sábado, 30 de maio de 2026


ENQUANTO BOMBAS NÃO CAEM SOBRE NOSSAS CABEÇAS (01)

UM PERIGOSO TRIO SE REUNE NA PADARIA DA ESQUINA
Estamos todos correndo riscos, mesmo não sendo terroristas, nem fazendo parte de organizações criminosas, mas como tudo hoje está sob uma forte suspeita e quando acusações malevólavas acontecem, até quem não tem nada a ver com o riscado, pode ser considerado como tal e daí, dá-lhe bombas nos costados. Este encontro se deu dias antes do Brasil ser considerado como reduto de duas organizações criminosas, o PCC e CV. Fálavamos sobre isso lá na mesa do bar da esquina, cujo dono ainda não se deu conta do risco incorrido em permitir que três pessoas de reputação duvidosa ali confabulem.

Neste dia, eu, o mafuento HPA havia combinado de trocar figurinhas - não da Copa do Mundo, pois já passamos dessa fase -, as sobre como ainda tocar o que nos resta de tempo na vida, com o sempre agente cultural bauruense, Orlando Alves, um que revolucionou o trato com a coisa pública e o envolvimento do fazer dentro das hostes da Estação da NOB/Museu Ferroviário. Matamos saudade e estávamos numa prosopopéia de dar gosto, quando chega sem anunciar - creio deve ter um chip nosso e consegue localizar onde ocorre a barafunda - um dos nossos melhores e mais versáteis jornalistas, Aurélio Alonso, que até bem pouco tempo estava nas hostes do ainda sobrevivente no mercado editorial bauruense, o Jornal da Cidade.

O rumo da conversa foi completamente alterado. Os radares norte-americanos ficaram com suas antenas todas direcionadas para a padaria, que passou a gravitar como sinalização mais que vermelha, quase candente. Aurélio é ourinhense e atuou em Santa Cruz do Rio Pardo por muito tempo, mais precisamente no semanal Jornal Debate, do falecido e saudoso Sergio Fleury. Quanta lembrança e dentre elas, o fato de todo arquivo do jornal ainda permanecer por lá, sem estar devidamente digitalizado. Quantas boas matérias foram ali relembradas e gravitaram durante a prosa.

Duas outras pessoas gravitaram na conversa. O ator globa le cinematográfico nascido em Santa Cruz, Umberto Magnani, inveterado boêmio e cujo irmão é desembargador, porém nunca possuiu nem sombra da popularidade deste, que dá nome hoje ao teatro da cidade. Quando todas as portas de bares se fechavam, ele e Aurélio se reuniam, só para continuar proseando e bebericando umas, nas mesas dos cabarés da cidade e só arredavam pé, quando os raios solares começavam a incomodar. Se os radares norte-americanos captaram tudo o que foi ali confabulado, creio, a padaria e o cemitério onde está Umberto correm sérios riscos. Depois, quem foi muito lembrada foi a irmã do Sergião Fleury, a Neusa Fleury Moraes, que foi professora, escritora, colaboradora de jornais regionais e uma figura de grande destaque na cena cultural. Ela ocupou o cargo de secretária de Cultura por três gestões em Ourinhos e também passou por Santa Cruz do Rio Pardo. Além de sua atuação como gestora — sendo uma das idealizadoras do tradicional Festival de Música de Ourinhos, hoje definhando. Orlando lembra de a ter indicado para ser a manager da Cultura em Bauru, mas Gazzetta, o então prefeito, não conseguiu levar adiante, o que alavancaria, com toda certeza o setor na cidade.

Escarafunchamos isso e muito mais, com riqueza de detalhes, que até o dono da padaria sentou na mesa ao lado para assuntar do que se tratava as altercações em nossa mesa. Por sorte, não passaram de pequenos solavancos, nada assemelhado ao anunciado para os próximos capítulos, quando estaremos sendo mais vigiados pelos norte-americanos. Tivemos que nos despedir, pois alguém, mais precisamente este que vos escreve, estava com seu álvara mais que vencido. Ficamos de continuar a conversação, porém, diante das normas regras de encontros fortuítos, podendo o local ser premeditamente bombardeado, creio que o dono da padaria, estará restringindo que sentemos em uma de suas mesas. Enquanto não sofremos nenhum tipo de molestação, ali estivemos. Daqui por diante, sabe-se quando isso poderá novamente ocorrer.

ENQUANTO BOMBAS NÃO CAEM SOBRE NOSSAS CABEÇAS (02)

CONVERSAÇÕES COLOCANDO EM PERIGO E RONDANDO O PEQUENO'S BAR
No último domingo ainda todos estávamos mais do que tranquilos e sem os radades norte-americanos nos nossos calcanhares. Eu estive marcando presença lá pelos lados do Pequeno's Bar, reduto conversativo e em alguns momentos atuando como bar, no meio da feira dominical, rua Gustavo Maciel e como combinado, uma prosopopéia sobre restauro de vagões ferroviários. Marquei com o Luiz Carlos, mais conhecido como Luizão Marceneiro, entendido do assunto, morador da vila Dutra, reduto de ferroviários de todas as espécies. Quando chego ele já me esperava e junto de outro ferroviário - nunca diga ex-ferroviário, pois eles abominam isso e se dizem, uma vez ferroviário, sempre ferroviário -, o conhecido Jesus Adriano, procér do lugar onde moram, a vila Dutra.

Conversar a gente o faz sempre, mas agora, diante de assuntos delicados, como algo não mais usual em Bauru, que desde muito tempo deixou de restaurar a imensidão de itens férreos abandonados cidade afora, esse assunto passou a ter uma conotação um tanto terrorista. O perigo ainda não nos rondava, pois o Brasil ainda não havia sido incluído na lista de ser mantenedor de grupos bandoleiros de alta periculosidade. Taxaram assim o PCC e o CV, mas se esqueceram de outros, como a Faria Lima e os milicianos bancados pelo bolsonarismo. Foi uma conversa, ainda sem drones nos sobrevoando e bisbilhotando o assunto sendo discutido. Aproveitamos o domingo, molhamos muito bem as palavras e até cheguei a petiscar um franguinho assado pela dona do estabelecimento.

Mas como, tudo agora é suspeito e deve passar pelo crivo dos olhos tecnológicos dos norte-americanos, sei lá como faremos para continuar o que deixamos para ser discutido em outras contendas. Luizão foi quem esteve à frente com sua equipe, da maioria dos restauros feitos em vagões e locomotivas na cidade. Os três lá no Poupatempo é obra dele e de sua equipe, todos muito subversivos, pois tiraram o trio de ser devastado pela ferrugem e os recuperaram. O danado fez tanto que hoje volta a ser sondado para recuperar outros. Ele sabe como fazer, domina a técnica e antes, com sua oficina lá dentro das Oficinas da NOB, hoje na vila Dutra, está apto a devolver à circulação muito do que se vê apodrecendo nos trilhos bauruenses.

Quer ato mais subversivo que este, o de querer devolver para utilização o que já está em estado lastimável. Jesus é outro inquieto cidadão, sempre atuante e se postando à frente de questionamentos estapafúrdios desta cidade. O Pequeno's Bar abriga um pá de gente com essa e outras características, escondendo-se atrás de uma banca de bananas e de frondosa árvore, onde disponibilizamos cadeiras, ali produzindo uma conversação mais do que perigosa, diria mesmo, inquietante para os acomodados destas plagas. Será que o que ali acontece nas manhãs dominicais não poderia estar sendo sondado como um perigo e daí, o bar e seus frequentadores, correndo riscos, tudo causado pela boçalidade bolsonarista a nos enfiar neste imbróglio, onde os perseguidos deveriam ser eles e não o país.

Voltaremos amanhã ao Pequeno's, mas com o devido cuidado, estaremos mais atentos, pois como sabemos, norte-americanos não sabem identificar lá muito bem o que venha a ser terrorista, subversivo ou mesmo traficante, bandido e mocinho. Misturam tudo e agem só em benefício próprio, daí, estamos todos com as barbas de molho. A gente só quer que o Luizão volte a restaurar seus vagões, sem ser importunado pelos piratas lá dos EUA, mas imaginamos eles não estarem entendendo nada do Brasil querer voltar a construir ferrovias, ainda mais com a ajuda da China. Corremos todos muitos riscos.

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