre. Nada além disso”.

- Publiquei em 04/07/2015: ““FECHADURA”, UM PROGRAMA COM O OLHO BEM ABERTO NESSE BURACO E EM TODOS OS OUTROS – REVIVENDO O “ABERTURA” DA TV TUPI EM ALGO COM A CARA BAURUENSE - Ontem ao assistir um vídeo do relançamento do “Sem Frescura”, mais um programa do horário da meia noite do Canal Brasil (um dos que ainda consigo assistir, pelo menos nesse horário), apresentação do intrépido Paulo Cesar Pereio, bateu bruta saudade de um outro programa, esse sendo apresentado entre 1979 e 1980, quando muitos por aqui nem haviam nascido, o ‘ABERTURA’, comandado pelo jornalista Fernando Barbosa Lima (saudade dele e de suas crias, belos programas) na extinta TV Tupi. (...) O programa era isso, cada um com uma ideia na cabeça, microfone na mão e a liberdade de produzir o que quisesse no seu tempo pré-determinado dentro da grade de horário. Maravilhas foram feitas. (...) Por que não reviver algo assim aqui em Bauru, anos neoliberais, século novo, mentalidade velha, gente de antanho com os pés atolados nessa contradição matreira, os que ainda acreditam que um outro mundo diferente desse vivenciado é possível? Se o de lá atrás se chamava ABERTURA, o daqui, numa sacada de revival às avessas poderia se chamar FECHADURA, ou seja, um timaço de bauruense versando isso tudo aí fora pelo buraco da tal fechadura e tentando entender essa transformação toda, rebuliço mais do que constrangedor. (...) WANDER FLORÊNCIO tem a voz da perfeita periferia nas veias, no andar e no traquejo. Escreve bem e saca tudo à sua volta, podendo por para fora um verdadeiro e original interlocutor do lado de lá para o de cá”.

- Publiquei em 08.03.2017: “SAIBA MAIS DE QUEM FOI TAXADO DE “VAGABUNDO” POR VEREADOR BAURUENSE - O QUE PODE VIR PELA FRENTE... - Deu na seção Entrelinhas do Jornal da Cidade em duas Notas: “Esquentou - Os manifestantes alegam que o vereador coronel Benedito Meira (PSB) teria os ofendido chamando de "vagabundos", o que exaltou de vez o clima na reta final da sessão, quando o projeto foi para votação. Nomeado relator na Comissão de Justiça, Meira chegou a ser vaiado. Bussola suspendeu a sessão e, na retomada dos trabalhos, a reunião foi encerrada. Resposta - Meira frisa que não ofendeu nenhum dos presentes na sessão. "O que eu disse é que eu não tenho medo de vagabundo. E eu não tenho mesmo. Fui eleito legitimamente pelo povo, e vou exercer meu mandato em defesa do povo, não vou aceitar a pressão de grupos minoritários que sequer representam os interesses da coletividade", disse ao JC.”. Perguntei para o Wander dos motivos da ofensa. Ele me responde: “Pra começo de conversa eu tava tomando café. E apenas perguntei a ele sobre como se daria essa atuação da PM nos casos de festas clandestinas. Sou estudante do ensino técnico, na ETEC Rodrigues de Abreu, moro com minha mãe e um bebezinho que a gente cuida. Então na visão dele todos são vagabundos, só pode. Moro no Residencial Monte Verde I ,do Minha Casa, Minha Vida”. Wander é essa doce pessoa, circulando pela cidade toda, na maioria das vezes a pé ou, no máximo de ônibus circular. Procura participar da imensa maioria das atividades políticas e culturais na cidade. Toma conhecimento de algo, lá se dirige e não se contenta e ouvir, quer participar, fala, pede a palavra, sugere e emite sua opinião. Um cidadão a merecer respeito. (...) Ou seja, de vagabundo para vadio é um pulo. Punição nos costados dos sem emprego. Tem quem diga, afirme, apregoe, reproduza ser essa boa solução para amainar a saga popular por querer saber de tudo e fazer perguntas indigestas. Tenho dito. HPA”.

- Publiquei em 16/06/2020: “MEUS DILETOS AMIGOS E COMO TOCAM SUAS VIDAS EM TEMPO DE PANDEMIA - Hoje meus considerados falam por mim e as ilustrações são as que o desgoverno quer processar seus autores, por dizerem a verdade, tão somente a verdade, publicadas todas na Folha de SP, de ora morde, ora assopra, ora consola. Aqui eu MORDO sempre, ininterruptamente. Vamos à coletânea do dia: (...)“Oi, amigos e amigas, Por gentileza, eu agradeço a intenção positiva, mas pelo bem da minha sanidade mental não tentem me convencer de nada, enviando mensagens inbox, nem postando em minha linha do tempo sobre corrupção de prefeitos e governadores, picos de Covid, mortes, isolamento social, teorias de conspiração, vídeos de hospitais com alas vazias, vídeos de acusações de enfermeiros e pessoas quaisquer, vendidas, falando em complô, em interesse por mortes, em ganhos, etc... Já me cansei de tudo isso e tô quase perdendo as esperanças de cura! Meu coração não quer se entristecer novamente!”, Wander Florêncio”.

No último ato contra o racismo na Esquina da Resistência, um vídeo com sua participação: https://www.facebook.com/.../pcb.../4124868530873343/

Por fim, ontem, quando o anunciei como o entrevistado da semana do Lado B, ele compartilhou o vídeo e escreveu chamando os seus: “Não vai ser nenhum figurão da política ou do empresariado local, estadual e nacional, nenhum jogador de futebol com sei lá eu quantas Copas do Mundo vencidas, nenhum galã de televisão, nenhum cantor de sucesso com mais de sei eu lá quantas cópias vendidas e as músicas bombando nas plataformas digitais, e muito menos nenhum vencedor de reality show que vai estar sendo entrevistado, mas sim alguém como eu e você! Portanto preparem o capacete que amanhã às 18:00 lá vem pedrada, gente!”.

Eis o link da entrevista AO VIVO com WANDER FLORENCIO: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/4110822145614430

COMENTÁRIO FINAL: O que dizer de um papo mais franco, direto e reto com o original Wander? Ele é autêntico e se mostra como de fato se apresenta em tudo o mais, sincero, franco, inteligente e com posicionamentos firmes, contundentes. Só mesmo assistindo e tirando suas próprias conclusões. Alguém dessas plagas que, se ainda não conhecia, não sabe o que está perdendo. Creio poderia ter explorado mais suas opiniões e posicionamentos em outros temas e questões, mas no geral a conversa fluiu bem e conseguimos passar o recado.