terça-feira, 7 de agosto de 2012

COMENTÁRIO QUALQUER (102)
HOJE É UM DIA ESPECIAL NA CRIMINALIZAÇÃO DOS TORTURADORES BRASILEIROS
É que hoje, terça, 07/08 acontece na 1º Câmara de Direito Privado a análise pelos seus desembargadores da apelação interposta pelo coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, o cruel ex-comandante do DOi-CODI paulista, um dos locais onde mais ocorreram torturas nos centros militares espalhados país afora. Tivemos ao todo mais de 400 desaparecidos e mais de duas mil pessoas torturadas em centros iguais aos comandados por Ustra. A data é histórica, pois no Brasil, nunca uma de nossas Cortes superiores chegaram a condenar um torturador. A Justiça brasileira parece não entender os tratados que o país fez de aderir às punições de crimes contra a humanidade. Esses, é sabido, não prescrevem ou são regulados por Lei de Anistia. Pessoas que propiciaram os crimes de sequestro e ocultação de cadáveres e de provas precisam no mínimo ter declarados sua culpabilidade, independente de punição. Nem isso fazemos. O Ministério Público brasileiro faz a sua parte, mas a Justiça rejeita tudo. E por que age assim?
A resposta é uma suspeita. Tristes decisões. Enquanto patinamos e demonstramos medo de cutucar um passado recente e ainda insepulto, países vizinhos como o Chile, Argentina e Uruguai já julgaram e condenaram vários deles. Na Argentina, de onde retornei no final da semana passada, até um presidente, Jorge Rafael Videla encontra-se em prisão domiciliar, porém perpétua, pelo sequestro de bebês no período militar. Andando por Buenos Aires, em algo que fiz muito, fotografei nas calçadas e portas de prédios, placas alusivas a lugares onde residiam, foram sequestrados militantes políticos. Eles fazem questão de fazer isso e de uma forma bem ampla. Todas as fotos desse post eu mesmo tirei nas ruas. Na porta do hotel onde me hospedei havia uma e já penso em iniciar uma campanha aqui no Brasil para que sejam aprovadas a instalação de placas similares para lugares onde residiam trabalhadores históricos na história da cidade. Não temos como negar nosso atávico conservadorismo, expresso de forma clara na ação de nossos magistrados.  Aqui, por enquanto, nem julgamento, nem Comissão da Verdade apresentando resultados práticos. Isso, quer queiramos ou não, implica em como age hoje os nossos policiais. Penalizando Ustra começaríamos a perder a pecha de covardia grudada em todos nós.
OUTRAS COISAS:
1 – Amanhã, 08/08 na UNESP Bauru, programação da FAAC, algo com esse pomposo nome: XVI CELACOM – Colóquio Internacional sobre Escola Latino Americana de Comunicação. O palestrante a fazer uso do microfone a partir das 20h30 é nada menos que MUNIZ SODRÉ. Não escrevo nada dele, pois obrigatoriamente deveríamos todos saber quem é. Vou estar na fila do gargarejo.
2 – Não reclamo mais da programação da EXPO Bauru só com shows a privilegiar os sertanojos. É padrão deles. Só que hoje, uma exceção, um show de cunho evangélico. E por que?, pergunto eu. Pergunto mais: Se abrem uma exceção para esse tipo de música (sic), por que não para um dia somente com MPB? Eis a pergunta que não encontro resposta.
3 – Esse vídeo postado ontem e outro hoje junto ao post são gravações feitas por mim em Buenos Aires, dia 01/08/2012 no BORIS CLUB DE JAZZ (www.borisclub.com.ar) com um agrupamento de jazzistas argentinos denominado ENSAMBLE REAL BOOK ARGENTINA (www.realbookargentina.com). “O RBA é um projeto que recopila e difunde música escrita por compositores envolvidos dentro das vastas fronteiras estilísticas do jazz argentino”, esse o escrito na capa de um CD comprado após o show, o “Ensamble” (2011). O lugar é muito bom e o show inesquecível, num agrupamento com 11 integrantes, sendo que um deles é filho de Astor Piazzolla. Paguei na entrada meros 60 pesos e no CD 30 pesos. Faça a conversão vocês mesmos e confiram se não valeu mesmo a pena ver e trazer um bocadinho disso tudo para minha casa. No site do RBA mais de 350 partituras disponíveis para descarga. Os caras são a nata do jazz por lá e eu descobri num anúncio do tipo da agendinha do JC, publicado nas páginas do jornal que li todos os dias por lá, o Página 12.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (74)

A INESQUECÍVEL MARLENE, OPERADA ARTESÃ NA FEIRA DE SAN TELMO
Permaneci por oito dias fora de Bauru. Não vi nada da festança dos seus 116 anos. Perdi o show do Edu Lobo, isso sinto muito, mas não fico por demais perturbado, pois nem bem chego e já tomo conhecimento que quem vem por aí é a Rosa Passos. Na rolança do tempo ligo a TV hoje a tarde e ouço nossos edis todos falando bem dessa cidade, verdadeiras declarações de amor, uma mais comovente que a outra. Assim sendo, como tudo caminha inexoravelmente bem, tudo nos trilhos, não me resta outra coisa, até para não ficar só saindo dos trilhos, conto uma historinha vivida na viagem. Curtinha, algo do jeito que gosto, uma descoberta de alguém meio que sem querer e com uma bela história por detrás de si.
Marlene é uma loira argentina, passou dos 70 anos e todos os domingos está na famosa feira de artesanato e quinquilharias de San Telmo, a mais famosa dos arredores de Buenos Aires, na Argentina. Domingo retrasado, 29/07/2012, fazia um frio dos bravos por lá e nada teve início antes das 10h da manhã. Eu é que cheguei antes, enfrentei o cortante vento, pois acreditava que tudo já estaria em pé logo no comecinho do dia. Vi tudo ir sendo montado, banca por banca. Subi e desci aquelas ruas todas junto de Ana Bia, a inseparável parceria de todos os momentos. Encapotados, íamos curtindo cada parada e além de ver o exposto, assuntando sobre as pessoas por detrás de cada balcão. Em cada semblante uma história de vida, aliada ao que trazia para comercializar ali nas ruas. São várias viagens no mesmo espaço físico.

Paramos numa e dali só arredamos pé após um longo bate papo. Quem estava ali trabalhando era a tal Marlene. Primeiro nos contou um pouco do que fazia, os famosos fileteados portenhos, placas com desenhos e escritos variados. Muito da Argentina ali naqueles escritos e uma mais linda que a outra. Difícil escolher somente uma. Quando decidimos pela nossa, ela nos vendo brasileiros diz ter morado longo tempo no Brasil, no Rio e que havia trabalhado no Cassino da Urca. Citou uma infinidade de artistas que conheceu e trabalharam com ela, dentre eles Nelson Gonçalves e Leny Eversson. Quando diz ter atuado por muito tempo na famosa Galeria Alaska, em Copacabana, reduto de shows dos travestis por décadas, termina nos expondo algo que não havíamos percebido. “Fui uma das primeiras operadas. Fiz a minha no Marrocos e podia expor a genitália nos shows, pois muitas delas, desde a Rogéria, como depois, pouco antes de voltar ao meu país, a Roberta Close ocultavam o segredo. Só voltei para a Argentina após o fim da ditadura militar, quando a perseguição por aqui abrandou. Tenho muita história para contar”, relata.  
E mais não contou por causa do movimento na banca. Deixou conosco seu endereço no facebook e prometeu ir fazendo um relato minucioso de sua história, de sua vivência em shows antológicos pelo Rio de Janeiro. Fez ainda mais citações, muitas pessoas conhecidas da vida artística e da "night" carioca. Hoje, casada com um colombiano, vive de bem com a vida, produz junto dele todo o artesanato que revende e não tem vergonha de no reencontro com quem estiver predisposto a ouvi-la, contar e reviver algo marcante de sua vida. A deixamos querendo saber mais. Os contatos estão sendo feitos e não nego, algo realmente encantador, em qualquer lugar por onde circule é poder registrar histórias de vida como a que descobrimos naquela manhã de domingo, meio que sem querer. Marlene, cujo nome foi inspirado, claro, na famosa Dietrich, “as pernas do século”, sabe que tem por trás de si algo que precisa ser registrado e se possível, não esquecido. Com o pouco ouvido já escreveria algo inebriante, podendo ouvir tudo em detalhes, algo que não saberia nem como descrever.

Assistam esse vídeo gravado numa cada noturna de Buenos Aires. Depois explico tudo:

domingo, 5 de agosto de 2012

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (27)
A BOLÍVIA DE EVO E O QUE OCORREU COM A COCA E O MC
Muitos dos meus amigos me enviam textos diários via internet. Alguns guardo, outros nem leio. Dos que li essa semana e faço questão de publicar com um breve comentário de minha lavra abaixo é o do carioca Pasqual Macariello. Veja seu teor:
“McDonald's anuncia falência e Coca-Cola é expulsa da Bolívia – Rituais gastronômicos são mais fortes que a cultura do fast-food: O McDonald’s e Coca-Cola encerrarão todas as suas atividades na Bolívia até o final deste ano como resultado da oposição de Evo Morales ao que seu governo chama de 'imposições gastronômicas  norte-americanas'. A Coca-Cola foi formalmente expulsa do território e deve encerrar sua operação em dezembro. Já a fast food anunciou sua falência após '14 anos de tentativas infrutíferas de se instalar na cultura local'. A decisão 'estará em sintonia com o fim do calendário maia e fará parte das celebrações do fim do capitalismo e do início da cultura da vida', segundo o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca. A Bolívia se tornará a segunda nação latino-americana a não possuir unidades do McDonald's (o primeiro é Cuba) e o primeiro país do mundo onde a companhia foi obrigada a fechar por conta de mais de uma década de contabilidade negativa. No país, rituais gastronômicos que vão desde a decisão do que as famílias irão comer até o preparo conjunto dos alimentos são considerados mais fortes que a cultura do fast food. Em resposta as declarações do ministro, o McDonald's disse que fechou suas unidades na Bolívia em 2012 por razões comerciais”.
Percebo a imprensa brasileira dando um destaque maior do que o caso merece. Se o McDonald’s não consegue emplacar suas atividades num país onde a preferência gastronômica do seu povo é o oposto do proposto como alimentação pela empresa, vejo nisso uma grandiosidade e algo que só reforça o apreço que possuo por esse povo. Todos nós sabemos dos malefícios de uma alimentação feita basicamente com lanches no estilo do Mc. E não houve pressão para o fechamento, o que não ocorreu e acho mais grandioso ainda é que o governo daquele país não tenha movido uma palha para que a empresa possa continuar aberta. Se o povo não compra seus lanches, que feche. Só isso e o que vier de discussão além disso é pura perda de tempo. Na expulsão da Coca, uma sucessão de atos desencontrados. O mesmo ministro disse textualmente que o povo do seus país prefere beber outros líquidos que o desse refrigerante, o que eu acharia ótimo se de fato estivesse ocorrendo, obrigando a Coca a fechar suas fábricas no país. Assim como o Mc, o refrigerante Coca, como sabemos não nos é benéfico. A notícia do fechamento, portanto, é falsa e promove um alarde gratuito e fora do contexto. Da forma como é difundida pela nossa imprensa, acirra algo desnecessário. É o que ocorre. E é assim que entendo o que ocorreu. Pasqual, tenho certeza, pensa do mesmo jeito.

sábado, 4 de agosto de 2012

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (186, 187 e 188)

AMIGOS CANDIDATOS, “SEM PALAVRAS” – publicado BOM DIA BAURU, edição de 21.07.2012
Passava por momentos aflitivos diante de alguns amigos e conhecidos saindo candidatos à vereança aqui em Bauru. Alguns já me cercavam na rua, outros lançavam olhares de aproximação mesmo em calçadas diferentes. Pararam o veículo no meio fio só para um mero aperto de mão, além, é claro, das mensagens via internet, chegando a todo instante. Virei personagem principal, requisitado e disputado. Alemão, o da Kananga me disse que será o homem da Cultura e quer meu apoio. Marta, do DAE me olha com um olhar desses de clemência, do tipo “não me abandone”. Isaías Daibem, ainda não cruzou comigo, mas não sei o que lhe falar no próximo reencontro. Markinhos, o da Labirinthus me aperta a mão durante um jantar e diz “estamos aí”. Digo ao Issac Ferraz que alguém a cantar tão bem João Bosco só pode ser boa gente. Roque não me diz nada, pois sabe o reconhecimento que tive pelo que vem fazendo. À Suzy, da Apeoesp nem sei o que direi. Os Ricardos, o Barreira e o Oliveira sabem que nossa diferença é ideológica. Eliza Turolo é minha considerada de longa data. Pedro Valentim, Nilson Costa, Clemente, João Fumaça, Hilda Campos, Artemio Caetano, Cidinha do Azulão, Alex Gasparini e tantos outros. A lista é grande e minha campainha toca novamente, só que já tenho meu voto mais do que definido. Só não quero magoar tanta gente de uma só vez. O meu é ideológico. Não basta nessas horas ser amigo. Com muitos a cervejar e jogar conversa fora não teria coragem em confiar missão tão séria. Sivaldo Camargo, meu amigo professor de balé lá da Cultura municipal me deu a definitiva dica para não magoar ninguém, sem entrar em desgastantes detalhes. Disse-me que o ator Paulo Autran tinha uma saída honrosa quando colocado em saia justa. Opinando sobre uma peça, um prato no refinado restaurante ou em qualquer outra situação saia sempre com essa: “Sem palavras”. E feito com imponência, entonação de voz como algo definitivo, deixando a pessoa sem jeito sequer para questionar se aquilo representava uma coisa ou outra. Ou nada. Ou tudo.

“HD”  CHEIO E O SEXO DOS ANJOS – publicado BOM DIA BAURU, edição de 28.07.2012
Minha caixa de e-mails continua entupida. Dessa feita me enviam de forma desmedida informações sobre o próximo pleito eleitoral. Elas me chegam de tudo quanto é jeito e maneira. Querem que me mantenha informado de cada detalhe e possibilidade. É impossível ler tudo, mesmo se quisesse (e não quero) saber de tanta coisa inútil a respeito dos candidatos. Olha o nível do que recebo. “Que acham de alguns candidatos não terem patrimônio algum? Seria por conta de não saber gerir suas receitas? Ela tem patrimônio considerável. Tenho uma pesquisa que procura dizer se teremos segundo turno na cidade. Quem será o candidato a vereador mais votado? A coligação Y fará no máximo dois vereadores. Que nome sugere da coligação X como possível eleito? Imaginando o partido K elegendo três, qual nome sugere com probabilidades. Do partido Z você votaria no João ou no Manuel? Tenho absoluta certeza que a renovação será de 90% na nossa Câmara. E você? Teremos dois turnos em Bauru? A próxima composição de vereadores terá...”. Esse processo político está sendo um dos mais desinteressantes de que se tem notícia. O de maiores possibilidades de informações nos seus bastidores, tudo chegando on-line, porém, com o eleitor cada vez mais dando sinais de não estar nem um pouco interessado nesses detalhes. Preferiria saber quem desses todos tem realmente interesse em atuar pela cidade, quem já fez algo sem mandato, quem está do lado do quê, quem defende o quê e quando no embate, de que lado se posicionará. Um influente advogado da cidade disse-me dias atrás: “Quero eleger um vereador corajoso, que coloque o dedo na ferida e que não tenha medo de ser cassado por causa disso”. Poucos com essa qualificação e nenhuma discussão sendo feita nesse sentido. A melhor resposta eu ouvi de um dileto amigo, outro igual a mim, cuja decisão já está mais do que tomada e cuja propositura não coaduna com a maioria do que ouve, lê e recebe via e-mail. “Meu HD não comporta mais isso”, me disse. Cansamos de discutir o sexo dos anjos.

CIDADÃOS DO MUNDO – publicado BOM DIA BAURU, edição de 04.08.2012
Gosto demais de conhecer pessoas de espírito universal. As que conseguiram suplantar algo muito além da abrangência de sua própria aldeia. Tornaram-se cidadãos do mundo. Responsabilidade aumentada, pois tudo o que dizem e escrevem possui grandiosa repercussão. Existem muitos nesse patamar, alguns com o ego extremado, querendo por para fora somente algo de si próprio e de seu currículo. Esses são desprezíveis, pois ainda acreditam que o mundo gire em torno de si próprio. Nada mais juvenil que isso. Fujo desses. Porém, quando nas raras oportunidades que a vida me proporciona, me deparo com alguém de caráter universal, corro ao encontro delas e fico a ouvi-las atentamente, viro escancarado tiete e depois faço exatamente o que exponho aqui, passo a ideia para frente. Viajando por Buenos Aires nessa semana pude conhecer uma dessas pessoas. Rep é um dos maiores muralistas no mundo de hoje, argentino, publica diariamente suas tiras no jornal Página 12, sempre abordando temas a tocar profundamente o ser humano diante desse globalizado e inconstante mundo em que vivemos. “Sou um humanista político, preocupado com a história. Vivo apartado e não tenho nenhum problema em mostrar a minha ideologia. Defendo ideias e os que o fazem não podem viver escondendo-as. O governo do meu país e do seu não estão com o poder. O poder está do outro lado e é sobre isso que desenho, é sobre isso que falo e escrevo”, me diz no primeiro encontro. As oportunidades das pessoas hoje alcançarem um patamar de respeitabilidade, diante de um mundo onde trombamos uns nos outros é como a de ganharmos o prêmio máximo num jogo de loteria. Miguel Rep (www.miguelrep.blogspot.com) chegou lá, possui credibilidade estabelecida em toda América, Europa e a usa pelo bem comum. Pinta murais mundo afora, todos com temas sociais e diante de um microfone não tergiversa, vai ao cerne da questão. Provoca, instiga, faz pensar e sem medo de cara feia ou das provocações do outro lado. Talvez o vejamos em Bauru em setembro. É o que tento por aqui.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

ALGO DA INTERNET (62)

OS GRUPOS DE DISCUSSÃO ONDE ESTOU INCLUIDO NO FACEBOOK
Quem como eu tem uma simples conta de e-mail gratuita no Gmail não consegue, mesmo que queira, manter-se isolado e sem participar de grupos de discussão formados naquele meio. A todo instante surgem novos e a discutir os mais diferentes assuntos. Adentrei alguns e a cada movimentação, todos os textos ali postados entram gratuitamente na sua caixa de e-mails. Fiquei nessa semana quase dois dias sem abrir os meus e ao fazê-lo uma surpresa, tudo estava entupido, lotado, um por cima do outro. Que fazer? Ler aquilo tudo? Deletei mal ia lendo os títulos, pois mesmo que queira não teria tempo suficiente dentro das 24h do dia para tanta coisa. Abaixo uma relação que, acredito seja a mais fiel possível à realidade. Faço parte de tudo isso. Sou uma pessoa ativa, participativa, atuante e que não gosta de ficar dizendo não aos amigos quando convidado para participar de grupos onde possa fluir o bom e necessário bate-papo. De tudo uma triste constatação, nenhum até agora me propôs a REVOLUÇÃO, mas como sou crente, acredito piamente no semelhante, espero o dia em que surja um convite para mim sair daqui do meu mafuento espaço e ir para às ruas transformar isso. Enquanto pacientemente aguardo, repasso a todos minha lista de grupos:

DIREITOS HUMANOS, COMITÊ DE LUTA PELO PASSE LIVRE ESTUDANTIL, POLÍTICA EM BAURU, VIVENDO BAURU, JORNALISTAS, BAURU SP, PUBLICIBLOG, COMITÊ DE COMBATE AO MACHISMO EM BAURU, TROCAS – VENDAS – PRIMEIRA E SEGUNDA MÃO EM BAURU, FEIRA DO ROLO BAURU, NOS MUROS DE BAURU, SOU BAILARINO, FNDC COMITÊ BAURU e alguns grupos, que confesso, não sei como estou com o nome inscrito, pois não tenho a mínima ideia de como dei autorização para tanto. São eles: AMIGOS FELIZES DO FACEBOOK (que espécie de felicidade será essa?), CONE CREW DIRETORIA (que será isso?), EMPREGO SOROCABA E REGIÃO PARA PESSOAS ACIMA DE 50 ANOS (nem moro lá, como pode? Como entrei nessa?), BAROKÊ (será um bar? Um karaokê? Ou os dois juntos e misturados) e CESTA BÁSICA DO NATAL DOS POBRES CONTA BRADESCO MARIA B COELHO (de onde poderá ser essa pessoa e essa antecipação natalina? Não tenho ideia). Daqui a uma semana, com certeza, estarei incluído em mais alguns. Tudo muito fácil, mas como disse: Cadê a REVOLUÇÃO que não aparece??????

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CARTAS (89)
CARO REP - MEU CONTATO EM BUENOS AIRES COM UM CIDADÃO DO MUNDO
Sou brasileiro aqui do interior do estado de São Paulo, cidade de Bauru, terra do famoso Sanduíche Bauru, onde o craque Pelé começou a jogar bola, onde funcionou o mais famoso bordel brasileiro - a Casa da Eny e local de um famoso entroncamento férreo, onde três ferrovias impulsionaram o progresso da cidade, a Noroeste, a Cia Paulista e a Sorocabana, sendo por décadas a porta de entrada brasileira para toda a América Latina.

Aprendi a gostar do Págfina 12 desde que estive em Buenos Aires pela primeira vez em 2007, quando assisti a um comício do Hugo Chávez lá no Ferrocarril, num momento em que o Busch fazia o mesmo no Uruguai. Descobri junto com o jornal as tiras do REP e desde então virei teu fã. Coleciono suas tiras. As que mais gosto vou salvando no computador e guardando. Aproveito muitas para ilustrar meus textos no blog pessoal, o Mafuá do HPA, sempre com citação da fonte. Logo a seguir viajando também pelo seu blog acabei por tornar-me seguidor. 

Com duas tiras, confesso, cometi uma imprudência sem te consultar, coisa de extremado fã. Sou, assim como tu e o pessoal todo do Página 12 um defensor da devolução das Ilhas Malvinas para a Argentina e ao ver essas duas que fez, numa espécie de papel craft, não pensei duas vezes e as reproduzi numa única camiseta. É uma de minhas camisetas preferidas e por onde ande, tenha certeza, chama muito a atenção. Estive em maio na Espanha e circulei muito com ela entre Barcelona e Madri. Envio algumas fotos para ver como ficou bela. Não fiz a reprodução com nenhum tipo de interesse comercial, pois trata-se de peça única, somente minha e expressa uma das causas mais nobres na luta pelas liberdades na América Latina. Espero que não fiques magoado com a minha iniciativa. Nutro pela Argentina e pelo atual momento que vive um carinho muito grande, pois consegue manter um altaneiro governo, fazendo frente ao império da mídia e do conservadorismo. Assim como no Brasil, estamos superando crises e apontando caminhos.

Estarei em Buenos Aires de 29/07 a 04/08 próximos, acompanhando a esposa num Congresso de Design em Palermo e gostaria imensamente de poder te conhecer pessoalmente. Além do contato pessoal, com um dos maiores muralistas em atividade hoje no mundo, gostaria de te convidar pessoalmente para participar aqui na cidade onde moro do IV Encontro Latinoamericano, promovido por uma escola secundária particular, dirigida por um professor marxista, Carlos D’Incao e capitaneada por um dos mais brilhantes professores de História que conheço, Paulo Neves. Estão buscando um nome para compor a fala final do evento e o seu cairia como uma luva, pela grandiosidade que representa. Nele são discutidos temas ligados à tematica Latinoamericana de forma geral. Ano passado o cineasta argentino Carlos Pronzato esteve por aqui juntamente com o cartunista Latuff.

O evento ocorrerá na segunda quinzena de agosto. Com sua vinda poderemos agendar algo junto a estudantes locais e pontos regionais onde ocorre algo no segmento dos murais, ou seja, criarmos uma agenda de grande interesse para nós e, consequentemente para ti. Poderia marcar um contato pessoal contigo em Buenos Aires? Pense na possibilidade da vinda ao Brasil e adiante algo, para poder ir costurando do lado de cá com a direção da escola. Tenha certeza de que será o ponto alto do evento nesse ano. Fico no aguardo.
Um forte abracito do HPA*
* O contato foi feito dessa forma via e-mail, em oito troca de mensagens, resultando no contato pessoal realizado em 01/08 num bar de Buenos Aires e outro que ocorrerá amanhã, 03/08, esse no estúdio do artista. Conhecer pessoalmente REP, esse imenso cidadão universal é algo indescritível. O relato em breve estará aqui num Memória Oral e numa tentativa de emplacar o texto na melhor revista semanal brasileira. Confiram os sites do REP: www,miguelrep.com.ar e www.miguelrep.blogspot.com. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

CENA BAURUENSE (100)

O NOROESTE PODERIA SER, FAZER E ACONTECER, MAS O ENFIARAM NUMA CONTRA-MÃO E O TIME NÃO PARA DE SER PENALIZADO
Hoje, 15h30, feriado em Bauru, 116 anos, data comemorativa de seu aniversário, meu escrito é sobre algo a ocorrer nesse dia e horário lá pelos lados do estádio Alfredo de Castilho, vila Pacífico, quando o aguerrido ESPORTE CLUBE NOROESTE estará entrando em campo pela quarta vez nessa famigerada Copa Paulista, esse torneio caça níquel, feito exclusivamente para encher lingüiça, enfrentando o Penapolense. Ganhamos uma e empatamos todas as demais em resultados inexpressivos, meros 0 x 0. Mais desestimulante impossível. Que dizer disso tudo? Nada. Não há o que dizer, pois tudo o que havia para ser dito sobre Noroeste, seus abnegados torcedores já o disseram e continuam a dizer. O time está bem das pernas financeiramente, com um grupo que lhe arrebatou às instalações e paga tudo certinho, contas em dia, essas coisas. Mas isso não basta.

Aparentemente bem com o caixa, em operações nunca reveladas, mas demonstrando sinais de normalidade. Isso uma coisa, outra é o isolamento dessa mesma diretoria com a cidade de Bauru, em algo cada vez mais escancarado e nebuloso. Nada contra gente de fora assumir os rumos do time, se os da cidade não se apresentam e se impõem. O que causa repulsa e aversão é o fato deles não fazerem questão nenhuma da cidade estar ao lado do time. Ou melhor, fazem tudo à revelia dos torcedores e da cidade. São permissionários, estão ali por tempo determinado, mas agem com arrogância, prepotência e pior que tudo, se achando os “reis da batata quente”, os ban-ban-bans. Na verdade, jogam dinheiro fora, para o alto e já são motivos de risos e ironias, pois não acertam uma. Deveriam fazer parte do staff dos Trapalhões ou até da Praça é Nossa, pois fazem tudo ao contrário do que uma diretoria com competência poderia fazer, se quisesse, de fato e de direito, construir algo duradouro ou até mais imediatista, ganhar dinheiro com algo producente e atuante.

Tudo isso para concluir com algo bem simples e direto. Ou estão perdidos no meio de um tiroteio ou gostam mesmo de jogar dinheiro pelo ralo ou desconhecem do metiê onde atuam ou estão brincando com toda uma cidade. Escrevo tudo isso como constatação de que não sabem contratar, não sabem dirigir, não sabem manter um bom relacionamento com a cidade, mas sabem muito bem como querem fazer as coisas, mantendo um distanciamento com tudo e todos, como se não existissemos. O técnico é uma ótima pessoa, fala bem, tem um relacionamento perfeito com tudo e todos (o único), mas não resolve, pois está no lugar certo e no momento certo (para eles), caindo como uma luva para os interesses dos dirigentes. Ele só fala o que os dirigentes querem, aliás é o único que pode ainda falar com a imprensa ou quem quer que seja. Um bagre ensaboado, como diríamos no jargão popular. Sempre com palavras bonitas, contornando o que lhe foi questionado e sem dar solução nenhuma para nada. Discurso e atitudes confiáveis, só isso. Falas bem construídas, resultado sempre pífio. Vigora um sepulcral silêncio nas hostes noroestinas, algo draconiano, onde quem paga manda e quem recebe obedece. Lei do silêncio total e absoluto. E tudo poderia ter outro destino, pois é tão fácil estar de bem com essa torcida (não de pede muito), mas não é isso que querem os dirigentes, reis do absolutismo e do poder de mando. Escolherem o pior caminho possível e metem os pés pelas mãos, sem tirar nem por. 

E poderíamos até rir muito da situação, mas acredito que não seja algo propício para o momento. Queríamos é sensibilizá-los que nós, os torcedores não somos bichos, nem mordemos e só queremos algo que talvez eles não consigam entender, queremos o bem do Noroeste, queremos que eles gastem melhor o rico dinheirinho empregado no time, queremos que seja feito algo duradouro dentro da estrutura administrativa, queremos transparência de atos e atitudes. Se fossem inteligentes estaríamos todos juntos, mas preferem ver o time patinando, ninguém podendo falar nada de nada e o time não vencendo meros joguinhos nesse torneiozinho para preencher lacunas de calendário. Imagine como poderia ser numa situação onde todos estivéssemos unidos, lutando pelo mesmo bem comum. Isso parece não interessar para eles, só a nós. E tenho dito.
OBS.: As fotos aqui publicadas são retiradas do site da Sangue Rubro, Canhota 10, Blog do Norusca e desse mafuá. O texto foi escrito originalmente para ser publicado aqui e no blog do Reinaldo Grillo, um noroestino de quatro costados, hoje presidindo a embaixada noroestina nos Estados Unidos da América, com sede atual em New Jersey, arredores de Nova York.