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segunda-feira, 27 de julho de 2026

DICAS (271)


O QUE ACHAM DE ALGUÉM TROMBANDO COMIGO, NUMA MANHÃ DE SEGUNDA, DENTRO DE UM SEBO?
O Sebo é o do Bau, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Rodrigues Alves, centro nervoso da cidade e onde seu proprietário, o Roberto - o filho do Bau - está fazendo uma promoção dessas de arrepiar o pelo dos abnegados por livros e discos. Tudo pela bagatela de R$ 2 reais a unidade. Não tem quem não resolva, hora ou outra, passar por lá e conferir se ainda encontra algo, pois a devassa foi grande, mas pelo que fiquei sabendo, com um acervo de caixas e caixas ali acumuladas, décadas a fio, muita coisa nem os proprietários sabiam de sua existência. Ou seja, a garimpagem está em pleno curso na cidade de Bauru, mais precisamente neste sacrosanto lugar.

E assim sendo, impossível também nas idas e vindas não encontrar com alguém sujando as mãos, vasculhando velhas estantes, tudo em busca de algo dentro do seu gosto e preferência. Eu, desde quando começou essa última liquidação - Roberto afirma não irá fechar o sebo, é só para acertar o estoque -, já estive por lá umas quatro vezes e sempre me surpreendo. Hoje, quem dou de cara é o jornalista João Pedro Feza, um que residiu em Bauru por um bom tempo, trabalhando em vários de nossos já não mais existentes órgãos de imprensa e depois quando as portas se fecharam, foi em buscar de ar fresco lá pelas bandas de SAntos, onde reside há poucos metros dos botecos na beirada da Vila Belmiro, onde recolhe histórias e estórias para nos encher de inveja. Nada como viver num cais de um porto, ainda mais o de Santos, onde a história de estivadores briguentos, algo narrado tempos atrás por Plínio MArcos, no encantou. Feza dá prosseguimento ao inesgotável tema.

Vez ou outra o danado aporta por aqui, para algum trabalho dentro de sua área. Ontem circulou num dos pouquíssimas e raros eventos ainda promovidos pelo saudoso e hoje fechado Museu Ferroviário Regional de Bauru - MFRB - uma vergonha nenhum dos três bauruenses estar aberto. Hoje, como quer não quer nada, aportou lá pelas bandas do Bau e na virada de uma encruzilhada - lá dentro tem várias -, damos de cara e assim, iniciamos uma conversação para lá de boa. Nas estantes sempre algo de bom. Ele se agarra num velho LP do Roberto Carlos, desses de início de carreira e o livro cucaracha do Henfil, tudo pelo inimaginável preço de R$ 2 reais cada. Proseamos até lhe informar que, infelizmente, meu alvará estava vencido e teria que retornar ao meu bunker caseiro.

O que ve ser uma delícia mesmo é poder desfrutar de mais um tempinho, ouvindo suas histórias de beirada de porto, botequins com cheiro de sardinha, algo que, com certeza, ele deve ter acumulado ao longo dos últimos tempos. Feza é destes poucos que, por essas plagas, a gente pode denominar de jornalista de verdade. Eu, vez ou outra me intitulo como jornalista, mas não chego nem perto de alguns, cujo ofício realmente esteve no cerne de suas vidas. Eu brinco com a coisa, gente como Feza leva a sério. Tomara fique mais uns dias por aqui e possamos prosear mais um bocadinho, ele me contando as últimas do Neymar e eu, lhe atualizando sobre as últimas da thurma de Birigui que se apossou de Bauru e nem colocando a vassoura atrás da porta, não arreda mais o pé daqui. Enfim, eu e ele saímos com algumas preciosidades literárias e musicais do Bau e confesso, nenhum de nós gastou mais de R$ 20 pratas. Vale ou não a pena aparecer por lá? Só pelos reencontros já valeria e depois da garimpagem, sempre preciosidades.

EXPOSIÇÃO SEDENTÁRIA DE DOUTRINAS ALHEIAS
Mário de Andrade batizou certa feita, referindo-se a um verdadeiro vício ocupacional o de se deixar levar e ficar praticando a teoria do auto-engano, ou seja, mesmo ciente de estar errado, o sujeito continua defendendo o modus operandi de quem é o mentor do que pensa. Ele já não pensa mais por ele mesmo, mas pela ideoa do mandatário do seu mundinho. Preferiu ficar ali, aceitando tudo, do que ter que enfrentar e desdizer de quem supostamente o protege ou o ampara e assim, virou um repetidor idolatrado de algo mentiroso. Passa isso adiante, como verdade fosse, briga por causa disso, mesmo sabendo que aquilo não corresponde com a verdade e que, o outro lado, talvez faça melhor o que o seu deixa de fazer. Mas aceitar isso é outra coisa, inaveitável dentro do padrão de ações onde está encralacrado. Como desdizer do seu mentor, mesmo mentiroso, o que lhe proporcionou uma boquinha, tudo para valorizar a verdade?

Pensei nisso tudo quando vi uma pessoa conhecida, ontem enaltecendo com loas de melhor homem do mundo, o governador Tarcisio de Freitas, após este ter ido visitar a cidade de Taquaritinga, após a tregédia do vendaval da última sexta. O governador foi lá, tiraram fotos juntos e ele passou, so por causa disso a ser a melhor pessoa do mundo. Nada havia ainda de concreto em auxílio ou ajuda, somente palavras, promessas. Do outro lado, vindo do Governo Federal uma ação concreta, porém para viabilizá-la a cidade precisaria publicar um decreto se apresentando em estado de calamidade pública. Para este, por se tratar de advsersário de onde está situado, a pessoa elogia quem ainda não fez e nada diz de quem já fez algo.

Este é só um exemplo do mundo onde estamos situados. Lembrei da teoria de Mario de Andrade, a da "exposição sedentária de doutrinas alheias" e concluo que, com essa observÂncia, vou tentando alinhar mentalmente que a relação mais íntima, traiçoeira e definidora de um ser humano é a que ele trava consigo mesmo. Enfim, como é possível para uma mesma pessoa enganar-se a si própria? Num belo livrinho, o economista Eduardo Gianetti, o "Auto-engano", ele destrinchaalgo disso: "como nos desincumbimos de proezas como crer no que não cremos, mentir pra nós mesmos e acreditar na mentira ou remar de costas rumo a um objetivo?".

Cada vez mais difícil aquele que está envolvido na mentira pensar na possibilidade de estar enganado, desdizendo do que fez até hoje, as crenças, valores e paixões que os governa. Penso vendo essa gente se pronunciar: existirá uma possibilidade de rever algo e avançar ou continuará a vida inteira dominado, inerte e sendo conduzido como manada, enganado e ludibriado, tudo em troca de meras migalhas? Poucos conseguem sair deste moto contínuo. Sinceramente, pelo que conheço dele, acho um tanto difícil o governador se sensibilizar e doar dinheiro a fundo perdido para reverter o momento de cidades como Taquaritinga, pois a extrema-dierita age exatamente ao contrário, ela subtrai e não acrescenta, já o proposto pelo Governo Federal é palpável, está exposto e só não aceita quem está absorto pelo outro lado da moeda. Este é só o começo de uma divagação que vai longe...

"É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE NÃO É BOM MEXER COM A MALUCA... ENTÃO NÃO ME CUTUCA...QUE EU NUNCA DEI VIDA MOLE PRA FILHA DA..."
Outro dia me perguntaram: "Você ouve ou já ouviu ANITTA?" Tive que confessar, gostava dela, de seu firme posicionamento da vida e político, mas musicalmente conhecia muito pouca coisa. Agora, dia 23 de julho ela lançou o álbum EQUILIBRIVUM II, continuidade da primeira parte, lançada em abril. Me convidam para ouvir e me enviam por e-mail o álbum - agora não existe quase mais disco físico, tudo no mundo virtual - e me foi dito: "Ouça do começo ao fim e me diga o que achou". Ouvi, ela influenciada nas raízes brasileiras, explorando gêneros como samba, forró e MPB com fortes referências à espiritualidade de matriz afro-brasileira, contando com participações especiais de grandes nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença e Mart'nália, tive que confessar: além de já ter gostado - e muito - de sua postura como artista, agora me vergo e confesso ter gostado também de sua música. Creio eu, demorei muito. Sim, continuarei gostando muito mais do que ouço desde sempre, essa maravilhosa MPB, mas sempre estarei aberto para novas possibilidades. Assim sendo, escolhi para aqui compartilhar a NÃO ME CUTUCA, onde Alceu Valença tem uma pequena participação. Só posso dizer para todos os que, como eu, estavam reticentes, para que capitulem e a ouçam. Seus vídeos são de um visual extremamente competentes. Assim, ouvindo ANITTA, começo a semana.
Eis Anitta e Alceu numa das canções do novo álbum: https://www.youtube.com/watch?v=PSB7uxRtpaU

sábado, 30 de maio de 2026

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (213)


ENQUANTO BOMBAS NÃO CAEM SOBRE NOSSAS CABEÇAS (01)

UM PERIGOSO TRIO SE REUNE NA PADARIA DA ESQUINA
Estamos todos correndo riscos, mesmo não sendo terroristas, nem fazendo parte de organizações criminosas, mas como tudo hoje está sob uma forte suspeita e quando acusações malevólavas acontecem, até quem não tem nada a ver com o riscado, pode ser considerado como tal e daí, dá-lhe bombas nos costados. Este encontro se deu dias antes do Brasil ser considerado como reduto de duas organizações criminosas, o PCC e CV. Fálavamos sobre isso lá na mesa do bar da esquina, cujo dono ainda não se deu conta do risco incorrido em permitir que três pessoas de reputação duvidosa ali confabulem.

Neste dia, eu, o mafuento HPA havia combinado de trocar figurinhas - não da Copa do Mundo, pois já passamos dessa fase -, as sobre como ainda tocar o que nos resta de tempo na vida, com o sempre agente cultural bauruense, Orlando Alves, um que revolucionou o trato com a coisa pública e o envolvimento do fazer dentro das hostes da Estação da NOB/Museu Ferroviário. Matamos saudade e estávamos numa prosopopéia de dar gosto, quando chega sem anunciar - creio deve ter um chip nosso e consegue localizar onde ocorre a barafunda - um dos nossos melhores e mais versáteis jornalistas, Aurélio Alonso, que até bem pouco tempo estava nas hostes do ainda sobrevivente no mercado editorial bauruense, o Jornal da Cidade.

O rumo da conversa foi completamente alterado. Os radares norte-americanos ficaram com suas antenas todas direcionadas para a padaria, que passou a gravitar como sinalização mais que vermelha, quase candente. Aurélio é ourinhense e atuou em Santa Cruz do Rio Pardo por muito tempo, mais precisamente no semanal Jornal Debate, do falecido e saudoso Sergio Fleury. Quanta lembrança e dentre elas, o fato de todo arquivo do jornal ainda permanecer por lá, sem estar devidamente digitalizado. Quantas boas matérias foram ali relembradas e gravitaram durante a prosa.

Duas outras pessoas gravitaram na conversa. O ator globa le cinematográfico nascido em Santa Cruz, Umberto Magnani, inveterado boêmio e cujo irmão é desembargador, porém nunca possuiu nem sombra da popularidade deste, que dá nome hoje ao teatro da cidade. Quando todas as portas de bares se fechavam, ele e Aurélio se reuniam, só para continuar proseando e bebericando umas, nas mesas dos cabarés da cidade e só arredavam pé, quando os raios solares começavam a incomodar. Se os radares norte-americanos captaram tudo o que foi ali confabulado, creio, a padaria e o cemitério onde está Umberto correm sérios riscos. Depois, quem foi muito lembrada foi a irmã do Sergião Fleury, a Neusa Fleury Moraes, que foi professora, escritora, colaboradora de jornais regionais e uma figura de grande destaque na cena cultural. Ela ocupou o cargo de secretária de Cultura por três gestões em Ourinhos e também passou por Santa Cruz do Rio Pardo. Além de sua atuação como gestora — sendo uma das idealizadoras do tradicional Festival de Música de Ourinhos, hoje definhando. Orlando lembra de a ter indicado para ser a manager da Cultura em Bauru, mas Gazzetta, o então prefeito, não conseguiu levar adiante, o que alavancaria, com toda certeza o setor na cidade.

Escarafunchamos isso e muito mais, com riqueza de detalhes, que até o dono da padaria sentou na mesa ao lado para assuntar do que se tratava as altercações em nossa mesa. Por sorte, não passaram de pequenos solavancos, nada assemelhado ao anunciado para os próximos capítulos, quando estaremos sendo mais vigiados pelos norte-americanos. Tivemos que nos despedir, pois alguém, mais precisamente este que vos escreve, estava com seu álvara mais que vencido. Ficamos de continuar a conversação, porém, diante das normas regras de encontros fortuítos, podendo o local ser premeditamente bombardeado, creio que o dono da padaria, estará restringindo que sentemos em uma de suas mesas. Enquanto não sofremos nenhum tipo de molestação, ali estivemos. Daqui por diante, sabe-se quando isso poderá novamente ocorrer.

ENQUANTO BOMBAS NÃO CAEM SOBRE NOSSAS CABEÇAS (02)

CONVERSAÇÕES COLOCANDO EM PERIGO E RONDANDO O PEQUENO'S BAR
No último domingo ainda todos estávamos mais do que tranquilos e sem os radades norte-americanos nos nossos calcanhares. Eu estive marcando presença lá pelos lados do Pequeno's Bar, reduto conversativo e em alguns momentos atuando como bar, no meio da feira dominical, rua Gustavo Maciel e como combinado, uma prosopopéia sobre restauro de vagões ferroviários. Marquei com o Luiz Carlos, mais conhecido como Luizão Marceneiro, entendido do assunto, morador da vila Dutra, reduto de ferroviários de todas as espécies. Quando chego ele já me esperava e junto de outro ferroviário - nunca diga ex-ferroviário, pois eles abominam isso e se dizem, uma vez ferroviário, sempre ferroviário -, o conhecido Jesus Adriano, procér do lugar onde moram, a vila Dutra.

Conversar a gente o faz sempre, mas agora, diante de assuntos delicados, como algo não mais usual em Bauru, que desde muito tempo deixou de restaurar a imensidão de itens férreos abandonados cidade afora, esse assunto passou a ter uma conotação um tanto terrorista. O perigo ainda não nos rondava, pois o Brasil ainda não havia sido incluído na lista de ser mantenedor de grupos bandoleiros de alta periculosidade. Taxaram assim o PCC e o CV, mas se esqueceram de outros, como a Faria Lima e os milicianos bancados pelo bolsonarismo. Foi uma conversa, ainda sem drones nos sobrevoando e bisbilhotando o assunto sendo discutido. Aproveitamos o domingo, molhamos muito bem as palavras e até cheguei a petiscar um franguinho assado pela dona do estabelecimento.

Mas como, tudo agora é suspeito e deve passar pelo crivo dos olhos tecnológicos dos norte-americanos, sei lá como faremos para continuar o que deixamos para ser discutido em outras contendas. Luizão foi quem esteve à frente com sua equipe, da maioria dos restauros feitos em vagões e locomotivas na cidade. Os três lá no Poupatempo é obra dele e de sua equipe, todos muito subversivos, pois tiraram o trio de ser devastado pela ferrugem e os recuperaram. O danado fez tanto que hoje volta a ser sondado para recuperar outros. Ele sabe como fazer, domina a técnica e antes, com sua oficina lá dentro das Oficinas da NOB, hoje na vila Dutra, está apto a devolver à circulação muito do que se vê apodrecendo nos trilhos bauruenses.

Quer ato mais subversivo que este, o de querer devolver para utilização o que já está em estado lastimável. Jesus é outro inquieto cidadão, sempre atuante e se postando à frente de questionamentos estapafúrdios desta cidade. O Pequeno's Bar abriga um pá de gente com essa e outras características, escondendo-se atrás de uma banca de bananas e de frondosa árvore, onde disponibilizamos cadeiras, ali produzindo uma conversação mais do que perigosa, diria mesmo, inquietante para os acomodados destas plagas. Será que o que ali acontece nas manhãs dominicais não poderia estar sendo sondado como um perigo e daí, o bar e seus frequentadores, correndo riscos, tudo causado pela boçalidade bolsonarista a nos enfiar neste imbróglio, onde os perseguidos deveriam ser eles e não o país.

Voltaremos amanhã ao Pequeno's, mas com o devido cuidado, estaremos mais atentos, pois como sabemos, norte-americanos não sabem identificar lá muito bem o que venha a ser terrorista, subversivo ou mesmo traficante, bandido e mocinho. Misturam tudo e agem só em benefício próprio, daí, estamos todos com as barbas de molho. A gente só quer que o Luizão volte a restaurar seus vagões, sem ser importunado pelos piratas lá dos EUA, mas imaginamos eles não estarem entendendo nada do Brasil querer voltar a construir ferrovias, ainda mais com a ajuda da China. Corremos todos muitos riscos.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

DICAS (269)


INSTIGADO PELOS AMIGOS, PEGUEI O TREM DA VALE, VITÓRIA-ES ATÉ AIMORÉS-MG
Amigos são maravilhosos, sempre cheios de ideias. Quando disse a eles estaria em Vitória-ES, dois destes me instigaram a pegar um ônibus até Belo Horizonte e de lá, pegasse um dos únicos trens de passageiros rodando nos trilhos brasileiros, o bancado pela Vale do Rio Doce, saindo de BH, parando em 27 estações, dia inteiro sobre trilhos, findando o percurso na capital capixaba. São eles, o Orlando Alves e Aurélio Fernandes Alonso. Teve mais um, que não me lembro agora. Enfim, me martelando a ideia.

Não deu certo de vir por BH, mas hoje, quarta, 6/5, Ana Bia Andrade com o dia todo encralacrado lá nos afazeres profissionais na UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, escapo da possibilidade de passar o dia na praia e venho rever das maravilhas de passar o dia entre trilhos. O trem sai 7h e 6h45, os portões se fecham na estação de Pedro Nolasco. Sai do hotel sem café da manhã e logo me aboleto no trem. Meu destino é curto, cinco estações à frente, Aimorés, a cidade onde está encravado o Instituto Terra, do Sebastião Salgado. Chego lá as 10h30 e 16h30 volto, chegando 20h30 em Vitória. Muita expecativa e só por sentir esse balancinho do trens nas juntas já estou todo remexido, por dentro e por fora.

Queria ver o mesmo ocorrendo em Bauru com a composição férrea da Maria Fumaça nos trilhos bauruenses, através do projeto Ferrovia para Todos, mas como tivemos administrações inoperantes no comando da Prefeitura Municipal e hoje, uma fundamentalista e fascista, necas de trem. Nem o Museu Ferroviário está aberto, uma vergonha institucional. Abriu as portas excepcionalmente, fingindo estar ativo, no Dia do Ferroviário, mas já voltou para sua rotina adormecida em berço esplêndido. Enquanto isso, o trem de passageiros da Vale demonstra tudo ser possível, bastando querer e ir atrás. Quando não se quer, melhor recolher e guardar peças da locomotiva, para que não a depenem por completo. Um dia será dado nome a todos esses bois. Este dia chegará, tomara em breve.

Sigo com o trem capixaba/mineiro e sonhando com o turístico bauruense e a reativação do modal férreo de passageiros no país, algo já proposto e sendo reativado por Lula, com apoio e retaguarda chinês. Quero ainda estar bem vivo pra ver expostos em praça pública os que causaram a derrocada da ferrovia no país, um deles ainda ovacionado em Bauru como prócer de progresso, Alcides Franciscato. Chego em Aimorés-MG logo mais e depois, noutro texto conto mais da saga vivenciada neste inesquecível dia.

CRÔNICAS CAPIXABAS (03)
A CONVERSA PROPICIADA APÓS LEITURA DE PLACA NA PORTA DE UM SUPERMERCADO CAPIXABA
No domingo passado quando ameacei ir ao mercado, a recepcionista do hotel me alertou: "Vai nada. Somos o primeiro estado do Brasil a aderir, ou a voltar a barrar o trabalho nos supermercados aos domingos. Nenhum aqui mais abre neste dia".

Hoje, voltando de Aimorés, na rodoviária de João Neiva, ao lado um supermercado e o cartaz colado na entrada, bem aos olhos de todos: "Por determinação do sindicato não funcionaremos mais aos domingos". Sim, pode ser motivado pela luta sindical, mas pela forma como está posto, até parece terem encontrado um culpado, quando na verdade foi uma conquista, um avanço na luta pela consideração aos direitos trabalhistas.

Sentado ao meu lado no ônibus, um senhor de 75 anos, motorista aposentado de ônibus e falamos sobre o assunto. O instigo a emitir sua opiniäo e ele diz: "Eu não sou contra. Tá uma dureza pra patrão hoje respeitar direito do trabalhador. Se deixarem por eles, não dão nem mais folga nenhuma. A escala deles já é trabalhar seis dias e só folgar um. Se o Governo não impuser o cumprimento da lei desta forma, hoje o patrão não respeita. Tem seis dias para fazer compras. É só se adequar".

Falamos de tudo um pouco. Por coincidência, estivemos no mesmo trem pela manhä e voltamos no mesmo ônibus pra Vitória-ES. Deu pra conversar muito. Destaco só este tema, mas rimos muito. Um senhor que trabalhou a vida inteira de carteira assinada e hoje quando observa o que querem fazer com aquilo, conquistado a duras penas no seu tempo e hoje vai se perdendo, impossível se manter indiferente. "Não tem jeito. Eu voto só em quem quer manter nossos direitos. O trabalhador não pode se deixar enganar", diz. Daí vira pra mim, com aquela sapiência conquistada depois de décadas de muita labuta e conclui: "Não preciso nem te dizer em quem temos que votar, né!".

quarta-feira, 4 de março de 2026

RETRATOS DE BAURU (313)


DOIS VEREADORES DE BAURU: EU ASSISTI A ENTREVISTA DOS DOIS E FOI COMO TOMAR UM SOCO NA CARA
Tem me aparecido muito por aqui pelas andanças no meu Facebook, duas entrevistas realizadas no site Além dos Outdoors - que, por coincidência, já fui entrevistado e, confesso, gostei muito. O cara, meu broder, é de Mineiros do Tietê e se deu bem nesse negócio de conseguir patrocínio para dar continuidade nisso que, conquistou e deu certo, ir entrevistando pessoas.

Nessas duas últimas, dois vereasdores da situação, ou seja, do time que vota cegamente com a alcaide, a dita por mim como IncomPrefeita Suéllen Rosin. Não quero declinar o nome dos entrevistados, pois é besteira fazê-lo, afinal, dos 21 vereadores atuais, entre 17 e 18 estão afinadíssimos com a alcaide e votam tudo o que lhes é impingindo. E se estes são todos iguais, tanto faz declinar o nome, pois na linha de ação e pensamento destes, só existe o tal do votar seguindo o que foi imposto, nada mais.

E o bonito das entrevistas foi ficar perdendo meu tempo em observar como ambos tentavam se dizer diferentes, que votavam as proposituras, não por interesse da alcaide, mas por não sei lá o que. Independentes não o são, são é cabresto puro, retinto, fiéis até a medula ao algo que ainda não entendemos bem o que venha a ser. As desculpas que dão para agirem como agem são as mais esfarradas possíveis. Tecem loas na pífia argumentação, dando voltas, devaneios dos que pensam estar a engambelar os do lado de cá. E por fim, declinam sobre usas histórias, todas doídas, de quem sairam lá de baixo, souberam construir algo sólido e agem pelo bem de Bauru.

Tocante. São entrevistas para serem guardadas, pois são históricas e muito bem representativas do momento atual vivido, não só pela edilidade bauruense, como a imensa maioria da classe política advinda do esgoto bolsonarista. A linha de pensamento de ambos é a mesma. Sem tirar nem por. Assisti atentamente, inclusive prestando muito a atenção nas caras e bocas, ainda mais quando ressaltavam na importância que dão, para demonstrar para seus eleitorados, do grau de independência que possuem. É de cair o queixo. Saúdo meu colega entrevistador, pois os pegou num momento crucial, revelador e auspicioso, quando Bauru está entregue as traças, sendo devorada pela boçalidade e os nela inseridos, se achando os revolucionários a transformar essa cidade. Não consigo entender como tem gente que, após ouvir e ver o que vi, ainda consegue votar em políticos dessa natureza.

Para mim, o Brasil passou - e ainda passa - por uma lavagem cerebral sem precedentes e tudo está de pernas para o ar. É demais da conta presenciar o discursinho "cerca lourenço" produzido por estes e achar que tudo está normal. Evidentemente, estamos caminhando a passos largos para um caminho sem volta, onde Bauru será levada para o fundo do poço - se é que já não está -, caminho de dificílima volta. A desfaçatez está impregnada no discurso da maioria dos nossos representantes e ainda querem alçar vôos mais altos, se elegerem a outros mandatos. Ou seja, Bauru está num mato e sem cachorro.

APOSENTADORIA DE JESUS E O TRISTE FIM DO PROJETO "FERROVIA PARA TODOS", ABANDONADO PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
Foto de evento na SMC - Secretaria Municipal Cultura
Quem não tem saudade da Maria Fumaça circulando pela linha férrea de Bauru que alevante a mão? Isso, infelizmente, faz parte do passado, pois há mais de dez anos ela não mais circula pela malha férrea de Bauru. Antes, capitaneada pelo brilhante projeto idealizado na administração Nilson Costa, sob as hostes de Sérgio Losnak & Cia, foi colocado nos trilhos a composição da Maria Fumaça. Dela, muita saudade. Hoje tudo está esquecido e juntando teia de aranha dentro das instalações - nada seguras - do Museu Ferroviário Regional de Bauru - MFRB.

Além de toda tristeza contida nessa triste realidade, nessa semana se deu a aposentadoria de um dos últimos servidores atuante do antigo projeto, o José Jesus Dias, ou simplesmente JESUS, que com mais de 30 anos de lida, com seus desligamento, todos muito alegres pela sua conquista pessoal e muito tristes - como ele deve estar -, vendo que aquilo tudo onde esteve envolvido uma vida inteira hoje adormece esquecida e desvalorizada pela atual e últimas administrações municipais. Jesus fez parte de um timaço de gente que botou a Maria Fumaça pra rodar na cidade, gente como os aqui já citados e Orlando Alves, Geraldo Pires - eterno maquinista -, Alex SAnchez e os dois inesquecíveis marceneiros, o Luiz - já aposentado - e Jesus. Tivemos outros abnegados colaboradores, todos valorosos enquanto tudo perdurou. Hoje, a triste notícia é a de que, peças da Maria Fumaça foram retiradas e guardadas, para não serem roubadas. Nenhum movimento dessa administração para tentar devolver o funcionamento do projeto e da circulação dessa composição. Preferiram virar as costas e com a despedida de Jesus, da velha guarda, agora só resta Alex Sanchez por lá.

Este assunto sempre gerou muita emoção no querido Jesus. Ele nunca se conformou com o fim do Ferrovia pra Todos e da circulação da Maria Fumaça. MAis triste ainda ficou com o fim dado pelo Museu ferroviário à sua oficina de Marcenaria, que muitos serviços prestou para a SMC - Secretaria Municipal de Cultura. Hoje, cabe a gente de fora da Cultura Municipal instigar, cobrar e denunciar o abandono e cobrar posicionamentos, pois quem está por lá, ou está conivente com o fim ou estão impedidos de se pronunciarem. Ou seja, descalabro total e absoluto. Jesus empreendeu enquanto lá este a boa luta, um exemplar servidor, sempre pronto para contribuir e dar o melhor de si, mas quando a vontade não ocorre advinda de seus superiores, foi obrigado a ficar de mãos atadas. Com Jesus se vai mais um sonho, uma esperança de manutenção de um equipe técina, preparada para tocar um projeto que, enquanto esteve funcionamento, foi uma espécie de "Jóia da SMC". 

Este texto é uma ODE para Jesus e tudo o que representou, dentro de sua simplicidade e honestidade profisiional, também um toque, mais do que necessário, para ver se quem ainda pode fazer algo, crie vergonha na cara e faça antes que tudo se perca definitivamente.
Luiz (aposentado), Jesus (aposentado), Alex (último nos moicanos) e Geraldão (falecido) e o fim do FERROVIA PARA TODOS.

HOMENAGEM: QUEM NÃO GOSTA?
"Esse cara é assim:doidinho, ingênuo, atrapalhado, coração de menino! HPA nós amamos vc!", ROSE MARIA BARRENHA

sábado, 27 de dezembro de 2025

CENA BAURUENSE (273)

DUAS MULHERES ASSASSINADAS EM BAURU E MAIS CENAS DESTA INSÓLITA CIDADE

FEMINICÍDIO BAURUENSE
Foi nessa esquina, Maria C. de Arantes com São Gonçalo, bem do lado dos muros do Tiro de Guerra, que aconteceu hoje o mais recente feminicídio na cidade de Bauru. Uma moça residia numa kitinete com sua criança, tendo medida protetiva contra o ex-marido. Agredida constantemente, se recuperava da última, mudando constantemente sua residência, porém foi por este descoberta. Tiveram na esquina uma discussão, ouvida pelos vizinhos e foi ali executada, com um tiro certeiro. Ele, na sequência, foge com a criança. Eu, mana Helena e o filho Henrique, passávamos pela região, quando nos deparamos com a cena momentos após o ocorrido. O corpo estava no chão, a polícia ainda não havia chegado. Vizinhos estavam consternados, câmaras registraram a fuga e presenciamos a chegada dos primeiros policiais. Daí, em momentos uma grande caçada pela região, até com uso do helicóptero da corporação. Tudo muito rápido, girando com muita adrenalina em nossas cabeças e na de todos os presentes. O fato é que, nessa pacata esquina, ocorre mais um brutal ato de feminicídeo neste país. Todos brutais, banais e insanos, representando bem como somos no geral, um povo já somatizando essas barbaridades e atrocidades, como atos corriqueiros. O cara perseguia sua vítima, ela tinha a medida protetiva a seu favor, mas isso é pouco diante da mente desvirtuada, doente e criminosa de muitos homens, passando por cima de tudo para fazer vingar seu bestial instinto. A chuva do final do dia lavou todos os resquícios do local, mas não apagará da mente de quem presenciou a cena, o horror que precisamos encarar e reverter a todo custo. Mulheres não podem continuar sendo eliminadas desta vil forma. Barbaridades que nos mancham a todos e só se reveterá com uma ampla ação coletiva contrária e também elucidativa, denunciando e não deixando passar, não tratando como normais atos tão indignos da ação humana.

O JC ASSIM NOTICIOU O FATO: https://sampi.net.br/.../mesmo-sob-medida-protetiva...

PEQUENA AGRICULTORA, DONA DAGMAR FOI ASSASSINADA E ROUBADA EM BAURU
https://sampi.net.br/.../idosa-desaparece-em-bauru...
No meio da tarde desta sexta, 26/12, recebo um pedido de dileta amiga: "Por favor, se puder compartilhar com teus contatos, ficarei agradecida". Era algo sobre o desaparecimento de Dona Dagmar. Vinha desta forma: "Por favor ajudem a divulgar, Dagmar era moradora do bairro Rio Verde, próximo ao aeroporto Bauru-Arealva. Vendia ovos orgânicos na feira da pracinha na frente da Assenag". Preocupava todos seus conhecidos, pois morava só no sítio e há alguns dias estava sem dar notícia. Por fim, elas vieram e da pior foma possível.

A citada amiga, ainda no meio da tarde me envia emovionado recado, antes de minha publicação: "Não divulga não, acabaram de achar o corpo de minha amiga. Não precisa mais, obrigada, viu!". Pergunto sobre o que houve, ela me conta: "Eu ainda não sei como ela foi morta, mas ela foi achada na propriedade mesmo. Não tenho informações e nem tenho informações de quem possa ter os telefones de ninguém da família dela. São todos de Santa Catarina, ela ficou viúva ano passado, morava sózinha, mas tinha o casal de caseiros. Era uma pessoa que viveu para o trabalho. Eu a conheci no curso de Turismo Rural, fizemos juntas. Tinha uma granja de ovos e leite orgânicos. Muita gente conhece a Dagmar da feira ali na Fuas de Matos Sabino".

Pela notícia apurada pelo JC, ela foi assassinada pelos casal de caseiros, numa ação envolvendo até com a venda de seu veículo. Ou seja, no mundo atual, morar só num sítio, isolado no mato se torna algo perigoso. Até na busca de caseiros, isso se torna algo preocupante. E assim se foi dona Dagmar, a catarinense Dagmar Grimm Streger, idosa de 76 anos, viúva, que gostava de produzir algo orgânico, tocar a vida de forma simples, ter um pedaço de terra pra chamar de seu e teve a vida interrompida bruscamente. Trata-se da segunda mulher assassinada brutalmente na semana.

E A CONTINUAÇÃO DAS CENAS MOVENDO ESTE HPA EM BAURU
01. Publicado em 01/11/2025: Sabe aqueles dias em que você sai para almoçar com amigos, escolhe uma padaria com comida pra servir, lá nas beiradas do Camélias e numa das mesas, um vozerião se alevanta, tomando conta de todo o lugar. Quando pensava em reclamar para a gerência - brincadeirinha, adoro barulho de outras mesas -, eis que o vozeirão se torna conhecido, daí o congraçamento de muitas mesas ao redor e tudo vira um festim daqueles, onde a prosa é mais importante do que o que ali nos trouxe, a comida. Na mesa dos falantes, tudo capitaneado pela comunicadora Tania Guerra e a cantante Martynha Ferraz, fazendo e promovendo a alegria para quem se predispôs a sair pra almoçar fora no sábado e escolheu a tal da padaria como seu reduto. Melhor impossível, ou seja, em Bauru, querendo a gente encontra, garimpando e vasculhando vielas, ruas e adjacências, lugares de inolvidável valor. Eis um deste. Virei freguês de carteirinha.

02. Publicado em 05/11/2025: Na reforma da residência na Otávio Pinheiro Brisolla, a preocupação do morador quando da retirada de árvores. Ah, se todos agissem assim, mas se nem mesmo a Prefeitura respeita regras básicas para o corte, imagina os moradores. O exemplo deveria vir de quem aplica a lei.

03. Publicado em 06/11/2025: Impossível - pelo menos para mim - passar indiferente diante do prédio abrigando o Bradesco, ali na Ezequiel Ramos com Agenor Meira, local onde trabalhei por algumas décadas. Quando olho para aquele segundo andar, antes local de sua Diretoria Regional, sei que hoje está quase deserto e é o mesmo sentimento de quando aporto em Bariri, ali na praça o mesmo banco, quarenta anos atrás com 40 funcionários na agência e hoje, se tiver, cinco no máximo. Sim, os tempos são outros, muitos dos empregos de antanho se evaporaram, não num piscar de olhos, mas não mais existem. Substituído pelo que mesmo? O que foi ser bancário décadas atrás e o que é ser hoje, até no pandemônio delicioso que via o Sindicato dos Bancários, tempo dos Lagos, promover nas esquinas do centro, até lacrando portas com cadeados - inclusive no Bradescão, tão reticente e duro com a luta dos trabalhadores -, enfim, passo diante do prédio e sei ter participado de uma época que não volta mais.

04. Publicado em 08/11/2025: Hoje na rua Alberto Segalla, ali defronte o Bauru Shopping, algo cada vez mais difícil de encontrar nas ruas brasileiras. Quando todos os veículos estão mais ou menos padronizados, tornando as nossas ruas com pouca cor, se deparar com um fora do padrão, numa cor destoando de todas as demais é algo pra se comemorar, soltar rojão e querer conhecer seu proprietário. Enfim, ter um carro com uma cor diferente deste besta padrão de branco e cinza é como você se deparar com um Garrincha no meio deste mundo de pernas de pau.

05. Publicado em 10/11/2025: Na quadra da rua São Gonçalo, aquela bem detrás do Confiança Nações, ao lado da igreja Santa Rita e pertinho da Avenida Duque de Caxias, tinha até bem pouco tempo um bar, daqueles bem simples, mas delicioso para se sentar no final da tarde, numa mesa sob a sombra da calçada e ali desfrutar de uma cervejinha gelada. Ou mesmo, para aqueles que não gostam muito de fazer compras, tomar uma enquanto a cara metade percorre os corredores do mercado. Isso não será mais possível, pois o imóvel onde se encontrava está já em plena demolição, sendo que quem passar por lá amanhã, talvez não encontre mais nenhum resquício daquele aprazível lugar.

06. Publicado em 11/11/2025: "Com a onda de adesivos "Leia a Bíblia" fixados na parte traseira de carros deflagrada por neopentecostais em Bauru, apareceu um veículo com adesivo diferenciado", com essa legenda o jornalista Aurélio Fernandes Alonso divulga a boa nova que viu circulando pelas ruas de Bauru no necessário contraponto que se fazia até então.

07. Publicado em 12/11/2025: O primeiro destes núcleos habitacionais foi o Redentor, nos anos 70. Estava nas rebarbas da cidade, muito afastado do centro nevrálgico bauruense. Depois vieram o Mary Dota e por fim, dois considerados pontas de vila, o Rasi e o Gasparini e até a vila São Paulo. Neste momento desponta o Loteamento Bauru Azevedo, com essas fotos de sua principal avenida, a Washington Vianna, já bem perto das imediações do aeroporto Moussa Tobias. Ressalto, reafirmo e deixo registrado, essa grandiosidade de expansão territorial só é possivel graças a ação direta do Governo Federal.

08. Publicado em 16/11/2025: Na noite do último sábado, 15/11, no palco do Teatro Municipal de Bauru, todos os homenageados pela anual premiação do Luiza Mahin, evento maior do mais ativo conselho municipal de Bauru, o da Comunidade Negra, agora capitaneado pela jornalista Camila Fernandes. A cada ano, em evidência, muitos dos que estiveram na lida e luta em prol da decência humana por estas plagas.

09. Publicado em 17/11/2025: O recado do Neto pra Isa, na parede da rua Joaquim da Silva Martha, quadra junto do supermercado Pão de Açucar está em inglês e traduzido é "tantos lugares para você ir e você insiste em continuar na minha mente". Só depois fui entender tratar-se de frase de uma canção do Alok, que não conheço quase nada, mas curti, pois isso de explicitar amor é sempre uma delícia.

10. Publicado em 19/11/2025: Essas são as duas portas fechadas que mais envergonham essa cidade. São as do Museu Ferroviário, lacrada desde que, Suéllen Rosin assumiu a Prefeitura de Bauru. Antes orgulho desta cidade, cujo progresso se deve à ferrovia e ferroviários, hoje mantém quadro funcionários atuando internamente, sem mover os devidos esforços para ver os museus abertos ao público. Assim como alcaide foi responsabilizada pelas obras nunca concluídas do estádio Olímpico Milagrão, precisa o ser por manter dois museus fechados, numa vergonha sem nenhum precedente na história bauruense.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (191)


DA AÇÃO POLÍTICA ATUAL DESCONECTADA DAS NECESSIDADES – CABO HELINHO LOUVANDO SEU PARTIDO, O PIOR E MAIS CONSERVADOR NO MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO
Antes de mais nada, se faz necessário lembrar algo sobre o que representa hoje o Partido Liberal (PL), consolidando-se com suas ações como o maior partido de direita, conservadora e pró-evangélica neopentecostal do Brasil. Desde 2021, com a filiação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a legenda passou por uma mudança radical em sua orientação ideológica, antes mais ligada ao Centrão e a alianças pragmáticas. A atuação do PL se manifesta em pautas conservadoras e na busca por uma maior influência política no Congresso Nacional e também por atuar única e exclusivamente para dizer “amém” para tudo o que Jair Bolsonaro impõe. Um dos filhos do ex-presidente declara dias atrás, que o PL deve atuar exatamente assim e quem estiver incomodado que saia. Ou seja, não produz nada para o país e sua função, única e exclusivamente é seguir cegamente o quase detento.

Dito isso, aqui em Bauru, com a cidade tendo que resolver vários problemas ao mesmo tempo, como essa esdrúxula taxa do lixo e privatização da coleta, além dos vários empréstimos, seguidos e sem ação condizente, em proposituras da incomPrefeita Suéllen Rosin, um novato vereador, conhecido por seguir cegamente Jair Bolsonaro, tem a pachorra de propor algo totalmente sem sentido: “Uma Moção de Aplauso incomum, direcionada aos candidatos do Partido Liberal (PL) de Bauru em 2024, na pessoa de seu presidente, Airton Iósimo Martinez, foi a polêmica do dia na sessão de ontem da Câmara de Bauru. O propositor, vereador Cabo Helinho (PL), justificou a Moção “pelo comprometimento com a democracia e dedicação ao serviço público na eleição de 2024”. A propositura acabou se transformando em um debate político”, Entrelinhas, do Jornal da Cidade.

A moção é não só inconsistente, como totalmente sem sentido. O vetusto vereador, parece nem um pouco preocupado com as importantes decisões que, os vereadores bauruense terão pela frente e sua preocupação é enxugar gelo, passar o pano para os do seu time. Pior que tudo, como bolsonarista raiz, cego até a medula, não enxerga nada de errado nas ações golpistas de seu mentor e quer empurrar goela abaixo uma explícita bajulação para um condenado, alguém que encaminhava o país para uma ditadura e político sem noção de como comandar uma nação. O PL, cabo Helinho e todos nesta sigla são plenamente dispensáveis no mundo político, pois só atuam pelo retrocesso. Essa Moção é a absoluta demonstração da FALTA DO QUE FAZER. E quando faz, só iniquidades. Antigamente, existia no país uma DIREITA, com algum diálogo e também defesa dos interesses do país, hoje com a ultra-direita fascista, isso se tornou impossível. Jogam descaradamente contra os interesses do país. Tudo por Bolsonaro.

PORTAS ETERNAMENTE FECHADAS, LACRADAS E OBSTRUÍDAS
Essas são as duas portas fechadas que mais envergonham essa cidade. São as do Museu Ferroviário, lacrada desde que, Suéllen Rosin assumiu a Prefeitura de Bauru. 

Antes orgulho desta cidade, cujo progresso se deve à ferrovia e ferroviários, hoje mantém quadro funcionários atuando internamente, sem mover os devidos esforços para ver os museus abertos ao público. 

Assim como alcaide foi responsabilizada pelas obras nunca concluídas do estádio Olímpico Milagrão, precisa o ser por manter dois museus fechados, numa vergonha sem nenhum precedente na história bauruense.

VÁ VER O QUANTO ANTES LÁ NA GALERIA ANGELINA MESSEMBERG, POIS TUDO NESTE MUNDO SUELLISTA É FINITO - E ESSES QUADROS DO FINO SÃO O FINO..
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ENTRELAÇADOS

domingo, 19 de outubro de 2025

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (210)


EXCLUSIVO E QUASE INÉDITO
A CIDADE EXCOMUNGADA E OS SETE PECADOS CAPITAIS, VERSÃO BAURUENSE, NA VISÃO PECULIAR DE DOIS ARTISTAS – ALGO DA HISTÓRIA BAURUENSE REVISITADA DE FORMA BRILHANTE
O texto de hoje é longo, porém, vale a pena. Trata-se de algo histórico. Ontem, sábado, 18/10, tive a oportunidade de assistir este casal em ação, Cátia Machado e Nel Marques no Festival Viva la Vida, da Casa de Frida. Já ouvi muitas canções tendo como pano de fundo Bauru. Muita coisa esparsa, porém, o que ouvi agora é mais do que grandioso. Um projeto com começo, meio e fim, com uma certeira denominação e depois, seu desdobramento envolvendo os Sete Pecados Capitais, cada qual relacionado com fatos históricos vivenciados em Bauru. Isso tudo, pode parecer longo, porém como se trata de um projeto musical, precisava ser bem fundamentado e assim foi feito. Abaixo o texto deles, com as letras das canções:

“No início do século passado a cidade de Bauru teve registrado em sua história um acontecimento relevante. O projeto “A Cidade Excomungada e os Sete Pecados Capitais” tem por objetivo contar aos bauruenses um pouco da história da cidade, através de canções inéditas que relatam estes fatos de forma original, divertida, sem deixar de lado o viés histórico dos episódios selecionados para o seu repertório.

Bauru é um polo regional localizado no centro do Estado de São Paulo. Curiosamente, de tempos em tempos, encontra repercussão nacional através de notícias e peculiaridades que, muitas vezes, não são conhecidas por seus próprios cidadãos. Assim, mais do que fortalecer o protagonismo local, este projeto traz conteúdo que reforça o vínculo entre seus habitantes e a terra onde vivem. Além disso, foi na literatura disponível que os artistas buscaram sua fonte principal de pesquisa para criação todas as canções que serão apresentadas no show. Serão explorados desde fatos históricos da cidade quanto personalidades que se destacaram nacional e até internacionalmente, levando o nome de Bauru para fora dos limites de seu munícipio, fazendo jus à sua alcunha de “Cidade sem limites”. Com sete canções autorais de compositores que escolheram Bauru como a cidade para fincar raízes e dar seus primeiros passos em suas caminhadas artísticas, ficam os frutos e o legado de um projeto único e grandioso, para permanecer no tempo e na memória dos cidadãos. Os temas de referência para a criação das canções são baseados nos sete pecados capitais, fundamentado na relação cultural e religiosa da maioria de seus habitantes, bem como nos desdobramentos que estes causos apresentaram, tornando ainda mais rico e original o produto final desta obra. São elas:

Introdução – Música: Cidade Excomungada
1) Luxúria – Música: Prazer, Eny
2) Gula – Música: Bauru Original
3) Inveja – Música: Batistar virou verbo
4) Soberba – Música: Trem da Ambição
5) Ira – Música: Quem mandou matar Azarias
6) Preguiça – Música: Viaduto Inacabado
7) Apagão na América Latina – Música: ¨Leite derramado¨


Introdução: Cidade Excomungada
O dia 13 de agosto de 1913, uma quarta-feira, foi a data que ficou registrada na história como o dia do Interdicto da cidade inteira de Bauru. Mas, afinal, o que é interdicto? È uma pena imposta pela igreja católica para grupos que não se submetem às determinações do Papa e os dogmas da Santa Sé. Seus efeitos se assemelham à excomunhão, que é o impedimento aplicado para caso semelhante, quando se trata de punir uma pessoa que desacata a autoridade magna do Vaticano. Até onde a historiografia registra, Bauru é o único caso oficial e documentado de interdicto aplicado a uma cidade no Brasil. E foi até o ano de 1964.

A letra:
No meio do caminho do areião/ uma capela bem na contramão/ fez coronéis e até bispo cristão / pedir pro papa autorização
Eles pediram pra botar no chão / a igrejinha e em seu lugar / fariam imponente construção/ que a santa se iria se orgulhar / mas o vaticano disse não - 3 x
Então, na calada da madrugada/ a casa de deus derrubada / ninguém sabe e nem viu nada./ Não teve reza, promessa e oração/ que nos livrasse da condenação/ toda cidade, cada cidadão / do interdito, da excomunhão
E pra quem pensa que isso e passado / te conto tá muito enganado/ fé e poder inda vão lado a lado / pra nos manter, alienados./ Na cidade excomungada/ e os sete pecados capitais.

1) PRAZER, ENY - Eny Cezarino; Com um grande tino para os negócios, Eny Cezarino, que começou a vida na prostituição, em pouco tempo seu estabelecimento alcançou projeção nacional e internacional, fazendo da cidade uma referência e ponto de visitação quase obrigatório para grandes nomes da época, desde jogadores de futebol, até políticos, artistas, celebridades, padres, entre outros que podiam pagar pelo prazer sigiloso que ela oferecia. Viveu seu apogeu, entretanto, sem desfrutá-lo no final de sua vida, aos 69 anos, depois de perder tudo e ver a emancipação sexual das moças ditas “direitas”, como um dos fatores que levaram seu negócio à decadência. Outro importante fator de seu declínio foi um golpe que sofreu por parte do contador que administrava sua fortuna, quando o mesmo desviou boa parte de seu capital para tentar a sorte como transformista na Europa. Sem entrar no mérito das questões morais, Bauru teve em Eny uma mulher forte, que ocupava um lugar de poder e influência, e que enfrentou toda uma sociedade carregada de valores com os quais ela nunca se permitiu sujeitar. Não é relevante, neste momento, questionar a prostituição como profissão, a partir de conceitos atuais, ou negar suas implicações para as profissionais do sexo, quando optam ou necessitam levar uma vida onde seus corpos são transformados em produtos de comércio. Fato, sim, que se tornou diferencial, na época da Casa da Eny, em seu momento áureo, são alguns fatores que ela implementou, como melhorias nas condições de vida e trabalho de suas contratadas, como cuidados com a saúde, educação, cultura e conforto, sendo que a maioria delas, inclusive, falava duas línguas ou mais, pois assim sua clientela seleta o exigia.

A letra - Prazer, Eny (letra):
Mulher da vida/ Por profissão/ E nessa lida/ Fez ascensão.
Poder, dinheiro/ Ostentação / Prazer à venda/ Com discrição.
Padre, artistas, magnatas e elites/ Até príncipe e políticos aqui/ Fez da Casa da Eny, na Sem Limites/ O maior bordel de todo esse país.
Fez riqueza, sofreu discriminação/ Mesmo dando o seu quinhão pra caridade/ Por fazer do sexo seu ganha pão/ Sem querer corresponder à sociedade
E foi na hipocrisia da velha moral/ Que fez sua freguesia sexual/ Mas numa cama de hospital/ Triste e sozinho.../ Foi seu final
Ninguém jamais/ Vai ser igual/ Quem faz história/ É imortal/ Prazer, Eny/ Pra sempre Eny/ Enigmática Eny

2) BAURU ORIGINAL - Sanduíche Bauru Feito primeiramente no Ponto Chic e, mais tarde, no Skinão, o sanduíche Bauru, hoje, também pode ser encontrado em diversos pontos da cidade. Orgulho do bauruense, se tornou patrimônio imaterial do estado, ganhou personagem, o Bauruzinho, e até estátua em sua homenagem. No carnaval, um bloco carnavalesco da cidade faz alusão à mudança dos ingredientes da receita original e, com humor, mexe com os brios dos seus moradores: o “Bauru sem Tomate é Misto”. Toda esta presença na cultura local leva seus cidadãos a também chamarem a cidade pela alcunha de Cidade Sanduíche. Pão francês, com rosbife, queijo derretido na água escaldante, picles e rodelas de tomate. Este é o verdadeiro Bauru, que tem até uma festa com o seu nome, a Festa do Sanduíche Bauru, no dia do aniversário da cidade, movimentando a economia local e fortalecendo diversas instituições, com a renda de sua venda. Casimiro Pinto Neto foi o bauruense criador desta marca registrada da cidade, que ultrapassou os limites locais, se espalhando por todo o território nacional.

A letra - Bauru Original
Bucho bauruense é muito exigente/ Só aceita o Bauru original/ Há quem diga: sem tomate é mixto quente/ Bula não com nossa gente, pra você não ficar mal
Casimiro, certa vez, na capital/ Não se deu por satisfeito e sugeriu/ Um lanche que não tinha no cardápio oficial/ O Bauru original, foi assim que ele surgiu
Quem provou, aquela nova sugestão sempre pedia outro igual/ Do Ponto chic caiu na boca do povo em território nacional/ Ganhou fama desse jeito casual/ Com o nome da cidade de seu criador/ E agora eu vou contar pra vocês/ A receita verdadeira como Casimiro fez
Corta ao meio o pão francês e tira o miolo/ Rosbife, tomate, picles, se derrete o queijo quente/ Diferente, não há cristo que aguente/ Não tira nem bota nada, respeita os ingredientes/ Hoje é nosso patrimônio cultural/ Rodopia, canta junto, rasta pé até o final/ Ganhou festa, virô personagem/ Tem até estátua em sua homenagem/ No forró do Bauru que agora é tradicional.

3) A RUA DOS ESQUECIDOS - João Batista de Carvalho e a Rua dos Esquecidos: João Batista de Carvalho foi um personagem importante da época da fundação da cidade de Bauru. Ele sabia disso, bem como seus contemporâneos. O fato histórico selecionado ilustra, com humor, a indisposição gerada com o proeminente comerciante que foi esquecido ao escolherem os nomes que seriam dados às ruas da cidade. Assim, se sentindo injustiçado, resolver se vingar de um modo, pelo menos, criativo, apregoando na rua em que morava uma placa com os dizeres “Rua dos Esquecidos”. Naquela época, ainda não havia chegado às terras bauruenses a moderna Estação Ferroviária da Noroeste, cuja construção foi finalizada apenas em 1939. Desta forma, o logradouro situado fora da região central, a baixada do Silvino (nos arredores de onde é, hoje, a Avenida Nuno de Assis, no cruzamento com a rua Araújo Leite), com a chegada da ferrovia, se tornou um ponto importante de circulação e comércio. Somente 3 anos após sua morte, em 1904, é que se fez justiça ao inconformado comerciante mineiro, sendo incluído no mapa da cidade a rua Batista de Carvalho, que daria origem ao verbo “batistar”, tão conhecido em Bauru e toda a região.

A letra - Rua dos Esquecidos
E/ Quando era para fazer/ Eu também estava lá/ Tava todo mundo junto/ Quero ver quem vai negar/ Trabalho nunca faltou/ Pra cidade prosperar/ Mas lembrar, ninguém lembrou
E eu sei do meu lugar/ Toda a rua teve nome / Pra alguém homenagear/ Só este aqui que vos fala/ Foi deixado para lá/ Eu sou bom comerciante/ Não penduro, nem faço fiado/ Mas se alguém tá me devendo/ Eu cobro com juros, me paga é dobrado
Se engana quem pensar/ Que vou me importar/ Se alguém me julgar/ Só não vou deixar passar/ Difícil fazer/ Mais fácil falar/ João Batista de Carvalho/ Invejoso e ressentido/ Carta fora do baralho/ Mas não vai deixar passar batido
Vai vendo, amigo/ Que história tão contraditória/ O que fizeram comigo/ Presente de grego, cavalo de tróia/ Vou pendurar uma placa/ Não vou me dar por vencido/ De agora em diante essa rua tem nomeeee/ Pra ninguém esquecer / Rua dos esquecidos
La la ia la ia/ Aqui tem tudo pode acreditar/ La la ia la ia/ Não falta um desconto pra quem quer comprar/ La la ia la ia / Se falta dinheiro pra dá parcelar/ La la ia la ia / Trabalho mês inteiro pra pode gastar/ Tem loja, tem ambulante, carrinho de lanche pra fome matar / La la ia la ia/ Uns vão bater pernas e outros trabalhar/ La la ia la ia / Quem diria Batista no que ia virar/ La la ia la ia / Quem já foi esquecido hoje tem seu lugar.
E/ Eu vou batistar/ Batistar, virou verbo/ Que toda cidade sabe conjugar/ Eu batisto, tu batista/ Quem não batistou ainda vai batistar?

4) O TREM DA AMBIÇÃO - A chegada da Noroeste; A chegada da linha ferro Noroeste foi decisiva no crescimento da cidade de Bauru e conferiu à economia local sua característica de terra de passagem e perfil de comércio que atraiu muitos dos pioneiros que povoaram o local. Com a decadência da exploração do ouro nas Minas Gerais, muitos forasteiros decidiram se aventurar pelas novas terras, desbravando a boca do sertão, como era referida a região nos antigos mapas. Para tanto, enfrentaram a resistência de seus valentes moradores originários, povos indígenas de variadas etnias, dando origem ao distrito de Bauru. Consolidou-se a categoria de trabalhadores dos ferroviários. Se, por um lado, deu oportunidade a muitos cidadãos de constituir um ofício e sustentar suas famílias com dignidade, movimentando a economia e projetando seu comércio na região, por outro, simbolizou o genocídio de povos ancestrais que habitavam estas terras, a saber, caingangues, Guaranis e Xavantes, principalmente. Historicamente, a ferrovia, por sua localização estratégica, ligava os dois oceanos que banhavam o continente, sendo por muitos anos o maior entroncamento ferroviário do país. Dos tempos do café, suas muitas riquezas se consolidaram. Hoje, no entanto, a Estação principal, que já comportou a segunda maior plataforma de embarque da América Latina, atrás apenas da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, encontra-se abandonada, mas muito da sua história pode ser visitada no Museu Ferroviário da cidade. No entanto, esta narrativa, quase sempre contada pela ótica da civilidade e progresso, será revista neste projeto, sob o ponto de vista daqueles que foram oprimidos, mortos e expulsos de seus territórios, fazendo uma mínima reparação aos que realmente sofreram o impacto de sua chegada, pois a história sempre tem, pelo menos dois lados, e um deles já é fartamente abordado e documentado.

A letra – O trem da Ambição:
Sobre trilhos e dormentes/ Gigante de ferro vem/ Tão lustroso e imponente/ Apitando, óia o trem
Vagões da modernidade/ Com promessas de riqueza/ Pro futuro da cidade/ E de toda a redondeza/ tudo, passou por cima./ Terras, matas, rios e gente/ Por interesses se afirma/ Soberba dos indolentes
Mas quando a história é contada/ Quem conta é o vencedor/ Falando só da vitória/ Faz pouco caso da dor... do perdedor/ Esquece do mal que fez/ Não reza por quem morreu/ Não vê pecado entre os seus / Nem pede perdão a Deus
Pajés, caciques, guerreiros/ Com seu saber ancestral/ Contra os guardiões primeiros/ O progresso impôs seu mal/ Agora chegou a vez/ De quem aqui já viveu/ Muito antes de vocês/ Lutou, plantou e colheu/Quem era o dono da terra / Não é menos ser humano/ Nem quis sua covarde guerra/ Ou seu sistema tirano
O tempo, ironicamente/ Não pára, ele sempre passa/ Seu símbolo de progresso/ Pro meu povo foi desgraça/ Até a Maria Fumaça/ E a grandiosa estação/ Agora são só carcaça/ Que triste confirmação/ O trem mais cruel de todos / É o trem da ambição / Seguindo rumo ao abismo / Dos homens, da extinção / Alerto, não por vingança/ No fim somos todos iguais / Espero, não seja em vão/ Que seja tarde demais.


5) QUEM MANDOU MATAR AZARIAS
- Azarias Leite e seu trágico fim; Em outubro de 1910, às margens do rio Bauru, foi assassinado o Coronel Azarias Ferreira Leite, ou apenas Azarias Leite, como é conhecido atualmente. Ele foi vereador por diversos mandatos, inclusive sendo o Presidente da Casa de Leis por três gestões. Travava uma luta constante para que a cidade se tornasse um Distrito de Paz, com direito a uma sede de governo, mas não pode ver este sonho concretizado em vida. Casado com Vicentina, que era sua prima e filha do Capitão Araújo Leite, Azarias também fez parte do grupo que armou a mudança de sede da Vila de Espírito Santo da Fortaleza para Bauru. Tinha trânsito e influência na política da capital, o que incomodava grupos rivais que disputavam o poder na cidade. Ainda que fosse comum a resolução de disputas políticas serem resolvidas na “bala”, o assassinato de Azarias Leite alcançou repercussão nacional por sua influência na capital. E a cidade acabou colhendo frutos deste desfecho dramático, pois após seu assassinato, houve uma mobilização que acolheu a demanda da nova sede de governo e, em apenas três semanas, este objetivo foi concretizado.

A letra - Quem mandou matar Azarias?
Quem matou matar/ Azarias / De noite e de dia me pergunto / Só quem sabe é o defunto / Mas quem vai chorar o leite / Derramado / Estirado / Dois tiros no corpo matado / Caído, calado/ Segredo guardado
Quem vai responder?/ Azarias/ Que era natural de Minas/ Por amor a sua prima/ Que se chamava Vicentina/ Largou tudo/ Com destino ao interior/ Rumo a Boca do Sertão/ E com ela se casou/ Fez família/ Pra essas bandas se aprumou/ Se tornou vereador/ E alguns incomodou
Extra! Extra!/ Foi notícia nacional/ Conseguiu depois de morto/ Ter sucesso no final/ Bauru ganhou sua sede/ De governo afinal/ Saiu pela culatra/ Aquele tiro fatal
(refrão)/ Homem de nome Joaquim/ Honorato, atirador/ Também teve mesmo fim/ Do tal do vereador/ O passado insiste em ser tão atual/ As notícias envelhecem no jornal/ Os mandantes seguem livres sem temor/ Escondidos por detrás do matador.


6) QUE RAIO DE APAGÃO É ESSE - Apagão na América Latina: Tendo ocorrido há 24 anos, o maior apagão da América Latina, como ficou conhecido, colocou Bauru em evidência no cenário nacional e internacional, tendo se iniciado numa subestação da CESP, na cidade de Bauru, e se estendeu até o Paraguai, deixando quase 80 milhões de pessoas à escuras. Em discurso nacional, a justificativa para a queda energética foi atribuída a um fenômeno natural, um suposto raio que teria caído na região. Mais tarde, demonstrou-se equivocado o discurso que defendeu o Ministro das Minas e Energia da época, desmentido por especialistas do IPmet, bem como por professores do curso de Engenharia da Unesp, importante universidade pública estadual com campus em Bauru. Foi demonstrado que não havia nenhuma formação de nuvens que pudessem resultar em raios e que a real causa era falta de investimento na área de estrutura de distribuição energética nacional. O Brasil vivia uma época de boom econômico e consequente sobrecarga da rede, verdadeira causa do incidente. Deste episódio surgiram campanhas de racionamento de energia que atingiu a todos os brasileiros, até que os investimentos tardios voltassem a ser aplicados na promissora economia que, em pouco mais de uma década, se tornaria a 6ª maior do mundo.

A letra - Que raio de apagão é esse?
A minha mãe me fez uma ligação? Dizendo que Bauru estava na televisão/ Que um raio que caiu lá na sub-estação/ Deixou metade do país na escuridão/ De terno e gravata se achando o tal/ Até Ministro, em rede nacional, mentiu/ Falei pra ela que aqui raio nenhum caiu
Que raio é esse, mas que raio, ninguém viu/ E foi assim, no escuro do apagão/ Que ficou clara tanta esculhambação/ Dos governantes dessa grande nação/ Tentando enganar toda a população/ Mas essa conta, diz aí, quem vai pagar?/ Se a corda sempre estoura do lado de cá/ Dinheiro que nunca faltou pra investir/ Enchia o bolso de quem deixou a bomba explodir
Ô, Mãe/ Não acredita, não, nessa gente/ Tanta mentira logo se desmente/ Mas de que vale, se nas eleições/ O povo ainda vota inconsciente/ Mãe, não inventaram fake news agora/ Mas, porém, contudo, todavia, embora/ Já passou da hora do povo entender/ Para, outra vez, não se arrepender/ No fim das contas, vale mais a mais valia, lucro, capital/ E a avareza, dando as cartas sobre a mesa, finge que é normal
Em 16 de março de 1999 o governo brasileiro culpou um raio que nunca existiu/ Pelo maior apagão da América Latina até então/ E foram mais de 50 milhões no breu/ Se eles não são culpados, muito menos eu/ Todo mundo sem luz/ Sobrou pra Bauru carregar essa cruz/ Só que não ...

7) QUEM SABE MEU NOME? - Viaduto Falcão-Bela Vista: O viaduto que toda a cidade apenas conhece como “Viaduto Inacabado” tem um nome: Nicola Avalone, ex-prefeito de Bauru, entre os anos de 1956 a 1959. Diante de tanto tempo sem ser concluído, tendo passado por diversas gestões executivas da cidade, prefeitos seguiam adiante sem enfrentar o elefante branco que ele sugeria se tornar. A população desacreditava que a obra terminaria um dia, e muitos ainda se preocupavam com os riscos de queda que a obra apresentava. Preguiça é o pecado mais apropriado para definir a negligência administrativa envolvida no projeto de ligar dois importantes bairros da cidade: a Vila Falcão e o Bela Vista. Tanto que se tornou uma lenda local de permanecer eternamente inacabado e levou, em sua inauguração, muitos curiosos e céticos. A preguiça tardou, mas ele foi, após mais de 20 anos, finalizado. Ou parcialmente finalizado, considerando que foi planejado para aliviar o trânsito na região central da cidade, com circulação nos dois sentidos. Porém, até o momento, apenais vai. Quem se utiliza dele sabe que se tornou, indiscutivelmente, mais prático transitar no sentido Falcão-Bela Vista, escoando o tráfego na Avenida Nuno de Assis. Mas, ainda resta um segundo capítulo desta novela, tão desacreditado quanto o primeiro: quando será que o caminho de volta, no sentido Bela Vista-Falcão vai se consumar? Ou, será que vai se consumar? Pois ainda dá um trabalho danado e mil atalhos para fazer o trajeto contrário. No episódio da Preguiça, como já diz o próprio nome deste pecado, a morosidade continua.

A letra:
Quem sabe meu nome?/ De todos os pecados capitais / A preguiça é a mais lenta no que faz / E quando faz leva tempo até demais / Vai deixando pra depois até não aguentar mais
Passando pano e refazendo planos / É ano após ano e a mesmas promessas se renovando / E vai adiando os seus compromissos / É bicho-preguiça contando que o outro faça seu serviço
Aqui na Bauru City / Um exemplo perfeito de morosidade é lembrado / Por mais de 20 anos adiado / Fui parado e retomado e até desacreditado
É muita preguiça, / É pouco trabalho pagando dobrado/ Ainda incompleto, vai só para um lado/Por pouco eu podia até ter desabado
Me dá licença / Sou aliado da dona indolência / Peço um pouquinho mais de paciência/ Tenha fé na divina providência
Quem sabe meu nome? / Nicola Avalone/ Mas só sou lembrado/ Como o viaduto inacabado".

OBS DESTE HPA: Ontem lá no "Viva la Vida", eis minha gravação com a dupla cantando todas as canções: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/1817362949142952 . Cátia neste vídeo conta algo mais de cada composição. O fato motivador de querer, não só compartilhar, como escrever a respeito é por constatar a grandiosidade do que estava ouvindo. Maravilhoso trabalho, ainda pouco conhecido, portando, difundido. Isso aqui, no meu entender, é mais que histórico. Cátia e Nel foram mais que felizes, quando tiveram a brilhante ideia, depois a felicidade pelas letras, pela positiva reprodução de fatos históricos, alguns polêmicos, escritos com precisão, picardia e originalidade. Isso aqui merece um algo mais, o registro de forma profissional, quem sabe através de um documentário, quando poderia ser juntado depoimentos sobre cada um dos oito itens e depois uma gravação musical deles. No momento, me vi na obrigação de compartilhar este trabalho, mais que histórico e depois, quero me colocar à disposição para ir buscar junto dos autores condições para perpetuarem tudo num registro definitivo.