sábado, 6 de maio de 2023

PERGUNTAR NÃO OFENDE (197)


VOCÊ É A FAVOR DAS FAKE NEWS? QUAL O SEU LADO?*
* Meu texto para edição semanal do DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, circulando a partir de hoje:

Essa pergunta é mais pertinente do momento. O atual Governo Federal tenta já faz algum tempo aprovar legislação favorável no enquadramento para quem mente e divulga inverdades pelas redes sociais. Desconheço quem aprove a mentira como mola mestra de vida, daí impossível confundi-la com Liberdade de Expressão. Para tudo existe limite, inclusive para a mentira. Eu já menti, você também, enfim todos já mentimos, mas divulgar e achar isso a coisa mais normal do mundo, principalmente as incitando a violência, favorecem o crime, como a defesa do nazismo e de quem promove crimes pelas escolas, inventa coisas de adversários políticos, tudo para favorecer uma linha política, daí já foi ultrapassado todos os limites do bom senso.

Quem mais tenta bloquear a aprovação da legislação contra as Fake News são os evangélicos neopentecostais. Não eles, mas os pastores dessas igrejas e sabem por que? Simples. Eles querem continuar falando o que querem em suas igrejas, mentindo adoidado, culpando este e aquele de forma desmedida, sem nenhuma punição. Se acham no direito de fazer o que querem com suas publicações e não aceitam se responsabilizarem por nada. A internet não deve ser uma Terra de Ninguém, algo sem leis e regras, pois do contrário viveremos sob o domínio do Vale Tudo e daí, sempre o mais forte, o mais mentiroso e inescrupuloso estará impondo sua mente sórdida sob todos os demais.

Quando vejo o discurso dos que estão contra a aprovação da lei, percebe-se embutido algo mais do que perigoso. Regular isso tudo não passa nem perto de censurar. O que não pode é o “liberou geral” ocorrendo hoje. Estamos nessa de discutir, muito velozmente, o lance da regulamentação das chamadas “grandes plataformas” ou como preferem os fãs da língua inglesa, as Big Techs. Nas redes da ultra direita a mentira rola solta e isso infesta o país de ideias perigosas, fora da realidade e sem nenhum penalização. Para tudo existe regras estabelecidas, como as do trânsito, convívio social, moradia em qualquer condomínio, de respeito a filas, atendimentos, enfim, para tudo e daí aparecem alguns que são a favor de que na internet isso não deve existir.

Pode notar, quem é contra a aprovação da legislação de regulamentação é porque está envolvido em algo suspeito, fora da lei e tem medo de ser pego. Quer continuar impune e aprontando sem que ninguém faça nada. Quer queiram ou não, quer seja aprovada ou não a legislação proposta, tem muita gente agindo criminosamente pela aí e já passou
da hora de serem identificados, julgados e punidos. Que retrocesso é este na cabeça das pessoas, apostando favoravelmente a favor da mentira como modus operandi de vidas humanas. Ou está tudo desvirtuado, merecendo mesmo uma correção e enquadramento, ou enlouqueci e o mundo daqui por diante não precisa mais de lei nenhuma. Cada um cria a sua e dane-se o resto.

Talvez boa parte da população não tenha entendido direito o que está por detrás de quem é contra essa aprovação. Tudo é muito simples. Perceba em primeiro lugar de onde está vindo a mensagem que recebe, quem lhe enviou e se aquilo merece ser aceito sem nenhum tipo de questionamento. Estamos diante de uma quantidade de informação nunca vista até então, tudo chegando até nós via celular e poucos de nós checamos da origem e veracidade do recebido. Nunca poderia imaginar mentes humanas sendo totalmente teleguiadas por uma rede mentirosa e na condução para o abismo. Chega de preconceituosos, intolerantes, genocidas, nazistas, fascistas, trogloditas, milicianos, homofóbicos, golpistas, racistas e enganadores da boa-fé popular. O Brasil felizmente virou a página da perversidade, mas muitos deles fazem de tudo e mais um pouco para impor suas bestiais ideias como regra geral. De que lado você está?
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de Hsitória (www.mafuadohpa.blogspot.com).

FUI AO ENCONTRO DO N° 200 DA PIAUÍ
Sou leitor e amante da Piauí desde seu número 1. Hoje fui ma banca da Ilda buscar a edição de maio, seu número 200. Façam as contss, doze edições no ano, quanto tempo nas paradas de sucesso. Uma revista com longos textos, abordagens diversas e variadas, caíram jo meus gosto desde o princípio. Essa última capa está um primor. Ver o trio de ferro do Brics junto, numa oficina a tramar os destinos da humanidade e desmontando a nave norte-americana não tem preço. Reflete bem as mudanças do mundo, onde nada é eterno. O Império Romano durou quanto tempo mesmo? E o norte-americano perdurará até quando? A URSS se fez forte por um tempo e agora a China, a bola da vez. As capas são um dos fortes da Piauí. Leio de cabo a rabo, em drops, pouco a pouco, permanecendo aberta aqui no Mafuá II e só sendo guardada junto das demais após ser devidamente devassada. Essa chegou agorinha e será venerada o mês todo, enfim ler coisa boa, faz parte do que procuro ir fazendo ao longo da vida. Algumas vezes me desvio e leio algo fora do tom, mas logo me reencontro. 200 revistas, guardadas aqui até não se sabe quando. No meio de uns 10 livros, todos com marcadores de onde parei, junto da semanal Carta Capital, embalam minha vida e me fazem não alterar o toque do despertador de meu celular, plugado nas 6h da manhã. Acordo, lavo a cara, escovo os dentes, tomo meu sagrado leitinho com café solúvel e me acomodo pras leituras do dia. Hoje, a Piauí, novidade deste sábado tem prioridade na fila. Passa na frente de todos os demais. Não vejo a hora de voltar pra casa e começar logo a contenda.

NÃO ADIANTA VIR COM GUARANÁ PRA MIM, É LEITE DO MST QUE EU QUERO BEBER

Não sei se é o único lugar de Bauru, mas desde que ali no Supermercado São Judas Tadeu, nos altos da rua Primeiro de Agosto, passei a encontrar o leite pasteurizado pela Cooperoeste - Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste, de São Miguel do Oeste SC, com a marca "Produtos da Reforma Agrária - Terra Viva", virei freguês. Atravesso a cidade e como tomo três copos de leite por dia, só compro meu básico leitinho daquelas prateleiras. Tem mais. É sempre, dentre todos os demais, o mais barato. Hoje mesmo, devido ao preço tem limitação de 12 caixinhas por CPF. Indico, recomendo, aprovo e BEBO, sem sustos e efeitos colaterais. Nos dois grandões da cidade, parece tabu, mas essa marca não entra. São Judas na cabeça!!!

SERIA HOJE O 115º LADO B, ADIADO PARA TERÇA, 9/5, 16H COM, ATÉ BEM POUCO TEMPO, O CARA DA SECRETARIA DE CULTURA DE BAURU, ORLANDO ALVES
Orlandinho, como os mais chegados o chamam, padece do mesmo mal deste mafuento HPA: a idade chegou e com ela alguns problemas de percurso. Faríamos hoje o 115º LADO B - A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, mas o danado foi tomar a sua 5ª dose de vacina e ela deu reação. Dodói, em recuperação, no estaleiro e bem tratado pela esposa, remarcamos para a próxima terça, lá em sua propriedade rural, outra paixão de sua vida. Dito isso, reafirmo a imensa admiração que tenho por este bravo servidor público municipal e por todos os serviços prestados para a Cultura bauruense. Teremos uma profícua conversa, sobre como se deu a realização de tanta coisa, muitas delas idealizadas e colocadas em prática por ele. O ontem, o hoje e o amanhã na voz de quem esteve presente até meses atrás, quando se aposentou. A expectativa é grande e na terça, eu e ele já recuperados de dores advindas da inexorável passagem do tempo, daremos o melhor de si. Marquem aí, terça está logo ali, na virada da curva da esquina.

ESTE CONTINUARÁ SENDO O CARA, SEMPRE E SEMPRE
Ilustração e traço a cargo de Gilberto Maringoni.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (117)


DOS DESTINOS DA FERROVIA EM BAURU, A VISÃO DA PREFEITURA E A DOS TRABALHADORES - RESULTADOS AUDIÊNCIA PÚBLICA EM BRASÍLIA
Abro o Jornal da Cidade de ontem e lá algo a me interessar: "Prefeitura de Bauru participa de novs audiência pública da concessão da Malha Oeste da ferrovia". Fui ler e ali somente a visão de como a atual administração municipal encara a questão. Tudo bem, entendo, o jornal deve ter escrito o texto baseado em release enviado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura. O outro lado, o dos trabalhadores, que também participaram da Audiência Pública sobre a concessão da Malha Oeste da Ferrovia, essa ocorrida em Brasília DF - algo escrito dias atrás por aqui - não foi repercutida na matéria. Ali a posição de Rafael Lima Fernandes, Chefe de Gabinete da Prefeitura, já buscando definir como deve ser a contrapartida do Governo federal para com a cidade: Criação de ramal férreo interligando Eadi (Estação Aduaneira, Porto Seco), aeroporto Moussa Tobias e Porto Intermodal de Pederneiras, a implantação de entreposto logístico de cargas na cidade e instalação de um hub (?) na região.

Como vi o ali anunciado. Primeiro, não vejo nenhum interesse da administração em lutar pelo trem de passageiros, depois ela colocou a carroça na frente dos bois, pois se luta no momento pela reinplantação da ferrovia, hoje destroçada e sem muitas perspectivas futuras. Já pensam na contra partida, quando neste momento a união de todos deveria ser pela luta de algo concreto, viabilizando o retorno da ferrovia, colocando-a em funcionando e pela bitola já existente e funcional. O arquiteto Xaides, que também participou da Audiência, pela forma virtual, expressa o mesmo pedido e lhe foi dito, que isso tudo seria possível num outro momento, quando o primeiro já estivesse sendo implantado.

Eu quero é saber e seria ótimo a matéria do JC ter postado algo sobre como os trabalhadores ferroviários entendem a luta empreendida. Fui atrás de Roberval Duarte Placce, um dos representantes destes, de forma presencial e me disse por gravação de áudio: "A Prefeitura pediu para Bauru ser colocada no cenário dessa questão., mas essas questões ainda não estão fechadas. O único estudo fechado é da revitalização. A contra partida virá muito depois. O que digo de passar o carro na frente dos bois é o seguinte: a gente tinha que ter uma organização mais forte para retomar a ferrovia. Mato Grosso do Sul os políticos estão empenhados, com mobilização muito forte, exigindo algo neste sentido, mas aqui a solicitação é outra. Na audiência disse da indenização que poderia reverter pra própria ferroavia daqui e me disseram das questões judiciais ainda pendentes. Primeiro teríamos que estar mais organizados pra bater no ponto da retomada do transporte ferroviário. Mais uma coisa, o pessoal odeia povo, a contrapartida é pra cidade, nada pro povo. O trem de passageiros ninguém fala. Tinha que existir agora uma campanha muito forte neste sentido, pois a chance do trem de passageiros se faz neste momento em que se discute uma relicitação e novo contrato com a ferrovia".

Pelo que se observa, os interesses já começam conflitantes. Será que em algum momento o Rafael, representando a Prefeitura esteve autorizado a conversar e ouvir, talvez até se juntar numa reivindicação coletiva, unindo os interesses da Prefeitura e dos trabalhadores? Existe este interesse? Eu acho que as reivindicações pleiteadas pela Prefeitura podem ate ser muito justas, porém, quando nem sabemos ainda se irá vingar essa reimplantação, é pensar na frente e não olhar para o presente, a necessidade primeira. A posição do trabalhador é a mais interessante no momento.

TÁ CHEGANDO O DIA E A HORA
Quem pariu Matheus que o embale, dis o ditado popular. Inventei a coisa, agora tenho que fazer ela acontecer. Mais uma e desta feita um programa, que seria ótimo conseguisse realizá-lo semanalmente. A ideia é essa, a de levar pessoas pro espaço mais democrático desta cidade, lá cruzar com outras e já que estão ali, pegas ou não de surpresa, estabelecer um contato, uma relação, uma espécie de copulação, ao vivo e a cores. Uma conversa sem roteiro estabelecido e onde pode acontecer de tudo, inclusive dar merda.

A ideia me parece noa e o local mais ainda. Temho fixação pela Banca do Carioca, o livreiro da feira, encrustrado bem no coração da Feira do Rolo. Ali já aconteceu de tudo. Já aprontei muito ali, já nascendo dali algumas exposições de fotos. Tanto o Carioca, como o local foram um dos temas de meu mestrado, quando juntei três personagens das ruas de Bauru. A identificação principal é pela espontaniedade proporcionada pelo lugar, enfim, livros e discos, leitura e música. Quando tudo isso junto e misturado só pode dar coisa boa. Apostei todas minhas fichas ali e não me decepcionei nunca.

Desta feita, como aqui já contei, meio que sem querer, mss sempre querendo, algo pintou no domingo passado, quando jogando conversa fora com o professor de Filosofia Fabiano Ferreira, falei de gravarmos nossas aleatórias prosas. Fizemos citações, fomos interrompidos, surgiram outros e foram todos sendo introduzidos na conversa. Virou uma balbúrdia, verdadeira geléia geral. Ficou tão interessante que deu vontade de gravar. Abobrinhas reunidas, com tempero especial, daí deve surgir um belo prato, se não muito saboroso, ao menos picante.
É o que deve acontecer por lá no domingo, sempre depois das dez e nunca depois das onze. Quem quiser aparecer, esteja à vontade, mas venha preparado, pois pode acontecer de tudo. Quase nada sendo preparado antecipadamente, pois é do improviso que vivo e frutificarei. Chegando a hora...

outra coisa
UM LUGAR PRA MORAR E TOCAR A VIDA TRANQUILAMENTE – ONDE MESMO?
“Há um lugar entre as modernas torres de concreto. Que ninguém fique de fora, deveria ser um decreto”, Sara Hebe

“Embora a cidade esteja transbordando de novos prédios e construções de torres e casas de luxo que não pararam mesmo durante os anos de pandemia, o acesso a um aluguel está cada vez mais difícil. Há falta de oferta, os preços tornam-se abusivos, não há intervenção do Estado senão para oferecer dívidas -para pagar a garantia, para celebrar um contrato imobiliário- ou benefícios para os proprietários. Como você faz casa nesta instabilidade? A moradia pode ser especulação e não um direito?”.

Presenciei hoje numa fila de banco, ou melhor, sentado em bancos de espera – algo mais moderno e confortável, mas também fila, conversa sobre as dificuldades atuais de um lugar para morar. Este não é o meu problema, mas o de milhares de bauruenses e brasileiros. A fala sobre a busca por aluguel é protagonista entre as preocupações e projeções da vida de qualquer mortal. Comprar um terreno, envelhecer juntos, quanta incerteza, falta de orçamento, buscas por meses. “As complicações se aprofundam para mulheres, lésbicas, travestis, trans, se tem filhos, se convive com animais, é migrante ou pessoa com deficiência. As estratégias de busca vão desde a confecção de panfletos para upload nas redes, mensagens de spam no WhatsApp, visitas a imóveis, as mil páginas na internet, até o boca a boca: comentar em todos os lugares e o tempo todo “tenho que me mudar” (...) O sonho do telhado próprio tornou-se inatingível, apesar da exigência de uma lei do arrendamento que esteja do lado dos inquilinos para que as exigências não sejam tão hilariantes como os preços, da exigência de regulamentação por parte do Estado para que o que se paga por mês seja equitativo ou um imposto para habitação ociosa é revelado, são algumas saídas possíveis. Enquanto a especulação imobiliária se expande na forma de torres, parques lineares, praças secas e imóveis destinados ao airbnb, quem não consegue acessar a própria casa se sustenta construindo redes, hospedando amigos, repassando dados de casas, quartos, facilidades econômicas ou subsídios, buscando estratégias para o manejo coletivo e criativo do desconforto”.

Pincelei estes trechos de algo lido hoje, “O sonho do meu quarto cada vez mais longe da cidade”, escrito por Miranda Cerrete e publicado na edição de hoje do diário argentino Página 12. A situação da moradia popular não é muito diferente da vivenciada no Brasil, mais precisamente em Bauru, daí o interesse. Escrevo isso mais precisamente por estar com algo para alugar junto do Mafuá. Recebo propostas, mas cada uma mais sentida que a outra. Daria uma bela novela sobre as dificuldades da vida humana. Um me ofereceu pagar em escambo, com algo que planta. Teria que eu vender para conseguir o valor do aluguel? Sentei com ele, sua história é de muita luta, por fim, parece ter arrumado algo de vigia. Fiquei mais contente, pois o novo empregador também o abrigou, a ele e sua família. Um morador de rua, ele e mais umas três pessoas me disse numa abordagem: “Estamos na rua, não temos pra onde ir, você tem uma casa vazia e por que não deixa passar um tempo aí? Cuidaremos dela pro senhor”. Outro me ofereceu compra-la: “Moro de aluguel, pago $ 800 mês e queria comprar a sua. Sou seu amigo, pagaria os mesmos $ 800 e quando desse o valor que pede pela casa, estaria quitada. Topa?”.

Junto tudo isso com a manchete principal de hoje do JC – Jornal da Cidade: “Em 12 anos, domicílios em Bauru crescem 32%; 22 mil estão vazios”. Quem afirma isso é o IBGE, responsável pelo Censo Demográfico sendo finalizado em Bauru. Espanta o número de domicílios vazios, embora possuam proprietários, 22.283 em Bauru, um deles é meu. Eu não especulo, não exijo fiador, negocio com facilidades, até faço sem contrato, tem também a proximidade do centro, imóvel não tão minúsculo, mas com um agravante, a casa é na beira do rio e por 4 meses ao ano, os perigos são constantes, quase inevitáveis, diria mesmo, incontroláveis. Eu ouço histórias, elas me comovem, já entrei em muita fria por causa disso, mas sou assim, não mudo. As conversas me são úteis para ir tocando o barco adiante. Que seria de mim sem ouvi-las? O Mafuá, como denomino meu patrimônio tem meu DNA lá incrustrado, residência de meus pais e com ele, vou também aprendendo algo mais desse negócio chamado convivência humana. De tudo, algo das dificuldades mais que concretas deste momento vivido pela imensa maioria do povo bauruense, brasileiro, argentino, latino.

OBS.: As fotos são todas da matéria do jornal argentino, refletindo algo de Buenos Aires, com imensas similaridades com a Bauru vivenciada na região onde ainda mantenho o Mafuá. Desculpem pelo "textão", mas hoje é sexta e na entrada do final de semana recomeço a filosofar.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (177)


REUNIÃO PÚBLICA HOJE NA CÂMARA MUNICIPAL PARA DESVENDAR OS CRITÉRIOS UTILIZADOS PELO PODER PÚBLICO NA CONTRATAÇÃO DE ARTISTAS - E OS EDITAIS PARA OS VÁRIOS SEGMENTOS? E OS VALORES PAGOS AOS ARTISTAS LOCAIS?
"Hoje promovi uma importante reunião para discutir a valorização dos artistas locais em nossa cidade. Precisamos reconhecer o talento dos nossos artistas e incentivar a contratação deles em eventos locais. Vamos trabalhar juntos para promover a cultura e fortalecer nossa comunidade! Contem comigo! ", Junior Lokadora, realizador da Reunião Pública.

A reunião teve início com a fala do Secretário de Cultura de Bauru, Paulo Eduardo Campos, onde apresentou o que tinha na manga da camisa, somente um Edital endereçado para os músicos da cidade, como se este fosse a salvação da lavoura. Não é, sendo merecedor de muita crítica de todos os que falaram depois de sua apresentação. A imensa diferença entre valores pagos para shows de artistas conhecidos e os de Bauru é desmerecedor para todos na cidade. "Como, secretário, sendo músico consegue se manter indiferente diante de algo tão gritante e sem solução?", diz o músico Paulo Maia. O secretário reage querendo mostrar Paulo ter recebido mais de 40 mil reais só para ele, quando na verdade o valor foi pago envolvendo todas as despesas e outros artistas envolvidos nos editais. Paulo reage e demonstra que seu cachê, diante disso não passou de meros R$ 250 reais. Na sequência das falas o secretário foi até taxado de "desleal". Foi uma saraivada de críticas, vinda do baterista Kennedy, Igor Fernandes, Paulo Tonon, entre outros (as). Este último ainda fez questão de dizer: "Bauru foi reconhecido pela Unesco como local de potencial cultural, algo cujo valor não é reconhecido pela administração municipal".

Aguardo todas as falas e quando chamado pelo vereador Lokadora, da tribuna da Câmara, em resumo, digo algo neste sentido: "Venho aqui representando o PAtrimônio Cultural, que nunca foi reconhecido em nenhum dos editais até então divulgados. Não existimos para eles. Quando teremos algo contemplado nesta administração? Temos três museus municipais, o Ferroviário, o Histórico e o da Imagem e do Som, todos fechados e sem nenhum perspectiva de abrir durante essa administração. Uma vergonha também o Ferrovia para Todos, projeto da composição Maria Fumaça, essa com suas peças sendo roubadas e daí, para não piorar o quadro, guardadas por funcionários do museu. Temos uma Diretoria de Patrimônio Histórico que nada faz, inoperante, pois diante de tantos imóveis tombados pelo Codepac, nenhum acompamento. Nessa semana, o prédio do BTC foi alugado para uma igreja e não existe nenhuma movimentação para saber se irão manter intacto tudo o existente em seu interior. A Casa dos Pioneiros, última residência remanescente dos primórdios da cidade, foi desapropriada e rui a céu aberto. No último pronunciamento da prefeita ela disse que, se alguém da iniciativa privada se interessar por algo desses imóveis, só assim. Não existe política de patrimônio cultural na cidade e nada é feito neste sentido. A situação é desoladora. Como disse anteriormente Igor Fernandes em sua fala, se a prefeita se manifesta contrário a algo na Cultura, certeza nada será feito", foi minha fala. Aproveitei também para lembrar da situação da Cia Estável de Dança, antes com até 16 integrantes e hoje, com cinco, sendo prometido abertura de edital de escolha novos membros e sempre adiado, ou seja, estão enrolando e nada irão fazer. Querem o fim da Companhia, querem o fim da Cultura". Quando terminei, o vereador Guilherme Berriel Cardoso ainda complementou com algo mais da situação dos museus e o secretário, ao passar ao meu lado, resmungou: "Você esteve lá no Patrimônio e sabe como são as coisas". Retruquei de imediato: "Mas fizemos muito e num período sem dinheiro nos cofres da Prefeitura".

De tudo, ainda outras falas e pronunciamentos, todos no mesmo sentido. O servidor da Cultura Ricardo Polettini, a pedido do secretário explica a parte burocrática, os detalhes a ser seguidos para ser contemplado. Paulo Tonon, sempre muito propositivo, ainda tentou uma espécie de conciliação, buscando tirar leite de pedra, acreditando no impossível, crendo que sem um declarado confronto, alguma possibilidade: "Poderiam ao pagar um valor alto para um artista famoso, ter algo em lei, que o mesmo valor seria destinado para ser dividido com artistas locais, em poposituras a ser pensadas". Quase ao final, ele pede um aparte de um dos no microfone e faz um desabafo: "Eles não fazem nada, NADA". Não pude ficar até o final, mas de todas as falas algo bem nítido e transparente, não será com editais específicos como o apresentado, atendendo só uma demanda e assim mesmo, parcialmente que a Cultura será valorizada e respeitada. Aguardo meus colegas lá presentes se pronunciarem sobre a parte final, se sairam de lá com algo de concreto para o futuro, pois o presente está um horror. Por fim, parabéns ao vereador Lokadora, pela propositura corajosa de debater a Cultura, doa a quem doer.
OBS.: As fotos aqui publicadas são minha autoria e de Pedro Romualdo.

ENFIM, O QUE SE QUER COM ESSE TAL DE "CONVERSA NA FEIRA"
A "coisa" aí fora ferve, a lusitana roda e eu, enquanto poderia estar discutindo coisa mais séria - aliás, o que é isso de seriedade? -, venho cá para propor um outro tipo de revolução - não seria evolução? -, essa envolvendo os que rodam/circulam pela feira dominical bauruense, mais precisamente seu reduto mor, a Feira do Rolo e sendo ainda mais específico, a banca de livros e discos do Carioca. Por ali, algo circula, floresce e acontece. Há décadas o reduto é ponto de apoio, de passagem e de permanência de muitos no domingo, pouco antes do almoço - alguns ficam até muito depois.

Eu, HENriquieto, como sempre, na semana passada lá na banca, pego - e compro - um livro do escritor e jornalista Jorge Caldeira, o "101 Brasileiros que fizeram História" e quando olho pro lado o professor de Filosofia FABIANO FERREIRA, também frequentador do lugar. Falamos do autor e de seus livros, verdadeira conferência em pleno escaldante sol, quando ele me faz um discurso sobre o Barão de Mauá, um dos 101 e logo a seguir sobre o Mattarazzo e suas indústrias, uma até em Bauru.

Hablamos pelos cotovelos, juntou gente, um gaiato passou e de longe, apontou Fabiano dizento em alto e bom som, "cuidado com ele". Adorei a interação e junto do espevitado professor, bolei de todo domingo, a gente marcar presença e gravar um programinha com falas aleatórias, pegando os frequentadores e alguns convidados e os colocando na roda, não para falar deles, mas de algo surgido ali no calor dos acontecimentos, ou seja, de surpresa. Surgirão convidados, mas o inusitado será a mola mestra da coisa.

Assim nasceu e deve vicejar o CONVERSA NA FEIRA. Ainda no domingo, passei na banca da Ilda, essa do outro lado da cidade, junto do Aeroclube e me veio também a ideia de fazer outro, o CONVERSA NA BANCA, com o público que também viceja por lá todo domingo, quase no mesmo horário da feira. Depois, sonhei com outros e a coisa não mais saiu da minha cabeça. O Fausto Bergocce criou a logo e agora estou em busca de quem me ensine a fazer a gravação semanal, não só publicada na minha página do facebbok, mas também colocá-la no Youtube e transformá-la como programa semanal de TV, ao estilo do saudoso Abertura e do Jornal de Vanguarda.

A experimentação inicial acontece neste domingo. Eu e o filósofo professor daremos o pontapé inicial e depois, vingando, teremos mais uma semana para pensar no prosseguimento da coisa. Já tem até um banner sendo confeccionado para ser fixado no local, identificando onde vai ocorrer o furdunço. Quem tiver guardasol que o traga, pois quase sempre o bicho calorento pega por lá. Não estou convidando ninguém e sim, que interessados sintam o clima, vejam com o que faremos, se dali por diante, pinte um clima mais coletivo e embrulhemos o domingo, sempre depois das 10h e nunca depois das 11h, lá no já point de encontro.

ENTENDENDO MELHOR O ADIAMENTO DA VOTAÇÃO DA LEI SOBRE REGULAR AS REDES
"O tempo das redes é o tempo dos influencers, ou, no bom português, influenciadores. Essa é uma categoria de pessoa que apareceu nas plataformas sociais tendo como objetivo vender coisas. Roupas, bolsas, joias, panelas, o que seja. O negócio deu certo e há gente que vende coisas com milhões de seguidores. Aí começaram a aparecer influenciadores de ideias, no geral coisa rala, mas que pega direto na pleura. Então, sem maiores explicações ou conhecimento alguém pode falar dos temas mais complexos e angariar milhões de seguidores, mesmo que só tenha lido as orelhas do tema em questão. Isso quando não inventam teorias mirabolantes sobre a realidade. É uma matilha que cresce na internet de maneira vertiginosa.

A coisa é tão doida que sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos procuram seguir o exemplo fazendo o jogo das grandes empresas que controlam essas plataformas. Ou seja, em vez de informar ou formar, desinformam e alienam. Há uma corrida desesperada para entender os algorítmos, para disputar espaço com esse povo que vende coisas, que chega a ser assustador.

Claro, o quadro social não é tão simples. Há influenciadores que só vendem coisas, há os que mentem descaradamente, há outros que vendem coisas e um modo de vida, uma ideia, há outros que verdadeiramente estão tentando passar informações relevantes para que os seguidores entendam a realidade. Mas, no geral, quem sai da lógica da dancinha, do vídeo engraçadinho e se aventura a divulgar temas que realmente tocam nas questões estruturais da sociedade, tá lascado. Não tem seguidores. Ou tem poucos, considerados irrelevantes para o sistema.

Bom, se formos lembrar os tempos em que não havia a rede, a coisa não era muito diferente. Pessoas com pensamento crítico pouco eram chamadas para entrevistas na TV, no rádio ou no jornal. Quem dominava a cena midiática eram os apoiadores do capital. Apenas a plataforma tecnológica era outra. Claro que nos tempos atuais a coisa assusta pela proporção. Uma bobagem dita na rede tem alcance mundial. Mas, a realidade de fundo pouco mudou. Os que recebem mais visibilidade nas plataformas são os “sacerdotes do capital”, para usar uma expressão de Álvaro Vieira Pinto que, aliás, tem uma obra imprescindível para a gente entender a tal da tecnologia.

Agora, estamos nessa de discutir, muito velozmente, o lance da regulamentação das chamadas “grandes plataformas” ou como preferem os fãs da língua inglesa, as Big Techs. Nas redes da ultra direita a mentira rola solta. Falam em censura, em cerceamento da liberdade e toda essa pataquada que foi hegemônica no governo do militar. Um discurso que pega na massa.

Ora, regular não é censurar. Por isso há regras no trânsito, regras para o convívio social etc... São regras para que a coisa possa fluir com segurança. Como as grandes plataformas permitem o festival de mentiras, injúrias, preconceitos, e outros crimes contra a pessoa e a sociedade, é óbvio que precisam de regulamentação.
Ocorre que as grandes plataformas são os “bispos” do capital. São o braço armado do sistema que se articula em escala global e elas não querem ser reguladas por ninguém. Consideram-se acima da lei e de todas as regras. Vendem os dados das pessoas, espionam, inoculam veneno e tudo bem, é isso mesmo. Existem para isso.

Agora é ver como se comportam os outros sacerdotes do capital, deputados e senadores, conhecidíssimos por sua lealdade à classe dominante, aos interesses do capital. Alguém arrisca um palpite?

Enquanto isso, nós, da esquerda, temos uma comunicação ineficaz e o governo dito progressista tampouco se esforça para verdadeiramente informar a população. Não há um projeto para comunicar e o discurso da direita é o que prolifera em velocidade estonteante.

O que vamos ver então é um tema dessa importância ser votado de maneira veloz, sem debate com a sociedade. Assim, seja lá o que for decidido lá no Congresso vai permanecer incompreensível para a maioria da população, para os trabalhadores. Alguns, capturados pela direita, seguirão acreditando que querem censurar e cercear o direito de cada um dizer o que quer, e o pessoal da esquerda vai acreditar que com essa lei as grandes empresas internacionais vão deixar de divulgar a mentira.

Difícil demais isso aí. Porque nem é censura, nem as tais plataformas vão deixar de disseminar sua ideologia. Pode dar uma travadinha sim, mas será temporário.
Texto de minha amiga, a professora de Florianópolis ELAINE TAVARES.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (131)


PALAVRA CANTADA, GASTOS DAQUI E DALI - O PROBLEMA SÃO AS COMPRAS DA ATUAL ADMINISTRAÇÃO
Leio sobre como a atual administração municipal, comandada pela incomPrefeita Suéllen Rosim (PSD) continua cada vez mais enroscada no que diz respeito a contratação deste tal de kit pedagógico, denominado de Palavra Cantada.

Que existe algo muito mal explicado em tudo, disso ninguém mais tem a menor dúvida. Falta só juntar os pauzinhos e instaurar apurações mais detalhadas pela Justiça. Alguns vereadores não possuem mais dúvida nenhuma de irregularidades, tipo uma fratura exposta, algo de difícil conserto.

Enfim, como é possível, se para todo o estado do Mato Grosso do Sul foi pago R$ 3,9 milhões, pelo mesmo projeto, envolvendo 392 escolas estaduais e na nossa inusitada Bauru foi pago R$ 5,2 milhões para cerca de 90 escolas. Isso, derrubaria um avião supersônico em pleno vôo, quando mais uma prefeita.

Explicar essa diferença não só se faz necessário, como deve ser exigência imediata. Escândalo é pouco. Suéllen não gostou do jeito como a vereadora Chiara Ranieri, sugeriu ter ocorrido propinas na negociação. De forma muito irônica, a vereadora respondeu: "O governo municipal sugere algo errado. Deveria fazê-lo indagando quem confindenciou aos vereadores a informação de que houve comissão no contrato".

Enfim, se Suéllen enfrentou CEI, por causa das inexplicáveis compras feitas no apagar das luzes de 2021, creio que, nenhum vereador hoje se negaria a assinar novamente investigação diante de tão desbaratada diferença de valores em novas compras?
Diante da sequência de fatos, não seria melhor ser implementado desde já alguma forma legal de impedir compras de qualquer natureza pela atual administração? O problema atualmente enfrentado só se resolveria desta forma e jeito. Não vejo nenhuma outra forma.

HISTÓRIAS DE GENTE, SÓ PARA DISTRAIR A ATENÇÃO DE OUTROS ASSUNTOS
1.) REENCONTRO - EU E A ARTESÃ ROSÂNGELA BEATRIZ MONGE
Eu e Rosângela nos conhecemos há muito tempo. Ela sempre na lida do artesanato. Antes viajava muito, por onde pudesse expor e vender suas obras de arte, peças feitas pelas suas mãos. Uma vida recheada de boas histórias. No domingo pela manhã a revejo logo na primeira quadra da rua Julio Prestes - entro na feira de baixo pra cima -, quando cruzo com sua banca e logo a seguir, distante alguns metros, ela conversando com outros feirantes. Ela é dessas que não vai pra feira só para trabalhar. O grande negócio são as conversas, ela sabe disso e exercita o quesito do bate papo até a exaustão. Gosto demais de trombar com ela e conversar até não mais poder. Rosângela, assim como eu, acaba de voltar de um giro pela Europa. Eu consegui ficar um mês, ela três e me conta detalhes. Estava brava comigo, pois ciente de lá estar e do desejo de visitar os amigos músicos em Faro, numa das pontas de Portugal, Regina Mancebo e Marquinhos, onde também mora seu filho, ficaram todos à espera de mim e Ana Bia. E não aparecemos. De Sevilla fomos direto pra Lisboa, depois Porto. Ela desabafa: "Ana foi muito chata". Sim, concordo, mas tivemos que ser racionais na definição do nosso roteiro. Os amigos em Portugal não perdem por esperar, pois iremos voltar e por lá aportaremos. Rosângela me conta que, ela e o filho ficaram um mês percorrendo a Índia de mochila, numa aventura cheia de ótimas histórias. Em cada cidade um baque e além do susto, a novidade, surpresas boas. Nenhum problema ou percalço. Que ótimo. Assim ela se recarrega e daqui alguns anos, pensa em se mudar em definito pras bandas portuguesas. Ela não é a única. Ela me diz sonhar, mas com os pés muito no chão. Que delícia ouvir suas histórias. A braveza comigo e Ana até passou...

2.) REENCONTRO - EU E O MÚSICO GILSON DIAS
Saia do Banco do Brasil, o da praça Rui Barbosa, dobro a esquina e adentro a rua Antonio Alves, quando assim sem querer dou de cara com uma carinho pode demais de conhecida. Era o músico, hoje já quase carioca, GILSON DIAS, pois desde o período, quando trabalhamos juntos nas hostes da Secretaria Municipal de Cultura, idos da última administração Tuga, até 2008, ele resolveu bater asas, indo se fixar em Copacabana. Eu na época, nas idas e vindas por lá, levei pra ele de Reunidas uma de suas guitarras, buscada lá no Grajaú. Bons tempos, ele ainda se firmando por lá eu eu, fazendo algo que sempre gostei muito, pegar a Reunidas aqui no comecinho da noite e ir amanhecer na rodoviária Novo Rio. Por décadas este percurso de saudosa memória. Gilson me atualiza de todas suas histórias. Depois de tanto tempo sem se ver um a cara do outro, paramos ali mesmo na calçada, diante de nossos carros e proseamos por uns 40 minutos, esquecendo de tudo o mais. Ele me contou suas histórias de onde mora, pertinho da Galeria Menescal, atravessando a Nossa Senhora de Fátima e dando na Barata Ribeiro. Lugar de muita boêmia e também confusões diárias. Gilson se envolveu em algumas, mas na maioria das vezes, muita alegria, cantoria até nos quiosques na praia mais famosa do país. Vê-lo todo pimpão contando de suas amizades musicais, como o Renato Piau, o eterno preceiro de palco do Luiz Melodia. Ele tem algo pronto, gravado, esperando aquele momento mais adequado para lançá-lo ao vento. Gilson está com uma perna lá e outra cá, agora até mais cá, pois prefere ficar ao lado da mãe adoentada lá nos altos da Alto Acre. Que lindo vê-lo ainda cabeludo, cabelo branco, esvoaçante, carinha mais que boa, sorridente e só falando das coisas boas. Não esgotamos a prosa e trocamos endereços virtuais e telefones, pois ainda temos muito pra contar. Uma história dele, que não me sai da cabeça é a de seu pai, quando chefe de estação da FEPASA em Panorama, final da linha e lá abrigando e ajudando muitos perseguidos políticos a atravessar a fronteira. Seu pai foi um ferroviário de fibra e ele, um músico resistente, destes não entregando os pontos de jeito nenhum. No reencontro, amizade reforçada e renovada. Vê-lo na lida, falante e bem disposto é muita alegria para o meu final de tarde.

3.) GIOVANI VEIO DE PIRACICABA, COMPROU O VIOLONCELO E O TOCA NA RUA
Como não parar para ouvir a música proveniente das habilidosas mãos do músico, proveniente de Piracicaba e desde segunda em Bauru? No meu caso, impossível. Ele aqui aportou, após ver anúncio de venda do instrumento pela internet, não pensou duas vezes, veio de Babacar, se instalou num hotel perto da estação ferroviária, de baixo custo, negociou e por R$ 900 reais adquiriu o violoncelo. Viu, andou e gostou de Bauru, daí estendeu a permanência por mais uns dias, já pensando em marcar presença na feira dominical, que ouviu ser das mais movimentadas. Giovanni Miranda escolheu, no dia de hoje, como local para tocar e deixar seu chapéu com a boca pra cima, defronte o Banco do Brasil, da praça Rui Barbosa. Ali, toca, conversa e fico sabendo, que além das cordas, sua especialidade é o sopro, mais precisamente a flauta. Parei, ouvi, contribui e, como me pediu, divulgo também seu PIX, pois outros tantos podem querer também fazê-lo, acelerando a quitar mais rapidamente a dívida contraída com a nova aquisição. 

Eis o link de gravação feita por mim diante da agência do Banco do Brasil, quando o vi, não resisti, me aproximei e, além de conhecer algo de sua história por aqui, fui tocado e agora passo adiante: 
https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/9382011498538283

4.) CONHECI HOJE E JÁ FIQUEI AMIGO DO MOISÉS, LAVADOR DE CARROS
Conheci o Moisés Cândido Silva, 36 anos, meio que sem querer, como muita coisa nesta atribulada vida. Fui apresentado a ele pelo amigo Kyn Junior, quando lhe disse precisava lavar o carro com a devida urgência. O lavacar do Moisés fica dentro do posto de combustível no cruzamento das ruas Araújo Leite com Julio Prestes e tão logo começamos a conversar, vi estar de alguém de boa conversa. Marco de levar o carro hoje logo cedo, chego atrasado, pois dali teria 10 minutos para chegar no meu local de fisioterapia. Estava acionando um Uber, quando ele toca em meu meu celular e me diz, se não se importava, me levaria até o local. Aceito e digo, lhe pagaria o valor do Uber. Não aceita e seguimos motocamente pelas ruas, ele ao volante e me contando sua história. Em dez minutos de viagem (sic), fico sabendo de tudo e ele, parte da minha. Tem cinco filhos, seis mães diferentes, continua amigo de todas e só de duas não precisa mais pagar pensão, pois ambos já são maiores de idade e se virando na vida, empregados pela aí. Encucado pergunto: "Mas como, com quantos teve seu primeiro filho?". Engulo em seco, quando ouço dizer que foi aos 16 anos. Falo também de minhas dores, que envelhecer dói e ele, rindo me diz de suas dores, certamente pelo serviço executado dia após dias. "Enfim, faço isso há mais de trinta anos, lavando carro todo santo dia e com isso, vivo, mantenho minha atual família e também não me aparto de meus filhos". Sabe o tipo de conversa e de pessoa, com a qual bate uma imediata empatia. Pois bem, isso se deu de cara com o Moisés, tanto que, creio eu, já virei cliente, gostei de tudo o que fez e faço questão de repassar adiante seu celular para os interessados em lavar o carro da forma mais adequada e também levar uma conversa, dessas que a gente se esquece de tudo o mais. Ele tem mais gente com ele, dois garotões, que assim como ele começaram cedo e diante de tão poucas oportunidades de algo para ganhar a vida, fazem o mesmo que o agora "patrão" fez quando quiz começar algo de forma independente. Só me esqueci de perguntar se ele consegue ao menos ir pagando mensalmente o INSS, pois um dia essa vitalidade toda começa a definhar. Tomara o faça e vou ficar logo sabendo, tão logo volte lá para lavar novamente o carro e continuar a profícua conversa. Ia me esquecendo, seu fone é 14.99130.3420. Liguem e contratem seus serviços, indicação deste HPA.

5.)
CONSCIÊNCIA RELIGIOSA E POLÍTICA POR FREI BETO, ALGUÉM DO MEU MAIOR RESPEITO E CONSIDERAÇÃO
https://www.youtube.com/live/zZbTPn1eQ10?feature=share
Quem tiver um tempo, quiser fazer um relax com muito conhecimento e cultura política, assista a essa live com o Frei Betto.
Além de relembrar ganhos e perdas importantes que tivemos nos primeiros governos petistas, dá uma verdadeira aula sobre política de base, o caminho que precisamos fazer para efetivamente criar consciência política nas massas e não abrir espaço para o retorno da extrema direita.

Aborda muito bem a relação entre fé, religião e a política.
Muita clareza. Religião e política juntas e em ação, só mesmo com um catedrático.

terça-feira, 2 de maio de 2023

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (190)


TRABALHO, O TEMPO E ANTONIO CÂNDIDO
Dia do Trabalho sempre me lembra de uma entrevista do prof. Antônio Cândido, felizmente disponível na internet: "Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade.
Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte.
Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo.
E justamente a luta pela instrução do trabalhador é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria.
A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: ‘eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize’.
As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada."
Escrito por Wellington Leite

LIÇÃO CONTINUA MAIS VIVA QUE NUNCA

O QUE REPRESENTA A ABERRAÇÃO DA AGRISHOW
O agronegócio, não sei se parte dele ou no todo, representa a aberração ululante brasileira. Ou os caras não perceberam já termos mudado de governo ou continuam abertamente insistindo e incentivando o golpismo, ao estilo do que foi presenciado em Brasília no 8 de janeiro. Não aprenderam a lição, não possuem visão de negócios lícitos e muito menos noção mínima de civilidade.

Explico. Essa festa rural de negócios, movimenta o meio onde circula este pessoal e também todo tipo de agricultor, desde o grandão ao pequeno. Não é que os organizadores, depois de tudo o já presenciado de aberrações, continuam ainda muito bolsonaristas, tinham um ministro de Estado convidado para a abertura, algo natural, pois faz parte do novo governo e momento vivenciado pelo Brasil. Mostrando a que vieram, diante da certa presença do também ainda bolsonarista governador, Tarcisio de Freitas, aproveitam e convidam o hoje quase banido da vida pública brasileira, o capiroto Bolsonaro, lhes oferecem palanque.

Não contentes, desconvidam o ministro de Lula sem um mínimo de vergonha em suas caras. Seria festim do diabolismo bolsonarista na sua essência. O Governo Federal percebendo o que ocorreria, anuncia iria retirar o apoio financeiro do Banco do Brasil para o evento. Os perversos, se tocam só quando tiveram seus bolsos afetados. Era tarde. Tentaram reconvidar o ministro, que acertadamente se recusou a comparecer. Não tiveram outra saída, cancelaram o ato de abertura, o tal onde Bolsonaro faria seu palanque com dinheiro público. O festim aconteceu assim mesmo, tendo como palanque a carroceria de uma caminhonete e contou com todos os próceres do tal do agronegócio.

Eu não entendo o que vai na cabeça desse povo. Será ainda acreditam no que Bolsonaro disse em sua fala lá em Ribeirão Preto, quando afirma que o agro perde com a devolução da remarcação de terras indígenas. Os agros, pelo visto, continuam preferindo atuar na ilegalidade, confrontando algo que o mundo inteiro abomina, do que se adequar a algo dentro de legislação existente. Este retrocesso será a mola mestra destes daqui por diante. Ficaram isolados num mundo de negócios internacional onde bandoleiros são cada vez mais excluídos. O Governo Lula acerta em cheio ao peitar estes. O recado está dado. É assim que deve ser a conversa com quem está a propor a irracionalidade como norma de conduta.

COMO É DIFÍCIL

NÃO PASSAR O PANO
Continuo lendo o JC, como sabem. O cito regularmente em meus escritos e sem nenhum problema, mesmo sendo muito divergente de minha linha de pensamento. Ele me apresenta temas e assuntos diários relevantes para a discussão e, desta forma, leio e passo adiante alguns deles. Escrevo hoje, meio que revoltado por outra coisa. O JC possui um lado, sempre teve e isso não esconde de ninguém. A maioria dos seus leitores e, principalmente a maioria dos que nele escrevem possuem a mesma linhagem. Um ou outro divergem, até para dizerem contrabalançar e possibilitar o contraditório. Na Tribuna do Leitor, fazem isso regularmente. Muito mais publicações dentro da vertente do jornal - ou do dono dele -, do que as demais. Entendo tudo isso e sou obrigado a suportar, enfim, o jornal é deles...

Nestes últimos dias ando não tolerando mais alguns destes missivistas a persistir em escrevinhações a defender o indefensável. Cito dois pelas fotos aqui publicadas. Paulo Panossiam é missivista profissional, escreve para várias públicações pela aí e em todas, defende com unhas e dentes o tucanato, o PSDB. Faz da forma mais deslavada e irresponsável possível. Hoje quer demonstrar não ser bolsonarista - ufa! -, mas continua para defesa do que escreve,louvando e bajulando algo meio que sem noção. Afirmar que a Cultura em SP só aconteceu com estes é demais pra mim. Enfim, algo teria que acontecer, pois ficaram no poder quase 30 anos.
Já Roberto "general" Macedo é destes que, em quase todos seus escritos gosta de dar uma punhalada a mais no Pt, que pelo visto abomina. Tudo bem, compreensível, estando onde se encontra, mas para tanto, continua alfinetando Lula, por exemplo, chamando-o de ex-presidiário, sem levar em conta o Sergio Moro já ter sido desmascarado e a prisão ter sido mais do que comprovada como injusta e criminosa. Ele, em sua perversidade, segue na ladainha, que ao meu ver é também fake-news.

Para quem escreve desta forma e jeito, não me seguro, sento a pua. Cansei destes. Deve existir uma linha mínima a ser seguida de verdade em tudo o que fazemos, fora disso, o escrito passa a não valer nada.

DOMINGO TEM NOVIDADE ACONTECENDO AQUI NO FACEBOOK DESTE MAFUENTO HPA
Aguardem.
Nos preparativos para, do domingo, o pontapé inicial.
Uma de minhas felicidades na vida é ser ponte.
Em breve novidades, dessas vindo para estremecer e abalar estruturas.
De hoje até sábado, pouco a pouco, em drops, vou contando até o dia do ORGASMO TOTAL.
Por hoje, só o logo do negócio, feito pelo amigo chargista, cartunista e artista do traço, Fausto Bergocce.
Se contasse hoje, estragaria a surpresa.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

CENA BAURUENSE (236)

 IMPRESSÕES DO MAFUENTO HPA NAS ANDANÇAS PELOS QUATRO CANTOS BAURUENSES

01.) Em 29/03/2023 publiquei: Eis a situação da maioria das residências nos fundos de onde antes funcionava as Oficinas da Rede, vila Falcão, essa mais precisamente esquina, quadra quatro da rua José Bastos. Um dos cantos esquecidos desta cidade.

02.) Em 31/03/2023 publiquei: Dentre algumas das históricas casas abandonadas desta cidade, eis essa, bem no meio da rua Quinze de Novembro, coração central da antiga Bauru. Guarda traços na fachada do que foi um dia, com relevo em forma de círculo, provavelmente alguma representação familiar.

03.) Em 05/04/2023 publiquei: Nada como ter sua parede toda revestida com uma obra de arte, principalmente quando realização fica a cargo de artista local. Neste caso, loja de molduras, esquina das ruas capitão Gomes Duarte com Araújo Leite, traço do competente Fino. Isso valoriza qualquer parede.

04.) Em 08/04/2023 publiquei: Na rua de acesso entre a vila Falcão e o jardim Bela Vista funcionou por bom tempo uma delegacia de polícia civil e o local permanecia inviolável, mas bastou o posto policial fechar e o local foi logo ocupado pelos moradores em situação de rua. A degradação chegou a tanto, ao ponto de roubarem portas e janelas. Só agora, com lixo tomando conta de tudo, a Prefeituta toma atitude, lacrando todos os acessos com parede de tijolos. Tarde demais, deterioração irreversível e o anúncio da possibilidade de ser reaproveitado para alguma função publica.

05.) Em 09/04/2023 publiquei: Na quadra da rua Primeiro de Agosto, entre as ruas Antonio Alves e Araújo Leite, exatamente neste local, na parte inferior uma padaria 24h, a Torre de Belém e na superior, a rádio 710 AM, quarteirão com intensa movimentação, tendo existido até movimentação para ali funcionar uma rua 24h na cidade, porém, hoje tudo muito diferente, com ambos os locais fechados, contribuindo em muito para a degredação do centro velho da cidade. Nas duas esquinas também portas fechadas, na da Antonio Alves a antiga Churrascaria Gaúcha e na Araújo Leite, três lojas na sequência, além da Academia do Cyborg, tudo do mesmo lado da quadra.

06.) Em 11/04/2023 publiquei: Nesta quadra da avenida Rodrigues Alves, defronte a Câmara de Vereadores e praça D. Pedro II, entre ruas Gerson França e Azarias Leite o reflexo permeando todo o centro da cidade: na quadra, cinco estabelecimentos fechados.


07.) Em 12/04/2023 publiquei: Na Praça dos Expedicionários, Jardim Bela Vista, um ponto comercial resiste e consegue continuar a revender revistas e jornais, mesmo estes não sendo mais o carro-chefe do negócio. Muito antigamente, ali ao lado funcionou por décadas o Cine Bela Vista e hoje, um prédio residencial.

08.) Em 13/04/2023 publiquei: Essa deve ser uma das últimas, senão a última das bancas de venda de CDs novos na cidade, localizada no saguão de entrada do Sesc, na rua Aureliano Cardia, só com produtos do selo Sesc. Com o modal em transformação, já tivemos lojas fantásticas, antes vendendo LPs, depois CDs e hoje, creio eu, nem a Lojas Americanas, que mantinha uma seção só de música ainda mantém algo como o aqui registrado.

09.) Em 15/04/2023 publiquei: Dentre os ícones que fizeram sucesso na cidade, pelo bem ou pelo mal, algo persiste ainda com a inscrição de uma delas lá no I Distrito Industrial de Bauru, ao lado do Jardim Redentor, podendo ser vista pelos que circulam no acesso para a rodovia Bauru/Jaú. O local permanece fechado, sem utilização desde o fatídico fechamento da empresa.

10.) Em 16/04/2023 publiquei: Límerson Morales, humorista e inveterado gozador, posta muitas hilárias fotos tiradas pela Bauru, como essa tirada na rua Manuel Raimundo Silva quadra 2, perto do Sato Verduras, altos na avenida Nações Norte, com a seguinte descrição: "O ponto de ônibus mais bonito de Bauru. É só acender um cigarro que o ônibus chega. Nem precisa ser fumante".

11.) Em 17/04/2023 publiquei: Dentro da necessidade de fazer tudo com bom humor, a placa do restaurante Convívio, junto ao parque Vitória Régia, quando se faz necessário subir as escadas para fazer uso dos banheiros é exemplar neste sentido.

12.) Em 18/04/2023 publiquei: Não se assustem, o que se vê na esquina das ruas Agenor Meira e Primeiro de Agosto, centro velho de Bauru, cada vez mais tomado por trabalhadores ambulantes, ocupando todos os disponíveis espaços nas ruas é a demonstração mais límpida deste momento, onde a busca pela sobrevivência se apresenta mais acentuada. Enquanto muitos comércios conhecidos fecham definitivamente suas portas, estes se acotovelam em novos pontos.

13.) Em 19/04/2023 publiquei: No terminal rodoviário, bem ao lado de fileira de bancos, destes onde as pessoas aguardam horas pelo seu horário - de partir ou quem o venha buscar -, uma casinha de madeira do Projeto "Leitura: Exercício da Mente", onde a ideia é a difusão da boa leitura, sugestionando os interessados em levá-los para ler nas estradas da vida. Só que, por lá nos últimos tempos, só revistas de cunho religioso e outras de interesse diminuto. Ah, se a Cultura Municipal pudesse e quisesse manter o local abastecido permanentemente com os livros excedentes de nossas bibliotecas - manutenção informada de 30 dias -, creio eu, a rotatividade de interessados poderia alcançar os objetivos buscados pela proposta idealizadora. Aquilo abastecido de livros seria mais que ótimo.