TECH ME FAZ REVIVER AS MARAVILHAS DE BEIRA DE ESTRADA E MATO ADENTRO
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| O recanto paradisiaco do Reginaldo Tech em Torrinha |
| O Polaco em Pouso Alegre de Baixo |
Fui lembrar disso tudo por causa do Reginaldo Tech, esse bandido, que ontem publicou pelas redes sociais algo falando de uma estalagem lá na estradinha entre São Manuel e Torrinha, uma que lava o nada ao coisa nenhuma. Ótimo lugar, por sinal. Não conheço o lugar indicado por ele, mas sim a estrada e os desvios de quem se perde entre Dois Córregos e Torrinha. Um lugar assim, com queijo fresco, mel, linguiça artesanal, pinga do lugar e gente proseando com capim enfiando entre os dentes é para parar o carro e perder hora dos compromissos até então assumidos. Se o Tech conhece um lugar assim e dele acabou fazendo seu pouso mais do que certo, tenho uma infinidade deles guardados aqui na memória, prontinhos para serem revelados. Respondi a ele de outro ali na entrada de Lins, mais rebuscado, chique, mas aconchegante como poucos, o Forte Apache, com guloseimas de babar e escorrer pelo queixo. O pão caseiro deles é uma alucinação. Fica do lado de quem volta e se bobear fica para trás, pois nem placa indicativa tem. Luxuoso e sem anúncios. Maravilhas de beira de estrada.
| O Forte Apache na entrada de Lins |
Olha o que o danado publicou: “Um rancho... rústico e simples... customizado como uma cabana no meio do mato, no km 222 da rodovia 304 (que liga às cidades de São Manuel (Rod. Mal. Rondon), Torrinha, São Pedro, Águas de São Pedro, Charqueada, Piracicaba e toda região de Campinas), em Santa Maria da Serra... onde você encontra o melhor queijo fresco da região, mel puro, favo de mel, água de coco gelada, pão caseiro congelado, suco puro de laranja, abóbora, laranja, melancia, doces caseiros e de Minas, carvão de eucalipto, leitoa e galinha caipira, ovo caipira, linguiça caseira, carneiro, pato, galinha d'angola, paçoca caseira, pimentas e picles em conserva, palmito macios de vários tipos, cachaça artesanal envelhecida (este produto nós entregamos na sua casa), molhos, temperos, artesanato de Santa Maria, água da mina... exposição de objetos antigos e de fazenda... ambiente rural aconchegante, canto dos pássaros e um bom dedo de prosa. RANCHO DA SERRA: a conveniência de produtos caseiros e caipiras de Santa Maria da Serra! #2016 A qualidade dos Sabores da Serra na sua mesa...”. pronto, me pegou pelo estomago.
| Eu e Tech beirada de Igaraçu (foto Vinagre) |
Dia desses fui para a Barra e adoro ir pela vicinal que passa por Macatuba. Paro sempre no posto de gasolina ali no meio do nada, pouco antes da usina. Desço do carro, olho para os lados e só cana para tudo quanto é lado. Daí me pergunto: Mas como isso aqui sobrevive? E sobrevive, pois desde que me conheço por gente o posto está ali encravado no meio do hoje deserto de cana. Mais adiante, já quase chegando em Igaraçu, um barzinho na beirada do braço do rio. Tempos atrás parei ali com o Vinagre e o próprio Tech e a sardinhada foi de lamber os beiços. Quando volto por Jaú, paro também em Potunduva, antiga Ayrosa Galvão e na pracinha velha, quase junto de um Grupo Escolar onde minha mãe deu aula, sento vendo o verde da praça e observando as pessoas com a barra das calças sujas de um vermelho que deve difícil de sair da roupa. Em Guainás, tinha o restaurante com uma bisteca de lamber os beiços. Fechou, mas na entrada do Vale do Igapó tem uma venda, um armazém que tem uma ótima cervejinha gelada. Em Aymorés também tem um botequim de vilinha que é indescritível.
| Empório Ribeirão Bonito de Arealva |
Na estrada de Arealva, entro sempre em Santa Isabel e para num bar quase na esquina da praça, tomo uma gelada e só depois sigo viagem pelo terrão até o acampamento na beirada do rio. Lá no meio do mato, em Ribeirão Bonito tem uma venda fantástica no meio do mato, em frente ao campo de futebol e da igreja, tendo aos fundos uma cachoeira. O paradisíaco lugar é propriedade dos Cardoso, com a Cahoeira Babalim e aquela água gelada ali prontinha para ser apreciada. Descobri que tem até quartos para alugar. É impossível não ficar horas sentado ali na venda olhando pro nada logo ali adiante. Na estrada Bauru Ipaussu, pouco antes do famoso posto Paloma, tem um restaurante no sentido de quem vai daqui para lá, usual parada de caminhoneiros, com uma mesa grandona, onde todos se sentam juntos e depois se servem num grande fogão a lenha. Toda vez que passo na estrada e vejo aquela fumacinha subindo do telhado, fico trêmulo de vontade de parear e me esbaldar. A diabetes me oprime e é hoje meu freio de mão. Na volta de Marília, quase chegando em Bauru, antes do Cedro, tem uma bar do meio do mato, acho que é Bar da Rose, no meio de uns seringais, ponto de encontro de todos os sitiantes do lugar, mercearia e uma espécie de salva-vidas de quem mora por ali. A cerveja é gelada e o único cuidado é não deixar algum pássaro cagar dentro do seu copo.
| Beira da balsa lado de Boracéia |
E assim como esses, outros tantos. O Tavolaro e o Taperão lá pelos lados de Brotas. Na estrada que liga Itapuí até o trevo de Bariri, tem uma venda numa curva, diante de uma escola abandonada, com um paredão cheio de coisas empoeiradas expostas. Paro sempre. Na balsa de Boracéia tem uma vendinha chinfrim, mas quando a demora é grande um refúgio para estômagos vazios. Lá perto do escondido aeroporto de Arealva tem o cara que faz porco revirado e é um lugar bom demais da conta. Rio Verde tem uma venda que lota todo final de dia, bilhar disputadíssimo. Na estradinha que liga a Rondon e vai para Reginópolis, a que passa pelo presídio, logo nos primeiros quilômetros tem uma venda, a única no trecho, paro sempre, pinga boa e gente boa de conversa. Na Bauru Piratininga tem a mulher logo na saída da cidade que faz pão caseiro e os revende na beira da calçada de sua morada. Na Bauru Marília, um cara lá de Ubirajara montou uma barraca pouco depois do trevo de Fernão e fica ali na pista vendendo produtos da Vó. Perguntei da velha e ele com seu jeito matuto me disse que a velha já tinha batido as botas, mas que deixou as receitas todas com ele e assim ele dá prosseguimento no negócio. Faz tudo na cidade, ele e a esposa e depois fica o dia vendendo ali na beirada da pista. Tem muito mais e alguns até me esqueci agora, nessa pressa de escrever e publicar isso tudo. É isso, viu Tech o que você foi fazer, mexeu com meu cerebelo e desandei a extrair lá do fundo da memória uns lugares do arco da velha. Esse os lugares mais desestressantes desse nosso mundo. Gosto deles todos. Eu até paro de bater boca quando estou num lugar desses, eles me curam desse mal. Antídoto igual não existe.


















