sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

BAURU POR AÍ (48)

TENTATIVA DE CONTRIBUIR PARA ALAVANCAR AÇÕES E PROJETOS CULTURAIS EM BAURU
Durante a semana que passou sou procurado por dois professores da Unesp que haviam recebido ligações da secretária de Cultura de Bauru, Janira Fainer Bastos com algo que não entendi. Segundo eles, ela estava à minha procura para algo em que poderia dar minha contribuição à Cultura local. Ciente de que lá todos possuem meus contatos, achei estranho. Antes de sair de viagem, enviei e-mail a ela com os dizeres: "Cara secretária de Cultura de Bauru, sra: Janira. Fui procurado por 2 professores da UNESP, ambos me dizendo que a senhora estava a minha procura. Estou em viagem nessa semana, voltando a Bauru na sexta. Meu telefone e email continuam funcionando. Aguardo comunicação para saber do assunto a ser tratado. Abracitos do HPA". A resposta veio da seguinte forma: "Prezado Senhor: Deve haver algum engano, estou procurando por uma pessoa que me disseram é especialista em cultura e marido de uma professora da Unesp, que leciona no Depto de DI. Pretendemos (eu e a Dra. Cleide) convidar esse senhor para fazer parte de um projeto a ser desenvolvido junto com o SISEM da Secretaria Estadual de Cultura. Desculpe o desencontro, mas se conhecer a referida pessoa, coloque-a em contato comigo, obrigada Dra. Janira Fainer Bastos (de acordo com meu orientador americano phd somente aqueles que são doutores em filosofia nas universidades americanas)".

Diante da resposta e não conhecendo a tal pessoa, respondi indicando alguns conhecidos que poderiam muito ajudar, não só na questão estadual, como ela quer no momento, mas também na municipal. Eis minha resposta: "cara Janira: Desculpe pelo engano. É que dois professores, após seu contato por lá, acharam que estivesse querendo falar comigo. Achei mesmo estranho, pois meus telefones todos são conhecidos aí na SMC. Conheço sim, muitos PhD, mas em Cultura Geral, muitos sem graduação em bancos escolares, mas nas atividades da vida. Esses poderia indicar, mas não sei se seria o caso, pois quer alguns com papel na parede. Dentre os que sei a colocarem a mão na massa com afinco, dedicação e reconhecida competência poderia citar:
Paulo Neves - mestre no ofício teatral e de dar murros em pontas de faca.
Tito Pereira - mestre dedicado em desenvolver atividades com grupos folclóricos.
Vanderlei, da ONG Periferia Legal - mestre em colocar a mão na massa junto a batedores de lata.
Regina Ramos e Madê Pereira - maestrinas, primeiras damas de nosso mambembe teatro
Denise Amaral - maestrina na voz e no encanto de reproduzir os sons brasileiros.
Vinagre e Duílio Duka - mestres no ofício de desenvolverem projetos, transpondo-os para a nossa realidade
Ricardo Bagnato - mestre na arte de amar a ferrovia e apaixonadamente sonhar com trilhos e uma Maria Fumaça a apitar sem interrupções
Marisa Basso e Kyn Jr - mestres do teatro de rua, mambembe e a extrair risos incontidos.
Seu Toninho, da Folia de Reis - mestre arregaçador de mangas de camisa para colocar seu bloco anualamente nas ruas e praças.
Markinhos e Rick - mestres em unir uma coletividade em torno da discussão das cores do arco iris.
Sivaldo Camargo - mestre na arte e ofício de repassar para a gurizada a arte da dança.
PH do Cine Clube - mestre no amor ao cinema, atuante também no segmento MPB, desses a atuar por amor à causa.
George e Célia Vidal - mestres no ensinamento às novas gerações sobre a importância da música na vida de cada indivíduo.
Isaías Daiben - mestre na arte de saber entender, contornar e viver dentro do mundo da política partidária.
Marcos Paulo Resende - mestre no ofício de continuar sendo comunista num mundo onde predomina o capital e o saber letrado e diplomado.
Dalva Aleixo - maestrina no entendimento da cultura popular e das suas variedades.
Laranjeira e Goya - mestres no trato com a modelagem artística e o benfazejo com alunos.
Vitor Martinello
- mestre na arte da escrita e do ofício de saber conduzir essa geração aflorando nas ruas.
Wellington Leite - mestre no uso da palavra e do saber utilizar um microfone.
Nelson Fio - mestre no ofício de colocar a mão na massa, acreditar nas pessoas erradas e sonhar com algo mais palatável.
Vander, o Fala Valente - mestre oficial de perfurar barreiras intransponíveis.
Arthur Monteiro Jr - mestre advogado a entender que nem só de lucro se deve viver e o combate às injustiças é algo inerente ao ser humano
Roque Ferreira - mestre na vereança, sabendo construir um mandato voltando seus olhos para os que realmente merecem a atenção
Orlando Alves - mestre em tocar sua vida dentro das possibilidades encontradas, sem sair da linha e abandonar suas convicções.
Gaspar Moreira - mestre numa profissão onde se destacam mulheres e sabendo extrair água de pedra.
Ralinho, da Bateria - mestre na arte de manusear as baquetas e entendimento de onde estão as coisas que realmente valem a pena.
Lázaro Carneiro - arte de entender a vida pela lado caipira, vivendo caiporamente.
Neli Viotto - maestrina na arte de entender as questões museológicas e produzindo dentro das brechas do serviço público.
Rosa Tolón - maestrina no ensinamento de algo a divinizar vidas, o dedilhar coletivo
Vera Tamião e Oskar Pororó - mestres com o giz na mão e a conciência em plena atividade.
Cesar Colacino - mestre de repassar ensinamentos mil para os que encontra pela frente.
Chico Cardoso - mestre no entalhe com a madeira e no repasse para os à sua volta.
Rose Barrenha, do Loucos por Alegria - maestrina no entendimento que de loucos todos temos um pouco e ajudando a construir um mundo onde todos irmanados seremos mais felizes.
Silvio Selva - mestre no saber construir com suas mãos uma arte arteira e espoleta.
Marivaldo - mestre de pintar nossas situações rotineiras plantado em plena rua.
Paulinho, da Oficina Cultural - mestre em recepcionar agentes culturais variados e múltiplos.
Gonçalez e Fernando - mestres no traço e bom entendedores de que o negócio é mesmo estar envolvido com o povo.
Fernando, do Templo - mestre no saber recepcionar e entender os verdadeiros rumos culturais a serem promovidos.
Sandra Espósito, profs Macalé e Susy - maestrina na batuta de uma categoria profissional e o saber direcioná-la para o lado da esperança.
Alex, Luiz, Geraldo e Jesus - mestres no ofício de conduzir um trem turístico com categoria e preparo inerente a iluminados.
Inês Faneco - mestre pipoqueira e divina dama das calçadas bauruenses, um exemplo de arrojo.
Adilson, da Banca - mestre ouvidor da população do centro da cidade, uma espécie de conselheiro coletivo
Pastor Varme - mestre que com um livro na mão, desses que não prega, mas divaga e não perturba transeuntes, afaga a todos na correria.
Adelino, Funileiro - mestre no saber reparar nossas batidas automobilisticas e ouvir maravilhosamente as pessoas.
Ademir Elias - mestre do ofício de escrevinhar as boas novas e seguir trilhando causas justas.
Audren, Marquinhos, Norba, Bitenka, Eraldo e Regina - mestres cantores de uma cidade que precisa deles mais do que nunca.
Ronaldo Giffali e Paulinho Barreto - mestres com o pincel na mão e na condução de apetrechos culturais.
Cidinha, do Azulão do Morro - maestrina na arte carnavalesca e do sambar gingado.

Au-Au e Fiu-Fiu - mestres chapeiros, um lancheiro, outro bateteiro, enchendo nossas barrigas.
Carioca, da Banca Livros - mestre em revender livros na Feira mais rolística da cidade, um encantador de serpentes.
Alberto, da Capoeira - mestre no gingado popular e sempre atrelado aonde o povo está.
Carlos Eduardo Martins - mestre da cena teatral e engolidor de serpentes vivas.
Dora Girelle - maestrina de fazer e acontecer com grupos dignamente populares.
Elson Reis - mestre entendedor de causos, injúrias e no bom ofício, tão necessário de retaguarda. Fábio Paride Pallotta, Rosio Salzedo e Ludmila Tidei - mestres sabedores de causas patrimoniais.
Fábio Negrão - mestre no divinal entendimento de que mais vale uma mensagem do que um papel na parede.
Fátima Schroeder - maestrina cuidadora de animais ditos irracionais, uma mão iluminada no caminho desses.
Gabriel Pellegrina, Irineu Bastos e Vivaldo Pitta - mestres no entendimento de nossa história.
José Esmeraldi - mestre microfonista, desses a abandonar um emprego, não levar desaforo para casa, sem perder a doçura.
Rafael Antonio - mestre do microfone esportivo, abrindo barreiras e possibilidades.

Turma do SESC - mestres anos luz à frente de tudo o que se relaciona à Cultura por aqui.
Lídia Possas - maestrina ensinando gerações a como superar barreiras e entender as entranhas desse mundo pancadão.
Maria Luiza Carvalho - maestrina na arte de incutir entre as mulheres a necessidade de estarem nas ruas, calçadas, ocupando espaços.
Moisés, da Feira - mestre das barracas de nossas feiras, atuando e pulsante.
Amilton e Marcia Nava, do SOS Cerrado - mestres em dar murros em ponta de faca na questão da ecologia local.
Manu Saggioro - maestrina e mambembe pessoa, cultuando o bem viver e repassando isso para os à sua volta.
Márcia Nuriah - maestrina dançante e no envolvimento com as artes e ofícios dos pés pulsantes. Nilson Avante - mestre da ouvidoria popular de praças e ruas, além de escrevinhador das boas causas.
Egberto Cavariani - mestre que fazia o melhor Bauru e acabou cansando, mas não parando.
Pavanello, da Sangue Rubro - mestre na condução de uma torcida organizada e desorganizada. Roberto Pallu, João Alcará, Edward Albiero e Xico Coffani - mestres na arte de focar e registrar os acontecimentos de uma cidade.
Roberto Soares - mestre na batuta de orquestras e no saber conduzir gurizada no ensimaneto musical.
Tuba e Lea - mestres televisivos na arte de mostrar um passado que nos mata de saudade.

Sei que me esqueci de um bocado de gente, mas acho que com isso posso ajudar em algo na construção do que pretende realizar aí na nossa querida e estimada SMC. Tenha a boa sorte, inerente a todos que buscam ajuda coletiva, principalmente alicerçando seu trabalho ao lado de gente como esses relacionados acima. Com estima e consideração e Abracitos do Henrique Perazzi de Aquino"

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (02)
Fabi Zancha surgiu aqui neste mafuá como num passe de mágica. Algo de muito importante nos une, a mesma linha de pensamento e ação. Gosta de militar mais à esquerda e seus pensamentos em relação à América Latina são iguais aos meus. Bateu uma sintonia. Depois fico sabendo que ela já conhece outro velho frequentador desse blog, o Marcos Paulo. Sei pouco dela, mas a amizade flue como se fossemos velhos amigos. Milita em sua região, se não me engano em Americana, interior paulista. Participa do blog com rotineiros comentários e hoje publico aqui algo que me enviou para meu e-mail pessoal. Um contundente texto, sobre América Latina, Socialismo, Chávez, Venezuela, Brasil e o futuro de todos nós. Achei melhor sua reprodução aqui e uma ampliação da discussão. Pois que assim seja:

"Olá Henrique, desculpa por invadir sua caixa de e-mail, mas estou na praia e a conexão daqui não é muito boa, iria escrever esse texto no mafuá mas como essa net esta horrível e vive caindo resolvi mandar por e-mail . Ontem antes de me deitar entrei no site do cubadebate e li a reportagem que o presidente Hugo Chávez Frias havia escrito para o blog, fiquei a noite pensando na Venezuela, nas suas lutas e em todo empenho desse presidente tão pouco conhecido entre nós brasileiros, desconhecidos somente para nós que vivemos com cabrestos impostos pelos norteamericanos onde despejam mentiras sórdidas sobre os reais líderes da América latina.

Eu já fui uma dessas que pensavem que Hugo Chávez era um louco, querendo levar o povo a uma guerra e a pobreza , mas é claro eu estava totalmente contaminada pelas calúnias infundadas que recheiam nossos jornais e revistas, todas comandadas por canalhas burgueses que preferem ver pessoas morrerem de fome a perder suas luxuosas mansões. Mas hoje posso dizer que me libertei dessas amarras e vejo tudo com mais clareza e humanidade porque antes de mais nada é isso a luta de um revolucionário , lutar pelos humildes , é como o comandante Che disse uma vez : É preciso ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido de justiça e verdade para não cair em dogmatismos extremos, em escolasticismos frios, em isolamento de massas. É preciso lutar todos os dias para que esse amor à humanidade viva e se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo e de mobilização."

E é isso que Hugo Chávez está fazendo na Venezuela, e isso são comprovados com fatos : em 1998 mais de 49% da população vivia na pobreza, hoje esse número caiu para 26% , a alfabetização está entre os mais altos da América latina ( ONU). Hugo Chávez é considerado uma das pessoas mais influentes na Ámerica Latina e promove o antiamericanismo e o anticapitalismo em todos os seus discursos, não permitindo ser um fantoche na mão dos norteamericanos interessados nos recursos naturais da Venezuela, pois estamos falando do petróleo , o ouro negro, tão importante para o mundo e usado de forma inescrupulosa durante anos pelos paises capitalistas para o consumo desenfreado da população.

Hugo Chávez nos dá uma lição: de que é possível viver em uma nação sem os mandos e desmandos dos norteamericanos . Uma nação soberana livre da miséria e da pobreza com educação e saúde para todos, é assim que Hugo Chávez quer a Venezuela é para isso que ele luta como muita coragem e humanidade contra todos que acham que podem escravizar e explorar o seu povo. Um homem aclamado pelos humildes e odiado pelos burgueses , é assim esse lider revolucionário e é assim que termino esse breve relato sobre Hugo Rafael Chávez Frias, e para ele a frase que ecoa por toda a Ámerica latina: HASTA LA VICTORIA, SIEMPRE .
FABIANA".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (22)

FINALMENTE A "CASA LUZITANA" É TOMBADA E A "CASA DOS PIONEIROS" CLAMA POR SOCORRO
Após 14 anos, um dos processos do CODEPAC mais demorados teve concluído o seu tombamento, com a assinatura do sr prefeito e a publicação do decreto no Diário Oficial do Município. Fico sabendo da notícia pela internet, vasculhando daqui do Rio de Janeiro, o noticiário da cidade via Bom Dia (http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Viva/43003/Predio+de+antiga+casa+de+comercio+na+rua+Batista+de+Carvalho+finalmente+e+tombado ) ,Jornal da Cidade(http://www.jcnet.com.br/detalhe_geral.php?codigo=199810 ) e por e-mail recebido de Sérgio Losnak, o atual presidente do Conselho. Algo me agrada muito nisso tudo, pois presidi o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru por dois mandatos e algo que permaneceu inconcluso foi esse processo. O prefeito anterior aquele mandato, Nilson Costa não querendo tocar num vespeiro, delicadamente empurrou a bola para seu sucessor, com um recadinho escrito a mão e juntado do processo. O texto é mais ou menos assim: "A decisão fica para meu sucessor". O sucessor Tuga, equipe da qual fiz parte, bem que tentou um diálogo com os proprietários, marcando infindáveis reuniões, onde chegamos a ouvir de um dos herdeiros algo nesse sentido: "Viajo constantemente à Europa, acho lindo a preservação feita lá, mas não vejo porque em tombar esse prédio aqui de minha propriedade". Hoje, mesmo contrariando os herdeiros a decisão foi tomada e existe um prazo de recurso, ou seja, o tal do juris esperniendi. Aguardemos.

Pelo que li no noticiário dos jornais, o prefeito Rodrigo Agostinho também está sensível a outro tombamento, esse mais antigo, o da denominada Casa dos Pioneiros, uma construção das mais simples, em estado de ruína absoluta, ali no começo da rua Araújo Leite (em frente ao Pronto Socorro da Cerveja). O abandono por ali é total, desoladora situação. Vivenciei algo junto aos herdeiros daquela casa e não senti interesse nenhum em manter aquilo em pé. Tratam-se de senhoras sem recursos financeiros para bancar algo relacionado com patrimônio cultural da cidade. E como o sr prefeito já se manifestou com interesse na desapropriação, essa a única solução para aquela casa, a única remanescente dos primórdios de Bauru. O único imóvel a resistir, só que em petição de miséria. As fotos de ruínas aqui publicadas, nenhuma é da Casa dos Pioneiros de Bauru. São meras fotos ilustrativas de algo que pode vir a ocorrer se nada for feito. Ou ela já estaria assim? Quem passa por lá responde isso num piscar de olhos.

Diante de tudo isso, algumas perguntas são inevitáveis:
1 - Chegamos ao limite de nada retribuir para benefício com os proprietários que possuem imóveis tombados. Em que pé anda a tramitação do estudo para isenção de impostos, principalmente o IPTU para esses imóveis? Isso é o básico, o mínimo possível.
2 - Todos conhecem o que ocorre na principal rua turística de Curitiba, a do seu calçadão, onde muitos prédios históricos possuem só sua fachada tombada e consequentemente só elas preservadas, com todo o restante podendo ser alterado. No caso da Luzitana até isso já foi proposto e não aceito pelos herdeiros. Como conseguir incutir neles que isso poderia inclusive trazer lucros e não dores de cabeça? Quando a questão é mais financeira que ideológica, talvez conseguindo fazê-los enxergar isso, seria como mostrar a existência da pólvora.
3 - Existem muitos projetos idealizados por estudantes universitários, esses feitos em conclusão de cursos, os tais TCCs e alguns deles anexados a varios processos. Por que não expor esses trabalhos de e se fazer uma tentativa coletiva de buscar solução para muitos imóveis que encontram-se em situação de total abandono.
4 - Sou favorável a uma rediscussão dos tombamentos ocorridos na cidade. Isso é bem diferente de se fazer um DESTOMBAMENTO, entendam bem. Sou abordado na rua por diversas vezes sobre o destino de alguns imóveis tombados, fechados, sem acesso e onde existe uma situação de limite de negociação (o proprietário lacrou a casa e aguarda algo vindo dos céus como solução). Nós do CODEPAC, não poderíamos chamar, um por um, alguns destes e propor uma rediscussão sobre rumos futuros, propor alternativas. Seria uma forma bem prática de demonstrar nossa real utilidade. Fica a sugestão.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ALFINETADA (81)

A CONFEITARIA COLOMBO NO RIO E ALGO SOBRE PIRAJUÍ *
* Esse texto saiu publicado na edição do semanário de Pirajuí, O Alfinete, em 15/01/2011.
1.) Na última visita ao Rio (19 a 26/12/2010), além de bater cartão na casa do pirajuiense Tito Madi (ele está em franca recuperação, querendo ler o semanário e publicar um livro com as crônicas que escreveu para O Alfinete), circulando num grupo de pessoas pelo centro velho da cidade, adentramos a Confeitaria Colombo (http://www.confeitariacolombo.com.br/ ), num dos endereços mais badalados e congestionados, o da rua Gonçalves Dias n 32. É impossível não ficar com o pescoço a girar ali dentro, olhando para todos os lados, tal a beleza do lugar. Quem conhece aquilo sabe do que falo. Viajem pelo site.

2.) Enquanto fazia isso era observado por um senhor atrás de um balcão. Sou chamado por ele e me pergunta: “De onde você é?”. “Sou de uma cidade bem longe daqui, Bauru, interior de São Paulo, terra do famoso sanduíche”, lhe digo. Sua fisionomia muda e estampa um belo sorriso: “Não me diga. Pois você deve conhecer uma cidade ali perto, onde morei durante boa parte de minha adolescência, Pirajuí”. O espanto foi meu. “Meus pais tinham três fazendas na região, entre Garça e Lins, mas escolhemos morar na de Pirajuí. Circulei muito por ali, final dos anos 60. Lembro de muita coisa de lá e de Bauru. Frequentei o restaurante da Lalai com meus pais”, conta.
3.) De uma visita que seria rápida, o papo foi prolongado. Seu nome, Maurício Souza Assis, um visionário, que sete anos atrás percebendo problemas na administração do rico patrimônio na centenária confeitaria, decide comprá-la da Arisco, a proprietária na época. Hoje, revitalizada, administra sete andares de muita movimentação, com 180 funcionários e com tudo o que é vendido como comestível sendo produzido ali mesmo. Olho para as paredes, vejo a estampa de uma senhora na parede e nas embalagens de doces, as famosas latas de guloseimas. “É a imagem de minha mãe. Está com mais de oitenta anos e passa quase diariamente aqui. Orienta os mais jovens e serve como exemplo para todos”, me diz.
4.) A Colombo possui uma história das mais ricas. Falar mais dela é chover no molhado, pura redundância. O inusitado da vida são esses pequenos detalhes. Quando iria imaginar que o proprietário daquele santuário tivesse tido algo em comum com Pirajuí? Pois tem e mais não me aprofundo. Faltou tempo. Deixo a dica para os pirajuienses que em visita ao Rio e indo até a Colombo, procurem pelo simpático Maurício, obtendo mais detalhes de sua passagem pelo interior paulista. Eu como todos os que me acompanhavam saimos degustando um doce pelas ruas do Rio, ainda surpresos com o ocorrido. Coincidências da vida.
HPA, 50 anos, um vasculhador de gente que é daqui e está ali.
OBS.: Não estou conseguindo separar os parágrafos aqui na Lan House carioca e assim sendo, para separá-las achei melhor numerá-las. Me faltam recursos para entender isso tudo e tempo. A chuva parou lá fora e volto a gastar sola de sapato pelas ruas cariocas.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (47)

CONTENDAS DOMINICAIS NA FEIRA DO ROLO E NO JOGO DO NOROESTE CONTRA O SANTO ANDRÉ
1.) O domingo prometia. Calor abrasador ao colocar o nariz para fora do mafuá. O melhor mesmo era sair daqui e circular pela Feira do Rolo. Foi o que fiz. Logo na entrada reencontro dois diletos amigos, o ex-jogador do Arca, Neizinho (meu único craque do amador varzeano de Bauru - do tempo em que ainda dava para ver esses jogos) e Aldo Wellichan, um radialista sem microfone (produzia programas com seleções internacionais na Auri-Verde, abolidos após sua saída). Paramos ao sol e ficamos a papear sobre o assunto do dia, o jogo do Noroeste contra o Santo André, na primeira rodada do Paulistão. Os três, amantes do bom futebol, com disposição para lá comparecer, mas discutindo sobre preços, não altos, mas fora de nossas possibilidades. Ver Nei dançar no meio da feira, como o fez comigo no dia da eleição do 1º Turno, lá no Jeribá foi para juntar pessoas. O cara é uma pluma e diferente de mim, dança de cara limpa, desavergonhadamente. Aldo relembra craques do passado de nossa várzea e por fim algo contado por Nei: "Sandão foi becão do Arca por quase toda vida. Numa temporada foi jogar num outro time e no primeiro jogo contra nós do Arca, marcando a mim. Essa a tática do técnico deles, botar meu amigo para me marcar, pois assim me intimidaria. Não foi o que aconteceu, pois na primeira bola que me lançaram, joguei de um lado e deixei Sandão estatelado. Foi o bastante, ele levantou-se e me deu um bofetão no meio da cara, que me jogou além do muro que cercava o campo. O juiz o expulsou na hora e ele saiu puto da vida com seu técnico, falando que ele era o culpado, pois foi colocá-lo justamente marcando aquele capeta". Esses reencontros na feira são para ganhar não só o dia, mas a semana. Aldo está radiante e me presenteia com um CD gravado por ele, o "The Best of Danny Brillant", com clássicos franceses com um pouquinho de tudo, desde salsa, tango, valsas... Ao sair da feira um gajo está a tocar com o som no último uma sertaneja, dessas inaudíveis e fui obrigado a fazer o mesmo com o Brillant. Ele deve ter me achado maluco, não menos do que o acho. Mas antes de ir, vou bater cartão lá na banca de livros do Carioca e trago um verdadeiro achado. É que recebi durante a semana um convite para conversar com o pastor presidente da Câmara Vereadores, o "Saka ahí, ó meu!" e não sabia o que levar de mino para tão distinta pessoa. Encontro ali na banca por módicos R$ 1,50 o livrinho "Histórias sobre a Ética", com textos de vários autores, desde La Fontaine, Voltaire, Lima Barreto, Machado de Assis, Moacyr Scliar e outros. Se lido, será de grande valia no dia-a-dia do novíssimo presidente, que como primeiro ato, demite alguns e coloca no lugar gente de sua igreja. A entrega faço no encontro que marco (fora do Gabinete presidencial, claro), para próxima semana.
2.) O segundo tempo do dia começa por volta das 18h, quando vou até a sede da Sangue Rubro buscar meu ingresso para ver o Norusca, agora com um trio valioso no ataque, Zé Carlos, Vandinho e Otacílio Neto. Busco o amigo Ademir Elias e seu mano a bebericarem no Bar do Ditão (agora sob o comando de um japa) e de lá direto para o estádio Alfredo de Castilho. A novidade são as cercas (que eles chamam de alambrado) por todos os lados e dizem que câmaras nos filmam nos mínimos detalhes (faço questão de urinar debaixo dos eucaliptos para testar a aparelhagem), mas nada disso impede que continuemos a mudar de lado, pois noroestino que se preza gosta mesmo de ver o jogo atrás do gol do adversário, só para ver os gols noroestinos de muito perto. Na entrada reencontro o Adilson da Banca, que junto de um cunhado (esse com binóculo, só para ver homem de perto) estava achando que ganharíamos fácil. Umas duas mil pessoas no campo e um gol numa bonita jogada no primeiro tempo, concluido pelo bom lateral direito Márcio Gabriel. Um a zero no primeiro tempo e na mudança de lado encontramos a Cláudia da Unimed (filha do craque Zé Carlos Coelho, junto de um amigo e sobrinho). O melhor de tudo foi sua promessa de que tendo dois livros, Onze Camisas Futebol Clube", o clássico do Galvão de Moura, irá me presentear com um (a ser entregue num churrasco entre amigos). Sofremos um pouco mais, pois o time ainda não está de todo entrosado. Empataram, marcamos o segundo com outro gol de homem da zaga, dessa vez com Da Silva, mas a alegria durou pouco, pois o mesmo que marcou o primeiro deles, voltou a marcar o segundo. Demos voltas até o final do jogo. Eles deram dois chutes ao nosso gol e marcaram duas vezes. Martelamos mais, mas não fomos eficientes. Saímos todos mocambúzios, pois tínhamos o jogo na mão, mas esperançosos, pois o time promete. A história do jogo foi protagonizada por Ana Bia, que não veio comigo, mas no intervalo resolveu fazê-lo e não conseguindo entrar, uniu-se a uma garotada lá fora, tentando escalar os muros do estádio. Dois moleques saltaram para dentro, mas ao tentar levantá-la para cima do muro desistiram. Ela adentra o campo quando faltavam meros dez minutos para o fim da contenda. Fica o resto do jogo ao lado da irmã do Pavanello a contar sua saga pelos lados de fora do estádio (conheceu todos os portões do Alfredão). Terminamos o dia degustando uma pizza no argentino Don Victor, ao lado do Posto Jama. Volto lá qualquer dia para contar as histórias vividas por Don Victor, radicado em Bauru e mambenbeando pelo Brasil desde os tempos em que montou por aqui o saudoso Casabranca, ao lado do extinto G Petisco. É mais um que não conhecia e já virei fã.
Viajo hoje a trabalho para o RIO DE JANEIRO e vou postando como puder os textos dessa semana

domingo, 16 de janeiro de 2011

FRASES DE UM LIVRO LIDO (44)

“PENSAMENTO VIVO – GUEVARA”, ED. MARTIN CLARET, 2005
Esse livrinho de bolso, com 144 páginas, condensa textos, frases ditas por Che e trechos de depoimentos sobre ele. Termino sua leitura nesse começo de ano e ele cai como uma luva, ilustrando maravilhosamente algo que venho querendo escrever aqui. Ano passado, durante as eleições, aqui em Bauru um presidente de uma agremiação política dita como socialista, travestido com os trajes de Che, recepcionou Paulo Skaf, candidato ao governo pelo seu partido, em algo mais do que insólito. Skaf foi presidente da FIESP, industrial com pensamentos bem distantes dos de Che e ao tentar imaginar a cena do revolucionário vendo ambos, um com sua indumentária e outro, detentor de capital predatório, como reagiria? Alguém em sã consciência imaginaria Che aceitando isso? Para os que ainda duvidam disso, leiam as frases recolhidas desse livro. Cultuar Che é uma coisa, mas fazer sua exposição em situações vexatórias é outra bem diferente:

- “...comprovou a fragilidade dos governos e partidos reformistas, prisioneiros das estruturas do poder burguês. Foi a atitude das burguesias nacionais e suas forças armadas, que recuaram ante a polarização das lutas, precipitando-se sob a dominação estrangeira”.
- “Conversei com Fidel uma noite inteira e, pela manhã eu já era o médico da futura expedição”, quando conheceu Fidel, no México, antes de partirem para Cuba.
- “O voluntarismo revolucionário enfrentou seu limite. Mas mostrou também seu porte. (...) Che desafiou todos os Cânones e as estruturas vigentes”.
- “O conservadorismo dos aparelhos políticos, a fusão das vanguardas militantes com os movimentos de massa, a necessidade da transformação ideológica radical para impulsionar as transformações revolucionárias – veremos que seus impasses são ainda os que permanecem”.
- “A história tem características parecidas em toda a América Latina: os governos ditatoriais representam uma pequena minoria e sobem por golpes de estado; os governos democráticos de larga base popular sobem trabalhosamente e, muitas vezes, antes de assumir o poder, já estão estigmatizadas pela série de concessões prévias que precisaram fazer para manter-se”.
- “A guerra de guerrilhas é a guerra de todo o povo contra a opressão dominante. O guerrilheiro é a sua vanguarda armada; o seu exército é constituído por todos os habitantes de uma região ou de um país. Essa é a razão de sua força, do seu triunfo, mais tarde ou mais cedo, sobre qualquer poder que o pretenda oprimir: isto é, a base e o substrato da guerrilha estão no povo”.
- “O guerrilheiro empunha as armas como protesto irado do povo contra os seus opressores, e luta para mudar o regime social que mantém todos os seus irmãos desarmados no opróbrio e na miséria”.
- “Na atitude de nosso combatente se vislumbrará o homem do futuro”.
- “As leis do capitalismo, invisíveis para as pessoas comuns e cegas, atuam sobre o indivíduo sem que este perceba”.
- “Para construir o comunismo, simultaneamente com a base material, tem que se constituir o homem novo. A sociedade em seu conjunto deve se converter em uma gigantesca escola”.
- “Lutar contra o imperialismo onde quer que ele esteja; isso reconforta e cura sobejamente qualquer ferida”.
- “Nasci na Argentina, isso não é segredo para ninguém. Sou cubano e sou argentino e, se não se ofenderem as ilustríssimas senhorias da América Latina, sinto-me tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, como o maior deles e, no momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela libertação de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada de ninguém. (...) Muitos me julgarão aventureiro, e o sou; só que de um tipo diferente, dos que arriscam a pele para defender suas verdades”.
- “Para um homem como ele não se necessitava de muitos argumentos. Bastava-lhe saber que Cuba vivia em uma situação semelhante, bastava-lhe saber que havia homens decididos a combater de armas na mão essa situação, e bastava-lhe saber que aqueles homens estavam inspirados em sentimentos genuinamente revolucionários e patrióticos. E isso era mais do que suficiente”.
- “Homens como ele são capazes, com seu exemplo, de ajudar a que surjam homens como ele”.
- “Perante a história, os homens que atuam como ele, os homens que tudo fazem e tudo dão pela causa dos humildes, agigantam-se a cada dia que passa e cada dia penetram mais rapidamente no coração dos povos”.
- “Não basta interpretar a natureza, é preciso transformá-la. O homem deixa de ser escravo e se converte em arquiteto de seu próprio destino”.
- “E quando se fala de poder pela via eleitoral, a nossa pergunta é sempre a mesma: se um governo popular ocupa o governo de um país por ampla votação popular e resolve, conseqüentemente, iniciar as grandes transformações sociais que constituem o programa com que triunfou, não entraria imediatamente em conflito com as classes reacionárias desse país?”.
- “Para nós, não há outra definição válida do socialismo que não seja a abolição do homem pelo homem. Enquanto isso não se der, estamos no período de construção da sociedade socialista”.
- “Se o inimigo imperialista, norte-americano ou qualquer outro desenvolve uma ação contra os povos subdesenvolvidos, uma lógica elementar é a necessidade de uma união dos povos subdesenvolvidos e dos países socialistas para combater esse imperialismo”.
- “Che empolga por ter sido um rebelde com causa, aventureiro e vagabundo, de ar atormentado e ardor revolucionário, mas sobretudo um rebelde capaz de abrir mão de tudo, especialmente do poder”.

sábado, 15 de janeiro de 2011

AMIGOS DO PEITO (47)

AMIGOS EM EFERVESCÊNCIA CRIATIVA: FAUSTO, MARCÃO E GONÇÁLEZ
1. Fausto Bergocce, meu parceiro num livro que estamos parindo juntos, ele na arte do traço e eu na escrita, sobre a história da cidade de Reginópolis, está hoje sendo homenageado num projeto inédito de resgate de Memória dos Artistas Gráficos Brasileiros. Todo sábado no auditório da Biblioteca de São Paulo (Parque da Juventude – Santana – Capital), um renomado artista gráfico prestará depoimento sobre sua vida, obra e sua técnica para o público presente. Tudo gravado e transcrito, gerando cadernos biográficos e Fausto deixará a marca de sua mão em uma lajota de concreto, que será aplicada a um totem da fama dentro da biblioteca. Dentre alguns dos homenageados estão: Zélio, Luis Gê, Laerte, Elifas Andreatto, Maurício de Souza, Angeli, Ziraldo, Guto Lacaz, Chico e Paulo Caruso, Fausto e tantos outros. Gostaria muito de estar lá e poder abraçá-lo pessoalmente, fato que o farei só em 24/01, quando estaremos juntos em Reginópolis.
2. Marcos Paulo Casalecchi Resende, que um dia já foi torcedor do São Paulo e hoje é mais argentino que nunca está em estado de graça nesse final de semana. Cada vez mais rejeitado, escamoteado e isolado aqui em Bauru por causa de seus posicionamentos políticos, participa regularmente de grupos de estudo, discussões e ações com pensamento comunista e revolucionário na Grande SP. Sabe que por aqui não o convidam para mais nada, mas acaba de receber um Convite do grupo paulistano e estará participando nesse domingo em Buenos Aires, Argentina como palestrante de um Fórum de Debates contra o Neoliberalismo, como um dos representantes brasileiros. Com tudo pago pelos organizadores embarca hoje e como mino para esse dileto amigo, promete me recarregar com as versões impressas do diário Página 12, que ambos lemos diariamente via internet. Voltará mais argentino que antes.
3. Leandro Gonçález é um cartunista, desenhista, artista plástico, chargista e professor de desenho, radicado em Bauru há uns nove anos e hoje, além de tudo o que relatei (devo ter esquecido algo), estará no final do mês ministrando palestra no SESC Bauru, junto da amiga Jussara Lanzellotti, sobre a obra do pai desta, o mestre Lanzellotti. Os dois estão num contentamento de dar gosto e espalhando convites para lotarmos aquele auditório no próximo dia 27/01. Mas o gajo não pára e continua produzindo a todo vapor histórias em quadrinhos de cunho popular, o “Pau de Arara”, que está sendo vendida na Banca Pavan (Rua Primeiro de Agosto, quadra 6). Nesse número uma história em quadrinhos sobre Vlado e as torturas nos porões da ditadura (que a Folha SP insiste em denominar de ditabranda). No Pavan você encontra esse e o primeiro número. Edição para colecionadores.

OBS.: Amanhã tem Noroeste novamente em campo pelo Paulistão, lª Divisão, 16h, aqui em Bauru contra o Santo André. Concentração na Sangue Rubro e cervejamente (ou seria cervejante?) estarei presente, batendo cartão, com radinho de pilha e coração pulsando a mil.