segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

UM LUGAR POR AÍ (205)


FEIRANDO NO DOMINGO EM TRÊS MOMENTOS - DIGA-ME COM QUEM ANDAS E TE DIREIS QUEM ÉS ou BOI PRETO ANDA COM BOI PRETO
Isso de aos domingos pela manhã sair de casa e bater cartão na feira lá da Gustavo Maciel, depois a Feira do Rolo não é algo feito aleatóriamente. Tudo neste vida tem um propósito. Eu tenho os meus e os sigo, ou melhor, dou prosseguimento a algo bem fundamentado, edificado e que, vou só ratificando ao longo do tempo. Eu circulo por lugares e ao lado de pessoas que me fazem bem, transmitem confiança e ao lado delas estarei, não somente bem acompanhado, como alegre, contente, podendo desfrutar de buns momentos e conversar sobre tudo, de forma sincera, honesta e transparente. Vivencio isto em cada lugar por onde bote os pés e marque presença.

Na feira dominical a repetição e a confirmação disto. Eu denomino o que acontece na Feira do Rolo do espaço mais democrático dentro desta insólita Bauru. Ali tem de tudo e muito possível se vivenciar de tudo um pouco, com aquela atmosfera de sincericídio nos rodeando. Um lugar privilegiado, que precisa muito ser revitalizado, fortalecido e preservado, isso para o bem das boas coisas desta vida. Desfruto ali em todos os domingos, não só da presença ao meu lado de pessoas queridas, como me recarrego deste clima de benfazejo coletivo. Não que lá só tenha gente divinal, longe disso, mas piso e me aproximo dos que sei coadunam das mesmas ideias queas minhas, podendo com eles travar diálogos de inolvidável consistência. É isso que me move para deixar minha casa nas manhãs de todo domingo e ir-me juntar a gente da mesma laia que a minha. A gente sabe onde se encontrar.

Neste último, eu já ia descer mesmo, mas o amigo sindicalista Welllington, hoje recém aposentado, para mim eterno servidor público do sistema prisional, já estava por lá e me fez apressar o passo. Começamos pela banca do Carioca, onde para mim tudo começa e algumas vezes termina. Muito difícil quando não levo comigo algum livro ou CD ali comprado, quando não muito ganho. Na maioria das vezes, Carioca me paga uma cerveja gelado, desta feita, paguei a dele e do Wellington. Deixo com meu livreiro de plantão uma lista do que ando buscando e antes de comprar em outro lugar, ele vai ver se encontra para mim. Fidelidade é isso. No mais, difícil o dia em que, não chego por lá e ele já se aproxima me dizendo ter trazido algo que é a minha cara. Como não ser escancaradamente abnegado do lugar? Impossível.

Depois levo Wellington para a esquina dos encontros fortuítos, onde alguns velhos conhecidos lá estarão, mas sempre se juntam novidadeiros e novos proseadores. Eu, o advogado Marcos Alves de Souza, eterno defensor da área do Aeroclube como patrimônico municipal, o vidraceiro que sempre esqueço o nome, esposo de quem faz os sucos do Bar do Barba, vendidos na quadra de cima da feira e neste domingo o vereador Lokadora. Loka parou ali e assuntou do que conversávamos, se interessou e ali permaneceu um tempinho, se inteirando de como estará se dando a venda das terras lá do Aeroclube, tudo para favorecer a especulação imobiliária e uns poucos encherrem a burra de grana. Todos ali já sacaram que, em breve a alcaide deve se afastar do mandato de prefeita, pois precisa de foro privilegiado, candidatando-se a deputada, junto da mãe, entregando a batata mais que quente nas mãos do vice Orlando Dias, que a partir de então, vai ter noção de onde de fato se meteu. Diante da cidade quebrada, vai ter que desdobrar não só nos trinta, mas em sabe-se lá quanto.

E por fim, a parada para lubrificação das vias respiratórias e temporais, no Pequeno's Bar, cujo proprietário um dia foi sério bancário, porém, quando lhe deram o pé na bunda, abriu um bar e ao lado da esposa - quitutes dominicais de grande monta -, deixa com que montemos uma mesa diante do movimento, debaixo de frondosa árvore, ao lado banca das bananas e tendo ao lado o comparecimento dominical de Carlinhos do PS, Nelson Fio e Jesus Vila Dutra. Assuntamos tudo o que rola de prosa, mas sentamos, eu , Wellington e o querido Marmitão, bancário aposentado, dos áureos tempos quando o Sindicato dos Bancários botava pra quebrar. Quase vimos a feira fechar e consumimos alguns fartos saquinhos de amendoim, comprados na banca do homem do ovo, o Moisés da Feiraterapia. Vendo o que circulava na passarela da feira, sol à pino, fomos até quando deu, enfim, o domingo tinha que ter continuidade em outras paragens e eu com os compromissos de voltar pra casa e preparar o almoço.

Conferindo minhas fotos, é isso. Estou sempre nestes lugares, podendo, num momento ou noutro, trocar personagens, porém, a atitude será sempre a mesma, movida pelos mesmo impulsos e motivações. Adepto do lema, "feirar é necessário", que junto do sloga criado pelo Moisés do Ovo, o da "feiraterapia", fazemos e acontecemos, ao nosso modo e jeito. Assim, toco a minha vida, espezinho quem pisa no tomate, compro brigas com os malversadores de plantão, o da vez e estarei esgrimando pelas ruas, esquinas, vielas e travessas, pois isso tudo é para mim mais do que oxigenante - ou oxigenador, sei lá. Vivo como posso, circulando onde ainda sou bem quisto, me deixo fotografar com quem é de responsa e assim, vivo o que me resta de tempo de permanência nessa curta e inebriante estada com vida. E lá se vao já 65 anos...

algo para ser não só lido, mas entendido nas suas entranhas
ARGUTA CONSIDERAÇÃO SOBRE A CIDADE DE JÁU, FEITA POR FERNANDO TOBGYAL*
* Em tempo: Fernando é carioca, radicado em Jaú algumas décadas, arguto observador de como rolo a vida na cidade. Um dia tentou montar o jornal diário Bom Dia Jaú, produziu peças homéricas e históricas por lá. Hoje, dá ulas e ministra palestras nas redondezas. Escreve com o coração na ponta da baioneta.
O Quadrado de Jaú
​Acordo com o som de uma cidade que parece ter um pacto com o ontem. Em Jaú, o tempo não corre; ele flana. Para quem olha de fora, é o cenário do sossego: o sol batendo nas fachadas das fábricas de sapato, o movimento previsível da Major Prado, o café no centro onde os mesmos rostos discutem as mesmas notícias há décadas.
​Mas para quem carrega uma inquietação no peito, esse sossego pesa.
​O interior é um mestre na arte da economia. Ele é econômico nas oportunidades e generoso na vigilância. Se você acelera o passo na calçada, parece estar fugindo de algo. Se tenta uma ideia que foge ao script do comércio local, o silêncio da cidade te responde com um "pra quê isso?".
​É um tipo de encarceramento invisível, feito de cortesia e rotina.
​Aqui, a proximidade é uma faca de dois gumes. Você quer o anonimato para criar, para errar, para ser outro — mas Jaú te conhece pelo sobrenome, pela escola, pelo que seu pai fazia. A cidade te fixa em uma imagem estática, enquanto sua mente já viajou quilômetros em direção ao novo.
​O "jogo mental" está ganho. Você lê os livros certos, entende de estratégia, domina a técnica. Mas o "jogo material" esbarra no teto de vidro do CEP. O dinheiro aqui tem um caminho viciado, circula entre mãos que temem o risco. A ambição, sem o atrito de gente que pensa maior que a paróquia, vai secando.
ESTE É O CARIOCA JAUENSE TOBGYAL
​É a síndrome da "ilha de terra". Você vê o horizonte, sabe que o mar de possibilidades está logo ali depois do canavial, mas o cotidiano te ancora. A rotina jauense não te empurra para o abismo, o que seria até heróico; ela te convida para uma poltrona confortável e diz que "está bom assim".
​Mas não está.
​Para o estrategista autônomo, para o criador que não se satisfaz com o "sempre foi assim", o silêncio de Jaú às vezes grita. É preciso construir pontes invisíveis, cabos de fibra ótica que nos conectem ao que é real e vibrante lá fora, antes que a lentidão da cidade se torne a nossa própria velocidade.
​Jaú é um ótimo lugar para se ter raízes. O problema é quando as raízes viram âncoras.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
ESTE SEU TEXTO. LI, COMPARTILHEI E COMENTEI COM ELE: "A gente que é de fora sente isso meio que pairando no ar. Sufocante, não???".
SUA PRECISA RESPOSTA: "Sufocante é a palavra. O problema é que o conforto daqui vicia, e a gente corre o risco de se acostumar com pouco oxigênio. Esse 'pairar no ar' que você sentiu é a força da inércia. Para quem busca impacto real, o interior exige um esforço dobrado: você tem que ser o seu próprio motor e ainda lutar contra a gravidade de um lugar que insiste em ficar parado.
E ESTA A INSÓLITA JAÚ, TERRA DO CALÇADO FEMININO E DIZEM, ATÉ BEM POUCO TEMPO, UMA CERCA IMPOSTA PELOS SEUS MANDATÁRIOS, IMPEDIA O AVANÇO DA CIDADE ALÉM DE SUAS PROPRIEDADES. MUDOU? TOBGYAL TENTA ENTENDER E EXPLICAR

Nenhum comentário: