quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (104)


CHURRASQUEIRO JURAMENTO DE MIAU E AFINS NAS RUAS E CALÇADAS

Ufa! Enfim Lula conseguiu registrar sua candidatura à Presidência da República e com muita gente nas ruas. Ouço na bestial Jovem Pan que o número de pessoas nas ruas esteve aquém das expectativas. Como são bobões e banais. Não existe nenhum outro candidato conseguindo colocar tanta gente nas ruas. A mobilização hoje somente feita pelas esquerdas e Lula seu carro chefe. Dito isto, comento em caráter de destaque sobre outra bestial afirmação dita pelo mesmo insano microfone, a de que em Brasília, dentre os manifestantes vigorou o tal sanduíche de MORTADELA. Sim, deve ter sido isso mesmo. Adoro mortadela, como sem neuras e até a prefiro, na comparação com presuntos. Podem me chamar de caipira, pobre e tudo o mais. Sou tudo isso e muito mais, ou seja, mortadeleiro assumido. Quando citam a mortadela, nítido o caráter preconceituoso para com o que ocorre nas ruas e lutas país afora. Para esses insanos, tudo o que vem do povão é visto de forma depreciativa.

Aproveito o ensejo para ocupar esse espaço com outra guloseima das ruas, o CHURRASQUINHO dito de MIAU, ou seja, de GATO, que todos sabemos não é de felino coisa nenhuma e sim, de gado mesmo, talvez de suas partes menos nobres. Vendido na beirada das calçadas daqui e de alhures, faz sucesso e cai no gosto popular, até pelo preço. Fui ao jogo do Noroeste no Alfredão, 20h, noite fria e na chegada, do lado de fora do estádio uma churrasqueira montada ali na calçada e com dois produtos sendo ali oferecidos, o tal churrasquinho e cerveja (que não pode ser vendida somente dentro dos estádios brasileiros). Comemos um cada, eu e o nobre advogado Gilberto Truijo. Sem jantar, o regabofe não foi suficiente para aplacar minha fome. Do lado de fora, paguei R$ 4 reais e ao adentrar o estádio, antes da contenda começar (perdemos de 1 x 0 para o Red Bull), eu e o mesmo Truijo, ambos esfomeados, comemos mais um. Lá dentro o preço foi de R$ 5 reais e havia mais diversidade de opções. Degustação feita sem nenhum problema e, nem o do Truijo, muito menos o meu fizeram “miau”.

Aproveito o ensejo para relembrar outra história, essa do meu dileto amigo Sivaldo Camargo, bailarino de renomada história, chegado numa comida balanceada, tudo para evitar os percalços de bailar com excesso de volume na região abdominal. Faz o que pode, mas não resiste, como eu e tantos outros, a um churrasquinho de rua. Estivemos juntos na Argentina, mais precisamente em Buenos Aires no começo deste mês e ele me disse textualmente quando estava presente nas manifestações de rua defronte o Congresso daquele país, dos favoráveis á regulamentação da lei de aborto. “Henrique, me chamou muito a atenção a quantidade de churrasco nas ruas nessas concentrações populares. Eles pegam esses tambores grandes, cortam ao meio e assam carne com o corte deles na beirada das calçadas. Esquentam o pão, cortam ao meio, colocam o pedaço assado no meio junto com algum molho e traçam ali mesmo. Fiquei morrendo de vontade de provar”, me disse.
Glutão come de tudo e sobrevive a tudo.

Ficamos de provar e só não o conseguimos fazer por absoluta falta de oportunidade. Esse tipo de churrasco e carne assada nas ruas de Buenos Aires é muito comum por lá e pouco difere da que vemos sendo feita por aqui. Por aqui, ainda as pequenas e grandes churrasqueiras, lá os tambores. A diferença está no corte da carne e, é claro, nos temperos. Esse gosto de comer nas ruas é algo mundial, popular e sempre mereceu um olhar dos que o enxergam como “repugnantes”. Pura besteira de quem nunca provou, deve morrer de vontade e não o fazendo, eleva o tom, se diz contra só para tentar manter aquele ar de estar numa vivência com maior grau de civilidade, o que é outra grande besteira.

Adoro essas comidas populares e de rua. Como por onde estou. Em Cuba, comi lascas de pernil de porco numa esquina, assado ali e com um pão deles crocante. Delicioso. Ainda em Buenos Aires, sempre no último domingo de julho, perto da Casa Rosada uma festa peruana ocupa as ruas e as carnes deles são de efervescer as narinas, daí não resisto. Sigo sempre um velho ditado, para esse e todos os demais procedimentos de comidinhas nas ruas: “Coma sem neuras e não queira ver a cozinha”. Melhor assim. Sou adepto do lema: “Esquentou, ferveu, queimou, com o calor se vão os males e até vermes, junto o complexo de culpa”. O que abomino é essa pegação de pé com as comidinhas populares, advindas das ruas e feitas nas esquinas da vida. Quem nunca comeu um lanche de rua do Rivelino ali na Rodrigues perto da Câmara não sabe o que está perdendo. Eu já comi, como também o faço na barraca do Uau-uau, tanto na praça Rui Barbosa como no ginásio da Panela de Pressão. Defronte o Bauru Shopping Center uma barraquinha oferece um com grife, seu dono chegando numa reluzente caminhonete, avental no pescoço e tudo nos trinques. O bestial hoje é continuarmos dando trela para essa onda preconceituosa pra cima de tudo o que é feito na rua.


Com esse texto deixo bem claro algo bem simples: podem pegar no meu pé a vontade. No estádio mesmo, Truijo me agraciou com algo a mais do que o churrasquinho comido, me flagrando com o palitão já vazio entre os dentes. A foto pode não ser sugestiva, mas como não existia possibilidades de fio dental naquele local, tasquei ali mesmo o tal para limpeza dos restos presos no dentifrício. Basta de perseguições por sere e estar nas ruas. Quem critica o pão com mortadela é o mesmo que faz vistas grossas para o churrasquinho de gato. Eu nem ligo, escrevo só para causar e me posicionar. Digo mais, como degustador oficialmente regulamentado das ruas, becos, transversais e vielas brasileiras, com certificação atestando o comparecimento nesses lugares todos, já experimentei de tudo e como continuo vivo e sem bactérias no organismo além das de praxe, do alto dos 58 anos, assim continuarei agindo até bater com a dez. Viva as ruas e suas possibilidades. Além de tudo, o papo que flui nessa convivência é inigualável e intransponível. Só ali, portanto, estou neles.

OBS.: A segunda foto é do churrasquinho tirada nas ruas de Buenos Aires numa manifestação de professores. O cheiro era mais que ótimo e só não provei por absoluta falta de oportunidade.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (59)


UM HERÓI DA RESISTÊNCIA ATRÁS DE ONDE JÁ ESTEVE O LUSO BRASILEIRO – PELO VISTO INCOMODANDO ALGUNS
“Estava dando uns bordejos pela aí”, como na famosa música do Gonzaguinha, na saída de umas comprinhas de última hora no Confiança Max, o maior da rede, localizado ali no coração na Zona Sul bauruense, na Getúlio Vargas, quando algo me chamou muito a atenção. Ao devolver o carrinho de compras em seu lugar de origem, eis que presencio assim do nada um diálogo pra lá de surreal:

- Esse predinho enfeia demais nossa região. É o câncer do local, se pudesse colocaria abaixo agora mesmo e no lugar ergueria algo novo, com esse novo conceito arquitetônico bem mais adequado para o local.

Direcionei meu radar sensitivo para ambos, virei a antena, fiz que me ocupava com um embaraço com os carrinhos, peguei o celular e comecei a discar até que um deles desbaratou a charada:

- Ele é velho demais, não se pinta nem mais seu lado externo e por dentro deve ser um pardieiro. Já passou da hora de vir abaixo.

Pronto, de cara saquei, falavam do pequeno prédio de três pavimentos, talvez o mais antigo do local, ali levantado quando aquela região não era nem sombra do que é hoje e sim, um simples bairro crescendo e ocupando novos espaços, os Altos da Cidade. É aquele localizado bem atrás do antigo clube Luso Brasileiro, na esquina da Rua Gustavo Maciel com a rua que sai da Getúlio, somente uma quadra e morrendo na Gustavo, a Rafaelle Mercadante. Duas quadras de onde me encontrava na entrada do supermercado, local onde se deu o bisbilhotamento de conversa alheia..

Fiz como fazem aquelas velhas bichas bem emplumadas, batendo com o pé no chão (seria eu uma delas?) bem forte, me dirigi a eles quando da passagem pelos dois e desferi num tom para ser muito bem ouvido:

- Pois eu acho o predinho um luxo, aliás, a coqueluche, a empada do bolo dessa região. Derrubar que nada, devemos é preservar. Ele não destoa dos demais, ele é o diferencial, representa o vivenciado antes por essas plagas.

E sai sem olhar para trás, batendo novamente os pés fortemente no chão, apressadamente batendo em retirada, pois não conhecia os gajos e estava em minoria. Briga não posso comprar, pois a diabetes me deixa debilitado e com um soco sou levado a nocaute. Correr, muito menos, estava quase na hora do jantar e sem reforço alimentar, energias em decréscimo, prefiro fugir de embates mais embrutecidos ou mesmo, desnecessários. Ou seja, desferi o petardo e fugi da raia. Devem ter se assustado, pois sei, fui intrometido e não os conhecia. Olhei bem para ambos, ambos com mais idade que a minha e pela vestimenta, além de moradores da região, aparentavam condições financeiras em melhor estado que a minha.

Passada a refrega, comento o caso ao meu modo e jeito. Aquele predinho sempre me chamou demais a atenção. Nunca adentrei em nenhum dos seus apartamentos. Não sei a condição em que se encontram, aliás pouco sei deles. Não tive o prazer de conhecer ninguém que lá morou, mas toda vez que passo por ali, meu pescoço se vira para eles, olho e me bate uma nostalgia dessas difíceis de passar. Imagino como devem ser por dentro, antigos, com alguma deterioração, mas dignos. Pelas frestas das janelas observo, por fora pão bolorento, por dentro, bela viola, invertendo o ditado popular. Devem ser os aluguéis mais baratos na região e atraem gente querendo morar por aqueles lados, talvez até pela proximidade com seus trabalhos e pelo custo baixo. Isso imagino, na verdade gosto deles. Só isso.

Os dois o denominavam também como “velhos caixotões”, uma comparação bem próxima de denomina-los como caixões de defunto. Abomináveis comparações. Como ele existem outros na cidade e localizados na mesma região, mas todos tiveram maiores cuidados com a aparência. Esse, talvez o mais deteriorado, nem por isso, deve ser derrubado. Comparo com o exemplo do clube Luso, derrubado com toda pompa, para ali ser levantado um conjunto comercial que iria revolucionar a região. Pelo que imagino já se passaram mais de cinco anos e nada, tudo só um terrão e crescendo mato. Portanto, deixem o belo predinho quieto, ele cumpre uma bela missão, não é nem de longe um “câncer”, como vi os dois marmanjos afirmando na triste e pérfida comparação.

Não sei e nem tenho mais o que dizer dele. Hoje volto lá só para tirar umas fotos. Sim, está um tanto descuidado, mas é soberbo, imponente e representa uma época, construções que foram feitas como moradia para abrigar famílias num custo mais em conta, sem luxo e com espaço contido. Não sei dos motivos de me meter nessas questões. Não tenho um gato para puxar pelo rabo (tenho um cão, o Charles), não quero nem saber de questiúnculas imobiliárias (o metro quadrado por ali deve ser os olhos da cara) e sei que, mais dia menos dia, essa ideia de colocar tudo que é velho abaixo e no lugar algo condizente com a modernidade (sic) e em seu lugar acaba vingando a ideia dos dois, ainda mais naquela região da cidade, o reduto dos que desfilaram de verde-amarelo pela sua avenida principal clamando contra a corrupção e hoje, quando essa está imensamente maior, se calam e se fecham em copas. Por enquanto, o bonitinho (como lhe chamarei daqui por diante) resiste bravamente no meio do pedantismo reinante e do perfume importado (seria pirateado?) inalado na Zona Sul. Ele pode ser um calo no sapato para muitos, mas para outros tantos (eu um deles), é um xodó.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

ALFINETADA (168)


DUAS MULHERES E OS TRILHOS FÉRREOS QUASE ABANDONADOS

Toda vez que passo com meu meio de locomoção sob os trilhos férreos da rua Antonio Alves, onde muito tempo atrás existia uma cancela e hoje não mais, pois os trens são tão poucos, pois bem, o hábito permanece e viro o pescoço para os dois lados antes de acelerar. Hoje ao fazê-lo me deparo com duas situações envolvendo mulheres e os trilhos. Na primeira um pequeno casebre (se assim poderia chama-lo), um amontoado de caixas de papelão num formato de uma barraca encostado ao muro, pouco mais de vinte metros de onde passam os carros. Alguém fez aquilo para ser sua morada e ao assuntar com populares, me dizem ser o abrigo de uma moça negra, que ali mora há algumas semanas. Sei quem ela é. A vejo sempre pelos trilhos, nova, num esforço mais que danado para ter um teto e morando na rua, o máximo conseguido foi juntar madeiras, papelão e ali se instalar. Não me perguntem o que acontece durante a noite e se é molestada, pois não sei, mas imagino a tristeza que é ali permanecer sob as adversidades mais que expostas no cenário do lugar, com os trilhos já um tanto abandonados, mato crescendo no entorno. A vi no meu retorno da cidade e escrevo com medo de que algo de pior possa lhe acontecer com essa publicação. Podem querer retirá-la do lugar. O que podemos fazer individualmente por tantos na mesma situação, uma vez que vejo cada vez mais em similares moradas improvisadas, sem esperança nenhuma de vivenciar outro mundo?

Ainda nos trilhos, com o carro parado bem sob o cruzamento, vejo uma menina, talvez uns treze anos, bem vestida, sair da rua onde me encontrava e entrar numa trilha de terra, passando ao lado da barraca e seguindo em frente. Poucos se arriscam a seguir aquele trecho, ali daquele lugar até onde será futuramente o Museu Histórico e onde já foi a estação da Cia Paulista. Ela segue sozinha, resoluta no que faz, passa pela plataforma que dá para os trilhos, junto ao antigo barracão, depósito de cargas e segue em frente. Do outro lado é o pátio da Feira do Rolo. Naquele momento ninguém a perturba e ela segue, estaciono melhor o carro e a fico observando até ela se perder de minha vista. Não foi abordada por ninguém, pois tudo estava deserto. Fico imaginando a coragem da pequena e tento me colocar em seu lugar. Nos meus tempos de moleque passeava e brincava muito por aquele trecho, mas hoje, marmanjo barbado e careca, confesso, tenho receio de fazê-lo sozinho. Pelo que observo ela chega ao seu destino, as casinhas dos antigos ferroviários ali junto aos trilhos, logo depois da tal estação. Olho para a trilha e vejo que está bem gasta, ou seja, muitos passam diariamente por ali, mesmo o mato lá estando bem alto tomando conta de tudo por ali. Quantos ainda se utilizam, como a garota, desse atalho para chegar aos seus destinos? Seria mesmo aquele lugar tão perigoso quanto imagino? Essas duas mulheres me fizeram parar sob os trilhos e voltar ao passado, para mim tão forte e significativo, mas para ambas, pelo presenciado, elas possuem laços e vínculos estreitos com o lugar. Cada vez mais paro nas ruas em busca de olhar essa movimentação das pessoas em lugares como esses.

A CENA QUE VI HOJE NA RUA EZEQUIEL - O TRISTE LOJISTA E O CARA DE NARIZ VERMELHO
Foi na rua Ezequiel Ramos, ali defronte a agência do banco Bradesco. Algumas pequenas lojas numa galeria que ocupa também parte da quadra virando a esquina. Uma delas de roupas, várias em liquidação, preços populares, baixos, tudo em oferta e ali exposta num abarrotado e diminuto espaço. Com a oferta exposta em letras garrafais, assim mesmo a loja está vazia e o dono sentado numa cadeira na sua parte interna, com uma olhar de muita desolação, prostrado e numa resignação a me fazer observá-lo com mais atenção. Eu passando defronte a loja e ao me deparar com sua fisionomia, dessas de cortar o coração, já penso com meus botões: O que vai pela cabeça de um pequeno comerciante diante de tanta gente passando diante do seu negócio e tão poucos se dignando a olhar para seus produtos ali expostos, quanto mais querer entrar? Quando ainda meditava sobre o assunto, eis que atravessa a rua um rapaz negro, com mochila nas costas e com uma nariz de palhaço. Para diante da loja e tenta fazer uma graça, encena algo para alegrar o ambiente. Mexe com o sujeito sentado na cadeira e esse mal esboça uma reação. O sujeito do lado de fora insiste, faz trejeitos e se vai. Na sequência o comerciante se levanta da cadeira, chega até à frente de sua pequena loja, olha para os dois lados, esboça um outro olhar para o sujeito com nariz de palhaço e esse já vai longe. O vejo abaixar a cabeça, voltar para dentro de sua loja e senta na mesma cadeira. Sigo também em frente e o máximo que penso a respeito é tentar imaginar o que estará se passando na mente do mesmo. Que atitude está tendo diante de tudo que vê acontecendo com seu negócio, os demais outros pequenos negócios nesta cidade, estado e nação? Sua posição de cabeça baixa sentado na cadeira não me sai da mente por um bom tempo. Vejo muitos comerciantes entristecidos nas minhas andanças pelas quebradas bauruenses.

domingo, 12 de agosto de 2018

AMIGOS DO PEITO (149)


DIAS DOS PAIS*
* Hoje um post família, com lembranças dos meus...

Eu e meu pai, Heleno Cardoso de Aquino, ferroviário da Cia Paulista/Fepasa e professor/contabilista junto de meu filho, Henrique Aquino, estudante de letras e trabalhador numa livraria de rua em Araraquara e de meu sogro, José Pereira de Andrade, advogado carioca e procurador do município da cidade do Rio de Janeiro. Uma vida sendo repassada diante dos olhos (agora livre da catarata) no dia de hoje. Quando me perguntam o que deixarei para a posteridade, livros, escritos, bens materiais, herança, quetais, cito algo, meu filho, um que sei, ele sabe muito bem, diferenciar e distinguir o joio do trigo, cabeça pensante, muito mais arejada que a minha, pessoa sensível com os desmandos todos, portanto, sofredor para uma vida inteira, como o pai. São meus exemplos. De meu pai guardo como eterna recordação uma frase: "Cuidado com os moralistas, esses os piores". De meu sogro, já tinha, mas ao ver o amor dele pelos livros, principalmente pela coleção de tudo sobre Drummond e Machado de Assis, um encantamento eterno. As caminhadas pelo centro velho do Rio me são inesquecíveis. Eternas lembranças também do avô materno, José Perazzi, muito mais italiano que eu, me fazendo deixar de torcer pro Palmeiras para estar do lado do povão, corintiano. O via lendo todo domingo a Folha de SP (naquele tempo muito mais palatável que hoje) e o gosto pelo leitura dos diários vem dele, um ferroviário ferramenteiro que lia e sabia muito bem o que lia. Não podia ter melhores exemplos, os quais, creio eu, algo já passei para o dileto e único filho, meu presente para este mundo. Nada mais posso deixar para a posteridade do que ele. É o que tenho a apresentar. Poderia escrever loas e loas deles todos, textos imensos, pois histórias não me faltam. Para o dia de hoje fico por aqui, mas em breve conto mais, detalho mais essa vida se esvaindo nos dedos.

sábado, 11 de agosto de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (115)


DUAS HISTÓRIAS DE QUEM SACA TUDO À SUA VOLTA
1.) MEU VIZINHO PERNAMBUCANO DE POUCO ESTUDO SACA MAIS DAS COISAS QUE MUITO PAULISTA DE MUITO ESTUDO
Ele mora aqui ao lado do mafuá e me dá aulas de enxergamento das coisas deste momento brasileiro. Fomos juntos buscar cimento e areia para um conserto na calçada aqui defronte, essa avariada por uma raiz de árvore de grosso calibre. Durante a semana é saqueiro numa empresa de material de construção, serviço bruto, pesado e nos finais de semana presta serviços variados para vizinhos, parentes e amigos. Cobra pouco e conversa muito durante o serviço, algo pelo qual gosto muito, pois sua conversa muito me apetece. Aprendo muito com sua aprimorada vivência de anos na lida mais pesada e junto de tantos como ele, ralando para sobreviver. Falávamos sobre o momento político e lhe dizia sobre se vão deixar Lula se candidatar e ganhando se leva e toma posse. No frigir dos ovos me diz do alto de sua sabedoria, muito mais elevada do que a da maioria desse povo paulista, bestificado pelo que vê, ouve na mídia massiva, lhe enganando de manhã, tarde e noite (até durante nosso sono). “Seu Henrique, entendo pouco de política, de direita e esquerda, mas acho que de direita mesmo não é quem vocês afirmam e sim o Lula. Ele é o direito, quem fez algo por nós, fez direito e ganhamos muito no seu Governo, já os que vieram depois dele não são nada direitos. Meu sentido de direita é esse. Tenho ou não razão?”, me disse. Concordei em gênero, número e grau. Melhor observador não existe. Dá um banho em muita gente que se arvora de entender de tudo aqui, mas se mostram mais conservadores do que deveriam, pois paulista é um povo muito sacaneado e continua paparicando seus algozes. Meu vizinho pernambucano deveria ser professor. Agora mesmo ele conserta minha calçada cantando e sua música me embala a escrevinhar dele até de forma mais caprichada.

2.) O PINTOR/PEDREIRO SOFRE COM O MOMENTO ATUAL E IMAGINA COMO SERÁ SUA RESPOSTA PARA COM SEUS ALGOZES

Faço uma mequetrefica reforminha aqui pelos lados mafuentos, pois casa velha sem os devidos cuidados tem sua vida encurtada e pode desabar a qualquer momento. Como não quero ver perdido (em vida) tudo o que amealhei durante os quase 60 anos já vividos, junto uns caraminguás e dá-lhe reformas, pequenos reparos para se ir tocando o barco sem grandes turbulências. Um amigo pedreiro pinta e borda por aqui. Além de sambista de boa cepa, além de profissional pintor também borda, ou seja, bate nas onze, executando uns reparos de pedreiro. Trabalha e junto conversamos por demais da conta,m além da cantoria de muito bom gosto. Ele me vê envolvido nas minhas questões e puxa conversa. Diz ter votado em Lula em todas as eleições e depois de tudo o que viu acontecendo no país depois da sacanagem feita com Dilma, quando lhe tiraram o mandato, está vivenciando o pão que o diabo amassou, serviços em baixa e tendo que sobreviver com uns pulos a mais. Ele tenta, aliás, todos tentamos, pois pro nosso lado só pedras e cada vez mais pesadas. Aproveito e peço para tirar uma foto dele para a galeria do LULA LIVRE, mantida por mim no facebook, com uma foto por dia de alguém contrário às sacanagens cometidas contra o ex-presidente. Sua resposta é a de muitos nesse momento: “Seu Henrique, você bem sabe de que lado estou, não preciso nem lhe dizer. Nunca que votaria em alguém como esse Alckmin, pois sei que não faz nada por nós. Esse é enganador da pior espécie, lobo em pele de cordeiro. Muito menos nesse Bolsonaro, propondo algo ainda pior. Eu não posso tirar a foto ao lado de Lula, pois trabalho nos condomínio da cidade e esses não me perdoariam. Se já está ruim de serviço, creio eu, pioraria mais ainda, pois ao me contratar se lembraria da foto, o fariam com outros, só para me ver sofrendo mais que hoje. A minha resposta, tenha certeza, será dada nas urnas. Lá no meu bairro, meus amigos pensam como eu, estamos calados, mas sabemos em quem devemos e em quem não devamos mais votar. Eles, os que sacaneiam com a gente, vão ter a resposta nessa eleição. Escreva o que te digo”. Aceito sua justificativa e também creio que, os como ele, na mesma situação, saberão dar a resposta, se não revolucionando nossas ruas, pelos menos nas urnas. Esperar sentado é uma bosta, pois o lado de lá se movimenta ciente da votação neles ser pífia. Daí, cá com meus botões, nem creio em algo alvissareiro saindo como resultado dessas eleições, pois os golpistas não permitirão serem deletados depois de tadas as maldades já feitas. Mas a fala dele é ao menos um alento. A classe média continua besta, abobada e cega, mas o povão, pelo visto, enxerga e muito.


OUTRA COISA
ME PERGUNTAM QUEM É O SANFONEIRO DO MEU TEXTO DE ONTEM. EIS:
A SANFONA DE JOSÉ CARLOS O ACOMPANHA ATÉ NO DIA A DIA NA RETÍFICA
Ouço os vários sons produzidos nesta cidade. Nem todos, pois ninguém consegue ouvir a todos e nem que quisesse seria por demais pretensão fazê-lo. Também nem quero, permanecendo ouvindo os que mais me apetecem e me amaciam os ouvidos. Tem sons que prefiro não ouvir nem de graça, mas prefiro também não ficar desdizendo deles por aqui, pois dizem que “gosto não se discute”. Escrevo e enalteço o que gosto, minhas preferências. Esse personagem aqui descrito, que pouco conhecia é para mim de grande valia e importância. Quando o ouvi tocando sozinho na noite nesta semana, anotei seus dados e algo de sua história, ditada a mim pela sua esposa. Se não o conhecia até então, a partir do encontro na noite bauruense, este ganhou mais um fã, eu.
Sanfoneiro Caio junto de Liz Amaral, no Aldeia Bar.



JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA é conhecido no meio musical bauruense e da região como CAIO, um sanfoneiro possuidor de uma extensa folha corrida, muita quilometragem no currículo. Hoje, aos 60 anos, após rodar muito, tocar pelos quatro cantos do país, principalmente na noite, o breque se deu por necessidade. Chegou à conclusão de que, cantando sobreviveria, mas se tocasse com mais afinco o seu outro negócio, o à frente de uma retifica de cabeçotes automotivos se daria muito melhor financeiramente. Resolveu não dar murro em ponta de faca e deixou a musica um tanto de lado, não totalmente e foi tocar em outras paragens. Vez ou outra tem uma recaída e junto da esposa, Laci, se apresentam pela aí, levando consigo a inseparável sanfona e uma aparelhagem sempre pronta para ser instalada em lugares variados e múltiplos. Seu repertório é dos mais variados, principalmente o forró, levado para todo tipo de ambiente, mas principalmente em cidades pequenas, qualquer uma, dessas ainda tendo nos seus cafundós algum espaço para esse tipo de música dançante e envolvente. Levava seu conjunto por esses lugares todos, mas hoje, na maioria das vezes, nas horas vagas, o faz mais para amigos e convites irrecusáveis. Caio toca de tudo e sem ler partitura nenhuma, tudo de cabeça, algo inebriante e envolvente. Quem o conhece não estranha sua versatilidade, mas alguém como eu que o vê pela primeira vez, o queixo fica caído. Aceita convites, atendendo pelo telefone 14.996316622, principalmente em forrós e festas juninas/julinas ou dessas onde o destaque venha a ser um sanfoneiro e seu instrumento de trabalho.

Esses que fazem a festa nas noites pelas rebarbas da cidade estarão sempre sendo destacados por aqui e no www.mafuadohpa.blogspot.com

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (130)


DESABAFO DE SEXTA - O DEBATE ELEITORAL, A SANFONA, O FASCISMO E O QUE AINDA PODE SER FEITO – SE É QUE PODE...

Hoje é sexta, dia de alguma festa, mas o país encontra-se num estado de pré-apreensão, expectativa de que os dias horrorosos de hoje podem se transformar num pesadelo ainda pior após o resultado das eleições em outubro. Hoje todos querem só saber de conversar sobre um quase debate ocorrido na noite de ontem na TV Band, o primeiro dentre outros programados até o dia da eleição. Não assisti. Lula não estaria presente e nem seu vice, o Haddad. Perdi o interesse. Outro debate ocorreu paralelo a esse, com Haddad e Manuela, a vice do vice, nessa chapa, a qual me encontro engajado, enfronhado e brigando por votos, mas também não vi. Resisti e resolvi sair com os daqui de casa no horário das contendas. Fomos numa sanfonada lá no Aldeia Bar e revivi alguém da velha guarda, o José Carlos, conhecido nas rodas noturnicas de forró, onde era conhecido como Caio. Arrastava seu som no frio bauruense e ali permaneci, distante do que ocorrida, paralelo ao embrutecido furdunço político. Não perdi nada.
SANFONEIRO QUE ME LIVROU DO DEBATE
 


Eu me interesse muito pela vida política deste país, mas nem um pouco pelo que me induz a ver como o adequado e sendo difundido via mídia massiva. Esses se perderam e hoje, poucos ainda confiam no que ali é difundido. Cansado de informação enviesada, me abasteço cada vez menos desses, pois sei que tudo o que dali sai é tendencioso. E por que teria que ver a tal disputa entre o Bolsonaro e o Ciro? Já sei de antemão que o Ciro daria um banho no fascista, pois é mais preparado que esse, anos luz à frente. Teria que suportar Marina, Meirelles e até esse Amoedo, que infelizmente um dia foi eleito pelo PSOL, traiu a todos e mostrou sua verdadeira face, a mais nefasta possível, bem próxima do que essa parcela ignóbil de brasileiros hoje credita como a que irá salvar o país, mais o tornará mais moralista, banal, idiotizado e servil para interesses que não os seus. A sanfona me é muito mais agradável do que ver esse teatro de banalidades pela TV. Amoedo é tão vil quanto Temer, ambos traidores, já o restante, teatro de horrores. Um vinho me apetece muito mais neste ignóbil momento.

Faço a minha parte e espalho algo mais, como essa curta mensagem cifrada e para os ainda querendo tentar salvar esse país de algo insano despontando pela aí: “Entender o mecanismo das forças que mantêm as chances de Bolsonaro em bases relativamente confortáveis parece o melhor caminho para combatê-lo eficientemente enquanto há tempo” (jornalista Fred Melo Paiva). Será que esses querendo votar nele o enxergam como algo novo, um rebelde, uma opção a tudo o que se apresenta hoje, alguém se contrapondo ao sistema? Creio que sim. Outro jornalista, Marcos Coimbra alerta para algo mais: “Ele fala errado, diz bobagens e o povo se vê representado”. Ele foi se construindo nesse vácuo, cavou um espaço e de algo surreal, bestial e até irônico, galgou mais, soube se aproveitar das brechas e cresceu. Hoje, o lema que vejo proliferando nas ruas, triste lema diante das barbaridades feitas em cima dos costados do povo é para se pensar: “Tá no inferno, abraço o Bolsonaro”. Muitos caem nessa e foram no vai da valsa. Ainda não mensurei se vai passar do atual percentual, mas nenhum outro candidato de direita, pelo visto, terá mais votos que ele. Se Lula ou Haddad não ganhar no primeiro turno terão que enfrenta-lo no segundo. Será isso mesmo? Só vendo para crer. Eu tenho por preferência sair porás ruas desde já e provocar algo a alterar tudo o que estão montando e preparando contra nossos costados. Sei que, os golpistas fizeram tudo isso que estamos vendo e não vão entregar de mão beijada o país para quem quer desfazer as maldades todas.

Eu sei que sem povo nas ruas dificilmente será possível alguém propondo o algo novo, reverter a bestialidade implantada. Mas como colocar o povo nas ruas? Já que ninguém sai, eu também não gasto minhas últimas energias sozinho e continuo tentando lançar algumas fagulhas daqui de onde me encontro. Barulho internético não é a mesma coisa que povo nas ruas, fazendo e acontecendo, mas diante da pasmaceira e não querendo ficar sem fazer nada, esgrimo por essa via. O que seria por demais desagradável para este país, já tão penalizado seria ver no Palácio do Planalto alguém talhado a tratar na ponta da botina os movimentos populares e aprofundando as privatizações e retiradas dos direitos dos trabalhadores. Por causa disto continuo com Lula. Não suportaria viver dentro de um estado de capitalismo mais autoritário do que o vigente hoje, seria algo onde minha diabetes acabaria comigo antes de ver o final da história. Não precisaria nem ser torturado, pois meu corpo, creio eu, não suportaria a amargura de viver, beirando os 60 anos, num estado onde nem mais possa escrever e dizer o que penso sem medo de represálias. Luto com essas minhas parcas armas, pois não sei se conseguiria viver num Estado onde o policial assassino não se sentiria um assassino, mas um herói. Sei que é assim que se enxerga Bolsonaro e os seus quando ele afirma que bandido bom é bandido morto. Nem sei se entre ele e Alckmin teriam grandes diferenças, ambos são nefastos. O som da sanfona me faz dispersar esses pensamentos ruins, pelo menos por enquanto. Tomo mais um gole de vinho, isso também ajuda, não sei até quando, mas no momento me alivia.
Eu estou desolado disso tudo: escrevo por aqui ou vou pras ruas esgrimar contra os moinhos?

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

CENA BAURUENSE (175)


DOIS PERSONAGENS BAURUENSES, UMA ALEGRE E OUTRA TRISTE HISTÓRIA

1.) A METROVIÁRIA IVANA É HOJE RENOMADA CALISTA
O que mais gosto de fazer aqui pelas vias facebookianas não é ficar criar caso com ninguém, mas escrevinhar esses perfis dos bauruenses Lado B, que um dia ainda reunirei num livrinho de alguma valia. Paro e recomeço a série ao sabor do vento, mas se pudesse publicaria um perfil diário, pois gente, assunto e vontade não me faltam. Em cada lugar que aporto, ao me deparar com alguém que ainda não foi aqui retratado, me bate aquela incontrolável vontade de fazê-lo. Anteontem revia essa linda pessoa humana e pedi permissão para a foto e o escrevinhamento que segue no parágrafo abaixo. Com ele retomo mais uma vez essa série.

IVANA SPETIC DA SELVA saiu aos 21 anos de Bauru e foi conhecer o outro lado do mundo, diferente da aldeia bauruense. Caiu na grande São Paulo e depois de ter atuado em outras atividades foi ser metroviária. Sempre trabalhou na parte administrativa, interna, gerenciamento de pessoas e ao se aposentar, nunca pensou em parar, descobriu algo novo a movimentar sua vida. Fez curso de Podóloga, se especializou no trato dos pés, trabalhou mais um tempo em Sampa, mas resolveu voltar pra sua terrinha. Morando junto com o mano Silvio Selva na esquina da Domiciano Silva com a Azarias Leite, ali montou seu salão de atendimento e garbosamente junta amigos e clientes, em sessões onde os pés são bem tratados e o papo flui maravilhosamente. Os resultados são sempre ótimos, pois quem não gosta de ver seus pés de bem com o resto do corpo e de passar um tempo com uma alvissareira conversa fluindo por todos os poros, meios e maneiras. Ivana trabalha sorrindo, esmerilha seus calos, recorta suas unhas, massageia seus pés e os enche de bons cremes. Momentos indescritíveis ao lado de tão generosa pessoa, infelizmente, passam rápidos. É também boa contadora de histórias. Contou uma e aqui tento reproduzir: “Um cliente de SP, desses importantes, ia toda semana, seu pé era impecável. Ele me disse estar passeando de chinelos na rua quando foi abordado por uma prostituta a lhe oferecer seus serviços. Disse a ela se sabia ter ele dinheiro suficiente para pagar pelo que lhe oferecia. A resposta dela foi de quem observa tudo à sua volta: Com um pé desses o ser só pode ter dinheiro no bolso”. Ela é ótima demais da conta.

2.) CHRISTIAN, O CARTEIRO BOA PRAÇA SE FOI TRAGICAMENTE
Ouço sempre e nunca dou a devida atenção para o dito, “para morrer basta estar vivo”. Isso se repete todos os dias, a morte é esse algo inexorável. Nosso dia chegará, mas quando esse dia é antecipado, uma dor sem jeito de passar toma conta da gente. Mortes bestas, sem sentido, essas doem mais. Viajo e só hoje tomo conhecimento que alguém pelo qual via quase todos os dias se foi de forma trágica, inesperada e aquela convivência diária nunca mais será possível. Eu mal o conhecia, mas o via diariamente e desse pequeno contato nasceu algo de bom, um relacionamento que conto a seguir numa espécie de homenagem a alguém que deixa um vazio dentro da gente.

Um amigo me diz se conhecia o carteiro Christian, um negro, magro, de cabelos enroladinhos, barbinha por fazer, sempre sorridente. Respondo: “Sim, pelo que me diz é quem brinca com meu cão no portão de casa todo dia. Sujeito muito boa praça, desses que mesmo sem conhecer buzino o carro na rua só para cumprimenta-lo quando o vejo nas imediações de casa”. Daí recebo a notícia: “Mataram ele semana passada”. Só então fui ler a notícia no jornal e lá isso: https://www.jcnet.com.br/Policia/2018/08/corpo-e-encontrado-embaixo-de-viaduto-da-marechal-rondon.html. Ele estava desparecido e foi encontrado morto debaixo de um dos viadutos na rodovia Rondon, altos do Vista Alegre. Leio o que sua mãe Cris Bastos posta na internet: “Dia 03/08/18, meu amado filho Christian Luis Bastos de Assis, foi encontrado morto. Pai dedicado, excelente marido, e irmão, trabalhador, honesto não devia nada para a justiça. Portanto eu exijo, JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA..”. Escrevo o que sei dele. O conhecia como carteiro e pela forma como tratava meu cão, como me abordava para entregar as correspondências, criamos uma empatia. Por pouco não tirei fotos dele brincando com meu cão, o Charles no portão de casa. Só de bater os olhos tinha a mais absoluta certeza, era um sujeito mais que boa praça, desses onde a conversa flui sempre de forma magistral. Estava sempre por essas plagas, lépido e fagueiro, como que surfando pelas ruas, com aquela bolsa azul nas costas, a roupa amarela dos Correios e o andar ligeiro. A conversa sempre foi rápida, pois se parasse em todos os lugares, não daria conta da carga diária de entrega. Vou sentir muito minha falta. Nem sei quem é o carteiro novo, quem substitui o Christian, mas o vácuo está instalado. Não deu nem para se conhecer direito e o danado já partiu. Desde agora faço parte do time de sua mãe a exigir Justiça, pois nada justifica o que lhe aconteceu. Tristeza.