sábado, 31 de janeiro de 2026


SABE O QUE MAIS GOSTEI DE VER NA PRAÇA PRINCIPAL DE ENTRADA DO VATICANO?

Conto a seguir. A estátua de trabalhadores/migrantes na Praça de São Pedro, no Vaticano, é o monumento "Angels Unawares" (Anjos Inconscientes), inaugurada em 2019 pelo Papa Francisco. Criada pelo artista canadiano Timothy Schmalz, esta obra de bronze de seis metros retrata um barco com refugiados e migrantes de várias épocas e culturas. Representa a hospitalidade, a luta de migrantes e refugiados fugindo de guerras e perseguições. Está situada na Praça de São Pedro, perto da Colunata de Bernini e inclui 140 pessoas e asas de anjo no centro, sugerindo uma presença divina entre os necessitados. Foi a primeira obra de arte instalada na praça em cerca de 400 anos. Adicionalmente, existe outra escultura de Timothy Schmalz, intitulada "Seja Acolhedor" (Angels Unawares), colocada em abril de 2025 perto dos chuveiros dos pobres na Colunata, representando um migrante sentado, convidando à empatia.
Podem dizer o que quiserem do papa argentino Francisco, mas dentre todos, pelo menos ao meu ver, foi o mais sensível de todos. o atual pode ter tido no passado um trabalho junto a comunidades carentes, mas já não se fala mais dele. De Francisco, pelos seus atos contínuos, falava-se dele o tempo todo. Inquietava os poderosos de plantão. Foi único. Essa escultura, algo como uma imposição dele ali no coração da praça - mesmo que num canto -, representa a sua linha de pensamento e ação elevada a algo físico, possibilitado materialmente. Sua representação nos tempos atuais é mais do que significativa e suplanta essas questões religiosas todas. Essa massa de imigrantes ali representada é algo mais do que presente no mundo atual e passando batida, ignorada pela maioria dos mortais, porém, eles estão aqui, convivendo bem junto de nós e neles, na fisionomia ali vista, a dor e o sofrimento humano dos que padecem nos mais diferentes lugares deste planeta, necessitando de deslocamentos constantes para tentar continuar sobrevivendo. Fiquei muito tocado com o que senti ao rodeá-la.

COLISEUM E FORO PALADINO/ROMANO - MANHÃ DE SÁBADO, COMPLETADA COM IGREJA SANTA MARIA MAGGIORE, ONDE ESTÁ ENTERRADO PAPA FRANCISCO
Pisar no Coliseum é estar diante da história na sua acepção. O Império Romano perdurou por um tempo maior do que a duração do que hoje vemos no decaído Império Norte-Americano, que já está em frangalhos e se segurando pela força, pois o poderio econômico já se foi. Impérios podem durar muito tempo, mas um dia caem. Os motivos são variados e múltiplos, mas não se sustentam uma vida inteira. Este imenso conglomerado onde os gladiadores se esfalfavam no palco dos acontecimentos, nada mais é do que essas atuais Arenas esportivas, lugar onde se joga futebol e acontecem imensos shows. O pão e o circo continuam acontecendo nestes lugares. O nome de Arena, evidentemente, oriundo deste Coliseum, talvez a primeira grande arena que se tem notícia na história. Hoje são muitas e o que acontece no seu interior não se difere muito da original.
Isso mesmo, passa um filme sobre a cabeça de quem se põe a pensar sobre instigante assunto. A relação é clara, direta e reta. Isso posto, fiquei a matutar muito durante e após o passeio no local. Qualquer Império necessita também de um lugar específico para proporcionar à sua população um pouco de distração, onde ela é engambelada para a continuidade do incessante e macabro escambo, rapinagem. Claro, um lugar como este não ocorre somente este tipo de procedimento em suas apresentações, mas isso fica evidente. Ouvi por lá de uma guia explicando para seus atentos ouvintes que, os gladiadores souberam com o tempo ir construindo os resultados, fazendo um rodízio de perdedores e ganhadores entre eles, até como questão de pura sobrevivência. Fosse tudo levado a ferro e fogo, creio eu, nada teria como resultado essa intempestiva ação do ser humano por aqui. O saber ir contornando as situações também faz parte do jogo.
Roma é a exposição e amostragem do que foi este tal de Império Romano. Muito disso foi salvo e está exposto, não como chaga, mas também como amostragem para não permitir que os mesmos erros se repitam. Porém, eles constantemente voltam a ocorrer, pois o ser humano não aprende e gosta de avançar devagar os degraus de um mundo mais justo. Na Roma antiga a perpetuação da força e de como os ditadores de então, exerciam seu poder sem dó e piedade. E o que vemos hoje, por exemplo, nas ações do insano e doentio Donald Trump não é a repetição de todos os mesmos erros do passado? Não aprendeu nada. No Império Romano a queda ocorreu, pois estavam já passando de todos os limites, no nazismo Hitler fez o mesmo e não tinha limites. Trump começa a exercitar este poder sem limites, que para mim é a exposição de sua decadência, os esperneio final, que pode durar ainda ainda algumas dezenas de anos, mas não durará muito tempo. Depois disso, outros impérios virão. A História é a repetição disso.
Finalizo enaltecendo a possibilidade que estou tendo de colocar os olhos sobre tudo isso, ou seja, olhar com meus próprios olhos como tudo isso foi possível, a grandiosidade do que vejo e nas condições materiais daquela época. Isso nos faz soltar fumacinhas da cabeça. E se os romanos levantaram tudo isso sem as condições materiais de hoje, só com o poderio da força escravagista, imagina agora quem detém o poder do mundo, com condições imensamente melhores. Este mundo só não avança para o bem, porque existe este disvirtuamento da mente humana, não trabalhando para o bem comum, mas para a acumulação de riquezas e pensando em construção de algo pessoal, pouco coletivo. De todos os grandes imperadores do passado, quem atuou mesmo pensando no coletivo, no bem estar de todos? Não esquentem a moringa, pois a resposta é nenhum. Eu cá estou, no meio do que restou daquele império, andando entre escombros, perambulando depós de séculos da ocorrência fatal, o desfecho e vivenciando in loco a decadência lenta e gradual de outro, o dos EUA. Este Coliseum é um dos símbolos máximos do que foi o Império Romano e voltando para nosso tempo, qual seria o símbolo máximo do que ainda representa o poderio dos EUA sobre o planeta? Não creio seja a Estátua da Liberdade. Pensando a respeito.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A FORÇA DA IGREJA PARA CONTER O ÍMPETO POPULAR DE CONTESTAÇÃO
Circulamos, eu e Ana Bia, por estes dias em dois países onde é muito marcante a presença da igreja, aqui no caso europeu a católica, na vida das pessoas. Creio que, a maior quantidade de igrejas por metro quadrado do mundo esteja aqui localizada. Visitei algumas das mais suntuosas nas cidades por onde estive, tanto em Portugal, como na Itália. A maioria delas, as maiores, cobram ingresso para adentrar seus templos. Altares e estátuas reluzentes, cada qual tentand ose mostrar mais impoente que a outra. Tudo isso, construído numa época onde o poder também se manifestava e se mostrava exatamente desta forma, a com a exposição mais reluzente, mais grandiosa. Isso é uma coisa, ultrapassando até o próprio poder da fé. A fé, vejo isso bem nitidamente, teria que ser expressada de forma absoluta, sem reservas ou restrições, pelo povo de forma geral, sem contestação e vejo nisso, já devidamente comprovado, uma forma absoluta de dominação. Isso não me impede de estar aqui, achar tudo lindo, porém, enxergar este outro lado, algo mais do que necessário.

Trouxe para ler aqui na Europa um livro do escritor gaúcho Josué Guimarães - que sempre gostei muito -, ele morando em Portugal na época da Revolução dos Cravos, por volta de 1975, onde relatou como foi a passagem do regime ditadorial de Salazar para o proposto pela Revolução dos Cravos, no livro "Lisboa Urgente - o Portugal de hoje que os brasileiros e os portugueses no Brasil desconhecem", livro impresso em 1975. Na parte sobre religião é muito contundente e aqui compartilho algumas de suas impressões: "De todos os recantos do país acorrem os crentes com o intuito de pagarem à Santa aquilo que julgam ter sido um benefício dela recebido. É uma incalculável multidão de doentes, velhos, deficientes físicos e mentais, inocentes crianças, caquéticos, débeis, cegos, paralíticos, famintos, desempregados. É a transferência do humano para o sobrenatural. Pedem à SAnta porque não adianta pedir ao governo e asswim recorrem à medicina celeste, pedindo a proteção dos céus".

Continua: "Como nas transações comerciais, quanto mais precioso for o bem almejado, mais se precisa dar em penitências e sacrifícios de toda ordem. (...) Os pecados geram as guerras, a guerra vem com a punição aos pecados. Nunca foi dito aos crentes que a guerra bem que poderia não ser a vontade de Deus, mas uma iniciativa do Nazismo ou do fascismo. (...) E a organização mercantil funcionando como uma grande empresa moderna, os dirigentes industriais fabricando velas, imprimindo santinhos, cunhando medalhas e moedas, fabricando crucifixos e imagens, estampando estandartes e flâmulas, montando restaurantes e cafés, confeitarias e bares, pensões e hotéis, estabelecendo linhas de transporte... (...) a figura do homem providencial teve sempre as suas raízes cravadas nesse solo fértil da crendice popular, na alimentação do sobrenatural para contrabalançar o que não lhes era dado no terreno temporal. (...) As desigaldades humanas deixaram de ser o produto dos opressores, mas a vontade de Deus. Cria-se assim,a passividade das massas. Torna-se, assim, o povo dócil. (...)A Companhia de Jesus afirmava também que a instrução do povo era prejudicial à sociedade e à salvação das lamas trabalhadoras".

Entenderam? Vi isso aqui de forma explícita e até, escandalosa. Nas filas nas entradas dos templos mais famosos, o povo ali teleguiado em busca de uma veneração aos seus santos, tudo em busca de não só ver o belo representado pela arte ali exposta, mas também em busca de sua salvação. 

em Bauru a alcaide está decretando o fim do seu Plano Diretor
EU BAURU O SENSATO É SABER COMO OCUPAR OS SEUS VAZIOS URBANOS E NÃO QUERER INVADIR ÁREA VERDE - PARA SUÉLLEN ROSIN O PLANO DIRETOR ATENDE OS INTERESSES DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E NÃO OS DA CIDADE - Leiam texto do Fernando Redondo
A Prefeitura de Bauru Sanciona o Maior Negócio Imobiliário de sua História
Parece que a Prefeitura de Bauru, em sua revisão do Plano Diretor, decidiu encenar uma tragicomédia em três atos. No primeiro, gasta-se uma pequena fortuna pública para bancar um diagnóstico técnico de alto nível da FIPE. No segundo, ignora-se solenemente todas as conclusões desse estudo. No terceiro, entrega-se a cidade, de bandeja, ao setor que verdadeiramente comandou a ópera: o imobiliário e os donos de terra. O que chega à Câmara Municipal não é um projeto de cidade, mas uma licença monumental para a especulação, assinada, carimbada e recheada de benesses pela gestão Suéllen Rosim.
O roteiro é tão previsível quanto vergonhoso. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada com dinheiro público, apresentou um diagnóstico lúcido: Bauru já tem estoque de vazios urbanos e a projeção é de estagnação do crescimento populacional. Em linguagem de gente: a cidade não precisa se espalhar mais; precisa usar melhor o que já tem.
Qual foi a resposta da “santa e tecnocrática” administração? Aplaudir o estudo e fazer exatamente o oposto. A minuta propõe a inclusão de mais 55 milhões de metros quadrados no perímetro urbano, sendo a maior parte – pasmem – sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha. É o triunfo da ganância sobre a razão, da especulação sobre a sustentabilidade. Enquanto a cidade sofre com restrição hídrica na região Oeste, o governo libera a urbanização do manancial. A justificativa? Criar uma “Zona de Interesse Ambiental” com lotes mínimos de 400m². É a maquiagem verde para um crime urbanístico: tentar vender a liquidação da proteção ambiental como um “zoneamento criterioso”.
Quem são os arquitetos desta obra-prima da rendição? A coordenação tem nomes e sobrenomes que contam a história real. Lideram o processo Rafaela Foganholi (Secretária de Aprovação de Projetos), Fabiane Trevisan (coordenadora da revisão), Pedro Rodrigues (gerente de planejamento), Sanae Kuko (coordenadora de políticas de zoneamento) e Letícia Floriano (gerente de aprovação de projetos). Mas a cartilha parece ter sido ditada por outros dois personagens emblemáticos: Paulo Garbelotti e, principalmente, Tábata Ribeiro. Esta, uma figura que fez o caminho inverso ao do serviço público: veio diretamente de construtoras para comandar a Secretaria Municipal de Habitação. Não é conflito de interesses; é a fusão completa entre o interesse público e o privado. A nomeação de Tábata Ribeiro não é um detalhe biográfico; é a declaração de princípios desta gestão. É o lobista profissional sendo premiado com a chave do galinheiro.
O capítulo da outorga onerosa, porém, é onde o cinismo atinge seu ápice doutoral. O direito básico de construir (Coeficiente de Aproveitamento) salta de 1 para 3 sem custo algum. Traduzindo: os incorporadores poderão triplicar o tamanho de seus empreendimentos sem pagar um centavo à cidade pela valorização que causam. A cobrança só começa após esse patamar generoso. É o presente de grego definitivo: criam-se regras para parecer moderno, mas esvaziam-se financeiramente para servir. Enquanto isso, a proposta extingue a doação obrigatória de áreas públicas para 90% dos loteamentos, aqueles com até 20 mil m². Menos parques, menos equipamentos, mais lucro privado.
O resumo é este: a prefeita Suéllen Rosim, cercada por técnicos que assinam embaixo e por ex-construtores que ditam as regras, entrega um pacote de bondades históricas aos donos de terra e incorporadores. Expande a cidade para áreas ambientalmente frágeis contra todos os estudos, e subsidia a construção privada com a renúncia fiscal da outorga. É a privatização do planejamento urbano. O plano que chega à Câmara não é para regular o mercado, mas para servi-lo. Resta saber se os vereadores, muitos da base da prefeita, terão a coragem de interromper este espetáculo de rendição ou se serão meros figurantes na consolidação da Bauru dos Especuladores. As fichas já estão na mesa. A cidade aguarda para ver quem, afinal, a representa.
FERNANDO REDONDO / Jornalismo Independente

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS EM NÁPOLES, ITÁLIA
Gosto de mais da conta de viajar e ir conhecendo novas culturas e povos. Gosto principalmente, até mais do que visitar a história de um povo, como todos os museus e parques históricos por onde estou e estive, de ter contato com o lado mais popular, o de luta de cada cidade. Neste giro europeu, o que muito tem me impressionado são as poucas conversas que consigo ir travando nas caminhadas.

A mais significativa, a que mais me tocou foi termos feito, eu e Ana Bia, um tour a pé pelo Bairro Espanhol, em Nápoles, aqui na Itália. Confesso, quando montávamos o roteiro de nossas andanças, fiz Ana incluir essa cidade, pois ciente do culto à Maradona, queria ter contato pessoal com aquilo que só conhecia por leituras variadas. Ver pessoalmente algo neste sentido é para tocar fundo qualquer cidadão sensível. 

O que via aqui não é simplesmente um culto a memória do índodo futebolístico Maradona. Ele representa muito mais que isso para os napolitanos. E o bairro Espanhol é uma espécie de República Maradonista encravada no coração da cidade. Por ali, um bairro com todas as moradas bem juntinhas umas as outras, como as tais comunidades que vemos em muitas cidades brasileiras. A luta destes seguia até que, um belo dia, aqui veio jogar bola pela time da cidade, o craque argentino. Ele, de origem muito simples, chega e se identifica imediatamente com a luta destes, os que padecem no dia a dia para sobreviver. Luta desmedidamente dentro do campo de jogo e consegue levantar valorosos títulos para o Napoles. 

Essas vitórias extrapolaram o campo da bola, pois as fez entrelaçadas com a luta destes, os empobrecidos que, alé mdo amor à bola, empreendem a luta diária pela sobrevivência. E Maradona esteve não ao lado destes, mas junto. Ele não só observou, como foi à luta por eles e a identificação que já era imensa tornou-se incomensurável. o que vi nas ruas deste bairro e espalhados por toda a cidade é algo tocante. Essa cidade não ama somente o jogador de bola que aqui jogou, mas identificou nele o lutador que necessita para transformar sua condição social. Poucos foram os jogadores que estiveram tão decididamente fazendo essa opção de luta. Maradona fez e merece todas as homenagens que aqui presenciei.

O marido de nossa guia pelas ruas do bairro possui três tatuagens de Maradona em seu corpo e nenhuma dela, a esposa. Ele, segundo ela, a ama, mas é louco por Moradona. Essa loucura, verdadeira devoação é por ter visto no craque o que necessitavam para reagir, ir à luta e não desistir dos seus sonhos. 

LUTEMOS
Lutem como Paulo Freire e Darcy Ribeiro!
Lutem como Robert De Niro!
Lutem como Muhammad Ali!
Lutem como o Dr. Reverendo Martin Luther King!
Lutem como Mandela!
Lutem como Malcom-X!
Lutem como Mujica!
Lutem como Hugo Chávez!
Lutem como Fidel Castro e Che Guevara!
Lutem como os Panteras Negras!
Lutem como Mino Carta e sua Carta Capital
Lutem como Lula
Lutem como Cristina Kirchner e Gustavo Petro
Lutem como Roger Waters
Lutem como Greta Thumberg
Lutem como o fazem os antifascistas
Lutem como Roque Ferreira!
Lutem como o Bauru Sem Tomate é MiXto
Mas façam alguma coisa!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026


TODOS OS CAMINHOS LEVAM À ROMA
Agora as histórias se darão por aqui.

PRÊMIO DESATENÇÃO 2026 DO BAURU SEM TOMATE É MIXTO VAI PARA...

Um dia casa cai. Essa construída em Bauru, quando da chegada da família ROSIN em Bauru é do conhecimento público. Está a causar uma ebulição de problemas, considerados já incontornáveis para Bauru. Os Rosin foram chegando devagar e quando Bauru se deu conta, estavam boa parte deles já instalados na cidade. Primeiro foi a jovem Suéllen, quando aqui aportou para trabalhar no jornalismo da TV Tem. Depois, quando aproveitou a divisão de vários candidatos e conseguiu o grande feito de, pelas beiradas, chegar ao Palácio das Cerevejeiras, o start foi dado para o restante da família. Vieram todos dos demais, papai e mamãe, irmã e cunhado. A igreja deles foi aberta na cidade, pois a oportunidade estava dizendo para reiniciarem a vida em Bauru. E assim foi feito e entre cantoriasm até com denúncias de móveis públicos desviados para a igreja, em denúncia de ex-apoiadora, foram se consolidando. O cunhado da alcaide chegou a contratar um hacker para perseguir opositores. O pai tomou conta do terceiro andar da Prefeitura e hoej comanda e dá as cartas em variados partidos, todos de cunho fundamentalista. A mãe foi empossada como prócer da Assistência Social e distribuia cestas básicas como se estivesse em sua casa. Tiveram muito mais atos, todos culminando com o casamento, entrelaçamento entre um político da cidade e a alcaide.

O bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco Bauru Sem tomate é MiXto nunca ficou indiferente com essa chegada e todos os acontecimentos a ela inerentes. Dencunciamos muito do que já foi feito no âmbito público, pois consideramos anormais, despropositados e até ilegais. A cada dia surge nos noticiários algo novo e a saga continua. Os Rosin fazem parte deste cenário conturbado da vida política nacional, construído e alavancado após a chegada de um dos seus mentores ao poder, o Seu jair, hoje devidamente recolhido e entre grades. Todaa clã familiar é seguidora do jeito de ser e fazer política deste já reconhecido capiroto. Diante de tudo, o Tomate inova este ano e ao invés de eleger três para o Prêmio Desatenção, o faz para um agrupamento todo. E assim, a homenagem (sic) em 2026, pelo conjunto da obra vai para a FAMÍLIA ROSIN num todos.

Ficaríamos aqui um dia inteiro a citar fatos, acontecimentos, ocorrências que, na somatória justificariam a premiação. Escolha feita, pedimos para o publicitário Fernando Redondo, que tão belos textos e imagens tem produzido sobre ocorrências envolvendo membros da família, fizesse a imagem para ser divulgada dessa emblemática premiação. E o resultado aqui está, sendo neste momento divulgado. Fernando sabe captar muito bem acontecimentos recentes da vida política da cidade. Já é um escrevinhador respeitado, desde ter começado a pensar no que está em curso na cidade. A arte é dele e reflete bem o momento da família, ainda sorridente e empoderada. E daí o Tomate se volta para, diante de tantos acontecimentos sui generis na cidade, sugerir uma reflexão maior por parte desta cidade, para os rumos dados a ela. Até quando? Como foi possível? Perguntas como essa estão embutidas no contexto de como foi feita essa escolha. Bauru precisa se postar mais do que alerta. A próxima eleição será crucial para a continuidade ou não desta família com ascenção na cidade e nada melhor do que o Carnaval, como o Tomate faz há exatos 14 anos para discutir este imbróglio.

Assim sendo, a FAMÍLIA ROSIN está sendo agraciada, com todo louvor, fervor, esturpor com o PRÊMIO DESATENÇÃO 2026. Antes da descida do bloco no Calçadão da Batista, sábado, dia 12/02, na praça Rui Barbosa, palco da demolição de seu chafariz, com uma das tantas promessas de recosntruação de algo novo, sendo que no seu lugar um mero gramado, pois bem, ali a lacração da premiação. O Tomate não perdoa, o Tomate estará sempre atento e cutucando a onça com a vara curta, criticando ferozmente quem ousa pisar no Tomate. Assim somos, assim fomos constituídos e assim vamos para a rua, ano após ano. Ficaríamos imensamente alegres quando muita gente desce conosco o Calçadão, entende nossa proposta e assim, além da festa no Carnaval, aproveitamos para pegar no pé de quem acreditamos, merece ser lembrado pela "desatenção" para com Bauru.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

MÚSICA (255)


ALGO DE "ANTONIO VARIAÇÕES" E "MÁRIO XAMPU", TUDO EMBOLANDO A CABEÇA DE QUEM GOSTA DE RETRATAR GENTE DA RUA
Duas histórias se embolando e se misturando na fria Lisboa, depois da saída do Museu Design, o MUDE. Primeiro o maravilhamento de conviver por quase 15 dias ao lado de um cineasta nordestino, Leonardo Cunha Lima, o Léo, filho da professora Edna Cunha Lima, 79 anos, ambos nos acompanhando numa viagem por alguns cantos europeus. Edna veio do Recife, seu filho, o Léo veio da Nova Zelândia, eu e Ana de Bauru, nos encontrando e convivendo juntos por aqui. Assim o conheço e o descubro um cineasta já pronto, com um filme/documentário na bagagem, desses retratando alguém que um dia conheci por intermédio do filme "Mauro Shampoo - Jogador, Cabeleireiro e Homem" (2006).

Assisti este filme mais de uma década atrás e hoje, convivo com o Léo - parceria comPaulo Henrique Fontenelle. O filme retrata a história do famoso ex-futebolista recifense, conhecido por marcar apenas um gol na carreira pelo Íbis Sport Club, o "pior time do mundo". O filme de 22 minutos foca na vida de Mauro Shampoo, que, apesar de sua trajetória limitada no campo, tornou-se um ícone da cultura pop no Recife, equilibrando sua fama de jogador com a sua profissão de cabeleireiro. Histórias como essas são as que me movem e me fazem produzir o tal do "Lado B - A Importância dos Desimportantes" e sair pela aí fotografando uns e outros, personagens deste mundo, sempre pela vertente popular.

Daí, nós todos aqui em Lisboa, mais o professor de Design Gabriel Gabriel Patrocinio, hoje morando aqui na capital portuguesa, amigo de cátedra da Edna, foi nosso guia na cidade. Numa das incursões a pé - ele adora perambular a pé -, nos leva para o MUDE, na rua Augusta 24, centro da cidade e dentre todas as exposições que tivemos o prazer de visitar, destaco a última, feita por mim e junto com o professor Gabriel, "Meu nome António - Fotografia de Teresa Couto Pinto, 1981-1983", retratando em fotos um personagem das ruas lisboetas, o Antonio Variações. As imagens das várias sessões de fotos tiradas por Teresa, acompanhando tudo o que fazia António nas andanças deste. Ele, inquieto desde sempre, se produzia para ir pras ruas e assim, percebido por onde circulasse, foi captado em todos os ângulos.

Bati o olho na exposição e me lembrei do filme do Léo. O Xampu tem muito, ou tudo a ver com o Variações. Ambos são fruto das entranhas de cidades. Léo se encantou com Xampu, Teresa por Variações e eu, por todos os meus personagens Lado B. Isso nos move e nos conduz para estes caminhos desbravadores da contação de histórias, ou melhor, a perpetuação delas. Junto isto tudo e percebo que, a vida tem sentido para gente como nós, exatamente pela percepção que temos para com estes personagens e para os que, estão muitas vezes ao nosso lado e não os percebemos. Como é bom contarmos exatamente essas histórias.
Algo de Mário Xampu: https://www.youtube.com/watch?v=i2OiAnIj79M
Algo de António Variações: https://www.rtp.pt/play/p8764/variacoes
Eu, Edna, Léo, Ana Bia e Gabriel circlulando pelas ruas de Lisboa.


LEIA SARAMAGO E VISITE SEU INSTITUTO, CENTRO DE LISBOA, DEPOIS BATA PERNA ATÉ A BEIRADA DO TEJO
Quem chega hoje em Bauru SP, se depara com alguns outdoors e muitos adesivos fixados em veículos, com os dizeres: "Leia a Bíblia". Tudo bem, ler a bíblia deve até fazerparte do cabedal de quem está disposto a ler de tudo, porém, quando o fixado é somente na leitura deste livro, algo explícito como errado e fora dos padrões da normalidade. Ler somente um livro é algo tacanho e preocupante. Todos nós deveríamos saber o que está embutido neste dizer restritivo. Algo destes tempos reducionistas e pregando o fundamentalismo.
Daí chego em Lisboa e me deparo com o Instituto José Saramago, um pequeno prédio, com alguns andares, reverenciando um dos maiores escritores deste planeta. Entro pela segunda vez no mesmo e me delicio em cada canto. Enfim, a leitura, como ali provocada é para ser feita em todas as suas instâncias e não seguindo somente uma vertente. Pior quando essa vertente é somente religiosa. Saramago propõe exatamente o contrário, um ler e escrever ampliado, abrangendo e abrindo o leque para tudo o mais.
Poderia querer fazer um adesivo rebatendo o que vemos em Bauru, talvez com um "Leia Saramago", mas o próprio escritor não se sentiria bem com algo assim, pois o que vi explicitamente proposto quando adentrei seu instituto foi exatamente o contrário. Teria que fazer um adesivo com os nomes de muita gente, muitos escrevinhadores mundiais e este o motivo de não ter feito até agora algo para responder a aberração restritiva estampada em carros e postes bauruenses.
Enfim, Saramago propõe a abertura e ampliação dos horizontes. Circular por entre tudo o que lá vi sobre ele, demonstra pelas fotos e escritos, o quanto nada deve ser restritivo a somente uma linha de pensamento e uns poucos. Era isso, essa a mensagem principal que cada pessoa ali subindo e descendo as escadas dos quatro andares do Instituto recebem - o elevador não está funcionando -. Volto, ou melhor, saio de lá, recarregado e cada vez mais compreendendo que o mundo só se libertará das amarras reducionistas mentais se ampliar cada vez mais o leque de leitura, escritores diversos e variados. Algo tão simples, contundente e significativo. Saramago me passa isso tudo e muito mais. Eu cada vez mais sinto que, ler de tudo é uma ótima saída para se libertar das amarras de quem fica detido, preso, amordaçado na prisão da leitura de somente um livro, seja ele qual for.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CARTAS (252)


AVANTE!, VISITEI A SEDE DO PCP - PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
A sede do PCP fica numa das mais movimentadas avenida de Lisbia, a Independência e faz divisa com griffes famosas. O prédio ocupado por eles é o único ponto destoante, diante de tanta oferta de consumo desenfreado, algo a demonstrar o que vem a ser o capitalismo português. Na verdade, os militantes comunistas não estão nem aí para a vizinhança, pois suas preocupações são bem outras. A incessante luta contra este desenfreado avanço da ultra-direita está preocupando não só os partidos comunistas mundo afora, mas todos os possuindo algum bom senso político.

Na estada aqui em Lisboa, descubro o endereço da sede e por essas coincidências da vida, 200 metros do hotel onde estou hospedado. Evidentemente, fui lá conferir a quantas anda o pessoal da lida e luta mas à esquerda, o ainda conseguindo editar o jornal impresso Avante!. Quem me atende é a Ana Guerra, uma senhora comunista de fino trato e que, creio eu, esteja lá pelos seus 60 e poucos anos - como eu. Muito simpática, diz que, no momento em que ali chego, não consegue me levar para conhecer todos os andares, pois ocorrem três reuniões no momento. Permaneço no saguão e me deixa à vontade para vasculhar livros e tudo o mais ali vendido.

Na lanchonete, diz a placa valer para o público em geral, pois a cozinha só funciona para os filiados e funcionários do prédio, por volta de 40 pessoas. Ali acontece uma refeição coletiva diária, ou seja, a comida é feita para o coletivo. Conta do prédio, diz ter ali funcionado um hotel e algumas décadas atrás, o partido somou forças e comprou o espaço. Mostrar que nada foi alterada, nem o balcão de atendimento da entrada. Numa TV ligada um filiado vê TV e o entra-sai é grande, pois como havia me dito, ocorriam três reuniões em andares diferentes. Pergunto das eleições para presidente, diz que o partido obteve 3% dos votos e que na segunda volta, farão o maissensato, somarão forças para não eleger o candidato da ultra-direita.

No saguão vejo três bancas de livros, alguns usados, mas a maioria novos, de militantes e com temas marxistas ou de lutas realizadas mundo afora. No momento, o que mais se vê nas prateleiras são motivos sobre Cuba. Não resisto e trago uma caneca, adesivo, pulseira e pin, tudo por 10 euros. Ana conta da festa do Avante!, famosa por já ter trazido até Chico buarque num dos anos. O evento é anual, ocorre no começo de setembro e movimenta vários países, vindo gente não são do PCdoB, mas também do PT. Conto do amigo bauruense Marcos Resende, que certa vez, se esforçou para que viesse com ele numa dessas festas. Na época, contei os caraminguás e não tive como. Todas são muito animadas e concorrida, um espaço não só de confraternização comunista, mas de união de forças.

Pouco antes de me despedir, diz ter relações cordiais com o Brasil, onde muitos dos seus parentes, se mudaram décadas atrás para Santo André. Pergunto quantos são como ela, comunistas. "Nunca foram, a única comunista na família sou eu", sua resposta. A conversa não pode ser muito encompridada, pois ela, naquele momento cuidado ali da porta, teria que se ausentar e participar de uma das reuniões. Tiro fotos, dou fraterno abraço e volto para as ruas, parando do outro lado da calçada, olhando mais atentamente para o prédio, uns cinco andares, de portas abertas em pleno século XXI, numa demonstração de que, as forças podem ter diminuido ao longo do tempo, porém, pelo que vi e senti da conversa, os comunistas portugueses não desistirão.


Bauru e a onda das escolas militares danando com a Educação
EU NÃO ESTUDEI NA EE MORAES PACHECO, MINHA MANA HELENA SIM E HOJE ME PREOCUPA MUITO VER A ESCOLA SENDO TRANSFORMADA EM COLÉGIO MILITAR
"Para mim, a Escola Estadual Prof. Morais Pacheco sempre representou mais do que paredes, salas e corredores. Foi ali, entre carteiras e professores dedicados, que dei os primeiros passos para um futuro construído pela educação. Nasci no Bairro Bela Vista. Meu pai era comerciante ali perto da Samaritana e, desde cedo, eu o ajudava no atendimento. Foi ali que aprendi a lidar com pessoas, a ouvir, a respeitar. Mas foi nesta escola que aprendi a sonhar. No Morais fui aluno da professora de português Sônia Neme, com o incentivo dela, passei a escrever crônicas e poesias e, já pensando no Brasil, cheguei a escrever uma peça de teatro — trabalho que chegou a ser encenado no anfiteatro da própria escola por alunos de outra série, um palco que recebeu o ator bauruense Edson Celulari. Aprendi matemática com o Arlindão, história com a dona Minerva, artes com a dona Kity, e outros professores e professoras que marcaram minha formação, ensinando valores que não aparecem nos livros, mas acompanham a gente para a vida toda.Também fiz parte do time de basquete da escola, com o professor Jussanã, aprendendo disciplina, convivência e trabalho em equipe. E como não lembrar do inspetor Max, sempre bem-humorado, e da firmeza da dona Eloy e mãe do Edson, que nos ensinava que rigor também é uma forma de cuidado.

Foi sentado numa carteira desta escola que tudo começou. Eu poderia ter sido astronauta, como o Marcos Pontes, mas escolhi manter os pés no chão. Escolhi a medicina. Escolhi cuidar de pessoas. Hoje, a Morais Pacheco inicia um novo capítulo como Escola Cívico-Militar, sendo a única unidade com esse modelo em Bauru. Sei que essa mudança gerou debates — e eles são legítimos. Em uma sociedade democrática, discutir educação é não apenas natural, mas necessário. O que acredito, porém, é que o debate principal deve sempre convergir para a qualidade do ensino, para o ambiente escolar e para as oportunidades reais oferecidas aos alunos.

A escola vem passando por reformas importantes, melhorias necessárias para acolher melhor seus estudantes. Nesse processo, também observamos mudanças no entorno. Árvores conhecidas como "Chapéu de Sol" marcaram a paisagem da cidade por décadas cresceram muito e hoje trazem desafios concretos, como a queda intensa de folhas em determinadas épocas e frutos que já causaram acidentes. Cuidar da cidade exige equilíbrio: não se resolve tudo com punição, mas com diálogo, planejamento e substituições responsáveis, pensando na segurança hoje e na qualidade de vida amanhã.
Meu compromisso com a Morais Pacheco e com a educação é pessoal e profundo. Tudo o que eu sou começou aqui. E é por isso que desejo que cada aluno que entrar por esses portões tenha oportunidades iguais — ou maiores — do que as que eu tive. Que possam estudar, sonhar e alçar voos ainda mais altos. 
Educação muda destinos. Eu sou prova disso.
RAUL GONÇALVES PAULA

O QUE ACHO DESTE MOMENTO DO MORAES PACHECO: Compartilho este texto do Raul, porém sou de vertente oposta a dele. Não dá para acreditar em algo palatável e bom para a Educação dentro de um espírito militar. Eles já provaram que nada entendem disso. Ultimamente estão em baixa até no que fazem, tal a tentativa de golpe contra a democracia brasileira. Daí, entregar uma escola para estes tomarem conta é um horror. Isto tudso terá que ser revisto e rapidamente. Nenhuma experiência até então implantada deu certo. Que voltem para seus quartéis e deixem a Educação para quem dela entende. A luta em Bauru com essa adesão do Moraes Pacheco é algo que a comunidade precisa reagir e reverter. Nenhuma escola merece isso.

domingo, 25 de janeiro de 2026

DICAS (265)


ANDANÇAS POR LISBOA E SINTRA
1.) A IMPORTÂNCIA E IMPONÊNCIA DE UM CINEMA DE RUA: O SÃO JORGE DE LISBOA
Eu sempre adorei cinemas de rua. Convivi com muitos destes em Bauru. O Cine Bauru, São Paulo, Capri e Vila Rica não me saem da memória, depois o Bauru I e II, todos fechados, alguns derrubados, outros adaptados. Triste sina a dos cinemas de rua. Em Bauru não sobrou nenhum para contar a história. Em algumas cidades brasileiras uns poucos resistem. Ouço repetirem como uma espécie de mantra que o tempo destes já se foi e que o negócio hoje é o cinema de shoppings. Frequento eles, afinal não existe outra opção. Porém, quando vejo um de rua, babo na fronha e morro de amores.
Circulando numa dessas noites aqui por Lisboa, avenida da Liberdade, com um jardim com muito verde em toda sua extensão, num dos lados a imponente edificação do Cine São Jorge. Uma belezura ver a quantidade de gente, não só o rodeando, mas ali em suas entranhas. Com uma programação sempre cheia, até com um pequeno jornal informativo, ele continua cheio, imponente, vigoroso e com um gás renovador. Um velhinho adaptado aos novos tempos, cheio de vida e esbanjando o que falta aos brasileiros.

Acabamos pelas circunstâncias não assistindo nenhum dos seus filmes em cartaz, mas circulando pelo ambiente lotado, na noite de sábado, captamos muito do espírito provocado pelos frequentadores do cinema. A conversa que víamos fluindo pelos cantos e ocupando todos os espaço é revitalizante. "Inaugurado a 24 de fevereiro de 1950 na Avenida da Liberdade, o Cinema São Jorge é um ícone cultural de Lisboa, projetado pelo arquiteto Fernando Silva. Distinguido pelo Prémio Valmor, destacou-se pela modernidade e grande capacidade, sendo adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa em 2001. Hoje, após requalificações, é um espaço multifacetado com três salas, focando-se em festivais, cinema português e eventos culturais", leio a respeito e fico mais encantado.

Um antigo cinema adquirido pela Câmara Municipal da cidade e disponibilizado, ou seja, só com a intenção de sua continuidade como expoente cultural. Algo inimaginável dentro de muitas administrações públicas brasileiras, notadamente nas fundamentalistas como a bauruense de Suéllen Rosin. Leio aqui que, a Câmara o comprou em 2001, evitando a sua degradação e garantindo a sua vocação cultural. Quando alguém com mentalidade bolsonarista faria algo de idêntico teor? Respondo: nunca. Lugares assim são mágicos, mantendo em seu estatuto de sala de referência na capital, a celebração a sétima arte e acolhendo produções nacionais e internacionais. Algo assim no Brasil, só em grandes capitais. Pelo interior, restam os cinemas de shoppings. Nele, felizmente, assisti numa desprestigiada sessão, o celebrado "O Agente Secreto".

2.) HISTORIADOR QUE SE PREZA VAI A FUNDO E ASSIM VASCULHO QUEM SEJA ESTE RICO PORTUGUÊS ANTONIO AUGUSTO DE CARVALHO MONTEIRO
Visitei com Ana Bia na segunda, 26/01, a cidade de Sintra e lá um lugar mais que especial, a Quinta da Regaleira, um imenso espaço com parque e um castelo, nas cercanias da cidade. O maravilhamento se dá por todos os cantos, mas uma certa inquietação se deu quando me deparei com a origem do lindo lugar. Leio que o fidalgo e rico empresário comprou essa área e aqui levantou essa linda edificação e imenso parque verde, tendo construído parte de sua fortuna no Brasil. Antonio Augusto de Carvalho Monteiro, o Monteiro dos Milhões, como é conhecido é brasileiro, tendo nascido no Rio de Janeiro em 1848, quando seus pais lá estavam a se enricar no ramo imobiliário e café. Quando os pais se foram, ele já de volta para Portugal, lervantou o que aqui vi e me encantei. Mas como conseguiu a tal fortuna no Brasil? Isso ainda será motivo para futura investigação, pesquisa e vasculhamento histórico.

Percorro o castelo e nele muitas fotos dele, seus pais e família. Nada sobre como se deu a fortuna no Brasil. Na loja do castelo, compro um livrinho sobre o lugar, com uma biografia só o citando como o grande benemérito português, muito culto, rico e possibilitando que a visitação em Sintra só aumente. Ainda na loja, pergunto mais sobre ele ao vendedor e recebo uma aula. Este, jovem e muito interessado nas coisas da história do lugar onde vive, diz com o seu Monteiro, não nutrir isso de que todo rico é perverso. Pede para que olhe tudo o que fez com estes olhos. Olho e ainda me acossa a inquietação: como se deu a fortuna brasileira? Pergunto isso a ele e sua resposta: "Leve em consideração que a família já era muito rica quando foi para o Brasil. De lá voltou muito mais rica, mas não foi uma má pessoa". Ouço e depois o rapaz ainda complemente que, quando já tudo consolidado, voltou ao Brasil para sua definitiva temporada e quando volta, a Quinta fica ainda mais bonita, ganhando sua identidade definitiva. Monteiro veio a falecer em Sintra no ano de 1920.

Não prejulgo ninguém sem conhecer mais detalhes. O fato é que, ao trazer o livro - procurei outros, mas não tive mais tempo de muita pesquisa por aqui -, leio a parte sobre sua biografia no hotel e as respostas não me são dadas. Isso requer uma pesquisa nos arquivos brasileiros. Espero conseguir fazê-lo um dia. Isso me faz lembrar dos tempos quando vendia chancelas, através de minha antiga firma, a HPA e uma das cidades onde mais o fazia era o Rio de Jeneiro. Uma história contada a mim por um antigo comerciante, me apontou vários prédios antigos do Rio me dizendo ser de portugueses, algo de séculos atrás, quando comprararm muitas terras e edificações na cidade, com toda lucratividade sendo repassada à família. Daí, neste momento me lembro dessa história e fica a pergunta: o tal do Monteiro dos Milhões nã oseria um destes tantos?

Livros e teses acadêmicas já devem ter sido escritas sobre este assunto e quando me deparo com o que vi aqui por Portugal, senti voltade de conhecer algo mais. Na cidade do Porto, visitei uma igreja, a de Santa Clara, como tantas, toda com muito ouro pelas paredes e uma pergunta que fica ao ver tanta suntuosidade: este ouro não teria vindo do Brasil? Creio que, se não na sua totalidade, boa parte, sim. A pilhagem durou todo o período da colônia e pelo visto, muita coisa ainda permanece sob o domínio de famílias portuguesas. Estes resquícios de um período de nossa história, creio eu, nunca se dissiparão por completo. Vivenciei só um bocadinho de tudo o que aconteceu conosco. Qualquer historiador se interessa por histórias assim, ainda mais quando se deparam com algo ali diante de seus olhos. Volto pouco mais inquieto.

algo do Carnaval do Tomate lá na distante Bauru SP Brasil
JÁ QUE O BLOCO DO TOMATE VAI CHINELAR QIEM PISA NO TOMATE, NADA COMO SEU MUSO 2026 SER O CHINELO, ANTONIO PEDROSO JR
Foi uma desição quase unânime.
Que acharam? Ninguém chinelou estes todos melhor que o saudoso Chinelo.

sábado, 24 de janeiro de 2026

REALATOS PORTENHOS / LATINOS (154)


O TAXISTA DE LISBOA É DA ROTA PAULISTANA
Gozando de licença prêmio da Polícia Militar do estado de São Paulo por alguns meses, o grandalhão de 2m02 de altura, calçando perto da numeração 50, atuou na ROTA por muitos anos e se vangloria de ter matado alguns "vagabundos" ao longo de sua carreira fardado. 

Chegamos o quarteto em viagem por Portugal de trem, vindo da cidade de Porto, pelo terminal Oriente, carregando um monte de malas, impossíveis de serem transportados por um Uber. O jeito foi procurar por um táxi maior. Encontramos um, por sorte dirigido por um brasileiro e dos mais simpáticos, tipo conversador, meia idade, algo em torno de uns 55 anos. 

Chegamos cinco minutos atrasados. Até então ele estava aguardando cleintes e quando o abordamos, havia se comprometido com um grupo de turistas ingleses, também chegando na cidade. Esperamos seu retorno por 20 minutos. Ele volta, muiuto solicito, adentra com seu carroaté o meio do terminal de ônibus, onde estávamos.Não permite que ninguém pegue mala nenhuma. Forte, faz tudo sózinho e acomoda toda nossa bagagem com a maior facilidade, demonstrando ser bastante forte.

A viagem começa e as surpresas começam a pipocar. O grandão fala pelos cotovelos, isso parece lhe fazer bem, tipo desabafar. Um agradável papo. Conta de onde veio e de como caiu ali dirigindo um táxi num terminal ferroviário de Lisboa. Diz ter chegado alguns meses atrás. Não se faz de rogado, conta detalhes de sua procedência. É um policial militar licenciado, ou seja, no pleno gozo de uma justa Licença Prêmio. Atuou, ou melhor, atua na ROTA da polícia paulista. Diz estava precisando muiuto espairecer, após aquele desgastante trabalho de combater a criminalidade. Quando conquistou a tão almejada licença, ganhou o mundo. 

Primeiramente percorre alguns paíes da Europa e finaliza tudo em Lisboa. Para arrumar essa atividade de taxista foi um pulo. Nos disse que, "quem tem amigos, nunca está desamparado". Logo estava ao volante, com a sugestão de atuar como taxista. Acabou com um carro maior e no terminal de trens Oriente, o segundo maior da cidade. E nós, os quatro intrépidos viajantes, ao descer e procurar por um veículo maior, damos de cara justamente com ele. Cinco brasileiros num carro e com destino um hotel no centro da cidade. E o pegamos num momento quando estava com muita vontade de conversar. E o danado não parou um só instante de contar suas peripécias. Relata histórias incríveis e mirabolantes, como a ocorrida na véspera do Natal, quando numa praça em Lisbioa, viu um senhor agredindo uma criança, provavelmente seu próprio filho. Não hesitou e o esbofeteou de cima em baixo, sem dó e piedade. Resumindo, sangrou o sujeito.

Não que tivesse agido errado, pois ver uma criança sendo agredida, fere com os brios de qualquer um. Diz ter agido por puro instinto e que, agiu da mesma forma quando nas ações atuando como policial. Preferimos que o mesmo não entrasse em detalhes, muito menos de seus métodos de trabalho. Tentamos mudar de assunto. O fato é que, estava cansado, estressado e a licença prêmio acabou sendo conquistada após muito esforço. Ele falava e estávamos ali patra escutar, ou seja, optamos por quanto menos saber melhor. Assim chegamos ao hotel e ele descarrega sózinho todas nossas malas.

Logo a seguir ele se vai e todos respiram fundos. Leo Lima, um que nos acompanha nessa estada, rindo me diz: "Preferiu permanecer calado, né Henrique?". Sim, ainda mais por um detalhe meio que sórdido, sua mãe reside muito próxima de Bauru, numa cidade vizinha - veja a coincidência - e assim sendo, o melhor mesmo é não possuir nenhum tipo de vínculo. Aqui neste espaço relato algumas dessas coincidências da vida, geradoras de assunto para escrevinhações variadas, relatos de viagem. Achei essa, como as demais aqui já relatadas, uma interessante, porém, o faço omitindo muitos detalhes e sem citação de nomes. E assim segue nossa vaigem, com uma surpresa em cada esquina.

VIAJAR DE TREM É TUDO DE BOM, DA CIDADE DO PORTO PARA LISBOA
Não me canso de ficar batendo na mesma tecla um infinidade de vezes: sou dos que criminalizariam os responsáveis pelo fim dos trens de passageros no Brasil. Isso é uma longa história e já escrevi muito dela por aqui. Sempre que volto a andar num trem europeu, penso no que poderíamos hoje estar desfrutand ose nossa malha não tivesse sido destruída e trocada pelo modal rodoviário. Isto tudo, sabemos, foi mais que um crime, ainda impune. 

Isso uma coisa, outra é pegar um trem que sai no horário e chega quase todos os dias dentro do horário. Vou andar muito de trem nessa viagem européia. Começo hoje com a saída da cidade do Porto e a ida até Lisboa. Perto de umas três horas de viagem. Tivemos a sorte de nossos assentos terem sido reservados para o vagão onde encontrava-se a lanchonete. Saudade dos tresn da FEPASA, onde meu pai trabalhou uma vida inteira e fui tantas vezes de Bauru a São Paulo. 

O trem lusitano e europeu corre exatamente dentro do horário combinado, tanto que, na chegada em Lisboa, descemos as malas e enquanto procurávamos pela cadeira de rodas, facilitando a circulação da Edna Cunha Lima, todas as malas já na plataforma, Ana bia já nela, o trem fecha as portas e parte. Não sabíamos, sua permanência era de apenas cinco minutos. Partimos os três, deixando-a lá na gare Oriente. O comissário de bordo foi rápido, ligou para a de onde partimos e lavaram Ana para uma sala de espera. Descemos na estação seguinte e num outro trem, partindo em quinze minutos, estávamos voltando para reencontrá-la. Foi um susto, nada mais. Descemos e outro comissários já nos esperava, levando até Ana e as malas estavam. Não teve nem como reclamar. Chamo isso de eficiência.

algo de Bauru, lá no interior paulista
PÔ MÁRCIO, ERA CONTRA E É O PRIMEIRO A CONTRATAR. COMO VOCÊ QUER QUE TE APOIEMOS??? NÃO DÁ...
"Política: Vereador Márcio Teixeira (PL), que votou contra o 3º assessor é o primeiro a nomear o cargo. Após votar não ao projeto que criou o cargo de 3º assessor parlamentar, o vereador Márcio Teixeira (PL) tornou-se o primeiro parlamentar a efetivar a nomeação para a nova função em seu gabinete. O Projeto de Lei foi aprovado em sessão ordinária com 15 votos favoráveis e seis contrários, prevendo a criação de um assessor adicional para cada vereador. Na justificativa apresentada pela Mesa Diretora, o texto aponta a “alta necessidade dos serviços prestados pelos gabinetes, diante da crescente demanda de atendimento aos munícipes, acompanhando o crescimento do município”.
O que chamou atenção foi a publicação no Diário Oficial de Bauru, no dia 15 de janeiro de 2025, que oficializou a nomeação de G.H. S. S. para o cargo em comissão de 3º assessor parlamentar do vereador Márcio Teixeira. A função prevê remuneração mensal de R$ 8.099,23, além de benefícios.
Durante a votação do projeto, o vereador posicionou-se contra a criação do cargo, alinhando-se ao entendimento dos demais parlamentares que votaram contra o PL, de que a medida representaria um custo desnecessário aos cofres públicos", Bauru Interior Notícias.

"A história é a seguinte: a Câmara de Bauru votou pela possibilidade de contratação de um 3º assessor para cada vereador. Eles já têm dois. Um dos vereadores que votaram contra o projeto - que foi aprovado - agora é o primeiro a anunciar a contratação de seu 3º assessor. Via de regra, os crimes de "rachadinha", como ficaram conhecidos no Brasil, surgem justamente da devolução ao parlamentar, por baixo do pano, de parte dos vencimentos de assessores e/ou funcionários de gabinete. É preciso prever esta hipótese, diante da avalanche de "tertius" que pode desabar na Câmara, de agora em diante. Afinal, aqui mesmo em Bauru, em tempos passados, tivemos um caso que acabou em cadeia para o responsável. Não queremos este retrocesso", jornalista Ricardo de Callis Pesce.

UM DIA TIVEMOS UM AEROCLUBE EM BAURU - A especulação imobiliária conseguiu lotear a área, encherão de prédios. Nunca mais poderão soltar pipas, aviões levantarem vôo ou a possibilidade de um joguinho de bola no lugar.
CHARGE DO AMORIM É PERFEITA PARA ILUSTRAR O QUE PENSO

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (224)


NO RETORNO DA CATEDRAL DA SÉ, NO PORTO, ENTRAMOS NA PEQUENA MERCEARIA DE DONA MARIA
Voltávamos de vista na catedral católica da Sé, na cidade do Porto, numa movimentada subidinha. Queríamos um bom vinho, pois a chuva havia abrandado bocadinho, porém o frio estava mais do que intenso, diria mesmo, cortante na beirada do rio Douro. Diante de nós, três vendas com vinhos expostos nas prateleiras, bem visíveis para quem passava na rua. Duas mais requintadas, pouco mais de modernidade - ambas com atendentes asiáticos - e outra, a primeira na subida, mais modesta. Escolhemos essa e acertamos em cheio.

Do lado de trás do balcão somente uma pessoa, dona Maria. Ela não gosta muito de declinar seu nome para estranhos, daí a trato aqui somente pelo primeiro nome. Atendia um senhor antes da gente, a esperamos e depois dissemos a que viemos, um vinho. Ela nos mostra vários e escolhemos um deles. Neste interim, conversamos um pouco e ela se abre conosco sobre como cobra seus preços: "Estou aqui há mais de cinquenta anos. Os demais chegaram muito tempo depois. Veja esta garrafa de água que estás a levar. Pagas aqui 1 euro e nos demais de 1,50 a 2 euros. Eu só cobro o preço justo. Assim sobrevivo".

Foi o bastante para prolongar pouco mais a conversa. Ela trabalha só na maioria do tempo e atua no ramo de pequena mercearia, até com frutas e legumes. Nas prateleiras o que chama a atenção são os vinhos e outras bebidas alcoólicas. Pudera, com o frio que faz na bairada do rio nesta época do ano, nada como acalorar o interior do corpo. Possui uma forma peculiar de descer os vinhos que está a sugerir sejam levados. Observo atentamente a cena e me encanto, primeiro pela simplicidade, depois por tentar repassar o máximo de informações, algo adquirido ao longo dos anos, não para convencer o então cliente, mas para que leve para sua casa algo realmente que o satisfaça. É o que observo ser o velho e irresistível modo antigo português de tocar a vida.

Eu e Ana Bia, levamos não só um bom vinho, como uma garrafa de água e uma pequena caixinha, para presente, com cinco garrafinhas do famoso vinho do Porto. Ela mesma nos indicou que, levando separadamente ficariam mais caro, daí, na caixinha muito mais em conta. Me disse não gostar de ser fotografada e só o fazia por achar o casal de turistas diante de si muito conversador e atenciosos para com ela e seu pequeno comércio. Estávamos tocados e ao sair, iniciando a tal subidinha de retorno ao hotel, Ana Bia me diz algo mais, por mim também captado e que, se por ali continuássemos seria nossa rotina: "Tivessemos mais tempo por aqui, voltaria todos os dias". Somos assim, frequentamos lugares com muito mais pompa, mas quando nos deparamos com um, tendo do outro lado do balcão uma emérita dona Maria, somos imediatamente arrebatados e mesmo, sem um lugar para sentar em seu estabelecimento, voltaríamos com o maior prazer.

Dona Maria personifica um tipo quase em extinção hoje no mundo atual, resistindo a passagem do tempo, mantendo suas portas abertas na cara e na coragem, lutando com unhas e dentes para nao fechar as portas. Não quer mudar nada, nem pensa em modernizar ou alterar a forma como atua. Vasculhamos cidades em busca de pessoas assim.

O CARA É ATÉ PIOR QUE JAIR BOLSONARO E FOI PARA O SEGUNDO TURNO AQUI EM PORTUGAL - VENDO A EXTREMA DIREITA LUDIBRIANDO A FÉ POPULAR POR ONDE ANDE
Aqui do Porto, onde me encontro, ouço de um funcionário do hotel, beirando os 70 anos: "Estou cada dia mais preocupado com o destino do meu país. Esse sujeito do partido Chega é um ex-comentarista esportivo, um que foi abocanhando pouco a pouco, com um discursodo jeito que muitos querem ouvir e sabe-se, rodeado de gente da pior espécie, incompetente, totalmente inqualificado e não só despreparado, mas pronto para com seu discursinho barato, destruir tudo o que foi duramente conquistado ao longo de décadas. Representa o périgoi da extrema-direita se aproximando cada vez mais do poder. Eminente perigo, que muitos fingem não reconhecer. Como conseguimos que um sujeito desses chegue ao segundo turno?".

Portugal teve uma eleição na sua 1ª volta, o nosso 1º Turno e com muitos candidatos à Presidência, algo ficou fragmentado, daí o candidato da ultradireita, este dos outdoors consegue, após várias tentativas, chegar ao que tanto almejou, o poder a qualquer custo. E agora disputa com o que dentre todos os demais, chegou lá. E a dipusta se acirra, esquenta e ferve o país. Já vimos este filme, foi quando o capiroto Bolsonaro chegou ao poder e fez o que fez, colocando o país quase a se perder num mar de escândalos. Se dizem contra a corrupção, mas são os mais corruptos deste mundo. Ouço aqui, este ultradireitista não se difere em nada do chavão. Vale nada.

Pelo que o jornal Público expõe em sua primeira página, André Ventura tem 30% dos votos e o socialista, aglutinando o país em pé, soberano e pujante, Antono José Ventura, ufa!, chega!aos 70%. Os Le Pen franceses tentam até hoje e se enroscam em tramas envolvendo corrupção. Dessa, não escapa um sequer destes abomináveis se dizendo salvadores da Pátria. Ventura, o desaventurado, sustenta uma batalha entre esquerda e direita, porém, muito claro, a disputa se dá entre populismo barato, pueril e democracia/liberalismo. Luta-se contra um perigoso e predatório mundo onde tudo é possível e permitido. A extrema-direita foi e sempre será bandida, criminosa, o que de temos no mundo da política.

“O fascismo sempre surge de um espírito provinciano, de uma falta de conhecimento dos problemas reais e da rejeição das pessoas – por preguiça, preconceito, ganância ou ignorância – a dar um significado mais profundo às suas vidas. Pior ainda, ostentam-se da sua ignorância e procuram o sucesso para si mesmos ou para o seu grupo, por presunção, afirmações sem sustento e uma falsa exibição de boas características, em vez de apelar à verdadeira habilidade, experiência ou reflexão cultural. O fascismo não pode ser combatido se não reconhecermos que não é mais do que o lado estúpido, patético e frustrado de nós mesmos e do qual devemos nos envergonhar", FEDERICO FELLINI, em conversa com NATÁLIA GINZBURG (citado por Rob Riemen no seu livro «Para combater esta era»). Luto contra o fascismo com todas minhas forças. É o que me resta fazer neste mundo, lutar contra os pervertidos.

EU QUERO AS MINHAS MARCAS
"Eu não entendo como é que um ator pode chegar na minha idade e tirar as rugas. O Mário Lago dizia: 'as minhas rugas são as medalhas que eu conquistei na minha vida'. Eu vou e peço o cara e me vai ficar tudo lisinho com cara de bunda? Não, eu quero as minhas marcas."
Osmar Prado,
No programa Sem Censura
O que você acha?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (211)


COMO TROMBO COM BRASILEIROS TRABALHANDO AQUI PELA CIDADE DO PORTO
É uma loucura o que tenho encontrado de jovens brasileiros, com pouca formação técnica ou mesmo universitária, se aventurando aqui na Europa. Neste momento escrevo somente pelo Porto, uma das principais cidades portuguesas. Trombo com brasileiros por todos os lados. Muitos são turistas, mas a grande maioria está por aqui trabalhando. Alguns me disseram, Porto é uma ótima porta de entrada para outros países. O que mais me espanta é que, todos os que tenho visto, nenhum até agora possui formação para ocupar cargos ditos como mais qualificados, ou seja, com melhores remunerações. Aqui no hotel onde estou hospedado, con tei são doze funcionários, desde a portaria, buffet, lavanderia e de arrumação dos quartos. Doze num pequeno hotel. E a imensa maioria jovens, de 20 até uns 30 anos.

Primeiro, constato com isso, algo que passou muito pela cabeça quando tinha essa idade. Quem já não pensou quando jovem em bater asase ir se aventurar mundo afora? Eu já e até o Bananinha, o filho do presidiário Jair Bolsonaro já o fez, como hamburgueiro lá pelas bandas norte-americanas. E olha que, no caso dele, a renda familiar, pelo que ssabe nunca deixou a desejar. Por outro lado, a imensa maioria dos que aqui estão o fazem em busca da realização de um sonho, o de amealhar grana e até voltar um dia, mas numa condição bem diferente da que está indo.

Converso com alguns neste meu momento por aqui. Um de Goiânia trablhando na portaria e morando numa cidadezinha próxima do Porto. O custo por aqui é bem diferente de morar perto. O sistema de trens funciona que é uma beleza e a estação centrão de São Bento vive cheia de brasileiros indo e vindo. Este me conta, a maioria faz como ele, mora nas cercanias, onde o custo de vida é bem mais baixo e assim se conseguer guardar alguma grana. A camareira que hoje nos atendeu é de São José do Rio Preto, está aqui perto de quatro anos, arrumou namorado brasileiro e fazem esse transporte diário de trens até onde mora. A estação central fica há 200 metros do hotel. No buffet do café da manhã, outra muito simpática, essa de Campinas, sorridente e sem muito tempo para conversar, diz não ter do que reclamar. "Está difícil, pois Portugal também passa poor uma crise. A cidade e o hotel estão mais vazios que alguns anos atrás, mas continuo acreditando que tudo pode melhorar", me diz.

Uma dessas, família toda do interior do Paraná, disse ter vindo com a cara e a coragem. De sua história, algo me chamou muito a atenção, quando conta, sem complexo de inferioridade, ter comigo pela primeira vez o tal do escargot e também o tradicional, pelo menos por aqui, bacalhau. Disse não ter tido oportunidade de fazê-lo no Brasil e hoje, algo contado com muito orgulho, mesmo trabalhando num serviço considerado subalterno, consegue há três anos, trazer a mãe uma vez por ano para vir visitá-la. Ela conta isso com o peito estufado e diz mais, está se esforçando para trazê-la em definitivo, ainda se encontrando no trabalho de convencimento junto a ela.

O fato é que tenho pouco tempo por aqui, mas não resisto, em cada reencontro com um brasileiro, me aproximo e tento trocar algum diálogo. Em primeiro lugar, de onde é e aí começamos a entabular uma conversa, que em muitos casos se estende bocadinho mais. Ana Bia trouxe na mala uma pacote de "Sonho de Valsa" e por onde passamos, vendo brasileiros, deixa alguns. Era para ser distribuído na viagem toda, mas pela quantidade de brasileiros encontrados, talve não cheguem na terceira cidade. Aqui mesmo no hotel quando entregou alguns para um brasileiro, ouviu algo deste a recompensando: "Puxa, faz mais de três anos que não como um destes. Aqui até tem lugares onde você encontra, mas são caros. Outro dia numa loja de produtos brasileiros, um cafezinho ao nosso estilo estava por seis euros. Não dá, né!".

E assim sigo, hoje meu terceiro dia e as histórias se repetem e se complementam. As junto com gosto, ouço com prazer e assim, além de visitar lugares, rever outros, vou trombando com brasileiros e buscando uma aproximação calorosa, enfim, todos partem para longe em busca de algo, a realização de um sonho ou até mesmo se aventurar, algo bem próprio da idade. O jovem é impetuoso e ciente de que, se fizer algo neste seu momento, a chance de dar certo será muito mais alta do que na meia idade. E assim, eles estão pela aí, sendo, fazendo e acontecendo.

SONDANDO ALGO DAS ELEIÇÕES EM PORTUGAL NA TABACARIA NICOLETO, NO PORTO
Percorro as cidades por onde ando na busca de um jornal local. Aqui no Porto, ainda existem alguns e junto deles, os da capital e cidades vizinhas. O que é difícil de encontrar são as bancas. Estou hospedado aqui no Porto numa região central, a Praça da Batalha e nas andanças destes três dias, não havia visto nenhuma. Hoje, final da tarde, saio para bater perna depois de um dia de intensa chuva. Parou de chover, convido o Leo Lima, deixamos as mulheres no hotel e vamos comprar vinho e sardinha num supermercado aqui perto. Prolongamos o percurso e nisso, num momento em que a chuva recomeça, encontro uma banca, como a antiga do seu Orlando de Bauru, instalada numa pequena loja. Nos refugiamos da chuva e fico a observar a quantidade ainda de jornais expostos sobre o balcão.

Meu interesse por jornais é descobrei dentre estes qual o jornal da Esquerda portuguesa. Faço a pergunta para o senhor que me atende: "Sou brasileiro e gostaria de comprar um jornal local. Poderia me indicar qual o do segmento da Esquerda?". Ele se espanta com a minha pergunta, mas não regateia e passa a falar de todos eles. Diz um ser da diteita, outros tantos de cunho conservadores e me indica a leitura do diário JN - Jornal de Notícias, vendido ao preço de 1,60 euros. Na verdade queria saber as novidades do segundo turno das eleições presidenciais portuguesas e ao saber o meu interesse, o casal, Seu Alberto e sua esposa, Maria da Conceição, junto do filho Carlos, este com 50 anos, começam a descer a lenha em alguns políticos, dentre os que conheço e os cito, como o ex-primeiro ministro Sócrates. 

Daí, foi um pulo para perguntar a ele, sobre o interesse que as pessoas estão perdendo pela leitura do diário de papel. "Hoje deve estar bem complicado explicar para as futuras gerações o que foi a ditadura salazarista, o atraso existente em Portugal, revertido com a Revolução dos Cravos, pois o jovem que não vivenciou isso, pode achar que está mentindo a ele". Ele olha para mim mais sério e me diz: "Salazar não foi tão ruim como dizem. Saiba que, ele fez muito pela Educação e os últimos aeroportos construídos no país foram em sua época". Percebi estar diante de salazaristas, ou seja, conservadores. Prossegui com a conversa naturalmente e na sequência, tento agir como se nada estivessse acontecendo e pergunto sobre uma político português que gosto muito, Mário Soares. Seu Alberto diz ser "avacalhado", no que o filho Alberto interfere e diz, que este fez algo de bom para Portugal.

Não teve como esconder, daí seu Alberto abre o jogo e diz que todos em sua casa são de "direita", ou seja, votarão no candidato os representando, o líder do Chega, André Ventura. "Nósestamos cansados de promessas. Não gostamos da Esquerda e pronto. É hora de mudar". Percebo que não teria como ficar argumentando contra, enfim, na qualidade de brasileiro, queria só comprar um jornal e me inteirar da real probabilidade dessa "direita" raivosa e reacionária vencer as eleições. Foi uma conversa amigável, onde na sequência seu Alberto traz para me mostrar fotos suas na defesa da então colônia de Moçambique. Ou seja, ele lutou nas tropas de Salazar na África, daí nunca mais deixou de querer bem o então ditador. Mudando o rumo da prosa me diz que, uma década atrás vendia 60 exemplares do maior jornal português, aos domingos, o Expresso e hoje, não consegue vender 10.

A chuva passa e assim nos despedimos. Não havia muito mais o que conversar por ali. Com o jornal debaixo do braço, depois fico sabendo que o JN não é de esquerda e sim, um liberal que simplesmente não mente e trabalha dentro da verdade factual dos fatos. Com a conversa percebo que, muitos dos idosos do país estão a preferir apoiar aqueles que, chegando ao poder, os apunhalam, pois exterminam com as leis de garantias trabalhistas, privatizando tudo o que encontram pela frente. Adeptos do Estado Mínimo, chegam e os primeiros a perderem com eles no poder são sempre os menos favorecidos, ou seja, gente como essa família que, com sangue, suor e lágrimas toca seu pequeno negócio, aberto no mesmo local, prédio próprio, há mais de 40 anos e fazendo o Chega conquistar o Governo, quando terão mais uma decepção em suas vidas. Talvez a maior de todas.

NÃO DESLIGUE A TV, VAMOS TODOS PRAS RUAS...
Faça o melhor usso possível da TV, mantendo-a ligada para sua informação - e divertimento, é claro -, mas não permita que ela o domine. Neste momento, o melhor que temos a fazer, até para nosso futuro é sair pras ruas e juntarmos aos que lutam contra essa imbecilidade toda sendo armada e proposta. Se bobearmos e deixarmos a coisa ir sendo levada adiante, como se não fosse conosco, com certeza, estaremos num mato e sem cachorro num curto espaço de tempo.