segunda-feira, 7 de maio de 2012

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (64)
DECLARAÇÃO QUE NÃO DECLARA E COMISSÃO QUE NÃO COMISSIONA
1.) Adoro vasculhar a imprensa brasileira. Leio de tudo e tento interpretar o que move cada órgão da imprensa brasileira. Quando o fato se dá com as associações corporativas, cresce meu aguçamento e além de tentar entender o que eles estão a dizer nas entrelinhas, tenho apreço especial em demonstrar o jogo de interesses por detrás do balcão (tudo é um grande negócio, não?). Declarações de Associações de Classe publicadas como matérias pagas em jornais é um prato cheio para averiguações outras. No Jornal da Cidade de Bauru, edição de sexta, 04/05 uma intitulada “Declaração de Santiago sobre a Liberdade de Imprensa na América Latina”, assinada por entidades jornalísticas (patronais) de seis países (a do Brasil é a ANJ – Associação Nacional dos Jornais). Reunidos em Santiago do Chile em 27/04 tiram um documento com sete itens, onde demonstram não aceitar algo com o intuito de regular os meios de comunicação, o que chamam de censura e criticam diretamente os países onde existe um movimento contra o uso abusivo de grupos familiares e de poder no comando das grandes corporações jornalísticas. O documento está aí do lado para ser destrinchado. O que chama mais a atenção é o fato de nem mencionarem o caso gritante de conluio entre uma empresa jornalística, no caso a brasileira Abril, da revista semanal veja (minúscula mesmo) com o crime organizado, no caso o bicheiro e meliante Carlinhos Cachoeira. Não é o caso da imprensa produzir matérias ouvindo meliantes e preservar fontes. O meliante produzia tudo, já até pautava a revista. E quase nada além do que Carta Capital e TV Record produzem. E a ANJ não vai se pronunciar sobre esse escândalo? Pelo bem da atividade jornalística se faz necessário uma tomada de posição ou chegarei a conclusão de que aceitam como normal o ocorrido.

2.) O DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru está mais do que um balaio de gatos. Deixaram virar Casa da Mãe Joana e tudo o que de ruim poderíamos classificar para algo que até a oposição classifica como a “Ex-Jóia da Coroa”. Hoje, uma fonte eterna de dor de
 cabeça. Um cabidão de empregos onde todos querem assumir e colocar lá os seus apaniguados, com altos salários e sem fazer quase nada. Entra e sai presidente e ninguém toca no cerne da questão:  o desmonte de um grupo de funcionário de carreira que joga contra o patrimônio e prega abertamente a privatização e o fato de todos os funcionários em cargo de confiança serem despreparados para ocuparem cargos dentro da autarquia, a requerer gente especializada. Mentalidade tacanha, que apunhala o DAE ao invés de resolver de vez seus problemas. A última novidade é a criação pelo prefeito de uma Comissão de Diagnóstico para em 60 dias dar o veredicto do que de fato acontece com o DAE. Um chefe de gabinete é designado para a função e ele se quiser já no primeiro dia define tudo, promove uma limpa, destitui os terroristas internos, demite os inaptos e apaniguados, traz gente qualificada de fato e dá a guinada que todos esperam. Mas não é isso que acontecerá. Tudo continuará como dantes por lá. É a sina do DAE, penar até minguar. Escolheram isso e falta tudo por aquelas bandas, desde competência, coragem e precisão. Essa Comissão já nasce morta, desqualificada e inoperante.

domingo, 6 de maio de 2012

MEMÓRIA ORAL (120)

SIN BARRERAS, OS ANJOS LATINOS NA ESPANHA

O Aeroporto de Barajas na Espanha é famoso por ser um dos maiores da Europa. Dentro de suas instalações, entre os setores de voos internacionais e nacionais uma espécie de mini metrô, criado para deslocar de forma rápida os passageiros em trânsito. Conhecer aquilo de longe, de ouvir falar é uma coisa e in loco, com pouco tempo para fazer uma conexão é outra. Diante do tamanho da obra de engenharia e da frieza do espanhol no trato com as informações precisas e cordiais, pode até pintar um desespero. Observar pessoas nessas condições, buscando informações e tentando a todo custo chegar ao destino pretendido é algo mais do que normal por lá, ainda mais porque é um dos que não informam os horários de partidas via sistema de som. Tudo só pelos painéis e a atenção deve ser redobrada, do contrário finda sendo um dos muitos sem voo espalhados em pânico pelas luxuosas instalações. Aí o sujeito se vê num verdadeiro mato sem cachorro.
Existem alguns privilegiados dentro dessa engrenagem toda. Em todos os aeroportos espanhóis vigora o funcionamento de um Serviço de Assistência a pessoas com incapacidade e mobilidade reduzida, bancado pelo Gobierno de España, através do seu Ministerio de Fomento e com a denominação de “SIN BARRERAS”, mantidos pela AENA (www.aena.es). O slogan é um alento para todos os que se encontram nas situações de atendimento: “Acortamos distancias – Acercamos
personas”. A passageira Darcy Soliva da Costa, 76 anos, carioca de nascença e paulistana há algum tempo precisou desses serviços e de sua constatação, algo a amainar a gélida recepção dos espanhóis para os turistas, mesmo o país estando com as portas mais do que escancaradas adentrando o time dos países em crise na Europa. “O pessoal do Sem Barreiras são uns anjos. Encurtam os caminhos, dão calor humano e atuam conosco como se fossemos uma missão a ser cumprida, a de ter que embarcar com segurança e presteza o cadeirante. E mais, são todos latinos”, começa seu relato.
Darcy embarcou para Madri, com destino final Barcelona e chegou em Barajas no início do penúltimo domingo de abril, acompanhada da filha e do genro. Não esperavam problemas para ingresso no país, mas nada sabiam dos meandros do aeroporto e com o atraso do voo de chegada, viram encurtado o seu tempo de permanência ali. Espanto inicial com um desses anjos já na saída da aeronave e com
a missão de levá-la, somente com um acompanhante para o local exato de seu outro embarque. “Foi tudo muito rápido. Sabia que teríamos pouco tempo e um deles levou-me rapidamente para o trâmite de entrada no país, para o trem, de lá um sobe e desce de elevadores, algo inimaginável para mim. Voei por tudo, sem ter tido tempo de me ater a nada. Meu genro pode ficar ao meu lado e minha filha foi conhecer a frieza de enfrentar tudo pelas vias da normalidade. Puxei conversa e o descobri porto-riquenho, morando na Espanha
há dez anos e fui entender que teria privilégios facilitadores em todos os aeroportos espanhóis”, revela Darcy, meio que encantada pelo que viu nesses e nos demais encontros com os “amarelinhos” (devido ao fardamento dessa cor, padrão no Sin Barreras).
O enquadramento de Darcy para o atendimento é pelo fato da dificuldade de locomoção. Ela anda com bengala, mas teria problemas mil de locomoção, tanto que trouxe sua própria cadeira de rodas, uma ideia para todos poderem aproveitar melhor as andanças que viriam pela frente. Na chegada em Barcelona, quase na hora do almoço de domingo, já a esperavam na saída da aeronave. “Uma mulher de meia idade estava à minha espera e com ela deslizamos pelo aeroporto. Meu genro ia perguntando os detalhes que já interessava a todos nós, a procedência de cada um. Batata, todos eram latinos
e constituem uma espécie de família, algo a agasalhar, um porto seguro para o necessitado. Não são de falar muito. Respondem quando lhes perguntamos, afinal éramos todos latinos e algo fiz questão de tomar conhecimento. Pergunto sobre cidadania, qual nacionalidade é mais duro com eles. A resposta não me assusta nem um pouco: o espanhol”, continua seu relato.
Foram alguns dias em Barcelona e como passariam dois dias em Madri, cientes de que para terem o atendimento teriam que comunicar com 48h de antecedência a solicitação do atendimento. Feito isso, tanto na ida como na volta, sempre o Sin Barreras presente. Darcy emociona-se com o que ouviu: “Não é difícil descobrir que na Espanha e deve ser assim em quase toda a Europa, todas as profissões pesadas, consideradas subalternas são feitas por estrangeiros, na sua maioria latinos e alguns poucos africanos. Ouvi relatos doídos de gente que ganhava salários ínfimos nos seus países e vieram em busca de um sonho. Ralam muito, porém ganham o suficiente para manter dignamente a família e até guardar e ajudar os do outro lado do oceano. Não só nos aeroportos, mas nos balcões de bares, taxis, camareiras, garçons, atendentes variados, porteiros, balconistas de supermercados, empacotadores, todos latinos. Equatorianos, peruanos (esses os mais encontrados), guatemaltecos, uruguaios, dominicanos, colombianos, panamenhos e muitos brasileiros. Não tem como não se emocionar com a forma dedicada como nos atendem e como estaríamos perdidos sem a presença humana e solidária deles a nos amparar”.
O encantamento por ser tão bem atendida é explicado no folheto distribuído pelo serviço do Sin Barreras: “Em cumprimento do Regulamento do Parlamento Europeu, se põe em marcha em todos os aeroportos europeus um serviço de atenção aos passageiros com mobilidade reduzida”. Até aí tudo bem, entendível e o constatado supera as expectativas. A emoção é pelo relato e no contato com cada um, cada história de vida e algo mais, retirado como lição nesses momentos: “O menos favorecido é o que mais te ajuda nos momentos de dificuldade. Experimente parar um engravatado na correria dos aeroportos e verás a frieza e rapidez na informação. Esses amarelinhos são abordados por todos e dão atenção generalizada. Não deixam
ninguém sem um direcionamento de conforto e isso se estende para tudo dentro do país. As melhores e mais preciosas informações sobre tudo o que necessitamos na viagem quem nos deu foram essas pessoas, as mais simples, sempre mais generosas”.
Na volta ao Brasil pela empresa Iberia, já na chegada a nítida diferença quando abordada por um funcionário tercerizado da empresa, que a levaria com a mesma função até a saída. “Foi de uma atenção também ótima, ele um nordestino, ainda esses a executarem no Brasil as funções lá destinadas aos latinos. A diferença é que aqui não são uniformizados, cada empresa possui sua equipe própria, tudo terceirizado e eles fazem de tudo, desde nos empurrar, separar malas extraviadas, acompanhar a saída delas pela esteira, resolver problemas na passagem dos
pertences pela Polícia Federal, atender reclamações e tudo mais o que acontecer no desembarque. E vi só um para fazer tudo isso no Brasil. Nítida a diferença, mas uma semelhança também nítida nos mesmos desprovidos de lá a nos atender aqui. O de lá latino, o de cá nordestino. E a constatação já feita anteriormente, a de que obtenho as melhores e mais confiáveis informações com esses, os que realmente parecem se sensibilizar com o ser humano. Reforço que vi nos a atuarem no Sem Barreiras como portadores de uma missão e só respiram quando a cumprem. Eles ouviram a minha história e me trataram dignamente. Faço questão de retribuir contando um pouco a deles com o pouco que conheci”.

sábado, 5 de maio de 2012

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (174 e 175)
DEMÔNIOS NOS CORREIOS – publicado no BOM DIA BAURU, edição de 28.04.2012 A agência central dos Correios em Bauru possui uma seção só para filatelistas, um luxo, cheio de peças raras e algo sobre os belos selos brasileiros. Ali a possibilidade de sair das filas, mas só para quem está a postar cartas simples. Era o que fazia numa dessas manhãs de sábado. Escolhi dois selos com belas estampas, as do Ziraldo sobre o tema da prevenção à AIDS para as minhas duas correspondências. Digo a simpática funcionária sobre a beleza dos selos brasileiros e ela responde que nem todos gostam desses. Pergunto dos motivos de não gostarem dessas verdadeiras obras de arte. “Alguns religiosos outro dia não quiseram esses selos em suas cartas, por causa do tema da AIDS, preconceitos bobos, essas coisas”, foi sua resposta. Foi o que bastou para estabelecermos uma longa conversa sobre essas bestialidades de poder ou não fazer as coisas baseadas em preceitos religiosos, um dos motivos de nosso atávico atraso. “Eu tinha uma vizinha que me parou na rua só para me dizer que não entraria no reino dos céus, pelo simples fato de usar calça comprida. Não entendo alguns desses, ainda mais essa, que se dizia tão recatada, casada e que acabou sendo pega lá no bairro, num caso extraconjugal com outro vizinho, mecânico, na hora do almoço e num terreno baldio. E eu é que não entro no reino dos céus por causa de minha calça comprida”, me diz. Na pressa e não podendo mais continuar tão edificante papo, deixo meu recado final: “Meu pai, hoje com seus 83 anos, sempre me repetiu algo que guardo e uso sempre para exemplificar quando ouço algo parecido. Os moralistas são os piores, deles você pode esperar tudo, mas sempre por debaixo do pano. Vide o que acabou de fazer o Demóstenes, o maior exemplo vivo de como é a mente de quem está nesse partido, o tal de DEMônios”.  E mais não falei, pois o Correio estava a fechar suas portas e meu carro lá embaixo sem cartão preenchido de estacionamento. Mas que o selo desenhado pelo Ziraldo é bonito, disso eu tenho certeza, tanto que trouxe um de recordação. Coisa do demo.

CADÊ VOCÊ, PROFESSORA? – publicado no BOM DIA BAURU, edição de 05.05.2012
Sexta-feira retrasada aqui no BOM DIA, texto do colega de coluna, o professor Chamadoira, “Direitos Humanos – Comissão da Verdade”, algo a intrigar qualquer educador. Um advogado apregoando a não existência da ditadura militar no Brasil é o mesmo que não enxergar as pedras do reino mineral, tropeçando nelas. Foi sanguinária, truculenta e desumana. Alfarrábios estão aí para comprovar e lê-los com a espada desembaiada é sinal de lealdade com a própria consciência. Reconhecer erros, propor outro momento, são demonstrações de dignidade e sensatez. Fora disso, insanidade. Precisamos avançar e não dar voz para representantes de um indigno passado. Na sequencia dos absurdos, Chamadoira escreve que a mesma pessoa havia chamado a atenção da professora da filha pelo fato dela ter afirmado em sala de aula da existência de golpe e golpistas em 64. Imagino a cena. Um rancoroso cidadão, do alto de sua arrogância, impondo providências para diretores de uma escola particular, pela professora não ter mentido à sua filha sobre a história recente do Brasil. E a escola, talvez para evitar a perda da aluna, aceitando ou repudiando o que ocorreu? Gostaria de saber o desfecho dessa história e divulgar o relato da professora sobre o incidente. A História tem que ser contada como de fato se deu, doa a quem doer. O que existe nesse caso são interesses retrógrados de encobrir fatos históricos lamentáveis. Pessoas com medo do seu passado são um perigo, pois ao não reconhecer a própria história estão prontas a repeti-los novamente. Eminente perigo. No evento dos Direitos Humanos realizado recentemente em Bauru a acertada resposta para atitudes como essa foi a dada por Gilney Viana, da Secretaria de DH da Presidência da República: “Devemos ser didáticos e pacientes com quem não possui o entendimento dessas questões, explicar repetidas vezes, mas com os que entendem tudo, distorcem e pregam o retrocesso, dureza. Esses não tem cura”. É o que faço nesse momento. Cadê você, professora? Resgatemos essa história.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

AMIGOS DO PEITO (68)
BONECOS GIRALUA, LA VITA PASSA E SANTA ROSA
Uma das coisas que mais gosto de fazer aqui nesse mafuento espaço é divulgar algo sobre alguns dos meus diletos amigos. Quando recebo algo vindo deles, abro meu coração e divulgo aqui para os poucos que me leem.  Hoje são dois e abaixo algo sobre o que estão aprontando na cidade:
1.) “GENTE BOA! Convido a todos para a abertura da Exposição de Bonecos GIRALUA. Na abertura da exposição divulgaremos a programação oficial do Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que ocorrerá em Bauru de 04 a 10 de junho. Esse ano os bonecos andarão também por Lençóis Paulista, Agudos, Jaú e Pederneiras. Viva o Teatro de Bonecos!!!! Participem e Divirtam-se!!! EXPOSIÇÃO: BONECOS GIRALUA - LOCAL - Galeria Municipal "Angelina Waldemarin Messenberg" - Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva – Bauru, Avenida Nações Unidas, 8-9, ARTISTA: ALESSANDRO BRANDÃO, Abertura dia 04 de maio de 2012 às 20h, Período de Exposição: de 04 a 27 de maio. Mais informações no www.ciagiralua.blogspot.com e no www.marizabasso.com.br/festival”, esse o recado de Mariza Basso e Kyn Junior.
2.) “Olá, amigo HENRIQUE... Voce sabe como é...Terça feira é um dia danado de ruim prá teatro, mas como não somos globais??? Fazer o que? Estou te mandando algumas fotos com a atriz Dulce Lagreca ao meu lado e o release do espetáculo e do grupo... Vc pode não acreditar mas estou fazendo esse ano 42 anos de carreira artística no Teatro e a Cia. de Artes CELEIRO DA ARTE faz 15 anos... Parece que começamos outro dia, né??? Mas ainda existe um tremendo preconceito prá atrizes e dramaturgos da cidade de Bauru, mesmo eu sendo nascida em SP... Prá vc ter uma idéia Mauro Rasi só ficou famoso depois q foi pro Rio...e Edson Celulari só qdo apareceu na Globo... Por isso quero dar um "Xô ao PRECONCEITO" contra as pessoas q pensam q nosso trabalho não tem qualidade... Vá nos assistir... Tenho certeza q irá gostar... Faça mesmo um barulho prá gente... Precisamos ter uma plateia consciente...precisamos mostrar que o Teatro em Bauru tem força e pode mostrar coisas muito boas... Um grande beijo da MADÊ CORRÊA. Espetáculo La Vita Passa, no Teatro Municipal - 8 maio 2012, terça, 20h30.
3.) Para fechar a tampa do caixão algo sobre um amigo passando por Bauru. O mestre em Design José Guilherme Santa Rosa é carioca, contemporâneo de Ana Bia e hoje coordenador do curso de Design na Federal do Rio Grande do Norte. Passou por Bauru num Encontro de profissionais de sua área e o arrebanho para conhecer os lados ocultos de Bauru. Num deles, ontem, 03/05, Aldeia Bar, quando Liz e Neto dão uma folga ele assume o teclado e cantarola o que vocês podem ver a seguir. Ele já possui antecedentes numa banda de rock carioca e prova que quem sabe sabe:

quinta-feira, 3 de maio de 2012

OS QUE SOBRARAM E OS QUE FAZEM FALTA (34)
BRIZOLA NETO MINISTRO, UM TIJOLAÇO NA CARA DA OPOSIÇÃO

Hoje é o dia da posse no novo Ministro do Trabalho do governo Dilma, BRIZOLA NETO, um jovem deputado federal de 33 anos, neto de Leonel Brizola. Combativo dentro do restou de dignidade no PDT (Últimos dos Moicanos), publicava textos contundentes no site Tijolaço (http://www.tijolaco.com/), contra um monte de gente que hoje farão toda questão de atirar-lhe pedras, pois assume agora a posição de vidraça. Gosto de sua nomeação e quando soube da sua acertada nomeação deixei um comentário num dos últimos textos publicados no site. Abaixo meu texto:
Caro ministro Brizola Neto: Sempre gostei demais da sua contundência em colocar o dedo em todas as feridas mais do que expostas desse país. Nunca fugiu do pau, nem esmoreceu diante das adversidades. Pedras no caminho as temos todos os dias. Esse absurdo que querem fazer, conduzindo como deve ser o caminho a ser trilhado pela CPI Cachoeira, livrando a mídia é algo que poucos possuem a coragem e o discernimento para fazer. Tu nunca fugiste disso. Um dos poucos, com coerência suficiente para me fazer voltar ao seu site todo dia.
Hoje, ao saber de sua nomeação, dei um grito de alegria e contentamento. Sabia
que Dilma havia escolhido a melhor pessoa para ocupar a pasta do Trabalho. Não sei o que será do Tijolaço, mas não gostaria de vê-lo findado por aqui. Existem outros que podem continuar tocando-o com a mesma maestria (seu assessor Fernando Britto, brizolista da velha cepa) e com a mesma linha de pensamento e ação.
Escrevo nesse momento, para tentar juntar o que fazia até aqui no Congresso e Tijolaço, com a nova função. Não mude de postura, nem se deixe vergar pelo cargo. O Brasil precisa de gente com muita coragem nesse
momento, para continuar expondo e demonstrando com toda a clareza quais são os verdadeiros vilões dessa nação, os dilapidadores do patrimônio público. Tu sabes que viverá um novo momento, com os holofotes sobre ti, com tentativas insanas e constantes de buscarem algo que o desmereça e o inviabilize. Sua coragem até aqui é merecedora de um reconhecimento além de um mero aplauso em pé. Tu és grande, forte e vibrante como teu avô. Continue assim. Enfrente-os todos, que continuaremos aqui, desse lado na trincheira, sempre prontos a te defender e continuar desmascarando os falsários, os falsos moralistas, os que se escondem atrás de jargões democráticos, mas que, na verdade, o que sempre quiseram foi um Brasil restrito às elites.
Precisamos de ti e chegou o momento de subir mais esse degrau, mostrando a que veio. Sou dos que pode contar para os novos embates que certamente virão.
Um abracito bauruense do leitor e um eterno brizolista de plantão HPA

quarta-feira, 2 de maio de 2012

COMENTÁRIO QUALQUER (99)
POLÍTICA EM BAURU CHEIRA JOGO DE CARTAS MARCADAS
Tenho tentado entender os bastidores do jogo político que está sendo armado para as próximas eleições municipais. Tudo está centrado em dois campos, o da situação, compreendendo a reeleição do atual prefeito, Rodrigo Agostinho – PMDB e tendo como vice Estela Almagro – PT, junto com uma sopa de letras nunca vista na história de Bauru, a coligação de dezenas de siglas; e na oposição, a candidatura para o Executivo de Chiara Ranieri – DEM, tendo como vice o Marcelo Borges – PSDB e uns pouquíssimos partidos. Na situação nº 1 a cada momento adentra mais um partido na coligação, pois todos gostam muito de estar ao lado dos que possuem mais chances de vencer e na situação n° 2, a cada hora diminui a quantidade de coligados, pois ninguém gosta de estar ao lado dos que já entram na disputa derrotados.
Esse o quadro, sem tirar nem por. Na situação nº 1, algo grandioso sendo construído, um gigante sem precedentes e com a construção desse verdadeiro Frankenstein, brinquedo mais do que perigoso, pois o cabeça de tudo fica cada vez mais senhor de si. Histórias assim nem sempre terminam muito bem. Acúmulo de poder, confiança absoluta acabam criando monstros perigosos. Já vi muitos desses transformarem-se em ditadores e manipuladores de tudo e de todos. O poder transforma as pessoas, disso não tenham dúvida. Na situação n° 2, vejo que a candidatura de dois personagens que andam com medo de se lançarem às ruas. Sabem o que enfrentarão e temem o pior, um fracasso que os inviabilize por tempo indeterminado. Talvez nem possuam coragem de se lançarem e tudo o que presenciamos hoje não passe de um mero balão de ensaio. Todos os personagens são bem capazes disso tudo, os de ambas as situações.
Mas o que quero mesmo com esse escrito meio atravessado, dando voltas é dizer que o jogo de cartas marcadas me lembra do famoso JOGO DO BICHO. Empata-se dinheiro numa ilusão de dinheiro fácil e na verdade, ciente de que o impossível nunca acontece, o que de fato ocorre é dinheiro jogado fora. Todos conhecem um joguinho dos mais conhecidos entre os malandros de praças. Com uma caixinha de fósforo e uma bolinha, fazem uma movimentação a aparentar ao leigo que ela estaria debaixo de uma que seus olhos têm a certeza de lá estarem. Vêem o ilusionista jogar uma, duas, três vezes e diante de tanta certeza, vislumbram ganhar dele. Apostam uma vez e ganham. Na segunda idem. E quando jogam tudo o que possuem nos bolsos perdem de uma maneira inexplicável. E ficam com cara de bobo no meio da praça. Só depois descobrem que foram trapaceados.
Vi isso semana passada na famosa Las Ramblas, no centro de Barcelona, no país basco, coração da Catalunha. No meio do povão, homens e mulheres ucranianos, uma verdadeira família envolvem incautos e literalmente os limpam os bolsos. É gostoso ficar olhando como tudo se processa. Passei bons momentos e irei algumas fotos do que vi. Tudo igualzinho à política daqui, dali e de acolá. Na grande maioria das vezes, um jogo a nos envolver, ludibriar os olhos e no final, com uma armação só percebida depois, a consolidação do que sempre esteve previsto. Sai um, entra outro e tudo continua como dantes. Um que você achava que poderia ser mais sensível, hoje já não é mais e aquele que você via como sem sensibilidade nenhuma, esse não muda e continuará sempre do mesmo jeito.
Tudo isso para concluir com algo: EU NÃO ACREDITO EM NADA DISSO QUE TENHO VISTO. Já acreditei, apostei fichas, estive nos embates, ganhei em algumas vezes, mas a decepção sempre foi grande. Dessa vez me parece inevitável e inexorável. Perderemos como os gaiatos que acham que podem ganhar dos matreiros ucranianos nas calçadas de Barcelona. Com esse sistema político, impossível.

terça-feira, 1 de maio de 2012

RETRATOS DE BAURU (122)
ROQUE FERREIRA, UM FÉRREO MILITANTE SOCIAL
ROQUE JOSÉ FERREIRA é antes de tudo ferroviário, como gosta de ser denominado dentre tudo o que já fez e faz na vida. Aliás, essa é sua profissão na Carteira Profissional e a mover suas ações durante a vida. Fundador do PT – Partido dos Trabalhadores em Bauru, milita nas hostes da esquerda desde os tempos do cabelão black-power e quando chegou a atuar como radialista nas emissoras locais. Aluno e professor da extinta escola da RFFSA, lá foi iniciada a militância política e social. Coerente, sabendo unir a prática e a teoria, tem convicção do que faz e dela não arreda pé. Por anos atuou dentro do grupo d’O Trabalho e hoje, na Esquerda Marxista, os mais ideológicos dentro do PT, o único no Brasil a respeitar o pensamento antagônico dentro do seio partidário. Carnavalesco, foi campeão 26 anos atrás como presidente pela Império da Vila, lá da Nova Esperança e também da Vila Dutra, redutos periféricos de intensa movimentação social. Coordenador Geral do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os vínculos operários sempre estiveram ao seu lado, tendo sido candidato à prefeito e várias vezes à vereança, eleito em 2088 com 3506 votos, sendo o vereador mais atuante e participativo da atual legislatura. Casado com Tatiana Calmon, pai de alguns, cabelos brancos, magro e pesando pouco mais do que idade, 55, hoje, 01/05, Dia do Trabalhador e ontem, 30/04, Dia do Ferroviário um a merecer dupla homenagem por serviços prestados a ambas categorias. Ainda mais porque a confirmar tudo isso, sofre atualmente pressão vinda da coligação onde o PT compõe o atual grupo no poder municipal. Primeiro pelas posições independentes e na defesa dos interesses dos que o elegeram, em certos momentos confrontando com os interesses do próprio partido e do prefeito, porém, desses que não se vergam, nem se deixam intimidar. Faz política de uma maneira que poucos ainda conseguem, sem vícios e conluios, o que o torna uma figura destoante dentro de tudo o que representa a política no universo partidário atual. Eis o motivo de continuar sempre nas paradas, estando este ou aquele no poder.