domingo, 18 de maio de 2008

DICA DE LEITURA (19)
Todos leram a exaustão os desdobramentos do envolvimento do Ronaldo com travestis num motel carioca. Vi muita hipocrisia em tudo o que li e dentre o que salvo, bem dentro de minha linha de pensamento estava um texto do ex-jogador Sócrates (lúcido, como sempre). Publico aqui alguns trechos, pois reflete minha linha de pensamento:

MÍDIA INFAME
12/05/2008 13:15:20 Sócrates
Na semana passada, estarreceram-me as interpretações dadas por alguns meios de comunicação sobre o episódio em que se envolveu Ronaldo na belíssima noite carioca. Que o fato foi pitoresco ninguém tem dúvida alguma, mas querer extrair do acontecido definições equivocadas a respeito das opções comportamentais do craque é um claro exagero. Quando não, sensacionalismo. Podemos admitir que ele tenha sido ingênuo ao não discernir entre uma mulher e um travesti, mas me digam: quem nunca se enganou em uma questão como esta? Sem pretender comparar as qualidades físicas das que com ele estiveram naquele motel com a que passo a me referir, diria que uma das mulheres mais lindas que já vi na vida foi Roberta Close. A qual, apesar da aparência mais que feminina, de ter sido escolhida a mais bela do País em determinada ocasião e capa das principais revistas masculinas nos anos 80, era definida como Homem em sua carteira de identidade no espaço dedicado ao sexo. Feliz ou infelizmente, jamais tive a chance de me aproximar dela, pois erraria feio, como Ronaldo.

Depois da escolha equivocada, o cidadão Ronaldo foi claramente vítima de uma tentativa de extorsão, como, aliás, vários brasileiros já o foram nas mesmas condições, inclusive e, eventualmente, pelas mesmas pessoas. Agora, querer levar o assunto para outras plagas é pretender destruir um ser humano que em várias ocasiões demonstrou ser alguém muito maior do que a pequenez dessas ridículas linhas editoriais.
Levantar suspeitas de consumo de cocaína ou de qualquer outro tipo de droga e de homossexualismo é de extrema maldade, pois quem o acompanha, por jornais e revistas, que seja, sabe que em momento algum se viu em seu olhar qualquer sinal de estar drogado. E quem saiu e casou com as belezas que ele conquistou não pode gostar de travestis. Esta mesma mídia careta que o quer derrubar foi aquela que não soube valorizar o gesto de Leandro, em 1986, que abdicou de seu posto no Mundial do México, e por conseqüência de sua carreira, em solidariedade a um colega. A mesma mídia que não sabe participar da educação do nosso povo, pois a ela não interessa que isso aconteça. É infame, ridícula e absolutamente irracional. Que se dane!
UM COMENTÁRIO QUALQUER (12)
Escrevi esse texto para uma palestra que ministrei semana passada no Museu de Lençóis Paulista SP, dentro da programação da 6ª Semana dos Museus. Preparei um esboço e apresento aqui um resumo do que falei lá. Tudo foi preparado para jovens de aproximadamente 14 anos.

MUSEU, O CAVALEIRO ANDANTE DO SÉCULO XXI
Todos aqui conhecem, já ouviram falar ou leram algo sobre Miguel de Cervantes, o grande escritor espanhol e sua mais importante obra “Dom Quixote de la Mancha”. Quem foi esse personagem? O que representa a sua ação? A lança contra os tais moinhos de vento, o que afinal seria isso? Vamos todos fazer um pequeno exercício e transportar aquilo tudo para nossos dias: o que vem a ser a ser luta, a saga do Quixote? É a nossa própria luta, a do mais fraco enfrentando o mais forte. Exemplos: a luta do povo palestino com paus e pedras contra o armamento pesado de Israel, a ira do iraquiano contra o invasor norte americano e o levantar a voz contra os desmandos cometidos contra a natureza, as injustiças todas desse mundo. Agora mesmo, estamos vendo o julgamento do mandante da missionária Dorothy, no Pará. Quer luta mais quixotesca do que essa?

Esse atirar lanças contra tudo isso é algo quixotesco. Recorro a fala de Cervantes, enquanto Cavaleiro Andante. O museu deve ser o “cavaleiro andante que, pelos desertos, pelas soledades, pelas encruzilhadas, pelas selvas e pelos montes, anda procurando perigosas aventuras, com a intenção de lhes dar ditoso e afortunado termo, só para alcançar glória e perdurável fama”. Que a semelhança do tal cavaleiro, o museu devasse “todos os cantos do mundo, entre os mais intrincados labirintos, acometa o impossível a cada passo, resistas nos ermos páramos aos ardentes raios de sol de um pleno estio, e no inverno áspero ao influxo dos ventos e dos gelos”.

O que seriam essas perigosas aventuras, devassando todos os cantos do mundo. É a ousadia, seria o museu retrarar de tudo um pouco. Não somente o lado dos vitoriosos, dos poderosos, dos endinheirados, mas o do povo mais simples, das massas, dos trabalhadores, dos explorados e dos perdedores. Explicar cada lado, dar voz a todas as vertentes e resgatar a história de
cada pedaço de nossa história, principalmente a da nossa aldeia, o nosso mundinho. Paro aqui para falar sobre os Museus de Bauru:

1.Museu Ferroviário ontem: bela exposição, retratando o lado imponente da ferrovia, móveis da chefia, quase nada do trabalhador. Tudo estático, sem alterações e com muitos avisos: Não isso e não aquilo. Não por todos os lados. Por mais bonito que isso possa ser, ninguém gosta de ir num lugar onde não se pode fazer nada, tudo é proibido. Foi uma vez, não precisa mais voltar, tudo continua como dantes. Sabe que tudo continuará comoantes.

2.O Museu de hoje é a uma renovação constante, tudo para que não ocorra a perda de interesse. Quixote foi assim, inquieto e fez disso o grande motivador de sua vida. Essa busca de outros caminhos, outras possibilidades é o grande poder transformador dos museus atuais. Tudo possibilita várias abordagens, enfoques e pontos de vista, nada deve ser definitivo. Uma exposição sobre um tema pode gerar outra, com outro enfoque e material. Isso faz pensar, gera debate e educa.

Hoje, a grande maioria dos museus latinos passa por essa movimentação, comum a grande renovação no campo museal. Tudo isso é muito benéfico, propicia o entendimento do que realmente acontece no campo social. Volto para Museu Ferroviário Bauru que, hoje mostra o lado do trabalhador, suas peças, vestuário. Cito também o Museu Histórico que hoje expõe uma MostraUmbandista, dentro do centenário dessa religião. Fizemos uma sobre documentos extraídos do DOPS, desenhos de alunos japoneses, o passado do carnaval, preparamos uma sobre mangás japoneses, a história da imprensa de bar na cidade e muitas outras. Isso tudo é muito quixotesco e movimenta a equipe. Saliento algo: não basta também expor sem fundamentação, sem aprofundamentos, pois isso não leva a reflexão nenhuma.

HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO – PROFESSOR DE HISTÓRIA - 15/05/2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

MEMÓRIA ORAL (33)

DUAS FEIRAS, DUAS IDÉIAS MUITO PARECIDAS











A primeira é famosa e acontece há mais de trinta anos no mesmo local, embaixo do viaduto da Perimetral, num espaço que abrange mais de 600 metros, indo da estação das Barcas até as imediações do Museu Histórico Nacional, na famosa Praça Quinze, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Inicialmente era denominada de Feira do Troca-Troca e depois, quando foi conquistando maior consistência ganhou o nome definitivo, "Feira de Antiguidades da Praça Quinze". Ela acontece semanalmente, das 7h30 até por volta das 16h, todo sábado, contando com aproximadamente 150 expositores, com uma ampla variedade de bancas, vendendo as coisas mais inusitadas possíveis.
Sua fama e abrangência só cresce e dentre os seus habituais frequentadores está o economista Carlos Lessa, ex presidente do BNDES e um dos maiores incentivadores da recuperação do patrimônio histórico do Rio Antigo. Ele comparece quase todos os sábados e não circula por todo o espaço, possuindo algumas barracas de sua preferência, dentre elas uma de selos, postais, fotos antigas e similares. Conta com a amizade dos expositores, pois adentra a parte interna das barracas, onde já encontra uma pré-seleção do que procura. Ali, faz suas escolhas e paga, quase sempre em cheque. Depois, acaba se informando das novidades e sai meio na surdina. No sábado, dia 10/05, uma manhã chuvosa, fez o trajeto habitual e antes das 10h já estava de partida, quase sem ser notado. E saia satisfeito, com variadas compras efetuadas. Assim como Lessa, muitos vão para a feira sabendo exatamente o que querem e onde o encontrarão. Numa animada banca, um grupo de quinze pessoas discutem sobre filmes antigos e demonstram todo o conhecimento, diante de verdadeiras raridades, opções das mais inusitadas. Ouço de Nonato, um habituê no local: "somos um grupo não muito grande, todos nos conhecemos e amantes de filmes antigos, temos aqui um espaço para conversar com quem também conhece o assunto". Isso acontece por todo o espaço e as bancas refletem a diversidade encontrada por ali. Tem para todos os gostos e preferências. Desde tampinhas de garrafas, pins de eventos famosos, discos e CDs, moedas, selos, obras de arte, instrumentos musicais, móveis, latas de embalagens, facas, cartões telefônicos, livros, até os inusitados capacetes de guerra, perucas e bonecas importadas.
"Pense em algo e procure por aqui, certamente você vai acabar encontrando. A grande atração é exatamente essa diversidade, o encontrar de tudo um pouco. A maioria vem para comprar, mas tem muita gente que vem para passear, andar e voltar ao passado. Andando por aqui, você encontra sempre gente em lágrimas", diz Rafael Barbeito, o responsável pela organização daFeira, sentado numa confortável cadeira, daquelas tipo "do papai", observando o fluxo agitado do local, mesmo com o frio e a persistente garoa daquela manhã. "Nosso local é maravilhoso, pois abrange uma extensa parte coberta, justamente embaixo do viaduto. Aqui ninguém toma chuva e pelo próprio espírito do evento, a segurança é feita pelos próprios expositores. Todos nos conhecemos há muitos anos e somos unidos para o que der e vier", conclui Rafael.
Se a feira não é propriamente uma fonte de referência turística na capital carioca, não está longe disso, pois além do público local, muitos são proveninetes de outros estados e até países. Não é difícil observar estacionados nas imediações ônibus de turistas e muitas vans. Táxis chegam e partem a todo instante com gente vindo exclusivamente para o local. E andar pelos corredores formados pelas barracas é ir se deparando com diálogos emocionantes, como o de um antigo marinheiro que, diante de uma banca com instrumentos de sopro, pede para tocar um pouco, é atendido e executa canções, principalmente as militares. Junta pessoas e alegremente conclui: "Mesmo na reserva, não me esqueço disso e muitos também gostam". O bate papo descontraído entre vendedor e comprador prevalesce por todos os cantos e contagia a todos.
Esse espírito é o mesmo espalhado por feiras similares acontecendo nos mais diferentes locais do mundo. Em muitos locais são também conhecidas como "Mercado das Pulgas" e além da venda, o troca-troca também é um grande diferencial. Em Bauru não é diferente e já na segunda edição, a feira Estação Arte, acontecendo no prolongamento da conhecida Feira do Rolo, com a abertura de um amplo estacionamento da antiga Estação da Cia Paulista, hoje sendo ocupado e recuperado pela Secretaria Municipal de Cultura, que pretende instalar no local dois museus municipais, o Histórico e o MIS – da Imagem e do Som. A idéia de trazer pessoas ao local e aproveitar o público da conhecida Feira do Rolo é antiga e só foi colocada em prática com a união de uma equipe de trabalho totalmente envolvida com essas questões. Orlando Alves, RicardoIlha, Neli Viotto e Alex Gimenes estiveram à frente dos trabalhos de revitalização do local e de idealização da feira.













"Ela é um sucesso, reunimos os artesãos da UBÁ, para encorpar o evento e junto dela trouxemos muitas outras iniciativas, como as exposições dos museus e uma banca de livre circulação de livros. Muitas outras virão, como um artesão que apareceu no último domingo, com um carro de boi e um casinha de barro. Arrumamos um espaço para ele expor seu trabalho", conta Orlando Alves. Junto a tudo isso não poderia faltar manifestações artísticas e elas aconteceram e já conquistaram o público. O teatro de rua, com dois artistas da cidade, Ezequiel Rosa e Marisa de Oliveira atrai muita gente e interage com o público das ruas. Não têm como não dar uma parada e ficar observando o trabalho deles. "Estar aqui é algo que faço com gosto, pois a feira dominical é um dos lugares mais movimentados da cidade e ela lota sempre", conta Ezequiel.
Uma feira nesse sentido atrai muita gente e principalmente os envolvidos com a questão artística. Na primeira edição quem estava por lá foram o poeta Luis Vitor Martinello, o idealizador do Grupo de Estudos Folclóricos Yauaretê, Tito Pereira e o membro da Academia Bauruense deLetras, escritor José Perea Martins. Esse último acabou levando seus livros para a banca livre na segunda edição e entusiasmado relata: "Fiz um carimbo próprio informando que os livros poderiam ser levados gratuitamente e após lidos, com a recomendação de que sejam passados para a frente". Ficou ao lado da banca por um bom tempo distribuindo os seus e tudo o mais que estava disponível naquele momento.
A idéia está vingando e entusiasmando. Todos os envolvidos sabem do trabalho incessante despontando no horizonte, pois de duas edições previstas, uma já aconteceu de forma extraordinária e o número de interessados só cresce. Com muito trabalho pela frente, algo está bem definido com essas primeiras experiências, a feira vai crescer, ganhar cada vez mais corpo, tomará mais tempo de todos e propiciará uma nova opção de difusão de lazer e cultura para a cidade. E quem ganha é a própria cidade num todo e por tudo o que representa, já é uma espécie de alento para a reduzida equipe de retaguarda, desdobrando-se eletricamente e sendo recarregada com o entusiasmo recebido do público presente. Tanto que é sempre maravilhoso ouvir da boca de Neli Viotto, uma das pessoas envolvidas até o pescoço com o evento, algo que personifica tudo o que está sendo realizado: "Como é bom trabalhar em equipe. Tudo flue e acontece". Parece que essa é mais uma bela iniciativa que veio para ficar.





Henrique Perazzi de Aquino, escrito em 14/05/2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

RETRATOS DE BAURU (22)

EZEQUIEL ROSA
Quem não conhece Ezequiel Rosa precisa conhecer o quanto antes, pois trata-se de um artista na melhor acepção da palavra. Seu negócio é o teatro e com ele vive intensamente todos os momentos de sua vida. Não têm como dissociar sua pessoa de sua atividade, ambas estão mais do que entrelaçadas. Ezequiel é um meninão de nossa periferia, lutou um bocado e foi construindo tudo aos poucos, subindo degrau por degrau, até conquistar o respeito de todos do meio artístico. Reconhecido pelo talento, viaja constantemente por todos os cantos desse interiorzão, atuando e produzindo naquilo que gosta e sabe fazer: o teatro, principalmente o de rua, a sua maior especialidade. Atuar num palo é uma coisa e nas ruas, junto ao público é outra. Ezequiel faz ambas as coisas, mas quando está nas ruas é uma rara pessoa. Além de tudo, é um cara dos mais simples, simpático e solicito. Uma grande figura humana e um excelente artista.
UMA MÚSICA (23)



A MASSA ALUCINADA - MERCADO DE PEIXE


Criada em Bauru, em 96, a banda tornou-se umas das mais bem sucedidas do interior com uma fusão original de ritmos populares com gêneros pop.
Em Roça Elétrica, o Mercado busca novas sonoridades em instrumentos como a viola e a sanfona, inspira-se na música eletrônica para criar as levadas, especialmente o drum'n'bass, e desfila letras sobre o cotidiano de Bauru, principal "personagem" do álbum. Produzido com baixa tecnologia, o que a banda chama de "low-tech", e praticamente nenhum orçamento, Roça Elétrica havia sido lançado, em março de 2003, de maneira indepentente pelo selo da banda, o Coletivo Samacô. Com a parceria com a Atração, que contratou a banda para lançar dois CDs no período de um ano e meio, o álbum recebeu gravações adicionais, nova programação visual e foi masterizado. Tenho ele aqui no mafuá e ouço regularmente. Nessa semena eles estarão de volta ao ninho nativo, numa apresentação dentro da programação da Virada Cultural. Vale a pena conferir a letra de MASSA ALUCINADA:


A massa alucinada/ está com a mente armada/ No batalhão de frente/ No batalhão de choque/ Em estado de emergência/ Sob o domínio do absurdo/ No rumo que norteia/ Que faz girar o mundo/ Vai o homem e a ciência/ Descobrindo o seu futuro/ Por gosto e não decreto/ Nem imposto nem a ferro/ Nó da madeira, osso duro/ É tiro certo/ A massa alucinada está com a mente armada/ Corrupção passiva/ CPI da gasolina, CPI do futebol/ Maracutaia, cocaína/ Discurso insolente, sonegação fiscal/ Abuso de poder em cadeia nacional/ É jogo de ladrão com direito a mordomia/ Terno e gravata, costa quente e boa vida/ A MASSA ALUCINADA ESTÁ COM A MENTE ARMADA.

terça-feira, 13 de maio de 2008

UMA CHARGE (4)
FAUSTO BERGOCCE, O MOÇO DE REGINÓPOLIS

Esse Fausto é mesmo do balacobaco. É um dos traços mais limpos e objetivos desse país. Reconheço seu desenho desde os auréos tempos que ainda tinha cabeço no cocoruto. Essa sua última charge, recém saída lá n'O Alfinete, de Pirajuí e no Olho Vivo, de Guarulhos é muito bem antenada e demonstra todo o apuro em que esse monstro (sic) do traço produz seu trabalho. Meu grande amigo que, por sinal, está devendo uma visita e uma cerveja lá pelos lados do Bar do Português. Continuo aguardando. Da última vez que falei com ele, recebi provas de seu novíssimo trabalho, com um recado: "vai um lay-out de meu novo album que estou produzindo juntamente com um livrinho infantil, que espero estejam prontos até o final de junho, pois no dia 8 de julho, estarei partindo ( com minha filha Nathália ), para uma viagem de 15 dias na Europa ( O Porto, Lisboa e Paris )".
Fausto é daqueles amigos considerados do peito.

terça-feira, 6 de maio de 2008

UMAS FRASES (16)

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO ENTRE NÓS
Puxa! Amanhã quem vai estar em Bauru é o LFV. Gosto demais do texto desse gaúcho (como também gostava do pai dele, o Érico). Já li um monte de coisas dele (e continuo lendo). Semanalmente "saboreio" (esse o termo exato) sua crônica dominical (no Estadão e no Bom Dia) e quando o comparo com alguns cronistas pé-de-chinelo, do tipo caolho (que proliferam atualmente), que só fazem críticas enxergando um dos lados, constato a necessidade dele continuar no mercado. E continua, afinadíssimo.
Fui conferir o que tenho dele aqui no mafuá. Achei de imediato muitos quadrinhos: O Analista de Bagé (com Edagar Vasques), As Aventuras da Família Brasil (com traço dele) e 3 Ed Mort: Conexão Nazista, Disneyworld Blues e Procurando o Silva (todos com Miguel Paiva). Sei que tenho perdido por aqui um livro da velhinha de Taubaté e o famoso Pega pra Kaput!, além de outros de crônicas (é difícil achar algo por aqui). Li e adorei a Comédia da Vida Privada e tenho todas as revistas "Bundas", onde o editorial era sempre de sua autoria.
Outro dia fui reclamar com um desses que resolveu escrever por aí e ele me respondeu na lata: "estamos em lados opostos". É por isso que adoro LFV, pois ele joga no meu time. Leio o que escreve e me identifico. Também já o havia visto tocando na banda Conjunto Nacional, junto com irmãos Caruso e amanhã o verei no Quinteto Banda Jazz 6. Por tudo o que ele representa, vou estar na fila do gargarejo.
Abaixo algumas frases dele na época de Bundas (a revista era dos anos FHC). É deleite puro (sem gelo, muito menos vaselina):
-"Só porque o cara usa rímel e quer pegar no teu pau, nãoquer dizerque seja fresco, tchê, pode ser pesquisa - ou intriga de paranaense".
-"Fomos além da telefonia sem fio e chegamos à telefonia sem linha".
-"Como éque um país se defende de seu governo?"
-"A máquina está aí para nos levar na conversa".
-"O que está faltando ao Brasil é uma moral de mesa de pôquer".
-"No Brasil a convicção de que só quem dá é veado, explica outras características nacionais, como a curiosa existência de corrupção sem corruptores".
-"Há os que se perguntam como será o ano 2000, há osque se perguntam se o ano 2000 existirá".
-"O fim da Segunda Guerra foi o começo da Era Americana. Os americanos salvaram o mundo - ficaram com ele".
-"A Era Éfe Agá vai acabar sendo a Era do Tchan".
-"Porque gastar dinheiro com a realidade quando se pode investir na sua falsificação, o que é muito mais criativo".
-"Em 1500 colonizar um país não era fácil. Pra começar ninguém falava inglês. Nem os portugueses, nem os índios".
-"Teorias conspiratórias são bons exercícios de imaginação. Você só precisa partir do princípio de que nada é o que parece ser, dos seios da Xuxa ao infinito".
-"Será que a gente somos corruptos? De nascença? Por natureza? Alguma coisa na água, ou no leite da mãe?".
-"O pior Filho da Puta é o que anda armado e a lei ao seu lado, ou pelo menos às suas costas".