quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 

DUAS HISTORINHAS OCORRIDAS DAS ANDANÇAS DE HOJE
Eu, como todos sabem sou um colecionador de histórias. Das andanças pela aí reúno o que posso. E são muitas. Hoje mesmo, conto duas ocorridas logo cedo, quando levo a esposa para uma clínica de fisioterapia. Eu, lá do lado de fora esperando e num dado momento, a vontade de urinar aperta, fecho o carro e vou fazer uso do sanitário da clínica. Nem bem desço do carro, um senhor, cabelos brancos, bermuda, vinha saindo e me vendo de camiseta pró-Lula me indaga:

- Não sei até hoje como alguém pode apoiar alguém como esse Lula. O que ele fez para o senhor o apoiar?

Perguntinha fácil, resposta óbvia, até redundante.
- Meu senhor, simples, ele faz infinitas coisas pelo bem do Brasil. É só olhar e comparar, por exemplo, como desGoverno anterior o do seu Jair, deixando o país endividado, situação calamitosa, empresas sem conseguir negociar direito com o exterior, aquela multidão de mortos de Covid, gente na fila do osso, aí chega o Lula e o país começa a caminhar, dando a volta por cima. O analfabeto é o que mais criou universidades e esses projetos sociais todos. Nenhum outro fez tanto. Eu me considero um cara relativamente honesto e assim sendo, como posso estar ao lado de alguém como esse Flávio, miliciano, assassino da Marielle, rei das rachadinhas, negócios escusos com Vorcaro e só negociatas. O sr é honesto? Se for, me diga, como é possível alguém querer votar em alguém como esse Flávio, corrupto até a medula. Antes tínhamos políticos representando a direita, tipo Montoro, Covas, até mesmo FHC, Serra, mas hoje com gente igual aos Bolsonaros, impossível. E daí, ainda encontro gente que se diz honesta, vida ilibada e se propondo a votar nele. Me diga o senhor, como pode uma coisa dessas? O ser saberia me explicar por que, mesmo diante de tantas evidências ainda votam nele?

Ele me deixou terminar, não retrucou e ao final, sem querer prolongar muito a conversa, se vira para mim, meio de cabeça baixa e desfere, saindo sem se despedir:
- O senhor não deixa de ter razões, em partes. Em partes.

Eu fico lá olhando ele atravessar a rua e pegar seu carro. Creio ter conseguido colocar uma minhoquinha em sua cabeça. E isso, por si só, já me fez ganhar o dia.

Teria mais. A esposa sai e me conta algo ocorrido lá dentro da clínica. Um casal de idosos - mais do que a minha idade -, o homem mais à frente, ia de box em box, fazendo com as mãos o "V", dois ou o vinte e dois do Bozo. E falando pelos cotovelos, propaganda sem ninguém pedir. Chegou no dela, a ladainha continuou e ela simplesmente olha para o sujeito e faz o símbolo característico do Lula, o "L". 

Foi o suficiente para sua esposa entrar no páreo e desdizer da filha. 
- Lá em casa, vejam só, minha filha, estudante, apareceu com essa ideia de votar nesse Lula. Faço de tudo para tirar isso da cabeça dela e até já a ameacei de que, se ela insistir, terá que viver com o Pé de Meia Universitário, meros R$ 200 reais mês. 

Nisso chega a funcionária da clínica e vem cumprimentar minha esposa, apois hoje é dia 15/10, Dia do Professor. Ela, já de saco cheio da perturbação do casal, responde em voz alta, bem diante dos dois:
- Obrigado querida, eu acabo de ganhar o dia, pois estive diante de uma história onde uma jovem estudante se mostra muito mais inteligente que seus pais, renega o bolsonarista e diz votar no Lula. Não poderia ter uma melhor comprovação de que só mesmo a Educação para nos salvar.

Nem precisa dizer da cara de tacho do casal propagandista do coiso e do filho candidato. Quando o casal se afastou, ela e a funcionária cairam na gargalhada. E eu, cá estou, nestas linhas diárias tentando demonstrar o quanto anda o fervor eleitoral por aí, ruas bauruenses. Circulo depois pela farmácia e só alegria,quando retiro do bolso um rolinho de adesivos do Lula e entrego para uma das balconistas. Ela me retribuiu com um sorriso de orelha a orelha, contou algumas histórias ali ocorridas e antes de finalizar meu pedido de remédios da Farmácia Popular, pede licença e distribui para suas colegas os adesivos. No supermercado Confiança, um senhor me vendo com adesivos colados na camiseta me aborda e pede se não tenho alguns destes, pois mora em Agudos e queria levar para espalhar por lá. Arrumo o que posso. No elevador do prédio, um prestador de serviço me vendo com os tais adesivos, faz o gesto do "L" e como ando sempre com alguns no bolso, já lhe municio. Teve mais, mas tenho que fazer outras coisas do que continuar aqui escrevinhando. Até mais...

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