sexta-feira, 7 de setembro de 2012

OS QUE FAZEM FALTA E OS QUE SOBRARAM (38)
PRESENTES
Na edição 710, de 15/08/2012, da semanal Carta Capital, na seção O Som da Imagem, escrita quinzenalmente por Oliviero Pluviano, é reproduzida uma foto tirada por ele em uma avenida no centro nervoso da capital paulista. Com ela, Oliviero faz uma surpresa para o Diretor de Redação da publicação, o jornalista Mino Carta. “Tirei esta foto numa manhã de inverno na avenida São Luís, no centro de São Paulo. Alguns meninos de rua dormiam nos respiradouros quentes do metrô, enquanto uma garoa fina começava a cair. Transformei a foto em um pôster que dei de presente a Mino Carta e, agora, em uma moldura vermelha, está na redação de Carta Capital. É uma imagem muito triste, simboliza as misérias que ainda afligem esse nosso Brasil”, relata ele no início do artigo “Calmo e Dilacerante – O Miserere de Gregorio Allegri é uma obra-prima da polifonia renascentista”. O presente certo para a pessoa certa, pois Mino é, sem sombras de dúvida, um dos mais sensíveis a continuar escrevendo do fundo da alma sobre esse descalabro da miséria e suas causas.
Nessa semana permaneci na capital paulista por alguns dias e na quarta levei pessoalmente para o mesmo Mino o meu presente. Tive cinco textos publicados na revista, quase todos na seção Brasiliana, que abre maravilhosamente a revista com histórias comoventes de um Brasil pouco focado. Mino, que considero o maior jornalista brasileiro em atividade, alguém em quem me espelho e confesso, desavergonhadamente se utilizo de frases. A mais famosa é quando repete algo sobre as redundâncias à nossa vista e nem sempre observadas por muitos: “até as pedras do reino mineral sabem disso”. Depois, algo que faço questão de seguir e ele de citar, relembrar sempre, num martelar que dói para os que disso se afastaram: “escrevo dentro da verdade factual dos fatos”. É meu guru e mais que isso, escrevo regularmente a ele e mesmo com toda sua diária ocupação, lê e na maioria das vezes responde. Envio a ele os “abracitos bauruenses” (ao estilo de Carlito Maia) e ele retribui sempre com um “abraços mediterrâneos”.
Estive em Buenos Aires no começo de agosto e lá conheci outro que gosto muito, o muralista Miguel Rep. Abro diariamente o site do Página 12, primeiro para ver sua tira diária, depois para ler o jornal. Queria conhecê-lo, emeleiamos pelos meios internéticos e tivemos dois belos encontros no seu estúdio. Disso escrevi um texto e Mino o publicou na seção Plural, edição 712, 29/08, com o título, “O poder não está onde imaginam”. No contato com Rep expliquei do papel cumprido por Carta Capital no Brasil e quem era Mino Carta. Ele de bate pronto pegou um pincel e desenhou algo para ser entregue a ele. Colei o desenho tendo ao fundo uma contracapa do Página 12, emoldurei e nessa última quarta, 05/09, entreguei pessoalmente o quadro. Prazer enorme em conhecer a redação, rever, trocar abraços e bater um curto papo (estava fechando a edição que hoje chega às bancas) com Mino, com o redator chefe Sergio Lirio (estará em Bauru, palestra na Unesp em 19/10) e com duas simpáticas secretarias (não cito seus nomes por esquecimento). No texto do desenho de Rep, o mesmo significado, conteúdo e motivo que levou Oliviero a entregar similar presente a Mino, mesmo num contexto pouco diferente: “que la lectura nos haga libres”. Não preciso escrever mais nada, Mino nos move a fazer coisas desse tipo, pois se a verdade factual resiste, tudo se deve ao papel cumprido pelas publicações onde ele está presente. Ele é o cara.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ALGO DA INTERNET (62)

DOIS BELOS FILMES ASSISTIDOS EM SAMPA
Ainda em Sampa, aproveito a estada aqui por quatro dias e coloco em dia algo que gosto muito: ir ao cinema. Do universo de filmes em cartaz pela cidade, dois me chamam a atenção.

No primeiro um francês, o “INTOCÁVEIS”, dos cineastas Eric Toledano & Olivier Nakache, com os atores François Cluzet e Omar Sy. O filme caiu nas graças de todos, sendo um dos mais elogiados na temporada e fenômeno de bilheteria na Europa. Confesso que ultimamente tenho preferido assistir mais filmes europeus e fora do circuito do que os batidões vindos de Hollywood. Não me decepcionei com esse. Uma amizade entre um milionário que ficou tetraplégico e recebe em sua mansão inúmeros candidatos para preencher a vaga de quem o irá auxiliar. O mais improvável, negro, ex-presidiário e que não quer o emprego é quem fica com a vaga, numa espécie de desafio para consigo mesmo. O que a irreverência desse enfermeiro (sem o ser) consegue, numa bela história de vida é envolvente. Sabe aqueles filmes que ao terminarem dá um vontade louca de bater palmas. Esse é um desses. Tudo nasceu de uma história real, um personagem saído dos subúrbios parisiense, alguém a explicitar a questão dos imigrantes africanos na Franca (Driss, o personagem é senegalês), um gigante de quase dois metros e impossível não estabelecer com ele uma admiração instantânea desde a primeira cena. Recomendo. Veja mais no www.intocaveisofilme.com.br e http://www.youtube.com/watch?v=FpwuGtn8aGA
Quando li na Carta Capital sobre o novo filme do cineasta brasileiro Ugo Giorgetti, o “CARA OU COROA”, tinha a certeza de que o assistiria. Só não tinha noção de que seria tão rápido e numa pré-estréia (o lançamento é amanhã, 07/09).  Adoro tudo o que esse realista cineasta produz. Nesse, conta uma história a envolver militares e militantes no período da ditadura militar e toca num ponto pouco explorado, o de que nem todos os militares apoiaram a barbárie. Não pense que encontrarão algo a elogiar o regime. Longe disso, pois os dramas do Giorgetti exploram algo bem diferente disso, aliás, um filme muito sutil sobre o período. Um filme com Walmor Chagas, Otávio Augusto, Emilio de Mello e outros que o diretor adora ter em todos seus filmes, só pode dar coisa consistente. O que mais me intrigou no filme foi observar algo inserido para fazer pensar: a efervescência da época, mesmo durante a ditadura, parece ter se esvaído nos dias atuais. Hoje o que vigora é o mutismo, algo que nem sei se será mais possível redespertar e renascer. Esse filme é daqueles que você sai da sala entristecido por constatar que estamos mais emburrecidos que dantes. O país está menos inteligente e isso é inegável, com participação pífia do povo nos destinos da nação. Aceitamos tudo e décadas atrás agíamos diferente. Quer constatação mais cruel que essa. É para chorar. Veja o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=5oRhpk3I3tA

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CENA BAURUENSE (101)

COMO FOI O LANÇAMENTO DO LIVRO DO DÉCIO E COMO PROCEDER PARA CONTINUAR AJUDANDO NA SUA DISTRIBUIÇÃO
Relembro hoje como foi o lançamento do livro póstumo de DÉCIO BASSAN, o “Energia – Alternativas”, edição do autor (reunião de amigos), 300 exemplares impressos e sendo revendidos cada um a R$ 25,00. Uma verdadeira ação coletiva, onde cada um se doou um pouco, até a concretização final do sonho do autor, que era ver o livro impresso. Todos os que compraram a ideia fizeram algo e desse ajuntamento de ações, o parto foi possível. A obra em si já esmiucei aqui mesmo em textos anteriores no blog. Algo pensado inicialmente como um papo entre pai e filho, depois colocado no papel, numa linguagem acessível aos leigos, como eu e tantos outros. O tema foi um dos epicentros da vida de Décio, um entendido nas questões energéticas e seus desdobramentos. De uma observação do que venha a ser essa questão, os meandros dela no contexto nacional e depois, sua parte mais significativa, algumas propostas concretas de ação. Enfim, um saboroso e degustativo livro, com mais do que certa utilidade.

Isso uma coisa. Depois, a morte do autor, tão logo conclui a revisão da obra. Na sequência, a reunião de amigos para viabilizar a concretização do sonho. E por fim, o grande dia do lançamento. Alguns detalhes anteriores são desnecessários, pois todos, indistintamente tiveram participação decisiva. Quero aqui tecer algumas considerações sobre o evento, a festa, o reencontro de todos com a obra pronta. O local escolhido foi a Casa Ponce Paz, cedido pela Secretaria Municipal de Cultura e numa noite de agosto. A Rose Barrenha, a esposa, desdobra-se para que tudo dê certo e pensa em cada detalhe. Enfim, uma festa de lançamento com tudo em cima. Até música tivemos com o saxofone de Leandro Silver Sax e a voz da inigualável Audren Victorio, ele num solo que durou o evento praticamente todo e ela, numa canja mais do que especial.

Foi uma intensa reunião de pessoas próximas ao Décio, amigos, colegas, parentes e gente interessada na discussão do tema energético. Rolou de tudo um pouco, até uma teatralização com algo sobre o autor e seus escritos, como uma bela ideia de um livro, montado com uma foto do autor e a solicitação de que ali fosse registrado algo sua pessoa. Na mesa ao lado, o filho Bruno, dava os autógrafos em nome do pai, afinal, o livro fora escrito pensando num diálogo com ele. Tudo muito singelo, puro e simples, como devem ser as coisas naturais, com sentimento e feitas com algo mais, vindo de uma força interior só alcançada nesses momentos.

O mais novo (infelizmente, o último) filho do Décio está parido, nas paradas e com a obra circulando, posto aqui algumas fotos e deixo registrado que a campanha para aquisição dos livros continua em pé, em plena vigência. Rose Barrenha tenta nesse momento deixar alguns livros em locais da cidade onde alguns exemplares possam ser adquiridos, mas conta com a colaboração de todos. Deixo aqui seu fone para o contato principal de aquisição. Liguem para 14.81646913
OBS.: Como é mesmo difícil o lançamento de livros alternativos no país. Vejo a luta contínua do amigo LÁZARO CARNEIRO para emplacar o seu novo nas paradas de sucesso e ontem, 04/09, aqui em Sampa, encontro por acaso no vão do MASP, o libanês bauruense ELIAS SALIBA RAFFOUL, cujo pai teve até o final da vida uma conhecida loja de calçados na Baixada do Silvino. Ele tem um livro pronto sobre a política no Oriente Médio, um condensado para que entendamos os intrincados desdobramentos de cada pedacinho daquela região do planeta, tão comentada e tão pouca entendida. Papeamos, tomamos uma cerveja juntos (eu, ele e Fausto Bergocce, na av. Paulista) e falamos de nossos sonhos e utopias. Tomei uma aula sobre Oriente Médio. Não consegue encontrar quem imprima a obra e joga uma garrafa ao mar, em busca de ajuda.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (19)

O MOITARÁ REVIVE ALGO PERDIDO, MAS NUNCA ESQUECIDO
“Desde 1986, foliões de todos os lugares dos Estados Unidos e do mundo reúnem-se no deserto de Black Rock, em Nevada, para celebrar o mais popular festival hippie norte-americano, o 'Burning Man'. O evento começa na última segunda-feira do mês de Agosto e termina na primeira segunda-feira de Setembro. Descrito por muitos participantes como um festival de expressão individual, é associado ao movimento hippie, muito forte nos Estados Unidos na década de 1960. Apesar de ser muito conhecido pela música e pelas artes, o festival é aberto para todos os tipos de manifestações artísticas e para todas as pessoas que queiram fugir momentaneamente das restrições impostas pela sociedade. Mais de 60 mil pessoas participaram do festival de 2012, cujo tema foi 'Fertilidade 2.0'”, esse texto eu achei na internet e demonstra como a cultura hippie, ou seja, a contracultura não morreu e vigora, mesmo com todo o incentivo no sentido contrário. Hoje, um símbolo do desacordo existente no ser humano com a crueldade imposta pelo capitalismo é o filme “Na Estrada” (assista o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=uUzklNReJbs), dirigido por Walter Salles e relatando apenas uma das passagens da vida de Jack Kerouac.

Uso esses dois temas, o festival e o filme para comentar algo que fiz questão de presenciar em Bauru na última semana de agosto, a festa mensal do grupo MOITARÁ. Esse agrupamento cultural, capitaneado pelo pessoal ligado umbilicalmente ao Souto, da empresa de propaganda Propag, promove algo de uma sensibilidade impar, pouco visto no mundo atual. A festa do Moitará é uma reunião mensal para cultuar a vida, o congraçamento humano, a importância do ser sobre essa atribulada vida atual. Reinam no ar um espírito de muita paz, gente jovem, todos alegres e contentes. No evento presenciado, um casal de colombianos cantou e o palco foi depois oferecido a todos os presentes e ali aconteceram manifestações diversas, de gente descomprometida do oficialismo. Tudo muito simples e natural. Comidinha natural, sucos, lanches com muito vegetal e nada de bebida alcoólica.

O local do evento é onde funciona nos demais dias a Propag e ali ocorre uma transformação das mais instigantes. Um cenário doutro mundo, doutro espaço, de outra mentalidade. Muita cor e um ajuntamento de objetos, numa decoração com a cara hippie, mesmo não o sendo e com a cara do filme e do que representou Kerouac, mesmo muita coisa sendo distante uma da outra (tudo muito distante e muito próximo). Vejo uma importância muito grande na valorização de eventos como esse e faço questão de divulgá-los, pois eles demonstram uma real possibilidade da convivência dos desiguais, os inconformados, os desajustados e os que não querem estar inseridos no contexto proposto (quase imposto) pelo mundo do pensamento único.

Fico a matutar aqui no meu interior, de como é bonito essa proposta, do viver mais simples, do viver voltado para e com a natureza, do demonstrar que outro mundo é possível (basta querer e executá-lo). O Moitará faz isso em Bauru e suas festas, “necessitando de divulgação”, como me disse o Souto, são lugares ótimos para, depois daquele corre-corre que são as vidas de nós todos, a real possibilidade de ficar desplugado de tudo o mais, chegando a uma simples e sensata conclusão: tudo pode e deve ser bem mais simples do que acreditamos. A Propag fica na rua Afonso Pena, bem pertinho da rua Bernardino de Campos e a festa, como já disse, acontece sempre na última semana de cada mês e lá, além disso tudo, uma lojinha de coisinhas só encontradas ali. Só indo lá para ver e crer.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DIÁRIO DE CUBA (57)

“FALEM DE MIM”, MAS SERÁ QUE SABEM DO QUE ESTÃO FALANDO – DECLARAÇÃO DE AMOR Á CUBA
Cuba é uma pequena ilha, talvez a que gere mais discussões e debates mundo afora. Todo dia surgem fatos novos e de tudo o que vejo e leio, minha conclusão é somente uma: a imensa maioria desconhece do que fala, pois toma partido pelo que lê na imprensa, nem sempre favorável ao regime cubano. Muitos agem de má fé, pois ao fazer a intransigente defesa do capitalismo, espezinham Cuba de forma infame, cruel, sem dó e piedade. Dou um exemplo. O jornal BOM DIA publicou um Perfil, o “Experiências de um comunista bauruense”, contando breves passagens da vida do advogado e militante Arthur Monteiro. No texto ele faz uma declaração de amor à Cuba, além de relatar algo sobre seu segundo retorno à ilha, nesse ano. Foi o que bastou para já no dia seguinte, numa raivosa carta, um leitor se insurgir contra ele, contra a ilha, com as mesmas declarações, repetitivas e mentirosas de lá ser o próprio inferno na Terra. Por que isso? Por que o ódio à Cuba? Por que acreditam tanto no que lêem sem ao menos tentarem conferir se aquilo tudo condiz com a verdade?
Semana passada, numa mesa de bar, discuti com um grande amigo e um dos motivos foi Cuba. A mesma repetição a me doer os ouvidos e recheada de um algo mais: “Conheci um cubano e ele me confirma que tudo por lá é exatamente como lemos”. Minhas perguntas são as mais simples num caso desses: Quem é esse amigo? Já procurou entender por que ele fala mal do seu país? Por que saiu de lá? O que fez? Não consigo discutir com alguém que fecha a questão por causa de uma só pessoa contra todo o posicionamento de um país. Um dos meus temas preferidos é Cuba. Leio muito, vejo filmes, converso muito com gente daqui e de lá sobre o ontem, hoje e amanhã na ilha.

Na semana passada estive na casa de uma grande amiga cubana, professora residente em Bauru, morando aqui em Bauru há mais de uma década com filho e sobrinha. Recebe em sua casa rotineiramente sua mãe e há um mês, hospedado em sua casa um amigo do seu país. Eles vem e voltam como qualquer outros e com as mesmas dificuldades que nós todos temos para viagens: grana. Só sai do país quem tem condições de fazê-lo ou convidado por alguém, que lhe banca a passagem. Alguma anormalidade nisso. Nenhuma. Assim como li no texto do jornal sobre a última viagem do amigo Arthur, estive somente uma vez na ilha, em 2007, por 20 dias e pretendo voltar no máximo ano que vem, quando levarei comigo meu filho. Não quero provar nada sobre a ilha, só algo simples. Vivemos atolados até o pescoço num mundo onde tudo gira em torno de um grande deus, o “dinheiro”. Lá, a coisa é diferente e o dinheiro não é o motor gerador de vidas, idéias e ações. Isso é o que incomoda e tudo é feito para destruir um exemplo mais do que viável de que outro mundo é possível. Cuba, com todas suas deficiências comprova isso. Eu gosto demais dela exatamente por causa disso, por possibilitar a todos os não inseridos nesse mundo dominado pelo capital, uma alternativa de vida mais simples, sem luxo, sem ostentação, mas com tudo o que buscamos como loucos e não temos, saúde, educação, lazer, cultura, transporte, a custos praticamente zerados e com qualidade. Tudo isso é impossível de acontecer isoladamente no mundo que vivemos e quando juntados, algo a ser combatido, quando deveria ser o contrário, ou seja, incentivado e proliferado.

Isso tudo é o próprio paraíso e ele está aqui na Terra, ao alcance de todos, quando vivos. Não é preciso morrer para chegar a paraísos. Sou mais buscar eles enquanto vivo. Se o sistema cubano é ruim, imperfeito, seu grande bem é buscar esse caminho onde o homem, o ser humano é mais importante do que tudo o mais. Minha luta, algo a me mover, sendo comunista ou não, é buscar alternativas de corrigindo seus erros, chegar a um mundo mais justo, igualitário, onde vivamos em paz conosco mesmo, um diminuindo a pobreza do seu semelhante. Cuba é uma luz no fim do túnel, esse o problema. Quero escrever mais de Cuba e de como encaro isso tudo, portanto, mês que vem tem mais...
OBS: As ilustrações do texto, a primeira uma charge do LATUFF, a segunda foto minha de 2007 (quando de minha viagem com o amigo Marcos Paulo) e a terceira, foto do blog do bauruense LUIS FREITAS, o "Será o benedito?", outro irremediável defensor de Cuba como solucionador de problemas mil, planetários e interplanetários.

domingo, 2 de setembro de 2012

FRASES (93) e MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (192)

ONTEM, 1º DE SETEMBRO, 102 ANOS DE MUITO "SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS"
O glorioso Esporte Clube Noroeste fez anos, mas as comemorações são sempre modestas aqui pelos lados do Alfredão. O time anda capengango pelas tabelas de um campeonato que não vale nada, pura encheção de linguiça. Poderia servir para testar o elenco que nos levaria de volta para a 1º Divisão do Paulista. Até agora, pouco vimos nesse sentido. Hoje, somos um time sem dívidas, funcionalismo contente, estruturas bem mantidas, equipes de base atuantes, porém um silêncio sepulcral sobre os destinos do time. O trato com a imprensa e com os torcedores é o mínimo necessário, nem todos podem dar entrevistas, filtra-se pouco das intenções dos dirigentes e mandatários. Ouço muito um: "Ruim com eles, pior sem, pois a cidade não apóia nada e estaríamos hoje como o XV de Jaú, Novorizontino, São Carlense, ou seja, quase no fundo do poço". Será isso mesmo? Veja o basquete que fez e aconteceu, juntou gente interessada em comandar o time e conseguiu um baita de um patrocinador. Sou de uma época em que via o Alfredão cheio de gente para assistir o Norusca e a Panela meia boca no basquete, depois vi o contrário. Queria muito ver os dois locais cheios e disse isso para o Rafael Antonio, o melhor narrador esportivo da rádio bauruense atualmente, atuando em dose tripla, pela sua Jornada Esportiva, pela 87FM e pela Auri-Verde. Ele repicou no ar e me respondeu: "Quero também Henrique, mas que os jogos sejam em horários diferentes, dias alternados". Além disso, o que quero mesmo é ver o pessoal da atual administração não jogando tanto dinheiro fora, sabendo usá-lo e valorizando o que esse time tem de melhor, sua torcida e tradição. Fazer tudo de costas viradas para a galera e a cidade é burrice. Já pensaram no que seria possível com tudo integrado? Isso que vi até agora com o técnico, bonzinho, inteligente, mas que não conseguia implantar tática nenhuma ao time é algo que não pode continuar acontecendo. Esse time é grande demais, representa muito em todo o interior. O Marcão, nosso técnico de arquibancada, representante dos torcedores no Conselho do clube e dono da loja de discos mais noroestina do planeta me disse na saída do último jogo (derrota para o Marília, 2x0): "O Noroeste quando vai jogar em outras cidades do interior é como se fosse um time grande. É respeitado, todos querem ganhar da gente, atraímos público, é grandioso a chegada do nosso ônibus nas cidades, mas quando começa o jogo, tudo está se esvaindo". Tá faltando algo que os dirigentes, administradores e o dono (sic) do time ainda não perceberam. É isso que precisamos fazer com que enxerguem. 102 anos não é pouca coisa e não dá para, num casamento, o marido viver distante da esposa. O que precisaremos fazer para abrir a mente desses que estão no comando do Noroeste? Se nós todos queremos o bem do time, por que o distanciamento? Se todos do lado de cá enxergam uma coisa, como é possível só eles enxergarem o contrário? Fatos lamentáveis como a torcida clamando por ser ouvida, como nas fotos aqui postadas, onde o Noroeste acaba virando um Caso de Polícia são lamentáveis sob todos os aspectos (fotos minhas, dos protestos no portão de acesso do Alfredão, noite de 29/08). Ninguém quer isso, presa-se deixar de ser Caso de Polícia. Nós só queremos a felicidade. Trocar só o técnico e continuar com a mesma mentalidade, medrosa, retranqueira e trabalhando no ocultismo não dá. Por fim, abaixo um texto meu sobre os desmandos de uma forma geral que acometem o futebol brasileiro, publicado ontem, 01/09 no BOM DIA BAURU (meu 192º por lá). Reflexões coletivas são sempre bem vindas.
Inevitável registro: Ontem, já sem o técnico retranqueiro, dia do aniversário do time (que já foi clube), jogo em SJRPreto, com um auxiliar assumindo provisoriamente o comando, jogamos como nunca no campeonato, fomos para frente, acuamos o adversário e ganhamos o jogo por 2x1. Isso é pouco e até técnino novo já temos, mas o "lhufas" para a cidade e seus torcedores continua. Uma diretoria de costas viradas para tudo e todos. Esse texto, sem esse adendo, saiu publicado no blog do Reynaldo Grillo e com citações nos grupos de discussões noroestinas pela rede internética.

O FUTEBOL ENGATOU MARCHA A RÉ
Eu gosto muito de futebol, mas nem um pouco do que vejo nos gramados brasileiros nos dias de hoje. Predomínio de partidas horrorosas, desestimulantes sob todos os aspectos. Insisto em assistir os jogos do Noroeste, meu time do coração, mas cada vez menos pelo jogo em si, e sim, pelo congraçamento entre os torcedores nas arquibancadas. Demonstro numa simplista comparação quanto o futebol está desvirtuado. Digo por aí que hoje é o equivalente a ver o Michel Telló no palco. Prefiro fazer outra coisa. O alento vem de fora. Quer queiramos ou não, se alguém ainda gosta realmente de futebol, isso passa pelo que joga hoje o Barcelona. Perdendo ou ganhando, com eles não existe amarração em campo. Aquele toque de bola é o que nós perdemos. Os técnicos brasileiros estão atrasados uns 30 anos, mentalidade ultrapassada, retrógrada e retranqueira. Não convencem mais, empolgação zero. Perdemos o rumo e o prumo. Projetos zerados, dirigentes inescrupulosos, categorias de base menosprezadas e tudo refletindo nos jogos. Anos luz distante da organização dos ingleses, alemães e espanhóis. Sofro vendo o tipo de campeonato que o centenário Noroeste está metido, algo criado para encher linguiça, que não leva a nada e serve para endividar mais os clubes. Como é possível sobreviver diante de algo onde pagam para entrar em campo? É o círculo vicioso do caos, da bancarrota. Bobões, é o que somos. Esse negócio do motivador de beira de gramado, esgoelando, não funciona mais. Torço por Guardiola como nosso técnico? Já um Tite, nosso professor Pardal, vergonhoso ver o que sai de sua boca (e sou corintiano). O estilo de Joel Santana e de Luxemburgo estão ultrapassados. Sabíamos fazer, fomos vitoriosos, mas jogamos a fórmula fora. Nem nos jogos do amador bauruense vou mais, adoração no passado, pois tudo sendo bancado pelos atuais patrocinadores me recuso a ir aos estádios. Como sacudir essa marcha melancólica? Não existe cartada mágica e sim, uma retomada de algo abandonado. Abaixo os retranqueiros de plantão, todos ao ataque!

sábado, 1 de setembro de 2012

DICAS (98)

SÃO TANTAS EMOÇÕES E A MAIOR, A CIA ESTÁVEL DE DANÇA FAZ SUA ESTRÉIA
Hoje é um dia mais do que especial. Cito só alguns dos motivos. O primeiro é pelos 102 anos do time que escolhi torcer, o de minha aldeia, o ESPORTE CLUBE NOROESTE, que na grande maioria desse tempo viveu uma história recheada de “sangue, suor e lágrimas” (cito sempre isso, título de um livro do Doc Comparato). Tenho algo mais sobre o Noroeste e repassei para o amigo Reynaldo Grillo publicar no seu blog, o www.blogdonorusca.blogspot.com. O faço aqui após sair por lá. Reproduzo aqui duas ilustrações espalhadas via internet pelo Wander Valente, o do blog Botequim do Valente, intrépido guerreiro da periferia bauruense. Ele, eu, Reynaldo e uma legião de descontentes com a atual situação queríamos muito estar vivendo outro momento. Como isso não é possível, resta-nos comemorar a sobrevivência desse time (que já foi um belo clube no passado) a nos embalar e juntar. Sou “vermelhinho” até nas cores do meu time. Hoje o time joga contra o América de SJRP, 19h, transmissão pela TV Rede Vida, sem técnico e seria ótimo se o fizesse buscando o ataque, coisa que pouco fez até agora.

Algo acalentado por décadas tem hoje, no palco do Teatro Municipal o seu pontapé inicial. 21h, ocorre a estréia da CIA ESTÁVEL DE DANÇA DE BAURU. O sonho, que hoje vira realidade só foi possibilitado porque o atual prefeito comprou a idéia, acreditou nas pessoas envolvidas e daí tudo vingou, também com muito “sangue, suor e lágrimas”. Sei que é ruim personificar um acontecimento dessa magnitude no nome de uma pessoa, mas não tenho como dissociar a concretude do que vislumbro hoje sem citar SIVALDO CAMARGO. Acredito que, fazendo-o estarei prestando uma justa homenagem a quem tanto batalhou para que esse dia chegasse, nosso homem das sapatilhas douradas. Siva, como o chamo, hoje um gran vizir, um mestre no quesito dança é o menestrel desse corpo de dançarinas e dançarinos, que certamente encantará essa cidade. O princípio de tudo é fazer as coisas gostando muito delas, Siva e sua equipe fazem tudo isso com amor. Daí só pode nascer coisa boa e duradoura. Aqui, tenho que externar meu parabéns ao prefeito Rodrigo, que comprou a idéia de cara. Hoje na propaganda de Tv, vejo algo tacanho de um candidato, sobre o que deve e o que não deve ser priorizado. Para ele e tantos outros, digo que a cultura é tão importante como a saúde, a questão da água, do transporte, etc. Ainda da festa, antes dela começar uma justa homenagem a RUTH NAHAM, a primeira mestra a ministrar aulas de dança na Prefeitura. Hoje, aos 86 anos, saúde debilitada é lembrada com um troféu e um vídeo, revendo sua trajetória. Feito após uma entrevista com a mestra e com fotos cedidas por ela, aqui vai um parabéns para SUSAN LOPES, atriz e hoje servidora municipal, pela produção artesanal e de muito bom gosto (é dela a foto atual da velha mestra). Quero estar lá para conferir isso tudo, ao vivo e a cores.

Nesse final de semana outro evento tem sua estréia anual, pelo quarto ano consecutivo, o projeto musical do Jardim Botânico, UM CANTO NO BOTÂNICO. Quem dá o pontapé inicial é o BITENCA, às 10h desse domingo, 02/09 e lá, além do seu repertório, podem pedir, pois apresentará quase em primeira mão uma nova música sobre os desmandos desse país, baseada na “Caminhando” do Geraldo Vandré. Quando penso nesse projeto, a primeira pessoa que me vêm na mente é AUDREN VICTORIO, uma das mais lindas vozes de Bauru, pois é dela todo o arcabouço desse projeto. É a carinha dela, sem tirar nem por. Citando ela, deixo exposto como gosto desse projeto a envolver a natureza e a boa música. Essa intrépida cantante e também funcionária pública, atuando na Assessoria de Imprensa da Prefeitura, faz tudo com tanto carinho, que é impossível não dar certo algo onde toque as mãos. É nossa Midas cultural. Dela, que também atua prestando solidariedade a algumas entidades assistenciais da cidade, quando cozinha e revende quitutes de sabor pra lá de bons, tudo sendo revertido como caixa para facilitar-lhes a sobrevivência, acabou mais conhecida com um nome dos mais sugestivos quando se traveste com avental e saleiro, “SABOR DA NEGA”. Essa nega é da pá virada e mora no coração de quem a conhece. Pena já ser comprometido, e de outra nega, explico. No vídeo lá embaixo, Audren cantando no lançamento do livro de Décio Bassan, Casa Ponce Paz, semana passada.

Acontecendo durante toda a semana algo agitando, principalmente o meio universitário de Bauru, mais uma edição do FESTIVAL CANJA, iniciativa com a chancela do Enxame Coletivo, tendo como um dos próceres o espevitado ARTUR FALEIROS NEVES. São iniciativas joviais, cheias de balança e algo modernoso, moderno e também cult (e como faz falta isso por aqui). A programação é (foi a semana toda) extensa e para consultar nada melhor do que procurar algo mais pelas redes sociais. Tá tudo lá e o povão na rua, fazendo acontecer com muita música, filmes, debates, espetáculos gratuitos e a envolver algo diferenciado, ou seja, cultura independente e de qualidade.

Confesso aqui ter feito uma brincadeirinha com meu candidato a vereança. Roque Ferreira me entrega um adesivo desses grandões. Ocuparia todo a parte traseira do vidro do carro. Pensei melhor, colei lá no alto um pequeno com seu nome e retalhei o que me deu. No grandão estava escrito "ROQUE". Cortei ao meio, colei de trás para frente virando um "QUERO". Tinha uma frase, "Nas ruas e nas lutas", cortei, misturei as palavras e colei só um "LUTA NAS RUAS". É meu jeito de fazer campanha para ele, "ROQUE - QUERO LUTA NAS RUAS". Acredito que ficou melhor. Que acham? Fiz isso inspirado num velha campanha onde combatíamos o COVAS para governador e como protesto segui uma idéia em jocoso tom, recortando seu nome ao meio e colando da seguinte forma: "VASCO". Brinquemos com isso tudo, esculachando com uns e valorizando outros.

Posso encerrar com algo meu? Pero si pelo no, lá vai. O livro “REGINÓPOLIS, SUA HISTÓRIA”, escrito por mim e desenhado pelo FAUSTO BERGOCCE continua nas paradas, ou melhor, nas bancas. Duas delas, a da HILDA, do Aeroporto e a do VALDIR e VERA TAMIÃO, do terminal Rodoviário tem exemplares para vender (para dar ainda não tem, acabaram esses). São R$ 30 reais cada. O livro ficou bom e tenho que confessar algo, meu caixa anda baixo...