quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

UM LUGAR POR AÍ (77)


TECH ME FAZ REVIVER AS MARAVILHAS DE BEIRA DE ESTRADA E MATO ADENTRO

O recanto paradisiaco do Reginaldo Tech em Torrinha
Sou um estradeiro. Já viajei muito mais do que o faço hoje. Fui parando ao longo do tempo. Antes a estrada me comovia (e me sustentava), percorria distâncias inimagináveis em busca de meus caraminguás. Como sabem sou bocudo, tenho diploma de professor, mas escolhi eu mesmo criar meus empregos, pois como iria pedir emprego para os que amanhã poderia estar escrevendo contra. Não tinha mesmo jeito. Deu certo durante um bom tempo. Hoje nem tanto, mas continuo tentando esse ofício de Caixeiro Viajante do século XXII. As coisas mudam, hoje faço mestrado e estou com livros a entupir minha mesa de estudo e a estrada vai se distanciando cada vez mais dos meus projetos. Sofro por causa disso, mas não tenho muito o que fazer. Resignado, vivo do passado. São tantas histórias, em cada canto que ia, um lugarzinho mais do que especial para as devidas paradas. Quando me lembro disso tudo, tenho que me acorrentar num poste e peço para a Ana esconder a chave, pois me bate uma irrefreável vontade de pegar vento no rosto. Ela é boazinha e de vez em quando, ao me ver trêmulo me acompanha em lugares pela aí. Dia desses estávamos tomando uma cervejinha numa pizzaria na praça central de Tibiriçá. Noutro fui lhe explicar como era o distrito de Pouso Alegre de Baixo, onde tem o Restaurante do Polaco.
O Polaco em Pouso Alegre de Baixo

Fui lembrar disso tudo por causa do Reginaldo Tech, esse bandido, que ontem publicou pelas redes sociais algo falando de uma estalagem lá na estradinha entre São Manuel e Torrinha, uma que lava o nada ao coisa nenhuma. Ótimo lugar, por sinal. Não conheço o lugar indicado por ele, mas sim a estrada e os desvios de quem se perde entre Dois Córregos e Torrinha. Um lugar assim, com queijo fresco, mel, linguiça artesanal, pinga do lugar e gente proseando com capim enfiando entre os dentes é para parar o carro e perder hora dos compromissos até então assumidos. Se o Tech conhece um lugar assim e dele acabou fazendo seu pouso mais do que certo, tenho uma infinidade deles guardados aqui na memória, prontinhos para serem revelados. Respondi a ele de outro ali na entrada de Lins, mais rebuscado, chique, mas aconchegante como poucos, o Forte Apache, com guloseimas de babar e escorrer pelo queixo. O pão caseiro deles é uma alucinação. Fica do lado de quem volta e se bobear fica para trás, pois nem placa indicativa tem. Luxuoso e sem anúncios. Maravilhas de beira de estrada.
O Forte Apache na entrada de Lins

Olha o que o danado publicou: “Um rancho... rústico e simples... customizado como uma cabana no meio do mato, no km 222 da rodovia 304 (que liga às cidades de São Manuel (Rod. Mal. Rondon), Torrinha, São Pedro, Águas de São Pedro, Charqueada, Piracicaba e toda região de Campinas), em Santa Maria da Serra... onde você encontra o melhor queijo fresco da região, mel puro, favo de mel, água de coco gelada, pão caseiro congelado, suco puro de laranja, abóbora, laranja, melancia, doces caseiros e de Minas, carvão de eucalipto, leitoa e galinha caipira, ovo caipira, linguiça caseira, carneiro, pato, galinha d'angola, paçoca caseira, pimentas e picles em conserva, palmito macios de vários tipos, cachaça artesanal envelhecida (este produto nós entregamos na sua casa), molhos, temperos, artesanato de Santa Maria, água da mina... exposição de objetos antigos e de fazenda... ambiente rural aconchegante, canto dos pássaros e um bom dedo de prosa. RANCHO DA SERRA: a conveniência de produtos caseiros e caipiras de Santa Maria da Serra! #2016 A qualidade dos Sabores da Serra na sua mesa...”. pronto, me pegou pelo estomago.
Eu e Tech beirada de Igaraçu (foto Vinagre)

Dia desses fui para a Barra e adoro ir pela vicinal que passa por Macatuba. Paro sempre no posto de gasolina ali no meio do nada, pouco antes da usina. Desço do carro, olho para os lados e só cana para tudo quanto é lado. Daí me pergunto: Mas como isso aqui sobrevive? E sobrevive, pois desde que me conheço por gente o posto está ali encravado no meio do hoje deserto de cana. Mais adiante, já quase chegando em Igaraçu, um barzinho na beirada do braço do rio. Tempos atrás parei ali com o Vinagre e o próprio Tech e a sardinhada foi de lamber os beiços. Quando volto por Jaú, paro também em Potunduva, antiga Ayrosa Galvão e na pracinha velha, quase junto de um Grupo Escolar onde minha mãe deu aula, sento vendo o verde da praça e observando as pessoas com a barra das calças sujas de um vermelho que deve difícil de sair da roupa. Em Guainás, tinha o restaurante com uma bisteca de lamber os beiços. Fechou, mas na entrada do Vale do Igapó tem uma venda, um armazém que tem uma ótima cervejinha gelada. Em Aymorés também tem um botequim de vilinha que é indescritível.
Empório Ribeirão Bonito de Arealva

Na estrada de Arealva, entro sempre em Santa Isabel e para num bar quase na esquina da praça, tomo uma gelada e só depois sigo viagem pelo terrão até o acampamento na beirada do rio. Lá no meio do mato, em Ribeirão Bonito tem uma venda fantástica no meio do mato, em frente ao campo de futebol e da igreja, tendo aos fundos uma cachoeira. O paradisíaco lugar é propriedade dos Cardoso, com a Cahoeira Babalim e aquela água gelada ali prontinha para ser apreciada. Descobri que tem até quartos para alugar. É impossível não ficar horas sentado ali na venda olhando pro nada logo ali adiante. Na estrada Bauru Ipaussu, pouco antes do famoso posto Paloma, tem um restaurante no sentido de quem vai daqui para lá, usual parada de caminhoneiros, com uma mesa grandona, onde todos se sentam juntos e depois se servem num grande fogão a lenha. Toda vez que passo na estrada e vejo aquela fumacinha subindo do telhado, fico trêmulo de vontade de parear e me esbaldar. A diabetes me oprime e é hoje meu freio de mão. Na volta de Marília, quase chegando em Bauru, antes do Cedro, tem uma bar do meio do mato, acho que é Bar da Rose, no meio de uns seringais, ponto de encontro de todos os sitiantes do lugar, mercearia e uma espécie de salva-vidas de quem mora por ali. A cerveja é gelada e o único cuidado é não deixar algum pássaro cagar dentro do seu copo.
Beira da balsa lado de Boracéia


E assim como esses, outros tantos. O Tavolaro e o Taperão lá pelos lados de Brotas. Na estrada que liga Itapuí até o trevo de Bariri, tem uma venda numa curva, diante de uma escola abandonada, com um paredão cheio de coisas empoeiradas expostas. Paro sempre. Na balsa de Boracéia tem uma vendinha chinfrim, mas quando a demora é grande um refúgio para estômagos vazios. Lá perto do escondido aeroporto de Arealva tem o cara que faz porco revirado e é um lugar bom demais da conta. Rio Verde tem uma venda que lota todo final de dia, bilhar disputadíssimo. Na estradinha que liga a Rondon e vai para Reginópolis, a que passa pelo presídio, logo nos primeiros quilômetros tem uma venda, a única no trecho, paro sempre, pinga boa e gente boa de conversa. Na Bauru Piratininga tem a mulher logo na saída da cidade que faz pão caseiro e os revende na beira da calçada de sua morada. Na Bauru Marília, um cara lá de Ubirajara montou uma barraca pouco depois do trevo de Fernão e fica ali na pista vendendo produtos da Vó. Perguntei da velha e ele com seu jeito matuto me disse que a velha já tinha batido as botas, mas que deixou as receitas todas com ele e assim ele dá prosseguimento no negócio. Faz tudo na cidade, ele e a esposa e depois fica o dia vendendo ali na beirada da pista. Tem muito mais e alguns até me esqueci agora, nessa pressa de escrever e publicar isso tudo. É isso, viu Tech o que você foi fazer, mexeu com meu cerebelo e desandei a extrair lá do fundo da memória uns lugares do arco da velha. Esse os lugares mais desestressantes desse nosso mundo. Gosto deles todos. Eu até paro de bater boca quando estou num lugar desses, eles me curam desse mal. Antídoto igual não existe.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DICAS (144)


OLHA ELE AÍ DE NOVO DOBRANDO A CURVA DA ESQUINA
QUARTETO DA PESADA NO CARNAVAL DO MAKALÉ 

Sim, o danado voltou. Não tem crise que o segure entre quatro paredes. Nem a tacanha decisão de uns em amarrar a cara, dizer que devíamos em tempos como esse ficar mais macanbúzios, sorumbáticos e sem ânimo para nada. Pois, nós que não seguimos regras muito bem estabelecidas gostamos mesmo é de fazer tudo ao contrário e botamos o bloco nas ruas mesmo em situações adversas (o que não é o caso). Que a situação está um tanto difícil, até as pedras do reino mineral sabem, mas nada para deixar o sinal de alerta ligado nas 24h do dia. Dá para relaxar e festar, afinal, festa por essas bandas é algo que nos une, nos torna mais fortes, resistentes e nela, como faz maravilhosamente o bloco burlesco, farsesco e algumas vezes carnavalesco Bauru Sem Tomaté é MiXto está no nosso sangue, no DNA de todos nós. Quando me deparo com parcela do povo brasileiro, seguindo como manada tudo o que lhe dizem, aceitando pacificamente a receita da tristeza, vejo que cada vez mais devemos mesmo é seguir por tortuosos caminhos, pois isso de só andar nos trilhos, sabemos muito bem onde vai nos levar: o trem vai acabar pegando a tudo, todas e todas. Daí, para esquentar os tamborins, esfalfar as sandálias e requebrar os quadris coloco na vitrolinha aqui do HPA e a reverbero voltada para todos vocês, um trechinho muito curto dessa embalativa música, tocada por uma maravilhosa banda lá no Makalé Bar exatamente no dia 31/12, despedida do ano, na voz de nossa cantante encantante Denise Amaral, numa espécie de chamamento para tirarmos todos as devidas bundas das cadeiras e azeitarmos a folia. Quem viver verá, quem vier não prometemos nada além dessa saborosa vontade de se juntar a outros e além da festa, um pitada de picardia, bom humor (tão em falta hoje em dia) e sapiência das ruas. Isso tudo nos fortifica (mais que Biotônico Fontoura). Será nosso fortificante para todos os embates que virão pela frente. Nos reencontros estamos sempre promovendo conversas mil, sobre tudo isso e muito mais. Falo pelos Tomateiros e te digo que, além da esbórnia, um pouco de toques dos desvarios todos do mundo político, social, banal e causal (casual também) dessa aldeia, também denominada de Terra Branca, Coração de São Paulo e Cidade Sem Limites. Na junção de nós todos, vamos incomodar os travados, os emburrados, os que regateiam com nossas vidas, falseiam nosso dia-a-dia e aumentam a coisa para nos amedrontar. E se dessa união toda sair algo a nos fortalecer para enfrentar os cagões todos? É o que lá no fundo a gente torce e muito para que aconteça, mas para isso a gente precisa deixar de se influenciar pelo que uns poucos, os cuidadores da vida alheia, querem que façamos: permanecer num canto qualquer, calados e sem voz ativa. Vamos a partir de agoras embarulhar (não confunda com esburacar, hem!) essa cidade. A proposta é essa. Vamos?

ALGUMA COISINHA DE FUTEBOL E DO INTERIOR...

O que foram fazer com esse futebol do interior. Está o caos institucionalizado. Nada que uma boa revolução não recoloque tudo nos devidos lugares. Para quem já elegeu um presidente da FPF, Alfredo Metidieri, do São Bento de Sorocaba, hoje tudo parado, só aceitando pacificamente a decretação de que o interior vale quase nada no quesito futebol. Repetem isso aos borbotões e nós nada fazemos. Rimos e calados, sempre calados, aceitamos.

Uma situação como a do glorioso e centenário Noroeste, que para participar dessa Copinha SP, tem que contar com a ajuda de três pais de jogadores, numa cotização em valores próximos de R$ 10 mil reais cada para verem o time participando do torneio e daí, talvez a possibilidades de seus filhos serem vistos é o retrato de tudo o que se passa com os times do interior paulista. Caos total. Desorganização, bagunça institucional de todas as matizes. Penúria de dar gosto, chapéu estendido para os caraminguás da sobrevivência. Isso é só em Bauru? Claro que não. A FPF – Federação Paulista de Futebol não faz mais campeonatos privilegiando o interior.

Essa Série AIII, onde o Noroeste joga é o exemplo disso. Campeonato curto demais e depois mais nada o ano todo. Por que não um grande campeonato ocupando mais espaço no calendário, enfim, como a Bezinha, o A4, onde estávamos ano passado. Os times todos de nome numa disputa ocupando o ano todo, em algo velho e com cara de novo.

Ou os clubes se organizam aos moldes de algo que já ocorreu no passado e bolamos um campeonato só com os times do interior, até sem ajuda da FPF, onde possam mostrar algo mais o ano todo ou o fundo do poço já será no passo seguinte. O mato está mais sem cachorro do que se imagina. No fortalecimento da ideia, na união de interesses, com certeza, algo de produtivo vai surgir e poderá ser a oxigenação e renovação necessária para os times do interior. Sair desse jugo dominador, atravancador e excludente de gente que não quer saber de futebol do interior e só lhes sugam o restinho de vitalidade ainda existente. Como é que faz para esses times todos criarem coragem e se unirem em torno de um ideal comum eu não sei. Mas isso tem nome, é revolução. Dr Sócrates toparia bem comandar algo assim, mas quem mais hoje? Até os comandos dos times de hoje estão relegados a segundo plano, com pessoas privilegiando seus interesses aos o dos times. Algo precisa ser feito para incomodar os caras lá da FPF, mas com cabeça baixa e moral nos pés isso nunca irá acontecer.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

BAURU POR AÍ (122)


A CONTINUAÇÃO DO CASO "BAURUENSE" - ENTREVISTA COM O JORNALISTA JOAQUIM DE CARVALHO, DO DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Repercutiu bastante a reprodução da reportagem escrita por Joaquim de Carvalho sobre o envolvimento de uma empresa de Bauru, a empreiteira Bauruense e o esquema de Furnas, com dinheirama no colo de Aécio Neves. Leia clicando a seguir: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-elo-entre-a-list…/. Pelo fato dela ser sediada em Bauru, resvala em muitas empresas, pessoas e fatos da cidade, com pífia divulgação até então pela mídia tradicional local. Após a publicação do texto e algumas cobranças recebidas resolvi procurar o jornalista e o entrevistei por e-mail. Eis as respostas na íntegra:


1- Sabemos que sua vinda para Bauru se deu exclusivamente pela participação da empreiteira Bauruense com Furnas. Como montou a estratégia para vir em Bauru e realizar a matéria? Contou com a ajuda de alguns locais ou fez tudo por aí e se virou sempre sózinho quando na cidade?
RESPOSTA: Primeiramente, tenho que agradecer às 525 pessoas que financiaram o projeto, por meio de um crowdfounding do Catarse. Jornalismo demanda recursos, para custear despesas de viagem, hospedagem, comida e para remuneração, e hoje o jornalismo independente depende de fontes de financiamento como esta. Com os recursos, programei viagens para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Bauru e Brasília, locais prioritários de apuração. Em Bauru, tentei levantar informações sobre a Bauruense, primeiramente pela internet e vi uma referência importante no seu blog. No mais, nada de relevante. É como se a Bauruense não tivesse nenhuma relação com um dos maiores escândalos de corrupção da história. Comecei a conversar com pessoas que conheciam o Daré e essas pessoas me levaram até ex-executivos da empresas, que me deram as informações mais importantes. Esses executivos participaram de algumas das ações citadas. Contei, sim, com o apoio de pessoas em Bauru. A pedido delas, não revelo os nomes dessas fontes. Também foi importante o acesso à denúncia da procuradora da república Andréia Sayão, do Rio de Janeiro, que acusou Daré de crime de lavagem de dinheiro e de participação no esquema de desvio de recursos de Furnas.

2 - Quantos dias permaneceu na cidade para a realização da matéria? Nos contatos todos realizados, na empresa, com os políticos, com os vizinhos da residência do sr Daré sofreu algum tipo de admoestação ou tudo transcorreu normal?
RESPOSTA: Eu permaneci três dias em Bauru, mas fiz muitos contatos antes, por telefone.

3 - Sentiu um clima na cidade do tipo, esse tema é tabu e por aqui as pessoas podem até falar (voce mesmo afirma que alguns diretores da Bauruense até dão entrevistas, mas no anonimato), mas ver publicado ou divulgado quase impossível?
RESPOSTA: Respondi parte dessa questão na primeira pergunta que você fez. Senti, sim, que é um assunto tabu na cidade. É até compreensível. O Daré não tinha inimigos, era querido até por pessoas simples, como manobristas de restaurantes. Muitas pessoas que procurei não quiseram nem conversa. Procurarei a Bauruense, que me pediu que enviasse as perguntas por e-mail. Isso já faz três semanas. Até agora, não recebi as respostas.

4 - Dá para notar que seu conhecimento sob os meandros da Bauruense não são de agora. Conte algo mais que sabe sobre o procedimento dessa empresa como empreiteira de obras públicas? Como é o modus operandi de uma empresa desse quilate junto aos servidores públicos?
RESPOSTA: A primeira vez que ouvi falar da Bauruense foi no caso do assassinato do prefeito de Campinas, o Toninho do PT, mas aqui faço justiça: as ilações feitas à época eram absolutamente infundadas. As evidências de envolvimento da Bauruense com esquemas de corrupção são muitas, mas, de envolvimento na morte daquele prefeito, não há nada consistente. O que apurei é que a Bauruense se deu muito bem no jogo de cartas marcadas que representa a contratação de grandes obras públicas. Achei curioso que, em seu código de ética, disponível na internet, a Bauruense garante absoluta confidencialidade nas negociações com seus clientes. Este é o padrão de negócios das máfias de obras públicas. Silêncio total. Hoje é diferente. Muitas das pessoas que ajudaram Daré nessas negociações estão fora da empresa. Se a Justiça brasileira quisesse mesmo passar o Brasil a limpo, deveria chamar essas pessoas. O caso existe, é atual. O que falta é disposição para investigar Chico e Francisco, para usar a expressão do procurador Rodrigo Janot.

5 - Tem fotos exclusivas tiradas na cidade e que poderiam ser disponibilizadas para divulgação junto a essa entrevista?
RESPOSTA: Não posso divulgar essas fotos, de propriedades do Daré, porque pertencem ao DCM, site para o qual fiz esse trabalho. Está sendo produzido um documentário sobre toda a apuração, e é possível que o editor use essas imagens. Peço sua compreensão.

6 - Diante de tudo o que apurou, acredita que, mesmo com todas as evidências conseguidas, quais os reais motivos de algo nesse sentido não ir para a frente? O caso mesmo do valor apreendido pela PF no apartamento do sr Daré em que pé está? Caminha na Justiça ou está estacionado? Por que uns andam e outros empacam nesse país?
RESPOSTA: Henrique, o que aconteceu com a investigação sobre a Lista de Furnas é um escândalo. Depois de um inquérito da Polícia Federal que durou mais de quatro anos, a Procuradoria da República no Rio denunciou Daré e mais dez por crimes que vão de corrupção ativa e passiva a lavagem de dinheiro. Quando a denúncia chegou à mesa de um juiz federal no Rio de Janeiro, a procuradora Andréia Bayão foi promovida ao cargo de procuradora regional e transferida para Brasília. O juiz entendeu que o caso era da justiça estadual, e mandou toda a investigação para o Ministério Público do Estado do Rio, que decidiu enviar toda a investigação para a 6a. Delegacia Fazendária do Rio de Janeiro. É lá que o inquérito está há mais de três anos, tudo parado. No que diz respeito aos políticos com foro privilegiado, não houve sequer inquérito. Tudo parado em Brasília.

7 - Evidente nos procedimentos judiciais hoje em dia um retardamento nos processos envolvendo tucanos, mesmo quando algo fartamente comprovado ou isso é lenda e não ocorre de fato? E se ocorre, qual o motivo, de algo de menor importância ter um desdobramento muito mais escandaloso e alguns grandiosos permanecerem esquecidos sem chances de caminhar?
RESPOSTA: Há uma blindagem, isso é fato. É só comparar os casos. Mas acho que a série da matérias sobre Furnas produziu um efeito. A Justiça em Minas condenou Azeredo depois que começamos a denunciar a manipulação judicial em casos de Minas, inclusive o do mensalão.

8 - Nos seus relatos feitos na cidade, levanta algo novo, ou seja, o relacionamento de um ex-prefeito quando a família Daré adquiriu a rádio AuriVerde. Essas informações já possuia ou as conseguiu nesse momento. Mais, essas histórias de Bauru descritas na matéria foram conseguidas todas agora ou já as possuia? Pergunto isso, até para saber a forma como foi formatando seu texto até chegar no definitivo.
RESPOSTA: Soube agora por meio de uma pessoa que participou das negociações. A história é curiosa e representativa da forma como os negócios da Bauruense se misturavam com os negócios públicos. No caso da empresa, era difícil separar o público do que era privado. A esse respeito, a denúncia da procuradora é interessante. É citado o caso da contratação, pela Bauruense, do irmão de um funcionário de Furnas responsável pelas licitações.

9 - A empresa Bauruense continua mantendo acordos da mesma natureza com órgãos públicos mineiros e quiçá brasileiros, pois é sabido que a empreiteira, mesmo após o falecimento do seu mentor continua na ativa?
RESPOSTA: O que posso dizer é que ela continua trabalhando para órgãos públicos.

10 - Algo mais te surpreendeu quando na estadia em Bauru? A facilidade ou dificuldade em obter informações.
RESPOSTA: Acho que tive meu trabalho facilitado por ser um jornalista de fora. Penso que, para os que são da região, o trabalho seria muito mais difícil.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (104)


COMO NÃO MOSTRAR AQUI AS TIRAS DE MIGUEL REP DO PÁGINA 12 ARGENTINO? 
São mais que ótimas e não precisam de legenda alguma, só de nossa interpretação. Numa paradinha, daria para explanar horas e horas sobre o que vemos nas tiras. Com elas começo meu ano de estudos, trabalho e alguma esbórnia, afinal, ninguém é de ferro. Já estou metido neles todos, um bocadinho em cada coisa. Hoje as tiras dizem tudo o que teria para encher folhas e folhas e o fazem com maior eficiência. Confiram diariamente no www.pagina12.com.ar e no www.miguelrep.blogspot.com

domingo, 3 de janeiro de 2016

FRASES (139)


MINHAS PASSADAS DOMINICAIS PELA FEIRA...

Vou para me recarregar. Saio sempre de lá revitalizado desse contato popular, com gente que converso por todos lugares, à direita e a esquerda, troca de ideias, pensamentos, chamegos necessários. Gasto sempre pouco, converso muito e fotografo uns e outros. Curto tudo à minha volta e nesse domingo, dando o pontapé inicial do ano, na passagem pela Banca de Livros do Carioca, compro dois livrinhos dos mais instigantes, um de Clarice Lispector e outro de Erico Veríssimo, tudo por meros R$ 5 pilas. Na banca seguinte escolho quatro filmes, eram 4 por R$ 10 pilas, mas o alegre comerciante me deu um de presente e instigarei Ana Bia Andrade para assistirmos juntos e em casa hoje um deles, o A Coleção Invisível, com o Vladimir Britcha e o Walmor Chagas (o último dele). Curtam o trailer:https://www.youtube.com/watch?v=zVvm__0bTbY. Sim, eu compro filmes pirateados. Sempre os comprei e os faço sem complexo de culpa. Escolho os nacionais, alguns europeus (garimpando a gente encontra belas raridades). Trouxe um italiano da Cristina Capotondi, "A Máfia só mata no verão", que deve ser um clássico no humor negro. Depois, passei buscar um pastel de carne, que divido com o pai ao chegar em casa. Volto no Carioca só para buscar dois exemplares da revista Bundas, editada pelo Ziraldo. Mesmo tendo a coleção completa, quando os acho compro para distribuir por aí. Ainda digo ao Carioca: "Como estamos precisados de publicações desse tipo, onde o humor esteja sempre acima de tudo". Ele concorda e volto folheando, relembrando os escritos da falecida publicação pela feira e desviando dos transeuntes.
Deu tempo de passar no japonês da verdura e trazer um alface verdinho, boa pedida para começar a semana e pela bagatela de R$ 2,50. Quase caio num buraco na calçada, trombo num poste e passo sem notar pelo amigo guardador de carros, o Adilson, que mora num cubículo ali na quadra quatro da Gustavo, mas feliz da vida me diz: "Morar nessa região é tão bom, tão perto de tudo e só por ter encontrado um teto estou mais do que contente". A história dele eu já havia contado aqui: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search…. Voltei encafifado com algo ouvido na banca de bijuterias do seu Wilson, um que viaja pela aí onde existirem eventos, vendendo seus balangandãs, ele e ele, sempre só, ou melhor rodeado de muitos outros igual a ele. Brinquei com ele sobre o peso da idade sobre nossos ombros e me saiu com essa: "Sou igual caminhão de usina. Novo no ano, mas estragado no serviço". Rimos e a frase não mais me sai da cabeça. Essa sabedoria popular me comove.

MI VICTORIA
ME PUSE AL LADO DE LOS INDIOS Y ME DERROTARON
ME PUSE AL LADO DE LOS NEGROS Y ME DERROTARON
ME PUSE AL LADO DE LOS CAMPESINOS Y ME DERROTARON
ME PUSE AL LADO DE LOS OBREROS Y ME DERROTARON
PERO NUNCA ME PUSE AL LADO DE LOS QUE ME VENCIERON
¡¡¡¡¡¡ESA ES MI VICTORIA!!!!!
(Del escritor brasileño DARCY RIBEIRO)

sábado, 2 de janeiro de 2016

MEMÓRIA ORAL (192)


ESSAS MULHERES MARAVILHOSAS – AQUI QUATRO DELAS PARA COMEÇAR O ANO

1.) ANA MARIA DAIBEM, UMA PROFESSORA NA ETERNA RESISTÊNCIA
Ao buscar um nome para iniciar os escrevinhamentos dos personagens nesse novo ano que se inicia, labutei muito, pois queria encontrar alguém, considerado por mim, além de conselheiro, mentor, uma cabeça como poucos na cidade. Alguns desses já estão aqui retratados nesses quase 800 escritos e dentre todos os nomes que pipocaram em minha agitada e intranquila mente, eis que surge um hour concours no quesito, não só Lado B, mas sapiência para saber superar os entraves desses agitados tempos. A fleuma em pessoa, o pensamento bem colocado, na medida e momento exato. Não podia dar outro nome.

ANA MARIA LOMBARDI DAIBEM é professora universitária aposentada, onde militou por décadas na Unesp Bauru. Tranquila da boca para fora, calma em quase tudo o que faz, gestos comedidos, é dessas que parece fazer tudo milimetricamente de caso pensado, bem refletido. Acredito ser isso mesmo, mas no quesito linha de pensamento não abre mão da justeza social, de estar sempre ao lado da incessante luta por dias melhores das camadas deixadas de lado quando da divisão do bolo brasileiro, do injusto sistema vigente. Além de professora, foi também por certo período Secretária Municipal de Educação de Bauru, administração Tuga e soube administrar, sem se deixar sair do tom necessário e justo ao lado das reivindicações de alunos e de uma categoria clamando sempre por algo mais representativo. Esposa do também professor e falecido militante político Isaías Daibem, ambos católicos sociais (ou até socialistas católicos), vivenciou a pluralidade de opiniões no seio de sua casa desde sempre. Nasceu em Corumbá, mas desde muito cedo em Bauru, graduada em Pedagogia pela FAFIL, hoje USC, depois Mestrado em Piracicaba e doutorado em 1998, pela própria Unesp, milita na Educação desde quando iniciou suas atividades profissionais até o momento da aposentadoria, quando coordenava o NEPP – Núcleo de Estudos e Práticas Pedagógicas da Unesp, ligado à sua Pós Graduação. Se existe alguém com uma fleuma maior que a dela, desconheço e diante de tão aflitivos momentos como os de hoje, puro confronto, onde de um provável debate pipoca uma agressão raivosa, Ana é dessas que sabe tirar de letra isso tudo, pois não entra em divididas desnecessárias com quem não vai lhe acrescentar nada. Prefere fazê-lo, e o faz, com aqueles (as) todos com ainda garrafas vazias para vender. Deixa o ódio para quem tem, preferindo nunca ampliar espaço a esses, além do que já possuem. Melhor forma de encarar isso, só com ela mesmo. Pois então, nada como começar 2016 compreendendo melhor isso tudo e tentando fazer uso dessa magistral forma de ação. É o que tento fazer a partir de agora, não copiando nada, mas usufruindo de ensinamentos que farão tão bem, não só a mim, mas para todos à minha volta.

2.) ANA GUEDES SEMPRE COM POSICIONAMENTOS FIRMES E DECIDIDOS
Ontem escrevi aqui de uma grande professora bauruense, uma resistente dentre tantas outras, valorosa, talentosa e enfrentando admoestações por causa de suas escolhas (assim como Chico Buarque), algo bem longe do jeito manada de hoje em dia. Escrevo de uma e me vêm logo à cabeça outras tantas. Daí já quero escrevinhar delas todas. Seleciono três, uma ontem, outra hoje e mais uma amanhã. Poderia ficar aqui só relembrando de tantas, muitas já aqui retratadas e isso até daria um livro. Mulher quando dá de resistir, de enfrentar touros á unha dão um banho em muitos homens. Vejam algo dessa aqui.

ANA MARIA DE CARVALHO GUEDES é professora de Literatura. Cursou Letras na antiga e saudosa FAFIL, hoje USC. Escrever dela é relembrar tanta coisa da própria história dessa cidade. Deu aula numa pá de lugares por aqui e quando sai às ruas é praticamente impossível não ir encontrando ex-alunos, eternos admiradores. Papo dos mais agradáveis, sempre na lida, uma voz caliente e altaneira. Não esconde a idade, nascida em 1947, hoje está com bem vividos 68 anos. Aposentada, mas ainda atuante, saudade mesmo deve ter da Oficina Glauco Pinto de Moraes, pois foi sua primeira coordenadora, de 1990 a 1994. Foi talvez a sua mais rica época, com a cidade recebendo cantores da vanguarda brasileira nas instalações onde hoje é o Teatro Edson Celulari (de pouquíssimo uso, diga-se de passagem). Casada com o Zé Guedes, numa história de mais de 50 anos de convivência, Ana possui trajetória em defesa da educação e nos últimos tempos, com o florescer de uma malta de raivosos, está na frente de batalha contra irados golpistas e defensores de impedimentos para uns e endeusamento para outros. Rodeada de filhos e netos, encontra sempre tempo para expor suas opiniões sobre o atual momento. Algo aqui da força do seu pensamento e forma de agir: “Clamar a volta do regime militar é, indiscutivelmente, coisa de doentes mentais, assim como cultuar os ISTEITES, como podemos presenciar, com frequência, também denota pequenez em termos de cidadania. (...) Mais extremista de direita que o PSDB hoje só os Bolsonaros da vida. (...) Eu acho que nunca se deve negar as várias contribuições de cada pessoa que passa pelo poder. Anular as contribuições passadas e, principalmente, as que deram novo impulso à cidade, é o que mais me desagrada. Eu acho muita ingratidão, é não ter capacidade de enxergar as coisas que foram feitas. Para mim, essas pessoas que não querem enxergar, talvez, não tenham sido educadas para isso, ou muitas vezes, é má-fé mesmo. Não digo que essas pessoas deveriam ter apanhado de cinto, mas uns tapinhas na bunda, elas mereciam!”. E se faz necessário dizer algo mais?

3.) PROFESSORA MARIA CECÍLIA NÃO SE CANSA DE QUERER ENSINAR
Acabo de ver pelas redes sociais uns boçais abordarem Chico Buarque com aquela ladainha de doer os ouvidos, cobrando dos motivos dele continuar sendo o que sempre foi e defendendo o que fez uma vida inteira. Misturam alhos com bugalhos e acham que só eles, os que pensam de um determinado jeito e maneira estão corretos. Não aceitam a pluralidade de opiniões e na fala de argumentos, quando se veem num beco sem mais respostas, a saída é a agressão. Agridem que é um beleza e assim demonstram o irracionalismo desses tempos sem diálogo, o do convencimento pela força, enfim, “não acredito que você possa pensar e agir diferente de mim”. Pensando nisso lembrei-me de uma mestra e aqui conto sua história.

MARIA CECÍLIA MARTHA CAMPOS é professora, hoje na UNIP, socióloga por formação, coordenadora do Curso de Comunicação Social naquela instituição. Da militância no movimento estudantil, lendo gente do quilate de Celso Furtado e Caio Prado Junior, caiu de boca na dureza do período militar. Participou da Libelu - Liberdade e Luta e da criação do PT. Uma cabeça pensante, pulsante e contagiante, não só pelo que pensa, mas pela forma como age. Viúva do também sociólogo José Ralph de Oliveira Campos, avó, aos 68 anos, essa não tão velha mestra é baluarte na defesa das liberdades democráticas, entendida de semiótica e sempre pronta para o bom debate, não o irracional, mas aquele em que consiga e possa acrescentar, somar, construir, sem essas altercações com os que chegam com uma ideia preconcebida e não aceitam muda-la nem um centímetro sequer. Em 2008 deu um bela entrevista para o JC, podendo ser lida clicando a seguir: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php…. Li uma resposta dada por ela sobre a falta de verde-amarelo nas manifestações contra o golpe e o impedimento da presidenta e de tão lindo aqui transcrevo: “No meu entendimento, a nossa bandeira verde e amarelo figura junto às demais, de todas as cores e feitios, na base de um fundo vermelho que as une num só fundamento de classe social, pelo mundo inteiro”. Pelo simples fato de agir assim, não concordar com a linha vigente do pensamento único chegou a ser taxada de comunista, como se isso fosse a pior das coisas. Pessoas como Maria Cecília dão belas lições de como proceder no debate nesses inóspitos tempos. Isso tudo ela aprendeu de uma longa convivência com intermináveis leituras e muita prática de vida, o que falta na maioria dos fechadores de questão de hoje. Por ser o que é, merece hoje o abraço de fé dos que acreditam que algo ainda pode ser feito para modificar e abrir a mente de tantos com ela quase fechada.

4.) LUELUÍ DE ANDRADE MARCANDO POSIÇÃO POR ONDE CIRCULE
Queria homenagear nesse quase final de semestre letivo lá no meu mestrado na Unesp Bauru pelo menos um dos colegas de bancos escolares. São tantos e tantas. Muitos daqui mesmo e escolhi uma pela vivência que possui desde tempos vindouros, batalhas de antanho nunca abandonadas e hoje, quando muitos deixam a cancha de luta, se escondem por detrás de tanta coisa e não mais lutam por aquele ideal que um dia defendeu, prefiro continuar enaltecendo os que, mesmo com todas as voltas dadas pelo mundo lá continuarão nos seus postos, prontos para o que der e vier. No caso da aqui retratada, vejo e constato, com muito mais preparo. Continua na boa lida.

LUELUÍ DE ANDRADE é militante de tantas causas sociais que nem saberia enumerar todas. Ou até pelo fato de que todas no frigir dos ovos acabam por se tornar uma só grande causa. As lembranças que tenho dela é no bom combate, nos enfrentamentos, desde a época quando bancária, atuando lá no Sindicato dos Bancários. Pouco tempo depois estava na Secretaria de Cultura e ali também souber deixar plantada boas sementes. Sempre a vi na militância de esquerda e outro dia, ela me dizia de sua formação: “Vivenciei meu momento de crescimento entre dois amigos, um trotskista e outro stanilista. Acabei extraindo algo de cada um e segui num caminho independente”. E assim segue até hoje, dois cursos superiores concluídos, o de Direito e Jornalismo, dez anos atuando na Justiça Federal, solteira e bem ciente de suas escolhas e opções. Num certo momento começou também Farmácia Bioquímica na USC, mas esse, mesmo após um ano e meio preferiu parar. Hoje está no Mestrado em Comunicação e sempre colaborando com amigos de indispensáveis causas, como na revenda das transadas agendas do pessoal do PSTU, cheias de citações literárias em suas páginas (comprei uma, linda). Num dos últimos dias de aula em uma das disciplinas chegou travestida com um personagem ao estilo teatral (foto) e se fazendo passar pelo mesmo, deu um show de interpretação e de compreensão da temática solicitada. Um inquieta menina, cheia de muito gás.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

COMENTÁRIO QUALQUER (147)


O BRASILEIRO (A) / PERSONAGEM DO ANO – ESCOLHIDOS POR ALGUMAS DAS PUBLICAÇÕES

O primeiro que vi foi o da revista ‘veja” (com minúscula mesmo). Não tive coragem suficiente para folhear a revista. Tirei uma foto da mesma quando me aproximava do caixa de um supermercado e lá, exatamente a exaltação do que tanto malefício causa a um país como o que de melhor temos. Eles, o pessoal da revista, sabe muito bem, que esse da foto, o juiz Sergio Moro, como comando da Operação Lava Jato está a impulsionar algo de um dano irreparável ao país, que é a danificação do Estado de Direito. Os precedentes abertos por esse juiz vão ser danosos ao país, hoje, amanhã e a longuíssimo prazo. Brecar isso não será tarefa fácil, mas um Judiciário não pendendo para nenhum dos lados em questão, isento (existe isso?) e sem favorecer sempre e sempre os Donos do Poder, daí sim teríamos um país mais soberano, altaneiro, pujante e menos injusto. Quando vejo “veja” com uma capa como essa, “Retrospectiva 2015 – Ele salvou o ano”. Quando ‘veja’ afirma isso, podem ter certeza, precisamos exatamente do contrário.

Daí fui espiar outras titulações de melhores. Da revista que leio, Carta Capital, com o título de PERSONAGEM DO ANO – EU SOU A JÉSSICA – Como uma figura de ficção pôde explicitar tão bem o desassossego da senzala”. Poucos sabem quem é essa menina bonita de nome Jéssica. Explico. É uma das protagonistas do filme “Que horas ela volta?”, da cineasta Anna Muylaert, justamente a filha da empregada Val (interpretada pela Regina Casé), uma que morava longe da mãe e quando sua filha vestibulanda chega, permanecendo na mesma casa, menina atraente, descolada, causa uma infinidade de problemas (sic) de relacionamentos. A atriz se chama Camila Márdila, 27 anos e o papel desempenhado por ela no filme, uma forçada quebra de paradigmas é como atravessar o Rubicão, ou seja, o transpor de uma barreira até então ainda intransponível nesse país. Do texto: “O filme faz aflorar o tema que continua sendo, em pleno século XXI, a maior vergonha brasileira: a escravidão. É o fantasma que continua pautando nossas relações sociais, e não apenas o convívio de copa e cozinha, ainda que encoberto pelo manto da afabilidade dengosa e do paternalismo insincero. A malise que o filme causou, no círculos enfatiotados e entre as dondocas injuriadas, autoriza a suspeita de que boa parte da sociedade nnativa ainda sonha em rasgar aquele papel assinado há mais de um século pela Princesa Isabel, se assim fosse possível”. Achei a escolha mais justo que a de Moro. Esse menina rompeu com seu papel mais estruturas arcaicas do que todos os atos de Moro juntos.

Outra escola, a revista internética Diário do Centro do Mundo (www.diariodocentrodomundo.com.br), através do seu criador e mentor, o jornalista Paulo Nogueira escolhe o seu O BRASILEIRO DO ANO. A escolha recai sobre o parlamentar do PSOL, Jean Wylllys. Clique a seguir e leiam o texto todo e dos motivos da escolha:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-brasileiro-do-an…/. Escolhi um curto trecho e aqui reproduzo: “Combatendo o bom combate - Num ano particularmente duro para os defensores da democracia e dos direitos das minorias, Jean Wyllys foi uma fonte de alento e de esperança. É o chamado exército de um homem só, tal seu vigor ao combater o bom combate, para usar uma expressão consagrada de São Paulo. Wyllys se movimenta em duas grandes frente. A primeira, e mais importante, é a Câmara dos Deputados. A outra são as redes sociais, nas quais é um mestre”. O deputado ao saber da escolha assim se manifestou: “Muito obrigado à equipe do Diário do Centro do Mundo e em especial ao Paulo Nogueira pela homenagem e o reconhecimento ao meu trabalho! Quero salientar, porém, que eu não estou sozinho nessa luta e, por isso, gostaria de dividir esse reconhecimento com toda a minha equipe, com a bancada e sua equipe da liderança, o conselho social do mandato, a militância e os setoriais do PSOL e outros colaboradores (colegas da Frente Parlamentar dos DHs, RAPS, RTP, Fora do Eixo, Pedra No Sapato, Artemis e tantas outras instituições da sociedade civil organizada e novas expressões de movimentos sociais, cujas elaborações e lutas muito me inspiram e cuja colaboração enriquece o nosso trabalho no parlamento). E quero também dedicar a homenagem ao Chico Buarque, que é quem merecia de fato ter recebido!”. Também gostei muito, afinal, Wyllys empreende uma batalha de Brancaleone e também uma quixotesca, não sozinho, mas com poucos, diante de tanta iniquidade e idiotice.

Enfim, depois da bestialidade morista, duas sábias e acertadas escolhas. E para encerrar isso tudo, passo hoje pela manhã na banca da Ilda, lá no original e verdadeiro aeroporto de Bauru e vejo que a revista Piauí se antecipou e lançou sua edição de janeiro de 2016. A revista tem aquela pitada de modernidade, mas com o conservadorismo embutido, disfarçado. Leio mesmo assim e gosto de muitos textos. A capa dessa edição é um primor, nela a arte da russa Nadia Khuzina (www.nadiakhuzina.com), com um belíssimo beijo de boca e língua entre Michael Temer e Eduardo Cuna e esse pregando em suas costas um adesivo do “Fora Dilma”. Ao estilo dos famosos beijos dos antigos líderes russos, esses dois selam um eterno compromisso, não só golpista, mas de acordos eternos. Paixão explícita e evidente. Já começam o ano concorrendo fortemente para a melhor capa de 2016.

OUTRA COISA - A DEVIDA PROTEÇÃO
A primeira foto do ano expressa bem nas mãos de quem estamos, de fato e por direito: na dos guardadores. Parado no sinal, no veículo à minha frente, inusitado já pela cor, vermelha, quando o que mais se vê são carros nas cores prata ou branca, esse proprietário desse Gol improvisou no adesivo e ali deixou registrado todo o apreço existente por uma categoria tão ultrajada, vilimpediada e não compreendida: a dos guardadores. Com a publicação da foto, o reestabelecimento d'um bocadinho de reconhecimento para quem nos guarda, nos faz deixarmos o veículo pela aí com a chave no contato, portas abertas, vidros arriados, travas desconectadas e sem o freio de mão puxado. Para quem continua querendo muito guardar muita coisa nesse novo ano e não consegue tomar conta nem de si mesmo, eis a necessidade de contar com a colaboração de terceiros, segundos, quartos e até quintos (não dos infernos). Quem guardo, como eu, sabe que sem um bom guardador nada é possível. Aliás, deixo a pergunta: Você guarda como eu guardo? Guarda onde eu guardo? E o faz com quem eu guardo? Mas, guarda. né? Se não guarda mais, que pena, guardar faz parte do negócio.