sábado, 17 de janeiro de 2026

PERGUNTAR NÃO OFENDE (229)


CONTRA OS “IMORAIS” QUE QUEREM DAR CABO AO AEROCLUBE DE BAURU – BETO MARINGONI NELES
Dessas coincidências da vida, recebo do amigo Gilberto Maringoni, professor entendido em política latino-americana e com um inconfundível traço no mundo da HQ, bauruense de nascimento, exercitando aqui na cidade de Bauru, nos tempos de antanho o amor pelas aeronaves, mais especificamente pelo voo à vela, quando ainda criança viu a cidade lá de cima, tendo como ponto de partida o AEROCLUBE de Bauru. Ele se foi daqui, voltando vez ou outra e sempre pairando pelas bandas do lugar onde alçou voo pela primeira vez na vida. Desta feita me presenteia enviando fotos aqui tiradas nos idos de 1957 – ele nasceria um ano depois -, restauradas pelo chat GTP.

Converso com ele, algo que desconhecia, sobre a nova investida da especulação imobiliária, agora junto da atual alcaide municipal, a incomPrefeita Suéllen Rosin, de passar tudo nos cobres. Um quer fazer caixa a todo custo e os espertalhões querem fazer dinheiro com o loteamento de toda a área. Nenhum destes pensa num parque público, mas sim em muitos espigões. Maringoni fica estarrecido e comenta comigo em resposta ao que lhe envio de informações:

“Puxa, de novo essa investida contra o Aeroclube. Um conhecido cronista social, nos anos 70, ou seja, 50 anos atrás, já queria tirar o Aeroclube daí e transformar aquilo num lugar de especulação imobiliária. Tem que fazer uma campanha e seria legal você entrevistar alguém do Voo à Vela, aquele ex-secretário de Saúde da cidade, que conheci um dia lá no Bar do Genaro. Ele pode falar com propriedade sobre isso. Bauru já foi Capital Nacional do Voo à Vela. Hoje é Formosa, um lugar que tem melhores condições de voo. Mas não é só por isso. Tem um filme do Aeroclube, o Pedro Romualdo havia me passado, postei há uns 10 anos do Youtube, sobre a inauguração do Aeroclube. Valeria a pena divulgar aquilo, é um filme de 45. Essas fotos que te mandei são fragmentos de um filme de 8mm, feito em 1957, um ano antes de meu nascimento. Eu não sei quem são as pessoas. Meu irmão, o Kiko quem me enviou, ele voava em Bauru. Ele identifica os dois garotos, que voaram com ele no começo dos anos 80, nem sei se estão vivos ou quem são. Meu irmão Kiko renderia uma boa conversa. Acho que, tem que ser feita de fato uma campanha, envolvendo mais gente, contra a devastação de um lugar, não só histórico, como fundamental para a História do Voo à Vela, dos Aeroclubes no Brasil todo. Isso é um lugar histórico em termos nacionais”.

A conversa com o Kiko farei qualquer dias destes. Ele, com toda certeza, possui muito para contar e deixar registrado sobre a importância da permanência deste Aeroclube. Se hoje é ocupado como hangar para pequenos aviões de ricaços locais e regionais, feesta aérea anual do ex-astronauta bauruense, isso outra história. Talvez algo ainda possa ocorrer para salvaguardar e resgatar, além do saudosismo, algo lúdico e salutar histórico. Ali pode despontar outras iniciativas envolvendo a aviação de pequeno porte, o que seria definitivamente estancado, enterrado com a comercialização da área. Isso sem contar que tudo ainda possui entraves jurídicos, pois a área mesmo liberada, pode ser motivo de embargo, decorrente de muita irregularidade no processo culminando com essa esdrúxula liberação para a Prefeitura entregar nas mãos da especulação.

Maringoni, como já se viu, possui laços aéreos na cidade, algo já explicitado num famoso livro de sua autoria, onde resgata algo de suas memórias de infância, o "Tocaia". Hoje, a inviabilidade de picotar a área do Aeroclube vai além de um simples resgate aéreo. Poderia ser pensado para o local, junto do Aeroclube, um amplo parque ecológico e de congraçamento da população, até maior do que o Vitória Régia, ou seja, algo pensado para a cidade no futuro, com paisagismo verde, não espigões em profusão.

O escritor, pensador, cartunista e professor Gilberto Maringoni, com suas aguçadas lembranças apimenta a discussão de uma decisão, que pode muito bem ser revista, pelo bem desta cidade. Num mundo onde as catástrofes climáticas se avolumam, quem pensa em dar vazão para o que vai na mente de quem comanda o pensamento da especulação, da grana a qualquer custo, pelo visto, não pensa muitp ara agir. Se faz necessário, dar um breque, repensar ações, rever posicionamentos e enxergar o que somos, o que queremos ser e no que estaremos nos transformando quando deixamos tudo rolar tendo o dinheiro sempre em primeiro plano.

INAUGURAÇÃO DO AEROCLUBE BAURU EM 1945
Enviado a mim por Gilberto Maringoni (enviado a ele por Pedro Romualdo).
Documento histórico de local, neste momento, janeiro 2026, pode estar deixando de existir muito em breve, graças imposição da especulação imobiliária.
Link do vídeo da inauguração Aeroclube em 1945: 
HPA, pela transcrição.

COMENTÁRIOS 
- "É irônico e triste, Henrique. Enquanto eu escrevo sobre a 'solitária arquitetura do agora' sob a chuva da Major Prado, lembro que o teto da nossa ambição já foi muito mais alto. Ter o DNA de um pioneiro da aviação e não ter um aeroclube operante é como ter a bússola, mas ter perdido o avião. O 'H' de Jahu virou uma âncora em vez de ser asa", Fernando Tobygial.
- "Me admira até o momento,nenhuma manifestação popular ou algo que o valha, por tamanha "sandice"...tudo por $$$ ?!? Deitam e rolam por aqui....o povo precisa acreditar no poder",  Márcia Regina Zamariolli.



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