sábado, 21 de fevereiro de 2026
O MATERIAL BÁSICO, DIRIA, ELEMENTAR, LEVADO PARA O HOSPITAL, QUANDO DA INTERNAÇÃO DE ANINHA
Ontem pela manhã, como já noticiado, Ana Bia baixou no Hospital da Unimed para uma cirurgia de varizes. Eu, na condição de marido, fui o acompanhante em toda a saga. Das 6h da manhã, quando lá chegamos, até a liberação na condição de "alta", por volta das 21h30, lá estive. Das 7 às 13h estive apartado dela e acompanhando tudo numa sala de espera. Para não roer as unhas, olho para os lados e todos na mesma condição com seus celulares à mão e vasculhando suas redes sociais. Eu também o fiz, confesso, masd em menor escala. Preferi antes e ciente de que, passaria horas ali confinado, nervoso querendo saber de como se dava a contenda, passei domingo passado na Banca do Carioca, lá na feira do Rolo e no Sebo do Bau, do também amigo Roberto, me municiei de baratíssimas aquisições, lotei meu enbornal e fiquei a ler. Li junto duas edições atrasadas da revista Carta Capital, muito palatável nestes bicudos tempos, onde a maioria das publicações já claudicaram.
Ela lá sangrando na sala de cirurgia e eu tentando desviar a atenção. Terminei a leitura da bela biografia deste conturbado cidadão do mundo jornalístico, dominando o cenário da então Capital da República, o Rio de Janeiro, Antonio Maria, num perfil para distrair qualquer cidadão na minha situação: "Um homem chamado Martia", escrito por Joaquim Ferreira dos Santos". Terminado o livro, devoro as revistas. Sou chamado ao microfone, Ana vai para o quarto e lá ficamos juntos até o momento da alta. Não deu outra, quase devoro outro livro, o "As armas e os barões - Trilogia do Espanto", uma biografia do Flávio Moreira da Costa, quando aos 25 anos, perambulando pela Europa, após as decepções vivenciadas aqui no Brasil, período nefasto da ditadura militar, passou fome no interior da Grécia e alhures.
Faltou pouco para terminar e o faço neste sábado, com Ana já reinstalada em sua residência, sob os meus cuidados domésticos e médicos assistenciais. Devo terminar este e começar outros tantos. O duro é que, aqui em casa a oferta é maior e assim sendo, a dúvida que sou acometido é em qual devo enfurnar leitura, nas brechas e intervalos dos tantos chamados dela, atendidos todos prontamente. O gosto é ir conciliando, atendimento com leitura e assim devo permanecer, fazendo o que gosto, neste final de semana dos mais auspiciosos. "Eu não quero outra vida pescando no rio de Jereré, lá tem peixe bom, tem...", cantava o prosador popular e vou na dele.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
SEU FUMINHO É RESISTÊNCIA PURA
Seu Osvaldo Santos Douza, o Fuminho, figura icônica e baluarte do movimento negro e do samba bauruense, nascido em 21 de fevereiro de 1937, ou seja, amanhã estará completando 89 anos de efervescente vida.
Isso, por si só, já é motivo de intensa euforia e paparicação. Teve mais, ou seja, irriquieta e incontida pessoa, não consegue permanecer trancafiado por muito tempo dentro de sua casa, lá no distante Rasi. Sobe e desce diariamente se utilizando do transporte coletivo, ciente de todos os horários, de ida para o centro e depois retorno. Com seu inseparável chapéu é personagem dos mais conhecidos, não só do Carnaval, como nas rodas de bate papo pelos lados do Calçadão da Batista.
Neste último Carnaval foi figura de proa no desfile do estreante bloco, reverenciando um dos locais épicos do movimento negro em Bauru, o Clube Icarahy. Sentado num dos seus carros alegóricos, acenou pra os apupos, estes vindos de todos os modos e lados. Depois da homenagem, ele nesta quarta esteve presente ali denfronte o Teatro Municipal, sol a pino, das 15 às 17h, na apuração do Carnaval. Entrou lá no reservado local da apuração e logo a seguir, circulou entre os presentes, sentadinho na!escada de entrada do Centro Cultural.
Os carnavalescos foram se despedindo do lugar e ele ali, com seus quase 89 e se preparando para ir a pé até a Rodrigues Alves, onde pegaria o circular para o Rasi. Fuminho não é dado a pedir carona, mas aceita quando lhe oferecem. O carro estava cheio, ele se apertou junto aos demais e não me deixou que o levasse em sua casa. "O circular passa defronte minha casa. Todos me conhecem, desde o ponto, o ônibus e no bairro. Já não pago passagem há um bom tempo", disse de forma altaneira. Fuminho é isso tudo e muito mais.
ONDE ESTOU ENFURNADO NESTE SÁBADO - ALGO BEM PESSOAL
1.) ANINHA EM CIRURGIA, EU LENDO E TENTANDO ME MANTER ACORDADO NA SALA DE ESPERA
Chegamos no Hospital Estadual às 6h da manhã. 7h ela adentra o Centro Cirúrgico. Logo depois, segundo o painel informa, tem início sua operação de varizes pelo dr Paulo Bernardi. Sentado, rodeado de suas vestes, leio. "Um homem chamado Maria", do Joaquim Ferreira dos Sanros, perfil primoroso de um dos maiores boêmios do Rio nos anos 50/60, o jornalista, escritor e compositor Antonio Maria. O sono me balança, mas as estripulias do Maria, primeiro na Lapa, depois em Copacabana, impedem que babe no sofá. Um bom livro tira meu sono, pois quero devorá-lo e do outro lado, Aninha em busca de solucionar seus problemas de forno. Com o passar dos anos estes se avolumam. Hoje, não me convidem pra nenhuma esbórnia, pois tirei o dia para paparicar quem comigo convive. Daqui sairemos para a reclusão do lar, onde deitadinhos, diante da TV e de leituras variadas, tocaremos o barco. Hoje coloco as leituras e o sono em dia.
1.) ANINHA EM CIRURGIA, EU LENDO E TENTANDO ME MANTER ACORDADO NA SALA DE ESPERA
Chegamos no Hospital Estadual às 6h da manhã. 7h ela adentra o Centro Cirúrgico. Logo depois, segundo o painel informa, tem início sua operação de varizes pelo dr Paulo Bernardi. Sentado, rodeado de suas vestes, leio. "Um homem chamado Maria", do Joaquim Ferreira dos Sanros, perfil primoroso de um dos maiores boêmios do Rio nos anos 50/60, o jornalista, escritor e compositor Antonio Maria. O sono me balança, mas as estripulias do Maria, primeiro na Lapa, depois em Copacabana, impedem que babe no sofá. Um bom livro tira meu sono, pois quero devorá-lo e do outro lado, Aninha em busca de solucionar seus problemas de forno. Com o passar dos anos estes se avolumam. Hoje, não me convidem pra nenhuma esbórnia, pois tirei o dia para paparicar quem comigo convive. Daqui sairemos para a reclusão do lar, onde deitadinhos, diante da TV e de leituras variadas, tocaremos o barco. Hoje coloco as leituras e o sono em dia.
2.) ANINHA SE RECUPERANDO DA CIRURGIA E SOB CUIDADOS DESTE DESTRAMBELHADO MAFUENTO
Ela está num quarto, comidinha de hospital, sem poder levantar da cama, eu a rodeando, igual barata tonta. As vezes dou uma dentro, dando comidinha em sua boca, paparicada até não mais poder. Estamos, ela vendo TV, novela velha, "Salve, Jorge" e eu já no segundo livro, "As armas e os barões", do Flávio Moreira da Costa, comendo pra dedéu e aguardando o médico passar. Provavelmente terá alta e penso na melhor maneira de levá-la pra dentro de casa, se nas costas ou mesmo sentada numa cadeira, com quatro a carregando até o 12° andar. Em breve, fagueira e serelepando pra cima pra baixo.
Em tempo: A primeira coisa pedida a mim quando adentrou o quarto na Unimed foi para que, lhe passasse às mãos o controle da TV. Ela ficou com os olhos grudados na telinha e eu em paginas de livros e revistas. Foi uma tarde e tanto.
Ela está num quarto, comidinha de hospital, sem poder levantar da cama, eu a rodeando, igual barata tonta. As vezes dou uma dentro, dando comidinha em sua boca, paparicada até não mais poder. Estamos, ela vendo TV, novela velha, "Salve, Jorge" e eu já no segundo livro, "As armas e os barões", do Flávio Moreira da Costa, comendo pra dedéu e aguardando o médico passar. Provavelmente terá alta e penso na melhor maneira de levá-la pra dentro de casa, se nas costas ou mesmo sentada numa cadeira, com quatro a carregando até o 12° andar. Em breve, fagueira e serelepando pra cima pra baixo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
AINDA DO CARNAVAL BAURUENSE, PARA MIM, O PERSONAGEM DA FESTA: GILSON JACINTHO, DA VICE-CAMPEÃ COROA IMPERIAL, DO GEISEL
Faz já um bom tempo que tenho vontade de escrevinhar algo do que observo do carnavalesco Gilson Jachinto, há alguns anos à frente da Escola de Samba Coroa Imperial, localizada no bairro Geisel. No momento, está com 56 anos e não é nada novato da festa carnavalesca de Bauru. Nem sei se já tinha atuação em outras participações comandando a folia, mas passei a acompanhá-lo quando foi campeão, com o bloco Primavera, ali junto do Redentor, ao lado de Adílio Nascimento e Cristiane Ludgerio. Gilson é cria daquele pedaço, seu bairro é o Redentor, seu chão e naquele ano, 2020, superou dois fortes concorrentes, o Pé de Varsa, da vila Falcão e o Estrela do Samba, de Tibiriçá.
Até então eu só o conhecia de vista. Participeri daquele desfile quando emprestei a alfaia, tocada magistralmente pela Cristiane, o must da avenida naquele ano. Pelo que sei, ele é cria da Escola de Samba Cartola, lá dos altos do PVA - Parque Vista Alegre -, mas logo depois bateu asas e foi ser gauche na vida. E se deu bem. Na Coroa não sei como se deu sua chegada, sei que foi depois de todo o período sendo comandando pelo seu Avelino e suas irmãs. Ele fez parte da renovação surgida e possibilitada depois do falecimento do ex-presidente da Liga das Escolas de Samba. Veio também depois da passagem de Cláudio Goya, por três anos, como carnavalesco da escola. Despontou e foi ficando. Hoje, até o querem em outras funções, mas ele depois de um certo tempo foi trabalhar na Grande São Paulo e não quer outra vida fora do que mais gosta de fazer, a de ser o requisitado carnavalesco.
Escrevo algo e ele pode até achar que estou sendo rigoroso demais, mas o mundo carnavalesco da cidade, o via até bem pouco tempo como alguém que, sabia montar uma escola sem correria, tudo pronto bem antes da hora, mas sem aquele toque de ser ganhador. Se isso vigorou por alguns anos, creio eu, isso já não faz mais parte da realidade de quem conhece dos meandros do Carnaval. O Gilson hoje, pelo menos para mim, não deve nada a nenhum carnavalesco da cidade. Soube construir, pouco a pouco, padecendo de não lutar pelos títulos, até o que, neste ano não foi campeão por questão de dois décimos. O título ficou mais uma vez com a Mocidade Unida da Vila Falcão, mas se a Coroa ganhasse ninguém poderia reclamar, pois nos comentários dos bastidores, isso era mais do que possível. Enfim, chegou bem pertinho, dois décimos e ganhou percentuais de elevada consideração, de quase todos os que assuntei sobre sua pessoa. A Coroa pode ainda não possuir o décibel mais elevado dos ditos e vistos como os bambambãns, ou seja, uma escola importante, influente e talentosa, mas Gilson já o é e pelo vislumbrado neste ano, falta muito pouco. Quem ganha com tudo isso é o Carnaval de Bauru, pois aquela disputa entre Cartola e Mocidade, agora tem junto destes mais dois fortes concorrentes, a Coroa e a Estação Primeiro de Agosto.
Então, divaguei um bocado e foco agora no profissional do samba, Gilson. O cara é muito bom e está em plena ascenção. Ouvi de uma famosa carnavalesca da cidade, a Ludgerio que, ele é ótimo na montagem de carros e neste quesito existem poucos com igual qualificação. Ele mesmo já me disse algo a respeito, quando descreveu quando montou carros no estilo vapt-vupt e debaixo de forte chuva. Ou seja, foi colocado à prova e se saiu bem. Como não existe a perfeição em nada, pois todos, humanos, somos muito sujeitos a imperfeições variadas e múltiplas, ouço que ele sabe montar qualquer tema, porém não é excelência no floreio da fantasia. Porém, na junção de tudo o danado navega em mares, ainda mais depois deste ano, merecedor de rasgados elogios. Diante de bons carnavalescos, tendo o Horácio, do Cartola como o mais velho em atividade, Gilson desponta e se afirma.
Escrevo isso tudo na qualidade de quem só observa o evento Carnaval e nem pode ser considerado um estudioso do tema, ou mesmo um bom entendedor, mas como atento aobservador, o vi, principalmente neste ano, como aquele que, de forma jovial, sem afobação, sem muita prosopopéia, deu seu recado e muito bem dado. E exatamente pela forma como atua como carnavalesco, sem ficar se afirmando, se mostrando aos quatro ventos, executa algo mais do que louvável, diria mesmo, observado e reconhecido. Diante de tudo isso, vi nele alguém pelo qual se fazia necessário um texto como este. Diante de tudo o que presenciei nas duas noites na avenida Jorge Zainden - espero que a última -, não o credito como revelação, mas como a afirmação de alguém se afirmando e se estabelecendo como pela importante, fundamental para o crescimento do evento Carnaval na cidade. Conquistou tudo, não só com muito sangue, suor e lágrimas, mas também com um belo profissionalismo. Podem até não concordar comigo, mas vejo nele a pessoa mais que merecedora daquele saudoso Tamborim de Ouro, cria do velho e também saudoso Tuba, como o personagem deste ano.
Obs.: Adoro escrevinhar perfis de pessoas, algo que, quero incrementar e produzir mais daqui por diante. Outros tantos personagens do Carnaval estão no prelo.
"A Acadêmicos de Niterói apostou alto porque via, ali, uma chance única de se tornar conhecida. A pequena e relativamente nova escola de samba não conta com o patrocínio de grandes bicheiros ou empresários, e estreia no grupo especial sabendo que as chances de permanecer ali são pequenas como ela. Afinal, a disputa que define as campeãs se dá por milésimos de pontos e por muita influência e poder entre as grandes.
Com o visto temporário carimbado para brilhar na Sapucaí, a escola de Niterói resolveu aproveitar o momento e a liberdade de quem já venceu apenas por estar ali. Resolveu homenagear não o Presidente, mas o homem que desde menino também vence batalhas improváveis e desafia as tradicionais lideranças hereditárias, tornando-se um dos mais respeitados nomes na política internacional e criando o maior partido político da América Latina. Não é pouca coisa. Não é pouca história.
A escolha do enredo foi ousada, mas justa. Existe um personagem que inspira, que desperta paixões como amor e ódio, que merece ser, mais do que homenageado, estudado como fenômeno político e como objeto de comportamento social: o que explica o ressentimento e o antagonismo de uma parcela que, supostamente, se beneficia de suas políticas? E aqui, não se trata apenas dos que recebem algum auxílio, mas dos que lucram com o ciclo econômico desses investimentos, seja em comércio, construção civil, produção industrial...
Como explicar o ódio que não se manifestou nem nos maiores crimes de omissão ou ação praticados pelo adversário político? Como a homenagem de uma escola de samba a Lula causa mais indignação a uma parcela histérica e barulhenta da população do que a homenagem Ustra, por um então Deputado, no Congresso Nacional?
Como a critica política é abominável no samba mas não nas igrejas? Como o carnaval virou vilão, enquanto a família dita tradicional coleciona casos crescentes de abusos, crimes e assassinatos entre seus próprios membros?
O que está acontecendo conosco?",
Georgia Reeve
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
1.) CRÔNICA DA APURAÇÃO DO CARNAVAL BAURU 2026 - MELHOR DO QUE ESCREVINHAR É IR VENDO AS FOTOS DOS PRESENTES
Todo ano que estou por aqui no Carnaval, me predisponho a ir na apuração e trazer de lá um retrato ao vivo e a cores da participação do lado de fora da apuração do Carnaval Bauruense. Eu não quero adentrar o recinto da SMC - Secretaria Municipal de Cultura - e ver a apuração de perto. Isso não me interessa. O que faço e é o que me interessa é sentir, pouco a pouco, a chegada das pessoas, a aglutinação defronte o Teatro Municipal, a avenida interditada e os grupos ali formados, a maioria uns conhecidos dos outros. Acompanho tudo, desde os cumprimentos cordiais, como depois, quando começa a apuração, cada um se reunindo junto aos seus e torcendo, até o momento da explosão final.
Faço isso com gosto. Não faço isso para expor ninguém, mas para mostrar um bocadinho das expressões, das imagens que movem o outro lado do Carnaval bauruense, o das pessoas realmente envolvidas em sua realização. Vibro muito em marcar presença e conseguir ali no meio de todos, ir registrando algo que, mostra de forma límpida, transparente, muito pelas expressões de cada um ali presente, como se dá, o amor pelo Carnaval, pela sua agremiação e pela festa em si, algo que naturalmente se transforma num anseio coletivo de realizações. Este dia da apruração e este local são únicos. Já escrevi sobre levá-lo para um outroi local, mas a apuração feita lá dentro, depois os vencedores sairem no primeiro andar e lá serem reverenciados pelos que, acompanharam tudo do lado de baixo, é uma das marcas dessa nossa festa.
Espero que, com minhas fotos, possa dar uma pequena contribuição para o entendimento do que seja de fato essa festa.
2.) CRÔNICA DA APURAÇÃO - FESTA DOS VITORIOSOS DE BAURU
Aqui o outro momento da apuração, o espocar da festa para alguns e a tristeza para outros, quando o resultado é divulgado. No caso daqui, com o bloco da Fiel Macabra sendo divulgada como campeão dessa categoria e a Mocidade Unida da Vila Falcão como campeão da categoria Escola de Samba. A partir daí, busco na expressão dos presentes, ressaltar este sentimento nas expressões faciais. Além de tudo, o registro destes abnegados integrantes das agremiações caranavalescas de Bauru, predispostos a numa quarta à tarde, permanecer ali defronte o prédio da Cultura bauruense e torcer mais uma vez pelas cores de sua escola/bloco.
Festa é festa. Alegria de um, frustração de outros. A vitória da Fiel Macabra sobre a iniciante Icarahy nos blocos demonstra que, nos próximos anos, haverá um boa disputa, pois uma se consolida e a outra chega já demonstrando força e disposição carnavalesca. A Escola de Samba Mocidade vence por dois décimos a acirrada disputa com a Coroa Imperial, a escola do samba do geisel, que mais uma vez surpreende, produzindo um belíssimo carnaval, deixando em terceiro lugar a já não tão novata Estação Primeiro de Agosto, que todo ano se renova e apresenta sério trabalho dentro deste processo de renovação e ressirgimento, reaformação do carnaval bauruense.
Com o registro da festa de uns e entendimento por outros de que, tudo o que é competição, tem que ter vitoriosos e perdedores, os que chegam perto e por pouco não chegam lá. Tento, infiltrado ali no meio de todos, conseguir registrar e captar exatamente o momento, possibilitando que, ele possa ser imortalizado. Estou nas ruas e também no Carnaval por gosto pessoal. Rueiro acima de tudo, carnavalesco desde os cueiros, estarei sempre pela aí e quando não mais me virem, constatem, aconteceu algo com o HPA. Sigo em frente.
Todo ano que estou por aqui no Carnaval, me predisponho a ir na apuração e trazer de lá um retrato ao vivo e a cores da participação do lado de fora da apuração do Carnaval Bauruense. Eu não quero adentrar o recinto da SMC - Secretaria Municipal de Cultura - e ver a apuração de perto. Isso não me interessa. O que faço e é o que me interessa é sentir, pouco a pouco, a chegada das pessoas, a aglutinação defronte o Teatro Municipal, a avenida interditada e os grupos ali formados, a maioria uns conhecidos dos outros. Acompanho tudo, desde os cumprimentos cordiais, como depois, quando começa a apuração, cada um se reunindo junto aos seus e torcendo, até o momento da explosão final.
Faço isso com gosto. Não faço isso para expor ninguém, mas para mostrar um bocadinho das expressões, das imagens que movem o outro lado do Carnaval bauruense, o das pessoas realmente envolvidas em sua realização. Vibro muito em marcar presença e conseguir ali no meio de todos, ir registrando algo que, mostra de forma límpida, transparente, muito pelas expressões de cada um ali presente, como se dá, o amor pelo Carnaval, pela sua agremiação e pela festa em si, algo que naturalmente se transforma num anseio coletivo de realizações. Este dia da apruração e este local são únicos. Já escrevi sobre levá-lo para um outroi local, mas a apuração feita lá dentro, depois os vencedores sairem no primeiro andar e lá serem reverenciados pelos que, acompanharam tudo do lado de baixo, é uma das marcas dessa nossa festa.
Espero que, com minhas fotos, possa dar uma pequena contribuição para o entendimento do que seja de fato essa festa.
2.) CRÔNICA DA APURAÇÃO - FESTA DOS VITORIOSOS DE BAURU
Aqui o outro momento da apuração, o espocar da festa para alguns e a tristeza para outros, quando o resultado é divulgado. No caso daqui, com o bloco da Fiel Macabra sendo divulgada como campeão dessa categoria e a Mocidade Unida da Vila Falcão como campeão da categoria Escola de Samba. A partir daí, busco na expressão dos presentes, ressaltar este sentimento nas expressões faciais. Além de tudo, o registro destes abnegados integrantes das agremiações caranavalescas de Bauru, predispostos a numa quarta à tarde, permanecer ali defronte o prédio da Cultura bauruense e torcer mais uma vez pelas cores de sua escola/bloco.
Festa é festa. Alegria de um, frustração de outros. A vitória da Fiel Macabra sobre a iniciante Icarahy nos blocos demonstra que, nos próximos anos, haverá um boa disputa, pois uma se consolida e a outra chega já demonstrando força e disposição carnavalesca. A Escola de Samba Mocidade vence por dois décimos a acirrada disputa com a Coroa Imperial, a escola do samba do geisel, que mais uma vez surpreende, produzindo um belíssimo carnaval, deixando em terceiro lugar a já não tão novata Estação Primeiro de Agosto, que todo ano se renova e apresenta sério trabalho dentro deste processo de renovação e ressirgimento, reaformação do carnaval bauruense.
Com o registro da festa de uns e entendimento por outros de que, tudo o que é competição, tem que ter vitoriosos e perdedores, os que chegam perto e por pouco não chegam lá. Tento, infiltrado ali no meio de todos, conseguir registrar e captar exatamente o momento, possibilitando que, ele possa ser imortalizado. Estou nas ruas e também no Carnaval por gosto pessoal. Rueiro acima de tudo, carnavalesco desde os cueiros, estarei sempre pela aí e quando não mais me virem, constatem, aconteceu algo com o HPA. Sigo em frente.
Eu escrevo a todo instante da bazófia que é os tais 17 x 4 dentro das votações na Câmara de Vereadoeres. Existe uma turba que vota de cabresto, ou seja, tudo o que é proposto pela alcaide é referendado por estes. Quatro agem foram desta script. Lá na avenida, depois de mais uma escola de samba sair, parei numa roda onde se encontravam, dentre outros, alguns vereadores e de um deles, que até bem pouco tempo se encontrava no grupo dos que rezavam na cartilha da alcaide, isso: "Eu ainda serei o que vai provocar a cassação dela. Aguardem por esperar. Abri os olhos". Revelação contundente. Sei que, se tudo for decidido lá nas hostes das votações da Câmara - façam algo MP Ministério Público -, não será os 18 x 5 que irá resolver a situação, a não ser que ocorra algo além dos votos. Ou seja, o bom disso tudo é que a dissidência está plantada, vicejando e brotando por todos os poros. Tem muita gente já proposta a abandonar o navio, antes dele afundar. Depois da sucessão de ocorrências desgastantes, está difícil continuar apoiando tudo cegamente. Ou tem quem não ligue para isso? O circo começa a pegar fogo.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (225)
TITIA SUÉLLEN NÃO GOSTOU DE VER LULA HOMENAGEADO NO CARNAVAL - COMO FOI A ACADÊMICOS DE NITERÓI REVERENCIANDO A HISTÓRIA DE LULA NA SAPUCAÍEla, a alcaide bauruense, dita por mim como IncomPrefeita, chegou ao ridículo de postar algo neste sentido em suas redes sociais. Na verdade o que faz com essa postagem é reforçar o lado onde se encontra, o do insensível bolsonarismo. Imagino como seria sua ação se eleita para a Câmara dos Deputados. Evidentemente, viraria as costas para Bauru e se juntaria ao que de pior existe lá dentro, até porque estará se despedindo de Bauru com as próximas eleições. Ele e sua mãe não sendo eleitas e não conseguindo fazer seu sucessor, por que continuariam por aqui? Ou seja, uma política mais do que descartável, sem proposta séria para o país e só pensando em conrinuar a atuar, como sempre fez, ao lado do que existe de mais nojento e conservador neste país.
"A arte deveria iluminar. Mas quando escolhe ferir a fé de alguém, apaga a própria luz. O que aconteceu no desfile da Acadêmicos de Niterói não foi só irreverência. Foi desconsideração com aquilo que milhões tratam como sagrado. Respeito não pode ser seletivo, não pode depender de plateia, nem de aplauso. Se a liberdade serve para alguns e o deboche recai sobre outros, não estamos falando de cultura. Estamos falando de intolerância", foi o que ela postou. Para tudo nesta vida existem dois pesos e duas medidas, ou melhor, enxergar e atuar, principalmente na vida pública, não privilegiando somente um segmento, mas atendendo a todos. O que a Acadêmicos de Niterói fez na avenida não foi criticar a religião, mas quem a pratica para atendier fins específicos, nada religiosos e se a alcaide se doeu é por estar atuando junto a estes. O segmento evangélico neopentecostal produz hoje no Brasil algo além do deplorável e os exemplos todos comprovam isso. Criticar o que fazer é encergar que a religião não pode continuar sendo utilizada desta forma.
Outros que criticaram o Carnaval da Acadêmicos de Niterói: "O senador Sergio Moro (União-PR) está completamente irado. O ex-juiz da Lava Jato, que perseguiu Lula até colocá-lo na cadeia por 580 dias, para depois ter sua farsesca operação desmascarada e ser considerado formalmente suspeito e incompetente pelo STF e pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU, o que levou à anulação de todas as ações presididas por ele contra o então ex-presidente, parece não ter assimilado muito bem o desfile da Acadêmicos de Niterói. Assim que a agremiação atravessou a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, e o nome de Lula foi parar no topo das menções de várias redes sociais no mundo todo, assim com citações a Jair Bolsonaro (PL), fortemente ridicularizado no desfile, o antigo chefe da 13a Vara Federal de Curitiba resolveu se manifestar. Destilando um ódio incontrolável com o sucesso da apresentação e com um presidente livre, leve e solto sambando no maior espetáculo da Terra, Moro despejou suas críticas. "Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo Governo. A Coreia do Norte não faria melhor". Li isso e aqui posto entre aspas, pois é dentro do mesmo contexto da infundada crítica da alcaide bauruense. Ou seja, precisam levar a bordoada de troca.
Nas redes, os internautas não perdoaram a reação de dor de cotovelo de Moro, assim como não pode passar batida a de Suéllen. Muitos especularam que ele estava chateado por não ter sido lembrado no desfile. Aqui em Bauru, o bloco Bauru Sem Tomate é MiXto elegeu não só ela, como toda a Família Rosin como Prêmio Desatenção, pelo conjunto da obra, ou seja, a perversidade contra Bauru é latente. "Faltou o juíz picareta. Faltou o juiz que agiu em conluio com o procurador, combinando estratégias, orientando acusação e violando o devido processo legal, tudo revelado depois pelas próprias mensagens divulgadas", leio. Aqui em Bauru, louco os que continuam a denunciando, dia após dia, ato após ato, pois isto se faz necessário.
Guardada a devida proporção, reverenciar Lula, o maior presidente que o Brasil já teve em toda sua História deveria ser considerado algo mais que normal, pois como tema das escolas de samba o tema é livre e direito de qualquer agremiação. Muito oportuna a escolha. O que não é aceito é uma crítica vindo de quem produz ações de caráter duvidoso para beneficiar uma população.
Samba Enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói- Carnaval 2026
"Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil"
"Quanto custa a fome? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva. Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo.Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo. Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular. Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula, Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, a luz de Garanhuns, lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos e a riqueza multiplica para alguns
Me via nos olhares dos meus filhos, assombrados e vazios, com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonho, peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um Sol da pátria incessante pro destino retirante, te levei, Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias, me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical à liderança mundial
Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir, que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva
Lute pra vencer, Aceite se perder, Se o ideal valer, Nunca desistaNão é digno fugir, Nem tão pouco permitir. Leiloarem isso aqui, A prazo, à vista
É, tem filho de pobre virando doutor, Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia, É, teu legado é o espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções, Assim que se firma a soberania, Sem mitos falsos, sem anistia
Quanto custa a fome?Quanto importa a vida, Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo, Em Niterói, o amor venceu o medo
Vale uma nação, vale um grande enredo, Em Niterói, o amor venceu o medo
Olê, olê, olê, olá, Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá, Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula. Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula. Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula".
A história protagonizada por dona Lindu, mãe de Lula é a história do Nordeste e precisava ser retratada, entendida, mostrada, até para que o Brasil compreenda o que foi essa saga e, principalmente, o que foi possibilitado através de sua luta. Viva dona Lindu, mãe de todos nós!!! O Brasil só conseguiu atingir o patamar hoje de respeito e soberania mundial, conquistas inenarráveis em todos os segmentos, por causa desde senhor, Luis Inácio Lula da Silva e isso precisa ser contado, mostrado, divulgado, reverenciado e aclamado. O Carnaval é um bom momento para tanto. No cordão dos descontentes, dos que enxergam quase nada estarão sempre gente como a alacaide bauruense.
OBS.: Nas ilustrações algo de muito bom gosto feito pela Acadêmicos de Niterói, prensando os conservadores fundamentalistas deste país numa lata de conserva. Na última foto, dona Lindu, mãe de Lula, a grande homenageada na avenida.
![]() |
| Essa é dona LINDU, mãe de Lula, quem possibilitou essa história acontecer. |
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
COMENDO PELAS BEIRADAS (180)
Falo de mim e do que presenciei no Carnaval deste ano, desfilando. Primeiro com o Tomate, esse oásis de resistência, que verga mas não quebra. Dele se espera algo mais já logo depois do Carnaval. Depois, consegui adentrar a avenida Jorge Zaiden em três desfiles. Primeiro no Sábado com a Escola de Samba de Tibiriçá, que tanto amo e participo, a Estrela do Samba. Não teria como me ausentar de participar. O fiz na Harmonia, ladeando um belo desfile que vi brotar das cinzas e sem recursos públicos, se fez presente, se mostrou muito vivo e com um samba emolgante, puxado por gente querida, do terrão de Tibiriçá. Aquilo tudo é de um amor inexplicável, que faz com que, os Baté e todos os que estão envolvidos na festa se transformem e saiam como leões da avenida. Vivenciei isso e posso contar em detalhes históirias que até deus duvida.
Descansei o domingo e na segunda, voltei para Jorge Zainden e aquela inexplicável curva no início, quando os carros tem que se entortar pra adentrar o percurso. Vergonha das vergonhas. Volta Sambódromo! Sai na Ala Coração da Bailarina, a última no desfile homenageando a grande bailarina bauruense Dalva Correa. Muito orgulho em estar junto de tanta gente querida. O que o Tobias Terceiro está proporcionando de novo ao Carnaval bauruense é algo pra ser reverenciado com muita pompa e louvor. Ele representa muito no ressurgimento do Carnaval na cidade, pois com seu incessante trabalho mostra a todas as demais que tudo é possível, bastando ir à luta. O tema escolhido por Tobias é Bauru sendo levado pra avenida e acredito, esteja na hora dele, de forma bem consciente abordar algo de uma pegada social já no próximo ano. Ele sabe o que faz e faz bem feito, tendo por detrás uma equipe boa, não deixando a peteca caior. Trabalho de aquipe. Vi estes atuando na avenida ao lado dos passistas. Depois do que vi, o sucesso será inevitável, inapelável e inquestionável.
Por fim, a última escola a sair na avenida, segunda perto da meia noite, lá estou na Escola de SAmba do geisel, a querida Coroa Imperial. O trabalho que o carnavalesco Gilson faz precisa ser enaltecido e neste ano, eu mesmo sem poder avaliar as demais, pois estava lá nos camarins, me aprontando para sair, não existe como negar, lindas fantasias e um samba reverenciando a Mangueira, com letra fácil de memorizar e cantar. Foi empolgação do começo ao fim. Arrebatadora apresentação, empolgando a platéia. A escola, depois dos anos todos nas mãos do ser Avelino, não fraquejou, buscou forças, se renovou e mantendo o Gilson lá, uma espécie de faz tudo, trabalho de formiguinha o ano todo, desta feita, creio eu, mostrou seu melhor desempenho desde que está à frente como carnavalesco. Páreo muito duro para quem está julgando. A Coroa não é mais o eterno terceiro ou quarto lugar. Isso é ótimo para o Carnaval bauruense.
Amei tudo onde estive metido e envolvido neste Carnaval deste ano, mas tenho que confessar, depois de passar 23 dias longe de Bauru, a surpresa maior veio do Gilson, da Coroa, que me conhecendo, acabou por me colocar como destaque numa das las, ou seja, sai com meu precário samba, abrindo a ala, num espaço só meu para ir para lá para cá, reverenciando o público e quem vinha atrás. Foi mais que um orgulho me ver neste destacado lugar. Dei o melhor de mim e espero ter representado à altura a beleza da escola na avenida. Para mim, que saio há muitos anos em variadas escolas, gosto da festa como nenhum outro, me esbaldo por estes dias, sei fazê-lo de forma consciente, me via ali na avenida, podendo olhar mais de frente para que me assistia. Não existe emoção comparável. Aquele momento é indescritível. Cantei, dancei, suei pra dedéu, nem senti o cansaço, pois incorporei algo mais, que nem sabia ser possível e assim, chegamos ao final do percurso e depois de tudo, ouvindo outras vozes, me certifiquei, todos na Coroa este ano fizeram História. Foi um memorável desfile e eu, este mafuento HPA, estive presente, como testemunha ocular.
Meu rescaldo é positivo. Creio que quem organiza a festa, no caso uma administração, cuja chefe maior, a alcaide, não gosta de Carnaval e se bobear faz até pouco caso, precisa melhorar em alguns quesitos. Primeiro precisamos todos lutar pela reforma imediata do Sambódromo, depois existir uma Comissão Permanente, que discuta detalhes da festa. Ser muito burocrático e rigoroso não condiz com a festa. Compreensão para todos os que se empenham, dando mais doi que sange, suor e lágrimas para estar na avenida. O Carnaval é a maior festa popular brasileira e em Bauru está reconquistando algo perdido ao longo do tempo. Já fomos muito bons nisso e estamos recuperando, reconquistando, degrau por degrau, algo antes conquistado e depois perdido. Uma maravilha poder participar dessa retomada e com meus escritos ir dando meu quinhão de participação. A equipe da Prefeitura lá deslocada se empenhou, mas precisaria de uma melhor retaguarda da Administração, pois tem muita coisa ainda a ser feita. Encerro afirmando estar confiante que o Carnaval bauruense está num crescente. Ele vai ganhar mais e mais corpo. Sinto isso, o que brota na avenida está a demonstrar isso. Viva o Carnaval Bauruense!!!
domingo, 15 de fevereiro de 2026
ALGO MAIS DO CARNAVAL DE BAURU E MEU RETORNO PRA FEIRA DO ROLO
1.) MEU REENCONTRO COM A FEIRA DO ROLO, ALGUMAS CONVERSAÇÕESDepois de mais de vinte dias fora de Bauru, andanças pela aí, eis que estou de volta, cansado e numa manhã de domingo, voltando para o lugar onde bato cartão todo domingo: a banca de livros do Carioca, na Feira do Rolo. O filhão HA em Bauru e eu enrolado com as coisas do Carnaval, hoje acordo e digo quero passar a manhã toda ao seu lado. Marcamos, ou melhor, ele marca e o lugar escolhido por ele é este, onde sabe estaria com toda certeza, lá junto do furdunço do Carioca.
Eu chego atrasado e me demoro até chegar ao local, pois vou esbarrando em tanta gente conhecida, que se bobeasse ficaria horas entretido com essas prosas de rua. Consigo chegar e ele já estava por lá com três belos livros separados. Nos abraçamos e entabulamos uma lonha conversação sobre este assunto que tanto nos arrebata: livros.
Quem por lá assunta de nossa conversa e nela se insere é outro aforador de rua, velho conhecido bauruense, o RENATO BRAGAIA, fotógrafo de velha cepa, que por anos manteve na cidade a Loja dos Fotógrafos. Muitos filmes revele com ele, num passado, hoje já distante e vê-lo todo pimpão, alegre e sorridente, do alto de mais de 75 anos é bom demais. Nos vê comprando livros e diz que sua adoração são por DVDs de filmes. Compra sempre alguns do Carioca. Este conhecendo seus clientes, sabe o gosto de cada um, separa alguns que já sabe serão deles, como faz comigo com alguns livros. Hoje me presenteou após comprar três e pagar os três do filho, com uma contando a história do "Um homem chamado Maria", do boêmio carioca Antonio Maria, um dos barbarizou a noite carioca nos anos 50/60.
Eu queria ficar com o filho, mas ficamos ali ouvindo algo mais do que o Bragaia tinha para nos contar. Ele, como eu, mantemos muitos CDs/LPs, ou seja colecionamos, juntamos coisa velha, essas que quando os botamos pra rodar, movimentam bocadinho nossas vidas. Bragaia e eu pegamos gosto por bater perna em lugares, com a banca do CArioca, escolhidos a dedo, pois ali, com certeza, encontaremos gente para trocar boa prosa. E como sabemos, ninguém como nós, vivem sem uma boa dose de prosa diária.
As histórias do Bragaia merecem uma conversação mais prolongada, que farei qualquer dia destes. Hoje, a manhã era para prosear com o filhão. Comemos pastel, tomamos suco de laranja, entabulamos mais prosa com o Barba, o do bar ali na esquina e este nos conta que, hoje não tem cerveja pra vender, pois comprou o estoque para este domingo, mas precisando pensar mais do que nosdias rotineiros, bebeu o estoque todo. Histórias assim permeiam a vida dos quadrilateros da feira.
Sumo com o filho para continuar uma prosa só nossa, entre pai e filho, confidências lietrárias. Ele anda lendo muito mais que este velho lobo das estepes e quando desata a contar minúcias de suas leituras, chego ao orgasmo total. Como é maravilhoso ter um filho que gosta de ler. Trago um outro de presente para ele e uma revista com as novidades do HQ mundial. Sentamos numa canto do mundo e ali trocamos figurinhas, como mais gosto de fazer. Um assunto puxa o outro, tanto que, num dado momento ele é chamado para ir almoçar com sua mãe e eu com a esposa.
Hoje deixei muitas conversas parar trás lá no ambiente sadio e profícuo da feira, pois estava acompanhado e não podia parar nas rodas todas. Senti que alguns assuntos vibravam, loucos para extrapolar, porém, não podiam contar com minha participação. Quando junto do filho, esqueço do resto do mundo. Ele me envolve com sua prosa mansa e hoje saio dela, com mais um papel nos bolsos, cheio de indicações de leitura, de temas para pesquisa, algo a me tomar o tempo até o próximo reencontro. Tem coisa melhor na vida que isso, estar de bem com o filho e com ele desfrutar de algo em comum, maravilhamento da vida de ambos?
OBS.: Na foto, eu, Bragaia, o ex-cunhado Agricio Macario e o filhão. Faltou o Carioca, ou melhor, deve ter sido ele quem tirou a foto.
Eu chego atrasado e me demoro até chegar ao local, pois vou esbarrando em tanta gente conhecida, que se bobeasse ficaria horas entretido com essas prosas de rua. Consigo chegar e ele já estava por lá com três belos livros separados. Nos abraçamos e entabulamos uma lonha conversação sobre este assunto que tanto nos arrebata: livros.
Quem por lá assunta de nossa conversa e nela se insere é outro aforador de rua, velho conhecido bauruense, o RENATO BRAGAIA, fotógrafo de velha cepa, que por anos manteve na cidade a Loja dos Fotógrafos. Muitos filmes revele com ele, num passado, hoje já distante e vê-lo todo pimpão, alegre e sorridente, do alto de mais de 75 anos é bom demais. Nos vê comprando livros e diz que sua adoração são por DVDs de filmes. Compra sempre alguns do Carioca. Este conhecendo seus clientes, sabe o gosto de cada um, separa alguns que já sabe serão deles, como faz comigo com alguns livros. Hoje me presenteou após comprar três e pagar os três do filho, com uma contando a história do "Um homem chamado Maria", do boêmio carioca Antonio Maria, um dos barbarizou a noite carioca nos anos 50/60.
Eu queria ficar com o filho, mas ficamos ali ouvindo algo mais do que o Bragaia tinha para nos contar. Ele, como eu, mantemos muitos CDs/LPs, ou seja colecionamos, juntamos coisa velha, essas que quando os botamos pra rodar, movimentam bocadinho nossas vidas. Bragaia e eu pegamos gosto por bater perna em lugares, com a banca do CArioca, escolhidos a dedo, pois ali, com certeza, encontaremos gente para trocar boa prosa. E como sabemos, ninguém como nós, vivem sem uma boa dose de prosa diária.
As histórias do Bragaia merecem uma conversação mais prolongada, que farei qualquer dia destes. Hoje, a manhã era para prosear com o filhão. Comemos pastel, tomamos suco de laranja, entabulamos mais prosa com o Barba, o do bar ali na esquina e este nos conta que, hoje não tem cerveja pra vender, pois comprou o estoque para este domingo, mas precisando pensar mais do que nosdias rotineiros, bebeu o estoque todo. Histórias assim permeiam a vida dos quadrilateros da feira.
Sumo com o filho para continuar uma prosa só nossa, entre pai e filho, confidências lietrárias. Ele anda lendo muito mais que este velho lobo das estepes e quando desata a contar minúcias de suas leituras, chego ao orgasmo total. Como é maravilhoso ter um filho que gosta de ler. Trago um outro de presente para ele e uma revista com as novidades do HQ mundial. Sentamos numa canto do mundo e ali trocamos figurinhas, como mais gosto de fazer. Um assunto puxa o outro, tanto que, num dado momento ele é chamado para ir almoçar com sua mãe e eu com a esposa.
Hoje deixei muitas conversas parar trás lá no ambiente sadio e profícuo da feira, pois estava acompanhado e não podia parar nas rodas todas. Senti que alguns assuntos vibravam, loucos para extrapolar, porém, não podiam contar com minha participação. Quando junto do filho, esqueço do resto do mundo. Ele me envolve com sua prosa mansa e hoje saio dela, com mais um papel nos bolsos, cheio de indicações de leitura, de temas para pesquisa, algo a me tomar o tempo até o próximo reencontro. Tem coisa melhor na vida que isso, estar de bem com o filho e com ele desfrutar de algo em comum, maravilhamento da vida de ambos?
OBS.: Na foto, eu, Bragaia, o ex-cunhado Agricio Macario e o filhão. Faltou o Carioca, ou melhor, deve ter sido ele quem tirou a foto.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Fechado acordo com São Pedro, não vai chover.
Tudo QUASE pronto, pois pronto mesmo nunca estaremos.
É sábado, 11h concentração na praça Rui Barbosa e 12h, descida do Calçadão com "DESDE 2013 CHINELANDO QUEM PISA NO TOMATE".
Tobias Terceiro com seus músicos, marchinha da Cátia Machado, homenagem ao Muso Pedroso Jr, o Chinelo e Prêmio Desatenção pra eles, a Família Rosin, pelo conjunto da obra.
Só falta você pra confirmar. Últimas camisetas. Vamos???
HPA pelos chineladores de plantão.
Vivemos tempos nada fáceis, mas temos que continuar tendo muita coragem no enfrentamento do que está posto aí e tenta destruir quem de fato ainda faz algo em prol de uma cidade, estado e país. Depois do advento do bolsonarismo, vieram junto com este uma infinidade de pessoas interessadas só e tão somente em apoiá-lo, sem olhar para as aberrações cometidas pelo seu mito. Criticam tudo o que não esteja do seu lado e o fazem de forma abusiva, nada construtivo. Em Pederneiras, a prefeita Ivana Camarinha sempre atuou dando o máximo de si pela sua cidade. Para conferir isto, basta rever o que está sendo feito e, principalmente, a forma como busca recursos e executa obras. Existe uma turma querendo buscar pelo em ovo, ou seja, por ela não estar aliada aos preceitos conservadores, vira alvo de crítica. Ela sabe tirar tudo de letra, mas existe também a necessidade de denunciar seus detratores. A criticam até por ir em Brasília buscar recursos federais junto ao Governo Lula. Ela tem mais que ir e o faz com muita competência. Hoje se faz necessário fazer a defesa destes todos que, mesmo não sendo de esquerda, como a acusam, como se isso fosse demérito, mas simplesmente trabalham sem olhar bandeiras partidárias. Ivana merece todo carinho e reconhecimento pelo que faz pela sua cidade. Seus detratores não tanto. Ivana faz e acontece, faz bem feito e isso incomoda. O poeta gaúcho Mario Quintana tem uma frase lapidar a exemplificar muito bem isto tudo: "Todos estes que estão aí atravancando o meu caminho. Eles passarão. Eu passarinho". Preciso dizer mais nada. Administradores como Ivana são poucos e precisam ter quem os defendam. Faço isso com profundo respeito por tudo o que representa. Siga em frente Ivana, pois o parque sendo possibilitado no centro da cidade, com a recuperação de imóveis antigos em situação de ruína será mais um belo cartão postal do que faz por sua cidade.
Quem conhece minha trajetória sabe dos valores que carrego e da forma honesta com que sempre conduzi minha vida pública. Minha trajetória sempre foi pautada pelo respeito e pelo trabalho.
Confio em Deus e na Justiça. Não carrego ódio, não vivo de ataques e não perco tempo com aquilo que não constrói. Dou valor a quem merece e sigo olhando para frente.
Não falo por trás. Não uso meios de comunicação para atacar ninguém. Não me coloco como vítima. E muito menos utilizo espaços públicos para destilar mentiras ou ódio.
Continuo firme. Trabalhando com dedicação, responsabilidade e consciência tranquila.
Eu acredito que o bem sempre vence o mal", prefeita Ivana Camarinha, de Pederneiras SP.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
DA "PARIS É UMA FESTA" DE HEMINGWAY AO QUE VEJO E SINTO PELAS RUAS DESTA COSMOPOLITA CIDADE
Trouxe três livros para ler nesta viagem. Li todos os três e num deles, o do jornalista carioca Sergio Augusto, que leio desde os tempos d'O Pasquim. "E foram todos para PAris - Um guia de viagem nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald & Cia", editora Casa da Palavra RJ, 2011, 128 páginas. Devorei numa sentada, mas não consegui seguir nada do roteiro. O livro foi publicado baseado numa matéria encomendada a ele pela Folha de São Paulo, para uma edição especial do extinto suplemento de Turismo. Na edição do livro ficou uma graça, pois tem muitas fotos, as antigas e muitas atuais. Tivesse tempo teria seguido algo do roteiro, pois é sempre bom percorrer trechos já esquadrinhados por grandes do passado. Também a respeito li outro, bem mais elucidativo do período de ouro da cidade, lá pelos anos 20, quando uma nata boêmia e intelectual aqui aportou, se fixou e fez história. Trata-se do famoso "Paris é uma festa", do Ernest Hemingway. Já escrevi dele por aqui algum tempo atrás e hoje, ao ler algo dito por Sérgio Augusto, o mesmo me volta à memória: "Uma Paris que só existe hoje na lembrança, notadamente na memória das ruas, dos prédios, hotéis, livrarias, quiosques, bares, cafés, bistrôs e jardins onde os mais notáveis expatriés deixaram suas marcas".
Estar em Paris é mais que tudo, voltar ao passado. Ele está e continua muito presente por todos os lados desta cidade. De todas as que estive, sem sombras de dúvidas, a mais intigante e provocante. Gostei de todas as que estive, Porto, Lisboa, Roma, Nápoles, Florença, venez, Milão e Paris. Porém, Paris é muito mais do que a festa descrita pelo escritor norte-americano. Uma pena eu não falar a língua. Conversando com amigo brasileiro, ele me contava de seu irmão, que não quer saber de aprender a língua francesa, pela justificativa: "É uma língua morta". Pode ser, mas o charme dela, para mim, suplanta a de qualquer cidade norte-americana. Por aqui flui algo que mesmo em Nova York não vejo possível. Além de tudo, tem muito mais história, "anos luz" à frente. E o melhor de tudo, para mim é flanar por essas ruas. Aqui tem cada lugarzinho, pontos comerciais, tão delicados, não existentes em nenhum outro lugar do planeta. Paro diante de alguns destes e fico imaginando: como pode existir um lugar assim, ser um ponto comercial e gente ir ali, não para admirar, mas para comprar algo. O francês é diferenciado e isso me é encantador. Não consigo conversar com nenhum deles sem um bom intérprete, mas consigo me virar pelas ruas. Pego metrô, ando de ônibus e me safo sem me perder adoidado. Se perder por aqui faz parte do negócio e querer continuar perdido é que é a verdadeira perdição. Eu quero isso.
"Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem, sua presença irá acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel", escreveu Ernest Hemingway em carta a um amigo , 1950. Isso é uma coisa, porém a escritora Gertudre Stein, abelha mestra da Rive Gauche, outra estrangeira que aqui se fixou até seu falecimento, foi na veia: "Era em Paris que estava o século XX". Sim, era isso mesmo, mas no livro que leio ressalto algo mais desses estrangeiros que por aqui aportavam: "...convencidos de que era mais fácil e sobretudo mais chique, ser duro na capital francesa do que em casa". Mais do livro: Thomas Jefferson, o primeiro a proclamar que todo mundo tem duas pátrias: o país onde nasce e a França" ou "é incontável o número de aficionados que já foram a Paris para peregrinar os lugares onde os escritores e seus personagens circularam e encheram a cara", ou "Montmartre? É de outra era. (...) A pé, sempre a pé; flâneur que se preza não anda de táxi, nem de ônibus, flana tout simplement".
No momento o que me cativa e me deixa transtornado, amante de papéis como sou, encontrar por aqui ainda em pleno funcionamento incontáveis bancas de revistas e jornais pelas ruas. Entro e mesmo sem entender uma linha, folheio várias e se não me impedem, quero trazer tudo, acreditando que um dia irei traduzir. As bancas daqui me atraem e me fazem desviar de qualquer caminho previsamente traçado. Creio eu, estar diante do país com o maior número de banacs de revistas do planeta na atualidade. Ou seja, o francês continua se interessando por ler no papel. As edições das revistas e jornais são pra lá de lindas e os caderninhos de escrevinhações, um mais lindo que o outro, todos merecedores do preço que ostentam. São caros, mas são verdadeiras obras de arte. Enquando Ana Bia quer visitar museus, tudo previamente agendado, eu me perco é nas bancas. Ficaria dias inteiros entrando numa e saindo de outras. Hoje mesmo, terça, 10/02, segui Ana em museus e amanhã já a avisei, ela me acompanhará. Iremos ruar e ela terá que ter a paciência que tive com ela. Iremos ruar o dia inteiro, chova ou faça sol e no comecionho da noite, convidada por uma amiga dela, dos seus tempos de ginário, aqui morando há mais de vinte anos, jantaremos pela aí. Ela sempre nos leva em lugares com a cara deste país. A França resiste e eu a admiro demais por causa exatamente disso. Gosto dos resistentes e este país e de uma beleza indescrítivel, justamente por este motivo.
Ficaria horas por aqui descrevendo algo dessa devoção pela cidade. Chego no hotel ao final de mais um dia, sempre muito cansado, pois andamos hoje à exaustão. Circulamos os quatro pela margen do Sena, Léo empurrando sua mãe numa cadeira de rodas e se continuasse a escrevinhação do dia, reservaria tudo o mais para os bouquenistes, os pequenos comerciantes, antes só de livros, espalhados pelos dois lados da margem do rio, hoje vendendo também souveniers para turistas. Foram tombados pelo patrimônio imaterial da humanidade e dão o toque diferenciando este rio de todos os demais. Já escrevi destes alguns anos atrás por aqui e em cada viagem quero ir revê-los. É como eu ir na Feira do Rolo lá em Bauru e não passar na Banca do Carioca, o livreiro da Feira do Rolo. Impossível. e o faço não para comprar nada, mas para tentar imaginar como se dava o trabalho dos pioneiros ali junto ao famoso rio. Isso me faz levitar sem tirar os pés do chão. Viajo de olhos abertos e se bobear caio no rio, ou na sua margem, onde gente corre o dia inteiro.
Paro de escrever para arrumar as malas e dormir. Devo sonhar com o que encontrarei amanhã na despedida da cidade. Até...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Tenho que confessar, se estivesse sózinho, não visitaria estes dois lugares e o fiz por causa de Ana Bia, a companheira de todas as horas. Ela havia já comprado os ingressos - caros, viu! - do Brasil, dia e horário agendados, inclusive prevendo o não enfrentamento de filas. Ela pensa em tudo quando em viagens. Para mim isto tudo é muito cômodo. Vou na valsa e, desta foirma tudo dá sempre muito certo.
Ambos os lugares não são nada revolucionários, no sentido exato da transformação social, porém, cada qual produz uma espécie de revolução. Tento descrever algo de ambas. Amanhecemos por aqui, o "Quarteto Fantástico", que voltou a se reencontrar em Paris. Começamos juntos nossa saga em Portugal, Porto e Lisboa, depois se separando, eu e Ana Bia estivemos na Itália e Edna e Leo na Espanha, Madri e Barcelona. Nos reencontramos no hotel Kyriad, junto ao portão de Clignancourt, bem na boca de um estação do metrô. Este lugar é escolhido pelo preço que, amiga de infância de Ana, agente de turismo na cidade, moradora nas proximidades nos consegue. Melhor impossível.
Nossa manhã começa no hotel e depois se estendeu com andanças pelas ruas da cidade, mas principalmente com duas agendas previamente marcadas. A primeira no Palais Garnier, constituindo-se no maior teatro de óperas da cidade, em pleno funcionamento até hoje. Guardadas as devidas proporções, imagine-se dentro de uma visitação ao Tatro Amazonas ou mesmo ao Municipal carioca. É isso o que fizemos. Casa lotada, percorremos todas suas instalações, todas hoje constituídas como se fosse um museu, com peças expostas de suas grandes e inesquecíveis apresentações. O lugar é grandioso demais e presenciamos muitas jovens, de várias partes do mundo, chegando todas paramentadas, prontas como se fossem assistir a grande espetáculo e posam para fotos dos seus junto aos vários balcões existentes. Geram todas lindas fotos. Não tem como não ficar belo numa foto bem tirada num lugar destes. Até eu, já com cheiro e fisionomia distorcidas por quase vinte dias de ininterruptas viagens.
A decisão foi passear um pouco e uma grande loja da FNAC, ali pertinho caiu bem no gosto de todos. Eu, como devoto de papéis e caderninhos me esbaldo. Por aqui, uma mais lindo que o outro. O preço, quando convertido para nossa moeda é que não é nada convidativo. Relaxo e faço o que posso. Trago alguns poucos. Nem almoçamos e vamos para a Galerie Dior, onde toda a história do estilista e o costureiro mais famoso do planeta, Crhristian Dior tem contada sua saga e história. O cara, quer queiramos ou não, foi mais que bom. Dedicou sua vida para a alta costura e a produziu desta forma e jeito, para todas as famosas deste planeta. Hoje tudo reunido numa Fundação, administrando o local. São 3 andares e 13 ambientes diferentes, todos interligados. Na verdade, eram dois prédios, que foram unificados e adaptados. Neles tudo o que Dior produziu, numa exposição com um visual indescritível. Ao final, até mesmo para um crítico como eu, tenho que confessar, tudo maravilhosamente montado e impecável exposição.
Rodei o espaço todo junto de Ana e Edna - Leo foi bater perna na rua -, empurrando sua cadeira de rodas e acompanhados de uma funcionária da Fundação, por acaso chilena, quando pudemos conversar em espanhol com ela, tivemos mais que um tratamento vip. Circulamos por elevadores e lugares que o visitante não tem acesso. Desfrutamos todos der uma rara tarde. Na saída, uma região cheia de lojas de grandes marcas da moda mundial e difícil encontrar um restaurante com preços, considerados por nós, como possíveis. Andamos um pouco e nos deparamos com um, numa praça, tendo ao fundo a Torre Eiffell. Gastamos os tubos, mas enfim, desfrutamos de uma tarde admirável. Cansados, voltamos os quatro para o hotel. Teve mais, mas conto depois. Ser e estar turista, tendo já quase 20 dias nos costados, canso um bocado. Depois der algo intenso, nada como uma boa e confortável cama, onde normalmente mergulho de cabeça.
Faltam três dias de passeios por Paris e, ciente de que tudo está chegando ao fim, durmo pouco, descanso menos ainda, escrevo só o que consigo, diante de tantas oportunidades e assim, tento retratar bocadinho do que vivencio. Paris, para mim, é uma supresa em cada esquiona. Adoro principalmente os lugares pouco mais distantes do centro turístico e nervoso, quando perambulo pelas ruas e me encanto com tudo que vejo. E como não paro de ver coisas interessantes, estou meio que em transe. Quando sair deste estado, espero voltar ao normal, algo que, creio eu, só acontecerá no Brasil e depois do Carnaval, de estar junto do bloco do Tomate, de sair na Estrela do Samba, Estação Primeiro de Agosto e Coroa Imperial. É muita coisa para o já combalido corpo de alguém com 65 anos e já um tanto carcomido pelo tempo. Sigo em frente, sem olhar muito para trás ou mesmo, pensar nas consequências, enfim, quando mesmo poderei voltar a por os pés por aqui. Só aqui no Kyriad já é a terceira vez e espero voltar outras, pois tudo o que vejo nas imediações me atrai demais da conta, mesmo não falando uma só palavra em francês. Sou um mímico indescritível.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
ESTOU FARTO
"Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
do lirismo funcionário público com livro de expediente, protocolo e manifestação de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismo universais
Todas as construções sobretudo a sintaxe de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo".
(Trecho do poema 'Poética' de Manuel Bandeira, in: "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva)
"Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
do lirismo funcionário público com livro de expediente, protocolo e manifestação de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismo universais
Todas as construções sobretudo a sintaxe de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo".
(Trecho do poema 'Poética' de Manuel Bandeira, in: "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva)
O TOMATE ME ACOMPANHA ONDE ESTIVER
Acordo onde me encontro neste momento, Milão Itália, café da manhã tomado num dos Íbis pelo caminho e ao me preparar para mais uma viagem, a que nos levará para a última estada desta longa viagem anual, Paris França, sento a bunda diante do meu computador e reflito sobre algo me embalando neste exato momento, a 14ª aparição em praça pública do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO. Por sorte, este bloco é mais coletivo do que possam imaginar, pois eu cá distante, pouco posso fazer pelos encaminhamentos dessa saída e outros o fazem a contento, como idealizado desde o princípio. Lindo carnavalizar e ir sendo levado por algo coletivo, uma motivação festeira e, ao mesmo tempo, com essa nossa inegável e indelével pegada social.
Fausto Bergocce nos presnteou com a estampa da camiseta. Tobias Terceiro descerrá conosco, com músicos da Estação Primeiro de Agosto, cantando e fazendo baurulho, Mauricio Dos Passos, lá de Pederneiras contratou quem vai cuidar do som, Nel Marques e Cátia Machado fizeram a letra da marchinha destes 14 anos, a "Desde 2013 chinelando quem pisa no tomate", gravando e espalhando nosso hino paar este ano. Tem mais, Valquiria Correa, faz um trabalho esplêndido, organizando a venda das tais camisetas, contando com apoio de outros tantos. Rose Barrenha organiza os convites para outros grupos a nós se juntarem. E junto destes, tomateiros despontam de todos os lados, modos e maneiras. Lá no Bar do Genaro, o Fabrício, nosso quartel general para desfilar e depois se reabastecer - algo que deve ser feito também antes. E assim, um convidando o outro, surgem gente advinda das mais diferentes localizações. O importante é estarmos juntos, coesos e cientes do papel a ser cumprido. Temos também um lema, seguido ano após ano, o do "fazemos festa, mas estamos putos da vida". Festemops, enfim é carnaval, a maior festa popular brasileira, mas se faz necessário gritar bem alto com os que "pisam no tomate".
E na junção disto tudo, eu cá do outro lado do oceano, penso em tudo e vejo tudo caminhando, chegando o dia. A Prefeitura exige novos procedimentos, estes sendo finalizados. No nosso caso, somos e continuaremos sendo ad aternum, um bloco de rua, onde alguém diz que o furdunço deve acontecer no sábado de Carnaval, 14/02, 12h e assim as pessoas surgem e o agrupamento desce o Calçadão. A organização é para ter um mínimo de condições, um barulho alto, no mais desorganizados seremos. Somos rueiros, barulhentos, como me disse certa feita um policial, "você parecem siri na lata". Podemos ser, porém, temos ideal, sabemos muito bem dos motivos de nos reunirmos anualmente. Para os próximos, sempre idealizamos, algo mais sólido, com atividades o ano todo, mais incisivos com os tantos merecedores do Prêmio Desatenção. Neste ano, a Família Rosin num todo está recebendo a comenda, pelo conjunto da obra e nosso MUSO é uma justa homenagem a quem desde sempre chinelava estes, o Antonio Pedroso Jr, o popular Chinelo. Para as artes do Prêmio Desatenção, contamos com a colaboração de Fernando Redondo e para a do Muso, com a de Dirceu Mosquette Mjunior, cada qual dando seu quinhão para, no conjunto da obra, tudo dar muito certo. E muitos outros colaboradores que, neste momento, me escapam o nome. Na verdade, por ser tudo coletivo, cada qual cumpre um papel.
Eu adoro ficar escrevinhando do Tomate. É isso tudo aqui dito e muito mais. E este algo mais irei postando, junto com outros fazendo a mesma coisa, para ampliar a adesão, fazer com que estejamos, como em todos os anos, bem representativos. Jogo que segue, chegando o dia, faltando uma semana e todos se energizando para chinelar com força neste ano. Vamos juntos?
Acordo onde me encontro neste momento, Milão Itália, café da manhã tomado num dos Íbis pelo caminho e ao me preparar para mais uma viagem, a que nos levará para a última estada desta longa viagem anual, Paris França, sento a bunda diante do meu computador e reflito sobre algo me embalando neste exato momento, a 14ª aparição em praça pública do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO. Por sorte, este bloco é mais coletivo do que possam imaginar, pois eu cá distante, pouco posso fazer pelos encaminhamentos dessa saída e outros o fazem a contento, como idealizado desde o princípio. Lindo carnavalizar e ir sendo levado por algo coletivo, uma motivação festeira e, ao mesmo tempo, com essa nossa inegável e indelével pegada social.
Fausto Bergocce nos presnteou com a estampa da camiseta. Tobias Terceiro descerrá conosco, com músicos da Estação Primeiro de Agosto, cantando e fazendo baurulho, Mauricio Dos Passos, lá de Pederneiras contratou quem vai cuidar do som, Nel Marques e Cátia Machado fizeram a letra da marchinha destes 14 anos, a "Desde 2013 chinelando quem pisa no tomate", gravando e espalhando nosso hino paar este ano. Tem mais, Valquiria Correa, faz um trabalho esplêndido, organizando a venda das tais camisetas, contando com apoio de outros tantos. Rose Barrenha organiza os convites para outros grupos a nós se juntarem. E junto destes, tomateiros despontam de todos os lados, modos e maneiras. Lá no Bar do Genaro, o Fabrício, nosso quartel general para desfilar e depois se reabastecer - algo que deve ser feito também antes. E assim, um convidando o outro, surgem gente advinda das mais diferentes localizações. O importante é estarmos juntos, coesos e cientes do papel a ser cumprido. Temos também um lema, seguido ano após ano, o do "fazemos festa, mas estamos putos da vida". Festemops, enfim é carnaval, a maior festa popular brasileira, mas se faz necessário gritar bem alto com os que "pisam no tomate".
E na junção disto tudo, eu cá do outro lado do oceano, penso em tudo e vejo tudo caminhando, chegando o dia. A Prefeitura exige novos procedimentos, estes sendo finalizados. No nosso caso, somos e continuaremos sendo ad aternum, um bloco de rua, onde alguém diz que o furdunço deve acontecer no sábado de Carnaval, 14/02, 12h e assim as pessoas surgem e o agrupamento desce o Calçadão. A organização é para ter um mínimo de condições, um barulho alto, no mais desorganizados seremos. Somos rueiros, barulhentos, como me disse certa feita um policial, "você parecem siri na lata". Podemos ser, porém, temos ideal, sabemos muito bem dos motivos de nos reunirmos anualmente. Para os próximos, sempre idealizamos, algo mais sólido, com atividades o ano todo, mais incisivos com os tantos merecedores do Prêmio Desatenção. Neste ano, a Família Rosin num todo está recebendo a comenda, pelo conjunto da obra e nosso MUSO é uma justa homenagem a quem desde sempre chinelava estes, o Antonio Pedroso Jr, o popular Chinelo. Para as artes do Prêmio Desatenção, contamos com a colaboração de Fernando Redondo e para a do Muso, com a de Dirceu Mosquette Mjunior, cada qual dando seu quinhão para, no conjunto da obra, tudo dar muito certo. E muitos outros colaboradores que, neste momento, me escapam o nome. Na verdade, por ser tudo coletivo, cada qual cumpre um papel.
Eu adoro ficar escrevinhando do Tomate. É isso tudo aqui dito e muito mais. E este algo mais irei postando, junto com outros fazendo a mesma coisa, para ampliar a adesão, fazer com que estejamos, como em todos os anos, bem representativos. Jogo que segue, chegando o dia, faltando uma semana e todos se energizando para chinelar com força neste ano. Vamos juntos?
sábado, 7 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
MILÃO, AS OLÍMPIADAS DE INVERNO E NÓS DOIS NO MEIO DISTO TUDO
São tantas coisas e tão pouco tempo para escrevinhações, que nos poucos encontrados, a busca por tentar deixar registrado algo significativo disso tudo sendo vivenciado. Só por pode conseguir circular mais uma vez pela cara Europa, reconheço, um baita esforço realizado e sendo concretizado. Vir até aqui pessoalmente conhecer algo do que foi deixado pelos aqui estiveram num passado histórico, ver com os próprios olhos é algo divinal, sem explicações. Ler e ver por imagens pelos neios disponíveis, porém distantes deste contato é bem diferente. Daí, tudo vale a pena, inclusive o cansaço que nos abate após a longa caminhada. Continuar a viagem e seguir o planejado não é algo fácil. Num roteiro com visitas diárias, uma atrás de outra, cidade após cidade, tudo embola na sua cabeça. No momento damos sequência e só depois, quando do retorno, após o descanso necessário, daí sim, poeira assentada, as avaliações da grandiosidade do vivenciado. Estamos na fase de continuação e assim temos pela frente mais alguns dias.
Ontem estávamos em Veneza, lá estivemos com o propósito de conhecer a experiência de uma famoso museu, o de Peggy Guggenheim e sua famosa coleção. Chegar por lá de trem, numa cidade marítima, patrimônio da humanidade e parte dela dentro do braço do mar, já é algo fora do comum. A cidade respira história. Foi uma passagem rápida, inclusive a viagem dentro dos barcos que fazem o transporte coletivo na cidade. Isso é único no mundo, um barco parando em lugares que possibilitem a caminhada por trechos sem água. E as construções todas envolvendo os visitantes. Por lá, uma intensa movimentação contrária a este número avassalador de turistas invadindo seu espaço. Passaram a cobrar uma taxa extra destes e mesmo assim, continuamos a chegar em larga escala. É necessário entender a visão do turista e mais que tudo, a do morador do lugar. Milão sempre viveu do turismo, mas hoje, pelo que vejo, ele precisa ser contido, ou melhor, controlado.
Vejam como se dá as coisas durante uma viagem, quando começo escrevendo de algo e quando me dou conta já estou em outro assunto. Todos são interligados. Deixamos Venezade trem e já aportamos em Milão, em busca de outras experiências. Elas despontam em cada caminhada. O andar de trem, malas pesadas sendo carregadas por diferentes estações ferroviárias é para mim, filho e neto de ferroviários é algo doído, diante do que já tivemos no Brasil de antanho e perdemos, deixamos que o lobby rodoviário, inclusive do seu Franciscato, exterminasse. As estações de trem européias funcionam e quando ocorrem atrasos, avisam pelo autofalante interno do trem da possibilidade de ressarcimento. Descemos na de Milão e o deslumbre se dá no visual. O local é lindo, construído numa época onde ssua existência valorizava a importância do trem para o transporte de passageiros. É além da praticidade ali vivenciada, uma obra de arte.
E caímos em Milão, que exatamente neste momento vive a abertura das Olímpiadas de Inverno, evento visto pelo mundo todo. A cidade está muito policiada e com reflexos disto por todos os lados. Os eventos marcantes da Olimpíada atraem gente do mundo todo e estamos aqui, nesta data por mero acaso. Não viemos pelo evento esportivo, mas ele, por sua grandiosidade, não existe como passar batido, indiferente. Juntamos o que viemos fazer com essa novidade. Sirenes a todos instante com passagem de delegações e autoridades, ruas interditadas e com ela, o acesso para museus. Perdemos uma vista por causa disto, o acesso ao Trienale Milano, com ingresso comprado. Não fomos neste, mas circulamos uma boa parte da tarde pelo belíssimo Castello, uma edificação murada imensa e na parte interna, um parque. Vários acontecimentos olímpicos ali também acontecendo. E depois o passeio pelo parque ao lado. Perde-se de um lado e ganha-se de outro, vantagens e desvantagens de qualquer passeio.
E depois de tudo, o desfrutar do que a cidade lher oferece. Tenho procurado me desligar de tudo o mais, mas no meu caso impossível, pois do outro lado do mundo, o bloco Bauru Sem Tomate é MiXto nos preparativos para mais um ano de apresentação, este ano com "Desde 2013 chinelando com quem pisa no tomate" e eu, um dos seus organizadores, cá estou com o pé em duas canoas e tentando remar ao mesmo tempo para dois lugares. Até o momento, dando tudo certo. Daqui para Paris, a última estada da viagem e depois Bauru e o Tomate. Parar mesmo, só depois do Carnaval, mas na sequência, a finalização de um bonito trabalho de Memória Oral em Tibiriçá, onde reúno depoimentos com personagens do distrito. Minha vida foi e será sempre assim. Se parar, feneço. Daí, sigo sempre em frente, tentando ser, fazer e acontecer. Algumas vezes, consigo...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS - PARTE DOIS
5.) REGISTRANDO GRAFITES PELAS RUASDentre todas as fotos que vou tirando pelas andanças que faço, gosto muito de registrar as dos muitos grafites. Estes representam para mim uma manifestação das mais interessantes e instigantes nas paredes mundo afora. Nelas encontro e tomo conhecimento de muitos artistasd, a maioria anônimos, porém com trabalhos bem direcionados e posicionados. Por aqui não é diferente. Dentre a imensidão de fotos que vou tirando por onde passo, o grafite sempre estará presente. Neste aqui, alguém me informa tratar-se de um artista que, pode ser visto em muitos cantos de paredes, mais precisamente em esquinas e sempre com este óculos, misturando o passado e o presente, numa velada crítica e também, jogando um pouco mais de luz, algo de hoje no ontem. São muitas as manifestações e tento ir entendendo, primeiro a intenção, depois com o tempo, devido a uma atenção maior, consigo até ir identificando nomes famosos. Tem tanta gente hoje famosa tendo começado desta forma, se expressando nasruas. Tem quem critique tudo, misturando as bolas e confundindo estes com a pichação e tascando o pau, simplesmente por fazerem o que fazem em paredes alheias. Eu sei distinguir muito bem um do outro e até na pichação vejo e entendo seu significado, numa grafia muito parecidada mundialmente. Podem ir reparando nas publicações que faço, nos registros aqui deixados, tem muito disso tudo. Eu sempre tentando entender e decifrar as muitas mensagens deixadas pelas paredes. Paro tudo, peço para quem comigo caminhe, que espere um pouquinho, pois não deixo o momento passar, vou lá e clico.
Essa me fez voltar quando da entrada de uma igreja cheia de obras de arte e é a de um cidadão comum, sentado numa marquise, se protegendfo da garoa lá fora e lendo. Adoro encontrar com gente lendo. Isso para mim é muito encantador. Como leio muito, quando me deparo com outros fazendo a mesma coisa, no mínimo já quero ir lá e assuntar do título. No Brasil, infelizmente encontro cada vez menos gente lendo pelas ruas. O que encontro muito - por aqui também - são os com seus celulares nas mãos e com livros mesmo, não tanto como antes. Tenho notado que aqui também tem diminuido o número de livrarias abertas, porém, as que resistem são todas encantadoras. Ah, se soubesse italiano, com certeza, teria problemas mil com minha bagagem, pois certamente ultrapassaria a quantidade máxima de 23k para adentrar o avião sem incorrer em excesso de bagagem. Um luxo ter excesso devido a livros, porém o preço a pagar, como é salgado, melhor se segurar. E dai, quando vi este cidadão, com sua mochilinha e um pacote envolto em plástico, dando um tempo na vida, lendo numa boa, bateu aquela incontrolável vontade de ir lá sentar ao seu lado. Sou puxado para o que ali me trouxe, mas ao registrar me lembrarei dele para sempre.
Talvez poucas pessoas diante de um imensa igreja, recheada de obras de arte, reparem nos confessionários. Eu reparo em todos, mas não encontrei nenhum deles nas andanças por aqui, que estivessem em uso, ou seja, com algum fiel relatando seus pecados aos padres. Eu já fui em alguns destes quando ainda professava a fé católica e em todos, me lebro, ia assustado, pois me diziam teria que contar tudo e receber a penitência. Nunca que iria contar tudo para um padre. Contava algo, mas escondia sempre o mais picante, aquilo que não se conta pra ninguém. E por aqui, vejo confessionários de todas as formas e jeitos, pra todos os gostos e de acordo com a igreja visitada. Num templo grandão, confessionários que são também verdadeiras obras de artes, noutros mais modestos, mas todos presentes. Outro lugar que observo muito são os púlpitos, aquele lugar mais alto de onde o padre falava aos fiéis numa posição elevada, do alto, observando melhor sua platéia. Tem uns muito bonitos por aqui, mas creio, não sejam mais utilizados. Tudo isso faz parte do cenário mínimo de uma igreja católica. Como voraz registrador, vou captando alguns destes. Essa história de confessionário já foi registrado em muitas novelas e filmes, livros idem, com consequências inimagináveis. Imagine alguém com informações confidenciais de uma pessoa, tendo sob seus costados que, não poderia divulgar aquilo para ninguém, porém, como a "carne é fraca", tudo pode acontecer depois do fato revelado.
E por fim, observo muito os moradores em situação de rua. Dizem por aqui, que em sua maioria são imigrantes, porém, observo muitos de cada país também nessa situação. Não quero ficar deitando falação sobre dos motivos, pois cada caso é um caso. O que machuca o ser humano internamente é a situação, eu de um lado conseguindo passear, me divertir e outros tantos nem tendo o que comer, vivendo nas ruas. E aqui, com o agravante deste morador viver sob um clima totalmente desfavorável, frio intenso. Vê-los pelas ruas é pensar nisto tudo. Não dá para ficar indiferente em observar uma pessoa deitada quase que na chuva, enrolada num puído cobertor, no fim de uma escada que me levará para um visita paga dentro de um templo religioso. São estes os tais invisíveis deste mundo. E algo também observado por mim, como alguns de tanta convivência com os pássaros das paraças, principalmente os pombos, convivem com eles numa espécie de congraçamento. Parecem que interagem entre si, se conhecem e dividindo o mesmo espaço, sabem cada qual onde pisam. Fiquei a observar um destes, numa reverência para com os pombos. Queria ter gravado a cena, pois mostra muitos detalhes dessa convivência com tudo o que acontece nos lugares públicos. Ouvir as histórias destes é algo tocante. Observar de longe é uma coisa, se aproximar e estabelecer algum diálogo é outra coisa. Quando posso e consigo, sempre ganho muito, pois cada pessoa, por mais retraida que seja, tem histórias para contar.
Nestes quatro dias em Florença, o que mais fiz foi frequentar banheiros, pois a incontinência urinária anda pegando forte, depois a perdição absoluta que é sair sem rumo numa cidade como essa, fazendo questão de não seguir mapas. Se perder faz parte do negócio. Estive perdido, com um cartão nos bolsos e quando o calo doia, sacava do danado e me orientava. Acabava chegando ao hotel. Tivemos boas histórias, muitas debaixo de garoa por aqui. Nenhuma desagradável. Coisa mais chata e enfadonha é isso de seguir roteiros pré-estabelecidos, indo somente onde guias nos orientam. Quem gosta do ousado, adentra uma viela e segue em frente, sem saber no que vai dar ali na frente.
A cidade de Florença é uma perdição, pois as ruas são foram feitas simetricamente. São tortuosas e quebradiças. Começam aqui, logo ali terminam e desta começa outra, tudo isso sucessivamente. Ou seja, ótima para se perder. Na saída de algum lugar visitado, sendo levado de Uber ou mesmo pelos meios disponíveis, como ônibus ou metrô, o querer voltar caminhando sempre é uma boa aventura. desde que tenha tempo, adorável se perder e depois ir tentando se encontrar. Quando a língua ajuda, ótimo, mas quando se entende pouco, as dificuldades aumentam, junto com outros riscos. Placas indicativas ajudam muito, mas nerm sempre nos remetem a onde desejamos ir. Já segui muitas delas, mas desviado por outros interesses, sou levado para outros cantos.
E, como já disse, nada como se perder. Por aqui, se perder não é perigoso. Não presenciei nada de violência urbana e isso me faz ousar mais. Ouso dentro da medida do possível, pois ter tempo para fazê-lo, para vadiar é uma coisa e ter pouco tempo para fazê-lo é outra. E se perder com garoa nos costados, sacolas às mãos, isso não é lá muit oconfortável. Vivenciamos isso algujmas vezes por aqui e assim pudemos conhecer algo mais, que certamente se voltássemos de uber não o faríamos. Ruar é o mais gostoso de estar numa cidade diferente, ir descobrindo seus cheiros, sentindo com os pés seus detalhes. E o calçamento florentino é quase que em sua maioria constituído de pedras, lindo de ver. Ando bem nelas, sem percalços, mas quem possui alguma restrição neste sentido, sofre muito. O principal sofrimento é deixar de se perder pelos descaminhos possibilitados por um lugar como este.
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| Se perder por aí, virar uma esquina qualquer e seguir em frente, eis a alma do negócio. |
DIA DE IR DE FLORENÇA PARA VENEZA - PEQUENAS HISTÓRIAS RECOLHIDAS NAS RUAS
01.) UM PERUZZI, MUITO PRÓXIMO DE "PERAZZI"Certa feita, muitos anos atrás, localizei gente dos PERAZZI na Itália. Escrevi para eles e recebi de volta um catálogo do que fabricavam. Eram armadores, mas armas antigas, escopetas e afins, mais para guardar como recordação. Lindo catálogo. Nunca mais tive nenhum contato com ninguém na Itália com o sobrenome idêntico ao meu. Sei que alguns dos meus antepassados, parte de minha mãe, vieram da Itália. Nunca fui atrás de levantar a árvore genealógica. Meu irmão Edson tentou algo neste sentido, mas por falta de tempo, parou. Agora, aqui nas ruas molhadas de Florença - não pára de chover, leve garoa, mas incessante -, vejo essa loja com algo bem próximo. Não entro, pois sem tempo para especulações e ciente de que, pelo visto uma franquia ou mesmo filial, nada encontraria de concreto. Segui em frente, mas tiro a foto e sei, viemos os Perazzi de algum canto da Itália. Minha tia de segundo grau, Norma, aeromoça das antigas, aqui se estabeleceu e vive até hoje. Perdi o contato. Quando me perguntam de que região são os Perazzi, desconverso, pois nada sei, porém quando me deparo com algo próximo, a memória é reativada, ao menos por instantes. Este elo de ligação, para mim está perdido. Toco meu barco com os que conheço, Perazzi's ou mesmo os Aquino's. Vida que segue.
02.) O JORDANIANO E MEU NOVO CINTOMe desfaço de um cinto velho segurando minhas calças nas ruas molhadas de Florença. Compro um novo, 20 euros e junto um avental com o pinto do David, que levo para Bauru e nem sei o usarei. Compramos coisinha por serem vistosas, porém, a relegamos depois a permanecerem penduradas num canto qualquer da casa. Escrevia do cinto. Um simpático jordaniano me atende, corta a mesma, por ser grande demais e faz novos furos, tudo ali na rua. Um camelô ao estilo florentino, barraca como algumas que vejo no Brasil, atuando para um comerciante que os coloca nas ruas, tendo várias delas e o imigrante fica ali, exposto ao sol e chuva. Diz ganhar bem, pois já tem 20 anos de Itália. Conta histórias para mim do rei da Jordânia, traduzidas pela Ana Bia, que fez curso intensivo para aprender algo do italiano. Eu já nem gtento mais, pois meu chips, pelo visto não comporta mais comnhecimentos novos. Nem os velhos ele mantém guardados certos detalhes, quanto mais um novo. Gosto mesmo da conversa e da simpatia do jordaniano, que na sequência me apresenta um outro igual a ele, este também com quase 20 anos na cidade, advindo de Volta Redonda, portanto, faz questão de me ressaltar, "não sou carioca, sou fluminense". Prolongo a conversa na única língua que sei me comunicar a contento. Um brasileiro quando passa muito tempo fora de seu país, pelos menos em alguns que aqui contatei, falam em voltar, mas estão numa outra, vivenciaram algo bem diferente da vida no país nativo. Não sei explicar isso, mas neste, observei como possui um certo desdém do lugar onde veio, talvez meio de retroceder. Na vida, somos assim, caminhamos para lugares nunca dantes navegados e quando o fazemos, morremos de medo de voltar para trás. Meu novo cinto está firme na minha cintura e dele, toda vez que o ajustar nas calças que estarei vestindo, me lembrarei da fisionomia do jordaniano a me dizer: "Para mim foi muito bom ter saído do lugar de onde vim. Aqui conquistei algo mais".
Estávamos em dois casais e batendo perna pela cidade, logo depois da saída de um dos museus, chovia e numa das esquinas nos deparamos com uma das casas com culinária das mais conhecidas por aqui, a TRIPPA E LAMPREDOTTO DA VINATTIERI. Este nosso casal de amigos moram por aqui há alguns anos, portanto estava nos ciceroneando pelas vielas todas fora do padrão, nada simetricas. Ele havia me falado das maravilhas de comer algo bem próximo da dobradinha brasileira e aqui com este nome, "lampredotto". Na verdade, na panela lá do Vinattieri estavam as tripas de porcos e vaca, algo bem ao estilo do que já conhecemos muito bem no Brasil, que no Nordeste recebe o pomposo nome de buchada de bode.
As mulheres passaram ao largo, viraram o rosto, mas eu e o amigo caímos de boca. Tudo já estava mais ou menos pronto numa grande panela, fumacinha e cheiro bem à mostra. O atendente, que não sei se é o tal do Vinattieri, cortou no meio um imenso pão italiano, fofeou o meio e tascou o grude. Depois colocou numa prensa quente e serviu pelando de quente. Esperamos um tempinho para a fervura diminuir a caloria e mandamos ver. Comemos com gosto. A diferença que senti de algo feito lá no Brasil para essa é o tempero. Aqui o italiano e lá, o nosso. Foi algo para sujar a barba. O lugar é apertado, modesto, mas não param de chegar pedidos e não de turistas, mas de locais, diria mesmo de trabalhadores, ao estilo daqueles que no Brasil andam com aqueles caixotes às costas.
Sinceramente, gostei. Pode não ser uma sumidade culinária, pois segundo ouço deste amigo aqui residente, este tal de lampredotto pode ser comparado com a história da feijoada, quando os negros comiam o que sobravam, os restos dos animais e daí, com isso, jogaram tudo nas panelas e deu na iguaria hoje refinada da feijoada. Por aqui, algo parecido, quando os mais abastados comiam o filé sobrando para a patuléia o restolho, que jogado na panela, hoje se transformou numa iguaria muitoi procurada. Ana e a esposa do meu amigo, ficaram promegtendo que naquele dia não mais nos beijariam, mas isso peredurou pouco. Logo na frente, querendo resolver a questão, inventamos de parar num Starbuck, só para fazer xixi e, é claro, lavar o rosto, no meu caso a barbicha branca, toda com aquele sabor do outro mundo. Essa a história de como acabei provando a tal da dobradinha aqui dos florentinos.
OBS.: Estes relatos continuam, mas num outro post amanhã.
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